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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tomada de decisão no sistema de proteção das crianças e jovens: Um estudo comparativo entre as atitudes de profissionais e de estudantes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study has as main objective to analyse the attitudes of 200 students of higher education and 200 professionals, responsible for case supervision and recommendations for intervention, in areas related to decision-making processes in the child and young people protection system, in matters such as foster care and residential care. The study adopts a quantitative strategy and data were collected in 2014 in the main regions of the country (Braga, Porto, Coimbra, Lisbon and Faro), with the application of the questionnaire “Child Welfare Attitudes Questionnaire” (Davidson-Arad & Benbenishty, 2008, 2010). The results show that both participants, professionals and students, can be divided into two groups, one more and other less favourable to removal. In comparison, professionals are less favourable to child’s removal and advocate reunification more than the students. There are no statistically significant differences between the participants regarding the role of foster and residential care, as well as the participation of the child in the decision-making process. However, professionals are more supportive of parental involvement in decision-making than students. Finally, there are some implications for practice.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Sistema de proteção de crianças e jovens]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Tomada de decis&atilde;o no sistema de prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens: Um estudo comparativo entre as atitudes de  profissionais e de estudantes</b></p>     <p><b>Decision-making in the system of protection of children and young people: A study comparing the attitudes of professionals and  students</b></p>     <p><b>Paulo Delgado<sup>1</sup>, Jo&atilde;o M. S. Carvalho<sup>2</sup>, V&acirc;nia S. Pinto<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Inova&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o (InED), Escola Superior de  Educa&ccedil;&atilde;o do Porto, Porto, Portugal / Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Estudos da Crian&ccedil;a (CIEC), Universidade do Minho,  Braga, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais (CICS.NOVA), Universidade do Minho, Braga, Portugal / Centro de  Investiga&ccedil;&atilde;o e Inova&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o (InED), Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Porto, Porto,  Portugal / Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Empresariais e Sustentabilidade (UNICES), Instituto Universit&aacute;rio da  Maia, Maia, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Inova&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o (InED), Escola Superior de  Educa&ccedil;&atilde;o do Porto, Porto, Portugal / REES Centre, Department of Education, University of Oxford, Oxford, United Kingdom</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este estudo tem como principal objetivo analisar as atitudes de 200 estudantes do ensino superior e 200 profissionais, respons&aacute;veis pela  supervis&atilde;o de casos e pelas recomenda&ccedil;&otilde;es para a interven&ccedil;&atilde;o, em dom&iacute;nios relacionados com os processos  de tomada de decis&atilde;o no sistema de prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens, em mat&eacute;rias como o acolhimento familiar e o  acolhimento residencial. O estudo adota uma estrat&eacute;gia quantitativa e os dados foram recolhidos em 2014 nas principais regi&otilde;es do  pa&iacute;s (Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e Faro), com a aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio &lsquo;<i>Child Welfare Attitudes  Questionnaire</i>&rsquo; (Davidson-Arad &amp; Benbenishty, 2008, 2010). Os resultados obtidos permitem concluir que ambos os participantes,  profissionais e estudantes, podem ser divididos em dois grupos, um mais favor&aacute;vel &agrave; retirada e outro menos favor&aacute;vel &agrave;  retirada. Em compara&ccedil;&atilde;o, os profissionais s&atilde;o menos favor&aacute;veis &agrave; retirada da crian&ccedil;a e defendem mais a  reunifica&ccedil;&atilde;o do que os estudantes. N&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os participantes no  que diz respeito &agrave; opini&atilde;o sobre o papel do acolhimento familiar e do acolhimento residencial, assim como &agrave;  participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a no processo de decis&atilde;o. No entanto, os profissionais apoiam mais a participa&ccedil;&atilde;o  dos pais no processo de decis&atilde;o do que os estudantes. Finalmente, apresentam-se algumas implica&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica.    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Sistema de prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens, Avalia&ccedil;&atilde;o do risco, Processo de tomada de  decis&atilde;o, Acolhimento familiar, Acolhimento residencial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study has as main objective to analyse the attitudes of 200 students of higher education and 200 professionals, responsible for case  supervision and recommendations for intervention, in areas related to decision-making processes in the child and young people protection system,  in matters such as foster care and residential care. The study adopts a quantitative strategy and data were collected in 2014 in the main regions  of the country (Braga, Porto, Coimbra, Lisbon and Faro), with the application of the questionnaire &ldquo;Child Welfare Attitudes  Questionnaire&rdquo; (Davidson-Arad &amp; Benbenishty, 2008, 2010). The results show that both participants, professionals and students, can be  divided into two groups, one more and other less favourable to removal. In comparison, professionals are less favourable to child&rsquo;s removal  and advocate reunification more than the students. There are no statistically significant differences between the participants regarding the role  of foster and residential care, as well as the participation of the child in the decision-making process. However, professionals are more  supportive of parental involvement in decision-making than students. Finally, there are some implications for practice.</p>     <p><b>Key words</b>: Children and young people protection system, Risk assessment, Decision-making process, Foster care, Residential care.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Face a situa&ccedil;&otilde;es de maus tratos ou de viol&ecirc;ncia, a Lei de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens em Perigo, Lei  142/2015 de 8 de setembro, procura salvaguardar o desenvolvimento e o bem-estar da crian&ccedil;a ou do jovem. Em situa&ccedil;&otilde;es mais  graves, a interven&ccedil;&atilde;o pode levar &agrave; retirada da sua fam&iacute;lia, considerando-se o acolhimento familiar como o contexto  privilegiado para a coloca&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as em perigo, em especial as que t&ecirc;m at&eacute; 6 anos de idade.</p>     <p>Apesar da recente altera&ccedil;&atilde;o no quadro legal, o acolhimento em Portugal continua a ser, quase exclusivamente, de tipo residencial.  