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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Das políticas de habitação ao espaço urbano: Trajetória espacial dos Afrodescendentes na Área Metropolitana de Lisboa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From the housing policies to the urban space: Spatial trajectory of Afro-descendants across Lisbon Metropolitan Area]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this paper is to explore the residential geography of the African communities in the urban space of Lisbon Metropolitan Area resulting from the housing policies implemented over the last 60 years. Despite the high degree of diversity that characterized this group composed by both immigrants from former Portuguese colonies in Africa and their descendants, the theoretical framework will be built around the notion of African community as a consolidated minority group. Thus, through a systematic literature review, three main phases that marked the evolution of housing policies are identified. A first period, from the 1960s to the 1990s, defined by institutional ambiguity in the properties regime, a second season, from 1993 to the 2000s, when a national social housing programme was enforced, and a third stage, started around fifteen years ago with the urban rehabilitation process that is still ongoing. The nature of the policies implemented and the socio-urban consequences which involved the African community will be investigated distinctly. At the end of each section explanatory examples will be presented: the informal settlement of Cova da Moura, resulted from the spread of clandestine settlements, Casal da Mira social district, constructed during the re-location programme and the historical neighbourhood of Mouraria currently affected by urban renewal. Eventually, the attempt is to acknowledge and define the continuous marginalization that has affected the African communities within the metropolitan space of Lisbon as a result of the housing policies analysed.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Afrodescendentes]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Das políticas de habitação ao espaço urbano:  Trajetória espacial dos Afrodescendentes na Área Metropolitana de Lisboa </font></b>      <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> From the housing policies to the urban space:    Spatial trajectory of Afro-descendants across Lisbon Metropolitan Area</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Elena Taviani<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Gran    Sasso Science Institute, Urban Studies, Italy. e-mail: <a href="mailto:elena.taviani@gssi.it" target="_blank">elena.taviani@gssi.it</a>.</font></p>     <p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font>      <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O presente artigo tem por    objetivo explorar a geografia residencial das populações afrodescendentes da    Área Metropolitana de Lisboa resultante das políticas de habitação adotadas    nos últimos 60 anos. O enquadramento teórico será elaborado em torno da categoria    &ldquo;afrodescendentes&rdquo;, que abrange os imigrantes provenientes das antigas colónias    portuguesas em África, bem como os seus descendentes. Embora esses grupos sejam    diversificados e plurais, destaca-se o facto de serem grupos sociais consolidados    e históricos da cidade. Com efeito, uma revisão das estatísticas e dos relatórios    oficiais revela que têm sido uma presença constante na cidade desde o início    da sua história moderna. Em seguida, olhando para as últimas seis décadas através    de uma revisão sistemática da literatura, é possível identificar as três fases    principais que marcaram a evolução das políticas de habitação: a primeira fase,    desde a década de 60 à de 90 do século passado, foi marcada principalmente pela    ambiguidade institucional do regime de propriedade; a segunda fase, de 1993    a 2000, ocorreu durante a execução do Programa Especial de Realojamento (PER),    programa nacional de habitação social; e a terceira fase, iniciada há cerca    de 15 anos, foi caracterizada pelo processo de reabilitação urbana que ainda    está em curso. A natureza das políticas adotadas e as consequências sócio-urbanísticas    que afetaram as populações afrodescendentes serão examinadas distintamente.    Não obstante a escassez dos dados, o presente artigo visa o reconhecimento da    marginalização residencial dos afrodescendentes no espaço metropolitano de Lisboa    como resultado das políticas de habitação em apreço.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Afrodescendentes,    Área Metropolitana de Lisboa, bairros informais, habitação social, reabilitação    urbana; marginalidade.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">The purpose of this paper    is to explore the residential geography of the African communities in the urban    space of Lisbon Metropolitan Area resulting from the housing policies implemented    over the last 60 years. Despite the high degree of diversity that characterized    this group composed by both immigrants from former Portuguese colonies in Africa    and their descendants, the theoretical framework will be built around the notion    of African community as a consolidated minority group. Thus, through a systematic    literature review, three main phases that marked the evolution of housing policies    are identified. A first period, from the 1960s to the 1990s, defined by institutional    ambiguity in the properties regime, a second season, from 1993 to the 2000s,    when a national social housing programme was enforced, and a third stage, started    around fifteen years ago with the urban rehabilitation process that is still    ongoing. The nature of the policies implemented and the socio-urban consequences    which involved the African community will be investigated distinctly. At the    end of each section explanatory examples will be presented: the informal settlement    of Cova da Moura, resulted from the spread of clandestine settlements, Casal    da Mira social district, constructed during the re-location programme and the    historical neighbourhood of Mouraria currently affected by urban renewal. Eventually,    the attempt is to acknowledge and define the continuous marginalization that    has affected the African communities within the metropolitan space of Lisbon    as a result of the housing policies analysed.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> Afro-descendants,    Lisbon Metropolitan Area, informal settlements, social housing, urban regeneration,    marginality.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>1. </b> <b>Introdução</b></font>      <p></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> O presente artigo visa descrever a evolução da geografia residencial dos afrodescendentes    na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e o contributo das políticas de habitação    para essa geografia, analisando as últimas seis décadas. A categoria de afrodescendentes,    abordada neste estudo, indica os grupos sociais heterogéneos compostos pelos    imigrantes das antigas colónias portuguesas em África – Angola, Cabo Verde,    Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe –, bem como pelos seus descendentes,    mesmo que tenham nacionalidade portuguesa. Pretende-se realçar a condição que    é comum a essas pessoas (a marginalização), em vez de descrever a sua pluralidade    económica, política, sociocultural e até étnica. </p>     <p> A etnia não é um conceito simples nem coerente, tendo sido tema de um grande    debate no âmbito das Ciências Sociais[<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>].    Em Portugal, a categoria de grupos étnicos ainda não existe nas estatísticas    oficiais [<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>] (Harrison, Ian, &amp;    Phillips, 2005: 24), embora a sociedade portuguesa seja profundamente marcada    pela sua presença (Eaton, 1998; Malheiros 1998, 2002; Fonseca, Malheiros, Esteves    &amp; Caldeira, 2002; Rosales, 2013). </p>     <p> Os fluxos migratórios para Portugal estão intrinsecamente ligados à sua história    colonial (Pereira, 2013), especialmente no que diz respeito a África, sendo    que têm moldado decisivamente a paisagem humana do país, bem como a sua identidade    nacional (Arenas, 2015). O laço colonial ainda é visível na composição da população,    especialmente em Lisboa, a capital e a primeira metrópole do país (Arbaci &amp;    Malheiros, 2010), e a imigração das últimas décadas, muito diversificada, tornou    a cidade numa metrópole multicultural e cosmopolita (Eaton, 1998; Bäckström    &amp; Castro-Pereira, 2012; Marques, 2015; Caldas, 2015). Ainda hoje, os principais    grupos de imigrantes estabelecidos na AML provêm dos PALOP – Países Africanos    de Língua Oficial Portuguesa – e do Brasil (INE, 2017). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Todavia, há uma grande diferença no estabelecimento desses dois grupos na    região. Enquanto a presença africana na sociedade portuguesa e o seu estabelecimento    na zona de Lisboa são tão antigos como os &ldquo;Descobrimentos&rdquo;, remontando ao século    XV, os fluxos migratórios provenientes do Brasil só tiveram início nos anos    80 do século passado. Além disso, os imigrantes africanos, comparados com os    do Brasil, mostram uma distribuição geográfica muito mais concentrada na AML,    como ilustra a <a href="#f1">Figura 1</a> (Fonseca, 2007; Fonseca et al., 2008).    