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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Características clínicas de doentes com neoplasia do pulmão e neoplasias primárias síncronas ou metácronas com outras localizações]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Clinical characteristics of patients with lung cancer and metachronous or synchronous tumours with other locations]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Lung cancer is the leading form of cancer death worldwide. Cancer patients are at a high risk of developing a second cancer. The present study attempts to determine the characteristics of a population with lung cancer diagnosed with another cancer. We analysed records of patients from the Department of Lung Oncology of our hospital from 2000 to 2007 who were identified as having two or more tumours. We found 4.2% (n=44) multiple cancers among the registered cases (n=1046), 88.6% males, (high) mean age 70.1±10 years old. About 86% (n=38) of the patients were smokers or ex -smokers. From the patients with record of family history, 65.4% (n=17) had relevant family history of cancer. The majority of the first malignancy diagnosed was prostate, colon, head and neck and bladder. Lung cancer was essentially the second malignancy. The mean time lag between the two diagnoses was 62.9±64.9 months (max. 240, min. 0), with the second cancer usually detected at an advanced stage. The mean survival of patients who had a second primary lung cancer was 8.6±8.24 months (max. 32, min. 1), with four patients still surviving. Lung cancer was essentially the second malignancy. The mean time lag between the two diagnoses was 62.9±64.9 months (max. 240, min. 0), with the second cancer usually detected at an advanced stage. The mean survival of patients who had a second primary lung cancer was 8.6±8.24 months (max. 32, min. 1), with four patients still surviving.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Neoplasias múltiplas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p  ><b>Características clínicas de doentes com neoplasia do pulmão e neoplasias    primárias síncronas ou metácronas com outras localizações</b></p>     <p  >&nbsp;</p>      <p ><b>Inês Vaz Luís<sup>1</sup>,</b><b> Rita Macedo<sup>2</sup>,</b><b> Encarnação    Teixeira<sup>3</sup>, </b><b>Renato Sotto-Mayor<sup>4</sup>, </b><b>A Bugalho    de Almeida<sup>5</sup></b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><sup>1</sup> Interna do Serviço de Oncologia Médica, Hospital de Santa Maria    (HSM) &#8211; Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN)/<i>Resident, Medical Oncology    Unit, Hospital de Santa</i></p>     <p  ><i>Maria (HSM), Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN)</i></p>     <p  ><sup>2</sup> Assistente Eventual de Pneumologia/<i>Future Pulmonolgy Consultant</i></p>     <p  ><sup>3</sup> Assistente Hospitalar Graduada de Pneumologia/<i>Consultant, Pulmonology    Specialist</i></p>     <p  ><sup>4</sup> Chefe de Serviço de Pneumologia/<i>Head, Pulmonology Unit</i></p>     <p  ><sup>5</sup> Director de Serviço, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade    de Lisboa/Unit Director, <i>Professor, Medical School, Universidade de Lisboa</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >Serviço de Pneumologia I, HSM &#8211; CLHN, Lisboa</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspondência</a></b></p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>Resumo</b></p>     <p  >O cancro do pulmão é a causa mais comum de morte por doença oncológica. Os    doentes com diagnóstico de neoplasia &#8211; qualquer que seja a localização    &#8211; têm risco acrescido de desenvolver um segundo tumor. Pretendeu-se caracterizar    uma população com neoplasia do pulmão e o diagnóstico síncrono ou metácrono    de tumor primário com outra localização. Foi feito um estudo retrospectivo,    referente ao período de 2000-2007, analisando-se os processos clínicos de doentes    seguidos na Unidade de Pneumologia Oncológica do nosso hospital em que estavam    referenciadas duas neoplasias. Dos doentes seguidos na Unidade (n=1046) no período    referido, 4,2% (n=44) tinham evidência de duas neoplasias. A maioria (88,6%)    dos doentes eram homens, com idade média elevada (70,1±10 anos). Oitenta e seis    por cento (n=38) tinham hábitos tabágicos e 65,4% dos doentes com registo de    história familiar de neoplasia (n=26) tinham história familiar relevante (n=17).    