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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A docência no ambiente prisional: entre a autonomia e a opressão]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is the result of an investigation about the teaching practice performed by inmate monitors inside the prison environment. It was accomplished through interviews and it aims at contributing to the study of the paradoxical relationship between autonomy and critical thinking - which are intrinsic to the teaching practice - and the restrictions imposed by a social environment characterized by oppression and violence - evident in the prison environment, but not restricted to it. Based on the contributions of Bourdieu (2001a, 2001b) and having as a background the life paradox of being an inmate as well as a teacher of fellow inmates, the collected data are analyzed and inquired in three different perspectives: relationships of power in different areas of the prison; relationships of power and the school area; and the school as a place for possibilities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana">         <b>ARTIGOS</b> </font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>A docência no ambiente prisional: entre a   autonomia e a opressão</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Teaching in the prison environment: between   autonomy and oppression</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>José Geraldo Silveira Bueno<sup>I</sup>; Marieta Gouv&ecirc;a de Oliveira Penna<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Pontifícia Universidade Católica de São Paulo   (PUCSP), Brasil. <em>E-mail: </em>   <a href="mailto:jotage@pucsp.br">jotage@pucsp.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Brasil. <em>E-mail:</em> <a href="mailto:marieta.penna@yahoo.com.br">marieta.penna@yahoo.com.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este artigo é fruto de investigação sobre a   prática docente efetivada por monitores presos dentro de ambiente prisional,   realizada por meio de entrevistas, com o objetivo de contribuir para o estudo   da relação paradoxal entre a autonomia e espírito crítico inerentes ao trabalho   docente e as limitações impostas por um meio social marcado pela opressão e   violência que, se são evidentes no ambiente prisional, a ele não se limitam.   Com base nas contribuições de Bourdieu (2001a, 2001b) e tendo por pano de fundo   o paradoxo de vida entre a condição de detento e de professor de companheiros   de presídio, os dados são analisados e problematizados por meio de três eixos:   relações de poder em diferentes espaços na prisão; relações de poder e o espaço   escolar; a escola como espaço de possibilidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> trabalho docente, escola/prisão, violência</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">This article is the result of an investigation   about the teaching practice performed by inmate monitors inside the prison   environment. It was accomplished through interviews and it aims at contributing   to the study of the paradoxical relationship between autonomy and critical   thinking – which are intrinsic to the teaching practice – and the restrictions   imposed by a social environment characterized by oppression and violence –   evident in the prison environment, but not restricted to it. Based on the contributions   of Bourdieu (2001a, 2001b) and having as a background the life paradox of being   an inmate as well as a teacher of fellow inmates, the collected data are   analyzed and inquired in three different perspectives: relationships of power   in different areas of the prison; relationships of power and the school area;   and the school as a place for possibilities.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> teaching practice, school/prison, violence</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdução</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As considerações presentes neste artigo dizem   respeito a reflexões elaboradas pelos autores quando da realização de pesquisa   sobre a docência exercida por pessoas que, como seus alunos, encontravam-se na condição de detentos.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir do convívio intenso durante todo o   período da investigação, os autores puderam estabelecer uma série de discussões   a respeito do uso de entrevistas em ambiente hostil e pouco propício para a   coleta de dados por meio de depoimentos, cujo objetivo era o de coletar   opiniões e posicionamentos sobre a relação de vida altamente contraditória,   expressa pela ambiguidade de atitudes esperadas, e efetivamente levadas a   efeito por detentos que, em dada hora do dia, tinham que desvestir-se dessa condição, para assumirem a de professor de seus próprios colegas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao investigarmos as possibilidades de desenvolvimento   da docência no interior da prisão tínhamos por objetivo, para além da   compreensão da função da escola no contexto prisional, contribuir para a   discussão sobre o papel do professor e sua função social na atualidade, tendo   como premissa básica que o local em que se desenvolve a prática educativa, se não a determina, exerce enorme influência na forma como ela se constitui.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mais que isto, por considerar que este era um   campo empírico privilegiado, em que a relação entre condições opressivas de   vida e a prática docente estaria evidente, a relação entre a escola e a prisão   nos pareceu exemplar e, ao mesmo tempo, um grande desafio para a construção de   procedimentos de coleta de dados para o estudo de mecanismos de   disciplinarização existentes no meio social em que os professores vivem e que   criam verdadeiras barreiras para o pleno exercício da docência, que implica necessariamente autonomia e espírito crítico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa foi realizada em uma penitenciária da   Grande São Paulo, escolhida por possuir uma escola que, naquele momento, estava   em funcionamento há mais de dez anos, sendo as aulas ministradas por monitores   presos há aproximadamente seis anos. Todos os monitores que atuavam na escola   quando da realização da pesquisa participaram das entrevistas, totalizando seis sujeitos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O contexto prisional</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A prisão constitui local diferençado, eleito pela   sociedade para guardar em seu interior o que não deu certo, a sua escória. No   mundo moderno, a prisão – cujo significado foi elaborado a partir do momento em   que a privação da liberdade se tornou a forma por excelência de punição de   criminosos – pretensamente possui uma dupla finalidade, punir e reabilitar para o convívio social indivíduos colocados sob a sua guarda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A punição prevista pela pena de detenção ocorre ao   privar-se o indivíduo de sua liberdade, e também em decorrência das difíceis   condições sob as quais o prisioneiro deve viver sob custódia. A reabilitação   penal, ou seja, a proposta de transformação de criminosos em não criminosos, ao   dispor sobre o indivíduo encarcerado toda uma técnica especialmente   desenvolvida para a sua conversão em “homem de bem”, na verdade parece não   conduzir a isto: o que ocorre é sua adaptação à vida do cárcere, que, por sua   vez, significa a anulação do sujeito e, no limite, sua subordinação ao universo   criminal (cf.&nbsp;Sykes 1958; Foucault 1977; Thompson 1976; Ramalho 1979; Coelho 1987; Adorno 1991; Castro 1991; Rocha 1994; Português 2001).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Na atualidade, a privação da liberdade tornou-se a   forma de punição por excelência, apesar dos problemas por ela gerados, uma vez   que não contribui para conter a criminalidade, e muito menos para transformar   os detentos em “homens de bem”. Ao se considerar a reabilitação penal,   destaca-se que a passagem por estabelecimentos penitenciários, além de estigmatizar   o detento, processa determinado aprendizado, que diz respeito muito mais à adaptação à vida no cárcere que fora dela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Thompson (1976), ao analisar a questão   penitenciária, observa que o presídio fracassa em sua finalidade de promover a   ressocialização, incompatível com a punição e a disciplina, objetivos primeiros   da prisão. Some-se a isso o fato de a reabilitação penitenciária proposta para   o indivíduo em cumprimento de pena de privação de liberdade dizer respeito, em   sua efetivação, à adaptação do preso à vida no cárcere, suas normas e   procedimentos e, portanto, à sua anulação, e não ao preparo para uma futura   vida em sociedade. Quanto mais o indivíduo se adequar às regras e disposições   da vida na prisão, melhor e menor será sua estadia na instituição. Além disso,   a lei do mais forte impera entre os presos, sendo a força e o respeito   conquistados mediante alianças e acordos. Tais regras de conduta marcam a   convivência, por anos a fio e em espaço reduzido, entre homens cujas vidas são   marcadas pela violência. Além de marcar as relações estabelecidas entre os   presos, tais regras de conduta marcam também as relações estabelecidas entre guardas, presos e direção, em ambiente instável e opressor (Coelho 1987).