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Revista de Ciências Agrárias

versão impressa ISSN 0871-018Xversão On-line ISSN 2183-041X

Rev. de Ciências Agrárias vol.48 no.1 Lisboa mar. 2025  Epub 08-Jan-2025

https://doi.org/10.19084/rca.37884 

Artigo

Nemátodes entomopatogénicos: agentes de proteção biológica

Entomopathogenic nematodes: biological control agents

Elsa Borges da Silva1 

Francy Ceballos-Burgos2  3 

Sandra Castro4 

Luís Fonseca3 

Ivânia Esteves3 

Carla Maleita2  3 

1 University of Lisbon, Forest Research Centre (CEF), Associate Laboratory Terra, Instituto Superior de Agronomia, Department of Sciences and Sciences and Engineering of Biosystems, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal

2 University of Coimbra, Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet (CFE), Associate Laboratory Terra, Department of Life Sciences, Calçada Martim de Freitas, 3000-456 Coimbra, Portugal

3 University of Coimbra, Chemical Engineering and Renewable Resources for Sustainability (CERES), Department of Chemical Engineering, Rua Sílvio Lima, Pólo II - Pinhal de Marrocos, 3030-790 Coimbra, Portugal

4 Alltech Crop Science, Portugal


Sumário

Nesta revisão evidencia-se o elevado potencial de utilização de nemátodes entomopatogénicos (NEP) como agentes de proteção biológica na redução das populações de insetos fitófagos que causam estragos e/ou insetos vetores de doenças, em produção sustentável de alimentos, como alternativa ou complemento aos produtos fitofarmacêuticos. Descobertos em 1923, a sua comercialização como biopesticidas iniciou-se em 1976 e, desde essa altura, tem-se assistido ao aumento exponencial da investigação nesta área. Apresenta-se informação sobre os NEP quanto à sua biologia, ecologia, modo de ação, aplicação, vantagens e limitações à utilização, bem como exemplos. Dadas as suas caraterísticas, que incluem uma grande variedade de hospedeiros associados, o uso de NEP representa uma opção sustentável e de longo prazo na redução das populações de insetos fitófagos, e a sua aplicação adequa-se a programas de produção integrada e de agricultura biológica.

Palavras-chave: bioinsecticida; limitação natural; Heterorhabditis spp.; Steinernema spp

Abstract

This review highlights the high potential for using entomopathogenic nematodes (EPN) as biological control agents in reducing populations of phytophagous insects that cause damage and/or act as insect vectors for diseases, in sustainable food production, serving as an alternative or complement to pesticide use. Discovered in 1923, their commercialization as biopesticides began in 1976 and, since then, there has been an exponential increase in research in this field. Information is presented on EPN regarding their biology, ecology, mode of action, application, advantages and limitations, along with examples. Given their characteristics, which include a wide variety of associated hosts, the use of EPN represents a sustainable long-term option for reducing populations of phytophagous insects. Their application is suitable for integrated production and organic farming programs.

Keywords: bioinsecticide; natural control; Heterorhabditis spp.; Steinernema spp

O QUE SÃO

Os nemátodes entomopatogénicos (NEP) são nemátodes benéficos que causam doença e morte de insetos, sendo utilizados como agentes de proteção biológica em Portugal e no mundo (Figueiredo, 1997; Amaro, 2003; Dolinski, 2020; Koppenhöfer et al., 2020; Poinar & Grewal, 2012). Estes organismos têm sido isolados de solos de diferentes ecossistemas, desde o ártico até os trópicos (Dolinski, 2020). A existência de uma grande variedade de espécies e de linhagens geográficas de NEP confere a estes organismos um potencial elevado como agentes de proteção biológica, contra o ataque de populações de insetos fitófagos.

Os NEP são animais que pertencem ao filo Nematoda, têm corpo filiforme e dimensão reduzida, em regra cerca de 1 mm (Wood, 1988; Dolinski, 2020). Os NEP mais estudados pertencem às famílias Steinernematidae (géneros Steinernema Travassos 1927 e Neosteinernema Nguyen & Smart 1994) e Heterorhabditidae (género Heterorhabditis Poinar 1976) (Stock & Hunt, 2005; Poinar & Grewal, 2012).

