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<journal-title><![CDATA[CIDADES, Comunidades e Territórios]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[DINÂMIA'CET-IUL, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.15847/citiescommunitiesterritories.jun2019.038.ens01</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Estado e a habitação: regulação, financiamento e planeamento]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Ciências Sociais ]]></institution>
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<country>Portugal</country>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">O Estado e a habitação: regulação, financiamento  e planeamento</font></b>      <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3">The state and housing: Regulation, funding    and planning</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Simone Tulumello<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2"><a name="1" id="1"></a>[I]Instituto    de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:simone.tulumello@ics.ulisboa.pt">simone.tulumello@ics.ulisboa.pt</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">O presente ensaio procura    contribuir para o debate em torno das questões da habitação em Portugal, centrando-se    no papel do Estado e das políticas públicas na afirmação da habitação como um    direito social e, consequentemente, na sua desmercadorização. A reflexão que    apresento refere-se à conjuntura presente, visando apresentar possibilidades    concretas de reforma da ação pública. Por esta razão, o ensaio tem como pano    de fundo as questões identificadas na introdução deste volume (ver Allegra e    Tulumello, este volume): por um lado, a compreensão da presente conjuntura como    resultado da coexistência de falhas históricas do sistema de habitação e das    crises recentes devidas ao boom do imobiliário e do turismo; pelo outro, uma    reflexão crítica sobre as medidas recentes em matéria de política habitacional,    principalmente as incluídas na Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH)    [<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>]. Em particular, irei apresentar    algumas reflexões sobre três vertentes: i) regulação pública, e a sua necessidade    urgente face às profundas assimetrias do mercado da habitação; ii) provisão    pública e seu financiamento, e o papel crucial que estes devem jogar na resolução    das problemáticas históricas do sistema de habitação; e iii) planeamento urbano    e ordenamento do território, necessários para resolver a tensão entre habitação    como componente do estado social e das políticas urbanas, bem como entre os    níveis nacional e local de governação. Para cada vertente irei refletir criticamente    sobre as reformas já aprovadas e em discussão, e oferecer algumas pistas para    reformas capazes de articular as várias dimensões de uma política de habitação    coerente e equitativa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="3">Regulação</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Décadas de estudos comparativos    sobre os sistemas de habitação na Europa demonstraram que os modelos nacionais    que mais perto chegaram de garantir o acesso universal à habitação são aqueles    onde o Estado tem sido mais ativo do ponto de vista da regulação, com efeitos    sobre as formas de acesso à habitação. Nos modelos do sul da Europa, onde os    Estados não têm adotado políticas abrangentes de regulação, a habitação própria    é dominante (Allen et al., 2004). Nos modelos nacionais que Kemeni define como    &ldquo;integrados&rdquo; (2001), e de forma mais evidente nos países nórdicos – onde praticamente    todo o parque habitacional urbano está sob alguma forma de regulação dos preços    e dos modelos de gestão –, o arrendamento é a forma privilegiada de acesso à    habitação. Ou seja, uma regulação robusta faz do arrendamento uma opção estável    e segura, permitindo que as famílias não se tenham que expor ao endividamento    para ter acesso a habitação própria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Hoje em dia, estas reflexões    são especialmente significativas nos contextos urbanos portugueses pelo súbito    aumento do mercado de arrendamento devido a vários fatores, desde a mudança    de estilos de vidas até à menor facilidade das novas famílias em aceder a empréstimos    – por causa da crescente precariedade