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, de extrema violência e desconfiança   permeando as relações, efetuamos a coleta dos dados para a realização da   pesquisa que, se por um lado nos trouxe muitas dificuldades, por outro nos   permitiu ampliar a compreensão sobre os limites e possibilidades do uso de entrevistas em pesquisas em educação.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>No interior da prisão</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao entrarmos na penitenciária para a coleta dos   dados, o ambiente de tensão vivido pelos presos se materializou. Trata-se de   penitenciária que abriga detentos do sexo masculino cumprindo pena privativa de   liberdade em regime fechado. Possui uma galeria central, na forma de um grande   corredor, à qual são conectados, formando ângulo reto, alternadamente, ora para   a esquerda, ora para a direita, os edifícios que contêm a administração e os   pavilhões com as celas. No primeiro edifício, situado à esquerda da entrada do   prédio, localiza-se a diretoria geral, a diretoria de segurança, a diretoria de   produção e o setor de arquivos. Seguindo pelo corredor central, temos à   esquerda o refeitório dos funcionários e o edifício reservado para o   atendimento dos presos pela equipe técnica; à direita, o edifício onde se   localizam as diretorias de educação, reabilitação e do núcleo interdisciplinar,   além de uma grande sala reservada para serviços administrativos. Neste espaço   circulam apenas os funcionários e a direção, além de presos que possuem   autorização para aí permanecerem porque exercem funções administrativas, entre   eles os monitores entrevistados. O restante da população carcerária só tem   autorização para circular nesse local quando chamado para algum tipo de   atendimento com os técnicos ou diretores. O espaço que segue, chamado de   galeria, é reservado à circulação dos detentos e dos agentes de segurança. Na   galeria, o chão é pintado por duas faixas amarelas que demarcam uma divisão. No   centro das faixas amarelas, no espaço pintado de azul, nós andamos, nós que não   somos eles, os presos. Nas bordas, aquém das faixas amarelas, margeando a parede, andam os presos, com as mãos para trás e a cabeça baixa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na galeria, o primeiro espaço à direita é   reservado para conversas com os advogados. Continuando, à esquerda, encontramos   a sala da vigilância e a enfermaria, seguidas, à direita, do primeiro pavilhão   de moradia. São três os pavilhões de moradia, o primeiro com 90&nbsp;celas,   projetadas para comportar três moradores cada uma, e os pavilhões 2 e 3 com   45&nbsp;celas cada um, projetadas para comportar seis moradores, perfazendo um total de 810 vagas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com relatos dos monitores, as celas   menores possuem dois por três metros quadrados, ocupados por beliches, uma pia,   o vaso sanitário, um cano para o banho e uma mesa, sem divisões internas. Um   deles disse morar em um “banheiro”. As celas maiores possuem quatro por três metros quadrados. Os presos improvisam como podem:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“A cela é limpa, sabia? Tudo aqui é muito limpo… A     cela é colorida, limpa, arrumada. Em dia de festa, se você quiser, posso te     mostrar. O lugar que a gente dorme, é chamado de ‘quieto’… Tem uma cordinha,     com um pano separando, a gente fecha quando quer ficar sozinho… São três beliches.     […] É quente, no andar de cima, são dois andares de cela. Tem uma escada… Em     cima é quente. […] Mas é tudo arrumadinho. Onde fica as coisas de alimentação é     a ‘barraca’. Tem pano enfeitando… Preso é muito inventivo, não tem o que fazer,     fica inventando” [Marcelo].</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A porta do pavilhão de moradia é de aço, não   permitindo ver seu interior, a não ser por algumas frestas pelas quais se   enxergam lençóis pendurados para secar. Continuando, em sequência, temos o   pavilhão escolar e o pavilhão do trabalho, ambos à esquerda, seguidos da capela   e da cozinha, localizadas à direita da galeria. Mais à frente, os pavilhões 2 e   3, um de frente para o outro, sendo o 2 situado à direita e o 3 à esquerda. Na   extremidade do corredor fica o pavilhão do castigo, com celas à direita e à   esquerda, formando um “T” em relação à galeria central.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A realização das entrevistas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os relatos proferidos pelos monitores presos sobre   a prática da docência na condição de detentos configuraram-se na fonte de   informações da pesquisa realizada, que teve a seguinte questão central: “Qual o   significado da docência desenvolvida na escola no interior da prisão, por   monitores que, como seus alunos, encontram-se presos?” As questões que   nortearam os depoimentos objetivavam extrair dos monitores relatos sobre sua   prática docente, sobre dificuldades e prazeres obtidos no desempenho dessa   função no interior da prisão, sobre suas crenças no papel da escola e do   professor, além de apreender aspectos de suas vidas passadas em outros espaços   da prisão que não o escolar, a fim de explicitar o modo como vivenciavam o   exercício da docência no ambiente prisional. O contraponto buscado foi ser   professor de presos, sendo preso também. Cotejar a prática docente com a   condição de detento dos monitores implicava obter dados sobre suas vidas   passadas nos pavilhões, nas celas, em outras instâncias da vida prisional que não apenas na escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Possuir um histórico de trabalho em prisões   encurtou caminhos. Não é tarefa fácil entrar em uma prisão, ambiente   propositadamente velado. O primeiro contato com os monitores foi realizado via   Diretoria de Reabilitação, que, no sistema penitenciário paulista, à época da   realização das entrevistas, era responsável pela organização dos setores   internos ao presídio que visavam a “ressocialização” dos detentos, entre os quais se incluía a escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conseguida a autorização, realizamos um primeiro   encontro com todos os monitores, para que se inteirassem dos objetivos e dos   procedimentos da ­pesquisa. Todos os monitores presos concordaram com a participação,   até mesmo porque a presença da diretora de reabilitação do presídio não lhes   ­deixou alternativa. Na época da realização da pesquisa, eram seis os detentos   que se encontravam na condição de monitores. As primeiras entrevistas foram   realizadas nas salas ocupadas pela equipe técnica da penitenciária, composta   por psicólogos e assistentes sociais, locais em que faziam atendimentos aos   detentos, ou seja, em espaços da prisão aos quais os presos só têm acesso   mediante autorização da equipe de segurança. Ali, por certo, os monitores   sentiam-se constrangidos durante a realização dos depoimentos, o que   dificultava a obtenção de relatos sobre a prática docente no cruzamento com suas experiências como detentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Obter autorização para a realização das entrevistas   na escola foi uma vitória. Nesse ambiente os presos ficavam mais à vontade, uma   vez que os funcionários raramente apareciam por lá, o que retirava a   possibilidade de escutarem nossas conversas. Além disso, o fato de nos   dirigirmos à escola e lá permanecermos por várias horas com eles possibilitou   uma aproximação entre nós, mostrando que não temíamos esse contato. Ou seja,   ousávamos ir aos pavilhões, na parte do presídio onde circulam apenas os   detentos e os agentes de segurança. Os presos insistem muito na ideia de que   não são “monstros”, como pretendem os programas sensacionalistas da televisão   sobre crimes e violência. Não obstante, o ambiente prisional é extremamente   tenso, com homens aglomerados contra sua vontade, convivendo anos a fio com a   violência aberta ou sub-repticiamente&nbsp;<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a> utilizada para a resolução de conflitos que explodem a todo o momento, seja entre os detentos e a administração, seja entre os próprios detentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na escola, foram realizadas em média cinco   entrevistas de aproximadamente uma hora de duração, com cada monitor, durante   três meses. A possibilidade da realização de vários encontros com os monitores,   além de permitir maior aprofundamento dos dados coletados, possibilitou também   o estabelecimento de um canal de confiança, se não com todos, com a maioria dos   entrevistados. Para a elaboração e condução das entrevistas, recorremos à   técnica de entrevistas não estruturadas (Laville e Dionne 1999). As respostas   dos monitores no decorrer das entrevistas e as análises do material coletado,   entre nossas