A doença oncológica manifestou-se em primeiro lugar na próstata, cólon, cabeça    e pescoço ou bexiga. O cancro do pulmão foi em geral a segunda neoplasia. O    intervalo de tempo médio entre a primeira e a segunda neoplasia foi de 62,9±64,9    meses (max: 240, min: 0), sendo que geralmente a segunda neoplasia foi detectada    em estádio avançado. A sobrevivência média foi de 8,6±8,24 meses (max: 32; min:    1), permanecendo vivos quatro doentes. Os presentes dados levam-nos a sugerir    vigilância clínica prolongada em doentes com diagnóstico prévio de cancro. Sugerimos    um algoritmo que possibilite vigiar melhor estes doentes e estudo prospectivo    para verificar se existem marcadores moleculares nesta população.</p>      <p  ><b>Palavras-chave: </b>Neoplasias múltiplas, neoplasia metácrona, neoplasia síncrona, neoplasia do pulmão, vigilância.</p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Clinical characteristics of patients with lung cancer and metachronous    or synchronous tumours with other locations</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Lung cancer is the leading form of cancer death worldwide. Cancer patients    are at a high risk of developing a second cancer. The present study attempts    to determine the characteristics of a population with lung cancer diagnosed    with another cancer.</p>     <p >We analysed records of patients from the Department of Lung Oncology of our    hospital from 2000 to 2007 who were identified as having two or more tumours.    We found 4.2% (n=44) multiple cancers among the registered cases (n=1046), 88.6%    males, (high) mean age 70.1&plusmn;10 years old. About 86% (n=38) of the patients    were smokers or ex -smokers. From the patients with record of family history,    65.4% (n=17) had relevant family history of cancer. The majority of the first    malignancy diagnosed was prostate, colon, head and neck and bladder.</p>     <p >Lung cancer was essentially the second malignancy. The mean time lag between    the two diagnoses was 62.9&plusmn;64.9 months (max. 240, min. 0), with the second    cancer usually detected at an advanced stage. The mean survival of patients    who had a second primary lung cancer was 8.6&plusmn;8.24 months (max. 32, min.    1), with four patients still surviving.</p>     <p >Lung cancer was essentially the second malignancy. The mean time lag between    the two diagnoses was 62.9&plusmn;64.9 months (max. 240, min. 0), with the second    cancer usually detected at an advanced stage. The mean survival of patients    who had a second primary lung cancer was 8.6&plusmn;8.24 months (max. 32, min.    1), with four patients still surviving.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Multiple cancers, metachronous cancer, synchronous cancer,    lung cancer, follow-up.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Introdução</b></p>      <p  >O cancro do pulmão apresenta, actualmente, na União Europeia, uma incidência    anual de 52,5/100 000 (82,5/100 000 no sexo masculino e 23,9/100 000 no sexo    feminino) e uma mortalidade anual de 48,7/100 000 (77,0 no sexo masculino e    22,3 no sexo feminino), sendo a principal causa de morte por cancro<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1-2</a></sup>.    É sabido que o número de sobreviventes de vários tipos de cancro nos Estados    Unidos da América triplicou desde 1971, e está a crescer 2% ao ano<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.    No universo dos doentes com diagnóstico de neoplasia, a sobrevivência aos cinco    anos é de 66%, enquanto nos doentes com cancro do pulmão é de 16%<sup><a href="#1">1-5</a></sup>.    Propiciado por este facto, a incidência de segundas neoplasias, síncronas ou    metácronas, tem vindo a aumentar nas últimas décadas, o que se correlaciona    com factores genéticos do hospedeiro, com factores ambientais em relação com    exposição a factores de risco, com a terapêutica oncostática da primeira neoplasia    e com a interacção de todos estes factores<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6-9</a></sup>.    