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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2016.06.006</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fatores associados às fases de comportamento alimentar de usuários dos restaurantes populares em Belo Horizonte/MG-Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Phases of change in feeding behavior of users of popular restaurants were associated to: sociodemographic aspects, nutritional status and dietary habits. An analytical descriptive study was conducted with 1656 users of popular restaurants in Belo Horizonte-MG. Sociodemographic data, stages and phases of dietary change were assessed through structured questionnaires. The associated action phase factors were: women, economic classes A and B, higher education, overweight and good eating habits. To the pre-action phase the association was: men, economic classes D and E, elementary education, not overweight, and regular eating habits. An association between the studied variables was observed.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fatores associados &agrave;s fases de comportamento alimentar de usu&aacute;rios dos restaurantes populares em Belo Horizonte/MG&#8208;Brasil</b></p>     <p><b>Factors associated with phases of feeding behavior in users of popular restaurants in Belo Horizonte/MG, Brazil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Cristina Bento <sup>a</sup><sup>, </sup> Jullyane Hott Filgueiras <sup>a</sup>, Mery Natali Silva Abreu <sup>b</sup>, Simone Cardoso Lisboa Pereira <sup>c</sup>, Maria Fl&aacute;via Gazzinelli <sup>b</sup></b></p>     <p>a Programa de P&oacute;s&#8208;gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de e Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil</p>     <p>b Departamento de Enfermagem Aplicada, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil</p>     <p>c Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Associaram&#8208;se as fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar de usu&aacute;rios de restaurantes populares aos aspectos: sociodemogr&aacute;fico, estado nutricional e h&aacute;bito alimentar. Elaborou&#8208;se um estudo descritivo anal&iacute;tico, conduzido com 1.656 usu&aacute;rios de restaurantes populares de Belo Horizonte&#8208;MG. Coletaram&#8208;se dados sociodemogr&aacute;ficos. Os est&aacute;dios e fases de mudan&ccedil;a do comportamento alimentar foram apurados por meio de question&aacute;rios estruturados. Os fatores associados &agrave; fase de a&ccedil;&atilde;o foram: mulheres, classes econ&ocirc;micas A e B, ensino superior, excesso de peso e bons h&aacute;bitos alimentares. &Agrave; fase de pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o associaram&#8208;se: homens, classes econ&ocirc;micas D e E, ensino fundamental, sem excesso de peso e h&aacute;bito alimentar regular. Encontrou&#8208;se associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis estudadas.</p>     <p><b>Palavras&#8208;chave</b>: Restaurantes. Est&aacute;dios de mudan&ccedil;a. H&aacute;bitos alimentares. Promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Phases of change in feeding behavior of users of popular restaurants were associated to: sociodemographic aspects, nutritional status and dietary habits. An analytical descriptive study was conducted with 1656 users of popular restaurants in Belo Horizonte&#8208;MG. Sociodemographic data, stages and phases of dietary change were assessed through structured questionnaires. The associated action phase factors were: women, economic classes A and B, higher education, overweight and good eating habits. To the pre&#8208;action phase the association was: men, economic classes D and E, elementary education, not overweight, and regular eating habits. An association between the studied variables was observed.</p>     <p><b>Keywords</b>: Restaurants. Stages of change. Food habits. Health promotion.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Brasil tem sido palco de mudan&ccedil;as nos modos de vida das popula&ccedil;&otilde;es, especialmente no padr&atilde;o de consumo alimentar, acompanhando uma tend&ecirc;ncia mundial<sup>3</sup>. Mundialmente tem&#8208;se observado o crescimento do n&uacute;mero de pessoas que realizam suas refei&ccedil;&otilde;es fora do domic&iacute;lio, comprometendo a qualidade nutricional da principal refei&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, ao substitu&iacute;&#8208;la por alimentos ultraprocessados e de consumo r&aacute;pido e/ou ricos em carboidratos, a&ccedil;&uacute;cares, gorduras, s&oacute;dio, e praticamente isentos de fibras alimentares, conferindo&#8208;lhes alta densidade energ&eacute;tica<sup>1,2</sup>.</p>     <p>Em face desse cen&aacute;rio, o Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome (MDS), por meio do Programa Restaurante Popular, vem criando uma rede de prote&ccedil;&atilde;o alimentar em &aacute;reas de grande circula&ccedil;&atilde;o de pessoas que realizam refei&ccedil;&otilde;es fora do domic&iacute;lio<sup>3</sup>. Esse programa tem como objetivo apoiar a implanta&ccedil;&atilde;o e a moderniza&ccedil;&atilde;o de restaurantes populares geridos pelo setor p&uacute;blico municipal e estadual, visando a amplia&ccedil;&atilde;o de oferta de refei&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis e a pre&ccedil;os acess&iacute;veis, reduzindo, assim, o n&uacute;mero de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade nutricional. Ademais, o programa preconiza que os restaurantes populares funcionem como espa&ccedil;os multiuso para o desenvolvimento de diversas atividades, tais como a educa&ccedil;&atilde;o alimentar<sup>3</sup>.