idas ao presídio, suscitavam novos questionamentos, que favoreciam   reformulações durante o processo de coleta dos dados. Além disso, os   questionamentos que se mostravam pertinentes para a obtenção de respostas às   nossas questões de pesquisa eram retomados nos diferentes encontros com os monitores, funcionando como hipóteses de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a realização das entrevistas, cientes de   que as regras do jogo são estabelecidas pelo entrevistador, que geralmente está   em posição superior à dos pesquisados, sendo oriundos muitas vezes de   realidades completamente distintas, e que, portanto, se faz necessário o   estabelecimento de um canal de comunicação entre um e outros, e se possível até   mesmo alguma identificação, procuramos estar atentos a todos os meios que   permitissem uma maior integração entre pesquisador e pesquisado que   possibilitasse captar seus gestos, olhares, silêncios, além do significado de situações que propositadamente nos faziam presenciar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Optamos por não gravar as conversas, temendo deixá-los   constrangidos em frente ao gravador. A transcrição organizada das anotações   feitas in loco era levada aos monitores a cada novo encontro, para que lessem e   observassem se os registros estavam corretos. Ao verem seus depoimentos estampados no papel, alguns se emocionaram:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“É uma história, a senhora está fazendo uma tese e     analisando a situação, mas para mim é uma vida. É só um papel sem sentimento,     mas eu sei o que eu tive que passar pra chegar até aqui, a consciência de ter     um papel, seu desenvolvimento… São seis anos… Aprendi muita coisa ruim… E     agora, sendo professor, tive o dobro em coisas boas… […] É, o papel aceita     tudo… É mais um relato, como outro qualquer… Pra uma pessoa comum pode parecer     que eu queria passar uma imagem de bonzinho… Mas é a minha vida… Eu me emociono     de ouvir. Como é que vai ser publicado? Gostaria de guardar comigo, ver meu     sofrimento escrito, você pode me dar uma cópia?” [Adriano] <a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas, muito mais do que correções relacionadas a   imprecisões quanto à informação fornecida, o constante pedido de retirada de   algumas falas, sempre que os monitores consideravam que o que estava escrito   pudesse, de alguma forma, comprometê-los, contribuiu decisivamente para que a   barreira da desconfiança fosse aos poucos quebrada, fazendo com que os   monitores narrassem com mais desenvoltura as questões de interesse para a   investigação.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De posse das informações, ao lermos e relermos as   entrevistas – e mesmo durante os depoimentos e nas situações observadas quando   na prisão – acabou-se por se explicitar relações de poder implicadas na   convivência cotidiana nos diferentes espaços existentes na prisão. Ao   esmiuçarmos o fazer docente dos monitores, observando diferentes aspectos de   suas vidas administradas, foi possível captar seus meandros, evidenciando   estratégias por eles utilizadas para contornar dificuldades, bem como prazeres   obtidos com o exercício dessa profissão, explicitando tanto marcas da docência   relacionadas à escola e sua lógica de funcionamento, quanto marcas relacionadas ao seu exercício no contexto prisional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O pacto de manutenção do anonimato das   informações, estabelecido com eles desde o primeiro contato, além de permitir   que se sentissem mais à vontade nas entrevistas, apresentou-se como uma maneira   de assegurar-lhes o valor pessoal de seus relatos, de suas histórias a nós   confiadas, pois permitia certa retomada de um passado que não na forma de um interrogatório policial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por se tratar de um grupo de detentos, exercendo a   docência em condições peculiares, no entanto composto por pessoas singulares,   estabelecer interações significativas com eles tornou-se um desafio. Para   Bourdieu (2001a), ao se olhar para o outro com olhar investigativo, se faz   necessário respeitar sua singularidade, que se vê traduzida em modos de ser   permeados por razões e necessidades. Para que seja possível captar esses modos   de ser, é preciso conhecer o universo no qual o pesquisado está inserido, buscando compreendê-lo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O presídio aproxima pessoas condenadas a cumprir   pena de privação de liberdade, que, no entanto, tudo o mais separa. São   trajetórias de vida singulares, que a instituição busca anular ao imprimir uma   nova marca, a de “ladrão”, como todos são chamados, independente dos crimes que   cometeram. Ao entrar na prisão, o detento passa a ter sua integridade física e   moral permanentemente ameaçada. Some-se a isso o fato de, para melhor   controlá-los, a administração desencadear uma série de estratégias para seu   rebaixamento, desde sua chegada à instituição até sua saída, com o objetivo de   promover sua adequação às normas e regras da casa. Como parte dessas   estratégias, tem-se a adoção de uniformes, o corte de cabelo, a substituição do   nome por apelidos ou por um número de matrícula. Ao ser preso, o indivíduo é   destituído da maneira como costumava se ver e se organizar para o convívio social (Goffman 1999).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Os sujeitos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se por um lado cada qual possuía sua história, por   outro estavam todos ali, confinados em um mesmo local, exercendo a profissão   docente. Dessa forma, as entrevistas eram analisadas qualitativamente, tomando   cada uma em sua totalidade, confrontando-a com a realidade vivida pelo sujeito,   bem como estabelecendo comparações entre elas, buscando evidenciar em que essas   trajetórias se assemelhavam, em que se distinguiam, além das marcas adquiridas   no exercício da profissão. Além das entrevistas, foi organizado um caderno de   campo, no qual eram anotadas observações, situações vividas, sensações e   conversas realizadas informalmente com diretores, agentes penitenciários e mesmo com os monitores, em situações que não a de entrevista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao se estreitarem laços de confiança, com os   monitores se assegurando de que suas histórias não seriam utilizadas contra   eles próprios, foi bastante ­trabalhoso escapar da sensação que tínhamos de que   sempre, de alguma forma, os monitores buscavam se beneficiar com as respostas   dadas. Muitas respostas eram endereçadas para um possível contato com pessoas   que pudessem interceder por eles, ou mesmo para reforçar para a entrevistadora   uma imagem positiva sobre si mesmo. O pesquisado aproveita a situação para se   fazer ouvir, se explicar e justificar. O discurso é ajustado à situação de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Bourdieu (2001a), o desvendamento do sentido   atribuído pelo pesquisado à situação de entrevista, ou seja, a busca de   compreensão das formas como a pesquisa é percebida e interpretada pelo   entrevistado, e mesmo da percepção que possui da relação estabelecida com o   entrevistador, torna-se fundamental. O pesquisador estabelece as regras do   jogo, no entanto o entrevistado confere significado para a situação de   entrevista, ao mesmo tempo em que, ao ter suas respostas analisadas, terá suas   escolhas e estratégias pessoais objetivadas e categorizadas. Os monitores   expressavam suas expectativas em relação à pesquisa, o que pode ser evidenciado   na fala que se segue: “Você acha que seu trabalho vai ajudar a gente em alguma coisa?” [Fábio]</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os presos entrevistados apresentavam diferentes trajetórias de vida, cruzadas na prisão.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Daniel era o monitor mais antigo do grupo, estava   preso há 13 anos, o que lhe conferia um perfil mais institucionalizado. No   entanto, em suas falas, revelava uma grande clareza sobre os limites e as reais   possibilidades da escola no interior da prisão, demonstrando menos romantismo e   mais realismo em relação aos temas abordados. Completou o ensino médio na   cadeia, tendo estudado na rua até a 7.ª&nbsp;série, sempre em escolas públicas.   