Scielo RSS <![CDATA[Revista Portuguesa Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=2184-649920250003&lang=pt vol. 63 num. 3 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[Avaliação da relação clínico-imagiológia da hidrópsia endolinfática na doença de Menière]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300231&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A doença de Menière é caracterizada por episódios recorrentes de sintomas audiovestibulares. A presença de hidrópsia endolinfática no ouvido interno é uma possível resposta para a clínica. Este estudo pretende relacionar as características imagiológicas na ressonância magnética com os dados clínicos na doença de Menière. Na população estudada, 84,2% dos casos apresentam-se com doença unilateral e média de idade do início dos sintomas de 50.6 anos. A hidrópsia endolinfática foi identificada em 100% dos vestíbulos e 90,9% das cócleas dos ouvidos clinicamente afetados. O grau de hipoacusia apresenta relação com o grau de hidrópsia no vestíbulo (p=0,022), mas não com o grau de hidrópsia na cóclea (p=0,524). Nenhuma relação foi encontrada entre o tempo desde o início dos sintomas até à realização da ressonância magnética e a presença de hidrópsia. A hidrópsia não se relaciona com os resultados dos exames complementares vestibulares nem com a clínica.<hr/>Abstract Meniere's disease is characterized by episodes of audiovestibular symptoms. The presence of inner ear endolymphatic hydrops is a potential explanation for the clinical symptoms. This study aims to establish a relation between the imaging characteristics from the magnetic resonance with clinical data of patients with Meniere's disease. Among the study population, 84,2% presented with unilateral disease with average age at symptom onset of 50.6 years. Vestibular hydrops was identified in 100% of clinically affected ears and cochlear hydrops in 90.9% of the affected ears. The degree of hearing loss correlates with the degree of vestibular hydrops (p=0.022), but not with the degree of cochlear hydrops (p=0.524). No relationship was found between the time from symptom onset until the imaging study and the presence of hydrops. The presence of hydrops is not related to the results of vestibular tests, nor clinical findings. <![CDATA[Abordagem endoscópica endonasal a tumores da hipófise. Experiência da Unidade Local de Saúde do Algarve]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300239&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Objectivos: Realizar a análise casuística de doentes com adenomas da hipófise submetidos a cirurgia endoscópica endonasal transesfenoidal. Desenho do estudo: Estudo retrospectivo descritivo. Material e Métodos: Doentes com adenomas da hipófise (n=30) submetidos a cirurgia endoscópica endonasal na ULS do Algarve, Unidade de Faro, entre 2016 e 2022, avaliados quanto ao género, idade, sintomas, tamanho, extensão e histologia da lesão, taxa de recidiva/persistência e complicações. Resultados: A principal forma de apresentação clínica dos doentes foi a diminuição da acuidade visual. O adenoma gonadotrófico foi a lesão mais comum. A diabetes insípida transitória foi a complicação pós-operatória mais frequente. Obtivemos uma taxa de resolução em termos de ressecção tumoral e do efeito de massa de compressão quiasmática em 83% dos casos, sendo a maioria das persistências classificadas como lesões residuais. Conclusões: A remoção de adenomas da hipófise pela abordagem endoscópica endonasal revelou-se eficaz e segura, com baixa morbilidade e altas taxas de remissão tumoral.<hr/>Abstract Objectives: To conduct a case analysis of patients with pituitary adenomas who underwent endoscopic endonasal transsphenoidal surgery. Study design: Retrospective descriptive study. Material and Methods: Patients with pituitary adenomas (n=30) who underwent endoscopic endonasal transsphenoidal surgery at ULS do Algarve, Faro Unit, between 2016 and 2022, were evaluated for gender, age, symptoms, size, extent and histology of the lesion, recurrence/persistence rate, and complications. Results: The main clinical presentation of the patients was decreased visual acuity. Gonadotrophic pituitary adenoma was the most common pathology. Transient diabetes insipidus was the most frequent postoperative complication. We achieved a resolution rate in terms of tumor resection and chiasmatic compression mass effect in 83% of cases, with most persistences classified as residual lesions. Conclusions: The removal of pituitary adenomas using the endoscopic endonasal transsphenoidal approach proved to be effective and safe, with low morbidity and high tumor remission rates. <![CDATA[Abordagem ao trauma do osso temporal - breve revisão da literatura e proposta de protocolo]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300249&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Introdução: Os traumatismos do osso temporal frequentemente ocorrem em contexto de trauma de elevada energia cinética, associando-se a múltiplas lesões corporais. Objetivo: Apresentar uma breve revisão da literatura sobre trauma do osso temporal e propor um algoritmo de abordagem situações num hospital terciário. Descrição: A avaliação inicial após trauma de alta energia cinética requer observação sumária ABCDE para garantir a estabilidade hemodinâmica. Após esta fase, e nos casos com suspeita de atingimento do osso temporal, recomenda-se a avaliação por otorrinolaringologia, para procura sinais de hipoacusia, vertigem e/ou alteração da mímica facial, de modo a orientar a abordagem ao doente segundo síndromes clínicas. O algoritmo proposto guia a abordagem ao trauma do osso temporal. Conclusão: Os traumatismos do osso temporal necessitam da observação pela otorrinolaringologia, de modo a excluir entidades que possam carecer de cuidados cirúrgicos urgentes. O uso de algoritmos terapêuticos visam otimizar a qualidade dos cuidados com treino adequado da equipa.