Carlos Manuel Gonçalves, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) desde 1986 e professor catedrático jubilado em fevereiro de 2025, desempenhou um conjunto de relevantíssimas atividades na sociologia portuguesa, no Departamento e no Instituto de Sociologia e, não menos importante, na própria FLUP e mesmo na Universidade do Porto. Por ocasião da sua jubilação, o presente número de Sociologia - Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, entidade que dirigiu durante largos anos, não poderia deixar de se associar à homenagem que os membros do Departamento de Sociologia decidiram realizar-lhe.
Carlos Manuel Gonçalves é hoje um dos mais reputados sociólogos portugueses no domínio da Sociologia Industrial, do Trabalho, das Organizações e das Profissões. A sua tese de doutoramento, publicada em 2006 pelas Edições Afrontamento sob o título Emergência e Consolidação dos Economistas em Portugal, constitui uma obra de referência (Gonçalves, 2006). De igual modo, desenvolveu um importante trabalho de investigação sobre os estudantes universitários e o mercado de trabalho, incluindo as dimensões da satisfação laboral, tendo sido o responsável científico pelo Observatório do Emprego e da Trajetória dos Diplomados da Universidade do Porto, elaborando uma série de estudos sobre a inserção laboral dos diplomados entre 2008 e 2014 e entre 2019 e 2023. Coordenou, igualmente, um projeto sobre a Região Norte de Portugal, “A Região Norte de Portugal: dinâmicas de mudança social e recentes processos de desenvolvimento”, em que desenvolveu uma espécie de radiografia social que abrangeu a multidimensionalidade dos plurais processos de recomposição social característico do Norte do país. Tem analisado, ainda, as mais recentes transformações nos mundos do trabalho, em particular a precariedade, mas também a generalização da tecnovigilância, do escrutínio sobre atividade dos profissionais, e do carácter totalizante do trabalho, o que gera uma sobreposição e tensão entre os domínios profissional e pessoal/familiar. Finalmente, é autor de textos incisivos sobre os papéis profissionais do sociólogo, defendendo uma forte intervenção da Associação Portuguesa de Sociologia (APS) e da Associação Portuguesa de Profissionais em Sociologia Industrial, das Organizações e do Trabalho (APSIOT) na defesa da autonomia, da ética e da deontologia da profissão.
Coordenou o Departamento de Sociologia, dirigiu o mestrado e o doutoramento em Sociologia. Na Faculdade de Letras da Universidade do Porto foi Presidente do Conselho Pedagógico, bem como, por diversas vezes, membro da Assembleia de Representantes e do Conselho Científico.
Todos conhecem o seu empenho na dinamização de múltiplas atividades científicas e pedagógicas; a sua abnegação no exercício de responsabilidades académicas e o seu inestimável contributo para um melhor conhecimento do emprego, qualificações e inserção dos diplomados universitários. Não menos importante, advoga uma combinação de rigor, método científico e autonomia no campo académico como ingredientes essenciais de uma prática perene e cumulativa.
Nas páginas que se seguem, dando conteúdo expressivo aos factos aqui identificados, dois reputados sociólogos e profundos conhecedores da Sociologia portuguesa, João Freire e Fernando Luís Machado, oferecem-nos testemunhos diretos do legado e significado do percurso académico de um sociólogo que foi, durante quase quatro décadas, um marcante docente da FLUP e que continuará, certamente, a dar o seu contributo à comunidade sociológica como investigador do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.