Importa referir que as estatísticas oficiais ignoram completamente o número    de descendentes de imigrantes africanos (EUMC, 2004: 8). A segunda e terceira    gerações são compostas por um vasto número de pessoas, mas os dados do Serviço    de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) estão longe de representar em termos quantitativos    o crescente peso deste grupo. Pode-se considerar um número aproximado de 90    mil afro-europeus a viver na AML, contando crianças e jovens apenas até aos    29 anos (Machado et al., 2007). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12f1.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> A falta de dados supracitada é a principal limitação deste estudo: a categoria    em questão não é quantificável, podendo apenas ser estimada por aproximação,    e não pode ser mapeada no contexto urbano. A evolução da geografia residencial    das populações afrodescendentes e os contributos das políticas de habitação    para essa geografia permanecem um assunto relevante. Assim, a questão será abordada    através de uma combinação inovadora dos meios disponíveis, nomeadamente estatísticas    oficiais, dados secundários e estudos académicos. </p>     <p> A escala de observação é, evidentemente, a escala metropolitana. A Área Metropolitana    de Lisboa é o principal ponto de concentração da população residente em Portugal,    abrigando aproximadamente 2,8 milhões de pessoas, as quais representam 26,6    % da população residente em Portugal. A população está distribuída por 18 municípios    [<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], nove dos quais estão agrupados    na margem norte do rio Tejo, na Grande Lisboa, e os restantes na sua margem    sul, na Península de Setúbal. Os fluxos urbanos constantes ligam muitos pontos    deste dispositivo metropolitano, cujo grande centro é Lisboa (<a href="#f2">Figura    2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12f2.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> Os autores que estudaram a evolução urbana de Lisboa são unânimes no que toca    a traçar as origens do crescimento demográfico na década de 60, com o consequente    crescimento urbano (Salgueiro, 1992). Assim, o período temporal em análise são    os últimos 60 anos. </p>     <p> A presença de cidadãos estrangeiros é a característica mais importante da    evolução da composição social da Área Metropolitana de Lisboa ao longo dos últimos    anos, e a etnia tornou-se numa das principais dimensões da diferenciação sócio-espacial.    Uma vez que é impossível responder à pergunta em causa – qual é a geografia    residencial das populações afrodescendentes dentro do espaço metropolitano de    Lisboa? – por meio do mapeamento das áreas residenciais, devido à falta de dados,    a alternativa aceitável para explorar esta questão consiste numa revisão sistemática    da literatura sobre as políticas de habitação que visaram essas populações.  </p>     <p> Uma breve referência aos fluxos migratórios em Portugal e uma descrição sucinta    da presença africana na AML ao longo da história moderna irão preceder o estudo    bibliográfico. Estas secções são essenciais para descrever o contexto português    e referir os aspetos históricos da questão. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O texto visa essencialmente rever a literatura, mediante uma divisão em três    secções, sendo que cada uma aborda uma fase distinta das políticas de habitação.    Uma tal divisão em três fases corre o risco de ser simplista; porém, trata-se    justamente de uma tentativa de identificar apenas os momentos principais que    caracterizaram a evolução das políticas. No final de cada secção, serão apresentados    breves exemplos explicativos: o bairro informal da Cova da Moura, o projeto    de realojamento social do Casal da Mira e o bairro histórico da Mouraria, atualmente    objeto de renovação urbana. </p>     <p> Por fim, a título de conclusão, são expostas algumas reflexões sobre a marginalização    dos afrodescendentes no espaço urbano de Lisboa, resultante da execução das    políticas de habitação em apreço. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <font size="3"><b>2. História da imigração dos PALOP na Área Metropolitana    de Lisboa</b></font> </p>     <p> <b>2.1. </b> <b> Panorama dos fluxos migratórios em Portugal: da emigração    à imigração </b> </p>     <p> Tradicionalmente, Portugal tem sido um país marcado pela emigração, que foi    particularmente intensa entre 1960 e 1970, quando 1,5 milhões de pessoas deixaram    o país e a população diminuiu - 2,5 % (INE, 1970). </p>     <p> O isolamento político resultante da ditadura e o baixo nível de desenvolvimento    do país não o tornavam atrativo para os estrangeiros. Com efeito, no início    da década de 60, o número de residentes não nacionais em Portugal representava    apenas 0,3 % da população total, na sua maioria cidadãos europeus (INE, 1960).    Naquela época, as pessoas das colónias africanas ainda não eram contabilizadas    como estrangeiras, pelo que não constavam das estatísticas. </p>     <p> A implantação do regime democrático em 1974, a descolonização africana, a    modernização da economia nacional e o processo de integração europeia foram    alguns dos fatores mais importantes para reverter a trajetória de Portugal da    emigração para a imigração (Fonseca, 2008: 51). </p>     <p> Assim, a emigração diminuiu e a imigração deu início a uma fase de crescimento    significativa. Entre 1975 e 2006, o número de imigrantes aumentou 13 vezes,    de 31 983 para 437 126 (INE, 2012). Os nacionais dos PALOP ultrapassaram rapidamente    o número de europeus (INE, 1984), tornando-se, a partir daí, o grupo mais numeroso    de estrangeiros no país. Mais tarde, com a entrada de Portugal na União Europeia,    em 1986, o fluxo migratório intensificou-se, passando a incluir o Brasil. Em    1996, 56,2 % dos estrangeiros que residiam legalmente no território nacional    provinham dos PALOP e do Brasil (Fonseca et al., 2002). Na transição do século    XX para o século XXI, o afluxo de imigrantes atingiu uma escala sem precedentes,    registando-se uma taxa de crescimento de 152,8 % entre 1996 e 2006 (INE, 2012).    No entanto, após o término do ciclo de grandes obras públicas, teve início uma    recessão económica, que levou a uma diminuição do número de estrangeiros. O    último censo nacional de 2011 indica que os PALOP são o maior grupo do país    (35,4 % do total), com um total de 154 766 pessoas. O segundo maior grupo é    o dos europeus, com 80 022 pessoas (18,3 %), e o terceiro é o dos brasileiros,    com 73 975 pessoas (16,9 %). </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2.2. </b> <b> A presença africana em Lisboa: do período colonial à imigração    dos PALOP </b> </p>     <p> A peculiaridade da composição dos grupos de estrangeiros da Área Metropolitana    de Lisboa é a ligação mais manifesta com o passado colonial português. Entre    o final do século XV e a segunda metade do século XVIII, foram importadas para    Portugal cerca de meio milhão de pessoas de África como escravos. Em 1551, Cristóvão    Rodrigues de Oliveira observou que 10 % dos habitantes de Lisboa eram escravos    africanos (Rodrigues de Oliveira, 1554; Saunders, 1982: 84; Henriques, 2011:    20). O número aumentou para 15 % até 1773, o que resultou na sua profunda integração    no tecido social da cidade (Lahon, 2004). Com a abolição da escravatura, desapareceram    das estatísticas oficiais, pois tornaram-se cidadãos do império português perante    a lei. Não existem dados sobre as populações africanas que viveram no país durante    dois séculos, de 1773 até ao final do império colonial. </p>     <p> Mais recentemente, durante a década de 60 do seculo passado, a emigração para    a Europa e a Guerra Colonial causaram a escassez de jovens adultos do sexo masculino    no território nacional. Foram trazidos de Cabo Verde para Lisboa trabalhadores    não qualificados para trabalhar nos principais projetos de construção pública    (Góis, 2008: 12). Formou-se uma concentração residencial de cabo-verdianos (Malheiros,    2000), o chamado &ldquo;Triângulo Cabo-verdiano&rdquo;, onde se encontra a rua simbolicamente    designada &ldquo;Poço dos Negros&rdquo;. </p>     <p> Em 25 de abril de 1974, deu-se a Revolução dos Cravos e, um ano depois, todas    as colónias africanas tornaram-se independentes. </p>     <p> Em junho de 1975, o Decreto-Lei n.