Scielo RSS <![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=2183-845320260001&lang=pt vol. 21 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[RELAÇÃO JURÍDICA DE EMPREGO E INCAPACIDADE NOS ACIDENTES DE TRABALHO]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100200&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução Em Portugal, no setor da saúde, o enquadramento legal dos acidentes de trabalho varia consoante o vínculo laboral, conduzindo a abordagens distintas na assistência e acompanhamento clínico do trabalhador. Os trabalhadores com Contrato Trabalho em Funções Públicas são assistidos no Serviço Nacional de Saúde e os trabalhadores com Contrato Individual de Trabalho são acompanhados em entidades privadas designadas pela seguradora. Objetivos Caracterizar os acidentes de trabalho ocorridos num hospital terciário português e comparar a incapacidade resultante dos mesmos, segundo a relação jurídica de emprego. Material e Métodos Foi realizado um estudo observacional, descritivo e retrospetivo, abrangendo os acidentes participados entre janeiro de 2018 e dezembro de 2022, com recolha e análise de variáveis sociodemográficas, profissionais, tipo de lesão, vínculo laboral, incapacidade e dias de ausência. Os dados foram tratados com estatística descritiva e análise inferencial. Resultados Foram analisados um total de 432 acidentes de trabalho, dos quais 222 envolveram trabalhadores contratados e 210 da função pública. A maioria dos sinistrados era do sexo feminino, predominando assistentes operacionais e enfermeiros. A média etária dos contratados foi de 44,9 anos, significativamente inferior à dos trabalhadores públicos (56,7 anos). As quedas e escorregamentos foram o mecanismo de acidente mais comum (43%). O total de dias perdidos por incapacidade foi de 9552, com média significativamente superior na função pública (34,45 dias) em comparação com os contratados (31,41 dias; p&lt;0,001). Registaram-se 252 casos de incapacidade temporária parcial, maioritariamente entre os trabalhadores da função pública. Nestes casos, apesar de se terem verificado médias e medianas de dias perdidos superiores, a diferença não foi estatisticamente significativa. Não se observaram diferenças significativas no absentismo entre categorias profissionais ou grupos etários. Discussão/Conclusão Este estudo revelou maior incidência de acidentes de trabalho em trabalhadores contratados, mas ausências significativamente superiores (p&lt;0,001) e mais dias de incapacidade temporária parcial naqueles da função pública, o que poderá estar relacionado com a morosidade na orientação clínica decorrente das exigências legais do respetivo regime jurídico. Por outro lado, sendo o Contrato Trabalho em Funções Públicas a tipologia contratual mais antiga, tal pode justificar a idade superior dos sinistrados e, consequentemente, o maior número de dias de incapacidade e absentismo laboral. A maior incidência de acidentes em trabalhadores do sexo feminino, particularmente assistentes operacionais e enfermeiros, encontra-se em consonância com a composição do setor da saúde e com as exigências inerentes a estas funções.<hr/>ABSTRACT Introduction In Portugal, within the healthcare sector, the legal framework for occupational accidents varies according to the type of employment relationship, leading to different approaches in clinical care and follow-up. Public Service Employment Contract workers are assisted within the National Health Service, whereas Individual Employment Contract workers are managed by private entities designated by insurance companies. Objectives To characterize occupational accidents in a portuguese tertiary hospital and to compare the resulting disability according to the legal employment relationship. Material and Methods An observational, descriptive and retrospective study was conducted, including all reported accidents between January 2018 and December 2022. The analysis included sociodemographic and professional variables, type of injury, employment relationship, disability and days of absence. Data were analyzed using descriptive statistics and inferential analysis. Results A total of 432 occupational accidents were analyzed, 222 of which involved workers with an individual employment contract and 210 public employees. Most of the injured were female, predominantly operational assistants and nurses. The mean age of workers with an individual employment contract was 44.9 years, compared 56.7 years among public employees. Falls and slips were the most common accident mechanism (43%). The total number of days lost due to disability was 9,552, with a significantly higher mean in public employees (34.45 days) compared to workers with an individual employment contract (31.41 days; p&lt;0,001). Temporary partial disability occurred in 252 cases, mostly among public employees, who also had a higher mean and median number of days lost, although without a statistically significant difference. No significant differences in absenteeism were observed between professional categories or age groups. Discussion/Conclusion This study revealed a higher incidence of occupational accidents among workers with an individual employment contract, but significantly longer absences (p&lt;0,001) and temporary partial disability among public employees. This may be related to delays in clinical management, arising from the legal obligations specific to this employment regime. Additionally, public service employment contract workers represents the longest-standing form of employment contract, potentially explaining the older age of injured workers and consequently the greater number of days lost. Most accident victims were women, particularly operational assistants and nurses, reflecting both the demographic profile and the demands of the healthcare sector. <![CDATA[EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL EM LABORATÓRIOS QUE REALIZAM RADIOIMUNOENSAIOS: MAGNITUDE DA DOSE, RISCOS REPRODUTIVOS E MEDIDAS DE PROTEÇÃO - REVISÃO INTEGRATIVA]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100300&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução O radioimunoensaio é uma técnica laboratorial amplamente utilizada pela sua elevada sensibilidade na quantificação de analitos biológicos. Contudo, a utilização de radionuclídeos, nomeadamente o 125Iodo, implica potenciais riscos de exposição ocupacional à radiação ionizante. Apesar das recomendações da International Commission on Radiological Protection e da International Atomic Energy Agency, a evidência sobre a magnitude real dessa exposição e os seus eventuais efeitos na saúde dos trabalhadores, particularmente grávidas, permanece escassa e heterogénea. Objetivo Avaliar a exposição ocupacional à radioatividade em profissionais, em particular gestantes envolvidas em testes neste contexto e analisar os riscos e medidas de proteção associados, à luz das normas internacionais de radioproteção e da legislação nacional. Metodologia Foi conduzida uma revisão narrativa que incluiu artigos publicados entre 1990 e 2024 nas bases de dados PubMed/MEDLINE e literatura institucional relevante. Utilizaram-se os descritores “radioimmunoassay”, “iodine-125”, “occupational exposure”, “dosimetry”, “reproductive health” e “fertility”. Foram incluídos estudos originais sobre exposição de profissionais laboratoriais a radiações ionizantes no contexto de radioimunoensaio. Dos 125 registos identificados, quatro estudos preencheram os critérios de inclusão. Resultados Os estudos analisados demonstraram que as doses anuais de radiação de corpo inteiro nos técnicos de radioimunoensaio são geralmente indetetáveis ou inferiores a 2 mSv/ano, muito abaixo do limite ocupacional recomendado de 20 mSv/ano. As doses nas extremidades variaram entre 0,2 mSv/ano e 17 mSv/ano, refletindo maior exposição das mãos. Os estudos epidemiológicos sugeriram uma possível associação entre o trabalho com radioimunoensaio e aumento de risco de parto prematuro ou malformações congénitas, embora com resultados não conclusivos e dependentes de subanálises. Conclusões A exposição ocupacional nos radioimunoensaios é baixa e controlável, desde que respeitadas as boas práticas laboratoriais e os princípios de proteção radiológica (justificação, otimização e limitação). Persistem, contudo, lacunas científicas devido à escassez de estudos prospetivos e à falta de monitorização padronizada. Futuras investigações deverão integrar dosimetria individual sistemática e biomarcadores de exposição. Em termos práticos, os serviços de saúde ocupacional devem assegurar vigilância radiológica contínua, formação regular em radioproteção e, sobretudo no caso de trabalhadoras grávidas, a proteção da exposição a radiações ionizantes.<hr/>Abstract Introduction Radioimmunoassay is a widely used laboratory technique due to its high sensitivity in the quantification of biological analytes. However, the use of radionuclides, particularly iodine-125 (125I), involves potential risks of occupational exposure to ionizing radiation. Despite the recommendations of the International Commission on Radiological Protection and the International Atomic Energy Agency, evidence regarding the actual magnitude of this exposure and its potential health effects among workers and, particularly pregnant women, remains scarce and heterogeneous. Objective To evaluate occupational exposure to radioactivity among professionals and, particularly pregnant women, involved in radioimmunoassay testing and to analyze the associated risks and protective measures, in light of international radiological protection standards and national legislation. Methodology A structured narrative review included articles published between 1990 and 2024 in PubMed/MEDLINE and relevant institutional literature. The descriptors “radioimmunoassay,” “iodine-125”, “occupational exposure,” “dosimetry,” “reproductive health,” and “fertility” were used. Original studies addressing occupational exposure to ionizing radiation among laboratory professionals performing radioimmunoassay were included. Of the 125 studies identified, four studies met the inclusion criteria. Results The analyzed studies showed that annual whole-body radiation doses among radioimmunoassay technicians are generally undetectable or below 2 mSv/year, well under the recommended occupational limit of 20 mSv/year. Extremity doses ranged from 0.2 mSv/year to 17 mSv/year, reflecting higher exposure to the hands. Epidemiological studies suggested a possible association between RIA work and an increased risk of preterm birth or congenital malformations, although the results were inconclusive and based on secondary analyses. Conclusions Occupational exposure in radioimmunoassay procedures is low and controllable, provided that good laboratory practices and the core principles of radiation protection-justification, optimization, and dose limitation-are followed. Nevertheless, scientific gaps persist due to the scarcity of prospective studies and the lack of standardized monitoring. Future research should integrate systematic individual dosimetry and exposure biomarkers. From a practical perspective, occupational health services should ensure continuous radiological surveillance, regular radioprotection training, and the protection of pregnant workers from exposure to ionizing radiation. <![CDATA[O EFEITO DA PRÁTICA REGULAR DE EXERCÍCIO FÍSICO NA PREVENÇÃO DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução/enquadramento/objetivos Trata-se de um fenómeno ocupacional caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e atenuação da realização profissional. Taxas elevadas deste em profissionais de saúde acarretam consequências graves a nível individual, social/familiar e laboral, podendo associar-se a erros com impacto nos cuidados prestados aos doentes. As medidas de prevenção devem ser implementadas a nível organizacional, nos serviços/equipas de saúde e em contexto individualnomeadamente medidas comportamentais como a prática regular de exercício físico, estratégia conhecida para promoção da saúde mental. Assim, esta revisão pretende avaliar se a prática regular de exercício físico é eficaz na prevenção/redução dos níveis de burnout nos profissionais