Em Portugal, no ano de 2016, encontravam-se 8.175 crian&ccedil;as acolhidas, das quais apenas 3,1% viviam em fam&iacute;lias de acolhimento. Esta  matriz protetora p&otilde;e em causa um dos direitos fundamentais da crian&ccedil;a, que consiste na possibilidade de crescer numa fam&iacute;lia  (Instituto da Seguran&ccedil;a Social, 2017). Nos &uacute;ltimos 10 anos, de 2007 a 2016, e apesar de uma redu&ccedil;&atilde;o de cerca de 18% no  n&uacute;mero de acolhimentos, o recurso &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens aumentou proporcionalmente em  compara&ccedil;&atilde;o com o recurso ao acolhimento familiar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo recorre ao Question&aacute;rio de Atitudes de Bem-Estar da Crian&ccedil;a (Davidson-Arad &amp; Benbenishty, 2008, 2010, 2016), para  identificar as atitudes dos participantes sobre: a retirada das crian&ccedil;as em perigo, a reunifica&ccedil;&atilde;o, a  participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e da fam&iacute;lia biol&oacute;gica nos processos de decis&atilde;o, e a avalia&ccedil;&atilde;o do  acolhimento familiar e do acolhimento residencial ao n&iacute;vel da promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento e do bem-estar das crian&ccedil;as.  Com estes dados, pretende-se analisar se h&aacute; diferen&ccedil;as nas atitudes entre profissionais, nesta &aacute;rea de  interven&ccedil;&atilde;o, e estudantes, com ou sem experi&ecirc;ncia na aprecia&ccedil;&atilde;o de casos de neglig&ecirc;ncia familiar, os quais  poder&atilde;o refletir aprendizagens diferenciadoras mais recentes. Pretende-se, tamb&eacute;m, verificar se &eacute; poss&iacute;vel identificar  grupos distintos em cada amostra em fun&ccedil;&atilde;o das atitudes medidas; se h&aacute; diferen&ccedil;as entre estes grupos em cada amostra e  as respetivas caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas; e se h&aacute; diferen&ccedil;as entre as amostras ao n&iacute;vel de cada grupo.</p>     <p>A pesquisa integra-se num estudo internacional que decorre em v&aacute;rios pa&iacute;ses como Israel, Alemanha, Espanha, Holanda e Irlanda do  Norte, coordenados pelo Haruv Institute, de Israel, uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos dedicada &agrave; preven&ccedil;&atilde;o dos  maus tratos infantis. O objetivo principal do estudo &eacute; desenvolver recomenda&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica e compreender melhor o  que influencia e determina as decis&otilde;es, em ambientes caracterizados pela complexidade e pela incerteza, comparando as diferen&ccedil;as e as  similitudes entre os v&aacute;rios pa&iacute;ses e contextos culturais. De facto, cada sistema reflete nas pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas que  adota um conjunto de valores que influenciam o modo como atua, os servi&ccedil;os que desenvolve e as finalidades que prossegue. Do sistema fazem  parte integrante as atitudes e comportamentos dos profissionais, associados &agrave; tomada de decis&atilde;o, e a forma&ccedil;&atilde;o inicial  dos estudantes, pela influ&ecirc;ncia potencial que pode exercer na sua pr&aacute;tica futura, quando transitarem da sala de aulas para o local de  trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>As medidas de acolhimento no sistema de prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens portugu&ecirc;s</i></p>     <p>As crian&ccedil;as e jovens necessitam de compromisso e dedica&ccedil;&atilde;o individualizada de pelo menos um cuidador, para se poderem  desenvolver de modo adequado. Um ambiente que garanta a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas, de afeto e  estimula&ccedil;&atilde;o, que cuide, proteja e acarinhe (Palacios, 2015). O acolhimento familiar, a par da ado&ccedil;&atilde;o, &eacute; um  contexto capaz de fortalecer rela&ccedil;&otilde;es de proximidade e confian&ccedil;a, baseadas no afeto e na aten&ccedil;&atilde;o, mostrando que  &ldquo;n&atilde;o &eacute; triste ter v&aacute;rios relacionamentos afetivos, &eacute; triste n&atilde;o ter nenhum&rdquo; (Gers&atilde;o, 2014, p.  128).</p>     <p>A prioridade dada &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o  num contexto familiar, o baixo n&iacute;vel de desenvolvimento social alcan&ccedil;ado por crian&ccedil;as e jovens em institui&ccedil;&otilde;es,  a exist&ecirc;ncia de esc&acirc;ndalos envolvendo abuso de crian&ccedil;as e jovens em institui&ccedil;&otilde;es, e a teoria do <i>attachment</i>  (Bowlby, 1944, 1951; Rutter, 1991, 1995) t&ecirc;m sustentado um crescente compromisso com o cuidado familiar, considerando o acolhimento familiar  como o melhor tipo de coloca&ccedil;&atilde;o para as crian&ccedil;as e jovens que precisam de ser retirados das suas fam&iacute;lias. Esta  tend&ecirc;ncia evolutiva baseia-se numa abordagem centrada na crian&ccedil;a, que visa permitir a todas, incluindo as que s&atilde;o acolhidas, o  exerc&iacute;cio pleno e efetivo dos seus direitos, incluindo o de crescer num contexto familiar (Gilbert, Parton, &amp; Skivenes, 2011).</p>     <p>Perante a necessidade de retirada da crian&ccedil;a ou jovem da sua fam&iacute;lia de origem, o acolhimento familiar tornou-se, nas  &uacute;ltimas d&eacute;cadas, na maioria dos sistemas europeus na escolha preferencial (Del Valle &amp; Bravo, 2013; Eurochild, 2010). Isto  n&atilde;o significa, naturalmente, que para certas crian&ccedil;as ou jovens a melhor solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o possa ser a  coloca&ccedil;&atilde;o numa institui&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito do acolhimento residencial, especialmente para os mais velhos, os que foram  retirados com v&aacute;rios irm&atilde;os, ou os que t&ecirc;m necessidades especiais. No entanto, se a meta a alcan&ccedil;ar &eacute; promover a  vincula&ccedil;&atilde;o segura e proporcionar as condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento completo, a melhor resposta, geralmente, vem da  experi&ecirc;ncia de viver com uma fam&iacute;lia (Cairns, 2002; Schofield &amp; Beek, 2006). Portanto, o Sistema de Prote&ccedil;&atilde;o tem a  obriga&ccedil;&atilde;o de fazer tudo ao seu alcance para permitir que a crian&ccedil;a ou o jovem tenha essa possibilidade de  coloca&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As causas da resist&ecirc;ncia portuguesa &agrave; desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o re&uacute;nem diferentes origens e dimens&otilde;es.  Historicamente, competia &agrave; Igreja Cat&oacute;lica e, mais tarde, ao Estado, a responsabilidade de cuidar das pessoas mais desprotegidas. Ao  longo do s&eacute;culo XX, foram criadas grandes institui&ccedil;&otilde;es de acolhimento de crian&ccedil;as e jovens, muitas delas da Igreja  Cat&oacute;lica, de cariz assistencialista, com a miss&atilde;o de apoiar crian&ccedil;as e jovens desprotegidos ou com dist&uacute;rbios  comportamentais, substituindo assim as fam&iacute;lias e a comunidade (Martins, 2006).</p>     <p>Atualmente, a rede de centros de acolhimento residencial cobre todo o territ&oacute;rio nacional e fornece lugares mais do que suficientes para  a coloca&ccedil;&atilde;o de todas as crian&ccedil;as e jovens, o que dificulta a op&ccedil;&atilde;o pelo acolhimento familiar (Instituto da  Seguran&ccedil;a Social, 2017; Rodrigues, Barbosa-Ducharne, &amp; Del Valle, 2013, 2014). Esta realidade dificulta a mudan&ccedil;a, uma vez que  essas institui&ccedil;&otilde;es procuram preservar a sua continuidade, e h&aacute; resist&ecirc;ncia e obst&aacute;culos dos decisores  pol&iacute;ticos para promover as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias ao n&iacute;vel humano, f&iacute;sico e financeiro.