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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um resumo do estado da arte acerca da Síndrome Metabólica. Conceito, operacionalização, estratégias de análise estatística e sua associação a níveis distintos de actividade física]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A brief summary of the state-of-the-art concerning the Metabolic Syndrome. Concept, measurement issues, data analysis strategies and associations with physical activity]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-05232009000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-05232009000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-05232009000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A Síndrome Metabólica (SM) resulta de um agrupamento de um conjunto de factores de risco cardiovascular. É uma enfermidade particularmente importante, que tem preocupado a comunidade médica e científica a nível mundial uma vez a sua prevalência está a aumentar gradualmente, tanto em adultos como em crianças, e está fortemente associada ao aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e mortalidade. Não existe ainda uma definição consensual sobre a SM, valores de corte para cada um dos indicadores e estratégias de análise estatística. Além disso, apesar de ser do conhecimento geral que a actividade física e o exercício físico têm um papel muito benéfico na prevenção e tratamento da SM, ainda não é clara a dose-resposta ideal. É objectivo do presente estudo fazer uma revisão sumária sobre os critérios de definição da SM assim como esclarecer e clarificar as várias possibilidades de análise estatística e os seus impactos nos resultados obtidos utilizando diferentes abordagens. Conjuntamente pretende-se perceber qual a relação de diferentes níveis de (in)actividade física na manifestação da SM.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Metabolic syndrome (MS) is considered as a cluster of cardiovascular risk factors. It is a particularly important infirmity which concerns the medical and scientific community at a worldwide level as it has been increasing gradually in children and as well as in adults, and is strongly associated with the development of risk increases of cardiovascular diseases and mortality. There is still no consensual definition about MS, cut-off values for every single indicator and unique statistical analysis strategies to deal with its results. Although it is generally accepted that physical activity and physical exercise have benign impacts on MS prevention and treatment, it is not yet well demonstrated the precise dose-response relationship. The main purpose of the state-of-the-art summary is to revise the MS definition, criteria to classify the MS and the varieties of statistical analysis. IN addition we shall focus on the relationship between physical activity and MS manifestations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P ><B>Um resumo do estado da arte acerca da Síndrome Metabólica.  Conceito, operacionalização, estratégias de análise estatística e sua associação  a níveis distintos de actividade física</B></P>     <P ></P>     <P ><B>Joana Leal, </B><B>Rui Garganta, </B><B>André Seabra, </B><B>Raquel Chaves,    </B><B>Michele Souza, </B><B>José Maia</B></P>     <P ></P>     <P ><i>CIFI<SUP>2</SUP>D, Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Portugal</i></P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspond&ecirc;ncia</a></P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B>RESUMO</B></P>     <P >A Síndrome Metabólica (SM) resulta de um agrupamento de um conjunto  de factores de risco cardiovascular. É uma enfermidade particularmente  importante, que tem preocupado a comunidade médica e científica a nível mundial  uma vez a sua prevalência está a aumentar gradualmente, tanto em adultos como em  crianças, e está fortemente associada ao aumento do risco de desenvolvimento de  doenças cardiovasculares e mortalidade.&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Não existe ainda uma definição consensual sobre a SM, valores de  corte para cada um dos indicadores e estratégias de análise estatística. Além  disso, apesar de ser do conhecimento geral que a actividade física e o exercício  físico têm um papel muito benéfico na prevenção e tratamento da SM, ainda não é  clara a dose-resposta ideal.</P>     <P >É objectivo do presente estudo fazer uma revisão sumária sobre os  critérios de definição da SM assim como esclarecer e clarificar as várias  possibilidades de análise estatística e os seus impactos nos resultados obtidos  utilizando diferentes abordagens. Conjuntamente pretende-se perceber qual a  relação de diferentes níveis de (in)actividade física na manifestação da SM.</P>     <P ><B><I>Palavras-chave:</I></B> síndrome metabólica, critérios de definição,    métodos de análise estatística, actividade física, aptidão cárdio-respiratória</P>     <P ></P>     <P ></P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B>ABSTRACT</B></P>     <P ><B><I>A brief summary of the state-of-the-art concerning the  Metabolic Syndrome. Concept, measurement issues, data analysis strategies and  associations with physical activity</I></B></P>     <P ></P>     <P >The Metabolic syndrome (MS) is considered as a cluster of cardiovascular risk    factors. It is a particularly important infirmity which concerns the medical    and scientific community at a worldwide level as it has been increasing gradually    in children and as well as in adults, and is strongly associated with the development    of risk increases of cardiovascular diseases and mortality.