de saúde. METODOLOGIA Esta revisão foi realizada com recurso a pesquisa nas bases de dados PubMed, The Cochrane Library, Scopus e Web of Science de artigos publicados entre janeiro de 2010 e outubro de 2025. Os critérios de inclusão foram definidos pela estratégia PICOs: profissionais de saúde praticantes de exercício físico regular em comparação com sendentários, versus burnout, medido através de escalas validadas. Foram incluídas meta-análises, revisões sistemáticas e ensaios clínicos controlados e randomizados; existiu ainda inserção secundária de estudos de coorte, quase-experimentais ou pré/pós com controlo. Recorreu-se à Strength of Recommendation Taxonomy para avaliação do nível de evidência e determinação da força de recomendação. Resultados Foram incluídos cinco artigos: um ensaio clínico controlado e randomizado, duas revisões sistemáticas e dois estudos de coorte. A globalidade dos estudos mostrou associação entre a prática regular de exercício físico e taxas mais baixas de burnout. Dois estudos mostraram um efeito de gradiente, com uma incidência de burnout cada vez menor, ou uma melhoria das suas dimensões mais acentuada, quanto mais exercício fosse realizado. Discussão e Conclusões Os resultados desta revisão sugerem que a prática regular de exercício se associa a menor risco de burnout, com uma força de recomendação “B”. Apesar de algumas limitações metodológicas, a consistência dos resultados entre estudos é encorajadora, pelo que os profissionais de saúde devem implementar a prática de exercício no seu dia-a-dia, mesmo que por curtos períodos, de forma regular e consistente. No entanto, o sucesso desta recomendação está dependente da implementação de outras medidas a nível institucional e organizacional que permitam ao trabalhador fazer uma melhor gestão entre vida profissional e pessoal.<hr/>ABSTRACT Introduction/background/objectives Burnout is an occupational phenomenon characterized by emotional exhaustion, depersonalization and reduced professional efficacy. High rates in healthcare workers lead to serious consequences on the individual, social/family and work levels, increasing the occurrence of errors that may impact the quality of patient care. Strategies for prevention must take place on the organizational level, in departments/teams and on an individual basisas behavioral approaches, such as regular exercise, a known strategy in improving mental wellbeing, are expected to also improve burnout management. The objective of this review is to evaluate if regular exercise is effective in burnout prevention/improvement in healthcare workers. Methods For this systematic review, a database search was conducted across PubMed, The Cochrane Library, Scopus and Web of Science for articles published between January 2010 and October 2025. A PICOs strategy was used to determine the inclusion criteria: healthcare workers who engaged in regular exercise compared with those who did not, with burnout incidence as the outcome, measured through validated scales; primary inclusion of meta-analyses, systematic reviews and randomized controlled trials; there was a secondary inclusion of cohort studies, controlled before-after and quasi-experimental studies. The Strength of Recommendation Taxonomy was used to assess both level of evidence and strength of recommendation. Contents/Results A total of five studies were included: one randomized controlled trial, two systematic reviews and two cohort studies. Most studies found an association between regular exercise and lower burnout rates. Two studies demonstrated a graded association, with increasing levels of physical exercise leading to progressively lower burnout incidence or more pronounced improvements in this problem. Discussion and Conclusions The results of this review suggest that engaging in regular physical exercise is associated with a lower risk of burnout, with a strength of recommendation “B”. Despite some methodological limitations, the consistency found across results in multiple studies is encouraging, which means that healthcare workers should incorporate physical exercise in their daily routine, even if in small amounts, in a regular and consistent manner. However, this strategy’s success is dependent on the adoption of institutional and organizational strategies that enable workers to better manage their work-life balance. <![CDATA[PALMILHAS EM SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAIS]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100302&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução/enquadramento/objetivos Alguns funcionários apresentam condições médicas/sintomas, para os quais se considera que o uso de palmilhas poderá ajudar, não só na atenuação/eliminação de sintomas, como na prevenção de origem ou agravamento de algumas patologias. Pretende-se com esta revisão resumir o que de mais recente e importante se publicou sobre o tema, até porque a bibliografia em causa não é muito extensa e a generalidade dos profissionais a exercer no setor não detém grandes conhecimentos sobre este assunto. Metodologia Trata-se de uma Revisão Bibliográfica, iniciada através de uma pesquisa realizada em maio de 2024 nas bases de dados “CINALH plus with full text, Medline with full text, Database of Abstracts of Reviews of Effects, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews, Cochrane Methodology Register, Nursing and Allied Health Collection: comprehensive, MedicLatina e RCAAP”. Conteúdo A postura de pé mantida geralmente cursa com maior probabilidade de algias a nível da coluna e membros inferiores (com destaque para os pés). Para além disso, os trabalhadores são cada vez mais idosos, pelo que as queixas, também por isso, poderão ser cada vez mais frequentes. As palmilhas podem potenciar o conforto também dos joelhos e região lombar. Um maior conforto significa melhor distribuição da pressão plantar e implica geralmente mais segurança. Usam-se também para diminuir o risco de úlceras, sobretudo nos diabéticos. O conforto e a diminuição dos sintomas aumentam a adesão ao uso da palmilha. Elas poderão também proporcionar proteção dos pés em relação a lesões de impacto e compressão e não parecem alterar o equilíbrio estático. Discussão e Conclusões Ainda que não existem estudos de grande dimensão ou robustez, genericamente, o uso de palmilhas adequadas parece apresentar evidência de conseguir atenuar alguns sintomas/patologias, melhorando por isso a satisfação, produtividade e desempenho laborais. Seria relevante que os trabalhadores que possam beneficiar destes equipamentos tenham acesso aos mesmos, elaborados com qualidade. Para além disso, seria importante produzir evidência científica sobre os melhores modelos/materiais e/ou outras caraterísticas, de forma a fornecer palmilhas com progressiva maior eficácia e menor empirismo, publicando tal em revista da área, para maior divulgação e benefício global.