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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Determinantes externos e internos da acumulação de capacidade tecnológica em empresas de bens de capital]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este artículo tiene como objetivo analizar los principales elementos externos e internos determinantes de la acumulación de capacidades tecnológicas en el sector de bienes de capital en empresas de Brasil. Para alcanzar tales objetivos se realizó un estudio exploratorio con enfoque cualitativo junto a 44 empresas del sector de bienes de capital mecánico, localizadas en la región sudeste del país. El desdoblamiento en elementos internos y externos posibilitó la evaluación de los esfuerzos internos realizados por las empresas y las limitaciones impuestas por los condicionantes externos que actúan en el proceso de acumulación de capacidades tecnológicas. Los resultados muestran que en todas las dimensiones las características presentadas condicionan a las empresas a una baja competitividad, ya sea por el precio o por diferenciación tecnológica.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study analyses the main external and internal determining factors for the accumulation of technological capability in capital goods companies in Brazil. These goals were achieved through an exploratory study with a qualitative approach conducted with 44 companies of the mechanical capital goods sector, located in the southeast region of the country. The internal and external factors were used to evaluate the internal efforts executed by the companies and the limitations posed by external constraints that influence the accumulation of technological capabilities. The results show that in all dimensions the characteristics presented induce companies to low competitiveness, either by price or technological differentiation.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><B>ARTIGOS</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Determinantes externos e internos da acumula&ccedil;&atilde;o de capacidade </b><b>tecnol&oacute;gica em empresas de bens de capital</b></p>     <p><b>Determinantes externos e internos de la acumulaci&oacute;n de capacidades tecnol&oacute;gicas en las empresas de bienes de capital</b></p>     <p><b>The external and internal determining factors for the accumulation of technological capability in capital goods companies</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Antonio Iacono* e Marcelo Seido Nagano**</b></p>     <p>* Doutorado em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o, Universidade de S&atilde;o Paulo, Escola de Engenharia de S&atilde;o Carlos. Professor Adjunto, Universidade Federal Fluminense, Departamento de Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o, Volta Redonda-RJ, CEP 27255-125, Brasil.&nbsp;<a href="mailto:toniacono@gmail.com">toniacono@gmail.com</a></p>     <p>** Doutorado em Engenharia Mec&acirc;nica, Universidade S&atilde;o Paulo, Escola de Engenharia de S&atilde;o Carlos. Professor Associado, Universidade S&atilde;o Paulo, Departamento de Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o, Av. Trabalhador S&atilde;o-Carlense, 400, Centro, S&atilde;o Carlos-SP, CEP 13566-590, Brasil.&nbsp;<a href="mailto:drnagano@usp.br">drnagano@usp.br</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo tem por objetivo analisar os principais elementos determinantes externos e internos &agrave;s empresas para o ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica em empresas do setor de bens de capital no Brasil. Para alcan&ccedil;ar tais objetivos, realizou-se um estudo explorat&oacute;rio, de abordagem qualitativa, junto a 44 empresas do setor de bens de capital mec&acirc;nico, localizadas na regi&atilde;o sudeste do pa&iacute;s. O desdobramento em elementos internos e externos possibilitou a avalia&ccedil;&atilde;o dos esfor&ccedil;os internos realizados pelas empresas e as limita&ccedil;&otilde;es postas pelos condicionantes externos que atuam no processo de ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica. Os resultados mostram que em todas as dimens&otilde;es as caracter&iacute;sticas apresentadas condicionam as empresas a uma baixa competitividade, seja por pre&ccedil;o ou por diferencia&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Capacidade Tecnol&oacute;gica; Bens de Capital; Inova&ccedil;&atilde;o; Fatores Internos e Externos; Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Este art&iacute;culo tiene como objetivo analizar los principales elementos externos e internos determinantes de la acumulaci&oacute;n de capacidades tecnol&oacute;gicas en el sector de bienes de capital en empresas de Brasil. Para alcanzar tales objetivos se realiz&oacute; un estudio exploratorio con enfoque cualitativo junto a 44 empresas del sector de bienes de capital mec&aacute;nico, localizadas en la regi&oacute;n sudeste del pa&iacute;s. El desdoblamiento en elementos internos y externos posibilit&oacute; la evaluaci&oacute;n de los esfuerzos internos realizados por las empresas y las limitaciones impuestas por los condicionantes externos que act&uacute;an en el proceso de acumulaci&oacute;n de capacidades tecnol&oacute;gicas. Los resultados muestran que en todas las dimensiones las caracter&iacute;sticas presentadas condicionan a las empresas a una baja competitividad, ya sea por el precio o por diferenciaci&oacute;n tecnol&oacute;gica.</p>     <p><b>Palabras clave:</b> Capacidades Tecnol&oacute;gicas; Bienes de Capital; Innovaci&oacute;n; Factores Internos y Externos; Brasil</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study analyses the main external and internal determining factors for the accumulation of technological capability in capital goods companies in Brazil. These goals were achieved through an exploratory study with a qualitative approach conducted with 44 companies of the mechanical capital goods sector, located in the southeast region of the country. The internal and external factors were used to evaluate the internal efforts executed by the companies and the limitations posed by external constraints that influence the accumulation of technological capabilities. The results show that in all dimensions the characteristics presented induce companies to low competitiveness, either by price or technological differentiation.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Key words</b>: Technological Capability; Capital Goods; Innovation; Internal and External Factors; Brazil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas houve uma intensifica&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica para a competitividade das empresas e progresso econ&ocirc;mico dos pa&iacute;ses. Cada vez mais, a competitividade em um mercado global depende da capacidade criativa e da capacidade tecnol&oacute;gica inovadora. &Eacute; com base na capacidade tecnol&oacute;gica que as empresas realizam suas atividades de inova&ccedil;&atilde;o e determinam seu grau de competitividade nos mercados atuantes.</p>     <p>A mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica &eacute; entendida como um processo din&acirc;mico e com uma natureza acumulativa. Tais caracter&iacute;sticas conduziram os estudos, em especial na abordagem evolucionista, &agrave; compreens&atilde;o de regularidades setoriais nos determinantes da inova&ccedil;&atilde;o. Conforme Malerba (2006), a inova&ccedil;&atilde;o difere atrav&eacute;s dos setores e atrav&eacute;s das firmas em termos de diferentes conhecimentos, compet&ecirc;ncias, diferentes n&iacute;veis de processos de aprendizagem e organiza&ccedil;&atilde;o das atividades inovativas, levando &agrave; configura&ccedil;&atilde;o de tamb&eacute;m diferentes n&iacute;veis de capacidade tecnol&oacute;gica. Com isso, a capacidade tecnol&oacute;gica assume importante papel como fonte de diferen&ccedil;as entre os setores industriais e pa&iacute;ses, em termos de progresso industrial e de crescimento econ&ocirc;mico.</p>     <p>O ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica, por sua vez, compreende aspectos que s&atilde;o internos e externos &agrave;s empresas. Do ponto de vista dos elementos internos, &eacute; crucial para a sobreviv&ecirc;ncia e competitividade, em um mercado globalizado, que as empresas se engajem em processos cont&iacute;nuos de aprendizagem para a constru&ccedil;&atilde;o e ac&uacute;mulo de sua capacidade tecnol&oacute;gica, constru&ccedil;&atilde;o institucional e medidas pol&iacute;ticas. Quanto aos elementos externos, al&eacute;m do mercado e da tecnologia, as flutua&ccedil;&otilde;es do crescimento econ&ocirc;mico exercem forte influ&ecirc;ncia e interrup&ccedil;&otilde;es no ciclo de aprendizagem, contribuindo assim para a ruptura da sequ&ecirc;ncia evolutiva e cumulativa do processo de ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica. Em outros termos, os elementos externos criam condi&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis para investimentos, em particular, aqueles realizados com atividades com longo prazo de retorno, como as de Pesquisa &amp; Desenvolvimento (P&amp;D) e inova&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As caracter&iacute;sticas ou fatores internos e externos &agrave; firma (ou inter e intrafirmas), apresentadas neste trabalho, apoiam-se nos conceitos de regime tecnol&oacute;gico e sistema setorial de inova&ccedil;&atilde;o. O primeiro conceito, ao descrever o ambiente tecnol&oacute;gico no qual as firmas operam, gera um entendimento conseguinte das caracter&iacute;sticas ou fatores internos &agrave; firma. O segundo possibilita uma an&aacute;lise e entendimento de aspectos-chaves que v&atilde;o al&eacute;m da pr&oacute;pria firma (suas rela&ccedil;&otilde;es com os diversos agentes do meio externo), e que afetam consideravelmente suas atividades inovativas e produtivas.