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >There is still no consensual definition about MS, cut-off values for every    single indicator and unique statistical analysis strategies to deal with its    results. Although it is generally accepted that physical activity and physical    exercise have benign impacts on MS prevention and treatment, it is not yet well    demonstrated the precise dose-response relationship.</P>     <P >The main purpose of the state-of-the-art summary is to revise the MS definition,    criteria to classify the MS and the varieties of statistical analysis. IN addition    we shall focus on the relationship between physical activity and MS manifestations.</P>     <P ><B><i>Key-words</i>:</B><I> </I>metabolic syndrome, definition criteria, methods    for statistic analysis, physical activity, cardio-respiratory fitness</P>     <P >&nbsp;</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B>1. </B><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></P>     <P >Os tempos modernos estão intimamente associados a mudanças drásticas no estilo    de vida, comportamentos e hábitos nutricionais das populações à escala mundial.    Estas alterações, designadas de transições epidemiológicas, têm um forte impacto    na saúde pública, nomeadamente no que diz respeito ao aumento do risco cardiovascular<SUP>(<a name="top63"></a><a href="#63">63</a>)</SUP>.    É do conhecimento geral que as doenças cardiovasculares representam um dos mais    graves problemas de saúde pública com consequências sérias para o doente, para    a família e para a economia dos povos.</P>     <P >Segundo a OMS (2007)<SUP>(<a name="top58"></a><a href="#58">58</a>)</SUP>,    as doenças cardiovasculares posicionam-se como a causa número um de mortalidade    global e estima-se que em 2015 cerca de 20 milhões de pessoas sofram mortalmente    destas doenças. Em Portugal os números são igualmente preocupantes. Segundo    a ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde, em Portugal)<SUP>(<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>)</SUP>,    em 2006 o número de internamentos por enfarte agudo do miocárdio&nbsp; enfarte    foi de 11943 dos quais 11,4% resultaram em óbito. Se se alargar a pesquisa para    todas as patologias cardiovasculares (além do enfarte) verifica-se que de todos    os óbitos registados em 2006, cerca 36% foram de causa cardiovascular<SUP>(<a name="top28"></a><a href="#28">28</a>)</SUP>.    Se estes valores são preocupantes na perspectiva da saúde pública e da taxa    de mortalidade, não se deve esquecer nunca o impacto económico que estas patologias    implicam (para o doente, a família e o estado). Por exemplo, foi estimado que    os recursos económicos gastos com as doenças cardiovasculares em 2003 em diferentes    países europeus ascenderam a cerca de 169 biliões de euros em procedimentos    de emergência, internamentos, recursos humanos, medicamentos e outros relacionados    com estas doenças<SUP>(<a name="top33"></a><a href="#33">33</a>)</SUP>.</P>     <P >A tarefa de prevenir e combater as doenças cardiovasculares e diminuir os    seus factores de risco, tem vindo a ser dificultada pelo facto de alguns desses    factores se manifestarem de forma agrupada, isto é, em <I>clusters</I>. Isto    acontece em alguns distúrbios de várias origens, especialmente nos metabólicos    como é o caso da Síndrome Metabólica (SM)<SUP>(<a name="top45"></a><a href="#45">45</a>)</SUP>.    Esta síndrome tem impactos significativos a vários níveis, já que é notória    a relação entre a SM e as doenças cardiovasculares implicadas com a morte precoce<SUP>(<a name="top15"></a><a href="#15">15</a>,    <a name="top21"></a><a href="#21">21</a>, <a name="top30"></a><a href="#30">30</a>)</SUP>.    Além disso, a sua prevalência afecta diferentes estratos etários, sendo elevada    tanto em adultos<a name="top36"></a><SUP>(<a href="#36">36</a>, <a href="#43">43</a>)</SUP><a name="top43"></a>,    quanto em crianças e adolescentes<SUP>(<a name="top10"></a><a href="#10">10</a>,    <a name="top20"></a><a href="#20">20</a>, <a name="top40"></a><a href="#40">40</a>,    <a name="top49"></a><a href="#49">49</a>, <a name="top53"></a><a href="#53">53</a>)</SUP>.</P>     <P >Estes números reforçam a necessidade de tomar medidas urgentes  direccionadas à prevenção e tratamento destas doenças assim como a redução dos  seus factores de risco. Face ao quadro traçado e dada a relevância emergente da  SM, o objectivo do presente estudo passa por apresentar a definição,  actualização e clarificação de aspectos fundamentais da síndrome metabólica de  que destacamos:&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>        <p> - Revelar o trajecto histórico da definição desta síndrome, desde a sua primeira    sinalização até aos dias de hoje. </p>     <p>- Identificar os critérios de classificação mais actuais da SM e os problemas    decorrentes da diversidade de critérios. </p>     <p>- Apresentar os principais procedimentos de análise estatística da SM. </p>     <p>- Descrever a associação de níveis distintos da actividade física com o valor    contínuo de SM &nbsp; </p>        <P ><B></B></P>     <P ><B>2. A NO&Ccedil;&Atilde;O DE S&Iacute;NDROME (METAB&Oacute;LICA)</B></P>     <P >A síndrome metabólica, o seu conceito, operacionalização, relevância enquanto    entidade clínica e impacto na saúde das populações, são assuntos de forte debate<SUP>(<a name="top62"></a><a href="#62">62</a>)</SUP>.    Contudo, antes de abordarmos os aspectos fundamentais da sua definição operacional    e formas de análise estatística dos resultados de diferentes pesquisas, é importante    relembrar o sentido etimológico da expressão &#8220;síndrome metabólica&#8221;.    