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Relações Internacionais (R:I)

versão impressa ISSN 1645-9199versão On-line ISSN 2183-0436

Relações Internacionais  no.87 Lisboa set. 2025  Epub 30-Set-3025

https://doi.org/10.23906/ri2025.87a03 

Conflitos e paz em África: desafios e experiências de investigação

Estratégias metodológicas qualitativas em sociedades em conflito e pós-conflito: perspetivas da Etiópia e da Libéria

1 NOVA FCSH, Av. de Berna 26C, 1069-061 Lisboa, Portugal | alexandradias@fcsh.unl.pt

2 UCP Instituto de Estudos Políticos. Universidade Católica Portuguesa, Palma de Cima, 1649-023 Lisboa, Portugal | lucie.calleja@hotmail.fr


Resumo

Este artigo analisa estratégias metodológicas qualitativas aplicáveis a contextos de conflito e pós-conflito, com foco na Etiópia e na Libéria. Ambos os países passaram por transformações profundas após períodos de violência prolongada, sendo contextos particularmente valiosos para a investigação de tipo qualitativa. Entre o leque de técnicas analisadas, destacam-se a investigação etnográfica, as entrevistas semiestruturadas,focus groups, a pesquisa participativa e a observação participante no trabalho de campo. A integração dessas técnicas permitiu captar as nuances das dinâmicas sociais, das narrativas coletivas e das experiências de grupos minoritários ou em situação de exclusão e vulnerabilidade em sociedades pós-conflito. Ao oferecer essas perspetivas, o artigo contribui para aprofundar a compreensão dos desafios enfrentados e aponta caminhos que podem orientar intervenções de reconstrução da paz nesses dois países.

Palavras-chave: trabalho de campo; observação participante; focus groups; conflitos armados

Abstract

The article explores qualitative methodological strategies with applicability in conflict- and post-conflict societies, focusing on perspectives from Ethiopia and Liberia. Both countries have undergone profound transformations following periods of violent conflict, offering valuable contexts for qualitative research. The article analyzes a plurality of techniques, including ethnographic research comprising the following fieldwork activities: semi-structured interviews, focus group interviewing, participatory research and participant observation. Consequently, the studies’ findings contributed to an understanding of the nuances of social dynamics, narratives, and the experiences of minority actors or those in more marginalized and/or vulnerable situations in post-conflict societies. The article offers valuable perspectives that can influence interventions for peacebuilding in Ethiopia and Liberia.

Keywords: fieldwork; participant observation; focus groups; armed conflicts

Introdução

A investigação em contextos de conflito ou em sociedades de pós-conflito tem contribuído para a tomada de consciência dos riscos à integridade física dos investigadores, à segurança dos participantes na investigação, remetendo para considerações relativas à posicionalidade de todos os envolvidos na produção de conhecimento científico (Rivas & Browne, 2019). Este artigo analisa a forma como o recurso a uma estratégia metodológica qualitativa, centrada no trabalho de campo em contextos de conflito e pós-conflito realizado pelas autoras, possibilitou o acesso a dados de difícil obtenção e, em última instância, contribuiu para a produção de conhecimento empírico original, com elevado valor heurístico para os debates sobre aviragem localnos estudos de (re)construção da paz, bem como para a reflexão acerca dos dilemas e dos desafios inerentes à investigação nestes contextos.

A investigação das autoras baseou-se em experiências de campo de duração distinta e realizadas em momentos diferentes relativamente à pandemia de covid-19, circunstância que acrescentou um desafio adicional ao processo de acesso e recolha de dados. No caso da primeira autora deste artigo, a sua investigação beneficiou da continuidade temporal e da confiança construída ao longo de mais de uma década (2003-2020) de trabalho de campo numa mesma região da Etiópia e junto do mesmo grupo étnico, contexto em que a observação participante constituiu um pilar central da investigação. Já no caso da segunda autora, o trabalho de campo na Libéria (2020-2023) decorreu em plena conjuntura pandémica, evidenciando obstáculos específicos analisados em detalhe. Na primeira parte, o artigo revisita o contexto de pesquisa a partir do estudo de caso de um grupo transfronteiriço situado entre a Etiópia e a Eritreia, refletindo sobre a transformação das várias etapas da investigação e sobre os diferentes locais de trabalho de campo visitados ao longo de múltiplas deslocações. Na segunda parte, analisa-se uma iniciativa de mediação de conflito com enfoque no género, tendo como estudo de caso a Libéria. O caso das «Cabanas da Paz» permite refletir sobre os desafios decorrentes do uso de diversas atividades de trabalho de campo durante uma única deslocação aos locais de investigação. O artigo conclui com um conjunto de lições extraído da comparação das experiências das autoras em sociedades pós-conflito.