</p>     <p>Todos esses fatores s&atilde;o combinados com uma pol&iacute;tica social categorial (Pereirinha, 2005), dirigida aos problemas ou riscos sociais  da inf&acirc;ncia e juventude em perigo, que claramente desconsiderou, na &uacute;ltima d&eacute;cada, o acolhimento familiar em  rela&ccedil;&atilde;o ao acolhimento residencial, adiando sucessivamente as campanhas de divulga&ccedil;&atilde;o, de recrutamento e de  sele&ccedil;&atilde;o de novos acolhedores, e a disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos indispens&aacute;veis para suportar os custos do  acolhimento familiar, bem como a implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica fiscal que favore&ccedil;a e reforce essa atividade,  comprometendo portanto o seu desenvolvimento. Esse adiamento tem sido associado a uma certa ambiguidade na defini&ccedil;&atilde;o do papel futuro  das entidades de enquadramento, i.e., organiza&ccedil;&otilde;es sociais sem fins lucrativos, face ao Estado, mais especificamente ao papel  desempenhado atualmente pelo Instituto da Seguran&ccedil;a Social (Delgado, 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A altera&ccedil;&atilde;o da Lei de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens em Perigo &ndash; Lei 142/2015, de 8 de setembro,  introduziu altera&ccedil;&otilde;es significativas no sistema de prote&ccedil;&atilde;o. Assim, o objetivo da interven&ccedil;&atilde;o, a escolha  entre as medidas de acolhimento, e o tempo de coloca&ccedil;&atilde;o s&atilde;o bons exemplos do favorecimento do acolhimento familiar, da  manuten&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o com os cuidadores das fam&iacute;lias de acolhimento e da sua perman&ecirc;ncia nesse contexto,  de forma independente ou em paralelo com a rela&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica.</p>     <p>No entanto, em 2016, o acolhimento residencial &eacute; o destino para 96,9% das crian&ccedil;as e jovens (Instituto da Seguran&ccedil;a Social,  2017). Face a esta realidade, o Committee on the Rights of the Child (2014), nas suas observa&ccedil;&otilde;es finais sobre os terceiro e quarto  relat&oacute;rios peri&oacute;dicos apresentados por Portugal, alertou para a necessidade de se desenvolver um processo de  desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o e o refor&ccedil;o do acolhimento familiar.</p>     <p>Ao n&iacute;vel do discurso, nos relat&oacute;rios anuais de caracteriza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das  crian&ccedil;as e dos jovens, elaborados pelo Instituto da Seguran&ccedil;a Social, foi-se assumindo que deveria ser dada mais  aten&ccedil;&atilde;o ao acolhimento familiar. Em 2011, por exemplo, o relat&oacute;rio salientou o n&uacute;mero residual de crian&ccedil;as em  acolhimento de 0 a 3 anos, em compara&ccedil;&atilde;o com as crian&ccedil;as da mesma faixa et&aacute;ria em acolhimento residencial, e expressou  preocupa&ccedil;&atilde;o com o impacto futuro destas decis&otilde;es para o seu desenvolvimento, uma vez que que a  institucionaliza&ccedil;&atilde;o pode levar a &ldquo;atrasos irrevers&iacute;veis no desenvolvimento cognitivo&rdquo; (Instituto da  Seguran&ccedil;a Social, 2011, p. 66). Assinalou ainda o desenvolvimento do acolhimento familiar em Espanha, associado &agrave;  diminui&ccedil;&atilde;o do acolhimento residencial.</p>     <p>No ano seguinte, o acolhimento familiar &eacute; definido no relat&oacute;rio como um espa&ccedil;o privilegiado para o desenvolvimento de uma  rela&ccedil;&atilde;o muito estreita entre a crian&ccedil;a ou o jovem e o cuidador, sem o qual pode ficar comprometido o estabelecimento de um  &ldquo;v&iacute;nculo seguro e uma rela&ccedil;&atilde;o afetiva de qualidade&rdquo; (Instituto da Seguran&ccedil;a Social, 2012, p. 83). Em 2013,  o acolhimento familiar &eacute; caraterizado como uma interven&ccedil;&atilde;o que se encontra numa fase muito incipiente, reconhecendo a  necessidade de se regular diferentes tipos de acolhimento, como o acolhimento de emerg&ecirc;ncia, de curto e longo prazo, e de se investir em  acolhedores que sejam devidamente selecionados, formados, monitorizados e avaliados (Instituto de Seguran&ccedil;a Social, 2013, p. 102).</p>     <p>Ao n&iacute;vel da investiga&ccedil;&atilde;o, estudos recentes mostraram os resultados positivos obtidos pelas crian&ccedil;as e jovens em  regime de acolhimento (Delgado et al., 2013) e os resultados reduzidos e limitados de crian&ccedil;as e jovens em cuidados residenciais (Martins et  al., 2013; Oliveira, Fearon, Belsky, Fachada, &amp; Soares, 2014).</p>     <p>Todas estas raz&otilde;es justificam este estudo, que visa compreender o processo de tomada de decis&atilde;o de 200 estudantes do ensino  superior em dom&iacute;nios relacionados com a prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, e 200 profissionais, respons&aacute;veis pela  supervis&atilde;o de casos e pelas recomenda&ccedil;&otilde;es para a interven&ccedil;&atilde;o no Sistema Portugu&ecirc;s de  Prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens. O objetivo principal &eacute; perceber se existem diferen&ccedil;as entre estudantes e  profissionais e analisar as suas representa&ccedil;&otilde;es e atitudes sobre a retirada das crian&ccedil;as em perigo, a  reunifica&ccedil;&atilde;o, a participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e da fam&iacute;lia biol&oacute;gica nos processos de decis&atilde;o, e  a avalia&ccedil;&atilde;o do acolhimento familiar e do acolhimento residencial. A identifica&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o das atitudes de  quem decide no presente, e de quem ainda estuda para melhor intervir agora e no futuro no sistema de prote&ccedil;&atilde;o, poder&aacute;  contribuir para a mudan&ccedil;a no que se refere &agrave; tend&ecirc;ncia na retirada e institucionaliza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as.  Isto &eacute;, espera-se que os resultados deste estudo possam contribuir para refletir sobre as pr&aacute;ticas dos profissionais e identificar as  potenciais atitudes dos futuros profissionais neste dom&iacute;nio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>O estudo tem um desenho transversal no &acirc;mbito de uma estrat&eacute;gia quantitativa. As amostras consistem em 200 profissionais, que  trabalham direta ou indiretamente com crian&ccedil;as em risco, sendo respons&aacute;veis pela supervis&atilde;o destes casos e pelas  recomenda&ccedil;&otilde;es para a interven&ccedil;&atilde;o em dom&iacute;nios relacionados com os processos de tomada de decis&atilde;o no  sistema de prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens, em mat&eacute;rias como o acolhimento familiar e o acolhimento residencial,  nomeadamente nas Comiss&otilde;es de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens, Institui&ccedil;&otilde;es de Enquadramento da medida de  acolhimento familiar e residencial, CERCI&rsquo;s, mais especificamente equipas de interven&ccedil;&atilde;o precoce e interven&ccedil;&atilde;o  escolar; e 200 estudantes em dom&iacute;nios relacionados com esta problem&aacute;tica, tais como os da Psicologia, da Educa&ccedil;&atilde;o  Social e do Servi&ccedil;o Social, entre outros. As amostras s&atilde;o mutuamente exclusivas, pois os dados recolhidos permitem determinar quem  exclusivamente s&oacute; trabalha nesta &aacute;rea, e quem estuda, mas j&aacute; tem experi&ecirc;ncia profissional. Os dados foram recolhidos em  2014 nas principais regi&otilde;es do pa&iacute;s (Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e Faro). No Porto e em Lisboa, procurou-se obter estes dados  pessoalmente, nos locais onde os participantes trabalhavam ou estudavam. Para isso, um dos investigadores deslocou-se a escolas e organismos, de  forma a poder aplicar o inqu&eacute;rito aos participantes que se voluntariaram para o efeito. Nas outras localidades utilizou-se a internet (email  e Google Docs) para os contactar nos seus locais de trabalho e nas escolas e para obter as respostas. Todos os participantes foram informados sobre  o objetivo do estudo, de forma oral e por escrito, tendo sido garantido o anonimato das respostas. Os procedimentos foram revistos e aprovados em  termos &eacute;ticos pelo InED (Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Inova&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Escola Superior de  Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto Polit&eacute;cnico do Porto). A an&aacute;lise dos dados foi realizada com recurso ao programa IBM-SPSS 20.