O significado do termo síndrome é ele próprio fonte de controvérsia, sugerindo    diversos questionamentos sobre seu significado clínico.&nbsp;</P>     <P >Síndrome é uma palavra de origem grega que assume várias formas geradas de    pequenas alterações da própria palavra inicial &#8211; <I>syndromé</I> &#8211;    que queria designar conjunto<SUP>(<a name="top47"></a><a href="#47">47</a>)</SUP>.    De acordo com este autor, o termo terá sido usado pela primeira vez na Grécia    no século XVI, e terá assumido o significado de um conjunto de sintomas sem    relação obrigatória com determinada doença.</P>     <P >Em inglês, a palavra &#8220;syndrome&#8221; terá entrado para o vocabulário    médico em meados de 1541, após uma tradução das obras de Galeno. A grafia terá    sido mantida com acentuação na antepenúltima sílaba tal como na língua castelhana    e italiana. Já na língua Portuguesa, surgiram cinco variações desta mesma palavra,    &#8220;síndrome&#8221;, &#8220;sindroma&#8221;, &#8220;síndromo&#8221;, &#8220;sindromo&#8221;    e &#8220;síndroma&#8221;, todas elas com o mesmo significado. Actualmente, ficou    estabelecido que a forma &#8220;síndrome&#8221; (pela aproximação à origem grega    <I>syndromé</I>) ou mesmo &#8220;síndroma&#8221;, acentuadas na antepenúltima    sílaba, e de género feminino, são as formas correctas e aceites em linguagem    médica Portuguesa<SUP>(<a name="top22"></a><a href="#22">22</a>)</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >No que concerne ao seu significado clínico, a SM é um <I>cluster</I> de factores    de risco de variáveis somáticas, fisiológicas e bioquímicas, associados à processos    mórbidos, como diabetes tipo II e doenças cardiovasculares, que juntos formam    o quadro clínico dessa síndrome<SUP>(<a href="#21">21</a>)</SUP>.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ></P>     <P ><B>3. ASPECTOS HIST&Oacute;RICOS</B></P>     <P >Foi nos anos 20 que se começou a atribuir maior importância à associação de    alguns factores de risco cardiovascular com a resistência à insulina. No entanto,    teríamos que esperar até 1988 para entender com maior clareza a entidade hoje    conhecida por síndrome metabólica (SM). Foi Gerald Reaven<SUP>(<a name="top44"></a><a href="#44">44</a>)</SUP>    que nas <I>Banting Lectures</I> reclamou atenção para o facto de alguns factores    de risco cardiovasculares, nomeadamente resistência à insulina, obesidade abdominal,    baixos valores de lipoproteínas de alta intensidade (C-HDL), triglicerídeos    e hipertensão arterial, aparecerem com frequência de forma agrupada em alguns    indivíduos. Esta condição foi denominada por <I>síndrome de resistência à insulina,</I>    pois todos os indivíduos que possuíam este estranho &#8220;cluster&#8221; de    diferentes factores de risco, tinham baixa sensibilidade à insulina. Esta síndrome    tem sido fértil em derivações: Síndrome X, síndrome X de Reaven, Síndrome plurimetabólica,    quarteto mortal, síndrome X metabólica, síndrome X plus, hipertrigliceridemia    abdominal<SUP>(<a name="top17"></a><a href="#17">17</a>, <a name="top31"></a><a href="#31">31</a>,    <a name="top42"></a><a href="#42">42</a>)</SUP>.</P>     <P >É consensual que a síndrome está associada ao aumento de risco cardiovascular    a longo prazo, diabetes tipo II, patologia hepática (não alcoólica), que varia    de esteatose macrovesicular simples, esteatoepatite, fibrose avançada e cirrose,    patologia renal, glomerulopatia, e alguns tipos de cancro<SUP>(<a href="#15">15</a>,    <a href="#22">22</a>, <a href="#28">28</a>)</SUP>. Esses factores de risco são    maioritariamente de origem metabólica. No entanto, existem outros factores associados    que potenciam o aumento e a severidade dos indicadores metabólicos de que destacamos    a inactividade física, a obesidade, a idade, e ainda os hábitos nutricionais    inadequados<SUP>(<a name="top23"></a><a href="#23">23</a>)</SUP>.</P>     <P >A etiologia da SM não é ainda totalmente conhecida, bem como todos os mecanismos    de sua fisiopatologia<SUP>(<a href="#45">45</a>)</SUP>. Contudo, é consensual    que resulta da interacção entre factores metabólicos, genéticos e ambientais<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>,    <a name="top7"></a><a href="#7">7</a>, <a name="top12"></a><a href="#12">12</a>,    <a name="top17"></a><a href="#17">17</a>, <a name="top24"></a><a href="#24">24</a>,    <a name="top34"></a><a href="#34">34</a>, <a name="top37"></a><a href="#37">37</a>,    <a name="top38"></a><a href="#38">38</a>, <a name="top39"></a><a href="#39">39</a>,    <a name="top46"></a><a href="#46">46</a>, <a name="top51"></a><a href="#51">51</a>,    <a name="top52"></a><a href="#52">52</a>)</SUP>. Exactamente por este motivo,    não existe ainda uma definição universal a que se associem indicadores e valores    de corte únicos.&nbsp;</P>     <P >Muitos autores avançaram com definições que foram sendo completadas/corrigidas    ao longo dos anos. Várias organizações académicas e profissionais, e grupos    de estudo apresentaram as suas posições oficiais acerca da SM de que destacamos    a OMS (1998)<SUP>(<a name="top2"></a><a href="#2">2</a>)</SUP>, a EGIR (1999)<SUP>(<a name="top8"></a><a href="#8">8</a>)</SUP>,    a NCEP-ATP III (2001)<SUP>(<a name="top19"></a><a href="#19">19</a>)</SUP>,    a AACE/ACE (2003)<SUP>(<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>)</SUP> e mais recentemente    a IDF (2005)<SUP>(<a name="top3"></a><a href="#3">3</a>)</SUP>.