SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 número84Entre a guerra e as normas internacionais: os conflitos esquecidos da Eurásia pós-soviéticaA retórica da China de Xi propondo uma ordem mundial alternativa índice de autoresíndice de assuntosPesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Relações Internacionais (R:I)

versão impressa ISSN 1645-9199versão On-line ISSN 2183-0436

Relações Internacionais  no.84 Lisboa dez. 2024  Epub 30-Jul-2025

https://doi.org/10.23906/ri2024.84a05 

A ordem mundial em desordem: o regresso global da guerra e o fim da paz

Impasses e ambiguidades em Taiwan: a República da China (Taiwan), a República Popular da China e os Estados Unidos da América

Stalemates and ambiguities in Taiwan: the Republic of China (Taiwan), the People’s Republic of China, and the United States of America

Vasco Rato1 

1 Faculdade de Direito da Universidade Lusófona, Campo Grande, 376, 1749-024 Lisboa, Portugal | vasco.rato@ulusofona.pt


Resumo

Este artigo analisa as principais questões levantadas pela problemática em torno da unificação de Taiwan com a República Popular da China. Partindo de uma descrição do endurecimento da posição de Pequim relativamente ao independentismo na ilha, considera, depois, a deterioração das relações entre as autoridades comunistas e taiwanesas no seguimento da vitória eleitoral, em 2016, de Tsai Ing-wen. Neste quadro de crescente confronto, avalia-se, por último, a política chinesa da Administração Biden e o seu impacto na estabilidade regional.

Palavras-chave: política externa; reunificação; República Popular da China; Taiwan.

Abstract

The article sketches the main questions relative to Taiwan’s ‘reunification’ with the People’s Republic of China. Beginning with a description of Beijing’s increasingly assertive stance regarding the island’s independence, it then traces the deterioration of relations between Taiwanese and mainland authorities in the aftermath of Tsai Ing-wen’s 2016 electoral victory. Finally, in this context of growing confrontation, the article considers the Biden administration’s China policy and its impact on regional stability.

Keywords: foreign policy; reunification; People’s Republic of China; Taiwan.

Introdução

O surgimento da República Popular da China (RPC) como grande potência mundial transformou a carta geopolítica do Indo-Pacífico desenhada pelos Estados Unidos da América (EUA) nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. A emergência de uma nova arquitetura de segurança regional significa que, hoje, a «questão taiwanesa» se tornou ainda mais decisiva, pois, no limite, poderá despoletar um catastrófico confronto militar. Dir-se-á, portanto, que o destino de Taiwan depende das escolhas feitas em Washington, Pequim e Taipei, mas, também, das complexas dinâmicas geradas pelos relacionamentos bilaterais entre as três capitais.

Nos tempos mais recentes, em resultado dos sucessos eleitorais do Partido Democrático Progressista (PDP), a «reunificação pacífica» almejada pelo Partido Comunista da China (PCC) cada vez mais se afigura como uma miragem distante. Por essa razão, o endurecimento da postura de Pequim não deve ser visto como um mero artifício retórico, mas como uma resposta às vitórias de Tsai Ing-wen e de Lai Ching-te nas eleições presidenciais taiwanesas. Com efeito, temendo o independentismo - e a concomitante erosão do Consenso de 1992 e do princípio de «uma China única» -, a cúpula comunista deixou de vislumbrar um rumo claro para consumar a «reunificação» das duas Chinas. A força política do independentismo tem vindo a aumentar desde que Donald Trump, pouco depois de vencer as eleições de novembro de 2016, robusteceu o relacionamento com Taiwan, contribuindo, assim, para convencer Pequim de que Washington procura fazer descarrilar o processo de unificação.

Este artigo analisa as principais questões levantadas pela problemática da unificação - ou, na perspetiva de Pequim, da «reunificação» - da República da China (Taiwan) e da RPC. Partindo de uma descrição do endurecimento da posição de Pequim relativamente ao independentismo, considera, depois, a deterioração das relações entre as autoridades comunistas e taiwanesas no seguimento da vitória eleitoral, em 2016, de Tsai Ing-wen, candidata presidencial do PDP. Neste quadro de crescente confronto, avalia-se, por último, a política chinesa da Administração Biden e o seu impacto na estabilidade regional.

As linhas vermelhas do «sonho chinês»

Menos de um século depois de marinheiros portugueses terem avistado a Formosa, o general Zheng Chenggong (Koxinga), expulsou, em 1662, os holandeses da ilha, que, em 1885, se torna na vigésima província chinesa1. Conquistado pelo Japão em 1895, o arquipélago, por decisão das três potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, é entregue à República da China - liderada pelo Guomindang (KMT) de Chiang Kai-shek - quando as hostilidades cessam2. Terminada a guerra civil entre nacionalistas e comunistas e proclamada a RPC, em outubro de 1949, o KMT retira-se para Taiwan, onde, ao longo da Guerra Fria, continuará a defender a existência de «uma China única» territorialmente indivisível. Finalmente, em 1991, Taipei renuncia à «soberania» sobre a China continental, passando a reivindicar apenas a Formosa e as pequenas ilhas circundantes de Penghu, Kinmen e Matsu.

Instalado no poder em Pequim desde 1949, o PCC procurou, até 1979, «libertar» a ilha e unificar o país, recorrendo, caso fosse necessário, à força das armas, orientação modificada por Deng Xiaoping, quando, durante o 5.º Congresso Nacional do Povo, publica a «Mensagem aos Compatriotas em Taiwan» preconizando a reunificação pacífica3. Na sequência da 3.ª Sessão Plenária do 11.º Comité Central do PCC de 1978, Deng aclara o conceito de «um país, dois sistemas» a ser aplicado em Hong Kong e Macau e, depois, na Formosa, quando a ilha «regressar ao abraço da pátria»4. Posteriormente, em dezembro de 1982, o 5.º Congresso Nacional do Povo promulga a revisão da Constituição, que, no seu Preâmbulo, descreve Taiwan como «parte do território sagrado da República Popular da China», acrescentando que era o «dever inviolável de todos os chineses, incluindo os nossos compatriotas de Taiwan», de contribuir para «a grande tarefa de reunificar a pátria»5.

As linhas mestras da política traçada por Deng Xiaoping foram confirmadas por Jiang Zemin e, depois, por Hu Jintao6. Foram, também, clarificadas pela Lei Antissecessão, de março de 2005, cujo artigo 2 explicita que «a salvaguarda da soberania e da integridade territorial da China é uma obrigação comum de todo o povo chinês, incluindo os compatriotas de Taiwan», e, por isso, o PCC «jamais permitirá que as forças secessionistas que preconizam a “independência” façam com que Taiwan se separe da China sob qualquer nome ou por qualquer meio»7. O mesmíssimo espírito transparece na Lei de Segurança Nacional, de julho de 2015, que, em termos inequívocos, reitera a «obrigação» de os «compatriotas de Hong Kong, Macau e Taiwan» zelarem pela unidade do país8.

No seguimento da política de «reforma e abertura» levada a cabo por Deng Xiaoping, o KMT optou por estreitar as suas relações com a RPC, processo que culmina com o encontro de novembro de 2015 entre Xi Jinping e Ma Ying-jeou, o então Presidente da Formosa9. Com efeito, entre 1978 e 2021, o valor do comércio bilateral passou de uns meros 46 milhões de dólares para 328,34 bilhões de dólares, fazendo da RPC o primeiro destino do investimento e das exportações taiwanesas10. Taipei acreditava que a integração das fileiras de fornecimento e de produção dos dois países dissuadiria um ataque à ilha, pois as perdas, em caso de guerra, seriam colossais para as duas partes. Contudo, visto de Pequim, a interdependência não era um caminho para a paz; era - isso sim - uma oportunidade para colonizar a economia da ilha e, assim, assegurar a reunificação pacífica. Estes mesmos receios quanto à colonização levam o Movimento Girassol, largamente composto por estudantes, a opor-se, em 2014, ao acordo comercial que concedia à RPC larga influência no sector das telecomunicações, nos média e na política do arquipélago. Mais tarde, o movimento integra a coligação política e social que dá a vitória a Tsai Ing-wen, candidata presidencial do PDP em 201611.

