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Sociologia, Problemas e Práticas

versão impressa ISSN 0873-6529versão On-line ISSN 2182-7907

Sociologia, Problemas e Práticas  no.109 Lisboa dez. 2025  Epub 11-Nov-2025

https://doi.org/10.7458/spp202510942004 

Artigo Original

A sociologia na democracia: continuidades e reconfigurações do campo de atuação profissional

Sociology in democracy: continuities and reconfigurations in the field of professional activity

La sociologie en démocratie: continuités et reconfigurations dans le champ de l’activité professionnelle

Sociología en democracia: continuidades y reconfiguraciones en el campo de la actividad profesional

Rosário Mauritti1  , concetualização, curadoria dos dados, investigação, metodologia, administração do projeto, supervisão, validação, visualização, redação do original, revisão e edição
http://orcid.org/0000-0001-9539-5647

Sara Franco da Silva2  , concetualização, curadoria dos dados, análise formal, investigação, metodologia, validação, visualização, redação do original, revisão e edição
http://orcid.org/0000-0002-2871-5898

Sandra Palma Saleiro3  , concetualização, curadoria dos dados, investigação, metodologia, administração do projeto, supervisão, validação, revisão e edição
http://orcid.org/0000-0002-1491-8651

1 Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte), Lisboa, Portugal

2 Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte), Lisboa, Portugal

3 Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte), Lisboa, Portugal


Resumo

O artigo enfatiza os contributos da sociologia na requalificação do mercado de trabalho em Portugal, ao longo de 50 anos de democracia. A discussão teórica problematiza as dinâmicas de institucionalização da profissão, assinalando as características multívocas que norteiam as relações formação/profissão. A pesquisa tem uma orientação quantiqualitativa fundada na análise de 185 perfis publicados no site Portfólio Profissional de Sociólogos/as e de 80 entrevistas a diplomados/as na área. O estudo realizado dá conta da amplitude de áreas de atuação, da qualificação e reconhecimento desses desempenhos pelas entidades empregadoras. A análise destaca ainda tendências de reconfiguração dos campos de atuação de sucessivas gerações de diplomados/as.

Palavras-chave: sociologia; profissão sociólogo/socióloga; práticas profissionais; gerações.

Abstract

The paper emphasises the contributions of sociology to the requalification of the labour market in Portugal over 50 years of democracy. The theoretical discussion problematises the dynamics of the institutionalisation of the profession, highlighting the multifaceted characteristics that guide training-profession relations. The research has a quantitative and qualitative orientation based on analysing 185 profiles published on the Sociologists’ Professional Portfolio website and 80 interviews with graduates in the field. The study shows the breadth of areas of work, the qualifications and recognition of these performances by employers. The analysis also highlights trends in the reconfiguration of the fields of work of successive generations of graduates.

Keywords: sociology; sociologist profession; professional practices; generations.

Résumé

L’article souligne les contributions de la sociologie à la requalification du marché du travail au Portugal après 50 ans de démocratie. La discussion théorique problématise la dynamique de l’institutionnalisation de la profession, en soulignant les caractéristiques multiples qui guident les relations entre la formation et la profession. La recherche a une orientation quantitative et qualitative basée sur l’analyse de 185 profils publiés sur le site web du Portefeuille Professionnel des Sociologues et 80 entretiens avec des diplômés dans le domaine. L’étude montre l’étendue des domaines de travail, la qualification et la reconnaissance de ces performances par les employeurs. L’analyse met également en évidence les tendances à la reconfiguration des champs d’activité des générations successives de diplômés.

Mots-clés: sociologie; profession de sociologue; pratiques professionnelles; générations.

Resumen

El artículo destaca las contribuciones de la sociología a la recalificación del mercado laboral en Portugal a lo largo de 50 años de democracia. La discusión teórica problematiza la dinámica de institucionalización de la profesión, destacando las características multifacéticas que orientan las relaciones formación-profesión. La investigación tiene una orientación cuantitativa y cualitativa basada en el análisis de 185 perfiles publicados en la página web del Portfolio Profesional de los Sociólogos y 80 entrevistas con licenciados en la materia. El estudio muestra la amplitud de las áreas de trabajo, las cualificaciones y el reconocimiento de estos desempeños por parte de los empleadores. El análisis también pone de manifiesto las tendencias en la reconfiguración de los ámbitos de trabajo de las sucesivas generaciones de titulados.

Palabras-llave: sociología; profesión de sociólogo; prácticas profesionales; generaciones.

Introdução

Este artigo analisa a profissão de “sociólogo/a” em Portugal ao longo de 50 anos de democracia. O estudo tem como objetivo clarificar os contributos da prática profissional da sociologia na modernização e inovação do mercado de trabalho. A partir da análise dos papéis e trajetórias profissionais de sociólogos/as em múltiplos contextos de atividade - que extravasam a investigação e a docência universitária - procura-se compreender a diversidade de inserções socioprofissionais e os mecanismos de reconfiguração de setores de atuação ao longo do tempo. O estudo considera diferentes gerações de diplomados/as, enfatizando as características multívocas das relações entre formação e profissão em sociologia (Costa, 2004; Silva, 2020).

Tal como Fernández-Esquinas (2019: 337), defende-se que a persistência de conceções restritivas sobre o trabalho dos/as sociólogos/as enquanto prática eminentemente académica ou investigativa - frequentemente reproduzidas pelos/as próprios/as profissionais - tem contribuído para a invisibilização da diversidade de papéis e contributos sociais e económicos que caracterizam o exercício profissional da sociologia fora da academia.

A pesquisa segue uma abordagem quantitativa e qualitativa, sustentada na análise aprofundada de 185 perfis publicados no Portfólio Profissional de Sociólogos/as1 - um site que visa divulgar o exercício qualificado da sociologia em contextos não académicos -, bem como de testemunhos obtidos em 80 entrevistas semiestruturadas a profissionais. Na operacionalização da análise, explora-se ainda de que modo as configurações do exercício profissional da sociologia são atravessadas por dinâmicas de género e de geração.

A institucionalização da prática profissional da sociologia em Portugal

Como definir uma profissão ou compreender os processos de consolidação e institucionalização de uma área profissional? Nas sociedades modernas, as profissões constituem formas de organização do trabalho baseadas na especialização e no controlo de saberes, estatutos e práticas. A literatura aponta para dois grandes eixos de análise: por um lado, a abordagem funcionalista, que entende as profissões como grupos valorizados pelo serviço competente (e altruísta) às necessidades das sociedades, informado em conhecimentos científicos e técnicos obtidos nas universidades e exercido no quadro de uma prática profissional autónoma conduzida por princípios éticos e deontológicos (Gonçalves, 2007); por outro, as abordagens crítica e sistémica (Larson, 1977; Abbott, 1988), centradas nos mecanismos de construção social das profissões enquanto projetos conduzidos por grupos de interesse, tendo em vista o controlo de jurisdições e o fecho de mercado.

