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Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online

versão impressa ISSN 2183-8453

RPSO vol.10  Gondomar dez. 2020  Epub 17-Mar-2021

https://doi.org/10.31252/rpso.11.07.2020 

Revisão Bibliográfica

MÉTODOS PARA AVALIAÇÃO GLOBAL DE RISCO EM SAÚDE OCUPACIONAL: SABEMOS O SUFICIENTE?

METHODS FOR GLOBAL RISK ASSESSMENT IN OCCUPATIONAL HEALTH: DO WE KNOW ENOUGH?

M Santos1 

1Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina Geral e Familiar; Mestre em Ciências do Desporto; Especialista em Medicina do Trabalho e Doutoranda em Segurança e Saúde Ocupacionais, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Presentemente a exercer nas empresas Medicisforma, Servinecra, Securilabor e Medimarco; Diretora Clínica da empresa Quercia; Diretora da Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. Endereços para correspondência: Rua Agostinho Fernando Oliveira Guedes, 42, 4420-009 Gondomar. E-mail: s_monica_santos@hotmail.com


RESUMO

Introdução/ enquadramento/ objetivos

A Avaliação do Risco em contexto laboral é uma etapa fundamental para se conseguirem postos de trabalho mais seguros e saudáveis. Geralmente são os Técnicos de Segurança que apresentam mais experiência neste contexto; contudo, nem todos os profissionais a exercer nas equipas de Saúde Ocupacional apresentam conhecimentos bem estruturados e/ ou práticos sobre a generalidade destes métodos. Foi objetivo desta revisão fazer um resumo sobre as principais técnicas utilizadas neste contexto.

Metodologia

Trata-se de uma revisão iniciada através de uma pesquisa realizada em abril de 2020, na base de dados RCAAP (Repositório Científico de Acesso Aberto em Portugal).

Conteúdo

Foram resumidas algumas considerações muito práticas sobre os métodos MARAT (Metodologia de Avaliação de Riscos e Acidentes de Trabalho), William Fine, MIAR (Metodologia Integrada para Avaliação de Riscos) e FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), valorizando as tabelas explicativas e salientando as discretas discrepâncias entre os documentos consultados.

Conclusões

As palavras-chave utilizadas relacionaram-se com os métodos que a autora conhecia sumariamente; nos documentos encontrados, por vezes, foram referidas outras técnicas que também se decidiu aqui incluir numa fase inicial; contudo, tal implica obviamente uma seleção enviesada desde a partida.

Facilmente se encontram artigos em bases de dados indexadas que mencionam que os utilizaram mas, devido aos limites impostos pela generalidade das revistas perante o tamanho do documento, quase todos os autores apenas mencionam o nome do método que utilizaram e, quando muito, fazem uma descrição muito sintética do mesmo. Por sua vez, em algumas Teses de Mestrado ou Doutoramento (onde esse problema não existe) já poderá se encontrar uma descrição metodológica mais detalhada mas, ainda assim, nem sempre se consegue perceber na prática como utilizar todos os métodos ou se encontram versões discretamente diferentes, fruto de adaptações, consideração sobre diversos subtipos do método ou mistura de diversas técnicas, efetuadas ao longo das décadas.

Qualquer profissional inserido numa Equipa de Saúde Ocupacional que seja conhecedor do local de Trabalho terá uma noção razoável de quais serão as tarefas mais danosas; contudo, apresentar essa evidência, atenuando a subjetividade e fazendo uso da hierarquização que as escalas matemáticas podem oferecer, torna as avaliações mais científicas, rigorosas e mais fáceis de serem aceites como válidas pelo Empregador/ Representantes/ Trabalhadores e, consequentemente, aumentar a recetividade às medidas propostas para atenuar/ corrigir o problema e reavaliar o mesmo após a introdução das medidas corretivas.

Seria desejável que todos os profissionais da área tivessem pelo menos uma ideia genérica dos métodos existentes e que, sobretudo, saibam onde se podem socorrer para obter mais informação, de forma a executar essas técnicas, quando necessário.

Palavras-chave: Método de Avaliação de Riscos e Acidentes de Trabalho (MARAT); Método de Avaliação Integrada de Riscos (MIAR); William Fine; Failure Mode and Effect Analysis (FMEA); Saúde Ocupacional; Segurança e Medicina do Trabalho

ABSTRACT

Introduction / background / objectives

Risk assessment in the workplace is a fundamental step towards obtaining safer and healthier jobs. The Security Technicians are generally the most experienced in this context; however, not all the professionals that carry out Occupational Health activities present well-structured and/ or practical knowledge about most of these methods. The purpose of this review was to summarize the main techniques used in this context.

Methodology

This is a review, initiated through a survey conducted in April 2020, in the RCAAP database (Open Access Scientific Repositorie in Portugal).

Content

The author made some practical considerations about MARAT (Methodology for Risk Assessment and Accidents at Work), William Fine, MIAR (Integrated Methodology for Risk Assessment) and FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), valuing with explanatory tables and highlighted the slight discrepancies between the documents consulted.

Conclusions

The keywords used were related to the methods that the author briefly know; in the documents found, sometimes, other techniques have been included; this obviously implies a bias selection.

We easily find articles in indexed databases that mention these methods, but due to the limits imposed by most journals (relating to the size of the document), almost all authors only mention the name of the method or, at most, use a very synthetic description of it. In turn, in some Master's or Doctorate Theses (where this problem does not exist) we can find a more methodological description, but still, sometimes you cannot always get the practice knowledge of how to use all methods or if the items are slightly different, result of adaptations, consideration of different subtypes or a mixture of methods, carried out over the decades.

Any professional on an Occupational Health Team will have a reasonable sense of what the most damaging tasks will be; however, presenting this evidence, attenuating subjectivity and making use of the hierarchy that mathematical scales can offer, it becomes more accepted as valid by employers/ representatives/ workers and, consequently, increase the receptivity to proposed measures to mitigate/ correct the problem and reassess it, after introducing corrective measures.

It would be desirable for all professionals in the field to have (at least) a generic idea of ​​the existing methods and where they can seek more information, in order to execute these techniques, when necessary.

Keywords: Risk and occupational accident assessment method (MARAT); integrated risk assessment method (MIAR); William Fine; Failure Mode and Effect Analysis (FMEA); Occupational Health; Occupational Medicine; Safety and Work

INTRODUÇÃO

A Avaliação do Risco em contexto laboral é uma etapa fundamental para se conseguirem postos de trabalho mais seguros e saudáveis. Geralmente são os Técnicos de Segurança quem mais experiência tem sobre as diversas técnicas possíveis; contudo, nem todos os profissionais a exercer nas equipas de Saúde Ocupacional apresentam conhecimentos bem estruturados e/ ou práticos sobre a generalidade destes métodos. Foi objetivo desta revisão fazer um resumo sobre as principais técnicas utilizadas neste contexto.