</p>     <p>Sendo assim, &agrave; luz da abordagem evolucionista, das concep&ccedil;&otilde;es de regime tecnol&oacute;gico e de padr&otilde;es e sistemas setoriais de inova&ccedil;&atilde;o, este artigo tem por objetivo principal uma an&aacute;lise e sistematiza&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es internas e externas que determinam o ac&uacute;mulo de capacidades tecnol&oacute;gicas das empresas do setor de bens de capital no Brasil. Visa capturar evid&ecirc;ncias de esfor&ccedil;os internos realizados pelas empresas e limita&ccedil;&otilde;es para o ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica, postas pelos condicionantes externos.</p>     <p>Na se&ccedil;&atilde;o a seguir &eacute; feita uma breve revis&atilde;o sobre os principais conceitos em que se apoia este estudo. Logo ap&oacute;s s&atilde;o apresentados os procedimentos metodol&oacute;gicos utilizados na pesquisa. Finalmente, os resultados e as considera&ccedil;&otilde;es finais s&atilde;o mostrados na sequ&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Regime tecnol&oacute;gico e sistema setorial de inova&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de regime tecnol&oacute;gico foi introduzido por Nelson e Winter (1977) e elaborado por Dosi (1982), e define os princ&iacute;pios do conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico que s&atilde;o necess&aacute;rios para o processo de inova&ccedil;&atilde;o, bem como as fronteiras que podem ser alcan&ccedil;adas. Literalmente, &eacute; um modelo ou padr&atilde;o de solu&ccedil;&atilde;o para os problemas tecnol&oacute;gicos selecionados a partir de um processo de aprendizagem tecnol&oacute;gica, de resolu&ccedil;&otilde;es que envolvem princ&iacute;pios cient&iacute;ficos e procedimentos tecnol&oacute;gicos.</p>     <p>Em outros termos, o regime tecnol&oacute;gico pode ser definido em termos da combina&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica das condi&ccedil;&otilde;es de (i) oportunidade tecnol&oacute;gica (facilidade com a qual novas solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas podem surgir), (ii) condi&ccedil;&otilde;es de apropriabilidade (facilidade com a qual novas solu&ccedil;&otilde;es podem ser protegidas contra as imita&ccedil;&otilde;es), (iii) n&iacute;vel de cumulatividade do aprendizado (aprendizado obtido com inova&ccedil;&otilde;es passadas influencia as inova&ccedil;&otilde;es que ocorrer&atilde;o no futuro), e (iv) natureza da base de conhecimento (propriedades do conhecimento no qual as atividades inovativas das firmas est&atilde;o baseadas) (Dosi, 1988; Malerba e Orsenigo, 1993; Marsili e Verspagen, 2001). Sua estrutura te&oacute;rica contribui para a compreens&atilde;o da variedade de processos de inova&ccedil;&atilde;o que &eacute; observada atrav&eacute;s dos setores industriais e da pr&oacute;pria tecnologia.</p>     <p>Em outros termos, o regime tecnol&oacute;gico descreve o ambiente tecnol&oacute;gico no qual as firmas operam e enfatiza a import&acirc;ncia dos padr&otilde;es setoriais na mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica. De acordo com Malerba (2002), um regime tecnol&oacute;gico espec&iacute;fico define a natureza dos problemas que uma firma apresenta, em rela&ccedil;&atilde;o as suas atividades inovativas; afeta o tipo de aprendizagem tecnol&oacute;gica e, por conseguinte, a din&acirc;mica da evolu&ccedil;&atilde;o dessas firmas. V&aacute;rios outros estudos, em especial Malerba e Orsenigo (1996), Breschi, Malerba e Orsenigo (2000), e Van Dijk (2000) desenvolveram pesquisas emp&iacute;ricas sobre regimes tecnol&oacute;gicos a partir do modelo de Nelson e Winter.</p>     <p>Os fundamentos do conceito de Sistema Setorial de Inova&ccedil;&atilde;o (SSI) est&atilde;o nas diferen&ccedil;as entre os setores nas formas de aprendizado e de mudan&ccedil;a t&eacute;cnica, associadas &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de regime tecnol&oacute;gico. Um sistema setorial de inova&ccedil;&atilde;o (e produ&ccedil;&atilde;o) &eacute; composto por um conjunto de agentes heterog&ecirc;neos que desenvolvem intera&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter mercadol&oacute;gico ou n&atilde;o mercadol&oacute;gico para a gera&ccedil;&atilde;o, ado&ccedil;&atilde;o e uso de novas (ou j&aacute; estabelecidas) tecnologias espec&iacute;ficas e para a cria&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o e uso de novos produtos pertinentes a um setor (produtos setoriais). Os agentes que comp&otilde;em um sistema setorial podem ser organiza&ccedil;&otilde;es (clientes, fornecedores, fabricantes, universidades, institui&ccedil;&otilde;es financeiras, agentes governamentais, etc.) e indiv&iacute;duos (Malerba, 2002).</p>     <p>Tal abordagem ganha muita import&acirc;ncia, em especial, para os pa&iacute;ses em desenvolvimento, pois possibilita o entendimento de como as capacidades s&atilde;o desenvolvidas pelas empresas e setores no sentido de inovar e competir. O desenvolvimento de setores, a partir de escolhas acertadas, &eacute; fundamental para o desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. Nesse sentido, o SSI pode contribuir substancialmente para o desenvolvimento econ&ocirc;mico, j&aacute; que atrav&eacute;s desse modelo &eacute; poss&iacute;vel identificar os elos faltantes, os gargalos na circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento e as causas de falhas no sistema. Deste modo, a especializa&ccedil;&atilde;o do SSI em alguns setores (mais din&acirc;micos tecnologicamente) pode ser um fator determinante para o dinamismo econ&ocirc;mico.</p>     <p>A defini&ccedil;&atilde;o de SSI enfatiza, conforme Malerba (2002), alguns pontos que o distingue do conceito tradicional de setor, pois analisa outros agentes al&eacute;m das firmas.</p>     <p>Dentre os principais pontos de diferencia&ccedil;&atilde;o, destacam-se:</p> <ul>       <li>O sistema setorial privilegia o conhecimento e sua estrutura como elemento-chave. A base de conhecimento pode diferenciar-se muito atrav&eacute;s dos setores e afetar as atividades inovativas, organiza&ccedil;&atilde;o e comportamento das firmas dentro de um setor;</li>       <li>S&atilde;o enfatizados aspectos-chave da firma, tais como processo de aprendizagem, compet&ecirc;ncias, comportamento e organiza&ccedil;&atilde;o. A &ecirc;nfase em identificar o grau e os determinantes da heterogeneidade dos agentes, comportamento e variedade organizacional dentro dos setores &eacute; uma caracter&iacute;stica da abordagem do sistema setorial;</li>       <li>Import&acirc;ncia do papel de organiza&ccedil;&otilde;es, tais como universidades, agentes financeiros, governo, e de regula&ccedil;&otilde;es, padr&otilde;es e mercado de trabalho. Estas caracter&iacute;sticas diferem fortemente entre os setores e afetam as atividades inovativas e produtivas das firmas;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Mecanismos de intera&ccedil;&otilde;es internas e externas &agrave; firma. Rela&ccedil;&otilde;es entre os agentes, sejam elas de mercado ou n&atilde;o.</li>     </ul>     <p>Essa potencialidade do SSI, conforme Lundvall <i>et al.</i> (2009), tem justificado, cada vez mais, a ado&ccedil;&atilde;o desse modelo por pa&iacute;ses em desenvolvimento. Mas &eacute; importante enfatizar que, para que isso ocorra, &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;ria a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es adequadas, uma coordena&ccedil;&atilde;o do sistema e a exist&ecirc;ncia de uma infraestrutura capaz de apoiar e promover os processos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Acumula&ccedil;&atilde;o de capacidade tecnol&oacute;gica em pa&iacute;ses em desenvolvimento</b></p>     <p>Desde a d&eacute;cada de 1970, a literatura sobre tecnologia e desenvolvimento tem enfatizado a aquisi&ccedil;&atilde;o de capacidade tecnol&oacute;gica, nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, como um determinante crucial da industrializa&ccedil;&atilde;o bem-sucedida (Romijn, 1997). De uma maneira simples, a capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica refere-se ao processo de acumula&ccedil;&atilde;o de capacidades tecnol&oacute;gicas, por meio dos v&aacute;rios processos subjacentes de aprendizagem, conforme Figueiredo (2004).</p>     <p>Conforme Lall (1992; 2005), a capacidade tecnol&oacute;gica requer um esfor&ccedil;o interno para o dom&iacute;nio, adapta&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento de novas tecnologias. A maquinaria est&aacute; dispon&iacute;vel igualmente para todos os pa&iacute;ses; no entanto, os elementos n&atilde;o incorporados da tecnologia n&atilde;o podem ser adquiridos ou transferidos como produtos f&iacute;sicos. O conhecimento tecnol&oacute;gico &eacute; dif&iacute;cil de se localizar, assim como sua transfer&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser incorporada nos equipamentos, instru&ccedil;&otilde;es, patentes, projetos ou esquemas. Os conhecimentos incorporados s&oacute; poder&atilde;o ser usados da melhor maneira poss&iacute;vel se forem complementados por diversos elementos t&aacute;citos que ter&atilde;o de ser desenvolvidos localmente.