Com 32 anos na época da realização das entrevistas, solteiro e sem filhos,   estava condenado a 24&nbsp;anos de prisão, não mantendo, praticamente, nenhum   contato com sua família, raramente recebendo visitas e exercendo essa atividade há seis anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Adriano tinha 28 anos. Condenado a dez anos, dos   quais havia cumprido seis, estava casado quando foi preso e, na época das   entrevistas, tinha cinco filhos, três concebidos na penitenciária, com três,   cinco, sete, oito e dez anos de idade. Cursou Direito, mas não chegou a se   formar e trabalhava como contato publicitário. Na prisão, foi líder de   pavilhão, posição ocupada por meio de alianças que o envolviam em redes de   influência no universo criminal. Fazia questão de apontar a prática da docência   como a tábua de salvação de sua vida, talvez mais para convencer a si mesmo do   que qualquer outra coisa. Dessa forma, referia-se às suas atividades como monitor, bem como ao papel da escola na prisão, de maneira enaltecedora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">João Carlos, 39 anos, tinha um filho de 20 anos,   era solteiro, estava condenado a seis anos de prisão, dos quais havia cumprido   dois. Cursou Geologia em universidade federal. Percebia-se como diferente dos   companheiros da prisão, pelo fato de advir de outro agrupamento social, o que   sempre ressaltava em seus relatos. Desprezava o uso de gírias, procurando, no   entanto, seguir as regras de convívio estabelecidas no cárcere para não ter   problemas. Era mais céptico quanto às possibilidades da escola na prisão, que,   no entanto, percebia como a única possibilidade positiva na vida daqueles homens, com os quais não se identificava.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Marcelo tinha 36 anos, era solteiro e não tinha   filhos. Fora condenado a cinco anos, dos quais havia cumprido três anos e meio.   Fez o ensino médio em liberdade, em escolas públicas e particulares, e possuía   formação técnica em informática e <em>marketing</em>. Quando foi preso, era dono de um   restaurante. Monitor há dois anos, era claramente o articulador do grupo,   apresentando em seu discurso respostas mais elaboradas, com o objetivo claro de   valorizar as atividades por eles realizadas. Teve influência no processo de   seleção dos demais monitores para o setor – à exceção de Daniel, único com mais tempo na função do que ele –, o que lhe conferia certo prestígio no grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nelson era reincidente, ou seja, não era a   primeira vez que estava preso. Tinha 34 anos, um filho de sete, e estava   separado de sua esposa. Condenado a sete anos de detenção na época das entrevistas,   estava preso há cinco e exercia a função de monitor há um ano e dois meses.   Percebia na escola a possibilidade de se afastar do universo criminal. Gostava   de falar sobre as mulheres de sua vida, jogando com a sedução, buscando agradar   com suas respostas, ou seja, procurava falar aquilo que supostamente gostaríamos de ouvir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Fábio tinha 29 anos, era casado e com três filhos:   um menino com oito anos e duas meninas, uma com um e a outra com três anos.   Condenado a nove anos de prisão, dos quais havia cumprido três, há um ano   exercendo a função de monitor preso, mais escapava das sessões de entrevista   que comparecia. Estava mais interessado em circular pela prisão do que em   conversar conosco. Ele, de certa forma, deixou transparecer em seus relatos que   estava ali, conversando conosco, porque fora obrigado pela diretoria do   presídio. No pouco tempo em que participou de sessões de entrevistas, procurou   trazer para a discussão seus problemas pessoais. O uso feito pelo entrevistado   da situação de entrevista faz parte da relação estabelecida, uma vez que todo   “tipo de distorção está inscrito na própria relação de pesquisa. Estas distorções devem ser reconhecidas e dominadas” (Bourdieu 2001a:&nbsp;694).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conforme dito anteriormente, buscava-se apreender   nas entrevistas, para além das atividades desenvolvidas na escola, dados das   vidas dos monitores presos passadas nos pavilhões, além de relatos sobre suas   histórias pessoais. Após estabelecermos um laço de confiança com os monitores,   demonstrando interesse por suas vidas pessoais, por seu passado, por suas   famílias (de outra forma que não com o objetivo de vasculhar em que momento sua   “personalidade perversa” emergiu), pudemos perceber que participar da pesquisa   representou para eles um raro momento para falarem sobre si mesmos para um ouvinte comprometido com essa escuta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Como relata Bourdieu (2001a: 701), o entrevistador   deve exercer uma escuta ativa e metódica, submetendo-se à singularidade da   história particular que se pôs a desvelar, entrando em seus pontos de vista,   superando parcialmente a distância social. Assim, nas palavras do autor,   realizar entrevistas é “[…] entrar na singularidade da história de uma vida e   tentar compreender ao mesmo tempo na sua unicidade e generalidade os dramas de uma existência” (2001a:&nbsp;701).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Além disso, esse momento das entrevistas   constituía aprendizado e privilégio, conforme relatado pelos monitores, interferindo em suas vidas:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“As conversas que a gente tem aqui na escola são     outras, aqui não se fala de assunto do crime. Depois a gente conversa com     pessoas de fora, só de eu poder conversar com você já é um privilégio”     [Daniel].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Conversar com você faz a gente pensar nas coisas,     faz a gente pensar o que está fazendo. Acho que são as perguntas que você faz.     Você vai embora, e deixa a gente pensando nas coisas…” [Daniel]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Estava comentando com ela [esposa] sobre dar     entrevistas, eu comecei a refletir sobre tudo, e é interessante refletir sobre     nossa vida” [Adriano].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Não, não incomoda. Gosto de como você faz a     pergunta… É aprendizado. Desligo. Desligar é sempre aprender… Gosto de falar. O     lugar aqui propicia isso. Gosto de compartilhar” [Marcelo].</font></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Relações de poder em diferentes espaços na prisão</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tendo como objetivo compreender a prática docente   exercida por monitores presos, pretendíamos evidenciar as marcas presentes na   escola, pelo fato de se tratar de uma instituição dentro da outra. Se por um   lado ambas estão implicadas em processos de disciplinarização dos sujeitos, tal   como argumentado por Foucault (1977), é sabido que a prisão se pauta pela   anulação dos homens que se encontram encarcerados por meio da violência extrema   e a escola é norteada por um devir, implicada no desenvolvimento dos alunos e promoção da cidadania.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, num primeiro momento, buscamos   compreender as relações estabelecidas na prisão, condição primeira dos   monitores. Um dos aspectos marcados em suas falas diz respeito ao modo como   sentiam uma espécie de punição gratuita que pairava sobre eles. A prisão no   mundo moderno se pauta por uma dupla finalidade, qual seja punir e reabilitar   aqueles que estão sob sua custódia. Coelho (1987) põe a pergunta: qual a medida   justa da punição? Tal questionamento adquire sentido a partir do excerto a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Água só tem de manhã, em alguns horários, das 6h     às 7h30, das 10h30 às 12h e das 16h30 às 19h. Nesses horários, eles acham que,     se o preso está no sol, ele não precisa de água. Eles pensam assim, e a gente     fica sem água” [Adriano].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Outra faceta que percebiam como uma constante   punição diz respeito às estratégias de anulação de suas identidades (Goffman   1999), explicitadas na maneira como os presos são tratados pelos agentes   responsáveis por sua guarda. Pudemos observar que o detento jamais é chamado   pelo nome. Ou ele é chamado pelo número de matrícula, por exemplo, na hora da   contagem, ou, independente do crime cometido, todos são chamados   indistintamente de “ladrão”, com o objetivo claro de evidenciar que “são todos   iguais” e igualmente “não valem nada”. Para circular pela prisão, quando é o   caso – no geral os presos permanecem trancados nos pavilhões de moradia –, os   detentos devem manter as mãos para trás e os olhos baixos. A alegação dos   funcionários é a segurança, ou seja, dessa forma, qualquer movimento brusco   seria facilmente percebido. Mas os presos estão rendidos e muito dificilmente   partem para confrontos isolados. A sensação clara que essa situação transmite é   a de humilhação, pura e simples.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Além de aspectos das formas como são tratados,   também nos interessou evidenciar como se dão as relações efetivadas entre os   presos nos pavilhões, local onde passam a maior parte do tempo; pudemos   perceber que elas se apresentam marcadas pelo medo, por não se saber o que pode acontecer, marcando suas vidas:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Não tem como descansar [na cela]. Não consigo     dormir depois das seis horas, quando abre as celas da faxina e a galeria. Eles     vêm limpando e distribuindo o café, e aí eu não durmo mais. A partir daí, não     durmo mais. […] É uma tensão… É uma tensão” [Adriano].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“O ambiente aqui é altamente explosivo, tem as     brigas, as blitz são constantes, não se sabe o que vai acontecer” [João     Carlos].