Scielo RSS <![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=2183-845320220002&lang=pt vol. 14 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[BURNOUT EM ENFERMEIROS E ASSISTENTES OPERACIONAIS NUM HOSPITAL CENTRAL EM TEMPO DE PANDEMIA COVID 19]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532022000200202&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Enquadramento A pandemia Covid 19 trouxe para os profissionais novos desafios, causando Exaustão profissional, ocorrendo com alguma frequência situações de Burnout. Objetivos Avaliar os níveis de Burnout nos Enfermeiros e Assistentes Operacionais de um Hospital Central; identificar a influência de fatores sociodemográficos e profissionais no Burnout em Enfermeiros e Assistentes Operacionais. Método Estudo quantitativo, transversal, descritivo-correlacional, por questionário e interpretação de dados com análise descritiva e inferencial. Resultados Os enfermeiros e assistentes operacionais que trabalham num Hospital Central em tempos de pandemia, apresentam níveis elevados de Burnout nas dimensões pessoal, trabalho e utentes, relacionado com fatores profissionais, de contexto e pessoais. Conclusão Perante níveis elevados de Burnout, é fundamental que as instituições organizem e promovam a vigilância e controlo dos seus profissionais. Protocolos e instrumentos devem ser desenvolvidos de forma a assegurar que os profissionais de saúde mantêm bons níveis de saúde física e mental.<hr/>ABSTRACT Introduction The Covid-19 pandemic brought new challenges to healthcare workers, promoting fatigue and professional exhaustion, leading frequently to burnout. Objectives Assess the levels of Burnout among nurses and nursing assistants of a tertiary hospital; compare the levels of burnout between these two groups and identify the influence of sociodemographic and professional factors in the studied groups. Methods Quantitative, transversal, descriptive and correlational study. Data was collected through a questionnaire. Descriptive and inferential analysis was performed. Results During the pandemic, nurses and nursing assistants presented high levels of personal, work-related and client-related Burnout, mainly due to professional, contextual and personal factors. Conclusion High levels of Burnout were found in nurses and nursing assistants. Institutions should monitor and control burnout levels regularly. Protocols and instruments must be developed to ensure healthcare professionals maintain good levels of mental health. <![CDATA[IMPACTO DO ISOLAMENTO SOCIAL NA SAÚDE MENTAL DE TRABALHADORES NUM INSTITUTO DE ONCOLOGIA DURANTE A PANDEMIA COVID-19]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532022000200203&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A pandemia de COVID-19 causou um enorme impacto na saúde mental dos trabalhadores, em particular nos profissionais de saúde. O isolamento social utilizado como medida de mitigação da infeção contribuiu para a redução na qualidade do sono e aumento de sintomas depressivos, ansiedade e burnout. Objetivos Os objetivos deste estudo são avaliar o impacto do isolamento e quarentena, na saúde mental e qualidade de sono de profissionais de saúde de um Instituto Português de Oncologia. Material e Métodos Foi distribuído um formulário online a todos os profissionais de saúde que estiveram em isolamento ou quarentena durante o ano de 2020 no IPO-Porto, constituído por três instrumentos - inquérito sociodemográfico, Inventário de Saúde Mental (ISM) e a Escala Básica de Insónia e Qualidade de Sono (BaSIQS). A recolha dos dados ocorreu em dois momentos, de 25 de julho a 25 de dezembro de 2020, e em dezembro de 2021. Resultados Foram identificados 359 profissionais de saúde (151 por isolamento e 208 por quarentena). Na análise de 2020, obtiveram-se 115 respostas (54 por isolamento e 61 por quarentena), o que resultou numa taxa de resposta de 32,0 %. Na análise de 2021, obtiveram-se 76 respostas com uma taxa de resposta de 21,1%. Nos profissionais de saúde do nosso estudo, as dimensões que compõem o distresse psicológico do ISM, apresentam uma melhoria após o primeiro ano da pandemia, bem como uma melhoria no valor médio total do ISM, de 2020 para 2021. Relativamente à qualidade de sono (avaliada pela BaSIQS) encontra-se na categoria pobre-intermédia, na avaliação de 2020. Apesar da avaliação de 2021 apresentar uma média ligeiramente melhor, não existe diferença estatisticamente