</p>     <p>No contexto dessa educa&ccedil;&atilde;o, destaca&#8208;se a import&acirc;ncia de um comportamento alimentar saud&aacute;vel, ou seja, adequado sob o ponto de vista qualitativo e quantitativo, e variado, oferecendo de forma equilibrada todos os nutrientes necess&aacute;rios para cada fase do curso da vida, contribuindo para a preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o&#8208;transmiss&iacute;veis (DANT) e a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de<sup>3,4</sup>. Uma alimenta&ccedil;&atilde;o segura, sob o aspecto sanit&aacute;rio e tecnol&oacute;gico (organismos geneticamente modificados), e dispon&iacute;vel, garantindo acesso f&iacute;sico e financeiro &agrave; mesma, al&eacute;m de atrativa e em conformidade com a cultura alimentar destes usu&aacute;rios<sup>5</sup>.</p>     <p>No entanto, a ado&ccedil;&atilde;o de uma refei&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel envolve mudan&ccedil;as no comportamento alimentar, o qual se traduz em procedimentos relacionados &agrave;s pr&aacute;ticas alimentares de grupos humanos associados aos aspectos subjetivos individuais e coletivos, culturais e sociodemogr&aacute;ficos<sup>4,6</sup>.</p>     <p>O comportamento alimentar &eacute; complexo, multifacetado e envolve uma gama de fatores; para modific&aacute;&#8208;lo &eacute; preciso entender a rela&ccedil;&atilde;o entre os elementos que o influenciam e seus determinantes. Sabe&#8208;se que estes n&atilde;o agem isoladamente, mas sim dentro de uma cadeia complexa com rela&ccedil;&otilde;es conjuntas de uns sobre os outros. H&aacute; os fatores sociodemogr&aacute;ficos bem como os determinantes comportamentais, psicossociais (representa&ccedil;&otilde;es sociais) e sociocognitivos (como a motiva&ccedil;&atilde;o, a autopercep&ccedil;&atilde;o, a autoconfian&ccedil;a e a expectativa com os resultados), os quais contribuem para definir o perfil nutricional de um indiv&iacute;duo, trazendo repercuss&otilde;es importantes ao seu estado de sa&uacute;de<sup>4</sup>.</p>     <p>Para compreender o comportamento alimentar dos indiv&iacute;duos, atualmente, tem&#8208;se utilizado o modelo transte&oacute;rico, tamb&eacute;m chamado de modelo de est&aacute;gios de mudan&ccedil;a de comportamento, importante instrumento para subsidiar as interven&ccedil;&otilde;es no estilo de vida das popula&ccedil;&otilde;es<sup>7,8</sup>. Esse modelo sugere que, embora as pessoas percebam que precisam realizar mudan&ccedil;as em seus comportamentos, elas as fazem em est&aacute;gios ao inv&eacute;s de realizarem de forma abrupta<sup>7,8</sup>.</p>     <p>Estudos no campo da alimenta&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m demonstrado uma estreita rela&ccedil;&atilde;o entre o consumo alimentar e os est&aacute;gios de mudan&ccedil;a desejada, caracterizada por um incremento no consumo de frutas e hortali&ccedil;as<sup>9&ndash;11</sup> e redu&ccedil;&atilde;o no consumo de gorduras<sup>7,9</sup>, em indiv&iacute;duos que se encontram nos est&aacute;gios de a&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o, relativamente aos est&aacute;gios iniciais. Nitzke et al<i>.</i><sup>12</sup> avaliaram a efetividade de uma interven&ccedil;&atilde;o educacional baseada no modelo transte&oacute;rico, comparada a um controle, para o aumento do consumo de frutas e vegetais, em 2.024 adultos jovens. Os participantes do grupo que receberam interven&ccedil;&atilde;o apresentaram maior progress&atilde;o para os est&aacute;gios de a&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o (66%) que o grupo controle (55%).</p>     <p>Com base no exposto, o presente trabalho teve por objetivo tra&ccedil;ar o perfil sociocognitivo, associando as fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar aos aspectos sociodemogr&aacute;ficos e nutricionais dos usu&aacute;rios dos restaurantes e refeit&oacute;rios populares de Belo Horizonte/Minas Gerais (MG), Brasil. Conhecendo estes elementos &eacute; poss&iacute;vel planejar uma interven&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o alimentar direcionada para grupos de usu&aacute;rios desses estabelecimentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estudo transversal descritivo e de car&aacute;ter anal&iacute;tico realizado com frequentadores dos restaurantes populares do munic&iacute;pio de Belo Horizonte/MG, Brasil. Trata&#8208;se de um eixo do projeto de pesquisa &laquo;Preval&ecirc;ncia domiciliar de seguran&ccedil;a/inseguran&ccedil;a alimentar dos usu&aacute;rios dos restaurantes populares de Belo Horizonte/MG&raquo;.</p>     <p>Estes restaurantes fazem parte de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica de inclus&atilde;o social, que atende a uma expressiva parcela da popula&ccedil;&atilde;o, ofertando 14 mil refei&ccedil;&otilde;es/dia. Esses estabelecimentos est&atilde;o localizados em &aacute;reas centrais da cidade, pr&oacute;ximas a locais de transporte de massa ou em &aacute;reas perif&eacute;ricas com grande aglomera&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de risco social e nutricional. Atualmente, existem e est&atilde;o em funcionamento em Belo Horizonte: Restaurante Popular Herbert de Souza (RPI), Restaurante Popular Josu&eacute; de Castro (RPII), Restaurante Popular Maria Regina Nabuco (RPIII), Restaurante Popular Dom Mauro Bastos (RPIV) e Refeit&oacute;rio Popular da C&acirc;mara Municipal Jo&atilde;o Bosco Murta Lages (RPV).</p>     <p>Os dados foram coletados no per&iacute;odo de setembro de 2009 a fevereiro de 2011. Para isso capacitou&#8208;se uma equipe composta de 15 acad&ecirc;micas dos Cursos de Gradua&ccedil;&atilde;o em Nutri&ccedil;&atilde;o, em sua maioria, e de Gest&atilde;o de Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para aplicar o protocolo de coleta de dados e realizar as aferi&ccedil;&otilde;es antropom&eacute;tricas em todas as unidades, seguindo os crit&eacute;rios da amostragem por cotas<sup>13</sup>.