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Quando cai com um que só quer saber de matar, de     brigar, de roubar, pesa, pesa a cadeia. O difícil é suportar os inquilinos…     Isso é difícil…” [Daniel]</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Além do imprevisível, são relações permeadas pela   violência como recurso para a resolução dos conflitos, e os problemas   enfrentados no cotidiano adquirem outra dimensão:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“O que acontece às vezes é alguém mais nervoso com     os problemas que eles têm lá em baixo, no pavilhão. […] Tudo deixa o preso     nervoso. É que aqui o problema toma outra dimensão” [Fábio].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A lei do mais forte impera entre os presos, sendo   a força e o respeito conquistados mediante alianças e acordos, não sendo   possível o estabelecimento de laços de confiança:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Nesse lugar a gente não tem amigos. Pode ter     conhecido, colega, mas amigo não. Amigo que está do seu lado para o que der e     vier, não tem… Às vezes uma palavra mal colocada gera transtorno…” [Adriano]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“No pavilhão, cada um é cada um. Não se pode     ajudar o outro. […]. São as regras da casa. Tem regras entre os presos. Impera     o respeito, mas não pode estar ajudando” [João Carlos].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas relações entre presos e direção, fica claro o   estabelecimento de acordos e alianças para o controle da massa carcerária, o   que enreda os detentos numa complicada teia de relações de poder. A necessidade   da existência de tratos entre os diferentes segmentos do universo prisional   aparece em trabalhos como Sykes (1958), Coelho (1987), Fischer (1996). Tal   necessidade transpareceu nos depoimentos dos monitores:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“A força da população carcerária é liderada por     15-20 pessoas. Se 2000 pessoas estourarem como um estouro de boiada, quem é que     vai segurar? A muralha, acho, segura uns duzentos… Não é só a administração que     segura a cadeia, tem que ter acordo” [Adriano].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No que se refere às relações estabelecidas entre   os presos e os funcionários, os primeiros estão em franca desvantagem:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Os funcionários acabam com a alegria… São mais     selvagens que muito preso… […]. Tinham que mostrar respeito, chamar o preso de     senhor, ensinar pelo exemplo. O aluno já chega estressado…” [Marcelo]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Tem os que respeitam, e os que não respeitam. Às     vezes tenho que brigar para poder vir trabalhar, acho isso o máximo! A função     deles deveria ser favorecer quem quer trabalhar! Sei que é difícil suportar     preso, mas eles deviam analisar direito, e favorecer a caminhada de quem quer     ir para a frente. Não, a finalidade é tirar você do sério! Fazer você discutir     com ele, para ele dizer que você desacatou e te tirar do trabalho. Não suporta     que você fique mais inteligente. Não são todos, mas é a maior parte. Você tem     que ter paciência. Querem dificultar sua caminhada, tirar do sério. Não te     deixam passar, você tem que ficar quieto, parado, aguardando” [Daniel].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Pesquisas como a de Biondi e Marques (2010) demonstram   a existência de novas formas de resolução de conflitos no ambiente prisional,   face à ­organização de facções criminosas. Sobre esse aspecto, Adorno e Salla   (2007) evidenciam o acirramento das tensões nas prisões na atualidade, em   decorrência do desenvolvimento de políticas de encarceramento em massa e   consequente superlotação dos estabelecimentos penitenciários, por um lado, e   por outro, justamente em decorrência das formas violentas, mesmo que   sub-reptícias, como as facções criminosas promovem o controle da massa   carcerária.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse ambiente hostil, a escola se vê transpassada pelas marcas da instituição prisional, como exploraremos a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Relações de poder e o espaço escolar</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As relações de poder estabelecidas na prisão,   tendo como pano de fundo a violência, bem como os problemas enfrentados pelos   detentos em seu dia a dia, se apresentam na escola, como afirma Fábio: “Na prisão, o que dificulta é que todo problema afeta a escola”.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As regras de conduta chegam à escola, que é tida   pelos presos como um local a ser respeitado, não por suas especificidades, mas   pelo medo. É um local de trabalho, e na cadeia cada qual deve respeitar o serviço do outro, para que as coisas funcionem dentro de alguma normalidade:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">“Acontece de o aluno enfrentar o professor aqui na     cadeia também, é menos do que a gente ouve falar na rua, mas acontece também.     Cadeia exige mais respeito. […]. Aqui é diferente, o professor não chega a ser     ameaçado pelo aluno. […] O preso sabe que está em certa situação. Sabe que     escola é lugar de respeito. Satisfação ele tira lá no pavilhão. […] Na cadeia     não pode mexer no setor do outro. Se eu chego mexendo no setor do outro, o     outro fica bravo. Isso todo mundo sabe. Se mexerem no meu setor, se bagunçarem     a escola, os outros presos ajudam a analisar. Você está ensinando e o cara     atrapalhando, mesmo se for um bandidão, o pessoal não vai deixar” [Daniel].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Mesmo sendo considerado como um local a ser   respeitado, não existe a certeza de que questões relacionadas ao universo do   crime não serão resolvidas na escola, onde se encontram presos de diferentes   pavilhões, o que é positivo, pois expande o horizonte de possibilidades dos   detentos, mas também o de possíveis problemas, como o acerto de contas entre   rivais:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Já aconteceram problemas… Um aluno na minha aula     pediu para ir lá fora conversar com o outro. Aí eles começaram a discutir. Aí     eu falei: ‘não, não vou aceitar isso na escola, o lugar de acerto é no     pavilhão, aqui não é o lugar!’ Agora, pode acontecer, cadeia, você sabe… Mas     não acontece… Mas se quiser pegar, pega na primeira oportunidade… Mas há     respeito, respeito total…” [Nelson]</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A escola não é imune aos problemas existentes na   prisão, que estão sempre presentes, como possibilidade e, por mais que se   esforcem, os monitores permanecem envolvidos em questões relacionadas ao   universo do crime:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Estava na escola e vinham me buscar para acalmar     os ânimos: ‘Adriano, tem princípio de briga’. Não dá para ter a mente nos dois     lugares. Ficava um tumulto de gente atrás de mim na escola” [Adriano].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Os problemas da prisão, bem como alianças e   acordos estabelecidos entre os presos, apresentam-se na escola. Os monitores   não têm como escapar à sua condição de preso, seja em relação à massa   carcerária, seja em relação aos funcionários, e disso eles têm muita clareza,   como explicitam os excertos abaixo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Não significa que é imune. O monitor é preso e é     tratado como tal, mas o  tratamento é um     pouco melhor” [João Carlos].</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">“Todos estamos presos, professores e alunos, temos     rotina” [Marcelo].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Tenho os mesmos problemas, sou preso também”     [Adriano].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Em situação relatada por Daniel, em que se vê   obrigado a datilografar laudos de alguns detentos, contrariando a monitora   coordenadora, fica bastante claro que os monitores estão enredados em teia de   alianças e interesses:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Existem coisas… Já que eu trabalho por fora, ela     ficou brava porque eu bati uns laudos que pediram para eu bater. Os laudos     estão acumulando, não tem funcionário para bater, e preso não vai embora sem o     laudo. Me propus a ajudar, e ela achou ruim, mudou o tratamento, não conversa     mais direito comigo. […] Não parei de dar aula, também não parei de bater     laudo. […] Está certo que é a Funap que me paga, que me mantém, mas também tem     suas faltas. E eu não posso recusar fazer os serviços da casa” [Daniel].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os monitores, por ocasião do surgimento de   alguma vaga de professor, na escolha do substituto, prevalecem relações de   convívio, evidenciando acordos estabelecidos no cárcere:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Quando aparece uma vaga, a gente já indica para a     Dona Diva.