“Se podes sonhar, podes realizar.”
Walt Disney
Introdução
A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) gere 4 programas de mobilidade (Programa Mobilidade AULP, ProCultura+ (fase 2), ProCTEM+ e ProSaúde+), tendo já concluído com sucesso dois outros projetos (PROCULTURA e ProCultura+). Olhando para os projetos financiados (excluindo o Programa Mobilidade AULP) e os seus números, falamos da gestão de mais de um milhão e meio de euros para concretizar mais de 340 mobilidades, conforme tabela que apresentamos abaixo.
Tabela 1 Projetos de mobilidade AULP (2019-2025)
| Anos de implementação | Financiamento | Orçamento | Mobilidades | Áreas de estudo | N.º de instituições envolvidas | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Programa Mobilidade AULP | Desde 2019, a decorrer. | Sem financiamento. | Não se aplica. | +240 | Todas. | 90 |
| Bolsas AULP-PROCULTURA | 2019-2024 | Camões, IP | €475.000 | 69 | Cultura: dança, música, teatro, cinema, gestão do património cultural, língua, culturas e literatura portuguesa. | 17 |
| ProCultura+ (fase 1) | 2022-2025 | Erasmus+ | €383.540 | 90 | Cultura: dança, música, teatro, cinema, gestão do património cultural, língua, culturas e literatura portuguesa. | 20 |
| ProCTEM+ | 2023-2026 | Erasmus+ | €186.010 | 54 | Agronomia, biologia, ciências do ambiente, ciências do mar, engenharia informática, engenharia das telecomunicações, engenharia do ambiente, engenharia alimentar e matemática. | 18 |
| ProSaúde+ | 2024-2027 | Erasmus+ | €174.797 | 45 | Ciências Biomédicas, Enfermagem, Farmácia, Medicina, Nutrição e Psicologia. | 18 |
| ProCultura+ (fase 2) | 2025-2027 | Erasmus+ | €366.142 | 84 | Cultura: dança, música, teatro, cinema, gestão do património cultural, língua, culturas e literatura portuguesa. | 18 |
ProCultura+: o primeiro projeto Erasmus+ da AULP
Financiado pelo Programa Erasmus+ através da Ação-chave KA171 International Credit Mobility, o ProCultura+ surge como resultado da Ação PRO-CULTURA PALOP-TL – Promoção do Emprego nas Atividades Geradoras de Rendimento no Setor Cultural nos PALOP e Timor-Leste, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, IP (Acordo de Delegação FED/2019/405-279).
Com a participação de 20 Instituições de Ensino Superior (IES) da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o projeto ProCultura+ começa a ser desenhado em 2021 com o propósito de contribuir para a formação das capacidades artísticas e de pensamento crítico dos estudantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe – e Timor-Leste em cursos de licenciatura na área da cultura com o objetivo geral motor de melhorar a futura empregabilidade destes jovens nos seus países de origem em atividades geradoras de rendimento no sector cultural.
Inserido no contexto da cooperação entre IES dos países lusófonos, o projeto destaca-se também dos anteriores projetos de mobilidade da AULP por promover também o fortalecimento das competências dos docentes com a mobilidade de professores. Tudo isto fortalece as relações interinstitucionais entre as próprias IES com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável do ensino superior. Por último, o Programa ProCultura+ promove a inclusão social, oferecendo igualdade de oportunidades aos participantes, aproximando-os assim do Espaço Europeu da Educação e aos valores promovidos pelo Programa Erasmus+ em inclusão, diversidade e cidadania.
Fase 1: Planeamento e Análise
Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, a AULP iniciou os trabalhos de planeamento e análise de viabilidade daquele que hoje é uma realidade: o Programa ProCultura+.
Numa fase inicial, o projeto – ainda sem nome, mas já com contornos definidos – surgiu como resposta a um pedido do Camões, I.P., para que a AULP submetesse candidaturas de financiamento ao Programa Erasmus+. Essas candidaturas visavam dar continuidade às mobilidades de estudantes no âmbito da Ação PROCULTURA PALOP-TL – Promoção do Emprego nas Atividades Geradoras de Rendimento no Setor Cultural nos PALOP e em Timor-Leste, financiada pela União Europeia e cofinanciada e gerida pelo Camões, I.P. (Acordo de Delegação FED/2019/405-279).
A AULP já integrava a Ação PROCULTURA PALOP-TL através da implementação da Atividade A1.3, que se caracterizava pela implementação de no mínimo 40 mobilidades internacionais de estudantes (tendo implementado 69 mobilidades de 2019 até 2024) e pelo apoio ao intercâmbio de estudantes das áreas disciplinares da cultura entre instituições de ensino superior dos PALOP-TL e dos países do Programa Erasmus+, estabelecendo duas metas principais:
Formar um consórcio de instituições de ensino superior em Portugal ao abrigo do Programa Erasmus+ e garantir a participação de, pelo menos, uma universidade por cada país PALOP-TL como instituição de envio (Meta: 6 universidades dos PALOP-TL);
Promover o intercâmbio de estudantes através de candidaturas aprovadas pela Agência Nacional Erasmus+ e pela AULP (Meta: 100 estudantes, com pelo menos 50% de participantes do sexo feminino).
Foi neste enquadramento que a AULP deu início aos trabalhos de investigação e articulação interinstitucional que culminariam na apresentação de uma candidatura própria ao Programa Erasmus+ em 2021, para a Acreditação de um Consórcio de Mobilidade do Ensino Superior, o Consórcio ProCultura+.
Numa primeira fase de planeamento, foi organizado em parceria com o Camões, IP as áreas da cultura que integrariam o Programa Mobilidade ProCultura+. Neste contexto, foram identificados como prioritários de desenvolvimento os cursos de licenciatura nas disciplinas da música, dança, teatro, cinema, gestão do património cultural e língua, literatura e cultura portuguesa. É nestas disciplinas onde existe um grande potencial artístico dos jovens nos PALOP e Timor-Leste que infelizmente não é aproveitada pela falta de investimento público e privado a nível educativo com a limitada oferta de cursos e recursos no ensino superior. Por exemplo, é pouco frequente ter instituições de ensino superior nos PALOP e Timor-Leste com oferta formativa de ensino superior de primeiro (licenciaturas) e segundo ciclo (mestrados) nas disciplinas acima especificadas. Angola e Moçambique são os únicos países dos PALOP e Timor-Leste com formação em quase todas as disciplinas identificadas como prioritárias no âmbito da cultura pelo Programa ProCultura+. Já os países de menores dimensões populacionais, destinatários de assistência oficial ao desenvolvimento segundo a Lista DAC de destinatários ODA, como Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, só oferecem cursos de licenciatura em língua e literatura portuguesa.
