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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas: Um Laboratório de Experimentação Artivista]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[There is a dominant framework of art that limits its social impact based on criteria defined and reproduced by cultural elites. Artivist performances can subvert these power relations since they incorporate symbolic dissolution in an intervening way in the real. They have a transforming potential - individual and collective - that combines aesthetics with ethics and brings art closer to society. Within this logic, in a rupture of disciplinary limits between art, politics and anthropology, I developed the artivist troika. OUR DREAMS DO NOT FALL IN YOUR URNAS, consisting of a book (Artivismo - Video and Performance) + video installation (exhibited at MNAC - Museu do Chiado) + performance in 3 Acts (which began with the Artivist occupation of MNAC - Chiado Museum and expanded to MNAA and Ajuda National Palace, headquarters of the public power of Culture in Portugal). The article presents the authorial perspective of an entire artistic and political laboratory where artistic forms were created that enabled a voice in the public sphere, constituting its participants in political actors of contestation to the status quo. Throughout the text it is revealed how experience was lived in loco, demonstrating how art can empower people and how the body is the most democratic and universal medium to execute it. After a deep process of questioning the art system, we inevitably come to question the artist's own place in contemporary society.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO    ORIGINAL</b></font></p>     <p align="right"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="4"><b>Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas: Um Laboratório de Experimentação Artivista</b></font></b></p>     <p><b><font face="Verdana" size="3"><b>Our Dreams Do not Fit In Your Urns: An Artivist Experimentation Laboratory</b></font></b></p>     <p></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rui Mourão<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a><sup><br /> </sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]FCSH - Universidade Nova de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:mourao.rui@gmail.com" target="_blank">mourao.rui@gmail.com</a>.<br /> </font><br />   <br /> </font></p>    <p>&nbsp;</p>        <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"></font><br />       </p>       </font> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existe um dominante enquadramento da arte que limita o seu impacto social com base em critérios definidos e reproduzidos pelas elites culturais. As performances artivistas podem subverter essas relações de poder uma vez que incorporam a dissensão simbólica de forma interventiva no real. Possuem um potencial transformador &#8211; individual e coletivo &#8211; que alia a estética a uma ética e aproxima a arte à sociedade. Dentro dessa lógica, numa rotura de limites disciplinares entre arte, política e antropologia, desenvolvi a troika artivista OS NOSSOS SONHOS NÃO CABEM NAS VOSSAS URNAS, constituída por livro (Ensaio de Artivismo - Vídeo e Performance) + videoinstalação (exposta no MNAC - Museu do Chiado) + performance em 3 Actos (que começou com a ocupação artivista do MNAC - Museu do Chiado e se expandiu ao MNAA e ao Palácio Nacional da Ajuda, sede do poder público da Cultura em Portugal). O artigo apresenta a perspetiva autoral de todo um laboratório artístico e político onde se criaram formas artísticas que permitiram obter uma voz na esfera pública, constituindo os seus participantes em atores políticos de contestação ao status quo. Ao longo do texto revela-se como foi vivida a experiência in loco, demonstrando-se como a arte pode empoderar as pessoas e como o corpo é o medium mais democrático e universal para o executar. Após um profundo processo de questionamento do sistema das artes chega-se inevitavelmente a um questionamento do próprio lugar do artista na sociedade contemporânea.  </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>  Performance ativista, ativismo cultural, artivismo, afeção.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">There is a dominant framework of art that limits its social impact based on criteria defined and reproduced by cultural elites. Artivist performances can subvert these power relations since they incorporate symbolic dissolution in an intervening way in the real. They have a transforming potential - individual and collective - that combines aesthetics with ethics and brings art closer to society. Within this logic, in a rupture of disciplinary limits between art, politics and anthropology, I developed the artivist troika. OUR DREAMS DO NOT FALL IN YOUR URNAS, consisting of a book (<i>Artivismo - Video and Performance</i>) + video installation (exhibited at MNAC - Museu do Chiado) + performance in 3 Acts (which began with the Artivist occupation of MNAC - Chiado Museum and expanded to MNAA and Ajuda National Palace, headquarters of the public power of Culture in Portugal). The article presents the authorial perspective of an entire artistic and political laboratory where artistic forms were created that enabled a voice in the public sphere, constituting its participants in political actors of contestation to the status quo. Throughout the text it is revealed how experience was lived in loco, demonstrating how art can empower people and how the body is the most democratic and universal medium to execute it. After a deep process of questioning the art system, we inevitably come to question the artist's own place in contemporary society.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Performance activist, cultural activism, artivism, affection</font>.</p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">   <font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>I</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;Nas formulações de Péricles &#8211; e, aliás, também nos poemas de Homero &#8211; fica     eminentemente claro que o significado mais profundo do acto praticado e da     palavra enunciada não depende da vitória ou derrota, e não deve ser     afectado pelo resultado final, pelas suas consequências boas ou más. (...)     