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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>REVISÕES CRÍTICAS</b></p>     <p><b>A viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica: o Estado e as pr&aacute;ticas sociais</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; Vicente Tavares do Santos</b></p>     <p>Diretor do Instituto Latino-Americano de Estudos Avan&ccedil;ados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Av. Bento Gon&ccedil;alves, 9500 Pr&eacute;dio 43322 &ndash; Agronomia - Campus do Vale, 91509-900 - Porto Alegre, RS &ndash; Brasil <a href="mailto:jvicente@ufrgs.br">jvicente@ufrgs.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Revis&atilde;o de Bourdieu, Pierre (2012), Sur l&rsquo;&Eacute;tat. Cours au Coll&egrave;ge de France (1989&#8209;1992). Paris: Raisons d&rsquo;Agir/Seuil, 672 pp.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Pierre Bourdieu situa-se em uma regi&atilde;o do campo intelectual da sociologia contempor&acirc;nea que poderia ser denominado de p&oacute;s-estruturalismo cr&iacute;tico, &oacute;tica que procura situar os conflitos tanto a n&iacute;vel micro- quanto a n&iacute;vel macrossocial, tentando superar tal antinomia.</p>     <p>Concebe a sociedade como formada por grandes conjuntos, os quais s&atilde;o modificados por grupos, classes e categorias sociais; e a sociedade, por sua vez, tamb&eacute;m modifica a estes agentes sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta seria a sociologia dos campos, dos diferentes capitais e do <i>habitus</i>, de Pierre Bourdieu. A teoria dos campos reconhece a pluralidade de mundos sociais, os diferentes capitais a estruturar cada campo e a compreens&atilde;o da din&acirc;mica inter-relacional entre as estruturas objetivas e as estruturas mentais nas sociedades modernas e contempor&acirc;neas.</p>     <p>O modo de trabalhar parte de uma epistemologia p&oacute;s-cartesiana que supera o ensa&iacute;smo teoricista e o empirismo realista, do racionalismo aplicado de Gaston Bachelard (Bourdieu <i>et al</i>., 1973). Trata-se de um racionalismo realista, uma filosofia do saber, da racionalidade e do conceito. Critica o positivismo na Sociologia, percebendo as altera&ccedil;&otilde;es da cientificidade na primeira metade do s&eacute;culo xx, e da ideia reificada do social; da&iacute; utilizar o conceito de ruptura epistemol&oacute;gica.</p>     <p>Salienta que a sociologia da sociologia deve ser uma tarefa permanente: a sociologia do conhecimento sociol&oacute;gico caminha pela arte da inven&ccedil;&atilde;o, localizando a sociologia em uma posi&ccedil;&atilde;o meta-meta no espa&ccedil;o social (Bourdieu, 2012: 94). Inicia seu trabalho de constru&ccedil;&atilde;o do objeto pela cr&iacute;tica &agrave;s pr&eacute;-no&ccedil;&otilde;es, as ideias recebidas e a sociologia espont&acirc;nea, salientando a necessidade de uma defini&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria do objeto, sempre trabalhando com hip&oacute;teses. Concebe os m&eacute;todos e t&eacute;cnicas como teorias em ato. Adiciona uma refer&ecirc;ncia &agrave; an&aacute;lise do discurso: &ldquo;A an&aacute;lise do discurso que estuda o discurso sem estudar as condi&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o do discurso n&atilde;o compreende nada&rdquo; (<i>ibidem</i>: 32).