METODOLOGIA

Em função da metodologia PICo, foram considerados:

  • -P (population): trabalhadores ativos.

  • -I (interest): métodos de avaliação global dos riscos laborais.

  • -C (context): saúde ocupacional

Assim, a pergunta protocolar será: “Que métodos de avaliação global de riscos em contexto laboral existem, quais os mais frequentemente utilizados e quais as suas principais caraterísticas”?

Foi realizada uma pesquisa em abril de 2020 na base de dados RCAAP, uma vez que contém teses de mestrado ou doutoramento, onde é muito mais provável que o autor tenha tido mais rigor e espaço para descrever a metodologia utilizada na investigação; em artigos, geralmente apenas costuma haver espaço para referir o nome do método ou, quando muito, descrevê-lo sucintamente, mas sem grandes explicações elucidativas de como o utilizar, até porque não será esse o objetivo principal desses artigos, onde se pretende investigar um posto/ tarefa laboral concreta.

No quadro 1 podem ser consultadas as expressões/ palavras-chave utilizadas nas bases de dados.

Quadro 1 Pesquisa efetuada 

Motor de busca Palavras-chave Critérios Nº de documentos obtidos Nº da pesquisa Pesquisa efetuada ou não Nº do documento na pesquisa Codificação inicial Codificação final
RCAAP Método simplificado Título 55 1 sim - - -
Assunto 11 2 sim - - -
MARAT Título 6 3
sim 1
3
4
5
6
MARAT1
MARAT2
MARAT3
MARAT4
Nega acesso direto
2
3
4
5
-
Assunto 6 4 sim 1
3
4
5
=MARAT1
=MARAT2
=MARAT3
=MARAT4
-
-
-
-
Metodologia de Avaliação de Riscos e Acidentes de Trabalho Título 1 5 sim 1 MARAT(ext)1 1
Assunto 0 6 não - - -
NTP330 Título 2 7 sim 1
2
NTP330-1
=MARAT(ext)1
-
Assunto 0 8 não - - -
MIAR Título 6 9 sim 1
3
5
MIAR1
=NTP330-1
MIAR2
9
-
-
Assunto 0 10 não - - -
Método integrado para a Avaliação de Risco Título 0 11 não - - -
Assunto 0 12 não - - -
William Fine Título 0 13 não - - -
Assunto 4 14 sim 1
2
3
4
WF1 (não abre)
WF2
WF3
WF4
-
-
-
-
Artigo de autores já mencionados na pesquisa mas que não se encontrou no RCAAP com estas palavras-chave (mesmo que publicado na mesma revista) WFextra 6
MAR Título 1880 15 não - - -
Assunto 1318 16 não - - -
Método de Avaliação de Riscos Título 16 17 sim 1
2
5
7
8
9
10
14
15
MAR1
=NTP330-1
MAR2
=MAR2
SEM ACESSO
MAR3
MAR4
MAR5
=MAR2
Assunto 8 18 sim 1
5
MAR(ext)1
MAR(ext)2
8
7

No quadro 2 estão resumidas as caraterísticas metodológicas dos artigos selecionados.

Quadro 2 Caraterização metodológica dos artigos selecionados 

Artigo Caraterização metodológica Resumo
1 Revisão bibliográfica narrativa Os autores resumem, de uma forma muito simples e prática, os dados encontrados relativos à metodologia MARAT.
2 Tese de mestrado Este mestrando utilizou a técnica MARAT para avaliar os instrumentos usados na secção de frescos de um hipermercado.
3 Tese de mestrado Este trabalho pretendeu avaliar os riscos associados aos equipamentos utilizados no setor das energias renováveis, usando as técnicas MARAT e FMEA. O autor destacou o desempenho positivo de ambos.
4 Tese de mestrado Este documento analisou os riscos de uma empresa de fragmentação de sucata ferrosa e reciclagem de veículos em fim de vida, através do método MARAT.
5 Tese de mestrado A publicação em causa pretendeu aferir se os diferentes métodos de avaliação de risco proporcionaram conclusões semelhantes, com destaque para as técnicas do William Fine e MARAT; incluindo eventuais vantagens, desvantagens e dificuldades. Tendo como objeto de trabalho uma empresa de testes de pressão hidráulicos, o autor concluiu que houve desempenho equivalente e que ambos melhoraram as condições de trabalho.
6 Revisão bibliográfica narrativa Os autores resumem, de uma forma muito simples e prática, os dados encontrados relativos à metodologia de William Fine.
7 Tese de mestrado Esta investigação incidiu numa empresa de manutenção e metalomecânica, usando os métodos William Fine e FMEA. O autor realça resultados positivos para a empresa com ambos.
8 Tese de mestrado A mestranda escolheu o setor da restauração alimentar, utilizando a técnica William Fine.
9 Revisão bibliográfica narrativa Os autores resumem, de uma forma muito simples e prática, os dados encontrados relativos à metodologia MIAR.
10 Tese de mestrado O autor estudou alguns serviços/ unidades de saúde através do método FMEA.

CONTEÚDO

Foram resumidas algumas considerações muito práticas sobre os métodos MARAT (Metodologia de Avaliação de Riscos e Acidentes de Trabalho), William Fine, MIAR (Metodologia Integrada para Avaliação de Riscos) e FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), valorizando as tabelas explicativas e salientando as discretas discrepâncias entre os documentos consultados.

MARAT

A sigla deriva de “Método de Avaliação de Riscos e Acidentes de Trabalho” [1] [2] [3] [4] [5] .

Trata-se de um método semiquantitativo [3] elaborado pelo Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo (INSHT) [1]; criado por Kinney & Wirth, em 1976. A técnica permite hierarquizar os riscos, possibilitando uma ordem na intervenção [1] [2] [3]; ou seja, classifica os riscos que podem ser tolerados e os que não devem cair nessa categoria [3]. No entanto, dado se tratar de uma técnica simplificada, usam-se escalas com níveis de risco em vez de valores absolutos [2].

O nível de probabilidade depende do nível de deficiência e da frequência do nível de exposição: NP= ND x NE e NR= NP x NS (Nível de Severidade) [2] [4]; tal como representado graficamente na figura em baixo [1] [2] [3] [4] [5].

Figura 1 Diversos níveis a considerar no método MARAT [2] [3] [4] [5]  

Este método inicia-se pela definição do posto de trabalho a estudar e colheita de dados sobre o mesmo (legislação, manuais de máquinas, fichas de segurança, dados estatísticos, exposição dos trabalhadores) e prossegue com a elaboração de uma lista de verificação associada aos riscos a analisar [1].

No final obtém-se um Nível de Intervenção e analisam-se os resultados. Neste método não se usam valores reais, mas apenas os seus níveis. O preenchimento deverá ocorrer no local de trabalho [1].

Nas tabelas 1 e 2 podem ser consultados os significados atribuídos aos diversos Níveis de Exposição e de Deficiência [1].

