Scielo RSS <![CDATA[Acta Obstétrica e Ginecológica Portuguesa]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=1646-583020250001&lang=pt vol. 19 num. 1 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[15 Anos de Preservação da Fertilidade em Portugal]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Interrupção voluntária da gravidez em adolescentes num hospital distrital português entre 2010 e 2023, um estudo retrospetivo]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Introduction: In Portugal, there was a decrease in the number of induced abortion (IA) between 2011 and 2021, with a slight increase since 2022. The percentage of abortion by women request performed in women under 20 years old has been decreasing, ranging between 8.3% and 9.1%. Aim: To characterize the IA performed in adolescents in a Portuguese district hospital. Study Design, Population and Methods: Retrospective descriptive observational study that included all young women under the age of 20 who underwent IA between 2010 and 2023. Sociodemographic aspects, obstetric and contraceptive history, characteristics of the abortions, and subsequent counseling were analyzed. Results: During the study period, 712 IA were performed on 669 adolescents, with a decreasing trend observed between 2010 and 2021, followed by an increase in the last two years. The minimum age was 13 years (median age 18 years) and 88.9% of the adolescents were single. 85.9% were Portuguese and, among the foreigners, 61.7% were from Portuguese-speaking African countries. The majority (68.3%) were students and, among those who worked, 49.1% were unemployed. Roughly half (47.5%) did not use contraception, and the main method, when used, was the condom (29.2%). Additionally, 10.1% had previously undergone at least one IA and 8% had at least one child. In 56.6% of the cases, there was a referral to a family planning appointment at primary health care, and the main contraceptive methods chosen after abortion were hormonal (95.2%), with long-acting methods preferred in 44.8% of cases. Conclusions: The recent increasing trend of IA in adolescence, a period of particular vulnerability, should prompt intervention. It is crucial to optimize strategies that involve education, awareness, and promotion of accessibility to more effective contraceptive methods, particularly long-acting methods, as well as to reinforce referrals and ensure follow-up of these young women.<hr/>Resumo Introdução: Em Portugal verificou-se um decréscimo do número de interrupções voluntárias da gravidez (IVG) entre 2011 e 2021, com um discreto aumento desde 2022. A percentagem de interrupções realizadas em mulheres com menos de 20 anos tem vindo a diminuir, variando entre 8,3 e 9,1%. Objetivo: Caracterizar as IVG realizadas em adolescentes num hospital distrital português. Desenho de Estudo, População e Métodos: Estudo observacional retrospetivo descritivo que incluiu todas as jovens com idade inferior a 20 anos que realizaram IVG entre 2010 e 2023. Foram analisados aspetos sociodemográficos, antecedentes obstétricos, contraceção, características da IVG e orientação subsequente. Resultados: Durante o período de estudo foram realizadas 712 IVG em 669 adolescentes, observando-se uma tendência decrescente entre 2010 e 2021, seguida por um aumento nos dois últimos anos. A idade mínima foi de 13 anos (mediana 18 anos), e 88,9% das adolescentes eram solteiras. 85,9% eram portuguesas e, das estrangeiras, 61,7% eram naturais de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A maioria (68,3%) eram estudantes e, das trabalhadoras, 49,1% estavam desempregadas. Cerca de metade (47,5%) não usava contraceção e o principal método, quando utilizado, foi o preservativo (29,2%). Adicionalmente, 10,1% tinha realizado pelo menos uma IVG previamente e 8% tinha pelo menos um filho. Em 56,6% dos casos houve encaminhamento para consulta de planeamento familiar ao nível dos Cuidados de Saúde Primários e os principais métodos contracetivos escolhidos após a IVG foram os hormonais (95,2%), sendo os métodos de longa duração preferidos em 44,8% dos casos. Conclusão: A recente tendência crescente de IVG na adolescência, período de particular vulnerabilidade, exige intervenção. É essencial a otimização de estratégias educativas, de sensibilização e promoção da acessibilidade a métodos contracetivos mais eficazes, nomeadamente