<hr/>ABSTRACT Introduction/Framework/Objectives Some employees have medical conditions/symptoms, for which it is believed that the use of insoles may help not only in alleviating/eliminating symptoms, but also in preventing the onset or worsening of some pathologies. This review aims to summarize the most recent and important publications on the topic, especially since the literature in question is not very extensive and most professionals working in the sector do not have extensive knowledge on this subject. Methodology This is a literature review, initiated through a search conducted in 2024 in the databases "CINALH plus with full text, Medline with full text, Database of Abstracts of Reviews of Effects, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews, Cochrane Methodology Register, Nursing and Allied Health Collection: comprehensive, MedicLatina, and RCAAP." Contents A standing posture generally leads to a greater likelihood of pain in the spine and lower limbs (especially the feet). Furthermore, workers are becoming increasingly older, meaning that complaints may be increasingly frequent. Insoles can also improve comfort in the knees and lower back. Greater comfort means better distribution of plantar pressure and generally implies greater safety. They are also used to reduce the risk of ulcers, especially in diabetics. Comfort and reduced symptoms increase adherence to insole use. Insoles may also provide foot protection against impact and compression injuries and do not appear to alter static balance. Discussion and Conclusions Although there are no large-scale or robust studies, generally, the use of appropriate insoles appears to show evidence of alleviating some symptoms/pathologies, thereby improving job satisfaction, productivity, and performance. It would be important for workers who could benefit from this equipment to have access to quality-designed equipment. Furthermore, it would be relevant to produce scientific evidence on the best models/materials and/or other characteristics to provide insoles with progressively greater effectiveness and less empiricism, publishing this information in a medical journal, for best dissemination and global benefit. <![CDATA[DIFTERIA EM CONTEXTO HOSPITALAR: DIAGNÓSTICO, ATUAÇÃO E PROTEÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100500&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A difteria é uma doença infeciosa aguda potencialmente grave, causada por estirpes toxigénicas de Corynebacterium diphtheriae, cuja transmissão ocorre predominantemente por via respiratória. Apesar da sua raridade em países com elevada cobertura vacinal, a ocorrência de casos suspeitos ou confirmados em contexto hospitalar constitui um desafio relevante para a saúde ocupacional, exigindo uma resposta organizada que permita proteger profissionais de saúde e prevenir cadeias de transmissão. Objetivos Descrever e sistematizar um procedimento hospitalar de diagnóstico, atuação e rastreio de contactos em caso de difteria, com especial enfoque na gestão de profissionais de saúde potencialmente expostos, no papel do Serviço de Saúde Ocupacional e nas medidas de prevenção e controlo da infeção. Metodologia Foi desenvolvido um artigo de natureza normativa e descritiva, baseado na análise crítica de recomendações nacionais e internacionais, nomeadamente da Direção-Geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, bem como em procedimentos institucionais previamente existentes. O protocolo foi adaptado à realidade de um hospital terciário português, integrando critérios clínicos, laboratoriais e epidemiológicos, estratégias de rastreio de contactos, medidas de isolamento, quimioprofilaxia, vacinação e critérios de evicção laboral. Resultados e Discussão O procedimento proposto define de forma objetiva os critérios de caso e de contacto de risco, estabelece fluxos claros de comunicação e atribui um papel central ao Serviço de Saúde Ocupacional na coordenação das medidas a adotar. A abordagem sistematizada permite uma resposta proporcional ao risco, reduz a probabilidade de transmissão nosocomial e evita iniciativas autónomas por parte dos profissionais expostos. A articulação entre saúde ocupacional, controlo de infeção e saúde pública revelou-se essencial para uma gestão eficaz e segura dos contactos profissionais. Conclusões A implementação de um protocolo hospitalar estruturado para a gestão de casos de difteria reforça a segurança dos profissionais de saúde e contribui para a prevenção de surtos em meio hospitalar. A centralização da atuação no Serviço de Saúde Ocupacional, aliada ao cumprimento rigoroso das orientações clínicas e vacinais, constitui um elemento-chave na proteção da saúde dos trabalhadores e na garantia da continuidade dos cuidados de saúde.