Introdução
O suicídio gera impactos extensos em toda a sociedade, especialmente nas pessoas que ficam após a morte e vivenciam o luto por suicídio (Stubbe, 2023). O luto por suicídio apresenta especificidades, uma vez que engloba aspetos e reações particulares relacionados com o suicídio. A atenção a estas especificidades é compreendida no âmbito da posvenção (Dantas et al., 2022; Pedrollo et al., 2022).
Os principais benefícios associados à posvenção incluem a redução dos sintomas e das sensações do luto, a manutenção do bem-estar e da vida, além de constituir uma forma de prevenção do suicídio neste público (Bartone et al., 2019; Stubbe, 2023). A posvenção deve ser implementada através de um trabalho conjunto que envolve toda a sociedade; no entanto, é fundamental destacar o papel dos profissionais de saúde neste contexto (Pedrollo et al., 2022; Stubbe, 2023).
Os profissionais de saúde podem realizar uma variedade de ações e estratégias de posvenção, a nível individual e coletivo; no entanto, necessitam de formação e capacitação para essa atuação (Dantas et al., 2022; Pedrollo et al., 2022). Apesar disso, o ensino da posvenção ainda não é frequente nas abordagens curriculares dos estudantes, e a sua aplicação na prática profissional em saúde é igualmente deficitária (McGill et al., 2023).
Num contexto em que milhares de pessoas falecem por suicídio todos os anos, o número de sobreviventes enlutados por suicídio torna-se ainda mais significativo. Por essa razão, reflexões e ações relacionadas com a formação e capacitação profissional em saúde emergem como uma necessidade premente.
Uma possibilidade de desenvolvimento de processos de formação e capacitação na área da saúde sobre a posvenção é o ensino baseado em simulação (EBS; INACSL Standards Committee et al., 2021a; Pedrollo et al., 2022). Este modelo de ensino também avança no campo da inovação, com a sua expansão para modalidades virtuais, como a telessimulação (Yasser et al., 2023).
O ensino baseado em simulação enquanto estratégia educativa para a abordagem da posvenção proporciona a oportunidade de avaliar o plano de simulação dos cenários utilizados, também conhecido como design. Desse modo, o presente estudo teve o objetivo de compreender percepções de estudantes e profissionais da saúde sobre fatores relacionados ao design de um cenário para o ensino baseado em telessimulação sobre a posvenção.
Enquadramento
A palavra posvenção deriva do termo em inglês postvention, proposto por Edwin Shneidman na década de 1970 (Shneidman, 1973). Enquanto uma forma de prevenção do suicídio para gerações futuras, a posvenção caracteriza-se pela promoção de ações e intervenções de cuidado com os sobreviventes enlutados por suicídio (Shneidman, 1973; McGill et al., 2023).
A compreensão da posvenção é gradual e enfatiza a importância de uma abordagem atenta e humanizada em relação aos enlutados (Stubbe, 2023; Pedrollo et al., 2022). A formação e capacitação profissional para apoiar as pessoas enlutadas são fundamentais para o cuidado (Bartone et al., 2019).
O investimento nessa área é necessário. O ensino baseado em simulação é uma possibilidade potenciadora desses processos. No EBS, os participantes podem desenvolver habilidades, construir conhecimentos e trabalhar aspetos do processo de ensino-aprendizagem de forma segura, proativa e fundamentada cientificamente (INACSL Standards Committee et al., 2021b).
A avaliação das perceções dos participantes sobre o design dos cenários utilizados em atividades simuladas permite um melhor entendimento sobre a sua exequibilidade e efetividade, com foco nos objetivos propostos e esperados (INACSL Standards Committee et al., 2021c). Um design bem avaliado reforça a robustez da sua construção (Pedrollo et al., 2022).
Questão de investigação
Quais são as perceções de estudantes e profissionais de saúde sobre os fatores relacionados ao design de um cenário para o ensino baseado em telessimulação sobre a posvenção?
Metodologia
Trata-se de um estudo descritivo transversal, desenvolvido de acordo com as diretrizes do “Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology” (STROBE). A investigação obteve a aprovação da Comissão de Ética em Pesquisa, sob o parecer de nº 4.608.709.