Conflito armado, construção do estado e marginalização de grupos fronteiriços na Etiópia

Esta primeira parte do artigo debruça-se sobre a investigação da primeira autora, iniciada em 2003 no âmbito do seu doutoramento, centrada na relação entre a guerra e o processo de formação do Estado em África, à luz do estudo de caso de um conflito clássico, interestatal, que opôs as Forças Armadas de dois Estados soberanos. O objetivo da investigação era testar a validade da proposição da Sociologia Política Internacional, de Charles Tilly, segundo a qual o «Estado faz a guerra e a guerra faz o Estado» no processo de formação do Estado na Europa, num estudo de caso em África (Tilly, 2002). A guerra de 1998-2000 ofereceu valor único do ponto de vista teórico para explorar em que medida é que as guerras clássicas entre Estados contribuem para a consolidação do Estado; acresce ainda como mais-valia heurística o facto de a ocorrência deste tipo de conflito armado em África ser a exceção (Herbst, 2003). A estratégia qualitativa afigurou-se como a mais adequada porque possibilitava a recolha de dados empíricos originais que nos permitissem compreender as nuances desta relação a partir das experiências, das estratégias e das perspetivas de uma pluralidade de atores de segurança, agentes dos Estados e atores sociais. A observação participante junto de uma fronteira internacional contestada revelar-se-ia fundamental no decurso da investigação, porque permitia ter em conta se os mecanismos de amortecimento da pressão do sistema internacional (os mecanismos de conversão de moeda, os princípios de definição de quem é um cidadão e a presença de agentes e instituições do Estado na fronteira) (Herbst, 2000) teriam sido implementados, com o fim de mitigar as pressões da anarquia internacional sobre os Estados e, em particular, sobre o novo Estado a ser admitido na sociedade internacional africana: a Eritreia. A unidade administrativa do distrito de Irob, onde se situam os diversos locais de realização de trabalho de campo na Etiópia, insere-se numa área transfronteiriça disputada pela Eritreia. Esta região, pelas dificuldades de acesso, permaneceu na periferia do Estado, tendo sido teatro de operações no conflito armado de 1998 a 2000 que opôs as Forças de Defesa Nacional da Etiópia (FDNE) às Forças de Defesa da Eritreia (FDE) (Dias, 2010)1.

Desde que o conflito eclodiu entre as FDNE e a Frente de Libertação do Povo do Tigré (FLPT), em novembro de 2020, as partes deste distrito têm permanecido sob ocupação das FDE. A participação da Eritreia foi negada durante a primeira fase do conflito armado (2020-2022), mas acabou por ser reconhecida dada a importância do seu envolvimento e a dimensão da sua participação no mesmo. A retirada das forças do Estado vizinho era uma condição não negociável para o início do desarmamento por parte dos combatentes da FLPT, conforme acordado na segunda ronda de negociações em Nairobi (Quénia), em 2022. Com a decisão do Parlamento Federal da Etiópia de declarar como não legítima a FLPT, e perante as cisões internas na própria Frente em 2025, a administração interina do Tigré foi deposta. Num volte-face inesperado, o Presidente Isaias Afewerki ofereceu apoio a uma das fações dissidentes no Tigré, liderada por Debretsion, o antigo Presidente da região, no momento da eclosão do conflito armado de 2020. O Presidente da Eritreia também apoiou o movimento rebelde em Amara, que se encontrava em conflito armado com as FDNE, a milícia Fano.

Esta volatilidade nas alianças políticas e militares, bem como a reprodução cíclica de um padrão de poder, baseado no adágio de que «o inimigo do meu inimigo é meu amigo», são fenómenos que melhor se captam e/ou compreendem através de uma pesquisa etnográfica. Por outro lado, o trabalho de campo com permanências prolongadas junto dos grupos locais revelou-se fundamental para analisar estas dinâmicas, em particular com recurso à observação participante e não participante. As mudanças de alianças não são facilmente percetíveis ou acessíveis a investigadores e observadores externos; contudo, quando se materializam, evidenciam um padrão que se insere nalongue duréeda trajetória histórica e política do Estado etíope.

Dito isto, a análise das estratégias qualitativas baseia-se na investigação conduzida pela primeira autora deste artigo durante a sua última visita à área fronteiriça do Tigré, na Etiópia, em janeiro de 2019. No ano seguinte, em janeiro de 2020, a autora esteve na região contígua de Amara, incluindo Lalibela, Gondar e na periferia desta última cidade, em Arbaba, antes da imposição das restrições associadas à covid-19, declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020.