º 308-A/75 introduziu um novo regime de    direitos de cidadania. De acordo com a nova lei, as pessoas nascidas nas colónias    perdiam o estatuto de cidadãos portugueses, se estivessem a residir nos países    recém-descolonizados à data da independência. Os únicos que podiam manter a    cidadania portuguesa eram os que já residiam em Portugal durante os cinco anos    que antecederam a independência, mesmo que tivessem nascido nas colónias (Horta    &amp; White, 2009). A partir daquele momento, a categoria de imigrantes começou    a ser utilizada nas estatísticas oficiais para quantificar os residentes provenientes    das antigas colónias africanas. </p>     <p> O processo de descolonização repentino e desorganizado criou um afluxo de    imigrantes provenientes das terras recém-libertadas, os quais chegaram juntamente    com os retornados [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>]. Representando    um dos maiores movimentos de instalação pós-colonial da Europa, um número global    de 600 000 pessoas estabeleceu-se na AML (Malheiros, 2000), a qual já contava    com 1,8 milhões de habitantes antes da sua chegada (INE, 1970). </p>     <p> Os imigrantes dos países PALOP foram integrados em setores de baixos salários    e de mão de obra não qualificada. Enquanto os homens trabalhavam na construção    e nas obras públicas, as mulheres trabalhavam em serviços domésticos, limpeza,    restauração e hotelaria (Fonseca et al., 2002: 72). A dimensão e as oportunidades    do mercado de trabalho regional, formal e informal, em Lisboa facilitaram o    acesso ao emprego, mesmo para os imigrantes em situação irregular (Fonseca,    2003). </p>     <p> Desde os anos 80 até ao início do novo milénio, o número de imigrantes dos    PALOP residentes na área de Lisboa aumentou, de forma constante, de 30 000 para    cerca de 125 000 (<a href="#f3">Figura 3</a>). Esta evolução colocou em evidência    o processo de fixação em curso: ano após ano, registavam-se muitas entradas    e poucas saídas. Além disso, duas campanhas de regularização extraordinárias    revelaram, através de estatísticas, que havia imigrantes no território nacional    em situação irregular. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12f3.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Em 2001, 65,7 % dos estrangeiros    na AML eram provenientes dos PALOP, entre os quais os cabo-verdianos foram sempre    a maior comunidade, seguidos pelos angolanos e pelos guineenses (INE 2002).    A partir de 2005, registou-se uma redução acentuada dessa percentagem (<a href="#f3">Figura    3</a>), uma consequência das aquisições de nacionalidade portuguesa.</font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">      <p> Assim, se em 2006 os PALOP representavam 49% dos estrangeiros em Lisboa (Malheiros    et al., 2011), a percentagem diminuiu consideravelmente para 31% em 2016 (INE,    2017). </p>     <p> No que diz respeito ao emprego, a população PALOP na AML ainda está sobre-representada    no emprego semiqualificado e não qualificado: as mulheres trabalham, na sua    maioria, nos serviços e no comércio e os homens trabalham principalmente como    operários, artesãos e na construção civil (INE, 2002; Fonseca, 2017: 95; Fonseca    et al., 2008: 44; Pereira, 2008, 2013). O risco de desemprego das famílias neste    tipo de situação profissional tem um efeito desestabilizante para os descendentes    que andam na escola (Roldão, 2015: 291), mesmo que não leve diretamente à interrupção    dos estudos e à entrada no mercado de trabalho para complementar o orçamento    familiar. Com efeito, no que toca ao nível de escolaridade, o grupo PALOP está    substancialmente abaixo da média no ensino superior (Pereira et al., 2001; INE    2002; Fonseca et al., 2008). </p>     <p> No entanto, a representação profissional dos imigrantes PALOP (homens na construção    e mulheres na limpeza) não identifica de forma alguma as pessoas de origem africana    com cidadania portuguesa, em expansão no setor terciário (Machado et al., 2007).    Uma menor instabilidade laboral reflete-se nos níveis de escolaridade. Os jovens    portugueses afrodescendentes apresentam uma semelhança dupla aos jovens nacionais:    ambos têm níveis de escolaridade superiores aos dos pais [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>]    (Pereira et al., 2000), e esses níveis de escolaridade não diferem significativamente    entre si (Machado et al., 2007). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>3. Políticas de habitação e populações afrodescendentes no    espaço urbano da AML: uma revisão da literatura </b></font> </p>     <p> Foi só na década de 90 que se consolidou uma área de estudo sobre a imigração    e os grupos étnicos no contexto português. Muito poucos estudos incluíam uma    abordagem espacial e ainda menos eram aqueles que incidiam diretamente nas populações    afrodescendentes na Área Metropolitana de Lisboa. </p>     <p> A revisão articula-se numa trajetória diacrónica e está dividida em três partes,    que correspondem às três principais fases da política de habitação que marcaram    o contexto metropolitano. Cada secção começa com a apresentação da política    de habitação, a que se segue uma exposição de alguns aspetos urbanos tangíveis    daí resultantes, com casos explicativos. </p>     <p> A primeira fase, das décadas de 60 a 90, caracterizou-se pela ambiguidade    no regime de propriedade e territorial, que deu origem à primeira expansão urbana    informal. O bairro ilegal da Cova da Moura (n.º 1 na <a href="#f4">Figura 4</a>)    será apresentado como um exemplo da consequência material desta abordagem institucional    ambígua. A segunda fase, de 1993 até a primeira década do século XXI, corresponde    à execução do plano nacional de realojamento, que visava demolir os bairros    informais e realojar a população em novas habitações sociais. O bairro do Casal    da Mira (n.º 2 na <a href="#f4">Figura 4</a>) é um exemplo deste projeto de    realojamento maciço. Por fim, a terceira fase em apreço abarca os últimos 15    anos, que foram delineados por uma política de reabilitação urbana levada a    cabo especialmente no Município de Lisboa, mas a qual teve consequências diretas    em todo o território metropolitano. O bairro histórico da Mouraria (n.º 3 na    <a href="#f4">Figura 4</a>) é um exemplo paradigmático de uma área atualmente    objeto de renovação urbana. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12f4.jpg"/>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3.1. </b> <b>Das décadas de 60 a 90: ambiguidade no regime de propriedade</b>  </p>     <p> Durante a década de 60, o crescimento demográfico de Lisboa foi impulsionado    pela chegada de migrantes nacionais, provenientes das zonas rurais (Craveiro,    2010) e pelo afluxo dos primeiros imigrantes de Cabo Verde (Mendes, 2008). O    fluxo migratório para Lisboa foi moldado também pelas políticas económicas e    de habitação adotadas pelo governo de Salazar. A indústria transformadora consolidou-se    como um setor privilegiado da economia portuguesa e, do ponto de vista geográfico,    Lisboa e os seus arredores foram alvo das estratégias que apoiaram este desenvolvimento    económico. </p>     <p> O congelamento das rendas dos imóveis, a construção dos primeiros projetos    de habitação social de larga escala (Baptista, 1999: 19) e a ausência generalizada    de controlo sobre as habitações informais foram algumas das ações (ou não ações)    empreendidas (Malheiros, 2000). Terrenos sem licenças de construção foram arrendados    ou vendidos a preços muito baixos, sem aviso de proibição (Salgueiro, 1972:    37). Surgiu assim um mercado imobiliário ilegal, paralelo ao mercado legal,    que implicava a transferência de habitações precárias informais dos migrantes    rurais para os recém-chegados de África, os quais se espalharam pela periferia    norte da área urbana. O próprio Estado impulsionou a construção informal de    várias formas: a organização de loteamentos onde as famílias pobres podiam construir    barracas, pagando uma renda mensal baixa, ou, por outro lado, favorecendo as    empresas imobiliárias e os grandes empreiteiros nas áreas urbanas com mais valor    (Mendes, 2008; Santos, 2014). </p>     <p> O primeiro estudo sobre os bairros informais degradados da área metropolitana    foi realizado por Teresa Barata Salgueiro (1972). Trata-se de uma análise geográfica    precisa dos bairros degradados dentro do sistema urbano de Lisboa. O seu trabalho,    que remonta ao início da década de 70, pouco antes do fim da ditadura, ignorou    completamente a questão das populações afrodescendentes que viviam nas áreas    analisadas. Contudo, são três as grandes razões que tornam esse estudo fundamental    para este debate. Em primeiro lugar, a autora documentou a existência e o padrão    geográfico dos bairros clandestinos [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>]    desde a década de 60 (Salgueiro, 1972: 32). Foram igualmente apresentadas algumas    teorias para explicar a instalação de pessoas naqueles locais específicos da    área metropolitana. A proximidade aos limites municipais de Lisboa e aos transportes    públicos foram os principais fatores de atração. A autora destacou ainda a ambiguidade    do regime de propriedade no que dizia respeito àqueles terrenos. </p>     <p> O movimento migratório maciço que se seguiu à descolonização alterou definitivamente    a composição social do território metropolitano, colocando sob maior pressão    o mercado da habitação regional (Malheiros, 1998). Como resultado, a construção    de habitações informais aumentou (Craveiro, 2010). </p>     <p> A desorganização política e os princípios de esquerda dos novos governos portugueses    após a Revolução não permitiram travar os bairros ilegais [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>].    A expansão residencial desorganizada e a grande falta de coordenação entre os    ordenamentos local e regional revelaram a inadequação dos instrumentos de ordenamento    de uma democracia jovem (Ferreira, 2012). Assim, durante a segunda metade da    década de 70, o número de bairros degradados cresceu a um ritmo acelerado nos    arredores a norte de Lisboa, como ilustra a <a href="#f5">Figura 5</a> (Malheiros    &amp; Vala, 2004; Arbaci &amp; Malheiros, 2010). A sua especificidade era precisamente    a origem pós-colonial (Ascensão, 2015). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5" id="f5"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12f5.