laboral e por falta dos apoios públicos    de que beneficiaram as gerações anteriores. Porém, na conjuntura presente o    mercado do arrendamento está influenciado por dinâmicas que põem os potenciais    arrendatários em &ldquo;competição&rdquo; com atores com capacidade económica radicalmente    diferente: populações com maior poder de compra atraídas pelos benefícios fiscais    para residentes não habituais e pensionistas, transferência de fogos do mercado    do arrendamento para o mercado turístico e até aquisição de imobiliário para    fins puramente especulativos (como exemplificado pelo mecanismo dos Vistos Gold    [<a name="top3" id="top2"></a><a href="#3">3</a>]).</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Contudo, face a assimetrias    tão profundas o governo não parece ter a intenção de ativar medidas agressivas    de regulação: no mesmo discurso em que declarava a necessidade de recolocar    a habitação na agenda política, António Costa frisava que «não estava em causa    a liberalização do mercado» (Lusa, 2017). De facto, a única medida de regulação    direta aprovada foi a alteração ao regime do alojamento local, que permite que    as câmaras municipais fixem limites aos empreendimentos turísticos em áreas    de alta pressão (Lei 62/2018), que, porém, não está a ter efeitos expressivos.    Por exemplo, no caso de Lisboa, a Câmara Municipal publicou um estudo que demonstra    a intenção de colocar um teto de 25% de empreendimentos turísticos (CML, 2018),    o que significa que a concessão de novas autorizações nos bairros históricos    vai parar, mas que outras dezenas de milhares poderão teoricamente ser concedidas    no resto da cidade, contribuindo para dispersar geograficamente o fenómeno mais    do que para o abrandar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Por seu lado, a NGPH limita-se    a vias indiretas de regulação: a publicação dos dados estatísticos sobre valores    de compra[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], que poderá ajudar    a arrefecer a perceção de crescimento do valor do imobiliário, e medidas para    incentivar os arrendamentos de longo prazo, nomeadamente incentivos fiscais    ao arrendamento de longo prazo (Lei 2/2019 e Lei 3/2019) e o regime do Direito    Real de Habitação Duradoura (DHD) [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>]. Não é claro, porém, quem terá interesse    em aproveitar os incentivos ao arrendamento de longa duração ou a fórmula DHD    num momento em que os rendimentos especulativos são altíssimos – até agora,    só as representações dos fundos de investimento se declararam a favor do DHD    (ver Lusa, 2019). De facto, a própria Secretária de Estado da Habitação, numa    entrevista recente [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>], referiu    que está à espera que os senhorios possam aderir aos benefícios fiscais para    arrendamento de longa duração à medida que os contratos existentes terminem.    Ou seja, que não se trata de medidas de urgência mas sim &ldquo;estruturais&rdquo;, e, parece    inevitável, eficazes só quando o mercado arrefecer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">A dicotomia entre a necessidade    de agir numa conjuntura de crise aguda e a possibilidade de pensar um sistema    de habitação justo e eficaz a longo prazo é, sem dúvida, uma questão bastante    delicada (ver Allegra e Colombo, este volume) – especialmente num país onde    a política de habitação tem avançado mais em função de respostas a crises do    que a partir de uma perspetiva de longo prazo (ver Tulumello et al., 2018).    Porém, uma intervenção agressiva de regulação parece especialmente necessária    dada a desconexão presente entre o crescimento abrupto dos preços da habitação    e a longa estagnação dos salários (ver Caldas e Almeida, 2018).