</p>     <p>Em outros termos, h&aacute; a necessidade de desenvolvimento de um aprendizado local. A transfer&ecirc;ncia necessariamente requer aprendizagem porque as tecnologias s&atilde;o de car&aacute;ter t&aacute;cito, e seus princ&iacute;pios subjacentes n&atilde;o s&atilde;o sempre claramente entendidos. Para os pa&iacute;ses em desenvolvimento, n&atilde;o &eacute; uma tarefa simples desenvolver habilidades, experi&ecirc;ncias e esfor&ccedil;os que permitam que as empresas de um pa&iacute;s adquiram, utilizem e adaptem, aperfei&ccedil;oem e criem tecnologias com efici&ecirc;ncia.</p>     <p>Para Bell e Pavitt (1993; 1995), a capacidade tecnol&oacute;gica consiste nos recursos necess&aacute;rios para gerar e gerir as mudan&ccedil;as t&eacute;cnicas, e inclui, em especial, habilidades, conhecimentos, experi&ecirc;ncias e estrutura institucional. Tais recursos, uma vez acumulados, s&atilde;o incorporados &agrave;s pessoas e aos sistemas organizacionais.</p>     <p>Nesse sentido, pode-se afirmar, conforme Figueiredo (2004; 2009), que a capacidade tecnol&oacute;gica de uma empresa (ou de um setor industrial) est&aacute; armazenada e acumulada, em pelo menos quatro componentes, a saber:</p> <ul>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li><i>Sistemas t&eacute;cnicos f&iacute;sicos</i>: Referem-se &agrave; maquinaria e equipamentos, sistemas baseados em tecnologia de informa&ccedil;&atilde;o, <i>software</i> em geral e plantas de manufatura;</li>       <li><i>Pessoas (conhecimento e qualifica&ccedil;&atilde;o)</i>: referem-se ao conhecimento t&aacute;cito, &agrave;s experi&ecirc;ncias e habilidades de gerentes, engenheiros, t&eacute;cnicos e operadores que s&atilde;o adquiridos ao longo do tempo, mas que tamb&eacute;m abrangem sua qualifica&ccedil;&atilde;o formal;</li>       <li><i>Sistema (tecido) organizacional</i>: refere-se ao conhecimento acumulado nas rotinas organizacionais e gerenciais das empresas, nos procedimentos, nas instru&ccedil;&otilde;es, na documenta&ccedil;&atilde;o, na implanta&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de gest&atilde;o (<i>total quality management</i> &ndash; TQM; <i>material requeriment planning</i> &ndash; MRP, <i>just in time</i> &ndash; JIT, etc.);</li>       <li><i>Produtos e servi&ccedil;os</i>: referem-se &agrave; parte mais vis&iacute;vel da capacidade tecnol&oacute;gica e refletem o conhecimento t&aacute;cito das pessoas e da organiza&ccedil;&atilde;o e dos seus sistemas f&iacute;sicos e organizacionais. Por exemplo, nas atividades de desenho, desenvolvimento de prototipagem, teste, produ&ccedil;&atilde;o, e na parte de comercializa&ccedil;&atilde;o de produto e servi&ccedil;os, est&atilde;o refletidos os outros tr&ecirc;s componentes da capacidade tecnol&oacute;gica.</li>     </ul>     <p>A capacidade tecnol&oacute;gica ser&aacute; ent&atilde;o a capacidade das empresas para criar, adaptar, gerir e gerar esses quatros componentes e a intera&ccedil;&atilde;o entre eles. Uma representa&ccedil;&atilde;o na <a href="#f1">figura 1</a> mostra as quatro dimens&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; importante ressaltar que entre as quatro dimens&otilde;es existe um grau de import&acirc;ncia e prioridade, em se tratando de economias em desenvolvimento. As empresas nesses pa&iacute;ses normalmente iniciam seus neg&oacute;cios a partir de tecnologias importadas de pa&iacute;ses de alto desenvolvimento industrial.</p>     <p>Conforme destacado por Lall (2000), uma vez que a tecnologia &eacute; importada, o seu uso eficiente requer a cria&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos e habilidades para dominar os seus elementos t&aacute;citos. Por essa raz&atilde;o, os componentes recursos humanos e sistemas organizacionais e gerenciais s&atilde;o mais exigidos e t&ecirc;m import&acirc;ncia maior do que sistemas t&eacute;cnico f&iacute;sicos e produtos e servi&ccedil;os. Os sistemas t&eacute;cnico f&iacute;sicos (m&aacute;quinas, equipamentos, <i>software</i>) podem ser facilmente adquiridos no mercado global, enquanto que os recursos humanos e o sistema organizacional (em fun&ccedil;&atilde;o da especificidade das rotinas organizacionais) dificilmente s&atilde;o comercializ&aacute;veis. Por essa raz&atilde;o, tais dimens&otilde;es precisam ser desenvolvidas internamente, j&aacute; que &eacute; a partir delas que as tecnologias adquiridas de outras empresas e pa&iacute;ses ser&atilde;o assimiladas, absorvidas, e posteriormente, alteradas, aprimoradas e at&eacute; transformadas em novas tecnologias (Figueiredo, 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As capacidades tecnol&oacute;gicas acumuladas podem ser subdivididas em capacidade de produ&ccedil;&atilde;o/opera&ccedil;&atilde;o e em capacidades tecnol&oacute;gicas inovadoras, conforme Bell e Pavitt (1993) (ver <a href="#f2">figura 2</a>). As primeiras incorporam recursos para a produ&ccedil;&atilde;o de bens industriais a determinados n&iacute;veis de efici&ecirc;ncia, por meio de equipamentos (tecnologia incorporada), habilidades de opera&ccedil;&atilde;o no trabalho (operando e gerenciando <i>know-how</i> e experi&ecirc;ncia), m&eacute;todos organizacionais, entre outros.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Segundo Figueiredo (2009), a distin&ccedil;&atilde;o entre os tipos de capacidades (produ&ccedil;&atilde;o/opera&ccedil;&atilde;o e de inova&ccedil;&atilde;o) &eacute; importante, em especial para empresas de pa&iacute;ses em desenvolvimento, pois uma empresa pode apresentar uma capacidade tecnol&oacute;gica avan&ccedil;ada de produ&ccedil;&atilde;o e nenhuma ou limitada capacidade tecnol&oacute;gica para inova&ccedil;&atilde;o. A acumula&ccedil;&atilde;o de ambos os tipos de capacidade tecnol&oacute;gica poder&aacute; gerar um aperfei&ccedil;oamento de desempenho ambiental, operacional e financeiro, ou seja, lideran&ccedil;a de mercado, aumento de produtividade, melhoria de qualidade de processos e produtos, redu&ccedil;&atilde;o de custos, etc. (ver <a href="#f3">figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Estrutura do ambiente institucional</b></p>     <p>Na opini&atilde;o de Kim (2005), a estrutura do ambiente institucional &eacute; um elemento fundamental para a promo&ccedil;&atilde;o dos processos de aprendizagem tecnol&oacute;gica. As experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas de crescimento econ&ocirc;mico sustentado t&ecirc;m encontrado dentro de um rico conjunto de institui&ccedil;&otilde;es complementares, normas de comportamento compartilhadas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, as condi&ccedil;&otilde;es que as tornam poss&iacute;veis. Conforme Cimoli <i>et al.</i> (2006), o ativo apoio governamental ao processo de <i>catching-up</i>, por meio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, tem sido considerado um importante ingrediente das estrat&eacute;gias de desenvolvimento nacional, especialmente em pa&iacute;ses naquele processo de converg&ecirc;ncia, com apoio e promo&ccedil;&atilde;o do processo de aprendizado tecnol&oacute;gico. Os diferentes dom&iacute;nios de interven&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas afetam as capacidades tecnol&oacute;gicas das organiza&ccedil;&otilde;es individuais e corporativas, e o ritmo em que elas conseguem aprender. As combina&ccedil;&otilde;es apropriadas de pol&iacute;ticas podem ajudar a promover novas trajet&oacute;rias de desenvolvimento.</p>     <p>Para Kim (2005), as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas podem impactar significativamente no processo de aprendizado tecnol&oacute;gico, por meio de pol&iacute;ticas industriais, de com&eacute;rcio e de ci&ecirc;ncia e tecnologia. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas afetam as intera&ccedil;&otilde;es das empresas tanto com a comunidade internacional, ao regulamentar o afluxo de tecnologias estrangeiras, quanto com a comunidade nacional, na medida em que influenciam a disponibilidade e a efic&aacute;cia das institui&ccedil;&otilde;es de apoio nacionais e a qualidade das institui&ccedil;&otilde;es educacionais. Em outros termos, essas pol&iacute;ticas definem os ambientes macroecon&ocirc;micos em que as empresas t&ecirc;m de operar, atingindo direta e indiretamente o processo de aprendizado tecnol&oacute;gico.</p>     <p>No entanto, outros fatores, al&eacute;m das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, podem influenciar o processo de aprendizagem. Conforme Kim (2005), tais fatores compreendem o ambiente de mercado e de tecnologia, educa&ccedil;&atilde;o formal, ambiente sociocultural, e estrutura organizacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O fator <i>ambiente de mercado e de tecnologia</i> influencia, al&eacute;m da pr&oacute;pria empresa, o comportamento dos fornecedores, clientes e formuladores de pol&iacute;ticas, e as intera&ccedil;&otilde;es que ocorrem entre eles. O processo de mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas e as for&ccedil;as de mercado que atuam sobre esses elementos for&ccedil;am as empresas a intensificarem seus esfor&ccedil;os para fortalecerem as atividades internas, bem como para desenvolverem sua capacidade tecnol&oacute;gica. Levam as empresas a intensificarem tamb&eacute;m suas atividades externas para fortalecerem seus processos de aprendizado a partir de fontes externas.