é da sua natureza violar os padrões consagrados e atingir o plano do     extraordinário, onde as verdades da vida quotidiana perdem a sua validade     (...) enquanto a polis inspirar os homens a ousarem o extraordinário, tudo     estará seguro (...) A grandeza, portanto, ou o significado específico de     cada acto, só pode residir no próprio desempenho &#8211; na performance &#8211; e não     nos motivos que o provocaram ou no resultado que produz.&#8221; (Arendt, 2001:     256-257) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     A 4 de julho de 2014 no MNAC - Museu do Chiado, durante a inauguração da     minha exposição <i>Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas</i>, li o     Manifesto Artivista que escrevi, declarando: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;Estamos aqui em ocupação artivista do Museu Nacional de Arte Contemporânea     &#8211; Museu do Chiado. Estamos a ocupar o museu em defesa do museu e não contra     o museu.&#8221; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;Isto não é teatro, nem encenação, nem nós somos personagens, embora o que     estamos a fazer seja uma grande performance. Performance para a qual, a     partir de agora, estão todos convocados. Os que a apoiarem e os que a ela     se opuserem.&#8221; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;Ao realizarmos esta ação podemos mudar algo na sociedade &#8212; ou não! &#8212; no     entanto, com o exemplo desta ação de certo modo somos nós próprios que nos     podemos transformar. É uma mudança que vem da expressão de uma consciência     cívica mais crítica, audaz, criativa, interventiva, sentida e livre, que     não se esgota nas normas institucionais, nem no mero voto de 4 em 4 anos e     que pretende levar-nos a viver uma experiência política com maior     intensidade. A viver uma maior intensidade pela emoção na crença em valores     em que acreditamos, podendo ser igualmente inspiradores para outros. A     viver uma maior intensidade pela emoção no animo da lúdica dramatização     política. A viver uma maior intensidade pela emoção na partilha com o outro     em luta pelo que consideramos bem comum. A viver uma maior intensidade pela     emoção de rompermos com códigos normativos porque não baixamos os braços ao     injusto dominante. E sendo maior esta intensidade emotiva de transformação     do que nos rodeia e, indissociavelmente, de nós próprios, com esta nossa     performance artivista pretendemos afirmar que estamos VIVOS. Estamos vivos     para além de um sistema que desmotiva, que mata o sonho e desencanta com os     seus vícios, limitações e falhas. Porque estamos dispostos a melhorá-lo.     Toda e qualquer performance artivista, só por existir, afirma na esfera     pública o próprio ideal de Democracia. E enquanto nós, cidadãos ativos para     além da norma e da estrita regra, estivermos vivos, esse ideal não morre.     Nem dentro de nós, nem nas ruas, nas praças ou nos museus de todos.&#8221; </font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Tudo começou de forma surpreendente para o público e funcionários do museu.     No meio da inauguração uma das pessoas da assistência começou a cantar a     mítica canção de resistência &#8220;Acordai&#8221; de Lopes-Graça. Dezenas de pessoas seguiram em cortejo atrás dessa mulher a cantar    [<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>]desde o jardim das estátuas até chegarem junto da princesa Antígona    [<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>]&#8211; personagem do teatro     grego símbolo de resistência contra a tirania a quem o público já tinha     sido convidado a lançar ervilhas para despertar a sua consciência adormecida. Já na escadaria do <i>hall</i> do museu li o    <i>Manifesto Artivista</i>[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], enquanto do interior da <i>chaise-longue</i> da Antígona, uma série de     pessoas abriu um encaixe oculto e começou a tirar cartazes com mensagens de     ativismo cultural[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>] e     sacos-cama para acampar. A partir daí deu-se a emocionante ocupação do     museu por várias dezenas de pessoas, durante toda a noite, com ampla     cobertura mediática de televisões, jornais, rádios, blogues e redes     sociais. As decisões e reivindicações resultaram sempre da assembleia que     montámos no museu, onde todos sentados à roda participámos em intensas     discussões artísticas e políticas. A performance expandiu-se depois a     outros espaços e articulou-se numa "troika artivista&#8221; com um livro e uma videoinstalação. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     A videoinstalação era multicanal e apresentava 10 vídeos de 10 performances     artivistas realizadas no espaço público português. Inscrevendo-me na linha     do &#8220;artista como etnógrafo&#8221; (Foster, 1996) e fazendo uma antropologia     visual da performatividade artivista em Portugal, estabeleci interpretações     artísticas de conteúdos antropológicos para compreender interpretações     artísticas de conteúdos políticos. As performances foram projetadas de     forma intersetada, multipolar e rizomática, funcionando no seu conjunto     como um todo. Simultaneamente existiam 5 postos de escuta com registos     áudio de depoimentos de participantes das performances (vários dos quais estiveram também presentes ao vivo na ocupação artivista do museu)    [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>]. Esse todo fragmentado e     diverso, mas uno, era metáfora das &#8220;intersubjetividades&#8221; (Habermas, 2010:     351) necessárias na esfera pública para a ocorrência da pluralidade sem a     qual domina o pensamento totalitário. Uma vez que as representações de     contrapoder são fundamentais para a existência duma Democracia, as imagens     da videoinstalação pretendiam dar-lhe uma certa visibilidade no museu. </font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O livro era um ensaio teórico[<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>] e chama-se    <i>Ensaio de Artivismo - Vídeo e Performance</i>, publicação inédita no     género em Portugal pela sua análise ao Artivismo, recorrendo a exemplos     nacionais. Note-se que o uso da palavra &#8220;ensaio&#8221; teve aqui um duplo     sentido: enquanto proposta de análise intelectual e enquanto preparação de     atuação. Enquanto proposta de análise, o livro faz uma séria tentativa de     abordagem ao fenómeno das performances artivistas, analisando as suas     práticas, os movimentos sociais e contextos que as potenciam, assim como a     própria tradição política das artes performativas. Simultaneamente,     enquanto ensaio de atuação a escrita permitiu-me preparar conceptualmente     uma performance que se prolongou muito para além do Museu do Chiado.     