métodos de longa duração, bem como o reforço do encaminhamento e seguimento destas jovens. <![CDATA[Modalidades de excisão e risco de malignidade em diferentes lesões de potencial maligno incerto na mama (B3)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100021&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Introduction: Breast lesions of uncertain malignant potential (B3) represent a group with heterogeneous malignancy risk. Overtreatment is a concern, as most of these lesions are ultimately benign. However, non-negligible underestimation rates for malignancy underscore the importance of identifying features that can guide individualized treatment strategies. Our study aimed to evaluate the positive predictive value for malignancy in excised B3 lesions, identify potential upgrading risk factors, and compare different management methods. Methods: This retrospective study reviewed a single-center series of patients being followed in the context of a histological diagnosis of a B3 lesion. Only patients without a synchronous diagnosis of a higher-grade lesion were included. Results: 51 patients were included (median age, 51 [IQR=12.0] years), 54.9% of whom presented with breast symptoms. The most prevalent diagnosis was papillary lesions (PL) at 66.7%. Chosen management included a follow-up-only strategy in 31.4%, open excision in 43.1%, and vacuum-assisted excision (VAE) in 23.5%. The upstage rate was 8.6% in excised lesions. There was a 5.4% follow-up upgrade risk over 2 years. We found statistical significance between the chosen management modality and family risk for breast cancer (p=0.033), used diagnostic tool (p&lt;0.001), and histological diagnosis (p=0.029). As for total malignancy, we found classical lobular neoplasia (LN) (p=0.017), multifocality (p=0.023), and BIRADS≥4b at diagnosis (p=0.019) as associated risk factors. Conclusion: VAE offers a safe and effective treatment for B3 lesions, reducing the number of open surgical procedures, as confirmed by the low upgrade rate to malignancy after a VAE in this study. Our findings are consistent with the current literature by confirming varying malignancy risks among B3 subtypes and in the identified risk factors. We propose a more conservative approach to treating PL, whereas surgical excision seems justified for LN.<hr/>Resumo Introdução: As lesões mamárias de potencial maligno incerto (B3) possuem riscos de malignidade variáveis. A abordagem cirúrgica tem sido questionada, uma vez que a maioria acaba por ser benigna, mas algumas taxas de subestimação de malignidade sublinham a importância de identificar caraterísticas que permitam individualizar o tratamento. O nosso estudo teve como objetivo avaliar o valor preditivo positivo para malignidade em lesões B3 excisadas, identificar potenciais fatores de risco e comparar os diferentes métodos de gestão destes doentes. Métodos: Estudo retrospetivo que analisou um grupo de doentes vigiadas no contexto de diagnóstico histológico de lesão B3 numa única instituição. Foram incluídas apenas as doentes sem diagnóstico síncrono de lesão de maior grau. Resultados: Foram incluídas 51 doentes (idade mediana, 51 anos [IQR=12,0]), 54,9% apresentavam sintomas mamários. O diagnóstico mais prevalente foi lesões papilares (PL), em 66,7%. O tratamento escolhido incluiu uma estratégia de seguimento em 31,4%, excisão cirúrgica em 43,1% e excisão assistida por vácuo (EAV) em 23,5%. A taxa de malignidade nas lesões excisadas foi 8,6%. O risco de transformação maligna durante seguimento de pelo menos 2 anos foi 5,4%. Encontrámos uma associação entre a modalidade de tratamento escolhida e o risco familiar da doente (p=0,033), ferramenta de diagnóstico utilizada (p&lt;0,001) e diagnóstico histológico (p=0,029). A neoplasia lobular (LN) (p=0,017), multifocalidade da lesão (p=0,023) e BIRADS≥4b aquando do diagnóstico (p=0,019) foram fatores de risco para malignização total. Conclusão: A EAV constitui um tratamento seguro e eficaz para lesões B3, capaz de reduzir o número de intervenções cirúrgicas, como confirmado pela baixa taxa de transformação maligna. Os nossos resultados são consistentes com a literatura atual, confirmando riscos variáveis de malignidade entre subtipos de lesões B3 e nos fatores de risco identificados. Deve considerar-se uma abordagem mais conservadora para o tratamento das PL, enquanto a excisão cirúrgica