</p>     <p>A <i>educa&ccedil;&atilde;o formal,</i> em termos de estrutura e qualidade educacional, afeta a acumula&ccedil;&atilde;o de capacidade tecnol&oacute;gica empresarial. Os rec&eacute;m-formados pelas institui&ccedil;&otilde;es do sistema de educa&ccedil;&atilde;o formal proporcionam &agrave;s empresas um cont&iacute;nuo ingresso de novos conhecimentos e de novas habilidades, que ampliam sua capacidade tecnol&oacute;gica para o futuro aprendizado.</p>     <p>O <i>ambiente sociocultural</i>, compreende as cren&ccedil;as, as normas e os valores da sociedade que impactam significativamente na forma&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do trabalho, a qual, por sua vez, influencia a mentalidade e o comportamento das pessoas nas empresas.</p>     <p>Por fim, a <i>estrutura organizacional</i>, refere-se a como as organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o estruturadas e administradas. Tais caracter&iacute;sticas diferem entre as empresas e determinam, por sua vez, o n&iacute;vel de incentivos dentro da organiza&ccedil;&atilde;o capaz de estimular a energia e as habilidades das pessoas. Um ambiente organizacional adequado favorece o aprendizado efetivo de seus membros e sua convers&atilde;o em capacidade organizacional. Ambientes caracterizados por uma estrutura r&iacute;gida criam barreiras para a criatividade das pessoas e retardam, por conseguinte, o aprendizado individual e organizacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Procedimentos metodol&oacute;gicos</b></p>     <p>Este estudo foi estruturado para analisar os principais elementos determinantes internos e externos para o ac&uacute;mulo da capacidade tecnol&oacute;gica em empresas da ind&uacute;stria brasileira de bens de capital.</p>     <p>Quanto aos elementos internos, incluem-se a an&aacute;lise da capacita&ccedil;&atilde;o em produ&ccedil;&atilde;o (habilidades associadas &agrave; opera&ccedil;&atilde;o); capacita&ccedil;&atilde;o em recursos humanos (habilidades associadas ao ac&uacute;mulo de conhecimentos obtidos pelos empregados); e capacita&ccedil;&atilde;o em desenvolvimento (habilidades associadas &agrave; P&amp;D, projetos).</p>     <p>Do ponto de vista dos elementos externos, s&atilde;o de referir uma an&aacute;lise do setor no contexto brasileiro, abordando as implica&ccedil;&otilde;es ou impacto de suas pol&iacute;ticas industriais, arranjo institucional, mercado, e pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas, em seus diferentes n&iacute;veis de intera&ccedil;&atilde;o, sobre a capacita&ccedil;&atilde;o e competitividade das empresas.</p>     <p>As dimens&otilde;es e as vari&aacute;veis utilizadas para o alcance dos objetivos propostos s&atilde;o apresentadas na <a href="#t1">tabela 1</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Determinantes externos</i></b></p> <ul>       <li><i>Ambiente macroecon&ocirc;mico</i>: Visa analisar e diferenciar em qual intensidade as condi&ccedil;&otilde;es externas &agrave;s empresas estimulam ou n&atilde;o os processos de aprendizagem e as estrat&eacute;gias para ac&uacute;mulo de capacita&ccedil;&otilde;es. O comportamento dos fatores macroecon&ocirc;micos, tais como pol&iacute;tica cambial, comercial e tribut&aacute;ria podem inibir substancialmente os investimentos em recursos humanos e f&iacute;sicos para a capacita&ccedil;&atilde;o.</li>       <li><i>Sistema setorial de bens de capital</i>: Visa identificar as caracter&iacute;sticas do ambiente tecnol&oacute;gico que definem as estrat&eacute;gias adotadas pelas empresas. Busca-se diferenciar as condi&ccedil;&otilde;es que determinam a demanda por novas tecnologias e os est&iacute;mulos por investimentos em novos recursos e mecanismos de aprendizagem para atend&ecirc;-las. Foca nos agentes heterog&ecirc;neos que desenvolvem intera&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter mercadol&oacute;gico ou n&atilde;o mercadol&oacute;gico para a gera&ccedil;&atilde;o, ado&ccedil;&atilde;o e uso de novas (ou j&aacute; estabelecidas) tecnologias espec&iacute;ficas e para a cria&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o e uso de novos produtos pertinentes ao setor. Envolve a an&aacute;lise de clientes, fornecedores, fabricantes, universidades, institui&ccedil;&otilde;es financeiras, agentes governamentais, entre outros.</li>     </ul>     <p><b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <i>Determinantes internos</i></b></p> <ul>       <li><i>Recursos internos</i>: Visa identificar o grau de disponibilidade e qualidade de recursos de pessoal e f&iacute;sicos que as empresas disp&otilde;em para os processos de ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica. S&atilde;o tamb&eacute;m avaliados os potenciais financeiro e de investimento das empresas.</li>       <li><i>Engenharia de processo/produ&ccedil;&atilde;o</i>: Analisa o desempenho das compet&ecirc;ncias ou habilidades de produ&ccedil;&atilde;o das empresas. Visa diferenciar a capacidade tecnol&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o e de inova&ccedil;&atilde;o das empresas, ou seja, capacidade que as empresas possuem para o uso/opera&ccedil;&atilde;o de tecnologias e de sistemas de produ&ccedil;&atilde;o existentes, e capacidade para gerar novas solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. A capacidade tecnol&oacute;gica para inova&ccedil;&atilde;o passa pela capacidade tecnol&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o.</li>       <li><i>Engenharia da qualidade</i>: Analisa o engajamento das empresas nas atividades voltadas para a &aacute;rea da qualidade. Visa diferenciar as empresas quanto &agrave; intensidade e pr&aacute;ticas adotadas de gest&atilde;o da qualidade.</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li><i>Engenharia de produto</i>: Visa identificar e diferenciar os esfor&ccedil;os tecnol&oacute;gicos das empresas para a inova&ccedil;&atilde;o. Os esfor&ccedil;os tecnol&oacute;gicos determinam se as atividades est&atilde;o voltadas para a melhoria do conte&uacute;do tecnol&oacute;gico, para o desenvolvimento ou aperfei&ccedil;oamento de novos produtos e processos. Analisa-se o esfor&ccedil;o empreendedor cont&iacute;nuo, em termos de disp&ecirc;ndios para as atividades de pesquisa e desenvolvimento, e o grau de novidade atribu&iacute;do ao produto, a partir dessas atividades.</li>       <li><i>Aprendizagem tecnol&oacute;gica:</i> Foca nos processos pelos quais a aprendizagem individual se converte em organizacional, j&aacute; que a acumula&ccedil;&atilde;o de saber t&aacute;cito e de saber codificado, separadamente, n&atilde;o conduz &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma base de conhecimentos na empresa. Visa determinar a intensidade em que os mecanismos de aprendizagem ocorrem ou est&atilde;o presentes na organiza&ccedil;&atilde;o, caracterizada como rara, intermitente (ou espor&aacute;dica), e cont&iacute;nua.</li>       <li><i>Padr&atilde;o de comportamento para a inova&ccedil;&atilde;o:</i> Visa analisar o padr&atilde;o de comportamento que promove a capacidade de inovar das empresas, bem como as habilidades para organizar e gerenciar o processo. Visa diferenciar as empresas quanto &agrave; import&acirc;ncia da inova&ccedil;&atilde;o como elemento estrat&eacute;gico; ao grau de organiza&ccedil;&atilde;o de seus processos; ao grau de intera&ccedil;&atilde;o das empresas e de a&ccedil;&otilde;es conjuntas nos processos de inova&ccedil;&atilde;o; e ao ambiente para a inova&ccedil;&atilde;o.</li>     </ul>     <p><i>&nbsp;</i></p>     <p><b>Composi&ccedil;&atilde;o da amostra</b></p>     <p>A sele&ccedil;&atilde;o da amostra teve como ponto de partida o setor de bens de capital mec&acirc;nico &ndash; m&aacute;quinas e equipamentos, subdividido em quatro subsetores, segundo a Classifica&ccedil;&atilde;o Nacional de Atividades Econ&ocirc;micas &ndash; CNAE 2.0:</p> <ul>       <li><i>CNAE 28.1 &ndash; Motores, bombas, compressores e equipamentos de transmiss&atilde;o;</i></li>       <li><i>CNAE 28.2 &ndash; M&aacute;quinas e equipamentos de uso geral;</i></li>       <li><i>CNAE 28.4 &ndash; M&aacute;quinas-ferramenta;</i></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li><i>CNAE 28.6 &ndash; Outras m&aacute;quinas e equipamentos de uso espec&iacute;fico.</i></li>     </ul>     <p><i>A escolha dos subsetores referidos acima se deve &agrave; sua representatividade na forma&ccedil;&atilde;o bruta de capital fixo (FBCF), que &eacute; de aproximadamente 70%. </i></p>     <p><i>Al&eacute;m das empresas pertencerem a um dos subsetores acima mencionados, outros crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o foram utilizados:</i></p> <ul>       <li><i>Porte das empresas: o estudo optou por empresas de pequeno, m&eacute;dio e grande portes, segundo o crit&eacute;rio de n&uacute;mero de funcion&aacute;rios. E</i>mbora o crit&eacute;rio por faturamento seja bastante utilizado, nem todas as empresas selecionadas para esta pesquisa puderam disponibilizar essa informa&ccedil;&atilde;o. A classifica&ccedil;&atilde;o das empresas, segundo o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios para o setor industrial, conforme Sebrae (2013): micro (at&eacute; 19 funcion&aacute;rios); pequena (de 20 a 99 funcion&aacute;rios); m&eacute;dia (de 100 a 499 funcion&aacute;rios); e grande (acima de 499 funcion&aacute;rios).</li>       <li><i>Localiza&ccedil;&atilde;o: a regi&atilde;o escolhida foi a sudeste, por abranger a parcela mais representativa de empresas do setor.</i></li>       <li><i>Origem das empresas: em fun&ccedil;&atilde;o da natureza do estudo, que &eacute; o de analisar aspectos da capacidade tecnol&oacute;gica, internos e externos &agrave;s empresas, foram selecionadas somente empresas fabricantes locais, ou seja, que possuem plantas industriais no Brasil.