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Relações Internacionais (R:I)

versão impressa ISSN 1645-9199versão On-line ISSN 2183-0436

Relações Internacionais  no.85 Lisboa mar. 2025  Epub 30-Ago-2025

https://doi.org/10.23906/ri2025.85a02 

A invasão da Ucrânia e o futuro das Relações Internacionais

Os Estados Unidos e a Guerra Russo-Ucraniana, ou a ilusão do poder

1 IPRI-NOVA, Rua de D. Estefânia, 195, 5.º D.to, 1000-155 Lisboa, Portugal | c.gaspar@ipri.pt


Resumo

A Guerra Russo-Ucraniana marca o fim da paz americana. Desde logo, representa uma derrota para os Estados Unidos, que não conseguiram dissuadir a Rússia de invadir a Ucrânia. Por outro lado, a resposta defensiva à Guerra Russo-Ucraniana, concentrada na contenção dos riscos de escalada e na necessidade de evitar a Terceira Guerra Mundial, confirma o retraimento da principal potência internacional, que perdeu a iniciativa estratégica para as potências revisionistas. Por último, o regresso da guerra à Europa marca o início de uma sequência de guerras em cadeia, que demonstra que os Estados Unidos deixaram de assegurar a estabilidade internacional.

Palavras-chave: Unidos; ordem internacional; Rússia; Ucrânia

Abstract

The Russia-Ukraine war has put an end to Pax Americana. First, the war is a defeat for the United States, which was unable to deter Russia from invading Ukraine. Secondly, the defensive reaction to the war, focusing on containing the risks of escalation and the need to avoid World War III, confirms the retreat of the USA and the fact that it has lost the strategic initiative to the revisionist powers. Thirdly, the return of war to Europe has opened the way for a series of successive wars, showing that the USA can no longer enforce the stability of the international order.

Keywords: United States; international order; Russia; Ukraine

Introdução

É difícil exagerar a importância das consequências estratégicas da invasão da Ucrânia pela Rússia para a posição dos Estados Unidos na ordem europeia e internacional, que se podem resumir na constatação de que a Pax Americana chegou ao fim.

Desde logo, a ofensiva da Rússia representa uma derrota para o estatuto internacional dos Estados Unidos, cuja legitimidade é inseparável da sua capacidade para impedir a guerra entre potências rivais. Por outro lado, a resposta defensiva à Guerra Russo-Ucraniana, concentrada na contenção dos riscos de escalada e na necessidade de evitar a Terceira Guerra Mundial, confirma que a primeira potência internacional está presa num ciclo de retraimento prolongado e perdeu a iniciativa estratégica para as potências revisionistas. Por último, o regresso da guerra à Europa marca o início de uma sequência de guerras em cadeia, que demonstra que os Estados Unidos deixaram de poder assegurar a estabilidade da ordem internacional: a única potência vencedora da Primeira Guerra Mundial, da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria desistiu da sua vocação hegemónica.

O declínio dos Estados Unidos não é irreversível, tal como não é inevitável a deriva para uma guerra global. Mas a crise da ordem liberal multilateral parece definitiva e não é certo que a potência ordenadora do século XX possa reconstruir a ordem internacional do século XXI1.

A teoria das surpresas

Desde a Guerra do Iraque à Guerra Russo-Ucraniana, passando pelas guerras na Líbia e na Síria, os Estados Unidos foram repetidamente confrontados com a demonstração dos limites do seu poder, na transição de um estatuto de preeminência para o de primus inter pares.

O reconhecimento da descida dos Estados Unidos no ranking internacional, sem precedentes na sua experiência histórica, prejudicou a confiança das elites norte-americanas, que foram surpreendidas pelos acontecimentos que dominaram a política internacional nos últimos anos.

Depois da eleição do Presidente Biden, a primeira surpresa ocorre quando o programa de retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão é posto em causa pelos talibãs que, em 15 de agosto de 2021, tomam Cabul e precipitam a saída descontrolada dos militares norte-americanos, evocando a retirada desastrosa de Saigão. É difícil não ligar a débâcle no Afeganistão à decisão de Moscovo sobre a invasão da Ucrânia, tal como a anexação da Crimeia parece inseparável do recuo norte-americano na Guerra da Síria, quando o Presidente Obama desistiu de punir Bashar Al-Assad, depois de este ter violado a «linha vermelha» que o proibia de atacar as comunidades sunitas com armas químicas.

A segunda surpresa estratégica de Biden é a demonstração da incapacidade de os Estados Unidos dissuadirem a Rússia de invadir a Ucrânia e de pôr definitivamente em causa a arquitetura de segurança europeia e internacional do pós-Guerra Fria.

No início do seu mandato presidencial, Biden tenta normalizar as relações com Moscovo e decide prolongar unilateralmente os acordos New START, que mantêm a paridade estratégica nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia, antes da cimeira bilateral com o Presidente Putin em Genebra, em que a redução da pressão militar russa sobre a Ucrânia é um tema incontornável2. O reset de Biden falha e, no dia 12 de julho, Putin antecipa a invasão da Ucrânia com a publicação de um ensaio histórico em que reitera a sua tese sobre a inexistência histórica de um Estado ucraniano independente e a impossibilidade de separar a Ucrânia da Rússia: os russos e os ucranianos formam «um todo único»3.