parece justificar-se para as LN. <![CDATA[O paradigma atual da infeção por Parvovírus B19 na gravidez]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100032&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Parvovirus B19 may affect 1-3% of pregnant women, with vertical transmission occurring in 17-33% of these cases. The gold standard for diagnosing maternal infection is IgG/IgM serology testing. Most fetal infections are self-limited; however, fetal surveillance through ultrasound-based methods, including the assessment of middle cerebral artery peak systolic velocity (MCA-PSV), aims to detect the presence of anemia and fetal hydrops. An MCA-PSV &gt; 1.5 MoM indicates the need for intrauterine transfusion, which improves mortality rates. Fetal hydrops is associated with worse postnatal outcomes and a higher risk of neurological and neurodevelopmental alterations. Nevertheless, the prognosis is generally favorable.<hr/>Resumo O parvovírus B19 afeta 1-3% das grávidas, com transmissão a 17-33% dos fetos. O gold standard para diagnóstico de infeção materna são as serologias IgG/IgM. A maioria das infeções fetais é autolimitada; contudo, a vigilância fetal ecográfica com avaliação do pico de velocidade sistólica da artéria cerebral média (PVS-ACM) é essencial na deteção de anemia e hidrópsia fetal. Um PVS-ACM &gt; 1,5 MoM determina a realização de transfusão intrauterina, o que diminui a mortalidade fetal. A hidrópsia fetal associa-se a desfechos pós-natais desfavoráveis e um risco aumentado de alterações neurológicas e de neurodesenvolvimento. Ainda assim, o prognóstico é geralmente favorável. <![CDATA[Suplementação com vitamina C intravaginal na vaginose bacteriana: uma revisão sistemática]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100040&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Background: The aim of this review was to assess the efficacy of intravaginal vitamin C in reducing symptoms and treating Bacterial Vaginosis (BV). Methods: In October 2023, the authors conducted a systematic review by searching for scientific publications indexed in the PubMed and Cochrane Central database. Inclusion criteria included published articles/trials that met the following conditions: the population of women with an active diagnosis or recurrent history of BV-related vaginitis, undergoing treatment or prophylaxis with vitamin C, compared to placebo or other first line/adjunctive/prophylactic measures used in BV. Exclusion criteria included non-original articles, duplicated studies and discrepancy between content of the article and the aim of this review. Of the initial 264 articles, five randomized studies were included. Results: Concerning treatment, results showed a superiority of BV cure rates and reduction in symptomatology, using intravaginal vitamin C compared to placebo, in monotherapy or adjuvant therapy regimens. In the only study evaluating intravaginal vitamin C for prophylaxis of this condition, there was a decrease in BV recurrence after six months of intravaginal vitamin C use, with a higher likelihood of no recurrence from the fifth month. Regarding its safety, vitamin C appears to be well tolerated. Discussion: Intra-vaginal vitamin C at a dosage of 250 mg, once a day, for six to seven days, may constitute a possible treatment regimen for BV, either as monotherapy or as adjuvant therapy.<hr/>Resumo Introdução: O objetivo desta revisão consistiu em avaliar a eficácia da vitamina C intravaginal na redução dos sintomas e cura da Vaginose Bacteriana (VB). Métodos: Os autores realizaram em outubro de 2023 uma revisão sistemática através da pesquisa de publicações científicas indexadas nas bases de dados PubMed e Cochrane Central. Os critérios de inclusão incluíram a população de mulheres com diagnóstico ativo ou história recorrente de VB, em tratamento ou profilaxia com vitamina C, em comparação com placebo ou outras medidas de primeira linha/adjuvantes/profiláticas. Excluíram-se artigos não originais, estudos duplicados e discrepância entre o conteúdo do artigo e o objetivo desta revisão. Dos 264 artigos iniciais, foram incluídos cinco estudos randomizados. Resultados: Relativamente ao tratamento, os resultados demonstraram superioridade nas taxas de cura da VB e redução da sintomatologia, com uso de vitamina C intravaginal em comparação com o placebo, em regimes de monoterapia ou terapia