Neste último enquadramento, os processos de profissionalização são analisados como formas de consolidação institucional e simbólica de campos de intervenção, sustentados por estratégias concorrenciais entre grupos profissionais que disputam posições, prestígio e o acesso a recursos. Abbott (1988) propõe o conceito de jurisdição profissional para descrever esta luta pelo controlo legítimo sobre determinadas tarefas, controlo esse validado pelo estado através do reconhecimento de saberes técnicos e científicos complexos e especializados, e consolidado com a instituição de normativos de conduta deontológica. O que está em causa não é apenas o conteúdo do trabalho, mas a capacidade de definir publicamente quem faz o quê, com que competências e em que condições.

Como bem sistematiza Rodrigues (2012), as profissões modernas assentam em quatro princípios fundamentais: (i) a certificação formal de conhecimentos e competências científicas e técnicas específicas; (ii) a autonomia no exercício da atividade; (iii) a autorregulação e o controlo no acesso à profissão; e (iv) a orientação para a resolução de problemas.

No entanto, quando nos reportamos a grupos profissionais ancorados em saberes de base científica, embora sem jurisdição específica, como a sociologia, estes critérios tendem a revelar tensões, ambiguidades e desafios à possibilidade de delimitação de campos de atuação e à própria definição do “ato profissional”.

De facto, a sociologia enquanto profissão é caracterizada por relações multívocas entre formação académica e prática profissional (Costa, 2004). Muitas das pessoas diplomadas na área desempenham funções onde mobilizam competências de base, obtidas na formação inicial, de leitura crítica e interpretação fundamentada, apoiadas em abordagens ora mais qualitativas e compreensivas, ora mais extensivas e quantitativas, construídas na confrontação com contextos relacionais específicos e no quadro de atuações que podem não ser automaticamente reconhecidas como “sociológicas”. A diversidade de inserções profissionais, quer em termos de contextos, como de papéis desempenhados, aliada às condições “abertas” que norteiam a organização coletiva do grupo profissional (Costa, 2018), contribuem para acentuar a fragilidade identitária de um coletivo, bem como para o que Siza (2019) classifica como uma “profissão sem comunidade”.

Apesar disso, há traços distintivos que permitem circunscrever o exercício profissional da sociologia. Segundo Costa (2004), esse exercício assenta num portfólio próprio de ferramentas cognitivas - teóricas, metodológicas, operatórias e relacionais - que constituem a base da expertise sociológica. Contudo, estas competências raramente se traduzem numa prática rigidamente delimitada. Como argumenta Fernández-Esquinas (2019), o trabalho sociológico fora da academia tende a assumir contornos situacionais e relacionais, respondendo a necessidades específicas de contextos organizacionais diversos. Trata-se, frequentemente, de uma prática invisível e fragmentada, onde o conhecimento sociológico é incorporado em formas de atuação que escapam a uma categorização estrita.

Esta ambivalência conduz a uma interrogação persistente: o que significa “ser sociólogo/a” e “fazer sociologia” fora do espaço académico? Esta questão, central desde os anos 1980 (Silva, 1986; Costa, 1988, 1992 e 2004; Machado, 1996; Piriou, 2006; Machado, 2012; Mineiro, 2012; Capucha, 2016), mantém-se atual, apesar da crescente presença de sociólogos/as em múltiplos setores da administração pública, organizações não governamentais, empresas e consultoria independente, a maioria no desempenho de papéis de alto reconhecimento e qualificação profissional (Mauritti e Costa, 2014). A expansão da formação superior em sociologia - hoje com perto de 20 mil diplomados/as2 - contribuiu para diversificar os percursos profissionais, mas não eliminou as tensões em torno da identidade e visibilidade da profissão.

Uma vasta literatura nacional tem procurado mapear esta diversidade de contextos de atuação e analisar as lógicas de inserção dos/as sociólogos/as no mercado de trabalho (Valente, Machado e Costa, 1995 [1990]; Carreiras, Freitas e Valente, 1999; Mauritti e Costa, 2014; Santos Silva et al., 2014; Teixeira et al., 2014; Ramos, Capucha e Tavares, 2018; Abrantes et al., 2022). Nestes estudos, evidencia-se a heterogeneidade das áreas de intervenção - desde políticas públicas e planeamento territorial até à intervenção social, avaliação e diagnóstico organizacional, consultoria técnica, entre outras. No entanto, a multiplicidade de práticas nem sempre se traduz num reconhecimento coletivo ou institucional do “trabalho sociológico”.

Como demonstra Silva (2020), frequentemente, também os/as próprios/as profissionais contribuem para a invisibilização desse trabalho. Costa (1988) propôs a existência de diferentes modelos de cultura profissional entre os/as diplomados/as em sociologia. De um lado, perfis que associam a sociologia apenas à formação académica, desvalorizando a sua aplicação profissional; de outro, profissionais que mobilizam de forma reflexiva os saberes da sociologia no seu quotidiano laboral. Esta clivagem foi também aprofundada por Silva (2020), que identifica uma correlação entre a “sensibilidade sociológica” dos/as profissionais e o grau de autonomia nos seus contextos de trabalho: quanto maior a possibilidade de definir tarefas e agendas, maior a tendência para integrar as competências da formação sociológica na prática profissional - uma situação mais comum no setor público e em funções de planeamento e avaliação.

A orientação multívoca da sociologia enquanto formação e prática profissional (Costa, 2004) contribui, assim, quer para a sua flexibilidade adaptativa, quer para a indefinição identitária. Por um lado, os/as sociólogos/as dispõem de competências “de banda larga” altamente valorizadas - como a análise crítica, a formação para o diálogo interdisciplinar, o domínio metodológico, a operacionalização com ferramentas de análise de dados facilitadora da leitura estrutural das dinâmicas sociais - que lhes permitem atuar em áreas diversificadas. Por outro, essa mesma versatilidade dificulta o reconhecimento simbólico da atuação profissional da sociologia. Em parte, porque não é possível ou mesmo desejável o fechamento do campo (Machado, 2012; Costa, 2018), em parte porque as ferramentas sociológicas são apropriadas e aplicadas no contexto de processos complexos de trabalho colaborativo com outros/as profissionais com formações diversas.

Curiosamente, a invisibilização dos contributos da sociologia é amplificada por dispositivos como a Classificação Portuguesa das Profissões (CPP-2010), produzida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE, 2011). Este instrumento, que organiza o universo das profissões, por tarefas e funções, segundo um referencial normativo com fins de comparabilidade - e que importa para o contexto nacional a classificação internacional tipo de profissões, facilitando essa comparação também no plano internacional -, constitui uma matriz de legitimação simbólica das profissões reconhecidas. No caso específico da profissão de “sociólogo/a”, legitimada na classificação (CPP-2010, p. 176), o descritivo funcional apresentado enfatiza a base científica do exercício profissional, delineando-a como uma prática centrada na investigação e na consultoria técnico-científica, frequentemente em colaboração com outros/as investigadores/as de áreas afins.

Esta representação ignora, porém, os contextos organizacionais concretos onde as práticas sociológicas efetivamente ocorrem, tais como organismos públicos nacionais e administrações locais, organizações da sociedade civil ou empresas. Ao omitir essa diversidade de contextos e aplicações, o descritivo veicula uma conceção academicista e restritiva da profissão, produzindo efeitos simbólicos relevantes: por um lado, cristaliza uma visão limitada das potencialidades da sociologia no mercado de trabalho; por outro, contribui para a opacificação de práticas sociológicas que, embora não explicitamente rotuladas como tal, desempenham funções socialmente significativas. Esta lógica classificatória acaba, assim, por condicionar a perceção pública da utilidade social da sociologia e restringir o reconhecimento institucional das suas múltiplas formas de intervenção.