Tabela 1 Níveis de Exposição do método MARAT (quatro categorias) [1

Nível de exposição NE Significado
Contínua (EC) 4 Várias vezes ao dia com períodos prolongados
Frequente (EF) 3 Várias vezes ao dia, mas com intervalos longos sem exposição
Ocasional (EO) 2 Alguma vez ao dia e por períodos curtos
Esporádica (EE) 1 Irregularmente [1]

Tabela 2 Níveis de Deficiência do método MARAT (quatro categorias) [1

Nível de Deficiência ND Significado
Muito deficiente (MD) 10 Detetados riscos significativos, possível origem de acidentes, medidas preventivas ineficazes
Deficiente (D) 6 Fator de risco que requer correção; a eficácia das medidas preventivas decresce acentuadamente
Melhorável (M) 2 Riscos de menor importância; eficácia das medidas preventivas não foi afetada
Aceitável (A) - Nenhuma anomalia encontrada; risco controlado; sem valorização [1]

Na tabela 3 está registada a conjugação entre os Níveis de Exposição e Deficiência [1] (as siglas aparecem por extenso na tabela seguinte).

Tabela 3 Conjugação entre Níveis de Exposição e Deficiência do método MARAT (quatro categorias) [1

Nível de Exposição (NE)
4 3 2 1
Níveis de Deficiência (NP) 10 MA- 40 MA- 30 A-20 A-10
6 MA- 24 A-18 A-12 A-6
2 M- 8 M- 6 B- 4 B- 2 [1]

Na tabela 4 podem ser encontrados os significados dos diversos Níveis de Probabilidade [1].

Tabela 4 Níveis de Probabilidade do método MARAT (quatro categorias) [1

Nível de probabilidade NP Significado
Muito alta (MA) 24 a 40 Situação deficitária com exposição continuada ou muito deficitária com exposição frequente; acidentes ocorrem com frequência
Alta (A) 10 a 20 Situação deficitária com exposição frequente ou ocasional ou muito deficiente com exposição ocasional/ esporádica; possibilidade alta de acidentes
Média (M) 6 a 8 Situação deficitária com exposição esporádica ou melhorável com exposição continuada ou frequente; acidentes ocasionais
Baixa (B) 2 a 4 Situação melhorável com exposição ocasional ou esporádica; acidentes improváveis, mas não impossíveis [1]

Por sua vez, na tabela 5 podem ser observados os significados dos Níveis de Consequências [1].

Tabela 5 Níveis de Consequências do método MARAT (quatro categorias) [1

Significado
Nível de consequências NC Danos pessoais Danos materiais
Mortal ou catastrófica (M) 100 Um morto pelo menos Destruição total do sistema
Muito grave (MG) 60 Lesões graves que podem ser irreparáveis Destruição parcial do sistema (recuperação custosa)
Grave (G) 25 Lesões com incapacidade laborais temporárias Paragem obrigatória do processo para efetuar a reparação
Leve (L) 10 Pequenas lesões que não requerem hospitalização Reparável sem necessitar de paragem [1]

Na tabela 6 é possível analisar a conjugação entre os Níveis de Probabilidades e de Consequências e na seguinte estão os Níveis de Intervenção [1].

Tabela 6 Conjugação entre Níveis de Probabilidade e de Consequências do método MARAT (quatro categorias) [1

Nível de Probabilidade (NP)
40- 24 20- 10 8- 6 4- 2
Nível de Consequências (NC) 100 I I I II
4000- 2400 2000- 1200 800-600 400- 200
60 I I II II 240
2400- 1440 1200- 600 480- 360 III 120
25 I II II III
1000- 600 500- 250 200- 150 100- 50
10 I II 200 III III 40
400- 240 III 100 80- 60 IV 20 [1]

Na tabela 7 estão estratificados os Níveis de Intervenção, em função dos Níveis de Risco [1].

Tabela 7 Níveis de Intervenção do método MARAT (quatro categorias) [1

Nível de Intervenção NR Significado
1 600- 4000 Situação crítica; correção urgente
2 150- 500 Corrigir e adotar medidas de controlo
3 40-120 Melhorar se possível; é conveniente justificar a intervenção e a sua rentabilidade
4 20 Não é necessário intervir, salvo se outra análise mais exigente o justificar [1]

Por sua vez, outros autores preferiram utilizar o método com categorias discretamente diferentes, ou seja, cinco em vez de quatro (ainda que se mantenha a essência da técnica), tal como se pode constatar nas tabelas seguintes.

Tabela 8 Níveis de Exposição do método MARAT (cinco categorias) 

Nível de Exposição NE Significado
Esporádica 1 Uma vez por ano e por pouco tempo (em minutos) Raras vezes e por pouco tempo
Pouco frequente 2 Algumas vezes por ano e por período de tempo determinado Alguma vez durante o período laboral e por pouco tempo
Ocasional 3 Algumas vezes por mês Alguma vez durante o período laboral e por tempo significativo
Frequente 4 Várias vezes durante o período laboral, ainda que com tempos curtos; várias vezes sem ou diário Várias vezes durante o período laboral, ainda que por períodos curtos
Continuada [2] [3] [4] [5] 5 [2] [3] [4] [5] Várias vezes por dia com tempo prolongado ou continuamente [2] [4] [5] Várias vezes durante o período laboral, por tempo prolongado e/ ou continuamente [2] [3]

Tabela 9 Níveis de Deficiência do método MARAT (cinco categorias) 

Nível de deficiência ND Significado
Aceitável 1 Não foram detetadas anomalias
Insuficiente 2 Foram detetados fatores de risco de menor importância; é de admitir que o dano possa ocorrer algumas vezes
Deficiente 6 Foram detetados alguns fatores de risco significativos; as medidas preventivas têm a sua eficácia reduzida de forma significativa
Muito deficiente 10 Foram detetados fatores de risco significativos; as medidas preventivas são ineficazes; o dano ocorrerá na maior parte das circunstâncias
Deficiência total 14 Medidas preventivas inexistentes ou desadequadas; são esperados danos na maior parte das situações [2] [3] [4] [5]

Tabela 10 Níveis de Probabilidade segundo o método MARAT (cinco categorias) 

Nível de Probabilidade NP NPC (corrigido) Significado
Muito baixa 1-3 1-6 Não é de esperar que a situação perigosa se materialize, ainda que possa ocorrer
Baixa 4-6 8-12 Pode ocorrer
Média 8-20 16-36 É possível de ocorrer pelo menos uma vez, com danos
Alta 24-30 40-70 Pode ocorrer várias vezes durante o período de trabalho
Muito alta [2] [3] 40-70 [2] [3] 80- 120 [4] Normalmente ocorre com frequência [2] [4] [5]

O NP pode ser analisado visualmente através da tabela que se segue [3] [4] [5].