</p>     <p>Retoma Bachelard: O fato social &eacute; conquistado depois constatado, contra a doxa (<i>ibidem:</i> 171-173). E salienta: &ldquo;Uma das armas da cr&iacute;tica &eacute; confrontar um regime com sua verdade oficial para mostrar que ele n&atilde;o &eacute; conforme ao que diz&rdquo; (<i>ibidem</i>: 65). Concebe a sociologia como &ldquo;uma maneira de construir a realidade que permite ver os fatos que, normalmente, n&atilde;o s&atilde;o vistos&rdquo; (<i>ibidem:</i> 96). E define: &ldquo;Minha estrat&eacute;gia constante &eacute; de abarcar os grandes problemas por um lado acess&iacute;vel onde eles mostram o essencial que se esconde sob as apar&ecirc;ncias do insignificante&rdquo; (<i>ibidem:</i> 142). Vai realizar o modelo te&oacute;rico de um processo: &ldquo;um conjunto de proposi&ccedil;&otilde;es sistematicamente ligadas e justific&aacute;veis de uma verifica&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica, suscet&iacute;vel de dar conta de um conjunto de fatos hist&oacute;ricos t&atilde;o grande quanto poss&iacute;vel&rdquo; (<i>ibidem:</i> 170).</p>     <p>Bourdieu propicia o rigor dos processos cient&iacute;ficos de constru&ccedil;&atilde;o do objeto de investiga&ccedil;&atilde;o, fornece a demonstra&ccedil;&atilde;o detalhada, multivariada, da realidade social, e, em uma postura definida como um p&oacute;s-estruturalismo gen&eacute;tico, reorienta o olhar do soci&oacute;logo para uma perspectiva relacional.</p>     <p>Dispomos, por meio desta &oacute;tica que toma como primado as rela&ccedil;&otilde;es sociais, e n&atilde;o as entidades sociais, uma possibilidade anal&iacute;tica na reconstru&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os das posi&ccedil;&otilde;es sociais, mediante a qual as classes, as fra&ccedil;&otilde;es de classe e os grupos sociais e culturais elaboram pr&aacute;ticas de reprodu&ccedil;&atilde;o social, atrav&eacute;s das forma&ccedil;&otilde;es de <i>habitus</i> e de trajet&oacute;rias de reprodu&ccedil;&atilde;o e de reconvers&atilde;o. Podemos, agora, percorrer seus principais conceitos.</p>     <p>Sua postura da ci&ecirc;ncia &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um <i>habitus</i> cient&iacute;fico, bem como sua dissemina&ccedil;&atilde;o. O <i>habitus</i> cient&iacute;fico baseia-se em alguns momentos: na ruptura epistemol&oacute;gica; na vigil&acirc;ncia epistemol&oacute;gica; e na constru&ccedil;&atilde;o do objeto. Afirma o pluralismo de m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o que v&atilde;o ser orquestrados a partir da orienta&ccedil;&atilde;o da pesquisa. O autor situa-se em uma &eacute;tica de combate &agrave; injusti&ccedil;a, de combate &agrave; desigualdade e &agrave;s discrimina&ccedil;&otilde;es e racismos, atitude que aparece dispersa em sua obra (Bourdieu, 2002).</p>     <p>No final do livro <i>La noblesse d&rsquo;&Eacute;tat</i>, fala sobre o poder do Estado, o campo do poder, composto pela articula&ccedil;&atilde;o de estruturas mentais e estruturas objetivas (Bourdieu, 1989a). Escreve ser poss&iacute;vel que essas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a no campo do poder, essas lutas entre dominantes, fa&ccedil;am necessariamente entrar no campo do poder um pouco do universal &ndash; a raz&atilde;o, o desinteresse, o civismo, etc. &ndash;, uma arma sempre simbolicamente eficaz nas lutas do momento. Talvez n&atilde;o s&oacute; os dominados possam tirar partido dos conflitos entre os dominantes, como tamb&eacute;m talvez essas lutas entre os dominantes no momento em que permitem ou necessitam de fazer apelo ao universal fa&ccedil;am com que esse universal apare&ccedil;a como possibilidade hist&oacute;rica.</p>     <p>No campo simb&oacute;lico, constitu&iacute;do por maneiras de ver e de pensar, d&aacute;-se a produ&ccedil;&atilde;o social da viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica. Bourdieu assim a define: &ldquo;A viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica &eacute; uma viol&ecirc;ncia que se exerce com a cumplicidade t&aacute;cita daqueles que a sofrem e tamb&eacute;m, frequentemente, daqueles que a exercem na medida em que uns e outros s&atilde;o inconsciente de a exercer ou a sofrer&rdquo; (Bourdieu, 1996: 16). Neste livro mais recente: &ldquo;O que denomino de viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica ou domina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, ou seja, formas de coer&ccedil;&atilde;o que se baseiam em acordos n&atilde;o conscientes entre as estruturas objetivas e as estruturas mentais&rdquo; (Bourdieu, 2012: 239).