</P>     <P >A OMS (1998) foi a primeira organização a avançar com uma definição oficial    da síndrome metabólica, e a reunir um conjunto de critérios de diagnóstico muito    específicos. O pressuposto principal centra-se no facto da resistência à insulina    ou a presença de um qualquer distúrbio do metabolismo da glicose ser um dos    maiores contribuintes para a SM. Assim, a resistência à insulina foi considerada    pela OMS (1998) como o factor principal para o diagnóstico. Além disso, seriam    necessários a coexistência de, pelo menos, mais dois factores de risco (ver    Tabela 1) para que o diagnóstico fosse feito. Esses factores de risco têm valores    de corte muito específicos, que em 1999 foram sujeitos a alguns ajustes nomeadamente    no que diz respeito aos valores da pressão arterial<SUP>(<a name="top56"></a><a href="#56">56</a>)</SUP>.    Todos os restantes aspectos foram mantidos. Incluíram ainda um outro parâmetro    como componente de diagnóstico &#8211; a micro albuminúria &#8211; que gerou    imediatamente controvérsia por parte de várias outras organizações. <a name="topt1"></a></P>     <P >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B><a href="#t1">Tabela 1</a></B>. Indicadores e critérios para a definição    da SM (adultos).&nbsp;</P>     <p><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a09t1.jpg" width="660" height="529"></P>     
<P >&nbsp;</P>     <P >Em 1999 a EGIR &#8211; <I>The European Group for the Study of Insulin Resistence</I><SUP>(<a href="#8">8</a>)</SUP>    propôs uma versão modificada da anterior que poderia ser usada em indivíduos    não diabéticos. Defendiam a denominação de Síndrome de Resistência à Insulina    em vez de SM pois, tal como a OMS, também assumiam que a resistência à insulina    fosse a causa mais relevante para o diagnóstico. Tal como a OMS, além da resistência    à insulina, deveria ser integrado no diagnóstico a presença de mais dois factores    de risco. De todos os indicadores na Tabela 1, deram particular atenção à obesidade    abdominal. Para estimar a resistência à insulina, sugeriram o uso dos níveis    de insulina plasmática e/ou glucose em jejum. Além disso, eram considerados    outros factores como o facto dos sujeitos estarem a ser tratados a dislipidemias    ou a hipertensão, por evidências da associação de tais desordens com as doenças    cardiovasculares.</P>     <P >Uma terceira entidade, a <I>National Cholesterol Education Program&#8217;s    Adult Treatment Panel III</I> (NCEP-ATPIII, 2001)<SUP>(<a href="#19">19</a>)</SUP>    propôs uma nova definição da SM e reformulando os critérios de avaliação dos    diferentes indicadores, com o objectivo de facilitar o diagnóstico e a prática    clínica. Diferia das anteriores em dois grandes pontos: em primeiro lugar não    via a resistência à insulina como factor principal e exclusivo, com a possibilidade    de não ser representativa do estilo de vida do indivíduo); em segundo lugar    não se atribuía uma grande ênfase aos valores da glicose, tratando-os de igual    forma em relação a todos os outros componentes. Referiu a agregação de pelo    menos três dos cinco factores de risco, com valores de corte muito específicos    (Tabela 1). Além disso, era tida em conta a análise cuidada e acompanhamento    clínico de indivíduos com apenas dois factores de risco, uma vez que alguns    indivíduos pareciam ser igualmente insulino-resistentes tais como os indivíduos    com três ou mais factores. Este aspecto permitia estender o diagnóstico de SM    a outros sujeitos que não tivessem exclusivamente os três ou mais factores de    risco, mas a todos os que tivessem apenas dois factores e uma história clínica    compatível com a SM.&nbsp;</P>     <P >Em 2003, a <I>American Association of Clinical Endocrinology</I> (AACE) juntamente    com a <I>American College of Endocrinology</I> (ACE)<SUP>(<a href="#4">4</a>)</SUP>    manifestaram-se igualmente sobre este assunto. As atenções foram redireccionadas    para a resistência à insulina como principal factor de risco cardiovascular    e redefiniu-a como Síndrome de Resistência à insulina (tal como a EGIR). Integraram    no seu documento, vários outros factores que iriam identificar este síndrome    mas não definiu nenhum número mínimo para que o diagnóstico fosse realizado.    A grande diferença reside na ênfase dada ao diagnóstico baseado na história    clínica, história familiar e anamnese, não havendo uma nova definição para a    SM, mas sim maior importância à resistência à insulina.</P>     <P >A última entidade a pronunciar-se acerca da definição e critérios de caracterização    da síndrome metabólica foi a <I>International Diabetes Foundation</I> (IDF)    que publicou a sua posição em Dezembro de 2005<SUP>(<a href="#3">3</a>)</SUP>.    As grandes diferenças para as entidades anteriores residiram no facto de considerarem    o perímetro abdominal (obesidade abdominal) como critério fundamental, cujos    valores situam-se entre &#8805;85 a 94 cm para homens e &#8805;80 a 90 cm para    mulheres, sendo específicos a diversas etnias,&nbsp; para o diagnóstico da síndrome    metabólica, uma vez que esta medida era considerada altamente correlacionada    com a resistência à insulina. Assim sendo, as medidas laboratoriais da resistência    à insulina tornam-se desnecessárias. Além do perímetro abdominal, é condição    imprescindível para a realização do diagnóstico, a presença de mais dois factores    de risco. A definição da IDF chama ainda à atenção para o facto dos valores    do perímetro abdominal necessitarem de ser ajustados a indivíduos de nacionalidades    e etnias diferentes. Assim, para esses casos, é aconselhado o uso de dados de    estudos já realizados em populações específicas.