</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">É importante relembrarmos    o papel central que teve o crédito à habitação, e a subsequente financeirização    do mercado imobiliário [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>], no    rebentar da crise económica portuguesa: no período antes da crise, o imobiliário    e a habitação constituíam as principais causas de endividamento privado, quer    das famílias, quer das empresas (Santos et al., 2014; Santos, 2019). O abrandamento    deste setor foi, justamente, uma das causas primárias de problemas para os bancos,    que tinham concedido empréstimos quer às famílias para aquisição de casa própria,    quer às empresas de construção. Num contexto &ldquo;pós-crise&rdquo; de rápido crescimento    assente no imobiliário, uma nova onda de financeirização, desta vez fortemente    caracterizada por fluxos de investimentos estrangeiros, parece estar a criar    novas bolhas – como foi reconhecido até pelo Banco de Portugal (2018). Ou seja,    a necessidade de regulação assume também um valor de prevenção de novas crises    financeiras e, portanto, económicas e sociais. Porém, o governo parece ter um    entendimento oposto, como testemunha a recente criação das Sociedades de Investimento    e Gestão Imobiliária (Decreto-Lei 19/2019) – instrumentos financeiros para investir    no setor imobiliário – e do próprio DHD, confirmando assim a necessidade urgente    de pressão política neste campo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Será escusado frisar que    o &ldquo;congelamento das rendas&rdquo; não é a medida de regulação necessária, pois acaba    por transferir o ónus da habitação &ldquo;acessível&rdquo; para pequenos senhorios, e que    a regulação necessita de ser acompanhada por políticas públicas de intervenção.    Daí a necessidade de refletir sobre o papel do financiamento das políticas públicas    de habitação.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="3">Provisão e financiamento</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Os programas de renda acessível    até agora anunciados ou lançados – como o Programa de Renda Acessível nacional    ou o Lisboa Renda Acessível [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>] – têm em comum a aposta na fixação de classes &ldquo;médias&rdquo; nos centros    urbanos. Se, portanto, as políticas de apoio ao arrendamento se orientam sobretudo    no sentido de responder a problemas relacionados em especial com a situação    atual (visão conjuntural), e estando ausente uma vontade política de uma regulação    mais abrangente, as problemáticas históricas terão de ser enfrentadas por outros    caminhos, em que a intervenção direta do Estado se torna inescapável. De facto,    a Secretária de Estado da Habitação tem mencionado repetidamente a intenção    de aumentar a habitação pública de menos de 3 para cerca de 5% do stock nacional,    mantendo, porém, a ambiguidade quanto ao facto de o novo stock ser de habitação    pública ou de habitação com apoio público (Silva, 2019).</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">O programa 1º Direito seria    a ponta de lança desta estratégia, com a sua ambição de resolver a situação    das mais de 26 mil famílias identificadas pelo levantamento do IHRU (2018) como    estando em situação de precariedade habitacional [<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>]. O programa deverá investir 1,700    milhões de euros em cinco anos, dos quais 700 milhões vindos do Orçamento de    Estado. Acontece, porém, que o OE 2019 não contém qualquer novo investimento    neste domínio, pois os cerca de 40 milhões de euros destinados ao programa (6%    da previsão total) correspondem mais ou menos ao que já estava orçamentado para    os programas que o 1º Direito veio substituir (PER e PRO-HABITA). Além disso,    as verbas remanescentes (1,000 milhões) deverão ser suportadas principalmente    pelas autarquias – que, com poucas exceções, serão as executoras materiais do    programa – as quais terão, com muita probabilidade, de recorrer aos mercados    financeiros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Ora a estabilidade financeira    tem sido um dos pontos centrais da estratégia governamental – como a ascenção    do Ministro das Finanças Mário Centeno à liderança do Eurogrupo testemunha.    Neste contexto, a contradição entre as declarações políticas de que a habitação    se deve tornar a nova prioridade e a sua marginalidade na despesa pública faz    mais do que mostrar a relativa falta de peso político da Secretaria de Estado    da Habitação. As contradições parecem bem mais profundas, ressaltando dos discursos    políticos sobre o investimento público com habitação.