Pouco depois do triunfo de Tsai, durante o 19.º Congresso do PCC, de outubro de 2017, Xi Jinping adverte que a RPC «levantou-se, enriqueceu e está a fortalecer-se» e anuncia o seu «Sonho Chinês» de rejuvenescimento nacional12. Insistia que a fórmula «um país, dois sistemas» se adequava à Formosa, pois era compaginável com o respeito pelas suas especificidades socioeconómicas. Mas, em caso de dúvida, avisa que «nunca permitiria que qualquer pessoa, qualquer organização, ou qualquer partido político, em qualquer momento ou de qualquer forma, separe qualquer parte do território da China»13. Passados dois anos sobre o 19.º Congresso, num discurso proferido a 2 de janeiro de 2019 para comemorar o quadragésimo aniversário da «Mensagem aos Compatriotas de Taiwan», Xi traça a sua política de «Cinco Pontos», deixando claro que recorreria ao uso da força para contrariar «a interferência de forças estrangeiras e de elementos do movimento pela independência de Taiwan»14. Ao mesmo tempo, realça que o princípio de «uma China única» não se prestava a múltiplas interpretações porque «há apenas uma China no mundo, Taiwan é parte da China, e o governo da RPC é o único governo legal que representa toda a China»15. Na posse de um terceiro mandato à frente do partido e do Estado, Xi, no decorrer do 20.º Congresso Nacional do PCC, de outubro de 2022, uma vez mais reitera que «a reunificação completa do nosso país tem de ser realizada, e pode, sem dúvida, ser realizada», razão por que a RPC «reserva todas as opções e tomará todas as medidas»16 para garantir esse mesmo desfecho.

Espelhando os desígnios do «Sonho Chinês», o «Livro Branco» da defesa nacional de 2019 configura uma resposta à viragem geopolítica da Administração Trump formalizada pela Estratégia de Segurança Nacional de dezembro de 2017, mais tarde confirmada pela Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, que caracteriza a RPC como um «concorrente estratégico» que «usa a sua economia predatória para intimidar os seus vizinhos ao mesmo tempo que militariza formações no Mar do Sul da China»17. Antecipando um sistema internacional «crescentemente multipolar, de paz, desenvolvimento e cooperaçãowin-win», o «Livro Branco», acusando os EUA de terem «provocado e intensificado a competição entre os principais países», concluiu pela necessidade de superar o «hegemonismo» americano assente na teia de alianças firmada por Washington depois da Segunda Guerra Mundial18. Neste quadro, o documento sublinhava que o «separatismo» evidenciado em Taiwan, no Tibete e em Xinjiang, impulsionado por «forças separatistas externas», representava a principal ameaça à «segurança nacional e à estabilidade social» e, portanto, «não renunciaremos ao uso da força e reservaremos a opção de tomar todas as medidas» para obstar o separatismo19. Impunha-se, por isso, realizar a reunificação do país, condiçãosine qua nonpara se cumprir o rejuvenescimento nacional. Com efeito, o documento deixa claro que o «Sonho Chinês» de Xi englobava um «sonho militar forte» e, para isso, Forças Armadas modernas eram indispensáveis para fazer cumprir o «rejuvenescimento nacional».

Estas linhas mestras são confirmadas em agosto de 2022 com a publicação de um novo «Livro Branco» sobre Taiwan - intitulado «A Questão de Taiwan e a Reunificação da China na Nova Era» -, cujo propósito era «demonstrar a determinação do PCC e do povo chinês» e «ajudar» o povo de Taiwan a «desenvolver uma melhor compreensão» da política de «um país, dois sistemas». Partindo da premissa de que «Taiwan pertence à China desde os tempos antigos» e que «todos os filhos e filhas da nação chinesa» aguardam a unificação, cabia ao PCC levar avante essa «missão histórica», obstaculizada pelas «autoridades de Taiwan, lideradas pelo PDP, que redobram os seus esforços para dividir o país» em conluio com «forças externas que tentam explorar Taiwan para conter a China, impedir que a nação chinesa alcance a reunificação completa e interromper o processo de rejuvenescimento nacional». Uma vez que as «autoridades do PDP» incentivam «ações provocadoras projetadas para dividir o país», não surpreende que «se recusam a reconhecer o princípio de “uma China única” e distorcem e negam o Consenso de 1992». Para todos os efeitos, Taipei «proclama uma nova teoria de dois estados» e mobiliza as suas forças militares com a intenção de obter a «independência». Eis uma intenção repleta de perigos pois a «reunificação nacional» é a única forma de «evitar o risco de Taiwan ser invadido e ocupado novamente por países estrangeiros, de frustrar as tentativas de forças externas de conter a China e de salvaguardar a soberania, a segurança e o desenvolvimento do nosso país»20.

Acreditando que as experiências de Hong Kong e Macau demonstram o sucesso da abordagem «um país, dois sistemas», Pequim conclui que a resistência à unificação se deve às «interpretações erradas» e aos «preconceitos» do PDP, formação empenhada em «difamar, distorcer e estigmatizar» a fórmula de modo a que possa «resistir à reunificação ou promover a independência»21. Componente fundamental do léxico político de Xi, o conceito de «desenvolvimento integrado» abria caminho à conquista de corações e mentes, assim superando os «preconceitos» e as «interpretações erradas» que obstaculizam a reunificação22. Todavia, para demonstrar os benefícios da reunificação, o «desenvolvimento integrado» exigia a cooperação plena do Governo de Taiwan, dificultada pelo PDP quando impede os governos locais de celebrarem acordos com a RPC23.

Nos anos mais recentes, à medida que a China se tornava mais assertiva, os taiwaneses, cientes de que o sistema democrático da ilha lhes proporciona uma identidade distinta, mostram-se crescentemente insensíveis à reunificação. Neste quadro de tensão, Pequim rompe o diálogo com Taipei quando Tsai Ing-wen conquista a presidência em 2016. Meses depois, Donald Trump aceita uma chamada telefónica da nova presidente, gesto invulgar que sinaliza a sua intenção de aprofundar a cooperação bilateral com a ilha. Embora o PDP defenda que as «duas Chinas» são entidades distintas, Tsai, no essencial, absteve-se de desafiar Pequim, preferindo, a bem da estabilidade, deixar em aberto o significado exato da sua formulação24. Mesmo assim, no Dia Nacional de 2021, esclareceu que «a República da China e a República Popular da China não devem ser subordinadas uma à outra», ou seja, as duas entidades eram efetivamente distintas25.

Independentismo ascendente

A aproximação da Administração Trump à Presidente Tsai Ing-wen induz Pequim a aprofundar as suas ligações com o Guomindang, que, no decorrer da campanha de 2024, se junta ao PCC para sugerir que um voto no PDP era, para todos os efeitos, equivalente a um voto a favor da guerra26. Neste quadro, Lai Chin-te, vice-presidente de Tsai Ing-wen e oriundo da fação soberanista Nova Onda do PDP, vence as eleições de 13 de janeiro de 2024, a primeira vez que um partido conquistava três mandatos presidenciais consecutivos27. A cúpula do PCC responde à nova realidade política durante as «Duas Sessões» de março de 2024, quando o ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi afirma que «quem se envolve em atividades procurando a independência de Taiwan será responsabilizado pela história e quem seja conivente e apoie a independência de Taiwan será queimado por brincar com fogo e provará o fruto amargo das suas ações»28. Após a votação, Xi encontra-se com Ma Ying-jeou no Grande Salão do Povo para enfatizar que os «compatriotas de ambos os lados do estreito de Taiwan pertencem à mesma nação chinesa» e, por isso, não «há nós que não possam ser desatados, questões que não possam ser discutidas e não há força que nos separe»29.

Mas a liderança do PDP não se mostrou disponível para ceder às pressões de Xi. No discurso de tomada de posse que profere a 20 de maio de 2024, Lai Ching-te descreve Taiwan como uma «nação soberana e independente» distinta da RPC, e, não menos relevante, salienta que nenhuma das partes se encontrava «subordinada» à outra30. Previsivelmente, as suas palavras são denunciadas pelos média chineses como um «flagrante manifesto de independência»31. Resistindo à intimidação, Lai contrapõe que, «de acordo com o direito internacional, já somos um país soberano e independente»32. Dir-se-á que concluiu que as ambiguidades em torno da soberania de Taiwan deixavam de fazer sentido porque «a ameaça da anexação de Taiwan não irá simplesmente desaparecer» enquanto a RPC equacionar o uso da força33.