Prolongou-se nas notícias e discussões à esfera e ciberesfera pública.     Fisicamente a performance expandiu-se ainda a outros museus nos meses     seguintes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     A 17/08/2014, apenas um mês depois da ocupação do Museu Nacional de Arte Contemporânea seguiu-se o Acto II no Museu Nacional de Arte Antiga, com um    <i>happening</i> de 73 pessoas vestidas de preto (o número de pessoas     evocava o direito à Cultura expresso no Art. 73º da Constituição     Portuguesa). As 73 pessoas compraram bilhete num domingo que por decisão     política tinha deixado de ter acesso gratuito e todos à mesma hora imitaram     com os seus corpos, várias estátuas e pinturas do museu. Enquanto compunham     autênticos <i>tableaux-vivants</i> diziam repetidamente, como um mantra a     várias vozes em diferentes tons, intensidades e ritmos: &#8220;somos arte, diante     da arte, de luto pela arte, em luta pela arte&#8221;. Naquele momento, por via da     performance e da vontade, os corpos converteram-se em arte. Finalmente     dirigimo-nos ao livro de reclamações referindo um a um até gastar as folhas     todas do livro, o direito à Cultura expresso no Art. 73º. Cada um fê-lo no     seu estilo e linguagem, inclusive com outras reclamações, mas todos     apelavam à democratização do acesso à Cultura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     O último momento, aconteceu no mês seguinte (15/09/2014). O Acto III gerou     uma coreografia no Palácio Nacional da Ajuda &#8211; sede do poder público da     Cultura em Portugal &#8211; com atores vestidos de porcos antropomorfizados de     fato e gravata, poesia declamada a diferentes vozes (a questão da     pluralidade foi sempre importante em todos os Actos) e dezenas de     chapéus-de-chuva pretos com os quais se formaram composições de grande     dimensão que criaram o grafismo do &#8364;, símbolo do dinheiro e do seu     significado no centro do poder que gere a Cultura e que tanto fomenta &#8211;     quando o faz &#8211;, como subordina as artes. A forma do &#8364; não era perceptível     ao nível do solo, parecendo apenas tudo caótico e ruidoso. A coreografia     foi feita para o símbolo do dinheiro ser apenas perceptível de cima.     Performámos a composição do &#8364; para a câmara de vídeo acoplada a um drone     que pusemos a sobrevoar o pátio de entrada das instalações do secretário de     Estado da Cultura. </font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Resumindo, o livro e a exposição sobre performances artivistas     desdobraram-se em &#8220;actos&#8221; performativos também eles artivistas. Teoria e     prática, objeto e sujeito, vídeo e performance, estética e ética, arte e     vida: tudo interligado. Cada &#8220;acto&#8221; teve um título diferente mas formaram     um todo: </font></p>     <p>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acto I - Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas; </i> </font></p>     <p>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acto II - Os Vossos Sonhos Não Cabem Nas Nossas Urnas; </i> </font></p>     <p>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acto III - Morrem Lentas As Urnas Onde Não Cabem Os Sonhos. </i> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Os 3 &#8220;actos&#8221; foram gravados em vídeo, estando disponíveis online. No total     envolveram a colaboração direta de mais de 100 pessoas sem as quais nada     teria sido possível e a quem sempre ficarei agradecido. </font></p>     <p align="center">&nbsp;  </p>     <p align="center"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>II</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;Não há espaço público porque está nas mãos de umas quantas pessoas cujo     discurso não faz mais do que alimentar a inércia e o fechamento sobre si     próprios da estrutura das relações de força que elas representam. Os     lugares, tempos, dispositivos mediáticos e pessoas formam um pequeno     sistema estático que trabalha afanosamente para a sua manutenção. A     situação não se apresenta com melhor aspecto noutros sectores da vida     pública portuguesa. Apesar das exposições, do seu número e da sua     importância, a arte não tem espaço público. Não são as raríssimas revistas     especializadas (&#8230;); não são os livros publicados sobre arte; não são os     poucos (e de repente, muitos) colóquios que se realizam que conseguem     construir um tal espaço. As pessoas vão às exposições e aos espectáculos,     &#8220;gostaram&#8221; ou &#8220;não gostaram&#8221;, e voltam para casa, quer dizer, para outras     preocupações. A crítica sofre idêntico destino (&#8230;). Os pintores, os     escultores, raramente falam entre si sobre a sua arte. A arte é uma questão     privada. Não entra na vida, não transforma as existências individuais.     Expõe-se em vitrinas (como durante tantos anos as exposições, espectáculos,     concertos de artistas estrangeiros se produziam nas «montras» da     Gulbenkian, que apresentavam o que se fazia «lá for a» na época da     ditadura).&#8221; &#8220;Inscrever-se significa, pois, produzir real. É no real que um     acto se inscreve porque abre o real a outro real. Não há inscrição     imaginária e a inscrição simbólica (apesar do que pretende a psicanálise)     não faz mais do que continuar a realidade já construída. Quando o desejo     não se transforma, o Acontecimento não nasce, e nada se inscreve.&#8221; (Gil,     2004: 25) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Como artista criei condições à eclosão performativa, abrindo um espaço, mas     depois foram todos aqueles que se posicionaram a favor ou contra o desafio     lançado que se transformaram em performers da ação: os ocupantes do museu     (tanto os que estavam previamente combinados comigo como os que aderiram     espontaneamente), os jornalistas, o <i>staff</i> da instituição, os     polícias que apareceram de manhã, os comentadores a favor e contra nas     redes sociais e até aos quadros da hierarquia política dos museus. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Toda a controvérsia em torno das performances artivistas decorreu porque se     subverteram as pautas institucionais esperadas para a arte. No museu     pretendia-se que a arte de intervenção fosse apenas simbólica, contida e     inócua, emoldurada com o patrocínio do novo mecenas do museu &#8211; a Sonae &#8211;     que inclusive privatizou parte da identidade pública do museu nacional de     arte contemporânea. Note-se que a sala onde expus foi precisamente a antiga     Sala Polivalente, que nesse momento tinha sido rebatizada como Sala Sonae.     