Highlights
Intervenção Comunitária como fundamental para a integração social;
Estruturação Urbana dependente da identidade de bairro;
Estudo de caso como potenciador de comparação entre dois bairros sociais;
Bairro social como um lugar de não pertença;
Participação em ações comunitárias consideradas positivas.
1. Introdução
As sociedades capitalistas, pela sua vasta dimensão, são frequentemente descritas como espaços heterogéneos, com diversos desafios específicos. Estes desafios intensificam-se com a escassez de soluções no mercado imobiliário, as desigualdades ao seu acesso, a falha do Estado Social e as disparidades socioeconómicas, fatores que, ao longo dos anos, contribuíram para a criação de espaços de discriminação e isolamento social (Santos et al., 2023).
Neste contexto, selecionamos para estudos de caso um Gabinete de Intervenção e uma Empresa Municipal com atuação em bairros sociais, com o objetivo de compreender e avaliar as vantagens de uma intervenção sciocupacional como promotora da qualidade de vida dos habitantes. A avaliação concentra-se nos benefícios e barreiras encontrados para a implementação da intervenção comunitária sciocupacional, envolvendo grupos distintos, com foco naqueles que participam nas atividades. O estudo procura compreender os benefícios percebidos, considerando uma abordagem centrada no indivíduo e identificar, por parte da comunidade, as suas necessidades e problemáticas. A promoção de espaços voltados para a participação, convivência e lazer também é analisada. A dimensão da avaliação das intervenções sob a ótica dos residentes torna-se fundamental para compreender os benefícios que essas ações podem gerar, promovendo práticas mais eficazes, conscientes e organizadas.
Neste estudo, a avaliação será realizada por meio de dois instrumentos de recolha de dados: o questionário e a entrevista semiestruturada. Partimos do princípio de que o conhecimento aprofundado sobre os efeitos da intervenção é alcançado por meio da avaliação e da consideração de diferentes grupos que foram expostos a ela, assim como pela percepção daqueles que não participaram das atividades. Essa abordagem possibilita a observação e o desenvolvimento de estratégias de atuação, permitindo compreender os motivos pelos quais uma parte significativa da população residente participa num número reduzido de atividades e que estratégias poderiam ser adotadas para aumentar a motivação e a participação, identificando os prós e contras de forma a potencializar melhorias.
A organização deste artigo inclui o enquadramento teórico, que explora as principais dimensões dos benefícios e barreiras da intervenção sociocupacional, seguido da descrição da metodologia adotada. São apresentados e discutidos os resultados da investigação, seguindo-se uma conclusão.
2. Benefícios e barreiras da intervenção sociocupacional - dimensões
A literatura indica que os habitantes de bairros sociais enfrentam discriminação e marginalização, sustentadas por ideias negativas de que o bairro determina escolhas sociais e impõe barreiras estruturais. Essas dinâmicas dificultam a interação com a população em geral e perpetuam representações negativas do lugar como um espaço a evitar (Santos et al., 2023). Fatores como recursos económicos limitados, redes de emprego precárias e ciclos de pobreza perpetuam a exclusão, afetando migrantes, refugiados e minorias étnicas, enquanto o mercado habitacional e o planeamento urbano agravam essa vulnerabilidade (Malheiros et al., 2016).
A vulnerabilidade social refere-se à suscetibilidade dos indivíduos a danos sociais, económicos ou ambientais, neste caso referimo-nos à pobreza, à carência de oportunidades e acesso a direitos, acesso a serviços essenciais (saúde ou educação), ambientes violentos e discriminatórios, exposição e dificuldade em gerir eventos adversos e à inexistência de redes de apoio social (Lopes & Mendes, 2023).
Ao nível dos fatores consideram-se os de ordem social, económica, cultural e habitacional. Essa vulnerabilidade manifesta-se em sentimentos de baixa autoestima e incapacidade, que, a médio e longo prazo, levam à exclusão social, segregação e isolamento (Wacquant, 2001). Em contraposição, a integração social é uma pluralidade dinâmica de estilos de vida, dentro do conceito de cidadania, onde os indivíduos preservam e exercem suas capacidades de escolha. Isso envolve não só a posse, mas a aplicação efetiva de competências sociais (Almeida, 1993).
Paralelamente, Malheiros et al. (2016) mencionam a existência de quatro fatores de exclusão a considerar para justificar a situação de vulnerabilidade que se manifesta em torno dos bairros sociais, nomeadamente: 1) a estigmatização do bairro; 2) a acessibilidade a recursos e a sua qualidade; 3) os processos de socialização; e 4) o papel das redes sociais e do capital social, pelo que nos apresentam as linhas orientadoras sobre as quais deve incidir a intervenção. Face ao exposto, entende-se que os fatores de vulnerabilidade dizem respeito a condições de fragilidade e suscetibilidade que expõem o indivíduo ao risco, enquanto os fatores de exclusão social se referem à negação ou limitação de direitos, oportunidades e participação plena na sociedade.