A realização destas duas deslocações de quatro semanas em 2019 e 2020 beneficiou do efeito cumulativo de experiências de trabalho de campo anteriores e, como tal, é importante realçar de que forma as opções, os dilemas e as dificuldades enfrentados ao longo dos anos contribuíram para a produção de conhecimento empírico original. As múltiplas deslocações e os sucessivos compromissos ao longo dos anos permitiram criar o elemento fundamental de qualquer pesquisa realizada com sujeitos humanos em contextos difíceis: a confiança (Norman, 2009). Durante estas duas deslocações de trabalho de campo, foi forte a sensação de insegurança e de incerteza, também transmitida pelos participantes, especialmente nas zonas transfronteiriças entre a Etiópia e a Eritreia e na região de Amara. Essa tensão estava ligada ao dilema de segurança criado pela transição de uma situação de «paz fria» para a abertura das fronteiras. De facto, a abertura da fronteira internacional em setembro de 2018 coincidiu com a retirada dos efetivos das FNDE da fronteira. Contudo, a ausência de mecanismos de restauração de relações formais ao nível local, aliada ao aumento do fluxo de pessoas e bens através da fronteira num clima de incerteza, impediu a implementação de canais de comunicação locais capazes de mitigar os efeitos da rutura de relações entre os representantes do Estado federal e do Estado regional, ocorrida em setembro de 2020.

Na última ida para trabalho de campo ao Tigré, em 2019, na área fronteiriça contestada entre a Etiópia e a Eritreia, tornou-se evidente o contraste no desenvolvimento das vias de comunicação terrestres. A principal estrada alcatroada ligava a capital do Estado regional, Mequele, à capital da Zona Oriental do Tigré, Adigrat, enquanto a ligação entre Adigrat e a capital do distrito local de Irob (woreda), Dawhan, permanecia inalterada e sem pavimentação. Um dos fatores adicionais à sua localização remota e marginalização ao longo da trajetória de formação do Estado etíope foi o reconhecimento pela Comissão Fronteiriça para a Etiópia e a Eritreia - criada pelo Acordo de Paz de 2000 de Argel - da soberania da Eritreia em algumas das localidades do lado da fronteira internacional da Etiópia.

Dada a sua localização remota e a inexistência de representantes do Estado, esta região, durante a guerra civil que opôs os movimentos de insurreição do Tigré e da Eritreia ao Derg (1974-1991 e 1961-1991, respetivamente), era utilizada pelos movimentos de insurreição para esconderijo e campos de treino. Com a derrota do Derg e a chegada ao poder dos insurgentes em Addis Abeba (Etiópia) e em Asmara (Eritreia), a independência da Eritreia foi formalizada em 1993, após realização de um referendo. A guerra ressurgiu em 1998 e durou dois anos e meio, resultando em aproximadamente cem mil mortes e seiscentos mil deslocados (Abbink, 2001).

Na sequência do Acordo de Paz de Argel, de 12 de dezembro de 2000, foi criada a Missão das Nações Unidas para a Etiópia e a Eritreia (MNEE) para monitorizar a fronteira disputada. Esta Missão ficou comprometida após as decisões da Comissão Fronteiriça para a Etiópia e a Eritreia, em particular na sequência da decisão de 13 de abril de 2002, que atribuiu a soberania do local onde teve início a disputa - Badme - à Eritreia, entre outras localidades, incluindo no distrito de Irob (Kaikobad, 2021). A Etiópia não aceitou a decisão. A Eritreia acabaria por obstruir de tal forma as operações da MNEE que a mesma foi extinta em julho de 2008. A situação permaneceu no fio da navalha, ou seja, num impasse entre a ausência de paz e a ausência de guerra, até à chegada ao poder de um novo primeiro-ministro etíope em 2018, Abiy Ahmed.

A par de reformas internas, Abiy Ahmed conseguiu a reaproximação à Eritreia, o que lhe valeu o Nobel da Paz em 2019. Porém, o processo de reaproximação à Eritreia excluiu os representantes do Tigré, incluindo somente os representantes de Amara, o que criou ressentimento na região e um entrincheiramento de posições. Não tardaria a que Mequele, a capital regional do Tigré, entrasse em rota de colisão com a capital nacional, Addis Abeba. A clivagem regional ter-se-ia acentuado com a decisão do presidente desta região, Debretsion Gebremichael, de avançar com eleições a 9 de setembro de 2020, em clara rebelião contra a decisão do primeiro-ministro de adiar as eleições devido à pandemia de covid-19. O Parlamento Federal Etíope declarou as eleições ilegítimas e, em outubro de 2020, suspendeu a alocação da quota do orçamento federal para aquela região.

Num crescente afastamento entre a região e a sede de poder no Estado federal, ocorreu o evento que precipitou a escalada do conflito. A versão dos acontecimentos por parte dos protagonistas é contraditória e as narrativas tão polarizadas que só é possível oferecer uma descrição geral. Na madrugada de 3 para 4 de novembro de 2020, segundo o Governo federal, os membros da força regional chacinaram membros e seus camaradas das FDNE no Comando Norte, enquanto estes dormiam. Já a narrativa da FLPT sustenta que a região estava sob cerco e circulavam informações credíveis sobre um iminente ataque das forças combinadas do Estado regional de Amara e do Estado vizinho da Eritreia, liderado pelo antigo inimigo da Frente de Libertação do Povo da Eritreia o Presidente Isaias Afewerki. Passados dois anos de conflito armado (2020-2022), os civis foram os que mais sofreram com a guerra, com estimativas de baixas entre 500 mil e 600 mil, combinando os efeitos da guerra, da seca e da escassez de alimentos e de acesso a água (Nyssen et al., 2022).

