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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A representatividade da mobilidade urbana em certificações de sustentabilidade]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The representativeness of urban mobility in sustainability certifications]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The demand for mobility and the increasing dependence on private vehicles for intra-metropolitan journeys in particular, is currently one of the main issues in the debate on sustainable urban development, since it is responsible for several social, economic and environmental impacts. Several certifications with the purpose of measuring sustainability in the urban environment present different criteria and strategies listed as relevant in their evaluation methods. In this context, the present study questions how mobility is addressed in urban sustainability indexes, from the perspective of their importance for the quality of life in cities. For this purpose, the LEED, BREEAM and AQUA certifications were analyzed and compared in the categories referring to neighbourhoods and new sustainable buildings, presenting the comparison of the importance invested to the mobility components in each category of evaluation. The results suggest that the BREEAM certification presents greater representativeness among the three certifications analyzed, followed by the LEED certification. The analysis also indicated that the category of neighborhoods shows significantly higher relevance in terms of the percentage range of the score that encompasses this subject. This approach to certifications can help in the visibility of more efficient and sustainable practices of urban mobility, improving the urban environment and enhancing the quality of life in cities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">A representatividade da mobilidade urbana em  certificações de sustentabilidade </font></b>      <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> The representativeness of urban mobility    in sustainability certifications</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Bruna Righi Dotto<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a>;    André Souza Silva<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Unisinos    - Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Escola Politécnica - Mestrado Profissional    em Arquitetura e Urbanismo, Brasil. e-mail: <a href="mailto:brunardotto@gmail.com" target="_blank">brunardotto@gmail.com</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="12"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">UNISINOS    - Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Escola Politécnica - Mestrado Profissional    em Arquitetura e Urbanismo, Brasil. e-mail: <a href="mailto:silandre@unisinos.br" target="_blank">silandre@unisinos.br</a>.</font><br /> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A demanda por mobilidade e a crescente dependência por veículos privados para    viagens intra-metropolitanas em particular, é atualmente um dos principais pontos    no debate sobre o desenvolvimento urbano sustentável, uma vez que é responsável    por diversos impactos sociais, econômicos e ambientais. Diversas certificações,    com o intuito de mensurar a sustentabilidade no meio urbano, apresentam diferentes    critérios e estratégias elencados como relevantes em seus métodos de avaliação.    Neste contexto, o presente estudo questiona de que modo a mobilidade é abordada    em índices de sustentabilidade urbana, em termos da sua importância para a qualidade    de vida em cidades. Para isso, as certificações LEED, BREEAM e AQUA foram analisadas    e contrapostas nas categorias referentes a bairros e novas edificações sustentáveis,    apresentando o comparativo da importância investida aos componentes de mobilidade    em cada tipo de avaliação. Os resultados sugerem que a certificação BREEAM apresenta    maior representatividade entre as três certificações analisadas, seguida pela    certificação LEED. A análise também indicou que a categoria de bairros manifesta    relevância significativamente superior em termos de alcance percentual da pontuação    que engloba este assunto. A abordagem deste tema pelas certificações pode auxiliar    na visibilidade de práticas mais eficientes e sustentáveis de mobilidade urbana,    melhorando o ambiente urbano e aumentando a qualidade de vida das cidades. </p> <b>Palavras-chave:</b> mobilidade urbana, certificação sustentável, sustentabilidade,  ambiente urbano.      <p></p> </font>  <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> The demand for mobility    and the increasing dependence on private vehicles for intra-metropolitan journeys    in particular, is currently one of the main issues in the debate on sustainable    urban development, since it is responsible for several social, economic and    environmental impacts. Several certifications with the purpose of measuring    sustainability in the urban environment present different criteria and strategies    listed as relevant in their evaluation methods. In this context, the present    study questions how mobility is addressed in urban sustainability indexes, from    the perspective of their importance for the quality of life in cities. For this    purpose, the LEED, BREEAM and AQUA certifications were analyzed and compared    in the categories referring to neighbourhoods and new sustainable buildings,    presenting the comparison of the importance invested to the mobility components    in each category of evaluation. The results suggest that the BREEAM certification    presents greater representativeness among the three certifications analyzed,    followed by the LEED certification. The analysis also indicated that the category    of neighborhoods shows significantly higher relevance in terms of the percentage    range of the score that encompasses this subject. This approach to certifications    can help in the visibility of more efficient and sustainable practices of urban    mobility, improving the urban environment and enhancing the quality of life    in cities. </font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> urban mobility,    sustainability certification, sustainability, urban environment.