Os benefícios da intervenção sociocupacional - entendida como um conjunto de atividades que visam promover o bem-estar, o desenvolvimento pessoal, a autonomia, as competências, bem como a participação social e cívica - podem ser avaliados em várias dimensões, como a inclusão social, a qualidade de vida, a capacitação e o empoderamento, o desenvolvimento pessoal, a avaliação participativa e a coesão comunitária.
A inclusão social, por meio da intervenção comunitária sociocupacional, é fundamental para reduzir o estigma e o autoestigma, uma vez que as atividades ocupacionais favorecem sentimentos de pertença, integração e identidade (Grabbe et al., 2013). A dimensão da inclusão social é evidenciada pelas sensações dos participantes das atividades sociocupacionais, que, ao interagir com outros, enfrentam desafios e soluções juntos, promovendo a participação comunitária. As ligações sociais, a partilha e o apoio são essenciais para o bem-estar individual.
A qualidade de vida é o principal objetivo da intervenção comunitária sociocupacional, procurando melhorar o bem-estar físico e mental dos participantes das atividades sociocupacionais, sendo um pilar psicossocial e emocional (Suto et al., 2021). Para isso, é crucial uma participação significativa, ou seja, atividades que atendam às necessidades e interesses individuais (Connell et al., 2012). Permitir ao participante um papel ativo no planeamento e controlo da atividade pode ser uma estratégia eficaz para promover a participação comunitária e o bem-estar pessoal (Connell et al., 2012).
O desenvolvimento pessoal é central na intervenção sóciocupacional, proporcionando oportunidades de aprendizagem, descoberta de talentos, maior interação social, confiança, autoestima e redução do autoestigma. Neste âmbito, o conceito de desenvolvimento pessoal refere-se ao processo contínuo de aquisição de competências e aprendizagens, que permite ao indivíduo experienciar um crescimento pessoal e emocional. Este desenvolvimento está associado ao fortalecimento da autoconfiança, à descoberta da sua identidade, desejos, limites e capacidades, bem como à criação ou ao reforço de redes de suporte e ao empoderamento, traduzido no sentimento de utilidade e na orientação para a tomada de decisões. A avaliação do desenvolvimento pessoal pode ser realizada através de métodos como a observação participante, entrevistas semiestruturadas, grupos focais, mapas de rede pessoal, participação comunitária ou, ainda, por meio do questionário WHOQOL-BREF, conforme indicado por Suto et al. (2021).
Já a avaliação participativa permite medir benefícios com maior precisão, envolvendo os participantes das atividades sociocupacionais no sucesso e desenho das intervenções, promovendo atitudes dinâmicas e contribuições diretas (Suto et al., 2021). A coesão comunitária também é crucial, incentivando a participação ativa da população em atividades coletivas nos bairros sociais.
A literatura sobre projetos de intervenção comunitária sociocupacional não apenas destaca benefícios, mas também identifica barreiras que dificultam a sua implementação, como a alfabetização, a falta de parcerias com a comunidade, fatores estruturais e o estigma.
Os baixos níveis de alfabetização apresentam-se como uma das principais barreiras à participação comunitária, dado que, por vezes dificultam a participação em determinadas atividades que possam ser de realização mais complexa ou, essencialmente, no que concerne às avaliações e validade dos resultados, visto que as pessoas inquiridas em alguns dos projetos relatam dificuldade para conseguirem realizar e interpretar as questões colocadas pelos investigadores (Spadola et al., 2020).
Uma barreira identificada nas parcerias comunitárias é a falta de alinhamento entre os objetivos, interesses e motivações de todos os envolvidos (Suto et al., 2021). Além disso, fatores pessoais dos participantes das atividades comunitárias, como problemas físicos ou mentais, doenças ou responsabilidades familiares, dificultam a participação comunitária. Assim, os projetos devem incluir alternativas para flexibilizar e facilitar a participação. Outra barreira é a duração ou o horário das atividades, que pode interferir na participação, especialmente se coincidirem com horários de refeição ou se forem atividades excessivamente longas. Essas barreiras podem ser relacionadas com questões estruturais, relacionadas ao ambiente do bairro, como violência, crime, mudanças habitacionais ou questões psicossociais, como desemprego e dificuldades económicas (Srivarathan et al., 2020).
A dimensão do estigma social é retratada nos diferentes projetos em análise podendo tratar-se de um estigma relacionado ao bairro social ou às próprias atividades ocupacionais, pelo que poderá afetar a participação ou o compromisso do participante para com a atividade ou intervenção sócio-ocupacional. Denota-se que o estigma social conduz os moradores à exclusão social e a adotar uma postura de resistência para com os projetos ou atividades sociais (Jensen & Christensen, 2012). As principais barreiras referem-se à baixa participação e retenção de homens, devido à maior presença feminina nas comunidades e à percepção de que certas atividades são tipicamente femininas (por exemplo atividades de relaxamento, desenvolvimento pessoal, entre outras).
A diversidade cultural e linguística é outra barreira identificada como estigma social, tendo como consequência a exclusão social de quem tem uma cultura ou língua diferente dos demais, bem como a associação a determinadas etnias ou culturas de comportamentos mais violentos e menos disponíveis para se integrarem na comunidade (Cheshire et al., 2018). De acordo com os projetos estudados, constatou-se que as populações com caraterísticas semelhantes entre si apresentam maior propensão para a realização de atividades (Srivarathan et al., 2020).