Entre a flexibilidade adaptativa e a fragilidade identitária, a profissão de sociólogo/a inscreve-se, assim, num campo de tensões estruturais entre a formação, a prática e o reconhecimento profissional. Compreender estas dinâmicas exige uma análise que dá relevo, não apenas aos contextos de atuação, mas também aos dispositivos institucionais, simbólicos e políticos que moldam o lugar da sociologia no mundo do trabalho contemporâneo.

Metodologia

Esta pesquisa exploratória procura traçar um quadro abrangente dos campos de atuação profissional de sociólogos/as em Portugal, partindo do reconhecimento da multivocidade que caracteriza o exercício da prática sociológica em contextos não académicos.

Para tal, adotou-se uma abordagem quantitativa e qualitativa, a qual tem como fonte empírica dados de diplomados/as em sociologia - recolhidos entre 2015 e 2022, publicados no Portfólio Profissional de Sociólogos/as. A interpretação destes dados é complementada com a análise de conteúdo de entrevistas semidiretivas a profissionais diplomados/as na área que exercem a sua atividade profissional fora do mundo académico/científico, isto é, que não desempenham a sua atividade enquanto investigadores/as ou docentes no ensino superior.

O Portfólio Profissional de Sociólogos/as é uma plataforma online de divulgação pública da atividade profissional de diplomados/as em sociologia. Reúne informação uniformizada, recolhida por estudantes do Iscte-Instituto Universitário de Lisboa no âmbito da unidade curricular Laboratório de Ética e Profissão em Sociologia, e validada pelas próprias pessoas entrevistadas. Cada registo inclui dados sobre: designação de profissão; descritivo funcional da atividade profissional; entidade empregadora; percurso formativo e profissional; formação complementar; género e ano de nascimento. Todos os casos dizem respeito a diplomados/as com mais de cinco anos de experiência profissional em contextos não académicos.

A análise quantitativa tem como fonte 185 registos disponíveis no Portfólio. Numa primeira etapa, os dados descritivos de funções e tarefas da profissão foram classificados utilizando a CPP-2010. Numa segunda etapa, fez-se uma análise exploratória das distribuições, valores omissos e medidas descritivas. Seguidamente, procedeu-se a uma análise descritiva comparativa dos indicadores disponíveis, com cruzamentos por género, grupo etário, grupo profissional e setor de atividade. Na quarta etapa, recorreu-se a um método de análise multivariada, nomeadamente, à análise de correspondências múltiplas (ACM). Os dados foram tratados com o software de análise estatística IBM SPSS Statistics (versão 28).

A análise qualitativa tem como fonte 80 entrevistas semidiretivas a diplomados/as que exercem a sua atividade em contexto não académico. Efetuou-se uma análise de conteúdo sistemática, com recurso ao programa MAXQDA. O processo de codificação adotou uma abordagem dedutiva das práticas e atividades profissionais de sociólogos/as orientada pelas seguintes categorias de análise: designação profissional; descritivo das funções e papéis profissionais desempenhados; contextos de atuação; relações interdisciplinares; competências exercidas; relações formação-profissão. Os objetivos gerais incidem sobre dois eixos: captar os sentidos atribuídos à atuação profissional e identificar contributos concretos do trabalho de sociólogos/as.

A articulação entre análise quantitativa e qualitativa permite, assim, uma compreensão aprofundada das lógicas de inserção profissional, dos discursos e práticas dos/as sociólogos/as, bem como dos fatores que moldam a visibilidade e o reconhecimento da sua atuação em contextos diversos.

Campos de atuação profissional de diplomados/as em sociologia: geração e género

Descrição da amostra

A amostra de dados quantitativos, constituída por 185 perfis de diplomados/as em sociologia registados no Portfólio (quadro 1), é maioritariamente feminina (cerca de 69%). A idade média é de 44 anos para os homens e de 43 anos para as mulheres (DP = 10,2), tendo subjacente uma estrutura etária também incidente nas idades intermédias entre os 35 a 54 anos (cerca de 2/3). A geração até 34 anos representa pouco mais de um quinto do total da amostra; enquanto as idades posicionadas no final da vida ativa, as pessoas a partir dos 55 anos, contam com 16,0%.

A quase totalidade completou a sua formação inicial em sociologia (cerca de 97%) e perto de um quarto tem outro diploma de estudos na mesma área (mestrado e/ou doutoramento). Em média, detêm um diploma de estudos em sociologia há 18 anos, no caso das mulheres, e 14 anos, no caso dos homens. No total da amostra, mais de metade (57,4%) fez um curso de pós-graduação, incluindo mestrado ou doutoramento em diversas áreas.

Nos contextos profissionais atuais quase metade (49,2%) exerce atividade num organismo do setor público (22,2% na administração local; 19,5% em entidades da administração central e 7,3% em outras entidades). O exercício profissional no setor privado tem um peso expressivo (35,7%), enquanto as organizações de economia social e solidária acolhem os restantes 15,1%.

Quadro 1 Caracterização da amostra 

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria

As distribuições por género introduzem algumas variações: os homens reforçam a sua presença face ao total no setor público, diferenciando-se pela sua maior participação relativa, na comparação com as mulheres, em organismos da administração pública central (+9 p.p. do que as suas colegas). Estas, por seu lado, quando trabalham para o estado (47,2%), têm com maior frequência atividades exercidas no quadro da administração local, com atuações de maior proximidade aos territórios (22,8% do total de diplomadas trabalha na administração local e 16,5% em entidades da administração central). A presença de homens é ligeiramente superior no setor mercantil ou privado (36,2%, homens; 35,4%, mulheres); e o peso relativo inverte-se no setor da economia social e solidária (onde as mulheres têm uma presença de 17,3%, +7 p.p. do que os homens).

Protagonistas, práticas e contextos profissionais

Nesta secção, propomos uma leitura das experiências profissionais de diplomados/as em sociologia a partir dos descritivos de funções e atividades desempenhadas no seu quotidiano de trabalho. A análise incide, assim, sobre os lugares e papéis profissionais exercidos em contextos organizacionais diversos, considerando, ainda, a designação profissional que adotam quando interpelados sobre “qual a sua profissão?” e “quais as principais funções que exerce nessa atividade?” Para o efeito, utilizámos de forma integrada as duas fontes empíricas que informam este estudo: os dados do Portfólio e das entrevistas.

Como se observa na figura 1, a maioria das pessoas entrevistadas desempenha uma atividade qualificada dentro dos três grandes grupos de topo da classificação (CPP-2010), os quais diferenciam profissões caracterizadas pela posse de recursos de poder, autoridade e reconhecimento de pericialidade técnica e científica. Tal distribuição enfatiza, pois, o elevado índice de qualificação profissional destes/as diplomados/as (cerca de 95%). Em termos mais precisos, cerca de 20% inserem-se no grande grupo 1 (GG1), onde se localizam os/as representantes do poder legislativo, dirigentes, diretores/as e gestores/as; 57,6% desempenham profissões do grande grupo 2 (GG2), dos/as especialistas das atividades intelectuais e científicas, onde encontramos, desde logo, a classificação da profissão “sociólogo/a” (CPP-2010, p. 176); os/as restantes 17,4% posicionam-se no grande grupo 3 (GG3), dos/as técnicos/as e profissionais de nível intermédio. Apenas 4,9% exercem atividades em grupos de qualificação intermédia, em trabalhos de escritório de apoio administrativo (grande grupo 4, 3,3%) ou nos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores/as (grande grupo 5, 1,6%).