A recolha de dados foi integrada as atividades de um curso de formação sobre a posvenção do suicídio. O curso decorreu entre os meses de agosto e outubro de 2021, de forma virtual, em duas edições, com uma carga horária total de 20 horas. A coordenação do curso esteve a cargo de investigadoras de pós-graduação de um laboratório de investigação brasileiro na área da saúde mental.
Para as duas edições foram disponibilizadas um total de 140 vagas. O público-alvo consistiu em estudantes e profissionais da saúde, sem distinção de categoria profissional. A divulgação do curso foi realizada em redes sociais e e-mails institucionais do laboratório de investigação das coordenadoras.
No total, o curso registou 69 matrículas de estudantes e profissionais com formação e atuação nas áreas da enfermagem, farmácia, medicina, psicologia e terapia ocupacional. Estes participantes tiveram acesso a uma plataforma virtual gratuita, com acesso a conteúdos sobre suicídio, luto, luto por suicídio, posvenção, telessimulação, atuação profissional e promoção da saúde mental.
A atividade final do curso visou o desenvolvimento de uma telessimulação, a qual seguiu as orientações descritas no cenário simulado interprofissional intitulado “Apoio inicial ao enlutado por suicídio (posvenção)” (Pedrollo et al., 2022). O cenário está disponibilizado na íntegra e de forma gratuita na literatura científica (Pedrollo et al., 2022). O objetivo esperado no cenário é o de desenvolver ações de apoio inicial à pessoa enlutada por suicídio (Pedrollo et al., 2022).
Para a vivência da telessimulação, os participantes foram divididos em quatro grupos, com um máximo de 25 membros cada, e convidados a participar de um encontro virtual síncrono, com a duração máxima de 2 horas na plataforma Google Meet. No total, foram realizados quatro encontros síncronos, estruturados em momentos de abertura, prebriefing, telessimulação, debriefing e a investigação.
Para cada encontro, dois participantes do curso representaram os profissionais de saúde responsáveis por um atendimento virtual de até 20 minutos a uma pessoa enlutada por suicídio. A preparação destes participantes foi baseada nos estudos realizados durante o curso. Os restantes participantes da telessimulação assumiram o papel de observadores. A telessimulação foi mediada por duas facilitadoras, especialistas na área da saúde mental. Em cada encontro, foram estabelecidos acordos prévios com os participantes para garantir a manutenção de um ambiente ético e respeitoso durante a atividade virtual. Assim como proposto na descrição do cenário, após a vivência da telessimulação, foi priorizada a realização do debriefing e em seguida, a investigação.
Os participantes foram convidados a responder o estudo sobre as perceções relacionadas com o design da telessimulação. O convite foi realizado pelas investigadoras de forma oral e através do chat do Google Meet, com o envio do hiperlink de acesso à plataforma REDCap, onde estavam disponibilizados o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido da investigação e os instrumentos de recolha de dados.
A amostra foi definida através de uma técnica de amostragem não probabilística por conveniência. Os critérios de inclusão foram: ser profissional de saúde ou estudante de licenciatura na área da saúde, ter participado na telessimulação proposta no curso de formação e ter idade igual ou superior a 18 anos. Foram excluídos os participantes que, embora matriculados no curso, não participaram na telessimulação.
Os participantes responderam a três instrumentos. O primeiro foi um questionário de caracterização, composto por 13 itens, com o nome do participante, idade, género (feminino, masculino, prefiro não dizer), cor ou etnia, estado civil (com ou sem companheiro), localização geográfica (cidade e estado), formação académica (graduação), nível de escolaridade, tempo de experiência profissional, acesso à Internet para a realização dos seus estudos durante o curso (sim ou não), dificuldades de conexão à Internet durante a telessimulação (sim ou não), contacto prévio com a temática de simulação clínica (sim ou não) e contacto prévio com a temática de posvenção (sim ou não).
O questionário de avaliação do curso continha 19 questões, subdivididas em cinco categorias (conteúdo, avaliação, experiência pessoal, atendimento do pessoal de apoio online e curso). Cada questão apresentava respostas do tipo Likert de seis pontos (péssimo, ruim, regular, boa, ótima e nenhuma das alternativas).