</p>     <p>Para se estabelecer o tamanho da amostra foi necess&aacute;rio medir o fluxo semanal, tendo em vista que n&atilde;o existe cadastro dos frequentadores dos restaurantes populares, apenas o n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es vendidas diariamente. A partir destes valores, calculou&#8208;se a amostra de usu&aacute;rios de cada estabelecimento<sup>13</sup>:</p>     <p>A amostra apurada de adultos usu&aacute;rios dos restaurantes populares de Belo Horizonte nos estabelecimentos RPI, RPII, RPIII, RPIV e RPV foi de 372, 370, 260, 331 e 280, respectivamente, perfazendo uma amostra total de 1.613 usu&aacute;rios por dia.</p>     <p>Al&eacute;m do c&aacute;lculo amostral, foi definido que a coleta das informa&ccedil;&otilde;es seria realizada por cotas, respeitando a distribui&ccedil;&atilde;o por sexo e grupo et&aacute;rio dos usu&aacute;rios e por refei&ccedil;&otilde;es realizadas em cada estabelecimento. Essa alternativa foi adotada uma vez que n&atilde;o seria poss&iacute;vel realizar um sorteio aleat&oacute;rio dos entrevistados<sup>13</sup>.</p>     <p>Durante a espera para abertura e durante o funcionamento dos estabelecimentos, os usu&aacute;rios foram convidados a participar de uma entrevista face a face e em seguida de uma avalia&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Vari&aacute;vel dependente</b></p>     <p>Os est&aacute;gios de mudan&ccedil;a de comportamento foram avaliados por meio de entrevistas com os sujeitos. Para tal, utilizou&#8208;se question&aacute;rio proposto por Ling e Horwath<sup>10</sup>, cuja adapta&ccedil;&atilde;o foi realizada por Zaccarelli<sup>14</sup>, para identificar est&aacute;gios de mudan&ccedil;a para ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este question&aacute;rio &eacute; composto por perguntas que permitem verificar os seguintes est&aacute;gios: 1) pr&eacute;&#8208;contempla&ccedil;&atilde;o em que o indiv&iacute;duo ainda n&atilde;o considerou fazer uma mudan&ccedil;a em seu comportamento; 2) contempla&ccedil;&atilde;o em que o indiv&iacute;duo identifica o problema de comportamento e come&ccedil;a a considerar uma possibilidade de mudan&ccedil;a, mas ainda n&atilde;o est&aacute; comprometido a fazer uma mudan&ccedil;a; 3) prepara&ccedil;&atilde;o em que o indiv&iacute;duo pretende alterar o seu comportamento dentro de 30 dias; 4) a&ccedil;&atilde;o em que o indiv&iacute;duo coloca em pr&aacute;tica seus planos de mudan&ccedil;a e altera o seu comportamento, suas experi&ecirc;ncias ou seu ambiente de modo a superar as barreiras antes percebidas; e 5) manuten&ccedil;&atilde;o em que os indiv&iacute;duos trabalham para consolidar a mudan&ccedil;a e os ganhos obtidos durante a a&ccedil;&atilde;o, prevenindo reca&iacute;das que s&atilde;o o retorno a est&aacute;gios anteriores, retomando h&aacute;bitos n&atilde;o desej&aacute;veis<sup>9</sup>.</p>     <p>Esses est&aacute;gios, para fins deste estudo, foram agrupados em 2 fases: pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o, que corresponde aos est&aacute;gios de pr&eacute;&#8208;contempla&ccedil;&atilde;o, contempla&ccedil;&atilde;o, prepara&ccedil;&atilde;o, em que se trabalha a conscientiza&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo sobre a necessidade das mudan&ccedil;as<sup>9</sup>; e a fase de a&ccedil;&atilde;o, que corresponde aos est&aacute;gios de a&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o, em que se trabalha o desenvolvimento da autoconfian&ccedil;a e do autocontrole do indiv&iacute;duo, possibilitando&#8208;lhe perceber sua capacidade em manter o comportamento desejado, uma vez que este indiv&iacute;duo j&aacute; sabe enfrentar os diferentes desafios para a mudan&ccedil;a de seus h&aacute;bitos alimentares<sup>9</sup>.</p>     <p>A classifica&ccedil;&atilde;o denominada reca&iacute;da n&atilde;o ser&aacute; analisada neste estudo, por n&atilde;o ser um est&aacute;gio de mudan&ccedil;a de comportamento e, portanto, n&atilde;o fazer parte de uma das fases: pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o. Isto, pois o algoritmo empregado, nesta etapa do projeto, n&atilde;o oferece a possibilidade de reclassifica&ccedil;&atilde;o desses sujeitos em reca&iacute;da. Este grupo far&aacute; parte de estudos futuros, com aplica&ccedil;&atilde;o de outros instrumentos de an&aacute;lise de mudan&ccedil;a do comportamento alimentar associados &agrave; an&aacute;lise de consumo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Vari&aacute;veis independentes</b></p>     <p>Os fatores sociodemogr&aacute;ficos foram obtidos por meio de um question&aacute;rio semiestruturado previamente testado. Foram inclu&iacute;dos participantes adultos e idosos de ambos os sexos. Os participantes foram classificados segundo ocupa&ccedil;&atilde;o: &laquo;N&atilde;o trabalha&raquo; (n&atilde;o trabalha, estudante e aposentado/pensionista) e &laquo;Trabalha&raquo; (trabalhador formal, aut&ocirc;nomo). Para classifica&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica, adotou&#8208;se o Crit&eacute;rio de Classifica&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica Brasil (CCEB)<sup>15</sup>: A1 (renda familiar bruta de R$ 11.480,00), A2 (renda familiar bruta de R$ 8.295,00), B1 (renda familiar bruta de R$ 4.754,00), B2 (renda familiar bruta de R$ 2.656,00), C1 (renda familiar bruta de R$ 1.459,00), C2 (renda familiar bruta de R$ 962,00), D (renda familiar bruta de R$ 680,00), E (renda familiar bruta de R$ 415,00). Neste estudo as classes econ&ocirc;micas foram agrupadas em: A e B, C, D e E. Classificou&#8208;se tamb&eacute;m os usu&aacute;rios quanto ao &laquo;Situa&ccedil;&atilde;o conjugal&raquo;: 1) sem parceiro(a) (nunca casou, vi&uacute;vo, divorciado, separado) e 2) com parceiro(a) (casado/morando junto); e Escolaridade: 1) &laquo;At&eacute; o ensino fundamental&raquo; (saber ler, fundamental primeiro e segundo ciclo); 2) &laquo;Ensino m&eacute;dio&raquo; (completo e incompleto); 3) &laquo;Ensino Superior&raquo; (completo e incompleto e p&oacute;s&#8208;gradua&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Para medida do peso, utilizou&#8208;se uma balan&ccedil;a digital Plenna<sup>&reg;</sup> com capacidade para 150 Kg e precis&atilde;o de 100 g. E para a estatura utilizou&#8208;se um estadi&ocirc;metro Alturexata<sup>&reg;</sup> com intervalo 0&#8208;1,80 m e precis&atilde;o de 1 mm. Aferiram&#8208;se, com o m&iacute;nimo de roupas e sem sapatos, estas medidas 2 vezes, calculando&#8208;se a m&eacute;dia aritm&eacute;tica por pessoa.