adjuvante. No único estudo que avaliou a vitamina C intravaginal profilática, houve diminuição da recorrência de VB após seis meses de tratamento com maior probabilidade de não recorrência a partir do quinto mês. Quanto à segurança, a vitamina C parece ser bem tolerada. Discussão: A vitamina C intravaginal na dose de 250 mg, uma vez ao dia, durante seis a sete dias, pode constituir um possível regime de tratamento para VB, seja em monoterapia ou terapêutica adjuvante. <![CDATA[O impacto da histerectomia por patologia benigna na função sexual feminina - uma revisão narrativa]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100049&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Hysterectomy is one of the most commonly performed gynecological surgical procedures and its impact on female sexuality remains topic of debate. This review assessed the impact of hysterectomy on female sexual function, considering the surgical approach, whether a total or subtotal hysterectomy was performed, salpingo-oophorectomy and vaginal vault suspension. A literature review was conducted using Medline/PubMed and ScienceDirect, applying the terms: “hysterectomy” AND (“sexual dysfunction” OR “sexual function”). The selection of the articles was based on the title and abstract, according to the established inclusion criteria. The results of the studies presented in this review are heterogeneous. Overall, it can be concluded that the outcomes are similar in women who underwent total or subtotal hysterectomy, better in women who underwent prophylactic vaginal vault suspension, similar or slightly better in those who underwent total laparoscopic hysterectomy compared to the transabdominal approach and worse in women who underwent salpingo-oophorectomy, particularly in those of reproductive age. The potential impact of gynecological surgery on sexual function should be addressed prior to the surgical procedure, providing appropriate counselling. A multidisciplinary approach often allows for the optimization of outcomes.<hr/>Resumo A histerectomia é um dos procedimentos cirúrgicos ginecológicos mais frequentemente realizados e o seu impacto na sexualidade da mulher permanece tema de debate. Esta revisão avaliou o impacto da histerectomia na função sexual feminina, de acordo com a via, realização de histerectomia total/subtotal, salpingo-ooforectomia e suspensão da cúpula vaginal. Foi realizada uma revisão da literatura utilizando a Medline/PubMed e a ScienceDirect, aplicando os termos: “hysterectomy” AND (“sexual dysfunction” OR “sexual function”). A seleção dos artigos foi feita com base no título e resumo, de acordo com os critérios de inclusão estabelecidos. Os resultados dos estudos apresentados nesta revisão são heterogéneos. Globalmente, pode concluir-se que os resultados são semelhantes em mulheres que realizaram histerectomia total ou subtotal, melhores em mulheres que realizaram suspensão profilática da cúpula vaginal, semelhantes ou ligeiramente melhores nas submetidas a histerectomia total laparoscópica comparativamente com a via transabdominal e piores em mulheres que efetuaram salpingo-ooforectomia sobretudo em idade reprodutiva. O potencial impacto da cirurgia ginecológica na função sexual deve ser abordado previamente à realização do procedimento cirúrgico, proporcionando um aconselhamento adequado. Uma abordagem multidisciplinar permite, muitas vezes, uma otimização dos resultados. <![CDATA[Derrame pleural no feto - um caso raro sobre a migração de um shunt]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100061&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Fetal pleural effusion can have various underlying causes. However, regardless of the cause, intrauterine treatment poses significant challenges and sometimes requires ultrasound-guided drainage of the effusion to reduce its volume and prevent pulmonary atelectasis. The placement of intrauterine shunts is a complex procedure that allows for the drainage of the effusion, but it is associated with potential fetal risks. There are few descriptions of complications associated with the procedure in the literature. This intriguing clinical case, illustrated with ultrasound images, demonstrates a rare complication associated with this intervention.