<hr/>Abstract Introduction: Temporal bone trauma frequently occurs in the context of high-kinetic-energy trauma, often associated with multiple bodily injuries. Objective: To present a brief literature review on temporal bone trauma and propose a protocol for approaching these situations in a tertiary hospital. Description: Initial assessment following high-kinetic-energy trauma requires a summary ABCDE observation to ensure hemodynamic stability. Following this phase, in cases suspected of temporal bone involvement, an otolaryngology evaluation is recommended, to search for signs of hearing loss, vertigo and/or facial mimetic muscle impairment. The proposed algorithm guides the approach to temporal bone trauma. Conclusion: Temporal bone trauma requires otolaryngological evaluation to exclude entities that may require urgent surgical care. The use of therapeutic algorithms aims to optimize the quality of care with appropriate team training. <![CDATA[Disfagia orofaríngea na fase aguda pós-acidente vascular cerebral - fatores de risco são relevantes?]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300259&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Introdução O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade nos países desenvolvidos. A disfagia orofaríngea (DOF) é a segunda complicação mais frequente na fase aguda pós-AVC e é um preditor independente de evolução desfavorável e institucionalização, estando associada a internamentos hospitalares mais prolongados, com um impacto económico significativo. Existe uma associação documentada entre a presença de determinadas características sociodemográficas e clínicas e a incidência de DOF pós-AVC, designadamente: idade avançada, presença de défice cognitivo, maior grau de dependência, National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS) à admissão superior a quatro e envolvimento do tronco cerebral. Objetivos Neste estudo pretendeu-se caracterizar do ponto de vista sociodemográfico e clínico os doentes em fase aguda de AVC num hospital terciário submetidos a avaliação instrumental da deglutição com videoendoscopia (VED) por suspeita de disfagia e correlacionar os resultados obtidos na VED sugestivos de DOF com cada uma das variáveis. Métodos Foi realizada uma análise retrospetiva de 68 doentes submetidos a VED na fase aguda pós-AVC no Hospital Pedro Hispano de 2018 a 2023, com descrição do seu perfil sociodemográfico, características do evento e achados da VED. Resultados Quanto ao perfil sociodemográfico: 73,53% tinham pelo menos 70 anos, 60,29% eram do sexo masculino, 36,76% apresentavam algum grau de dependência e 13,24% tinham antecedentes de demência. Quanto às características do evento: 83,83% dos AVCs eram de etiologia isquémica, 80,88% cursavam com envolvimento dos hemisférios cerebrais, 16,18% do tronco cerebral e 7,35% do cerebelo, e 85,29% tinham um NIHSS à admissão superior a quatro. Relativamente aos achados da VED: 42,65% dos doentes apresentavam estase salivar significativa, 60,29% tinham atraso no reflexo orofaríngeo da deglutição, 48,53% apresentavam resíduo após a deglutição, em 10% casos constatou-se paralisia das cordas vocais e 57,59% tiveram penetração ou aspiração, das quais 12% foram aspirações silenciosas. Após análise comparativa de todas as variáveis ​​sociodemográficas e clínicas com a presença de DOF, obteve-se uma relação estatisticamente significativa apenas para a presença de NIHSS à admissão superior a quatro (p=0,015). Discussão Embora a presença de alguns destes fatores de risco possa sinalizar um risco acrescido de DOF em doentes na fase aguda pós-AVC, a sua pesquisa não substitui uma avaliação instrumental da deglutição. Por outro lado, a VED permite identificar estase salivar ou atraso no reflexo orofaríngeo da deglutição e detetar aspirações silenciosas. A pneumonia de aspiração é a complicação mais frequente da DOF na fase aguda pós-AVC e é a principal causa de internamento hospitalar e de morte, sendo a presença de aspirações silenciosas o principal fator de risco. Conclusão Embora a avaliação clínica da deglutição desempenhe um papel importante na avaliação da competência orofaríngea, carece de sensibilidade no rastreio da DOF nos doentes na fase aguda pós-AVC. Nestas situações, a VED é uma ferramenta mais fidedigna para avaliar a proteção da via aérea, cabendo aos otorrinolaringologistas um papel fundamental na avaliação destes doentes.