Scielo RSS <![CDATA[Medievalista]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=1646-740X20260001&lang=pt vol. num. 39 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[Editorial - O calvário da FCT e a ciência piolhosa]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<strong><em>In Memoriam</em> António Borges Coelho</strong>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Melodias de além-Pirenéus na lírica galego-portuguesa: os cantares <em>em maneira de proençal</em>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100025&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo descreve o trabalho realizado em Lisboa com vista à construção da base de dados em linha Cantigas de seguir: modelos occitânicos e franceses, permitindo avaliar o cumprimento dos seus objectivos: reunir informação dispersa sobre cantigas galego-portuguesas com possíveis modelos extra-peninsulares, fomentar a compreensão histórica da tradição, permitir novas percepções filológicas de textos selecionados, ampliar as versões musicais autênticas disponíveis e, tendo em conta o enquadramento melódico das canções, refinar a sua interpretação. Em consequência deste projecto, identificámos 36 poemas compostos a partir de canções em língua occitana ou francesa (destacando-se, como autor, Peire Vidal); desses poemas, 21 têm música recuperável a partir de 14 melodias conservadas em fontes medievais. Esta perspectiva comparativa permitiu que três cantigas, entre as quais duas composições de Dom Dinis, fossem aqui reeditadas ou reinterpretadas.<hr/>Abstract This paper describes the work done in Lisbon towards the construction of the online database Contrafacta: French and Occitan Modelsand the achievements of the project: bringing together scattered information about Galician-Portuguese troubadour songs with possible extra-peninsular models, furthering the historical understanding of the tradition, allowing new philological insights on selected texts, expanding the available musical versions, and, by taking into account the melodic framework of the songs, refining their interpretation. As a result, 36 poems were identified that imitate songs in French or Occitan (Peire Vidal being the most influential author); the music can be recovered for 21 of these texts, using 14 extant medieval melodies. Comparative insights allowed three Galician-Portuguese songs to be newly edited or freshly analysed, two of them authored by King Dom Dinis. <![CDATA[Acerca de colmeias e colmeeiros na Idade Média (séculos XIII-XV)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100055&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Entre os séculos XIII e XV, a apicultura passava por uma reestruturação produtiva e económica motivada pela crescente procura de produtos apícolas. Foi do nosso interesse explorar esta reorganização que passou, por um lado, pela vulgarização das colmeias devido às suas vantagens produtivas e, por outro lado, pelo definhar da economia de recoleção de enxames silvestres de abelhas. Esta conjuntura promoveu diferentes níveis de propriedade de colmeias e uma multiplicidade de negócios apícolas, o que imprimiu uma diferenciação de tipos sociais de colmeeiros. Baseado nos documentos “Aranzel das malhadas” e o “Titollo das silhas” caracterizámos colmeeiros contratados, urbanos, especializados e inseridos numa agricultura de policultura.<hr/>Abstract Between the 13th and 15th centuries, beekeeping experienced a significant productive and economic restructuring due to the increasing demand for bee products. Our interest was to investigate this reorganization, which included, on one hand, the widespread use of hives because of their productive benefits, and on the other hand, the decline of the economy based on collecting wild bee swarms. This scenario led to various levels of hive ownership and a variety of beekeeping businesses, resulting in a differentiation of social types of beekeepers. Based on the documents "Aranzel das malhadas" and "Titollo das silhas" we classified beekeepers as hired, urban, specialized, and involved in polycultural farming. <![CDATA[<strong>O conceito de <em>plenitudo potestatis</em> no <em>III Dialogus</em> de Guilherme de Ockham</strong>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100087&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Guilherme de Ockham (1284? -1347?) elabora em seu Dialogus III uma discussão sobre a plenitudo potestatis, isto é, sobre a extensão da potestade (potestas) papal, tanto sobre o governo eclesiástico quanto sobre o governo temporal, de competência dos imperadores, reis e príncipes. Essa pesquisa visa investigar, entre as cinco teses apresentadas por Ockham em sua obra Dialogus III, o que o pensador compreende por plenitudo potestatis papalis. Especificamente, evidencia-se a negação da principal tese a respeito da plenitudo potestatis, defendida pelos curialistas, fundamentada nas palavras do evangelista Mateus 16:19 - “tudo o que ligares” -, mas também na constituição Solitie do Papa Inocêncio III, que garantiu um entendimento generalizado da passagem de Mateus. Os argumentos apresentados por Ockham para esquadrinhar a plenitudo potestatis se caracterizam por dois modos, primeiramente, no qual o Papa possui a potestade regularmente, e, por um outro modo, no qual ele possui de modo extraordinário, que ocorreria somente em caso de necessidade e em alguns casos específicos.