A primeira espécie de NEP descrita por Steiner (1923), Aplectana kraussei Steiner, atualmente designada por Steinernema kraussei (Steiner, 1923), foi isolada a partir de um cadáver do escaravelho-japonês Popillia japonica Newman, 1838 (Coleoptera, Scarabaeidae) (Poinar & Grewal, 2012; Dolinski, 2020). Atualmente, existem mais de 100 espécies descritas e validadas, sendo que mais de 70% das espécies conhecidas foram descritas nos últimos 20 anos (Dolinski, 2020).

A primeira espécie de NEP assinalada em Portugal foi Steinernema carpocapsae (Weiser, 1955), em 2000, nos grupos de ilhas orientais e centrais do Arquipélago dos Açores (Rosa et al., 2000). Em 2006, foi iniciada a monitorização para estudar a presença e a distribuição de NEP em todo o território continental de Portugal; sobretudo em habitats considerados adequados para estes organismos. Steinernema feltiae (Filipjev, 1934) foi a primeira espécie de NEP a ser identificada em Portugal Continental, a partir de vários isolados recolhidos em diversos habitats do sul do país (Valadas et al., 2007). Posteriormente, foram identificadas outras espécies pertencentes às famílias Steinernematidae e Heterorhabditidae, assim como a predominância dessas espécies em Portugal Continental (e.g., Valadas et al. 2009, 2011, 2014).

CICLO DE VIDA

O desenvolvimento de NEP (Figura 1) inclui três estádios: ovo-juvenil-adulto. O estádio juvenil é composto por quatro estádios: J1, J2, J3 e J4 (Dillman & Sternberg, 2012; Trejo-Meléndez et al., 2024). O estádio utilizado nas formulações para proteção biológica, designado por juvenil infectante (JI), é o J3, mas ainda sem ter efetuado a ecdisis (ou muda), ou seja, ainda apresenta a cutícula de J2. O NEP penetra no hospedeiro ainda com a cutícula de J2 e só realiza a ecdisis no seu interior, para evitar o reconhecimento pelo hospedeiro (Figueiredo, 1997).

Figura 1 Ciclo de vida de nemátodes entomopatogénicos pertencentes aos géneros Steinernema e Heterorhabditis (Dolinski, 2020). 

As fêmeas e os machos da primeira geração são formados a partir do J4, no caso das espécies que apresentam reprodução sexuada; as fêmeas da primeira geração colocam ovos que darão origem à segunda geração, ainda no interior do inseto-cadáver (Forst & Clarke, 2002; Dolinski, 2020). Os NEP podem ter duas ou três gerações no interior do inseto (1-2 semanas), dependendo da disponibilidade de alimento. Quando o alimento se esgota, o JI abandona o cadáver para procurar novo hospedeiro (pode durar dias ou meses) (Kaya, 1990; Dolinski, 2020, Trejo-Meléndez et al., 2024).

Apesar da infeção ocorrer de forma similar nos géneros Steinernema e Heterorhabditis (Figura 1), neste último há o aparecimento de adultos hermafroditas de primeira geração, em vez de adultos anfimíticos (machos e fêmeas). Os hermafroditas autofecundam-se e produzem ovos que darão origem a juvenis que se desenvolverão, transformando-se em adultos anfimíticos de segunda geração. Após o acasalamento, surgem novamente ovos e juvenis que, depois de se alimentarem do que restou do cadáver, migram para o solo para procurarem novo hospedeiro (Stock & Blair, 2008).