</p>     <p>Segundo Bourdieu, &ldquo;o Estado &eacute; a posse do monop&oacute;lio da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e simb&oacute;lica&rdquo;: &ldquo;(...) O Estado &eacute; o que funda a integra&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica e a integra&ccedil;&atilde;o moral do mundo social e, por a&iacute;, o consenso fundamental sobre o sentido do mundo que &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o mesma dos conflitos a prop&oacute;sito do mundo social&rdquo; (<i>ibidem</i>: 15). Da&iacute; sua afirma&ccedil;&atilde;o de um golpe de for&ccedil;a simb&oacute;lica na g&ecirc;nese do Estado: &ldquo;O golpe de Estado do qual nasceu o Estado (...) testemunha um golpe de for&ccedil;a simb&oacute;lico extraordin&aacute;rio que consiste em fazer aceitar universalmente, nos limites de um certo territ&oacute;rio..., a ideia de que todos os pontos de vista n&atilde;o s&atilde;o v&aacute;lidos e que h&aacute; um ponto de vista que &eacute; a medida de todos os pontos de vista, dominante e leg&iacute;timo&rdquo; (<i>ibidem</i>: 116).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por consequ&ecirc;ncia, o Estado &eacute; a base das classifica&ccedil;&otilde;es sociais: &ldquo;Uma das fun&ccedil;&otilde;es mais gerais do Estado &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o e a canoniza&ccedil;&atilde;o das classifica&ccedil;&otilde;es sociais&rdquo; (<i>ibidem</i>: 24). Isso se verifica na produ&ccedil;&atilde;o das estat&iacute;sticas, sistema de ensino (<i>ibidem</i>: 27) e do sistema lingu&iacute;stico (<i>ibidem</i>: 113), incluindo a ortografia (<i>ibidem</i>: 194). Trata-se de &ldquo;categorias leg&iacute;timas, um <i>nomos</i>, um princ&iacute;pio de divis&atilde;o universalmente reconhecido nos limites de uma sociedade&rdquo; (<i>ibidem</i>: 24).</p>     <p>Dois outros exemplos da centralidade do Estado s&atilde;o mencionados: o mercado da casa individual (Bourdieu, 1993; Bourdieu, 2000) &ndash; &ldquo;O problema p&uacute;blico &eacute; um problema que merece ser tratado publicamente, oficialmente&rdquo; (Bourdieu, 2012: 30 e 47) &ndash; e o trabalho das Comiss&otilde;es &ndash; &ldquo;Essas comiss&otilde;es p&uacute;blicas s&atilde;o encena&ccedil;&otilde;es, opera&ccedil;&otilde;es consistindo a desempenhar algo como um drama p&uacute;blico, o drama da reflex&atilde;o sobre os problemas p&uacute;blicos&rdquo; (<i>ibidem</i>: 48 e 62).</p>     <p>Menciona a obra de Kafka, na constru&ccedil;&atilde;o de uma utopia na qual cada um poderia exercer seu direito de julgar e de se julgar, mas que encontra um obst&aacute;culo em um Estado que condensa o centro da vida social, sendo &ldquo;a &uacute;ltima inst&acirc;ncia &agrave; qual se pode recorrer&rdquo; (<i>ibidem</i>: 114, 324, 328). O Estado seria uma comunidade ilus&oacute;ria, um consenso &uacute;ltimo (<i>ibidem</i>; 28). Da&iacute; sua tese principal: o Estado &eacute; um campo, um campo de poder, um campo administrativo como setor particular deste.</p>     <p>A quest&atilde;o central do livro &eacute; como fazer uma genealogia hist&oacute;rica ou estrutural (<i>ibidem</i>: 144). Podemos reconstruir seus procedimentos, desde a constru&ccedil;&atilde;o do caso, pois &eacute; preciso &ldquo;tratar um caso particular, mas o constituindo, segundo a f&oacute;rmula de Bachelard, como um caso particular de poss&iacute;veis...