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">      <p> <font size="3"><b>1. Introdução</b></font> </p>     <p> O processo de urbanização intensa decorrido nas últimas décadas acarretou    no desenvolvimento acelerado das cidades, principalmente quanto à evolução de    sua infraestrutura. O imediatismo característico destas mudanças teve como consequência    a influência negativa em vários aspectos ambientais como a poluição do ar e    da água, depredação de recursos naturais e devastação de florestas, além da    utilização em larga escala de combustíveis e consumíveis de fontes não renováveis.    Durante os anos 90, novos conceitos sobre o aquecimento global emergiram, desafiando    o modelo de desenvolvimento tradicional e evidenciando a emergência de temas    relacionados com a sustentabilidade, incluindo os efeitos da urbanização na    mudança climática (LONDE e MENDES, 2014; GUERRA et al., 2016). Associar a noção    de sustentabilidade à arquitetura e urbanismo pode ser um desafio, sendo que    o urbanismo remete ao crescimento e desenvolvimento, enquanto a sustentabilidade    refere-se à permanência e equilíbrio (SILVA e ROMERO, 2015). Mais especificamente,    a demanda por mobilidade, e a crescente dependência em veículos privados para    viagens intra-metropolitanas em particular, é atualmente um dos principais pontos    no debate sobre o desenvolvimento urbano sustentável, uma vez que é responsável    por diversos impactos sociais, econômicos e ambientais (CAMAGNI, GIBELLI e RIGAMONTI,    2002). </p>     <p> A elaboração de um planejamento urbano que vise o atendimento das necessidades    e expectativas de uma sociedade que vive em ambientes gradativamente mais antrópicos    tem-se tornado uma atividade progressivamente complexa, enquanto se observa    o declínio da qualidade de vida nas cidades (BARGOS e MATIAS, 2012). A falta    de ferramentas desenvolvidas para mensurar a mobilidade dentro do contexto urbano    é uma das diversas dificuldades encontradas pelos planejadores e pela administração    pública no planejamento deste aspecto das cidades (SILVA, 2012). Com o intuito    de auxiliar no levantamento de informações a respeito da mobilidade urbana,    foram desenvolvidos métodos para a sua avaliação nas cidades. Assim, foram concebidos    indicadores, como o Índice de Mobilidade Urbana Sustentável (<i>Index of Sustainable    Urban Mobility</i>, ou I_SUM) e o Índice de Efeitos Ambientais ( <i>Mobility    Index for Enviromental Effects</i>, ou MoxE), que procuram quantificar a sustentabilidade    da mobilidade urbana e propor métodos de qualificação (SILVA et al., 2015; MIRANDA    e SILVA, 2012). Similarmente, conceberam-se diversas certificações ambientais    que visam mensurar a sustentabilidade do ambiente construído e que apresentam    diferentes métodos e medidas de avaliação para seus critérios elencados como    relevantes. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Sendo a mobilidade elemento de importância para a sustentabilidade urbana,    apresenta-se a questão: de que forma a mobilidade é abordada em certificações    de sustentabilidade urbana? O presente estudo visa analisar a relevância da    mobilidade nos critérios de avaliação de três certificações de sustentabilidade    urbana significativas (BREEAM - <i>Building Research Establishment&rsquo;s Environmental    Assessment Method</i>, LEED - <i>Leadership in Environmental and Energy Design</i>,    e AQUA - Alta Qualidade Ambiental), e os métodos empregados na elaboração deste    parecer, de modo a prover um comparativo da importância investida aos componentes    referentes à mobilidade e acessibilidade urbana pelas certificações ecológicas.    Neste intuito, as certificações selecionadas como objeto de estudo foram analisadas    de forma comparativa quanto à abordagem referente ao tema da mobilidade urbana,    considerando-se tanto o método de avaliação quanto a importância investida nestes    itens em relação aos outros. A representatividade máxima de todas as seções    que se referem à utilização da mobilidade em relação à pontuação total das certificações    foi estimada, conceituando a relevância do indicador da mobilidade para cada    uma. Assim, foi analisada a presença do tema da mobilidade em todos os itens    das certificações, e considerados os que citam soluções de mobilidade como condição    estrita para o recebimento dos pontos, como requisito seletivo para aquisição    de pontuação adicional em seus critérios, como sugestão de estratégia para atender    às exigências do item, ou como uma recomendação a ser considerada no projeto.  </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>2. Fundamentação: a mobilidade sustentável no ambiente urbano</b></font>  </p>     <p> O setor dos transportes é um importante componente de áreas urbanas, sendo    que sua influência transcende o contexto urbanístico e impacta também nas esferas    social, política, econômica e ambiental das cidades. Muitos dos problemas observados    nos centros urbanos - como tráfego, poluição do ar e sonora, acidentes, e restrições    de mobilidade de certos grupos da população - são consequência direta ou indireta    de deficiências nos transportes. Esta deficiência dos transportes nos centros    urbanos tem em sua origem uma combinação de falhas históricas, que são predominantemente    consequência da falta de recursos financeiros e humanos, e dinâmicas recentes,    como a atual dependência no automóvel para o transporte dos cidadãos urbanos.    