A clareza do texto do Presidente russo não podia deixar de ser interpretada como uma ameaça existencial à Ucrânia. Em novembro, Biden manda William Burns, o diretor da CIA (Central Intelligence Agency), a Moscovo para falar com Putin e expor quais são as consequências de uma invasão da Ucrânia. O enviado presidencial regressa com a convicção de que a Rússia vai invadir a Ucrânia e a inteligência militar norte-americana confirma essa previsão quando constata que as tropas russas em manobras na Bielorrússia se concentram na fronteira com a Ucrânia depois do fim dos exercícios conjuntos4.

Nesse contexto, Biden decide desclassificar as informações militares que revelam os preparativos para a invasão e denunciar a ameaça russa. Paralelamente, mobiliza o Grupo dos Sete (G7), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla inglesa) e a União Europeia (UE) para preparar sanções económicas contra a Rússia. O chanceler Scholz e o Presidente Macron partem em peregrinação ao Kremlin para reiterar a sua oposição à entrada da Ucrânia na NATO e tentar convencer Putin a desistir da conquista da Ucrânia5. Em dezembro, a Rússia faz um ultimatum aos Estados Unidos e à NATO, que devem renunciar à integração da Ucrânia na comunidade transatlântica e desistir das posições ocupadas pela Aliança Atlântica na Europa Central e Oriental, se quiserem normalizar as relações com Moscovo6.

Putin vai a Pequim participar na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno e, no dia 4 de fevereiro de 2022, assina com o Presidente Xi Jinping uma declaração conjunta que proclama a «amizade sem limites» entre a Rússia e a China e consolida a aliança das duas potências euro-asiáticas7. Três semanas depois, o Kremlin reconhece as entidades secessionistas do Donetsk e de Luhansk como Estados independentes, na véspera de invadir a Ucrânia com um exército de 190 mil soldados.

A ofensiva da Rússia, apresentada como uma «operação militar especial» para «desnazificar» e «desmilitarizar» a Ucrânia, está desenhada como um golpe de mão que deve decapitar o regime democrático do Presidente Zelensky e as forças armadas ucranianas para instalar em Kyiv (Kiev) um regime fantoche, enquanto os invasores ocupam a capital da Ucrânia e procedem à divisão do Estado ucraniano. Tal como na invasão do Afeganistão em 1979, Moscovo antecipa uma vitória rápida na Ucrânia, que deve cair em poucas semanas.

A resistência da Ucrânia, cujo Presidente mobiliza a comunidade nacional e cujas forças armadas neutralizam a ofensiva das tropas de elite russas nos primeiros dias da invasão8, surpreende tanto os seus inimigos, como os seus aliados. A contra-ofensiva das tropas ucranianas força a retirada das tropas russas que tentaram tomar Kyiv e, em setembro, retoma as cidades de Kharkiv e Kherson, o que não impede Moscovo de proclamar a anexação do Donetsk, de Luhansk, de Zaporizhzhia e de Kherson.

A resposta dos Estados Unidos e dos seus aliados também é uma surpresa. Biden mobiliza mais de 50 Estados, incluindo os membros da NATO, o Japão, a Austrália e a Coreia do Sul, para formar o Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia - o Grupo de Ramstein. Os aliados aprovam sucessivos pacotes de sanções, coordenadas no G7, informalmente alargado para incluir a Coreia do Sul e a Austrália9. Os Estados Unidos e os seus aliados europeus e asiáticos garantem o apoio político, financeiro e militar indispensável para conter a ofensiva da Rússia e garantir a continuidade da Ucrânia como um Estado independente.

Em março, logo a seguir à invasão, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França convocam uma Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas em que a Rússia é condenada por 141 dos 193 Estados-Membros - só 35 Estados se abstêm e apenas quatro votam ao lado de Moscovo10. Mas a maioria da Assembleia Geral não inclui uma parte importante das potências intermédias que se recusam a condenar a Rússia. A abstenção da China, da Índia, da África do Sul, do Paquistão ou do Vietname significa que a Rússia não está isolada.

A resistência da Rússia ao fracasso da sua estratégia, às sanções ocidentais e à condenação das Nações Unidas e a sua capacidade para consolidar as parcerias internacionais, sustentar a economia e reconstituir as capacidades militares é uma nova surpresa para os Estados Unidos. A Guerra Russo-Ucraniana prolonga-se, não obstante o número impressionante de baixas, civis e militares, de ambos os lados - só nas fileiras dos invasores, as estimativas disponíveis referem mais de 600 mil baixas11.

A terceira surpresa estratégica dos Estados Unidos é o regresso da guerra ao Médio Oriente com o massacre terrorista do Hamas, em 7 de outubro de 2023. Na véspera, o conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan explicava como a região do Médio Oriente «há duas décadas que não estava tão calma»12. Esse otimismo podia ser justificado pelas conversações com a Arábia Saudita, preparada para reconhecer Israel e consolidar os Acordos de Abraão. Mas, justamente, esse avanço decisivo na estratégia de isolamento regional do Irão também tornava mais provável uma resposta de Teerão para comprometer o rapprochement anunciado entre Riad e Telavive.