<hr/>Abstract Introduction Stroke is one of the main causes of morbimortality in developed countries. Oropharyngeal dysphagia (OPD) is the second most frequent complication in the acute post-stroke phase and it is an independent predictor of unfavorable outcome and institutionalization, being associated with longer hospital stays and a huge economic impact. There is a documented association between the presence of certain sociodemographic and clinical characteristics and the incidence of post-stroke OPD, namely: advanced age, presence of cognitive impairment, higher degree of dependence, National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS) at admission greater than four and brainstem involvement. Objectives This study aimed to characterize, from a sociodemographic and clinical point of view, patients in the acute post-stroke phase in a tertiary hospital who underwent functional endoscopic evaluation of swallowing (FEES) due to suspected dysphagia and to correlate the results obtained in FEES suggestive of OPD with each of the variables. Methods A retrospective analysis of 68 patients who underwent FEES in the acute post-stroke phase at our hospital from 2018 to 2023 was conducted, with description of their sociodemographic profile, event characteristics and FEES findings. Results Regarding sociodemographic characteristics: 73.53% were at least 70 years old, 60.29% were male, 36.76% had some degree of dependence and 13.24% had dementia. When it comes to stroke’s features: 83.83% were of ischemic etiology, 80.88% had involvement of the cerebral hemispheres, 16.18% of the brainstem and 7.35% of the cerebellum, and 85.29% had an NIHSS at admission greater than 4. Concerning FEES’ findings: 42.65% of patients showed significant salivary stasis, 60.29% had delayed swallowing reflex, 48.53% had residue after swallowing, 10% had vocal chords paralysis and 57.59% had penetration or aspiration, of which 12% were silent aspirations. After a comparative analysis of all sociodemographic and clinical variables with the presence of OPD, a statistically significant relationship was only obtained for the presence of NIHSS at admission greater than 4 (p=0.015). Discussion Although the presence of some of these risk factors may signal an increased risk of OPD in patients in the acute post-stroke phase, it does not replace an instrumental assessment of swallowing. Moreover, FEES has the ability to identify salivary stasis or a delay in the swallowing reflex and to detect silent aspirations. Aspiration pneumonia is the most common complication of OPD in the acute post-stroke phase and is the leading cause of hospital admission and death, with silent aspirations being the main risk factor. Conclusion Although the clinical assessment of swallowing plays an important role in the evaluation of oropharyngeal competence, it lacks sensitivity in screening OPD in the acute post-stroke phase, not only in cases of altered state of consciousness, but also in the presence of silent aspirations. In these situations, FEES is a more reliable tool to assess airway protection, with the otolaryngologists playing a primary role in post-stroke patients’ evaluation. <![CDATA[Margens cirúrgicas e prognóstico no tratamento do carcinoma da laringe com laser CO<sub>2</sub>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300267&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Introdução O tratamento cirúrgico do carcinoma da laringe evoluiu nas últimas décadas para preservar a função do órgão sem comprometer a segurança oncológica. A microcirurgia transoral com laser CO2 (mTOL) tem sido amplamente adotada em estadios iniciais do carcinoma da laringe, devido à sua eficácia na resseção tumoral e preservação do órgão. Contudo, as margens de segurança mais estreitas comparativamente a técnicas abertas podem aumentar o risco de recidiva local, destacando a importância do seguimento rigoroso e da identificação de fatores prognósticos que influenciem o controlo local e a recidiva. Objetivos O estudo teve como objetivo identificar fatores prognósticos associados ao controlo local e à recidiva em doentes submetidos a mTOL para o tratamento do carcinoma da laringe. Material e Métodos Foram incluídos doentes com carcinoma glótico T1-T2 tratados entre 2013 e 2022. Avaliaram-se variáveis relacionadas com o doente (idade, sexo, comorbidades, biomarcadores), o tumor (extensão, estadiamento, envolvimento da comissura anterior) e o tratamento (margens cirúrgicas, necessidade de terapia adjuvante). O controlo local imediato (CLi) foi definido pela obtenção de margens negativas após mTOL. Considerou-se que houve controlo da doença (CL2) quando a mTOL, como única intervenção terapêutica, foi capaz de alcançar o controlo local, independentemente do número de procedimentos realizados, após um período de pelo menos dois anos desde o primeiro procedimento. A análise estatística incluiu testes univariados e regressão logística binária. Resultados Foram analisados 51 doentes (idade média: 64,2 anos), com taxas de CLi e CL2 de 52,9% e 82,4%, respetivamente, e uma taxa de preservação do órgão de 94,1% após dois anos. O CLi esteve significativamente associado a tumores em estádio inicial e sem envolvimento supra/subglótico, com p-valores de 0,005 e 0,033, respetivamente. No que diz respeito ao CL2, este apresentou uma associação significativa com um menor rácio plaqueta/linfócito, ausência de envolvimento da comissura anterior, tumores em estádio inicial e menor consumo de álcool, com p-valores de 0,049, 0,039, &lt;0,001 e 0,039, respetivamente. A análise de regressão logística binária confirmou estas associações, destacando que o CLi foi significativamente associado a tumores em estádio inicial (OR: 8,68; IC 95%: 1,35-101,41; p = 0,047), enquanto o CL2 esteve relacionado tanto com tumores em estádio inicial (OR: 57,24; IC 95%: 4,13-793,09; p = 0,003) como com um rácio plaqueta/linfócito mais baixo (OR: 0,99; IC 95%: 0,99-0,999; p = 0,019). Conclusões A mTOL demonstrou ser eficaz e segura no tratamento do carcinoma da laringe, com elevadas taxas de controlo da doença e preservação do órgão. Fatores como o estadiamento tumoral e o rácio plaqueta/linfócito mostraram impacto significativo nos outcomes. A avaliação cuidadosa destes fatores pode otimizar o tratamento e o seguimento destes doentes.