Uma das preocupações iniciais que motivaram a criação do Programa ProCultura+ foi a necessidade de aumentar a visibilidade e a valorização social do setor cultural nos PALOP e em Timor-Leste. Pretendia-se, com isso, garantir que os jovens criativos, após as suas experiências de mobilidade internacional, tivessem acesso a mais ferramentas e competências para atuarem profissionalmente no setor cultural após a graduação, desenvolverem os seus próprios produtos culturais, acederem à inovação tecnológica e, assim, difundirem as suas culturas em novos mercados internacionais. Nos mercados nacionais, a falta de público-alvo à procura de produtos de música, dança, teatro, cinema e literatura é afetada pela pobreza, falta de estímulos ao nível da educação e limitações de acesso. Nos mercados internacionais, estes sectores têm a sua criatividade limitada pela falta de inversão de capital, défice de competências técnicas, tecnológicas, canais de difusão e comercialização que levam a um desajustamento da oferta criativa aos critérios dos consumidores. Apesar dos inconvenientes, observa-se um mercado interno crescente na organização de eventos públicos e corporativos e têm ainda uma forte identidade e potencial de diferenciação nos mercados internacionais. A criatividade é a principal força dos jovens criadores e empresários perante as limitações do mercado nacional e internacional.
Também é importante destacar a relevância das mulheres no setor cultural tanto a nível nacional como internacional favorecendo a igualdade de género nas atividades geradoras de emprego e rendimento na economia cultural e criativa nos PALOP e Timor-Leste. Por outro lado, o acesso limitado à literatura nos PALOP e Timor-Leste, prejudica o desenvolvimento dos produtos criativos neste sector. A literatura e, especialmente a literatura infantil-juvenil, constituem uma parte muito importante na educação, criação e formação na identidade dos povos, sendo a promoção da leitura em curtas idades a melhor inversão nacional para conseguir a promoção da literacia, a redução das desigualdades e a promoção da diversidade. Abordagens interdisciplinares e aplicação de metodologias culturais e artísticas corrigem assimetrias geográficas e estimulam cruzamentos inovadores entre diferentes áreas do saber. Uma intervenção neste setor cultural, incluindo a língua portuguesa, integra toda a cadeia de valor, desde os processos criativos à distribuição e receção. É neste contexto que o Programa ProCultura+ enquadra-se nos princípios do Consenso Europeu em matéria de desenvolvimento (O Nosso Mundo, a Nossa Dignidade, o Nosso Futuro), nomeadamente, no reconhecimento de que a cultura favorece «a inclusão social, a liberdade de expressão, a formação da identidade, o reforço da autonomia e capacidade da sociedade civil», e na intenção da União Europeia e dos seus Estados membros de fomentar a economia e as políticas culturais quando estas contribuam para alcançar desenvolvimento sustentável.
Adicionalmente, uma das propostas da AULP – tendo em conta a sua vasta experiência no âmbito do ensino superior e a necessidade real de mobilizar docentes em prol do desenvolvimento do ensino superior lusófono e da investigação na área da cultura – foi a de promover a mobilidade de professores dos PALOP, de Timor-Leste e de Portugal no âmbito do Programa ProCultura+. O objetivo consistia em fomentar a troca de conhecimentos, a experimentação em novos contextos de ensino, a aquisição de competências pedagógicas e digitais, bem como a partilha de saberes no meio académico, nomeadamente através da publicação de artigos científicos na Revista Internacional para a Língua Portuguesa (RILP), como acontece com este número da RILP n.º 48 “Mobilidade para a Língua Portuguesa”. As mobilidades docentes contribuiriam para o reforço das competências profissionais dos docentes, com vista à formação de jovens artistas capacitados para empreender e melhorar a sua futura empregabilidade no setor cultural. Esta iniciativa foi muito bem acolhida tanto pelo Camões, I.P., como pelas Instituições de Ensino Superior que integrariam o Consórcio ProCultura+, bem como pelas IES parceiras nos PALOP e em Timor-Leste.
Tendo em vista os objetivos e as atividades a desenvolver no âmbito do Programa ProCultura+, a AULP identificou as IES dos PALOP e de Timor-Leste com potencial para integrar o projeto, com base na lista de cursos de primeiro ciclo considerados prioritários para o seu desenvolvimento. Essas instituições foram, posteriormente, convidadas a participar no Programa ProCultura+, conforme a seguinte distribuição:
– Na disciplina de Dança: Instituto Superior de Artes e Cultura e Universidade Pedagógica de Maputo em Moçambique;
– Na disciplina de Música: Universidade de Luanda em Angola, Universidade de Cabo Verde, Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Pedagógica de Maputo em Moçambique;
– Na disciplina de Teatro: Universidade de Luanda em Angola, Universidade de Cabo Verde, Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Pedagógica de Maputo em Moçambique;
– Na disciplina de Cinema: Instituto Superior de Artes e Cultura em Moçambique;
– Na disciplina de Gestão do Património Cultural: Universidade de Cabo Verde, Instituto Superior de Artes e Cultura e Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique;
– Na disciplina de Literatura e Língua Portuguesa: Universidade Agostinho Neto em Angola, Universidade de Cabo Verde, Escola Normal Tchico-Té em Guiné-Bissau, Universidade São Tomé e Príncipe, Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique e Universidade Nacional de Timor Lorosa’e em Timor-Leste.
A seleção das IES de acolhimento em Portugal, no âmbito do Programa Pro-Cultura+, foi realizada com base nos seguintes critérios:
– Serem membros da rede AULP para poder assim contar com instituições de ensino superior parceiras em Portugal com quem a AULP colabora há mais de 30 anos em alguns casos, garantindo a qualidade do Programa e da preparação, execução e seguimento das mobilidades internacionais;
– Serem instituições de ensino superior reconhecidas pela sua excelência académica a nível nacional e também europeu, acreditadas com a Carta Erasmus (ECHE);
– Serem instituições de ensino superior com oferta de cursos de licenciatura nas disciplinas da Música, Dança, Teatro, Cinema, Gestão do Património Cultural, Literatura e Língua Portuguesa com currículos de estudos equivalentes aos lecionados pelas instituições de ensino superior parceiras nos PALOP e Timor-Leste;
– Contar com uma estratégia de internacionalização comum, com base em ampliação da cooperação interuniversitária entre instituições de ensino superior nos PALOP e Timor-Leste, exportando os valores do Programa Erasmus+ mediante mobilidades de estudantes e docentes internacionais, e contribuindo tanto com as suas capacidades estruturais, recursos humanos, experiência na gestão de mobilidades ao abrigo do Programa Erasmus+, reconhecimento de créditos ECTS e inovação nas metodologias pedagógicas e novas tecnologias.
