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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Acessibilidade económica ao arrendamento em Portugal: Uma aplicação da abordagem do rendimento residual]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Rental housing affordability in Portugal: An application of the residual income approach]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyses the recent state of rental housing affordability in Portugal, using microdata from the Survey on Income and Living Conditions, 2016. Aiming to identify the socioeconomic characteristics of the households considered to be at risk of having this kind of problem, the study applies the residual income approach, comparatively to the expenditure-to-income ratio. The results suggest that most households are at risk of having affordability problems, noting the better suitability of the residual income to make the analysis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Acessibilidade econ&oacute;mica ao arrendamento em Portugal: Uma aplica&ccedil;&atilde;o da abordagem do rendimento residual</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Rental housing affordability in Portugal: An application of the residual income approach</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Francielli Dalpr&aacute; Cardoso<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Universidade de Lisboa, Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas, Portugal. e-mail: <a href="mailto:fdalpra@campus.ul.pt" target="_blank">fdalpra@campus.ul.pt</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>Este artigo analisa a situa&ccedil;&atilde;o recente da acessibilidade econ&oacute;mica ao arrendamento em Portugal, utilizando os microdados do Inqu&eacute;rito &agrave;s Condi&ccedil;&otilde;es de Vida e Rendimento de 2016. Com o objetivo de identificar as caracter&iacute;sticas socioecon&oacute;micas dos agregados familiares considerados em risco de enfrentar este tipo de problema, aplicou-se a abordagem do rendimento residual comparativamente &agrave; perspetiva do r&aacute;cio entre despesas/rendimentos. Os resultados sugerem que grande parte das fam&iacute;lias est&atilde;o em risco de falta de acessibilidade ao arrendamento, observando-se a maior adequa&ccedil;&atilde;o do rendimento residual para realizar a an&aacute;lise.</p> <b>Palavras-chave:</b> Acessibilidade econ&oacute;mica &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel, abordagem do rendimento residual, pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o, Portugal.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">This article analyses the recent state of rental housing affordability in Portugal, using microdata from the Survey on Income and Living Conditions, 2016. Aiming to identify the socioeconomic characteristics of the households considered to be at risk of having this kind of problem, the study applies the residual income approach, comparatively to the expenditure-to-income ratio. The results suggest that most households are at risk of having affordability problems, noting the better suitability of the residual income to make the analysis.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> housing affordability, affordable housing, residual income approach, housing policy, Portugal.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> O problema de falta de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o acontece principalmente quando os custos com habita&ccedil;&atilde;o aumentam mais rapidamente do que os rendimentos das fam&iacute;lias (Wetzstein, 2017; Yates, 2008). Na sequ&ecirc;ncia da crise financeira de 2007-08, reconhece-se agora a exist&ecirc;ncia de uma crise de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o (Wetzstein, 2017), da qual Portugal tamb&eacute;m faz parte (Allegra e Tullumelo, 2019). As medidas de austeridade tomadas no &acirc;mbito do programa de financiamento externo, ao qual o pa&iacute;s foi submetido entre 2011 e 2014, refletiram-se na redu&ccedil;&atilde;o dos rendimentos, afetando principalmente as fam&iacute;lias com menos recursos e as fam&iacute;lias jovens com crian&ccedil;as (Rodrigues, Figueira e Junqueira, 2016). Ao mesmo tempo, os pre&ccedil;os das habita&ccedil;&otilde;es e das rendas t&ecirc;m aumentado (Eurostat, 2019; INE, 2018). A situa&ccedil;&atilde;o dos arrendat&aacute;rios aparenta ser mais dif&iacute;cil, pois apresentam uma maior percentagem de agregados familiares em sobrecarga das despesas com habita&ccedil;&atilde;o e de pessoas em risco de pobreza e exclus&atilde;o social (Eurostat, 2019). </p>     <p> A discuss&atilde;o sobre habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel passou a ter mais espa&ccedil;o no meio pol&iacute;tico portugu&ecirc;s a partir do Programa do XXI Governo Constitucional e das Grandes Op&ccedil;&otilde;es do Plano para 2016-2019, que declaravam a necessidade de solu&ccedil;&otilde;es para a classe m&eacute;dia e os jovens. O arrendamento foi o regime de ocupa&ccedil;&atilde;o do alojamento promovido como principal solu&ccedil;&atilde;o, op&ccedil;&atilde;o compreens&iacute;vel ao considerar a reorienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica nas pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o desde o fim do cr&eacute;dito bonificado, em 2002, que passou da promo&ccedil;&atilde;o da casa pr&oacute;pria para o incentivo ao arrendamento (Xerez, Rodrigues, Lima e Cardoso, 2019). Com a publica&ccedil;&atilde;o do documento &ldquo;Para uma Nova Gera&ccedil;&atilde;o de Pol&iacute;ticas de Habita&ccedil;&atilde;o&rdquo; em 2017, foi proposto um Programa de Arrendamento Acess&iacute;vel que entrou em vigor em julho de 2019 (Decreto-Lei n.&ordm; 68/2019, de 22 de maio). A n&iacute;vel local, algumas medidas tamb&eacute;m foram tomadas, como por exemplo, o &ldquo;Programa Renda Acess&iacute;vel&rdquo; da C&acirc;mara Municipal de Lisboa. </p>     <p> Apesar da crescente discuss&atilde;o p&uacute;blica sobre arrendamento acess&iacute;vel, o debate acad&eacute;mico no contexto portugu&ecirc;s &eacute; relativamente escasso, focado principalmente nas solu&ccedil;&otilde;es (ver, por exemplo: Branco e Alves, 2018; Pereira e Pato, 2013). Desconhecem-se estudos que analisem esse problema, apesar de ser um debate essencial, pois &ldquo;(…) o desencontro entre as necessidades de alojamento e a real clientela das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; uma das quest&otilde;es centrais das pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o, e das menos pesquisadas&rdquo; (Guerra, 2011:42). </p>     <p> O presente estudo &eacute; um contributo para colmatar essa lacuna, ao analisar a situa&ccedil;&atilde;o recente da acessibilidade econ&oacute;mica ao arrendamento em Portugal e possui dois objetivos. O primeiro &eacute; identificar as caracter&iacute;sticas socioecon&oacute;micas (regime de arrendamento, quintil de rendimentos e composi&ccedil;&atilde;o familiar) dos arrendat&aacute;rios que est&atilde;o em risco de enfrentar problemas. O segundo &eacute; comparar os resultados obtidos atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o da abordagem do rendimento residual com a medida mais utilizada, o r&aacute;cio renda/rendimentos. O artigo divide-se em sete sec&ccedil;&otilde;es. As tr&ecirc;s seguintes contextualizam e facultam a base te&oacute;rica para a an&aacute;lise emp&iacute;rica. A quinta sec&ccedil;&atilde;o apresenta a metodologia, seguida dos resultados e da sua discuss&atilde;o. Por &uacute;ltimo, conclui-se com sugest&otilde;es para futura investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>2. </b> <b>A pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o em Portugal</b></font> </p>     <p> Desde meados dos anos 1970 at&eacute; ao in&iacute;cio dos anos 2000, um dos principais instrumentos utilizados para promover a habita&ccedil;&atilde;o foi a bonifica&ccedil;&atilde;o de juros para aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria. Os que mais beneficiaram desta medida foram as fam&iacute;lias da classe m&eacute;dia, principalmente depois da liberaliza&ccedil;&atilde;o da banca no final dos anos 1980, e da revis&atilde;o do regime de cr&eacute;dito bonificado no in&iacute;cio dos anos 1990, d&eacute;cada com o maior n&uacute;mero de contratos de cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o (Antunes, 2018). No per&iacute;odo compreendido entre 1987 e 2011, 73,3% do or&ccedil;amento executado do setor da habita&ccedil;&atilde;o foi destinado &agrave; bonifica&ccedil;&atilde;o com juros de cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, enquanto os incentivos ao arrendamento[<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>] corresponderam a 8,4% (IHRU, 2015). A promo&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e o incentivo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es resultou num pa&iacute;s de propriet&aacute;rios: em 2018, 74,5% da popula&ccedil;&atilde;o pertencia a este regime de ocupa&ccedil;&atilde;o do alojamento, sendo que praticamente a metade destes (36,3%) tinham empr&eacute;stimo &agrave; habita&ccedil;&atilde;o (Eurostat, 2019). </p>     <p> Apesar de grande parte da cultura da habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria em Portugal estar ligada &agrave;s pol&iacute;ticas de incentivo &agrave; compra de habita&ccedil;&atilde;o, as pol&iacute;ticas relacionadas com o mercado de arrendamento tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para este resultado. Entre 1974 e 1976, o mercado de arrendamento foi alterado com medidas que protegiam os inquilinos, como o congelamento de rendas e o &ldquo;dever de arrendar&rdquo;, criando tens&otilde;es entre os propriet&aacute;rios e os arrendat&aacute;rios (Antunes, 2018). O autor indica que depois de sucessivas altera&ccedil;&otilde;es nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990, na tentativa do descongelamento das rendas sem impacto significativo, &ldquo;o mercado foi ideologicamente liberalizado&rdquo; com o Regime do Arrendamento Urbano (RAU), de 1990[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>] . No entanto, a atualiza&ccedil;&atilde;o dos contratos com as rendas antigas viria acontecer somente com o Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU) (Lei 6/2006, de 27 de fevereiro). A atualiza&ccedil;&atilde;o das rendas deveria acontecer de forma faseada e previu-se, para os agregados familiares com baixos rendimentos, idosos e pessoas com defici&ecirc;ncia, um subs&iacute;dio de renda quando terminasse o per&iacute;odo transit&oacute;rio. </p>     <p> Por&eacute;m, com a crise de 2007-2008, Portugal foi submetido a um programa de financiamento externo que trouxe consigo uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es, inclusive para o mercado de habita&ccedil;&atilde;o. Estas recomenda&ccedil;&otilde;es foram descritas no Memorando de Entendimento[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>] assinado pelo governo portugu&ecirc;s e pela Troika (Fundo Monet&aacute;rio Internacional, Comiss&atilde;o Europeia e Banco Central Europeu) em 2011. No arrendamento, o principal resultado das recomenda&ccedil;&otilde;es foi a revis&atilde;o do NRAU, concretizada com a Lei n.