<hr/>Abstract Introduction Surgical treatment of laryngeal cancer has evolved in recent decades to preserve organ function without compromising oncological safety. Transoral microsurgery with CO2 laser (TLM) has been widely adopted in the early stages of laryngeal cancer due to its effectiveness in tumor resection and organ preservation. However, the narrower safety margins compared to open techniques may increase the risk of local recurrence, highlighting the importance of close follow-up and identifying prognostic factors that influence local control and recurrence. Objectives The study aimed to identify prognostic factors associated with local control and recurrence in patients undergoing TLM for the treatment of laryngeal cancer. Material and Methods Patients with T1-T2 glottic carcinoma treated between 2013 and 2022 were included. Variables related to patient (age, gender, comorbidities, biomarkers), tumor (extent, staging, anterior commissure involvement) and treatment (surgical margins, need for adjuvant therapy) were assessed. Immediate local control (ILC) was defined by achieving negative margins after TLM. Complete local control (CL2) was defined as achieving local control with TLM as the only therapeutic intervention, regardless of the number of procedures performed, at least two years after the first procedure. Statistical analysis included univariate tests and binary logistic regression. Results 51 patients were analyzed (mean age 64.2 years), with CLi and CL2 rates of 52.9% and 82.4%, respectively, and an organ preservation rate of 94.1% at two years. CLi was significantly associated with early-stage tumors and without supra/subglottic involvement, with p-values of 0.005 and 0.033, respectively. Regarding CL2, it showed a significant association with lower platelet/lymphocyte ratio, absence of anterior commissure involvement, early-stage tumors and lower alcohol consumption, with p-values of 0.049, 0.039, &lt;0.001 and 0.039, respectively. Binary logistic regression analysis confirmed these associations, highlighting that CLi was significantly associated with early-stage tumors (OR: 8.68; 95% CI: 1.35-101.41; p = 0.047), while CL2 was associated with both early-stage tumors (OR: 57.24; 95% CI: 4.13-793.09; p = 0.003) and lower platelet/lymphocyte ratio (OR: 0.99; 95% CI: 0.99-0.999; p = 0.019). Conclusions TLM was shown to be effective and safe in the treatment of laryngeal cancer, with high rates of disease control and organ preservation. Factors such as tumour staging and platelet/lymphocyte ratio had a significant impact on outcomes. Careful assessment of these factors can optimize the treatment and follow-up of these patients. <![CDATA[Fatores preditores de fistulização após laringectomia: revisão de 10 anos]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300277&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Introdução : A laringectomia (LT) é um procedimento cirúrgico utilizado no tratamento do carcinoma avançado da laringe. Apesar de eficaz, está associada a diversas complicações pós-operatórias, sendo a fístula faringocutânea (FFC) uma das mais relevantes. A incidência desta complicação varia entre 8,7% e 27%, dependendo de fatores como técnicas cirúrgicas e características dos pacientes. O desenvolvimento de FFC pode prolongar o internamento hospitalar, aumentar os custos de tratamento e comprometer a recuperação do doente. Objetivos : O estudo teve como objetivo identificar os fatores preditores associados ao desenvolvimento de FFC em doentes submetidos a LT e faringolaringectomia, contribuindo para a implementação de estratégias preventivas e terapêuticas mais eficazes. Material e Métodos : Foi realizado um estudo retrospetivo e analítico, baseado nos dados de doentes submetidos a LT e faringolaringectomia entre 2013 e 2023 num único hospital. Foram analisados fatores pré, peri e pós-operatórios, incluindo idade, tabagismo, consumo de álcool, estado nutricional, técnica cirúrgica e parâmetros laboratoriais pós-operatórios. A análise estatística incluiu testes univariados e regressão logística binária para determinar fatores de risco independentes. Resultados : A amostra incluiu 66 doentes, com idade média de 62,14 anos. A incidência de FFC foi significativamente associada ao envolvimento tumoral da faringe (OR = 23,1; p = 0,010). Na análise univariada, níveis reduzidos de albuminemia (p = 0,012), proteinemia total (p = 0,045) e hemoglobinemia (p = 0,023) também apresentaram associação com FFC, mas não se mantiveram significativos na regressão logística. Outros fatores, como tabagismo, alcoolismo, antecedentes de tratamento oncológico e técnica de encerramento, não demonstraram relevância estatística. Conclusões : O envolvimento tumoral da faringe foi identificado como o principal fator de risco independente para o desenvolvimento de FFC. Fatores nutricionais e hematológicos demonstraram associação na análise univariada, mas o seu impacto parece secundário. A otimização pré-operatória do estado nutricional e a escolha da técnica cirúrgica mais adequada podem reduzir complicações e melhorar os desfechos clínicos dos doentes.