Assim, da rede de 40 instituições de ensino superior que a AULP conta em Portugal, 11 aceitaram o convite para constituírem o Consórcio ProCultura+:
Instituto Politécnico de Bragança – Escola Superior de Educação;
Instituto Politécnico de Leiria – Escola Superior de Educação e Ciências Sociais;
Instituto Politécnico de Lisboa – Escola Superior de Dança de Lisboa, Escola Superior de Música de Lisboa e Escola Superior de Teatro de Lisboa;
Universidade do Algarve – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais;
Universidade de Aveiro – Departamento de Línguas e Culturas;
Universidade da Beira Interior – Departamento de Artes;
Universidade Católica Portuguesa – Escola de Artes;
Universidade de Coimbra – Faculdade de Letras;
Universidade da Madeira – Faculdade de Artes e Humanidades;
Universidade Nova de Lisboa – Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas Modernas;
Universidade de Porto – Faculdade de Letras.
Com esta estrutura estabelecida, a AULP, enquanto entidade líder do Consórcio ProCultura+, submeteu uma candidatura à Ação KA130-HED do Programa Erasmus+, referente à Acreditação Erasmus de Consórcio de Mobilidade do Ensino Superior, tendo obtido a aprovação da Agência Nacional Erasmus+. O Consórcio ProCultura+, com o código de acreditação 2021-1-PT01-KA130-HED-000007707, tem validade de 1 de julho de 2021 a 31 de dezembro de 2027. Contudo, para obter financiamento no âmbito do Programa Erasmus+, a acreditação teve de ser seguida da apresentação de uma candidatura à Ação KA171-HED. Assim, no ano seguinte, em 2022, o Consórcio ProCultura+ submeteu uma nova candidatura, que resultou na atribuição de um financiamento de 383.540,00€ ao abrigo do Programa Erasmus+ Ação KA171-HED. Este financiamento, associado ao projeto com o código 2022-1-PT01-KA171-HED-000074466, para mobilizar a um total de 94 participantes (50 estudantes e 44 professores dos PALOP, Timor-Leste e Portugal) de 1 de agosto de 2022 até 31 de julho de 2025 (3 anos).
Fase 2: Implementação e Execução
A AULP, em parceria com as 11 IES do Consórcio ProCultura+, as 8 IES dos PALOP e 1 IES de Timor-Leste, deu início aos trabalhos para a implementação das 94 mobilidades atribuídas pelo Programa Erasmus+ Ação KA171-HED. No final do projeto a 31 de julho de 2025, foi utilizado 100% do orçamento previsto, mas foram implementadas 90 das 94 mobilidades previstas devido a um acerto orçamental dos custos com as viagens.
Numa primeira fase, as bolsas foram distribuídas por país, instituição de ensino superior e área de estudo, de forma a garantir a maior equidade possível, para que, em seguida, fossem assinados os acordos interinstitucionais bilaterais. Paralelamente, foi criada a identidade visual e o site do Programa ProCultura+ (https://proculturamais.aulp.org/), que inclui uma plataforma online para candidaturas dos estudantes dos PALOP e de Timor-Leste, assegurando um processo transparente baseado nos seguintes critérios de seleção:
Equidade de género (50% mulheres e 50% homens selecionados em mobilidade por cada IES de acolhimento)
Comprovativo de habilitações académicas (50%)
Motivação (20%)
Cursos, voluntariado, participação em eventos ou seminários, etc, relativos à participação ativa do estudante na comunidade (10%)
Aluno com barreiras económicas (5%)
Estatuto Trabalhador-Estudante (5%)
Aluno com filhos dependentes ou familiares a cargo (5%)
Aluno com deficiência ou problema de saúde (5%)
Desta forma, na atribuição das bolsas foi dada prioridade à igualdade de oportunidades para estudantes com menos oportunidades, em conformidade com as orientações da Estratégia para a Inclusão e a Diversidade no âmbito do Erasmus+. Em particular, destacou-se a igualdade de género como uma oportunidade concreta de mudança social e de empoderamento feminino no setor cultural, bem como para o desenvolvimento sustentável dos Países Parceiros participantes.
Em suma, o primeiro ano de execução do projeto foi mais de preparação (site, regulamento, estrutura, nomeação de professores, etc), enquanto os dois anos seguintes foram de implementação das mobilidades, tendo existido por isso quatro fases de candidaturas.
Tabela 2 Fluxo de mobilidades de estudantes incoming implementadas, por país de origem
| Angola | 11 |
| Cabo Verde | 10 |
| Guiné-Bissau | 4 |
| Moçambique | 15 |
| São Tomé e Príncipe | 2 |
| Timor-Leste | 2 |
| Total | 45 |
Tabela 3 Distribuição de mobilidades de estudantes incoming implementadas, por área de estudo (total de 45)
| Curso | IES de Origem | IES de Acolhimento | N.º de Mobilidades |
|---|---|---|---|
| MÚSICA (7 mobilidades) | |||
| Música | Universidade de Luanda (Angola) | Instituto Politécnico de Bragança | 3 |
| Música | Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) | Instituto Politécnico de Bragança | 2 |
| Artes Cénicas (Música) | Universidade Pedagógica Maputo (Moçambique) | Universidade Nova de Lisboa | 2 |
| TEATRO (11 mobilidades) | |||
| Educação Artística (Teatro) | Universidade de Cabo Verde | Instituto Politécnico de Lisboa | 4 |
| Teatro | Universidade de Luanda (Angola) | Instituto Politécnico de Leiria | 4 |
| Teatro | Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) | Instituto Politécnico de Leiria | 3 |
| DANÇA (2 mobilidades) | |||
| Dança | Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) | Instituto Politécnico de Lisboa | 2 |
| CINEMA (4 mobilidades) | |||
| Cinema | Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) | Universidade Católica Portuguesa | 2 |
| Cinema | Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) | Universidade da Beira Interior | 2 |
| LÍNGUA / LITERATURA PORTUGUESA (18 mobilidades) | |||
| Língua Portuguesa | Escola Superior Normal Tchico-Té (Guiné-Bissau) | Universidade Nova de Lisboa | 4 |
| Língua e Literaturas em Língua Portuguesa | Universidade Agostinho Neto (Angola) | Universidade de Aveiro | 4 |
| Estudos Cabo-Verdianos e Portugueses | Universidade de Cabo Verde | Universidade de Coimbra | 4 |
| Literatura | Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) | Universidade de Coimbra | 2 |
| Língua Portuguesa | Universidade Nacional Timor Lorosa’e (Timor-Leste) | Universidade de Porto | 2 |
| Língua Portuguesa | Universidade São Tomé e Príncipe | Instituto Politécnico de Leiria | 2 |
| GESTÃO DO PATRIMÓNIO (3 mobilidades) | |||
| Gestão do Património | Universidade de Cabo Verde | Universidade do Algarve | 2 |
| Gestão e Estudos Culturais | Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) | Universidade da Madeira | 1 |

Gráfico 3 Distribuição das mobilidades incoming de estudantes ProCultura+, por país de origem dos estudantes.