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Quando António Costa menciona    que está na hora de apoiar as classes médias (ver Lusa, 2017), o Primeiro Ministro    parece estar a frisar a ideia, bastante difundida no senso comum, de que o Estado    tem investido muito dinheiro na habitação para classes baixas. Porém, importa    relembrar não só que a habitação é, de longe, o setor da despesa social que    menos investimento recebeu desde a revolução democrática de 1974, como também    que grande parte do investimento se tem concentrado exatamente nas ditas &ldquo;classes    médias&rdquo;. Um estudo recente (IHRU, 2015) demonstra como, entre 1987 e 2011, três    quartos do esforço económico do Estado apoiou, através das bonificações de juros,    a compra de habitação própria, enquanto a promoção da &ldquo;habitação social&rdquo; se    ficou por pouco mais do 15%.[<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>]</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Uma perspetiva histórica    torna evidente como o financiamento das políticas da habitação, muito mais do    que uma condição de ausência de recursos, é ante uma questão de escolhas políticas.    Podemos, por exemplo, relembrar que as bonificações de juros, embora descontinuadas    em 2002, ainda constituem a maior componente da despesa pública com habitação.    Mais, o discurso sobre a ausência de recursos encontra-se em contradição patente    com a panóplia de financiamentos e benefícios para o setor do imobiliário: desde    os benefícios fiscais para fundos imobiliários na área da reabilitação introduzidos    no OE 2009 [<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>], até aos instrumentos de financiamento    da reabilitação urbana assentes em mecanismos financeiros [<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>]. Importa referir que nenhum    destes instrumentos pede aos beneficiários contrapartidas como, por exemplo,    destinar uma quota dos fogos reabilitados a mercados acessíveis ou a custo controlado.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Finalmente, e numa fase de    vitalidade do mercado imobiliário, os instrumentos fiscais poderiam extrair    parte dos enormes lucros que se estão a ser gerados neste sector e direcioná-los    para a criação de habitação pública – este é exatamente o objetivo da proposta    do Bloco de Esquerda ao taxar de forma agressiva as compra-vendas especulativas    [<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>] – no contexto de políticas    de planeamento urbano e ordenamento do território.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="3">Planeamento urbano e ordenamento    do território</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">A habitação, enquanto área    de atuação do Estado, tem a peculiaridade de se encontrar no meio de muitos    setores – como se torna evidente pelo oscilar no tempo do pelouro da habitação    entre diferentes Secretarias de Estado, das Obras Públicas ao Ambiente [<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>].    Tradicionalmente uma componente do Estado Social – especialmente na provisão    direta de habitação pública e social – a habitação tem vindo a ser integrada    no campo das políticas urbanas, especialmente a seguir ao culminar, no segundo    pós-guerra, da época da intervenção direta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Em Portugal, a trajetória    de incorporação da habitação nas políticas urbanas é um processo longo e cheio    de contradições. A progressiva consolidação do sistema nacional de ordenamento    (especialmente desde os anos &rsquo;90; ver Campos e Ferrão, 2015) e a crescente atenção    dada à regeneração urbana têm contribuído para que as câmaras municipais integrassem    a habitação nas suas políticas de planeamento. Porém, isso aconteceu a par do    progressivo esvaziamento do financiamento nacional, especialmente a partir do    início dos anos 2000 e com o seu fim virtual nos anos da crise económica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Ao regressar à centralidade    da política da habitação – e, pelo menos nas declarações de governantes, do    financiamento nacional – é importante voltar a refletir sobre o papel que as    políticas urbanas, e especialmente o planeamento e ordenamento, podem ter. O    planeamento urbano é uma componente fundamental de articulação das dimensões    de regulação e de financiamento: por um lado, pode, através das taxas de urbanização,    capturar as mais valias geradas pela atividade imobiliária, especialmente em    contextos de forte crescimento do mercado imobiliário – mais valias que poderiam    ser inteiramente revertidas para o financiamento da habitação pública [<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>];    ao mesmo tempo, o planeamento é necessário para que a regulação (como as quotas    para Alojamento Local) possa funcionar de forma robusta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Uma dimensão crucial, até    agora basicamente ausente seja do panorama institucional seja da discussão pública,    é a necessidade de ação à escala metropolitana, por variadas razões: por um    lado, pelos diferentes desafios que os vários concelhos enfrentam, o que implica    necessidades diversificadas de apoio financeiro e organizacional, conforme verificado    pelo projeto exPERts em relação à implementação do PER (Allegra et al., 2017).    Por outro, porque a habitação está interligada com questões – deste a localização    dos postos de trabalho e dos grandes equipamentos públicos às acessibilidades    e às redes de transporte público – cuja escala não permite uma atuação eficaz    ao nível municipal. Trata-se, sem dúvida, de um tema bastante polémico, pois    as câmaras municipais tendem a considerar a habitação como uma competência da    sua exclusiva responsabilidade [<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>].    Porém, uma das conclusões mais interessantes do segundo debate do Fórum da Habitação    organizado pelo exPERts [<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>]    com a participação de funcionários e dirigentes de câmaras municipais da Área    Metropolitana de Lisboa foi constatar que há uma larga aceitação, por parte    dos técnicos, da necessidade de ultrapassar os limites concelhios.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Seria fundamental, portanto,    atuar no sentido de implementar formas de coordenação metropolitana, por exemplo    práticas soft de governança (ver Allegra e Colombo, este volume), mas também    através de instrumentos robustos de ordenamento a lançar pelo Estado ou por    entidades metropolitanas. Neste sentido, seria urgente repensar profundamente    as reformas do sistema de ordenamento aprovadas nos anos da austeridade [<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>]    que reduziram os planos especiais, elaborados pela administração central, ao    papel de &ldquo;programas&rdquo; (Oliveira, 2015) que os concelhos não estão obrigados a    respeitar nos seus planos diretores [<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a>].    Esta reforma, ao trabalhar no sentido de reverter décadas de trabalho visando    uma melhor integração entre níveis de ordenamento (ver Campos e Ferrão, 2015),    também reduz a capacidade de intervir sobre a habitação numa escala metropolitana    [<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20">20</a>].</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Surpreendentemente, porém,    uma reflexão sobre as &ldquo;reformas estruturais&rdquo; aprovadas nos anos da crise não    parece estar no panorama da discussão política, e isso pode fechar as portas    à possibilidade de consubstanciar uma verdadeira nova política de habitação.    Será através da capacidade da sociedade civil de se ativar politicamente que    poderemos vislumbrar a possibilidade de verdadeiras &ldquo;reformas&rdquo; que tornem as    políticas de habitação um instrumento robusto, coerente e equitativo para providenciar    o direito constitucional à habitação.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="3">Agradecimentos e financiamento</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Estou grato a Nuno Serra,    Rita Cachado, Ana Ferreira e João Ferrão pelos comentários a versões anteriores    deste ensaio. Este trabalho resulta das atividades do projeto &ldquo;exPERts Making    sense of planning expertise: housing policy and the role of experts in the Programa    Especial de Realojamento (PER)&rdquo; (financiado pela FCT; PTDC/ATP-EUR/4309/2014).</font></p>     <p>&nbsp;</p> <font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">     <p><b>Referências bibliográficas</b></p>     <!-- ref --><p>Allen, J., Barlow, J., Leal, J., Maloutas, T., Padovani, L. (2004), <i>Housing    and Welfare in Southern Europe</i>, Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693771&pid=S2182-3030201900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Allegra, M., Tulumello, S., Falanga, R., Cachado, R., Ferreira, A.C., Colombo,    A. Alves, S. (2017), &ldquo;Un novo PER? Realojamento e políticas de habitação em    Portugal&rdquo;, <i>Observa Policy Briefs</i>. Disponível em <a href="http://hdl.handle.net/10451/33367" target="_blank">http://hdl.handle.net/10451/33367</a>.