<hr/>Abstract Introduction: Total laryngectomy (TL) is a surgical procedure used to treat advanced laryngeal cancer. Although effective, it is associated with several postoperative complications, one of the most important being pharyngocutaneous fistula (PCF). The incidence of this complication varies from 8.7% to 27%, depending on factors such as surgical technique and patient characteristics. The development of PCF can prolong hospital stay, increase treatment costs and compromise patient recovery. Objectives: The study aimed to identify the predictors associated with the development of PCF in patients undergoing TL and pharyngolaryngectomy, contributing to the implementation of more effective preventive and therapeutic strategies. Material and Methods: A retrospective and analytical study was performed, based on data from patients who underwent TL and pharyngolaryngectomy between 2013 and 2023 in a single hospital. Pre-, peri- and postoperative factors were analysed, including age, smoking, alcohol consumption, nutritional status, surgical technique and postoperative laboratory parameters. Statistical analysis included univariate tests and binary logistic regression to identify independent risk factors. Results: The sample included 66 patients with a mean age of 62.14 years. The incidence of CFS was significantly associated with pharyngeal tumour involvement (OR = 23.1; p = 0.010). In univariate analysis, lower levels of albuminemia (p = 0.012), total proteinemia (p = 0.045) and haemoglobinemia (p = 0.023) were also associated with PCF, but did not remain significant in logistic regression. Other factors such as smoking, alcoholism, history of cancer treatment and closure technique were not statistically significant. Conclusions: Pharyngeal tumour involvement was identified as the main independent risk factor for the development of PCF. Nutritional and haematological factors showed an association in univariate analysis, but their impact seems to be secondary. Preoperative optimisation of nutritional status and selection of the most appropriate surgical technique may reduce complications and improve clinical outcomes for patients. <![CDATA[Impacto clínico e funcional da disfagia orofaríngea pós-acidente vascular cerebral: um estudo retrospetivo]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300285&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Objetivos: Avaliar o impacto da disfagia orofaríngea (DOF) pós-acidente vascular cerebral (AVC) em desfechos clínicos e funcionais. Desenho do Estudo: Observacional, retrospetivo e unicêntrico. Material e Métodos: Foram incluídos 137 pacientes hospitalizados por AVC submetidos a videoendoscopia da deglutição (VED) entre janeiro/2018 e dezembro/2023. Avaliou-se a incidência de pneumonia de aspiração (PA), necessidade de gastrostomia endoscópica percutânea (PEG), tempo de internamento, destino após alta e evolução do Modified Rankin Scale (mRS). Resultados: A prevalência de DOF foi 69.34%. Os doentes disfágicos apresentaram maior incidência de PA (p&lt;0.05) e colocação de PEG (p&lt;0.05), maior probabilidade de institucionalização ou morte (p&lt;0.05) e agravamento do mRS 0.5 pontos superior (p&lt;0.05). O tempo mediano de internamento foi 15 dias superior no grupo com DOF (p&lt;0.05). Conclusões: A DOF pós-AVC associa-se a maior tempo de internamento hospitalar e piores desfechos funcionais. A VED é fundamental como ferramenta diagnóstica e orientadora de intervenção, com potencial custo-efetivo.<hr/>Abstract Objectives: To assess the impact of post-stroke oropharyngeal dysphagia (OPD) on clinical and functional outcomes. Study Design: Observational, retrospective, single-center study. Materials and Methods: A total of 137 patients hospitalized due to stroke who underwent fiberoptic endoscopic evaluation of swallowing (FEES) between January 2018 and December 2023 were included. The incidence of aspiration pneumonia (AP), need for percutaneous endoscopic gastrostomy (PEG), length of hospital stay, discharge destination and changes in the Modified Rankin Scale (mRS) were evaluated. Results: OPD prevalence was 69.34%. Dysphagic patients showed higher incidence of AP (p&lt;0.05) and PEG placement (p&lt;0.05), greater likelihood of institutionalization or death (p&lt;0.05), and a 0.5-point greater worsening in mRS (p&lt;0.05). Median hospital stay was 15 days longer in the OPD group (p&lt;0.05). Conclusions: Post-stroke OPD is associated with longer hospital stays and worse functional outcomes. FEES plays a key role as a diagnostic and interventional tool with potential cost-effectiveness. <![CDATA[Otomastoidite na criança: qual a tendência nos últimos 10 anos?]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300293&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Objetivo: Analisar a evolução dos casos de otomastoidite em crianças admitidas num hospital terciário nos últimos 10 anos. Desenho do Estudo: Estudo retrospetivo longitudinal de coorte. Material e Métodos: Analisaram-se os dados clínicos e demográficos de todas crianças admitidas no Hospital de Braga para tratamento hospitalar por otomastoidite entre janeiro de 2014 e dezembro de 2023. Resultados: Avaliaram-se 100 crianças (63% do sexo masculino; idade média 44,5±39,2 meses). As principais complicações incluíram abscesso subperiósteo (28%) e trombose do seio sigmóide (7%). O tratamento cirúrgico foi necessário em 77% dos casos. Verificou-se um aumento significativo do número de casos e de intervenções cirúrgicas ao longo da década, contudo este valor variou entre 9,3±3,7 casos/ano na pré-pandemia, 4,6±1,4 durante a pandemia e 17±1,4 após a pandemia. Conclusões: Os casos de otomastoidite aumentaram nos últimos anos, com uma redução temporária durante a pandemia. A monitorização contínua da evolução epidemiológica será fundamental para compreender a evolução destes padrões.