A resposta de Israel ao massacre é uma escalada convencional e metódica em Gaza para neutralizar a estrutura de comando e as capacidades militares do Hamas, que está enterrado num labirinto de túneis com centenas de quilómetros, onde estão presos centenas de reféns, incluindo cidadãos norte-americanos. Nos meses seguintes, as Forças de Defesa de Israel atacam o Hamas, arrasam a Faixa de Gaza e provocam dezenas de milhares de baixas entre os militantes jiadistas e os civis palestinianos13. Em setembro de 2024, Israel inicia uma contraofensiva no Líbano, com golpes sucessivos que desarticulam a estrutura organizativa e decapitam a direção política e militar do Hizballah em Beirute, antes de entrar nos territórios a sul do rio Litani para desmantelar os túneis e os mísseis da milícia xiita libanesa vinculada ao regime iraniano. A diplomacia norte-americana procura limitar o conflito e evitar um confronto direto com o Irão, ao mesmo tempo que se empenha na negociação de um acordo de cessação das hostilidades para obter a libertação dos reféns detidos pelo Hamas. Paralelamente, os Estados Unidos atacam as milícias aliadas do Irão no Iraque, na Síria e, sobretudo, no Iémen, quando os houthis tentam bloquear o tráfico marítimo no mar Vermelho. O Irão responde à neutralização dos seus aliados com salvas de mísseis contra Israel - a primeira vez que a teocracia xiita atinge o «regime sionista» a partir do seu território. Em abril, o primeiro bombardeamento está ligado ao assassinato em Teerão do principal representante do Hamas no exterior e, em outubro, o segundo bombardeamento segue-se ao assassinato do principal dirigente do Hizballah em Beirute. Em ambos os casos, a defesa de Israel contra os mísseis iranianos mobiliza os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França, assim como a Arábia Saudita e a Jordânia. Washington está em condições de pressionar Israel para limitar a sua resposta ao ataque contra objetivos militares em território iraniano, uma vez que uma escalada regional do conflito exigiria uma intervenção militar direta norte-americana.

A guerra no Médio Oriente prolonga a guerra na Ucrânia. A Rússia e o Irão atacam os aliados dos Estados Unidos para pôr à prova a sua capacidade de responder simultaneamente a duas crises, ambas em teatros que a estratégia norte-americana considera secundários.

As convenções da crise

A Guerra Russo-Ucraniana é a crise mais longa nas relações entre Washington e Moscovo desde a crise de Berlim e é também a crise mais perigosa entre as duas principais potências nucleares desde a crise dos mísseis de Cuba, com ameaças repetidas da Rússia sobre o recurso a armas nucleares contra a Ucrânia e os seus aliados14.

Na sequência da crise de Cuba, o secretário da Defesa Robert McNamara declarou que a estratégia devia ser substituída pela gestão de crises: os fatores de incerteza que impedem o controlo efetivo dos agentes que intervêm numa crise entre grandes potências nucleares obrigam os decisores responsáveis a não recorrer ao uso da força senão como último recurso. Na Guerra Russo-Ucraniana, a prioridade de Biden, o último presidente norte-americano formado na Guerra Fria, é não intervir diretamente e travar os riscos de escalada que podem desencadear uma Terceira Guerra Mundial15.

A primeira regra na diplomacia das crises é definir de forma clara os objetivos cruciais. Para os Estados Unidos, o mais importante é evitar a guerra com a Rússia, o que significa manter o conflito dentro das fronteiras da Ucrânia e dissuadir a Rússia de atacar um Estado membro da NATO e de recorrer às armas nucleares. Paralelamente, Washington tem de impedir a vitória de Moscovo e garantir a sobrevivência do Estado ucraniano como uma entidade independente. Na fórmula do general Miley, «é preciso evitar um conflito direto entre a Rússia e as forças armadas dos Estados Unidos e da NATO; conter a guerra dentro dos limites geográficos da Ucrânia; reforçar a NATO e manter a sua unidade; e dar à Ucrânia os meios de combater»16.

Dentro dessas prioridades, Biden decide renunciar à ambiguidade estratégica e anunciar publicamente as limitações que os Estados Unidos se impõem a si próprios como uma forma de autodissuasão17. Em primeiro lugar, declara que os Estados Unidos não querem «uma guerra entre a NATO e a Rússia». Biden define uma «linha vermelha» que visa tanto dissuadir a Rússia de atacar um membro da NATO, como assegurar a Putin que os Estados Unidos não têm intenção de atacar a Rússia: «Se os Estados Unidos e os nossos aliados não forem atacados, não estaremos diretamente envolvidos neste conflito quer pelo envio de tropas americanas para combater na Ucrânia, quer pelo ataque a forças russas». Em segundo lugar, Biden rejeita qualquer tentativa de remover Putin do poder, quando afirma que «os Estados Unidos não vão tentar forçar a sua deposição em Moscovo». Em terceiro lugar, procura manter a guerra dentro da Ucrânia e afirma que

«não estamos a encorajar a Ucrânia a atacar para lá das suas fronteiras». E, em quarto lugar, o Presidente norte-americano adverte contra o uso de armas nucleares: «Qualquer uso de armas nucleares em qualquer escala seria completamente inaceitável para os Estados Unidos e para o resto do mundo e teria severas consequências»18.

A última «linha vermelha» remete para a declaração conjunta dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança que, em janeiro de 2022, reiteram que as armas nucleares só podem ser usadas «para fins defensivos, para deter a agressão e para impedir a guerra»19. A autodissuasão anula a ambiguidade estratégica que faz parte integrante da doutrina nuclear das grandes potências20. Os Estados Unidos concentram-se na necessidade de evitar tanto uma escalada horizontal, com a intervenção militar de outros Estados, incluindo os membros da NATO, como uma escalada vertical, com o recurso a armas não convencionais, incluindo armas nucleares. Dentro desses limites, os Estados Unidos e os aliados iniciam o rearmamento da Ucrânia, depois de esta demonstrar a sua determinação em resistir à invasão russa.