&rdquo; (<i>ibidem</i>: 143). Seu preceito metodol&oacute;gico &eacute; &ldquo;abarcar um caso particular do qual n&atilde;o se conhece a particularidade mais no qual se poderia ver o modelo &ndash; &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o esquecer a particularidade (<i>ibidem</i>: 217). Partindo da Idade M&eacute;dia, vai analisar os exemplos ingl&ecirc;s, franc&ecirc;s e japon&ecirc;s (<i>ibidem</i>: 29). Em seguida, vai descobrir as l&oacute;gicas pr&aacute;ticas e a g&ecirc;nese das estruturas individuais e das estruturas sociais, recorrendo ao conceito de <i>habitus</i> (<i>ibidem</i>: 153-154). Desenvolve novamente a teoria dos campos: o campo &eacute; um &ldquo;espa&ccedil;o estruturado segundo oposi&ccedil;&otilde;es ligadas a formas de capital espec&iacute;ficos, com interesses diferentes&rdquo; (<i>ibidem</i>: 40). As propriedades do campo s&atilde;o: estrutura do espa&ccedil;o objetivo, divis&otilde;es, for&ccedil;as e agentes. Por&eacute;m, existem situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia nas quais se realizam saltos qualitativos (<i>ibidem</i>: 130), havendo mesmo um retorno &agrave; incerteza (<i>ibidem</i>: 186).</p>     <p>Sublinha a estrutura e os agentes sociais que o conformam: &ldquo;A g&ecirc;nese do Estado &eacute; a g&ecirc;nese de um lugar de gest&atilde;o do Universal, e ao mesmo tempo, de um monop&oacute;lio do Universal, e de um conjunto de agentes que participam do monop&oacute;lio de fato desta coisa que, por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; do universal&rdquo; (<i>ibidem</i>: 60, 165). Salienta o papel dos juristas (<i>ibidem</i>: 95, 97-99): &ldquo;H&aacute; um certo n&uacute;mero de agentes sociais &ndash; entre os quais os juristas &ndash; que desempenharam um papel eminente, em particular os detentores deste capital de recursos organizacionais que era o direito romano&rdquo; (<i>ibidem</i>: 60).</p>     <p>Estabelece algumas distin&ccedil;&otilde;es: entre Estado e sociedade civil &ndash; &ldquo;a ideia de um <i>continuum</i> que &eacute; uma distribui&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua dos recursos coletivos, p&uacute;blicos, materiais ou simb&oacute;licos, aos quais se associa o nome do Estado&rdquo; (<i>ibidem</i>: 66). Desta distribui&ccedil;&atilde;o nascem as lutas pol&iacute;ticas.</p>     <p>Realiza uma cr&iacute;tica a uma s&eacute;rie de historiadores e soci&oacute;logos: Perry Anderson, Theda Skocpol, Reinhard Bendix, Barrington Moore, Eisenstadt, Marc Bloch, Gerschen-kron e Michael Mann. Prop&otilde;e uma abordagem capaz de apreender o processo de cria&ccedil;&atilde;o permanente de transforma&ccedil;&atilde;o das estruturas, presente tanto na objetividade do mundo social quanto na subjetividade dos agentes sociais.</p>     <p>No Curso proferido no dia 17 de janeiro de 1991, h&aacute; quatro movimentos te&oacute;ricos:</p> <ol>       <li>An&aacute;lise gen&eacute;tica do nascimento do Estado (Bourdieu, 2012: 195);</li>       <li>Men&ccedil;&atilde;o ao fetiche do Estado: &ldquo;o Estado &eacute; um poderio simb&oacute;lico&rdquo; (<i>ibidem:</i> 196);</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Refer&ecirc;ncia a um territ&oacute;rio do Estado: &ldquo;(...) A constru&ccedil;&atilde;o do Estado como campo relativamente aut&ocirc;nomo exercendo um poder de centraliza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a f&iacute;sica e da for&ccedil;a simb&oacute;lica, e constituindo assim um embate de lutas, &eacute; inseparavelmente acompanhado pela constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o social unificado que lhe serve de base&rdquo; (<i>ibidem</i>: 197);</li>       <li>Menciona os crit&eacute;rios para identificar sociologicamente os Agentes Sociais: selecionar os agentes pertinentes ao problema; identificar as propriedades pertinentes do campo; e construir a estrutura do espa&ccedil;o objetivo (<i>ibidem</i>: 38).