MODO DE AÇÃO

De um modo geral, o JI penetra no hospedeiro pelos orifícios naturais do inseto (boca, ânus, espiráculos ou estigmas) ou por feridas. No caso de Heterorhabditis sp., pode ainda penetrar através da cutícula intacta nas zonas intersegmentares em que não se diferenciou a exocutícula (Figueiredo, 1997; Poinar & Grewal, 2012; Dolinski, 2020). No seu interior, o NEP atinge a hemolinfa (em resultado da libertação de enzimas proteolíticas por uma bactéria simbionte) e liberta a bactéria. Esta, pela ação de toxinas, causa septicemia nos hospedeiros infetados, que ocorrerá apenas em 24-48 h (Poinar & Grewal, 2012; Dolinski, 2020). As bactérias produzem também antibióticos para evitar ataques de organismos oportunistas e multiplicam-se rapidamente para servir de alimento aos estádios juvenis (Griffin et al., 2005; Poinar & Grewal, 2012).

Os NEP possuem uma associação simbionte com γ-proteobactérias da família Enterobacteriaceae, tendo sido encontrados dois géneros de bactérias, Xenorhabdus e Photorhabdus, associadas a Steinernema e a Heterorhabditis, respetivamente. Cada espécie de NEP possui a sua bactéria simbionte específica (Dolinski, 2020). As bactérias não só exibem extrema virulência, mas também: (1) auxiliam no desenvolvimento e adaptação do seu NEP; (2) defendem o inseto-cadáver contra predadores, necrófagos e competidores; (3) produzem nutrientes a partir do inseto-cadáver; (4) promovem o desenvolvimento e a reprodução do NEP e; (5) defendem os NEP do sistema imunitário do hospedeiro. Por sua vez, os NEP protegem a bactéria de riscos ambientais no solo e transportam-na de um inseto para a hemolinfa de outro, levando-as diretamente a um ambiente rico em nutrientes (Trejo-Meléndez et al., 2024). As bactérias simbiontes produzem também pigmentos que conferem ao cadáver cores características, permitindo a rápida identificação em campo. Enquanto o cadáver infetado pelo complexo Heterorhabditis-Photorhabdus adquire uma cor avermelhada ou alaranjada e é bioluminescente, o cadáver infetado pelo complexo Steinernema-Xenorhabdus adquire uma coloração que varia entre bege a pardo-escuro, sem apresentar bioluminescência (Dolinski, 2020).

Por sua vez, o inseto pode desencadear uma série de reações de defesa contra o NEP, como o encapsulamento (mediante o processo de melanização do NEP). Contudo, normalmente a bactéria mata o hospedeiro antes que seja desencadeada uma resposta letal (Poinar & Grewal, 2012). Assim, a relação nemátode-inseto resulta da capacidade do NEP escapar às defesas do inseto, permitindo falha no reconhecimento e/ou destruição das defesas.

A localização do inseto-hospedeiro pelos NEP é altamente especializada e pode envolver três tipos de estratégias de procura: movimento tipo “procura ativa” (cruiser); por “emboscada” (ambusher); e estratégia mista (Lewis et al., 2006). Os estímulos utilizados pelos NEP podem ser de natureza física e química, como vibrações, níveis de CO2, produtos de excreção, gradientes de temperatura (Dolinski, 2020). Os NEP, que apresentam comportamento tipo “procura ativa”, buscam ativamente os seus hospedeiros no solo e respondem positivamente aos seus sinais voláteis, deslocando-se até encontrarem o hospedeiro, como é o caso das espécies Heterorhabditis bacteriophora (Poinar, 1976) e Steinernema glaseri (Steiner, 1929). As espécies que utilizam a estratégia “emboscada” apresentam uma movimentação designada por nictação, que consiste na suspensão do corpo que fica apoiado apenas na ponta posterior. Desta forma, a parte anterior fica livre a aguardar a passagem de um hospedeiro para então “saltar” sobre ele. Os NEP S. carpocapsae e S. scapterisci Nguyen e Smart 1990 são exemplos de espécies que fazem nictação (Ishibashi & Kondo, 1990). Ainda existem espécies que, de acordo com a distância a que estão do hospedeiro, apresentam ambos os comportamentos (“procura ativa” e “emboscada”) (Grewal et al., 1994a).