O conceito de mobilidade era predominantemente visto como a provisão de serviços    de transporte, sendo que o objetivo dos planejadores era atender à demanda de    transporte com o fornecimento de infraestrutura. Até 1970, o planejamento era    marcado pela ênfase no transporte rodado, a prioridade de transporte privado    sobre o transporte público, o esforço limitado na promoção de modos de transporte    não-motorizados, e a frequente separação entre os planejamentos urbano e de    transporte. O novo conceito de mobilidade urbana, que vem sendo desenvolvido    após o reconhecimento das falhas no planejamento urbano e de mobilidade anteriores,    baseia-se no pressuposto de que os problemas da mobilidade não são apenas uma    consequência da falta de acesso a meios de transporte, mas que envolvem complexas    disfunções ambientais, econômicas, sociais e comportamentais. Assim, um novo    paradigma para o planejamento do transporte vem sendo desenvolvido, onde o transporte    público, circulação do tráfego e planejamento de atividades urbanas devem ser    consideradas de forma conjunta, através de uma abordagem denominada planejamento    de mobilidade (GARAU, MASALA e PINA, 2016; SILVA, COSTA e MACEDO, 2008; SILVA    et al., 2015). </p>     <p> O interesse no tema da sustentabilidade vem crescendo e torna-se cada vez    mais necessário, o que promove novas linhas de ação com base em conceitos de    desenvolvimento sustentável. Assim, a busca por um conceito sustentável de mobilidade    urbana acompanha a procura por uma relação mais sustentável entre o desenvolvimento    da humanidade e o planeta, sendo que as novas concepções e prioridades debatidas    para o transporte urbano foram passando por evoluções e mudanças, juntamente    com os conceitos de desenvolvimento sustentável. No entanto, a própria concepção    de desenvolvimento sustentável é alvo de discussões e questionamentos quanto    à sua essência e condições de aplicação. A primeira apresentação conceitual    usualmente adotada de desenvolvimento sustentável, definida no Relatório de    Brundtland, afirma que o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que    atende às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações    futuras de atender às suas próprias necessidades. A simplicidade desta definição,    adotada amplamente pela ausência de concordância num processo prático acerca    de como atuar de forma sustentável que todos acreditam ser adequado e desejável,    esconde a complexidade e contradição do paradoxo encontrado ao tentar unir os    conceitos de desenvolvimento que promove qualidade de vida e sustentabilidade,    que viabiliza este objetivo a longo prazo. As necessidades da humanidade são    efêmeras e inconstantes, sendo que o próprio desenvolvimento contribui para    a designação destas necessidades, que são definidas de forma diferente para    gerações e culturas distintas, sendo que o contexto econômico da sociedade também    é um grande fator de influência nas necessidades humanas. O desafio apresenta-    se então, não somente na procura por uma forma de coordenar as esferas ambiental,    social e econômica do planeta de forma eficiente e não destrutiva, mas também    no entendimento de quais são as necessidades da sociedade a serem atendidas    em cada momento e local, e de que forma elas podem ser relacionadas (REDCLIFT,    2005; SCHMIDT e GUERRA, 2018). </p>     <p> Os desdobramentos destes questionamentos são muitos, levando a diversos conceitos    de desenvolvimento sustentável e prioridades elencadas com base em contextos    e necessidades diferentes, o que acarretou na formação de várias frentes de    batalha desconexas e até mesmo incoerentes entre si. Em escala urbana, a multiplicidade    de conceitos e prioridades envolvendo o desenvolvimento sustentável levou à    realização de discussões a respeito dos atuais padrões urbanos encontrados pelo    mundo, e à elaboração de um conceito generalizado de cidade sustentável que    decorre de uma crítica objetiva ao crescimento expansivo e aos impactos negativos    dos aglomerados urbanos recentes. Assim, embora exista uma aprovação em grande    parte consensual a respeito do novo paradigma de &ldquo;cidade sustentável&rdquo;, que promove    a compactação das áreas urbanas e tem como principais características priorizar    o transporte público e pedonal e miscigenar funcionalmente a cidade, as diferentes    perspectivas sobre as aplicações destas diretrizes também levaram à criação    de diversos modelos de cidade que, apesar de próximos entre si, não apresentam    uma solução absoluta e discordam sobre vários aspectos da implantação e do atendimento    das necessidades da sociedade local. Deste modo, questiona-se a existência de    um modelo único e universalmente aplicável de cidade sustentável, assim como    se sugere a possibilidade de vários meios para um mesmo objetivo. Apesar disso,    as diferenças entre o discurso de sustentabilidade defendido amplamente em escala    mundial e a realidade das ações tomadas repercutem negativamente na condição    do planeta e agrava os problemas sociais, econômicos e ambientais enfrentados    pela humanidade. Mais do que apenas isso, ações individuais e desconexas tendem    a ser pouco eficientes no combate aos efeitos perversos da urbanização, sendo    que a criação de soluções e mudanças que buscam resolver os problemas sociais,    ambientais e econômicos da sociedade devem ser realizadas de forma ampla e integrada,    considerando as características locais de cada caso para garantir a eficiência    e a sustentabilidade das decisões (REDCLIFT, 2005; SCHMIDT e GUERRA, 2018).  </p>     <p> A tomada de decisões sustentáveis pode ser descrita como o planejamento que    considera objetivos e impactos. Como uma extensão do conceito de desenvolvimento    sustentável, o transporte sustentável poderia ser traduzido como o desenvolvimento    que atende às necessidades de transporte sem comprometer a provisão de mobilidade    adequada para as futuras gerações. O conceito de mobilidade sustentável inclui    a satisfação das necessidades dos indivíduos, a liberdade de movimento para    a sociedade como um todo e de escolha entre modos de transporte, sem comprometer    a saúde humana e os ecossistemas. Este conceito envolve também o uso de energias    renováveis e o estabelecimento de limites para emissão de resíduos prejudiciais    ao planeta. A mobilidade urbana sustentável é representada pela distribuição    de pessoas e bens no espaço urbano, não apenas por automóveis mas também de    forma autônoma ou através de meios não-motorizados. O seu objetivo é promover    a inclusão social e o desenvolvimento urbano balanceado, o que demonstra sua    importância no contexto urbano. A Comissão Europeia recomenda a utilização de    Planos de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS, que intenta delinear objetivos    a serem incluídos no planejamento da mobilidade das cidades, como apresentado    na <a href="#q1"> Tabela 1</a>. (SILVA et al., 2015; MIRANDA e SILVA, 2012;    MAY, 2015). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1" id="q1"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16q1.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> Do mesmo modo, as Nações Unidas lançaram em 2015 a Agenda 2030 para o Desenvolvimento    Sustentável (CNDUS, 2015), composta por 169 metas divididas em 17 objetivos    de desenvolvimento sustentável. Estes objetivos procuram guiar a humanidade    em direção a um futuro mais sustentável através de medidas transformadoras em    diversas áreas de importância para a sociedade e o planeta. No seu Objetivo    11, intitulado &ldquo;Tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos,    seguros, resilientes e sustentáveis&rdquo;, são apresentadas metas que incluem questões    de mobilidade urbana sustentável, como proporcionar sistemas de transporte seguros,    sustentáveis e acessíveis a todos, melhorar a segurança rodoviária através da    expansão dos transportes públicos, proporcionar acesso universal a espaços públicos    seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, e reduzir o impacto ambiental negativo    dos centros urbanos, principalmente em questões relativas à qualidade do ar    e gestão de resíduos. Assim, a importância do tema da mobilidade urbana sustentável    vem sendo cada vez mais considerada. Para isso têm contribuído a realização    de estudos e a busca de soluções eficientes de transporte e mobilidade sustentável    nas cidades, além de adquirir maior alcance mundial ao ter critérios universais    de melhorias relativas a este assunto incluídos no conteúdo da Agenda 2030.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p><b>2.1 Certificações de sustentabilidade urbana</b> </p>     <p> Os métodos para mensurar a sustentabilidade no ambiente construído foram desenvolvidos    considerando que as formas de apropriação do espaço devam estar em consonância    com as necessidades atuais da sociedade e em harmonia com as esferas social,    ambiental, administrativa e econômica da cidade (SILVA e ROMERO, 2015). Embora    se constatem dificuldades em associar a sustentabilidade ao ambiente urbano,    é possível inferir uma perspectiva positiva e coerente de sustentabilidade para    o futuro devido à estimativa de estabilização das projeções demográficas e,    também, aos avanços tecnológicos, a difusão do conhecimento e da conscientização    ambiental. </p>     <p> Apesar de o conceito de mobilidade sustentável ser de simples compreensão,    existem questões complexas que se colocam à sua aplicabilidade quando associado    ao planejamento do transporte. Além disso, os planejadores e a administração    pública encontram, com frequência, diversas dificuldades para lidar com os desafios    do planejamento da mobilidade urbana, sobretudo devido à falta de ferramentas    para mensurar este aspecto dentro do contexto urbano. Como consequência, para    minimizar estes problemas foram desenvolvidos índices, que visam quantificar    a sustentabilidade da mobilidade urbana e propor métodos de qualificação. De    entre os indicadores existentes destacam-se o Índice de Efeitos Ambientais (    <i>Mobility Index for Enviromental Effects</i>, ou MoxE) e o Índice de Mobilidade    Urbana Sustentável (<i>Index of Sustainable Urban Mobility</i> ou I_SUM). O    Índice de Efeitos Ambientais, desenvolvido na Alemanha propõe a combinação de    diversos indicadores individuais, de forma a providenciar uma ferramenta para    identificar a necessidade de intervenção e base para medidas políticas locais,    além de permitir a comparação entre cidades. Já o Índice de Mobilidade Urbana    Sustentável tem o seu método baseado em nove áreas principais, que são divididas    em oitenta e sete indicadores e cobrem trinta e sete temas diferentes, com o    intuito de apresentar resultados amplos (SILVA et al., 2015; MIRANDA e SILVA,    2012). </p>     <p> As certificações sustentáveis estabelecem e pontuam processos e práticas consideradas    mais adequadas para atingir uma mobilidade urbana mais sustentável, através    da seleção de critérios e parâmetros significativos com diferentes métodos e    medidas de avaliação, que podem endereçar este tema tanto de forma objetiva    quanto subjetiva. Ao serem utilizadas para instigar o uso e incentivar o desenvolvimento    de estratégias que promovam um baixo impacto ambiental na construção e na remodelação    de bairros e edificações, estas certificações são ferramentas importantes para    planejar e gerir o ambiente urbano com características mais sustentáveis. </p>     <p> Neste contexto, foram desenvolvidos sistemas de avaliação de sustentabilidade    do ambiente construído, que permitem uma certificação internacional com o intuito    de propiciar mecanismos de classificação e comparação. De entre os sistemas    de avaliação existentes cita-se o <i>Building Research Establishment&rsquo;s Environmental    Assessment Method</i> (BREEAM), o <i>Leadership in Environmental and Energy    Design</i> (LEED) e o <i>Démarche HQE</i> (Haute Qualité Environnementale).    