Só que o inesperado aconteceu. O 1º artista a expor na referida Sala Sonae     subverteu as lógicas do sistema, com uma performance que fez do seu objeto     artístico a tensão entre o potencial transformador da arte e os limites do     museu, tornando visíveis os seus dispositivos de controlo e expondo-os.     Ainda para mais num museu que enquanto espaço institucional tem uma falta     de autonomia histórica face ao poder político dominante e que,     cumulativamente, passou a estar inserido nas novas dinâmicas neoliberais,     onde o mecenato empresarial foi a solução adotada para suprimir as     carências da suborçamentação pública. Este projeto permitiu-me verificar     que embora os responsáveis institucionais afirmassem que o patrocínio     cedido ao museu não limitava em nada os conteúdos expostos dentro desse     mesmo museu, quando a performance artivista rompeu com as normas vigentes e     ganhou visibilidade mediática, o que vi instalar-se foi o medo. Temiam que     um ato artivista tão interventivo pudesse desagradar à empresa mecenas e     perdessem o seu apoio financeiro. Independentemente de a Sonae intervir ou     não, são os próprios responsáveis do museu que se retraem perante a     possibilidade de a empresa patrocinadora se melindrar. Portanto, para além     da publicidade e vantajosos benefícios fiscais, um mecenato permite     condicionar a programação dum museu, não tanto pelo que se inclui, mas pelo     que subtilmente se exclui. A dependência do mecenato leva a que se evitem     conteúdos que desagradem à empresa que os financia, criando-se uma moldura     institucional não-declarada onde não têm lugar o que eficazmente questiona     o sistema socioeconómico dominante. A prova disso é que se estava a     preparar um importante colóquio sobre artivismo no Museu do Chiado, para o     qual eu até tinha sido convidado, mas que depois de o artivismo ter deixado     de ser algo teórico e ter passado a ser algo vivido, foi de imediato abandonado e nunca o colóquio chegou a acontecer. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Curiosamente, a um outro nível paralelo, o jornal <i>Público</i> &#8211; que     pertence à Sonae, a mesma empresa mecenas do museu onde expus &#8211; não enviou     nenhum jornalista ao museu enquanto durou a ocupação e foi dos últimos     jornais a publicar o caso, já no dia seguinte, pressionado pelos restantes     media que tinham noticiado tudo desde a noite anterior. Depois publicou a     notícia tendo apenas contactado uma das partes &#8211; o diretor do museu &#8211;     escrevendo no dia 5/07/2014 que não foi possível contactar-me (embora tenha     sido publicamente veiculado a cada hora nos noticiários que passei toda a     noite de 4 para 5 de julho no museu, estando disponível para falar com     todos os jornalistas que apareceram e foram vários os que vieram falar     comigo). Mais tarde, uma jornalista do Público cobriu a performance     artivista no Museu Nacional de Arte Antiga sem sequer entrar no museu,     insistindo em perguntar se eu sabia se outros jornais iriam publicar aquela notícia e dizendo-me que ninguém do jornal podia ir fotografar o    <i>happening</i> porque não queriam afetar as boas relações do Público com     o Museu Nacional de Arte Antiga. A notícia foi ilustrada com uma fotografia     da fachada do museu, sem que se visse o ato de dissensão dos corpos. É como     se mostrassem um espetáculo com imagens da fachada do teatro e não da peça     ou noticiassem uma manifestação com imagens duma rua vazia. Fica a     impossibilidade da emoção, da empatia, da afeção pelos corpos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Muito haveria a escrever sobre as abordagens de cada jornal, rádio ou canal     de televisão e as suas variações, semelhanças, ausências ou destaques face     aos 3 Actos deste projeto, mas essa análise comparativa seria todo um     estudo que não cabe aqui. Tal como não cabem as centenas de comentários e     partilhas no twitter, facebook e blogues que fui registando (a favor e     contra[<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>]). </font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5" id="f5"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f5.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Na introdução ao meu livro <i>Ensaio de Artivismo - Vídeo e Performance</i>     , editado pelo museu com o apoio da Sonae, Emília Tavares escreveu um belo     texto a que chamou &#8220;Palavras Leva-as O Vento: Uma Arte de Compromisso&#8221;,     onde afirma: &#8220;Trabalhos como o de Rui Mourão deixam como possibilidade a     resiliência aos ditames que o sistema das artes espera dos artistas, &#8220;que     operem críticas construtivas do sistema mas não ameacem as instituições     públicas, as classes hierárquicas e outros legados do liberalismo burguês;     que intervenham na cultura mas não pareçam agressivos ou seriamente     preparados para lutar pela igualdade política.&#8221; (Léger, 2012: 70). É     extraordinário como esse texto se revelou premonitório. Quer em relação a     como a própria instituição pública e a sua hierarquia, incluindo a     curadoria, haveriam de reagir, quer em relação a como eu haveria de montar     toda uma estratégia de resiliência artivista. Desde logo, à pressão para     que eu terminasse com tudo, respondi sempre que era uma performance de arte     participatória, sendo todas as decisões tomadas em assembleia e tendo o     grupo votado sempre em continuarmos ao longo de toda a noite. Ora apesar de     também esse ser o meu objetivo, sozinho eu não teria tido a força que o     grupo teve e me deu. Em contrapartida o grupo ocupante de artistas,     ativistas e cidadãos amantes das artes aprovou que se convidassem os     próprios funcionários do museu a juntarem-se à nossa ocupação e foram mesmo     desenhados convites em papel que foram oferecidos aos funcionários. Nenhum     se juntou. Um assistente técnico declarou-me secretamente o seu apoio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Já de manhã, foi-nos dito que se não saíssemos à hora da reabertura do     museu chamariam a polícia. Passaram-nos então a acusar de em vez de     trazermos a democratização do acesso à Cultura como reivindicávamos, de     estarmos a impedir a entrada do público no museu se não saíssemos.     