Gráfico 4 Distribuição das mobilidades incoming de estudantes ProCultura+, por período de mobilidade dos estudantes.
Ao contrário do que acontece com a mobilidade de estudantes, que se candidatam através do site do ProCultura+, a seleção dos professores é feita pelas próprias instituições de ensino superior que participam no programa.
Os critérios de seleção são:
– promover o Erasmus+ e o ProCultura+ junto dos seus estudantes: motivar à candidatura, prestação de esclarecimentos e apoio no processo, gestão de questões curriculares;
– partilha de experiências entre instituições/países;
– aquisição de novas competências pedagógicas e digitais;
– melhoria e/ou criação de novos currículos de estudos e metodologias de ensino.
As bolsas ProCultura+ para professores suportaram mobilidades que correspondem a uma semana de trabalho presencial noutra universidade: 5 dias de trabalho e 2 para viagem. No total, este programa abrangeu 45 professores selecionados pelas próprias instituições de ensino onde lecionam.
Antes e após a realização da mobilidade de professores, há um trabalho desenvolvido pelos mesmos de forma remota. São agendadas atividades mensais online entre os professores durante cerca de 10 meses (um ano letivo). No final, as mobilidades dos professores culminaram em artigos científicos que foram publicados na Revista Internacional para a Língua Portuguesa (RILP) n.º 48 e 49.
Tabela 4 Mobilidades de professores incoming e outcoming implementadas, por área de estudo (total de 45)
| ID | IES PORTUGAL | ID | IES PALOP-TL | GRUPO DE TRABALHO |
|---|---|---|---|---|
| MÚSICA (8 mobilidades) | ||||
| PROF1 |
Instituto Politécnico de Bragança Vasco Paulo Cecílio Alves |
PROF23 |
Universidade de Luanda (Angola) Armando Zibungana |
GP1 |
| PROF2 |
Instituto Politécnico de Bragança Isabel Castro |
PROF24 |
Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) Pedro Júlio Sitoe |
GP2 |
| PROF3 |
Universidade Nova de Lisboa Pedro Roxo |
PROF25 |
Universidade de Cabo Verde Maria Piedade Monteiro Correia |
GP3 |
| PROF4 |
Universidade Pedagógica de Maputo Queirós Júlia Nhabombe** |
PROF26 |
Universidade Pedagógica de Maputo Queirós Júlia Nhabombe**2 |
GP4 |
| TEATRO (8 mobilidades) | ||||
| PROF5 |
Instituto Politécnico de Leiria Maria João Gil |
PROF27 |
Universidade de Luanda (Angola) Marcelina Afonso Ribeiro** |
GP5 |
| PROF6 |
Instituto Politécnico de Leiria Joana Craveiro |
PROF28 |
Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) Dactivo José Litsecuane Combane |
GP6 |
| PROF7 |
Instituto Politécnico de Lisboa Álvaro Correia |
PROF29 |
Universidade de Cabo Verde Manuel Lima Fortes |
GP7 |
| PROF8 |
Instituto Politécnico de Lisboa Maria João Vicente |
PROF30 |
Universidade Pedagógica de Maputo Félix Bruno Carlos |
GP8 |
| DANÇA (4 mobilidades) | ||||
| PROF9 |
Instituto Politécnico de Lisboa Cristina Graça |
PROF31 |
Universidade Pedagógica de Maputo Maria Helena Pinto |
GP9 |
| PROF10 |
Instituto Politécnico de Lisboa Ana Silva Marques |
PROF32 |
Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) Abel Fumo |
GP10 |
| CINEMA (4 mobilidades) | ||||
| PROF11 |
Universidade da Beira Interior Paulo Manuel Ferreira da Cunha |
PROF33 |
Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) Angélica Novela |
GP11 |
| PROF12 |
Universidade Católica Portuguesa Pedro Alves |
PROF34 |
Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) Rosalina Renalda Nhachote |
GP12 |
| LÍNGUA / LITERATURA PORTUGUESA (12 mobilidades) | ||||
| PROF13 |
Instituto Politécnico de Leiria Ana Barbosa |
PROF35 |
Universidade de São Tomé e Príncipe Manuel Neto |
GP13 |
| PROF14 |
Universidade de Aveiro João Paulo Silvestre |
PROF36 |
Universidade Agostino Neto(Angola) Sabino do Nascimento |
GP14 |
| PROF15 |
Universidade de Coimbra Liliana Cristina Coragem Inverno |
PROF37 |
Universidade de Cabo Verde Ana Karina Tavares Moreira |
GP15 |
| PROF16 |
Universidade de Coimbra Ana Paula de Oliveira Loureiro |
PROF38 |
Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) José Camilo Manusse |
GP16 |
| PROF17 |
Universidade do Porto Isabel Margarida Ribeiro de Oliveira Duarte |
PROF39 |
Universidade Nacional de Timor Lorosa’e Benvinda Lemos da Rosa Oliveira |
GP17 |
| PROF18 |
Instituto Politécnico de Bragança Vasco Paulo Cecílio Alves** |
PROF40 |
Escola Superior Tchico-Té Silvino Eugênio Ialá |
GP18 |
| GESTÃO DO PATRIMÓNIO (8 mobilidades) | ||||
| PROF19 |
Universidade do Algarve Renata Araújo |
PROF41 |
Universidade de Cabo Verde Antonieta Conceição Lopes |
GP19 |
| PROF20 |
Universidade do Algarve Maria João Valente |
PROF42 |
Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) Mussa Iussufo Muhamad Raja |
GP20 |
| PROF21 |
Universidade da Madeira Leonor Martins Coelho |
PROF43 |
Universidade de Cabo Verde Carlos Santos |
GP21 |
| PROF22 |
Universidade de Luanda João Domingos Ngoma |
PROF44 |
Instituto Superior de Artes e Cultura (Moçambique) Rosendo Mate |
GP22 |
**Fez duas mobilidade devido à desistência dos professores Marco Freitas e Maria Nascimento, motivado pela instabilidade político-social nos países de acolhimento (Moçambique). Apesar de não fazerem mobilidade física, os professores contribuíram no projeto de forma remota e participaram na produção de artigos.