Estes sistemas de avaliação possuem características específicas, detectadas    em critérios pré-determinados, que se constituem em elementos facilitadores    para avaliar o ambiente construído, com a perspectiva de sustentabilidade. </p>     <p> O <i>Building Research Establishment&rsquo;s Environmental Assessment Method</i>    (BREEAM) foi lançado em 1993 e é considerado o primeiro sistema de avaliação    de sustentabilidade para o ambiente construído, possuindo métodos para classificar    edificações novas, edificações em uso, infraestruturas, comunidades e edificações    em remodelação. Para avaliar as novas edificações, utiliza critérios sobre as    categorias de gestão, saúde e bem-estar, energia, transporte, água, materiais,    resíduos, utilização do solo e ecologia, poluição e inovação, enquanto analisa    os parâmetros de governança, bem-estar social e econômico, recursos e energia,    utilização do solo e ecologia, e transporte e movimento para avaliar as comunidades    sustentáveis. O cálculo para atingir a classificação é determinado por princípios    internos definidos para cada categoria, que recebem um número de créditos e    peso em percentagem, relacionado ao total considerado pela certificação. A soma    das percentagens determina a classificação, que pode corresponder a: <i>Pass</i>    (=30%), <i>Good</i> (=45%), <i>Very Good</i> (=55%), <i>Excellent</i> (=70%)    e <i>Outstanding</i> (=85%). </p>     <p> Abarcando as categorias de desenvolvimento de bairros - desenho e construção    de interiores, desenho e construção de casas, operações e manutenção de edifícios,    e desenho e construção de edifícios - o sistema de avaliação <i>Leadership in    Environmental and Energy Design</i> (LEED) vem sendo utilizado desde 1998 e,    com versões atualizadas no decorrer do tempo, tendo a mais recente versão sido    divulgada em 2013. Neste sistema a pontuação é dada a itens divididas em temas    com pesos específicos, sendo que cada categoria possui pré-requisitos mínimos.    As categorias ‘localização e transporte, terrenos sustentáveis, eficiência hídrica,    energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade do ambiente interno, inovação,    e prioridade regional&rsquo; são utilizados para novas edificações; enquanto que os    parâmetros ‘local inteligente e vínculo, padrão e projeto do bairro, infraestrutura    e edifícios verdes, inovação e processo de projeto e créditos de prioridade    regional&rsquo; são utilizados para avaliar os bairros. Considerando requisitos mínimos    para a obtenção e pontuação dos parâmetros e critérios citados, esta certificação    visa ressaltar altas performances relacionadas com a saúde humana e ambiental    por parte das edificações e bairros construídos, sendo que, ao cumprir pré-requisitos    e pontuação o requerente pode ser classificado em: Certificado (40 a 49 pontos),    Silver (50 a 59 pontos), Gold (60 a 79 pontos) e Platinum (mais de 80 pontos).  </p>     <p> O sistema de avaliação francês <i>Démarche HQE</i> ( <i>Haute Qualité Environnementale</i>)    possui uma adaptação brasileira denominado processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental).    As categorias de análise pontuadas para a certificação totalizam 14 quesitos    e incluem análise de relação do edifício com seu entorno, escolha integrada    de produtos, sistemas e processos construtivos, canteiro de obras de baixo impacto    ambiental, gestão da energia, gestão da água, gestão de resíduos de uso e operação    do edifício, manutenção, conforto higrotérmico, conforto acústico, conforto    visual, conforto olfativo, qualidade dos espaços, qualidade do ar, e qualidade    da água. A certificação é obtida quando é atingido um mínimo de três categorias    no perfil de Melhores Práticas e o máximo de sete categorias no item Base, considerando    que, para cada quesito o requerente pode ter seu desempenho classificado como:    Melhores Práticas, Boas Práticas, Base ou Não-conforme (quando o nível base    não for atingido). </p>     <p> <b></b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>3. Materiais e métodos</b></font> </p>     <p> Este estudo visa realizar a análise da relevância investida ao tema da mobilidade    urbana sustentável, de acordo com três certificações de importância expressiva    à sustentabilidade urbana. Para tanto, foram selecionadas as certificações LEED    (<i>Leadership in Environmental and Energy Design</i>), BREEAM ( <i>Building    Research Establishment&rsquo;s Environmental Assessment Method</i>), e AQUA (Alta    Qualidade Ambiental), sendo que foram selecionadas para análise as categorias    de bairros e novas edificações não residenciais sustentáveis das certificações    LEED e BREEAM, e apenas a de novas edificações do AQUA. Assim, a revisão da    literatura relativa aos índices de sustentabilidade urbana, particularmente    quanto às certificações em estudo, fundamentou a análise crítica comparativa    referente às suas formas de abordagem quanto ao tema da mobilidade urbana, contrapondo    as formas de avaliação e a importância investida na questão. A representatividade    deste assunto foi contabilizada através da observação do somatório da pontuação    recebida pelos itens a que se referem o tema, apresentado em pontos percentuais    em relação à pontuação máxima das certificações. Foram considerados os critérios    que sugerem a aplicação de estratégias relacionadas à mobilidade como possibilidade    de solução, sendo endereçadas recomendações quanto à qualidade de implantação    de equipamentos referentes ao tema. A análise incluiu o exame sobre que critérios    apresentaram itens relativos à mobilidade em cada certificação, o que baseou    as comparações entre as formas de avaliação e as estratégias apresentadas. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>4. Resultados</b></font> </p>     <p> Os resultados da análise apresentam o alcance da pontuação das categorias    examinadas de cada certificação, identificando as formas em que o tema da mobilidade    é abordado em cada uma delas. Assim, é apresentada a representatividade máxima    dos itens que o aludem em relação à pontuação total da certificação em questão,    sempre em pontos percentuais. Em seguida, os dados referentes a cada certificação    são contrapostos, relacionando a pontuação das certificações entre si e elaborando    a comparação entre todas as certificações e categorias examinadas. A análise    contempla as certificações BREEAM ( <i>Building Research Establishment&rsquo;s Environmental    Assessment Method</i>), LEED (<i>Leadership in Environmental and Energy Design</i>),    e AQUA (Alta Qualidade Ambiental), englobando como dimensões de avaliação primeiramente    a categoria de comunidades das certificações BREEAM e LEED, e em seguida a categoria    de novas edificações das certificações BREEAM, LEED e AQUA. </p>     <p> Na análise da categoria de certificação de bairros sustentáveis, o alcance    máximo dos itens que se referem