</i></li>     </ul>     <p><b>Perfil da amostra</b></p>     <p>Para examinar os principais elementos determinantes internos e externos para o ac&uacute;mulo da capacidade tecnol&oacute;gica, foram selecionadas 44 empresas do setor de bens de capital. Deste total, 90% est&atilde;o presentes no mercado h&aacute; mais de 20 anos, sendo 40% com presen&ccedil;a h&aacute; mais de 50 anos. <i>Foram entrevistados informantes-chave em cada empresa, dentre os quais, </i>gerentes e diretores das &aacute;reas t&eacute;cnica, comercial e industrial, das empresas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As atividades principais realizadas pelas empresas pesquisadas compreendem a fabrica&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas e equipamentos, com 81% da amostra, e fabrica&ccedil;&atilde;o de componentes, com 19%. O destino dos produtos fabricados abrange diversos setores e segmentos da economia, tais como papel e celulose, minera&ccedil;&atilde;o, petr&oacute;leo e g&aacute;s, alimentos e sider&uacute;rgico.</p>     <p>As vendas est&atilde;o concentradas no mercado interno, com um total de 79,5% das empresas que comercializam mais de 80% de seus produtos no pa&iacute;s. A exporta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorre em 31,8% das empresas e somente 16% exportam de 21% a 50% de sua produ&ccedil;&atilde;o. O volume de vendas para o mercado externo &eacute; considerado muito baixo. Aproximadamente 84% das empresas exportam at&eacute; 20% de seu volume de produ&ccedil;&atilde;o, sendo que deste total 56% n&atilde;o superam os 5%.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados sobre determinantes internos da capacidade tecnol&oacute;gica</b></p>     <p>Os casos que representam a amostra apontam para aspectos positivos, que apoiam e estimulam os processos de ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m para aspectos negativos, que servem de obst&aacute;culos ou inibidores. Uma s&iacute;ntese das principais caracter&iacute;sticas dos determinantes internos e externos da capacidade tecnol&oacute;gica &eacute; mostrada nas <a href="#t2a">Tabelas 2A</a>, <a href="#t2b">2B</a> e <a href="#t2c">2C</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2a"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04t2a.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="t2b"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04t2b.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="t2c"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04t2c.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A amostra apresenta uma importante heterogeneidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es das empresas respondentes. Embora as empresas fa&ccedil;am parte de um mesmo setor, os in&uacute;meros e diversificados nichos de mercado nos quais atuam, bem como a complexidade e especificidade mostrada nos produtos, geram diferentes condi&ccedil;&otilde;es e necessidades. Mas h&aacute; caracter&iacute;sticas que s&atilde;o comuns &agrave; maioria das empresas, independentemente das condi&ccedil;&otilde;es, dos produtos ou dos nichos de mercado em que atuam.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Observando a <a href="#t2a">Tabela 2A</a>, no que se refere aos <i>recursos humanos</i>, o grau de qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra se mostra suficiente para as atividades atuais de opera&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o, mas para as atividades de inova&ccedil;&atilde;o, a qualifica&ccedil;&atilde;o atual n&atilde;o atende &agrave;s exig&ecirc;ncias, que demandam maior conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico. Observa-se a presen&ccedil;a de poucos engenheiros nas atividades de fabrica&ccedil;&atilde;o, Planejamento e controle da produ&ccedil;&atilde;o (PCP), qualidade e desenvolvimento de produtos. Como resultado, essas caracter&iacute;sticas criam barreiras para o ac&uacute;mulo de capacidade de inova&ccedil;&atilde;o, que, conforme Dahlman <i>et al.</i> (1987), &eacute; necess&aacute;ria para gerar ou adaptar novas tecnologias, desenvolver novos produtos e servi&ccedil;os que atendam melhor as necessidades espec&iacute;ficas.</p>     <p>No que tange aos <i>recursos f&iacute;sicos</i>, ainda segundo a mesma <a href="#t2a">Tabela 2A</a>, o grau de atualiza&ccedil;&atilde;o internacional de m&aacute;quinas e equipamentos &eacute; parcial. H&aacute; empresas que operam com m&aacute;quinas convencionais n&atilde;o integradas a um sistema de automatiza&ccedil;&atilde;o. M&aacute;quinas mais avan&ccedil;adas do ponto de vista tecnol&oacute;gico resultam em maior repetitividade, maior precis&atilde;o e maior produtividade, que, por sua vez, geram produtos de maior qualidade e custos de fabrica&ccedil;&atilde;o menores, fatores fundamentais para a competitividade das empresas.</p>     <p>Em termos de <i>recursos financeiros</i>, as empresas n&atilde;o apresentam maiores dificuldades em disponibilizar capital de giro pr&oacute;prio para as opera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias e de rotina. No entanto, para investir com recursos pr&oacute;prios em projetos de novos produtos, m&aacute;quinas, qualifica&ccedil;&atilde;o de pessoal, entre outros, o n&iacute;vel de dificuldade apresentado pelas empresas &eacute; elevado. Em muitos casos, embora se tenha um incremento em investimento na &aacute;rea tecnol&oacute;gica, os montantes s&atilde;o ainda considerados insuficientes ou parcialmente suficientes.</p>     <p>&Eacute; importante destacar que as empresas, de maneira geral, n&atilde;o apresentam maiores dificuldades em obter financiamento para os projetos de inova&ccedil;&atilde;o. Entretanto, verifica-se uma baixa propens&atilde;o ao risco e ao investimento em novos produtos. Os projetos, fundamentalmente, s&atilde;o voltados para a realiza&ccedil;&atilde;o de melhorias. A incerteza na capacidade de oferta e os riscos relacionados a fatores macroecon&ocirc;micos inibem os investimentos, de maneira geral.</p>     <p>Quanto &agrave; <i>engenharia de produto</i>, observa-se que as empresas n&atilde;o apresentam uma estrutura organizada em P&amp;D. Considerando que o foco das empresas recai essencialmente na realiza&ccedil;&atilde;o de melhorias, a falta de uma estrutura de P&amp;D n&atilde;o &eacute; vista, pelos respondentes, como um obst&aacute;culo importante para o crescimento das empresas. Em muitos casos, as atividades daquele tipo n&atilde;o s&atilde;o cont&iacute;nuas e n&atilde;o possuem pessoal dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de novas solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. Nota-se tamb&eacute;m uma baixa frequ&ecirc;ncia em atividades cont&iacute;nuas de engenharia reversa.</p>     <p>A baixa frequ&ecirc;ncia de atividades de P&amp;D e a aus&ecirc;ncia de uma estrutura formal, verificada nas empresas, inibe a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos t&aacute;citos, os quais s&atilde;o fundamentais para os processos de aprendizagem, que, por sua vez, conduzem ao ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica, conforme destacado em Figueiredo (2003).</p>     <p>Para os fabricantes nacionais, os principais incrementos tecnol&oacute;gicos incorporados nos produtos s&atilde;o novos para as empresas, mas j&aacute; existentes no mercado nacional. As inova&ccedil;&otilde;es para o mercado nacional s&atilde;o realizadas, em grande parte, pelas empresas transnacionais, e frequentemente desenvolvidas nas suas matrizes. Vale lembrar que as subsidi&aacute;rias estrangeiras realizam no Brasil predominantemente melhorias e adapta&ccedil;&otilde;es de produtos. Em outros termos, a baixa intensidade de esfor&ccedil;os em atividades de P&amp;D nas empresas instaladas no Brasil retarda o ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica. Esse retardamento aumenta a diferen&ccedil;a tecnol&oacute;gica (ou <i>gap</i> tecnol&oacute;gico) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas inovadoras, j&aacute; que a trajet&oacute;ria de acumula&ccedil;&atilde;o de capacidade tecnol&oacute;gica, em fabricantes nacionais, se inicia quando as empresas inovadoras j&aacute; acumularam estoque substancial de capacidade tecnol&oacute;gica.</p>     <p>Finalmente, na <a href="#t2a">Tabela 2A</a>, a <i>engenharia da qualidade</i>, em seu desempenho, pode ser avaliada a partir da exig&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica dos nichos de mercado em que as empresas atuam. Vale lembrar que a qualidade, como habilidade t&eacute;cnica, &eacute; um processo de mudan&ccedil;a t&eacute;cnica incremental, e que, para a maioria das empresas da amostra, &eacute; uma componente-chave para a estrat&eacute;gia de concorr&ecirc;ncia baseada na diferencia&ccedil;&atilde;o. De acordo com Toledo (1990), considerando que o mercado competitivo das empresas baseia-se fundamentalmente na heterogeneidade de produtos, a diferencia&ccedil;&atilde;o torna-se um elemento crucial para a competitividade, pois pode complementar ou substituir a concorr&ecirc;ncia por pre&ccedil;os.