Desta seleção, formaram-se 22 grupos de trabalho, cada um deles constituído por 2 professores (1 professor dos PALOP ou Timor-Leste e um professor de Portugal, à exceção dos grupos com professores substituídos) com o objetivo de trabalhar em conjunto por área disciplinar e instituição para a troca de conhecimentos, partilha de experiências e criação de um artigo conjunto para a publicação na Revista Internacional para a Língua Portuguesa (RILP). Cada grupo de trabalho trabalhou em conjunto de forma remota um ano letivo (cerca de 10 meses), culminando com uma mobilidade física no país de acolhimento por uma duração de 5 dias de trabalho mais 2 de viagem (um total de 7 dias). O ID dos professores (PROF1 a PROF44) e grupo de trabalho (GP1 a GP22) serviram como referência para apresentação dos resultados de seleção. Como resultado final das mobilidades docentes, surge esta primeira edição da RILP n.º 48 “Mobilidade para a Língua Portuguesa.
Desafíos encontrados durante a fase de implementação e execução
No decorrer da implementação do Programa ProCultura+, alguns desafios e imprevistos afetaram o desenvolvimento das mobilidades inicialmente planeadas.
1. Mobilidades de estudantes incoming
Entre os principais obstáculos enfrentados nas mobilidades de estudantes em entrada (incoming), destacam-se uma série de questões administrativas e logísticas que tiveram impacto direto na experiência dos beneficiários e no desenvolvimento geral do Programa ProCultura+. A seguir, apresentam-se as principais dificuldades identificadas durante a implementação, com maior detalhe:
Na fase inicial de candidatura, foi identificado um erro significativo no cálculo da distância de viagem entre as Instituições de Ensino Superior (IES) de Moçambique e Portugal, o que influenciou diretamente o valor das bolsas atribuídas para essas mobilidades. Inicialmente, as bolsas concedidas para mobilidades de e para Moçambique foram calculadas com base numa distância de viagem entre 4.000 km e 7.999 km, resultando num valor de bolsa de viagem de 820€. No entanto, a distância entre os dois países ultrapassa os 8.000 km, o que, segundo os parâmetros do Programa Erasmus+, implicaria uma bolsa no valor de 1.500€. Este desajuste orçamental criou uma disparidade significativa entre o financiamento inicialmente previsto e o valor necessário para cobrir adequadamente os custos associados às mobilidades para Moçambique.
Para resolver esta discrepância, e seguindo as orientações da Agência Nacional Erasmus+ em Portugal, a AULP optou por ajustar o número total de bolsas concedidas, reduzindo em cinco o total de bolsas de estudantes incoming. Dessa forma, foram implementadas 45 bolsas em vez das 50 inicialmente previstas para estudantes incoming, permitindo a atribuição do valor correto da bolsa de 1.500€ para os participantes de Moçambique, alinhado à distância real. Embora esta solução tenha garantido a adequação dos valores concedidos, este ajuste orçamental teve como consequência um impacto direto e negativo nos objetivos quantitativos do programa, limitando o número de estudantes beneficiados e, por conseguinte, restringindo parcialmente o alcance e a dimensão do ProCultura+.
Outro desafio que se destacou durante esta fase foi o processo de obtenção de vistos para os estudantes incoming. Este procedimento revelou-se moroso e burocrático, implicando uma série de trâmites administrativos que, em diversos casos, provocaram atrasos e incertezas relativamente à chegada efetiva dos estudantes aos países de acolhimento. Estes entraves burocráticos tornaram-se um fator crítico para o planeamento logístico e académico das mobilidades, exigindo um acompanhamento próximo e um apoio contínuo por parte das instituições envolvidas.
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Adicionalmente, a necessidade de obtenção de um Número de Identificação Fiscal (NIF) português para proceder à abertura de uma conta bancária em Portugal, onde os estudantes receberiam mensalmente as suas bolsas ProCultura+, constituiu outra barreira administrativa relevante. Muitos estudantes enfrentaram dificuldades para cumprir estes requisitos, que implicam uma compreensão prévia dos procedimentos bancários e fiscais locais, muitas vezes complexos para quem chega de outros contextos culturais e administrativos. Felizmente, esta dificuldade foi superada graças ao apoio dedicado da AULP, bem como dos Gabinetes de Relações Internacionais das Instituições de Ensino Superior de acolhimento em Portugal, que prestaram orientação personalizada e suporte prático para assegurar que todos os estudantes conseguissem completar os processos necessários.
Por fim, um dos desafios mais sensíveis e que suscitou preocupação foi o não retorno de alguns estudantes aos seus países de origem após o término do período de mobilidade. Embora este tenha sido um fenómeno restrito a um número reduzido de casos, ele levantou questões importantes relacionadas com o cumprimento das normas e compromissos assumidos pelos beneficiários no âmbito do programa. Esta situação tem implicações diretas para a credibilidade do Programa ProCultura+, podendo influenciar negativamente futuras candidaturas ao Programa Erasmus+ e o relacionamento institucional entre as IES dos países parceiros. Além disso, reforça a necessidade de estabelecer mecanismos de acompanhamento e avaliação mais rigorosos, capazes de garantir a responsabilização dos participantes e a transparência do processo.
Em suma, os desafios administrativos e logísticos enfrentados nas mobilidades de estudantes incoming constituíram obstáculos significativos, mas também oportunidades para o fortalecimento dos mecanismos de apoio e coordenação do Programa ProCultura+. Através da cooperação estreita entre a AULP, as Instituições de Ensino Superior e as agências nacionais, foi possível encontrar soluções adaptadas que permitiram minimizar os impactos negativos, mantendo o compromisso com a promoção da mobilidade académica e do intercâmbio cultural entre os países parceiros.