expressamente à questões de mobilidade na certificação    BREEAM é de 52% da pontuação total (<a href="#f1">Figura 1</a>). O critério    que apresenta a maior relevância percentual de itens que abordam este tema em    relação à pontuação total é o relacionado ao bem-estar social e econômico, expresso    pela sigla BESE (<a href="#f1">Figura 1</a>). A sua representatividade é de    26% da pontuação, onde são considerados tópicos sobre o impacto econômico das    decisões referentes à infraestrutura de transporte do bairro, e quanto à qualidade,    conforto, segurança e funcionalidade da mesma, além da preocupação com o fácil    acesso dos moradores a produtos e serviços. Este tema também está presente nos    critérios de governança (G), recursos e energia (RE), e transporte e movimento    (TM), alcançando 6%, 10,9% e 12,6% de representatividade em cada um deles. Nestes    casos, apresenta-se sob a forma de preocupações quanto às necessidades e aspirações    dos moradores nos quesitos de infraestrutura para transporte motorizado e não-motorizado,    estratégias para acesso a transporte público aos residentes e redução de poluentes    associados ao uso de carros, além de utilização de materiais reciclados na construção    das ruas e calçadas. A certificação também apresenta este tema na forma de itens    que abordam a beleza e conforto provido pelas calçadas e ciclovias, o acesso    a infraestrutura satisfatória e que estimule o transporte não motorizado dos    moradores, e estratégias que englobam a infraestrutura viária no controle do    microclima do bairro. Por sua vez, o critério de utilização do solo e energia    (USE) não cita estratégias sobre mobilidade urbana. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16f1.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> A representatividade do tema da mobilidade é ligeiramente menor nesta mesma    categoria da certificação LEED, sendo que os itens que fazem alusão a ela somam    50% da pontuação máxima possível. Este tema é citado nos critérios pertinentes    a local inteligente e vínculo (LIV) e infraestrutura e edifícios verdes (IEV),    com 19,1% e 1,8% de alcance nestes itens, sendo que o critério de padrão e projeto    de bairro (PPB) compreende 30% da pontuação. No entanto, não é referido explicitamente    nos parâmetros de inovação e processo de projeto (IPP), e créditos de prioridade    regional (CPR), como apresentado pela <a href="#f2">Figura 2</a>. Nesta certificação,    este tema manifesta-se em estratégias de qualidade e sustentabilidade da infraestrutura    para pedestres e ciclistas, além de estimular a proximidade dos empregos, escolas    e instalação de serviços diversos em relação ao bairro para reduzir a dependência    dos moradores de veículos motorizados e incentivar sua movimentação por veículos    não motorizados ou coletivos. O tema da mobilidade urbana sustentável é mencionado,    também, em créditos relacionados à acessibilidade dos residentes a espaços públicos    e de recreação, e na preocupação com a poluição gerada no transporte de resíduos    das obras realizadas no local e de seus moradores.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16f2.jpg"/>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> Na análise referente à categoria de novas construções das três certificações    examinadas, os resultados apresentados por todas as certificações são significativamente    inferiores aos obtidos na categoria de bairros, e similares entre si. O alcance    do tema da mobilidade nos critérios da certificação BREEAM é de 18,9% da pontuação    total, sendo que é mais expressivo nos critérios de transporte (T), com 8,8%    de representatividade, e de gestão (G), com 6,3% de alcance. No entanto, a alusão    a questões relacionadas à mobilidade urbana está concentrada em apenas quatro    das dez categorias consideradas para a pontuação, sendo mencionada também nos    critérios de saúde e bem-estar (SBE) e energia (E), com 1,9% de abrangência    em cada (<a href="#f3">Figura 3</a>). As categorias de água (A), materiais (M),    resíduos (R), utilização do solo e ecologia (USE), poluição (P) e inovação (I)    não pontuam critérios relacionados a este tema. O assunto é abordado em questões    relativas à proximidade da construção em relação a serviços e pontos de transporte    coletivo, além da limitação da dimensão da área de estacionamento, de forma    que seus ocupantes possam utilizar formas mais sustentáveis de mobilidade do    que carros particulares e para estimular a utilização de transporte não motorizado    ou coletivo. É também citado na elaboração do manual do usuário do edifício,    onde devem ser incluídas informações a respeito dos pontos de transporte coletivo    e ciclovias que existem nas proximidades, e quanto à preocupação com a monitorização    do transporte dos resíduos gerados na obra, com o objetivo de controlar os níveis    de poluição gerados pelo seu descarte. A certificação também busca incentivar    a utilização de sistemas de transporte com uso eficiente de energia, e a criação    de planos de viagem que visam a redução da duração e número de viagens necessárias    pelos ocupantes do edifício. Outra estratégia adotada pela certificação é a    pontuação de locais que estimulem o <i>home office</i>, reduzindo ainda mais    o número de viagens realizadas para a edificação. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16f3.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> A certificação LEED alcançou uma representatividade ligeiramente menor, atingindo    14,6% da pontuação máxima, sendo que o resultado compreende apenas uma das oito    categorias apresentadas pela certificação (<a href="#f4">Figura 4</a>). Assim,    o critério de localização e transporte (LT) é responsável pela totalidade da    relevância investida no assunto por esta categoria da certificação. A mobilidade    urbana é citada em itens referentes à redução da área de estacionamento, que    visa o estímulo à utilização de meios alternativos de transporte, além da reserva    de vagas no estacionamento destinadas aos veículos verdes, que utilizam energia    renovável para seu funcionamento. A certificação também incentiva a implantação    da obra em local denso e com fácil acesso a serviços diversos, além de pontuar    o acesso a transporte de qualidade, visando opções de transporte multimodal    e uso reduzido de veículos motorizados. A utilização de veículos poluentes também    é desencorajada através do incentivo à implementação de instalações de bicicleta    e a infraestrutura necessária aos ciclistas na obra avaliada. As categorias    que não citam o tema da mobilidade são as referentes a terrenos sustentáveis    (TS), eficiência hídrica (EH), energia e atmosfera (EA), materiais e recursos    (MR), qualidade do ambiente interno (QAI), inovação (I), e prioridade regional    (PR). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16f4.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p> A certificação AQUA, por sua vez, atingiu uma percentagem similar às duas    outras certificações nesta categoria, embora ainda vagamente menor. O alcance    foi de 12,9%, sendo que o critério mais representativo foi o edifício e seu    entorno (EE), com 9,3% de relevância. Os outros critérios a pontuar foram canteiro    de obras (CO), com 2,7% de interesse, e resíduos (R), com 0,9%. Os outros 11    critérios não aludiram ao tema da mobilidade (<a href="#f5">Figura 5</a>), sendo    eles produtos, sistemas e processos construtivos (PSPC), energia (E), água (A),    manutenção (M), conforto higrotérmico (CH), conforto acústico (CA), conforto    visual (CV), conforto olfativo (CO), qualidade dos espaços (QE), qualidade do    ar (QAR) e qualidade da água (QA). A preocupação com este assunto é expressa    através da pontuação de itens que visam o estímulo do transporte coletivo e    modos de deslocação menos poluentes, e à qualidade e segurança das ruas e acessos.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5" id="f5"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16f5.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A comparação entre os valores de representatividade máxima dos itens que aludem    o tema da mobilidade urbana nas certificações, através da sugestão de estratégias    e práticas sustentáveis, está expressa na <a href="#f6">Figura 6</a>. A certificação    que apresenta a maior relevância ao assunto é a certificação BREEAM, tanto na    categoria de comunidades, quanto na relativa a novas construções. Nas duas categorias,    a certificação LEED manifesta pequena diferença percentual em relação à obtida    pela certificação BREEAM, enquanto a certificação AQUA comporta uma pontuação    ligeiramente menor do que a apresentada pela certificação LEED. Na categoria    referente às comunidades, a diferença percentual entre as duas certificações    analisadas é de apenas 1,1%, enquanto na categoria de novas construções, a diferença    entre as certificações BREEAM e LEED é de 4,3% e entre as certificações LEED    e AQUA é de 1,7%, resultando numa diferença de 6% entre as certificações BREEAM    e AQUA. No entanto, a diferença apresentada entre a certificação BREEAM novas    construções, a maior pontuação recebida nesta categoria dentre as três certificações,    e o percentual atingido pela certificação LEED comunidades, que foi o resultado    mais baixo dentre as certificações analisadas nesta categoria, é de 32% (<a href="#f6">Figura    6</a>). Assim, o tema da mobilidade urbana possui representatividade significativamente    maior na categoria de comunidades das certificações apresentadas, em relação    à categoria de novas edificações. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6" id="f6"></a><img src="/img/revistas/cct/n38/n38a16f6.jpg"/>      
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>5. Considerações finais</b></font> </p>     <p> O tema da mobilidade urbana possui diversos itens semelhantes em todas as    certificações na sua forma de abordagem. A inclusão de critérios que têm como    objetivo o estímulo à utilização de transporte coletivo e de veículos menos    poluentes, além de meios de transporte não motorizados, é comum a todas as certificações.    Outro ponto reproduzido em todas as certificações analisadas é a preocupação    com a qualidade das vias e acessos, sendo que esta questão possui maior detalhe    quanto a seus aspectos de avaliação na categoria de bairros. Assim, o ponto    de maior destaque entre as três certificações analisadas, e que se manifesta    nas duas categorias apresentadas, é a tentativa de reduzir a utilização de automóveis    e estimular o emprego de formas de transporte mais sustentáveis, seja através    de transporte coletivo e veículos verdes, ou através da implantação de calçadas    e ciclovias adequadas e seguras, que incentivem a adoção de modos de locomoção    não motorizado pelos ocupantes. </p>     <p> A comparação entre os aspectos apresentados pelas certificações permite a    visualização de itens que poderiam ser aludidos nas outras certificações de    mesma categoria. A certificação BREEAM comunidades inclui em seu programa a    integração dos residentes nos planos de mobilidade, procurando solucionar as    suas necessidades e aspirações, além de estratégias que englobam a infraestrutura    viária no controle do microclima do bairro e a utilização de materiais recicláveis    na composição das vias e calçadas, preocupações que não são manifestadas pela    certificação LEED de mesma categoria. Na categoria de novas edificações, a certificação    LEED inclui estratégias de incorporação de vagas para veículos verdes em seus    estacionamentos, enquanto a certificação BREEAM apresenta planos de viagem que    visam a redução da duração e número de viagens necessárias pelos ocupantes do    edifício e a introdução de informações a respeito de formas mais sustentáveis    de locomoção nos manuais entregues aos usuários da edificação. </p>     <p> A forma de avaliação estabelecida para cada critério analisado é diferente    entre as certificações, sendo que são empregados itens tanto de avaliação objetiva    quanto subjetiva. As certificações analisadas apresentam grande variedade de    estratégias que podem ser adotadas na busca de maior sustentabilidade na mobilidade    urbana, sendo que demonstram que um mesmo objetivo pode ser alcançado através    de diversos métodos e que podem ser adaptados às particularidades de cada obra.    