Neste domínio é interessante verificar que as segundas neoplasias são a primeira    causa de morte entre algumas populações sobreviventes de cancro<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>.  </p>     <p  >Deste modo, o conhecimento das características da população que apresenta    coexistência de neoplasias pode ser importante para o estabelecimento, no futuro,    de programas especiais de <i>follow-up </i>para determinados subgrupos identificados    como tendo risco acrescido. </p>     <p  >Neste contexto, realizamos um estudo retrospectivo em que avaliamos as características    de doentes com o diagnóstico de neoplasia do pulmão que tinham paralelamente    outra neoplasia, concomitante ou não. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Material e métodos</b></p>      <p  >Foi realizado um estudo retrospectivo, referente ao período de 2000-2007,    no qual foram estudados 44 (4,2%) processos de um universo 1046 doentes da Unidade    de Pneumologia Oncológica do nosso hospital, que foram identificados como tendo    pelo menos duas neoplasias. </p>     <p  >Nesta população avaliaram-se características demográficas, hábitos tabágicos,    antecedentes familiares de relevância oncológica, localização da primeira e    segunda neoplasias, histologia, estádio, terapêutica e sobrevivência. </p>     <p  >As variáveis foram analisadas tendo-se utilizado métodos de estatística descritiva,    nomeadamente tabelas de frequência e média, desvio-padrão, máximos (máx) e mínimos    (mín) para variáveis continuas.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Resultados </b></p>     <p  ><b>População</b></p>      <p  >No período estudado avaliaram-se 44 doentes que corresponderam a 4,2 % do    total dos registos da unidade no período referido (n=1046). Oitenta e nove por    cento (n=39) eram homens e 11% (n=5) mulheres. A idade média da população foi    de 70,1±10 anos (máx: 85 anos; mín: 47anos) &#8211; Quadro I. </p>     <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Quadro I </b>&#8211; Sexo e idade da popula&ccedil;&atilde;o estudada</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a03q1.jpg" width="283" height="91"></p>     
<p  >&nbsp;</p>     <p  >Na população estudada, 86,3% (n=38) eram fumadores ou ex-fumadores, sendo    todas as doentes do sexo feminino não fumadoras (Quadro II). Nos doentes com    hábitos tabágicos, 42,1% (n=16) eram fumadores activos, a carga tabágica média    foi de 66 ± 29,5 UMA (máx: 150, mín: 20). Em 40,9% (n=18) dos doentes não havia    registo de história familiar e, naqueles em que tal ocorria, verificou-se que    65,4% (n=17) tinham história familiar de neoplasia relevante.</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>Quadro II</b> &#8211; H&aacute;bitos tab&aacute;gicos (n=44)</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a03q2.jpg" width="286" height="78"></p>      
<p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>Primeira neoplasia</b></p>         <p  >No sexo masculino, a doença oncológica manifestou-se em primeiro lugar como    neoplasia da próstata (27%; n=11), do cólon (14%; n=6), da laringe (14%; n=6)    e da bexiga (9%; n=4) &#8211; Fig. 1. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a03f1.jpg" width="562" height="294"></p>     
<p  ><b>Fig. 1</b> &#8211; Localiza&ccedil;&atilde;o da primeira neoplasia no    sexo masculino</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >No sexo feminino (n=5), duas doentes tinham neoplasia do útero, uma neoplasia    da mama, uma neoplasia do ovário e outra leucemia linfocítica crónica. </p>     <p  >O grupo histológico das primeiras neoplasias distribuía-se de acordo com    a Fig. 2, sendo que eram essencialmente neoplasias epiteliais (93% de carcinomas).  </p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a03f2.jpg" width="715" height="324"></p>     