Os Estados Unidos começam por entregar à Ucrânia lançadores HIMARS sem capacidade para atingir o território russo; depois, enviam veículos blindados de transporte e sistemas de mísseis antiaéreos avançados, incluindo os Patriot. Em janeiro de 2023, Washington e Berlim decidem mandar os carros de combate Challenger, Abrams e Leopard II. Em maio, a Grã-Bretanha entrega os primeiros mísseis Storm Shadow , que são usados contra a Crimeia, cuja anexação pela Rússia não é reconhecida pelos aliados. Os Estados Unidos autorizam o treino de pilotos ucranianos nos caças F16, que começam a ser entregues no verão de 202421. O veto norte-americano suspende durante meses o envio pela Grã-Bretanha e pela França de mísseis Storm Shadow e SCALP para atacar objetivos militares na Rússia.

A Rússia faz sucessivas ameaças de recurso às armas nucleares, que justificam contactos de alto nível entre as autoridades norte-americanas e russas. Até à data, essas ameaças não se traduziram em ações efetivas e, nesse sentido, a estratégia dos Estados Unidos pôde alcançar os seus objetivos, sem impedir Moscovo de rever a sua doutrina para aprovar uma definição mais alargada das circunstâncias que justificam o recurso às armas nucleares22. Todavia, o sucesso da estratégia norte-americana na contenção de uma escalada vertical é feito à custa de uma limitação das capacidades militares da Ucrânia, que prejudica a sua ofensiva no outono de 2023 e reduz a sua capacidade de resistir à contraofensiva da Rússia no ano seguinte.

Em outubro de 2024, durante as eleições norte-americanas, a Rússia inicia uma escalada horizontal quando recebe milhares de soldados norte-coreanos. É uma intervenção inédita de uma potência asiática numa guerra europeia e a primeira vez que um dos beligerantes faz apelo com sucesso a um aliado para enviar tropas combatentes para o teatro de operações23. Depois da eleição presidencial, os Estados Unidos respondem com o envio dos sistemas de mísseis ATACMS, que podem ser usados contra alvos militares em território russo24.

Os Estados Unidos e a Alemanha continuam a opor-se à entrada da Ucrânia na NATO, a única garantia credível de segurança que pode dar como certa a sua independência perante a Rússia. Em julho de 2022, na Cimeira de Madrid, quando a NATO revê o seu Conceito Estratégico para reconhecer a Rússia como a principal ameaça à segurança europeia, Washington e Berlim confirmam o seu veto. Mesmo depois da invasão da Ucrânia, Biden e Scholz reconhecem implicitamente a «linha vermelha» imposta por Moscovo contra o alargamento da NATO.

Um ano depois, na Cimeira de Vilnius, a França passa a apoiar a entrada da Ucrânia, mas o veto persiste intacto25. Para compensar a Ucrânia, o G7 anuncia que os seus membros estão preparados para dar garantias fora do quadro da Aliança Atlântica e, nos meses seguintes, 22 Estados assinam acordos bilaterais de segurança com Kyiv26. Em julho de 2024, na Cimeira de Washington, um número crescente de aliados defende a entrada da Ucrânia, incluindo a Polónia e a França, sem conseguir alterar a oposição dos Estados Unidos e da Alemanha. A reeleição do Presidente Trump reduz a possibilidade de o veto norte-americano ser levantado num curto prazo, face à crescente contestação interna do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, manifesto quer nas sondagens, quer na oposição de uma parte das elites de política externa27.

Em sentido inverso, Biden decide renunciar também à ambiguidade estratégica que define a posição diplomática de Washington na «questão de Taiwan». O Presidente declara que os Estados Unidos estão preparados para defender Taiwan se a China recorrer à força para alterar o statu quo nos estreitos da Formosa28. Essa mudança é uma resposta à convergência entre a China e a Rússia, que define o contexto estratégico da última crise de Taiwan, a pior crise nas relações entre os Estados Unidos e a China depois dos «incidentes» de Tiananmen, em 1989.

Desde o primeiro dia da invasão russa, as autoridades chinesas insistem em que não existe nenhum paralelo entre a «questão de Taiwan» e a Guerra da Ucrânia. O argumento retoma as posições de Pequim, que considera Taiwan como uma «província rebelde», parte integrante da República Popular da China. Pelo contrário, a Ucrânia é um Estado soberano, reconhecido pelas Nações Unidas e pela China, que tem dificuldade em conciliar a defesa do princípio da soberania dos Estados e a sua recusa em condenar a Rússia por o ter violado.

Não obstante, a invasão da Ucrânia muda o contexto internacional da «questão de Taiwan». Desde logo, tal como a China em relação a Taiwan, a Rússia não reconhece a Ucrânia como um Estado independente. Por outro lado, as democracias do «Ocidente coletivo» são solidárias com as democracias na Ucrânia e em Taiwan. Por último, depois de Putin ter demonstrado que uma potência nuclear pode invadir um Estado vizinho sem provocar uma guerra geral, Xi tem mais dificuldade em justificar o adiamento do recurso à força para anexar Taiwan, tanto mais depois de declarar que não ia deixar a «questão de Taiwan» por resolver para a próxima geração.

A última crise dos estreitos da Formosa tem como pretexto a visita a Taiwan de Nancy Pelosi, speaker da Câmara dos Representantes, que chega a Taipé no dia 2 de agosto de 2022. As autoridades chinesas consideram a sua declaração de solidariedade democrática com Taiwan como uma violação da soberania e da integridade territorial da China e, nesse mesmo dia, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês avisa o embaixador norte-americano de que os Estados Unidos estão a «brincar com o fogo»29.