significativa entre as duas. Nesta amostra de profissionais de saúde a saúde mental e qualidade de sono correlacionaram-se para os instrumentos utilizados. Discussão e Conclusão A insónia e a qualidade de sono são um fator modificável da saúde mental, com impacto na qualidade de vida e produtividade dos profissionais de saúde. O isolamento social como disruptor do sono, da rotina diária e da interação saudável das equipas de trabalho pode ser um fator de agravamento do sofrimento psicológico. O investimento em programas de promoção de saúde mental, assim como a coordenação de equipas multidisciplinares constituídas por Psicologia, Enfermagem e Medicina do trabalho é fundamental no acompanhamento e vigilância da saúde destes trabalhadores.<hr/>ABSTRACT Introduction The COVID-19 pandemic had a major impact on the mental health of workers, in particular healthcare professionals. The social isolation used as a mitigation measure against infection contributed to a reduction in sleep quality, and an increase in depressive symptoms, anxiety, and burnout. Objectives The aims of this study are to assess the impact of isolation and quarantine on the mental health and sleep quality of healthcare professionals in a Portuguese Oncology Institute. Material and Methods An online form was distributed to all healthcare professionals who were in isolation or quarantine during the year 2020 in the IPO-Porto, consisting of three instruments- sociodemographic survey, Mental Health Inventory (MHI) and Basic Insomnia and Sleep Quality Scale (BaSIQS). Data were collected in two moments, from July 25 to December 25, 2020, and in December 2021. Results A total of 359 healthcare professionals were identified (151 by isolation and 208 by quarantine). In the 2020 analysis, 115 responses were obtained (54 by isolation and 61 by quarantine), resulting in a response rate of 32.0%. In the 2021 analysis, 76 responses were obtained with a response rate of 21.1%. Regarding the healthcare professionals in our study, the dimensions that make up the psychological stress of the MHI, show an improvement after the first year of the pandemic, as well as an improvement in the mean total MHI value from 2020 to 2021. Sleep quality (assessed by the BaSIQS) is in the poor-to-intermediate category in the 2020 assessment. Although the 2021 assessment shows a slightly better mean, there is no statistically significant difference between the two. In this sample of health professionals, mental health and sleep quality correlated for the instruments used. Discussion and conclusions Insomnia and sleep quality are a modifiable factor of mental health, with an impact on the quality of life and productivity of healthcare professionals. Social isolation as a disruptor of sleep, daily routine and healthy interaction in work teams may be a factor that aggravates psychological distress. The investment in mental health promotion programs, as well as the coordination of multidisciplinary teams composed of Psychology, Medicine and Occupational Nursing are essential in the monitoring and surveillance of these workers' health. <![CDATA[SAÚDE OCUPACIONAL E O ATUAL SURTO DA VARÍOLA DOS MACACOS EM HUMANOS]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532022000200502&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A pandemia de COVID-19 causou um enorme impacto na saúde mental dos trabalhadores, em particular nos profissionais de saúde. O isolamento social utilizado como medida de mitigação da infeção contribuiu para a redução na qualidade do sono e aumento de sintomas depressivos, ansiedade e burnout. Objetivos Os objetivos deste estudo são avaliar o impacto do isolamento e quarentena, na saúde mental e qualidade de sono de profissionais de saúde de um Instituto Português de Oncologia. Material e Métodos Foi distribuído um formulário online a todos os profissionais de saúde que estiveram em isolamento ou quarentena durante o ano de 2020 no IPO-Porto, constituído por três instrumentos - inquérito sociodemográfico, Inventário de Saúde Mental (ISM) e a Escala Básica de Insónia e Qualidade de Sono (BaSIQS). A recolha dos dados ocorreu em dois momentos, de 25 de julho a 25 de dezembro de 2020, e em dezembro de 2021. Resultados Foram identificados 359 profissionais de saúde (151 por isolamento e 208 por quarentena). Na análise de 2020, obtiveram-se 115 respostas (54 por isolamento e 61 por quarentena), o que resultou numa taxa de resposta de 32,0 %. Na análise de 2021, obtiveram-se 76 respostas com uma taxa de resposta de 21,1%. Nos profissionais de saúde do nosso estudo, as dimensões que compõem o distresse psicológico do ISM, apresentam uma melhoria após o primeiro ano da pandemia, bem como uma melhoria no valor médio total do ISM, de 2020 para 2021. Relativamente à qualidade de sono (avaliada pela BaSIQS) encontra-se na categoria pobre-intermédia, na avaliação de 2020. Apesar da avaliação de 2021 apresentar uma média ligeiramente melhor, não existe diferença estatisticamente significativa entre as duas. Nesta amostra de profissionais de saúde a saúde mental e qualidade de sono correlacionaram-se para os instrumentos utilizados. Discussão e Conclusão A insónia e a qualidade de sono são um fator modificável da saúde mental, com impacto na qualidade de vida e produtividade dos profissionais de saúde. O isolamento social como disruptor do sono, da rotina diária e da interação saudável das equipas de trabalho pode ser um fator de agravamento do sofrimento psicológico. O investimento em programas de promoção de saúde mental, assim como a coordenação de equipas multidisciplinares constituídas por Psicologia, Enfermagem e Medicina do trabalho é fundamental no acompanhamento e vigilância da saúde destes trabalhadores.<hr/>ABSTRACT Introduction The COVID-19 pandemic had a major impact on the mental health of workers, in particular healthcare professionals. The social isolation used as a mitigation measure against infection contributed to a reduction in sleep quality, and an increase in depressive symptoms, anxiety, and burnout. Objectives The aims of this study are to assess the impact of isolation and quarantine on the mental health and sleep quality of healthcare professionals in a Portuguese Oncology Institute. Material and Methods An online form was distributed to all healthcare professionals who were in isolation or quarantine during the year 2020 in the IPO-Porto, consisting of three instruments- sociodemographic survey, Mental Health Inventory (MHI) and Basic Insomnia and Sleep Quality Scale (BaSIQS). Data were collected in two moments, from July 25 to December 25, 2020, and in December 2021. Results A total of 359 healthcare professionals were identified (151 by isolation and 208 by quarantine). In the 2020 analysis, 115 responses were obtained (54 by isolation and 61 by quarantine), resulting in a response rate of 32.0%. In the 2021 analysis, 76 responses were obtained with a response rate of 21.1%. Regarding the healthcare professionals in our study, the dimensions that make up the psychological stress of the MHI, show an improvement after the first year of the pandemic, as well as an improvement in the mean total MHI value from 2020 to 2021. Sleep quality (assessed by the BaSIQS) is in the poor-to-intermediate category in the 2020 assessment. Although the 2021 assessment shows a slightly better mean, there is no statistically significant difference between the two. In this sample of health professionals, mental health and sleep quality correlated for the instruments used. Discussion and conclusions Insomnia and sleep quality are a modifiable factor of mental health, with an impact on the quality of life and productivity of healthcare professionals. Social isolation as a disruptor of sleep, daily routine and healthy interaction in work teams may be a factor that aggravates psychological distress. The investment in mental health promotion programs, as well as the coordination of multidisciplinary teams composed of Psychology, Medicine and Occupational Nursing are essential in the monitoring and surveillance of these workers' health. <![CDATA[TUBERCULOSE OCULAR NUM PROFISSIONAL DE SAÚDE]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532022000200701&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Introdução A Tuberculose é considerada uma Doença Profissional nos Profissionais de Saúde e pode ter manifestações pulmonares ou, mais raramente, extrapulmonares, como a Tuberculose Ocular, que pode-se apresentar de diversas formas. Segunda a Direção-Geral de Saúde, as Instituições de Saúde devem adotar medidas de deteção precoce e considera que os casos de Tuberculose ativa em Profissionais de Saúde, devem ser considerados como Doença Profissional. Descrição do Caso Assistente Técnica de 57 anos, no serviço de Medicina Física e Reabilitação Hospitalar, com história de Episclerites de repetição no olho esquerdo desde há um