A educação terapêutica do doente é um processo estruturado de aprendizagem centrado na pessoa que proporciona os meios necessários para que os indivíduos que vivem com condições crónicas possam gerir a sua saúde, apoiados pelas suas famílias. É parte integrante do tratamento de doenças crónicas de forma individualizada, tendo como objetivo conduzir a melhores resultados em saúde.1
A comunicação é a base dos cuidados de saúde de qualidade, sendo o ponto de partida para a mudança de conhecimentos, atitudes e comportamentos dos doentes e, consecutivamente, a capacitação dos mesmos para gestão da sua saúde e bem estar.
A comunicação nos cuidados de saúde é uma competência clínica fundamental dado que fortalece a confiança entre o médico e o doente, criando uma relação terapêutica com impacto na tomada de decisões, gestão de emoções e adesão terapêutica. É um processo complexo de apoio ao cuidado do doente que engloba o comportamento verbal e não verbal, bem como recursos visuais e outros materiais de apoio (como infográficos, folhetos e ferramentas digitais).
Vários estudos reforçam que a comunicação eficaz melhora significativamente o prognóstico da doença, a satisfação do doente e reduz os custos em saúde.2
O modelo biopsicossocial defende que os fatores sociais e psicológicos podem ter influência quer como causa da doença, quer como fator determinante da sua gravidade. Na prática clínica o médico deve compreender a reciprocidade da causalidade das doenças e saber que a relação médico-doente tem um efeito significativo na doença e no seu curso, devendo entender quer o doente, quer a natureza física da doença e o significado que esta tem para ele.2
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a educação terapêutica do paciente é a intervenção custo-efetiva que demonstrou melhorar resultados e qualidade de vida para as pessoas que vivem com condições crónicas.1
A educação terapêutica baseia-se em dois pilares, nomeadamente as técnicas que ajudam os doentes na definição de objetivos, planeamento de ações e tomada de decisão partilhada, considerando as necessidades de cada doente, e a realização de intervenções educativas que apoiam o doente na aquisição de conhecimentos, competências e confiança.1
Como tal, é fundamental que os médicos reconheçam a importância da comunicação eficaz, do contacto emocional interpessoal e das capacidades relacionais que melhorem a qualidade da prática médica. Desta forma, aumentam a eficácia dos procedimentos médicos, a confiança e a satisfação do doente bem como a satisfação profissional do médico e a sua autoconsciência.
Desta forma, sendo a comunicação eficaz de elevada importância na relação médico doente, os médicos deveriam ser suficientemente treinados durante a sua formação pré e pós-graduada em técnicas de comunicação em saúde. Não há dúvida que é necessário aumentar a compreensão dos benefícios e das barreiras sistémicas à comunicação eficiente, de modo a intervir também a nível organizacional.
Os grupos Balint são a oportunidade de o médico aprender e dominar a resposta emocional, adquirindo conhecimentos teóricos e aprendendo a reconhecer reações, atitudes e padrões de comportamento. Assim permite que os médicos ganhem confiança, autoestima e satisfação profissional, aumentando a compreensão empática dos casos, com maior assertividade no diagnóstico holístico, eficácia do tratamento e evitando conflitos desnecessários.3
Sendo conhecedores do seu impacto positivo em diferentes vertentes da relação médico-doente, os grupos Balint deveriam ser incluídos na formação académica de um médico, a fim de colmatar esta lacuna na prática clínica. Afinal, a comunicação está na base de todas as relações interpessoais.