</p>     <p>Alves, S. (2018), &ldquo;Mobilizar as mais valias do planeamento a favor da construção    de habitação económica?&rdquo;, Blogue ATS, 28 mar. Disponível em <a href="https://ambienteterritoriosociedade-ics.org/2018/03/28/mobilizar-as-mais-valias-do-planeamento-a-favor-da-construcao-de-habitacao-economica/" target="_blank">https://ambienteterritoriosociedade-ics.org/2018/03/28/mobilizar-as-mais-valias-do-planeamento-a-favor-da-construcao-de-habitacao-economica/</a>.  </p>     <!-- ref --><p>Banco de Portugal (2018), Relatório de estabilidade financeira Junho 2018.    Disponível em <a href="http://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/pdf-boletim/ref_06_2018_pt.pdf" target="_blank">http://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/pdf-boletim/ref_06_2018_pt.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693775&pid=S2182-3030201900010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>Caldas, J.C., Almeida, J.R. (2018), &ldquo;Emprego e salários: pontos de interrogação&rdquo;,    <i>Barómetro das Crises</i>, 19 [online]. </p>     <p>Campos, V., Ferrão, J. (2015), &ldquo;O Ordenamento do Território em Portugal: Uma    Perspetiva Genealógica&rdquo;, ICS Working Papers, 2015-1. Disponível em <a href="http://repositorio.ul.pt/handle/10451/20716" target="_blank">http://repositorio.ul.pt/handle/10451/20716</a>.  </p>     <p>Carreira, M. (2018), &ldquo;Integração socioespacial dos bairros de habitação social    na Àrea Metropolitana de Lisboa: Evidências de micro segregação&rdquo;, Finisterra,    107, pp. 67-85. </p>     <!-- ref --><p>CML (Câmara Municipal de Lisboa) (2018), <i>Estudo urbanístico do turismo em    Lisboa</i>. Disponível em <a href="http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/planeamento-urbano/outros-estudos-e-planos/estudo-urbanistico-do-turismo-em-lisboa" target="_blank">http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/planeamento-urbano/outros-estudos-e-planos/estudo-urbanistico-do-turismo-em-lisboa</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693780&pid=S2182-3030201900010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Henriques, J.P. (2018), &ldquo;Da &ldquo;taxa Robles&rdquo; nasceu uma bolha legislativa sobre    especulação imobiliária&rdquo;, <i>Diário de Notícias</i>, 14 set. Disponível em <a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-set-2018/interior/da-taxa-robles-nasceu-uma-bolha-legislativa-sobre-especulacao-imobiliaria-9842481.html" target="_blank">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-set-2018/interior/da-taxa-robles-nasceu-uma-bolha-legislativa-sobre-especulacao-imobiliaria-9842481.html</a>.  </p>     <!-- ref --><p>IHRU (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana) (2015), <i>1987-2011. 25    Anos de Esforço do Orçamento do Estado com a Habitação</i> . Disponível em <a href="http://www.portaldahabitacao.pt/opencms/export/sites/portal/pt/portal/publicacoes/documentos/Esforco-do-Estado-em-Habitacao.pdf" target="_blank">http://www.portaldahabitacao.pt/opencms/export/sites/portal/pt/portal/publicacoes/documentos/Esforco-do-Estado-em-Habitacao.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693783&pid=S2182-3030201900010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>IHRU (2018), <i>Levantamento nacional das necessidades de realojamento habitacional</i>.    Disponível em <a href="http://www.portaldahabitacao.pt/opencms/export/sites/portal/pt/portal/habitacao/levantamento_necessidades_habitacionais/Relatorio_Final_Necessidades_Realojamento.pdf" target="new">http://www.portaldahabitacao.pt/opencms/export/sites/portal/pt/portal/habitacao/levantamento_necessidades_habitacionais/Relatorio_Final_Necessidades_Realojamento.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693785&pid=S2182-3030201900010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>Kemeny, J. (2001), &ldquo;Comparative housing and welfare: Theorising the relationship&rdquo;.    <i>Journal of Housing and the Built Environment</i>, 16(1), pp. 53-70.</p>     <p>Lusa (2017), &ldquo;António Costa elege políticas para habitação acessível como ‘nova    prioridade&rsquo;&rdquo;, <i>Público</i>, 17 jun. Disponível em <a href="http://www.publico.pt/2017/06/17/politica/noticia/antonio-costa-elege-politicas-para-habitacao-acessivel-como-nova-prioridade-1776021" target="_blank">http://www.publico.pt/2017/06/17/politica/noticia/antonio-costa-elege-politicas-para-habitacao-acessivel-como-nova-prioridade-1776021</a>.