</p>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica do estado nutricional foi realizada por meio do c&aacute;lculo do &iacute;ndice de massa corporal (IMC) como a raz&atilde;o do peso em quilogramas pelo quadrado da estatura em metros (kg/m<sup>2</sup>). O diagn&oacute;stico nutricional foi feito como preconizado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS)<sup>16</sup> para adultos (&ge; 20 e &lt; 60 anos de idade) que tem como classifica&ccedil;&atilde;o: &laquo;baixo peso&raquo; (IMC menor que 18,5 Kg/m<sup>2</sup>), &laquo;eutrofia&raquo; (IMC entre 18,5&#8208;24,9 Kg/m<sup>2</sup>), &laquo;sobrepeso&raquo; (IMC entre 25&#8208;29,9 Kg/m<sup>2</sup>) e obesidade (IMC maior ou igual a 30 Kg/m<sup>2</sup>). Utilizou&#8208;se a classifica&ccedil;&atilde;o segundo Lipschitz<sup>17</sup> para idosos (&ge; 60 anos de idade): &laquo;baixo peso&raquo; (IMC menor que 22,00 /m<sup>2</sup>), &laquo;eutrofia&raquo; (IMC entre 22,00&#8208;27,00 Kg/m<sup>2</sup>), &laquo;sobrepeso&raquo; (IMC maior que 27,00 Kg/m<sup>2</sup>). Posteriormente, as vari&aacute;veis &laquo;baixo peso&raquo; e &laquo;eutrofia&raquo; foram agrupadas e recodificadas como &laquo;sem excesso de peso&raquo; e as vari&aacute;veis &laquo;sobrepeso&raquo; e &laquo;obesidade&raquo;, tamb&eacute;m foram agrupadas e recodificadas como &laquo;com excesso de peso&raquo;.</p>     <p>O h&aacute;bito alimentar foi verificado por meio de um question&aacute;rio elaborado pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de&#8208; Brasil<sup>18</sup>, baseado no Guia Alimentar para a Popula&ccedil;&atilde;o Brasileira<sup>19</sup>. Este instrumento avalia as por&ccedil;&otilde;es do grupo das frutas, hortali&ccedil;as e cereais, carne, leguminosas e leite, alimentos ricos em gorduras e a&ccedil;&uacute;cares; tipo de gordura utilizada para o preparo; consumo de gordura saturada e colesterol, e sal de adi&ccedil;&atilde;o; n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es; ingest&atilde;o de &aacute;gua e de bebidas alco&oacute;licas; o uso de informa&ccedil;&otilde;es nutricionais dos r&oacute;tulos de alimentos como orienta&ccedil;&atilde;o para alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel; e pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica. Cada resposta do question&aacute;rio recebe uma pontua&ccedil;&atilde;o, sendo 10 quest&otilde;es com valores por resposta que variam de 0&#8208;3 e 8 quest&otilde;es com varia&ccedil;&atilde;o de 0&#8208;4 (pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima = 62 pontos).</p>     <p>Tendo como base os escores obtidos pelas respostas do question&aacute;rio acima descrito, o h&aacute;bito alimentar dos sujeitos avaliados foi classificado em 3 categorias (avalia&ccedil;&atilde;o global)<sup>18</sup>. Para o presente estudo, essas categorias foram nomeadas como: 1) h&aacute;bito alimentar &laquo;Ruim&raquo; (escore at&eacute; 28 pontos), em que o indiv&iacute;duo precisa tornar sua alimenta&ccedil;&atilde;o e estilo de vida mais saud&aacute;veis; 2) h&aacute;bito alimentar &laquo;Regular&raquo; (escore de 29&#8208;42 pontos), o indiv&iacute;duo deve ficar atento quanto &agrave; sua alimenta&ccedil;&atilde;o e &agrave; pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica; 3) h&aacute;bito alimentar &laquo;Bom&raquo; (escore de 43 pontos ou mais) &ndash; o indiv&iacute;duo apresenta um modo de vida saud&aacute;vel (alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e pratica atividade f&iacute;sica).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise estat&iacute;stica</b></p>     <p>Utilizou&#8208;se o programa Epi&#8208;data vers&atilde;o 3.1 para montagem do banco de dados e os <i>softwares Statistical Package for the Social Sciences (SPSS)</i> 19.0 for Windows e <i>Data Analysis and Statistical Software (STATA)</i> 10.0 para an&aacute;lise dos dados. Na an&aacute;lise estat&iacute;stica foram realizados estudos descritivos com constru&ccedil;&atilde;o de tabelas de distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias. Na an&aacute;lise univariada, para verificar os fatores associados &agrave; fase de a&ccedil;&atilde;o utilizou&#8208;se o teste qui&#8208;quadrado de Pearson. Na an&aacute;lise multivariada utilizou&#8208;se o modelo de Poisson com vari&acirc;ncias robustas para estima&ccedil;&atilde;o da medida de risco raz&atilde;o de preval&ecirc;ncia. A utiliza&ccedil;&atilde;o desse modelo justifica&#8208;se pelo delineamento do estudo (transversal) e pela alta preval&ecirc;ncia do desfecho em estudo (fases de mudan&ccedil;a de comportamento)<sup>20</sup>. Para entrada das vari&aacute;veis no modelo considerou&#8208;se um valor&#8208;p menor que 0,20 na an&aacute;lise univariada. Realizou&#8208;se modelagem do tipo <i>backward</i>, com retirada das vari&aacute;veis do modelo uma a uma conforme o valor&#8208;p. Para perman&ecirc;ncia no modelo final considerou&#8208;se um n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de 5% (p &lt; 0,05). Estimou&#8208;se a raz&atilde;o de preval&ecirc;ncia com respectivo intervalo de confian&ccedil;a de 95% (IC95%) para todas as vari&aacute;veis explicativas analisadas, tanto na an&aacute;lise univariada, quanto ap&oacute;s o ajuste na an&aacute;lise multivariada. O ajuste do modelo foi validado por meio da estat&iacute;stica Deviance.