&ordm; 31/2012, de 14 de agosto. </p>     <p> As mudan&ccedil;as no NRAU, que tinham como objetivo declarado &ldquo;dinamizar o mercado de arrendamento&rdquo;, permitiam uma maior negocia&ccedil;&atilde;o entre propriet&aacute;rios e inquilinos na determina&ccedil;&atilde;o da dura&ccedil;&atilde;o dos novos contratos, como tamb&eacute;m na atualiza&ccedil;&atilde;o das rendas dos antigos contratos. Contudo, &ldquo; <i> landlords and tenants do not have the same negotiation power and this lease regime, contrary to the previous one, does not protect tenants </i> (…)&rdquo; (Mendes e Carmo, 2016: 7). A revis&atilde;o do NRAU de 2012 tamb&eacute;m criou o procedimento especial de despejo e o Balc&atilde;o Nacional do Arrendamento, para que o im&oacute;vel fosse desocupado mais rapidamente quando o arrendat&aacute;rio n&atilde;o o fizesse na data prevista. Para as pessoas com mais de 65 anos, fam&iacute;lias com baixos rendimentos e pessoas com defici&ecirc;ncia, previu-se um per&iacute;odo transit&oacute;rio de 5 anos para a atualiza&ccedil;&atilde;o das rendas antigas e um subs&iacute;dio de renda para o fim do per&iacute;odo transit&oacute;rio, que foi alargado para 8 anos em 2017 (Lei n.&ordm; 43/2017, de 14 de junho). Entretanto, Mendes e Carmo sugerem que a revis&atilde;o do NRAU de 2012 contribuiu para as altera&ccedil;&otilde;es urbanas recentes, com a facilita&ccedil;&atilde;o do t&eacute;rmino de contratos, aumento das rendas e a substitui&ccedil;&atilde;o dos moradores antigos, principalmente nos centros de Lisboa e Porto (onde havia mais contratos de arrendamento), por uma cidade adaptada aos interesses neoliberais. </p>     <p> J&aacute; a habita&ccedil;&atilde;o social, considerada um dos principais instrumentos para promover a habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel, possui um papel residual em Portugal. Assim como nos outros pa&iacute;ses mediterr&acirc;nicos, a habita&ccedil;&atilde;o social &eacute; destinada &agrave;s pessoas com rendimentos mais baixos (Allen, 2006), sendo o parque portugu&ecirc;s de habita&ccedil;&atilde;o social arrendada um dos mais reduzidos entre os pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&oacute;mico (OCDE), representando apenas 2% do total, ou 120 mil habita&ccedil;&otilde;es (OCDE, 2016). </p>     <p> Se a habita&ccedil;&atilde;o social &eacute; escassa e o cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o &eacute; concedido aos que possuem rendimentos suficientes e est&aacute;veis para preencher os pr&eacute;-requisitos necess&aacute;rios, o arrendamento no mercado privado acaba por ser a &uacute;nica alternativa para muitas fam&iacute;lias. Mas considerando o aumento das rendas nos &uacute;ltimos anos, aliado &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o e/ou estagna&ccedil;&atilde;o dos rendimentos das fam&iacute;lias na sequ&ecirc;ncia da crise de 2007-08, especialmente para os agregados familiares com rendimentos mais baixos (Rodrigues, Figueiras e Junqueira, 2016), as despesas com habita&ccedil;&atilde;o passaram a tomar mais dos rendimentos, tornando-se insustent&aacute;veis em muitos casos. </p>     <p> Entretanto, no meio pol&iacute;tico a perce&ccedil;&atilde;o &eacute; de que as dificuldades em manter os custos com habita&ccedil;&atilde;o afetam sobretudo a classe m&eacute;dia e os jovens. Como resposta, o &ldquo;Programa de Arrendamento Acess&iacute;vel&rdquo; foi lan&ccedil;ado no &acirc;mbito da Nova Gera&ccedil;&atilde;o de Pol&iacute;ticas de Habita&ccedil;&atilde;o de 2017, entrando em vigor no m&ecirc;s de julho de 2019. A legisla&ccedil;&atilde;o indica que o objetivo do programa &eacute; a oferta de habita&ccedil;&otilde;es, ou parte de habita&ccedil;&otilde;es, para arrendamento a &ldquo;pre&ccedil;os acess&iacute;veis&rdquo; face aos rendimentos dos agregados familiares, ou seja, entre 15% e 35% dos seus rendimentos, e com valores m&aacute;ximos de renda que sejam at&eacute; 80% do pre&ccedil;o de mercado. &Eacute; operacionalizado atrav&eacute;s de benef&iacute;cios fiscais para os senhorios, na esperan&ccedil;a de que arrendem os seus im&oacute;veis a pre&ccedil;os mais baixos que o mercado e por um prazo m&iacute;nimo de cinco anos. Os valores de mercado e os rendimentos m&aacute;ximos das fam&iacute;lias que podem aceder ao programa est&atilde;o determinados em portaria pr&oacute;pria (Portaria n.&ordm; 176/2019, de 6 de junho) e foram bastante criticados pelos media, especialmente para a regi&atilde;o de Lisboa, dado serem demasiado elevados para a realidade portuguesa[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>3. </b> <b>Acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o e habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel</b></font> </p>     <p> Apesar da ampla utiliza&ccedil;&atilde;o do termo &ldquo;acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o&rdquo; desde os anos 1980 (Gabriel et al., 2005; Hulchansky, 1995) e do n&uacute;mero crescente de estudos numa variedade de contextos, ainda hoje o termo n&atilde;o possui uma defini&ccedil;&atilde;o consensual na literatura (Li, 2014). Nota-se que o conceito de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o do agregado familiar, diferente de habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel, que &eacute; um atributo relacionado com o pre&ccedil;o da habita&ccedil;&atilde;o (<a href="#q1">Quadro 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1" id="q1"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a08q1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> As defini&ccedil;&otilde;es apresentadas sugerem que a express&atilde;o habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel &eacute; ocasionalmente utilizada como sin&oacute;nimo de habita&ccedil;&atilde;o social, que por sua vez, tamb&eacute;m n&atilde;o possui um conceito universal. Percebe-se que esta interse&ccedil;&atilde;o de conceitos acontece principalmente em pa&iacute;ses com um regime liberal de Estado Social, como o Reino Unido e a Austr&aacute;lia. Todavia, habita&ccedil;&atilde;o social nem sempre significa pre&ccedil;os acess&iacute;veis, sobretudo quando as rendas s&atilde;o calculadas com base no pre&ccedil;o de mercado e n&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos rendimentos (Scanlon, Whitehead e Arrigoitia, 2014). </p>     <p> Stone (2006a) compreende que as habita&ccedil;&otilde;es para as fam&iacute;lias de classe m&eacute;dia que n&atilde;o conseguem suprir a sua necessidade no mercado privado n&atilde;o deveriam ser chamadas de habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel, mas simplesmente de habita&ccedil;&otilde;es &ldquo;abaixo do pre&ccedil;o de mercado&rdquo;, sem mencionar a quest&atilde;o da acessibilidade. Segundo o autor, para o termo habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel fazer sentido importa responder &agrave;s seguintes quest&otilde;es: &ldquo;<i>1. </i> <i> Affordable to whom? 2. On what standard of affordability? 3. For how long? </i> &rdquo; (Stone, 2006a: 153). As perguntas levantadas por Stone revelam a import&acirc;ncia da discuss&atilde;o dos indicadores utilizados para compreender a quest&atilde;o da acessibilidade habitacional. A forma como esta &eacute; medida tem implica&ccedil;&otilde;es na interpreta&ccedil;&atilde;o do problema p&uacute;blico, no desenho das pol&iacute;ticas e na defini&ccedil;&atilde;o dos destinat&aacute;rios. Para alguns agregados familiares a falta de acessibilidade &eacute; tempor&aacute;ria, enquanto que para outros pode ser uma situa&ccedil;&atilde;o permanente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>4. </b> <b>Formas de medir a acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o</b></font> </p>     <p> Existem diferentes formas de se medir a acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. No entanto, a falta de um consenso internacional pode levar a que interesses pol&iacute;ticos utilizem uma determinada medida, ou criem uma nova que mais se adapte &agrave; pr&oacute;pria agenda (Murphy, 2014). Apesar do reconhecimento da exist&ecirc;ncia de diversas medidas de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, ser&atilde;o aqui discutidas apenas as duas principais: a abordagem do r&aacute;cio e a do rendimento residual (Li, 2014; Heylen e Haffner, 2013). </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>R&aacute;cio</b> </p>     <p> A abordagem do r&aacute;cio (entre a renda paga e o rendimento dispon&iacute;vel), com ra&iacute;zes no s&eacute;culo XIX nos estudos sobre o or&ccedil;amento dos agregados familiares e na express&atilde;o &ldquo;<i>one week's pay for one month's rent</i>&rdquo; (Hulchanski, 1995: 471) &eacute; a medida mais utilizada. A abordagem consiste em atribuir uma percentagem m&aacute;xima dos rendimentos para as despesas com habita&ccedil;&atilde;o para que esta seja considerada acess&iacute;vel. Hulchanski considera o r&aacute;cio como uma medida &uacute;til e v&aacute;lida para a descri&ccedil;&atilde;o das despesas com habita&ccedil;&atilde;o pelos agregados familiares e tamb&eacute;m para a an&aacute;lise de tend&ecirc;ncias e em estudos comparativos. </p>     <p> Contudo, o r&aacute;cio apresenta diversas fragilidades e &eacute; uma medida fortemente criticada. Uma primeira cr&iacute;tica relaciona-se com a percentagem adotada, decidida sem uma justifica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica clara e que geralmente utiliza a m&eacute;dia do que os agregados familiares usualmente gastam com habita&ccedil;&atilde;o (Haffner e Boumeester, 2014). O valor vem dos 25% da express&atilde;o utilizada j&aacute; no s&eacute;culo XIX e pode variar em diferentes contextos. Na