APLICAÇÃO

Os NEP podem ser aplicados com quase todos os equipamentos de pulverização, terrestres ou aéreos. Qualquer que seja o sistema de pulverização utilizado, deve garantir-se a agitação adequada (com baixo estresse mecânico) durante a preparação e a aplicação (Shapiro-Ilan et al., 2012).

Diversos fatores abióticos, como por exemplo, radiação ultravioleta (UV), temperatura, humidade, textura do solo, pH, fertilizantes e produtos fitofarmacêuticos podem influenciar negativamente a sobrevivência do JI, pelo que o seu conhecimento é fundamental para definir qual a melhor estratégia de aplicação do NEP (Grewal et al., 1994a; Koppenhöfer et al., 1995; Shapiro-Ilan et al., 2012; Dolinski, 2020). Entre os fatores mais importantes, constam os efeitos negativos da radiação UV, recomendando-se a aplicação ao final da tarde ou de manhã cedo. No caso de aplicações foliares, é aconselhado o uso de molhantes para preservar a integridade do JI até que penetre no hospedeiro (Dolinski, 2020). Quanto à humidade do solo, pH e temperatura, existem valores ótimos em função da espécie. Por exemplo, algumas espécies, como Heterorhabditis indica Poinar, Karunakar & David, 1992, Steinernema glaseri e S. riobrave Cabanilla, Poinar & Rauston, 1994, são relativamente tolerantes ao calor, enquanto H. megidis Poinar, Jackson e Klein, 1987, S. feltiae (Filipjev, 1934) e H. marelatus Liu & Berry, 1996 são mais tolerantes a temperaturas baixas (Grewal et al., 1994b).

Organismos como fungos, bactérias e nemátodes predadores fazem parte dos fatores bióticos que também podem afetar a eficácia dos NEP em campo (Dolinski, 2020).

É necessário respeitar as recomendações do fabricante em relação às condições de armazenamento e aplicação de NEP, assim como as contraindicações, em particular as incompatibilidades com fertilizantes e produtos fitofarmacêuticos.

VANTAGENS E LIMITAÇÕES À UTILIZAÇÃO

Atualmente, são vários os atributos que fazem dos NEP potenciais agentes de proteção biológica (por exemplo, Dolinski, 2020; Koppert, 2024): (1) são produzidos com facilidade, seja em insetos-hospedeiros, ou meios artificiais; (2) podem ser armazenados; (3) são facilmente aplicados em campo, na água de rega ou por pulverização; (4) possuem a habilidade de procurar ativamente o hospedeiro; (5) são compatíveis com a maioria dos produtos fitofarmacêuticos; (6) são seguros para organismos não-alvo incluindo humanos, dado que possuem um estreito espectro de hospedeiros, sendo muito específicos (não há risco de causarem mortalidade indiscriminada de organismos não alvo); (7) reproduzem-se no hospedeiro produzindo novas gerações; e (8) originam zero-resíduos com impacto para o solo, águas subterrâneas e cadeias alimentares. As bactérias simbiontes associadas aos NEP não são consideradas perigosas para o ambiente, pois a sua permanência no solo é mínima e não possuem formas de sobrevivência (Akhurst & Smith, 2002). A escolha do NEP deve, no entanto, ser feita de forma cuidadosa, privilegiando a utilização de NEP nativos, relativamente a espécies exóticas, uma vez que os NEP nativos estarão adaptados às condições climáticas e à entomofauna local (Lacey & Georgis, 2012).

A principal limitação à utilização de NEP é ainda o custo da sua produção, em particular a multiplicação de NEP in vitro com recurso a meio líquido (Dolinski, 2020). Outra das limitações que tem sido associada à utilização de agentes de proteção biológica (NEP ou outro) é a necessidade de supervisão especializada (por exemplo, Devi et al., 2023). Todavia, cada vez mais, a atividade agrícola para ter sucesso terá que incorporar novos conhecimentos e o uso de NEP continuará a crescer à medida que os agricultores e os consumidores se tornarem mais conscientes dos seus benefícios.