</li>     </ol>     <p>Bourdieu faz refer&ecirc;ncia aos agentes sociais, formulando as seguintes perguntas: &ldquo;Quem tem interesse no Estado? Existem interesses do Estado? H&aacute; interesses do p&uacute;blico, do servi&ccedil;o p&uacute;blico? H&aacute; interesses universais e quem s&atilde;o seus portadores? Quem tem os monop&oacute;lios dos monop&oacute;lios do Estado &ndash; viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e simb&oacute;lica leg&iacute;timas?&rdquo; (<i>ibidem</i>: 199). Nesse sentido, vai analisar &ldquo;(...) o processo de constru&ccedil;&atilde;o do Estado e os respons&aacute;veis deste processo de constru&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>ibidem</i>).</p>     <p>A revis&atilde;o de Norbert Elias inicia pelo reconhecimento da sua teoria gen&eacute;tica do Estado de inspira&ccedil;&atilde;o weberiana, salientando a men&ccedil;&atilde;o de Weber do monop&oacute;lio leg&iacute;timo da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e do imposto. Trata-se da concentra&ccedil;&atilde;o progressiva dos instrumentos de viol&ecirc;ncia, pois &ldquo;O monop&oacute;lio dos recursos originados pelo imposto permitem assegurar o monop&oacute;lio da for&ccedil;a militar permitindo a manuten&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a do imposto&rdquo; (<i>ibidem</i>: 205).</p>     <p>Em outras palavras, se trataria de uma extors&atilde;o leg&iacute;tima (ou crime organizado), uma vez que a monopoliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma s&eacute;rie de disputas eliminat&oacute;rias em cujo final um dos concorrentes desaparece, pois a domina&ccedil;&atilde;o do Estado sup&otilde;e uma forma de paz (<i>ibidem</i>: 206-207). Outro processo &eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;rede de interdepend&ecirc;ncia de poderosos detentores de princ&iacute;pios de poderio diferentes&rdquo; (<i>ibidem</i>: 209).</p>     <p>A cr&iacute;tica feita por Bourdieu vai no sentido de Elias perder a dimens&atilde;o simb&oacute;lica do poder estatal (<i>ibidem</i>: 204): tanto Elias como Weber n&atilde;o esclarecem quem det&eacute;m o monop&oacute;lio da viol&ecirc;ncia leg&iacute;tima (<i>ibidem</i>: 365).</p>     <p>Assinala que Charles Tilly identifica tr&ecirc;s vias no processo de forma&ccedil;&atilde;o do Estado: a trajet&oacute;ria capitalista, ou a l&oacute;gica econ&ocirc;mica da acumula&ccedil;&atilde;o de capital e as cidades; a trajet&oacute;ria coercitiva, ou a concentra&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de coer&ccedil;&atilde;o; e a trajet&oacute;ria mista (<i>ibidem</i>: 212-214).</p>     <p>Na an&aacute;lise da obra de Corrigan e Sayer, mesmo reconhecendo sua import&acirc;ncia ao salientar que o Estado &eacute; um conjunto de formas culturais, critica seu esquecimento das formas de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e do capital econ&ocirc;mico na forma&ccedil;&atilde;o do Estado (<i>ibidem</i>: 225).</p>     <p>Bourdieu desenvolve a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociologia reflexiva: uma sociologia reflexiva &eacute; basicamente uma explica&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica e relacional do mundo social. Por sistem&aacute;tica, implica que ela vai estar sempre preocupada em discutir os seus instrumentos de conhecimento, a sociologia &eacute; insepar&aacute;vel da sociologia de uma sociologia &ndash; a vigil&acirc;ncia epistemol&oacute;gica de Gaston Bachelard.