&nbsp;</P>     <P >Além dos factores anteriores, muitos outros foram relacionados com a síndrome    metabólica. Pela escassez de estudos sobre os mesmos, a maioria não é incluída    nos critérios de definição da síndrome. Grundy<SUP>(<a href="#23">23</a>)</SUP>    e Terán-Garcia<SUP>(<a href="#51">51</a>)</SUP> salientaram:</P>     <p>        <p> &#8722; Distribuição anormal de massa gorda (geral, central, biomarcadores    de tecido adiposo, índice de gordura hepática, gordura miocelular)&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &#8722; Dislipidemia, além dos valores elevados de colesterol total, lipoproteínas    de baixa densidade (LDL) e triglicerídeos (Apoliproteina B, LDL, rácio Triglicerídeos/HDL)  </p>     <p>&#8722; Resistência à insulina, além dos valores da glicose em jejum (Insulina    em jejum, HOMA - IR: Homeostasis Model Assessment for Insuline Resistance, Bergman    Minimal Model, valores elevados de ácidos gordos livres.)&nbsp;</p>     <p> &#8722; Desregulação vascular </p>     <p>&#8722; Estado Pró-Infamatório (Proteína reactiva C de elevada sensibilidade,    concentrações elevadas e valores baixos de citocinas</p>     <p> &#8722; Estado pró-trombótico (factores coagulantes, factores fibrinolíticos)  </p>     <p>&#8722; Outros factores hormonais (eixo corticoesteróide, síndrome do ovário    policístico). </p>     <p>&nbsp;</p>     <P ></P>     <P ><B>4. DEFINI&Ccedil;&Atilde;O E VALORES DE CORTE</B></P>     <P >A <a name="t1"></a><a href="#topt1">Tabela 1</a> resume os indicadores e critérios    para a definição da SM segundo várias organizações mundiais.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Como se verifica, as cinco organizações descrevem minuciosamente os critérios    de classificação assim como os valores de corte. No entanto, apenas duas delas    se manifestaram relativamente à SM em crianças e jovens: OMS e NCEP ATPIII,    cujas propostas estão referidas na Tabela 2.</P>     <P 8></P>     <P 9><B>Tabela 2</B>. Indicadores e critérios para a definição da SM (crianças    e jovens). Comparação entre a OMS, NCEP ATPIII e IDF.</P>     <P 9><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a09t2.jpg" width="696" height="500"></P>     
<P 9>&nbsp;</P>     <P 9>Outros autores também se pronunciaram acerca da SM em crianças e jovens.    A Tabela 3 resume as referências mais actuais.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P 3><b>Tabela 3</b>. Critérios de Classificação da síndrome metabólica em crianças    e jovens. Diferenças entre os vários autores.</P>     <P 4><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a09t3.jpg" width="693" height="275"></P>     
<P 5>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P 8></P>     <P 9><B>5. DISCREP&Acirc;NCIA E VARIABILIDADE DOS CRIT&Eacute;RIOS DE CLASSIFICA&Ccedil;&Atilde;O</B></P>     <P >A variabilidade associada aos valores de corte nos indicadores da SM conduz    a resultados não consensuais quando se utilizam critérios distintos. Basta existirem    indivíduos que, em função de uma classificação ou outra possam ser classificados    como portadores ou não desta síndrome. Por exemplo, Dekker et al<SUP>(<a href="#15">15</a>)</SUP>    realizou um estudo numa mesma população em que aplicou os critérios de definição    operacional da NCEP, ATPIII, OMS, EGIR e ACE. Os resultados revelaram que, segundo    os critérios da NCAP ATPIII, os indivíduos apresentavam um risco ligeiramente    mais elevado quando comparado com os restantes. Isto poderá dever-se ao facto    dos valores de corte impostos pela NCEP ATPIII implicarem um intervalo mais    alargado de possibilidades, podendo eventualmente incluir um maior número de    indivíduos.</P>     <P >Wijndaele<SUP>(<a name="top55"></a><a href="#55">55</a>)</SUP> reforça esta    dificuldade e demonstra as diferenças encontradas após um estudo de prevalência    numa população Australiana usando os critérios da OMS, ATP III e EGIR. Os resultados    foram igualmente desconcertantes.</P>     <P >&nbsp;</P>     <p><b>Preval&ecirc;ncia da S&iacute;ndrome Metab&oacute;lica numa Popula&ccedil;&atilde;o    Australiana n&atilde;o Diab&eacute;tica (2005)</b></P>     <p><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a09g1.jpg" width="357" height="173"></P>     
<P 4><b>Gráfico 1</b>. Prevalência da Síndrome Metabólica de acordo com as 3 definições<SUP>(<a href="#55">55</a>)</SUP></P>     <P 4>&nbsp;</P>     <P >Verifica-se uma grande discrepância entre os valores das prevalências, sendo    que a maior diferença chega aos 4,9% (OMS e EGIR). Adicionam-se ainda outros    aspectos que dificultam a comparação de dados de diferentes estudos, que geram    confusão em termos epidemiológicos. Pesquisas com diferentes delineamentos,    populações com características físicas muito específicas, o ano de recolha dos    dados e os critérios usados, a distribuição da amostra nomeadamente no que diz    respeito a idade, &#8220;raça&#8221; e sexo geram problemas acrescidos na comparação    de resultados.&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Verifica-se, por exemplo, que em estudos de prevalências encontram-se resultados    distintos, mas ao mesmo tempo interessantes quando analisamos diferentes populações.    Por exemplo, em pesquisas cuja amostra é constituída por indivíduos entre os    20 e os 25 anos de idade e mais velhos, as prevalências variam desde os 8% (Índia)    até aos 24% (EUA) nos homens, e desde 7% (França) aos 43% (Irão) nas mulheres.    