literatura acad&eacute;mica internacional, o valor mais utlizado &eacute; de 30% (Heylen e Haffner, 2013), sendo este tamb&eacute;m o valor habitualmente utilizado pelos governos de alguns pa&iacute;ses, como o Canad&aacute;, Estados Unidos e Nova Zel&acirc;ndia. Todavia, esta percentagem pode ser mais alta, como a adotada pelo Eurostat (2019), que considera as despesas com habita&ccedil;&atilde;o em sobrecarga quando estas consomem mais do que 40% do rendimento dispon&iacute;vel dos agregados familiares. De acordo com Hulchansky (1995), o que aconteceu ao longo do tempo foi a ado&ccedil;&atilde;o do montante do que &ldquo;geralmente&rdquo; &eacute; despendido com a habita&ccedil;&atilde;o como o valor que &ldquo;deveria&rdquo; ser gasto efetivamente. </p>     <p> Paris (2007) considera como um problema central na utiliza&ccedil;&atilde;o desta metodologia a varia&ccedil;&atilde;o nos rendimentos e no valor das despesas durante a vida, e no caso da habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, um maior gasto inicial com as presta&ccedil;&otilde;es dos empr&eacute;stimos e a redu&ccedil;&atilde;o do valor ao longo do tempo. Esta quest&atilde;o relaciona-se principalmente com a compra da habita&ccedil;&atilde;o, em que os jovens e as pessoas que est&atilde;o a formar fam&iacute;lia geralmente ter&atilde;o maiores despesas com a habita&ccedil;&atilde;o, enquanto os mais idosos at&eacute; reduzem estas despesas, por j&aacute; terem saldado os empr&eacute;stimos com habita&ccedil;&atilde;o, ou por j&aacute; se terem mudado para uma habita&ccedil;&atilde;o menor. </p>     <p> A quest&atilde;o da escolha da habita&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; frequentemente discutida (Abelson, 2009; Lerman e Reeder, 1987). Por exemplo, um agregado familiar que decida morar numa habita&ccedil;&atilde;o cujo valor ultrapasse a percentagem estipulada, n&atilde;o est&aacute; necessariamente a enfrentar problemas de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o se os seus rendimentos forem elevados o suficiente para manter as outras despesas necess&aacute;rias. Ou seja, agregados familiares com mais rendimentos, mesmo passando da percentagem m&aacute;xima estipulada e desta forma considerados &ldquo;sobrecarregados&rdquo; com as despesas de habita&ccedil;&atilde;o, ter&atilde;o recursos suficientes para as outras despesas, mesmo ap&oacute;s saldarem os custos com habita&ccedil;&atilde;o (Paris, 2007; Smith, 2012). Assim, ao utilizar a perspetiva do r&aacute;cio, o problema da acessibilidade pode parecer maior do que realmente &eacute;, ou apresentar-se como um problema para quem na realidade n&atilde;o o enfrenta, ao incluir as pessoas que escolhem pagar mais pela habita&ccedil;&atilde;o. Para lidar com este impasse, Gabriel et al. (2005) apontam que a medida do r&aacute;cio deve ser aplicada aos agregados familiares com rendimentos mais baixos (abaixo dos 40% da escala de rendimentos), por considerar que &eacute; uma medida tradicional e f&aacute;cil de ser aplicada. Esta perspetiva est&aacute; ligada ao termo &ldquo;<i>housing stress</i>&rdquo;, geralmente aplicado na Austr&aacute;lia para os agregados familiares com baixos rendimentos, que gastam mais do que 20, 25 ou 30% de seus rendimentos com habita&ccedil;&atilde;o (Beer, Kearins e Pieters, 2007). </p>     <p> Por outro lado, h&aacute; a quest&atilde;o das pessoas que vivem numa habita&ccedil;&atilde;o sobrelotada ou com graves problemas de qualidade, mas que n&atilde;o gastam mais do que o limite estabelecido (Stone, 2006a). Essas pessoas n&atilde;o apareceriam nos resultados dos problemas de acessibilidade identificados pelo r&aacute;cio. Considerando esta quest&atilde;o, Lerman e Reeder (1987) criticam a medida do r&aacute;cio e prop&otilde;em uma medida baseada em crit&eacute;rios de qualidade do alojamento, como a sobrelota&ccedil;&atilde;o, por exemplo. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Rendimento residual</b> </p>     <p> Os autores que defendem a abordagem do rendimento residual geralmente s&atilde;o muito cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do r&aacute;cio. Adaptado da literatura sobre a pobreza, o rendimento residual considera que existe um problema de acessibilidade habitacional quando as fam&iacute;lias, depois de suportarem as despesas com a habita&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o conseguem pagar as outras despesas consideradas necess&aacute;rias (Stone, 1993, 2006a; Stone, Burke e Ralston, 2011). Nesta abordagem consideram-se as diferentes composi&ccedil;&otilde;es familiares e as respetivas diferen&ccedil;as nos rendimentos e despesas. </p>     <p> Alguns conceitos surgem a partir da utiliza&ccedil;&atilde;o do rendimento residual, como &ldquo;pobreza habitacional&rdquo; (<i>shelter poverty</i>) (Stone, 1993, 2006a; 2006b) e &ldquo;pobreza induzida pela habita&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>housing-induced poverty</i>) (Kutty, 2005). Estes conceitos diferem pela utiliza&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es distintos para as despesas n&atilde;o relacionadas com a habita&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A abordagem do rendimento residual &eacute; tamb&eacute;m utilizada para identificar outras quest&otilde;es que n&atilde;o a usual &ldquo;quem enfrenta problemas de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Um exemplo &eacute; o estudo de Mundt (2017) que, ao empregar esta metodologia, identificou que os subs&iacute;dios de habita&ccedil;&atilde;o em algumas regi&otilde;es da &Aacute;ustria n&atilde;o s&atilde;o suficientes para cobrir os custos com habita&ccedil;&atilde;o. Thalmann (2003) utilizou esta abordagem para compreender se na Su&iacute;&ccedil;a o problema &eacute; de falta de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o ou de rendimentos baixos. Para isso, o autor desenvolveu um modelo que avalia se a habita&ccedil;&atilde;o est&aacute; a ser sub ou sobre consumida, com base em crit&eacute;rios de qualidade e sobrelota&ccedil;&atilde;o. O objetivo do estudo &eacute; aproximar as pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de apoio ao rendimento, j&aacute; que com a utiliza&ccedil;&atilde;o da abordagem do rendimento residual observa-se mais facilmente como estes dois temas est&atilde;o profundamente relacionados. </p>     <p> O rendimento residual tem sido aceite como uma medida mais adequada do que o r&aacute;cio por diversos autores (Hancock, 1993; Heylen e Haffner, 2013; Stone, 1993, 2006a; Thalmann, 2003). Stone (2006a: 163) em particular clarifica a discuss&atilde;o: &ldquo; <i> This approach arises from the recognition that because of housing's distinctive physical attributes in comparison with necessities, its cost makes the largest and least flexible claim on after-tax income for most households (in other words, nonhousing expenditures are limited by how much is left after paying for housing). This means that a household has a housing affordability problem if it cannot meet its nonhousing needs at some basic level of adequacy after paying for housing. The appropriate indicator of the relationship between housing costs and incomes is thus the difference between them – the residual income left after paying for housing – rather than the ratio. </i> &rdquo; </p>     <p> O rendimento residual &eacute; facilmente aplicado na verifica&ccedil;&atilde;o da acessibilidade ao arrendamento, utilizando-se a defini&ccedil;&atilde;o de Hancock (1993). O autor, ao questionar sobre como o conceito de habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel pode ser utilizado para definir rendas acess&iacute;veis, utiliza a l&oacute;gica do rendimento residual e afirma que, se uma renda depois de ser paga deixa um padr&atilde;o socialmente aceite de consumo de habita&ccedil;&atilde;o e das demais despesas n&atilde;o relacionadas com habita&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o ela &eacute; acess&iacute;vel. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><i>Despesas n&atilde;o relacionadas com habita&ccedil;&atilde;o </i> </p>     <p> Como visto, uma parte essencial para calcular a acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da abordagem do rendimento residual &eacute; o valor de refer&ecirc;ncia para as outras despesas consideradas necess&aacute;rias. O valor utilizado tem implica&ccedil;&otilde;es para os resultados, j&aacute; que esta abordagem observa se o rendimento residual &eacute; suficiente para cobrir o valor de refer&ecirc;ncia estipulado. A seguir apontam-se as op&ccedil;&otilde;es tomadas em alguns estudos para a defini&ccedil;&atilde;o deste valor. </p>     <p> Grande parte dos estudos (Haffner e Boumeester, 2014; Mundt, 2017; Stone, 1993, 2006b) que aplicam a abordagem do rendimento residual utilizam um or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. Este or&ccedil;amento &eacute; um conjunto de bens e servi&ccedil;os que representam, atrav&eacute;s de um pre&ccedil;o, um determinado padr&atilde;o de vida (Deeming, 2017). Dependendo do &ldquo;padr&atilde;o de vida&rdquo;, s&atilde;o definidos or&ccedil;amentos com valores m&iacute;nimos ou m&eacute;dios, ou um valor que seja suficiente para que as pessoas tenham uma participa&ccedil;&atilde;o integral na sociedade. </p>     <p> Por outro lado, Kutty (2005) considera como despesas n&atilde;o relacionadas com habita&ccedil;&atilde;o, nos Estados Unidos, o valor de 2/3 do limiar de pobreza, argumentando que este valor &eacute; mais difundido e conhecido. Segundo o Instituto de Estat&iacute;stica dos Estados Unidos (United States Census Bureau, 2017), o limiar da pobreza naquele pa&iacute;s foi desenvolvido por Mollie Orshansky, na d&eacute;cada de 1960. O valor m&iacute;nimo necess&aacute;rio para a alimenta&ccedil;&atilde;o foi multiplicado por tr&ecirc;s para encontrar este limiar, que &eacute; atualizado anualmente desde ent&atilde;o. Stone (2006a) afirma que h&aacute; outros estudos que utilizam o limiar da pobreza como or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia, apesar da ado&ccedil;&atilde;o de diferentes valores para as despesas n&atilde;o relacionadas com habita&ccedil;&atilde;o – outro estudo utilizou 3/4 deste valor, por exemplo. Na Europa, o limiar da pobreza &eacute; calculado de forma diferente. Nestes pa&iacute;ses, o valor abaixo do qual uma fam&iacute;lia &eacute; considerada em risco de pobreza corresponde a 60% da mediana do rendimento por adulto