<hr/>ABSTRACT Introduction Diphtheria is a potentially severe acute infectious disease caused by toxigenic strains of Corynebacterium diphtheriae, transmitted predominantly via the respiratory route. Although rare in countries with high vaccination coverage, the occurrence of suspected or confirmed cases in the hospital setting represents a significant occupational health challenge, requiring an organised response to protect healthcare workers and prevent transmission chains. Objectives To describe and systematize a hospital procedure for diagnosis, management and contact tracing in cases of diphtheria, with particular emphasis on the management of potentially exposed healthcare workers, the role of the Occupational Health Service, and infection prevention and control measures. Methodology A normative and descriptive article was developed based on a critical review of national and international recommendations, namely from the Directorate-General of Health and the World Health Organization, as well as previously established institutional procedures. The protocol was adapted to the context of a Portuguese tertiary hospital, integrating clinical, laboratory and epidemiological criteria, contact tracing strategies, isolation measures, chemoprophylaxis, vaccination, and work restriction criteria. Results and Discussion The proposed procedure objectively defines case and high-risk contact criteria, establishes clear communication pathways, and assigns a central coordinating role to the Occupational Health Service. This structured approach enables a risk-proportionate response, reduces the likelihood of nosocomial transmission, and prevents autonomous or uncoordinated actions by exposed professionals. Close coordination between occupational health, infection control and public health authorities proved essential for the effective and safe management of healthcare worker contacts. Conclusions The implementation of a structured hospital protocol for the management of diphtheria cases strengthens healthcare worker safety and contributes to the prevention of hospital-based outbreaks. Centralizing decision-making within the Occupational Health Service, together with strict adherence to clinical and vaccination guidelines, is a key element in protecting worker health and ensuring continuity of healthcare delivery. <![CDATA[REPERCUSSÃO OCUPACIONAL DA MIOFASCEÍTE MACROFÁGICA: UMA PATOLOGIA SECUNDÁRIA A COADJUVANTES DE VACINAS]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100700&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A Miofasceíte Macrofágica é uma doença imunomediada rara, enquadrada na Síndrome Autoimune/Autoinflamatória Induzida por Adjuvantes. Está frequentemente associada à inoculação de vacinas contendo hidróxido de alumínio, que induzem uma infiltração persistente de macrófagos no músculo esquelético, originando sintomas sistémicos inespecíficos e potencialmente incapacitantes. Descrição do Caso Relata-se o caso de uma mulher de 54 anos, técnica auxiliar de saúde hospitalar, que desenvolveu um quadro clínico progressivo marcado por fadiga crónica, mialgias, fraqueza muscular, parestesias, distúrbios do sono e défices cognitivos. A investigação laboratorial e imagiológica inicial foi inconclusiva, tendo sido inicialmente equacionado o diagnóstico de fibromialgia atípica. Após três anos de evolução sintomática, a realização de uma biópsia do músculo deltóide permitiu confirmar o diagnóstico de Miofasceíte Macrofágica, estabelecendo-se uma associação temporal com a administração prévia de três doses da vacina contra a hepatite B e uma dose da vacina contra o tétano e difteria. A resposta a tratamentos imunossupressores foi insatisfatória, tendo a trabalhadora necessitado de vários períodos de incapacidade temporária absoluta, duas mudanças de posto de trabalho, sessões regulares de reabilitação física e analgesia crónica. Mantém, atualmente, seguimento em consultas de Medicina Física e de Reabilitação, Psiquiatria, Psicologia, bem como na consulta de Dor Crónica. Discussão Esta entidade apresenta desafios diagnósticos significativos, devido à sua apresentação clínica inespecífica e à ausência de biomarcadores específicos. A confirmação histológica da presença de granulomas de alumínio é essencial para o diagnóstico, sobretudo em indivíduos com antecedentes de vacinação recente. A morbilidade associada é elevada, particularmente em termos de fadiga, mialgias e disfunção cognitiva, com impacto direto na atividade laboral e na qualidade de vida. O reconhecimento precoce da doença e uma abordagem terapêutica multidisciplinar são cruciais para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores afetados. Conclusão A Miofasceíte Macrofágica é uma entidade clínica subdiagnosticada, mas com relevante impacto funcional. Torna-se essencial o envolvimento das equipas de Saúde Ocupacional na adaptação ou reconversão do posto de trabalho, de forma a facilitar a reintegração profissional e minimizar os longos períodos de absentismo.<hr/>ABSTRACT Introduction Macrophagic Myofasciitis is a rare immune-mediated disease, classified within the Autoimmune/Autoinflammatory Syndrome Induced by Adjuvants. It is frequently associated with the administration of vaccines containing aluminum hydroxide, which induces persistent macrophage infiltration in skeletal muscle, leading to nonspecific systemic symptoms and potentially disabling manifestations. Case report We report the case of a 54-year-old female hospital healthcare assistant who developed a progressive clinical presentation characterized by chronic fatigue, myalgia, muscle weakness, paresthesias, sleep disturbances, and cognitive deficits. Initial laboratory and imaging studies were inconclusive, and an atypical fibromyalgia diagnosis was initially considered. Three years after symptom onset, a deltoid muscle biopsy confirmed the diagnosis of Macrophagic Myofasciitis, with a temporal association established with the prior administration of three doses of hepatitis B vaccine and one dose of tetanus-diphtheria vaccine. The response to immunosuppressive therapies was unsatisfactory. The patient required several periods of temporary total disability, two occupational reassignments, regular physical rehabilitation sessions, and chronic analgesia. She is currently under follow-up in Physical and Rehabilitation Medicine, Psychiatry, Psychology and Chronic Pain consultations. Discussion Macrophagic Myofasciitis presents significant diagnostic challenges due to its nonspecific clinical features and the absence of specific biomarkers. Histological confirmation of aluminum-containing granulomas is essential