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Amostra de estudantes</i></p>     <p>Os 200 estudantes frequentavam o ensino superior: 85 eram finalistas de uma licenciatura, e 115 estavam a frequentar um mestrado. Estes ciclos  de estudos estavam enquadrados em &aacute;reas cient&iacute;ficas relacionadas com a promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o de  crian&ccedil;as e jovens, podendo no futuro estes estudantes candidatar-se a posi&ccedil;&otilde;es no Sistema de Prote&ccedil;&atilde;o  portugu&ecirc;s. A maioria dos estudantes estava enquadrada em cursos nas &aacute;reas da Psicologia (30,5%), Educa&ccedil;&atilde;o Social (29%)  ou Servi&ccedil;o Social (16,5%). Com menor representa&ccedil;&atilde;o: Anima&ccedil;&atilde;o Socio-educativa (2%), Educa&ccedil;&atilde;o e  Interven&ccedil;&atilde;o Social (5%), Educa&ccedil;&atilde;o Especial (8,5%), Estudos da Crian&ccedil;a (4%), Interven&ccedil;&atilde;o,  Educa&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Psicol&oacute;gico (1%), e Interven&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica (3,5%).</p>     <p>A maioria dos respondentes &eacute; do sexo feminino (91,5%). A amostra tem alguma dispers&atilde;o em termos de idade, tendo seis estudantes  menos de 20 anos, 131 entre 20 e 29 anos, 36 entre 30 e 39 anos, e 27 tinham 40 ou mais anos.</p>     <p>Cerca de 67,5% dos estudantes eram solteiros e apenas 24% tinham filhos. Trabalhavam na &aacute;rea social 38 estudantes, sendo 18 educadores  sociais, 14 assistentes sociais e seis psic&oacute;logos. Destes, 12 relataram ter experi&ecirc;ncia com crian&ccedil;as e jovens em risco, e cinco  estavam a trabalhar para o Instituto de Seguran&ccedil;a Social, I.P., na &aacute;rea da inf&acirc;ncia e juventude. O n&uacute;mero de anos de  experi&ecirc;ncia profissional destes estudantes variava entre um e 20 anos (<i>M</i>=7,22; <i>DP</i>=6,06). Ao n&iacute;vel das  convic&ccedil;&otilde;es religiosas, a maioria (77,5%) era cat&oacute;lica, embora 67,7% destes assumissem ser n&atilde;o-praticantes. Uma minoria  (17,5%) identificava-se como ateia ou n&atilde;o-religiosa, e 5% eram seguidores de outras religi&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Amostra dos profissionais</i></p>     <p>Analisando as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas da amostra dos profissionais, verifica-se que quase todos os respondentes  s&atilde;o mulheres (92%). Ao n&iacute;vel das idades, 15 tinham entre 20 e24 anos, 34 entre 25 e29 anos, 47 entre 30 e 34 anos, 26 entre 35 e 39  anos, 33 entre 40 e 45 anos, e 45 tinham mais de 45 anos. A maioria dos inquiridos era casado (64%), e 55% tinham filhos. Uma larga maioria (75,5%)  era cat&oacute;lica, mas 70,2% n&atilde;o praticavam rituais religiosos. As suas profiss&otilde;es estavam distribu&iacute;das do seguinte modo:  23% eram Assistentes Sociais, 20% Psic&oacute;logos, 12,5% Educadores Sociais, 1% M&eacute;dicos, e 43,5% dos profissionais estavam enquadrados  noutras categorias onde se inclu&iacute;am Ju&iacute;zes, Advogados, Representantes de Autoridades Locais, Representantes das  Associa&ccedil;&otilde;es de Cuidados da Crian&ccedil;a, e profissionais das Comiss&otilde;es de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e  Jovens. A amostra tinha 198 profissionais com habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias de n&iacute;vel superior (158 licenciados e 40 mestres  ou doutorados). Os restantes dois profissionais tinham o ensino secund&aacute;rio completo. A sua experi&ecirc;ncia profissional, em anos, variava  entre seis meses e 40 anos (<i>n</i>=177; <i>M</i>=13,54; <i>DP</i>=9,23), tendo trabalhado direta ou indiretamente com crian&ccedil;as em risco  entre tr&ecirc;s meses e 36 anos (<i>n</i>=164; <i>M</i>=6,93; <i>DP</i>=5,92). O n&uacute;mero m&eacute;dio de anos que estes profissionais tinham  trabalhado no sistema nacional de prote&ccedil;&atilde;o era de 6,49 (<i>n</i>=79; <i>DP</i>=5,15), tendo contactado em m&eacute;dia com 218 casos  (<i>n</i>=62; <i>DP</i>=407,5).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Medidas</i></p>     <p>Foi aplicado aos participantes o &lsquo;<i>Child Welfare Attitudes Questionnaire</i>&rsquo;, utilizado previamente noutros estudos ao  n&iacute;vel internacional (e.g., Davidson-Arad &amp; Benbenishty, 2008, 2010). Este question&aacute;rio consiste em 50 afirma&ccedil;&otilde;es  enquadradas em seis subescalas. Em cada uma delas est&atilde;o inclu&iacute;das atitudes positivas e negativas. Os respondentes indicam o seu grau  de acordo ou desacordo com essas afirma&ccedil;&otilde;es numa escala de Likert: de 1=N&atilde;o concorda fortemente, at&eacute; &lsquo;5=concorda  fortemente&rsquo;. As subescalas deste question&aacute;rio s&atilde;o: &lsquo;contra a retirada de casa da crian&ccedil;a em risco&rsquo; (&alpha;  Cronbach: profissionais=0,734; estudantes=0,795; 11 itens); &lsquo;a favor da reunifica&ccedil;&atilde;o&rsquo; (&alpha;=0,675; 0,774; 7 itens);  &lsquo;a favor da participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a nas decis&otilde;es&rsquo; (&alpha;=0,779; 0,729; 9 itens); &lsquo;a favor da  participa&ccedil;&atilde;o dos pais biol&oacute;gicos nas decis&otilde;es&rsquo; (&alpha;=0,762; 0,699; 9 itens); &lsquo;acreditar que o  acolhimento familiar promove o desenvolvimento e bem-estar das crian&ccedil;as&rsquo; (&alpha;=0,700; 0,621; 8 itens); e &lsquo;acreditar que o  acolhimento residencial promove o desenvolvimento e o bem-estar das crian&ccedil;as&rsquo; (&alpha;=0,679; 0,664; 6 itens). Os alfas de Cronbach,  que medem a consist&ecirc;ncia interna das subescalas, s&atilde;o considerados aceit&aacute;veis para um estudo explorat&oacute;rio (Robinson,  Shaver, &amp; Wrightsmann, 1991).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Profissionais e estudantes atribuem uma semelhante ordem de import&acirc;ncia &agrave;s seis atitudes, sendo a mais importante a  participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as nas decis&otilde;es que dizem respeito ao seu plano individual de cuidados (profissionais  <i>M</i>=3,75, estudantes <i>M</i>=3,65), seguida da participa&ccedil;&atilde;o dos pais nas decis&otilde;es (profissionais <i>M</i>=3,10,  estudantes <i>M</i>=2,96), reunifica&ccedil;&atilde;o (profissionais <i>M</i>=2,95, estudantes <i>M</i>=2,83), manter a crian&ccedil;a em casa  (profissionais <i>M</i>=2,65, estudantes <i>M</i>=2,50) ou o acolhimento familiar n&atilde;o promove o desenvolvimento e bem-estar da  crian&ccedil;a (profissionais <i>M</i>=2,59, estudantes <i>M</i>=2,57), dependendo do grupo profissional ou estudante), e por fim o acolhimento  residencial n&atilde;o promove o desenvolvimento e bem-estar da crian&ccedil;a (profissionais <i>M</i>=2,53, estudantes <i>M</i>=2,48)  (<a href="#t1">Tabela 1</a>). Os profissionais atribuem mais import&acirc;ncia a todas as atitudes em compara&ccedil;&atilde;o com os estudantes,  sendo as diferen&ccedil;as estatisticamente significativas ao n&iacute;vel das atitudes: favor&aacute;vel &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos  pais nas decis&otilde;es (<i>t</i>=2,655; <i>p</i>&lt;0,01), favor&aacute;vel &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o (<i>t</i>=2,22; <i>p</i>&lt;0,05)  e favor&aacute;vel a manter a crian&ccedil;a em casa (<i>t</i>=4,052; <i>p</i>&lt;0,01).