Confrontada com a intransigência de Taipei, Pequim faz saber que «quanto mais extrema a provocação, mais severas as contramedidas»34 e ordena o exercício militar Joint Sword 2024A. Há anos que jatos da RPC regularmente violavam a Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan (ADIZ), mas, em agosto de 2022, aquando da deslocação de Nancy Pelosi a Taipei, a China enceta colossais manobras militares, e, desde então, tem conduzido operações de «zona cinzenta» que visam minar a prontidão de Taiwan35. Alegando pretender «fortalecer inspeções policiais», desencadeou exercícios aeronavais de grande complexidade perto do arquipélago de Kinmen - administrado por Taiwan próximo de Xiamen. Neste quadro, em fevereiro de 2024, ocorre um confronto entre a guarda costeira taiwanesa e uma embarcação da RPC que provoca a morte de dois cidadãos da República Popular, incidente que induz Pequim a robustecer as suas patrulhas de «aplicação da lei» nas águas em redor das ilhas Kinmen. Quebrou-se, assim, a norma que reconhecia que essas águas «proibidas» se encontravam interditas às embarcações chinesas. As pressões intensificam-se em 21 de junho, quando cinco agências chinesas anunciaram nova legislação - incluindo julgamentosin absentiae a pena de morte - destinada a punir «secessionistas taiwaneses» que «incitam o secessionismo»36. Por último, Pequim socorre-se de normas internacionais para subverter a soberania de Taiwan. Por exemplo, coincidindo com as eleições presidenciais de Taiwan de 2024, o Nauru invocou a Resolução 2758 das Nações Unidas para justificar o corte de relações diplomáticas com a ilha37. Estas e outras medidas sugerem que, aos olhos de Pequim, a eleição de Lai «não irá impedir a tendência inevitável no sentido da reunificação»38.

A ambiguidade americana

Confrontado com os sucessivos êxitos do PDP nas urnas, o PCC, porventura concluindo que as guerras em Gaza e na Ucrânia significavam que Washington pretendia evitar uma crise na Ásia, procurou que os Estados Unidos atenuassem as sensibilidades independentistas dos dirigentes taiwaneses39. A escassos meses das eleições que levariam Lai Ching-te à presidência, Biden e Xi encontram-se em São Francisco para trocar garantias quanto à manutenção dostatu quono estreito de Taiwan40. Visando tranquilizar Xi, Biden deixa claro que não almejava modificar a sua política de «uma China única» e reitera a sua oposição a «mudanças unilaterais dostatu quoregional»41. Xi, por sua vez, refuta a ideia de que a China tencionava invadir a ilha e solicita que Washington apoiasse a reunificação pacífica e, não menos importante, que desistisse de fornecer armas a Taiwan42.

Não é recente a preocupação americana com uma eventual invasão da Formosa43. Em 2021, o então chefe do Comando Indo-Pacífico dos EUA, Phil Davidson, disse que a ameaça de uma invasão nos seis anos seguintes, ou seja, até 2027, era «manifesta»44. Um ano depois, numbriefingao Armed Services Committee do Senado americano, a diretora de National Intelligence, Avril Haines, informava os congressistas que antecipava uma invasão até 203045. No mês seguinte, William J. Burns, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla inglesa) revelava que Xi Jinping instruíra o Exército de Libertação Popular a «estar pronto até 2027 para conduzir uma invasão bem-sucedida», acrescentando, porém, que «isso não significa que decidiu por uma invasão em 2027 ou em qualquer outro ano, mas indicia a seriedade do seu foco e da sua ambição»46. Semanas depois, pela voz do secretário adjunto da Defesa para os Assuntos de Segurança do Indo-Pacífico, Jedidiah Royal, a Administração Biden, procurando encerrar a discussão, esclarecia que uma invasão de Taiwan não era «nem iminente nem inevitável»47. Independentemente das declarações oficiais, não é possível excluir um eventual ataque anfíbio a Taiwan. Dado que essa opção acarreta elevado risco de despoletar sanções devastadoras ou, até, uma guerra com os EUA, a RPC prefere, muito naturalmente, absorver a ilha por meios pacíficos. Note-se que, por um lado, uma invasão requer o desembarque de um contingente suficientemente grande para derrotar a inevitável resistência taiwanesa, mas, por outro, se a China deixar intactas as forças dos EUA no Pacífico Ocidental, a frota invasora corre o risco de ser dizimada. Por isso, um primeiro ataque teria de ser esmagador, visando, também, os ativos dos EUA, do Japão e de outros aliados. Atendendo à gravidade deste cenário, há a tendência para desvalorizar a retórica bélica de Xi, pois julga-se que a China não irá incorrer no eventual custo imposto pela comunidade internacional em caso de invasão. Não obstante a racionalidade do argumento, a frouxa resposta dada pela comunidade internacional à «operação militar especial» desencadeada por Vladimir Putin na Ucrânia - e ao genocídio dos uigures em Xinjiang -, faz com que a conclusão pareça deveras precipitada. Desde logo, Taiwan, ao contrário da Ucrânia, não é um Estado na posse de direitos soberanos universalmente reconhecidos. Aliás, a maioria dos Estados aceita que Taiwan é território chinês e, portanto, entende que a «questão taiwanesa» é um assunto interno da RPC. Há outras razões que podem convencer a cúpula comunista a agir contra a ilha. Com efeito, a reunificação do país consolidaria o legado histórico de Xi Jinping, pois até Mao Zedong se revelou incapaz de alargar a soberania da RPC à Formosa48. As consequências negativas de curto prazo resultantes de uma invasão seriam, a longo prazo, ofuscadas pela restituição da honra nacional. Para um regime crescentemente dependente da mobilização do sentimento nacionalista o incentivo pode vir a ser decisivo.

Os danos de uma guerra total entre os EUA e a China envolvendo o uso de armas nucleares são, obviamente, incalculáveis. Mas mesmo uma investida convencional contra a ilha acarretaria consequências catastróficas para a economia mundial, porventura provocando uma queda de aproximadamente 10% do produto interno bruto (PIB) global49. A disrupção seria significativa porque Taiwan produz 63% dos semicondutores mundiais50. Acresce que o eventual domínio chinês do estreito de Taiwan obrigaria a uma alteração do tráfego marítimo e provocaria efeitos altamente disruptivos nas comunicações e no comércio do Japão. Dir-se-á, portanto, que dificilmente os EUA poderiam deixar de intervir, pois a não intervenção americana comprometeria, talvez de modo irremediável, a influência do país no Indo-Pacífico, uma vez que os seus aliados regionais jamais poderiam confiar nas suas garantias de segurança. Evidentemente, para Washington, a gestão da «questão de Taiwan» ocorre num quadro de rivalidade estratégica com Pequim pautada pelo Taiwan Relations Act de 1979. Pilar estruturante da política americana, a legislação salienta que os EUA «disponibilizarão a Taiwan tais artigos de defesa e serviços de defesa em quantidade necessária para permitir que Taiwan mantenha uma capacidade de autodefesa suficiente» e garante «a capacidade dos Estados Unidos de resistirem a qualquer uso da força ou outras formas de coerção que possam colocar em risco a segurança, ou o sistema social ou económico, do povo de Taiwan»51. Mas - criticamente - a legislação não prevê a defesa automática da ilha.

Reconhecendo que a RPC constitui a principal ameaça no Indo-Pacífico, a Casa Branca, nos últimos anos, tem reiterado que a sua política em relação a Taiwan permanece inalterada. Continua, portanto, a aderir à política de «uma China única» que, no essencial, visa manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan, ou seja, a preservação dostatu quoface a eventuais tentativas revisionistas vindas tanto de Pequim como de Taipei. Com o intuito de esclarecer a sua posição sobre Taiwan, a Estratégia de Segurança Nacional da Administração Biden, publicada em outubro de 2022, afirma que «opomo-nos a quaisquer mudanças unilaterais aostatu quopor uma das partes e não apoiamos a independência de Taiwan», acrescentando que«manteremos os nossos compromissos ao abrigo da Taiwan Relations Act para apoiar a autodefesa de Taiwan e para manter a nossa capacidade de resistir ao uso da força ou da coerção contra Taiwan»52.