2. Mobilidades de Docentes Incoming
No que diz respeito às mobilidades de docentes em entrada (incoming), também se identificaram diversos desafios significativos que impactaram o planeamento e a execução dessas mobilidades. Tal como ocorreu com os estudantes, o processo de obtenção de vistos para os docentes revelou-se uma das principais dificuldades burocráticas enfrentadas ao longo do programa. A complexidade e a morosidade na emissão dos vistos provocaram incertezas quanto à confirmação das datas de chegada, o que por sua vez afetou diretamente a compra dos bilhetes de avião. A AULP adota uma norma rigorosa de não adquirir os bilhetes de viagem dos docentes incoming antes da confirmação do visto, para evitar o risco de perdas financeiras e cancelamentos de última hora, uma prática que visa garantir a viabilidade da mobilidade e a boa gestão dos recursos financeiros disponíveis. No entanto, essa precaução acabou por acarretar outras dificuldades. Devido à curta antecedência para a compra das passagens, os valores dos bilhetes de avião tornaram-se, por vezes, mais elevados do que o esperado. Tudo e com isto, raramente os voos ultrapassavam o valor da bolsa de viagem atribuída pelo Programa Erasmus+, à exceção das mobilidades de/para Cabo Verde e Timor-Leste. Este fator exigiu uma atenção especial para a otimização dos recursos e a busca de soluções que minimizassem o impacto das despesas de viagem.
Além das questões relacionadas com a viagem, o processo de pagamento das bolsas de mobilidade também apresentou entraves operacionais relevantes. A modalidade de pagamento, realizada maioritariamente mediante transferência bancária para contas estrangeiras ou através de cheques emitidos na sede da AULP, revelou-se complexa em alguns contextos. Em diversos países, realizar transferências internacionais pode ser um processo demorado e sujeito a restrições bancárias que dificultam o acompanhamento e a confirmação do recebimento dos fundos. Houve casos em que o dinheiro ficou retido por períodos consideráveis, chegando às contas dos docentes apenas após o término da mobilidade, comprometendo a sua capacidade de financiar as despesas durante a estadia. Devido a essas dificuldades, a maioria das bolsas para docentes incoming acabou por ser entregue em cheque ou em dinheiro na sede da AULP, em Lisboa. Esta prática, embora eficiente para garantir o pagamento atempado, implicou que muitos docentes tivessem de pernoitar na cidade de Lisboa para receberem as suas bolsas antes de seguirem para as cidades onde se localizam as instituições de ensino superior de acolhimento. Tal necessidade introduziu um custo e uma complexidade adicional para os docentes, que tiveram de adaptar os seus planos de viagem, incorrendo em despesas extra e em atrasos que poderiam ser evitados com procedimentos de pagamento mais ágeis. Este processo dificultou o acesso rápido e eficaz aos fundos essenciais para a estadia e deslocação dos docentes, podendo, em alguns casos, afetar negativamente a sua experiência e o aproveitamento da mobilidade. Reconhecendo estas limitações, a AULP e as instituições parceiras têm procurado alternativas e melhorias nos procedimentos financeiros, buscando soluções que promovam maior celeridade, segurança e comodidade para os docentes participantes.
Em suma, os desafios enfrentados nas mobilidades de docentes incoming, nomeadamente no que respeita à obtenção de vistos, à aquisição de bilhetes aéreos e ao processo de pagamento das bolsas, evidenciam a complexidade da gestão destas mobilidades internacionais. Estes obstáculos exigem uma constante adaptação e um esforço conjunto entre todas as partes envolvidas para garantir que os objetivos do Programa ProCultura+ sejam alcançados com sucesso e que a experiência dos docentes seja positiva e enriquecedora.
3. Mobilidades de Docentes Outgoing
As mobilidades de docentes de saída de Portugal, no âmbito do Programa ProCultura+, enfrentaram desafios específicos, especialmente relacionados à desistência de alguns professores, devido, maioritariamente, com a situação político-social instável em alguns países de destino em Moçambique e Guiné-Bissau. Estas circunstâncias externas e alheias ao controlo das instituições envolvidas resultaram no adiamento reiterado destas mobilidades, culminando na desistência final de alguns docentes, comprometendo temporariamente o cronograma previsto e afetando o progresso global do programa. No que respeita às áreas afetadas, destacam-se três casos em que as mobilidades foram canceladas por vontade dos professores e substituídas por outros: um na área da música, outro da Língua/Literatura Portuguesa e da Gestão do Património.
Face a este cenário, a AULP viu-se obrigada a reavaliar as suas estratégias de implementação, procurando soluções que permitissem mitigar os efeitos destas desistências e assegurar a continuidade e o êxito do programa. Como resposta, procedeu-se à substituição dos docentes portugueses que desistiram por professores oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), os quais foram convidados a realizar mobilidades incoming em Portugal. Esta abordagem visou não só preencher as vagas deixadas em aberto, mas também enriquecer o programa com testemunhos recentes e experiências vividas em primeira mão pelos docentes convidados.
Estas substituições permitiram, assegurar que os objetivos do programa fossem mantidos e que as ações de cooperação académica e cultural não fossem interrompidas. A presença ativa de todos os docentes participantes reforçou a dinâmica do projeto, promovendo a troca de conhecimentos e experiências entre IES e países da nossa comunidade lusófona e contribuindo para o desenvolvimento sustentável das relações institucionais no âmbito do ProCultura+. A decisão de convidar dois professores dos PALOP para realizarem novamente mobilidades incoming (PROF26 e PROF27) revelou-se uma solução estratégica e enriquecedora para o programa. Estes docentes tiveram um papel fundamental ao participarem como oradores e testemunhas na Sessão de Encerramento do ProCultura+, partilhando as suas vivências, reflexões e contribuições, fortalecendo assim a comunidade académica envolvida.
Os desafios enfrentados refletem a complexidade de gerir um programa internacional de mobilidade académica em contextos diversificados e, por vezes, politicamente instáveis. Para além da dimensão técnica e administrativa, é necessário um esforço contínuo de diálogo, flexibilidade e cooperação entre todas as partes, de modo a assegurar que as metas do programa sejam alcançadas e que os benefícios da mobilidade académica possam efetivamente contribuir para o fortalecimento das instituições e para o desenvolvimento sustentável dos países parceiros.
Este processo de adaptação e substituição dos docentes demonstra a resiliência e o compromisso das instituições envolvidas em garantir a execução eficaz do Programa ProCultura+, mesmo perante desafios externos significativos. A AULP e as Instituições de Ensino Superior parceiras permanecem empenhadas na promoção da mobilidade académica e do intercâmbio cultural como ferramentas essenciais para o desenvolvimento do ensino superior nos PALOP e em Timor-Leste, alinhando-se plenamente com os objetivos estratégicos do Erasmus+.