Estima-se ainda que o conflito gerou um total de refugiados estimado em sessenta mil (UNHCR, 2022), que se abrigaram no Sudão até à eclosão de um conflito no país vizinho a 15 de abril de 2023, bem como 1,8 milhões de deslocados internos. A região contava com cerca de seis milhões de habitantes, num país com uma população estimada em 110 milhões. Em 2018, ano em que Abiy Ahmed chegou ao poder, a Etiópia estava entre os países com o maior número de deslocados internos, totalizando aproximadamente 1,4 milhões de pessoas (IDMC, 2022). Este avanço culminaria na expansão do teatro de operações para as regiões de Amara e de Afar (Abbink, 2022). Além dos trágicos danos humanos e da perda de vidas, os grupos armados destruíram e saquearam instalações do Estado, incluindo centros de saúde e hospitais (Human Rights Watch, 2022). O uso dedronespelo Governo da Etiópia, provenientes da Turquia, do Irão e dos Emirados Árabes Unidos, foi determinante para a capitulação dos representantes da FLPT (Agence France-Presse, 2025).

Ciclos sucessivos de trabalho de campo em contexto de conflitos armados persistentes

Em vez de adotar uma pesquisa etnográfica clássica de longa duração, esta investigação seguiu um modelo de ciclos sucessivos de trabalho de campo (Glawion, 2020), cada um dividido em duas fases: uma visita exploratória e uma segunda deslocação orientada para a observação participante e a realização de entrevistas. A duração das estadias variou entre quatro e doze semanas, dependendo do objetivo de cada ciclo. As primeiras experiências em Addis Abeba (2003) e em Asmara (2004), realizadas em julho, revelaram as limitações de um calendário académico que coincidia com a estação das chuvas, dificultando o acesso às zonas rurais. Além disso, a investigação na Eritreia enfrentou restrições de mobilidade e de acesso às áreas fronteiriças em 2004, impostas pelos representantes do Estado da Eritreia. À época, a fronteira internacional sob disputa entre a Etiópia e a Eritreia encontrava-se sob vigilância da MNEE. Isso levou a priorizar deslocações para o lado etíope da fronteira a partir de 2005. Entre 2005 e 2019, realizaram-se sucessivas estadias de três a quatro semanas em zonas contestadas do norte da Etiópia, permitindo acompanhar as transformações locais até à eclosão do conflito de novembro de 2020, que inviabilizou novos regressos.

O trabalho de campo2 incluiu observação participante em eventos sociais, religiosos e assembleias tradicionais de resolução de conflitos (shimagle), acesso a documentos primários e entrevistas com diversos atores, incluindo diplomatas, políticos, ex-combatentes, jornalistas, académicos, líderes religiosos e membros de grupos específicos, abrangendo a diversidade religiosa e étnica dos diferentes locais de trabalho de campo, tanto nas capitais como nas áreas fronteiriças.

A convivência quotidiana e a repetição das visitas permitiram mitigar a desconfiança inicial face a uma investigadora estrangeira. A aprendizagem do silabário - fidal - na base do amárico, do tigrinha e do irobinha (Saho) foi também crucial, tanto para validar traduções e registos como para compreender referências locais a calendários, espaços, pessoas e práticas sociais.

Foram igualmente realizadas entrevistasfocus groupscom jovens e anciãos, que ofereceram perspetivas contrastantes sobre a guerra de 1998-2000 e o pós-conflito. Os resultados foram mistos: entre os jovens, tensões entre os participantes exigiram ajustes no formato das sessões, revelando os limites da investigadora e dos intermediários na moderação dos pequenos grupos compostos por oito jovens num total de cinco grupos para lidar com memórias traumáticas; já entre os anciãos, ofocus groupfoi composto por dez anciãos, a discussão foi moderada pela investigadora e por um intermediário responsável pela seleção dos participantes e as discussões em torno das questões específicas decorreram de forma mais construtiva, centrando-se no conhecimento da região antes da guerra e nas diferentes palavras para designar fronteira em irobinha e tigrinha, de maneira a poder apreender as nuances das perspetivas dos atores locais em relação ao conceito de fronteira internacional.

De salientar que a investigação só foi possível graças à mediação degatekeepers, em particular, do Secretariado Católico de Adigrat, que desempenhou um papel decisivo na garantia de acesso seguro e na aceitação local. Estes atores, a par com os intermediários, dotados de legitimidade junto dos sujeitos sob estudo, foram fundamentais para viabilizar a pesquisa em contextos de elevada vulnerabilidade.