<p><b>Fig. 2</b> &#8211; Histologia da primeira neoplasia</p>     <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >No que diz respeito à terapêutica efectuada, verificou-se que 56,8% (n=25)    fizeram cirurgia, 40,1% (n=18) radioterapia (RT), desconhecendo-se doses e campos    exactos de irradiação; no entanto, 55,6% (n=10) tiveram exposição do órgão da    segunda neoplasia a radiação; 18,2% (n=8) fizeram quimioterapia (QT) e 18,2%    (n=8) outras terapêuticas, nomeadamente hormonoterapia na neoplasia da próstata    ou da mama ou quimioembolização no carcinoma hepatocelular.</p>     <p  >&nbsp;</p>      <p ><b>Segundas neoplasias</b></p>      <p  >O intervalo de tempo médio entre a primeira e a segunda neoplasia foi de    61,0±64,9 meses (máx: 240 meses, mín: 0 meses), havendo registo de oito neoplasias    íncronas. No grupo de doentes estudado, o cancro do pulmão foi em geral a segunda    neoplasia (97,7%, n=43). </p>     <p  >Noventa e cinco por cento (n=42) eram carcinomas do pulmão de não pequenas    células (Fig. 3). </p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a03f3.jpg" width="652" height="293"></p>     
<p  ><b>Fig. 3</b> &#8211; Tipo histol&oacute;gico da segunda neoplasia (CPC&#8211;    carcinoma pavimentocelular; CPNPC&#8211; carcinoma pulmonar de n&atilde;o pequenas    c&eacute;lulas; CPPC&#8211; carcinoma pulm&atilde;o de pequenas c&eacute;lulas    ; Carc&#8211; carcinoma; dif&#8211; diferenciado)</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >A maioria (82%, n=36) dos doentes tinham o diagnóstico de segunda neoplasia    em estádios avançados da doença &#8211; estádio IIIB/IV&#8211; Fig 4. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a03f4.jpg" width="583" height="272"></p>     
<p  ><b>Fig. 4</b> &#8211; Distribui&ccedil;&atilde;o da segunda neoplasia por    est&aacute;dio (TNM)</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >No que diz respeito à terapêutica da segunda neoplasia, foi realizada terapêutica    com intenção curativa em 25% (n=11) dos doentes, sendo que para os restantes    foi elaborado um plano de tratamento com intenção paliativa. Dos doentes tratados    com intuitos curativos, três ( 27,3%) foram submetidos apenas a cirurgia, três    (27,3%) realizaram terapêutica combinada (cirurgia + terapêutica complementar)    e um fez RT torácica e quatro (36,4%) quimiorradioterapia. </p>     <p  >Dos restantes 33 doentes tratados com intuitos paliativos, 14 (42,4%) apenas    foram elegíveis para terapêutica de suporte (incluindo RT torácica paliativa,    RT óssea e cranioencefálica); os restantes 19 fizeram quimioterapia, na maioria    dos casos usando regimes combinados com platinos. </p>     <p  >Dos dados de sobrevivência de que dispomos, salienta-se que quatro doentes    permanecem vivos, sendo duas do sexo feminino, não fumadoras, uma com neoplasia    da mama e outra com neoplasia do ovário anteriores, com tempo após o diagnóstico    da segunda neoplasia superior a três anos, sem evidência de recidiva e sem terapêutica    antineoplásica actual, e dois são doentes do sexo masculino, fumadores, um com    o diagnóstico de neoplasia do cólon e outro da próstata com diagnóstico recente    de neoplasia do pulmão. </p>     <p  >Nos restantes, a sobrevivência média foi de 8,6 +/&#8211; 8,24 meses (máx:    32, mín: 1); o doente com sobrevivência máxima (32 meses) apresentava 85 anos,    era ex-fumador e tinha um carcinoma do pulmão de não pequena células, estádio    IB submetido a RT, tendo história de neoplasia do cólon operada há quatro anos.  </p>     <p  >Nos dois doentes em que a neoplasia primária foi pulmonar (respectivamente,    um adenocarcinoma e um carcinoma pavimentocelular), as segundas neoplasias (um    carcinoma pavimento celular da laringe e um carcinoma do pulmão de pequenas    células) apareceram após um intervalo superior a nove anos, apresentando-se    ambas em estádio avançado; a sobrevivência foi de um e sete meses, respectivamente.</p>     <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Discussão/Conclusões</b></p>      <p  >A cancro do pulmão é uma das neoplasias mais frequentes, sendo a principal    causa de morte oncológica no mundo<sup><a href="#1">1-2</a></sup>. </p>     <p  >Sabendo-se que a incidência de neoplasias coexistentes tem aumentado nas    últimas décadas, o presente estudo pretendeu caracterizar a população de doentes    com neoplasia de pulmão diagnosticada na nossa unidade que apresentaram em alguma    altura da sua vida outra neoplasia<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>,<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.  </p>     <p  >No período estudado, constatámos que 4,2% dos doentes tinham neoplasias múltiplas,    valor coincidente com o de outras séries (0,8-5,2 %)<sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.  </p>     <p  >A população analisada tinha uma média de idade elevada (70 anos) e uma alta    percentagem de homens (88,6%, n=39), valor de magnitude semelhante à de estudos    epidemiológicos de cancro do pulmão em Portugal, o que se correlaciona com o    facto de os homens ainda estarem mais expostos ao factor de risco principal,    no âmbito do cancro do pulmão, que é o tabaco<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>.  </p>     <p  >Na população geral, cerca de 85% dos doentes com neoplasia do pulmão têm    hábitos tabágicos, sendo este também um factor de risco para o aparecimento    de segundas neoplasias<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>.    Na presente série, 86,3% dos doentes apresentavam hábitos tabágicos com carga    tabágica média elevada. Curiosamente, nenhuma das mulheres do estudo tinha hábitos    tabágicos; no entanto, na população feminina global este valor é da ordem dos    47%, podendo esta divergência ser justificada pelo número limitado de doentes    do sexo feminino nesta amostra<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>.    O controlo do tabagismo, como causa de cancro prevenível, é claramente uma prioridade    na prevenção do cancro do pulmão e de outras neoplasias malignas<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>,<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>.  </p>     <p  >Em termos globais, a incidência da neoplasia do pulmão começou a decrescer    nas últimas décadas, devido à diminuição dos hábitos tabágicos, relacionada    com múltiplas campanhas antitabágicas e consultas de desabituação tabágica<sup><a href="#15">15</a></sup>.    No entanto, verificamos que a percentagem de hábitos tabágicos na população    analisada se mantém muito elevada, sendo ainda mais significativa se verificarmos    que, dentro do universo de doentes com hábitos tabágicos, 42,1% (n=16) mantinham-se    fumadores activos, apesar de um diagnóstico prévio de cancro. Este facto salienta    a necessidade, na população em geral, e em especial na subpopulação com diagnóstico    prévio de neoplasia, de incrementação de medidas de cessação tabágica, com o    objectivo primário de prevenção do cancro. Outro facto a realçar na presente    série foi a grande percentagem de doentes com história familiar de neoplasia    (65,4%, n=17). Seria importante analisar, em estudo posterior, se alguns destes    doentes teriam síndromas de susceptibilidade familiar para neoplasia, ou algum    marcador molecular e/ou genético que lhes confira susceptibilidade aumentada    para virem a sofrer de cancro. </p>     <p  >Como foi referido, as segundas neoplasias podem estar relacionadas com sequelas    do tratamento da primeira neoplasia, nomeadamente com a radioterapia ou a quimioterapia<sup><a href="#6">6</a></sup>.  </p>     <p  >O cancro do pulmão, que foi primordialmente a nossa segunda neoplasia, tem    risco estimado associado a radioterapia (risco relativo a 1Gy de 1,0-2,0/ano    e risco excessivo x104 pessoa/ano/Gy 0-4,6)<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>,<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>,<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>.  </p>     <p  >Nesta série, 18 doentes fizeram RT para a primeira neoplasia, sendo que dez    tiveram exposição do órgão da segunda neoplasia, podendo-se especular relativamente    à relação entre tratamento anterior e o segundo cancro. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >Dezoito por cento (n=8) dos doentes fizeram quimioterapia; contudo, não é    possível fazer qualquer tipo de análise neste ponto, dada a ausência de informação    relativamente aos esquemas utilizados. </p>     <p  >No que diz respeito à localização da doença oncológica, esta manifestou-se    em primeiro lugar em locais cuja incidência global de neoplasia é elevada, como    a neoplasia colorrectal e a neoplasia da próstata, e em localizações com factores    de risco semelhantes aos do cancro do pulmão, como as neoplasias da cabeça e    pescoço ou da bexiga, que estão associadas ao tabaco<sup><a href="#1">1-2</a></sup>,<sup><a href="#9">9</a></sup>.    