A Escala do Design da Simulação para avaliar os elementos que compõem a simulação, com 20 afirmações de autopreenchimento (Almeida et al., 2015). A escala está subdividida em cinco fatores: objetivos e informações, apoio, resolução de problemas, feedback/reflexão e realismo, além de duas subescalas, a de concordância e a de importância. A avaliação de cada subescala é realizada com base em respostas do tipo Likert, de 1 a 5 pontos.
Os dados obtidos foram organizados numa folha de cálculo no programa Microsoft Excel 10, digitados em duplicado e com cruzamento das digitações para minimizar erros. Foram propostas análises descritivas e testes de regressão, com avaliação da multicolinearidade através do método do Fator de Inflação da Variância (VIF; Vatcheva et al., 2016). O valor limite adotado para o VIF foi de 5 (Kim, 2019).
Para tal, foi construída uma matriz de variáveis independentes e dependentes. As variáveis independentes incluíram a idade, o género, a formação académica, a escolaridade, a experiência profissional, a experiência na licenciatura, o acesso à Internet, as dificuldades de conexão, a qualidade de acesso e o contacto prévio com o ensino baseado em simulação e com a posvenção. A variável de desfecho foi o fator resolução de problemas. Devido à multicolinearidade, a variável Qualidade de acesso à Internet foi excluída, enquanto as demais seguiram para os testes de regressão.
As variáveis selecionadas para o teste de regressão foram definidas pelo Critério de Informação de Akaike (AIC) generalizado. O modelo utilizado foi o Generalized Additive Models for Location, Scale and Shape (GAMLSS; Rygby & Stasinopoulos, 2005), com um nível de significância de 95,0% (( = 0,05; Rigby & Stasinopoulos, 2005). Todas as etapas e processamentos estatísticos foram realizados no software estatístico R.
Resultados
O cenário foi avaliado por 60 participantes (Média de idade = 32,8 anos; Mínima = 19 anos; Máxima = 56 anos; Desvio-padrão = 8,78), sendo a maioria do género feminino (90,0%), de cor branca (61,6%), oriundos da região Sudeste do Brasil (75,0%), com formação em psicologia (50,8%), e 39,0% com pós-graduação concluída. A média de experiência profissional aproximou-se dos 5 anos (Mínima = 0 anos; Máxima = 28 anos; Desvio-padrão = 6,54).
Apenas nove participantes (15,0%) mencionaram ter apresentado problemas de acesso a Internet. Mais de 70,0% relataram não ter tido contacto prévio com a simulação clínica; no entanto, mais de 51,0% afirmaram ter tido contacto prévio com a temática da posvenção.
Os resultados das avaliações dos participantes evidenciam perceções positivas em relação a todos os fatores das subescalas de concordância e importância, o que se reflete nas médias elevadas atribuídas a estes itens. As perceções relacionadas com o fator realismo destacam-se, apresentando médias que se aproximam dos valores máximos possíveis a serem alcançados (Tabela 1).
Tabela 1: Análise das subescalas de concordância e importância da Escala do Design da Simulação (n = 58)

Nota. *N = Número; †DP = Desvio-padrão. Fonte: Elaborado pelas autoras (2024).
Na análise detalhada da subescala de concordância, a maioria dos participantes expressou total concordância com todas as afirmações, com destaque para o item 15 do fator de feedback e reflexão. Embora em menor quantidade, os itens 2 e 3 do fator de objetivos e informações foram os únicos a receberem respostas do tipo “discordo totalmente” (Tabela 2).
Tabela 2: Análise descritiva das respostas dos participantes na subescala de concordância da Escala do Design da Simulação (n = 60)

Nota. DT* = Discordo totalmente da afirmação; D† = Discordo. Fonte: Elaborado pelas autoras, 2024. da afirmação; IN‡ = Indeciso - nem concordo, nem discordo da afirmação; C** = Concordo com a afirmação; CT†† = Concordo totalmente com a afirmação.
Dentre os fatores relacionados com o desfecho do estudo, os psicólogos apresentaram uma redução relativa de 54,0% na média de pontuação do fator resolução de problemas, quando comparados com os participantes de outras formações (Estimate = -0,76; DP = 0,33; valor t = -2,30; Pr(>|t|): 0,02; AR = 0,46; LI_AR = 0,24; LS_AR = 0,89). Os participantes que enfrentaram problemas de acesso à Internet registaram uma redução relativa de 57,0% na média da pontuação do fator “resolução de problemas” em comparação com aqueles que não vivenciaram essa dificuldade (Estimate = -0,83; DP = 0,34; valor t = -2,40; Pr(>|t|): 0,01; AR = 0,43; LI_AR = 0,21; LS_AR = 0,85). O teste de normalidade de Shapiro-Wilk revelou W = 0,97, p-value = 0,27.