for diagnosis, particularly in individuals with a history of recent vaccination. The associated morbidity is high, especially regarding fatigue, muscle pain, and cognitive dysfunction, with a direct impact on work performance and quality of life. Early recognition of the disease and a multidisciplinary therapeutic approach are crucial to improving the quality of life of affected patients. Conclusion Macrophagic Myofasciitis is an underdiagnosed clinical entity with considerable functional impact. The involvement of Occupational Health teams is essential in adapting or redesigning job roles to facilitate professional reintegration and reduce prolonged absenteeism. <![CDATA[EXOSTOSE DE CANAL AUDITIVO EXTERNO (OUVIDO DE SURFISTA) COMO DOENÇA PROFISSIONAL: UM CASO CLÍNICO DE UM PROFESSOR DE DESPORTO INSTRUTOR DE SURF]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100701&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A exostose do canal auditivo externo, também designada por “ouvido de surfista”, é uma patologia óssea benigna caracterizada pelo crescimento lamelar progressivo do osso no canal auditivo, frequentemente associada à exposição repetida a água fria e vento. Embora tradicionalmente relacionada com atividades recreativas aquáticas, a exposição prolongada a estes agentes em contexto profissional, como no caso de instrutores de surf, pode configurar uma situação de risco ocupacional relevante. Metodologia Foi efetuada uma análise descritiva do caso com base em dados clínicos, exames otoscópicos e imagiológicos (Tomografia Axial Computorizada), registos laborais e informação recolhida em exame de saúde ocupacional. O diagnóstico foi confirmado por otorrinolaringologia, sendo a evolução acompanhada por registos clínicos e relatórios de seguimento. Caso Clínico Professor de desporto de 51 anos, a lecionar em instituição de ensino superior do norte do país, com acumulação de funções como instrutor de surf três vezes por semana há cerca de 30 anos. Durante seguimento em consulta de pneumologia por agravamento de asma, referiu hipoacusia bilateral e otites externas recorrentes. O exame de imagem atrás mencionado revelou ‘formações ósseas lamelares bilaterais regulares, condicionando estenose superior a 75% à direita e 60% à esquerda, compatível com exostose do canal auditivo externo’. Foi submetido a canaloplastia bilateral, com franca melhoria da acuidade auditiva e estabilização clínica. Face à exposição reiterada a frio e vento, e considerando a atividade profissional descrita, foi estabelecido nexo causal plausível e realizada participação de suspeita de doença profissional ao Departamento de Proteção contra os Riscos Profissionais, encontrando-se o caso em apreciação. Conclusões O caso reforça a necessidade de uma abordagem global na saúde do trabalhador, integrando todas as exposições ocupacionais e hábitos de vida. Qualquer médico pode e deve participar uma suspeita de doença profissional, cabendo ao médico do trabalho um papel determinante na vigilância, orientação e encaminhamento adequados. Em termos preventivos, a adoção de medidas de proteção individual como o uso regular de tampões auditivos e capuzes de neoprene e a educação para o risco entre profissionais expostos a ambientes frios e húmidos são fundamentais. Complementarmente, recomenda-se a promoção de ações de formação contínua em riscos emergentes e o reforço da articulação entre a medicina do trabalho e outras especialidades, garantindo uma vigilância eficaz e a prevenção de futuras complicações.<hr/>Abstract Introduction External auditory canal exostosis, also known as “surfer’s ear,” is a benign bone disorder characterized by the progressive lamellar growth of bone within the auditory canal, frequently associated with repeated exposure to cold water and wind. Although traditionally linked to recreational aquatic activities, prolonged exposure to these agents in a professional setting such as in surf instructors may constitute a relevant occupational health risk. Methodology A descriptive case analysis was conducted based on clinical data, otoscopic and imaging findings (Computed Tomography Scan), occupational records, and information gathered during an occupational health assessment. The diagnosis was confirmed by otorhinolaryngology, and clinical evolution was monitored through follow-up reports and medical records. Case Report A 51-year-old sports professor teaching at a higher education institution in northern Portugal, with a parallel activity as a surf instructor three times a week for approximately 30 years. During follow-up in a pulmonology consultation for worsening asthma, he reported bilateral hearing loss and recurrent external otitis. The imaging exam previously mentioned revealed “bilateral regular lamellar bony formations causing stenosis greater than 75% on the right and 60% on the left, compatible with external auditory canal exostosis.” He underwent bilateral canaloplasty, resulting in marked improvement in hearing acuity and clinical stabilization. Given the repeated exposure to cold and wind, and considering his parallel professional activity, a plausible causal link was established, and a formal notification of suspected occupational disease was submitted to the Department of Protection against Occupational Risks, with the case currently under review. Conclusions This case reinforces the need for a comprehensive approach to workers’ health, integrating all occupational exposures and lifestyle factors. Any physician can and should report a suspected occupational disease, with the occupational physician playing a key role in surveillance, guidance, and appropriate referral. From a preventive perspective, the use of individual protective measures such as regular use of earplugs and neoprene hoods and risk education among professionals exposed to cold and humid environments are essential. Additionally, continuous training on emerging risks and stronger collaboration between occupational medicine and other medical specialties are recommended to ensure effective surveillance and the prevention of future complications. <![CDATA[ENXAQUECA E O TRABALHO: PROBLEMA DO PASSADO?]