EXEMPLOS DE UTILIZAÇÃO

A comercialização de NEP foi iniciada em 1976 nos EUA (Poinar & Grewal, 2012), mas na época não teve êxito, devido ao elevado custo de produção e à competição com a utilização de Bacillus thuringiensis (Bt). Os progressos nos métodos de produção proporcionaram novas possibilidades de êxito na comercialização, considerando-se, atualmente, que pertencem ao grupo dos bioinsecticidas mais importantes, logo a seguir a Bt (Amaro, 2003).

Em alguns países, como na União Europeia, a comercialização de NEP é permitida sem exigência prévia de homologação (Amaro, 2003), porque são considerados macrorganismos. Em muitos países têm sido em grande parte excluídos dos requisitos de registo de produtos fitofarmacêuticos, dado o seu elevado nível de segurança para humanos, organismos não-alvo e meio ambiente, características que facilitaram a comercialização, originando o desenvolvimento comercial de pelo menos cinco espécies de Heterorhabditis e oito espécies de Steinernema (Quadro 1) (Koppenhöfer et al., 2020).

Quadro 1 Nemátodes entomopatogénicos pertencentes aos géneros Steinernema e Heterorhabditis comercializados por região do mundo (Af- África, As- Ásia, Au- Austrália, AN- América do Norte, AS- América do Sul, Eu- Europa) (adaptado de Koppenhöfer et al., 2020

Género Espécie Região
Heterorhabditis H. bacteriophora AN, Eu H. indica AN H. marelata AN H. megidis AN, Eu H. zealandica AN, Au
Steinernema S. carpocapsae Af, AN, AS, As, Au, Eu S. feltiae AN, Eu S. kraussei AN, Eu S. kushidai As S. longicaudum As S. riobrave AN S. svapyerisci AN S. scarabaei AN

Recentemente, Koppenhöfer et al. (2020) compilaram os NEP que têm sido usados comercialmente no mundo (ou se mostraram promissores), por espécie de inseto fitófago e por cultura (Quadro 2).

Quadro 2 Lista de espécies de nemátodes entomopatogénicos (NEP) (Hb- Heterorhabditis bacteriophora, Hd- H. downesi, Hm- H. marelata, Hmeg- H. megidis, Hz- H. zealandica, Sc- Steinernema carpocapsae, Sf- S. feltiae, Sg- S. glaseri, Sk- S. kushidai, Sr- S. riobrave, Ss- S. scapterisci, Ssc- S. scarabaei) comercializados, com indicação da cultura afetada e da espécie de inseto fitófago (adaptado de Koppenhöfer et al., 2020)1 