Tabela 11 Níveis de Exposição versus Deficiência do método MARAT (cinco categorias) [3] [4] [5

Nível de Exposição (NE)
Esporádica Pouco frequente Ocasional Frequente Contínua
1 2 3 4 5
Nível de deficiência (ND) Aceitável 1 1 2 3 4 5
Insuficiente 2 2 4 6 8 10
Deficiente 6 6 12 18 24 30
Muito deficiente 10 10 20 30 40 50
Deficiência total 14 14 28 42 56 70

Tabela 12 Níveis de Consequência do método MARAT (cinco categorias) 

Nível de Consequência NS Significado
Danos pessoais Danos materiais
Insignificante 10 Não há danos significativos Pequenas perdas materiais
Leve 25 Pequenas lesões que não requerem hospitalização, apenas primeiros socorros Reparação sem paragem do processo
Moderado 60 Lesões com incapacidade laboral temporária; requerem tratamentos organizados Requer a paragem do processo para efetuar as reparações
Grave 90 Lesões graves que podem ser irreparáveis Destruição parcial do sistema ou reparações complexas ou dispendiosas
Mortal ou catastrófico [2] [3] [4] 155 [2] [3] [4] Um ou mais mortos; incapacidade total ou permanente [2] [3] [4] Destruição de um ou mais sistemas (reparação difícil) [2] [3] [5]

Tabela 13 Níveis de Risco do método MARAT (cinco categorias) [2] [3] [5

NS Não é de esperar que o risco se materialize A materialização do risco pode ocorrer A materialização do risco é possível de ocorrer A materialização do risco pode ocorrer várias vezes durante o turno A materialização do risco ocorre com frequência
Pessoas Material 1 a 3 4 a 6 8 a 18 24 a 30 40 a 70
Não há danos pessoais Pequenas perdas materiais 10 10 30 40 60 80 180 240 300 400 700
Pequenas lesões que não requerem hospitalização Reparação sem necessidade de paragem do processo 25 25 75 100 150 200 450 600 750 1000 1750
Lesões com incapacidade de trabalho temporária Requer paragem do processo para executar a reparação 60 60 180 240 360 480 1000 1440 1800 2400 4200
Lesões graves que podem ser irreparáveis Destruição total do sistema (reparação complexa e onerosa) 90 90 270 360 540 720 1620 2160 2700 3600 6300
Um morto ou mais; incapacidade total ou permanente Destruição total do sistema (reparação difícil) 155 155 465 620 930 1240 2790 3720 4650 6200 10850

Tabela 14 Níveis de Intervenção, por favor considerar a tabela seguinte (cinco categorias) [2] [3

NC Nível de Controlo Significado
I 3600- 10.850 Situação crítica; intervenção imediata; eventual paragem imediata; isolar o perigo até serem adotadas medidas de controlo permanente
II 1240- 2790 Situação a corrigir; adotar medidas de controlo enquanto a situação perigosa não for eliminada ou reduzida
III 360- 1080 Situação a melhorar; deverão ser elaborados planos ou programas documentados de intervenção
IV 90- 300 Melhorar se possível; justificar a intervenção
V 10- 80 [2] [5] Intervir apenas se uma análise mais pormenorizada o justificar [2] [3]

Tabela 15 Apresentação alternativa à tabela anterior: Níveis de Intervenção no método MARAT (cinco categorias) [5

Classificação de risco Significado/ Medidas necessárias
Grave Situação crítica; paragem imediata das atividades até que seja eliminado o risco ou sejam implementadas medidas que o tornem aceitável
Alto Situação a corrigir; adotar medidas de controlo enquanto a situação perigosa não for eliminada ou reduzida
Considerável Situação a melhorar; deverão ser elaborados planos ou programas de intervenção; requer medidas assim que possível
Moderado Não urgente; melhorar se possível, justificando a intervenção
Aceitável Intervir apenas se uma análise mais pormenorizada o justificar [5]

Em função dos Acidentes e Doenças Profissionais nos últimos três anos, o nível de probabilidade é penalizado x 1 (caso não tenha acontecido), x 2 (se ocorreu entre uma e cinco vezes) e X 3 (se ocorreu mais que cinco vezes)- assim se obtém o Nível de Probabilidade Corrigido (ver tabela 16) [4].

Tabela 16 Nível de Probabilidade Corrigido no método MARAT [4

Nível de probabilidade
Muito baixa Baixa Média Alta Muito alta
1-3 4-6 8-18 20-30 40-70
Penalização X1 1 3 4 6 8 18 20 30 40 70
X2 2 6 8 12 16 36 40 60 80 140
X3 3 9 12 18 24 54 60 90 120 210 [4]

Quanto ao Nível de Risco e Controlo Corrigidos, por favor consultar a tabela 17 [4].

Tabela 17 Nível de Risco Corrigido no método MARAT [4

NS NPC Não é de esperar que o risco se materialize A materialização do risco pode ocorrer A materialização do risco é possível de ocorrer pelo menos uma vez com danos A materialização do risco pode ocorrer várias vezes durante o turno A materialização do risco ocorre com frequência
Pessoas 1-6 8-12 16-36 40-70 80-210
Lesões que requerem pequenos curativos; não implicam abandono do local de trabalho 10 10 60 80 120 160 360 400 700 800 2100
Pequenas lesões com abandono do local de trabalho (ida ao posto médico) 25 25 150 200 300 400 900 1000 1750 2000 5250
Lesões com incapacidade laboral temporária (parcial ou total) 60 60 360 480 720 960 2160 2400 4200 4800 12600
Lesões graves e doenças profissionais que podem ser irreparáveis sem resultar em incapacidade para a função 90 90 540 720 1080 1440 3240 3600 6300 7200 18900
Incapacidade total e permanente para a função ou morte 155 155 930 1240 1860 2408 5580 6200 10850 12400 32550 [4]

Perante valores equivalentes será preferível intervir em sistemas em que o custo for menor e se atinja um maior número de funcionários. Contudo, por sua vez, não se deve ignorar a valorização que os trabalhadores poderão dar a alguns problemas [1].

Para finalizar, no quadro 1 é fornecido um exemplo de tabela de registo, inspirado na bibliografia consultada [1] [4].

Quadro 3 Exemplo de Tabela de Registo 

Perigos/ Fatores de Risco Dano/ Risco ND NE NP NC ou NS NR NI Ações de controlo propostas e reavaliação

William Fine

Este método semi-quantitativo permite identificar os riscos e hierarquizar os mesmos, de forma a orientar as medidas corretivas que poderão ser instauradas. O método foi divulgado em 1971, ainda que tenha sido posteriormente adaptado. Ele permite quantificar a gravidade e a probabilidade relativa de cada risco, associadas às respetivas ações preventivas, custo, tempo e esforço necessário nas atuações [6].