Após duas edições do curso, 69 participantes (49,2%) foram aprovados, enquanto 38 (33,9%) responderam à avaliação final. A maioria dos itens foi avaliada como boa. Os participantes referiram que se dedicaram até 4 horas semanais ao curso (n = 24) e adquiriram conhecimentos teóricos (89,4%) e práticos (94,7%) sobre a temática da posvenção. O nível de satisfação foi considerado elevado (89,4%) e todos os participantes (100,0%) manifestaram a intenção de recomendar o curso a outras pessoas.
Discussão
A avaliação das perceções dos participantes sobre os elementos que compõem o design do ensino baseado em telessimulação é fundamental para a compreensão de aspetos relacionados com o seu uso. O design avaliado neste estudo contemplou fatores relacionados com objetivos e informações, apoio, resolução de problemas, feedback e reflexão, além do realismo (INACSL Standards Committee et al., 2021b; Almeida et al., 2015).
As perceções dos participantes sobre o realismo foram destacadas em relação aos demais fatores, tanto nas médias das subescalas analisadas como nas duas afirmações do fator, que obtiveram uma concordância total superior a 85,0% dos participantes. No design, o realismo é um elemento fundamental para que a experiência dos participantes na situação proposta se aproxime da realidade do cuidado, mesmo num desenvolvimento permeado pelo ambiente virtual, como ocorre na telessimulação (INACSL Standards Committee et al., 2021b; Yasser et al., 2023).
O cenário utilizado no estudo para a telessimulação é descrito na literatura científica como sendo de alta fidelidade (Pedrollo et al., 2022). Este apresenta uma estrutura e organização que prioriza o realismo, por meio de dimensões conceptuais, físicas e psicológicas relacionadas com o apoio inicial ao enlutado por suicídio (Pedrollo et al., 2022; INACSL Standards Committee et al., 2021b).
A telessimulação pode oferecer ferramentas para que o realismo seja mantido, principalmente com a utilização de recursos audiovisuais. No entanto, a tecnologia não assegura, por si só, a efetividade do processo de ensino-aprendizagem (Yasser et al., 2023). Por essa razão, a manutenção do realismo também se relaciona com fatores ligados ao apoio, à facilitação e à preparação dos profissionais responsáveis pelo desenvolvimento do ensino baseado em telessimulação (INACSL Standards Committee et al., 2021b; INACSL Standards Committee et al., 2021d).
Apesar dos participantes concordarem com as afirmações relacionadas com o fator apoio, este apresentou uma média inferior. O apoio durante a telessimulação é fundamental para o alcance dos objetivos e resultados esperados (Costa et al., 2020).
Pode ser trabalhado de diversas maneiras no design, nomeadamente através da apresentação de pistas aos participantes, do reconhecimento das suas necessidades e do suporte prestado pelo facilitador durante a atividade, promovendo trocas constantes entre todos os envolvidos (INACSL Standards Committee et al., 2021b). Na telessimulação, essas interações podem ser desafiadoras, especialmente em uma abordagem como a da posvenção.
Uma recente scoping review sobre a posvenção, realizada por investigadores vinculados a uma instituição norte-americana, enfatizou a necessidade de investimentos na formação e educação profissional em saúde para o apoio aos sobreviventes enlutados por suicídio (Daly et al., 2024). Estudos brasileiros sobre atitudes em relação ao comportamento suicida reforçam a existência de necessidades relacionadas com a formação de estudantes e profissionais no que diz respeito ao preparação, melhoria e gestão do cuidado a ser prestado (Vedana & Zanetti, 2019; Faria et al., 2022).
Em relação à subescala de importância, o fator resolução de problemas apresentou a média mais baixa. Apesar das perceções de importância sobre a resolução de problemas não terem recebido destaque significativo, é relevante salientar que a capacidade de resolução esperada no ensino da posvenção abrangeu várias dimensões, as quais foram representadas por diferentes fatores (INACSL Standards Committee et al., 2021b).