</p>     <p>De maneira geral, o desempenho da qualidade &eacute; considerado bom para as empresas transnacionais e mediano para as empresas nacionais. No entanto, ao tomar em conta nichos de mercado mais exigentes, os processos de produ&ccedil;&atilde;o e a qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra s&atilde;o percebidos como insuficientes ou parcialmente suficientes. Verifica-se uma baixa presen&ccedil;a de t&eacute;cnicas de melhoria de desempenho da produ&ccedil;&atilde;o e de normas de gest&atilde;o e garantia da qualidade, pouca atividade voltada para a melhoria cont&iacute;nua em produtos e processos, e aus&ecirc;ncia, em grande parte das empresas, de engenheiros especializados na &aacute;rea, especialmente em empresas nacionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vale destacar que h&aacute; empresas em que a necessidade de melhoria da qualidade est&aacute; mais voltada para os aspectos do produto, e requerem melhorias quanto &agrave; conformidade &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas. Entretanto, para outras empresas, o foco da qualidade &eacute; direcionado para os processos, no qual se busca uma melhoria em sua capacidade com a redu&ccedil;&atilde;o de sua variabilidade permitida.</p>     <p>Quanto &agrave; <i>engenharia de processo/produ&ccedil;&atilde;o, </i>que se pode observar na <a href="#t2b">Tabela 2B</a>, verifica-se um conjunto de aspectos positivos relacionados &agrave; flexibilidade e &agrave; confiabilidade da produ&ccedil;&atilde;o. De maneira geral, as empresas possuem habilidades importantes para a produ&ccedil;&atilde;o de produtos especiais e para ajustar a capacidade produtiva &agrave;s flutua&ccedil;&otilde;es da demanda. Outro aspecto positivo &eacute; a flexibilidade que o sistema de desenvolvimento de produto das empresas apresenta em criar pequenos projetos paralelos aos que se encontram j&aacute; em andamento. Por outro lado, as empresas possuem baixa efici&ecirc;ncia em custo, ou seja, quando apresentam dificuldades em produzir pequenas quantidades rent&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No que se refere &agrave; confiabilidade, de maneira geral, o desempenho &eacute; considerado satisfat&oacute;rio, com destaque para <i>lead time</i> de produ&ccedil;&atilde;o reduzido e as entregas no tempo prometido. Vale destacar que a efici&ecirc;ncia na entrega e no tempo de produ&ccedil;&atilde;o deve-se ao elevado grau de verticaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o apresentado por uma parcela de empresas. Por outro lado, para outra parcela de empresas, o desempenho nesses fatores &eacute; baixo e est&aacute; diretamente relacionado &agrave; aus&ecirc;ncia de fornecedores especializados.</p>     <p>Quanto aos custos de produ&ccedil;&atilde;o, as empresas apresentam baixa efici&ecirc;ncia operacional. Contribui para tal, a aus&ecirc;ncia de ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas ou t&eacute;cnicas voltadas para a redu&ccedil;&atilde;o do custo operacional.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; <i>aprendizagem tecnol&oacute;gica, </i>ainda segundo a <a href="#t2b">Tabela 2B</a> observa-se, para diversos mecanismos de aprendizagem externa, interna e de socializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento, uma baixa intensidade nas atividades relacionadas.&nbsp; As pr&aacute;ticas cont&iacute;nuas com maior frequ&ecirc;ncia s&atilde;o aquelas relacionadas &agrave; codifica&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Os processos de aprendizagem ocorrem nas empresas, de maneira geral, esporadicamente, e tal intensidade n&atilde;o &eacute; suficiente para levar as empresas a uma efetiva aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimento e nem &agrave; sua incorpora&ccedil;&atilde;o no plano organizacional. As atividades, quando cont&iacute;nuas, possibilitam a cria&ccedil;&atilde;o, a atualiza&ccedil;&atilde;o e o aperfei&ccedil;oamento dos processos de aprendizagem ao longo do tempo, garantem um fluxo constante de saber externo da empresa, fazem com que se compreenda melhor a tecnologia adquirida e os princ&iacute;pios inerentes aos processos de aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos internos, e asseguram a constante convers&atilde;o de aprendizagem individual em aprendizagem organizacional.</p>     <p>Dado o car&aacute;ter complexo e sist&ecirc;mico dos processos de aprendizagem, o uso de apenas um ou outro mecanismo, por mais eficiente que seja, como a intera&ccedil;&atilde;o com clientes e fornecedores ou o treinamento interno de t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o e processo, n&atilde;o &eacute; suficiente para promover a aprendizagem organizacional. &Eacute; necess&aacute;rio aprimorar continuamente uma variedade de mecanismos em todos os n&iacute;veis da empresa, para rotinizar a convers&atilde;o de aprendizagem individual em aprendizagem organizacional.</p>     <p>Para pa&iacute;ses, caracterizados por uma industrializa&ccedil;&atilde;o tardia, como o Brasil, os processos de aquisi&ccedil;&atilde;o de saber externo e interno s&atilde;o cruciais para as empresas, j&aacute; que elas n&atilde;o podem valer-se de uma base de conhecimento previamente adquirida. Tanto os processos de aquisi&ccedil;&atilde;o quanto de convers&atilde;o s&atilde;o fundamentais para a acumula&ccedil;&atilde;o de sua compet&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica (Figueiredo, 2003).</p>     <p>Segundo a <a href="#t2c">Tabela 2C</a>, no que se refere ao <i>padr&atilde;o de comportamento para a inova&ccedil;&atilde;o</i>, observa-se uma determinada heterogeneidade nas dimens&otilde;es analisadas. Um aspecto importante a ser destacado &eacute; o reconhecimento da inova&ccedil;&atilde;o como elemento estrat&eacute;gico e a vis&atilde;o compartilhada dos principais executivos sobre o desenvolvimento da empresa pela inova&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, nota-se uma aus&ecirc;ncia ou uso muito limitado de ferramentas de prospec&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, fundamentais para a formula&ccedil;&atilde;o e desdobramento das estrat&eacute;gias de inova&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto aos <i>processos</i>, verificam-se importantes potencialidades, como a flexibilidade e organiza&ccedil;&atilde;o apropriada nos processos de desenvolvimento de produtos. Por outro lado, apesar de existir uma intera&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua com clientes, as empresas carecem de mecanismos eficazes para compreender suas necessidades. Os processos de desenvolvimento de produtos, embora sejam organizados, concentram-se, de maneira geral, no pr&oacute;prio departamento, ou seja, n&atilde;o h&aacute; um envolvimento pr&eacute;vio maior de outros departamentos no desenvolvimento de produto. As organiza&ccedil;&otilde;es, em sua maioria, s&atilde;o flex&iacute;veis e possuem uma estrutura adequada para tomar rapidamente decis&otilde;es. O ambiente de trabalho em equipe al&eacute;m dos limites departamentais &eacute; considerado outro aspecto positivo, mas a efici&ecirc;ncia na comunica&ccedil;&atilde;o e nas atividades atrav&eacute;s da organiza&ccedil;&atilde;o apresenta limita&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>As caracter&iacute;sticas menos favor&aacute;veis, no que diz respeito ao comportamento inovador, s&atilde;o verificadas nas <i>intera&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es conjuntas</i>. Observa-se que as empresas pouco interagem com outras empresas e/ou institui&ccedil;&otilde;es. A rela&ccedil;&atilde;o com as universidades s&atilde;o limitadas e divergentes, em muitos casos. H&aacute; barreiras culturais e jur&iacute;dicas que inibem a troca de experi&ecirc;ncias e de conhecimento entre os atores.</p>     <p>As intera&ccedil;&otilde;es e o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es conjuntas s&atilde;o cruciais para a aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimento externo. Conforme j&aacute; destacado, o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es conjuntas leva a aquisi&ccedil;&otilde;es de conhecimentos t&aacute;citos e codificados, fundamentais para a cria&ccedil;&atilde;o e ac&uacute;mulo de compet&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados dos determinantes externos da capacidade tecnol&oacute;gica</b></p>     <p>No que tange aos elementos externos, tanto os fatores macroecon&ocirc;micos quanto os relacionados ao sistema setorial representam importantes barreiras ao processo de acumula&ccedil;&atilde;o de capacidade tecnol&oacute;gica e ao crescimento das empresas, conforme se verifica na <a href="#t3">Tabela 3</a>. Como j&aacute; se referiu, o ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica n&atilde;o est&aacute; atrelado apenas aos processos intraorganizacionais, h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es externas &agrave; empresa que estimulam ou n&atilde;o os processos de aprendizagem e as estrat&eacute;gias para ac&uacute;mulo de capacita&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/rpbg/v15n3/15n3a04t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O comportamento dos <i>fatores macroecon&ocirc;micos</i> inibe substancialmente os investimentos em recursos humanos e f&iacute;sicos para a capacita&ccedil;&atilde;o. A elevada taxa de juros gera um custo alto para financiamento de equipamentos, bem como os encargos e impostos praticados criam barreiras para a contrata&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra mais qualificada. Tais elementos s&atilde;o cruciais para a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos e fortalecimento de outros processos de aprendizagem.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O comportamento da taxa de c&acirc;mbio representa para muitas empresas um risco econ&ocirc;mico importante e restringe fortemente as pol&iacute;ticas das empresas voltadas para a capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e inova&ccedil;&atilde;o, reduzindo os gastos nessa &aacute;rea.