De modo a preservar a credibilidade da «ambiguidade estratégica» americana, sucessivas administrações encorajaram Taiwan a desenvolver capacidades assimétricas de dissuasão53. Mesmo assim, ao longo das décadas, Taipei amarrou-se a uma política de defesa assente em meios aéreos e navais deveras vulneráveis a ataques. Todavia, mais recentemente, meios assimétricos foram adicionados às capacidades convencionais da ilha. Acresce que as despesas militares, que representavam 5% do PIB em 1993, diminuíram para 2% no início da década de 2000. Parcialmente resultante das pressões exercidas pela Administração Trump, a tendência inverteu-se a partir de 2017, e, no período entre 2019 e 2023, assistiu-se a um reforço traduzido em 2,5% do PIB, ligeiramente superior à meta estabelecida pela Aliança Atlântica na sua cimeira do País de Gales. Ciente da insuficiência da verba, em agosto de 2024 o Presidente Lai Ching-te anunciou que, em 2025, os gastos aumentariam 6%54. Esse reforço vem na sequência de um «plano de realinhamento» de forças que passa pelo alargamento do serviço militar obrigatório de quatro para doze meses55. Dito isto, a principal lacuna na defesa do arquipélago reside na vulnerabilidade das infraestruturas críticas, incluindo os sistemas de abastecimento de energia, internet, alimentos e água. Para dissuadir Pequim, e com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, Taipei terá de fazer mais e melhor.

Conclusão

Vista de Washington, a escalada de tensões no estreito de Taiwan deve-se, nas palavras do secretário de Estado Antony Blinken, ao facto de Xi Jinping ter concluído que o «statu quodeixou de ser aceitável» e à sua decisão de «acelerar o processo» de reunificação através do aumento da «pressão sobre Taiwan», incluindo o eventual «uso da força para atingir os seus objetivos»56. Pequim é, portanto, responsabilizada pela deterioração da segurança no estreito de Taiwan. Evidentemente, a narrativa não é partilhada por Pequim, que assaca as responsabilidades às autoridades americanas e taiwanesas, acusadas de se afastarem do princípio de «uma China única» depois de Tsai Ing-wen ter conquistado a presidência de Taiwan em 2016 e das afirmações de Lai Ching-te quanto à independência efetiva da ilha57. Pequim acredita que as declarações independentistas são secundadas por Washington.

Em dezembro de 2016, um mês depois de derrotar Hillary Clinton, Donald Trump aceitou uma chamada telefónica da Presidente Tsai Ing-wen, sinalizando, desse modo, uma nova abertura a Taipei que não poderia senão inquietar os dirigentes comunistas. Mais recentemente, durante a campanha eleitoral de 2024, o candidato Trump teceu um conjunto de considerações que intranquilizaram as autoridades taiwanesas. Referindo-se ao relacionamento bilateral com a ilha, disse que os Estados Unidos eram, para todos os efeitos, «uma companhia de seguros», pois Taiwan «não nos dá nada»58. É certo que a retórica e a práxis de Trump nem sempre coincidem, mas, mesmo assim, a sua abordagem transacional em política externa não deixa de provocar profunda apreensão em Taipei59.

Bibliografia

«A POLICY OF “one country, two systems” on Taiwan». Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/wjls/3604_665547/202405/t20240531_11367561.html. [ Links ]

«BEIJING SAYS “reunification” with Taiwan remains “inevitable” after China sceptic Lai Ching-te wins 2024 election». Hong Kong Free Press. 14 de janeiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://hongkongfp.com/2024/01/14/beijing-says-reunification-with-taiwan-remains-inevitable-after-china-sceptic-lai-ching-te-wins-2024-election/. [ Links ]

BROMLEY, Hugo; FREYMANN, Eyck - «On day one: an economic contingency plan for a Taiwan crisis». InCGSP Occasional Paper Series. N.º 4, julho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.hoover.org/sites/default/files/research/docs/BromleyFreymann_OnDayOne_web_240621.pdf. [ Links ]

BROWN, Kerry -The Taiwan Story: How a Small Island Will Dictate the Global Future. Londres: Penguin Books, 2024. [ Links ]

CAMPBELL, Charlie - «Read the Transcript of TIME’s Exclusive Interview with Taiwan President Lai Ching-te». InTime. 13 de junho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://time.com/6985706/taiwan-president-lai-ching-te-interview-full-transcript/. [ Links ]

CHANG-LIAO, Nien-chung; FANG, Chi - «The case for maintaining strategic ambiguity in the Taiwan strait». InThe Washington Quarterly. Vol. 44, N.º 2, 2021, pp. 45-60. [ Links ]

«CHINA FOCUS: China issues judicial guidelines on imposing criminal punishment on diehard “Taiwan independence” separatists». Xinhua. 21 de junho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.news.cn/20240621/eb1b1b72aa394c459956c2efa070b673/c.html. [ Links ]

CONSTITUIÇÃO DA RPC. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.www.gov.cn/archive/lawsregulations/201911/20/content_WS5ed8856ec6d0b3f0e9499913.html. [ Links ]

CUNHA, Luís -Taiwan: Paz e Guerra na Ásia. Lisboa: Edições 70, 2024. [ Links ]

DAVIDSON, Helen - «Trump says Taiwan should pay the us for its defence as “it doesn’t give us anything”». InThe Guardian. 17 de julho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/article/2024/jul/17/donald-trump-taiwan-pay-us-defence-china-national-convention. [ Links ]

DEPARTMENT OF DEFENSE -Summary of the 2018 National Defense Strategy of the United States of America, Sharpening the American Military’s Competitive Edge. Janeiro de 2018, p. 1. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://dod.defense.gov/portals/1/documents/pubs/2018-national-defense-strategy-summary.pdf. [ Links ]

DOTSON, Jon - «Taiwan’s “Military Force Restructuring Plan” and the extension of conscripted military service». InGlobal Taiwan Brief. Vol. 8, N.º 3, 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://globaltaiwan.org/2023/02/taiwan-military-force-restructuring-plan-and-the-extension-of-conscripted-military-service/. [ Links ]

DOTSON; John; HARMAN, Jonathan - «The pla’s inauguration gift to President Lai: the Joint Sword 2024 A Exercise». InGlobal Taiwan Brief. Vol. 9, N.º 12, 2024, pp. 7-10. [ Links ]

«FULL TEXT: China’s National Defense in the New Era». The State Council of the People’s Republic of China. 24 de julho de 2019. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.www.gov.cn/archive/whitepaper/201907/24/content_WS5d3941ddc6d08408f502283d.html. [ Links ]

GLASER, Bonnie S.; MEDEIROS, Evan S. - «The changing ecology of foreign policy-making in China: the ascension and demise of the theory of “Peaceful Rise”». InThe China Quarterly. N.º 190, 2007, pp. 291-310. [ Links ]

«LAI-STYLE TAIWAN independence agenda is a dead-end». InGlobal Times. 21 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.globaltimes.cn/page/202405/1312690.shtml. [ Links ]

LEE, Sze-Fung - «Decoding Beijing’s gray zone tactics: China Coast Guard activities and the redefinition of conflict in the Taiwan strait». InGlobal Taiwan Brief . Vol. 9, N.º 6, 2024, pp. 6-9. [ Links ]

HE, Xuan - «Change in Taiwan policy under Xi Jinping administration: an internalized policy-making process». InJournal of Contemporary East Asia Studies. Vol. 9, N.º 2, 2020, pp. 144-156. [ Links ]

«HEARING TO receive testimony on worldwide threats». Committee on Armed Services, United States Senate. 10 de maio de 2022, p. 83. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://nsarchive. gwu.edu/sites/default/files/documents/rkbxys-u0i0a/038-Senate-Hearings-on-worldwide-threat-Haines-and-Berrier-22-40-05-10-2022-May-10%2C-2022.pdf. [ Links ]

HEER, Paul - «What the Ukraine War, Taiwan, and Gaza have in common». TheNational Interest. 20 de fevereiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://nationalinterest.org/feature/what-ukraine-war-taiwan-and-gaza-have-common-209538. [ Links ]

HSIAO, Russell - «The DPP’s 2024 presidential candidate-in-waiting: William Lai». InJamestown Foundation China Brief. Vol. 23, N.º 4, 3 de março de 2023, pp. 6-11. [ Links ]