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <i>Le m&eacute;tier de sociologue </i>(Boudieu <i>et al., </i>1973), o autor se referia a Gaston Bachelard, retomando a ideia da reflexibilidade, &ldquo;um pensamento que est&aacute; sempre se debru&ccedil;ando sobre si pr&oacute;prio, analisando suas condi&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o e de objetiva&ccedil;&atilde;o; e, ao mesmo tempo, um pensamento que &eacute; relacional&rdquo; &ndash; o modo de pensamento que &eacute; relacional e anal&oacute;gico que &eacute; favorecido pelo conceito de campo permite apreender a particularidade no interior da generalidade e vice-versa. Em outras palavras, &ldquo;um caso particular bem constru&iacute;do deixa de ser um caso particular&rdquo;.</p>     <p>Decorre da&iacute; a ideia de que qualquer metodologia pode ser usada, mas exige um tempo de partir de uma condi&ccedil;&atilde;o de rigor: a cr&iacute;tica reflexiva das t&eacute;cnicas e dos procedimentos, buscando em Bachelard a no&ccedil;&atilde;o de que toda a t&eacute;cnica &eacute; uma teoria em ato.</p>     <p>Conclui por ser contra o fanatismo e a cegueira fetichista que trabalha nas ci&ecirc;ncias sociais: quando ela desvela os fundamentos hist&oacute;ricos e os determinantes sociais dos princ&iacute;pios de hierarquia e de avalia&ccedil;&atilde;o que devem sua efic&aacute;cia simb&oacute;lica ao fato de que elas vivem e se imp&otilde;em como absolutos universais e eternos. A ci&ecirc;ncia social tem essa fun&ccedil;&atilde;o de desvelar o absoluto, de relativizar o universal e de desencantar o eterno.</p>     <p>Neste Bourdieu, que aparece t&atilde;o estrutural, t&atilde;o rigoroso e t&atilde;o objetivo, no fundo tem uma preocupa&ccedil;&atilde;o, datando dos anos de 1990, qui&ccedil;&aacute; mesmo antes, com o que chamava do sofrimento de uma nova esp&eacute;cie e injusti&ccedil;a de uma nova ordem. O autor acredita no &ldquo;utopismo sociol&oacute;gico&rdquo; que, longe de ser um utopismo racional e longe de ser uma ci&ecirc;ncia sem utopia, constituiria exatamente o conjunto das condi&ccedil;&otilde;es de possibilidades dadas por um desvelamento rigoroso do mundo social, o que permitiria uma liberdade a partir do pr&oacute;prio conhecimento sociol&oacute;gico das condi&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o da sociedade e de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento sobre a sociedade.</p>     <p>H&aacute; uma l&oacute;gica da pesquisa no <i>Homo academicus</i> (e no segundo cap&iacute;tulo do <i>Poder simb&oacute;lico</i>, 1989b) representada pela aventura, uma navega&ccedil;&atilde;o: &ldquo;somente quem n&atilde;o fez pesquisa emp&iacute;rica n&atilde;o sabe que n&oacute;s caminhamos &agrave;s vezes &agrave;s cegas, mas &eacute; caminhando &agrave;s cegas que um dia n&oacute;s podemos saber o significado que tais materiais tiveram, ou t&ecirc;m, ou podem ter&rdquo;.</p>     <p>Se o soci&oacute;logo somente procurar a clareza teoricista, jamais far&aacute; pesquisa porque nunca vai se permitir a ousadia do desconhecido: o soci&oacute;logo realiza a travessia entre o conhecido e o desconhecido. Cabe, ent&atilde;o, uma cr&iacute;tica ao &ldquo;professoral&rdquo;, ao que est&aacute; pronto, ao narcisismo intelectual da reprodu&ccedil;&atilde;o do conhecimento sem tensionar o saber. Da&iacute; a op&ccedil;&atilde;o pela ang&uacute;stia da pesquisa.</p>     <p>H&aacute; uma tentativa de superar, por um lado, o teoricismo, essa teoria que tudo quer explicar de um modo absolutamente racional e conceitual, mas que nada ousa superar; e, por outro, de superar os procedimentos rigorosos de uma pesquisa ou de uma suposta metodologia de pesquisa que tudo prova, mas nada ousa. A supera&ccedil;&atilde;o dessa antinomia marca sua obra, uma vontade de superar a antinomia entre teoria e pesquisa, entre indiv&iacute;duo e sociedade, entre estrutura e a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Afirma que a pior coisa do mundo s&atilde;o os professores, no fundo a hist&oacute;ria escol&aacute;stica, essa busca obsessiva do rigor absoluto, a busca da perfei&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; sempre uma proje&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria incapacidade.