</p>     <p>O estudo foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da UFMG, sob o protocolo de n&uacute;mero 143/09.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Observando&#8208;se os resultados da <a href="#t1">tabela 1</a>, obteve&#8208;se uma amostra de 1.656 indiv&iacute;duos, a maioria do sexo masculino (71,0%), com m&eacute;dia de idade de 42,34 (&plusmn; 16,70) anos, com predomin&acirc;ncia de usu&aacute;rios com idade economicamente ativa (18&#8208;30 anos) e madura (31&#8208;49 anos), o que corroborou com a ocupa&ccedil;&atilde;o, com maior preval&ecirc;ncia de usu&aacute;rios que trabalham; e predomin&acirc;ncia da classe econ&ocirc;mica C, tendo flutua&ccedil;&otilde;es maiores entre os estabelecimentos no que concerne &agrave;s classes econ&ocirc;micas extremas (A e B; e D e E); e preval&ecirc;ncia de usu&aacute;rios com estado referido como &laquo;sem parceiros&raquo;.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a10t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade (<a href="#t1">tabela 1</a>), nota&#8208;se maior propor&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios dos restaurantes populares com ensino m&eacute;dio. No entanto, observou&#8208;se em apenas um dos restaurantes uma maior preval&ecirc;ncia dos usu&aacute;rios com ensino fundamental.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que se refere &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica do estado nutricional, observa&#8208;se maior preval&ecirc;ncia de indiv&iacute;duos sem excesso de peso (classifica&ccedil;&atilde;o IMC &laquo;baixo peso&raquo; mais &laquo;eutrofia&raquo;) em todos os locais estudados (p = 0,061). No entanto, a preval&ecirc;ncia de excesso de peso nos usu&aacute;rios (classifica&ccedil;&atilde;o IMC &laquo;sobrepeso&raquo; mais &laquo;obesidade&raquo;), de um modo geral, foi elevada. Observa&#8208;se que no RPV esta preval&ecirc;ncia chegou a quase metade dos usu&aacute;rios avaliados (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>Quanto ao h&aacute;bito alimentar, houve predomin&acirc;ncia daquele classificado como &laquo;regular&raquo; na avalia&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios de todos os estabelecimentos (p = 0,337), o que indica que os mesmos n&atilde;o adotam uma alimenta&ccedil;&atilde;o considerada adequada. No entanto, observou&#8208;se uma maior propor&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios com um h&aacute;bito alimentar &laquo;bom&raquo;, em compara&ccedil;&atilde;o &agrave;queles classificados como &laquo;ruim&raquo; (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>De acordo com os resultados apresentados na <a href="#t2">tabela 2</a>, em todos os estabelecimentos verificou&#8208;se que os est&aacute;gios mais prevalentes foram pr&eacute;&#8208;contempla&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, observou&#8208;se diferen&ccedil;as quanto &agrave;s frequ&ecirc;ncias de usu&aacute;rios nos diferentes est&aacute;gios entre os estabelecimentos (p = 0,003).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a10t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ainda na <a href="#t2">tabela 2</a>, ao agrupar os usu&aacute;rios em fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar, verificou&#8208;se uma maior frequ&ecirc;ncia deles na fase de a&ccedil;&atilde;o (52,9%), que engloba os est&aacute;gios de a&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o, em compara&ccedil;&atilde;o ao est&aacute;gio de pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o (47,1%), que engloba os est&aacute;gios de pr&eacute;&#8208;contempla&ccedil;&atilde;o, contempla&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por&eacute;m, ao comparar as referidas fases dos usu&aacute;rios, por estabelecimento, verificou&#8208;se que houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa (p = 0,001). Nos restaurantes RPI e RPIII houve maior preval&ecirc;ncia de usu&aacute;rios classificados na fase de pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o. J&aacute; nos restaurantes RPII, RPIV e refeit&oacute;rio RPV houve maior preval&ecirc;ncia de usu&aacute;rios classificados na fase de a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Na an&aacute;lise univariada, buscando os fatores sociodemogr&aacute;ficos e nutricionais associados &agrave;s fases de mudan&ccedil;a de comportamento do modelo transte&oacute;rico, observou&#8208;se associa&ccedil;&atilde;o significativa (p &lt; 0,05) e maior preval&ecirc;ncia da fase de a&ccedil;&atilde;o para os entrevistados do sexo feminino, que trabalham, das classes sociais A e B, com escolaridade superior, com excesso de peso e h&aacute;bito alimentar bom (<a href="#t3">tabela 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a10t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados da an&aacute;lise multivariada, obtidos pelo modelo final da regress&atilde;o de Poisson, s&atilde;o apresentados na <a href="#t4">tabela 4</a>. Nesse modelo final as seguintes vari&aacute;veis apresentaram&#8208;se associadas &agrave; fase de pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o para mudan&ccedil;a do comportamento alimentar, com signific&acirc;ncia estat&iacute;stica observada menor ou igual a 5%: ser do sexo masculino (RP = 1,48; IC95% 1,23&#8208;1,79); pertencer &agrave;s classes econ&ocirc;micas D e E (RP = 1,25; IC95%: 1,00&#8208;1,57); possuir o ensino fundamental (RP = 1,55; IC95%: 1,21&#8208;2,00); n&atilde;o apresentarem excesso de peso (RP = 1,43; IC95% 1,33&#8208;2,28); referirem possuir h&aacute;bito alimentar &laquo;regular&raquo; (RP = 2,55; IC95% 1,87&#8208;3,46).