A figura 1 apresenta também as distribuições segundo o género, evidenciando alguns padrões específicos que importa aprofundar.

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria

Figura 1 Grandes grupos de profissões (CPP-2010) dos/as diplomados/as em sociologia, total e segundo o género (%) 

Nessa repartição é de assinalar a sobrerrepresentação de diplomados homens nas posições de administração e direção de topo da hierarquia das organizações (26,3% dos homens exerce a sua atividade profissional no GG1; +9 p.p. do que as mulheres). Em contrapartida, as sociólogas têm uma presença maioritária nos GG2 e GG3 (59,1% e 18,1% do total de mulheres inserem-se nestes dois grupos, +5 p.p. e +3 p.p. do que os homens, respetivamente). Já as diferenciações por género são residuais entre o pessoal em atividades semiqualificadas, de secretariado geral, processamento administrativo em escritório ou de contacto com fornecedores ou clientes/usuários (GG4). As atividades de base do comércio, serviços pessoais e sociais ou de segurança (GG5), nesta amostra, acolhem apenas mulheres, ainda que em percentagem reduzida (2,4% do total das mulheres).

É de notar que os padrões de género assinalados não são específicos da sociologia ou mesmo do mercado de trabalho em Portugal. Estas distribuições replicam, no essencial, resultados já observados em estudos anteriores (Eurofound, 2013; Mauritti e Costa, 2014; Coelho e Ferreira, 2018). Como nestes estudos, também nos contextos e posições de sociólogas e sociólogos, são observáveis clivagens de género ilustrativas da sobreposição entre os fenómenos de “teto de vidro” - pelo qual a meritocracia, a ter algum impacto, mantém-se fundamentalmente facilitadora do ingresso e ascensão de mulheres nos níveis intermédios das organizações - e de “paredes de vidro”, com a maior concentração, por um lado, das mulheres nas áreas sociais, do cuidado e da ação solidária; e, por outro lado, dos homens nos lugares e atuações caracterizadas por maiores recursos de poder decisional, económico e de prestígio social (Coelho e Ferreira, 2018: 91).

A análise, com recurso, também, ao material qualitativo, por subgrandes grupos de profissões permite destacar a diversidade de papéis e de áreas de atuação.

No grande grupo 1, um primeiro subconjunto agrega representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, como ministros/as, secretários/as de estado ou deputados/as na Assembleia da República, presidentes de câmara e vereadores/as municipais, presidentes de junta de freguesia e presidentes de organismos nacionais. Pessoas com posições de alta autoridade e prestígio social, que contribuem dentro do seu campo de atuação para a governação do país e asseguram a execução de políticas públicas em diferentes domínios sob administração direta do estado. Nos descritivos de funções que realizam nos seus quotidianos de trabalho, destacam tarefas associadas nomeadamente a: planeamento e coordenação; colaboração na elaboração de leis ou de projetos de leis e de projetos de recomendações ao governo; comunicação com autarquias e cidadãos/ãs; formulação, execução e avaliação das estratégias de desenvolvimento social e económico; representação de Portugal em diversos organismos nacionais e internacionais; e, de forma transversal, orientação dos respetivos pelouros e gestão diária da atividade global no seu âmbito de atuação, entre outras.

Ainda neste grupo (GG1), um segundo subconjunto acolhe diretores/as de serviços de apoio social, seja no quadro de municípios e outros organismos de atuação pública, como no contexto de entidades do terceiro setor - nas designações das pessoas entrevistadas são destacadas funções como a coordenação da execução de políticas de proteção social nos territórios e comunidades onde intervêm, a direção da ação social ou planeamento urbano ou, ainda, a direção executiva ou técnica de IPSS, ONG, cooperativas sociais e outras organizações da economia social. No portfólio de funções que desempenham são nomeadas tarefas como a direção ou participação no processo de tomada de decisão a nível estratégico e executivo, a análise de informação e planeamento de atuações em articulação com diferentes entidades e partes interessadas e, de forma mais genérica, a gestão de instalações, de recursos financeiros e coordenação de equipas, entre outras.

Um terceiro subconjunto posicionado, ainda, no GG1, é o de diretores/as gerais ou setoriais de empresas - autodesignados/as como CEO (chief executive officer) ou diretor/a executivo/a de empresa, gestor/a de empresa ou ainda, no caso das direções setoriais, diretor/a de desenvolvimento humano ou diretor/a de recursos humanos; diretor/a de comunicação e média, entre outros. Estes preenchem o seu quotidiano de trabalho em funções como: desenvolvimento e coordenação de equipas, angariação e gestão de fundos e orçamentos, desenho e implementação de projetos/atividades, planeamento estratégico de comunicação e marketing, acolhimento e mediação de relações entre partes interessadas no seu âmbito de atuação, coordenação de estudos, entre outras tarefas.

Como observado na figura 1, é no grande grupo 2, de profissionais intelectuais e científicos, que se localiza a maioria dos/as diplomados/as em sociologia. A incidência de posicionamentos neste segmento de profissões é indicativa, per se, do reconhecimento dos conhecimentos e competências de que são portadores/as, por parte das organizações onde trabalham. Adicionalmente, enfatiza ainda o potencial de protagonismo profissional na geração de valor e nos resultados obtidos pelas entidades, públicas e privadas, em funcionamento no mercado de trabalho.

A diversidade de contextos de atuação, conteúdos funcionais e tarefas realizadas pelo conjunto dos/as profissionais intelectuais e científicos do GG2 está bem plasmada na multiplicidade de designações profissionais que adotam. Para além de sociólogo/a ou de técnico/a superior em sociologia ou em sociologia e planeamento, apresentam-se através de designações como: “especialistas” de ação social ou de reinserção social, de desenvolvimento urbano, de programação cultural, de estatística, de análise de dados, etc. Entre muitas outras autodenominações, especialmente entre quem trabalha em atividades empresariais do setor privado, é algo comum a adoção de designações anglosaxónicas, como: talent development manager; brand manager ou marketeer; manager de canais digitais; consultor/a em business intelligence. Nestes identificativos realçam os seus posicionamentos diferenciados em termos de protagonismos e de autonomia nas novas segmentações socioprofissionais prevalecentes a nível mundial, onde atuam como “analistas simbólicos” (Reich, 1996 [1991]). Através destas distinguem, pois, quer diferentes contextos de atuação, quer a amplitude do reconhecimento de conhecimentos e competências que mobilizam na resposta a desafios colocados nos respetivos quotidianos de trabalho, crescentemente globalizados.