<hr/>Resumo O derrame pleural fetal pode ter várias causas subjacentes. No entanto, independentemente da causa, o tratamento intrauterino é desafiante, por vezes exigindo a drenagem ecoguiada do derrame para reduzir o seu volume e prevenir atelectasia pulmonar. A colocação de shunts intrauterinos é um procedimento complexo que permite a drenagem do derrame. No entanto, não é isento de riscos fetais. Existem poucas descrições das complicações subjacentes ao procedimento na literatura. Descreve-se um caso clínico, ilustrado com imagens de ecografia, apresentando uma complicação rara associada a esta intervenção. <![CDATA[Rotura espontânea de um pseudoaneurisma da artéria ovárica no pós-parto: para um caso raro, um tratamento eficaz]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100066&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Spontaneous rupture of an ovarian artery aneurysm or pseudoaneurysm (OAA) is a rare, life-threatening cause of retroperitoneal hemorrhage. We present a patient with an undiagnosed left ovarian pseudoaneurysm that ruptured two days after an uneventful vaginal delivery. This condition was initially masked by typical puerperal changes and postpartum complications, however, an urgent transcatheter arterial embolization (TAE) led to a successful outcome. This case report and a literature review highlight the need for awareness of ruptured OAA in the differential diagnosis of severe abdominal pain after childbirth, especially in high-parity women, to improve maternal and perinatal outcomes.<hr/>Resumo A rotura espontânea de um aneurisma ou pseudoaneurisma da artéria ovárica (AAO) é uma causa rara e potencialmente fatal de hemorragia retroperitoneal. Apresentamos o caso de uma paciente com rotura de um pseudoaneurisma da artéria ovárica esquerda, dois dias após um parto vaginal normal. O quadro clínico foi inicialmente mascarado por alterações fisiológicas típicas e potenciais complicações puerperais, porém uma embolização transarterial (ET) atempada resultou num desfecho favorável. Com este caso clínico e após uma revisão da literatura, podemos concluir que o diagnóstico de rotura de AAO, embora difícil, deve ser considerado no diagnóstico diferencial em mulheres com dor abdominal intensa no periparto, especialmente em grandes multíparas, de forma a melhorar os desfechos maternos e perinatais. <![CDATA[Quisto uterino - uma causa rara de massa pélvica]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302025000100074&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract The diagnosis and determination of the origin of a pelvic mass is often challenging. For masses of uterine origin, the differential diagnosis typically focuses on leiomyomas and uterine sarcomas, due to the higher incidence of the former and the severity associated with the latter. However, other uterine masses, such as those with cystic content, should also be considered. We present the case of a 49-year-old woman with a history of chronic pelvic pain and an ultrasonographic diagnosis of a cystic adnexal mass. During the surgical procedure, the cystic mass was found to originate from the uterine serosa. Histological analysis confirmed it to be an endometrial cyst, also known as a uterine endometrioma. This case highlights the importance of including endometrial cysts - a rare entity - in the differential diagnosis of cystic pelvic masses of uterine origin. Recognition of this condition is crucial for appropriate clinical management.<hr/>Resumo O diagnóstico e a determinação da origem de uma massa pélvica é, frequentemente, um desafio. No caso de massas com origem uterina, o diagnóstico diferencial concentra-se habitualmente nos leiomiomas e nos sarcomas uterinos, devido à maior incidência dos primeiros e à gravidade associada aos segundos. Contudo, outras massas uterinas, como as de conteúdo quístico, devem igualmente ser consideradas. Apresentamos o caso de uma mulher de 49 anos, com história de dor pélvica crónica e diagnóstico ecográfico de uma massa anexial quística. Durante o procedimento cirúrgico, verificou-se que a massa quística tinha origem na serosa uterina. A análise histológica confirmou tratar-se de um quisto endometrial, também chamado de endometrioma uterino. Com este caso, pretendemos destacar a importância de incluir os quistos endometriais - uma entidade rara - no diagnóstico diferencial de massas pélvicas quísticas com origem uterina. A consideração desta entidade é essencial para um manejo clínico adequado.