equivalente (Eurostat, 2019). Deste modo, &eacute; percet&iacute;vel que um limiar de pobreza n&atilde;o reflita as necessidades relacionadas com as despesas das fam&iacute;lias. Al&eacute;m disso, a escolha do valor a utilizar &eacute; arbitr&aacute;ria (Stone, 2006a). </p>     <p> Contudo, um or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia tamb&eacute;m apresenta limita&ccedil;&otilde;es. A variedade de metodologias que podem ser utilizadas na sua defini&ccedil;&atilde;o dificulta a compara&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses (Deeming, 2017). A Uni&atilde;o Europeia possui um projeto piloto sobre esta quest&atilde;o para construir um or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia que seja compar&aacute;vel entre os pa&iacute;ses europeus, o European Reference Budget Network. Esta rede internacional conta com o apoio de especialistas, que providenciam suporte para a constru&ccedil;&atilde;o de uma metodologia comum. </p>     <p> Em Portugal, segundo Storms et al. (2014), os estudos que definem or&ccedil;amentos de refer&ecirc;ncia s&atilde;o raros, tendo existido um em 1969, outro em 1981, e o mais atual &eacute; o &ldquo;Rendimento M&iacute;nimo Adequado em Portugal&rdquo; (RAP) (Pereirinha, Pereira, Branco, Amaro, Costa e Nunes, 2017). Deste modo, o RAP veio colmatar uma lacuna de investiga&ccedil;&atilde;o nesta tem&aacute;tica. Os autores do estudo fizeram parte da equipa portuguesa no j&aacute; referido European Reference Budget Network (Goedem&eacute;, Storms, Penne e Van den Bosch, 2015). O RAP construiu or&ccedil;amentos de refer&ecirc;ncia no ano de 2014 para diferentes tipos de fam&iacute;lias, com o objetivo de identificar os recursos m&iacute;nimos necess&aacute;rios para um padr&atilde;o de vida digno: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &ldquo;Um padr&atilde;o de vida digno na atualidade, em Portugal, inclui, para al&eacute;m da alimenta&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o e vestu&aacute;rio, tudo o que &eacute; necess&aacute;rio para uma pessoa poder ter sa&uacute;de, sentir seguran&ccedil;a, relacionar-se com os outros e sentir-se respeitada e integrada na sociedade. Permite realizar escolhas livres e informadas sobre coisas pr&aacute;ticas da vida e formas de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, nomeadamente no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao trabalho, &agrave; cultura e ao lazer.&rdquo; (Pereirinha et al., 2017: 5) </p>     <p> Para construir os or&ccedil;amentos de refer&ecirc;ncia, o estudo RAP obteve informa&ccedil;&otilde;es de diversas fontes, baseando-se na metodologia utilizada para definir o &ldquo; <i>Minimum Income Standard</i>&rdquo; do Reino Unido (Pereirinha et al., 2017). Segundo o documento de divulga&ccedil;&atilde;o, realizaram-se discuss&otilde;es em grupo ( <i>focus group</i>) com cidad&atilde;os comuns e reuniram-se informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e t&eacute;cnicas de especialistas em &aacute;reas como nutri&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. Tamb&eacute;m foram observados os pre&ccedil;os dos itens constantes no or&ccedil;amento e os padr&otilde;es de despesa dos agregados familiares. Este or&ccedil;amento inclui, entre outras, despesas com alimenta&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio, transporte, educa&ccedil;&atilde;o e renda. </p>     <p> Sendo assim, pode-se considerar como a grande limita&ccedil;&atilde;o da abordagem do rendimento residual a sua depend&ecirc;ncia do or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. Em pa&iacute;ses onde n&atilde;o existem estudos sobre or&ccedil;amentos de refer&ecirc;ncia, a sua aplica&ccedil;&atilde;o depender&aacute; de crit&eacute;rios arbitr&aacute;rios, como por exemplo aquele utilizado por Kutty (2005).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>5. </b> <b>Dados e Metodologia</b></font> </p>     <p> Este artigo utilizou os microdados anonimizados do Inqu&eacute;rito &agrave;s Condi&ccedil;&otilde;es de Vida e Rendimento (ICOR) do ano de 2016 para analisar a acessibilidade ao arrendamento em Portugal, atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o da abordagem do rendimento residual e do r&aacute;cio. O ICOR pertence &agrave; base de dados Eurostat SILC e &eacute; aplicado anualmente desde 2004 em Portugal pelo INE, sendo a popula&ccedil;&atilde;o-alvo deste inqu&eacute;rito todos os indiv&iacute;duos residentes no territ&oacute;rio nacional. A amostra utilizada &eacute; estratificada e representativa da popula&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel regional &ldquo;NUTS 2&rdquo; (INE, 2016). Em 2016, a amostra correspondeu a 10.616 agregados familiares; destes, 1.686 eram arrendat&aacute;rios ou subarrendat&aacute;rios. </p>     <p> A an&aacute;lise realizada incide apenas sobre a vertente financeira da acessibilidade ao arrendamento, n&atilde;o levando em considera&ccedil;&atilde;o aspetos de qualidade, por exemplo. Ou seja, a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; feita pela observa&ccedil;&atilde;o dos valores anuais despendidos com a renda e dos rendimentos dos agregados familiares, numa perspetiva de &ldquo;fluxo de caixa&rdquo;, sem considerar os seus ativos financeiros (Heylen e Haffner, 2013). Duas vari&aacute;veis s&atilde;o essenciais para a aplica&ccedil;&atilde;o de ambas as abordagens: a renda e os rendimentos; e para a abordagem do rendimento residual, tamb&eacute;m o or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. O valor da renda corresponde &agrave; renda l&iacute;quida, ou seja, o valor total da renda que o senhorio tem a receber, subtra&iacute;dos os subs&iacute;dios de habita&ccedil;&atilde;o. &Eacute;, portanto, o valor que o arrendat&aacute;rio efetivamente despende com a renda. Os rendimentos correspondem &agrave; vari&aacute;vel &ldquo;rendimento dispon&iacute;vel total do agregado familiar&rdquo; (ano n-1) dos microdados ICOR/EU-SILC, subtra&iacute;dos os subs&iacute;dios de habita&ccedil;&atilde;o, pois j&aacute; foram descontados na renda. Esta vari&aacute;vel reflete a soma de todos os rendimentos brutos do agregado familiar, incluindo presta&ccedil;&otilde;es sociais, menos taxas, impostos, contribui&ccedil;&otilde;es para a seguran&ccedil;a social e transfer&ecirc;ncias regulares entre agregados familiares. O or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia foi adaptado do estudo RAP e a sua adapta&ccedil;&atilde;o para esta an&aacute;lise ser&aacute; explicada mais &agrave; frente. </p>     <p> Relativamente &agrave;s caracter&iacute;sticas dos agregados familiares, foram considerados o regime de arrendamento, o n&iacute;vel de rendimentos e a composi&ccedil;&atilde;o familiar. Os regimes de arrendamento dividem-se em &ldquo;renda a pre&ccedil;os de mercado&rdquo; e &ldquo;renda com pre&ccedil;os reduzidos (inferior ao pre&ccedil;o de mercado)&rdquo;, ou seja, rendas que se enquadrem nos regimes de renda condicionada, renda apoiada – habita&ccedil;&atilde;o social – ou um alojamento atribu&iacute;do por uma entidade empregadora a pre&ccedil;o reduzido (INE, 2016). Quanto ao n&iacute;vel de rendimentos, analisaram-se os agregados familiares por quintis de rendimentos, conforme calculado pelo Eurostat (2019). Este c&aacute;lculo &eacute; feito ao dividir todos os agregados familiares em cinco grupos iguais, definindo-se valores limite para os seus rendimentos com base no rendimento por adulto equivalente. Desta forma, o primeiro quintil representa 20% dos agregados familiares com rendimentos mais baixos e assim sucessivamente, at&eacute; chegar ao quinto quintil, que s&atilde;o os 20% dos agregados familiares com rendimentos mais elevados. Consideram-se tamb&eacute;m as diferentes composi&ccedil;&otilde;es familiares para a verifica&ccedil;&atilde;o da acessibilidade ao arrendamento, que foram adaptadas conforme os or&ccedil;amentos de refer&ecirc;ncia pr&eacute;-determinados pelo RAP. </p>     <p> Para verificar se as diferen&ccedil;as entre os grupos dentro de cada caracter&iacute;stica analisada (composi&ccedil;&atilde;o familiar, quintil de rendimentos e regime de arrendamento) s&atilde;o estatisticamente significativas utilizou-se o teste qui-quadrado de Pearson (?<sup>2</sup>), com um intervalo de confian&ccedil;a de 95%, observando a natureza das vari&aacute;veis estudadas. </p>     <p> Considerando o desenho da amostra, foi necess&aacute;rio utilizar ponderadores para que o estudo fosse representativo da popula&ccedil;&atilde;o. Estes ponderadores s&atilde;o calculados e disponibilizados na base de dados. Contudo, realizaram-se an&aacute;lises estat&iacute;sticas descritivas empregando o teste qui-quadrado, que compara as frequ&ecirc;ncias observadas com as frequ&ecirc;ncias esperadas. Para estas an&aacute;lises, o <i>software</i> estat&iacute;stico utilizado[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>] reconhece a soma dos ponderadores como sendo o tamanho da amostra (Hahs-Vaughn, 2005). Desta forma, indica a autora, os resultados provavelmente seriam sempre significativos, pois o <i>software</i> est&aacute; a considerar o tamanho da popula&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o o tamanho da amostra – assim as frequ&ecirc;ncias seriam muito maiores do que s&atilde;o para o tamanho real da amostra. Para corrigir este problema, Hahs-Vaughn sugere que se calcule um ponderador normalizado, que preserve o tamanho da amostra, calculado atrav&eacute;s da divis&atilde;o do ponderador disponibilizado (<i>raw weight</i>) pela sua pr&oacute;pria m&eacute;dia. Portanto, utilizou-se o ponderador normalizado para a realiza&ccedil;&atilde;o dos testes estat&iacute;sticos e o ponderador disponibilizado pela base de dados para os resultados num&eacute;ricos gerais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>5.1. </b> <b>Agregados familiares considerados v&aacute;lidos para o estudo</b> </p>     <p> A amostra dos arrendat&aacute;rios ou subarrendat&aacute;rios corresponde a 1.686 casos nos microdados ICOR de 2016. Com a utiliza&ccedil;&atilde;o de ponderadores, este valor representa 732.563 agregados familiares, ou 17,9% do total. No entanto, para calcular a acessibilidade ao arrendamento de acordo com a abordagem do rendimento residual – explicada detalhadamente no ponto a seguir – foi necess&aacute;rio excluir da an&aacute;lise os arrendat&aacute;rios que n&atilde;o se enquadram numa composi&ccedil;&atilde;o familiar pr&eacute;-determinada (<a href="#q2">Quadro 2</a>) e os que possuem rendimentos inferiores ao valor da renda despendida ou que t&ecirc;m o valor da renda omisso na base de dados. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q2" id="q2"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a08q2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> O <a href="#q2">Quadro 2</a> apresenta como foram identificados os arrendat&aacute;rios v&aacute;lidos para efeitos do estudo. Deste modo, a investiga&ccedil;&atilde;o incide sobre 1.490 casos, que representam 575.421 agregados familiares ou 78,5% do total de arrendat&aacute;rios ou subarrendat&aacute;rios.         <p>&nbsp;</p>         <p> <b>5.2. </b> <b>As medidas utilizadas (r&aacute;cio e rendimento residual)</b> </p>         <p> Para a aplica&ccedil;&atilde;o do r&aacute;cio utilizou-se a percentagem m&aacute;xima de 30% dos rendimentos a ser despendida com a renda, valor mais utilizado em diversos estudos, de acordo com Heylen e Haffner (2013). Assim, os agregados familiares que despendem mais do que essa percentagem do rendimento dispon&iacute;vel com a renda s&atilde;o considerados em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o desta abordagem. &Eacute; importante notar que a percentagem estipulada tem grandes implica&ccedil;&otilde;es para os resultados. Quanto mais elevada, menos fam&iacute;lias ser&atilde;o percebidas como em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento. A vari&aacute;vel calculada pelo Eurostat para medir a acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, &ldquo;sobrecarga com despesas com habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, considera uma percentagem de 40%. Por&eacute;m, nesse valor est&atilde;o inclu&iacute;das tamb&eacute;m as despesas associadas com a habita&ccedil;&atilde;o (&aacute;gua, eletricidade, g&aacute;s e outros combust&iacute;veis). </p>         <p> J&aacute; para o rendimento residual, calculou-se o valor dos rendimentos menos a renda e observou-se se o valor resultante era ou n&atilde;o suficiente para as demais despesas definidas para cada tipo de fam&iacute;lia pelo or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia, adaptado do estudo RAP (Pereirinha et al., 2017). As adapta&ccedil;&otilde;es feitas correspondem &agrave; retirada do valor previsto para a renda e os ajustes relacionados com a composi&ccedil;&atilde;o familiar, que nos microdados ICOR/EU-SILC s&atilde;o por vezes diferentes daquelas que possuem um or&ccedil;amento definido pelo RAP. Deste modo, algumas composi&ccedil;&otilde;es familiares precisaram de ser adaptadas para corresponder ao or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. Quando a adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi poss&iacute;vel, calculou-se um novo or&ccedil;amento a partir da utiliza&ccedil;&atilde;o de ponderadores para cada membro do agregado familiar. Os ponderadores foram calculados com base no or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia RAP para um adulto em idade ativa a viver sozinho, dividindo-se o or&ccedil;amento de cada tipo de agregado familiar pelo do indiv&iacute;duo adulto sozinho. O <a href="#q3">Quadro 3</a> apresenta os novos ponderadores para os agregados familiares definidos para este estudo e os or&ccedil;amentos de refer&ecirc;ncia a serem utilizados, atualizados para o ano de 2016, atrav&eacute;s do &ldquo;&Iacute;ndice de Pre&ccedil;os no Consumidor, exceto habita&ccedil;&atilde;o&rdquo; do INE. </p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="q3" id="q3"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a08q3.jpg"/>         
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p> <font size="3"><b>6. </b> <b>A Acessibilidade ao Arrendamento em Portugal</b></font> </p>         <p> Antes de iniciar a apresenta&ccedil;&atilde;o e a discuss&atilde;o dos resultados, &eacute; importante notar que as normas estabelecidas pelas medidas de acessibilidade &ldquo;(…) <i>leave some scope for subjectivity. </i> <i> Households deemed to live unaffordably according to such a norm may not necessarily be doing so from their own point of view. </i> &rdquo; (Haffner e Boumeester, 2014: 135). </p>         <p> No estudo de Heylen e Haffner (2013) para a regi&atilde;o da Flandres, B&eacute;lgica, e Pa&iacute;ses Baixos, os valores identificados na aplica&ccedil;&atilde;o de ambas as abordagens s&atilde;o pr&oacute;ximos, sendo que a diferen&ccedil;a reside em quem est&aacute; em risco de enfrentar problemas. Os resultados com os dados portugueses (<a href="#q4">Quadro 4</a>), al&eacute;m de sugerirem que a acessibilidade ao arrendamento apresenta diferen&ccedil;as quanto &agrave;s caracter&iacute;sticas socioecon&oacute;micas das fam&iacute;lias (composi&ccedil;&atilde;o familiar, do quintil de rendimentos e do regime de arrendamento), tamb&eacute;m indicam resultados bastante distintos quanto ao valor total identificado. Ao utilizar o rendimento residual, estima-se que 71% (408.491) das fam&iacute;lias estudadas n&atilde;o possuam rendimentos suficientes para satisfazer as demais despesas necess&aacute;rias, depois de pagar a renda. J&aacute; o r&aacute;cio sugere um n&uacute;mero menor de fam&iacute;lias, 164.413 (28,6%), que despendem mais do que 30% do seu rendimento dispon&iacute;vel com a renda. </p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="q4" id="q4"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a08q4.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Assim como no estudo de Heylen e Haffner (2013), a presente investiga&ccedil;&atilde;o observou resultados opostos para os regimes de arrendamento na utiliza&ccedil;&atilde;o das duas medidas. Quando aplicado o rendimento residual, a percentagem das fam&iacute;lias em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento &eacute; relativamente pr&oacute;xima nos dois regimes, correspondendo a 69,8% no regime de renda a pre&ccedil;os de mercado e 75,3% no de rendas a pre&ccedil;os reduzidos. J&aacute; com o r&aacute;cio, identifica-se uma percentagem bastante menor de arrendat&aacute;rios em risco com renda a pre&ccedil;os reduzidos (3,9%) do que de arrendat&aacute;rios em risco no mercado privado (35,6%). A diferen&ccedil;a entre as duas abordagens em rela&ccedil;&atilde;o aos arrendat&aacute;rios identificados como estando em risco no regime de renda a pre&ccedil;os reduzidos &eacute; logicamente compreendida, considerando que a percentagem m&aacute;xima dos rendimentos para calcular a renda de habita&ccedil;&atilde;o social &eacute; de 23% (chamada taxa de esfor&ccedil;o), valor definido na legisla&ccedil;&atilde;o do arrendamento apoiado, e o valor adotado para o r&aacute;cio, nesta an&aacute;lise, &eacute; de 30%. Nota-se, entretanto, que apesar de essas fam&iacute;lias pagarem uma renda com pre&ccedil;o reduzido, ainda assim n&atilde;o possuem rendimentos suficientes para satisfazer as demais despesas definidas no or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. </font></p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> Relativamente aos quintis de rendimento, a percentagem de fam&iacute;lias em risco de enfrentar problemas diminui com o aumento do quintil, em ambas abordagens. Comparativamente ao r&aacute;cio, o rendimento residual identifica mais do que o dobro de fam&iacute;lias nessas condi&ccedil;&otilde;es at&eacute; ao quarto quintil. No quintil de rendimentos mais elevados, no entanto, h&aacute; uma invers&atilde;o dos resultados: o r&aacute;cio identifica cerca de seis vezes mais fam&iacute;lias (4.501) do que o rendimento residual (733). No entanto, a diferen&ccedil;a observada no quintil de rendimentos mais elevados confirma estudos anteriores (Hancock, 1993; Stone, 1993, 2006a), os quais referem que a perspetiva do r&aacute;cio pode identificar um problema onde n&atilde;o existe – quando fam&iacute;lias com rendimentos mais altos escolhem pagar mais pela habita&ccedil;&atilde;o, apresentando uma maior percentagem do rendimento despendido com a renda, sem que isto signifique que estejam a enfrentar problemas financeiros, pois o rendimento &eacute; suficiente para pagar as outras despesas necess&aacute;rias.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>Na an&aacute;lise da composi&ccedil;&atilde;o familiar, s&atilde;o as fam&iacute;lias com dependentes as que mais se encontram em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento pela abordagem do rendimento residual, assim como identificado por Stone (1993), destacando-se as fam&iacute;lias monoparentais (Heylen e Haffner, 2013). No rendimento residual, 96,9% deste tipo de fam&iacute;lia parece estar em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento. No r&aacute;cio, s&atilde;o as fam&iacute;lias monoparentais e os adultos com menos de 65 anos sozinhos que despendem mais do seu rendimento com a renda, 57% e 56,2%, respetivamente. A maior diferen&ccedil;a identificada quando se comparam as duas abordagens refere-se &agrave;s fam&iacute;lias de dois adultos com dependentes. No r&aacute;cio este valor &eacute; de 25,2%, enquanto que no rendimento residual &eacute; de 86,9%. </p>     <p> Para melhor compreender as diferen&ccedil;as relacionadas com aplica&ccedil;&atilde;o de cada abordagem, observou-se o n&uacute;mero de fam&iacute;lias consideradas em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento pelo rendimento residual e que ao mesmo tempo despendem mais do que 30% dos rendimentos com a renda (<a href="#q5">Quadro 5</a>). Se fosse utilizada a percentagem de 30% como o m&aacute;ximo aceit&aacute;vel do rendimento despendido com a renda, 44% das fam&iacute;lias consideradas em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento pelo rendimento residual n&atilde;o seriam assim consideradas pelo r&aacute;cio. Os agregados familiares com menores rendimentos provavelmente est&atilde;o sobre representados nesta situa&ccedil;&atilde;o e por despenderem um valor muito baixo com a renda, podem estar a viver numa habita&ccedil;&atilde;o com m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es (Heylen e Haffner, 2013). Por outro lado, 1,5% (8.822) dos agregados familiares que despendem mais do que 30% dos seus rendimentos com a renda possuem rendimento residual suficiente para cobrir o or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. Sendo assim, ao utilizar a perspetiva do r&aacute;cio, essas fam&iacute;lias poderiam ser consideradas em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento, mesmo que os seus rendimentos sejam suficientes para suportar as outras despesas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="q5" id="q5"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a08q5.