</p>     <p>O <i>sistema setorial de inova&ccedil;&atilde;o</i> apresenta defici&ecirc;ncias, em especial no que se refere a intera&ccedil;&atilde;o das empresas com a infraestrutura educacional. H&aacute; poucas institui&ccedil;&otilde;es direcionadas ao setor de bens de capital. As intera&ccedil;&otilde;es se limitam a troca de informa&ccedil;&otilde;es, com baixa intensidade de a&ccedil;&otilde;es conjuntas. Na concorr&ecirc;ncia pela inova&ccedil;&atilde;o de produtos, conforme destacado por Ferraz <i>et al.</i> (1997), as rela&ccedil;&otilde;es com a infraestrutura cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica constituem recurso fundamental para a competitividade da empresa.</p>     <p>H&aacute; quest&otilde;es culturais e jur&iacute;dicas, conforme j&aacute; exposto, que de certa forma inibem o fortalecimento das rela&ccedil;&otilde;es. A limita&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es conjuntas afeta o processo de aprendizagem e posterior atualiza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.</p>     <p>Os programas de fomento apresentam baixa ades&atilde;o &agrave;s necessidades das empresas. As condi&ccedil;&otilde;es de financiamento excluem muitas empresas, seja pelo tempo de resposta longo para aprova&ccedil;&atilde;o e libera&ccedil;&atilde;o dos recursos, seja pelo montante disponibilizado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Este artigo teve como prop&oacute;sito principal investigar os principais elementos internos e externos &agrave; empresa, que s&atilde;o determinantes para o ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica em empresas do setor de bens de capital no Brasil. O desdobramento em elementos internos e externos possibilitou a avalia&ccedil;&atilde;o dos esfor&ccedil;os internos realizados pelas empresas e as limita&ccedil;&otilde;es de ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica postas pelos condicionantes externos. A explora&ccedil;&atilde;o desses elementos internos e externos implicou a constru&ccedil;&atilde;o de uma sistematiza&ccedil;&atilde;o das principais dimens&otilde;es que comp&otilde;em a capacidade tecnol&oacute;gica apresentada pelas empresas.</p>     <p>A an&aacute;lise dos determinantes mostrou que em todas as dimens&otilde;es as caracter&iacute;sticas apresentadas condicionam as empresas a uma baixa competitividade, seja por pre&ccedil;o ou tecnologia. Do ponto de vista dos elementos internos, &eacute; crucial para a sobreviv&ecirc;ncia e competitividade, em um mercado globalizado, que as empresas se engajem em processos cont&iacute;nuos de aprendizagem para a constru&ccedil;&atilde;o e ac&uacute;mulo de sua capacidade tecnol&oacute;gica.</p>     <p>Por outro lado, do ponto de vista dos elementos externos, as interrup&ccedil;&otilde;es do ciclo de aprendizagem, determinadas pelas flutua&ccedil;&otilde;es do crescimento econ&ocirc;mico, contribuem para a ruptura da sequ&ecirc;ncia evolutiva e cumulativa do processo de ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica. Em outros termos, a an&aacute;lise sugere que os elementos externos exercem forte influ&ecirc;ncia no referido processo por criarem condi&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis para investimentos, em particular, aqueles realizados com atividades com longo prazo de retorno, como as de P&amp;D e inova&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Quanto &agrave; heterogeneidade, pode-se afirmar que est&aacute; presente nas empresas, nos setores atendidos por elas e nos n&iacute;veis tecnol&oacute;gicos dos produtos. H&aacute; condi&ccedil;&otilde;es e especificidades quanto ao porte e origem das empresas. As empresas nacionais e de pequeno porte apresentam, de maneira geral, maiores dificuldades para o ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica, pois s&atilde;o mais sens&iacute;veis &agrave;s mudan&ccedil;as no ambiente. As empresas transnacionais e as nacionais de m&eacute;dio e grande portes, em grande parcela, apresentam um n&uacute;mero maior de pr&aacute;ticas cont&iacute;nuas que favorecem os processos de aprendizagem e o ac&uacute;mulo de capacita&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. Em especial, as empresas nacionais encontram maior dificuldade na exporta&ccedil;&atilde;o, pois o efeito dos fatores macroecon&ocirc;micos sobre elas &eacute; maior.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ind&uacute;stria de bens de capital apresenta caracter&iacute;sticas que concorrem para inibir a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades tecnol&oacute;gicas. Conforme exposto, h&aacute; uma car&ecirc;ncia de especializa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, uma falta de escala, elevados custos unit&aacute;rios, baixa utiliza&ccedil;&atilde;o de automa&ccedil;&atilde;o dos processos, e uma estrutura empresarial limitada. Tais caracter&iacute;sticas inviabilizam a competitividade das empresas, seja no mercado interno e externo.</p>     <p>Por outro lado, as empresas pesquisadas, embora encontrem alguma dificuldade em produzir e comercializar, de maneira geral, demonstram boa capacidade de fabrica&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o de aperfei&ccedil;oamentos marginais. Entretanto, quando do projeto de produtos mais sofisticados, dependem da importa&ccedil;&atilde;o de tecnologia.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, a atual pol&iacute;tica industrial e tecnol&oacute;gica brasileira disp&otilde;e de um conjunto de modalidades e programas. H&aacute; fomento &agrave; inova&ccedil;&atilde;o direcionado em diversos sentidos: para a pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica; para a forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos; para a inova&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o; para fortalecimento da engenharia; para inser&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio internacional; para incentivo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o; para moderniza&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas e equipamentos, entre outros. Pode-se afirmar que, em princ&iacute;pio, os instrumentos de pol&iacute;tica p&uacute;blica cobrem muitas das necessidades apresentadas pelas empresas nas dimens&otilde;es internas e externas para o ac&uacute;mulo da capacidade tecnol&oacute;gica. Entretanto, &eacute; importante ressaltar que, apesar do aumento do n&uacute;mero de empresas beneficiadas pelos programas e pela sua amplitude, a ades&atilde;o &eacute; considerada baixa.</p>     <p>Esta fraca ades&atilde;o est&aacute; relacionada a v&aacute;rios fatores. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a promo&ccedil;&atilde;o de empresas inovadoras, de maneira geral, s&atilde;o homogeneizadas e diante de um setor muito heterog&ecirc;neo e de especificidades organizacionais, conforme visto, torna-se necess&aacute;rio uma maior especializa&ccedil;&atilde;o tanto das ag&ecirc;ncias de fomento quanto dos programas. A aus&ecirc;ncia de um tratamento especializado para o setor de bens de capital dificulta o acesso aos programas e submete os projetos de inova&ccedil;&atilde;o das empresas do setor a outras divis&otilde;es setoriais.</p>     <p>Por outro lado, quanto &agrave;s empresas, &eacute; importante destacar a falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre os programas e o pouco conhecimento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es da inova&ccedil;&atilde;o. Conforme visto, as empresas apresentam uma baixa capacita&ccedil;&atilde;o para o aprendizado tecnol&oacute;gico. Tal contexto, tem gerado pouca ades&atilde;o aos est&iacute;mulos lan&ccedil;ados pela pol&iacute;tica de inova&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Seja pela falta de informa&ccedil;&atilde;o, pelo modelo de inser&ccedil;&atilde;o ou pelo pouco conhecimento das empresas sobre as quest&otilde;es da inova&ccedil;&atilde;o, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para promover a capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e inova&ccedil;&atilde;o nas empresas t&ecirc;m apresentado resultados aqu&eacute;m do necess&aacute;rio e desejado. As empresas nacionais s&atilde;o as que apresentam maior necessidade. A viabilidade em projetos voltados para incorpora&ccedil;&atilde;o de tecnologias avan&ccedil;adas requer fortemente o apoio do Estado. Vale lembrar que os projetos de inova&ccedil;&atilde;o apresentam elevados custos e riscos mercadol&oacute;gicos, e as empresas nacionais, em especial as de pequena e m&eacute;dia dimens&atilde;o, n&atilde;o disp&otilde;em de recursos pr&oacute;prios suficientes.</p>     <p>Considerando a import&acirc;ncia do pre&ccedil;o e da tecnologia embutida nos equipamentos como fatores de competitividade, &eacute; crucial para as empresas o aumento da capacidade tecnol&oacute;gica e a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas que conduzam &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de custo. Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que fortale&ccedil;am o apoio &agrave; tecnologia de produto, no sentido de estimular a engenharia de produto, por meio de financiamento subsidiado, s&atilde;o fundamentais para o ac&uacute;mulo da capacidade tecnol&oacute;gica das empresas. Al&eacute;m do ac&uacute;mulo de capacidade tecnol&oacute;gica, h&aacute; necessidade de uma maior moderniza&ccedil;&atilde;o dos equipamentos das empresas, de maior capacita&ccedil;&atilde;o comercial, em especial no que se refere ao servi&ccedil;o p&oacute;s-venda, de maior capacita&ccedil;&atilde;o produtiva, com &ecirc;nfase na qualidade, e de internacionaliza&ccedil;&atilde;o das empresas nacionais.