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a10t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os fatores que se mostraram associados &agrave; fase de a&ccedil;&atilde;o foram: ser do sexo feminino (RP = 1,30; IC 95% 1,17&#8208;1,44); pertencer &agrave;s classes econ&ocirc;micas A e B (RP = 1,21; IC95% 0,94&#8208;1,33); possuir o ensino superior (RP = 1,44; IC95% 0,20&#8208;1,71); apresentarem excesso de peso (RP = 1,28; IC95% 0,16&#8208;1,43); e relatarem possuir h&aacute;bito alimentar &laquo;bom&raquo; (RP = 2,20; IC95% 1,55&#8208;3,12).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>O presente estudo identificou o perfil psicossocial associando&#8208;o a aspectos sociodemogr&aacute;ficos e nutricionais dos usu&aacute;rios dos restaurantes populares de Belo Horizonte/MG, Brasil. A import&acirc;ncia da an&aacute;lise e da associa&ccedil;&atilde;o dos fatores encontrados decorre, sobretudo, da possibilidade de se planejar uma interven&ccedil;&atilde;o no campo da educa&ccedil;&atilde;o alimentar cujas estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel estejam direcionadas para cada perfil identificado nestes estabelecimentos<sup>20</sup>.</p>     <p>Verificou&#8208;se que o perfil sociodemogr&aacute;fico dos usu&aacute;rios dos restaurantes populares v&atilde;o ao encontro do perfil do p&uacute;blico&#8208;alvo almejado pelo Programa Restaurante Popular<sup>21</sup>, bem como ao perfil encontrado nos estudos de Gobato, Panigassi e Villalba<sup>22</sup> e Gon&ccedil;alves, Campos e Sarti<sup>23</sup>, que s&atilde;o trabalhadores em idade economicamente ativa e de classe econ&ocirc;mica baixa.</p>     <p>Quanto &agrave;s fases de mudan&ccedil;a de comportamento do modelo transte&oacute;rico, observou&#8208;se que uma maior propor&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios dos restaurantes populares concentra&#8208;se na fase de a&ccedil;&atilde;o, sendo a maioria no est&aacute;gio de manuten&ccedil;&atilde;o. Este resultado pode&#8208;se dever ao fato destes usu&aacute;rios terem alterado e/ou terem mantido um seu comportamento para uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel h&aacute; mais de 6 meses<sup>8,20</sup>. Uma segunda hip&oacute;tese seria o fato de estes usu&aacute;rios terem uma preocupa&ccedil;&atilde;o em se alimentar de forma saud&aacute;vel.</p>     <p>Gobato et al., Panigassi e Villalba<sup>22</sup>, em estudo com usu&aacute;rios de um restaurante popular, verificaram que esse p&uacute;blico manifesta a preocupa&ccedil;&atilde;o das pessoas em consumirem alimentos. Ademais, destacam que a assiduidade a esses restaurantes revela n&atilde;o somente a busca por refei&ccedil;&otilde;es balanceadas e saud&aacute;veis bem como para alocar a renda na compra de outros bens, uma vez que os restaurantes servem refei&ccedil;&otilde;es a pre&ccedil;os acess&iacute;veis. Deste modo eles cumprem com o seu papel social na medida em que a popula&ccedil;&atilde;o pode ter acesso a alimentos saud&aacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma terceira hip&oacute;tese &eacute; o fato da alimenta&ccedil;&atilde;o destes usu&aacute;rios ter sido modificada ap&oacute;s come&ccedil;arem a frequentar o restaurante popular. O estudo de Ara&uacute;jo, Almeida e Bastos<sup>24</sup> cujo objetivo foi averiguar aspectos alimentares e nutricionais dos usu&aacute;rios do &laquo;Restaurante Popular Mesa do Povo&raquo;, situado em Fortaleza (CE), Brasil, verificou que a frequ&ecirc;ncia do restaurante popular pode contribuir para uma melhora dos h&aacute;bitos alimentares da popula&ccedil;&atilde;o que o utiliza. Este fato evidencia a import&acirc;ncia desses restaurantes na promo&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar e nutricional de seus usu&aacute;rios.</p>     <p>No que concerne aos aspectos nutricionais, tanto a avalia&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica do estado nutricional, quanto a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade da dieta (h&aacute;bito alimentar) se associaram positivamente &agrave;s fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar para alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel.</p>     <p>Quanto ao aspecto antropom&eacute;trico, estudo realizado no Brasil encontrou menor preval&ecirc;ncia de sobrepeso e obesidade para os homens com menor renda domiciliar e o inverso para as mulheres<sup>1</sup>. Esses achados corroboram, em parte, o presente estudo, no que se refere ao grupo em pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o, pois neste, prioritariamente, os homens apresentaram peso adequado. Em contraponto, o grupo em a&ccedil;&atilde;o, majoritariamente, revelou excesso de peso entre as mulheres de classes econ&ocirc;micas mais elevadas.</p>     <p>Algumas das raz&otilde;es apontadas para a rela&ccedil;&atilde;o direta entre n&iacute;vel econ&ocirc;mico e excesso de peso nos homens se referem &agrave; prote&ccedil;&atilde;o natural contra a enfermidade que seria encontrada entre os estratos sociais menos favorecidos em face da escassa disponibilidade de alimentos e do perfil de intensa atividade f&iacute;sica que seriam caracter&iacute;sticos dos mesmos<sup>25</sup>.</p>     <p>Por outro lado, o excesso de peso verificado na fase de a&ccedil;&atilde;o pode sugerir que essas mulheres t&ecirc;m realizado mudan&ccedil;as na sua alimenta&ccedil;&atilde;o, no sentido de perderem peso, e podem ter migrado de um estado de obesidade para o de sobrepeso. Entretanto, tal hip&oacute;tese n&atilde;o pode ser testada neste estudo, uma vez que n&atilde;o foi verificado o peso pr&eacute;vio da popula&ccedil;&atilde;o, apenas o atual. Ademais, como o comportamento em quest&atilde;o &eacute; mais gen&eacute;rico (alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel), tende&#8208;se a ter maior n&uacute;mero de indiv&iacute;duos em manuten&ccedil;&atilde;o do que em comportamentos mais espec&iacute;ficos<sup>26</sup>, como efetivamente observado nesse estudo.