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> Além da concentração em bairros degradados, os imigrantes das antigas colónias    africanas revelaram uma tendência para se instalarem também em bairros suburbanos    onde havia uma boa oferta de apartamentos de baixo custo construídos legalmente    (Malheiros, 2000). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A partir daí, a diferenciação espacial que caracterizou a evolução urbana    da AML tornou-se sinónimo de segregação étnica (Malheiros, 1998; Vala, Brito    &amp; Lopes, 1999:130). A dinâmica da economia urbana dos anos 80 acentuou as    tendências polarizadoras, envolvendo até mesmo o mercado de trabalho, que incorporava    carateres étnicos (Malheiros, 1998). O investimento direto estrangeiro registou    um crescimento substancial, assim como o comércio com parceiros europeus. Numerosos    fundos estruturais da UE têm contribuído para a economia portuguesa, com um    impacto particular no setor das obras públicas na região de Lisboa (Malheiros,    2000). A presença de imigrantes altamente qualificados e bem pagos da Europa    e da América do Norte aumentou. Entretanto, a procura de um forte contingente    de trabalhadores pouco qualificados nos serviços e no setor da construção foi    largamente satisfeita pelos imigrantes dos PALOP (Batalha, 2008). </p>     <p> O acesso diferenciado ao espaço materializou a desigualdade, que teve como    base a etnia, aumentando os níveis de segregação espacial. Os espaços marginalizados    interagiram com os grupos étnicos e sociais desfavorecidos numa espiral de desvalorização    mútua e numa reprodução contínua de estereótipos (Malheiros, 1998; Carreiras,    2018). Por sua vez, a exposição a desvantagens espaciais teve impacto na escola    (Roldão, 2015: 23) e nos resultados do trabalho de crianças e adultos, agravando    ainda mais as desigualdades (OECD, 2018: 13). </p>     <p> As áreas marcadas pela presença dos chamados &ldquo;bairros de lata&rdquo; situam-se no    primeiro anel da periferia de Lisboa (Fonseca, 2008: 78; Fonseca et al., 2002;    Malheiros, 1998; Malheiros et al., 2011). O concelho da Amadora (<a href="#f5">Figura    5</a>) acolhe grande parte desses bairros informais, devido à sua proximidade    à capital e ao eixo do transporte urbano: a linha ferroviária Lisboa-Sintra    (Barbosa &amp; Ramos, 2008; Santos, 2014). </p>     <p> A Cova da Moura (Imagens <a href="#i1">1</a> e <a href="#i2">2</a>), localizada    na Amadora, é um dos maiores e mais antigos bairros da população imigrante.    Oficialmente classificado como área de génese ilegal, surgiu da ocupação de    terrenos privados e públicos a partir dos anos 50. Atualmente, conta com uma    área total de 16,5 hectares e cerca de 7 000 moradores, 60% dos quais têm origem    africana (Horta, 2008). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i1" id="i1"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12i1.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p> <a name="i2" id="i2"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12i2.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> À semelhança de outros bairros de origem ilegal, a Cova da Moura recebeu,    com o passar do tempo, o estigma de &ldquo;<i>no-go area</i>&rdquo; [<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>].    Uma série de fatores contribuiu para a construção de representações negativas    sobre o bairro e os grupos sociais que lá vivem (Westin, Bastos, Dahinden &amp;    Góis, 2010), como a criminalidade e a etnicização da pobreza e a sobre-representação    da violência nesses contextos pelos meios de comunicação social (Malheiros et    al., 2007: 34). Com o estigma a moldar a realidade, este tipo de discurso reforçou    a condição de marginalização de áreas já bastante isoladas, afastadas do resto    da população, a qual tem receio de lá ir (Malheiros et al., 2007: 256). Sem    negar a prática de crimes em alguns dos bairros informais metropolitanos de    Lisboa, não têm sido raros os episódios de violência policial nos bairros com    população maioritariamente de origem africana, como a Cova da Moura (Raposo    &amp; Varela, 2016; Malheiros et al., 2007: 121-126). Nas últimas décadas, tem    sido denunciado um grande número de abusos policiais [<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>].    Essa violência por parte da polícia, que ultrapassa os limites da legalidade,    parece atingir o objetivo de rejeitar e punir aqueles que já são marginalizados    e vistos como párias urbanos, por serem pobres e negros, e por viverem em bairros    degradados (Raposo &amp; Varela, 2016).</p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>3.2. </b> <b>De 1993 a 2000: o programa especial de realojamento</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Na década de 90, assistiu-se a um grande dinamismo no ordenamento e na gestão    urbana, com a segunda geração de Planos Diretores e com a criação administrativa    da Área Metropolitana de Lisboa [<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>].    Paradoxalmente, o padrão duplo de estabelecimento de imigrantes, com os europeus    a viverem nas melhores áreas e os afrodescendentes a viverem nos espaços urbanos    marginais, tornou-se mais marcado ao longo da última década (Fonseca et al.,    2002: 89). O aumento da diferenciação espacial foi também o resultado de iniciativas    maciças de ordenamento do território, que visaram produzir uma cidade reestruturada    e vibrante, capaz de lutar por um lugar nas redes urbanas globais e europeias,    muito competitivas (Malheiros, 2000). A ocorrência de dois grandes eventos internacionais    em Portugal – Lisboa Capital da Cultura (1994) e EXPO’98 – levou o país a enfrentar    a questão da habitação precária e dos bairros degradados (Carrière &amp; Demazière,    2002), considerados motivo de vergonha nacional (Eaton, 1998). </p>     <p> Como forma de tentar resolver este problema, foi lançado um programa nacional    de habitação social denominado PER – Programa Especial de Realojamento – que    envolvia as duas principais áreas metropolitanas do país: Lisboa e Porto. Lançado    em 1993 e executado ao longo das duas décadas seguintes, o PER foi o maior plano    de habitação social já desenvolvido no Portugal democrático (Arbaci &amp; Malheiros,    2010; Cachado, 2013). Na área metropolitana de Lisboa, foram realojados mais    de 20 000 agregados familiares (Tulumello et al., 2018). </p>     <p> O programa tinha dois objetivos principais: eliminar as barracas (Alves, 2018)    e realojar os moradores (Fonseca et al., 2002; Cachado, 2013). Desde o início,    houve a perceção de que o realojamento dos moradores dos bairros ilegais em    novos bairros sociais era, acima de tudo, um problema social e não um problema    de edificação (Guerra 1994). Os grupos nacionais moravam em habitações mais    clássicas, ao passo que os imigrantes, especialmente dos PALOP, moravam em habitações    espontâneas, superlotadas e degradadas (Cardoso &amp; Perista, 1994: 104). Os    processos de demolição dos bairros de construção própria e de realojamento dos    seus moradores em novos apartamentos não resolveram claramente o problema da    exclusão social (Pardue, 2014). Aliás, a concentração espacial e a segregação    residencial de grupos de imigrantes foram preservadas por essa política, ao    mesmo tempo que se quebraram importantes vínculos de identidade com os antigos    bairros (Malheiros, 2000; Ascensão, 2015). Mesmo no texto introdutório da lei    [<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>], e durante toda a execução    do programa, os bairros espontâneos foram descritos como uma &ldquo;praga&rdquo; social    e como enclaves de pobreza e de atividades ilegais (Alves, 2018). </p>     <p> A estigmatização tanto dessas zonas como dos moradores, os quais, em Lisboa,    eram principalmente imigrantes africanos e seus descendentes, foi um tema que    dominou o debate público (Horta, 2008; Pardue, 2014). Contudo, este fenómeno    (enquanto objeto de análise) não tem sido considerado nem desenvolvido nos estudos    académicos, tal como se afirma no Relatório sobre Migrantes, Minorias e Habitação    da União Europeia de 2005. Não obstante alguns contributos consideráveis, em    Portugal, não há uma grande tradição de estudos académicos sobre a segregação    de migrantes e minorias étnicas e as suas consequências para a integração social    (Harrison et al., 2005: 48). </p>     <p> Os primeiros resultados do programa de realojamento começaram a ser percetíveis    no início do novo milénio. De acordo com o Inquérito do Projeto Europeu Geitonies    [<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>], o fator de variação denominado    fator étnico explicou a variação de 10,28 % dos 21 indicadores incluídos na    análise dos dados dos Censos 2001 (Fonseca et al. 2008: 20), destacando uma    forte relação entre as áreas residenciais dos imigrantes dos PALOP (<a href="#f6">Figura    6</a>) e as habitações pobres e precárias. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6" id="f6"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12f6.