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a07t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De modo a identificar tipos diferentes de profissionais e de estudantes com base nas suas atitudes, foi realizada uma an&aacute;lise de clusters  por <i>k</i>-m&eacute;dias (Tabelas <a href="#t2">2</a> e <a href="#t3">3</a>) com as pontua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias obtidas em cada  subescala do Child Welfare Attitudes Questionnaire. Em ambos os casos, escolhemos uma solu&ccedil;&atilde;o com dois clusters como a abordagem mais  parcimoniosa e eficaz, apresentando nos profissionais uma grandeza do efeito de <i>&eta;<sup>2</i></sup>=0,66, e nos estudantes  <i>&eta;<sup>2</i></sup>=0.63. Os clusters foram denominados como &lsquo;anti-retirada&rsquo; e &lsquo;pro-retirada&rsquo; por apresentarem essa  tend&ecirc;ncia de uma forma mais marcada, respetivamente. Existem diferen&ccedil;as estatisticamente significativas em ambas amostras e entre as  seis atitudes com exce&ccedil;&atilde;o da amostra dos estudantes ao n&iacute;vel da atitude favor&aacute;vel &agrave; participa&ccedil;&atilde;o  da crian&ccedil;a nas decis&otilde;es (ver Tabelas <a href="#t2">2</a> e <a href="#t3">3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a07t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a07t3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia multivariada (MANOVA) foi realizada para comparar os dois grupos de profissionais, mostrando uma  diferen&ccedil;a estatisticamente significativa nas v&aacute;rias medidas (<i>F</i>=63,26; <i>p</i>&lt;0,001), indicando que, de facto, s&atilde;o  dois grupos distintos. A mesma an&aacute;lise foi realizada em rela&ccedil;&atilde;o aos estudantes, mostrando os mesmos resultados  (<i>F</i>=64,57; <i>p&lt;</i>0,001).</p>     <p>Evidencia-se nas Tabelas <a href="#t2">2</a> e <a href="#t3">3</a>, que 136 profissionais e 122 estudantes apresentam atitudes anti-retirada,  sendo mais favor&aacute;veis &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a nas decis&otilde;es (profissionais &ndash; anti-retirada  <i>M</i>=3,82, pro-retirada <i>M</i>=3,48; estudantes &ndash; anti-retirada <i>M</i>=3,69, pro-retirada <i>M</i>=3,58); &agrave;  participa&ccedil;&atilde;o dos pais nas decis&otilde;es (profissionais &ndash; anti-retirada <i>M</i>=3,29, pro-retirada <i>M</i>=2,68; estudantes  &ndash; anti-retirada <i>M</i>=3,18, pro-retirada <i>M</i>=2,62); &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o (profissionais &ndash; anti-retirada  <i>M</i>=3,16, pro-retirada <i>M</i>=2,52; estudantes &ndash; anti-retirada <i>M</i>=3,20, pro-retirada <i>M</i>=2,26); a manter a crian&ccedil;a  em casa (profissionais &ndash; anti-retirada <i>M</i>=2,86, pro-retirada <i>M</i>=2,21; estudantes &ndash; anti-retirada <i>M</i>=2,78,  pro-retirada <i>M</i>=2,07); e com uma opini&atilde;o mais negativa sobre a promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar e desenvolvimento da crian&ccedil;a  ao n&iacute;vel do acolhimento familiar (profissionais &ndash; anti-retirada <i>M</i>=2,64, pro-retirada <i>M</i>=2,46; estudantes &ndash;  anti-retirada M=2,69, pro-retirada <i>M</i>=2,38) e do acolhimento residencial (profissionais &ndash; anti-retirada <i>M</i>=2,66, pro-retirada  <i>M</i>=2,27; estudantes &ndash; anti-retirada <i>M</i>=2,61, pro-retirada <i>M</i>=2,28).</p>      <p>Como se pode ver (Tabelas <a href="#t2"> 2</a> e <a href="#t3">3</a>), os profissionais e os estudantes &lsquo;anti-retirada&rsquo; s&atilde;o  caracterizados por serem mais relutantes &agrave; retirada imediata de crian&ccedil;as das suas fam&iacute;lias, mesmo em condi&ccedil;&otilde;es  de neglig&ecirc;ncia ou abuso. Contudo, ambos os grupos t&ecirc;m uma m&eacute;dia de pontua&ccedil;&atilde;o inferior a &lsquo;3&rsquo;,  demonstrando que n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o radicais com os grupos &lsquo;pro-retirada&rsquo;, mas, mesmo assim, s&oacute; s&atilde;o menos  pro-retirada. Como esperado, os grupos &lsquo;pro-retirada&rsquo; concordam mais que os acolhimentos familiar e residencial promovem o  desenvolvimento e o bem-estar da crian&ccedil;a. Por outro lado, os grupos &lsquo;anti-retirada&rsquo; s&atilde;o mais favor&aacute;veis &agrave;  reunifica&ccedil;&atilde;o e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e dos pais nas decis&otilde;es, embora a diferen&ccedil;a no  grupo de estudantes, ao n&iacute;vel da participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, n&atilde;o tenha significado estat&iacute;stico.</p>     <p>Nota-se, tamb&eacute;m, que a maioria dos profissionais (68%) e dos estudantes (61%) encontram-se no grupo &lsquo;anti-retirada&rsquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Examinando as rela&ccedil;&otilde;es entre os clusters e as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas dos profissionais, verifica-se que  n&atilde;o existem diferen&ccedil;as estatisticamente significativas em nenhuma das vari&aacute;veis em an&aacute;lise: sexo  (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(1)</sub>=1,403; <i>p</i>=0,236), classe et&aacute;ria (K-S-2=1,104; <i>p</i>=0,175), religi&atilde;o  (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(3)</sub>=4,591; <i>p</i>=0,204), estado civil (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(2)</sub>=1,043; <i>p</i>=0,594), ter  filhos (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(1)</sub>=0,004; <i>p</i>=0,951), habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias (K-S-2=0,206; <i>p</i>=1), e  profiss&atilde;o (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(4)</sub>=7,219; <i>p</i>=0,125). O mesmo resultado acontece no grupo dos estudantes: sexo  (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(1)</sub>=0,07; <i>p</i>=0,743), classe et&aacute;ria (K-S-2=0,952; <i>p</i>=0,324), religi&atilde;o  (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(3)</sub>=6,065; <i>p</i>=0,108), estado civil (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(2)</sub>=1,918; <i>p</i>=0,383), ter  filhos (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(1)</sub>=2,567; <i>p</i>=0,109), habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias  (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(2)</sub>=4,107; <i>p</i>=0,128), e profiss&atilde;o (<i>&chi;<sup>2</i></sup><sub>(4)</sub>=6,856;  <i>p</i>=0,077).</p>     <p>Como se pode verificar na <a href="#t4">Tabela 4</a>, no grupo &lsquo;anti-retirada&rsquo;, os profissionais atribuem mais import&acirc;ncia do  que os estudantes &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as (profissionais <i>M</i>=3,82, estudantes <i>M</i>=3,69) e dos pais  (profissionais <i>M</i>=3.29, estudantes <i>M</i>=3,18) na tomada de decis&atilde;o, sendo estas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas  (<i>t</i>=2,402; <i>p</i>&lt;0,05). Ainda neste grupo, em compara&ccedil;&atilde;o, os profissionais s&atilde;o mais favor&aacute;veis ao manter a  crian&ccedil;a em casa (profissionais <i>M</i>=2,86, estudantes <i>M</i>=2,78) e ao acolhimento familiar (profissionais <i>M</i>=2,64, estudantes  <i>M</i>=2,69), e os estudantes s&atilde;o mais favor&aacute;veis &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o (profissionais <i>M</i>=3,16, estudantes  <i>M</i>=3,20) e ao acolhimento residencial (profissionais <i>M</i>=2,66, estudantes <i>M</i>=2,61), por&eacute;m estas diferen&ccedil;as  n&atilde;o s&atilde;o estatisticamente significativas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n3/36n3a07t4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Enquanto que, no grupo &lsquo;pro-retirada&rsquo;, os estudantes apresentam atitudes mais negativas do que os profissionais, as quais s&atilde;o  estatisticamente significativas, no que diz respeito &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a em casa (profissionais <i>M</i>=2,21,  estudantes <i>M</i>=2,07; <i>t</i>=2,275; <i>p</i>&lt;0,05) e &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o (profissionais <i>M</i>=2,52, estudantes  <i>M</i>=2,26; <i>t</i>=3,55; <i>p</i>&lt;0,01). Comparativamente, os profissionais s&atilde;o mais favor&aacute;veis &agrave;  participa&ccedil;&atilde;o dos pais (profissionais <i>M</i>=2,68, estudantes <i>M</i>=2,62) e ao acolhimento residencial (profissionais  <i>M</i>=2,26, estudantes <i>M</i>=2,28), e os estudantes mais favor&aacute;veis &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a  (profissionais <i>M</i>=3,48, estudantes <i>M</i>=3,58) e ao acolhimento familiar (profissionais <i>M</i>=2,46, estudantes <i>M</i>=2,38),  por&eacute;m estas diferen&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o estatisticamente significativas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as &eacute; a atitude que os profissionais e estudantes mais apoiam, n&atilde;o existindo  diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre as amostras, o que est&aacute; de acordo com os principais documentos legislativos  internacionais, nomeadamente a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a (United Nations, 1989), no artigo 12.