O estigma territorial refere-se ao estigma associado ao espaço habitacional, frequentemente relacionado a comportamentos desviantes e marginalizados (Kim, 2010), além de ser reforçado pela própria intervenção comunitária, que pode transmitir a imagem de que o local é de maior carência e necessita de atenção especial. Spadola et al. (2020), num estudo sobre comunidades desfavorecidas com problemas psiquiátricos, identificaram três condições essenciais para a mudança de comportamento na intervenção comunitária: capacidade (conhecimento sobre a atividade), oportunidade (acesso e ferramentas necessárias) e motivação (vontade de realizar a atividade, resultante das duas condições anteriores). Os autores utilizaram a Roda de Mudança do Comportamento (BCM) para mapear a intervenção, identificando falhas, barreiras e áreas de investimento para alcançar os objetivos da intervenção (Spadola et al., 2020).
Além da vertente sóciocupacional, outras estratégias de empoderamento têm sido identificadas na literatura. O "mix social", por exemplo, promove a dispersão de empreendimentos sociais urbanos, oferecendo residências a diferentes custos e tipologias, com apoio de entidades privadas para disponibilizar habitação a preços controlados para a população carenciada (Alves & Azevedo, 2017). As políticas públicas de habitação e planeamento urbano visam garantir diversidade cultural e de usos, incluindo habitações de tipologia partilhada (Alves, 2024). Programas de apoio à infância, intervenção escolar, e ações de capacitação e sensibilização, como o apoio ao estudo, a mediação escolar e a promoção de competências profissionais contribuem para o empoderamento e integração social, particularmente através de atividades que facilitam a entrada no mercado de trabalho (Chan et al., 2014; Eckstein et al., 2015).
3. Metodologia de investigação
A investigação utilizou o estudo de caso, comparando dois bairros sociais com intervenção sociocupacional, para analisar semelhanças e diferenças nas práticas institucionais e no comportamento de participantes (pessoa que vive no bairro, está envolvida diretamente em atividades sociocupacionais e que integram este estudo) e não participantes (pessoa que vive no bairro, não frequenta atividades sociocupacionais e que integram este estudo)(Suto et. al, 2021). Questionários e entrevistas foram usados na recolha de dados (ver quadro I).
Foram selecionados dois bairros sociais em Fafe e Guimarães. O artigo apresentado incide sobre a intervenção desenvolvida pelo Gabinete de Apoio ao Bairro ([GAB], 2022), do Município de Fafe, com atuação no Conjunto Habitacional da Cumieira da cidade de Fafe. O GAB surge da necessidade de intervenção biopsicossocial num bairro habitacional que remonta ao ano de 1978 e que durante três décadas se encontrou sob a gestão do Instituto de Gestao e Alienação do Patrimónico Habitacional do Estado (IGAPHE), herdando o Município um património degradado e com vários desequilíbrios ao nível litigioso, sem a presença de intervenções concretas e duradoras ao nível comunitário. Residem, atualmente, neste bairro social 195 agregados familiares.
Quadro I Metodologia e objetivos (geral e específicos).
| Questionário | Entrevista |
|---|---|
| Aaliar a perceção dos moradores em relação ao espaço bairro, a sua identidade social e cultural (objetivo específico); Compreender a influência do processo de integração e o nível de participação nas dinâmicas do bairro (objetivo específico). | Conhecer as vantagens, o impacto, os benefícios e barreiras de uma intervenção comunitária sociocupacional para a coesão social do próprio bairro através da perspetiva dos moradores e para a melhoria da intervenção comunitária sociocupacional na prática (objetivo geral) |
No concelho de Guimarães, o estudo foi realizado em colaboração com a Coordenação de Âmbito Social e Financeiro das Habitações do Município de Guimarães ([CASFIG], 2024), que consiste numa empresa de natureza municipal. Realiza a gestão de 493 habitações sociais, bem como, cinco salas de condomínio e um edifício sede. As habitações referidas distribuem-se por nove empreendimentos sociais, além de dois bairros sociais antigos e um composto de habitações dispersas. O estudo em questão alcançou diferentes empreendimentos de habitação sob a gestão desta entidade (Empreendimento de Mesão Frio, Atouguia; Bairro do Sardoal, Empreendimento de Creixomil, e/ou outros), pelo que não é viável identificar, de forma regular, no decorrer do desenvolvimento do estudo os nomes dos diferentes bairros sociais envolvidos no estudo, sendo mais simples a sua diferenciação como bairros de Guimarães.
Ambos os casos de estudo apresentam uma população predominantemente idosa, pessoas em situação de desemprego ou com empregos precários, jovens fora do mercado de trabalho e minorias étnicas, especialmente a comunidade cigana. O bairro em Fafe localiza-se na periferia das cidade e distinguem-se pela sua construção, enquanto que em Guimarães alguns dos empreendimentos localizam-se próximo do centro urbano. O Conjunto Habitacional da Cumieira passou por obras de reabilitação recente, devido ao seu estado avançado de degradação. Já em Guimarães, algumas estruturas são antigas e mostram sinais de desgaste, enquanto outros complexos possuem uma estrutura mais moderna, afastando-se das características típicas de habitação social.