Na mesma população os resultados são diferentes se se distinguir grupos de raça/etnia    diferente. Além disso, encontram-se variações a nível do sexo pois se numa população    com ajuste à idade a prevalência de SM é mais elevada nas mulheres, noutras    populações já é mais elevada nos homens<SUP>(<a href="#31">31</a>)</SUP>.</P>     <P >A falta de homogeneidade na definição, nos critérios, características da amostra    e tipo de estudo realizado, gera alguma confusão, tornando a investigação e    comparação mais problemática. Alguns autores, tal como Yang<SUP>(<a name="top59"></a><a href="#59">59</a>)</SUP>    tentam contornar esta dificuldade usando no mesmo estudo, as três diferentes    classificações e apresentam os resultados em função de cada uma delas.&nbsp;</P>     <P >Além deste problema, que implica um desacordo entre ter ou não ter síndrome    metabólica, maior ou menor risco cardiovascular, existe um factor comum a todas    as variações dos critérios de definição. Todos possuem valores de corte muito    específicos, reduzindo a distribuição dos valores de todas as variáveis contínuas    a uma dicotomização básica com perda de poder interpretativo cujas implicações    clínicas e significado estatístico em termos epidemiológicos podem não ser as    mais adequadas<SUP>(<a name="top54"></a><a href="#54">54</a>)</SUP>.&nbsp;</P>     <P >Esta caracterização em &#8220;ter ou não ter&#8221; é muito redutora e limitativa uma    vez que, se estamos a falar de uma doença progressiva que associa vários factores    de risco agrupados e que se manifestam de forma diferente em função da presença    uns dos outros, torna obviamente esta classificação muito pobre e sem aplicabilidade    clínica. Não se percebe o verdadeiro risco que determinado indivíduo apresenta,    nem a sua evolução/regressão face a um tratamento, por exemplo, nem se consegue    distinguir grupos de indivíduos face a determinadas características físicas    porque todos eles apenas &#8220;têm ou não têm&#8221; Síndrome Metabólica.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ></P>     <P 0><B>6. Métodos de Análise Estatística e Tratamento dos dados da  SM</B></P>     <P >A análise estatística dos diferentes indicadores da SM tem conduzido  os investigadores a visões distintas da mesma informação. Neste sentido parece  haver quatro estratégias de análise de dados:</P>     <p>        <p> 1. Centrada nos valores contínuos dos indicadores da SM, com importância na    fase inicial dos estudos onde se realiza uma forte análise exploratória e descritiva    dos valores, com o propósito de providenciar informação epidemiológica básica    relevante. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2. Centrada nos pontos de corte propostos reduzindo os valores contínuos das    variáveis a entidades discretas, isto é a valores binários de grande utilidade    em pesquisa epidemiológica, sobretudo no cálculo de prevalências, de grande    relevância em termos clínicos. </p>     <p>3. Centrada na transformação de valores contínuos em <I>scores</I> Z, que depois    de somados, permitem obter um <I>score</I> contínuo que tenta expressar a magnitude    do valor da SM. Com base neste resultado é possível associá-lo a quartis e quintis    de actividade física e capacidade cardio-respiratória. </p>     <p>4. Centrada na análise factorial (AF) e análise de componentes principais (ACP)    com o objectivo de identificar as componentes ou factores principais que melhor    descrevem as relações, isto é, a covariação entre os indicadores da SM. </p>     <P >A Tabela 4 apresenta um sumário brevíssimo de alguns estudos que recorrem    às três principais formas de análise estatística da SM.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><b>Tabela 4</b>. Sum&aacute;rio de alguns estudos relativos &agrave;s diferentes    estrat&eacute;gias de an&aacute;lise da SM</P>     <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a09t4.jpg" width="673" height="828"></P>     
<P >&nbsp;</P>     <P >A primeira opção (de dicotomização de valores contínuos) tal como foi referido    anteriormente, apresenta alguma insuficiência no que concerne ao poder estatístico    dos resultados, bem como ao seu significado clínico<SUP>(<a name="top35"></a><a href="#35">35</a>)</SUP>.    A este último respeito, o risco de desenvolver uma patologia cardiovascular    ou apresentar síndrome metabólica apresenta-se sempre de modo progressivo<SUP>(<a href="#31">31</a>)</SUP>.    Ora esta progressão não implica, necessariamente, um aumento do número de factores    de risco, mas sim alteração nos resultados, isto é, aumento dos valores relativamente    às referências, dos factores de risco<SUP>(<a name="top32"></a><a href="#32">32</a>)</SUP>.    Daqui que, a análise da síndrome metabólica considerada como uma simples questão    de &#8220;ter ou não ter&#8221; pode revelar-se redutora e simplista.&nbsp;</P>     <P >A segunda opção de análise surgiu na tentativa de ultrapassar o problema do    reduzido poder estatístico da dicotomização das variáveis. A ideia base é construir    um <I>score </I>(contínuo) de síndrome metabólica, calculado através da soma    dos <I>scores z</I> dos diferentes indicadores. Este <I>score</I> contínuo,    é estatisticamente mais sensível na sua globalidade para expressar a SM do que    as variáveis dicotómicas<SUP>(<a href="#54">54</a>)</SUP>. Este procedimento    foi utilizado por diversos autores, como uma forma de ultrapassar a &#8220;simplicidade&#8221;    do recurso a variáveis binárias<SUP>(<a name="top5"></a><a href="#5">5</a>,    <a name="top9"></a><a href="#9">9</a>, <a href="#21">21</a>, <a name="top48"></a><a href="#48">48</a>)</SUP>.    