<hr/>Abstract In his III Dialogus, William of Ockham (1284? -1347?) develops a discussion on the plenitudo potestatis, that is, on the extent of papal power (potestas), both on ecclesiastical government and on temporal government, which is the competence of emperors, kings and princes. The research aims to investigate the five theses Ockham presented in his work Dialogus III and demonstrate what the thinker understands by plenitudo potestatis papalis. Specifically in a process of denying the central thesis regarding plenitudo potestatis, defended by the curialists, founded on the words of the evangelist Matthew 16:19 - “whatever you bind” -, but also on the constitution Solitie of pope Innocent III, which ensured a generalized understanding of Matthew's passage. The arguments presented by Ockham to examine the plenitudo potestatis papalis, are characterized in two ways, firstly which power the Pope possesses regularly, and which one he possesses in an extraordinary way, which would occur, only in case of necessity and in some specific cases. <![CDATA[<strong>Vestígios da retórica latina na <em>Vida e milagres de Dona Isabel, rainha de Portugal</em></strong>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100121&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O presente artigo visa, em primeiro lugar, demonstrar que os autores medievais portugueses, educados segundo o trivium, dominavam as estruturas retóricas latinas, conhecendo os principais tratados da disciplina, por exemplo, aqueles da autoria de Cícero (106 a. C. - 43 a. C.) e Quintiliano (35-96). Após a identificação destes documentos e do modo como eles eram aplicados na educação medieval galego-portuguesa, analisaremos, à luz do conteúdo veiculado pelos mesmos, episódios selecionados da hagiografia Vida e milagres de Dona Isabel, Rainha de Portugal (séc. XIV), com a finalidade de entender de que forma as noções retóricas são aplicadas no texto e no modo como estas conceções contribuem ou não para os efeitos de persuasão religiosa e política desejados pelo autor. Para a concretização deste estudo, focar-nos-emos, sobretudo, nos conceitos de inventio, dispositio e elocutio, como desenvolvidos nas obras De Inventione (Cícero, c. 90 a. C.) e Rhetorica ad Herennium (autor desconhecido, c. 84 a. C.), considerados os principais manuais de retórica do ensino medieval.<hr/>Abstract The aim of this article is, firstly, to demonstrate that Galician-Portuguese medieval authors, educated according to the trivium, mastered Latin rhetorical structures, knowing the main treatises on the subject, for example, those by Cicero (106 BC - 43 BC) and Quintilian (35-96). After identifying these documents and how they were applied in Galician-Portuguese medieval education, we will analyse selected episodes from the hagiography Vida e milagres de Dona Isabel, Rainha de Portugal (14th century) in the light of the content they convey, with the aim of understanding how rhetorical notions are applied in the text and how these concepts contribute or not to the effects of religious and political persuasion desired by the author. To carry out this study, we will focus above all on the concepts of inventio, dispositio, and elocutio, as developed in the works De Inventione (Cicero, c. 90 BC) and Rhetorica ad Herennium (unknown author, c. 84 BC), considered to be the main rhetorical manuals of medieval education. <![CDATA[“both see and sonde”: Viagem marítima e identidade no Romance em Inglês Médio]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100141&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Entendido como um dos símbolos literários mais universais, o mar tem um lugar de destaque no imaginário medieval europeu, em particular na literatura insular. Todavia, embora existam vários estudos dedicados à(s) representação(ões) do mar e às viagens por ele adentro na literatura inglesa na Idade Média, poucos são os que se dedicam à análise de romances não-arturianos em inglês médio, ou medieval. Assim, pretende-se analisar o papel desempenhado pelas viagens marítimas num conjunto de textos frequentemente vistos como marginais no campo dos estudos medievais ingleses. De facto, parece-nos que, mantendo-se o mar como um espaço desconhecido a partir do qual múltiplas ameaças podem advir, é também a viagem por mar que permite às personagens principais de romances como King Horn e Havelok the Dane, entre outros, definir e afirmar a sua identidade e, consequentemente, recuperar o seu lugar legítimo na sociedade.<hr/>Abstract Considered one of the most universal symbols in literature, the sea was a source of inspiration for the European imagination in the Middle Ages, especially for insular literature. However, even though there are several studies dedicated to the sea and sea voyages in medieval English literature, few have dedicated themselves to the analysis of non-Arthurian romances in Middle English. Consequently, this essay aims to analyse the role played by sea voyages in this set of texts, which are so frequently considered marginal in the field of medieval English studies. In fact, it seems that, while the sea remains a space from where all sorts of unknown threats originate, sea voyages allow the main characters of romances such as King Horn and Havelok the Dane, among others, to define and assert their identity and, hence, recover their rightful place in the communities they belong to. <![CDATA[Ecos medievais na <em>Gondal</em> de Anne Brontë: reflexões culturais sobre as poesias anglo-saxónica e vitoriana]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100171&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[<em>Rebellion in Medieval Europe c.1000-c.1500</em>.]