Nos dias seguintes, Pequim faz uma demonstração sem precedentes da sua superioridade militar nas dimensões convencionais críticas para a defesa de Taiwan. Entre 2 e 10 de agosto, as forças chinesas, pela primeira vez, cercam Taiwan, bloqueiam os acessos marítimos e aéreos à Formosa e encerram seis áreas à sua volta, alvo dos mísseis lançados pelo Exército Popular de Libertação, que faz a sua maior operação militar desde a invasão do Vietname, em 1979. Os Estados Unidos evitam qualquer demonstração de força e, no dia 18 de agosto, o porta-aviões Ronald Reagan, estacionado nos mares das Filipinas perto de Taiwan, regressa à sua base no Japão.

O ensaio geral da invasão de Taiwan revela as novas forças armadas chinesas, incluindo a Marinha do Exército Popular de Libertação. A demonstração de força da China é o sinal para o início de um debate aberto sobre os cenários de invasão de Taiwan, que passa a ser um tema obrigatório na definição da estratégia internacional dos Estados Unidos30.

Pequim cancela os contactos políticos, diplomáticos e militares com Washington, muito importantes para evitar os riscos de escalada num incidente entre as forças armadas dos dois países. Em setembro, Biden repete que os Estados Unidos estão prontos para defender Taiwan, incluindo o envio de tropas norte-americanas, que o Presidente se recusa a enviar para a Ucrânia. Dois meses depois, Biden e Xi encontram-se à margem da cimeira do Grupo dos 20 (G20) em Bali e iniciam um processo de normalização das relações bilaterais, marcado por tensões recorrentes. A China torna-se a retaguarda indispensável da Rússia nos domínios político, diplomático e económico, mas evita fornecer diretamente armas às tropas russas e declara a sua oposição ao recurso às armas nucleares no conflito.

A Guerra Russo-Ucraniana, a crise dos estreitos da Formosa e a guerra no Médio Oriente confirmam a natureza global da competição entre os Estados Unidos e os seus aliados e a coligação revisionista euro-asiática e põem à prova a capacidade da principal potência internacional para se concentrar simultaneamente em múltiplas frentes31.

O princípio da incerteza

Os Estados Unidos não alteram as suas prioridades estratégicas depois da invasão da Ucrânia. Pelo contrário, a nova Estratégia de Segurança Nacional, apresentada em setembro de 2022, reitera que a China e a Rússia são as duas principais ameaças à segurança norte-americana, mas sublinha que a principal potência asiática é a única que tem a vontade e os meios necessários para pôr em causa o primado dos Estados Unidos e criar uma ordem internacional alternativa.

No mesmo sentido, a NATO reconhece a China e a sua convergência com a Rússia como um desafio estratégico, enquanto a UE, que classifica a maior potência asiática como um parceiro, um competidor e um rival sistémico, passa a valorizar os dois últimos termos da sua fórmula trinitária. A presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, defende que a UE deve seguir uma estratégia de de-risking para se proteger de uma excessiva dependência em relação à China, enquanto Washington e Bruxelas formam o Conselho de Comércio e Tecnologia (TTC, na sigla inglesa) para construir uma esfera de influência tecnológica do «Ocidente coletivo», que os seus inimigos denunciam como uma «NATO económica».

Biden consolida as alianças e as parcerias asiáticas dos Estados Unidos para conter a emergência de uma Ásia unipolar, dominada pela China. Desde logo, em setembro de 2021, o Presidente norte-americano reúne, pela primeira vez, os chefes de Estado e de governo dos quatro países que formam o Diálogo de Segurança Quadrilateral (QUAD) - os Estados Unidos, a Índia, o Japão e a Austrália. O QUAD oriental, a par da NATO, passa a ter cimeiras regulares ao mais alto nível. Por outro lado, os Estados Unidos reforçam as alianças tradicionais e estimulam as relações bilaterais dentre os seus aliados e parceiros regionais - entre o Japão e a Austrália, a Austrália e a Índia, o Japão e a Coreia do Sul, ou o Japão e a Índia. Por último, Washington reforça as alianças bilaterais com a formação de quadros trilaterais, como no caso das relações entre os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul32.

A invasão da Ucrânia restaura a centralidade da NATO para a segurança ocidental e a posição dirigente dos Estados Unidos, indispensável para garantir a unidade dos aliados europeus. Em primeiro lugar, Biden reforça a relação especial com a Alemanha de Scholz, que reconhece a invasão russa como uma mudança de era - Zeitenwende - para justificar o fim da velha Ostpolitik e da dependência energética alemã, reconstruir as suas forças armadas e reintegrar a Alemanha no dispositivo nuclear da NATO. Durante a cimeira da NATO em Washington, Biden e Scholz assinam um acordo bilateral para a instalação de novos mísseis nucleares norte-americanos em território alemão33.

Em segundo lugar, Washington recupera o QUAD ocidental e volta a reunir os chefes de Estado e de governo dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da França e da Alemanha, que se encontram pela última vez depois de Biden ter desistido da sua reeleição. O diretório da NATO é crítico para coordenar as estratégias das quatro potências ocidentais e para enquadrar os acordos de defesa bilaterais entre as três potências europeias - entre a França e a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha e a Alemanha e a Grã-Bretanha -, que definem um triângulo estratégico indispensável para a nova arquitetura de defesa da Europa.