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> O padrão de localização dos afrodescendentes emergiu claramente em sobreposição    às áreas urbanas com as piores condições (Fonseca et al., 2002). As populações    de origem africana estavam sobre-representadas em bairros degradados, onde faltavam,    muitas vezes, as condições básicas (casas de banho e eletricidade), ou em grandes    aglomerados de habitação social. Além disso, a pequena redução do nível de segregação    decorrente do PER não é necessariamente uma tendência positiva em si. Com efeito,    a dispersão habitacional ocorreu principalmente num contexto espacial de menor    prestígio (Malheiros &amp; Vala, 2004; Malheiros et al., 2011: 127). As novas    habitações situam-se em terrenos desvalorizados da periferia urbana. Estão isoladas    das rotas de acesso a centros comerciais e de serviços e perto de áreas indesejáveis,    como cemitérios, áreas industriais e antigas lixeiras. Trata-se de locais estigmatizados    e excluídos da sociedade, o que aumenta a condição de marginalidade dos seus    novos habitantes (Fonseca et al. 2008: 29). </p>     <p> Neste sentido, a fim de desafiar a relação ortodoxa entre a dessegregação    residencial e a inclusão social, o trabalho de Arbaci e Malheiros (2010) sobre    a dinâmica da segregação socioétnica no sul da Europa parece revestir-se de    especial importância. Propondo uma reflexão inovadora sobre a marginalização    por meio da dispersão espacial, os autores interpretaram a dessegregação étnica    como sendo um produto ou mesmo um instrumento de domínio e controlo utilizado    pelas instituições, e como sendo o resultado espacial de mais marginalização    e separação sociais (Arbaci &amp; Malheiros, 2010). </p>     <p> Gradualmente, a execução do PER gerou um ponto de vista crítico comum, segundo    o qual a construção intensiva de habitações sociais deu origem a uma nova exclusão    social, em vez de resolver o problema da situação habitacional que afetava o    território metropolitano (Cachado, 2013; Pardue, 2014; Raposo &amp; Varela,    2016; Fonseca, Malheiros, Mcgarrigle &amp; Pereira, 2017; Oliveira, 2017; Pozzi,    2017; Carreiras, 2018). Em lugar de terem em conta os erros cometidos nas décadas    anteriores e de procurarem novos modelos, as políticas portuguesas reproduziram    as medidas em matéria de habitação social europeia do pós-guerra, criando enclaves    nas zonas periféricas (Cachado, 2013). A habitação social resultante da execução    do programa é um exemplo paradigmático do realojamento maciço (Pereira et al.,    2001) destinado à concentração de pessoas que partilham determinadas condições:    viviam anteriormente em bairros degradados, são pobres e, na sua maioria, de    origem africana. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O Casal da Mira, construído no início do século XXI, é o maior bairro de realojamento    social do concelho da Amadora (Imagens <a href="#i3">3</a> e <a href="#i4">4</a>).    Tem cerca de 2 800 habitantes e mais de 700 apartamentos (Batalha, 2008; Cabannes    &amp; Raposo, 2013). O Casal da Mira é habitado por uma população muito jovem:    metade tem menos de 25 anos. A percentagem da população dos PALOP e seus descendentes    é cerca de 50 % dos moradores (CLAS, 2017). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i3" id="i3"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12i3.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p> <a name="i4" id="i4"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12i4.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> O bairro fica perto de um grande centro comercial e de uma grande via rápida    urbana. A sua localização, configuração e tamanho, juntamente com uma rede de    transportes deficiente e a ausência de espaços públicos e de equipamentos sociais,    limitaram o desenvolvimento de redes sociais locais (Moises, 2013). No entanto,    a grande área inclinada de proteção da via rápida foi ocupada pela população    para a prática da agricultura urbana, principalmente por famílias de imigrantes    de Cabo Verde com baixos rendimentos e os seus descendentes (Cabannes &amp;    Raposo, 2013). A transformação positiva dos terrenos inutilizados em espaços    verdes e produtivos reflete o conceito de apropriação do espaço (Lefebvre, 1968),    por oposição ao conceito de propriedade no sentido convencional. Ao contrário    da propriedade, que é pessoal e exclusiva, a apropriação, tal como proposta    por Lefebvre, é um direito coletivo e inclusivo: o direito de transformar o    espaço de acordo com as necessidades das pessoas que lá vivem. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>3.3. </b> <b> O atual processo de reabilitação urbana no município de Lisboa:    uma tendência neoliberal </b> </p>     <p> Apesar das populações afrodescendentes estarem concentradas na periferia,    devido ao longo processo de expulsão do centro da cidade (Tarsi, 2014, 2016;    Arbaci &amp; Malheiros, 2010), ainda existem alguns bairros no centro histórico    de Lisboa marcados pela sua presença. Os imigrantes dos PALOP e seus descendentes    vivem principalmente nos antigos bairros centrais que se consideram atualmente    afetados pela degradação urbana e que precisam de ser reabilitados [<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>].  </p>     <p> Nos últimos 15 anos, o município de Lisboa tem sido objeto de um processo    contínuo de renovação urbana, com uma combinação de capital nacional e estrangeiro,    que está a criar novas desigualdades espaciais. As políticas de reabilitação    revelaram que as intervenções públicas ou privadas por meio da valorização das    áreas urbanas desencadeiam mecanismos contraditórios de expulsão social (Pavel    et al., 2013). Tais políticas urbanas são orientadas para o mercado, pelo que    são marcadas pela lógica do consumo, pela competitividade entre as metrópoles    e pelo protagonismo dos intervenientes privados no processo de ordenamento e    produção dos espaços urbanos renovados. </p>     <p> A tendência neoliberal tornou-se flagrante com a promulgação do Decreto-Lei    n.º 104/2004, que aprovou um regime excecional de reabilitação urbana para algumas    zonas históricas e áreas críticas. Este regime permitia que os municípios criassem    Sociedades de Reabilitação Urbana [<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>]    (SRU) com poderes de mobilização de capital privado <i>e</i> de autoridade administrativa.    Mais recentemente, a Lei n.º 31/2012 estabeleceu o Novo Regime de Arrendamento    Urbano [<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>](NRAU), que está    a ser contestado pelos inquilinos enquanto o seu primeiro resultado foi o encerramento    dos contratos de arrendamento anteriores à década de 90, sem qualquer garantia    de direitos para os arrendatários. Deste modo, o NRAU impôs um mecanismo de    atualização das rendas, que deu origem a valores incomportáveis para muitos    locatários. Como consequência, nos últimos anos, tem-se verificado um deslocamento    social pelo território metropolitano inteiro (Pavel et al., 2013). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O processo contínuo de regeneração urbana, no âmbito do qual a reabilitação    de imóveis atrai outros residentes mais ricos, leva ao despejo dos antigos moradores,    que deixam de conseguir suportar as novas rendas (Mendes, 2013). </p>     <p> A Mouraria (Imagens <a href="#i5">5</a> e <a href="#i6">6</a>), situada na    área que faz fronteira com o centro tradicional de Lisboa, pertence ao grupo    dos &ldquo;Bairros Históricos e Conjuntos Urbanos que imprimem uma identidade particular    a cidade&rdquo; (Mendes, 2012). Remonta ao início do período medieval e significa    literalmente &ldquo;o bairro dos Mouros&rdquo; (Menezes, 2009). Tem sido associado à exclusão    social e à insegurança. As rendas baixas e a negligência pública favoreceram    a formação de enclaves de imigrantes. O número de moradores de nacionalidade    estrangeira na Mouraria é três vezes superior à média do município de Lisboa    (INE, 2012). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i5" id="i5"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12i5.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p> <a name="i6" id="i6"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a12i6.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> Os primeiros imigrantes a estabelecerem-se e a abrirem negócios na Mouraria    foram os imigrantes dos PALOP, que hoje são 25 % da população total (Fonseca    et al., 2010: 23). O bairro é considerado uma área urbana étnica (Mendes, 2012).    Essa diversidade étnica é visível principalmente na praça Martim Moniz (Fonseca    &amp; McGarrigle, 2013), que constitui o maior espaço público do bairro, marcado    pela presença de dois grandes centros comerciais, os quais abrigam, desde os    anos 80, atividades comerciais grossistas (Caldas, 2015). </p>     <p> Não obstante a vitalidade económica e urbana do bairro, a Mouraria é descrita    como uma área de intervenção de alta prioridade, já que se considera que mais    de metade dos seus edifícios necessitam de reabilitação (CML, 2011). A Reabilitação    Urbana da Mouraria integra-se num plano promovido pela Câmara Municipal de Lisboa    em 2011, e o processo de valorização em curso acarreta o risco de modificar    completamente a sua população atual em poucos anos. A chegada de uma nova classe    média está a provocar a subida dos preços dos imóveis, contribuindo para a expulsão    dos grupos mais desfavorecidos (Malheiros et al., 2012). Está igualmente a acentuar    a fragmentação urbana e a divisão social do espaço habitacional da cidade. Neste    momento, os residentes estão a lutar contra os despejos e os deslocamentos,    mas não se verifica ainda qualquer alteração nas políticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>4. Conclusões</b></font> </p>     <p> As políticas de habitação das últimas seis décadas criaram uma situação habitacional    dificilmente reversível na Área Metropolitana de Lisboa. A análise relativa    à habitação dos afrodescendentes mostra claramente que ocupam uma posição marginal    no espaço urbano. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A primeira fase, caracterizada pela ambiguidade institucional no regime de    propriedade e territorial, criou as condições para que os imigrantes das colónias    africanas se estabelecessem em terrenos onde a construção era ilegal. Ao longo    dos anos, todos os fluxos migratórios subsequentes e os descendentes dos primeiros    imigrantes seguiram o exemplo, ampliando esses bairros informais, construídos    principalmente com materiais de baixa qualidade. Com o passar do tempo, esses    locais passaram a ser mais do que &ldquo;bairros de lata&rdquo;. As pessoas que lá moravam    investiram nas suas casas e criaram um forte tecido social. Além disso, se inicialmente    as áreas ocupadas se situavam em zonas bastante remotas, com o crescimento urbano,    passaram a ser consideradas pelos investidores zonas valiosas, a poucos minutos    do centro de Lisboa. </p>     <p> No início dos anos 90, o Estado decidiu demolir os bairros de construção informal    e libertar os terrenos ocupados, uma vez que já prejudicavam a imagem urbana.    Os moradores, na sua maioria imigrantes dos PALOP e os seus descendentes, foram    obrigados a mudar-se. Construíram-se novas habitações sociais, administradas    pelos municípios da Área Metropolitana, os quais deslocaram essas pessoas para    áreas ainda mais isoladas e remotas em comparação com os &ldquo;bairros de lata&rdquo;.  </p>     <p> O processo de demolição e realojamento teve consequências sociais e urbanas    negativas. Em primeiro lugar, destruiu o tecido social, separando comunidades    coesas e impondo às pessoas uma nova vizinhança. Em segundo lugar, criou bairros    isolados das infraestruturas e dos serviços existentes, e difíceis de integrar    na continuidade do sistema urbano. A marginalização das comunidades envolvidas    neste processo aumentou, o que levou a uma maior criminalidade, pobreza e estigmatização.  </p>     <p> Atualmente, a reabilitação urbana levada a cabo em muitos dos municípios da    AML, particularmente em Lisboa, assenta, mais uma vez, no deslocamento da classe    social mais vulnerável, obrigando as pessoas a abandonarem os seus lares. Em    nome da valorização urbana, está a ser utilizado um novo mecanismo de expulsão,    que afeta os grupos populacionais mais desfavorecidas da sociedade, compostos,    na sua maioria, por imigrantes dos PALOP e os seus descendentes. </p>     <p> Apesar da participação dos afrodescendentes na história do país e na construção    física e da identidade de Lisboa, e não obstante partilharem valores e aspetos    culturais com a população nacional, nunca foram adotadas políticas capazes de    reduzir a sua marginalização. As políticas deveriam ser concebidas à escala    correta, a fim de minimizar essa marginalização, visando não só o núcleo da    cidade, mas também as suas zonas periféricas. O desafio para o futuro deverá    passar por proporcionar as populações afrodescendentes a possibilidade de participarem    de forma direta e visível na vida da cidade, em vez de permanecerem à sua margem.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Bibliografia</b></font> </p>     <p> Alves A. R. (2018), &ldquo;Redesenhando a Periferia: Exclusões, Demolições e Racismo    Institucional&rdquo;, <i>A Cidade em Reconstrução: Leituras Críticas, 2008-2018, </i>editado    por Carmo A., Ascensão E., Estevens A., Lisboa: Outro Modo Cooperativa Cultural,    p. 163-171. </p>     <p> Amselle J.-L. and E. M’Bokolo (1999), &ldquo;Préface à la deuxième édition. Au cœur    de l’ethnie revisité.&rdquo;, <i>Au cœur de l’ethnie. Ethnies, tribalisme et Etat    en Afrique</i>, editado por J.-L. Amselle e. M’Bokolo. Paris: La Découverte.  </p>     <p> Arbaci S., Malheiros J. M. (2010), &ldquo;De-Segregation, Peripheralisation and    the Social Exclusion of Immigrants: Southern European Cities in the 1990s&rdquo;,    <i>Journal of Ethnic and Migration Studies</i> 36 (2), p. 227–55. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Arenas F. (2015), &ldquo;Migrations and the Rise of African Lisbon: Time-Space of    Portuguese (Post)Coloniality&rdquo;, <i>Postcolonial Studies</i> 18 (4), p. 353–66.  </p>     <p> Ascensão E. (2015), &ldquo;The Slum Multiple: A Cyborg Micro-History of an Informal    Settlement in Lisbon&rdquo;, <i>International Journal of Urban and Regional Research</i>    39 (5), p. 948–64. </p>     <!-- ref --><p> Baptista L. V. (1999), <i> Cidade e Habitação Social. O Estado Novo e o Programa    das Casas Económicas em Lisboa </i> , Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694520&pid=S2182-3030201900010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Bäckström B., Castro-Pereira S. (2012), &ldquo;A Questão Migratória e as Estratégias    de Convivência Entre Culturas Diferentes em Portugal&rdquo;, <i>Brasília</i> 20 (38),    p. 83–100. </p>     <p> Barbosa C. E., Ramos M. R. (2008), &ldquo;Vozes e Movimentos de Afirmação: Os Filhos    de Cabo-Verdianos Em Portugal&rdquo;, <i> Comunidade(s) Cabo-Verdiana(s): As Múltiplas    Faces Da Imigração Cabo-Verdiana </i> , editado por P. Góis, Lisboa: ACIDI,    p. 175–193 </p>     <!-- ref --><p> Barth F. (1969), <i> Ethnic Groups and Boundaries The Social Organization    of Culture Difference </i> , Boston: Little, Brown &amp; Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694524&pid=S2182-3030201900010001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Batalha L. (2008), &ldquo;Cabo-Verdianos Em Portugal: ‘Comunidade’ e Identidade&rdquo;,    <i> Comunidade(s) Caboverdiana(s): As Múltiplas Faces Da Imigração Cabo-Verdiana    </i> , editado por Góis P., Lisboa: ACIDI, p. 25–36. </p>     <p> Cabannes Y., Raposo I. (2013), &ldquo;Peri-Urban Agriculture, Social Inclusion of    Migrant Population and Right to the City Practices in Lisbon and London&rdquo;, <i>City</i>    17 (2), p. 235–50. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Cachado R. A. (2013), &ldquo;O Programa Especial de Realojamento. Ambiente Histórico,    Político e Social&rdquo;, <i>Análise Social</i> 48 (206), p. 134–52. </p>     <p> Caldas M. V. (2015), &ldquo;A Praça Do Martim Moniz e o Mercado de Fusão&rdquo;, <i>Diffractions    Graduate Journal for the Study of Culture</i> 5, p. 1–27. </p>     <p> Cardoso A., Perista H. (1994), &ldquo;A Cidade Esquecida - Pobreza Em Bairros Degradados    de Lisboa&rdquo;, <i>Sociologia - Problemas e Práticas</i> 15 (4), p. 99–111. </p>     <p> Carreiras M. G. (2018), &ldquo;Integração Socioespacial dos Bairros de Habitação    Social Na Área Metropolitana de Lisboa: Evidências de Micro Segregação&rdquo;, <i>Finisterra</i>    53 (107), p. 67–85. </p>     <p> Carrière J. P., Demazière C. (2002), &ldquo;Urban Planning and Flagship Development    Projects: Lessons from Expo’98, Lisbon&rdquo;, <i>Planning Practice and Research</i>    17 (1), p. 69–79. </p>     <!-- ref --><p> CLAS Amadora (2017), <i>Diagnóstico Social da Amadora 2017</i>, Amadora: CMA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694533&pid=S2182-3030201900010001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> CML (2011), <i>Estratégia de reabilitação urbana de Lisboa - 2011/2024</i>,    Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694535&pid=S2182-3030201900010001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Craveiro M. T. (2010), &ldquo;Do "bairro clandestino" às "áreas de gênese ilegal"    - um problema que permanece em Portugal&rdquo;, <i> Da irregularidade fundiária urbana    à regularização: análise comparativa Portugal-Brasil </i> , editado por Bógus    L., Raposo I., Pasternak S., São Paulo: EDUC. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Eaton M. (1998), &ldquo;Foreign Residents and Illegal Immigrants&rdquo;, <i>International    Journal of Intercultural Relations</i> 22 (1), p. 49–66. </p>     <p> Ferreira C. H. (2012), &ldquo;Projectar a Cidade Entre Bairros Lisboa, Um Projecto    de Cidade Em Mudança&rdquo;, <i>A Cidade Entre Bairros</i>, editado por Mendes M.    M., Sá T., Crespo J. L. e Ferreira C.H., Casal de Cambra: Caleidoscópio, p.    47–63. </p>     <p> Fonseca M. L. (2003), &ldquo;Integração dos imigrantes: estratégias e protagonistas&rdquo;,    <i> I Congresso Imigração Em Portugal – Diversidade, Cidadania e Integração,    18-19 de dezembro de 2003, </i> Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. </p>     <p> ——— (2007), &ldquo;Inserção territorial. 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(2002), <i>Immigrants    in Lisbon. Routes of Integration, </i>Lisbon: ULisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694545&pid=S2182-3030201900010001200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Fonseca M. L., Malheiros J. M., McGarrigle J., Pereira S. (2017), <i> Condições    de Vida e Inserção Laboral dos Imigrantes Em Portugal: Efeitos da Crise de 2007-2008    </i> , Lisboa: ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694547&pid=S2182-3030201900010001200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Fonseca M. L., McGarrigle J. (2013), &ldquo;Modes of Neighbourhood Embeddedness    in Three Multi-Ethnic Neighbourhoods in Lisbon an Exploratory Analysis&rdquo;, <i>Finisterra</i>    48 (96), p. 17-42. </p>     <!