Aqui considera-se que R=Fc x Fe x Fp [6] [7], em que:

  • ➢ R é a magnitude do risco ou grau de probabilidade

  • ➢ Fc é o fator consequência (resultados mais prováveis de um acidente ou fator de risco, quer pessoais, quer materiais)

  • ➢ Fe como fator exposição (frequência com que se apresenta a situação de risco) e

  • ➢ Fp como fator probabilidade (ou seja, probabilidade de uma vez iniciada a sequência de um acontecimento, ela culminar no acidente)

Por sua vez, J= Fc x Fe x Fp/ Fcusto x Gc, em que:

  • ➢ J é justificação e

  • ➢ Gc é o grau de correção

Se:

  • ➢ J for superior a 20 deve ocorrer suspensão imediata da atividade;

  • ➢ entre 10 e 20 deverá existir correção imediata e

  • ➢ menor que 10 a correção passa para urgente apenas [6].

Nas tabelas 18 e 19 estão descritos os eventuais danos corporais e materiais, de forma a quantificar o Grau de Severidade/ Consequência (utilizar um ou outro)

Tabela 18 Grau de Severidade ou Consequência no método William Fine 

Consequências
Grau de severidade
Danos corporais Danos materiais Valor
Numerosas mortes Acidente mortal Danos superiores a 1.000.000E e quebras importantes na atividade > 5.000€ 100
Várias mortes Incapacidade permanente 500.000 a 1.000.000E 2500-5000€ 50
Uma Morte Doença 100.000 a 500.000E 1500-2500€ 25
Lesões graves, amputações, invalidez permanente Incapacidade temporária 1000 a 100.000E 750- 1500€ 15
Incapacidades temporárias Lesões graves Até 1000E 500- 750€ 5
Ferimentos ligeiros [6] [8] Lesões ligeiras [7] Pequenos danos [6] [8] < 500€ [7] 1 [6] [8]

Tabela 19 Grau de Consequência no método William Fine [5] [6

Grau de Consequência Significado Score
Catástrofe Elevado número de mortes; grandes perdas 100
Várias mortes Perdas entre 500.000 e 1.000.000€ 50
Uma morte Acidente mortal; perdas de 100.000 a 500.000€ 25
Lesões graves Incapacidade permanente; perdas entre 1.000 e 100.000€ 15
Lesões com CIT Incapacidade temporária; perdas inferiores a 1.000€ 5
Pequenas feridas Lesões ligeiras 1 [5] [6]

Nas tabelas 20 e 21, por sua vez, estão valoradas a Exposição e a Probabilidade.

Tabela 20 Grau de Exposição no método William Fine 

Exposição (Fe)
Frequência da ocorrência da situação de risco Valor
Várias vezes ao dia Diária Contínua +6h/d 10
Frequentemente Ocasional/ regular Frequente 4-6h 6
1x/ semana a 1x/ mês Irregular/ semanal Ocasional 2-4h 3
1x/ mês a 1x/ ano Raramente/ quinzenal Irregular 1-2h 2
Raramente (mas já aconteceu) Esporadicamente Raramente <1h 1
Remotamente possível (nunca aconteceu) [6] [8] Mensal [5] Pouco provável [6] Não se sabe se ocorre, mas é possível [7] 0,5 [5] [6] [8]

Tabela 21 Grau de Probabilidade no método William Fine 

Probabilidade (Fp)
Probabilidade da sequência de acontecimentos, incluindo as consequências Valor
Resultado mais provável se a situação inicial de risco ocorrer Muito provável 10
Probabilidade de 50% Possível 6
Remotamente possível (já aconteceu) Rara 3
Rara Pouco provável 1
Extremamente rara ou probabilidade remota Nunca aconteceu 0,5
Praticamente impossível [6] Quase impossível [7] 0,1 [5] [6] [8]

Na tabela 22 estão registadas as medidas a tomar em função do patamar de Risco.

Tabela 22 Medidas a tomar em função do Grau de Risco no método William Fine [6] [7] [8

Grau de Perigosidade
Risco Classificação Medidas
≥ 400 Grave, iminente Suspensão imediata da atividade perigosa
200- 400 Alta Correção imediata
70- 200 Notável Correção logo que possível
20- 70 Moderada Deve ser eliminada, mas não é uma emergência
<20 Aceitável Situação a manter [5] [6] [7]

Ou então

Tabela 23 Alternativa para analisar Grau de Risco no método William Fine [6] [8

GP Intervenção
> 250 Corrigir imediatamente
100- 250 Urgência em tomar medidas
< 100 [6] Tomar medidas, se viável [6] [8]

Na tabela 24 entra-se em conta também com a dimensão económica da ação corretiva.

Tabela 24 Fator Custo da ação corretiva no método William Fine [6

Fator de custo
Custo esperado da ação corretiva Valor
+ 2500€ 10
1250 a 2500€ 6
675 a 1250€ 4
335 a 675€ 3
150 a 335€ 2
75 a 150€ 1
<75€ 0,5 [6]

Na tabela 25, por sua vez, estratifica-se a diminuição do Risco pela aplicação da ação corretiva.

Tabela 25 Diminuição do Risco pela Ação Corretiva- Grau de correção no método William Fine [6

Grau de correção
Diminuição do risco por aplicação da ação corretiva Valor
Risco totalmente eliminado 1
Diminuição em pelo menos 75% 2
Diminuição em 50 a 75% 3
Diminuição em 25 a 50% 4
Diminuição em menos de 25% 6 [6]

MIAR (Método Integrado de Avaliação de Riscos)

Este procedimento inicia-se pela identificação das tarefas sequenciais existentes, ou seja, considerando uma ou mais tarefas que constituem uma atividade, uma ou mais atividades de um processo ou um ou mais processos englobados num macroprocesso. Para além disso, também faz a identificação dos materiais e máquinas utilizadas, recursos energéticos, condições de trabalho, envolvência, avaliação do impacto ambiental, procedimentos de proteção de riscos já existentes e potenciais falhas [9].

O índice de risco (IR) terá em conta os seguintes fatores:

  • 1)gravidade dos impactos (G):

    • a)quantificação do aspeto (Q) conjugada com o nível de perigosidade (P)

    • b)extensão do impacto (E)

  • 2)probabilidade de ocorrência:

    • a)exposição/ frequência da ocorrência do componente (EF)

    • b)desempenho dos sistemas de prevenção e controlo (PC)

    • c)custos e complexidade técnica das medidas de prevalência/ correção do aspeto (C).

Assim, IR = G x E X EF x PC x C[9].

Na tabela 26 podem ser consultados os níveis de Índice de Risco.

Tabela 26 Níveis de Índice de Risco no método MIAR [9

Nível Pontos
1 90
2 91- 250
3 251- 500
4 501- 1800 [9]

Na tabela 27, estão resumidos os dados que permitem adquirir uma visão global do método.