É relativamente comum nos testemunhos dos/as profissionais com localizações no GG2, reencontrarmos ainda algumas das funções de análise, estudo, planeamento e monitorização informada de atuações - frequentemente desempenhadas em diálogo com profissionais de outras áreas - próximas do descritivo da “profissão sociólogo/a” proposto na CPP-2010 (p. 176). Mas essas tarefas estão longe de esgotar o portfólio de contributos e papéis estratégicos dos/as profissionais na promoção da qualidade, inovação e sustentabilidade das instituições e comunidades onde intervêm.

Estão fora desse quadro, por exemplo, atuações de planeamento, de intermediação e diálogo entre diferentes partes interessadas, de gestão de comunicação ou ainda, entre outras, de intervenção no terreno junto de comunidades, organizações, famílias e indivíduos. Isto numa diversidade de áreas, como o urbanismo, a habitação e desenvolvimento social, a gestão de risco, a proteção civil e sustentabilidade ambiental, até ao trabalho junto de escolas ou de mediação e contacto com populações fragilizadas, de programação cultural e planeamento de atividades desportivas, de gestão de marketing e comunicação, entre muitas outras.

Esta diversidade de contextos e papéis profissionais é também notória entre os/as diplomados/as com atividades enquadradas no grande grupo 3 de profissões. No quadro de organismos públicos, do terceiro setor ou em entidades empresariais, desempenham atividades com atuação social no emprego e formação profissional, gestão de ciência, produção estatística ou, ainda, na assessoria administrativa e chefia intermédia de recursos humanos, departamentos financeiros, de comunicação e/ou marketing ou, de forma mais geral, de negócios. Nas designações que utilizam como descritivo da sua profissão enfatizam a componente técnica operatória da atuação, bem como o seu exercício, prevalecente no contexto de relações de emprego em assalariamento (ou no trabalho por conta de outrem). São “quadros superiores” ou “técnicos/as superiores” de segurança social, de estatística, de emprego, de sinistros; assistentes de marketing, gestores/as de ciência, de cliente, de comunicação, entre outros. As suas tarefas e funções envolvem, nomeadamente, a receção, encaminhamento e registo de utentes que procuram os serviços onde trabalham, triagem de currículos e informação sobre oferta de formação/educação e oportunidades de trabalho, assessoria de direção, classificação e arquivo de informação, validação de dados estatísticos e outras informações, apoio na supervisão de processos e projetos, clipping de notícias, gestão de eventos, etc.

Neste segmento, perto de um terço têm desempenhos com intervenção direta na gestão de pessoas. Nas autodescrições de profissão adotam denominações como coach, supervisor/a ou técnico/a de recursos humanos e formador/a, realçando funções e tarefas de organização, assessoria e supervisão de trabalho: recrutamento, gestão de formações, consultoria, chefia intermédia de equipas, processamento salarial, entre outras.

As figuras 2 e 3 acrescentam a perspetiva geracional a esta análise, relacionando quadros institucionais de atuação profissional - setores de atividade e grandes grupos profissionais - e idades. Estes dados permitem-nos sinalizar três tendências gerais, mais salientes, de reconfiguração na atuação profissional da sociologia em Portugal. Uma primeira destaca o papel das primeiras gerações de diplomados/as no reforço das competências e capacidades de atuação dos organismos públicos que compõem o estado democrático; uma segunda assinala o alargamento dos campos de exercício profissional para as empresas, no setor privado; uma terceira, observada essencialmente na figura 3, destaca o reconhecimento crescente dos recursos educativos (conhecimentos técnicos e científicos) no acesso a lugares de maior qualificação, nomeadamente às profissões integradas nos grandes grupos 1 e 2.

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria

Figura 2 Setores de atividade dos/as diplomados/as em sociologia, segundo grupos etários (%)  

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria

Figura 3 Grandes grupos de profissões (CPP-2010) dos/as diplomados/as em sociologia, segundo o grupo etário (%)  

Com efeito, a análise por grupos etários permite perceber uma clivagem geracional na repartição dos/as diplomados/as por setores profissionais, que se aprofunda ao longo de sucessivas gerações. Se o setor público é o contexto mais relevante de exercício da atividade nas idades acima dos 44 anos (perto de 75% da coorte geracional com 55 ou mais anos e 65,0% nos 45 a 54 anos), nas idades mais jovens é o setor privado que assume, de forma crescente, essa relevância - trabalham em empresas 60,5% dos/as recém-ingressados/as no mercado de trabalho (até 34 anos) e 42,9% das idades de 35 a 44 anos. Esta mesma tendência é ainda observada nas organizações do terceiro setor, isto ajustando a escala relativa da sua dimensão (mais modesta) enquanto campo de atuação profissional dos/as diplomados/as em sociologia.

O setor da economia social e solidária, em particular, tem sido alvo de ações formais de fechamento corporativo, interpostas por grupos profissionais com atuações nas “áreas do social”, que, em larga medida, procuram restringir práticas profissionais que têm vindo a ser desenvolvidas com grande responsabilidade e competência por sociólogos/as.3 Neste quadro, é expectável que a presença de novas gerações nas organizações do terceiro setor seja cada vez mais diminuta. Perguntamos se tal fechamento serve os interesses das pessoas visadas na atuação social. Como defende uma entrevistada:

Eu acho que a sociologia nos permite desenvolver uma capacidade de empatia, colocar-nos no lugar dos outros. Porque percebemos de onde é que vêm os problemas que as pessoas sentem, as necessidades que têm, os conflitos que têm, as discriminações que existem. […] a sociologia tem uma capacidade, que é precisamente a de nos preparar para trabalhar em equipas multidisciplinares, o que pode não acontecer noutras áreas. Isto, pelo menos a sociologia de ação, interventiva, e não a sociologia de gabinete em que a pessoa pode estar ali um bocadinho fechada no seu mundo. [Mestrado, membro de órgão legislativo, 50 anos]

Complementando esta análise, a figura 3 apresenta a repartição dos/as diplomados/as, segundo as idades, pelos três grandes grupos de profissões com maior incidência enquanto contextos de atuação laboral. Esta perspetiva introduz, também ela, algumas variações etárias que importa assinalar.

Começando pela coorte dos 55 ou mais anos, observa-se que, apesar de, também nestas idades, ser notória a prevalência de diplomados/as em sociologia com localizações no GG2 (38,7%), o padrão mais saliente é a sua distribuição, relativamente mais dispersa, em profissões dos três grandes grupos em destaque - 22,6% são dirigentes de topo da administração pública e empresas (GG1) e 29,0% são quadros técnicos e chefias intermédias (GG3).

De facto, é sobretudo na coorte geracional dos 45 a 54 anos - que ingressou no mercado de trabalho entre a última década do século XX e o início do novo milénio -, que o grande grupo 2 de profissões se passa a destacar enquanto contexto preferencial de atuação da sociologia fora da academia. Este período sucede a uma fase de alargamento e diversificação da oferta formativa ao nível do 1.º ciclo, entre meados das décadas de 1970 e 1980, nos subsistemas universitário e politécnico, público e privado (Silva, 1986; Rodrigues, 2020). Entretanto, na década seguinte, a consolidação da expansão vertical de oferta (e procura) de ensino superior nos níveis de mestrado e de doutoramento (Rodrigues, 2020), é ainda caracterizada pelo alargamento e disseminação de uma certa reflexividade social que valoriza o “modo 2 de conhecimento” (Costa, 1996: 217-218). Este modo de produção de saberes, orientado para a resolução de problemas concretos em contextos transdisciplinares e socialmente relevantes, revelou-se especialmente propício à mobilização de competências técnicas e científicas como fundamento da prática profissional em áreas diversas.