A abordagem da questão da mobilidade por certificações relevantes no tema da    sustentabilidade urbana é de grande importância, pois pode auxiliar à visibilidade    do assunto e das estratégias apresentadas, além de estimular o desenvolvimento    de técnicas mais eficientes e sustentáveis, incentivando o máximo aproveitamento    do potencial destas práticas. </p>     <p> O desenvolvimento sustentável é um conceito dinâmico e em constante evolução,    sendo que é (e deverá continuar a ser) objeto de estudos e análises que poderão    ajudar a direcionar as pessoas a um horizonte de equilíbrio nas suas relações    com a natureza e dentro da própria sociedade. As discussões na literatura sobre    o desenvolvimento sustentável aplicado à escala urbana incluem diversos modelos    diferentes de cidade sustentável e, no entanto, não depreendem consenso quanto    ao melhor conceito e aplicação deste tema no ambiente urbano, assim como não    questionam sequer a existência de um modelo único e aplicável de forma absoluta.    Assim, os critérios utilizados pelas certificações são abrangentes e procuram    ter aplicação universal, o que é um primeiro passo válido e importante na busca    da sustentabilidade urbana. Contudo, é importante salientar que a relevância    de aspectos particulares a cada caso e localidade devem ser consideradas e que,    enquanto estas medidas &ldquo;universais&rdquo; podem auxiliar na redução do impacto negativo    gerado pelos centros urbanos nas esferas ambiental, econômica e social, não    se descarta a multiplicidade de caminhos possíveis para atingir o mesmo objetivo    de sustentabilidade. Deste modo, os critérios utilizados pelas certificações    sustentáveis devem ser ponderados quanto à sua pertinência em cada situação,    levando em conta o seu real impacto positivo, além da soma de pontos para a    conquista da certificação, sendo que podem ter pouca representatividade, principalmente    em locais de poder econômico inferior. Além disso, as certificações devem selecionar    os seus critérios com ponderação, pois são responsáveis por criar visibilidade    para o tema do desenvolvimento urbano sustentável e possuem impacto na construção    deste conceito em um contexto prático e adaptado ao mercado. Mais do que isso,    as certificações devem também insistir num permanente aperfeiçoamento dos seus    critérios e maior integração dos seus esforços (conforme o avanço dos estudos    referentes ao desenvolvimento urbano sustentável), de forma a estimularem a    aplicação de práticas e transformações cada vez mais eficientes rumo à sustentabilidade.  </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Referências</b></font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Bargos, D.C., Matias, L.F. (2012) &ldquo;Mapeamento e análise de áreas urbanas em    Paulínia (SP): estudo com a aplicação de geotecnologias&rdquo;, <i>Sociedade &amp;    Natureza</i>, v. 24, pp. 143-156. </p>     <p> Camagni, R., Gibelli, M.C., Rigamonti, P. (2002), &ldquo;Urban mobility and urban    form: the social and environmental costs of diferente patterns of urban expansion&rdquo;,    <i>Ecological Economics</i>, n. 40. </p>     <!-- ref --><p> CNUDS (2015) Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento    Sustentável. Nova Iorque, Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.    Disponível em <a href="http://www.agenda2030.com.br/" target="_blank">http://www.agenda2030.com.br/</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1695762&pid=S2182-3030201900010001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Garau, C., Masala, F., Pinna, F. (2016) &ldquo;Cagliari and smart urban mobility:    analysis and comparison&rdquo;, <i>Cities</i>, n. 56. </p>     <p> Guerra, I. (2010), &ldquo;A Cidade Sustentável - O conceito permite renovar a concepção    e a prática da intervenção?&rdquo;, <i>CIDADES, Comunidades e Territórios</i>, 20/21,    pp. 69-85. </p>     <p> Guerra, J.B.S.O.A., Ribeiro, J.M.P., Fernandez, F., Bailey, C., Barbosa, S.B.,    Neiva, S.S. (2016) &ldquo;The adoption of strategies for sustainable cities: a comparative    study between Newcastle and Florianópolis focused on urban mobility&rdquo;, <i>Journal    of Cleaner Production</i>, n. 113. </p>     <p> Londe, P.R., Mendes, P.C. (2014) &ldquo;A Influência das Áreas Verdes na Qualidade    de Vida Urbana&rdquo;, <i>Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde</i>, v.    10, n. 18, pp. 264-272. </p>     <p> May, A.D. (2015) &ldquo;Encouraging good practice in the development of Sustainable    Urban Mobility Plans&rdquo;, <i>Case Studies on Transport Policy</i>, n. 3. </p>     <p> Miranda, H.F., Silva, A.N.R. (2012) &ldquo;Benchmarking sustainable urban mobility:    the case of Curitiba, Brazil&rdquo;, <i>Transport Policy</i>, n. 21. </p>     <p> Redclift, M. (2005) &ldquo;Sustainable development (1987-2005): an oxymoron comes    of age&rdquo;, <i>Sustainable Development</i>, 13 (4), pp. 212-227. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Schmidt, L., Guerra, J. (2018) &ldquo;Sustainability: Dynamics, pitfalls and transitions&rdquo;,    <i>Changing Societies: Legacies and Challenges</i>, Vol. III. Lisbon: Imprensa    de Ciências Sociais, pp. 27-53. </p>     <p> Silva, A.N.R., Costa, M.S., Macedo, M.H. (2008) &ldquo;Multiple views of sustainable    urban mobility: the case of Brazil&rdquo;, <i>Transport Policy</i>, n. 15. </p>     <p> Silva, A.N.R., Filho, M.A.N.A., Macedo, M.H., Sorratini, J.A., Silva, A.F.,    Lima, J.P., Pinheiro, A.M.G.S. (2015), &ldquo;A comparative evaluation of mobility    conditions in selected cities of the five Brazilian regions&rdquo;, <i>Transport Policy</i>,    n. 37. </p>     <p> Silva, G., Romero, M. (2015) &ldquo;Sustentabilidade urbana aplicada: Análise dos    processos de dispersão, densidade e uso e ocupação do solo para a cidade de    Cuiabá, Estado de Mato Grosso, Brasil&rdquo;, <i>EURE</i>, v. 41, n. 122, pp. 209-237.</p>     <p>&nbsp;</p> Received: 26-05-2018; Accepted: 20-03-2019. </font>       ]]></body>
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