Dito isto, esta experiência de investigação está em linha com uma visão que se prende com a chamada viragem local dos estudos de conflitos armados (Ejdus, 2021; Mac Ginty & Richmond, 2013). Tal permite-nos conhecer as perspetivas dos atores locais situados em áreas remotas, consideradas de dificuldade extrema dado estarem particularmente afetadas por este conflito, neste caso, permanecendo sob ocupação das FDE em 2025. Na área sob enfoque no norte da Etiópia, o distrito local de Irob (woredaIrob3), situado na área transfronteiriça entre a Etiópia e a Eritreia, a Igreja Católica, enquanto ator não estatal transnacional, por um lado, e com forte implementação local através dos religiosos da etnia Irob e com construção de paróquias em todas as localidades do distrito de Irob, por outro lado, tem assumido um papel importante na provisão de serviços essenciais em complementaridade com o Estado etíope nas áreas da educação e da saúde. Tal situação alterou-se desde o início do conflito em 2020 e os representantes na região tornaram-se reféns das hostilidades e viram-se impedidos de garantir ajuda aos civis afetados pelo conflito e na sequência do mesmo desde 2022.

No contexto da investigação empírica, o Secretariado Católico de Adigrat assumiu o papel central de guardião (gatekeeper). Por guardiães entende-se, neste contexto, cidadãos detentores de autoridade, legitimidade e/ou prestígio junto do(s) grupo(s) e na(s) localidade(s), cuja intervenção poderá facilitar ou, pelo contrário, obstruir o acesso inicial do investigador. A sua intervenção pode tornar o acesso mais ou menos difícil, sendo suscetível de inviabilizar a investigação nos moldes planeados (Feldman et al., 2003, p. 31). Sem a autorização e as recomendações deste ator, a realização de múltiplas deslocações e do trabalho de campo em condições seguras para a investigadora e para os participantes não teria sido possível. O papel dos guardiães é, por conseguinte, crucial em qualquer investigação em contextos difíceis de violência (armada) e em sociedades em conflito.

A guerra civil da Libéria e o papel das mulheres na paz

A segunda parte deste artigo baseia-se na investigação de doutoramento da segunda autora deste artigo, realizada no contexto frágil da Libéria, entre 2020 e 2023, um país marcado por duas guerras civis violentas entre 1980 e 2003. Este cenário de insegurança revelou-se particularmente relevante para analisar os processos de reconstrução pós-conflito a partir de uma perspetiva de género, com especial foco nos esforços locais para construir uma paz sustentável. A análise insere-se também na chamada «viragem local nos estudos sobre a construção da paz» (Witt & Schnabel, 2020), documentando os contributos das mulheres liberianas para a consolidação da paz, com destaque para uma iniciativa comunitária conhecida comoPeace Huts(«Cabanas da Paz»). A investigação recorreu a métodos mistos (qualitativos e quantitativos) para compreender as experiências destas mulheres e as suas estratégias para promover o desenvolvimento sustentável e a paz ao nível local.

Entre 1980 e 2003, a guerra civil na Libéria causou a desintegração do Estado, violações graves dos direitos humanos e a morte de cerca de 250 mil pessoas (United Kingdom Home Office, 1999). Estima-se ainda que quarenta mil mulheres tenham sido violadas e dois milhões de pessoas deslocadas (Specht, 2006). Mulheres e crianças foram as principais vítimas, muitas vezes recrutadas à força. Ao mesmo tempo, o ativismo feminino ganhou força com o Movimento das Mulheres Liberianas para a Paz (Women of Liberia Mass Action for Peace), liderado pela organização Women in Peacebuilding Network (WIPNET), que desempenhou um papel importante ao pressionar a assinatura do acordo de paz em 2003. Após a assinatura do acordo de paz, o país iniciou um processo de reconstrução pós-conflito e de consolidação democrática, pautado por esforços de desenvolvimento e reconciliação. No campo dos Estudos da Paz, políticos e académicos africanos têm reconhecido a relação entre género e paz, sublinhando a importância da participação efetiva das mulheres nos processos de tomada de decisão como condição fundamental para a construção de uma paz sustentável (Makan-Lakha & Ngandu, 2017). A consolidação democrática passou a integrar a agenda internacional de mulheres, paz e segurança (MPS), inaugurada pela Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). Esta resolução, adotada em 2000, sublinha a importância da participação das mulheres em processos de paz. Em África, inspirou a criação de quadros normativos regionais e nacionais, enquanto organizações e ativistas pressionaram pela sua implementação. Na Libéria, a eleição de Ellen Johnson Sirleaf em 2005 reforçou a visibilidade da agenda, embora a fragilidade do Estado e a exclusão das mulheres de base continuem a limitar a eficácia das políticas. Existe um desequilíbrio persistente entre organismos nacionais, regionais e internacionais e as realidades vividas pelas mulheres em contextos de conflito e pós-conflito. Este artigo sublinha, por isso, a necessidade de estruturas que assegurem a participação efetiva das mulheres na construção da paz ao nível local. A investigação desenvolvida teve dois objetivos: (1) analisar o impacto das normas políticas de MPS nas comunidades de países com forte tradição patriarcal; (2) avaliar até que ponto as iniciativas da sociedade civil traduzem os princípios da Resolução 1325 do CSNU em práticas locais. Neste âmbito, o estudo centrou-se na iniciativa das «Cabanas da Paz» na Libéria, inicialmente liderada pela WIPNET, um mecanismo comunitário liderado por mulheres que promove o diálogo e a prevenção de conflitos, contribuindo para uma paz inclusiva. A investigação combina dados qualitativos e quantitativos - entrevistas,focus groupse questionários - para avaliar o conhecimento da Resolução 1325, os mecanismos de financiamento, as colaborações entre atores e as prioridades futuras. O caso liberiano foi escolhido pela relevância do movimento feminino no processo de paz, pela abordagembottom-up(de baixo para cima) e pelos esforços contínuos de empoderamento das mulheres e da educação para a paz.