Como refere António Firmino da Costa, neste período, “um número crescente de pessoas possuidoras de competências qualificadas, com formação de base científica [entre as quais, pessoas diplomadas em sociologia], familiarizadas com métodos de pesquisa, capazes em alguma medida de entender, utilizar e criticar os procedimentos e os resultados da ciência respondem à procura institucional crescente, por organismos públicos e empresas” (1996: 217).

Nestas idades dos 45 a 54 anos, 59,3% das pessoas diplomadas em sociologia exercem profissões localizadas no GG2 (+21 p.p. do que nos 55 ou mais anos). A estas acrescem ainda 27,1% que desempenham atividades de topo enquanto representantes do poder legislativo e dirigentes de entidades públicas e privadas (+17 p.p. e +9 p.p. dos que as gerações até 34 anos e de 34 a 44 anos, respetivamente).

Este último diferencial - que compara a presença no GG1 da geração com participações consolidadas no mercado de trabalho e as gerações mais novas - realça ainda nos processos que acompanham a reconfiguração dos campos de atuação da sociologia, o reconhecimento de que as práticas e experiências acumuladas são, também elas, fatores de valorização de carreira e de prestígio social. As experiências anteriores ou as práticas socialmente contextualizadas são assim reconhecidas como fontes adicionais de aquisição de novas aprendizagens e de produção de conhecimentos úteis, que importa incorporar nas atividades económicas e nos serviços públicos, nomeadamente através do recrutamento para posições de topo de pessoas diplomadas mais experientes.

Todas as tarefas que tenho são inerentes, essencialmente, a dirigir e a coordenar equipas de trabalho. Tenho a meu cargo 65 pessoas, entre os que são diretamente e os que não são diretamente porque depois tenho outros dirigentes intermédios. Pessoas que têm de realizar em concreto várias tarefas, não é, várias ações, que culminam depois no projeto cultural e desportivo desta autarquia. Portanto, acima de tudo, eu diria que o que faço é gerir pessoas e problemas. É o meu dia-a-dia: resolver problemas e permitir que as coisas nasçam. E aqui as “coisas” são projetos, são ações, são práticas. [Licenciatura, depois de anos como “técnica superior de sociologia”, passou a diretora da Divisão da Cultura e Desporto numa autarquia, 53 anos]

Nas idades abaixo dos 44 anos observa-se a consolidação do que podemos designar, de forma breve, como disseminação no recrutamento de critérios de “meritocracia” ou o relevo crescente dos recursos educativos como fator de apreciação para o acesso a lugares mais qualificados da estrutura de profissões - entre os quais se destacam as profissões localizadas no GG2 - tanto nas idades até 34 anos, como no segmento de 35 a 44 anos, cerca de 63% exercem profissões de especialistas, com desempenhos técnica e cientificamente informados (+24 p.p. do que a geração com 55 ou mais anos).

Reconfigurações das áreas de atuação profissional

Em que medida as tendências observadas têm subjacente, também, uma reconfiguração das áreas de atuação profissional dos/as diplomados/as em sociologia? Para resposta a esta pergunta, retomamos os resultados da análise de conteúdo dos descritivos de profissão, e principais funções e tarefas que desempenham no seu quotidiano. As figuras 4 e 5 propõem uma quantificação desses resultados, agregando as atuações profissionais em quatro grandes áreas de atividade: (I) I&D, estudos de avaliação e estatística; (II) intervenção social, cidadania, coesão e território; (III) recursos humanos, planeamento e formação; (IV) informação, comunicação e marketing.

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria.

Figura 4 Áreas de atuação dos/as sociólogos/as, total e segundo o género (%)  

Numa primeira observação, é de salientar o facto de o ordenamento relativo dos vários domínios de atuação seguir uma estrutura comum em ambos os géneros: tanto na distribuição feminina como na masculina, a maioria está mobilizada em atividades que intervêm diretamente nas condições de vida e de bem-estar das populações nos territórios (40,3%); seguem-se duas áreas com atuações focadas na eficácia e eficiência organizacional das entidades, envolvendo a gestão de pessoas (27,1%) e a comunicação, informação e marketing (20,4%); e, com menor peso relativo de profissionais, uma área com atuações mais próximas do descritivo de profissão sociólogo/a avançado na CPP-2010: onde são agregadas as atividades de investigação e desenvolvimento, estudos de avaliação e produção de análise estatística (com 12,2% do total de diplomados/as).

Faço pura sociologia: estudos de investigação, que designamos como um escalão superior para a tomada de decisão. A nossa área é a profissionalização do serviço militar. Gerimos toda a informação relacionada com os efetivos militares, incluindo o recrutamento […] quantos são, em que postos, em que ramos. Analisamos, por exemplo, as saídas que se preveem nas várias áreas, para perceber, mais tarde, se as propostas [de admissão] fazem sentido. Naquilo que é a profissionalização, fazemos os estudos relacionados com o mercado potencial ou segmento potencial de jovens interessados em ingressar nas Forças Armadas, para sabermos quem são e quantos são, quais as motivações de ingresso, expetativas profissionais. Costumo dizer que podes entrevistar muita gente, mas a maior empresa de estudos de mercado deste país somos nós, porque não conheço nenhuma outra que aplique cem mil inquéritos por ano e com aquela densidade e variedade de estudos. [Mestre em sociologia, sociólogo num gabinete de estudos sob tutela do Ministério da Defesa, 47 anos]

A análise comparada da presença de mulheres e homens por campos de atuação profissional permite ainda sinalizar contextos mais feminizados, como informação, comunicação e marketing (22,4% das mulheres, +6 p.p. do que os homens) e intervenção social, cidadania, coesão e território (41,6%, +4 p.p.). Por seu lado, os homens incidem mais, tanto na produção de estudos e estatísticas (16,1%, +6 p.p. quando comparado com a distribuição feminina) como na área de desenvolvimento e gestão de pessoas (30,4%, +5 p.p.).

A figura 5 permite associar áreas de atuação e coortes geracionais, complementando a análise relativa às tendências de reconfiguração dos campos de atuação profissional da sociologia. Estes dados confirmam o recuo sistemático, ao longo de sucessivas gerações, tanto dos exercícios profissionais ligados ao trabalho em equipas de decisão, definição de prioridades, planeamento e intervenção social competente nas comunidades e territórios, bem como à atuação em gabinetes e observatórios, nos ministérios, autarquias e outros organismos do estado, na realização de estudos de avaliação e produção estatística. Na geração dos 55 e mais anos, cerca de três quartos dos/as sociólogos/as estão mobilizados/as nestes dois campos de atuação.

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria

Figura 5 Áreas de atuação dos/as sociólogos/as, segundo grupos etários (%)  

Essas mesmas áreas têm uma presença relativa bastante mais modesta - ou mesmo residual, no caso dos estudos de avaliação e produção estatística - nas atividades da geração recém-ingressada no mercado de trabalho, geração que conclui a sua formação inicial, sobretudo, nos anos de 2012 a 2015, num período particularmente difícil na história recente de Portugal, muito impactado pelo retraimento estrutural do emprego público, decorrente das medidas impostas pela Troika, cujos efeitos se prolongaram pelos anos seguintes (Mauritti et al., 2020).