«Just what is Xi Jinping’s “Chinese dream” and “Chinese renaissance”?». InSouth China Morning Post. 6 de fevereiro de 2013. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.scmp.com/news/china/article/1143954/just-what-xi-jinpings-chinese-dream-and-chinese-renaissance. [ Links ]

HUGHES, Christopher R. -Chinese Nationalism in the Global Era. Abingdon: Routledge, 2006. [ Links ]

«INAUGURAL ADDRESS of ROC 16th-term President Lai Ching-te». Office of the President of the Republic of China (Taiwan). 20 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.president.gov.tw/News/6726. [ Links ]

INFORMATION OFFICE OF THE STATE COUNCIL, PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA -China’s Peaceful Development. Setembro de 2011. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em:http://english.gov.cn/official/2011-09/06/content_1941354.html. [ Links ]

JASH, Amrita - «At the 2024 “Two Sessions” in Beijing, China talks tough on Taiwan». InGlobal Taiwan Brief . Vol. 9, N.º 6, 2024, p. 4. [ Links ]

JINPING, Xi - «Achieving rejuvenation is the dream of the Chinese people». 12 de novembro de 2012. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.neac.gov.cn/seac/c103372/202201/1156514.shtml. [ Links ]

JINPING, Xi - «Secure a decisive victory in building a moderately prosperous society in all respects and strive for the great success of socialism with Chinese characteristics for a new era». 19th National Congress of the Communist Party of China. 18 de outubro de 2017. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.chinadaily.com.cn/china/19thcpcnationalcongress/2017-11/04/content_34115212.html. [ Links ]

JINPING, Xi - «Strive for China’s national rejuvenation and peaceful reunification». 2 de janeiro de 2019. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://en.npc.gov.cn.cdurl.cn/2021-12/30/c_695151.html. [ Links ]

JINTAO, Hu - «Let us join hands to promote the peaceful development of cross-straits relations and strive with a united resolve for the great rejuvenation of the Chinese nation». InCSIS Interpret: China. 2009. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://interpret.csis.org/translations/let-us-join-hands-to-promote-the- peaceful-development-of-cross-straits-relations-and-strive-with-a-united-resolve-for-the-great-rejuvenation-of-the-chinese-nation-speech-at-the-forum-marking-t/. [ Links ]

KHAN, Sulmaan Wasif -The Struggle for Taiwan: A History. Londres: Allen Lane, 2024. [ Links ]

«LAI’S RISKY gamble with “Taiwan independence”». Xinhua. 21 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.news.cn/20240521/7903d9b3036d4a77949f315141021ff5/c.html. [ Links ]

LEE, Nee - «2 charts show how much the world depends on Taiwan for semiconductors». CNBC. 15 de março de 2022. Disponível em: https://www.cnbc.com/2021/03/16/2-charts-show-how-much-the-world-depends-on-taiwan-for-semi-conductors.html. [ Links ]

LIU, Mingyue - «From “strategic ambiguity” toward “strategic clarity”: U.S. Taiwan policy under Biden Presidency». InAcademic Journal of Management and Social Sciences. Vol. 3, N.º 1, 2023, pp. 1-3. [ Links ]

MILLER, Chris -Chip War: The Fight for the World’s Most Critical Technology. Nova Iorque: Scribner, 2022. [ Links ]

NATIONAL PEOPLE’S CONGRESS - «Anti-Secession Law, Adopted at the Third Session of the Tenth National People’s Congress on March 14, 2005». Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.europarl.europa.eu/meetdocs/2004_2009/documents/fd/dcn2005042601/dcn2005042601en.pdf. [ Links ]

«NATIONAL SECURITY Law of the People’s Republic of China». China Law Translate. 2015. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.chinalawtranslate.com/en/2015nsl/. [ Links ]

NATIONAL SECURITY Strategy. The White House. Outubro de 2022, p. 24. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2022/10/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf. [ Links ]

NATIONAL SECURITY Strategy of the United States of America. The White House. Dezembro de 2017. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://history.defense.gov/Portals/70/Documents/nss/NSS2017.pdf?ver=CnFwURrw09pJ0q5EogFpwg%3d%3d. [ Links ]

PANTSOV, Alexander V. -Victorious in Defeat: The Life and Times of Chiang Kai-shek, China, 1887-1975 .New Haven: Yale University Press, 2023. [ Links ]

PEI-JU, Teng - «Taiwan planning 6% increase in defense spending in 2025». InFocus Taiwan. 8 de julho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://focustaiwan.tw/politics/202408070009. [ Links ]

PHILLIPS, Tom - «Historic meeting of Chinese and Taiwanese Presidents prompts hope and suspicion». InThe Guardian. 4 de novembro de 2015. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2015/nov/04/historic-meeting-chinese-taiwanese-presidents-hope-suspicion. [ Links ]

PINSKER, Roy - «Drawing a line in the Taiwan strait: «strategic ambiguity” and its discontents». InAustralian Journal of International Affairs. Vol. 57, N.º 2, 2003, pp. 353-368. [ Links ]

«PRESIDENT XI Jinping Meets with U.S. President Joe Biden». Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China. 16 de novembro de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/jj/xjpfmgjxzmyshwtscxapec/202311/t20231116_11181442.html. [ Links ]

«PRESIDENTE TSAI delivers 2021 National Day Address». 10 de outubro de 2021. Office of the President of the Republic of China (Taiwan). Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.president.gov.tw/News/6175. [ Links ]

«PROVOKE ONCE, counter once; the greater the provocation, the stronger the countermeasure». InGlobal Times. 22 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.globaltimes.cn/page/202405/1312768.shtml. [ Links ]

RATO, Vasco -De Mao a Xi: O Ressurgimento da China. Lisboa: Alêtheia Editores, 2020. [ Links ]

RATO, Vasco - «Rutura consumada: a política chinesa de Biden». InRelações Internacionais. N.º 71, setembro de 2021, pp. 31-50. [ Links ]

RATO, Vasco - «A relação impossível: a América de Biden e a China de Xi». InNação e Defesa. N.º 166, dezembro de 2023, pp. 117-141. [ Links ]

«READOUT OF President Joe Biden’s meeting with President Xi Jinping of the People’s Republic of China». The White House. 5 de novembro de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/11/15/readout-of-president-joe-bidens-meeting-with-president-xi-jinping-of-the-peoples-republic-of-china-2/. [ Links ]

ROBERTSON, Noah - «How DC became obsessed with a potential 2027 Chinese invasion of Taiwan». InDefense News. 7 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.defensenews.com/pentagon/2024/05/07/how-dc-became-obsessed-with-a-potential-2027-chinese-invasion-of-taiwan/. [ Links ]

ROQUE, Ashley - «Not “inevitable” that China invades Taiwan, but us needs to help prepare cross-strait fight: officials». Breaking Defense. 18 de abril de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://breakingdefense.com/2023/04/not-inevitable-that-china-invades-taiwan-but-us-needs-to-help-prepare-cross-strait-fight-officials/. [ Links ]

ROWEN, Ian - «Inside Taiwan’s Sunflower Movement: twenty-four days in a student-occupied parliament, and the future of the region». InThe Journal of Asian Studies. Vol. 75, N.º 1, 2015, pp. 5-21. [ Links ]

RUBINSTEIN, Murray A., ed. -Taiwan: A New History .Nova Iorque: Armonk, 1999. [ Links ]

SACKS, David - «Taiwan’s latest defense budget risks falling further behind China». Council on Foreign Relations. 9 de agosto de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.cfr.org/blog/taiwans-latest-defense-budget-risks-falling-further-behind-china. [ Links ]

SACKS, David - «Would Trump abandon Taiwan?». East Asia Forum. 14 de outubro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://eastasiaforum.org/2024/10/14/would-trump-abandon-taiwan/. [ Links ]

SARIC, Ivana - «CIA director: China has doubts whether it could accomplish invasion of Taiwan». Axios. 26 de fevereiro de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.axios.com/2023/02/26/cia-director-china-doubts-invasion-taiwan. [ Links ]

«SECRETARY ANTONY J. Blinken with Peggy Collins of Bloomberg News». U.S. Department of State. 26 de outubro de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.state.gov/secretary-antony-j-blinken-with-peggy-collins-of-bloomberg-news/. [ Links ]