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100702&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A enxaqueca é a principal causa de incapacidade em adultos com menos de 50 anos, mas permanece subdiagnosticada e subtratada. Apesar do desenvolvimento recente de novas terapêuticas, o impacto laboral mantém-se. Um dos fatores associados é o trabalho por turnos e noturno. Será relevante refletir sobre esta doença e sobre os aspetos relacionados com o trabalho, posicionando esta problemática como relevante na área da Saúde Ocupacional. Descrição de Caso Enfermeira, 30 anos, em funções desde 2016, num Serviço de Urgência Pediátrica de uma Unidade Local de Saúde. Anteriormente, exerceu numa unidade de cuidados continuados, sem trabalho noturno ou por turnos. Antecedentes pessoais de rinite alérgica com sensibilização a ácaros, taquicardia paroxística, abaulamento da válvula mitral e crises de enxaqueca desde a adolescência, sem aura, relacionadas com o cataménio e estável com almotriptano. Surgiu agravamento dos episódios de cefaleia, com aura desde o início do trabalho por turnos e noturno. Foi observada em consulta de Neurologia, com otimização das medidas não farmacológicas, ajustada a terapêutica de fase aguda, indicação para revisão da medicação contracetiva e sem restrições para as funções habituais. Manteve crises de cefaleia esporádicas e não incapacitantes, com novo agravamento progressivo a partir de 2019, com nova avaliação pela Neurologia e ajuste da terapêutica. Todavia, manteve padrão de frequência das crises de pelo menos dez por mês, com duração de 24 a 48h e subjetivamente incapacitantes, quer para o trabalho quer para as atividades de vida diária, pelo que foi proposta, em 2022, para tratamento adjuvante com toxina botulínica, com melhoria significativa do quadro. Esta foi interrompida por cirurgia à tiroide em 2023, com novo agravamento clínico. Manteve o seguimento pela Medicina do Trabalho e, desde 2019, até à data, encontra-se dispensada da realização de trabalho noturno. Discussão Este caso é demonstrativo de que o padrão da enxaqueca é variável e dinâmico, podendo evoluir de enxaqueca episódica para crónica e vice-versa. Existem múltiplos fatores de risco para a cronicidade que devem ser abordados e geridos consoante cada caso. O conhecimento do ambiente laboral e do estigma no local de trabalho são indispensáveis para a atuação rigorosa do Médico do Trabalho. Este deve referenciar para as especialidades de Medicina Geral e Familiar e Neurologia e aferir a aptidão para o trabalho, baseada no conjunto de dados e pareceres clínicos destas especialidades. Conclusão Este trabalho alerta para a necessidade de compreender a fisiopatologia, padrão evolutivo e abordagens terapêuticas da enxaqueca, assim como, alertar para o impacto laboral da mesma. Cada caso deve ser analisado com rigor e à luz da evidência atual, de modo a reduzir o impacto na capacidade de trabalho e o estigma associado. No futuro, são necessários estudos mais robustos para uma melhor caracterização da relação entre enxaqueca e trabalho por turnos e noturno.<hr/>ABSTRACT Introduction Migraine is the leading cause of disability in adults under 50, but it remains underdiagnosed and undertreated. Despite the recent development of new therapies, its impact on the workplace remains. One of the associated factors is shift and night work. It is important to reflect on this disease and its work-related aspects, positioning this as a relevant issue in the field of Occupational Health. Case Description A 30-year-old nurse has been working in a Pediatric Emergency Room of a Local Health Unit since 2016. Previously, she worked in a long-term care unit, without night or shift work. Personal history of allergic rhinitis with dust mite sensitization, paroxysmal tachycardia, mitral valve bulging, and migraine attacks since adolescence, without aura, related to catamenia, and stable with almotriptan. Her headache episodes worsened, with aura, since she began shift and night work. She was seen in the Neurology outpatient clinic, with optimization of non-pharmacological measures, adjustment of acute-phase therapy, indication for review of contraceptive medication, and no restrictions on her usual functions. She continued to experience sporadic, non-disabling headache attacks, with progressive worsening starting in 2019, requiring a new evaluation by Neurology and adjustment of therapy. However, she continued to experience at least ten per month, lasting 24 to 48 hours, and subjectively incapacitating, both for work and activities of daily living. Therefore, in 2022, she was referred for adjuvant treatment with botulinum toxin, with significant improvement. This was interrupted by thyroid surgery in 2023, with further clinical worsening. She continued to be monitored by Occupational Health, and since 2019, she has been exempt from night work. Discussion This case demonstrates that migraine patterns are variable and dynamic and can evolve from episodic to chronic migraines and vice versa. Multiple risk factors for chronicity must be addressed and managed on a case-by-case basis. Knowledge of the work environment and workplace stigma are essential for the rigorous work of the Occupational Physician. They should refer patients to the specialties of General and Family Medicine and Neurology and assess their fitness for work based on the data and clinical opinions from these specialties. Conclusion This work highlights the need to understand the pathophysiology, progression pattern, and therapeutic approaches of migraine, as well as its impact on work. Each case should be analyzed rigorously and considering current evidence to reduce the impact on work capacity and associated stigma. In the future, more robust studies are needed to better characterize the relationship between migraine and shift and night work. <![CDATA[ERROS E EVENTOS ADVERSOS: O PAPEL DE UM SERVIÇO DE SAÚDE OCUPACIONAL]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532026000100703&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução Tradicionalmente, os conceitos de segurança, erros e eventos adversos têm sido utilizados na saúde, contudo podem ser considerados noutros setores de atividade. Podem ser identificadas três vítimas, interligadas entre si. Este trabalho procura exemplificar um caso peculiar sobre estes conceitos, assim como promover a reflexão sobre a intervenção de um Serviço de Saúde Ocupacional e permitir que serviços de outras áreas laborais possam refletir e aprender com este exemplo, no sentido de ser aplicadas medidas, com vista à melhoria contínua da prestação de cuidados aos trabalhadores. Descrição do caso Profissional do sexo feminino, 62 anos, a desempenhar funções há 27 anos num hospital terciário. Sem antecedentes laborais ou pessoais de relevo. Realizou exames complementares de diagnóstico no contexto de vigilância periódica da saúde, sem sintomatologia associada. No dia em que procedeu à colheita de sangue, o laboratório informou o Serviço de Saúde Ocupacional que existiam alterações analíticas compatíveis com o diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda. Foi iniciado contacto com a Hematologia, com marcação de consulta para o dia seguinte no Hospital Dia de Hematologia para avaliação e seguimento célere. Contactou-se telefonicamente a profissional, que informou estar no Serviço de Saúde Ocupacional a aguardar consulta de Psicologia, no contexto de conflitos laborais. Procedeu-se à comunicação de más notícias pela equipa médica e de psicologia. A reação emocional foi adequada, expressando enorme labilidade emocional, com oportunidade de se ausentar do trabalho e dadas instruções com a máxima clareza e empatia. No dia seguinte, e após observação pela Hematologia, com realização de reavaliação analítica e mielograma, não foi confirmada a hipótese diagnóstica. Apurou-se que houve uma troca dos tubos de sangue da profissional pelos de outro doente. Discussão Os profissionais da Saúde Ocupacional, independentemente do setor de atividade onde atuem, devem conhecer a tipologia destes eventos, o seu impacto, reconhecer as vítimas, disponibilizar apoio e contribuir para a abordagem e cultura organizacional após a sua ocorrência. A primeira vítima é a profissional visada no caso, as segundas, todos aqueles que estiveram envolvidos na troca dos tubos, processamento da amostra e comunicação de más notícias e a terceira vítima é a organização de saúde. Sublinha-se a importância de intervir em vários aspetos organizacionais para se reduzir a incidência destes eventos, em particular um ambiente não punitivo. Existem limitações para o estudo destas temáticas entre os vários setores laborais visto que a terminologia não está padronizada. Conclusão O objetivo é transformar um evento adverso numa oportunidade de melhoria dos procedimentos. Este caso torna evidente a necessidade constante de aprendizagem, assim como, o papel do Serviço de Saúde Ocupacional como agente promotor da mesma. Contudo, são necessários mais estudos nos vários setores de atividade para obtenção de conhecimento objetivo sobre estas temáticas e para a criação de planos de ação e partilha do conhecimento existente entre as várias áreas laborais.<hr/>ABSTRACT Introduction Traditionally, the concepts of safety, errors, and adverse events have been used in healthcare, but they can be considered in other sectors. Three interconnected victims can be identified. This paper seeks to illustrate a unique case involving these concepts, as well as to promote reflection on the intervention of an Occupational Health Service and allow services in other areas of the workplace to reflect and learn from this example, with a view to implementing measures aimed at continuously improving the provision of care to workers. Case description Female worker, 62 years old, working for 27 years in a tertiary hospital. No relevant employment or personal history. She underwent complementary diagnostic tests in the context of periodic health monitoring, without symptoms. On the day the blood was collected, the laboratory informed the Occupational Health Service that there were analytical alterations compatible with the diagnosis of Acute Myeloid Leukemia. Contact was initiated with Hematology, with an appointment for the following day at the Hematology Day Hospital for evaluation and rapid monitoring. The worker was contacted by telephone, who reported that she was already at the Occupational Health Service awaiting a Psychology consultation, in the context of labor disputes. The medical and psychology team proceeded to truth disclosure. The emotional reaction was adequate, with enormous emotional lability, with the opportunity to take time off work and instructions given with maximum clarity and empathy. The following day, and after observation by Hematology, with analytical reevaluation and myelogram, the diagnostic hypothesis was not confirmed. It was found that the professional's blood tubes were swapped with those of another patient. Discussion Occupational health professionals, regardless of their sector, must understand the impact of these events, recognize the victims, provide support, and contribute to the organizational culture and approach after they occur. The first victim is the professional targeted in the case; the second are all those involved in changing the tubes, processing the sample, and communicating bad news; and the third victim is the healthcare organization. The importance of intervening in various organizational aspects to reduce the incidence of these events is emphasized, particularly by ensuring a non-punitive environment. There are limitations to studying these topics across various work sectors due to the lack of standardized terminology. Conclusion It is possible to transform an adverse event into an opportunity for improvement. This case highlights the constant need for progress, as well as the role of the Occupational Health Service as an agent promoting it. However, further studies are needed in various sectors to obtain objective knowledge on these topics and to create action plans and share existing knowledge across various work areas.