O contributo teórico deste estudo reside em questionar até que ponto a Resolução 1325 fortalece o envolvimento das mulheres locais e como as iniciativas da sociedade civil podem reforçar a apropriação comunitária desta agenda. Inserido num debate mais amplo sobre género em sociedades patriarcais africanas, o estudo evidencia a importância de dar voz às mulheres locais, utilizando sobretudo métodos qualitativos para compreender as suas perspetivas.

Dar voz aos atores locais através da pesquisa qualitativa

O estudo de caso da Libéria permite refletir sobre o papel fundamental das mulheres como construtoras da paz, bem como os desafios que enfrentam para promover mudanças duradouras e alcançar a igualdade de género. Nesse contexto, os métodos mostram-se essenciais para captar as aspirações e experiências locais, especialmente em países com dados estatísticos limitados. A investigação, desenvolvida entre fevereiro de 2020 e 2023, combinou técnicas qualitativas e quantitativas de recolha de dados. Numa abordagem qualitativa, recorreu a análise documental, etnografia, entrevistas semiestruturadas,focus groupse, numa abordagem quantitativa, recorreu-se a questionários, integrando diferentes perspetivas sobre o envolvimento das mulheres na paz e na segurança.

No total, foram realizadas 26 entrevistas a representantes governamentais, organizações internacionais, sociedade civil, académicos e mulheres envolvidas nas «Cabanas da Paz», além de oitofocus groupsem comunidades do norte da Libéria. As entrevistas foram conduzidas em duas fases: inicialmente de formaonline, com especialistas europeus e africanos, e, posteriormente, de forma presencial, na Libéria, entre junho e setembro de 2021. Realizadas em formato semiestruturado, basearam-se em perguntas abertas, foram gravadas com o consentimento dos participantes e transcritas integralmente. A seleção dos entrevistados privilegiou atores diretamente envolvidos nos processos de construção da paz, resolução de conflitos e implementação da agenda MPS. Apesar das limitações impostas pela covid-19 e pela disponibilidade limitada de algumas figuras-chave, a diversidade de vozes obtidas permitiu mapear três dimensões centrais: (1) o papel das mulheres na construção da paz e na Resolução 1325; (2) as relações entre comunidades, sociedade civil, governo e atores internacionais; (3) o contributo específico das «Cabanas da Paz» como mecanismo local de implementação. O trabalho de campo, desenvolvido em oito regiões do norte da Libéria4 incluiu também observação participante em reuniões comunitárias e emworkshopsde reconciliação. A seleção das comunidades, realizada em articulação com a presidente nacional das «Cabanas da Paz», considerou a acessibilidade durante a estação das chuvas5 e o grau de dinamismo das estruturas locais. Essas experiências evidenciaram tanto os desafios logísticos quanto os dilemas metodológicos associados à entrevista de mulheres em contextos patriarcais, nos quais falar publicamente e de forma individual pode gerar hesitação (Hyden, 2005).

Ainda assim, a combinação de métodos e a posicionalidade da investigadora - jovem, mulher e estrangeira - favoreceram a criação de confiança, permitindo o relato de experiências sensíveis, incluindo violência sexual e mutilação genital feminina. No conjunto, a metodologia adotada permitiu compreender o impacto local da Resolução 1325 e demonstrar como iniciativas de base, como as «Cabanas da Paz», contribuem para a coesão social e para o diálogo comunitário. Embora consideradas informais, essas estruturas exercem influência significativa nos processos formais de paz, como ficou patente na mobilização de milhares de mulheres que pressionaram pela assinatura do acordo de paz de 2003. Não obstante, a inclusão efetiva dessas iniciativas de base nos mecanismos oficiais de construção da paz permanece limitada e insuficientemente reconhecida.