Contudo, a simples soma dos valores z não considerava a circunstância dos indicadores    poderem ser pesados de modo distinto. Uma forma de resolver este problema foi    sugerida por Wijndaele e colaboradores<SUP>(<a href="#54">54</a>)</SUP>, recorrendo    à inclusão do valor da variância explicada pelas componentes principais que    &#8220;aglutinam&#8221; os diferentes indicadores da síndrome.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Uma terceira forma lidar com os indicadores da síndrome metabólica  recorre à análise factorial (AF) ou análise em componentes principais (ACP). O  objectivo deste procedimento é identificar as associações e independência das  diversas variáveis assim como verificar quais delas melhor explicam a  covariância existente. Esta abordagem permite retirar informação complementar  face às anteriores, uma vez que as características inerentes aos procedimentos  estatísticos específicos que estão implicados são igualmente diferentes.</P>     <P >As diferentes formas de avaliar e interpretar os dados da SM são utilizadas    em função dos objectivos de cada estudo. No entanto, esta variedade de procedimentos    de análises acarreta uma multiplicidade de respostas que, se por um lado podem    resultar numa agregação e compilação de conclusões interessantes, por outro    poderá gerar controvérsia ou não responder à questão central de cada pesquisa.    Além disso, e após analisar diversos estudos, começam a surgir novas questões,    que pela sua complexidade não são bem esclarecidas com os modelos de análise    anteriormente descritos. Atentemos no seguinte: os critérios de definição da    síndrome metabólica têm, em geral, quatro ou cinco componentes. A maioria dos    autores (ou entidades) selecciona um deles (como específico) e mais dois ou    três para ser realizado o diagnóstico da síndrome metabólica. Será de pensar    que todas as combinações possíveis (com 5 componentes temos 32 combinações,    com 6 temos 64 combinações) entre esses mesmos componentes têm o mesmo peso    clínico<SUP>(<a href="#31">31</a>)</SUP>. Ou seja, será que existem combinações    com mais significado que outras? Será que cada um dos factores revela um valor    preditivo diferente se estiver igualmente agrupado com diferentes factores?    Será que esses mesmos factores agrupados, aumentam o risco de doença cardiovascular    em comparação com a soma do seu risco isoladamente? Quais os procedimentos estatísticos    a utilizar para tentar responder a estas questões?</P>     <P 0>A estas dúvidas, somam-se outras às quais urge a necessidade de resposta    permitindo assim a adaptação de conhecimentos à prática clínica em benefício    do doente.</P>     <P 0>&nbsp;</P>     <P 9></P>     <P ><B>7. Relação entre a (in)Actividade Física e <I>Continuum</I> de  Risco Metabólico</B></P>     <P >É do conhecimento geral que a população mundial é cada vez mais sedentária    e adopta estilos de vida cada vez menos saudáveis. Esta é uma preocupação que    atinge principalmente os países desenvolvidos que continuamente se esforçam    por divulgar e alertar as populações para o benefício do exercício físico, de    uma alimentação equilibrada e para a adopção de estilos de vida saudáveis. Infelizmente    os resultados dos inúmeros estudos nem sempre têm o impacto desejado uma vez    que existe ainda um conjunto muito alargado de pessoas em vários países, que,    além de não adoptarem estilos de vida saudáveis, têm valores de actividade física    abaixo do recomendado<SUP>(<a href="#9">9</a>, <a href="#39">39</a>, <a name="top50"></a><a href="#50">50</a>,<a href="#55">    55</a>, <a name="top57"></a><a href="#57">57</a><a href="#57"></a>, <a href="#58">58</a>)</SUP>.</P>     <P >A relação entre os níveis de actividade física e a prevalência da SM em adultos    tem sido alvo de pesquisas intensivas. A maioria dos estudos encontrados identifica    uma associação inversa entre os níveis de actividade física e a prevalência    ou incidência desta enfermidade<SUP>(<a href="#5">5</a>, <a href="#9">9</a>,    <a name="top18"></a><a href="#18">18</a>, <a name="top25"></a><a href="#25">25</a>,<a name="top41"></a>    <a href="#41">41</a>, <a href="#48">48</a>, <a href="#49">49</a>, <a href="#50">50</a>,    <a href="#54">54</a>,<a href="#59"> 59</a>)</SUP>. Esta associação inversa sustenta    promoção da prática de exercício físico regular (com nível moderado a intenso)    como uma estratégia de eleição para prevenção e tratamento da SM<SUP>(<a href="#23">23</a>)</SUP>.&nbsp;</P>     <P >A afinidade entre a (in)actividade física e a síndrome metabólica é igualmente    encontrada quando nos referimos a populações pediátricas (ver Tabela 5). Alguns    estudos relatam o impacto que níveis diferenciados de actividade física têm    no valor compósito da agregação dos factores de risco metabólico, sobretudo    a sua importância como factor protector da doença<SUP>(<a name="top16"></a><a href="#16">16</a>,<a href="#41">    41</a>, <a href="#50">50</a>, <a href="#59">59</a>)</SUP>.&nbsp; Contudo, os    resultados encontrados variam em função de ajustamentos estatísticos a factores    aditivos ou de confundimento. Características pessoais como idade, sexo, etnia    e estilo de vida são elementos que poderão interferir nos resultados das análises    estatísticas e, por isso mesmo, não devem ser esquecidos. Além disso, o IMC,    a aptidão cardio-respiratória e o exercício físico deverão ser igualmente descritos    em detalhe, de forma isolada ou conjuntamente, para que os resultados não sejam    &#8220;contaminados&#8221; pela sua covariação com os níveis de actividade física.    Alguns dos estudos encontrados, resumidos na Tabela 5, fazem essa análise e    em alguns casos os resultados são ligeiramente diferentes quando se efectuam    ajustamentos para confundidores. Se umas vezes a relação AF e SM é enriquecida    quando se adicionam covariáveis como aptidão cardio-respiratória, também poderá    perder significado quando se ajustam para outras como idade ou o IMC.</P>     <p></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></P>     <p><B>Tabela 5</B>. Sumário de estudos recentes, em crian&ccedil;as e adultos,    sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a actividade f&iacute;sica e a SM assim    como a influ&ecirc;ncia de poss&iacute;veis factores confundidores</P> <img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a09t5.jpg" width="660" height="786">      