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> Portanto, a abordagem do r&aacute;cio parece subestimar a identifica&ccedil;&atilde;o dos casos considerados em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento, principalmente para as fam&iacute;lias com rendimentos mais baixos e para os arrendat&aacute;rios com renda a pre&ccedil;os reduzidos. Por outro lado, parece sobrestimar os casos das fam&iacute;lias em que os rendimentos s&atilde;o mais elevados. Esta compara&ccedil;&atilde;o revela que os problemas sociais &ldquo;(…) <i> are not only created in a material sense; they are socially constructed in an ideological sense </i> &rdquo; (Stone, 1993: 58).             <p>As elevadas percentagens de fam&iacute;lias que est&atilde;o em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento pela aplica&ccedil;&atilde;o do rendimento residual poder&atilde;o estar relacionadas com duas quest&otilde;es. A primeira &eacute; metodol&oacute;gica e refere-se ao or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia, que poder&aacute; estar sobrestimado. Deste modo, aparentemente as fam&iacute;lias n&atilde;o ter&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de satisfazer as demais despesas n&atilde;o relacionadas com a habita&ccedil;&atilde;o devido ao or&ccedil;amento indicado para as mesmas ser demasiado elevado. Em Portugal, desconhece-se outro or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia al&eacute;m do que foi aqui utilizado, o qual indica valores m&iacute;nimos para um padr&atilde;o de vida digno no pa&iacute;s (Pereirinha et al., 2017). A escassa discuss&atilde;o sobre o tema n&atilde;o possibilita a compara&ccedil;&atilde;o deste or&ccedil;amento com outros. Esta pr&aacute;tica &eacute; realizada em diversos estudos, que geralmente utilizam um valor de or&ccedil;amento &ldquo;baixo&rdquo; e outro &ldquo;moderado&rdquo;, identificando tamb&eacute;m o impacto da renda nos or&ccedil;amentos das fam&iacute;lias (Haffner e Boumeester, 2014; Stone, Burke e Ralston, 2011). </p>             <p> Se o or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia utilizado n&atilde;o estiver sobrestimado, os resultados poder&atilde;o sugerir que os rendimentos dos agregados familiares portugueses s&atilde;o excessivamente baixos. Para rendimentos inferiores ao valor do or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia, qualquer valor de renda ser&aacute; inacess&iacute;vel. Neste caso, os agregados familiares seriam sempre considerados em risco de enfrentar problemas de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, mesmo se n&atilde;o tivessem de pagar nada pela renda. Apesar de ter exclu&iacute;do da an&aacute;lise os agregados cujo rendimento &eacute; inferior &agrave; renda, pois estariam automaticamente em risco, este estudo n&atilde;o utilizou crit&eacute;rios para identificar se a falta de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema de rendimentos muito baixos ou de rendas altas (Thalmann, 2003). Para identificar se os rendimentos s&atilde;o muito baixos, investiga&ccedil;&otilde;es futuras poder&atilde;o analisar se os rendimentos das fam&iacute;lias s&atilde;o suficientes para cobrir o or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia para as despesas n&atilde;o relacionadas com habita&ccedil;&atilde;o. </p>             <p> Apesar destas quest&otilde;es, a abordagem do rendimento residual parece ser uma op&ccedil;&atilde;o mais adequada do que o r&aacute;cio, pois leva em considera&ccedil;&atilde;o todas as despesas de consumo, possibilitando calcular um valor de renda acess&iacute;vel que n&atilde;o comprometa as demais despesas necess&aacute;rias do agregado familiar (Haffner e Boumeester, 2014). Na compara&ccedil;&atilde;o entre as abordagens, a perspetiva do r&aacute;cio n&atilde;o se revelou uma medida precisa para identificar os agregados familiares que est&atilde;o em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento, mas para Heylen e Haffner (2013), pode ser &uacute;til para verificar a evolu&ccedil;&atilde;o do que se despende com a renda ao longo do tempo.</p>             <p>&nbsp;</p>             <p> <font size="3"><b>7. </b> <b>Conclus&atilde;o</b></font> </p>             <p> Este estudo contribuiu para uma adapta&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica da abordagem do rendimento residual ao contexto portugu&ecirc;s, comparando-a com a medida mais utilizada, o r&aacute;cio. Identificou, dessa forma, as fam&iacute;lias em risco de enfrentar problemas de acessibilidade ao arrendamento no pa&iacute;s, ou seja, cujo valor despendido com a renda compromete a satisfa&ccedil;&atilde;o das demais despesas (rendimento residual) ou ultrapassa 30% dos rendimentos (r&aacute;cio). Apesar das limita&ccedil;&otilde;es da abordagem do rendimento residual discutidas na sec&ccedil;&atilde;o anterior e da necessidade de estudos futuros para refinar a adapta&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica aqui iniciada, confirma-se a melhor adequa&ccedil;&atilde;o desta medida para verificar a acessibilidade ao arrendamento em Portugal, adotando-se um padr&atilde;o de despesas que permita uma participa&ccedil;&atilde;o integral na sociedade. A utiliza&ccedil;&atilde;o de uma percentagem m&aacute;xima dos rendimentos para o valor da renda (abordagem do r&aacute;cio) n&atilde;o garante que esta seja acess&iacute;vel, em especial para as fam&iacute;lias com rendimentos mais baixos e com crian&ccedil;as dependentes. </p>             <p> Compreende-se que para algumas fam&iacute;lias nenhum valor de renda ser&aacute; acess&iacute;vel, pois o rendimento &eacute; insuficiente inclusive para satisfazer as despesas previstas no or&ccedil;amento de refer&ecirc;ncia. Neste caso, as fam&iacute;lias j&aacute; n&atilde;o estariam a enfrentar somente &ldquo;pobreza habitacional&rdquo; (ou <i>shelter poverty</i>, utilizando o conceito de Stone, 1993), mas estariam &ldquo;simplesmente numa situa&ccedil;&atilde;o de pobreza&rdquo; (Thalmann, 2003). A an&aacute;lise da acessibilidade ao arrendamento entre os que arrendam a pre&ccedil;os reduzidos pressup&otilde;e que a falta de rendimentos poder&aacute; ser o problema de muitas destas fam&iacute;lias. </p>             <p> Nota-se, entretanto, que a presente investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o identificou quando o problema est&aacute; relacionado com rendimentos muito baixos ou rendas demasiado elevadas (Thalmann, 2003). Novos estudos poder&atilde;o suprir essa lacuna, incluindo tamb&eacute;m crit&eacute;rios de qualidade para o desenvolvimento de um padr&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o adequada (Hancock, 1993). Poder-se-&aacute; identificar as fam&iacute;lias que pagam uma renda baixa, mas que vivem em habita&ccedil;&otilde;es sobrelotadas ou com graves problemas de qualidade. Estas tamb&eacute;m devem ser consideradas em risco de enfrentar problemas de acessibilidade habitacional, por fazerem restri&ccedil;&otilde;es extremas no consumo da habita&ccedil;&atilde;o a fim de manter as outras despesas (Stone, 1993). </p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As causas do elevado n&uacute;mero de fam&iacute;lias identificadas em risco de enfrentar problemas de acessibilidade &agrave; habita&ccedil;&atilde;o em Portugal, atrav&eacute;s do rendimento residual, ultrapassam os objetivos desta investiga&ccedil;&atilde;o. Todavia, &eacute; poss&iacute;vel que a crise e as medidas de austeridade tomadas no seu seguimento tenham sido um fator determinante, seja pela maior liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de arrendamento, acentuada pelo programa de financiamento externo (Rodrigues, Santos e Teles, 2016), pelo aumento nos pre&ccedil;os da habita&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos (INE, 2019), ou pela redu&ccedil;&atilde;o/estagna&ccedil;&atilde;o dos rendimentos dos agregados familiares portugueses (Rodrigues, Figueiras e Junqueira, 2016). </p>             <p> N&atilde;o obstante, esse elevado n&uacute;mero sugere que a crise da habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel se faz presente para grande parte das fam&iacute;lias portuguesas arrendat&aacute;rias. Existem v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para enfrentar esta crise: promo&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o social para arrendamento, apoio aos rendimentos atrav&eacute;s dos subs&iacute;dios de habita&ccedil;&atilde;o, ou at&eacute; mesmo a sua integra&ccedil;&atilde;o com outros benef&iacute;cios sociais (Thalmann, 2003). At&eacute; o momento, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas promovidas para solucionar a falta de acessibilidade ao arrendamento n&atilde;o se t&ecirc;m mostrado suficientes, nem parecem destinadas para os que mais precisam delas. Vale salientar que mais importante &eacute; o Estado assumir o seu papel na efetiva solu&ccedil;&atilde;o dos problemas p&uacute;blicos, sejam eles diretamente relacionados com o arrendamento ou n&atilde;o.</p>             <p>&nbsp;</p>             <p> <font size="3"><b>Agradecimentos</b></font> </p>             <p> Este artigo &eacute; uma revis&atilde;o da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado defendida em julho de 2019 no &acirc;mbito do Mestrado em Gest&atilde;o e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas do ISCSP, orientada pela Professora Romana Xerez e pelo Professor Pedro G. Rodrigues.</p>             <p>&nbsp;</p>             <p> <font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font> </p>             <p> Abelson, P. (2009) &ldquo;Affordable Housing: Concepts and Policies&rdquo;, <i>Economic Papers</i>, 28 (1), pp.27-38. </p>             <p> Allegra, M., Tullumelo, S. (2019) &ldquo;O estado da habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, <i>Cidades, Comunidades e Territ&oacute;rios</i>, 38 (Jun/2019). Available at: <a         href="http://dx.doi.org/10.15847/citiescommunitiesterritories.jun2019.038.doss-edit" target="_blank"     > http://dx.doi.org/10.15847/citiescommunitiesterritories.jun2019.038.doss-edit</a>. </p>             <p> Allen, J. (2006) &ldquo;Welfare Regimes, Welfare Systems and Housing in Southern Europe&rdquo;, <i>International Journal of Housing Policy</i>, 6 (3), pp.251-277. </p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Antunes, G. (2018) <i>Pol&iacute;ticas de Habita&ccedil;&atilde;o-200 Anos</i>, Casal de Cambra: Caleidosc&oacute;pio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696947&pid=S2182-3030201900020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Beer, A., Kearins, B., Pieters, H. (2007) &ldquo;Housing Affordability and Planning in Australia: The Challenge of Policy under Neo-Liberalism&rdquo;, <i>Housing Studies</i>, 22(1), pp.11-24. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/02673030601024572" target="_blank">10.1080/02673030601024572</a>. </p>             <p> Branco, R., Alves, S. (2018) &ldquo;Urban Rehabilitation, Governance, and Housing Affordability: Lessons from Portugal&rdquo;, <i>Urban Research and Practice</i>. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/17535069.2018.1510540" target="_blank">10.1080/17535069.2018.1510540</a>. </p>             <p> Carter, T. (1997) &ldquo;Current Practices for Procuring Affordable Housing: The Canadian Context&rdquo;, <i>Housing Policy Debate</i>, 8(3), pp.593-631. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/17535069.2018.1510540" target="_blank">10.1080/10511482.1997.9521268</a>. </p>             <p> Deeming, C. (2017) &ldquo;Defining Minimum Income (and Living) Standards in Europe: Methodological Issues and Policy Debates&rdquo;, <i>Social Policy and Society</i>, 16(1), pp.33-48. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1017/S147474641500041X" target="_blank">10.1017/S147474641500041X</a>. </p>             <!-- ref --><p> Eurostat (2019) Eurostat database, dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/eurostat/data/database" target="_blank"> https://ec.europa.eu/eurostat/data/database</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696953&pid=S2182-3030201900020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Field, C. G. (1997) &ldquo;Building Consensus for Affordable Housing&rdquo;, <i>Housing Policy Debate</i>, 8(4), pp.801-832. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/10511482.1997.9521279" target="_blank">10.1080/10511482.1997.9521279</a>. </p>             <p> Gabriel, M., Jacobs, K., Arthurson, K., Burke, T., Yates, J. (2005) &ldquo;Conceptualising and Measuring the Housing Affordability Problem&rdquo;, Melbourne: AHURI Research Paper No. NRV3-1, Australian Housing and Urban Research Institute Limited, dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ahuri.edu.au/research/nrv-research-papers/nrv3-1" target="_blank"> https://www.ahuri.edu.au/research/nrv-research-papers/nrv3-1</a>. </p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Goedem&eacute;, T., Storms, B., Van den Bosch, K. (2015) <i> Pilot project: Developing a common methodology on reference budgets in Europe. Proposal for a method for comparable reference budgets in Europe </i> , Brussels: European Commission. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.2767/400190" target="_blank">10.2767/400190</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696957&pid=S2182-3030201900020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Guerra, I. (2011) &ldquo;As Pol&iacute;ticas de Habita&ccedil;&atilde;o em Portugal: A Procura de Novos Caminhos&rdquo;, <i>Cidades, Comunidades e Territ&oacute;rios</i>, 22, pp.41-68. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://revistas.rcaap.pt/cct/article/view/9098" target="_blank"> https://revistas.rcaap.pt/cct/article/view/9098</a>. </p>             <p> Haffner, M., Boumeester, H. (2014) &ldquo;Is renting unaffordable in the Netherlands?&rdquo;, <i>International Journal of Housing Policy</i>, 14(2), pp.117-140. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/14616718.2014.908570" target="_blank">10.1080/14616718.2014.908570</a>. </p>             <p> Hahs-Vaughn, D. L. (2005) &ldquo;A Primer for Using and Understanding Weights With National Datasets&rdquo;, <i>The Journal of Experimental Education</i>, 73(3), pp.221-248. </p>             <p> Hancock, K. E. (1993) &ldquo;Can't pay? Won't pay? Economic Principles of Affordability&rdquo;, <i>Urban Studies</i>, 30, pp.127-145. </p>             <p> Hansson, A. G. (2017) &ldquo;City Strategies for Affordable Housing: The Approaches of Berlin, Hamburg, Stockholm, and Gothenburg&rdquo;, <i>International Journal of Housing Policy</i> (Publicado online a 06 de fevereiro de 2017). DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/19491247.2017.1278581" target="_blank">10.1080/19491247.2017.1278581</a>. </p>             <p> Heylen, K., Haffner, M. (2013) &ldquo;A Ratio or Budget Benchmark for Comparing Affordability across Countries?&rdquo;, <i>Journal of Housing and the Built Environment</i>, 28(3), pp.547-565. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1007/s10901-012-9325-2" target="_blank">10.1007/s10901-012-9325-2</a>. </p>             <p> Hulchanski, J. D. (1995) &ldquo;The Concept of Housing Affordability: Six Contemporary Uses of the Housing Expenditure-To-Income Ratio&rdquo;, <i>Housing Studies</i>, 10(4), pp.471-491. </p>             <!-- ref --><p> IHRU (2015) <i>25 Anos do Esfor&ccedil;o do Estado com Habita&ccedil;&atilde;o</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="http://www.portaldahabitacao.pt/opencms/export/sites/portal/pt/portal/publicacoes/estudos/Esforco-do-%20Estado-em-Habitacao.pdf" target="_blank"     > http://www.portaldahabitacao.pt/opencms/export/sites/portal/pt/portal/publicacoes/estudos/Esforco-do- Estado-em-Habitacao.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696965&pid=S2182-3030201900020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> INE (2016) <i> Inqu&eacute;rito &agrave;s Condi&ccedil;&otilde;es de Vida e Rendimento: Documento metodol&oacute;gico (vers&atilde;o 3.6) </i> , dispon&iacute;vel em: <a href="http://smi.ine.pt/UploadFile/Download/1983" target="_blank"> http://smi.ine.pt/UploadFile/Download/1983</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696967&pid=S2182-3030201900020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <!-- ref --><p> INE (2018) <i>Estat&iacute;sticas de rendas da habita&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel local 2017</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_destaques&amp;DESTAQUESdest_boui=314753314&amp;DESTAQUESmodo=2&amp;xlang=pt" target="_blank"     > https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_destaques&amp;DESTAQUESdest_boui=314753314&amp;DESTAQUESmodo=2&amp;xlang=pt</a> Instituto da Seguran&ccedil;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696969&pid=S2182-3030201900020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->a Social (2017) <i>Guia Pr&aacute;tico–Apoios Sociais–Crian&ccedil;as e Jovens (35A–V4.07)</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="http://www.seg-social.pt/documents/10152/33589/apoios_sociais_criancas_jovens/37504816-7ca5-4ea0-8197-e29524b380cf" target="_blank"     > http://www.seg-social.pt/documents/10152/33589/apoios_sociais_criancas_jovens/37504816-7ca5-4ea0-8197-e29524b380cf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696970&pid=S2182-3030201900020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Kutty, N. K. (2005) &ldquo;A New Measure of Housing Affordability: Estimates and Analytical Results&rdquo;, <i>Housing Policy Debate</i>, 16(1), pp. 113-142. DOI:<a href="http://dx.doi.org/10.1080/10511482.2005.9521536" target="_blank"> 10.1080/10511482.2005.9521536</a>. </p>             <p> Lerman, D. L., Reeder, W. J. (1987) &ldquo;The Affordability of Adequate Housing&rdquo;, <i>AREUEA Journal</i>, 15(4), pp.389–404. </p>             <p> Li, J. (2014) &ldquo;Recent Trends on Housing Affordability Research: Where are we up to?&rdquo;, Urban Research Group – CityU on Cities Working Paper Series, No. 5/2014, dispon&iacute;vel em: <a href="http://ssrn.com/abstract=2555439" target="_blank"> http://ssrn.com/abstract=2555439</a>. </p>             <p> Mendes, L., Carmo, A. (2016) &ldquo;State-Led Gentrification in an Era of Neoliberal Urbanism: Examining the New Urban Lease Regime in Portugal&rdquo;, artigo apresentado em <i> International Conference Contested Cities: From contested cities to global urban justice – critical dialogues</i>, Madrid. </p>             <!-- ref --><p> Ministry of Housing, Communities and Local Government UK (2018) <i>Affordable housing supply</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://www.gov.uk/government/collections/affordable-housing-supply%23history" target="_blank"     > https://www.gov.uk/government/collections/affordable-housing-supply#history</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696976&pid=S2182-3030201900020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Mundt, A. (2017) &ldquo;Housing benefits and minimum income schemes in Austria – an application of the residual income approach to housing affordability of welfare recipients&rdquo;, <i>International Journal of Housing Policy</i>, 18(3), pp.383-411. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/19491247.2017.1306992" target="_blank">10.1080/19491247.2017.1306992</a>. </p>             <p> Murphy, L. (2014) &ldquo;‘Houston, we've got a problem': The Political Construction of a Housing Affordability Metric in New Zealand&rdquo;, <i>Housing Studies</i>, 29 (7), pp.893-909. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/02673037.2014.915291" target="_blank">10.1080/02673037.2014.915291</a>. </p>             <!-- ref --><p> United Nations (2018) <i>The right to adequate housing toolkit</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://www.ohchr.org/en/issues/housing/toolkit/pages/righttoadequatehousingtoolkit.aspx" target="_blank"     > https://www.ohchr.org/en/issues/housing/toolkit/pages/righttoadequatehousingtoolkit.aspx</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696980&pid=S2182-3030201900020000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <!-- ref --><p> OCDE (2016) <i>Affordable Housing Database</i>, available at: <a href="http://www.oecd.org/social/affordable-housing-database.htm" target="_blank"> http://www.oecd.org/social/affordable-housing-database.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696982&pid=S2182-3030201900020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Oxley, M. (2012) &ldquo;Supply-side subsidies for affordable rental housing&rdquo;, in S. J. Smith (Ed.), <i>International Encyclopedia of Housing and Home</i>, San Diego: Elsevier, pp.75-80. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/B978-0-08-047163-1.00419-7" target="_blank">10.1016/B978-0-08-047163-1.00419-7</a>. </p>             <p> Paris, C. (2007) &ldquo;International Perspectives on Planning and Affordable Housing&rdquo;, <i>Housing Studies</i>, 22(1), pp.1-9. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/02673030601024531" target="_blank">10.1080/02673030601024531</a>. </p>             <!-- ref --><p> Parliament of Australia, (2016) <i>Housing affordability in Australia</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://www.aph.gov.au/About_Parliament/Parliamentary_Departments/Parliamentary_Library/pubs/BriefingBook45p/HousingAffordability" target="_blank"     > https://www.aph.gov.au/About_Parliament/Parliamentary_Departments/Parliamentary_Library/pubs/BriefingBook45p/HousingAffordability</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696985&pid=S2182-3030201900020000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Pereira, M., Pato, I. (2013) &ldquo;Da habita&ccedil;&atilde;o social ao arrendamento acess&iacute;vel: (Re)habitar (os) alojamentos vagos&rdquo;, vers&atilde;o revista da comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na <i> Confer&ecirc;ncia Internacional &ldquo;O Futuro da Habita&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica no Estado Social P&oacute;s- Crise&rdquo; </i> , Lisboa, 22 e 23 de Julho de 2013, IGOT/IHRU. </p>             <!-- ref --><p> Pereirinha, J., Pereira, E., Branco, F., Amaro, I., Costa, D., Nunes, F. (2017) <i> Rendimento adequado em Portugal: Quanto &eacute; necess&aacute;rio para uma pessoa viver com dignidade em Portugal? </i> , dispon&iacute;vel em: <a         href="http://www.rendimentoadequado.org.pt/images/rap/pdfs/Brochura%20raP%20_%20FINAL.pdf" target="_blank"     > http://www.rendimentoadequado.org.pt/images/rap/pdfs/Brochura%20raP%20_%20FINAL.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696988&pid=S2182-3030201900020000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Rodrigues J., Santos, A. C., Teles, N. (2016) &ldquo;Finan&ccedil;a e consolida&ccedil;&atilde;o da provis&atilde;o privada da habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, in <i>A Financeiriza&ccedil;&atilde;o do Capitalismo em Portugal</i>, Coimbra: Conjuntura Actual Editora, pp. 71-109. </p>             <p> Rodrigues, C. F., Figueiras, R., Junqueira, V. (2016) &ldquo;Quais as fam&iacute;lias mais afectadas pela crise&rdquo;, in <i> Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: As consequ&ecirc;ncias sociais do programa de ajustamento </i> , Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, pp. 65-86. </p>             <p> Ryan, S., Enderle, B. E. (2012) &ldquo;Examining spatial patterns in affordable housing: The case of California density bonus implementation&rdquo;, <i>Journal of Housing and the Built Environment</i>, 27 (4), Springer-Verlag, pp.413-425. </p>             <!-- ref --><p> Scanlon, K., Whitehead, C., Arrigoitia, M. F. (2014) <i>Social Housing in Europe</i>, Oxford: John Wiley e Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696993&pid=S2182-3030201900020000800041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Smith, J. L. (2012) &ldquo;Access and affordability: Developed countries&rdquo;, in S. J. Smith (Ed.), <i>International Encyclopedia of Housing and Home</i>, San Diego: Elsevier, pp.7-12. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/B978-0-08-047163-1.00009-6" target="_blank">10.1016/B978-0-08-047163-1.00009-6</a>. </p>             <!-- ref --><p> Statistics Canada (2017) <i>2016 Census of population: Housing</i>, available at <a         href="https://www12.statcan.gc.ca/census-recensement/2016/ref/98-501/98-501-x2016007-eng.cfm" target="_blank"     > https://www12.statcan.gc.ca/census-recensement/2016/ref/98-501/98-501-x2016007-eng.cfm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696996&pid=S2182-3030201900020000800043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <!-- ref --><p> Stone, M. E. (1993) <i>Shelter poverty: New ideas on housing affordability</i>, Philadelphia: Temple University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696998&pid=S2182-3030201900020000800044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Stone, M. E. (2006a) &ldquo;What is housing affordability? The case for the residual income approach&rdquo;, <i>Housing Policy Debate</i>, 17(1), pp.151-184. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/10511482.2006.9521564" target="_blank">10.1080/10511482.2006.9521564</a>. </p>             <p> Stone, M. E. (2006b) &ldquo;A housing affordability standard for the UK&rdquo;, <i>Housing Studies</i>, 21(4), pp.453-476. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/02673030600708886" target="_blank">10.1080/02673030600708886</a> </p>             <p> Stone, M. E., Burke, T., Ralston, L. (2011) &ldquo;The residual income approach to housing affordability: The theory and the practice,&rdquo; AHURI Positioning Paper, 139, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://works.bepress.com/michael_stone/7" target="_blank"> http://works.bepress.com/michael_stone/7</a>. </p>             <p> Storms, B., Tim Goedem&eacute;, T., Van den Bosch, K., Penne, T., Schuerman, N., Stockman, S. (2014) <i> Pilot project for the development of a common methodology on reference budgets in Europe. Review of current state of play on reference budget practices at national, regional, and local level </i> , Brussels: European Commission. </p>             <p> Thalmann, P. (2003) &ldquo;‘House poor' or simply ‘poor'&rdquo;, <i>Journal of Housing Economics</i>, 12 (4), pp.291-317. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.jhe.2003.09.004" target="_blank">10.1016/j.jhe.2003.09.004</a>. </p>             <!-- ref --><p> United States Census Bureau (2017) <i>The history of the official poverty measure</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://www.census.gov/topics/income-poverty/poverty/about/history-of-the-poverty-measure.html" target="_blank"     > https://www.census.gov/topics/income-poverty/poverty/about/history-of-the-poverty-measure.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697005&pid=S2182-3030201900020000800050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> United States Department of Housing and Urban Development [HUD] (n.d.) <i>Affordable housing</i>, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://www.hud.gov/program_offices/comm_planning/affordablehousing/" target="_blank"     > https://www.hud.gov/program_offices/comm_planning/affordablehousing/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697007&pid=S2182-3030201900020000800051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>             <p> Wetzstein, S. (2017) &ldquo;The global urban housing affordability crisis&rdquo;, <i>Urban Studies</i>, 54(14), pp.3159–3177, DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1177/0042098017711649" target="_blank">10.1177/0042098017711649</a>. </p>             <p> Whitehead, C. M. E. (1991) &ldquo;From need to affordability: An analysis of UK housing objectives&rdquo;, <i>Urban Studies</i>, 28 (6), pp.871-887. </p>             <p> Xerez, R., Rodrigues, P. G., Lima, J. M., Cardoso, F. D. (2019) &ldquo;Shifting from a homeowner society to a rental market? Over a decade of housing policy in Portugal, 2007-2017&rdquo;, in E. Bargelli, T. Heitkamp (Coord.), <i>New Developments in Southern European Housing</i>, Pisa: Pisa University Press, pp.13-52, dispon&iacute;vel em: <a         href="https://store.streetlib.com/en/aavv/housing-policy-and-tenure-types-in-the-21st-century" target="_blank"     > https://store.streetlib.com/en/aavv/housing-policy-and-tenure-types-in-the-21st-century</a>. </p>             <p> Yates, J. (2008) &ldquo;Australia's Housing Affordability Crisis&rdquo;, <i>The Australian Economic Review</i>, 41(2), pp.200-214. DOI: <a href="http://dx.doi.org/1111/j.1467-8462.2008.00502.x" target="_blank">1111/j.1467-8462.2008.00502.x</a>.</p>             <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Received: 24-10-2019; Accepted: 18-12-2019.</font> </p>     <p></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>NOTAS</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>] Os incentivos ao arrendamento descritos pelo IHRU (2015) referem-se ao Incentivo ao Arrendamento Jovem, criado em 1992, e substitu&iacute;do pelo Programa Porta 65 Jovem, em 2007, ano em que tamb&eacute;m houve uma grande redu&ccedil;&atilde;o na dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental para esses incentivos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] Regime do Arrendamento Urbano (Decreto-Lei n.&ordm; 321-B/90, de 15 de outubro) possibilitava a livre negocia&ccedil;&atilde;o das rendas e a sua atualiza&ccedil;&atilde;o, contudo n&atilde;o previa a atualiza&ccedil;&atilde;o das rendas dos contratos celebrados antes desta data.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] <a                 href="https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexosmou_pt.pdf" target="_blank"             > https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexosmou_pt.pdf</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] Ver, por exemplo:</font> </p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a                 href="https://www.publico.pt/2019/06/06/economia/noticia/rendas-acessiveis-sao-ricos-1875575" target="_blank"             >https://www.publico.pt/2019/06/06/economia/noticia/rendas-acessiveis-sao-ricos-1875575</a>;</font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a                 href="https://observador.pt/2019/06/06/inquilinos-e-proprietarios-antecipam-falhanco-do-programa-de-arrendamento-acessivel/" target="_blank"             >https://observador.pt/2019/06/06/inquilinos-e-proprietarios-antecipam-falhanco-do-programa-de-arrendamento-acessivel/</a>; </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a                 href="https://www.publico.pt/2019/12/05/economia/noticia/rendas-inacessiveis-lisboa-porto-alargamse-resto-pais-1896234"             >https://www.publico.pt/2019/12/05/economia/noticia/rendas-inacessiveis-lisboa-porto-alargamse-resto-pais-1896234</a>. </font>     <p></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] IBM SPSS <i>Statistics.</i></p> </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> </font>     ]]></body>
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