SHELBOURNE, Mallory - «Davidson: China could try to take control of Taiwan in “next six years”». InUSNI News. 9 de março de 2021. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://news.usni.org/2021/03/09/davidson-china-could-try-to-take-control-of-taiwan-in-next-six-years. [ Links ]

SHERIDAN, Michael -The Red Emperor: Xi Jinping and His New China. Londres: Headline, 2025. [ Links ]

SOONG, Claus - «What a Trump re-election would mean for Taiwan». MERICS. 1 de novembro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://merics.org/en/comment/what-trump-re-election-would-mean-taiwan. [ Links ]

«TAIWAN IS already independent: Lai». InTaipei Times. 16 de agosto de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.taipeitimes.com/News/front/archives/2023/08/16/2003804803. [ Links ]

TAYLOR, Jay -The Generalissimo: Chiang Kai-shek and the Struggle for Modern China. Cambridge: Belknap Press of Harvard University Press, 2009. [ Links ]

«THE TAIWAN question and China’s reunification in the new era». Embassy of the People’s Republic of China in the United States of America. Agosto de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em:http://us.china-embassy.gov.cn/eng/zgyw/202208/t20220810_10740168.htm. [ Links ]

TOMÉ, Luís - «A grande estratégia da China de Xi Jinping: objetivos, poder nacional abrangente e políticas». InRelações Internacionais . N.º 71, setembro de 2021, pp. 105-134. [ Links ]

TOMÉ, Luís - «Trump2, China e Ásia/Indo-Pacífico: continuidades e descontinuidades». InIDN Brief. Dezembro de 2024, pp. 5-7. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.idn.gov.pt/pt/publicacoes/idnbrief/Paginas/IDN-Brief-dezembro-2024.aspx. [ Links ]

«TRANSCRIPT: PRESIDENT Xi Jinping’s report to China’s 2022 party congress». InNikkei Asia. 18 de outubro de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://asia.nikkei.com/Politics/China-s-party-congress/Transcript-President-Xi-Jinping-s-report-to-China-s-2022-party-congress. [ Links ]

TSANG, Steve; CHEUNG, Olivia -The Political Thought of Xi Jinping. Oxford: Oxford University Press, 2024. [ Links ]

TSO, Chen-Dong - «Rising to the challenge: Taiwan’s response to a new era China». InINSS (Institute for National Strategic Studies National Defense University) Working Paper. Taiwan. Abril de 2024, p. 3. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://inss.ndu.edu/Portals/82/Documents/working-papers/Rising-to-the-Challenge-Taiwan-New-Era-China_Working-Paper.pdf?ver=maH PbB0IdWy1Yw2BKLW5iA%3D%3D. [ Links ]

US CONGRESS - «Taiwan Relations Act». 10 de abril de 1979. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.congress.gov/96/statute/STATUTE-93/STATUTE-93-Pg14.pdf. [ Links ]

WAGNER, Andrew - «Innovating strategic ambiguity: empowering Taiwan’s defense amid a persistent threat from China». InJournal of Indo-Pacific Affairs. Vol. 6, N.º 5, 2023, pp. 166-174. [ Links ]

WELCH, Jennifer; LEONARD, Jenny; COUSIN, Maeva; DIPIPPO, Gerard; ORLIK, Tom - «Xi, Biden and the $10 trillion cost of war over Taiwan». Bloomberg. 8 de janeiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.bloomberg.com/news/features/2024-01-09/if-china-invades-taiwan-it-would-cost-world-economy-10-trillion. [ Links ]

WONG, Chun Han -Party of One: The Rise of Xi Jinping and China’s Superpower Future .Nova Iorque: Simon & Schuster, 2023. [ Links ]

WONG, Tessa - «Taiwan election: Kuomintang party asks voters to choose between war and peace». BBC. 8 de janeiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-asia-67909071. [ Links ]

«XI FOCUS: Xi Jinping meets Ma Ying-jeou in Beijing». Xinhua. 10 de abril de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.news.cn/20240410/5e3ee9f99f9a4b8985568b336c087321/c.html. [ Links ]

XIAO, Bang - «Why Taiwan is so important to Chinese President Xi Jinping?». InABC News. 23 de agosto de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.abc.net.au/news/2022-08-24/analysis-taiwan-and-xi-jin-ping/101339406. [ Links ]

ZEMIN, Jiang - «Continue to promote the “reunification” of the motherland». InCSIS Interpret: China. 1995. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://interpret.csis.org/translations/continue-to-promote-the-reunification-of-the-motherland/. [ Links ]

ZHILIANG, Wu - «Sucesso da prática do princípio “Um país, dois sistemas” e sua inspiração na Região Administrativa Especial de Hong Kong e na Região Administrativa Especial de Macau». InAdministração. Vol. XXXII, N.º 126, 2019, pp. 119-136. [ Links ]

Notas

1Sobre a história de Taiwan, ver,inter alia, KHAN, Sulmaan Wasif -The Struggle for Taiwan: A History. Londres: Allen Lane, 2024; BROWN, Kerry -The Taiwan Story: How a Small Island Will Dictate the Global Future. Londres: Penguin Books, 2024; CUNHA, Luís -Taiwan: Paz e Guerra na Ásia. Lisboa: Edições 70, 2024; RUBINSTEIN, Murray A., ed. -Taiwan: A New History.Nova Iorque: Armonk, 1999. Sobre a RPC de Xi Jinping, ver SHERIDAN, Michael -The Red Emperor: Xi Jinping and His New China. Londres: Headline, 2025; TSANG, Steve; CHEUNG, Olivia -The Political Thought of Xi Jinping. Oxford: Oxford University Press, 2024; WONG, Chun Han -Party of One: The Rise of Xi Jinping and China’s Superpower Future.Nova Iorque: Simon & Schuster, 2023; RATO, Vasco -De Mao a Xi: O Ressurgimento da China. Lisboa: Alêtheia Editores, 2020.

2A decisão foi tomada na Conferência do Cairo, realizada entre os dias 22 e 26 de novembro de 1943. Sobre Chiang Kai-shek, ver TAYLOR, Jay -The Generalissimo: Chiang Kai-shek and the Struggle for Modern China(Cambridge: Belknap Press of Harvard University Press, 2009), e PANTSOV, Alexander V. -Victorious in Defeat: The Life and Times of Chiang Kai-shek, China, 1887-1975(New Haven: Yale University Press, 2023).

3O texto completo da «Mensagem aos Compatriotas de Taiwan», publicado a 1 de janeiro de 1979, está disponível em: http://www.china.org.cn/english/taiwan/7943.htm (consultado em: 1 de setembro de 2024). Sobre a estratégia chinesa de «surgimento pacífico», ver,inter alia, GLASER, Bonnie S.; MEDEIROS, Evan S. - «The changing ecology of foreign policy-making in China: the ascension and demise of the theory of “Peaceful Rise”» (inThe China Quarterly. N.º 190, 2007, pp. 291-310), e HUGHES, Christopher R. -Chinese Nationalism in the Global Era(Abingdon: Routledge, 2006). A perspetiva oficial da RPC pode ser encontrada em: information office of the state council, people’s republic of china -China’s Peaceful Development (setembro de 2011. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em:http://english.gov.cn/official/2011-09/06/content_1941354.htm).

4 ZHILIANG, Wu - «Sucesso da prática do princípio “Um país, dois sistemas” e sua inspiração na Região Administrativa Especial de Hong Kong e na Região Administrativa Especial de Macau». InAdministração. Vol. XXXII, N.º 126, 2019, pp. 119-136; «A policy of “one country, two systems” on Taiwan». Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/wjls/3604_665547/202405/ t20240531_11367561.html. Salvo indicação em contrário, todas as citações são traduções livres do autor.

5CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.www.gov.cn/archive/lawsregulations/201911/20/content_WS5ed8856e- c6d0b3f0e9499913.html.