Tabela 27 Visão global do método MIAR [9

Parâmetros de avaliação Descrição Valor
Gravidade (G) Podem causar morte ou lesão com incapacidade permanente absoluta 10
Lesões graves com incapacidade temporária ou permanente parcial, mas de pequena percentagem 5
Lesões menores com incapacidade temporária parcial, mas de baixa gravidade 3
Lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade 2
Não causa lesões 1
Extensão do impacto (E) Mais de 80% dos trabalhadores afetados pelo processo 4
51 a 80% 3
11 a 50% 2
Até 10% 1
Exposição/ frequência da ocorrência do aspeto (EF) Ocorrência contínua ou com periodicidade alta, correspondendo às condições normais da operação (N) 3
Ocorrência periódica- operação de arranque, paragem ou condições de operação anormais (P) 2
Ocorrência reduzida- corresponde a emergências, acidentais ou pontuais (A) 1
Desempenho dos sistemas de prevenção e controlo (PC) Não existe um sistema de prevenção e controlo implementados 5
Sistema de controlo sem evidência de adequada funcionalidade 4
Não existe sistema de prevenção, mas de controlo 3
Existe um sistema de prevenção e controlo, mas sem evidência de adequada funcionalidade 2
Há um sistema de prevenção e controlo implementado e com evidência de adequada funcionalidade 1
Custos e complexidade técnica da prevenção/ correção do aspeto (C) Custo e complexidade reduzidos 3
Custo e complexidade moderados 2
Custo e complexidade elevados 1 [9]

FMEA

A sigla vem de “Failure Mode and Effect Analysis” ou “Análise do Modo de Falhas e Efeitos” e apresenta-se com uma técnica intuitiva que proporciona a análise sistemática de várias possíveis falhas, bem como a etiologia e efeitos destas [2] [3] [7]. Pode englobar o desenvolvimento do produto, processo produtivo, manutenção e serviços [7].

O método FMEA originou-se no meio militar, na década de 40, com o objetivo de avaliar a técnica de segurança na determinação de falhas e efeitos do sistema e equipamento; duas décadas depois foi introduzido na indústria aeroespacial (programa APOLLO) e de seguida também na indústria automóvel (década de 80) [10]; também há registo de já ter sido usado a nos setores nuclear e bioquímico [2].

Alguns realçam que esta técnica permite três objetivos diferentes: prognóstico de problemas, procedimentos para projetos/ processos/ serviços e o diário do projeto/ processo ou serviço. É eficiente na prevenção de problemas e consegue destacar soluções económicas [10].

Ainda que sem consenso na literatura, nesta técnica podem ser considerados três subtipos diferentes; ou seja: sistema, produto/ projeto e processo [7] (alguns autores consideram apenas as duas últimas categorias) [3] [7]; outros acrescentam o subtipo “serviço” [3]. O primeiro avalia sistemas e subsistemas durante a etapa de conceção e projeto, ou seja, identifica os potenciais modos de falha em relação às funções, expetativas e interação entre diversos sistemas. Na segunda situação incide-se na avaliação de um produto concreto, antes de ser produzido; realça escolhas incorretas de materiais, especificidades ou outras questões que poderão alterar a função do produto e/ ou a sua longevidade. Por fim, na terceira categoria valoriza-se o processo de fabrico em si, sobretudo detalhes que possam causar deficiências ou demasiada variabilidade no produto final [7].

No geral, esta técnica permite obter melhorias e definir prioridades entre as medidas corretivas propostas [3].

Dever-se-á descrever as diversas etiologias possíveis de uma falha; cada uma delas deverá ter um índice associado que permita tomar decisões perante as ações necessárias para atenuar o risco [10].

Serão então fases da técnica FMEA: análise e hierarquização do sistema, seleção do sistema a avaliar, estado funcional e seleção de um estado de funcionamento; bem como identificação de um modo potencial de falha, dos efeitos possíveis, das causas e dos métodos de deteção e prevenção [10].

Os parâmetros que este método destaca são a Severidade (S), Ocorrência (O) e a Deteção (D), que originam o NPR (Número Prioritário de Risco) [3] [7] [10], que serve para analisar o risco [10], de forma hierárquica [3]. O RPN (inglês)= G ou S x O x D (em que D representa deteção ou escala de ergonomia), varia de 1 a 1000 [7] [10]; se maior que 100 implica uma ação imediata; se maior que 5 implica que se atue [10]; ou seja, quanto mais elevado, maior o risco.

O Índice de Ocorrência representa a frequência da falha; varia de 0 (probabilidade muito remota) a 10 (muito frequente). O Índice de gravidade reflete a severidade do efeito; oscila de 0 (gravidade impercetível) a 10 (mais grave possível). Por fim, o Índice de deteção é modulado pela capacidade de detetar com antecedência; quanto mais elevado o índice, menos provável é a deteção (ao contrário de outros parâmetros) [10].

O fluxograma a utilizar poderá ser semelhante ao inserido na figura seguinte [7].

Figura 2 Fluxograma do método FMEA [7

A severidade oscilará entre 1 (sem impacto) a 10 (máximo impacto possível), tal como descrito na tabela 28 [7].

Tabela 28 Severidade em contexto do método FMEA [7

Efeito Critério (Severidade do efeito) Índice de Severidade
Perigo sem aviso prévio Índice de severidade muito alto (afeta a segurança e/ ou origina alguma inconformidade legal) 10
Perigo com aviso prévio Índice de severidade muito alto (afeta a segurança e/ ou origina alguma inconformidade legal) 9
Muito alto Produto inoperável, com perda de funções primárias 8
Alto Desempenho reduzido, cliente insatisfeito 7
Moderado Produto operável mas cliente não totalmente satisfeito 6
Baixo Produto operável mas cliente sente alguma insatisfação 5
Muito baixo Acabamentos não conformes; defeito notado pela maioria dos clientes 4
Menor Acabamentos não conformes; defeito notado por alguns clientes 3
Muito menor Acabamentos não conformes; defeito notado por clientes atentos 2
Nenhum Sem efeito 1 [7]

Quanto à Ocorrência, por favor consultar a tabela 29 [7].

Tabela 29 Ocorrência em contexto do método FMEA [7

Efeito Taxa de falhas (nº de horas) CpK Índice de ocorrência
Muito alta: a falha é quase inevitável >1 em 2 >0,33 10
>1 em 3 9
Alta: geralmente associada a processos similares aos anteriores que apresentam falhas frequentes 1 em 8 >0,51 8
1 em 20 >0,67 7
Moderada: geralmente associada a processos similares que apresentam poucas falhas 1 em 80 >0,83 6
1 em 400 >1,00 5
1 em 2000 >1,17 4
Baixa: associação a processos similares que apresentam poucas falhas 1 em 15.000 >1,33 3
Muito baixa: associada a processos quase idênticos que apresentaram apenas falhas isoladas 1 em 150.000 >1,50 2
Improvável: falha é improvável, processos quase idênticos nunca apresentam falhas <1 em 1.500.000 >1,67 1 [7]

Na tabela 30, estão registadas a Deteção (incluindo probabilidade e índice). Na tabela 31, por sua vez, estão inseridos dados relativos ao NPR [7].