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> Indica alguém com que se dê bem, com que já tenha     algum convívio. Também, tem que ser aprovado pela segurança. Aí a Dona Diva     aplica uma prova. Mas não é qualquer um que pode dar aula. Tem que ter algum     convívio” [Daniel].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Os aspectos acima destacados demonstram que os   monitores presos, ao exercerem a docência, permaneciam submetidos às relações   estabelecidas no cárcere que, como se viu, têm como pano de fundo a violência e   a opressão. No entanto, cabe destacar que, mesmo submetido a alianças e   interesses relacionados ao universo carcerário, o espaço escolar costuma ser   preservado quando ocorrem distúrbios na cadeia, fato que também é mencionado em   outros trabalhos, como Leme (2002) e Santos (2002). De acordo com os monitores:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">“Nunca aconteceu briga, uma morte na escola”     [Daniel].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“O setor físico da escola é poupado quando tem     qualquer confusão na cadeia” [João Carlos].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A escola na prisão, até mesmo pelo contraste   estabelecido, se configura como um espaço diferenciado, como se verá a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A escola como espaço de possibilidades</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como visto anteriormente, a docência estabelecida   na prisão encontra-se permeada por relações referidas ao ambiente prisional,   marcadas por relações de poder. No entanto, mesmo submetido a alianças e   interesses relacionados ao universo carcerário, neste estudo como em outras   pesquisas,<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> evidencia-se o espaço escolar como um valor na prisão.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao entrarem no espaço escolar, os monitores se   esforçavam para se afastar de questões referidas ao universo criminal,   assumindo outra postura, até mesmo para poderem se colocar na posição de professores. Tal fato obviamente trazia consequências para suas vidas:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“A minha vida mudou depois que me envolvi com a     área da educação. O tipo de pessoa que eu era antes de trabalhar na educação,     antes de ser monitor… O trabalho de monitor me mudou como pessoa” [Adriano].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No que diz respeito à sua atuação como   professores, explicitou-se que os monitores se esforçam para delimitar seu   espaço de atuação, sendo tratados e respeitados por seus alunos. Além disso,   percebem que ocupam um lugar importante, e que devem assumir certa postura para   poder lidar com seus alunos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“A gente tem que dar o exemplo. O nome do setor já     diz: educação. Precisa contornar, passar outra coisa, outro jeito de resolver     as coisas. Se retrucar, faz igual. Ele espera que você retruque, e aí só piora     a situação. Precisa contornar, precisa dar exemplo” [Fábio].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O exercício da docência na prisão é marcado por   aspectos próprios ao trabalho de professor. De acordo com a fala dos monitores,   é bom ser professor, em função de algo que é próprio à profissão, pelo fato de   as atividades que desenvolvem estarem relacionadas com o ensino e com a   possibilidade de aprendizado por parte de seus alunos, como indicam os excertos   abaixo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Senti muita satisfação. É muito bom ver o brilho     nos olhos dos alunos. Todo professor sente isso. Se sente feliz por abrir uma     janela para os outros, ver os outros sendo mais” [João Carlos].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“O que mais me dá prazer? Ver eles aprendendo,     fazendo discípulos. Ver que o aluno fez uma carta porque você ensinou” [Fábio].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao investigarmos o sentido por eles atribuído ao   trabalho de professor, este transpareceu referido a funções próprias ao   processo de escolarização, como ensinar a ler, a fazer contas, ampliar os   conhecimentos dos alunos sobre o mundo e promover a sua certificação. Marcas do   ambiente prisional estavam presentes, tais como aumentar suas possibilidades de   circulação dentro da prisão ou auxiliar na obtenção de parecer favorável para a   elaboração de laudos a serem enviados ao sistema judiciário com o objetivo de   pleitear a progressão da pena para um regime mais brando. Ainda, os monitores   identificam a escola como o centro da prisão, local onde circulam informações   importantes, que lhes permite entrar em contato com o que se passa na cadeia,   ou seja, ocupam um lugar de certa forma privilegiado:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“A educação é o centro de tudo na cadeia. Vai     aluno de todos os pavilhões, circula gente de fora e de dentro. Todas as     informações passam por lá” [Daniel].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Transitar por ali é o centro da cadeia, reúne     todos os pavilhões, é o contato…” [Nelson]</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">É um local onde se encontram presos de diferentes   pavilhões, favorecendo inclusive a circulação de bilhetes, por meio dos quais   os detentos buscam satisfazer algumas de suas necessidades, com os monitores   assumindo um papel intermediário entre os detentos e a administração. A   resolução de problemas concretos dos detentos pela escola ajuda a entender a   valorização desse espaço, ou seja, diz respeito também a questões práticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do mesmo modo, ao se referirem ao que a escola na   prisão representa para seus alunos, os monitores afirmam que ela assume muito   fortemente o caráter de facilitador da resolução de problemas imediatos, o que   na prisão representa muita coisa. Dão ênfase, em especial, à possibilidade de   vencer o ócio instaurado na prisão, uma coisa mais a se fazer em seu interior,   conquistar a progressão de pena, circular pala cadeia ou, mesmo, aprender a escrever cartas a seus familiares e melhor acompanhar seus processos:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Tem pessoas que vão para a escola só para passar     o tempo, ter o benefício concedido, vem para cá para sair um pouco do pavilhão”     [João Carlos].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Os presos caem na real, muitos procuram a escola     até para aprender a pegar um ônibus, aprender coisas que não sabiam. Tem gente     que está preso tem vinte anos, não sabe mais nada” [Fábio].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Tem alunos que querem mesmo aprender, tem os que     vão só pelas provas, a progressão de pena, que exige que tenha estudo… Mas     muitos querem apenas escrever para sua família” [Nelson].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Tais aspectos constituem melhorias concretas nas   vidas dos homens que se encontram presos.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> E ainda, sobre o enfrentamento do ócio, aparece   como ressalva que o tempo ocupado na escola tem uma qualidade a mais do que o   tempo gasto em outras atividades realizadas na prisão, aspecto também identificado   por Goifman (1998):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Estamos em um lugar negativo, difícil, e eles     percebem que estamos em algo positivo. A escola é o mais positivo que tem     dentro da cadeia. O tempo passado aqui é um tempo que se aproveita” [Marcelo].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Para além da resolução de problemas práticos, a   escola é lugar que representa a possibilidade de ser mais ou de se ligar a   coisas positivas. Para os monitores, e também para seus alunos, a escola é o   melhor lugar para se permanecer na prisão, pelo fato de nela as relações serem   estabelecidas em outras bases, ressaltando-se o fato de as pessoas serem   chamadas pelo nome e distenderem as relações, o que não é pouco. Os monitores   afirmam que tanto eles quanto seus alunos se esforçam para que o local se   diferencie do restante da cadeia, evitando, por exemplo, o uso de gírias e a   referência a assuntos relacionados ao mundo do crime.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“Na escola é melhor porque o ambiente traz mais     tranquilidade. No pavilhão, um cuida da vida do outro. […] O ambiente aqui é     melhor, é gostoso, para a frente. Você desliga dos problemas do pavilhão”     [Adriano].</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, o espaço escolar se diferencia do   restante, apresentando-se como um espaço de possibilidades de resistência e, no   limite, possibilidade de formação. Os monitores percebem transformações em seus   alunos, sejam elas relacionadas à aquisição da leitura e da escrita, o que é   bastante significativo na prisão (e fora dela), uma vez que possibilita ler e   escrever cartas aos familiares ou mesmo acompanhar melhor o processo penal; mas   também alterações que dizem respeito a um contato maior com o mundo do   conhecimento. Passar pela escola vai além de instrumentalizar alunos e   professores para uma determinada operação, constituindo-se em patrimônio   pessoal. É o que de certa forma Daniel afirma abaixo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">“A gente nota com um tempo de escola que a cabeça     da pessoa muda, abre os canais, se torna mais receptiva para ouvir e muda. Você     vê a mudança. O estudo abre a mente, a pessoa vê que pode ser de outro jeito. A     pessoa ignorante tem os canais fechados”.