</p>     <p>Salienta que h&aacute; um certo n&uacute;mero de falsos debates, mortos e enterrados (externo e interno, qualitativo e quantitativo, etc.), que podem ser superados pela exig&ecirc;ncia rigorosa de uma reflexibilidade, o que vai chamar de l&oacute;gica da pesquisa: aprender a pesquisa como uma atividade racional, n&atilde;o como uma esp&eacute;cie de busca m&iacute;stica, mas que tamb&eacute;m tem o efeito de aumentar a ang&uacute;stia. Essa postura realista est&aacute; orientada para a maximiza&ccedil;&atilde;o do rendimento do investimento e para o melhor aproveitamento do recurso a come&ccedil;ar pelo tempo que se disp&otilde;e. O que interessa &eacute; ver a s&iacute;ntese em <i>status nascendi</i>, contrariamente a esse <i>homo academicus</i> que gosta do acabado.</p>     <p>Entretanto, percebo que podem ser feitas algumas cr&iacute;ticas a esta importante obra:</p> <ol>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>h&aacute; escassa men&ccedil;&atilde;o ao papel da Pol&iacute;cia (Bourdieu, 2012: 22), sobre a for&ccedil;a (p. 302) ou a for&ccedil;a p&uacute;blica (p. 314);</li>       <li>escassez de refer&ecirc;ncia ao papel dos Ex&eacute;rcitos e das guerras na constru&ccedil;&atilde;o do Estado;</li>       <li>n&atilde;o menciona os agentes econ&ocirc;micos no processo;</li>       <li>transforma a viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica em determina&ccedil;&atilde;o em &uacute;ltima inst&acirc;ncia: &ldquo;Para mim, o capital simb&oacute;lico &eacute; o fundamento&rdquo; (Bourdieu, 2012: 327);</li>       <li>minimiza a contribui&ccedil;&atilde;o de Michel Foucault (<i>ibidem</i>: 566); e</li>       <li>apenas efetiva uma breve alus&atilde;o ao romance policial, no qual o comiss&aacute;rio&nbsp; e o juiz sempre seriam agentes do Estado (<i>ibidem</i>: 581).</li>     </ol>     <p>Neste livro tardio reafirma: &ldquo;Trata-se de reconstruir as opera&ccedil;&otilde;es de constru&ccedil;&atilde;o que os agentes sociais operam para construir suas intera&ccedil;&otilde;es ou rela&ccedil;&otilde;es&hellip;&rdquo; (<i>ibidem</i>: 51). Est&aacute; buscando uma causalidade estrutural ou uma g&ecirc;nese hist&oacute;rica dos problemas (<i>ibidem</i>: 50), marcada pela historicidade: &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o das realidades do mundo e das categorias que explicam as realidades do mundo &ndash; a multidimensionalidade das pr&aacute;ticas e dos modelos hist&oacute;ricos.</p>     <p>Ao mesmo tempo, adota a postura relacional de Bachelard: a rela&ccedil;&atilde;o explica o ente, raz&atilde;o pela qual sempre criticou a no&ccedil;&atilde;o substancialista de classe social, seja em Marx, reificada, seja em Weber, reduzida &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de classe na &oacute;rbita do mercado. Por outro lado, assume uma orienta&ccedil;&atilde;o construtivista, pois a no&ccedil;&atilde;o de categoria &eacute; um &ldquo;princ&iacute;pio coletivo de constru&ccedil;&atilde;o da realidade coletiva&rdquo; (Bourdieu, 1994: 137): as categorias existem &ldquo;como institui&ccedil;&otilde;es (&hellip;) e na objetividade do mundo, sob a forma de corpos sociais&rdquo; e &ldquo;nos esp&iacute;ritos, sob a forma de princ&iacute;pios de classifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>ibidem</i>: 143).