Como atrás mencionado, a realização do trabalho de campo coincidiu com a pandemia de covid-19 e com as consequentes restrições de distanciamento social, o que impôs desafios adicionais à mobilidade e à organização de encontros comunitários. Como resposta, foi elaborado um questionário estruturado, concebido como complemento às entrevistas e aos grupos focais, e não apenas como instrumento de recolha quantitativa. O objetivo foi alcançar um número mais alargado de participantes, nomeadamente aqueles que não puderam ser entrevistados presencialmente. O questionário foi entregue aos líderes das «Cabanas da Paz» e partilhado com as comunidades. Também foi enviado pore-maila entrevistados não acessíveis por telefone, incluindo mulheres envolvidas em organizações da sociedade civil e iniciativas comunitárias, de forma a recolher testemunhos diretos sobre o conhecimento da Resolução 1325 e as colaborações estabelecidas com outros atores. No total, foram enviados 185 questionários, dos quais 168 foram respondidos. Esta experiência ilustra um caso defieldwork interrupted, sendo que o trabalho de campo deixa de ser uma fase linear da investigação para se tornar um espaço instável, onde as condições para recolher dados são continuamente negociadas (Rivas & Browne, 2018).

A combinação dessas abordagens visou aprofundar a compreensão sobre o impacto local da Resolução 1325 e o papel das «Cabanas da Paz» na capacitação das mulheres e na implementação de normas políticas. O recurso a múltiplos métodos de recolha de dados mostrou-se particularmente relevante neste contexto - ainda que as suas vantagens não se restrinjam à investigação em África -, permitindo uma análise mais fiável e abrangente. Como destaca Hyden (2005, p. 240), «[s]em recorrer a outros meios de recolha de dados além de um questionário, os resultados podem estar bastante distantes da realidade. Tal não é algo exclusivo do contexto africano»6.

A metodologia adotada possibilitou, assim, a recolha de diversas perspetivas por parte das comunidades e organizações locais sobre a Resolução 1325, assim como uma avaliação das perceções dos entrevistados quanto às principais prioridades para promover mudanças efetivas e sustentáveis na Libéria. Os esforços informais de construção da paz, de baixo para cima, oferecem apoio prático para reconstruir a sociedade e melhorar a vida nas comunidades. Mulheres de diferentes identidades étnicas e culturais reúnem-se para promover a paz por meio de atividades como orações inter-religiosas, fornecimento de alimentos, cuidados de saúde, abrigo, proteção contra violência sexual, educação e oportunidades económicas.

A iniciativa das «Cabanas da Paz» tem permitido que as mulheres se encontrem e discutam temas como insegurança, violência sexual, gravidez, resolução de conflitos e empoderamento económico, entre outros. Essas estruturas locais foram criadas para fortalecer a coesão social e envolver outros líderes comunitários, como chefes tradicionais ou chefes de aldeia, que atuam como mediadores para apoiar relações pacíficas. Diversos instrumentos são usados para aumentar a consciencialização sobre questões específicas nas comunidades, incluindo programas de rádio e marchas pacíficas. Embora consideradas informais, essas iniciativas locais têm um impacto considerável nos processos formais. O caso da Libéria ilustra-o claramente: o encontro de milhares de mulheres em todo o país, denunciando as atrocidades da guerra e exigindo o fim do conflito, contribuiu para a assinatura do acordo de paz de 2003. No entanto, apesar do papel essencial dos grupos civis locais, a inclusão das iniciativasgrassroots, de baixo para cima, continua limitada e muitas vezes insuficientemente reconhecida.

Considerações finais

Este estudo evidencia a relevância da investigação qualitativa e participativa para compreender dinâmicas complexas de construção da paz e captar vozes locais, numa perspetivabottom-uppara a produção de conhecimento empírico original. Destas duas experiências retiram-se lições valiosas para outros contextos de conflitos recorrentes.

As abordagens metodológicas adotadas, incluindo observação participante, entrevistas semiestruturadas efocus groups, permitiram apreender múltiplas perspetivas e valorizar vozes e práticas locais. Complementarmente, o recurso a técnicas quantitativas de recolha de dados (questionários) ampliou a compreensão do perfil de participantes. Por outro lado, a construção derapporte a negociação comgatekeepersforam cruciais para garantir acesso e confiança, mostrando que relações de empatia exigem presença prolongada e comprometida no terreno.

As experiências de trabalho de campo mostram ainda desafios semelhantes, como barreiras geográficas, dificuldades logísticas e a necessidade de evitar a estação das chuvas no contexto africano. As experiências também revelam a centralidade do trabalho de campo prolongado: enquanto a segunda autora deste artigo conseguiu recolher dados originais numa única deslocação, já enquadrada teoricamente na «viragem local» dos estudos de paz, a experiência da primeira autora demonstra que múltiplas estadias permitem não apenas aprofundar a análise, mas também reorientar a investigação em função das condições encontradas.

No caso etíope, Dias concentrou-se no distrito de Irob, no Tigré, após a impossibilidade de aceder à fronteira do lado da Eritreia. O trabalho de campo prolongado permitiu documentar estratégias de grupos transfronteiriços e registar dilemas de segurança emergentes após a reabertura da fronteira em 2018, que antecipavam a vulnerabilidade das comunidades na crise de 2020. A agência destes atores locais, contudo, permaneceu limitada, na ausência de mecanismos de proteção ou mediação eficazes.