<hr/>Abstract Objective: To analyze the evolution of otomastoiditis cases in children admitted to a tertiary hospital over the past 10 years. Study Design Retrospective longitudinal cohort study. Material and Methods: Clinical and demographic data were analyzed for all children hospitalized for otomastoiditis between January 2014 and December 2023 in Hospital de Braga. Results: A total of 100 children were evaluated (63% male; mean age 44.5±39.2 months). The main complications included subperiosteal abscess (28%) and sigmoid sinus thrombosis (7%). Surgical treatment was required in 77% of cases. A significant increase in the number of cases and surgical interventions was observed over the decade; however, the annual average varied between 9.3±3.7 cases/year in the pre-pandemic period, 4.6±1.4 during the pandemic, and 17±1.4 in the post-pandemic period. Conclusions: Otomastoiditis cases have increased in recent years, with a temporary reduction during the pandemic. Continuous monitoring of the epidemiological evolution is essential to understand the trends in this condition. <![CDATA[Olfato e risco cardiovascular: uma ligação ainda por explorar]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300303&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) apresentam elevada prevalência na população, sobretudo nas faixas etárias mais avançadas. Estudos prévios associam comorbilidades como a dislipidemia, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca à perda de olfato. Contudo, os resultados são inconsistentes e a relação entre DCV e a disfunção olfativa permanece por esclarecer. Objetivo: Avaliar a correlação entre perda de olfato, fatores de risco cardiovasculares (FRCV) e o risco cardiovascular (RCV) global. Material e métodos: Estudo retrospetivo incluindo doentes com idade igual ou superior a 40 anos avaliados em consulta de Olfato, num centro terciário, entre 2016 e 2024. Foram avaliados os FRCV (sexo, idade, valores da tensão arterial sistólica, colesterol total e HDL, peso, altura, hábitos tabágicos e a presença de diabetes mellitus (DM)). O grau de perda do olfato foi quantificado através do teste de identificaçãoBurghart Sniffin’ Sticks(0-16). O RCV foi calculado usando os índices SCORE2, SCORE2-OP (doentes com &gt; 70 anos) e SCORE2-DM (doentes diabéticos). Foram realizados estudo caso-controlo e análise da correlação entre a pontuação na identificação e as restantes variáveis analisadas. O grupo controlo incluiu indivíduos emparelhados por idade e sexo, sem alterações subjetivas do olfato. A análise estatística foi feita utilizando o programa SPSS®️ 30.0 para MacOs. Resultados: Foram incluídos 119 doentes (81 com alterações do olfato e 38 no grupo de controlo) com idade média de 61 ± 11 anos, 79 do sexo feminino e 16,8% diabéticos. O grupo de estudo apresentou uma identificação olfativa média de 8,4 ± 4 e um RCV médio de 7,7% ± 6%. O estudo caso-controlo demostrou que doentes com disfunção olfativa têm níveis de colesterol total significativamente mais elevados e uma maior tendência a sofrerem de DM (p = 0,054), ainda que não estatisticamente significativa. Quando aplicada a análise de subgrupos e excluindo os doentes com perda de olfato por patologia nasosinusal houve relação estatisticamente significativa entre a identificação e o RCV (p=0,031) e com colesterol total (p=0,044). Não foram encontradas outras associações estatisticamente significativas nas restantes variáveis avaliadas. Conclusão: Este é o primeiro estudo que explora a relação entre o RCV e as perturbações do olfato na população portuguesa. Este estudo sugere que existe uma associação entre a perda de olfato, um colesterol sérico elevado e um RCV aumentado. <![CDATA[BAHA na reabilitação auditiva de doentes com otite média crónica colesteatomatosa]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300311&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Introdução: O tratamento da otite média crónica colesteatomatosa (OMCC) é cirúrgico e pode implicar a realização de uma mastoidectomia técnica aberta. A hipoacusia resultante da doença e/ou da sua remoção cirúrgica é tradicionalmente corrigida por timpanoplastia ou prótese auditiva convencional, mas existem outras opções nomeadamente o Bone Anchored Hearing Aid (BAHA). Objetivo: Avaliar os resultados funcionais e o impacto na qualidade de vida dos doentes com OMCC reabilitados com BAHA. Material e métodos: Foram incluídos todos os doentes com OMCC submetidos a reabilitação auditiva com BAHA em 2022 e 2023 num Centro Hospitalar Terciário. Foram recolhidos dados demográficos, intervenções cirúrgicas realizadas no contexto da OMCC, limiares tonais e vocais antes e após a implantação com BAHA, tipo de anestesia utilizada e complicações associadas ao procedimento. O impacto na qualidade de vida foi avaliado através da aplicação da Escala Nijmegen Cochlear Implant Questionnaire (NCIQ) validada para português europeu. Resultados: Oito doentes, 7 do sexo feminino, com idade média de 56 anos, foram reabilitados com BAHA unilateral (total 8 ouvidos), por surdez de condução (1 doente) ou do tipo misto (7 doentes). Todos os ouvidos reabilitados tinham sido submetidos a mastoidectomia técnica aberta para tratamento cirúrgico da OMCC. Todos os BAHA colocados foram do tipo percutâneo. Antes da implantação o limiar tonal médio dos 8 doentes foi de 87dB e o Rinne audiométrico médio de 45dB. A média pré-operatória do speech recognition threshold (SRT) foi de 69dB. Após a implantação os limiares tonais médios passaram para 38dB, com melhoria do limiar tonal médio de 49dB. A média do SRT pós-operatório foi de 32dB. Quatro doentes apresentaram alterações cutâneas, correspondendo aos graus 1 e 2 da classificação de Holgers. A média da satisfação global do NCIQ foi 79,36. Os subdomínios com melhor pontuação média foram o de produção da fala (86,25) e o de perceção avançada do som (84,9). O subdomínio de autoestima foi o que apresentou o valor médio mais baixo (66,48). Conclusão: A reabilitação auditiva com BAHA mostrou-se eficaz na melhoria dos limiares auditivos e da qualidade de vida dos doentes com OMCC submetidos a mastoidectomia técnica aberta, sendo uma opção válida na reabilitação auditiva destes doentes. Complicações cutâneas dos BAHA percutâneos são frequentes pelo que o cuidado e vigilância da pele na zona do pilar é essencial.