-- ref --><p> Fonseca M. L., McGarrigle J., Esteves A., Malheiros J. M. (2008), <i>Lisbon    - City Report</i>, Lisbon: GEITONIES.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694550&pid=S2182-3030201900010001200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Góis P. (2008), <i> Comunidade(s) Cabo-Verdiana(s): as múltiplas faces da    imigração cabo-verdiana </i> , Lisboa: ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694552&pid=S2182-3030201900010001200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Guerra I. (1994), &ldquo;As Pessoas Não São Coisas Que Se Ponham Em Gavetas&rdquo;, <i>Sociedade    e Território</i> 20, p.11–16. </p>     <!-- ref --><p> Harrison M., Law I., Phillips D. (2005) <i> , Migrants, Minorities and Housing:    Exclusion, Discrimination and Anti-Discrimination in 15 Member States of the    European Union </i> , European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia (EUMC).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694555&pid=S2182-3030201900010001200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> Henriques I. C. (2011), <i>Os Africanos Em Portugal História e Memória Séculos    XV-XXI</i>, Lisboa: UNESCO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694557&pid=S2182-3030201900010001200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Horta A. P. B. (2008), &ldquo;Que Cidadania? Etnicidade, Identidades Locais e Agenciamento    Na Periferia de Lisboa&rdquo;, <i>Mundos Sociais: Saberes e Práticas</i> 13. </p>     <p> Horta A. P. B., White P. (2009), &ldquo;Post-colonial migration and citizenship    regimes: a comparison of Portugal and the United Kingdom&rdquo;, <i>Revista Migrações</i>    4, p. 33–57. </p>     <!-- ref --><p> INE (1960), <i>X Recenseamento Geral da População Portugal</i>. Lisboa: Instituto    Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694561&pid=S2182-3030201900010001200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> ——— (1970), <i>XI Recenseamento Geral da População em Portugal</i>. Lisboa:    Instituto Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694563&pid=S2182-3030201900010001200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> ——— (1984), <i> Censos 1981: resultados definitivos. XII Recenseamento Geral    da População em Portugal </i> . Lisboa: Instituto Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694565&pid=S2182-3030201900010001200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> ——— (1996), <i> Censos 1991: resultados definitivos. XIII Recenseamento Geral    da População em Portugal </i> . Lisboa: Instituto Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694567&pid=S2182-3030201900010001200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> ——— (2002), <i> Censos 2001: resultados definitivos. XIV Recenseamento Geral    da População em Portugal. IV Recenseamento Geral da habitação </i> , Lisboa:    Instituto Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694569&pid=S2182-3030201900010001200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> ——— (2012), <i>Censos 2011: resultados Definitivos</i>. <i>XV Recenseamento    Geral da População em Portugal. </i>Lisboa: Instituto Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694571&pid=S2182-3030201900010001200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> ——— (2017), <i>Estatísticas Demográficas 2016</i>. Lisboa: Instituto Nacional    de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694573&pid=S2182-3030201900010001200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Lahon D. (2004), &ldquo;O escravo africano na vida económica e social portuguesa    do Antigo Regime&rdquo;, <i>Africana Studia</i> 7, p. 73–100. </p>     <!-- ref --><p> Lefebvre H. (1968), <i>Le droit à la Ville</i>, Paris: Editions Anthropos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694576&pid=S2182-3030201900010001200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Machado F. L., Abranches M., Matias A. R., Leal S. (2007), &ldquo;Para onde vai    a imigração africana em Portugal? Sedentarização, gerações e trajetos&rdquo;, <i>Quotidiano    e Qualidade de Vida</i>, Lisboa: Celta, p. 197–217 </p>     <p> Malheiros J. M. (1998), &ldquo;Minorias étnicas e segregação nas cidades – uma aproximação    ao caso de Lisboa, no contexto da Europa Mediterrânica&rdquo;, <i>Finisterra XXXIII    </i>(66), p. 91–118. </p>     <p> ——— (2000), &ldquo;Urban Restructuring, Immigration and the Generation of Marginalized    Spaces in the Lisbon Region&rdquo;, <i>Eldorado Or Fortress? Migration in Southern    Europe</i>, London: PALGRAVE MACMILLAN, p. 207–232. </p>     <p> ——— (2002), &ldquo;Ethni-Cities: Residential Patterns in the Northern European and    Mediterranean Metropolises - Implications for Policy Design&rdquo;, <i>International    Journal of Population Geography</i> 8 (2), p. 107–34. </p>     <p> Malheiros J. M., Carvalho R., Mendes L. (2012), &ldquo;Etnicização Residencial e    Nobilitação Urbana Marginal: Processo de Ajustamento Ou Prática Emancipatória    Num Bairro Do Centro Histórico de Lisboa?&rdquo;, <i>Revista da Faculdade de Letras    da Universidade do Porto</i>, Número temático: Imigração, Diversidade e Convivência    Cultural, p. 97-128. </p>     <!-- ref --><p> Malheiros J. M., Fonseca L., Latoeira C., André C., Esteves A., Estevão M.,    McGarrigle J. <i>et al.</i> (2011), <i> Acesso à Habitação e Problemas Residenciais    dos Imigrantes em Portugal </i> , Lisboa: ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694583&pid=S2182-3030201900010001200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Malheiros J. M., Mendes M. M., Barbosa C. E., Silva S. B., Schiltz A., Vala    F. (2007), <i> Espaços e Expressões de Conflito e Tensão entre Autóctones, Minorias    Migrantes e Não Migrantes na Área Metropolitana de Lisboa </i> , Lisboa: ACIDI  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694585&pid=S2182-3030201900010001200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Malheiros J. M., Vala F. (2004), &ldquo;Immigration and City Change: The Lisbon    Metropolis at the Turn of the Twentieth Century&rdquo;, <i>Journal of Ethnic and Migration    Studies</i> 30 (6), p. 1065–86. </p>     <p> Mendes L. (2008), &ldquo;Urbanização Clandestina e Fragmentação Socio-Espacial Urbana    Contemporânea: O Bairro da Cova da Moura na Periferia de Lisboa&rdquo;, <i>Revista    da Faculdade de Letras - Geografia - Universidade Do Porto</i> II, p. 57–82.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> ——— (2013), &ldquo;Gentrificação e políticas de reabilitação urbana em Portugal:    uma análise crítica à luz da tese rent gap de Neil Smith&rdquo;, <i>Revista Crítica    de Ciências Sociais</i> 99 (16), p. 51–72. </p>     <p> Mendes M. M. (2012), &ldquo;Bairro Da Mouraria, Território de Diversidade: Entre    a Tradição e o Cosmopolitismo&rdquo;, <i>Sociologia, Revista da Faculdade de Letras    da Universidade do Porto</i> Número temático: Imigração, Diversidade e Convivência    Cultural, p. 15–41. </p>     <p> Menezes M. (2009), &ldquo;A Praça do Martim Moniz: Etnografando lógicas socioculturais    de inscrição da Praça no mapa social de Lisboa&rdquo;, <i>Horizontes Antropológicos</i>,    32: 301-328 </p>     <p> Moises I. M. C. N. (2013), &ldquo;O Bairro do Casal da Mira, Município da Amadora:    Um Território de Inclusão ou Exclusão?&rdquo;, <i>Lusíada. </i> <i>Intervenção Social</i>    41, p. 37–54. </p>     <p> Pardue D. (2014), &ldquo;Housing and Identity in Postcolonial Portugal&rdquo;, <i> Urban    Ills Twenty-First-Century Complexities of Urban Living in Global Contexts –    Volume II </i> , editado por Yeakey C. C., Thompson V. S. e Wells A., Lanham:    LEXINGTON BOOKS. </p>     <!-- ref --><p> OECD (2018), <i>Divided Cities: Understanding Intra-Urban Inequalities</i>,    Paris: OECD publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694593&pid=S2182-3030201900010001200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Pereira Á. P., Sousa e Silva D., Baptista I., Perista P. (2001), &ldquo;Habitat    e Minorias: Processos de (Des)integração de Grupos Étnicos em Lisboa e no Porto&rdquo;,    <i>CIDADES, Comunidades e Territórios</i> 3, p. 93–109. </p>     <p> Pereira S. (2008), &ldquo;Immigrant workers of African origin: precarious employment    and geographical mobility strategies&rdquo;, <i>Revista Migrações </i> – <i>Número    Temático Imigração e mercado de Trabalho</i> 2, p. 47–71. </p>     <p> ——— (2013), &ldquo;Replacement Migration and Changing Preferences: Immigrant Workers    in Cleaning and Domestic Service in Portugal&rdquo;, <i>Journal of Ethnic and Migration    Studies</i> 39(7), p. 1141–1158. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Pozzi G. (2017), &ldquo;Cronache Dell’abitare. Pratiche Di Costruzione Informale    e Rialloggiamento Forzato Nel Quartiere Santa Filomena (Lisbona)&rdquo;, <i>Antropologia</i>    4 (1), p. 49–69. </p>     <p> Raposo O., Varela P. (2016), <i> Faces do Racismo nas Periferias de Lisboa.    Uma Reflexão sobre a Segregação </i> , apresentado no IX Congresso Português    de Sociologia: Portugal, Território de Territórios, Faro. </p>     <!