A partir da telessimulação, o participante experienciou uma relação entre a tomada de decisões e a resolução de problemas, de forma a fomentar o processo de ensino e aprendizagem esperado (Park et al., 2022). Um problema complexo pode ser solucionado a partir deste conjunto de fatores, os quais foram abordados no plano de simulação através da autonomia experienciada, do reconhecimento dos aspetos da atividade, do nível de conhecimento e das competências existentes, da oportunidade de avaliações sobre a vivência e do estabelecimento de objetivos de cuidado (INACSL Standards Committee et al., 2021b).
Em relação ao feedback e reflexão, os itens que compõem o fator apresentaram respostas de concordância total com mais de 80,0%. Este resultado demonstra que os participantes concordaram com a forma como as feedbaks e reflexões sobre a telessimulação foram realizadas, o que pode ser associado ao debriefing.
Um estudo com estudantes brasileiros, realizado para a validação do design de cenários simulados para o controlo de infeções, analisou o feedback e a reflexão, com resultados que também sublinham a importância do debriefing (Dias et al., 2022; Nascimento et al., 2020). O debriefing é considerado um dos pilares do EBS. Este momento é considerado potenciador para as discussões sobre os conhecimentos, habilidades e competências construídas em conjunto com os restantes participantes e facilitadores na simulação, especialmente quando realizado com base num modelo teórico (Dias et al., 2022; Nascimento et al., 2020).
Entre outros resultados, as associações identificadas demonstraram que os participantes que enfrentaram problemas de acesso à Internet apresentaram uma redução significativa nas médias do fator de resolução de problemas. Este resultado corrobora a compreensão de que, na telessimulação, a vivência do participante de forma efetiva em todas as etapas está interligada à utilização adequada de recursos tecnológicos. Assim, as barreiras experienciadas podem impactar o processo de ensino-aprendizagem, bem como a perceção do design (INACSL Standards Committee et al., 2021b; Yasser et al., 2023).
Na formação académica, os psicólogos apresentaram uma redução na média do fator de resolução de problemas. A telessimulação não foi destinada a uma única categoria profissional, portanto, as perceções estão sujeitas a influências relacionadas com a capacidade de resolução dos problemas apresentados a partir das competências e habilidades de cada profissão (Dantas et al., 2022; Ruckert et al., 2019).
O estudo também apresentou resultados relativos ao curso de formação. Apesar das estratégias discutidas na literatura científica em relação à posvenção (Ruckert et al., 2019) serem ainda escassas, poucas abordagens relacionam com os pilares do ensino, da investigação e da extensão neste tema, como foi realizado neste estudo. Assim, salienta-se que as avaliações positivas em relação ao curso reforçam um campo que pode ser explorado e que contou com o envolvimento dos participantes.
Espera-se que futuros estudos explorem a construção de novos conhecimentos sobre a posvenção, incluindo a sua avaliação. Entre as limitações, abordou-se as perceções dos participantes limitadas a uma vivência virtual. A abordagem transversal não permite um aprofundamento da temporalidade dos eventos. Além disso, a amostra foi selecionada por conveniência, o que limita a generalização dos dados.
Conclusão
A investigação compreendeu as perceções de estudantes e profissionais de saúde sobre os fatores relacionados com o design de um cenário de ensino baseado em telessimulação sobre a posvenção. O cenário reproduzido oferece uma oportunidade para a formação e capacitação em saúde, direcionada para a posvenção, abrangendo diferentes categorias profissionais e estudantes da área da saúde.
As perceções dos participantes reforçam a importância de fatores como realismo, feedback e reflexão na telessimulação. No entanto, aspetos como apoio e resolução de problemas revelaram barreiras que necessitam de ser aperfeiçoadas em estudos futuros. As associações identificadas sublinham a necessidade de um olhar mais atento para formações específicas relacionadas com a posvenção, bem como para a utilização da Internet em processos de telessimulação. A temática da posvenção revela-se promissora para futuras investigações, ensino e extensão, especialmente no desenvolvimento e avaliação de propostas inovadoras no ensino baseado em telessimulação, com enfoque nas perceções dos participantes.