Tabela 30 Deteção em contexto do método FMEA [7

Deteção Critério (probabilidade de deteção) Índice de Deteção
Quase impossível Não é conhecido controlo disponível para detetar o modo de falha 10
Muito remota Probabilidade muito remota de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 9
Remota Probabilidade remota de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 8
Muito baixa Probabilidade muito baixa de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 7
Baixa Probabilidade baixa de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 6
Moderada Probabilidade moderada de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 5
Moderada/ alta Probabilidade moderada a elevada de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 4
Alta Probabilidade alta de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 3
Muito alta Probabilidade muito alta de que o controlo atual irá detetar o modo de falha 2
Quase certamente O controlo atual quase certamente irá detetar o modo de falha 1 [7]

Tabela 31 NPR, Classificação de Risco e Medidas associadas, em contexto do método FMEA [7

NPR Classificação de risco Medidas
>200 Elevado Correção imediata
40-200 Médio Correção logo que possível
<40 Baixo Situação que se pode manter [7]

Por sua vez, outros autores aplicaram o método, estruturando-o de forma um pouco diferente, ainda que mantendo a essência. Então, em relação à gravidade (G)/ severidade (S), consultar a tabela 32 [10].

Tabela 32 Gravidade em contexto do método FMEA [10

Índice Gravidade Critério
1 Mínima Efeito não percebido pelo colaborador
2 Pequena Efeito bastante insignificante, percebido por 25% dos colaboradores
3 Efeito insignificante, percebido por 50% dos colaboradores
4 Moderada Efeito moderado e percebido por 75% dos colaboradores
5 Efeito consideravelmente crítico e percebido pelos colaboradores
6 Efeito consideravelmente crítico, que perturba os colaboradores
7 Alta Efeito crítico que deixa o colaborador um pouco insatisfeito
8 Efeito crítico que deixa o colaborador consideravelmente insatisfeito
9 Muito alta Efeito crítico que deixa o colaborador totalmente insatisfeito
10 Efeito perigoso, que ameaça a vida do colaborador [10]

Quanto à probabilidade de ocorrência, por favor analisar a tabela 33 [10].

Tabela 33 Ocorrência em contexto do método FMEA [10

Índice Ocorrência Probabilidade
1 Remota Extremamente remota, muito improvável (1/1.000.000)
2 Pequena Remoto, improvável (1/20.000)
3 Pequena hipótese de ocorrência (1/4000)
4 Moderada Pequeno nº de ocorrências (1/1000)
5 Espera-se um número ocasional de falhas (1/400)
6 Ocorrência moderada (1/80)
7 Alta Ocorrência frequente (1/40)
8 Ocorrência elevada (1/20)
9 Muito alta Ocorrência muito elevada (1/8)
10 Ocorrência certa (1/2) [10]

Por sua vez, quando à Deteção, por favor assimilar o resumo inserido na tabela 34 [10].

Tabela 34 Deteção em contexto do método FMEA [10

Índice Deteção Critério
1 Muito grande É quase certo que será detetado
2 Grande Probabilidade muito alta de deteção
3 Alta probabilidade de deteção
4 Moderada Hipótese moderada de deteção
5 Hipótese média de deteção
6 Alguma probabilidade de deteção
7 Pequena Baixa probabilidade de deteção
8 Probabilidade muito baixa de deteção
9 Muito pequena Probabilidade remota de deteção
10 Deteção quase impossível [10]

Quanto ao Índice de Ergonomia, ele está resumido na tabela 35 [10].

Tabela 35 Índice de Ergonomia em contexto do método FMEA [10

Índice Condição Ergonómica Risco Ergonómico
5 Muito má Muito grande
4 Grande
3 Razoável Médio
2 Boa Pequeno
1 Muito boa Inexistente [10]

Quanto ao critério de Prioridade para a Ação/ Índice de Risco, por favor observar o que está inserido na tabela seguinte [10].

Tabela 36 Prioridade RPN/ Ação e índice de Risco, em contexto do método FMEA, segundo outros autores [10

Prioridade RPN Critério de Prioridade para a Ação Índice de Risco
0 Item vulnerável e importante; requer ações imediatas Alto (>100)
1 Item vulnerável e importante; requer ações corretivas ou preventivas a curto prazo Médio (50 a 100)
2 Item pouco vulnerável; podem ser tomadas ações corretivas ou preventivas a longo prazo Baixo (1 a 50) [10]

A representação gráfica pode ser visualizada na figura 3 [10].

Figura 3 Representação gráfica RPN em contexto do método FMEA [10

Por sua vez, o Índice de Severidade (mas a nível de processos e/ ou serviços) pode ser analisado na tabela 37 [3].

Tabela 37 Índice de Severidade no método FMEA, em contexto de processos e/ ou serviços [3

Índice Escala qualitativa Potenciais consequências das falhas
1 Menor Falha não tem impacto real
2-3 Baixa Falha quase insignificante
4-6 Moderada Falha apresenta algum incómodo e insatisfação
7-8 Elevada Falha tem efeito direto na operação
9-10 Crítica Falha tem impacto real na segurança [3]

Quando ao Índice de Ocorrência, por favor consultar a tabela 38 [3].

Tabela 38 Índice de Ocorrência no método FMEA, em contexto de processos e/ ou serviços [3

Índice Índice de Ocorrência %
1 Não é provável que ocorra falha (1/ 1.000.000) 0 a 0,0001
2 Muito pouco provável que a falha ocorra (1/20.000) 0,0001 a 0,005
3 Pouco provável que a falha ocorra (1/4.000) 0,005 a 0,025
4-6 Moderada probabilidade para ocorrência de falha (1/1000 até 1/80) 0,1 a 1,25
7-8 Alta probabilidade para ocorrência de falha (1/40 até 1/20) 2,5 a 5
9-10 Muito alta probabilidade para ocorrência de falha (1/10) >10 [3]

Por fim, quanto ao Índice de Deteção, analisar a tabela 39, semelhante a outros subtipos [3].

Tabela 39 Índice de Deteção no método FMEA, em contexto de processos e/ ou serviços [3

Índice Escala qualitativa Deteção
1 Muito elevada É quase certo que as medidas de controlo irão detetar a falha
2-5 Elevada As medidas de controlo têm uma grande probabilidade de detetar a falha
6-8 Moderada As medidas de controlo poderão detetar a falha
9 Baixa As medidas de controlo têm uma baixa probabilidade de detetar a falha
10 Muito baixa É quase certo que as medidas de controlo não irão detetar a falha [3]

Quanto ao grau de risco, por favor observar a tabela 40, muito parecido a outros subtipos [3].