<P 4>&nbsp;</P>     <P 4>Tal como demonstra a tabela anterior, a relação inversa entre a AF e a SM    foi encontrada em diversos estudos em vários países. Os mesmos achados são encontrados    em Portugal. Recentemente foi realizado um estudo na Região Autónoma dos Açores    por Campos<SUP>(<a name="top11"></a><a href="#11">11</a>)</SUP> com o objectivo    de avaliar a importância da actividade física regular na manifestação das componentes    da síndrome metabólica. Os dados obtidos foram coerentes com a maioria das pesquisas    realizadas a nível mundial, revelando que, tanto em adultos como em crianças,    existe uma associação significativa e negativa entre a actividade física e as    componentes da SM. As crianças e jovens menos activos possuem maior prevalência    nos indicadores desta enfermidade e revelam uma propensão superior para a manifestação    de risco metabólico. Assim, a agregação de factores de risco metabólico está    associado aos níveis distintos de actividade física. Daqui que os níveis moderados    a elevados de actividade física tenham um efeito protector da doença.</P>     <P >Além disso, é de reforçar que, o exercício físico é actualmente considerado    um dos meios de eleição para a prevenção de evento cardiovascular. O Colégio    Americano de Medicina Desportiva considera o exercício físico como um &#8220;medicamento&#8221;,    ao ponto do seu <I>slogan</I> actual ser &#8211; <I>exercise is medicine.</I>    Salienta-se a necessidade de assumir o exercício físico como um fármaco (profilático    ou terapêutico), que deve ser prescrito na dosagem precisa com a frequência    adequada e própria para cada indivíduo.&nbsp;</P>     <P >&nbsp;</P>     <P><B>8.</B> <B>Conclusão</B></P>     <P >As pesquisas referenciadas mostram a relevância que esta síndrome  apresenta no que diz respeito aos impactos para o doente, família e para a  própria economia (familiar e do país). A definição da síndrome metabólica passou  por várias etapas ao longo do tempo, até ao formato actual. É consensual o facto  de resultar de um agrupamento (<I>clusters</I>) de vários factores de risco  cardiovascular, mostrando em termos populacionais um aumento quase exponencial  do risco cardiovascular e prevalência de patologia.&nbsp;</P>     <P >A aplicabilidade clínica dos critérios da SM nem sempre é clara,  porque na maioria dos casos a própria definição desta síndrome incita à sua  redução a um diagnóstico binário: &#8220;ter&#8221; ou &#8220;não ter&#8221;. É através da dicotomização  das variáveis e da conjugação combinatória de factores de risco com valores de  corte rígidos, que é feito o diagnóstico. Este procedimento básico pode limitar  a análise da magnitude risco em função das múltiplas configurações de diferentes  factores do risco, em função do peso que cada um representa isoladamente ou  agrupado a outros, em função dos valores quantitativos de cada um dos factores.  Torna-se pois desejável o recurso a vários métodos de análise estatística para  melhor perceber a magnitude e a relevância distinta da influência dos diversos  factores genéticos e ambientais nos valores desta síndrome.</P>     <P >É hoje claro o papel claro que a actividade física desempenha na  manutenção da saúde. O efeito protector que níveis moderados a elevados de  actividade física regular exercem nos factores de risco metabólico é óbvio e  demonstrado por vários autores. Da mesma forma, a inactividade física e o  sedentarismo revelam uma forte associação com a síndrome metabólica assim como  potencia o aumento do risco cardiovascular.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Desta forma torna-se mais uma vez evidente a importância fulcral que  o exercício físico tem na prevenção e como adjuvante no tratamento da síndrome  metabólica.</P>     <P ></P>     <P ></P>     <P ><B>Agradecimento</B></P>     <P >Ao editor da RPCD pelas críticas e sugestões que permitiram melhorar  substancialmente o trabalho. Este texto decorre de um projecto de pesquisa  financiado pela FCT sob o número PTDC/DES/67569/2006 designado actividade  física, aptidão física associada à saúde, somatótipo e síndrome metabólica. Um  estudo longitudinal em famílias nucleares.</P>     <P ></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>REFER&Ecirc;NCIAS</B></P>     <p></P>     <p> <a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Administração Central do Sistema de    Saúde, I.P. (2006). <I>Sistema Classificação de Doentes em Grupos de Diagnósticos    Homogéneos (GDH)</I>. Consult 18 Ago 2008, disponível em <a href="http://www.acs.min-saude.pt/Portals/0/DownloadsPublicacoes/SNS/Info_Activid/Rel_Nacional_06.pdf" target="_blank">http://www.acs.min-saude.pt/Portals/0/DownloadsPublicacoes/SNS/Info_Activid/Rel_Nacional_    06.pdf</a>      ]]></body>
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<source><![CDATA[Dicionário de Ciências da Saúde]]></source>
<year>1997</year>
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