Em suma, a implementação e execução do Programa ProCultura+ tem exigido uma resposta adaptativa e colaborativa frente aos obstáculos surgidos, reforçando o compromisso institucional e a capacidade de encontrar soluções criativas que assegurem a continuidade e o sucesso do projeto.
Fase 3: Encerramento, Impacto e Sustentabilidade
A execução do projeto ProCultura+ durou 3 anos, entre 2022 e 2025, e encerrou as atividades no dia 31 de julho de 2025. Esta iniciativa da AULP, cofinanciada pelo Programa Erasmus+ da União Europeia, teve como objetivo central a promoção da mobilidade académica e a cooperação institucional entre países lusófonos, envolvendo sete países (Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e um total de 20 Instituições de Ensino Superior (IES), de origem e acolhimento.
Durante o período de execução, o projeto possibilitou a realização de 90 mobilidades académicas, das quais 45 foram de estudantes e 45 de docentes. Todas estas mobilidades foram realizadas no quadro de uma estratégia comum, sustentada por uma língua partilhada – o português – e uma organização coordenada, centrada na Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), entidade responsável pela gestão do consórcio.
No seguimento do trabalho desenvolvido ao longo do projeto, foi organizada uma sessão pública de divulgação de resultados, que teve lugar no dia 6 de maio de 2025, entre as 9h30 e as 13h00, nas instalações da Universidade Católica Portuguesa (UCP), no centro regional do Porto, uma das instituições parceiras do consórcio que acolheu o evento.
A sessão contou com a presença de representantes institucionais de elevado relevo, nomeadamente:
– Professora Cristina Montalvão Sarmento, Secretária-Geral da AULP;
– Dr. Nelson Ribeiro, Vice-Reitor para a Transformação, Colaboração e Assuntos Internacionais da UCP;
– Dra. Ana Cristina Perdigão, Diretora da Agência Nacional Erasmus+ Educação e Formação;
– Dra. Mercedes Pinto, Gestora de Projeto do PROCULTURA / Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
O evento teve como principais objetivos apresentar um balanço geral do projeto, dar visibilidade aos testemunhos de participantes, avaliar os resultados alcançados e refletir sobre os desafios enfrentados e perspetivas futuras, com vista à continuidade da cooperação académica e cultural entre os países envolvidos.
No âmbito do programa da sessão, foram organizadas duas mesas redondas que permitiram uma partilha direta de experiências por parte dos beneficiários:
Mesa redonda com estudantes bolseiros ProCultura+, moderada pelo Dr. Carlos Bavo, Diretor dos Serviços Centrais Científico-Pedagógicos do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) de Moçambique. Esta mesa contou com a participação de estudantes de todos os países parceiros dos PALOP e Timor-Leste, proporcionando uma visão plural sobre os impactos das mobilidades a nível pessoal, académico e profissional.
Mesa redonda com professores bolseiros ProCultura+, portugueses e dos PALOP, moderada pelo Professor Pedro Alves, docente de cinema da UCP e também bolseiro do projeto. O debate centrou-se na importância das mobilidades para a produção científica, o reforço de redes de cooperação institucional e a internacionalização do ensino superior em língua portuguesa.
As mesas promoveram um espaço de diálogo construtivo, onde se discutiram benefícios, constrangimentos e recomendações para o futuro, contribuindo para a valorização dos resultados obtidos e para o desenho de novos ciclos de cooperação no âmbito do Erasmus+.
O encerramento da sessão ficou marcado por um momento cultural protagonizado pelos próprios bolseiros do projeto, que evidenciaram a riqueza e diversidade cultural dos países participantes. Foram apresentados três momentos artísticos:
Interpretação da canção “Mamana” da artista moçambicana Mingas, pela dupla formada pelo Professor Queirós Júlia Nhabombe (docente bolseiro ProCultura+ de Moçambique) e pela estudante Lizi Boaventura Amosse Matlombe (estudante bolseira ProCultura+ de Moçambique);
Atuação dos estudantes angolanos Djony Simão Luvondi António e Abel Bengui Dembo, com a canção “Monangambé”, de António Fortunato (Tonito), uma obra com forte carga simbólica e histórica, que aborda a luta dos trabalhadores angolanos durante o período colonial;
Declamação do poema “São Tomé e Príncipe: Um Paraíso em Versos”, pelas estudantes Eliana Bonfim e Celma Glória, naturais de São Tomé e Príncipe, que trouxeram à sessão uma nota poética e emocional sobre o seu país de origem.
O evento contou com a presença de cerca de 40 participantes no Auditório Carvalho Guerra da UCP, no Porto, e mais de 150 pessoas acompanharam a sessão em formato online, o que demonstra o elevado interesse da comunidade académica e da sociedade civil pelo impacto do projeto.

Imagem 1 Foto de grupo da Sessão de encerramento do ProCultura+, na Universidade Católica Portuguesa, Porto, a 6 de maio de 2025.
Esta sessão constituiu não apenas um momento de celebração dos resultados alcançados, mas também de renovação do compromisso com a cooperação em língua portuguesa, sublinhando o valor estratégico do programa ProCultura+ para o fortalecimento do ensino superior nos países parceiros, a mobilidade inclusiva e a promoção de uma identidade académica e cultural partilhada.
O ProCultura+ representou uma verdadeira viagem transformadora para os estudantes e docentes envolvidos nas mobilidades internacionais promovidas no âmbito do projeto. Ao longo deste período, os participantes adquiriram competências técnicas especializadas, alargaram os seus horizontes académicos e profissionais e enriqueceram a sua vivência pessoal através do contacto intercultural proporcionado pelo programa.
O impacto do trabalho conjunto realizado pelos professores ultrapassa largamente a produção de artigos científicos e contributos para a comunidade académica. As redes de colaboração que se formaram entre docentes e instituições, impulsionadas pelo ProCultura+, resultaram em parcerias dinâmicas que continuam a desenvolver-se para além do ciclo de financiamento inicial. Estas sinergias já estão a dar origem a novos projetos interinstitucionais, conferências académicas, iniciativas culturais e propostas pedagógicas colaborativas que envolvem diretamente os estudantes nos seus contextos de aprendizagem e criação artística, dentro de um espaço lusófono de ensino superior cada vez mais interligado.
Os testemunhos dos estudantes bolseiros são particularmente reveladores do impacto transformador das mobilidades. Ao regressarem aos seus países de origem, muitos relatam como a experiência internacional ampliou a sua visão sobre o setor cultural, encorajando-os a iniciar projetos próprios, frequentemente com um forte cunho social e comunitário. Alguns optaram por empreender nas áreas da música, do teatro, do cinema ou da gestão cultural, colocando em prática os conhecimentos e competências adquiridos durante a mobilidade. Não é descabido imaginar que, num futuro próximo, alguns destes jovens se tornarão referências culturais no espaço lusófono, exemplos de sucesso cuja trajetória teve início graças ao Programa ProCultura+.