Respondemos que jamais impediríamos o acesso ao museu e foi mesmo proposto     que o público entrasse enquanto nós permanecíamos como uma instalação viva     de corpos em performance de protesto à vista dos visitantes na exposição.     Fomos de seguida ameaçados com a vinda dos agentes da autoridade. Apesar do     stress, a assembleia continuou sempre a reunir-se e aprovou então que se     convocasse uma conferência de imprensa para a hora de abertura do museu     (10h). Fomos então a votos para decidir qual das propostas avançadas pelos     participantes seria eleita. Havia quem defendesse que se aguardasse que     viesse a polícia e tivessem de nos tirar de lá com os jornalistas a     assistir. Havia quem defendesse que a missão estava cumprida (tínhamos     traçado como objetivo inicial ocupar o museu toda a noite e com a     performance lançar o debate na esfera pública) e que uma vez alcançado esse     objetivo deveríamos sair dignamente pelo nosso pé após darmos a conferência     de imprensa que tínhamos convocado à porta do museu. Foi esta a solução     mais votada e portanto foi o que fizemos. O comunicado final exigia que se     cumprisse a Constituição da República Portuguesa no que diz respeito à     promoção da democratização da cultura pelo estado, como consagra o Artº 73.     Nesse sentido deveria ser incentivado e assegurado o acesso de todos os     cidadãos aos museus pela redução do preço dos bilhetes (que tinham     aumentado, nalguns casos mais de 75%) e pela reposição das entradas     gratuitas todos os domingos (que já tinha sido reduzida de todos os     domingos para apenas 1 por mês, com diminuição de visitantes). Numa     perspectiva mais alargada, foi exigida a reposição do Ministério da     Cultura, investimento público nas artes e que, conforme recomendação da     UNESCO, se estabeleça o mínimo de 1% do Orçamento de Estado para a Cultura.     Ironicamente, uma das nossas reivindicações junto dos <i>mass media</i>     desde o princípio da noite foi a exigência de uma reunião com o ministro da     Cultura, quando o governo de então tinha eliminado esse ministério e tal     cargo não existia. Os próprios polícias, quando chegaram, aguardaram cerca     de meia hora porque lhes dissemos que estávamos a acabar de deliberar as     reivindicações ao tal ministro que eles pensaram existir de facto. </font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6" id="f6"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f6.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Entretanto ao longo da noite, em torno à nossa assembleia permanente houve     gente que cantou jazz, gente que fez ioga, gente que escreveu cartazes,     gente que adormeceu, gente que gravou vídeos, gente que namorou, gente que     fez ou reforçou amizades, gente que leu poesia, gente que permaneceu nos     WCs para que não fossem trancados (porque tentaram fazê-lo, o que     inviabilizaria a nossa permanência por limitações fisiológicas), gente que twittou, facebookou e viralizou, gente que transmitiu tudo em    <i>live stream</i> para a internet. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Por fim, já no término da minha exposição no museu comuniquei por email que não iria levantar a videoinstalação    <i>Os Nossos Sonhos Não Cabem nas Vossas Urnas</i> por ser meu desejo doar     a obra ao museu. A direção comunicou-me formalmente, também por email, &#8220;não     ter interesse em integrar esse trabalho nas suas coleções&#8221;. Respondi: &#8220;O     que fiz e dei ao museu, está feito e dado. De agora em diante, o que     quiserem fazer com esse trabalho artístico e a sua memória fica ao vosso     critério&#8221;. Desconheço o que lhe terão feito. </font></p>     <p align="center">&nbsp;  </p>     <p align="center"><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>III</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;Art does not receive its reward in Heaven; it is one of the things that     belong to Caesar.&#8221; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(Menand, 2005: 1) </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     O projeto <i>Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas</i> demonstrou que     é possível criar formas artísticas que permitam obter uma voz na esfera     pública com impacto suficiente para constituir os seus participantes em     atores políticos de contestação ao <i>status quo</i>. Com os nossos corpos,     a nossa energia, a nossa ação, os nossos sonhos, demonstrámos que as     performances artivistas podem operar representações de cariz subversivo que     funcionem como formas de contrapoder. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Tanto as 10 performances artivistas documentadas na videoinstalação e no     livro, como os 3 Actos performativos onde apliquei na prática o que tinha     sistematizado em teoria e imagens, comprovaram que a arte, de facto, pode     empoderar as pessoas e que o corpo é o <i>medium</i> mais democrático e     universal para o executar &#8211; todos temos um. O facto de tudo isso ser produzido a partir da ação do corpo, remete-nos para o conceito de    <i>afeção</i>. Tendo aplicação em contextos psicológicos e filosóficos, o conceito foi criado por Espinosa e desde então foi amplamente abordado    <i>a posteriori</i> (por autores como Deleuze ou Massumi). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;An affection is what? In a first determination, an affection is the     following: it's a state of a body insofar as it is subject to the action of     another body. What does this mean? &#8220;I feel the sun on me,&#8221; or else &#8220;A ray     of sunlight falls upon you&#8221;; it's an affection of your body. What is an     affection of your body? Not the sun, but the action of the sun or the     effect of the sun on you. In other words an effect, or the action that one     body produces on another, once it's noted that Spinoza, on the basis of     reasons from his Physics, does not believe in action at a distance, action     always implies a contact, and is even a mixture of bodies. Affectio is a     mixture of two bodies, one body which is said to act on another, and the     other receives the trace of the first. Every mixture of bodies will be     termed an affection. Spinoza infers from this that affectio, being defined     as a mixture of bodies, indicates the nature of the modified body, the     nature of the affectionate or affected body, the affection indicates the     nature of the affected body much more than it does the nature of the     affecting body.