Em terceiro lugar, Biden responde ao ultimatum de Putin sobre o alargamento da NATO, que visa «finlandizar» a Europa Central e Oriental, com a integração da Suécia e da Finlândia na Aliança Atlântica. A entrada das duas potências neutrais muda a fronteira da NATO com a Rússia, fortalece a defesa da Europa do Norte e consolida a interligação entre a Aliança Atlântica e a UE34. A relevância da UE para as políticas de segurança e defesa aumenta com a resposta à Guerra da Ucrânia quer pelo apoio direto ao esforço de guerra ucraniano e pela abertura da negociação para a adesão da Ucrânia, quer pelo desenvolvimento da indústria europeia de defesa e pelo aumento dos recursos financeiros alocados à segurança regional, quer pela formação do TTC e pela estruturação da Estratégia de Segurança Económica Europeia.

A importância da NATO para os Estados Unidos é sublinhada pelo reconhecimento da interdependência estratégica crescente entre o espaço euro-atlântico e o espaço indo-pacífico35, que esboça uma nova trilateral do «Ocidente coletivo». As sanções contra a Rússia e a nova estratégia em relação à China são concertadas no G7, nomeadamente com o Japão, que vai duplicar o seu orçamento de defesa e rever a sua estratégia de segurança nacional. Os aliados asiáticos dos Estados Unidos impõem sanções contra a Rússia e integram o Grupo de Ramstein. Os chefes de Estado e de governo do Japão, da Coreia do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia passam a participar regularmente nas cimeiras da NATO. Desde 2021, o AUKUS reúne os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Austrália num acordo sobre os submarinos estratégicos nucleares, que são a chave da supremacia naval aliada no Indo-Pacífico.

A dinâmica de guerra acelera a emergência de uma nova configuração tricontinental do «Ocidente coletivo» em que têm lugar as democracias americanas, europeias e asiáticas e cujos pilares institucionais incluem o G7, os dois QUAD, a NATO, a UE e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico. A mesma lógica prevalece nas relações entre a China, a Rússia, o Irão e a Coreia do Norte, as autocracias que formam o núcleo central do «Oriente Global» e convergem na oposição à ordem liberal e à preponderância dos Estados Unidos e do «Ocidente coletivo»36.

A convergência entre a China e a Rússia é decisiva para a construção da coligação das potências revisionistas, necessária tanto para contrabalançar a hegemonia norte-americana, como para dar credibilidade à estratégia de «desocidentalização» e à emergência de uma ordem pós-ocidental37. Em março de 2023, no fim da sua visita oficial à Rússia, Xi Jinping diz a Putin que o mundo está a viver momentos decisivos como não acontecia desde há cem anos e que ambos podem moldar essa mudança histórica se estiverem unidos38.

Os otimistas previam que a Guerra Russo-Ucraniana dividisse as duas maiores potências continentais, velhos inimigos que são rivais históricos com regimes opostos. Mas a China passou a ser o principal parceiro económico da Rússia e sustenta a economia de guerra do seu principal parceiro estratégico, enquanto a Rússia se torna cada vez mais dependente da China, que Moscovo reconhece como o novo centro do bloco euro-asiático. A Rússia e o Irão são aliados desde a Guerra da Síria e a teocracia xiita instalou fábricas de drones na Rússia para apoiar o seu esforço de guerra. A Rússia e a Coreia do Norte restabeleceram a sua aliança, que inclui o envio de tropas norte-coreanas para a frente ucraniana. A Rússia e a China apoiam o Irão e os seus proxies na guerra contra Israel39.

A China e a Rússia estão na origem da formação de novas instituições multilaterais, como a Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla inglesa) e os BRICS (acrónimo inventado pela Goldman Sachs para designar um conjunto de potências emergentes - o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, às quais se juntará a África do Sul). A SCO, formada pela Rússia, pela China e pela maioria dos Estados pós-soviéticos da Ásia Central, alarga-se para incluir a Índia, o Paquistão, o Irão e a Bielorrússia: é a primeira instituição multilateral que dá forma ao espaço euro-asiático no centro do «Oriente Global». Em 2024, os BRICS, que querem ser uma alternativa ao G7, alargam-se para receber o Irão, o Egito, a Etiópia e os Emirados Árabes Unidos.

A crise do multilateralismo é manifesta na incapacidade de resposta das Nações Unidas às guerras na Ucrânia e no Médio Oriente e ao conflito entre os Estados Unidos e a China, que se acentua com a paralisia do Conselho de Segurança e as divisões entre os cinco membros permanentes. O declínio das instituições multilaterais inclusivas, como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio ou o G20, é acelerado pelas divisões impostas pela bipolarização entre o «Ocidente Global» e o «Oriente Global», que disputam entre si o alinhamento das potências intermédias do «Sul Global»: a Índia pertence à coligação das democracias do Indo-Pacífico que formam o QUAD e é membro dos BRICS e da SCO; o Brasil e a África do Sul, que pesam nas instituições multilaterais regionais da América do Sul e da África, preferem os BRICS, mas formam a IBSA com a Índia.

O regresso da competição sistémica entre as grandes potências anuncia o fim da ordem do pós-Guerra Fria e as guerras em cadeia aceleram a reconstituição da balança internacional. Nessas circunstâncias, se quiserem manter a sua posição como a primeira potência, os Estados Unidos precisam de completar a revisão da sua estratégia internacional. Essa revisão teve início com o Presidente Biden e vai continuar com o Presidente Trump, num processo de transição que é, simultaneamente, um tempo de mudança tanto na política interna dos Estados Unidos e das democracias pluralistas, como na política internacional à escala global. Essas circunstâncias aumentam exponencialmente a incerteza sobre o sentido da nova estratégia norte-americana, de que depende o futuro da ordem internacional.