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No contraste estabelecido entre o presídio e a   escola, esta se destaca. A prisão representa castigo, punição, vergonha,   estigma, incapacidade para o convívio social, ou seja, representa o local onde   jamais se deseja estar; já a escola representa valor, representa a possibilidade   de inserção e ascensão sociais, numa sociedade em que o conhecimento se associa   a prestígio social. Os monitores, ao se referirem à escola, encarnam o discurso   ideológico de sua função como propiciadora da possibilidade de ascensão social.   Entretanto, têm consciência de que as oportunidades objetivas de os egressos do   sistema penitenciário reorganizarem suas vidas são praticamente inexistentes, e   na maioria das vezes a escola não é garantia de muita coisa. Mas a simples   existência de um local que possibilite a permanência dos detentos em um espaço   que não o pavilhão de moradia já representa muita coisa. Além disso, cabe   lembrar que são homens vistos como a escória da sociedade, e o fato de   frequentarem espaço socialmente valorizado, no caso a escola, os valoriza   frente a eles mesmos e frente aos seus familiares. Com todas as dificuldades, a   escola desponta na prisão como um espaço de possibilidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considerações finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Analisar as entrevistas, tendo em vista   regularidades sobre a prática da docência e singularidades implicadas nas   diferentes trajetórias dos monitores, relacionadas à realidade na qual   objetivam suas experiências, permitiu a apreensão de alguns aspectos   relacionados ao exercício docente na prisão. Como refere Bourdieu (2001b: 159),   “[…] o confronto direto com a realidade não ocorre sem algumas dificuldades, e até alguns riscos, portanto sem alguns méritos”.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi possível identificar que a docência   estabelecida na prisão se encontra permeada por relações de poder existentes   entre os diferentes segmentos que compõem o universo carcerário, e os monitores   não têm como se abstrair da condição de detentos à qual estão submetidos. As   especificidades das relações de poder estabelecidas na prisão relacionam-se ao   ambiente de opressão vivido em seu interior, acabando por originar o   desenvolvimento de regras de conduta entre os presos, o “proceder”, pautado em   um código próprio, baseado na violência, na lei do silêncio, na desconfiança   mútua, na dissimulação de sentimentos e atitudes, que se apresenta nas relações   estabelecidas entre os diferentes segmentos existentes no contexto prisional, quais sejam o dos detentos, o dos funcionários, o da direção.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A prática da docência por presos, nesse sentido,   se contrapõe a essa moral, já que, em princípio, deveria estar pautada pela   livre expressão, pela confiança na relação professor-aluno, pelo respeito   mútuo. Foi possível verificar que, apesar de as relações de poder estabelecidas   na prisão se apresentarem na escola, em função de especificidades intrínsecas   ao que historicamente se constitui o fazer escolar e ao que se espera ver   concretizado por meio dessa atividade, a escola acaba por se configurar em   espaço diferençado na prisão, como um espaço onde as relações podem ser   pautadas por formas distintas daquelas que imperam no contexto prisional envolvente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao investigarmos a prática docente na prisão,   explicitou-se a possibilidade de resistência àquele ambiente de opressão, seja   por parte dos alunos, seja por parte dos monitores. Dentre os achados da pesquisa,   destaca-se o fato de os monitores perceberem mudanças em seus alunos ao   frequentarem a escola, não só pelo fato de eles se apropriarem da leitura e da   escrita – o que na prisão, e fora dela, representa muita coisa –, mas também mudanças relacionadas a um contato maior com o universo do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os monitores destacaram que quem frequenta a   escola muda em vários aspectos, com destaque para o fato de a pessoa adquirir   condições de conversar melhor com os funcionários, lidando com as situações de   conflito presentes nas relações de poder existentes na prisão de outra forma do   que o confronto direto, em situações em que estão em franca desvantagem, buscando preservar sua integridade sem, no entanto, se submeterem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ou seja, pelo fato de entrarem em contato com o   universo do conhecimento, esses sujeitos ampliavam sua percepção das situações   vividas no cárcere, o que lhes possibilitava lidar com o poder institucional de outra forma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda, foi possível evidenciar que frequentar a   escola significava, tanto para os alunos quanto para os monitores, a   possibilidade de minimizar problemas enfrentados no universo prisional, como a   dificuldade para sair dos pavilhões de moradia, a necessidade de matar o tempo   e a obtenção de parecer favorável quando da solicitação de progressão da pena para um regime mais brando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso específico dos monitores, trabalhar na   escola se apresentava claramente como possibilidade de melhorias em suas vidas,   bem como de certo afastamento do universo criminal. Evidentemente que o   rompimento com tal universo não é simples. No entanto, ao se envolverem com a   docência, os monitores passaram a refletir sobre suas vidas a partir dessa   experiência, além do fato de, ao permanecerem no pavilhão escolar, estarem   fisicamente afastados do convívio com o universo criminal, posto que, conforme dito anteriormente, a escola se apresenta como um local diferençado na prisão.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Porém, o exercício da docência por monitores   presos revela ambiguidades, relacionadas ao que socialmente se espera ver   concretizado na escola e ao que a realidade objetiva permite que realizem, bem   como ambiguidades relacionadas ao exercício mesmo da docência, que pressupõe   autoridade moral em um mundo irracional, em que o medo se impõe aos homens na busca por sua sobrevivência.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tais aspectos puderam ser evidenciados, a nosso   ver, em decorrência do uso das entrevistas e dos cuidados que tivemos que tomar   para que, dentro de um ambiente expressamente cruel e violento, pudéssemos   colher depoimentos que ocorriam sob pressão das estruturas sociais, e cujos efeitos a nós caberia, como pesquisadores, controlar (cf. Bourdieu 2001a:&nbsp;694).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se, por um lado, temos consciência de que, apesar   de todos os cuidados tomados, os dados colhidos e as análises realizadas não   correspondem ao universo total da situação analisada, por outro, o fato de   conseguirmos estabelecer relações entre dois ambientes bastante distintos   (escola/prisão) nos possibilitou entender melhor as relações entre condições concretas de vida e a prática docente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, se é fato que o ambiente prisional trouxe   limitações em termos do receio de exposição por parte dos entrevistados, dado o   clima de violência e de opressão que ali impera, também não é menos verdade   que, superadas as desconfianças iniciais, os relatos parecem corresponder a uma   série de fatos concretos que permitiram a análise da relação entre a escola e a   prisão, na medida em que, em boa parte, esta violência e opressão estão visíveis e expostas, muito pouco camufladas ou dissimuladas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Esta constatação nos levou a considerar dois aspectos que nos parecem fundamentais para a continuidade de nossas pesquisas:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">–&nbsp;em primeiro lugar, valeria a pena explorar,   ainda mais, a relação entre situações concretas de vida e o exercício da   docência, em que aspectos limitadores (como a violência, a opressão)   apresentam-se de forma camuflada e dissimulada, inclusive para os próprios protagonistas;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">–&nbsp;em segundo lugar, estas condições   limitadoras dissimuladas para o exercício da docência certamente demandarão   maiores cuidados e ­refinamentos, pois que exigirão a exposição de situações de   vida constrangedoras não tão evidentes como a dos monitores presos e que,   certamente, deverão fazer com que os sujeitos, consciente ou inconscientemente, apresentem maiores resistências.