&#8221; (Deleuze, 2007: 1) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;An emotion is a subjective content, the socio-linguistic fixing of the     quality of an experience which is from that point onward defined as     personal. Emotion is qualified intensity, the conventional, consensual     point of insertion of intensity into semantically and semiotically formed     progressions, into narrativizable action-reaction circuits, into function     and meaning. It is intensity owned and recognized. It is crucial to     theorize the difference between affect and emotion. If some have the     impression that it has waned, it is because affect is unqualified. As such,     it is not ownable or recognizable, and is thus resistant to critique.&#8221; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> &#8220;It is not that there are no philosophical antecedents to draw on. It is     just that they are not the usual ones for cultural theory. Spinoza is a     formidable philosophical precursor on many of these points: on the     difference in nature between affect and emotion; on the irreducibly bodily     and autonomic nature of affect; on affect as a suspension of     action-reaction circuits and linear temporality in a sink of what might be     called "passion," to distinguish it both from passivity and activity; on     the equation between affect and effect; on the form/content of conventional     discourse as constituting an autonomous or semi-autonomous stratum running     counter to the full registering of affect and its affirmation, its positive     development, its expression as and for itself. The title of Spinoza's     central work suggests a designation for the project of thinking affect: Ethics.&#8221; (Massumi, 1995: 88-89) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Numa abordagem muito sucinta, a <i>afeção</i> prende-se com a capacidade     dos corpos afetarem ou serem afetados através das energias das suas ações e     atitudes, tocando as emoções. Uma performance de contrapoder bem sucedida é     precisamente aquela que de alguma maneira exerce afeção a quem a presencia.     As tradicionais manifestações de coletivos na rua, como demonstração de     poder, necessitam da presença do maior número possível de pessoas para     ganhar <i>afeção</i> e adquirirem uma legitimidade que lhes confira     representatividade. Pelo contrário, a força das performances artivistas no     espaço público é mais qualitativa que quantitativa, assumindo em pleno a     sua vocação de contrapoder. Como tal, o mais importante não é a quantidade     de participantes, mas a sua capacidade de impacto no questionamento das     relações de poder estabelecidas na sociedade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     &#8220;As palavras de ordem que tão sintomaticamente ecoam através destes atos     performativos são efémeras, a arte pode consagrar-lhes um lugar de memória,     sem a qual nenhuma transformação social e política pode ser encetada. A     arte imiscui-se na vida porque sempre assim foi, a vida é que se tornou     outra e com ela a arte mudou de paradigma.&#8221; (Tavares, 2014: 18) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     O conceito de &#8220;arte&#8221; é uma categoria cultural construída historicamente que     permite uma série de criações, experiências, expressões, sensibilidades,     performatividades, conhecimentos, desconstruções e questionamentos nas     sociedades ocidentais contemporâneas que de outra forma não teriam espaço     social para existir. Contudo essa construção está sujeita a dimensões     económicas, culturais e políticas (Melo, 2012: 11) que formam uma     subjetividade feita de convenções, gostos e interesses que as elites     culturais definem e reproduzem, segundo um &#8220;capital cultural&#8221; (Bourdieu,     1986). Consequentemente, o &#8220;mundo da arte&#8221; (Danto, 1964: 580) estrutura e é     estruturado por uma série de dinâmicas, legitimações, hierarquias e     relações de poder que instrumentalizam a arte de acordo com os interesses     dos agentes dominantes nesse sistema e/ou dos agentes dominantes no     macrossistema onde se insere o sistema da arte e do qual depende. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Aplicando as teorias de McLuhan ao meio da arte compreendemos que também     aqui &#8220;o meio é a mensagem&#8221; (McLuhan, 1964: 7). A inerente subjetividade que     a arte sempre envolve, ampliada pelo forte relativismo atual, pela     generalização de discursos curatoriais com um jargão próprio e pela     ausência de critérios públicos, reforçou a autoridade dos mediadores sobre     a arte disponibilizada ao público. Um muito restrito grupo de pessoas em     posições de poder nas instituições culturais, nos meios de comunicação     social e no mercado, controlam os mecanismos de inclusão e exclusão que     determinam para o resto da sociedade os cânones na arte, categoria maior da     chamada alta cultura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Diante deste cenário, até que ponto a seleção dos conteúdos artísticos no     interior dos espaços museológicos e galerísticos corresponde a     interpelações questionadoras da perceção e evolução do mundo e de nós     próprios? De que serve as instituições culturais criarem condições para que     a reflexão crítica possa acontecer se depois encaminham esse posicionamento     para um limite contido? Um limite filtrado pelos domínios económicos,     políticos, culturais e sociais dominantes que serve interesses contrários     ao potencial da arte romper limites, procurar outros caminhos, sonhar     outros mundos. E assim sendo, o que nos acrescentam os objetos expostos nos     museus de arte contemporânea se estão castrados do seu potencial     transformador, utópico? É possível ir para além do limite imposto pelo     status quo? A troika artivista que desenvolvi trouxe-me todos esses     questionamentos. Inclusive levou-me não só a olhar para o meio envolvente,     mas com as mesmas premissas, a olhar para mim próprio, para a identidade     moldada pelo meio que construí: a de artista. Nesse sentido passei a     questionar o meu próprio lugar. Como não questionar o artista que sou, que     era, num sistema que critico, se eu próprio fui formado e legitimado por     esse sistema. Curiosamente, comecei este projeto com uma série de     convicções e saí cheio de dúvidas. Entrei defendendo um sistema que     subverti e saí subvertendo o meu lugar nesse sistema. Entrei como artista e     saí como pessoa. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f7" id="f7"></a><img src="/img/revistas/cct/n34/n34a07f7.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Concluindo, uma vez que se regista uma subtil domesticação ou exclusão     pelos limites do meio e pelos interesses dos que o controlam, fica a     questão: Que lugar pode ter um criador na mediação da arte que produz? Fica     a opção de inserção colaborante no sistema de poder da arte, aceitando as     suas limitações e hierarquias na perspetiva de receber visibilidade,     reconhecimento, status e compensação financeira (compensações acessíveis a     muito poucos); a opção de estar dentro do sistema mas procurando criticá-lo     e mudá-lo por dentro num permanente jogo de tensões com cedências e     idealmente ainda mais conquistas; a opção de estar fora do sistema,     negando-o frontalmente em liberdade total, mas sem nenhuma das vantagens     que a integração no sistema oferece; ou a opção de estar fora do sistema     numa perspetiva de procura e criação de novos sistemas potencialmente     melhores que tornem o sistema dominante ultrapassado. Obviamente que as     opções não têm que ser mutuamente exclusivas, fechadas, taxativas e     imutáveis. A única coisa certa é que as escolhas não são fáceis e     fundamentalmente são entre interesses e valores. Acontecem entre a     gravidade da terra e a beleza do horizonte. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BIBLIOGRAFIA </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Arendt, H. (2001), <i>A Condição Humana</i> (Raposo, Roberto, Trad.),     Lisboa, Antropos Relógio d'Água Editores (obra original publicada em 1958).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687326&pid=S2182-3030201700010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Auer, C. (2012),         <i>         Affect in Political Protest &#8211; The Sound of Anti-austerity         demonstrations in Lisbon        </i>     , Lisboa e Berlim, Institut für Europäische Ethnologie,     Humboldt-Universität zu Berlin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687328&pid=S2182-3030201700010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Bourdieu, P. (1986), &#8220;The Forms of Capital&#8221;, J.G. Richardson (ed.),    <i>Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education</i>, Nova     Iorque, Greenwood.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687330&pid=S2182-3030201700010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Deleuze, G. (2007), &#8220;On Spinoza&#8221;, Lectures by Gilles Deleuze,         <a href="http://deleuzelectures.blogspot.pt/2007/02/on-spinoza.html" target="_blank">         http://deleuzelectures.blogspot.pt/2007/02/on-spinoza.html        </a>     (online).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687332&pid=S2182-3030201700010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Danto, A. (1964), &#8220;The Artworld&#8221;, <i>The Journal of Philosophy</i>, vol.     61, Issue 19, American Philosophical Association, pp. 571-584. Available at     <a         href="http://faculty.georgetown.edu/irvinem/visualarts/Danto-Artworld.pdf" target="_blank"     >         http://faculty.georgetown.edu/irvinem/visualarts/Danto-Artworld.pdf    </a>     .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687334&pid=S2182-3030201700010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Enwezor, O. (2009), &#8220;Interview with Okwui Enwezor&#8221;, <a href="http://www.portlandart.net" target="_blank">www.portlandart.net</a>,     Available at         <a href="http://www.portlandart.net/archives/2009/04/interview_with_4.html" target="_blank">         http://www.portlandart.net/archives/2009/04/interview_with_4.html        </a>     .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687336&pid=S2182-3030201700010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Foster, H. (1996), &#8220;The Artist as Ethnographer?&#8221;,    <i>The Return of the Real</i>, Cambridge, The MIT Press, pp. 302-309.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687338&pid=S2182-3030201700010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Gil, J. (2004), <i>Portugal, Hoje: O Medo de Existir</i>, Lisboa, Relógio     D'Água Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687340&pid=S2182-3030201700010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Gómez-Peña, G. (2005), &#8220;En Defensa del Arte del Performance&#8221; (Peláez,     Silvia, Trad.), <i>Horizontes Antropológicos</i>, 24, pp. 199-226, Porto     Alegre (online).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687342&pid=S2182-3030201700010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Gould, D. (2010), &#8220;On Affect and Protest. Political Emotions&#8221;,    <i>New Agendas in Communication</i>, Nova Iorque, Ed. Routlegde, pp. 18-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687344&pid=S2182-3030201700010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Groys, B. (2014), &#8220;On Art Activism&#8221;, e-flux. Available at         <a href="http://www.e-flux.com/journal/on-art-activism" target="_blank">         http://www.e-flux.com/journal/on-art-activism        </a>     .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687346&pid=S2182-3030201700010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Kirshof, E. (2008), &#8220;Transmidialidade e Estilo de Oposição na Arte Pós-     moderna&#8221;, comunicação apresentada no I Congresso Nacional e II Regional de     História da UFG - Universidade Federal de Goiás, (online).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687348&pid=S2182-3030201700010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Habermas, J. (2010), <i>O Discurso Filosófico da Modernidade</i> (Bernardo,     Ana Maria, Pereira, José Rui, Trad.), Alfragide, Texto Editores (obra     original publicada em 1985).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687350&pid=S2182-3030201700010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Jasper, J. (1998), &#8220;The Emotions of Protest: Affective and Reactive     Emotions in and around Social Movements&#8221;, <i>Sociological Forum</i>, vol.     13, nº 3, pp. 397-424.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687352&pid=S2182-3030201700010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Léger, M. (2012),    <i>Brave New Avant Garde: Essays on Contemporary Art and Politics</i>,     Winchester, Zero Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687354&pid=S2182-3030201700010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Massumi, B. (1995), &#8220;The Autonomy of Affect&#8221;, <i>Cultural Critique</i>, Nº     31, The Politics of Systems and Environments, Part II (Autumn), pp. 83-109.     