-- ref --><p> Rodrigues de Oliveira C. (1554), <i> Sumário Em Que Breuemente Se Contem Alguas    Cousas Assi Ecclesiasticas Como Seculares Que Ha Na Cidade de Lisboa </i> ,    Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694600&pid=S2182-3030201900010001200065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Roldão C. (2015), <i> Fatores e Perfis de Sucesso Escolar &ldquo;Inesperado&rdquo; Trajetos    de Contratendência de Jovens das Classes Populares e de Origem Africana </i>    , Tese de Doutoramento, Lisboa: ISCTE-IUL </p>     <p> Rosales M. V. (2013), &ldquo;Things and Places from the City. Consumption Practices,    Settlement and Belonging of Second Generation Migrants in Lisbon&rdquo;, <i>Sociedade    e Cultura</i> 16 (1), p. 117–25. </p>     <p> Salgueiro T. B. (1972), &ldquo;Bairros Clandestinos na Periferia de Lisboa&rdquo;, <i>Finisterra</i>    12 (23), p. 28–55. </p>     <!-- ref --><p> ——— (1992), <i>A cidade em Portugal. Uma geografia urbana</i>. Lisboa: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694605&pid=S2182-3030201900010001200069&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p> Santos M. P. N. (2014), &ldquo;As Novas Dinâmicas da Sustentabilidade Urbana em    Territórios de Pobreza e Exclusão Social: O Caso da Cova da Moura&rdquo;, <i>Revista    INVI</i> 29 (81), p. 891–97. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Saunders A. (1982), <i>A social history of black slaves and freedmen in Portugal    1441-1555</i>, Cambridge: University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694608&pid=S2182-3030201900010001200071&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Tarsi E. (2014), &ldquo;Expulsão como Efeito da Economia Neoliberal sobre a Cidade:    O Caso Português&rdquo;, <i>Plataforma Barómetro Social</i> 4. </p>     <p> ——— (2016), &ldquo;As Lógicas da Exclusão Urbana no Contexto Português: Uma Perspectiva    Sul-Norte&rdquo;, <i>Fórum Sociológico</i> 29. </p>     <p> Tulumello S., ? Ferreira A.C., Colombo A., Di Giovanni C.F., Allegra M. (2018),    &ldquo;Comparative planning and housing studies beyond taxonomy: a genealogy of the    Special Programme for Rehousing (Portugal)&rdquo;, <i>Transactions of the Association    of European Schools of Planning</i> 2, p. 32–46. </p>     <!-- ref --><p> Vala F., Brito R., Lopes D. (1999), <i>Expressões dos Racismos em Portugal</i>,    Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694613&pid=S2182-3030201900010001200075&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Westin C., Bastos J., Dahinden J., Góis P. (2010), <i>Identity Processes and    Dynamics in Multi-Ethnic Europe</i>, Amsterdão: University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694615&pid=S2182-3030201900010001200076&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> Received: 19-12-2018; Accepted: 02-05-2019.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>NOTES</p> </font>      <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>]    O conceito de &ldquo;grupo étnico&rdquo; é essencialmente uma noção moderna introduzida    quase exclusivamente pelos Estados coloniais (Amselle e M&rsquo;Bokolo 1999: III).    Pode ser útil enquanto categoria no âmbito das Ciências Sociais; contudo, não    há consenso quanto às características próprias de um grupo étnico. Normalmente,    os autores referem-se a uma origem, cultura, religião ou língua em comum, e    ao sentimento de pertença dos membros de um determinado grupo. Neste caso, a    consciência étnica é entendida como o sentimento de pertença de um grupo que    se identifica, e é identificado por outros, como fazendo parte de uma categoria    distinta de outras categorias da mesma ordem (Barth, 1969: 11). Nesta perspetiva,    a utilização da categoria étnica neste estudo incide principalmente nas relações    entre grupos, no poder e nas forças estruturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>]    Em março de 2018, na sequência das recomendações das Nações Unidas relativas    à necessidade de Portugal dispor de informações sobre a origem étnica e devido    a alegações de racismo institucional por parte de coletivos, o Governo português    constituiu o Grupo de Trabalho Censos 2021 - Questões Étnico-Raciais, com o    objetivo de produzir instruções para o Censos 2021. <a href="https://dre.pt/" target="_blank">https://dre.pt/</a>    (Consultado em 2 de março de 2019)</font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>]  Grande Lisboa: Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra,  Vila Franca da Xira.      <p> Península de Setúbal: Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela,    Seixal, Sesimbra, Setúbal. </p>     <p><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] &ldquo;Retornados&rdquo; é a designação    dada aos cidadãos portugueses que, após a independência das colónias em África,    se mudaram para Portugal. Embora a designação evoque o retorno, muitos retornados    nasceram nas colónias portuguesas.</p> </font>      <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>]    O projeto denominado &ldquo;Jodia&rdquo; consistiu num inquérito realizado pelo CIES-ISCTE    junto de 1 000 afrodescendentes, com idades compreendidas entre os 15 e os 29    anos, na AML, em 2004. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>]    </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O &ldquo;fenómeno clandestino&rdquo;    não pode ser dissociado do contexto de desequilíbrios regionais de caráter social,    económico e cultural que caracterizavam a sociedade portuguesa naquela época    (Craveiro, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>]    No período que se seguiu à Revolução, foi realizada uma experiência de arquitetura,    pioneira no contexto europeu. O SAAL – Serviço de Apoio Ambulatório Local –    criou unidades técnicas lideradas por arquitetos, em colaboração com as populações    locais, com o objetivo de dar resposta às necessidades prementes de habitação    das comunidades desfavorecidas por todo o país. Numa altura em que uma grande    percentagem da população vivia em situação de pobreza, 25 % das pessoas eram    analfabetas e todas estavam imbuídas do espírito revolucionário, a arquitetura    entrou em cena para oferecer soluções mediante uma abordagem ascendente. Infelizmente,    a iniciativa apenas durou dois anos e, em Lisboa, nenhum dos projetos chegou    a ser concluído. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>]    Uma ‘<i>no-go area</i>’ é um local com uma reputação de violência e criminalidade,    que faz com que as pessoas tenham medo de lá entrar. <a                 href="https://www.collinsdictionary.com/dictionary/english/no-go-area" target="_blank"             > https://www.collinsdictionary.com/dictionary/english/no-go-area</a>(Consultado    em 9 de maio 2019) </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>]    A associação SOS Racismo Portugal, criada em 1996, luta há anos pela criação    de um sistema legal capaz de punir atos de violência e racismo sofridos pelas    minorias étnicas. Ao longo do tempo, tem comunicado inúmeros crimes cometidos    pelas forças policiais. <a href="http://www.sosracismo.pt/" target="_blank">http://www.sosracismo.pt/</a>    (Consultado em 24 de abril de 2019) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>]    </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Antes de 1991, os limites    administrativos não incluíam a Península de Setúbal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>]    Decreto-Lei n.º 163/1993, <i> Programa Especial de Realojamento nas Áreas Metropolitanas    de Lisboa e do Porto, </i> Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações,    Diário da República. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>]    </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">GEITONIES – <i> Generating    Interethnic Tolerance and Neighbourhood Integration in European Urban Spaces    </i> – foi um estudo que visou não só os imigrantes, mas também nacionais, em    seis cidades europeias a nível de bairros. <a href="https://cordis.europa.eu/project/rcn/88907_en.html" target="_blank">    https://cordis.europa.eu/project/rcn/88907_en.html </a> (Consultado em 10 de    maio de 2019) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>]    Os processos de reabilitação urbana abrangem um amplo conjunto de intervenções,    que vão desde a simples recuperação de edifícios e espaços públicos até à revitalização    social e económica da área urbana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>]    </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a                 href="https://www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/reabilitacao/sociedadesreabilitacaourbana/menusru.html" target="_blank"             >https://www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/reabilitacao/sociedadesreabilitacaourbana/menusru.html    </a> (Consultado em 15 de março de 2019)</font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>]  <a href="http://www.portaldahabitacao.pt/pt/nrau/home/index.jsp" target="_blank">http://www.portaldahabitacao.pt/pt/nrau/home/index.jsp  </a> (Consultado em 15 de março de 2019)</font>       ]]></body>
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<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Redesenhando a Periferia: Exclusões, Demolições e Racismo Institucional]]></article-title>
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<source><![CDATA[A Cidade em Reconstrução: Leituras Críticas, 2008-2018]]></source>
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<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Préface à la deuxième édition: Au cœur de l’ethnie revisité]]></article-title>
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