Cultura Ordem inseto Família inseto Nome comum Nome científico Espécie primária de NEP usada
Alcachofra Lepidoptera Pterophoridae Platyptilia carduidactyla Sc
Banana Coleoptera Curculionidae Gorgulho-da-bananeira Cosmopolites sordidus Hb, Sc, Sf
Batata-doce Coleoptera Curculionidae Gorgulho-da-batata-doce Cylas formicarius Hb, Sc, Sf
Cana-do-açúcar Coleoptera Curculionidae Gorgulho-da-beterraba Temnorhinus mendicus Hb, Sc
Citrinos Coleoptera Curculionidae Pachnaeus spp. Hb, S
Citrinos Coleoptera Curculionidae Diaprepes abbreviatus Hb, Hi, Sr
Citrinos Lepidoptera Tortricidae Thaumatotibia leucotreta Hb
Cogumelos Diptera Sciaridae Moscas-do-terriço (várias espécies) Sf,Hb, H
Cogumelos Diptera Sciaridae Moscas-do-terriço (várias espécies) Sf, Hb, Hi
Culturas protegidas Thysanoptera Thripidae Tripe-da-California Frankliniella occidentalis Sc, S
Fruteiras Coleoptera Bupestridae Carocho-negro Capnodis tenebrionis Sf
Fruteiras Diptera Tephritidae Moscas-da-fruta (várias espécies) Hi, Sc
Fruteiras Lepidoptera Pyralidae Amylois transitella Sc
Fruteiras Lepidoptera Sesiidae Sésia Synanthedon spp. (várias espécies) Hb, Sc, Sf
Hortícolas Diptera Agromyzidae Mineiras de hortícolas Liriomyza spp. Sc, S
Hortícolas Lepidoptera Noctuidae (várias espécies) Sc, Sf, Sr
Hortícolas Lepidoptera Noctuidae Rosca ou nóctua Agrotis ipsilon Sc
Hortícolas Lepidoptera Noctuidae Lagarta-da-espiga-do-milho Helicoverpa zea Sc, Sf, Sr
Hortícolas Lepidoptera Noctuidae Rosca ou nóctua Agrotis segetum Sc, S
Milho Coleoptera Chrysomelidae Diabrotica spp. Hb, Sc
Palmeira Coleoptera Curculionidae Escaravelho-da-palmeira Rhynchophorus ferrugineus Sc
Pequenos frutos Coleoptera Curculionidae Gorgulho-da-videira Otiorhynchus sulcatus Hb, Hd, Hmeg, Hm, Sc, Sg, Sf
Pequenos frutos Coleoptera Curculionidae Gorgulho-do-morangueiro Otiorhynchus ovatus Hm, Sc
Pequenos frutos Coleoptera Curculionidae Rhadopterus picipes Hb
Pequenos frutos Coleoptera Scarabaeidae Escaravelhos (várias espécies) Ssc
Pequenos frutos Lepidoptera Crambidae Chrysoteuchia topiaria Sc
Nogueira Pecan Coleoptera Curculionidae Curculio caryae Sc
Pomóideas Lepidoptera Tortricidae Bichado-da-macieira Cydia pomonella Hz, Sc, Sf
Prunóideas Coleoptera Curculionidae Gorgulho-da-ameixeira Conotrachelusnenuphar S
Tomateiro Lepidoptera Geleichiidae Traça-do-tomateiro Phthorimaea absoluta Hb, Sc, S

1 Pelo menos um artigo científico relatou ≥70% de supressão do inseto fitófago no campo.

Alguns dos exemplos de NEP comercializados em Portugal pertencem às espécies: S. carpocapsae (de uso mais generalista; para lepidópteros, coleópteros e heterópteros); S. feltiae (de uso em climas mais frios; para dípteros e coleópteros); e H. bacteriophora (para coleópteros).

CONCLUSÕES

A utilização de NEP constitui uma alternativa segura e eficaz para a redução das populações de insetos fitófagos. Os produtos à base destes organismos são excecionalmente seguros para humanos, organismos não-alvo e meio ambiente, estando por isso isentos de homologação na maioria dos países europeus, incluindo Portugal. Atualmente, existem várias opções de produtos comercializados à base de NEP no mercado, direcionados a diferentes espécies de insetos fitófagos de várias culturas agrícolas. A escolha do NEP a utilizar deve ter em conta a espécie de inseto alvo e requer algum grau de supervisão, uma vez que o sucesso na aplicação de NEP depende de um conjunto de fatores abióticos e bióticos que podem condicionar a eficácia destes organismos.

Agradecimentos

Projetos UIDB/04004/2020, UIDP/00102/2020 (CERES) UIDB/00102/2020 (CFE), CEECIND/02082/2017 (I. Esteves), financiados por fundos FEDER no âmbito do PT2020, COMPETE 2020 e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT); e Instituto do Ambiente Tecnologia e Vida. Centro de Estudos Florestais (FCT, UIDB/00239/2020, DOI 10.54499/UIDB/00239/2020 e UIDP/00239/2020) e pelo Laboratório Associado TERRA (FCT, LA/P/0092/2020).

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Recebido: 26 de Setembro de 2024; Aceito: 08 de Janeiro de 2025

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