</p>     <p>No que concerne &agrave; qualidade da dieta, alguns estudos demonstram que a escolaridade pode influenciar sobre uma dieta mais saud&aacute;vel, j&aacute; que pessoas com maior educa&ccedil;&atilde;o possuem mais acesso a informa&ccedil;&atilde;o e a alimentos com maior qualidade<sup>27</sup>, o que vai ao encontro dos resultados deste estudo.</p>     <p>Ao comparar a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade da dieta com os est&aacute;gios de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar para alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, verificou&#8208;se que a maioria dos indiv&iacute;duos em pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o deveriam ficar atentos &agrave; sua alimenta&ccedil;&atilde;o, h&aacute;bito alimentar regular.</p>     <p>Por sua vez, a alimenta&ccedil;&atilde;o considerada saud&aacute;vel foi mais prevalente entre os indiv&iacute;duos em a&ccedil;&atilde;o, corroborando as caracter&iacute;sticas dos pr&oacute;prios est&aacute;gios de a&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o<sup>7</sup>.</p>     <p>Quantos aos aspectos sociodemogr&aacute;ficos, observou&#8208;se que o g&ecirc;nero, a escolaridade e a classe econ&ocirc;mica estiverm estiveram positivamente associados ao perfil de comportamento alimentar dos participantes. Segundo Souza et al.<sup>28</sup> e Castro Junior<sup>29</sup>, a escolaridade e a renda familiar est&atilde;o associadas aos padr&otilde;es de consumo e &agrave;s mudan&ccedil;as no comportamento alimentar dos sujeitos. Ressalta&#8208;se que, embora observadas as distintas classes econ&ocirc;micas na popula&ccedil;&atilde;o estudada, predominou a classe econ&ocirc;mica C em todos os estabelecimentos e as classes D e E, no geral, foram similares &agrave;s preval&ecirc;ncias de A e B. Portanto, os restaurantes atendem, prioritariamente, o p&uacute;blico de baixa renda, o que vai ao encontro do objetivo principal do programa<sup>3</sup>.</p>     <p>Na fase de pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o predominaram homens de classe econ&ocirc;mica baixa, com ensino fundamental. J&aacute; na fase de a&ccedil;&atilde;o, predominaram mulheres de classe econ&ocirc;mica alta, com ensino superior. A escolaridade e a renda influenciam no comportamento alimentar<sup>30</sup>, refletindo nos est&aacute;gios de mudan&ccedil;a. Os homens e indiv&iacute;duos de baixa escolaridade apresentaram maior probabilidade de serem classificados na fase de pr&eacute;&#8208;a&ccedil;&atilde;o, enquanto as mulheres e indiv&iacute;duos de n&iacute;vel educacional superior apresentaram maior probabilidade de serem classificados na fase de a&ccedil;&atilde;o<sup>31,32</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma limita&ccedil;&atilde;o vivenciada por este estudo foi que a classifica&ccedil;&atilde;o nos est&aacute;gios de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar foi baseada nas respostas individuais, ou seja, conforme autorrelatos, subjetivos e espont&acirc;neos, para a quest&atilde;o proposta, o que pode gerar um vi&eacute;s entre a percep&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo e o seu comportamento alimentar real<sup>8</sup>. Nesse sentido, uma abordagem hol&iacute;stica &eacute; imprescind&iacute;vel para enfrentar o desafio de motivar os indiv&iacute;duos para a ado&ccedil;&atilde;o de uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. A amplia&ccedil;&atilde;o do conhecimento sobre os in&uacute;meros determinantes do comportamento alimentar, incluindo os subjetivos, &eacute; importante para superar o desafio de transformar informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas de nutri&ccedil;&atilde;o em mudan&ccedil;as reais das pr&aacute;ticas alimentares.</p>     <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o dos est&aacute;gios de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar, nota&#8208;se no algoritmo empregado a limita&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o possibilitar a reclassifica&ccedil;&atilde;o dos sujeitos em reca&iacute;da. Pretende&#8208;se, em estudos futuros, analisar o comportamento deste grupo, pois a reca&iacute;da no processo de mudan&ccedil;a de comportamento pode ocorrer em qualquer est&aacute;gio ou fase, pode ou n&atilde;o ser seguido por uma interrup&ccedil;&atilde;o do processo de mudan&ccedil;a de comportamento e pode caracterizar&#8208;se como retorno ao comportamento de risco<sup>8&ndash;12</sup>.</p>     <p>Outra limita&ccedil;&atilde;o &eacute; a escassez de estudos em restaurantes populares, assim como a utiliza&ccedil;&atilde;o do modelo transte&oacute;rico com usu&aacute;rios desses estabelecimentos, para compara&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disto, o fato de ser um estudo transversal, n&atilde;o torna poss&iacute;vel afirmar a causa do desfecho das associa&ccedil;&otilde;es encontradas, pois as exposi&ccedil;&otilde;es e o desfecho foram avaliadas em um mesmo momento, e assim os resultados devem ser interpretados com cautela.</p>     <p>Considera&#8208;se como ponto positivo deste estudo as an&aacute;lises uni e multivariadas para compara&ccedil;&atilde;o dos fatores sociodemogr&aacute;ficos e nutricionais associados &agrave;s fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar entre os usu&aacute;rios dos restaurantes e refeit&oacute;rio populares de Belo Horizonte&#8208;MG.