Na análise quantitativa, foram inquiridos 43 pessoas participantes e 47 pessoas não participantes das atividades sócio-ocupacionais, totalizando 90 inquiridos, dos quais 51 pessoas inquiridas do Conjunto Habitacional da Cumieira (Fafe) e 39 pessoas inquiridas dos bairros sociais sob o domínio da CASFIG (Guimarães), aplicados por uma das investigadoras, entre agosto e setembro de 2023. O contacto com as entidades responsáveis pelas atividades dos bairros permitiu a identificação e o contacto com as pessoas disponíveis para participar no estudo. A seleção das pessoas inquiridas e entrevistadas, tanto os que participavam formal e ativamente quanto os que não participavamdas atividades promovidas pelas equipas técnicas nos bairros, foi realizada com o apoio dos técnicos responsáveis pelos projetos, utilizando uma amostra por conveniência. O inquérito e a entrevista foram validados pelo responsável pela proteção de dados do Instituto Politécnico do Porto, que aprovou a aplicação, as questões e o procedimento de recolha de dados. Antes da realização das entrevistas, as pessoas entrevistadas foram previamente informadas sobre os objetivos do estudo, a natureza voluntária da sua participação e o modo como os dados seriam utilizados. Foi-lhes perguntado se estariam disponíveis para colaborar de forma livre e esclarecida, tendo sido obtido o respetivo consentimento verbal. Nenhuma informação recolhida permite a identificação direta das pessoas entrevistadas, assegurando-se assim o respeito pelos seus direitos, dignidade e privacidade ao longo de todo o processo de investigação.
A análise quantitativa foi realizada com recurso ao programa estatístico IBM SPSS Statistics, na qual se analisaram duas bases de dados. Foram realizados dois questionários, um para residentes que participam nas atividades sociocupacionais e outro para residentes não participantes nas atividades sociocupacionais, sendo que as algumas das questões foram respondidas numa escala de Likert de cinco pontos, resposta aberta curta e múltipla. No anexo IV encontram-se os inquéritos por questionário aplicados aos participantes e não participantes das atividades sociocupacionais.
As entrevistas foram realizadas individualmente, com duração máxima de 1 hora (guiões das entrevistas em anexo). As entrevistas realizadas consideram-se semiestruturadas e foram aplicadas a oito pessoas participantes no total: duas a participantes das atividades sociocupacionais e duas a não participantes das atividades socicupacionais de cada um dos bairros. Os entrevistados foram codificados como EP (entrevistado participante) e ENP (entrevistado não participante). Os guiões das entrevistas apresentam diferenças, sendo que algumas questões são especificamente direcionadas aos participantes das atividades promovidas pelas equipas técnicas, enquanto outras se destinam aos não participantes, com o objetivo de compreender os motivos da sua não adesão e ausência de integração nas dinâmicas sociocupacionais do espaço habitacional. Para complementar a análise qualitativa, realizou-se uma análise integral às respostas de ambos os grupos - participantes e não participantes - usando a ferramenta Voyant Tools.
4. Resultados e discussão
O envolvimento comunitário estimula a interação e a motivação para participar das atividades, eventos e iniciativas promovidas no espaço habitacional, proporcionando experiências positivas e favorecendo o desenvolvimento pessoal, coesão social e comunitária; atividades significativas reforçam competências e reduzem a vulnerabilidade (Rothes, 2009). Segundo Almeida (1993), a integração social resulta de estilos de vida diversos, unidos pela cidadania e pelo uso efetivo de competências sociais. Queirós e Oliveira (2023) destacam que a intervenção comunitária exige a produção e mobilização de conhecimento sobre pessoas e contextos, construído a partir da análise do quotidiano e validado por métodos científicos.
Para motivar a participação comunitária, destaca-se a mobilização de figuras influentes na comunidade e a valorização do papel ativo dos indivíduos no planeamento e decisão das atividades. O envolvimento em todas as etapas, desde a criação até à avaliação, promove sentido de controlo e escolha, impulsionando a participação ativa e o bem-estar do participante, assim como a sua capacitação e o sentido de parceria com a própria comunidade (Connell et al., 2012).
Nesta linha de pensamento, Eriksson e Sørensen (2021) alertam para a importância de planear intervenções com base nas reais necessidades dos moradores, evitando suposições que possam comprometer o sucesso. Argumentam ainda que as ações devem ser conduzidas por voluntários locais, já que projetos temporários e externos, com alta rotatividade, podem gerar descontentamento, cansaço e relutância à participação.
Os resultados recolhidos em relação aos motivos e sensações inerentes à participação nas ações e atividades desenvolvidas nos bairros sociais encontram-se explanados no quadro II e III.