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Notas

1 GASPAR, Carlos - «As consequências estratégicas da Guerra Russo-Ucraniana». In IDN Cadernos. N.º 52, 2024.

2«“SOMETHING WENT badly wrong”: when Washington realized that Russia was actually invading Ukraine». POLITICO. 2023. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.politico.com/news/magazine/2023/02/24/russia-ukraine-war-oral-history-00083757.

3PUTIN, Vladimir - «On the historical unity of Russians and Ukrainians». President of Russia. 2021. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://en.kremlin.ru/events/president/news/66181. Salvo indicação em contrário, todas as citações são traduções livres do autor.

4RYAN, Mick - The War for Ukraine. Annapolis: Naval Institute Press, 2024.

5KAUFFMANN, Sylvie - Les aveuglés. Comment Berlin et Paris ont laissé la voie libre à la Russie. Paris: Folio, 2024.

6ALBERQUE, William - «Russia’s draft treaties: like 2009, but worse». IISS. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.iiss.org/online-analysis/online-analysis/2022/01/russias-new-draft-treaties-like-2009-but-worse/.

7GASPAR, Carlos - «A China e a Guerra da Ucrânia». In Nação e Defesa. N.º 165, 2023, pp. 81-93.

8KOFMAN, Michael; COLLINS, Liam; SPENCER, John - «The Battle of Hostomel Airport». War on the Rocks. 2023. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://warontherocks.com/2023/08/the-battle-of-hostomel-airport-a-key-moment-in-russias-defeat-in-kyiv/. Ver também WATLING, Jack; DANYLYUK, Oleksandr; REYNOLDS, David - «Preliminary lessons from Ukraine offensive operations 2022-23». RUSI Special Report. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível: https://www.rusi.org/explore-our-research/publications/special-resources/preliminary-lessons-ukraines-offensive-operations-2022-23; PLOKHY, Serhii - The Russo-Ukrainian War. Londres: Penguin, 2023; MATTHEWS, Owen - Overreach. The Inside Story of Putin’s War against Ukraine. Dublin: Mudlark, 2022.

9NIBLETT, Robin - The New Cold War. Londres: Atlantic Books, 2024.

10GASPAR, Carlos - O Fim da Europa. Lisboa: Instituto da Defesa Nacional, 2022, pp. 148-161; Heisbourg, François - Les leçons d’une guerre. Paris: Odile Jacob, 2023.

11SCHMIDT, Eric - «September was deadly month for Russian troops in Ukraine». In The New York Times. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.nytimes.com/2024/10/10/us/politics/russia-casualties-ukraine-war.html.

12SULLIVAN, Jake - «The sources of American power». In Foreign Affairs. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/united-states/sources-american-power-biden-jake-sullivan.

13GOYA, Michel - L’embrasement. Comprendre les enjeux de la guerre Israel-Hamas. Paris: Perrin, 2024.

14FREEDMAN, Lawrence - «The Russo-Ukrainian War and the durability of deterrence». In Survival. Vol. 65, N.º 6, 2024, p. 7.

15BLAKE, Aaron - «Why Biden and the White House keep talking about World War III». In The Washington Post. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/politics/2022/03/17/why-biden-white-house-keep-talking-about-world-war-iii/.

16HARRIS, Shane; DEYOUNG, Karen; KHURSHUDYAN, Isabelle - «Road to war. US struggled to convince allies, Zelensky, of risk of invasion». In The Washington Post. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/national-security/ interactive/2022/ukraine-road-to-war/.

17HEISBOURG, François - Un monde sans l’Amérique. Paris: Odile Jacob, 2024, pp. 59-60.

18BIDEN JNR, Joseph R. - «What America will and will not do in Ukraine». In The New York Times. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.nytimes.com/2022/05/31/opinion/biden-ukraine-strategy.html.

19«JOINT STATEMENT of the leaders of the five nuclear-weapons states on preventing nuclear war and avoiding arms races». The White House. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2022/01/03/p5-statement-on-preventing-nuclear-war-and-avoiding-arms-races/.

20STEIN, Janice Gross - «Escalation management in Ukraine. Assessing the U.S. response to Russia’s manipulation of risk». Kissinger Center Papers. 2023. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://sais.jhu.edu/kissinger/programs-and-projects/kissinger-center-papers/escalation-management-ukraine-response-russias-manipulation-risk. Ver também SCHELLING, Thomas - «The threat that leaves something to chance». RAND. 1959. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www. rand.org/pubs/historical_documents/HDA1631-1.html.

21STEIN, Janice Gross - «Escalation management in Ukraine…», p. 12.

22FREEDMAN, Lawrence - «The Russo-Ukrainian War and the durability of deterrence», pp. 17-22. O decreto presidencial sobre a nova doutrina nuclear russa é assinado em 19 de novembro de 2024.

23KIMMAGE, Michael; NOTTE, Hanna - «How Ukraine became a world war». In Foreign Affairs. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/ukraine/how-ukraine-became-world-war. Ver também «MARK RUTTE: North Koreans in Europe mark turning point». POLITICO. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.politico.eu/article/north-korea-troops-europe-turning-point-mark-rutte/.

24«BIDEN APPROVES Ukraine’s use of long-range U.S. weapons inside Russia, reversing policy». In The Washington Post. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/national-security/2024/11/17/ukraine-russia-north-korea-atacms/.