</p>     <p>Lusa (2019), &ldquo;Direito de Habitação Duradoura pode ‘ser aliciante&rsquo; para fundos    de investimento – mediadores&rdquo;, <i>Diário de Notícias</i>, 15 fev. Disponível    em <a href="http://www.dn.pt/lusa/interior/direito-de-habitacao-duradoura-pode-ser-aliciante-para-fundos-de-investimento-mediadores-10581841.html" target="_blank">http://www.dn.pt/lusa/interior/direito-de-habitacao-duradoura-pode-ser-aliciante-para-fundos-de-investimento-mediadores-10581841.html</a>.  </p>     <p>Oliveira, F.P. (2015), &ldquo;Algumas questões relativas aos programas enquanto instrumentos    de gestão territorial&rdquo;, in J. Miranda, C. Monteiro, M. Vale (Orgs.) <i>, O Novo    Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial</i>, Coimbra: Almedina,    pp. 71-92.</p>     <!-- ref --><p>Santos, A.C. (org.) (2019), <i>A nova questão da habitação em Portugal: uma    abordagem de economia política </i>. 4º Relatório do Observatório sobre Crises    e Alternativas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693791&pid=S2182-3030201900010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Santos, A.C., Teles, N., Serra, N. (2014), &ldquo;Finança e habitação em Portugal&rdquo;,    <i>Cadernos do Observatório</i>, 2 [online]. </p>     <p>Silva, R. (2019), &ldquo;A Nova Geração de Políticas de Habitação não é nova e não    defende a habitação&rdquo;, <i>Habita!</i>, 13 jan. Disponível em <a href="http://www.habita.info/2019/01/a-nova-geracao-de-politicas-de.html" target="_blank">http://www.habita.info/2019/01/a-nova-geracao-de-politicas-de.html</a>.  </p>     <p>Tulumello, S., Ferreira, A.C., Colombo, A., Di Giovanni, C., Allegra, M. (2018),    &ldquo;Comparative planning and housing studies beyond taxonomy: A genealogy of the    Special Programme for Rehousing (Portugal)&rdquo;, <i>Transactions of the Association    of European Schools of Planning</i>, 2, pp. 32-46.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTES</p>     <p><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>] Para o estado da aprovação dos diplomas da NGPH, ver <a href="http://www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/habitacao/npgh.html" target="_blank">www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/habitacao/npgh.html</a>.</p>     <p><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] Trata-se de um mecanismo de concessão de vistos de residência    a cidadãos não europeus que investam em vários setores. Na prática, mais de    90% dos vistos foi concedido a quem tem investido pelo menos 500 mil euros no    imobiliário.</p>     <p><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Ver, por exemplo, uma aplicação recentemente disponibilizada    pelo IHRU: <a href="https://geohab.ine.pt/index.html?locale=Pt-pt" target="_blank">https://geohab.ine.pt/index.html?locale=Pt-pt    </a>.</p>     <p><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] Aprovado em Conselho de Ministros em 14 de fevereiro de 2019,    o DHD permite ter, mediante uma caução correspondente a cerca de 10/20% do valor    do imóvel, um contrato de uso, sob pagamento de prestação mensal, que só o morador    pode denunciar, sendo, assim, potencialmente de duração indeterminada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] 7 de outubro 2018, Conversa Capital, Antena 1; disponível    em <a href="http://www.rtp.pt/noticias/conversa-capital/conversa-capital-com-ana-pinho_a1103268" target="_blank">www.rtp.pt/noticias/conversa-capital/conversa-capital-com-ana-pinho_a1103268</a>.</p>     <p><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>] Financeirização é um termo utilizado para referir a progressiva    transformação da habitação em ativo a ser utilizado para extrair lucro via especulação    financeira.</p>     <p><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>] Ver <a href="http://www.lisboarendaacessivel.pt/inicio.html" target="_blank">www.lisboarendaacessivel.pt/inicio.html</a>.</p>     <p><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>] Deve referir-se que o inquérito foi conduzido em poucos meses    e substancialmente baseado nos dados que as câmaras municipais já detinham.    Assim, é provável que a real necessidade de realojamento seja ainda maior.