&ordm;, e a Carta  dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia (Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia, 2007), no seu artigo 24.&ordm;. Ambos os artigos  consagram a participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e dos jovens nos processos que lhes dizem respeito, de acordo com a sua idade e  maturidade. Este princ&iacute;pio foi tamb&eacute;m transposto para a Lei Portuguesa de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens em  Perigo, nomeadamente na al&iacute;nea j) do artigo 4.&ordm;, que identifica os princ&iacute;pios orientadores da interven&ccedil;&atilde;o, e no  artigo 10.&ordm;, que se refere &agrave; n&atilde;o oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a ou do jovem com  idade igual ou superior a 12 anos, de acordo com a sua capacidade para compreender o sentido da interven&ccedil;&atilde;o. Os profissionais  s&atilde;o menos favor&aacute;veis &agrave; retirada da crian&ccedil;a e defendem mais a reunifica&ccedil;&atilde;o do que os estudantes. Isso pode  explicar por que os profissionais tamb&eacute;m apoiam mais a participa&ccedil;&atilde;o dos pais na tomada de decis&otilde;es do que os  estudantes, uma vez que o seu envolvimento positivo pode ser um contributo decisivo para a manuten&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a na  fam&iacute;lia e para viabilizar o seu regresso a casa, ap&oacute;s a retirada. De facto, a participa&ccedil;&atilde;o dos pais &eacute; importante  para todos os atores envolvidos e, em particular, para a crian&ccedil;a, durante o processo de retirada, a fase da estadia no acolhimento e a  reunifica&ccedil;&atilde;o, a menos que tal participa&ccedil;&atilde;o seja prejudicial &agrave; integridade f&iacute;sica ou mental da  crian&ccedil;a.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as significativas entre os participantes no que diz respeito &agrave; opini&atilde;o sobre o papel do  acolhimento familiar e do acolhimento residencial. Do ponto de vista dos profissionais e dos alunos, ambos contribuem para o desenvolvimento e  bem-estar da crian&ccedil;a ou do jovem. Essa indiferente aprecia&ccedil;&atilde;o dos dois tipos de cuidados afasta-se da tend&ecirc;ncia  evolutiva do sistema de prote&ccedil;&atilde;o do modelo industrial ou p&oacute;s-industrial referida anteriormente, o que contribui para explicar  a alta percentagem de crian&ccedil;as e jovens em acolhimento residencial em Portugal. Por isso, as atitudes dos participantes em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s duas modalidades de acolhimento, em especial a dos profissionais, diretamente envolvidos no processo de tomada de  decis&atilde;o, contribuem para o <i>status quo</i> no sistema de prote&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s caracterizado por um recurso excessivo e  indiscriminado ao acolhimento residencial, particularmente para beb&eacute;s e crian&ccedil;as pequenas. &Eacute; de registar que, em 2016, das  1072 crian&ccedil;as acolhidas que eram menores de 5 anos de idade, e que representavam 13,1% do total, apenas 18 crian&ccedil;as viviam com  fam&iacute;lias de acolhimento (Instituto de Seguran&ccedil;a Social, 2016). Importa implementar no curr&iacute;culo dos estudantes e nas  orienta&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica a import&acirc;ncia do acolhimento familiar em detrimento do acolhimento residencial, bem como  contextualizar a implica&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o da coloca&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do desenvolvimento das crian&ccedil;as e  jovens.</p>     <p>A an&aacute;lise de clusters confirmou a exist&ecirc;ncia de dois grupos: um mais &lsquo;pro-retirada&rsquo; e outro mais  &lsquo;anti-retirada&rsquo;. Estes resultados tamb&eacute;m seguem o que a literatura tem apontado (Davidson-Arad &amp; Benbenishty, 2008).  Note-se, todavia, que o grupo &lsquo;anti-retirada&rsquo; s&oacute; se diferencia do &lsquo;pro-retirada&rsquo; no grau com que avaliam a  situa&ccedil;&atilde;o, sendo t&atilde;o s&oacute; menos discordantes que os elementos do outro grupo. A maioria dos estudantes e dos profissionais  pertence ao grupo &lsquo;anti-retirada&rsquo;, contrariamente ao que o estudo de Davidson-Arad e Benbenishty (2008) apurou, onde a maioria dos  profissionais pertencem ao grupo &lsquo;pro-retirada&rsquo;. Entende-se que estes resultados ilustram a realidade do sistema de  prote&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s onde a retirada da crian&ccedil;a e jovem &eacute; evitada e investe-se na preserva&ccedil;&atilde;o da  fam&iacute;lia, portanto em concord&acirc;ncia com as orienta&ccedil;&otilde;es da Lei Portuguesa de Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e  Jovens em Perigo e com a orienta&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima.</p>     <p>Ao n&iacute;vel dos grupos &lsquo;anti-retirada&rsquo; e &lsquo;pro-retirada&rsquo; em cada uma das amostras n&atilde;o se verificaram  diferen&ccedil;as ao n&iacute;vel das caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas, tal como acorreu no estudo de Davidson-Arad e Benbenishty  (2008) ao n&iacute;vel dos profissionais. Ou seja, os clusters emergem independentemente das vari&aacute;veis em an&aacute;lise.</p>     <p>Por fim, importa sublinhar que os estudantes no grupo &lsquo;pro-retirada&rsquo; se destacam por serem mais favor&aacute;veis &agrave; retirada  e s&atilde;o menos favor&aacute;veis &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o. Estes resultados podem estar associados ao facto de a maioria dos  estudantes n&atilde;o terem experi&ecirc;ncia na pr&aacute;tica, sendo por isso mais adversos ao risco e &agrave; necessidade de proteger a  crian&ccedil;a, e por os profissionais considerarem sempre que a retirada deve ser evitada ou, caso tal ocorra, que deve ser tempor&aacute;ria,  estando estes resultados em concord&acirc;ncia com a Lei de prote&ccedil;&atilde;o em vigor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Os dados recolhidos comprovam que a participa&ccedil;&atilde;o no processo de tomada de decis&atilde;o, especialmente a das crian&ccedil;as,  &eacute; um princ&iacute;pio assumido pelos respondentes, nas suas representa&ccedil;&otilde;es e valores. Esta atitude repercute-se de modo  positivo na pr&aacute;tica que os profissionais realizam no presente e, tendencialmente, na que ser&aacute; desenvolvida pelos alunos no futuro.  Sublinhe-se que este resultado est&aacute; em concord&acirc;ncia com estudos anteriormente realizados, tal como o estudo desenvolvido por  Davidson-Arad e Benbenishty (2016), em que os profissionais e os estudantes apresentaram maior concord&acirc;ncia com a participa&ccedil;&atilde;o  das crian&ccedil;as no processo de decis&atilde;o.