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100199&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[<em>As Religiões na Europa Medieval Urbana / Religions in Medieval Urban Europe</em>.]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100211&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[A construção literária das cinco linhagens fundacionais do espaço português (sécs. XIII-XIV)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100231&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[Sagrado Profano: Imagens eróticas em manuscritos medievais de cariz religioso]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100265&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[Os dois corpos da Rainha: reginalidade no Portugal do final da Idade Média. Conclusões de uma investigação recente]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100285&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[Genealogias no Feminino. Espaços e cenários do poder da mulher na Castela do século XV, através de testamentos da nobreza]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[O estudo da produção têxtil no final de al-Andalus e no início do século XVI: uma caracterização das formas de produção]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100325&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[A newly discovered medieval poem about the death of a knight]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100343&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[Mimesis and Naturalism in Medieval Art (XV Coloquio Ars Mediaevalis, Aguilar de Campoo, October 10-12, 2025)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100363&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[O Medievo nas Jornadas Internacionais <em>Coisas de deleite e fruição. Arqueologia dos Prazeres</em>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100371&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[Lorvão no tempo das monjas: estudos sobre livros, liturgia e vida conventual no âmbito de um projeto Interdisciplinar (2021-2024)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100381&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms. <![CDATA[The Art of Renaissance Illumination: António de Holanda, his Arts and Sciences - Conferência Internacional]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2026000100395&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nenhum período histórico existe em completo isolamento dos demais. Os acontecimentos interligam-se e as ideias transitam ao longo do tempo. Apesar de aparentemente distante, a voz dos antepassados manifesta-se através de tradições, simbolismos ou da continuidade de aspetos fundamentais da condição humana, que permanecem, em certa medida, inalterados. Tal é o caso da Idade Média, frequentemente percebida como remota, mas que, em momentos específicos, revela uma surpreendente proximidade com questões contemporâneas. Este artigo analisa a posição social da mulher, destacando padrões de restrição de movimentos, dúvidas sobre as suas capacidades físicas, morais e intelectuais, e uma misoginia, ora velada, ora explícita, que atravessam tanto a Alta Idade Média como o período vitoriano. Apesar da distância temporal, ambos os contextos refletem sociedades estruturadas por dinâmicas patriarcais semelhantes. A literatura, em particular a poesia, constitui neste estudo um instrumento essencial para a compreensão de modelos sociais e culturais. A poesia anglo-saxónica de voz feminina e a juvenilia de Anne Brontë, especialmente a poesia de Gondal, exploram questões de género e poder, refletindo tensões culturais que ecoam conceções medievais e vitorianas. O universo poético evidencia o potencial da literatura para transcender barreiras temporais, revelando padrões sociais persistentes e desafiando normas culturais estabelecidas.<hr/>Abstract No historical period exists in complete isolation from others. Events and ideas are interconnected across time, forming a continuum. Although seemingly distant, the voice of the past lingers on, manifesting through traditions, symbols, and the enduring aspects of human nature, which remain, to some degree, unchanged. The Early Middle Ages, often perceived as remote, frequently reveals surprising parallels with contemporary issues. This essay examines the social condition of women, highlighting recurring patterns of restricted mobility, scepticism towards their physical, moral, and intellectual capacities, and the enduring presence of misogyny-whether implicit or explicit-in both medieval and Victorian societies. Despite being separated by centuries, these periods were shaped by patriarchal structures that exhibit striking similarities. Anglo-Saxon poetry written in a female voice and Anne Brontë’s juvenilia, particularly the poetry of Gondal, explore issues of gender and power, reflecting cultural tensions that resonate with both medieval and Victorian conceptions. The poetic universe underscores literature’s ability to transcend temporal boundaries, revealing persistent social patterns and challenging established cultural norms.