Available at     <a         href="http://cr.middlebury.edu/amlit_civ/allen/2012%20backup/scholarship/affect%20theory/massumi.pdf" target="_blank"     >         http://cr.middlebury.edu/amlit_civ/allen/2012%20backup/scholarship/affect%20theory/massumi.pdf    </a>     .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687356&pid=S2182-3030201700010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> McLuhan, M. (1964), &#8220;The Medium Is The Message&#8221;,    <i>Understanding Media: The Extensions of Man</i>. Part I (1), Cambridge e     Londres, The MIT Press (online), pp. 7-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687358&pid=S2182-3030201700010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Melo, A. (2012), <i>Sistema da Arte Contemporânea</i>, Lisboa, Ed.     Documenta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687360&pid=S2182-3030201700010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Menand, L. (2005), &#8220;All That Glitters&#8221; New Yorker.         <a href="http://www.newyorker.com/magazine/2005/12/26/all-that-glitters" target="_blank">         http://www.newyorker.com/magazine/2005/12/26/all-that-glitters        </a>     .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687362&pid=S2182-3030201700010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tavares, E. (2014), &#8220;Palavras Leva-as o Vento: Uma Arte de Compromisso&#8221;,    <i>Ensaio de Artivismo &#8211; Vídeo e Performance</i>, Lisboa, MNAC &#8211; Museu do     Chiado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687364&pid=S2182-3030201700010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Wright, C. (1998), &#8220;The Third Subject: Perspetives on Visual Anthropology&#8221;,    <i>Anthropology Today</i> 14 (4): 16-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1687366&pid=S2182-3030201700010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido: 28-12-2016; Aceite: 29-06-2017.</font></p>         <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NOTES<br clear="all"/>     </font> </p>         <p> <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2] </a></font></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A intérprete foi a cantora lírica e ativista Ana Maria Pinto, que             já aparecia entrevistada no livro lançado nessa mesma noite no museu e numa das performances da videoinstalação            <i>Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas</i>.</font> </p>         <p>             <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3]</a></font></font> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A personagem de Antígona, vestida à época grega, foi interpretada             pela atriz Joana Freches Duque, um dos membros do Colectivo             Negativo, coletivo que colaborou nesta performance como cocriador e             que inclusive concebeu os figurinos e a chaise-longue que funcionou         como um cavalo de Tróia de onde saiam os cartazes e sacos-cama.</font></p>              <p>             <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4]</a></font></font> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Manifesto Artivista pode ser lido na íntegra aqui:        </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a                 href="https://docs.google.com/document/d/1Hcz4QByYwYNdb5uQ7dy7JQHD7LQxht9UaNXogshdZp8/pub" target="_blank"             >https://docs.google.com/document/d/1Hcz4QByYwYNdb5uQ7dy7JQHD7LQxht9UaNXogshdZp8/pub             </a>         .</font></p>             <p>             <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5]</a></font></font> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Saíram cartazes com mensagens como: MENOS DINHEIRO DOS NOSSOS             IMPOSTOS PARA PPPs, SWAPs E BANCOS; MAIS DINHEIRO DOS NOSSOS             IMPOSTOS PARA MUSEUS, ARTE E CULTURA; ACESSO GRATUITO AOS MUSEUS             TODOS OS DOMINGOS; + CULTURA = + EDUCAÇÃO = + DEMOCRACIA; etc. No             local as pessoas também escreveram cartazes, com frases como as             seguintes: QUE AS TUAS ESCOLHAS SEJAM O RESULTADO DOS TEUS SONHOS E             NÃO DOS TEUS MEDOS; 1% DO ORÇAMENTO PARA A CULTURA; ISTO É UM         CARTAZ POLÍTICO PORQUE ESTAMOS AQUI; CULTURA NÃO É LUXO; etc.</font></p>              <p>             <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6]</a></font></font> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para informações mais completas sobre a videoinstalação e             visualização do vídeo oficial do MNAC - Museu do Chiado sobre o             trabalho (onde não há qualquer referência à ocupação, como se não             tivesse existido) consulte-se o seguinte link:             <a                 href="http://www.museuartecontemporanea.pt/pt/programacao/os-nossos-sonhos-nao-cabem-nas-vossas-urnas" target="_blank"             >                 http://www.museuartecontemporanea.pt/pt/programacao/os-nossos-sonhos-nao-cabem-nas-vossas-urnas            </a>         .</font></p>              <p>             <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7]</a></font></font> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O assunto inclusivamente foi matéria de dissertação do meu mestrado             em Antropologia &#8211; Sociedade e Cultura no ISCTE - IUL. O tema da             tese foi Representações de Contrapoder &#8211; Performances Artivistas no             Espaço Público Português e teve como orientador o prof. Paulo         Raposo.</font> </p>         <p>             <font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8]</a></font></font> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deixo no entanto dois exemplos significativos pelas suas opiniões             declaradamente opostas: artigo "Museu do Chiado ocupado numa noite             de verão" (Fonte:             <a href="http://o-antonio-maria.blogspot.pt/2014/07/museu-do-chiado-ocupado-numa-noite-de.html" target="_blank">http://o-antonio-maria.blogspot.pt/2014/07/museu-do-chiado-ocupado-numa-noite-de.html</a>)             e artigo "O Estado da Arte Onde Chegámos" (Fonte:         <a href="https://ressabiator.wordpress.com/2014/07/13/o-estado-da-arte-onde-chegamos/" target="_blank">https://ressabiator.wordpress.com/2014/07/13/o-estado-da-arte-onde-chegamos/</a>). </font></p>            ]]></body>
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