</p>     <p><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>] Não existem dados agregados sobre os investimentos das autarquias,    que provavelmente iriam rebalancear parcialmente a favor da provisão pública    – assim demonstrando que o ónus da habitação pública tem sido principalmente    assumido pelo poder local.</p>     <p><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>] Com o paradoxo que os fundos imobiliários têm condições    fiscais melhores do que os pequenos proprietários, que pagam IRS quando compram    ou vendem uma unidade imobiliária. Ver <a href="http://www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/reabilitacao/apoios/incentivosfiscais.html" target="_blank">www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/reabilitacao/apoios/incentivosfiscais.html</a>.</p>     <p><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>] Por exemplo, o IFFRU2020, cofinanciado pela União Europeia    e que tem uma capacidade financeira comparável ao 1º Direito (<a href="http://www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/reabilitacao/ifrru/" target="_blank"> www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/reabilitacao/ifrru/</a>).</p>     <p><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>] A proposta – ironicamente apelada de Taxa Robles (do nome    do vereador do Bloco de Esquerda de Lisboa que se demitiu depois de se ter tornado    público o seu envolvimento numa operação especulativa em Alfama) – foi inicialmente    objeto de debate parlamentar, mas parece estar agora bloqueada (ver Henriques,    2018).</p>     <p><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>] Depois da última remodelação governamental de fevereiro    de 2019, a Secretaria de Estado da Habitação abandona o Ministério do Ambiente    e passa a responder ao Ministério da Infraestruturas.</p>     <p><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>] A recente revisão do Regime Jurídico dos Instrumentos de    Gestão Territorial (Decreto-Lei 80/2015; art.º 176) menciona a «justa repartição    dos benefícios e encargos e a redistribuição das mais-valias fundiárias» e inclui,    entre os objetivos, a «correção dos desequilíbrios do mercado urbanístico» e    a «promoção do mercado de arrendamento por via da criação de uma bolsa de oferta    de base municipal». Porém, os critérios de captura das mais-valias não são definidos    de forma unívoca, estimulando, por exemplo, a competição fiscal entre municípios.    Ver Alves, 2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>] Como nos referiram muitos dos atores políticos e académicos    que entrevistámos ao longo do desenvolvimento do projeto exPERts (ver Tulumello    et al., 2018). Sinais contraditórios nesta área caraterizam as presentes discussões    sobre descentralização: por um lado, um sinal de uma possível mudança pode ver    da recente inclusão da habitação foi entre as &ldquo;temáticas fundamentais&rdquo; abordadas    na Cimeira das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto (ver <a href="https://ps.pt/index.php/2018/03/22/cimeira-das-areas-metropolitanas-de-lisboa-e-porto-declaracao-final/" target="_blank">https://ps.pt/index.php/2018/03/22/cimeira-das-areas-metropolitanas-de-lisboa-e-porto-declaracao-final/</a>);    pelo outro, a Lei-quadro da descentralização (Lei 50/2018) só menciona o nível    municipal no setor da habitação.</p>     <p><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>] Abril 2018. Ver <a href="https://expertsproject.org/2018/03/29/segundo-forum-da-habitacao-ics-ulisboa-5-de-abril-14h30/" target="_blank">https://expertsproject.org/2018/03/29/segundo-forum-da-habitacao-ics-ulisboa-5-de-abril-14h30/</a>.</p>     <p><a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>] Principalmente a Lei 31/2014 e o Decreto-Lei 80/2015.</p>     <p><a name="19" id="19"></a>[<a href="#top19">19</a>] Planos intermunicipais são possíveis por delega dos municípios.</p>     <p><a name="20" id="20"></a>[<a href="#top20">20</a>] Se voltarmos à questão da captura das mais-valias, por exemplo,    a ausência de planeamento à escala metropolitana implica um incremento das desigualdades    entre municípios com maior e menor atividade imobiliária – uma questão crucial    na corrida à suburbanização até ao rebentar da crise imobiliária em 2006. </p> </font>       ]]></body>
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