</p>     <p>Por outro lado, os estudantes manifestaram uma atitude de menor abertura do que os profissionais em rela&ccedil;&atilde;o ao envolvimento dos  pais nas decis&otilde;es referentes ao acolhimento. Pode-se concluir que ser&aacute; &uacute;til incluir o tema da participa&ccedil;&atilde;o  dos pais na componente letiva dos estudantes e na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais, e sublinhar a necessidade de se envolver os pais no  processo de tomada de decis&atilde;o sobre o seu futuro e o futuro de seus filhos. A fam&iacute;lia biol&oacute;gica deve ter lugar no processo de  prote&ccedil;&atilde;o, a sua opini&atilde;o deve ser valorizada e escutada na constru&ccedil;&atilde;o da proposta de mudan&ccedil;a de vida, com  vista &agrave; efetiva recupera&ccedil;&atilde;o das suas compet&ecirc;ncias e responsabilidades parentais, a fim de garantir o necess&aacute;rio e  as condi&ccedil;&otilde;es adequadas para a (re)unifica&ccedil;&atilde;o (Neil, Cossar, Lorgelly, &amp; Young, 2010). Assim, parece  aconselh&aacute;vel refor&ccedil;ar ou incluir nos curr&iacute;culos dos cursos da &aacute;rea do servi&ccedil;o e da educa&ccedil;&atilde;o social  temas relacionados com o sistema de prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens, nomeadamente a preven&ccedil;&atilde;o, tomada de  decis&atilde;o e tipos de acolhimento. Sempre que poss&iacute;vel, devem estudar casos concretos no contexto da sala de aula ou em m&oacute;dulos  pr&aacute;ticos.</p>     <p>No que se refere &agrave;s duas medidas de acolhimento, familiar e residencial, ao seu papel e impacto no desenvolvimento, profissionais e  estudantes consideram que ambas as respostas sociais contribuem para o bem-estar da crian&ccedil;a ou do jovem, avaliando indiferentemente os dois  tipos de cuidados. Note-se, por outro lado, que, na pr&aacute;tica, os dados estat&iacute;sticos t&ecirc;m vindo a revelar o aumento  proporcionalmente constante da institucionaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Esta tend&ecirc;ncia institucionalizadora, que caracteriza o nosso sistema de prote&ccedil;&atilde;o, dever&aacute; ser contrariada  atrav&eacute;s da divulga&ccedil;&atilde;o do verdadeiro significado do acolhimento familiar, de forma ampla e com cobertura medi&aacute;tica. Este  processo pode incluir a divulga&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas especiais deste tipo de coloca&ccedil;&atilde;o, mais especificamente a  import&acirc;ncia do <i>attachment</i> e o e a influ&ecirc;ncia de um ambiente familiar, est&aacute;vel, acolhedor e exclusivo, na  promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento emocional, afetivo e identit&aacute;rio de cada crian&ccedil;a.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O processo de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o em Portugal colide, desde logo, com interesses institu&iacute;dos, e com o receio dos  profissionais que desenvolvem a sua atividade no acolhimento residencial, que sentem os seus empregos em risco. Implica, deste modo, uma  lideran&ccedil;a institucional efetiva, o desenvolvimento de campanhas especializadas para assegurar o recrutamento de novas fam&iacute;lias de  acolhimento, o desenvolvimento do processo de sele&ccedil;&atilde;o e o acompanhamento e suporte da sua atividade por profissionais com os recursos  necess&aacute;rios para cumprir adequadamente o seu trabalho, parte dos quais poder&atilde;o transitar do sistema de acolhimento residencial.  H&aacute; que somar &agrave; altera&ccedil;&atilde;o da lei, a regulamenta&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel, de modo a assegurar uma  mudan&ccedil;a gradual, que seja sustentada, e em concord&acirc;ncia com o quadro legal e a pesquisa cient&iacute;fica. A compara&ccedil;&atilde;o  da realidade portuguesa com outros modelos legais e sistemas de prote&ccedil;&atilde;o e o acesso ao <i>know-how</i> sobre o que &eacute; feito e  como &eacute; feito, de que s&atilde;o exemplos, os estudos internacionais sobre a tomada de decis&atilde;o, de Davidson-Arad e Benbenishty (2008,  2010, 2016), onde esta pesquisa se filia, podem contribuir para o desenvolvimento do sistema de prote&ccedil;&atilde;o infantil e para o  desenvolvimento das abordagens dos profissionais.</p>     <p>Todas essas mudan&ccedil;as dependem, &agrave; partida, dos decisores pol&iacute;ticos. A implementa&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;tica  &eacute; da responsabilidade do Estado, que deve promover de imediato a passagem de uma dimens&atilde;o discursiva para a efetiva  materializa&ccedil;&atilde;o do acolhimento familiar, pelos profissionais competentes, que trabalham na &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o de  crian&ccedil;as e jovens em perigo.</p>     <p>Os profissionais, no presente, e os alunos, no futuro pr&oacute;ximo, t&ecirc;m nestes processos um papel fundamental, uma vez que lhes compete  concretizar as decis&otilde;es pol&iacute;ticas, podendo usar o seu poder formal e informal, e influenciar o modo como s&atilde;o implementadas as  decis&otilde;es. De fato, o seu envolvimento e as suas opini&otilde;es sobre os tipos de coloca&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&otilde;es das  fam&iacute;lias, institui&ccedil;&otilde;es e cuidados familiares, podem promover ou condicionar o processo de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o  e o aperfei&ccedil;oamento do sistema de prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bowlby, J. (1944). Forty-four juvenile thieves: Their characters and home life. <i>International Journal of Psycho-Analysis, 25</i>, 19-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041360&pid=S0870-8231201800030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bowlby, J. (1951). <i>Maternal care and mental health</i>. New York: Schocken.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041362&pid=S0870-8231201800030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cairns, K. (2002). <i>Attachment, trauma and resilience: Therapeutic caring for children</i>. London: BAAF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041364&pid=S0870-8231201800030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Committee on the Rights of the Child. (2014). <i>Third and fourth periodic reports of Portugal</i>. New York: Of&#64257;ce of the United Nations  High Commissioner for Human Rights (OHCHR).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041366&pid=S0870-8231201800030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Davidson-Arad, B., &amp; Benbenishty, R. (2008). The role of workers&rsquo; attitudes and parent and child wishes in child protection  workers&rsquo; assessments and recommendation regarding removal and reunification. <i>Children and Youth Services Review, 30</i>, 107-121.</p>     <p>Davidson-Arad, B., &amp; Benbenishty, R. (2010). Contribution of child protection workers&rsquo; attitudes to their risk assessments and  intervention recommendations: A study in Israel. <i>Health and Social Care in the Community, 18</i>, 1-9.</p>     <!-- ref --><p>Davidson-Arad, B., &amp; Benbenishty, R. (2016). Child welfare attitudes, risk assessments and intervention recommendations: The role of  professional expertise. <i>The British Journal of Social Work, 46</i>, 186-203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041370&pid=S0870-8231201800030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Del Valle, J., &amp; Bravo, A. (2013). Current trends, figures and challenges in out of home child are: An international comparative analysis.  <i>Psychosocial Intervention, 22</i>, 251-257. <a href="http://dx.doi.org/10.5093/in2013a28"  target="_blank">http://dx.doi.org/10.5093/in2013a28</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041372&pid=S0870-8231201800030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Delgado, P. (2015). Em busca do tempo perdido: O acolhimento familiar em Portugal. In O. Fernandes & C. Maia (Coords.), <i>A fam&iacute;lia  portuguesa no s&eacute;culo XXI</i> (pp. 101-110). Lisboa: Parsifal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041373&pid=S0870-8231201800030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Delgado, P. (Coord.), Bert&atilde;o, A., Tim&oacute;teo, I., Carvalho, J., Sampaio, R., Sousa, A., . . . Vieira, I. (2013). <i>Acolhimento  familiar de crian&ccedil;as. Evid&ecirc;ncias do presente, desafios para o futuro</i>. Porto: Livpsic.