Verificou-se que o diagnóstico da segunda neoplasia foi em geral feito em estádio    avançado da doença, com sobrevivência curta após segundo diagnóstico. Este facto    provavelmente correlaciona-se com a constatação de que a segunda neoplasia apareceu    após um intervalo longo livre de doença (62,9± 64,9 meses; máx: 240 meses),    quando a vigilância era menos apertada. </p>     <p  >Deste modo, defendemos que se deve ter especial atenção ao rastreio de neoplasias    frequentes e com factores de risco semelhantes em doentes com história prévia    de doença maligna, mantendo-se um seguimento prolongado. </p>     <p  >Apesar de a população analisada ser muito heterogénea, o que nos coloca dificuldades    na obtenção de conclusões, este trabalho permite-nos especular, de acordo com    outros autores, que a incidência de neoplasias síncronas ou metácronas aumenta    com a idade e correlaciona-se com factores de risco tradicionalmente implicados    na patogénese do cancro, como o tabaco e como o tratamento da primeira neoplasia<sup><a href="#5">5</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>.  </p>     <p  >Deste modo, em doentes com diagnóstico prévio de cancro, parece-nos essencial:</p>      <p  >&#8211; Manter vigilância e seguimento clínico apertado e prolongado;</p>      <p  >&#8211; Identificar em cada doente factores de risco para cada neoplasia e tomar medidas preventivas. Assim, seria oportuno construir um algoritmo de risco personalizado que nos possibilitasse vigiar melhor estes doentes. Um exemplo de proposta seria:</p>      <p  >&#8226; Fazer vigilância do tumor primário de acordo com o recomendado;</p>      <p  >&#8226; Implementar hábitos saudáveis, ex: dieta, exercício físico</p>      <p  >&#8226; Controlo de factores de risco:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&#8211; Cessação tabágica</p>      <p  >&#8211; Cessação de hábitos alcoólicos</p>      <p  >&#8211; Evitar a obesidade</p>      <p  >&#8226; Rastreios de acordo com as normas internacionais:</p>      <p  ><i>&#8211; Cancro do colo do útero: </i>se doente sexualmente activa, citologia anual, até três resultados negativos, e depois cada dois ou três anos; &#8211; <i>Cancro da mama: </i>primeira mamografia entre 30-40 anos e depois cada um ou dois anos até esperança de vida ser inferior a 10 anos;</p>      <p  >&#8211; <i>Cancro da próstata: </i>na raça negra, desde os 40-45 anos, e na raça caucasiana a partir dos 50 anos utilizando PSA com exame digital anual, até esperança de vida ser inferior a 10 anos; </p>      <p  >&#8211; <i>Cancro do pulmão: </i>incluir em protocolos de rastreio investigacionais;</p>      <p  >&#8211; <i>Carcinoma hepatocelular: </i>se doença hepática crónica com risco elevado de carcinoma hepatocelular realizar ecografia hepática, eventualmente com alfa fetoproteina bianualmente.</p>      <p  >&#8211; <i>Cancro do colo-rectal (CCR):</i></p>      <p  >&#8226; Se risco <i>standard, </i>iniciar rastreio aos 50 anos, por exemplo com colonoscopia cada 10 anos;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&#8226; Se história pessoal de pólipo adenomatoso, fazer vigilância de acordo com achados com colonoscopia;</p>      <p  >&#8226; Se história familiar:</p>      <p  >&#8211; PAF (polipose adenomatosa familiar) ou HNPCC (cancro colorrectal não polipósico hereditário): rastreio intensivo, aconselhamento e teste genético;</p>      <p  >&#8211; CCR ou adenoma em um familiar directo com menos de 60 anos ou dois familiares directos: iniciar vigilância aos 40 anos ou com 10 anos menos em relação à idade em que ocorreu o diagnóstico no familiar com aquela patologia;</p>      <p  >&#8211; Se síndroma de susceptibilidade identificada, vigiar de acordo com o recomendado.</p>      <p  >Ter especial atenção ao risco particular de segundas neoplasias inerente    aos regimes de quimioterapia e campos de irradiação realizados no tratamento    da primeira neoplasia e monitorizar apertadamente sinais de alarme. Em alguns    casos, antecipar os rastreios referidos, como em doentes com linfoma de Hodgkin    submetidos a radioterapia torácica, em que se deverá iniciar rastreio com mamografias,    cinco a oito anos após aquela terapêutica<sup><a href="#5">5-16</a></sup><sup><a name="top23"></a><a href="#23">-23</a></sup>.  </p>     <p  >Dado que a incidência de doentes com neoplasias múltiplas está a aumentar,    o que tem relação directa com o número cada vez maior de sobreviventes de cancro,    e uma vez que as segundas neoplasia poderão ser consequência de factores de    risco ambientais, sequelas de tratamentos anteriores, características do hospedeiro    e interacções entre ambos, é essencial que se identifiquem os doentes com diagnóstico    de neoplasia em risco acrescido de uma segunda doença oncológica, havendo inclusivamente,    neste âmbito, recomendações internacionais<sup><a href="#3">3-9</a></sup>, <sup><a href="#6">6</a></sup>.  </p>     <p  >Neste sentido, seria importante a caracterização do ponto de vista molecular    e genético deste grupo de doentes, nomeadamente a tentativa de identificação    de mutações que eventualmente os possam predispor para a existência de neoplasias    múltiplas.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Bibliografia</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Ferlay J, Autier P, Boniol M, Heanue M, Colombet M, Boyle P. Estimates of cancer incidence ad mortality in Europe in 2006. Ann Oncol 2007; 18:581-592.</p>      <p  ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Jemal A, Siegel R, Ward E, <i>et al. </i>Cancer statistics, 2008. J Clin Oncol 2008; 58(2):71-96.</p>      <p  ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Ries L, Eisner M, Kosary C, <i>et al. </i>SEER Cancer statistics review. 1975-2003. Bethesda: National Cancer Institute, 2006.</p>      <p  ><a name="1"></a><a href="#top1">4</a>. Cancer survivors: living longer, and now better. Lancet 2004; 364(9452):2153-2154.</p>      <p  ><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Ng AK, Bernardo MP, Weller E, <i>et al. </i>Long-term survival and competing causes of death in patients with early-stage Hodgkin&#8216;s disease treated at age 50 or younger J Clin Oncol 2002; 20(8):2101 -2108</p>      <p  ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Liu YY, Chen YM, Yen SH, Tsai CM, Perng RP. Multiple primary malignancies involving lung cancer-clinical characteristics and prognosis. Lung Cancer 2002; 35 (2):189-194.</p>      <p  ><a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Yi SZ, Zhang DC, Wang YG, Sun KL. Clinical features and prognosis of multiple primary tumors of lung combined with other organs-report of 281 cases. Ai Zheng 2006; 25(6):731-735.</p>      <!-- ref --><p  ><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Travis LB. Therapy-associated solid tumors. Acta Oncol 2002; 41(4):323-333.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0873-2159201000030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  ><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Travis LB. The epidemiology of second primary cancers. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2006; 15(11):2020-2026.</p>      <p  ><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Ueno M, Muto T, Oya M, Ota H, Azekura K, Yamaguchi T. Multiple primary cancer: an experience at the cancer institute hospital with special reference to colorectal cancer. Int J Clin Oncol 2003; 8(3):162-167.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p  >Telefone/<i>Telephone: </i>21-7985257</p>     <p  >Telemóvel/<i>Mobile: </i>91-9129631</p>     <p  >e-mail:<i> </i><a href="mailto:inesvazluis@gmail.com">inesvazluis@gmail.com</a></p>      <p >&nbsp;</p>     <p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 09.07.27  </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.09.30</p>      ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Travis]]></surname>
<given-names><![CDATA[LB]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Therapy-associated solid tumors]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Oncol]]></source>
<year>2002</year>
<volume>41</volume>
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<issue>4</issue>
<page-range>323-333</page-range></nlm-citation>
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<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Parente]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Queiroga]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
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<surname><![CDATA[Sotto-Mayor]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
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<source><![CDATA[Rev Port Pneumol]]></source>
<year>2007</year>
<volume>13</volume>
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<issue>2</issue>
<page-range>255-265</page-range></nlm-citation>
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