25«LA FRANCE se résout à soutenir l’adhésion de l’Ukraine à l’OTAN». In Le Monde. 2023. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.lemonde.fr/international/article/2023/06/20/la-france-se-resout-a-soutenir-l-adhesion-de-l-ukraine-a-l-otan_6178374_3210.html.; CADIER, David; QUENCEZ, Martin - «France’s policy shift on Ukraine’s NATO membership». War on the Rocks. 2023. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://warontherocks.com/2023/08/frances-policy-shift-on-ukraines-nato-membership/.

26SOLDATENKO, Mikhail - «Getting Ukraine’s security agreements right». Carnegie Endowment. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://carnegieendowment.org/research/2024/07/getting-ukraines-security-agreements-right?lang=en.

27TRACHTENBERG, Marc - «Is there life after NATO?». Cato Policy Analysis 982. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.cato.org/policy-analysis/there-life-after-nato; WERTHEIM, Stephen - «Why America can’t have it all». In Foreign Affairs. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/united-states/why-america-cant-have-it-all.

28«BIDEN’S LAST Taiwan gaffe stokes tensions with Beijing». Bloomberg. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.bloomberg.com/news/articles/2022-05-23/biden-s-latest-taiwan-gaffe-hikes-suspicion-tensions-in-beijing?embedded-checkout=true.; TAYLOR, Adam - «Three theories on Biden’s repeated Taiwan gaffes». In The Washington Post. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/world/2022/05/24/taiwan-biden-gaffe/; WERTHEIM, Stephen - «The troubling repercussions of Biden’s Taiwan gaffes». Carnegie Endowment. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://carnegieendowment.org/posts/2022/05/the-troubling-repercussions-of-bidens-taiwan-gaffes?lang=en

29«XI WARNS Biden not to “play with fire” ahead of potential Taiwan trip by Nancy Pelosi». In Financial Times. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.ft.com/content/c8fc6efa-5429-4873-92c0-aae1134c7a14; SANGER, David - New Cold Wars. Londres: Scribe, 2024, pp. 277-295.

30WUTHNOW, Joel, et al., eds. - Crossing the Strait. Washington DC: National Defense University, 2022; SCHAKE, Kori; SCHWARTZ, Allison, eds. - Defending Taiwan. Washington DC: American Enterprise Institute, 2022.

31BRANDS, Hal; BECKLEY, Michael - «The coming war over Taiwan». In The Wall Street Journal. 2022. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.wsj.com/articles/the-coming-war-over-taiwan-11659614417; BRANDS, Hal; MONTGOMERY, Evan - «One war is not enough». In Texas National Security Review. Vol. 3, N.º 2, 2020, pp. 80-92.

32Sobre a estratégia dos Estados Unidos, ver BRANDS, Hal - «The Ukraine and global order». In BRANDS, Hal, ed. - War in Ukraine: Conflict, Strategy, and the Return of a Fractured World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2024, pp. 1-14; SCHAKE, Kori - «US strategy in Ukraine». In BRANDS, Hal, ed. - War in Ukraine..., pp. 156-172.

33DAEHNHARDT, Patricia - « Zeitenwende: a Alemanha, a NATO e a segurança europeia no contexto da guerra na Ucrânia». In IDN Cadernos. N.º 48, 2022, pp. 1-97; SCHNEIDER, Jonas; ARNOLD, Torben - «Significant and sound: US middle-range missiles in Germany». SWP Comment 30. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.swp-berlin.org/10.18449/2024C30/.

34Depois do alargamento, só quatro Estados-Membros da União Europeia não são membros da NATO - a Irlanda, a Áustria, Chipre e Malta - e só dois Estados-Membros europeus da NATO não são membros da União Europeia - a Noruega e a Islândia.

35SIMON, Luís; FIOTT, Daniel; MANEA, Octavian - Two Fronts, One Goal. Euro-Atlantic Security in the Indo-Pacific Age. The Marathon Initiative, 2023. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://themarathoninitiative.org/wp-content/uploads/2023/08/Two-Fronts-One-Goal-website-publication-v.2.pdf.

36NIBLETT, Robin - The New Cold War, pp. 130-136; IKENBERRY, G. John - «Three worlds. The West, East, and South and the competition to shape global order». In International Affairs. Vol. 100, N.º 1, 2024, pp. 121-138.

37«DÉSOCCIDENTALIZER LE monde: la doctrine Karaganov». Le Grand Continent. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://legrandcontinent.eu/fr/2024/04/20/desoccidentaliser-la-majorite-mondiale-la-doctrine-karaganov/.

38GABUEV, Alexander - «Putin and Xi’s unholy alliance». In Foreign Affairs. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/china/putin-and-xis-unholy-alliance.

39KENDALL-TAYLOR, Andrea; FONTAINE, Richard - «The axis of upheaval». In Foreign Affairs. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/china/axis-upheaval-russia-iran-north-korea-taylor-fontaine; HADLEY, Stephen - «Xi Jinping’s axis of losers». In Foreign Affairs. 2024. Consultado em: 20 de novembro de 2024. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/china/xi-jinpings-axis-losers.

Recebido: 30 de Novembro de 2024; Aceito: 22 de Janeiro de 2025

Carlos Gaspar, Investigador integrado do IPRI-NOVA. Professor catedrático convidado da UAL, é assessor do Instituto da Defesa Nacional. Publicou recentemente Regresso à Europa (Atena, 2025), O Fim da Europa (Instituto da Defesa Nacional, 2022) e O Mundo de Amanhã (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2020).

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