</p>     <p>Pierre Bourdieu propicia o rigor dos processos cient&iacute;ficos de constru&ccedil;&atilde;o do objeto de investiga&ccedil;&atilde;o, fornece a demonstra&ccedil;&atilde;o detalhada, multivariada, da realidade social, e, em uma postura definida como um p&oacute;s-estruturalismo gen&eacute;tico reorienta o olhar do soci&oacute;logo para uma perspectiva relacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dispomos de uma &oacute;tica que toma como primado as rela&ccedil;&otilde;es sociais, e n&atilde;o as entidades sociais; aparece uma possibilidade anal&iacute;tica na reconstru&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os das posi&ccedil;&otilde;es sociais, mediante a qual as classes, as fra&ccedil;&otilde;es de classe e os grupos sociais e culturais ou as categorias sociais elaboram pr&aacute;ticas de reprodu&ccedil;&atilde;o social, atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de <i>habitus</i> e de trajet&oacute;rias de reprodu&ccedil;&atilde;o e de reconvers&atilde;o.</p>     <p>A teoria dos campos reconhece a pluralidade de mundos sociais, os diferentes capitais a estruturar cada campo e a compreens&atilde;o da din&acirc;mica inter-relacional entre as estruturas objetivas e as estruturas mentais nas sociedades contempor&acirc;neas, uma an&aacute;lise pela &oacute;tica da conflitualidade. A ci&ecirc;ncia rigorosa do social poderia possibilitar a sociologia dos determinantes sociais da pr&aacute;tica sociol&oacute;gica como o &uacute;nico fundamento poss&iacute;vel de uma liberdade poss&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a essas determina&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Estes seriam o utopismo sociol&oacute;gico, um utopismo racional, ou o uso politicamente consciente e racional dados pelo conhecimento das leis sociais e especialmente de suas condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas de validade. A tarefa pol&iacute;tica seria trabalhar e definir um utopismo racional, usando o conhecimento prov&aacute;vel para fazer vir o poss&iacute;vel, em um uso &eacute;tico da sociologia reflexiva. Encontrar&iacute;amos, ent&atilde;o, uma reconcilia&ccedil;&atilde;o do <i>scholarship</i> e do <i>commitment</i>. Uma li&ccedil;&atilde;o aos jovens leitores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre (1984), <i>Homo academicus</i>. Paris: Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S2182-7435201500030001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bourdieu, Pierre (1989a), <i>La</i> <i>noblesse d&rsquo; &Eacute;tat.</i> <i>Grandes &eacute;coles et esprit de corps</i>. Paris: Minuit.</p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre (1989b), <i>O poder simb&oacute;lico</i>. Lisboa: Difel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S2182-7435201500030001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre (org.) (1993), <i>La mis</i><i>&egrave;</i><i>re du monde</i>. Paris: Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S2182-7435201500030001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bourdieu, Pierre (1994), <i>Raisons pratiques. Sur la th&eacute;orie de l&rsquo;action</i>. Paris: Seuil.</p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre (1996), <i>Sur la t&eacute;l&eacute;vision</i>. Paris: Liber.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S2182-7435201500030001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bourdieu, Pierre (2000), <i>Les structures sociales de l&rsquo;&eacute;conomie</i>. Paris: Seuil.</p>     <p>Bourdieu, Pierre (2002), <i>Interventions, 1961-2001 &ndash; Sciences sociales et action politique</i>. Marseille: Agone.</p>     <p>Bourdieu, Pierre (2012), <i>Sur l&rsquo;&Eacute;tat</i>. <i>Cours au Coll&egrave;ge de France (1989-1992)</i>. Paris: Raisons d&rsquo;Agir/Seuil.</p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre; Chamboredon, Jean-Claude; Passeron, Jean-Claude (1973), <i>Le m&eacute;tier </i><i>de sociologue</i>. Paris: Mouton (2.&ordf; ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S2182-7435201500030001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->).&nbsp;</p>     ]]></body>
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