<hr/>Abstract Introduction: The treatment of chronic cholesteatomatous otitis media (CCOM) is surgical and may require an open technique mastoidectomy. Hearing loss resulting from the disease and/or its surgical removal is traditionally corrected with tympanoplasty or conventional hearing aids, but other options are available, such as the Bone Anchored Hearing Aid (BAHA). Objective: To evaluate the functional outcomes and impact on the quality of life of patients with CCOM rehabilitated with BAHA. Material and Methods: All patients with CCOM who underwent auditory rehabilitation with BAHA in 2022 and 2023 at a Tertiary Hospital Center were included. Demographic data, surgical interventions performed for CCOM, pre- and post-implantation tonal and speech thresholds, type of anesthesia used, and complications associated with the procedure were collected. The impact on quality of life was assessed using the Nijmegen Cochlear Implant Questionnaire (NCIQ) validated for European Portuguese. Results: Eight patients, seven female, with a mean age of 56 years, were rehabilitated with unilateral BAHA (a total of 8 ears) due to conductive hearing loss (1 patient) or mixed hearing loss (7 patients). All rehabilitated ears had undergone an open technique mastoidectomy for CCOM surgical treatment. All implanted BAHA devices were percutaneous. Before implantation, the average tonal threshold of the nine patients was 87 dB, and the mean audiometric Rinne was 45 dB. The preoperative mean speech recognition threshold (SRT) was 69 dB. After implantation, the mean tonal thresholds improved to 38 dB, with an average tonal threshold improvement of 49 dB. The postoperative SRT mean was 32 dB. Four patients presented skin alterations classified as grades 1 and 2 according to the Holgers classification, and there was one case of spontaneous pillar extrusion. The average overall satisfaction score on the NCIQ was 79.36. The subdomains with the highest mean scores were speech production (86.25) and advanced sound perception (84.9). The self-esteem subdomain had the lowest mean score (66.48). Conclusion: Auditory rehabilitation with BAHA proved effective in improving hearing thresholds and quality of life in CCOM patients who underwent open technique mastoidectomy, making it a valid option for their auditory rehabilitation. Cutaneous complications with percutaneous BAHA are frequent, highlighting the importance of skin care and monitoring around the pillar area. <![CDATA[Protocolo de abordagem da voz para afirmação de género: revisão sistemática]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300319&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Objetivo Elaboração de um protocolo de atuação no doente com disforia de género associada à voz. Desenho do Estudo Revisão sistemática. Material e Métodos Revisão bibliográfica nas bases de dados PubMed e Google Scholar de publicações em inglês, português e espanhol, que contemplem a avaliação clínica, tratamento médico e/ou cirúrgico da voz em doentes transgénero. A revisão sistemática foi elaborada segundo as normas PRISMA 2020. Resultados Foram incluídas 10 publicações. A avaliação em consulta dos doentes transgénero deve incluir uma avaliação áudio-percetiva (GRBAS e CAPE-V), uma análise acústica da voz (frequência fundamental, frequência dos formantes, extensão vocal e tempo de fonação máxima), a realização de uma laringoestroboscopia a baixo, médio e alto pitch e a aplicação de questionários (Trans Woman Voice Questionnaire - TWVQ e 10-question Voice Handicap Index - VHI-10). Numa primeira fase da abordagem terapêutica, o indivíduo transgénero deve ser encaminhado a um terapeuta da fala habilitado. Quando esta ferramenta apresenta resultados insuficientes, devem ponderar-se opções cirúrgicas. Uma vez que a maioria dos homens transgénero fica satisfeito com a voz obtida com o tratamento hormonal, existem ainda poucos estudos acerca da abordagem cirúrgica nesta subpopulação. Em relação às mulheres transgénero, a glotoplastia de Wendler é o procedimento de eleição. Conclusões Num tema que se encontra em franco crescimento, surge a necessidade de criação de um protocolo de abordagem que sintetize os melhores cuidados vocais da atualidade.