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041375&pid=S0870-8231201800030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Eurochild. (2010). <i>Children in alternative care &ndash; National surveys</i>. Bruxelas: Eurochild.</p>     <!-- ref --><p>Gers&atilde;o, E. (2014). <i>A crian&ccedil;a, a fam&iacute;lia e o direito</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041378&pid=S0870-8231201800030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gilbert, N., Parton, N., &amp; Skivenes, M. (2011). <i>Child protection systems</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041380&pid=S0870-8231201800030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Instituto da Seguran&ccedil;a Social, I.P. (2011). <i>CASA &ndash; Relat&oacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o anual da  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das crian&ccedil;as e jovens</i>. Lisboa: Instituto da Seguran&ccedil;a Social.</p>     <p>Instituto da Seguran&ccedil;a Social, I.P. (2012). <i>CASA &ndash; Relat&oacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o anual da  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das crian&ccedil;as e jovens</i>. Lisboa: Instituto da Seguran&ccedil;a Social.</p>     <p>Instituto da Seguran&ccedil;a Social, I.P. (2013). <i>CASA &ndash; Relat&oacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o anual da  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das crian&ccedil;as e jovens</i>. Lisboa: Instituto da Seguran&ccedil;a Social.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Instituto da Seguran&ccedil;a Social, I.P. (2016). <i>CASA &ndash; Relat&oacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o anual da  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das crian&ccedil;as e jovens</i>. Lisboa: Instituto da Seguran&ccedil;a Social.</p>     <p>Instituto da Seguran&ccedil;a Social, I.P. (2017). <i>CASA &ndash; Relat&oacute;rio de caracteriza&ccedil;&atilde;o anual da  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento das crian&ccedil;as e jovens</i>. Lisboa: Instituto da Seguran&ccedil;a Social.</p>     <!-- ref --><p>Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia. (2007). <i>Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia</i> (2007/C303/01 de 14 de Dezembro  de 2007). Luxemburgo: Servi&ccedil;o das Publica&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041387&pid=S0870-8231201800030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Martins, P. (2006). A qualidade dos servi&ccedil;os de protec&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as e jovens &ndash; As respostas  institucionais. <i>Revista Inf&acirc;ncia e Juventude, 3</i>, 103-114.</p>     <!-- ref --><p>Martins, C., Belsky, J., Marques, S., Baptista, J., Silva, J., Mesquita, A., . . . Soares, I. (2013). Diverse physical growth trajectories in  institutionalized Portuguese children below Age 3: Relation to child, family, and institutional factors. <i>Journal of Pediatric Psychology</i>,  1-11. doi: 10.1093/jpepsy/jss129&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041390&pid=S0870-8231201800030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Neil, E., Cossar, J., Lorgelly, P., &amp; Young, J. (2010). <i>Helping birth families. Services, costs and outcomes.</i> London: BAAF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041391&pid=S0870-8231201800030000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, P., Fearon, R., Belsky, J., Fachada, I., &amp; Soares, I. (2014). Quality of institutional care and early childhood development.  <i>International Journal of Behavioral Development</i>, 1-10. doi: 10.1177/0165025414552302&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041393&pid=S0870-8231201800030000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pereirinha, J. (2005). <i>Pol&iacute;tica social. Fundamentos da actua&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</i> Lisboa:  Universidade Aberta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041394&pid=S0870-8231201800030000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Palacios, J. (2015). Cada crian&ccedil;a, uma fam&iacute;lia &ndash; Almas infantis em movimento. In P. Delgado (Coord.), <i>Acolhimento  familiar de crian&ccedil;as. Pelo direito de crescer numa fam&iacute;lia</i> (pp. 19-21). Lousado: Mundos de Vida.</p>     <!-- ref --><p>Robinson, J. P., Shaver, P. R., &amp; Wrightsmann, L. S. (1991). Criteria for scale selection and evaluation. In J. P. Robinson, P. R. Shaver,  &amp; L. S. Wrightsmann (Eds.), <i>Measures of personality and social psychology attitudes</i> (pp. 1-16). San Diego, CA: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041397&pid=S0870-8231201800030000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rodrigues, S., Barbosa-Ducharne, M., &amp; Del Valle, J. (2013). The quality of residential child care in Portugal and the example of its  development in Spain. <i>Papeles del Psic&oacute;logo, 34</i>, 11-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041399&pid=S0870-8231201800030000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Rodrigues, S., Barbosa-Ducharne, M., &amp; Del Valle, J. (2014). Differences and similarities in children&rsquo;s and caregiver&rsquo;s  perspectives on the quality of residential care in Portugal. <i>International Journal of Child and Family Welfare, 15</i>, 24-37.</p>     <p>Rutter, M. (1991). A fresh look at &ldquo;maternal deprivation&rdquo;. In P. Bateson (Ed.), <i>The development and integration of behaviour:  Essays in honor of Robert Hinde</i> (pp. 331-374). New York: Cambridge University Press.</p>     <!-- ref --><p>Rutter, M. (1995). Clinical implications of attachment concepts: Retrospect and prospect. <i>Journal of Child Psychology and Psychiatry, 36</i>,  549-571. doi: 10.1111/j.1469-7610.1995.tb02314.x&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041403&pid=S0870-8231201800030000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Schofield, G., &amp; Beek, M. (2006). <i>Attachment handbook for foster care and adoption</i>. London: BAAF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041404&pid=S0870-8231201800030000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>United Nations. (1989). <i>Convention on the rights of the child</i>. New York: United Nations.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=041406&pid=S0870-8231201800030000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Paulo Delgado, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e  Inova&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o (InED), Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Porto, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465  Porto, Portugal.  E-mail: <a href="mailto:E-mail:pdelgado@ese.ipp.pt">E-mail:pdelgado@ese.ipp.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este trabalho foi financiado pelo InED, Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Porto, no &acirc;mbito do projeto intitulado &ldquo;Estudo  Internacional sobre a tomada de decis&atilde;o na prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o: 23/06/2017 Aceita&ccedil;&atilde;o: 23/09/2017</p>     ]]></body>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Forty-four juvenile thieves: Their characters and home life]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Psycho-Analysis]]></source>
<year>1944</year>
<volume>25</volume>
<page-range>19-52</page-range></nlm-citation>
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<surname><![CDATA[Bowlby]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Maternal care and mental health]]></source>
<year>1951</year>
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