Quadro II Avaliação na ótica dos participantes: motivos para a participação das atividades sociocupacionais.
| Motivos para a participação | Percentagem | Atividades com maior participação | Percentagem |
|---|---|---|---|
| Convívio | 72,1% | Oficinas/Workshops Informativos | 58,1% |
| Ocupação | 62,8% | Relaxamento/Meditação | 37,2% |
| Desenvolver novas competêncais/conhecimentos | 69,2% | Visitas a exposições | 44,2% |
| Ateliers de trabalhos manuais | 37,2% |
Quadro III Avaliação na ótica dos participantes das atividades sociocupacionais: sentimento de pertença à comunidade.
| Sentimento associado ao sentimento de pertença à comunidade | Percentagem | Sentimento associado/advém da participação | Percentagem |
|---|---|---|---|
| Sensação de bem-estar | 79,1% | Sensação de bem-estar | 88,4% |
| Associação do bairro a um espaço seguro e onde gostam de estar | 58,1% | Melhoria da saúde física e mental | 76,7% |
O perfil dos inquiridos revela uma predominância feminina, com 71 pessoas participantes do sexo feminino e 19 do sexo masculino. Esse desequilíbrio é consistente com a literatura, que aponta o género como uma barreira na participação comunitária, com as atividades muitas vezes voltadas para os interesses das mulheres e associadas a fatores culturais e relacionais (Srivarathan et al., 2020). A maioria das pessoas participantes tem idades entre 40 e 60 anos (42,2%) e 36,7% estão na faixa etária de 60 a 80 anos, com 51,1% tendo o 1º ciclo de escolaridade.
A situação profissional dos inquiridos reflete a alta taxa de desemprego, com 47,8% de reformados e 35,6% de desempregados, o que está em linha com os altos índices de desigualdade e exclusão social observados em Portugal, com 22,4% da população em situação de pobreza e exclusão social em 2021 (Rodrigues, 2024). Relativamente à localização, 56,7% dos inquiridos são do bairro de Fafe, e 43,3% dos bairros sociais de Guimarães.
Os participantes nas atividades sociocupacionais que não escolheram nenhuma das opções destacaram como motivos a identificação com as atividades, o propósito da atividade e a criação de materiais novos ou a própria identificação com pessoas que participam.
No caso concreto dos sentimentos que advêm da participação, a própria literatura comprova tal questão ao afirmar que o bem-estar de cada indivíduo e a sua saúde mental apenas se encontram plenamente saudáveis quando em equilíbrio com a identidade de bairro, possibilitando o aumento da autoestima, seja ela coletiva ou individual, bem como, a interação e entreajuda social (Smyth et al., 2011). Além disso, a maioria dos participantes das atividades sociocupacionais concorda com a importância dos conhecimentos adquiridos nas atividades para o seu dia-a-dia, identificando-se o cumprimento de um dos principais objetivos da intervenção sociocupacional no que à capacitação da sociedade diz respeito (51,2% dos participantes das atividades sociocupacionais refere que os conhecimentos adquiridos no contexto das atividades é importante para o seu dia-a-dia e para a sua capacitação).
Os benefícios e sensações relatados pelos participantes das dinâmicas comunitárias encontram-se, igualmente, em consonância com a literatura, destacando sentimentos de bem-estar, segurança e acolhimento associados ao espaço do bairro e à participação comunitária. Participantes ativos nas atividades sentem-se mais protegidos e desenvolvem uma identidade coletiva que promove ações em prol da comunidade, incorporando normas e valores do grupo (Chang et al., 2016). Relativamente à perceção de bem-estar, 76,7% dos participantes das atividades sociocupacionais associaram a sua integração nas atividades a uma melhoria da saúde física e mental, bem como à redução de sentimentos de solidão e ansiedade. Esta melhoria parece estar relacionada com a estruturação do quotidiano, a criação de rotinas significativas e o reconhecimento no seio da comunidade. Uma das participantes das atividades promovidas no bairro social declarou: “Desde que comecei a vir ao centro, durmo melhor e ando menos nervosa”. Já os não participantes das atividades apresentaram níveis mais baixos de satisfação geral, reportando com maior frequência problemas de saúde e menor envolvimento relacional. As entrevistas, alinhadas ao inquérito por questionário, abordaram dimensões de benefícios e barreiras, utilizando questões pré-estruturadas selecionadas pela sua relevância e potencial para enriquecer o estudo com dados complementares.
Destacam-se as práticas de inclusão social na intervenção comunitária, bem como o bem-estar e a estrutura urbana, influenciados pela identidade do bairro, que favorece a autoestima, a inclusão e a busca por apoio em situações de carência (Heath et al., 2017).
Por sua vez, o baixo nível educacional é considerado um fator importante que pode influenciar a participação em atividades mais complexas ou na avaliação dos resultados, evidenciando as dificuldades de alfabetização entre os públicos vulneráveis, como observado em contextos de bairro social (Spadola et al., 2020).