ano. É observada por Oftalmologia e Medicina Interna. Sem outras queixas ou antecedentes de relevo. Apresentava Prova de Mantoux e Teste Teste Interferon Gamma Release Assay positivos, em doente já medicada com corticóide oral e local sem melhoria. Assumiu-se que se trataria de Tuberculose ocular, apesar de não ser uma apresentação típica da doença, mas que dado a recorrência e falha no tratamento, optou-se por iniciar tratamento para Tuberculose como doença ativa, com remissão total das queixas. Dada a exposição ocupacional, este caso foi participado como suspeita de Doença Profissional e foi afastada do seu local de trabalho até completar o tratamento. Discussão A Tuberculose é uma das Doenças Ocupacionais mais importante nos Profissionais de Saúde. Enquanto manifestação extrapulmonar, a versão ocular é rara, mas pode ter fortes implicações na saúde do doente. Contrariamente ao que se tem verificado com outras doenças infeciosas profissionais, a incidência da Tuberculose tem vindo a aumentar, pelo que se recomenda rastrear os grupos de risco. Se houver suspeita de Tuberculose com risco de contágio, o Médico do Trabalho deverá afastar o trabalhador do local de trabalho, notificar e participar a suspeita de doença profissional, se apropriado. O diagnóstico precoce pode ser difícil, pela diversidade de apresentação e constitui um desafio clínico considerável, sendo muitas vezes um diagnóstico presumível e os princípios básicos do tratamento para a Tuberculose extrapulmonar são comuns à Tuberculose pulmonar. Conclusão A Tuberculose ocular como apresentação de doença é rara. A participação como Doença Profissional por parte da Medicina do Trabalho teve em conta o local de trabalho e os riscos, mostrando-nos a importância de analisar corretamente as condições de trabalho, assim como as medidas de rastreio, prevenção e controlo da infeção.<hr/>ABSTRACT Introduction Tuberculosis is considered an Occupational Disease in Health Care Professionals and can have pulmonary manifestations or, more rarely, extrapulmonary manifestations, such as Ocular Tuberculosis, which can manifest in different ways. According to the Direção Geral de Saúde, Health Institutions should adopt early detection measures and considers that cases of active Tuberculosis in Health Care Professionals should be considered as an Occupational Disease. Case Report Technical Assistant, 57 years old, in the Physical Medicine and Hospital Rehabilitation service, with a history of recurrent episcleritis in the left eye for one year. She is observed by Ophthalmology and Internal Medicine. No other major complaints or background. She had a positive Mantoux test and a positive Interferon Gamma Release Assay test in a patient already medicated with oral and local corticosteroids, without improvement. It was assumed that it would be Ocular Tuberculosis, despite not being a typical presentation of the disease, but given the recurrence and treatment failure, it was decided to start treatment for Tuberculosis as active disease, with total remission of complaints. Given the occupational exposure, this case was reported as a suspicion of Occupational Illness and she was removed from her workplace until treatment was completed. Discussion Tuberculosis is one of the most important Occupational Diseases in Health Professionals. As an extrapulmonary manifestation, ocular tuberculosis is rare, but it can have strong implications for the patient's health. Contrary to what has been observed with other occupational infectious diseases, the incidence of Tuberculosis has been increasing, so it is recommended to screen the risk groups. If there is suspicion, the Occupational Physician must remove the worker from the workplace, notify and report the suspicion of occupational disease. Early diagnosis can be difficult, due to the diversity of presentation, and constitutes a considerable clinical challenge, being often a presumptive diagnosis and the basic principles of treatment for extrapulmonary tuberculosis are common to pulmonary tuberculosis. Conclusion Ocular Tuberculosis as a disease presentation is rare and in Health Care Professionals it is an Occupational Disease given the risk of exposure. Occupational Disease participation by Occupational Medicine took into account the workplace and the risks, showing us the importance of correctly analyzing the place and working conditions, as well as the screening, prevention and infection control measures.