</p>     <p>Quanto &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es desta pesquisa, a principal aten&ccedil;&atilde;o deve-se &agrave; dificuldade de generaliza&ccedil;&atilde;o. Tal dificuldade n&atilde;o est&aacute; relacionada apenas ao tamanho da amostra, mas tamb&eacute;m &agrave; heterogeneidade apresentada pelo setor. A amostra caracterizou-se pelas diferen&ccedil;as apresentadas quanto aos produtos, aos mercados de atua&ccedil;&atilde;o, ao porte e a origem das empresas. H&aacute; indicativos de comportamentos diferentes entre empresas nacionais e transnacionais, mas, por outro lado, h&aacute; fatores que apresentam comportamentos comuns &agrave;s empresas. Nesse sentido, uma amplia&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de respondentes seria importante para a confirma&ccedil;&atilde;o das similaridades e diferen&ccedil;as.</p>     <p>Para estudos futuros, um aspecto importante a ser considerado diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis. As an&aacute;lises realizadas das dimens&otilde;es internas e externas sobre o ac&uacute;mulo das capacidades tecnol&oacute;gicas sugerem rela&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis, e, nesse sentido, um estudo com uma amostragem significativa e com uso de ferramentas de an&aacute;lise multivariada, forneceria um entendimento melhor dos determinantes e de suas inter-rela&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>AMSDEN, A.H. (2001), The Rise of the Rest: Challenges to the West from Late-Industrializing Economie. Oxford University Press, Oxford.</p>     <p>BELL, M. e PAVITT, K. (1995), &laquo;The development of technological capabilities: Technology and international competitiveness&raquo;. The World Bank, Washington.</p>     <p>BELL, M. e PAVITT, K. (1993), &laquo;Technological accumulation and industrial growth: Contrasts between developed and developing countries&raquo;. <i>Industrial and Corporate Change</i>, v. 2, no. 1, pp. 157-210.</p>     <p>BERGEK A.; JACOBSSON, S.; CARLSSON, B.; LINDMARK, S. e RICKNE, A. (2008), &laquo;Analyzing the functional dynamics of technological innovation systems: A scheme of analysis&raquo;. <i>Research Policy</i>,&nbsp;37(3),&nbsp;pp.&nbsp;407-429.</p>     <p>BRESCHI, S.; MALERBA, F. e ORSENIGO, L. (2000), &laquo;Technological regimes and Schumpeterian patterns of innovation&raquo;. <i>Economic Journal</i>, v. 110, pp. 388-410.</p>     <p>BRESCHI, S. e MALERBA, F. (1997), &laquo;Sectorial system of innovation: Technological regimes, Schumpeterian dynamics and spatial boundaries&raquo;. <i>In</i> C. Edquist (Ed.), System of Innovation. Francis Pinter, London.</p>     <p>BURGELMAN. R.A.; CHRISTENSEN, C.M. e WHEELWRIGHT, S.C. (2009), Strategic Management of Technology and Innovation. McGraw-Hill Irwin, Boston.</p>     <p>CIMOLI, M.; DOSI, G.; NELSON, R.R. e STIGLITZ, J. (2006), &laquo;Institutions and policies shaping industrial development: An introductory note&raquo;. LEM <i>Working Paper</i> Series.</p>     <p>COHEN, W.M. e LEVINTHAL, D.A. (1989), Innovation and learning: The two faces of R&amp;D. <i>The Economic</i> <i>Journal</i>, no. 99, pp. 569-596.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COSTA, V.M.G. e CUNHA, J.C.A (2001), &laquo;Universidade e a capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica das empresas&raquo;. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o Contempor&acirc;nea</i>, 5(1), pp. 61-81.</p>     <p>DAHLMAN, C.; ROSS-LARSON, B. e WESTPHAL, L.E. (1987), &laquo;Managing technological development: Lessons from the newly industrializing countries&raquo;. <i>World Development, </i>v. 15, no. 6, pp. 759-775.</p>     <p>DOSI, G. (1982), &laquo;Technological paradigms and technological trajectories: A suggested interpretation of the determinants and directions of technical change&raquo;. <i>Research Policy</i>, v. 11, no. 3, pp. 147-162.</p>     <p>DOSI, G. (1988), &laquo;Sources, procedures and microeconomic effects of innovation&raquo;. <i>Journal of Economic Literature, </i>v. 26, pp. 1120-1171.</p>     <p>FERRAZ, J.C.; KUPFER, D. e HAGUENAUER, L. (1997), Made in Brasil: Desafios Competitivos para a Ind&uacute;stria. Campus, Rio de Janeiro.</p>     <p>FIGUEIREDO P.N. (2004), &laquo;Aprendizagem tecnol&oacute;gica e inova&ccedil;&atilde;o industrial em economias emergentes: Uma breve contribui&ccedil;&atilde;o para o desenho e implementa&ccedil;&atilde;o de estudos emp&iacute;ricos e estrat&eacute;gias no Brasil.&raquo; <i>Revista Brasileira de Inova&ccedil;&atilde;o</i>, v.3, no. 2, jul/dez, pp. 323-361.</p>     <p>FRANSMAN, M. (1986), Technology and Economic Development. Wheatshead Books, Great Britain.</p>     <!-- ref --><p>FURTADO, A. (Coord.). &laquo;Capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, competitividade e pol&iacute;tica industrial: Uma abordagem setorial e por empresas l&iacute;deres&raquo;. IPEA, Bras&iacute;lia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=826928&pid=S1645-4464201600030000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>HASENCLEVER, L. e CASSIOLATO, J. (1998), &laquo;Capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica empresarial brasileira e transfer&ecirc;ncia de tecnologia&raquo;. <i>Anais do Simp&oacute;sio de Gest&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica</i>, 20, PGT/USP, S&atilde;o Paulo, pp. 309-321.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KIM, L. (2005), Da Imita&ccedil;&atilde;o &agrave; Inova&ccedil;&atilde;o: A Din&acirc;mica do Aprendizado Tecnol&oacute;gico da Cor&eacute;ia. Editora da Unicamp, Campinas.</p>     <p>KIM, L. (2009), Gest&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o: Conceitos, M&eacute;tricas e Experi&ecirc;ncias de Empresas no Brasil. LTC, Rio de Janeiro.</p>     <p>LALL, S. (1992), &laquo;Technological capabilities and industrialization&raquo;. <i>World Development</i>, vol. 20, no. 2, pp. 165-186.</p>     <p>LALL, S. (2000), &laquo;The technological structure and performance of developing country manufactured exports&raquo;. <i>Oxford Development Studies</i>, v. 28, no. 3, pp. 337-369.</p>     <!-- ref --><p>LALL, S. (2005), &laquo;A mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica e a industrializa&ccedil;&atilde;o nas economias de industrializa&ccedil;&atilde;o recente da &Aacute;sia: Conquistas e desafios&raquo;. <i>In</i> L. Kim e R.R. Nelson (Eds.), Tecnologia, Aprendizado e Inova&ccedil;&atilde;o: As Experi&ecirc;ncias das Economias de Industrializa&ccedil;&atilde;o Recente. Editora da Unicamp, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=826935&pid=S1645-4464201600030000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>LEE, K.R. (1996), &laquo;The role of user firms in the innovation of machine tools: The Japanese case&raquo;. <i>Research Policy</i>, 25, pp. 491-507.</p>     <!-- ref --><p>LUNDVALL, B.A.; VANG, J.; JOSEPH, K.J. e CHAMINADE, C. (2009), &laquo;Innovation system research and developing countries&raquo;. <i>In</i> A.B. Lundvall, K.J. Joseph, C. Chaminade e J. Vang, (Eds.), Handbook of Innovation Systems and Developing Countries. Building Domestic Capabilities in a Global Setting. Edward Elgar, Cheltenham, UK and Northampton, MA, USA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=826938&pid=S1645-4464201600030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LUNDVALL, B.A. (Ed.) (1992), National System of Innovation: Towards A Theory of Innovation and Interactive Learning. Printer, London.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=826940&pid=S1645-4464201600030000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>LUNDVALL, B.A. (200), &laquo;Pol&iacute;ticas de inova&ccedil;&atilde;o na economia do aprendizado&raquo;. <i>Parcerias Estrat&eacute;gicas</i>, n.&ordm; 10.</p>     <p>MALERBA, F. (2006), &laquo;Innovation and the evolution of industries&raquo;. <i>Journal of Evolutionary Economics</i>, v. 16, no. 1-2, pp. 3-23.</p>     <p>MALERBA, F. (2002), &laquo;Sectoral systems of innovation and production&raquo;. <i>Research Policy</i>, v. 31, no. 2, pp. 247-264.</p>     <p>MALERBA, F. e ORSENIGO, L. (1993), &laquo;Technological regimes and behavior&raquo;. <i>Industrial and Corporate</i> <i>Change</i>, v. 2, no. 1, pp. 45-71.</p>     <p>MALERBA, F. e ORSENIGO, L. (1996), &laquo;Schumpeterian patterns of innovation are technology-specific&raquo;. <i>Research Policy</i>, v. 25, no<b>. </b>3, pp. 451-478.</p>     <p>MARSILI, O. e VERSPAGEN, B. (2001), &laquo;Technological regimes and innovation: Looking for regularities in Dutch manufacturing&raquo;. <i>Druid Summer Conference</i> 2001, Aalborg, Denmark.</p>     <p>NELSON, R. e WINTER, S. (1977), &laquo;In search of a useful theory of innovation&raquo;. <i>Research Policy</i>, v. 5., pp. 36-78.</p>     <p>OREIRO, J.L.; PUNZO, L.; ARA&Uacute;JO, E. e SQUEFF, G. (2009), &laquo;Restri&ccedil;&otilde;es macroecon&ocirc;micas ao crescimento da economia brasileira: Diagn&oacute;sticos e algumas proposi&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica&raquo;. <i>Texto para</i> <i>discuss&atilde;o</i> n.&ordm; 1431, IPEA.</p>     <p>PENEDER, M. (2002), &laquo;Intangible investment and human resources&raquo;. <i>Journal of Evolutionary Economics</i>, 12, pp. 107-134.</p>     ]]></body>
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