Em termos de integração comunitária, a maioria (54,4%) sente-se integrada ou totalmente integrada, enquanto 5,6% se consideram não integrados. Os principais problemas apontados foram a relação com vizinhos, o ambiente desestabilizador, o barulho e a violência, bem como materiais danificados nas residências. A perceção de integração relaciona-se com experiências de vida, frequentemente traumáticas, que influenciam a interação na comunidade; experiências desajustadas geram sentimentos negativos e afastamento do local de residência. De modo geral, as relações de vizinhança surgem como fundamentais para a participação comunitária, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, onde ligações sociais saudáveis são mais difíceis. Fatores estruturais, como ambiente perigoso, violência, erros de construção e questões psicossociais (e.g., carência económica, desemprego), desempenham um papel central (Srivarathan et al., 2020). Barreiras pessoais, incluindo limitações físicas, mentais, obrigações familiares ou doenças, também condicionam a participação.
A ausência de estabilidade e segurança habitacional impulsionada pelas mudanças de ordem estrutural ou relacional comprometem as relações sociais entre moradores, assim como, a sua disponibilidade e aptidão para a participação em atividades de cariz cívico ou atividades de trato ocupacional (Kearns & Parkinson, 2001). A estabilidade e segurança habitacional é crucial para o indivíduo, pelo que a sua ausência compromete quer o desenvolvimento de relações sociais saudáveis, quer a disposição e a propensão para a integração em atividades de cariz social ou ocupacional, sendo considerado uma barreira a instabilidade e segurança do espaço habitacional. No decorrer da aplicação dos inquéritos por questionário foi percetível que a perceção de integração ou de não integração está relacionada com as experiências e episódios vivenciados, de forma mais ou menos traumáticos, o que, por sua vez, determina a forma de se relacionar no seio da sua comunidade e pares semelhantes. Experiências desajustadas e negativas implicam sentimentos menos positivos, fuga e negação do local onde vivem, como será possível avaliar na análise que se segue.
Para analisar se a percepção dos inquiridos está relacionada com a participação em atividades, utilizou-se o teste Qui-quadrado de independência. Não foi identificada associação entre a participação e fatores como habilitações literárias, bairro social, relações conflituosas, identificação grupal reduzida, associação de violência ao bairro, rotatividade de técnicos, sentimento de incapacidade de participação, ausência de mediadores comunitários e mudanças frequentes nos projetos de intervenção. A análise estatística confirmou estas associações, com resultados significativos entre a perceção de integração e a participação (p < 0,05), bem como entre o sentimento de pertença e fatores como o ambiente físico e os horários das atividades (p < 0,001).
Os participantes nas atividades comunitárias descreveram uma vivência mais positiva do espaço habitacional, associando-o a sensações de segurança, familiaridade e pertença. Os dados quantitativos revelam que 88,4% destes participantes das atividades consideram que o envolvimento nas atividades contribuiu para o aumento do seu bem-estar e reforço do sentimento de pertença. Esta perceção parece ancorar-se na criação de vínculos sociais, na partilha de experiências e no sentimento de utilidade pessoal. Como afirmou uma das entrevistadas: “Aqui sinto-me em casa. Conheço as pessoas, ajudamos umas às outras”. Em contrapartida, os não participantes das atividades revelaram uma perceção mais distante ou mesmo crítica do território onde residem, expressando sentimentos de isolamento, desconfiança e desinteresse. Alguns manifestaram, inclusivamente, ausência de identificação com o bairro, apesar de nele viverem há vários anos: “É só casa e cama. Não falo com quase ninguém”.
Em relação às questões não comuns que pretendem aferir os motivos para participarem das atividades, os sentimentos experienciados, atividades ou ações comunitárias em que participa e mais gosta ou habilidades desenvolvidas e, no caso de quem não participa nas atividades promovidas pelas equipas, as motivações e opinião sobre estas práticas, constata-se que para os não participantes, das dinâmicas comunitárias, o principal sentimento que se encontra associado à falta de integração são as relações de vizinhança conflituosas, dado que, é a opção que apresenta percentagem mais elevada, face às restantes opções (34,0% dos inquiridos responderam “sim”, face a 66,0% dos inquiridos que responderam “não”). Nas questões de resposta aberta e para a questão elencada sobre os sentimentos associados à falta de integração os inquiridos referem ainda o preconceito; desconfiança e conflitos com vizinhos, sobretudo de etnia cigana; sentirem que não há́ respeito e que não têm direito à privacidade entre vizinhos ou estes demonstrarem- se muitos conflituosos ou a existência de desacatos (mau ambiente). Malheiros et al. (2013) destacam o efeito inverso do desejado, no que concerne às relações sociais, mencionando que este tem sido um foco dos estudos científicos precisamente em bairros intervencionados, ao nível da sua estrutura física, nos quais se verifica o surgimento de interações segregadas quando se verifica o afluxo de população de classe média e pobre, nomeadamente ao nível económico e étnico.
Davidson (2010) referiu que as populações fora de bairros sociais possuem estruturas familiares e percepções distintas sobre comunidades e convivência. O mesmo autor refere que em Londres, relações entre antigos e novos residentes eram raras, limitadas por barreiras de classe, raça e normas de conduta, gerando conflitos. A intervenção comunitária é destacada como essencial para promover vínculos equilibrados, fundamentando-se no desenvolvimento comunitário e na animação sociocultural, com foco na participação coletiva, bem-estar e qualidade de vida.