Tabela 40 Grau de Risco no método FMEA, em contexto de processos e/ ou serviços [3

Grau de Risco Escala qualitativa Grau de urgência das medidas
≥ 200 Muito elevada Requer ação imediata para se eliminarem as causas
100- 200 Elevada Devem ser tomadas medidas urgentes para se eliminarem as causas
40- 100 Moderada Devem ser tomadas medidas logo que possível
< 40 Baixa Devem ser tomadas medidas sem urgência [3]

Por sua vez, no subtipo FMEA de Projeto, o Índice de Severidade, Ocorrência e Deteção está registado nas três tabelas seguintes. No final destas surge a hierarquização do risco [3].

Tabela 41 Índice de Severidade no método FMEA, em contexto de projeto [3

Índice Escala qualitativa Principais consequências
1 Menor Falha não tem impacto real
2 Baixa Falha quase insignificante
3 Moderada Falha apresenta algum incómodo e insatisfação; produto funcional mas com desempenho diminuído
4 Elevada Falha tem efeito direto na operação; perda de funções
5 Crítica Falha com impacto real na seguradora; falhas catastróficas [3]

Tabela 42 Índice de Ocorrência no método FMEA, em contexto de projeto [3

índice Escala qualitativa Probabilidade de Ocorrência
1 Rara Menos de 104 até 106
2 Pouco frequente 2 até 10 em 104 até 106
3 Moderada 11 até 25 em 104 até 106
4 Frequente ou elevada 25 até 50 em 104 até 106
5 Muito elevada ou crítica Mais que 50 em 104 até 106 [3]

Tabela 43 Índice de Deteção no método FMEA, em contexto de projeto [3

Índice Probabilidade de Deteção
1 É quase certo que as medidas de controlo irão detetar a falha
2 As medidas de controlo têm uma grande probabilidade de detetar a falha
3 As medidas de controlo poderão detetar a falha
4 As medidas de controlo têm uma baixa probabilidade de detetar a falha
5 É quase certo que as medidas de controlo não irão detetar a falha [3]

Tabela 45 Hierarquização do Risco no método FMEA, em contexto de projeto [3

Grau de Risco Escala qualitativa
64- 125 Muito elevado
13- 63 Moderado
1-12 Menor [3]

O registo dos parâmetros incluídos neste método pode ser realizado numa estrutura equivalente à inserida no quadro seguinte [7]. Outras bibliografias apresentaram propostas semelhantes [3] [10].

Quadro 4 Registo dos dados do método FMEA [10

DISCUSSÃO/ CONCLUSÃO

As palavras-passe utilizadas relacionaram-se com os métodos que a autora conhecia sumariamente; nos documentos encontrados, por vezes, foram referidas outras técnicas que também se decidiu considerar inicialmente; contudo, tal implica obviamente uma seleção enviesada desde a partida.

Facilmente se encontram artigos em bases de dados indexadas que mencionam que utilizaram estas técnicas mas, devido aos limites impostos pela generalidade das revistas perante o tamanho do documento, quase todos os autores apenas mencionam o nome do método que utilizaram e, quando muito, fazem uma descrição muito sintética do mesmo. Por sua vez, em algumas Teses de Mestrado ou Doutoramento (onde esse problema não existe) já poderá se encontrar uma descrição metodológica mais detalhada mas, ainda assim, nem sempre se consegue perceber na prática como utilizar todos os métodos ou se encontram versões discretamente diferentes, fruto de adaptações, consideração sobre diversos subtipos ou mistura de métodos, efetuadas ao longo das décadas.

Qualquer profissional inserido numa Equipa de Saúde Ocupacional que seja conhecedor do local de Trabalho terá uma noção razoável de quais serão as tarefas mais danosas; contudo, apresentar essa evidência, atenuando a subjetividade e fazendo uso da hierarquização que as escalas matemáticas podem oferecer, torna as avaliações mais científicas, rigorosas e mais fáceis de serem aceites como válidas pelo Empregador/ Representante do Empregador/ Representante dos Funcionários/ Trabalhadores e, consequentemente, aumentar a recetividade às medidas propostas para atenuar/ corrigir o problema e reavaliar o mesmo após a introdução das medidas corretivas.

Seria desejável que todos os profissionais da área tivessem pelo menos uma ideia genérica dos métodos existentes e que saibam onde se podem socorrer para obter mais informação, de forma a executar essas técnicas, quando necessário.

AGRADECIMENTOS

Nada a declarar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2 Ferreira V. Avaliação de Riscos e Perigos num Hipermercado. Instituto Politécnico de Setúbal. Escola Superior de Ciências Empresariais. Escola Superior de Tecnologia. Mestrado em Segurança e Higiene do Trabalho. 2016, 1-70. [ Links ]

3 Braz F. Metodologia de Avaliação de Riscos em equipamentos de energias renováveis: solar e biomassa. Instituto Politécnico de Setúbal. Escola Superior de Ciências Empresariais. Escola Superior de Tecnologia. Mestrado em Segurança e Higiene no Trabalho. 2014, 1-148. [ Links ]

4 Gomes H. Identificação de Perigos, Avaliação e Controlo de Riscos numa unidade industrial. Instituto Politécnico de Setúbal. Escola Superior de Ciências Empresariais. Escola Superior de Tecnologia de Setúbal. 2014, 1-74. [ Links ]

5 Contente S. Avaliação de Riscos numa empresa de testes hidráulicos. Instituto Politécnico de Setúbal. Escola Superior de Ciências Empresariais. Escola Superior de Tecnologia de Setúbal. Mestrado em Segurança e Higiene no Trabalho. 2018, 1-85. [ Links ]

6 Santos M, Almeida A, Lopes C, Oliveira T. Metodologias para a Avaliação de Riscos: William Fine. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2018, volume 6, 1-3. DOI:10.31252/RPSO.18.11.2018 [ Links ]

7 Nunes J. Avaliação de Riscos na Caraterização de Tarefas de Manutenção. Instituto Politécnico de Setúbal. Escola Superior de Ciências Empresariais. Escola Superior de Tecnologia de Setúbal. Mestrado em Segurança e Higiene do Trabalho. 2018, 1-88. [ Links ]

8 Mendes J. Avaliação de Riscos em Restauração. Instituto politécnico de Setúbal. Escola superior de Ciências Empresariais. Escola Superior de Tecnologia de Setúbal. Mestrado em Segurança e Higiene no Trabalho. 2014, 1-64. [ Links ]

9 Santos M, Almeida A, Lopes C, Oliveira T. MIAR? (Método Integrado para a Avaliação de Riscos). Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2019, volume 7, 1-2. DOI: 10.31252/RPSO.10.03.2019 [ Links ]

10 Cruz B. Análise de Riscos do Trabalho ou Atividade nas Consultas Externas do Hospital Pero da Covilhã. Universidade da Beira Interior. Mestrado em Gestão de Unidades de Saúde. 2011, 1-119. [ Links ]

Recebido: 08 de Julho de 2020; Aceito: 11 de Julho de 2020

CONFLITOS DE INTERESSE, QUESTÕES ÉTICAS E/OU LEGAIS

Nada a declarar.

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