Em contraste, na Libéria, as mulheres envolvidas nas «Cabanas da Paz» ampliaram o alcance da iniciativa: de espaços de mediação de conflitos transformaram-se em redes de solidariedade, de entreajuda e de resiliência comunitária, reforçando o papel ativo da sociedade civil.

A estratégia qualitativa para a recolha de dados em contextos de conflito e de pós-conflito deve, assim, ter em consideração que o trabalho de campo é um processo que envolve negociação, no qual osgatekeepersse revelam atores-chave no acesso a fontes, sendo que a construção derapportcom as comunidades locais é igualmente essencial, pelo que a confiança não se estabelece com estadias breves ou visitas pontuais. Contudo, tal pode constituir um desafio para o investigador, em virtude de possíveis limitações temporais e financeiras.

Em síntese, a experiência das autoras confirma a importância do esforço de adotar estratégias qualitativas prolongadas e contextualizadas para captar a complexidade sociocultural e compreender a agência dos atores locais. A investigação qualitativa e participativa revela-se, assim, não apenas como ferramenta analítica, mas também como meio de dar visibilidade e legitimidade às práticas de paz enraizadas nas comunidades.

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Notas

1O processo de reconstrução do Estado na Etiópia a partir de 1991 teve repercussões para a demarcação de fronteiras internacionais e fronteiras internas político-administrativas. A ocorrência de uma guerra interestatal entre a Eritreia e a Etiópia entre 1998 e 2000 acentuou a importância de averiguar as ramificações internacionais dos processos internos de construção e de «reconstrução» do Estado. Com efeito, a transformação das relações entre os atores sociais em áreas transfronteiriças foi propulsionada, condicionada e negativamente afetada pelas trajetórias contraditórias dos processos de construção e de reconstrução do Estado na Eritreia desde a sua independência em 1993 e na Etiópia com a implementação do novo projeto político sob liderança do primeiro-ministro Meles Zenawi e da Frente Revolucionária e Democrática dos Povo da Etiópia (Dias, 2010).

2 Lamont (2015, p. 145) enumera as seguintes atividades de trabalho de campo: pesquisa de arquivo e de documentos originais (diários, cartas, correspondência, elementos autobiográficos), observação participante, entrevistas semiestruturadas e conversas individuais,focus group interviewing(entrevista com grupos específicos), entrevistas estruturadas, questionários e amostras.

3Na Etiópia, no modelo de federalismo étnico adotado deste 1991, de forma informal, e desde 1994, de forma formal, há três unidades administrativas a destacar: (1) as regiões, oukilil, que correspondem, mais do que a delimitações étnicas, a delimitações etnolinguísticas - dada a miscigenação dos grupos na Etiópia nalongue duréedo processo de formação do Estado e dos distintos projetos políticos na sua base; (2) as zonas, que correspondem a uma subdivisão das regiões; e (3) asworedas, ou distritos. Os últimos níveis administrativos correspondem àstabias, ou aldeias, conglomerados dekushets, ou representações locais, estes correspondem ao nível mais próximo dos residentes de uma determinada localidade, caso daworeda/distrito de Irob: o mesmo encontra-se na região do Tigré, na Zona Oriental, e é composto por setetabias(Dias, 2010).

4As comunidades de Gbarma (região de Gbarpolu), de Malema (região de Bomi), de Bo-Waterside (região de Grand Cape Mount), de Weala (região de Margibi), de Totota (região de Bong), de Ganta (região de Nimba) e de Schieffelin (região de Montserrado).

5Revelou-se a importância de, no futuro, ponderar cuidadosamente o momento da deslocação para a realização do trabalho de campo, uma vez que a escolha da época das chuvas excluiu o acesso a determinadas zonas locais que se tornam inacessíveis por estrada nesse período. A época das chuvas na Libéria ocorre de maio a outubro.

6Tradução livre da autora.

Recebido: 03 de Maio de 2025; Aceito: 27 de Agosto de 2025

Investigadora no IPRI-NOVA e professora auxiliar no Departamento de Estudos Políticos da NOVA FCSH. É coordenadora do doutoramento em Estudos sobre Globalização. Os seus interesses de investigação enquadram-se no panorama da segurança em África, com particular enfoque no Corno de África e nas áreas fronteiriças, bem como nas relações internacionais de África numa ordem global em mudança.

Investigadora de pós-doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral na Universidade Católica Portuguesa (Instituto de Estudos Políticos, CIEP) e doutorada em Relações Internacionais, Segurança e Defesa (IEP-UCP), com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os seus interesses de investigação centram-se na sociedade civil e na construção da paz, com especial ênfase em iniciativas comunitárias e na participação das mulheres.

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