À semelhança da análise anterior realiza-se, também, uma análise em relação às razões que potenciam a não participação que podem ser consultadas no quadro IV.
Na ótica dos não participantes das atividades surge uma perspetiva diferente, apontando o bairro como um lugar onde não gostam de estar e no qual não se sentem bem, manifestando-se a inexistência de um sentimento de integração e de pertença. Predomina o sentimento de "obrigação", alegando residirem nestes locais por não possuírem condições económicas que lhes permitem viver num outro lugar. Em termos quantitativos, 45,1% mencionaram a incompatibilidade de horários e 49,3% referiram que o ambiente do bairro não encorajava à participação. O estigma territorial surgiu ainda como obstáculo simbólico à mobilização: “Muita gente acha que isto é só gente má, não se mistura”.
Quadro IV Razões associadas à não participação nas atividades sociocupacionais.
| Motivos para a não participação | Não gostarem das atividades; Falta de tempo; Obrigações familiares; Problemas de saúde; Desinteresse pelas atividades comunitárias; Relações instáveis com os vizinhos ou desconfianças e inseguranças em relação aos vizinhos. |
| Motivos para a baixa participação do género masculino | Desinteresse pelas atividades realizadas, identificando outras atividades de maior interesse para o género masculino, tais como o futebol ou as idas ao café; Não gostarem das atividades comunitárias; Associarem as atividades em questão como sendo uma responsabilidade do género feminino, identificando as mulheres como mais ativas na sociedade ou associarem as atividades como sendo destinadas ao género feminino (preconceito de género); Não se sentirem à vontade com este conceito de participação ou terem vergonha; Participação, nas atividades sociocupacionais, em maior número de participantes nas atividades do género feminino.. |
Ao analisarmos os trechos das respostas referentes às questões que se debruçam sobre a inclusão social, compreendemos que de uma forma geral as pessoas reportam os seus conflitos ou divergências culturais para com a população de etnia cigana, demonstrando o seu descontentamento com atitudes ou comportamentos desajustados e, para com a restante população, no que ao incumprimento das regras diz respeito. O ambiente do bairro é sentido como um ambiente negativo, destacando-se como principais pontos o barulho, o lixo/higienização dos espaços comuns e violência.
Contudo, a barreira associada ao estigma ou autoestigma encontra-se aqui evidentemente presente, bem como, fatores de caráter estrutural relacionados com o ambiente sentido no próprio bairro, associado a situações de desorganização e que provocam desconforto nestes residentes, percecionando este espaço como um local violento, perigoso e onde é evidente o crime e ainda situações contrárias ao saber estar em comunidade (Srivarathan et al., 2020). Embora muitos não percebam impacto direto no dia a dia, a maioria já enfrentou comentários depreciativos sobre o local de residência, sendo o estigma territorial, ligado à associação do espaço a comportamentos desviantes e episódios negativos. O autoestigma, embora menos expressivo em dados, é apontado como um fator que dificulta mudanças e ações interventivas, reforçando uma visão desmotivadora sobre a capacidade de superação da população local (Grabbe et al., 2013).
Por fim, em relação à questão sobre se situações em que o bairro é "olhado de lado" e sobre a possibilidade de comprometerem o dia-a-dia das pessoas que habitam estes espaços, é percetível que a maioria dos inquiridos concorda que o bairro é visto pela comunidade geral como diferente, contudo não sentem que esse facto seja comprometedor para o seu dia-a-dia.
Em relação aos participantes das atividades sobre a perspetiva da participação num grupo culturalmente diverso destacam-se as opiniões dos residentes do bairro de Fafe que consideram que as populações de culturas diferentes não se encontram integradas, autoexcluindo-se, denotando-se a dificuldade em realizar atividades em grupo ou "misturarem-se" com outras pessoas de outras culturas. Tal afirmação é evidenciada com a literatura, na medida em que, se verifica a existência de maior probabilidade de pessoas com caraterísticas individuais semelhantes se relacionarem essencialmente entre si em oposição a pessoas com caraterísticas opostas, pelo que, é frequente predominarem certos estereótipos étnicos (Liljas et al., 2017).
Os principais fatores que dificultam a participação comunitária incluem relações de vizinhança conflituosas, violência e insatisfação com as condições de habitação. Conforme a literatura, relações sociais estáveis promovem a participação e a disponibilidade para ações comunitárias. No entanto, questões psicossociais como desemprego e carências limitam o envolvimento, refletindo exclusão e pobreza social (Rodrigues, 2024).
Na perspetiva dos participantes das atividades , são identificados três principais motivos para a desistência ou a adoção de uma postura de resistência quanto à intervenção comunitária, dos quais podemos referir a falta de interesse, o entendimento sobre o propósito da intervenção e as interações sociais em si, manifestamente negativas. Na perspetiva dos não participantes das atividades relaciona-se com interações sociais, também elas negativas; associação de determinadas pessoas/etnias a comportamentos desviantes; situações profissionais condicionantes (pessoas que trabalham) ou pessoas de idade avançada e o descontentamento face ao espaço bairro e habitacional.