Não obstante, as transições multívocas dos/as diplomados/as em sociologia e a amplitude de contextos de atuação profissional que a formação potencia, permitiram às novas gerações a adaptação às possibilidades de trabalho que então o mercado lhes oferecia. A coorte geracional, dos 35-44 anos, tinha já iniciado essa viragem para áreas de atuação de setores privados e de economia social, nomeadamente com o ingresso em atividades ligadas ao recrutamento, gestão e desenvolvimento de pessoas (que mobilizam 37,0% destas idades); a coorte mais recente alarga o campo de atuação para um novo domínio da sociologia, que, embora comece a abrir já na geração anterior, intensifica a sua presença como domínio profissional da sociologia sobretudo mais recentemente: a área de informação, comunicação e marketing (nas idades até 35 anos, 36,8% intervém em recursos humanos, outros 36,8% atua na comunicação e marketing).

Eu tenho, atualmente, a minha própria consultora em investigação empresarial. Em inglês corporate investigations. E nesta indústria eu trabalho numa área especializada, que é dedicada, exclusivamente, ao que nós chamamos apoio ao investigativo, ao contencioso e arbitragem […] Para vos dar assim uns exemplos em concreto, isto vai desde a aquisição de informação, aquisição de provas que vão ser utilizadas numa ação legal, até à área de identificação e recuperação de ativos. Portanto, quando uma empresa processa um indivíduo, uma outra empresa ou um estado soberano, depois de haver uma decisão, um julgamento, há uma indemnização a pagar. O nosso papel é identificar esses ativos e recuperá-los. […] Atualmente somos uma empresa, somos nove e continuamos a recrutar, ou seja, estamos a crescer e em termos de trabalho, o trabalho é um trabalho global. Eu sou uma das diretoras da empresa e uma das acionistas. [Mestrado, consultora, 40 anos]

[…] Em função de uma carteira de clientes que temos, imagine por exemplo [cadeia internacional de fastfood] nós temos de definir como é que deverá ser feita a comunicação desse cliente: como é que ele deve fazer; o que deve fazer; porque é que deve fazer e que retorno é que vai ter a nível de resultados. Isso implica desde estudo de hábitos de consumo, estudos comportamentais, depois análise de métodos e análises estatísticas com grupos de amostra, medição de resultados, margens de erro, etc. […]. Portanto há toda uma série de critérios a considerar. Fazemos o trabalho desde o início do processo até à definição de procedimentos que o cliente deve ter, até à análise de resultados, que foi o impacto que a comunicação teve, e que retorno é que isso teve a nível do negócio do cliente. [Licenciatura, diretora de meios numa empresa multinacional ligada à publicidade e marketing, 29 anos]

A figura 6 operacionaliza uma abordagem multidimensional das relações entre grau de formação e dimensões caracterizadoras dos contextos de atuação profissional dos/as diplomados/as em sociologia. No plano topológico pretende-se apurar o modo como as categorias que compõem diferentes dimensões se relacionam entre si, as proximidades e distâncias que caracterizam as suas localizações nesse espaço de estruturação dos campos de atuação da sociologia fora da academia. Através desta análise procuramos captar perfis profissionais diferenciados,4 aos quais adicionámos, como variáveis suplementares, elementos de caracterização sociodemográfica em destaque nas análises bivariadas, como o género e o grupo etário.

Fonte: Portfólio Profissional de Sociólogos/as (2022). Elaboração própria

Figura 6 Espaço de estruturação dos campos de atuação da sociologia fora da academia  

O plano distingue na estruturação da dimensão 1 os contextos e papéis profissionais: à esquerda, estão posicionados o setor privado, as áreas de recursos humanos e de informação, comunicação e marketing e as profissões de quadros técnicos e chefias intermédias, assim como as pessoas com entrada mais recente no mercado de trabalho; à direita, os setores público e solidário, as áreas de estudos de avaliação e produção estatística e de intervenção social nas comunidades e territórios, as profissões dos grandes grupos 1 e 2, dos/as dirigentes e especialistas, bem como as pessoas com percursos profissionais mais longos. Já a dimensão 2 é estruturada, sobretudo, pelas trajetórias formativas, opondo, em baixo as categorias de mestrado e de estudos de doutoramento, em cima a licenciatura com e sem pós-graduações (não conferentes de grau).

No extremo da distribuição de categorias, no quadrante 4, posiciona-se o segmento com menor expressão quantitativa, mobilizado em atividades de I&D, estudos de avaliação e produção estatística, exercidas no contexto de organismos do setor público. Estes protagonismos são prevalecentes entre pessoas com carreiras profissionais e educativas prolongadas (mais de 27 anos de carreira e estudos de doutoramento), também com proximidade ao GG1 de dirigentes de organismos públicos e empresas.

Em cima, no quadrante 1, destaca-se a área que agrega as atuações de intervenção social, cidadania, coesão e territórios, próxima do setor da economia social e solidária e das categorias de profissões intelectuais e científicas. Pessoas com carreiras profissionais também prolongadas (diplomadas há 21 a 26 anos), mas com grau de escolaridade de licenciatura ou licenciatura com pós-graduação.

O quadrante 2, é onde se localizam, especificamente, as categorias ligadas ao grau de licenciatura (com ou sem pós-graduação) e as pessoas diplomadas há 11 a 20 anos. As atuações profissionais destacam neste quadrante as atividades de recursos humanos, planeamento e formação, exercidas de forma prevalecente no quadro de entidades privadas.

No quadrante 3, também caracterizado pelo acolhimento de atividades do setor privado, estão posicionados os grandes grupos de profissões que acolhem quadros técnicos e chefias intermédias, bem como as áreas de atuação ligadas à informação, comunicação e marketing. Este quadrante acolhe, de forma prevalecente, a geração recém-ingressada no mercado de trabalho (com diplomas obtidos nos últimos 10 anos), que se distingue em termos de perfil educativo pela posse de mestrado.

A figura 6 projeta ainda em suplementar categorias de género e idade. A posição destas categorias mostra que não há uma grande distinção por género, enquanto a análise por idade evidencia o efeito geracional já descrito na reconfiguração das práticas profissionais.

A análise integrada dos campos de atuação realça, uma vez mais, as características multívocas da atividade profissional da sociologia, bem como o potencial de adaptação e resposta a desafios e necessidades que as competências e conhecimentos adquiridos na formação favorecem. Em baixo, colocamos algumas citações em discurso direto, ilustrativas da multiplicidade de funções e tarefas desempenhadas individualmente pelos/as profissionais, observada nos vários setores e áreas de intervenção.

Nestes papéis cruzam diferentes saberes disciplinares, refletindo a sua formação de banda larga e de orientação multívoca, capacitadora do trabalho em equipas pluridisciplinares, da reflexividade social, da aplicabilidade e da resolução de problemas - simultaneamente, de planeamento e organização; de gestão de pessoas, negociação e trabalho em equipa; de identificação, seleção e análise de dados; de reflexividade crítica e analítica contextualizada, entre outras.