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>O presente estudo demonstrou que existe associa&ccedil;&atilde;o entre as fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar e os aspectos sociodemogr&aacute;ficos (g&ecirc;nero, escolaridade e classe econ&ocirc;mica) e os aspectos nutricionais.</p>     <p>Este estudo contribuiu para melhor entendimento entre os fatores que se associam &agrave;s fases de mudan&ccedil;a de comportamento alimentar dos usu&aacute;rios dos restaurantes populares de Belo Horizonte/MG, Brasil. Estes achados contribuir&atilde;o para subsidiar a&ccedil;&otilde;es educativas voltadas para a promo&ccedil;&atilde;o de uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais saud&aacute;vel nestes estabelecimentos. Defende&#8208;se aqui que o estudo do comportamento alimentar &eacute; um importante elemento para o sucesso de interven&ccedil;&otilde;es educativas alimentares e nutricionais e que as metodologias que possibilitem maior aprofundamento sobre os determinantes desses comportamentos s&atilde;o fundamentais para a garantia de impacto nas a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o a h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. Pesquisa de or&ccedil;amentos familiares 2008&#8208;2009: despesas, rendimentos e condi&ccedil;&otilde;es de vida. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica, (2010) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808131&pid=S0870-9025201600030001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Santos M.V., Proen&ccedil;a R.P.C., Fiates G.M.R., Calvoll M.C.M. Os restaurantes por peso no contexto de alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel fora de casa. Rev Nutr. 2011;24:641-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808133&pid=S0870-9025201600030001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Brasil. Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome. Homepage dos programas do MDS. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome; 2010. [consultado 20 Ago 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mds.gov.br/" target="_blank">http://www.mds.gov.br/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808135&pid=S0870-9025201600030001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Boog M.C.F. Educa&ccedil;&atilde;o em nutri&ccedil;&atilde;o: integrando experi&ecirc;ncias. Campinas, SP: Komedi, (2013) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808137&pid=S0870-9025201600030001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Burity V., Franceschini T., Valente F., Recine E., Le&atilde;o M.F.C. Direito humano &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada no contexto da seguran&ccedil;a alimentar e nutricional. Bras&iacute;lia, DF: A&ccedil;&atilde;o Brasileira pela Nutri&ccedil;&atilde;o e Direitos Humanos (ABRANDH), (2010) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808139&pid=S0870-9025201600030001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Gontijo M.C. Promo&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas alimentares saud&aacute;veis para trabalhadores usu&aacute;rios de unidades de produ&ccedil;&atilde;o de refei&ccedil;&otilde;es: um estudo de interven&ccedil;&atilde;o, controlado. Bras&iacute;lia: Universidade de Bras&iacute;lia, (2010) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808141&pid=S0870-9025201600030001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Moreira R.A.M., Santos L.C., Lopes A.C.S. A qualidade da dieta de usu&aacute;rios de servi&ccedil;o de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de difere segundo o comportamento alimentar obtido pelo modelo transte&oacute;rico. Rev Nutr. 2012;25:719-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808143&pid=S0870-9025201600030001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Horwath C.C., Schembre S.M., Motl R.W., Dishman R.K., Nigg C.R. Does the transtheoretical model of behavior change provide a useful basis for interventions to promote fruit and vegetable consumption?. Am J Health Promot. 2013;27:351-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808145&pid=S0870-9025201600030001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Brug J., Glanz K., Kok G. The relationship between self&#8208;efficacy, attitudes, intake compared to others, consumption, and stages of change related to fruit and vegetables. Am J Health Promot. 1997;12:25-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808147&pid=S0870-9025201600030001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Ling A.M., Horwath C. Defining and measuring stages of change for dietary behaviors: Readiness to meet fruit, vegetable, and grain guidelines among Chinese Singaporeans. J Am Diet Assoc. 2000;100:898-904.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808149&pid=S0870-9025201600030001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>11. Toral N., Slater B., Cintra I.P., Fisberg M. Comportamento alimentar de adolescentes em rela&ccedil;&atilde;o ao consumo de frutas e verduras. Rev Nutr. 2006;19:331-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808151&pid=S0870-9025201600030001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Nitzke S., Kritsch K., Boeckner L., Greene G., Hoerr S., Horacek T., et al. A stage tailored multi&#8208;modal intervention increases fruit and vegetable intakes of low&#8208;income young adults. Am J Health Promot. 2007;22:6-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808153&pid=S0870-9025201600030001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 27 de Setembro de 2014 <br />   Aceito 27 de Junho de 2016</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Autor para correspond&ecirc;ncia:</a><a name="c0"></a>     ]]></body>
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