Na ótica da maioria dos entrevistados, observamos que a participação em ações comunitárias contribui para o sentimento de bem-estar, nomeadamente, para o alívio do stress, fortalecimento da saúde mental promovido através do convívio e do fortalecimento de relações interpares estreitando os laços de vizinhança, bem como a promoção do desenvolvimento de novos conhecimentos e conhecer novas pessoas. Cruwys et al. (2022) apresentam a intervenção como um meio importante e estratégico para o desenvolvimento no indivíduo de sentimentos associados à identidade de bairro, permitindo-lhes sentirem-se protegidos e seguros dos efeitos negativos decorrentes da exposição a imagens estigmatizantes que a comunidade geral associa aos bairros sociais. A informação apresentada é comprovada pelas respostas das pessoas participantes, dado que referem que a participação nas atividades é significativa para “aliviar o stress da cabeça e conviver com as outras pessoas e vamos ganhando amizade. Havia tantas coisas que não conhecia por lá e passei a conhecer com estas atividades” (EP3); "Conhecer os outros e aprender" (EP2) ou "Estava super bem. Conversar, conviver com as pessoas, tudo, psicologicamente principalmente para aliviar o stress." (EP4)
Por fim, no que concerne à forma como podem ser motivadas as pessoas para participar referem a importância de mobilizar pessoas influentes na comunidade para atrair e motivar à participação, bem como, destacar o papel do indivíduo no envolvimento na decisão e planeamento das atividades, acompanhando e intervindo em todas as fases, desde a criação à avaliação. a pessoa assume uma posição de controle, orientação e escolha sobre as atividades, impulsionando a participação comunitária ativa e bem-estar experienciado pelo participante (Connell et al., 2012).
Eriksson & Sørensen, 2021 alertam, precisamente, para a forma como a intervenção é planeada e para os riscos inerentes que podem comprometer uma ação bem-sucedida, na medida em que é necessário avaliar as necessidades e interesses dos moradores, não caindo no erro de supor a necessidade de determinada intervenção, pois poderá não corresponder à realidade. Não obstante, alegam que a intervenção deverá ser realizada por voluntários locais evitando a exposição dos moradores a determinados projetos temporários e ações exteriores que pelo seu elevado nível de rotatividade podem provocar sentimentos de descontentamento, cansaço e relutância à intervenção.
5. Conclusão
A análise dos impactos da habitação social revela uma realidade complexa, em que a segregação espacial e a perpetuação da pobreza limitam as oportunidades dos residentes. As políticas habitacionais atuais não têm sido eficazes em romper esses ciclos, muitas vezes fixando as pessoas em contextos adversos que afetam sua qualidade de vida e coesão comunitária, dificultando a construção de relações sociais estáveis.
A promoção do empoderamento comunitário surge como uma solução potencial, com iniciativas que incentivam a participação ativa dos moradores e programas de capacitação profissional, fortalecendo a coesão social e a autossuficiência. A prática de atividades de participação comunitária e a criação de relações significativas com os vizinhos são estratégias eficazes para combater o isolamento, enquanto parcerias estratégicas entre governos, organizações não-governamentais e o setor privado fornecem os recursos necessários.
Além disso, o envolvimento de líderes comunitários e a auscultação dos residentes no planeamento de ações são fundamentais para o sucesso dessas iniciativas. A valorização da cultura e identidade local também desempenha um papel crucial, promovendo um sentimento de pertença e autoestima entre os moradores. Portanto, políticas públicas que integrem a inclusão social, capacitação e fortalecimento das redes de apoio comunitário são essenciais para transformar a habitação social em um instrumento de mobilidade social e empoderamento, promovendo uma sociedade mais justa e equitativa.
Este trabalho não está ausente de limitações na sua elaboração e procedimento. Assim, gostaríamos de referir que uma das limitações foi o curto espaço de tempo para a realização da recolha de dados e os seus potenciais constrangimentos com a demora na sua recolha, visto tratar-se de um público-alvo não tão disponível e com um nível de dificuldade acrescida em relação à perceção sobre as questões, bem como a dimensão da amostra.
Em termos de investigação futura seria interessante uma monitorização mais próxima e detalhada, que permita mapear a intervenção, identificando mudanças de comportamento/atuação, limitações, áreas de intervenção no futuro, objetivos e barreiras. Considera-se, também, interessante alargar a investigação a outros bairros sociais e projetos, potenciando possíveis comparações e identificação de boas práticas. Outra possibilidade de investigação futura seria analisar a perspetiva dos decisores políticos e técnicos municipais, eventualmente comparando as perceções dos diferentes intervenientes de um mesmo programa.
Contributos das autoras
Cátia Sampaio: Conceptualização, Metodologia, Software, Validação, Análise formal, Investigação, Recursos, Escrita - preparação do esboço original, Redação - revisão e edição. Marisa R. Ferreira: Conceptualização, Validação, Análise formal, Redação - revisão e edição, Supervisão. Ana Borges: Metodologia, Software, Validação, Análise Formal, Supervisão.