Achamos sempre que não sabemos tudo e andamos sempre à volta e em busca de conhecimento e acho que é isso que nos diferencia. Acho também que com os nossos conhecimentos estamos aptos a fazer um bocadinho de tudo e, no meu caso, também desempenho outras funções, nomeadamente o apoio jurídico… também conseguimos interpretar realidades sobre as quais, às vezes, os nossos colegas de outras áreas têm uma visão muito mais restringida. [Licenciatura, técnica social numa autarquia, 50 anos]

As minhas funções, neste momento, são muito abrangentes, tenho de fazer um bocadinho de tudo… desde as finanças ao staff, tenho de ter a certeza de que tudo flui. Estou muito envolvida, também, nos projetos, trabalho muito próxima com a equipa, para além de estar a treinar a equipa. Mas claro, a grande componente do meu trabalho é a venda de projetos, portanto, eu passo muito tempo com clientes, a viajar para ver clientes, a ver clientes em Londres e para pensar nos problemas deles, no fundo como os podemos ajudar. [Mestrado, consultora, 40 anos]

O que eu faço está fortemente relacionado com a análise de dados, com a estatística, e é um projeto que requer muitas fontes públicas, de difícil acesso, e o manuseamento de um grande volume de dados. Estou a trabalhar em estudos de mercado e relatórios de mercados específicos para cada país - Portugal, Chipre, Malta e Grécia. E, à parte disso, ainda tenho outras funções dentro da empresa. Sou responsável pelas parcerias internacionais, motivo pelo qual também viajo muito. Fui recentemente promovida a diretora da empresa. Com esse papel de diretora acabo também por estar responsável pela gestão do escritório, formação de staff, recrutamento. Portanto, eu faço mesmo um bocadinho de tudo. [Licenciatura, business development director, 32 anos]

[…] Faço as entrevistas aos familiares e o acompanhamento dos utentes; o planeamento das atividades para os utentes; a gestão e formação das equipas [em geriatria, ética e deontologia, patologia do idoso, primeiros socorros]; a elaboração das ementas e depois todo o acompanhamento dos utentes. [Licenciatura, diretora técnica de IPSS, 50 anos]

Conclusões

O presente estudo demonstra a amplitude de áreas de atuação e a relevância dos contributos de sucessivas gerações de sociólogos e sociólogas na promoção da coesão, na consolidação das instituições, na modernização e na inovação das estruturas sociais de Portugal nos 50 anos de democracia.

A análise realizada dá conta de como o exercício profissional da sociologia fora da academia tende a assumir contornos situacionais e relacionais, respondendo a necessidades específicas de territórios, populações ou contextos organizacionais diversos que enformam as atuações. A presença massificada dos/as diplomados/as nos três primeiros grupos da classificação de profissões, caracterizados pela posse de recursos de poder, autoridade e reconhecimento de pericialidade técnica e científica, denota bem a valorização dos conhecimentos e competências da sociologia. Os dados demonstram ainda como essa atuação se foi reconfigurando, de forma dinâmica, facilitada pela banda larga da formação em sociologia, na resposta a múltiplas e intensas mudanças que atravessam o país e o mundo no período em referência.

Adicionalmente, a análise permite aprofundar em dois sentidos o caráter multívoco das relações entre formação e profissão em sociologia: destacando, por um lado, a multiplicidade de áreas de atuação dos/as diplomados/as e, por outro lado, a multiplicidade de funções e tarefas desempenhadas nos lugares que ocupam.

Num mercado laboral, atravessado por mudanças intensas, impulsionadas por uma crescente complexidade, associada, nomeadamente, às revoluções tecnológicas e digitais, à centralidade da informação como recurso estratégico, à interdependência sistémica e ao trabalho em rede à escala global, os dados permitem-nos sinalizar quatro protagonismos que norteiam a configuração da atuação profissional da sociologia em Portugal no pós-25 de Abril, a saber:

Um primeiro, destaca os contributos das primeiras gerações de diplomados/as no reforço das competências e capacidades de atuação dos organismos públicos que compõem o estado democrático; um segundo, perante a expansão da escolaridade e diversificação dos perfis educativos da população, sinaliza o reconhecimento crescente dos recursos educativos (conhecimentos técnicos e científicos) no acesso a posições profissionais de maior qualificação, designadamente as que integram domínios de atuação da sociologia, nos vários setores de atividade; um terceiro realça ainda que no recrutamento para os lugares de topo da hierarquia das organizações, nomeadamente as profissões do grande grupo 1, as práticas e experiências acumuladas são também relevantes - embora este traço coexista com a permanência sistémica e estrutural de desigualdades de oportunidades entre sociólogas e sociólogos; um quarto, assinala o alargamento dos campos de exercício profissional da sociologia nas empresas, identificando uma reconversão profissional de gerações recém-ingressadas, perante o recuo do emprego público, para áreas de atuação em mercados globais emergentes, ligados às tecnologias de informação, à comunicação e ao marketing.

Nos desafios atuais colocados à sociologia, o estudo assinala a atuação corporativa profissional muito ativa em áreas do social. Nascida da revolução, na transição para a democracia, interrogamo-nos sobre a possibilidade da intensificação de ainda novos fechamentos e entraves à reflexividade e atuação sociológica. Num contexto global e nacional em que a democracia está sob ameaça, receamos que a sociologia volte a ser colocada em causa pelas novas ideologias populistas, sectárias e discriminatórias.

Este artigo resulta de um estudo de pendor compreensivo, construído com base em entrevistas realizadas por estudantes no âmbito da Unidade Curricular Laboratório de Ética e Profissão em Sociologia, do 2.º ano da licenciatura de Sociologia do Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, a quem agradecemos. Os testemunhos recolhidos permitiram-nos analisar e ilustrar as características e dinâmicas do trabalho qualificado desempenhado por sociólogos/as, mas excluem, provavelmente, segmentos relevantes que exercem atividades semiqualificadas. Há que prosseguir esta análise de resposta às questões quem são e o que fazem os/as sociólogos/as, também com a atualização de dados quantitativos, como os usados em estudos anteriores, apoiados nos Censos 2011 (Mauritti e Costa, 2014).

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1Pode ser consultado em: https://portfolioprofissionaldesociologos.wordpress.com/

2Números estimados a partir dos dados referentes aos Censos de 2011 apresentados em Mauritti e Costa (2014), aos quais adicionámos dados anuais com registo administrativo censitário de novos/as diplomados/as (DGEEC, “Tabelas de Dados do Ensino Superior/Diplomados nos anos letivos 2011 a 2023”. Em: https://www.dgeec.medu.pt/p/ensino-superior/bases-de-dados/todas (última consulta em agosto de 2025).

3Cf. versão consolidada dos estatutos: artigo 64.º-A “Atos da profissão de assistente social”, Lei N.º 121/2019, de 25 de setembro, com as alterações introduzidas pela Lei N.º 66/2023; em vigor desde 29 de fevereiro de 2024.

4Para a identificação destes perfis, consideraram-se apenas os indivíduos que concluíram uma licenciatura em sociologia.

Recebido: 15 de Junho de 2025; Aceito: 06 de Agosto de 2025

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