Na sessão de encerramento do projeto no Porto foi anunciado que o consórcio tinha submetido um novo pedido de financiamento para dar continuidade ao projeto: o ProCultura+ (fase 2), que acabou por ser aprovado pela Agência Nacional Erasmus+ alguns meses depois, 2025-1-PT01-KA171-HED-000340835, com um orçamento de €366.142,00 para a realização de mais 84 mobilidades entre 2025 e 2027.
Esta nova proposta propõe não só ampliar as oportunidades de mobilidade internacional para estudantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – e Timor-Leste, mas também proporcionar estágios profissionais em Portugal para os estudantes e, adicionalmente, mobilizar pessoal docente e não docente das instituições de ensino superior, permitindo a participação de:
Docentes coordenadores de cursos que contribuirão para a melhoria curricular e para a integração dos créditos obtidos em mobilidade nos PALOP-TL;
Técnicos de gabinetes de mobilidade internacional e responsáveis pela internacionalização institucional, que terão a oportunidade de partilhar boas práticas e discutir estratégias eficazes para a implementação de mobilidades, acreditação de créditos, valorização da experiência internacional e o fortalecimento dos mecanismos de cooperação académica entre as instituições participantes.
Um dos resultados esperados desta nova fase será a publicação de um manual de boas práticas, em português e inglês, centrado na internacionalização do ensino superior no setor cultural. Este documento, fruto do intercâmbio entre o pessoal académico e técnico das IES dos PALOP, Timor-Leste e Portugal, pretende ser uma ferramenta útil e replicável para outras instituições interessadas em desenvolver projetos similares, contribuindo para a profissionalização da mobilidade internacional em contextos de língua portuguesa.
Esta nova etapa representa uma evolução natural do programa, baseada nos ensinamentos e nos resultados obtidos até aqui, e responde de forma direta aos desafios identificados nos primeiros três anos, com soluções concretas e sustentáveis. Com a confiança depositada pelas instituições parceiras e o envolvimento contínuo da AULP, o ProCultura+ (fase 2) reafirma o seu compromisso com o fortalecimento do ensino superior em língua portuguesa, com o desenvolvimento de competências artísticas e culturais nos PALOP e em Timor-Leste e com a promoção de uma mobilidade mais inclusiva, colaborativa e transformadora.
Conclusão e agradecimentos
Mais do que números, metas cumpridas ou mobilidades realizadas, o ProCultura+ foi um encontro de pessoas, histórias e sonhos. Foram três anos a construir pontes entre geografias distantes, mas unidas por uma mesma língua e por um património cultural partilhado. Cada estudante que atravessou o oceano com uma mala cheia de expectativas, cada professor que partilhou o seu saber com generosidade, refletido em parte nesta e na próxima edição da RILP, deixou uma marca que vai muito além do tempo do projeto.
Foram tecidas amizades, foram criados laços académicos duradouros, foram iniciadas colaborações que não cessam com o fim do projeto. O brilho nos olhos dos jovens ao expressar a sua gratidão por terem participado no Programa Pro-Cultura+, regressarem aos seus países com novas ideias, maior confiança e vontade de transformar as suas comunidades é, inevitavelmente, o maior legado do ProCultura+. Porque o que aqui se iniciou foi mais do que um programa de mobilidade – foi o despertar de uma geração que acredita no poder da cultura como motor de mudança. E esse impacto, humano e profundo, continuará a ecoar nos PALOP, em Timor-Leste e em Portugal, muito depois da finalização do projeto.
Toda a equipa da AULP expressa o seu profundo agradecimento a todas as pessoas e instituições que tornaram possível a concretização do Programa Pro-Cultura+. Às instituições de ensino superior portuguesas do consórcio ProCultura+, o nosso agradecimento pela forma exemplar como acolheram os estudantes e contribuíram para a boa execução do projeto. Um reconhecimento especial é devido aos técnicos dos gabinetes de mobilidade, que, com dedicação, sensibilidade e muito humanismo, apoiaram cada estudante e professor perante as maiores ou menores dificuldades inerentes às mobilidades internacionais. Às instituições de ensino superior parceiras dos PALOP e de Timor-Leste, agradecemos pelo entusiasmo com que aceitaram participar no projeto e por terem tomado todas as diligências necessárias para que os seus estudantes e docentes tivessem uma boa experiência de mobilidade e vontade em partilhar experiências e aprendizagens além-fronteiras. A todos os estudantes que aceitaram o desafio de sair da sua zona de conforto e aos professores que levaram o seu conhecimento para outros contextos académicos, o nosso sincero reconhecimento. Agradecemos de forma especial ao bolseiro moçambicano de cinema, Lino Calebe Magaia, pela criação do documentário sobre o projeto (que convidamos a assistir no link disponibilizado abaixo) que, para além de ter revelado o seu talento artístico, também contribuiu para a divulgação do impacto do ProCultura+. Estendemos o nosso agradecimento à equipa do PROCULTURA do Camões, I.P., pelo inestimável apoio nos processos de vistos dos estudantes e docentes dos PALOP-TL, com destaque para a Dra. Mercedes Pinto e os técnicos do PROCULTURA nos países parceiros – a Dra. Diana Manhiça, a Dra. Ana Ferreira e o Dr. Guilherme Bragança. Por fim, não estaríamos a escrever este artigo se não fosse a Agência Nacional Erasmus+, a quem expressamos a nossa gratidão pela confiança depositada na AULP e na sua equipa técnica, pela disponibilidade, simpatia e apoio prestado ao longo da execução do projeto ProCultura+. Continuaremos a trabalhar para merecer essa confiança.
É graças ao empenho coletivo, ao espírito de cooperação e à crença no valor transformador da educação e da cultura que este projeto se materializou e gerou impactos duradouros. Desejamos que iniciativas de mobilidade internacional como esta, desenvolvidas no âmbito do Programa Erasmus+, continuem a florescer e a resistir às vozes de intolerância que, cada vez mais, desafiam os princípios de abertura, solidariedade e diálogo que sustentam o espaço académico e cultural global. Que o ProCultura+ permaneça como exemplo de como a colaboração entre povos e instituições pode contribuir para um futuro mais inclusivo, justo e criativo.