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa sobre a docência estabelecida na prisão   pode auxiliar na compreensão da docência exercida para além desse contexto.   Nesse sentido, consideramos importante finalizar reafirmando o valor atribuído   à escola no ambiente prisional, embora tenhamos clareza de que a escola como   possibilidade nesse ambiente se caracteriza muito mais como uma perspectiva   romântica que realista, dadas as consequências funestas que o cumprimento da   pena acarreta para os presidiários. Como em qualquer espaço social, o potencial   formativo da educação escolar encontra-se submetido às condições objetivas em que ocorre.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ADORNO, Sérgio, 1991, “A prisão sob a ótica de   seus protagonistas: itinerário de uma pesquisa”, <em>Tempo Social</em>, 3&nbsp;(1-2):   7-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194046&pid=S0873-6561201600020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ADORNO, Sérgio, e Fernando A. SALLA, 2007,   “Criminalidade organizada nas prisões e os ataques do PCC”, <em>Revista de Estudos Avançados</em>, 21&nbsp;(61): 7-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194048&pid=S0873-6561201600020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BIONDI, Karina, e Adalton MARQUES, 2010, “Memória e historicidade em dois ‘Comandos’ prisionais”, <em>Lua Nova</em>, 79: 39-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194050&pid=S0873-6561201600020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOURDIEU, Pierre, 2001a, “Compreender”, em Pierre   Bourdieu (org.), <em>A&nbsp;Miséria do Mundo</em>, Petrópolis, Vozes (4.ª&nbsp;edição), 693-732.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194052&pid=S0873-6561201600020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOURDIEU, Pierre, 2001b, “Efeitos de lugar”, em   Pierre Bourdieu (org.), <em>A Miséria do Mundo</em>, Petrópolis, Vozes (4.ª&nbsp;edição), 159-166.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194054&pid=S0873-6561201600020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRASIL, 2010, “Resolução CNE/CEB n.º   2/2010: Diretrizes nacionais para a oferta de educação para   jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos   penais”, Diário Oficial da União, Brasília, República Federativa do Brasil, 20 de maio de 2010, seção&nbsp;1, p.&nbsp;20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194056&pid=S0873-6561201600020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRASIL, 2011, Lei n.º 12.433/2011, Diário   Oficial da União, Brasília, República Federativa do Brasil, 30 de junho de 2011, disponível em <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12433.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12433.htm</a> (última consulta em maio de 2016).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194058&pid=S0873-6561201600020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, Myriam Mesquita Pugliese de, 1991,   “Ciranda do medo: controle e dominação no cotidiano da prisão”, <em>Revista USP</em>, 9: 57-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194060&pid=S0873-6561201600020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">COELHO, Edmundo Campos, 1987, <em>A Oficina do Diabo:   Crise e Conflitos no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro</em>. Rio de Janeiro, Espaço e Tempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194062&pid=S0873-6561201600020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FISCHER, Rosa Maria, 1996, “O círculo do poder: as   práticas invisíveis de sujeição nas organizações complexas”, em Maria Tereza   Leme Fleury e Rosa M.&nbsp;Fischer (orgs.),&nbsp;<em>Cultura e Poder nas Organizações</em>. São Paulo, Atlas (2.ª&nbsp;edição), 1-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194064&pid=S0873-6561201600020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FOUCAULT, Michel, 1977, <em>Vigiar e Punir</em>. Petrópolis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194066&pid=S0873-6561201600020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOFFMAN, Erving, 1999, <em>Manicômios, Prisões e Conventos</em>. São Paulo, Perspectiva (6.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194068&pid=S0873-6561201600020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOIFMAN, José H., 1998, <em>Valetes em Slow Motion: O   Espaço e a Morte do Tempo na Prisão a Partir de Experiências com o Vídeo</em>. Campinas, Editora da Unicamp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194070&pid=S0873-6561201600020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LAVILLE, Christian, e Jean DIONNE, 1999, <em>A   Construção do Saber: Manual de Metodologia de Pesquisa em Ciências Humanas</em>. Porto Alegre, Artes Médicas Sul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194072&pid=S0873-6561201600020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEME, José Antonio Gonçalves, 2002, <em>A Cela de   Aula: Tirando a Pena com Letras. Uma Reflexão sobre o Sentido da Educação nos   Presídios</em>. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), dissertação de mestrado em Educação.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194074&pid=S0873-6561201600020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ONOFRE, Elenice Maria Cammarosano, 2002, <em>Educação   Escolar na Prisão: Para além das Grades. A Essência da Escola e a Possibilidade   de Resgate da Identidade do Homem Aprisionado</em>. Araraquara, Faculdade de   Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194076&pid=S0873-6561201600020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PORTUGUÊS, Manoel Rodrigues, 2001, <em>Educação de   Adultos Presos: Possibilidades e Contradições da Inserção da Educação Escolar   nos Programas de Reabilitação do Sistema Penal do Estado de São Paulo</em>. São Paulo,   Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo (USP), dissertação de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194078&pid=S0873-6561201600020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RAMALHO, José Ricardo, 1979, <em>Mundo do Crime: A Ordem pelo Avesso</em>. Rio de Janeiro, Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194080&pid=S0873-6561201600020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ROCHA, Luiz Carlos da, 1994, <em>A Prisão dos Pobres</em>.   São Paulo, Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194082&pid=S0873-6561201600020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SANTOS, S., 2002, <em>A Educação Escolar no Sistema   Prisional sob a Ótica dos Detentos</em>. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), tese de doutorado em Educação.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194084&pid=S0873-6561201600020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SYKES, Gresham M., 1958, <em>The Society of   Captives: A Study of a Maximum Security Prison</em>. Princeton, Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194086&pid=S0873-6561201600020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">THOMPSON, Augusto F.G., 1976, <em>A Questão Penitenciária</em>. Petrópolis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194088&pid=S0873-6561201600020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>       As   entrevistas foram realizadas com monitores presos que atuavam em escolas   situadas em estabelecimentos penais paulistas pois, desde o final dos anos de   1980 até 2010, a Fundação Professor Manoel Pedro Pimentel (Funap), vinculada à   Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), era responsável pela educação   nas prisões em São Paulo. A partir da publicação das “Diretrizes nacionais para   a oferta de educação para jovens e adultos em situação de privação de liberdade   nos estabelecimentos penais” (Brasil 2010), a Secretaria Estadual da Educação   (SEE) assumiu tal tarefa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       Para   maior detalhamento sobre as formas evidentes e camufladas do exercício da   violência prisional atual, exercidas pelas facções criminosas, consultar Adorno e Salla (2007), Biondi e Marques (2010), entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>       Todos   os nomes dos monitores presos são fictícios para evitar a identificação dos   entrevistados. Além disto, os depoimentos dos presos receberam tratamento para   que ficassem inteligíveis aos leitores, mas com o cuidado para evitar que   perdessem características fundamentais das expressões orais, tal como elas   foram produzidas, com o intuito de oferecer uma transcrição fiel das formas de expressão por eles utilizadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>       Nome   fictício da monitora coordenadora, profissional contratada pela Funap com a função de supervisionar o trabalho dos monitores presos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>       Ver, entre outros, Onofre (2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>       Cabe   apontar que em 2011 foi publicada uma lei que dispõe sobre a remição de pena pela educação (Brasil 2011).</font></p>      ]]></body><back>
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