<hr/>Abstract Objective Development of a protocol for patients with gender dysphoria related to voice. Study Design Systematic review. Materials and Methods A literature review was conducted using the PubMed and Google Scholar databases, including publications in English, Portuguese, and Spanish that addressed the clinical evaluation and medical and/or surgical treatment of voice in transgender patients. The systematic review was performed in accordance with the PRISMA 2020 guidelines. Results Ten articles were included. The clinical evaluation of transgender patients should include an auditory-perceptual assessment (GRBAS and CAPE-V), an acoustic voice analysis (fundamental frequency, formant frequencies, vocal range, and maximum phonation time), laryngostroboscopy at low, medium, and high pitch, and the administration of questionnaires (Trans Woman Voice Questionnaire - TWVQ and 10-item Voice Handicap Index - VHI-10). In the initial phase of therapeutic management, transgender individuals should be referred to a qualified speech-language therapist. When speech therapy yields insufficient results, surgical options should be considered. As most transgender men are satisfied with the vocal changes achieved through hormone therapy, there are still few studies regarding surgical voice interventions in this subpopulation. For transgender women, Wendler glottoplasty is the preferred surgical procedure. Conclusions Given the significant growth of this field, there is a pressing need to establish a standardized approach protocol that synthesizes the best current practices for voice care. <![CDATA[Crohn fora da caixa: série de casos sobre manifestações ORL da doença de Crohn]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300331&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Crohn’s disease (CD) is a chronic transmural inflammatory bowel disease that usually affects the distal ileum and colon, but may occur in any part of the gastrointestinal tract. Extraintestinal manifestations (EIM) occur in up to 40% of patients and usually affect the joints, skin, hepatobiliary tract and eyes. Non-specific oral lesions like aphthous ulcers are relatively common, but other specific oral and facial lesions, as well as nasal and ear involvement are considered rare. This case series presents three patients with CD and different forms of associated ENT manifestations - aphthous stomatitis, orofacial granulomatosis, nasal involvement including septal perforation and autoimmune inner ear disease. With this report we hope to contribute to a better understanding of these conditions and their interaction with CD, helping in their recognition and proper multidisciplinary management.<hr/>Resumo A doença de Crohn (DC) é um subtipo de doença inflamatória intestinal, caracterizada por focos de inflamação transmural que geralmente afeta o íleo distal e o cólon, mas pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal. Manifestações extraintestinais (MEI) ocorrem em até 40% dos doentes e geralmente envolvem as articulações, pele, trato hepatobiliar e olhos. Lesões orais não específicas, como úlceras aftosas, são relativamente comuns, mas outras lesões orais e faciais específicas, assim como o envolvimento nasal e otológico são considerados raros. Esta série de casos reporta três doentes com DC e diferentes formas de manifestações otorrinolaringológicas associadas - estomatite aftosa, granulomatose orofacial, envolvimento nasal incluindo perfuração septal e doença autoimune do ouvido interno. Com este artigo os autores esperam contribuir para uma melhor compreensão destas condições e da sua interação com a DC, ajudando no seu reconhecimento e adequada abordagem multidisciplinar. <![CDATA[Displasia isolada da apófise longa da bigorna - um caso clínico]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2184-64992025000300339&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo As malformações do ouvido médio são eventos raros, ocorrendo em 1/15000 nados vivos1-3. Estão geralmente associadas a outras malformações da cabeça e do pescoço podendo também ser parte integrante de síndromes malformativas. As malformações isoladas do ouvido médio são, por isso, eventos ainda mais raros cujo diagnóstico é desafiante4, sendo dificultado pela normal aparência do pavilhão auricular, canal auditivo externo e membrana timpânica. Neste artigo, iremos descrever um caso clínico de uma doente de 19 anos com história de surdez unilateral não tratada desde a infância. Ao exame objetivo ORL não apresentava alterações, tendo sido pedidos exames audiométricos que demonstraram uma surdez de condução no ouvido esquerdo com um gap aéro-ósseo de 54dB com timpanograma tipo A. O relatório da TC não descrevia alterações pelo que foi proposta uma timpanotomia exploradora que revelou uma displasia isolada da longa apófise da bigorna. Foi realizada uma ossiculoplastia do tipo II (classificação de Portmann)14 com enxerto autólogo de cortical mastoideia e cartilagem do tragus. O audiograma pós-operatório demonstrou uma redução do GAO médio para 18.75dB.<hr/>Abstract Middle ear malformations are rare events, occurring in approximately 1 in 15,000 live births.1-3 They are generally associated with other head and neck anomalies and may also be part of syndromic malformations. Isolated malformations of the middle ear are therefore even rarer and pose a diagnostic challenge4, especially given the normal appearance of the auricle, external auditory canal, and tympanic membrane. In this article, we describe the clinical case of a 19-year-old female patient with a history of untreated hearing loss since childhood. Otolaryngological examination revealed no abnormalities, prompting further audiometric evaluation. Pure tone audiometry demonstrated a left-sided conductive hearing loss with an air-bone gap (ABG) of 54 dB and a type A tympanogram. Computed tomography (CT) was reported as normal. An exploratory tympanotomy was therefore performed, revealing an isolated dysplasia of the long process of the incus. A type II ossiculoplasty (Portmann classification)14 was performed using autologous cortical mastoid bone and tragal cartilage grafts. The postoperative audiogram showed a reduction in the average ABG to 18.75 dB.