6No dia 30 de janeiro de 1995, Jiang Zemin proferiu o discurso «Continue to promote the “reunification” of the motherland», articulando a sua interpretação do conceito «um país, dois sistemas» e uma proposta de oito pontos preconizando a melhoria das relações entre a RPC e a República da China de modo a acelerar o processo de reunificação pacífica. Ver, ZEMIN, Jiang - «Continue to promote the “reunification” of the motherland». InCSIS Interpret: China. 1995. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://interpret.csis.org/translations/continue-to-promote-the-reunification-of-the-motherland/. Em 2009, nos 30 anos da «Mensagem aos Compatriotas de Taiwan», Hu expressou a sua visão da reunificação pacífica. Ver JINTAO, Hu - «Let us join hands to promote the peaceful development of cross-straits relations and strive with a united resolve for the great rejuvenation of the Chinese nation». InCSIS Interpret: China. 2009. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://interpret.csis.org/translations/let-us-join-hands-to-promote-the-peaceful-development-of-cross-straits-relations-and-strive-with-a-united-resolve-for-the-great-rejuvenation-of-the-chinese-nation-speech-at-the-forum-marking-t/.

7NATIONAL PEOPLE’S CONGRESS - «Anti-Secession Law, Adopted at the Third Session of the Tenth National People’s Congress on March 14, 2005». Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.europarl.europa.eu/meetdocs/2004_2009/documents/fd/dcn2005042601/dcn2005042601en.pdf.

8«NATIONAL SECURITY Law of the People’s Republic of China». China Law Translate. 2015. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.chinalawtranslate.com/en/2015nsl/.

9PHILLIPS, Tom - «Historic meeting of Chinese and Taiwanese Presidents prompts hope and suspicion». InThe Guardian. 4 de novembro de 2015. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2015/nov/04/historic-meeting-chinese-taiwanese-presidents-hope-suspicion.

10«THE TAIWAN question and China’s reunification in the new era». Embassy of the People’s Republic of China in the United States of America. Agosto de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em:http://us.china-embassy.gov.cn/eng/zgyw/202208/t20220810_10740168.htm.

11ROWEN, Ian - «Inside Taiwan’s Sunflower Movement: twenty-four days in a student-occupied parliament, and the future of the region». InThe Journal of Asian Studies. Vol. 75, N.º 1, 2015, pp. 5-21.

12JINPING, Xi - «Secure a decisive victory in building a moderately prosperous society in all respects and strive for the great success of socialism with Chinese characteristics for a new era». 19th National Congress of the Communist Party of China. 18 de outubro de 2017. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.chinadaily.com.cn/china/19thcpcnationalcongress/2017-11/04/content_34115212.htm. Xi Jinping esclarece o significado do conceito durante a sua visita à exposição Caminho para o Rejuvenescimento, no Museu Nacional da China, onde afirma que «o renascimento da nação chinesa é o maior sonho da nação chinesa na história moderna». Ver JINPING, Xi - «Achieving rejuvenation is the dream of the Chinese people» (12 de novembro de 2012. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.neac.gov.cn/seac/c103372/202201/1156514.shtml), e HUANG, Cary - «Just what is Xi Jinping’s “Chinese dream” and “Chinese renaissance”?» (in South China Morning Post. 6 de fevereiro de 2013. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.scmp.com/news/china/article/1143954/just-what-xi-jinpings-chinese-dream-and-chinese-renaissance).

13JINPING, Xi - «Secure a decisive victory in building a moderately prosperous society in all respects and strive for the great success of socialism with Chinese characteristics for a new era».

14Para o discurso comemorativo dos 40 anos da «Mensagem aos Compatriotas de Taiwan», ver JINPING, Xi - «Strive for China’s national rejuvenation and peaceful reunification». 2 de janeiro de 2019. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: http://en.npc.gov.cn.cdurl.cn/2021-12/30/c_695151.htm.

15«A policy of “one country, two systems” on Taiwan».

16«TRANSCRIPT: PRESIDENT Xi Jinping’s report to China’s 2022 party congress». In Nikkei Asia. 18 de outubro de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://asia.nikkei.com/Politics/China-s-party-congress/Transcript-President-Xi-Jinping-s-report-to-China-s-2022-party-congress.

17DEPARTMENT OF DEFENSE - Summary of the 2018 National Defense Strategy of the United States of America, Sharpening the American Military’s Competitive Edge. Janeiro de 2018, p. 1. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://dod.defense.gov/portals/1/documents/ pubs/2018-national-defense-strategy-summary.pdf. Ver, também, NATIONAL SECURITY Strategy of the United States of America. The White House. Dezembro de 2017. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://history.defense.gov/Portals/70/Documents/nss/NSS2017.pdf?ver=CnFwURrw09pJ0q5Eog Fpwg%3d%3d.

18«FULL TEXT: China’s National Defense in the New Era». The State Council of the People’s Republic of China. 24 de julho de 2019. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.www.gov.cn/archive/whitepaper/201907/24/content_WS5d3941ddc6d08408f502283d.html.

19Ibidem.

20«THE TAIWAN question and China’s reunification in the new era».

21Ibidem.

22TOMÉ, Luís - «A grande estratégia da China de Xi Jinping: objetivos, poder nacional abrangente e políticas». InRelações Internacionais. N.º 71, setembro de 2021, pp. 105-134.

23HE, Xuan - «Change in Taiwan policy under Xi Jinping administration: an internalized policy-making process». InJournal of Contemporary East Asia Studies. Vol. 9, N.º 2, 2020, pp. 144-156.

24TSO, Chen-Dong - «Rising to the challenge: Taiwan’s response to a new era China». InINSS (Institute for National Strategic Studies National Defense University) Working Paper. Taiwan. Abril de 2024, p. 3. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://inss.ndu.edu/Portals/82/Documents/working-papers/Rising-to-the-Challenge-Taiwan-New-Era-China_Working-Paper.pdf?ver=maH PbB0IdWy1Yw2BKLW5iA%3D%3D.

25«PRESIDENTE TSAI delivers 2021 National Day Address». 10 de outubro de 2021. Office of the President of the Republic of China (Taiwan). Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.president.gov.tw/News/6175.

26WONG, Tessa - «Taiwan election: Kuomintang party asks voters to choose between war and peace». BBC. 8 de janeiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-asia-67909071.

27Ver HSIAO, Russell - «The DPP’s 2024 presidential candidate-in-waiting: William Lai». InJamestown Foundation China Brief. Vol. 23, N.º 4, 3 de março de 2023, pp. 6-11.

28JASH, Amrita - «At the 2024 “Two Sessions” in Beijing, China talks tough on Taiwan». InGlobal Taiwan Brief. Vol. 9, N.º 6, 2024, p. 4.

29«XI FOCUS: Xi Jinping meets Ma Yingjeou in Beijing». Xinhua. 10 de abril de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.news.cn/20240410/5e3ee9f99f9a4b8985568b33 6c087321/c.html.

30«INAUGURAL ADDRESS of ROC 16th-term President Lai Ching-te». Office of the President of the Republic of China (Taiwan). 20 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.president.gov.tw/News/6726.

31Ver, por exemplo, «LAI-STYLE TAIWAN independence agenda is a dead-end» (inGlobal Times. 21 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.globaltimes.cn/page/202405/1312690.shtml), e «LAI’S RISKY gamble with “Taiwan independence”» (Xinhua. 21 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.news.cn/20240521/7903d9b3036d4a77949f315141021ff5/c.html).

32CAMPBELL, Charlie - «Read the Tran script of TIME’s Exclusive Interview with Taiwan President Lai Ching-te». In Time. 13 de junho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://time.com/6985706/taiwan-president-lai-ching-te-interview-full-transcript/.

33«INAUGURAL ADDRESS of ROC 16th term President Lai Ching-te».

34«PROVOKE ONCE, counter once; the greater the provocation, the stronger the countermeasure». InGlobal Times. 22 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www. globaltimes.cn/page/202405/1312768.shtml; DOTSON; John; HARMAN, Jonathan - «The pla’s inauguration gift to President Lai: the Joint Sword 2024A Exercise». InGlobal Taiwan Brief. Vol. 9, N.º 12, 2024, pp. 7-10.

35LEE, Sze-Fung - «Decoding Beijing’s gray zone tactics: China Coast Guard activities and the redefinition of conflict in the Taiwan strait». InGlobal Taiwan Brief. Vol. 9, N.º 6, 2024, pp. 6-9.

36«CHINA FOCUS: China issues judicial guidelines on imposing criminal punishment on diehard “Taiwan independence” separatists». Xinhua. 21 de junho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://english.news.cn/20240621/eb1b1b72aa394c459956c2efa070b673/c.html.

37«THE TAIWAN question and China’s reunification in the new era».

38«BEIJING SAYS “reunification” with Taiwan remains “inevitable” after China sceptic Lai Ching-te wins 2024 election». Hong Kong Free Press. 14 de janeiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://hongkongfp.com/2024/01/14/beijing-says-reunification-with-taiwan-remains-inevitable-after-china-sceptic-lai-ching-te-wins-2024-election/.

39HEER, Paul - «What the Ukraine War, Taiwan, and Gaza have in common». TheNational Interest. 20 de fevereiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://nationalinterest.org/feature/what-ukraine-war-taiwan-and-gaza-have-common-209538.

40Sobre as relações entre os EUA e a RPC durante a Administração Biden, ver RATO, Vasco - «A relação impossível: a América de Biden e a China de Xi» (inNação e Defesa. N.º 166, dezembro de 2023, pp. 117-141), e RATO, Vasco - «Rutura consumada: a política chinesa de Biden» (inRelações Internacionais. N.º 71, setembro de 2021, pp. 31-50).

41«READOUT OF President Joe Biden’s meeting with President Xi Jinping of the People’s Republic of China». The White House. 5 de novembro de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/11/15/readout-of-president-joe-bidens-meeting-with-president-xi-jinping-of-the-peoples-republic-of-china-2/.

42«PRESIDENT XI Jinping meets with U.S. President Joe Biden». Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China. 16 de novembro de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/jj/xjpfmgjxzmyshwtscxapec/202311/t20231116_11181442.html.

43ROBERTSON, Noah - «How DC became obsessed with a potential 2027 Chinese invasion of Taiwan». InDefense News. 7 de maio de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.defensenews.com/pentagon/2024/05/07/how-dc-became-obsessed-with-a-potential-2027-chinese-invasion-of-taiwan/.

44SHELBOURNE, Mallory - «Davidson: China could try to take control of Taiwan in “next six years”». InUSNI News. 9 de março de 2021. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://news.usni.org/2021/03/09/davidson-china-could-try-to-take-control-of-taiwan-in-next-six-years.

45«HEARING TO receive testimony on worldwide threats». Committee on Armed Services, United States Senate. 10 de maio de 2022, p. 83. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://nsarchive.gwu.edu/sites/default/files/documents/rkbxys-u0i0a/038-Senate-Hearings-on-worldwide-threat-Haines-and-Berrier-22-40-05-10-2022-May-10%2C-2022.pdf.

46Sobre as declarações de William J. Burns, ver SARIC, Ivana - «CIA director: China has doubts whether it could accomplish invasion of Taiwan». Axios. 26 de fevereiro de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.axios.com/2023/02/26/cia-director-china-doubts-invasion-taiwan.

47Sobre as declarações de Jedidiah Royal, ver ROQUE, Ashley - «Not “inevitable” that China invades Taiwan, but us needs to help prepare cross-strait fight: officials». Breaking Defense. 18 de abril de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://breakingdefense.com/2023/04/not-inevitable-that-china-invades-taiwan-but-us-needs-to-help-prepare-cross-strait-fight-officials/.

48XIAO, Bang - «Why Taiwan is so important to Chinese President Xi Jinping?». InABC News. 23 de agosto de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.abc.net.au/news/2022-08-24/analysis-taiwan-and-xi-jin-ping/101339406.

49WELCH, Jennifer,et al.- «Xi, Biden and the $10 trillion cost of war over Taiwan». Bloomberg. 8 de janeiro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.bloomberg.com/news/features/2024-01-09/if-china-invades-taiwan-it-would-cost-world-economy-10-trillion; BROMLEY, Hugo; FREYMANN, Eyck - «On day one: an economic contingency plan for a Taiwan crisis». InCGSP Occasional Paper Series. N.º 4, julho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.hoover.org/sites/default/files/research/docs/BromleyFreymann_OnDayOne_web_240621.pdf.

50LEE, Nee - «2 charts show how much the world depends on Taiwan for semiconductors». CNBC. 15 de março de 2022. Disponível em: https: //www.cnbc.com/2021/03/16/2-charts-show-how-much-the-world-depends-on-taiwan-for-semiconductors.html. Para uma discussão mais geral, ver MILLER, Chris -Chip War: The Fight for the World’s Most Critical Technology. Nova Iorque: Scribner, 2022.

51US CONGRESS - «Taiwan Relations Act». 10 de abril de 1979. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.congress.gov/96/statute/STATUTE-93/STATUTE-93-Pg14.pdf.

52NATIONAL SECURITY Strategy. The White House. Outubro de 2022, p. 24. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2022/10/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf.

53Sobre a pertinência da «ambiguidade estratégica», ver,inter alia, WAGNER, Andrew - «Innovating strategic ambiguity: empowering Taiwan’s defense amid a persistent threat from China» (inJournal of Indo-Pacific Affairs. Vol. 6, N.º 5, 2023, pp. 166-174), LIU, Mingyue - «From “strategic ambiguity” toward “strategic clarity”: U.S. Taiwan policy under Biden Presidency» (inAcademic Journal of Management and Social Sciences. Vol. 3, N.º 1, 2023, pp. 1-3), CHANG-LIAO, Nien-chung; FANG, Chi - «The case for maintaining strategic ambiguity in the Taiwan strait» (inThe Washington Quarterly. Vol. 44, N.º 2, 2021, pp. 45-60), e PINSKER, Roy - «Drawing a line in the Taiwan strait: «strategic ambiguity” and its discontents» (inAustralian Journal of International Affairs. Vol. 57, N.º 2, 2003, pp. 353-368).

54PEI-JU, Teng - «Taiwan planning 6% increase in defense spending in 2025». InFocus Taiwan. 8 de julho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://focustaiwan.tw/politics/202408070009; SACKS, David - «Taiwan’s latest defense budget risks falling further behind China». Council on Foreign Relations. 9 de agosto de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.cfr.org/blog/taiwans-latest-defense-budget-risks-falling-further-behind-china.

55DOTSON, Jon - «Taiwan’s “Military Force Restructuring Plan” and the extension of conscripted military service». InGlobal Taiwan Brief. Vol. 8, N.º 3, 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://globaltaiwan.org/2023/02/taiwan-military-force-restructuring-plan-and-the-extension-of-conscripted-military-service/.

56«SECRETARY ANTONY J. Blinken with Peggy Collins of Bloomberg News». U.S. department of state. 26 de outubro de 2022. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.state.gov/secretary-antony-j-blinken-with-peggy-collins-of-bloomberg-news/.

57Mesmo antes de ser eleito presidente da ROC, Lai Chin-te mantinha que a ilha era, de facto, independente. Ver, por exemplo, «TAIWAN IS already independent: Lai». InTaipei Times. 16 de agosto de 2023. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.taipeitimes.com/News/front/archives/2023/08/16/2003804803.

58DAVIDSON, Helen - «Trump says Taiwan should pay the us for its defence as “it doesn’t give us anything”». InThe Guardian. 17 de julho de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/article/2024 /jul/17/donald-trump-taiwan-pay-us-defence-china-national-convention.

59Sobre o significado da vitória de Donald Trump para Taiwan, ver SOONG, Claus - «What a Trump re-election would mean for Taiwan». MERICS. 1 de novembro de 2024. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível emhttps://merics.org/en/comment/what-trump-re-election-would-mean-taiwan; SACKS, David - «Would Trump abandon Taiwan?». East Asia Forum. 14 de outubro de 2024 . Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://eastasiaforum.org/2024/10/14/would-trump-abandon-taiwan/; TOMÉ, Luís - «Trump2, China e Ásia/Indo-Pacífico: continuidades e descontinuidades». InIDN Brief. Dezembro de 2024, pp. 5-7. Consultado em: 1 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.idn.gov.pt/pt/publicacoes/idnbrief/Pagi- nas/IDN-Brief-dezembro-2024.aspx.

Recebido: 16 de Setembro de 2024; Aceito: 15 de Novembro de 2024

Investigador no LusoGlobe - Lusófona Centre on Global Challenges (Universidade Lusófona). É diretor do Mestrado em Diplomacia e Relações Internacionais da Universidade Lusófona de Lisboa. Doutorou-se em Ciência Política na Universidade de Georgetown. Os seus últimos livros são De Mao a Xi: O Ressurgimento da China (2020) e Tsunami: Trump, Trumpismo e a Europa (2023).

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons