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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mecanismos não-verbais e paraverbais na construção do ethos em L&#8217;étranger de Albert Camus]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Non-verbal and paraverbal mechanisms in the construction of ethos on the novel The Stranger by Albert Camus]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Based on the concept of ethos, as proposed by Discourse Analysis theoretical framework, we have examined the ethos (or image of self) production of Albert Camus The Stranger’s main character. We have specifically focused on the correlation between the nonverbal and para-verbal elements and the discursive mechanisms, namely, how they simultaneously contributed, through the course of the hero’s mother’s funeral, to the production of a hetero-attributed dysphoric image of the main character. Thus we have identified and analyzed several nonverbal communication mechanisms, such as eye contact, silence, prosody and proxemics. We have concluded that these mechanisms suggest a movement of distancing, both physically and emotionally, which results from the clash between the main character’s two competing images: the stereotypical image of a son in grief and the negative ethos produced through his discursive interaction.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais na constru&ccedil;&atilde;o do ethos em L&#8217;&eacute;tranger de Albert Camus</b></p>      <p><b>Non-verbal and paraverbal mechanisms in the construction of ethos on the novel The Stranger by Albert Camus</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Micaela Aguiar*</b></p>      <p>*Cehum, Universidade do Minho, Portugal</p>      <p><a href="mailto:maguiar60@gmail.com">maguiar60@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>      <p>Partindo do conceito de ethos, tal como &eacute; proposto pelo quadro te&oacute;rico da An&aacute;lise do Discurso, analis&aacute;mos a  constru&ccedil;&atilde;o do ethos ou imagem de si do protagonista da obra L&#8217;e&acute;tranger de Albert Camus. Especificamente,  centr&aacute;mo-nos na correla&ccedil;&atilde;o entre mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais e estrat&eacute;gias discursivas ao  servi&ccedil;o da heteroconstru&ccedil;&atilde;o de um ethos disf&oacute;rico do protagonista, no epis&oacute;dio do funeral da m&atilde;e do  her&oacute;i. Identific&aacute;mos e analis&aacute;mos mecanismos n&atilde;o-verbais diversos, tais como, o contacto ocular, o sil&ecirc;ncio, a  pros&oacute;dia e a organiza&ccedil;&atilde;o prox&eacute;mica da intera&ccedil;&atilde;o. Conclu&iacute;mos que estes mecanismos sugerem um  movimento de distancia&ccedil;&atilde;o, f&iacute;sica e emocional, que surge como consequ&ecirc;ncia do confronto entre duas imagens concorrentes do  protagonista: uma imagem estereotipicamente prevista de um filho em luto e a imagem do protagonista auto e heteroconstru&iacute;da no seu  discurso (um ethos disf&oacute;rico).</p>      <p><b>Palavras chave</b>: ethos discursivo, ethos pr&eacute;-discursivo, comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal, discurso liter&aacute;rio,  estere&oacute;tipo, doxa.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>      <p>Based on the concept of ethos, as proposed by Discourse Analysis theoretical framework, we have examined the ethos (or image of self) production of Albert Camus The Stranger&#8217;s main character. We have specifically focused on the correlation between the nonverbal and para-verbal elements and the discursive mechanisms, namely, how they simultaneously contributed, through the course of the hero&#8217;s mother&#8217;s funeral, to the production of a hetero-attributed dysphoric image of the main character. Thus we have identified and analyzed several nonverbal communication mechanisms, such as eye contact, silence, prosody and proxemics. We have concluded that these mechanisms suggest a movement of distancing, both physically and emotionally, which results from the clash between the main character&#8217;s two competing images: the stereotypical image of a son in grief and the negative ethos produced through his discursive interaction.</p>      <p><b>Keywords</b>: discursive ethos, pre-discursive ethos, nonverbal communication, literary discourse, stereotype, doxa.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>O presente artigo baseia-se no trabalho de disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado intitulado &#8220;A Constru&ccedil;&atilde;o do Ethos em <i>L&#8217;&eacute;tranger</i> de Albert Camus&#8221;, apresentado em novembro de 2013 &agrave; Universidade do Minho, no &acirc;mbito do curso de Mestrado em Lingu&iacute;stica Portuguesa e Comparada.<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup></p>      <p>Enquadrado no estudo de produ&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas aut&ecirc;nticas, e uma vez que engloba um complexo de mecanismos e estrat&eacute;gias discursivas rico e variado, selecion&aacute;mos o discurso liter&aacute;rio como objeto de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Embora, no quadro te&oacute;rico proposto pela An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso, comece a (re)surgir um interesse na articula&ccedil;&atilde;o das Ci&ecirc;ncias da Linguagem e da Literatura, estas duas &aacute;reas permanecem ainda demasiado aut&oacute;nomas, o que nos motivou para o estudo do discurso liter&aacute;rio, numa perspetiva lingu&iacute;stica. Os contributos da Lingu&iacute;stica no dom&iacute;nio liter&aacute;rio ultrapassam o simples fornecimento de ferramentas de an&aacute;lise e, neste quadro de investiga&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o capazes de abarcar o discurso liter&aacute;rio na sua multiplicidade e na sua diversidade e, como tal, propor e fundamentar novas linhas de leitura/investiga&ccedil;&atilde;o liter&aacute;rias.</p>      <p>O romance <i>L&#8217;&eacute;tranger</i><sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> de Albert Camus, al&eacute;m de constituir um marco no panorama liter&aacute;rio do s&eacute;culo XX, compreende mecanismos verbais, mas tamb&eacute;m mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>, que concorrem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma multiplicidade de imagens distintas do protagonista, Meursault, fundamentais para a organiza&ccedil;&atilde;o narrativa da obra.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na investiga&ccedil;&atilde;o que est&aacute; na base deste artigo, procedemos &agrave; an&aacute;lise qualtitativa de excertos que abrangem a globalidade da obra, e cuja sele&ccedil;&atilde;o teve em conta a ocorr&ecirc;ncia de discurso relatado, enquanto estrat&eacute;gia global ao servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i>. Partimos do pressuposto de que a elabora&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> se encontra presente em qualquer intera&ccedil;&atilde;o (<i>ethos</i> discursivo) (Maingueneau, 1999), mas, em particular, na hist&oacute;ria comum dos interlocutores e no imagin&aacute;rio doxal vigente numa determinada sociedade (<i>ethos</i> pr&eacute;-discursivo) (Amosy, 1999, 2010).</p>      <p>A an&aacute;lise realizada foi estruturada em duas partes centrais que correspondem a dois momentos nucleares da obra: o epis&oacute;dio do funeral e o epis&oacute;dio do julgamento. Esta organiza&ccedil;&atilde;o procura articular dois pontos de vista relativamente aos eventos que sucedem &agrave; morte da m&atilde;e do protagonista, designadamente, o ponto de vista de Meursault e o ponto de vista das restantes personagens. Como tal, tivemos em considera&ccedil;&atilde;o dois processos que participam na elabora&ccedil;&atilde;o das imagens do protagonista: a heteroconstru&ccedil;&atilde;o e a autoconstru&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Na an&aacute;lise das imagens das personagens constru&iacute;das num texto liter&aacute;rio, h&aacute; que considerar que todo o <i>ethos</i> &eacute;, necessariamente, discursivo. Contudo, no universo ficcional da obra, estabelecemos algumas distin&ccedil;&otilde;es, de forma a tornar mais expl&iacute;cito o tipo de rela&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da entre determinadas imagens e o desenvolvimento da intriga. Desta forma, consideraremos, a n&iacute;vel global, que, na primeira parte do romance, a imagem disf&oacute;rica do protagonista constru&iacute;da pelas outras personagens nos di&aacute;logos com Meursault vai constituir-se como um <i>ethos</i> pr&eacute;-discursivo desta personagem relativamente &agrave; segunda parte (o epis&oacute;dio do julgamento), onde esta imagem &eacute; convocada e possui um papel determinante no desfecho da intriga.</p>      <p>Para o presente artigo selecion&aacute;mos os excertos que contribuem para a heteroconstru&ccedil;&atilde;o desta imagem pr&eacute;-discursiva disf&oacute;rica do protagonista. Centrar-nos-emos nos mecanismos n&atilde;o lingu&iacute;sticos<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> (n&atilde;o verbais e paraverbais) em correla&ccedil;&atilde;o com os lingu&iacute;sticos enquanto marca da elabora&ccedil;&atilde;o desta imagem. Assim, analisaremos o modo como as intera&ccedil;&otilde;es do protagonista com as outras personagens se encontram organizadas, o contexto sociocultural particular destas intera&ccedil;&otilde;es na sua liga&ccedil;&atilde;o com certos estere&oacute;tipos invocados e, especialmente, o recurso a determinados mecanismos n&atilde;o lingu&iacute;sticos, nomeadamente, o contacto ocular, o sil&ecirc;ncio, a intensidade articulat&oacute;ria e a organiza&ccedil;&atilde;o prox&eacute;mica da intera&ccedil;&atilde;o. Pretendemos mostrar a influ&ecirc;ncia que exercem no curso da intera&ccedil;&atilde;o e o modo como contribuem para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma imagem disf&oacute;rica do protagonista.</p>      <p><b>2. Algumas quest&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas</b></p>      <p><i>2.1. O conceito de</i> ethos <i>&#8211; enquadramento te&oacute;rico</i></p>      <p>O conceito de <i>ethos</i>, tal como &eacute; teorizado atualmente no quadro proposto pela An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso, decorre essencialmente dos contributos da ret&oacute;rica aristot&eacute;lica e da perspetiva interacionista goffmaniana.</p>      <p>Com efeito, &eacute; na sua obra dedicada &agrave; Ret&oacute;rica que Arist&oacute;teles vai apresentar o conceito de <i>ethos</i>, inscrito na tr&iacute;ade de estrat&eacute;gias argumentativas (<i>ethos</i>, <i>logos</i> e <i>pathos</i>) das quais o orador deve fazer uso de forma a alcan&ccedil;ar a ades&atilde;o do audit&oacute;rio. O orador persuade, pois, atrav&eacute;s da sua argumenta&ccedil;&atilde;o no discurso (<i>logos</i>), da sua capacidade de emocionar o audit&oacute;rio (<i>pathos</i>) e pelo car&aacute;ter &#8220;mostrado&#8221; (<i>ethos</i>). Embora a prova pelo <i>ethos</i> se encontre claramente ligada ao orador, <i>ethos</i> refere-se, n&atilde;o ao ser emp&iacute;rico, mas &agrave; imagem que o orador constr&oacute;i de si no seu discurso, tal como afirma Arist&oacute;teles, &#8220;Persuade-se pelo car&aacute;cter quando o discurso &eacute; proferido de tal maneira que deixa a impress&atilde;o de o orador ser digno de f&eacute;&#8221; (Ret. I: 1356a). O importante aqui &eacute; que a imagem elaborada pelo orador no discurso revele os tra&ccedil;os de car&aacute;ter necess&aacute;rios para persuadir o audit&oacute;rio num dado contexto.</p>      <p>O <i>ethos</i> constitui, ent&atilde;o, uma no&ccedil;&atilde;o essencialmente discursiva, ou seja, encontra-se ligada ao uso da palavra em contexto, como afirma Eggs (1999: 33) &#8220;Le lieu qui engendre <i>l&#8217;ethos</i> est donc le discours, le <i>logos</i> de l&#8217;orateur, et il ne se montre qu&#8217;&agrave; travers les choix effectu&eacute;s par l&#8217;orateur&#8221;.</p>      <p>Para a tradi&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica romana, a prova pelo <i>ethos</i> centra-se, por outro lado, no car&aacute;ter do orador, ou seja, numa imagem anterior ao discurso, constru&iacute;da ao longo da vida do orador, atrav&eacute;s dos seus comportamentos, da sua forma&ccedil;&atilde;o e das suas atitudes. Esta problem&aacute;tica &eacute; retomada na Idade Cl&aacute;ssica com o renovado interesse na arte orat&oacute;ria<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No quadro da An&aacute;lise do Discurso, esta quest&atilde;o ser&aacute; recuperada em termos de <i>ethos</i> discursivo e <i>ethos</i> pr&eacute;-discursivo, mas sempre na rela&ccedil;&atilde;o que o locutor estabelece com o alocut&aacute;rio.</p>      <p>A problem&aacute;tica do ethos articula-se ainda, e na perspetiva do interacionismo simb&oacute;lico, com o conceito de <i>imagem de si</i> desenvolvido pelo soci&oacute;logo Erwing Goffman (1967, 1973). Os seus trabalhos sobre os rituais de intera&ccedil;&atilde;o social evidenciam a import&acirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o da <i>imagem de si</i> nas intera&ccedil;&otilde;es verbais, nomeadamente, atrav&eacute;s dos conceitos de <i>face</i> e de <i>presentation of self</i> que estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o estreita com a no&ccedil;&atilde;o de <i>ethos</i>.</p>      <p>Para Goffman, toda a intera&ccedil;&atilde;o social, como &#8220;the reciprocal influence of individuals upon one another&#8217;s actions when in one another&#8217;s immediate physical presence&#8221; (1973: 26), implica que os seus participantes efetuem, consciente ou inconscientemente, uma apresenta&ccedil;&atilde;o de si, ou seja, &#8220;the individual will have to act so that he intentionally or unintentionally <i>expresses</i> himself, and the others will in turn have to be <i>impressed</i> in someway by him&#8221; (<i>idem</i>: 14). A regula&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o tem, entre outros objetivos, a preserva&ccedil;&atilde;o da <i>face</i>. Goffman (1967:5) define <i>face</i> enquanto &#8220;the positive social value a person effectively claims for himself by the line others assume he has taken during a particular contact&#8221;. Face &eacute;, ent&atilde;o, uma &#8220;image of self delineated in terms of approved social attributes &#8211; albeit an image that others may share, as when a person makes a good showing for his profession or religion by making a good showing for himself&#8221; (<i>ibidem</i>).</p>      <p>Considerando a diverg&ecirc;ncia dos conceitos, mas, sobretudo, a sua conflu&ecirc;ncia, Ruth Amossy (2010) prop&otilde;e a assimila&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de <i>ethos</i> &agrave; de &#8220;pr&eacute;sentation de soi&#8221;, na sua conce&ccedil;&atilde;o alargada, ou seja, estendida, al&eacute;m das intera&ccedil;&otilde;es reais face a face, a todas as trocas verbais. Consideraremos, pois, o conceito de <i>ethos</i> na proposta de Amossy (<i>idem</i>: 26):</p>      <blockquote>    <p>Cette notion de pr&eacute;sentation de soi, on le voit, est &eacute;tonnamment proche de la notion aristot&eacute;licienne d&#8217;ethos : il s&#8217;agit d&#8217;une construction d&#8217;image qui s&#8217;effectue dans un &eacute;change social d&eacute;termin&eacute;, qu&#8217;elle contribue largement &agrave; r&eacute;guler.</p></blockquote>      <p>No dom&iacute;nio das Ci&ecirc;ncias da Linguagem, O. Ducrot (1984) introduz, no quadro da sua teoria polif&oacute;nica da enuncia&ccedil;&atilde;o, o termo <i>ethos,</i> embora sem grandes desenvolvimentos posteriores<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>. De acordo com Ducrot, o <i>ethos</i> &eacute; perspetivado, n&atilde;o como uma condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-existente ou extralingu&iacute;stica, mas como constru&ccedil;&atilde;o inerente ao discurso, quer ao momento da sua produ&ccedil;&atilde;o, quer aos momentos discursivos que o antecedem. Esta conce&ccedil;&atilde;o de <i>ethos</i> encontra-se no prolongamento da de Arist&oacute;teles, sublinhando a centralidade da enuncia&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o da imagem de si.</p>      <p>No quadro te&oacute;rico da An&aacute;lise do Discurso<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>, Dominique Maingueneau (1984, 1991, 1998, 1999) &eacute; o primeiro a elaborar e a desenvolver uma verdadeira &#8220;teoria do <i>ethos</i>&#8221; num quadro lingu&iacute;stico. Maingueneau recupera o conceito de <i>ethos</i> aristot&eacute;lico, vinculando esta no&ccedil;&atilde;o &agrave; de <i>enuncia&ccedil;&atilde;o</i>. &Eacute;, essencialmente, a conce&ccedil;&atilde;o de <i>ethos</i> enquanto inst&acirc;ncia intrinsecamente enunciativa que Maingueneau recupera da ret&oacute;rica aristot&eacute;lica. Contudo, o investigador procura distanciar-se do dom&iacute;nio da ret&oacute;rica, recentralizando o seu foco no quadro da An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso.</p>      <p>Assim, Maingueneau apresenta duas reformula&ccedil;&otilde;es nucleares relativamente ao conceito aristot&eacute;lico de <i>ethos</i>: 1) o conceito de <i>ethos</i> n&atilde;o se encontra circunscrito apenas &agrave; oralidade, estende-se igualmente &agrave; escrita e 2) a presen&ccedil;a do <i>ethos</i> n&atilde;o se restringe ao discurso argumentativo, pelo contr&aacute;rio, est&aacute; presente em todas as trocas verbais.</p>      <p>Ligado intimamente &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <i>ethos</i> discursivo, encontramos o conceito de <i>ethos</i> pr&eacute;-discursivo (&#8220;<i>ethos pr&eacute;alable&#8221;</i> na denomina&ccedil;&atilde;o de Ruth Amossy), enquanto imagem que o audit&oacute;rio constr&oacute;i/tem do locutor no momento em que este toma a palavra: podendo ser um <i>ethos</i> &#8220;coletivo&#8221; (por exemplo, o que se espera da interven&ccedil;&atilde;o de um m&eacute;dico ou de um pol&iacute;tico, etc.), ou um <i>ethos</i> individual, ou seja, as imagens que circulam sobre o locutor, num determinado espa&ccedil;o e tempo, imagens estas que os destinat&aacute;rios de um dado discurso atualizam.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A imagem individual pr&eacute;-discursiva do locutor engloba, assim, segundo a mesma investigadora: 1) o estatuto institucional do locutor, as fun&ccedil;&otilde;es ou a posi&ccedil;&atilde;o social que ocupa e que conferem legitimidade ao seu discurso, 2) a imagem que o audit&oacute;rio constr&oacute;i da pessoa antes de esta tomar a palavra, que corresponde &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es coletivas ou estere&oacute;tipos que lhe est&atilde;o associados. Assim, a imagem pr&eacute;-discursiva &eacute; entendida, segundo Amossy (2010:73), como</p>       <blockquote>    <p>l&#8217;ensemble des donn&eacute;es dont on dispose sur le locuteur au moment de sa pr&eacute;sentation du soi se compose donc d&#8217;aspects divers. Il comprend la repr&eacute;sentation sociale qui cat&eacute;gorise le locuteur, sa r&eacute;putation individuelle, l&#8217;image de sa personne qui d&eacute;rive d&#8217;une histoire conversationnelle ou textuelle, son statut institutionnel et social.</p></blockquote>      <p>Esta representa&ccedil;&atilde;o do locutor encontra-se, como defende R. Amossy (1991,1994, 1997), em parte, assente em estere&oacute;tipos. Amossy articula a an&aacute;lise argumentativa e o conceito de <i>ethos</i>, desenvolvendo uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o em torno desta no&ccedil;&atilde;o, em que prop&otilde;e que a imagem pessoal se encontra ancorada em estere&oacute;tipos e que o processo de constru&ccedil;&atilde;o da imagem &eacute; central na constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria.</p>      <p>Nesta perspetiva, a investigadora vai introduzir na an&aacute;lise da constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> o conceito de <i>estere&oacute;tipo</i>, que define como &#8220;une repr&eacute;sentation collective fig&eacute;e, un mod&egrave;le culturel qui circule dans le discours et dans les textes&#8221; (Amossy, 2010: 46). Por outras palavras, <i>estere&oacute;tipo</i> &eacute; um conjunto de representa&ccedil;&otilde;es coletivas que pr&eacute;-definem, em parte, a imagem do locutor numa determinada cultura e numa determinada &eacute;poca.</p>      <p>Estas representa&ccedil;&otilde;es coletivas constituem uma parte integrante de um dado &#8220;imaginaire sociodiscursif &#8221; e, nesta medida, encontram-se inseridas numa <i>doxa</i>, um &#8220;ensemble d&#8217;opinions, de croyances, de repr&eacute;sentations propres &agrave; une communaut&eacute; et qui ont &agrave; ses yeux valeur d&#8217;&eacute;vidence et force d&#8217;universalit&eacute;&#8221; (<i>idem</i>: 48). O conceito de <i>estere&oacute;tipo</i> &eacute;, ent&atilde;o, perspetivado como uma categoria indispens&aacute;vel &#8220;aussi bien en termes de construction d&#8217;identit&eacute; qu&#8217;en termes de communication efficace&#8221; (<i>idem</i>: 44). O <i>ethos</i> constr&oacute;i-se a partir destas representa&ccedil;&otilde;es que pr&eacute;-existem no imagin&aacute;rio coletivo. Nesta conce&ccedil;&atilde;o, o <i>estere&oacute;tipo</i> &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o de &#8220;leitura&#8221;, na medida em que o alocut&aacute;rio reconstr&oacute;i, tendo por base elementos d&iacute;spares contidos no discurso, a imagem do locutor em fun&ccedil;&atilde;o de um modelo cultural pr&eacute;-existente e o seu pr&oacute;prio conhecimento do mundo. Esta perspetiva salienta a dimens&atilde;o dial&oacute;gica do discurso atrav&eacute;s da qual todo o enunciado retoma e responde necessariamente &agrave; palavra do outro.</p>      <p>Nesta &oacute;tica, Amossy prop&otilde;e que &#8220;l&#8217;ethos discursif est toujours une r&eacute;action &agrave; l&#8217;&eacute;thos pr&eacute;alable &#8211; ma pr&eacute;sentation de soi se fonde toujours sur l&#8217;id&eacute;e que mon interlocuteur se fait d&#8217;ores et d&eacute;j&agrave; de ma personne&#8221; (<i>idem</i>:75). Ou seja, o <i>ethos</i> que o locutor constr&oacute;i no discurso inclui sempre a imagem que o interlocutor poder&aacute; fazer dele, tendo como base a sua inser&ccedil;&atilde;o numa representa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-existente ao discurso, mas que poder&aacute; n&atilde;o coincidir com a imagem que o interlocutor efectivamente faz dele.</p>      <p><i>2.2. Mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais</i></p>      <p>A constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> &eacute;, pois, um processo complexo e que mobiliza dispositivos lingu&iacute;sticos e discursivos de natureza diversa que contribuem para a sua elabora&ccedil;&atilde;o. Contudo, como as intera&ccedil;&otilde;es assentam fundamentalmente na multicanalidade, quer dizer, al&eacute;m da atividade verbal dos interlocutores, existem igualmente elementos n&atilde;o-verbais que integram o discurso, devemos considerar tamb&eacute;m os mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais que concorrem para a constru&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos principais contributos para fomentar o interesse do estudo dos mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais nas intera&ccedil;&otilde;es sociais, encontramos como nomes mais relevantes o antrop&oacute;logo Edward Hall (1966) e a sua teoria da prox&eacute;mica. Hall prop&otilde;e que a perce&ccedil;&atilde;o humana do espa&ccedil;o, embora decorrente do dom&iacute;nio sens&oacute;rio, &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, moldada pelo meio sociocultural. O antrop&oacute;logo prop&otilde;e diferentes categorias de forma a concetualizar o espa&ccedil;o pessoal, nomeadamente, o espa&ccedil;o int&iacute;mo, o espa&ccedil;o social e o espa&ccedil;o p&uacute;blico. Segundo Hall, a dist&acirc;ncia ou proximidade f&iacute;sica definida, pelas expectativas culturais, para cada uma das categorias apresenta um elevado grau de varia&ccedil;&atilde;o, tendo em conta a zona geogr&aacute;fica, o que pode originar falhas comunicativas em ambientes multiculturais. Os trabalhos de Hall tiveram um impacto cient&iacute;fico consider&aacute;vel, nomeadamente, na &aacute;rea da Antropologia, Sociologia, Psicologia e Geografia. Da mesma forma, as propostas de Hall contribuiram para o interesse lingu&iacute;stico pelo papel de elementos n&atilde;o-verbais, n&atilde;o s&oacute; prox&eacute;micos, mas tamb&eacute;m paraverbais, nas intera&ccedil;&otilde;es sociais.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m na investiga&ccedil;&atilde;o em Psicologia est&aacute; presente o interesse por estas dimens&otilde;es n&atilde;o-verbais. J. Cosnier (1984, 1989, 1996), que dedicou diversos trabalhos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal e aos gestos comunicativos, afirma que:</p>  <blockqoute>    <p>On sait aussi que, comme le &#8220;canal verbal&#8221;, le &#8220;canal kin&eacute;sique&#8221; va &ecirc;tre impliqu&eacute; dans l&#8217;expression d&#8217;un &#8220;contenu&#8221; autrement dit dans une activit&eacute; r&eacute;f&eacute;rentielle, mais peut-&ecirc;tre plus encore dans la manifestation d&#8217;une &laquo;relation&raquo;, autrement dit dans une activit&eacute; &laquo;interactionnelle&raquo; (&#8230;) (1996 : 1)</p></blockquote>      <p>Apresenta tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es principais dos gestos nas intera&ccedil;&otilde;es verbais, das quais consideraremos apenas a terceira<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>, que se relaciona com a empatia e com a comunica&ccedil;&atilde;o afetiva. A comunica&ccedil;&atilde;o afetiva compreende a comunica&ccedil;&atilde;o emocional, referente a &#8220;manifestations spontan&eacute;es des &eacute;tats internes&#8221;, (riso, choro, tremores) e a comunica&ccedil;&atilde;o emotiva que resulta de uma &#8220;elabora&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria&#8221; e permite a apresenta&ccedil;&atilde;o controlada dos afetos sejam estes reais ou n&atilde;o.</p>      <p>&Eacute; precisamente a fun&ccedil;&atilde;o afetiva dos gestos que, na nossa an&aacute;lise, constituir&aacute; um dos mecanismos de constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i>. Como afirma Cosnier (1996:3), a problem&aacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o afetiva aponta para a quarta das &#8220;<i>questions de parleur</i>&#8221;<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>: &#8220;Qu&#8217;est-ce qu&#8217;il en pense?&#8221;. Ou seja, o que &eacute; que o interlocutor acha do que o locutor diz e do que faz, ou melhor, qual &eacute; a imagem que o interlocutor cria do locutor atrav&eacute;s do seu discurso. Com efeito, elementos n&atilde;o-verbais, como o olhar, m&iacute;micas faciais, a postura, entre outros, podem constituir ind&iacute;cios, n&atilde;o s&oacute; de uma rela&ccedil;&atilde;o, mas igualmente de um <i>ethos</i>.</p>      <p>Dado o papel sociocultural e afetivo dos elementos n&atilde;o-verbais e paraverbais nas intera&ccedil;&otilde;es sociais, importa considerar a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal inserida num quadro te&oacute;rico, que categorize e defina os seus constituintes e a sua natureza.</p>      <p>Atualmente existe um n&uacute;mero significativo de trabalhos consagrados &agrave; an&aacute;lise de mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais, enquanto constituintes por direito da intera&ccedil;&atilde;o. Mencione-se os artigos de Gardner e Levy (2010) sobre a coordena&ccedil;&atilde;o de fala e a&ccedil;&atilde;o, de Yu (2011), que, numa an&aacute;lise multimodal, abordam a demonstra&ccedil;&atilde;o de frustra&ccedil;&atilde;o nos argumentos e os textos de Holler e Wilkin (2011) que desenvolveram um trabalho experimental sobre o grau de quantidade de gestos na comunica&ccedil;&atilde;o em correla&ccedil;&atilde;o com o <i>feedback</i> dos interlocutores.</p>      <p>De acordo com Ephratt (2011), diversos modelos<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup> foram j&aacute; propostos para categorizar a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal, sendo que todos estes sistemas assentam na experi&ecirc;ncia corp&oacute;rea (quer seja pelos diferentes sentidos, canais de perce&ccedil;&atilde;o ou org&atilde;os f&iacute;sicos). Contudo, como afirma o investigador, os estudos consagrados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal</p>       <blockquote>    <p>[&#8230;] exclude &#8216;&#8216;verbal&#8217;&#8217; language, so their attempts to subcategorize communication are made only in &#8216;&#8216;nonverbal&#8217;&#8217; communication. No matter which criteria they use, the language component is not accounted for. This results in non-exclusive criteria yielding a non-inclusive picture.</p></blockquote>      <p>Procurando contrariar esta tend&ecirc;ncia, Ephratt (2011) prop&otilde;e um modelo que, embora estruturado tamb&eacute;m nos cincos sentidos de perce&ccedil;&atilde;o, inclui a comunica&ccedil;&atilde;o verbal. Este modelo assenta essencialmente em dois dom&iacute;nios: o dom&iacute;nio exclusivamente relacionado com o corpo humano (<i>Human body exclusively</i>) e o dom&iacute;nio do al&eacute;m do corpo humano (<i>Beyond the human body</i>).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como referido, estas duas esferas encontram-se subordinadas aos cinco sentidos. Assim, encontramos, ao n&iacute;vel da perce&ccedil;&atilde;o visual, o olhar e as express&otilde;es faciais inseridas no dom&iacute;nio exclusivamente ligado ao corpo humano e, por seu turno, a apar&ecirc;ncia e o vestu&aacute;rio inseridos no dom&iacute;nio do al&eacute;m do corpo humano. Nesta perspetiva, a comunica&ccedil;&atilde;o verbal inscreve-se no dom&iacute;nio do corpo humano, ao n&iacute;vel da perce&ccedil;&atilde;o audit&oacute;ria, assim como elementos paraverbais (e.g. intensidade articulat&oacute;ria). J&aacute; elementos como a prox&eacute;mica (a dist&acirc;ncia entre dois corpos) inserem-se nos dois campos, uma vez que, no caso da prox&eacute;mica, a dist&acirc;ncia ou proximidade &eacute;, simultanemante, f&iacute;sica e sociocultural. Por seu turno, o sil&ecirc;ncio, enquanto elemento multifuncional, poder&aacute; decorrer de qualquer um dos campos, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o tipo de sil&ecirc;ncio em quest&atilde;o.</p>      <p>No quadro da An&aacute;lise do Discurso, a dimens&atilde;o do n&atilde;o-verbal e do paraverbal constitui, por um lado, uma parte integrante do contexto<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>, na medida em que certos elementos participam do quadro espacio-temporal, tal como a organiza&ccedil;&atilde;o prox&eacute;mica do espa&ccedil;o, enquanto outros, como a apar&ecirc;ncia e o vestu&aacute;rio, s&atilde;o caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias dos participantes. Por seu turno e de acordo com Kerbrat-Orecchioni (1990), os elementos n&atilde;o-verbais e paraverbais fazem parte, a par do verbal, do material semi&oacute;tico indispens&aacute;vel &agrave;s intera&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>Tal remete-nos para quest&atilde;o da multicanalidade da intera&ccedil;&atilde;o. Como refere a investigadora (<i>idem</i>:150) &#8220;La communication est <i>multicanale</i>: elle exploite un mat&eacute;riel comportemental faits de mots, mais aussi d&#8217;inflexions, de regards, de gestes, de mimiques (&#8230;)&#8221;. Assim, nas intera&ccedil;&otilde;es verbais, al&eacute;m da atividade discursiva ou verbal dos interlocutores, existem igualmente elementos n&atilde;o-verbais que integram a estrutura&ccedil;&atilde;o discursiva, o que significa que, no curso da intera&ccedil;&atilde;o, h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de complementariedade entre os diferentes canais:</p>      <blockquote>    <p>&#8220;Les unit&eacute;s paraverbales et non verbales ne viennent pas s&#8217;ajouter aux unit&eacute;s verbales, mais les diff&eacute;rents modes de communication sont int&eacute;gr&eacute;s les uns aux autres (&#8230;)&#8221; (idem:153).</p></blockquote>      <p>Na sua reflex&atilde;o sobre o funcionamento dos elementos n&atilde;o-verbais e paraverbais, Kerbrat-Orecchioni elenca diferentes aspetos desta dimens&atilde;o que se revelam fundamentais para o desenvolvimento da intera&ccedil;&atilde;o, entre os quais sobressai a necessidade de fornecer as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o in&iacute;cio, o desenvolvimento e o fim da intera&ccedil;&atilde;o. Os interlocutores t&ecirc;m que se encontrar a uma determinada dist&acirc;ncia de forma a possibilitar a comunica&ccedil;&atilde;o, no curso da intera&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria a manuten&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica do contacto ocular e, para que esta possa terminar, os interlocutores t&ecirc;m que se distanciar uns dos outros, uma vez que as f&oacute;rmulas de despedida, por si, n&atilde;o s&atilde;o suficientes para marcar o fim da intera&ccedil;&atilde;o. Ao n&iacute;vel da estrutura da intera&ccedil;&atilde;o, aponta como principais usos a regula&ccedil;&atilde;o do sistema de altern&acirc;ncia de vez, atrav&eacute;s, sobretudo da pros&oacute;dia, e da organiza&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o em unidades hierarquizadas, uma vez que certos marcadores pros&oacute;dicos e modifica&ccedil;&otilde;es de postura podem assinalar as mudan&ccedil;as de sequ&ecirc;ncia (<i>idem</i>: 145). J&aacute;, no que diz respeito ao conte&uacute;do da intera&ccedil;&atilde;o, a investigadora afirma que os elementos n&atilde;o-verbais e paraverbais contribuem para a sua determina&ccedil;&atilde;o, por exemplo, na dete&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos impl&iacute;citos ou na realiza&ccedil;&atilde;o de certos atos verbais indiretos. A dimens&atilde;o n&atilde;o-verbal, de acordo com a investigadora, pode igualmente fornecer ind&iacute;cios de contextualiza&ccedil;&atilde;o, especialmente, no que concerne as caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas, psicol&oacute;gicas e sociais dos participantes, como acima mencion&aacute;mos. Os elementos n&atilde;o-verbais podem ainda constituir marcas de uma determinada rela&ccedil;&atilde;o interpessoal, seja esta de familiariedade, de dist&acirc;ncia ou de assimetria.</p>      <p><b>3. An&aacute;lise: mecanismos n&atilde;o-verbais de constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i></b></p>      <p>Analisaremos, ent&atilde;o, os mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais na sua correla&ccedil;&atilde;o com os elementos lingu&iacute;sticos, como parte integrante da organiza&ccedil;&atilde;o discursiva das intera&ccedil;&otilde;es sociais em quest&atilde;o. Assim, &eacute; importante considerar o tipo de organiza&ccedil;&atilde;o que caracteriza as intera&ccedil;&otilde;es em que o protagonista, Meursault, participa, uma vez que apresentam uma estrutura particular.</p>      <p>O esquema abaixo mostra o lugar a&iacute; ocupado pelos participantes nas diversas intera&ccedil;&otilde;es:</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. Interlocutor de Meursault: interven&ccedil;&atilde;o iniciativa</p>      <p>2. Meursault: interven&ccedil;&atilde;o reativa n&atilde;o preferencial [nova sequ&ecirc;ncia iniciativa/ reativa]</p>      <p>3. Interlocutor: interven&ccedil;&atilde;o avaliativa n&atilde;o-verbal, podendo ser acompanhada por elementos verbais, que marcam o fim da intera&ccedil;&atilde;o</p></blockquote>      <p>Pretendemos mostrar como o recurso a mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais est&aacute; ao servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem do protagonista e como estes elementos desempenham um papel fucral no curso da intera&ccedil;&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o a esta quest&atilde;o, &eacute; importante considerar tamb&eacute;m o tipo de interven&ccedil;&otilde;es que caracteriza os enunciados do protagonista: interven&ccedil;&otilde;es reativas curtas, insuficientes para favorecerem a gest&atilde;o colaborativa e a manuten&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o verbal, mas tamb&eacute;m social. A incapacidade de manuten&ccedil;&atilde;o e cogest&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o, marcada pelo car&aacute;ter meramente reativo das interven&ccedil;&otilde;es de Meursault e pelas suas respostas demasiado curtas que anulam a possibilidade de conversa&ccedil;&atilde;o, contribuem para a constru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> disf&oacute;rico.</p>      <p>Consideraremos ainda os mecanismos n&atilde;o-verbais na dimens&atilde;o social e afetiva, acima verificada, tendo em conta o contexto sociocultural no qual se inserem os excertos selecionados. Concretamente, analisaremos o epis&oacute;dio do funeral da m&atilde;e do protagonista como um espa&ccedil;o social ritualizado<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> que, como tal, se encontra regido por normas espec&iacute;ficas e &eacute; objeto de determinadas expectativas culturais. Enquanto espa&ccedil;o social, o funeral favorece, ou &#8220;imp&otilde;e&#8221; mesmo, a partir do imagin&aacute;rio doxal vigente na comunidade, uma determinada conduta<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup>.</p>      <p>Ora, no epis&oacute;dio do funeral, Meursault apresenta determinados comportamentos verbais e n&atilde;o-verbais que v&atilde;o contra as normas sociais deste ritual, como por exemplo, tomar caf&eacute;, dormir, fumar durante o vel&oacute;rio, desconhecer a idade da m&atilde;e e recusar-se a ver o corpo da defunta. H&aacute;, a partir destes comportamentos, uma derroga&ccedil;&atilde;o do estere&oacute;tipo de <i>filho em luto</i>, desencadeador de um &#8220;conflito&#8221; social, na medida em que os la&ccedil;os familiares inserem o protagonista neste estere&oacute;tipo, mas a sua conduta, e, por conseguinte, a imagem que constr&oacute;i de si, n&atilde;o se coaduna com o ester&oacute;tipo.</p>       <p>Como este espa&ccedil;o social particular acarreta, ao n&iacute;vel das expectativas doxais, um determinado estado emocional (luto, sofrimento, ang&uacute;stia), teremos igualmente em considera&ccedil;&atilde;o o aspeto afetivo da comunica&ccedil;&atilde;o. Dado o contexto f&uacute;nebre e o grau de parentesco pr&oacute;ximo que o protagonista partilha com o defunto, existe a convoca&ccedil;&atilde;o de determinados valores sociais e afetivos, que podem ser parafraseados por enunciados doxais do tipo &#8220;M&atilde;e h&aacute; s&oacute; uma&#8221;, &#8220;Os filhos amam as m&atilde;es&#8221;, &#8220;A perda da m&atilde;e &eacute; um acontecimento tr&aacute;gico e marcante para os filhos&#8221;.</p>      <p>Considerando estes valores, as transgress&otilde;es de Meursault, relativamente &agrave;s expectativas sociais do que deve ser o comportamento de um filho em luto, ser&atilde;o interpretadas pelos seus interlocutores como &iacute;ndices de aus&ecirc;ncia de afetividade. Ser&aacute;, pois, esta diverg&ecirc;ncia entre a imagem prevista nesta situa&ccedil;&atilde;o, o estere&oacute;tipo de &#8220;filho enlutado&#8221;, especialmente, no que diz respeito ao estado emocional, e a imagem que Meursault constr&oacute;i de si mesmo que d&aacute; origem a um <i>ethos</i> disf&oacute;rico.</p>      <p><i>3.1. Algumas fun&ccedil;&otilde;es do contacto ocular</i></p>      <p>O contacto ocular, nos seus diferentes tipos (olhar fixo, relance, aus&ecirc;ncia de contacto ocular, entre outros), pode, acompanhando elementos lingu&iacute;sticos, desempenhar um papel relevante na intera&ccedil;&atilde;o social.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Janney (1999) apresenta, como exemplo da intera&ccedil;&atilde;o entre gestos f&iacute;sicos e enunciados, o caso do debate televisivo entre Geroge Bush, Bill Clinton e Ross Perot, durante as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1972, em que um relance de Bush em dire&ccedil;&atilde;o a Clinton no momento em que este enuncia um coment&aacute;rio geral negativo &eacute; entendido e recuperado pelos seus interlocutores como um ataque dirigido a Clinton.</p>      <p>Mas a import&acirc;ncia e a fun&ccedil;&atilde;o do contacto ocular constituem uma problem&aacute;tica controversa entre os investigadores da comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal. Segundo Kerbrat-Orecchioni (1992:42), a teoria cl&aacute;ssica (apresentada por Argyle &amp; Dean, 1965) sustenta que quanto maior &eacute; o grau de proximidade dos interlocutores maior ser&aacute; o n&uacute;mero de contactos oculares; mas esta teoria &eacute; contestada por investigadores, como Swain <i>et al</i> (1982), que defendem que quanto maior for a dist&acirc;ncia entre os interlocutores, maior &eacute; a sua necessidade de se assegurarem das rea&ccedil;&otilde;es do outro.</p>      <p>Assim, dependendo da teoria, o contacto ocular pode aumentar em rela&ccedil;&otilde;es de proximidade ou aumentar em rela&ccedil;&otilde;es de dist&acirc;ncia, atendendo, claro, a fun&ccedil;&otilde;es diferentes. Parece-nos que, quer num caso quer noutro, falta a considera&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o sociocultural que determina estes comportamentos. Deste modo, &eacute; importante ter em considera&ccedil;&atilde;o o contexto, de forma a interpretar e categorizar o aumento ou a diminui&ccedil;&atilde;o dos contactos oculares durante a intera&ccedil;&atilde;o, uma vez que, na verdade, s&atilde;o sobretudo quest&otilde;es socioculturais que devem ser consideradas.</p>      <p>Em <i>L&#8217; &eacute;tranger</i>, o primeiro contacto de Meursault com o cen&aacute;rio do funeral &eacute; marcado por uma intera&ccedil;&atilde;o onde o contacto ocular tem pap&eacute;is distintos, em articula&ccedil;&atilde;o com dados prox&eacute;micos e emocionais:</p>      <p>(1) &Agrave; ce moment, le concierge est entr&eacute; derri&egrave;re mon dos. Il avait d&ucirc; courir. Il a b&eacute;gay&eacute; un peu : &laquo;On l&#8217;a couverte, mais je dois d&eacute;visser la bi&egrave;re pour que vous puissiez la voir&raquo;. Il s&#8217;approchait de la bi&egrave;re quand je l&#8217;ai arr&ecirc;t&eacute;. Il m&#8217;a dit: &laquo;Vous ne voulez pas?&raquo; J&#8217;ai r&eacute;pondu: &laquo;Non.&raquo; Il s&#8217;est interrompu et j&#8217;&eacute;tais g&ecirc;n&eacute; parce que je sentais que je n&#8217;aurais pas d&ucirc; dire cela. Au bout d&#8217;un moment, <b>il m&#8217;a regard&eacute; </b>et il m&#8217;a demand&eacute; : &laquo;Pourquoi ?&raquo; mais sans reproche, comme s&#8217;il s&#8217;informait. J&#8217;ai dit : &laquo;Je ne sais pas.&raquo; Alors tortillant sa moustache blanche, <b>il a d&eacute;clar&eacute; sans me regarder </b>: &laquo;Je comprends.&raquo; <sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup> [pp.14]<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup></p>      <p>O papel do contacto ocular nesta intera&ccedil;&atilde;o tem de ser enquadrado, primeiramente, no &#8220;conflito&#8221; introduzido por um conjunto de trocas verbais (e n&atilde;o verbais) entre o protagonista e o porteiro.</p>      <p>Assim, a intera&ccedil;&atilde;o &eacute; iniciada por um ato n&atilde;o-verbal<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup> de oferecimento, acompanhado da desloca&ccedil;&atilde;o do porteiro em dire&ccedil;&atilde;o ao caix&atilde;o, e um ato reativo, tamb&eacute;m n&atilde;o-verbal, de recusa do protagonista. O ato de recusa encontra-se marcado como n&atilde;o preferencial<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup>, especialmente, no contexto f&uacute;nebre, uma vez que, o ato de ver o corpo de um familiar se encontra previsto nas expectativas sociais do ritual lutuoso<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup>. A aus&ecirc;ncia de qualquer ato secund&aacute;rio de justifica&ccedil;&atilde;o acentua a disforia da resposta. O desenvolvimento da intera&ccedil;&atilde;o &eacute; modelado por este facto. Com efeito, as sequ&ecirc;ncias n&atilde;o preferenciais s&atilde;o, segundo Kerbrat-Orecchioni (1990: 272), mais elaboradas que as dos encadeamentos n&atilde;o marcados, porque</p>  <blockqoute>    <p>elle[s] s&#8217;accompagne[nt] g&eacute;n&eacute;ralement de certaines pr&eacute;cautions rituelles (&#8220;pr&eacute;&#8221;, excuses, justifications, formulation indirecte, adoucisseurs divers), c&#8217;est-&agrave;-dire que les encha&icirc;nements &#8220;non pr&eacute;f&eacute;r&eacute;s&#8221; sont plus &#8220;co&ucirc;teux&#8221; linguistiquement (ils consomment davantage de mat&eacute;riel signifiant), mais aussi sans doute cognitivement, et psychologiquement.</p></blockquote>      <p>A primeira troca verbal encontra-se na sequ&ecirc;ncia do conflito introduzido pela recusa. Esta &eacute; composta por um pedido de confirma&ccedil;&atilde;o da recusa<sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup>: (&#8220;Vous ne voulez pas?&#8221;) e pelo ato de confirma&ccedil;&atilde;o (&#8220;Non.&#8221;). Mais uma vez, a resposta do protagonista n&atilde;o apresenta qualquer tipo de &#8220;pr&eacute;cautions rituelles&#8221;: a aus&ecirc;ncia de justifica&ccedil;&atilde;o aponta precisamente para uma falta de &#8220;esfor&ccedil;o&#8221; psicol&oacute;gico que sugere uma aus&ecirc;ncia afetiva. Com efeito, as respostas de Meursault s&atilde;o demasiado curtas (geralmente constitu&iacute;das por um ou dois lexemas), insuficientes para assegurar a continua&ccedil;&atilde;o da conversa&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Sendo a recusa um ato n&atilde;o preferencial, e como n&atilde;o existem marcas lingu&iacute;sticas ou n&atilde;o lingu&iacute;sticas de atenua&ccedil;&atilde;o, a segunda troca verbal &eacute; iniciada por um pedido de explica&ccedil;&atilde;o (&#8220;Pourquoi?&#8221;), introduzido pelo verbo introdutor de discurso relatado &#8220;demander&#8221;, acompanhado por um elemento n&atilde;o-verbal (&#8220;il m&#8217;a regard&eacute;&#8221;). Neste caso, o contacto ocular e o ato de pergunta estabelecem, assim, uma rela&ccedil;&atilde;o de complementaridade.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este conflito provoca um desvio face &agrave;s poss&iacute;veis rea&ccedil;&otilde;es expect&aacute;veis neste tipo de intera&ccedil;&atilde;o, tornando-a menos previs&iacute;vel. O contacto ocular constitui uma rea&ccedil;&atilde;o a este conflito, agravado pelo facto de o di&aacute;logo ocorrer entre dois estranhos. Ora para Kerbrat-Orecchioni (1992:43) &#8220;Plus les locuteurs sont &eacute;trangers l&#8217;un &agrave; l&#8217;autre, et plus ils ont besoin de s&#8217;assurer des r&eacute;actions d&#8217;autrui, pour en quelque sorte compenser l&#8217;incertitude que cr&eacute;e cette m&eacute;connaissance&#8221;. Por outras palavras, a imprevisibilidade da recusa obriga o interlocutor a um esfor&ccedil;o acrescido na manuten&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o, uma vez que o curso previsto da intera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se concretiza.</p>      <p>A resposta de Meursault, modalizada epistemicamente por um valor de &#8220;desconhecimento&#8221; (&#8220;J&#8217;ai dit: &laquo;Je ne sais pas.&raquo; &#8221;), no contexto particular do funeral e na sequ&ecirc;ncia dos pares adjacentes precedentes desloca este valor epist&eacute;mico de &#8220;desconhecimento&#8221; para um plano afetivo-axiol&oacute;gico. Isto &eacute;, a recusa em cumprir as expectativas normativas do ritual, aliada &agrave; aus&ecirc;ncia de uma explica&ccedil;&atilde;o provoca a transfer&ecirc;ncia do valor epist&eacute;mico de &#8220;desconhecimento&#8221; do contexto do par adjacente para uma dimens&atilde;o afetiva: s&atilde;o os sentimentos de Meursault em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua m&atilde;e que se esvaziam de certeza.</p>      <p>Como tal, o valor do contacto ocular expresso no sintagma &#8220;sans me regarder&#8221; difere daquele que apresent&aacute;mos para a express&atilde;o &#8220;il m&#8217;a regard&eacute;&#8221;: a rela&ccedil;&atilde;o entre o enunciado e o contacto ocular j&aacute; n&atilde;o &eacute; de complementaridade. Embora o enunciado &#8220;Je comprends&#8221; seja indicativo de uma rela&ccedil;&atilde;o de solidariedade, a aus&ecirc;ncia (ou mesmo o evitamento) de contacto ocular constitui uma manifesta&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncia: o locutor distancia-se na rela&ccedil;&atilde;o interlocutiva. Neste movimento de distancia&ccedil;&atilde;o h&aacute; uma recusa de ades&atilde;o, no sentido que Maingueneau<sup><a href="#20" name="top20">[20]</a></sup> (1999) lhe confere, um &#8220;univers de sens&#8221; que difere do de Meursault.</p>      <p>No epis&oacute;dio do julgamento, o contacto ocular refor&ccedil;a os valores comunicacionais que acab&aacute;mos de apresentar. Embora confinado ao estatuto de participante n&atilde;o ratificado (Goffman, 1981), a presen&ccedil;a de Meursault enquanto ouvinte, o relato das intera&ccedil;&otilde;es em que este participou no curso do funeral, mas sobretudo a recupera&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> pr&eacute;-discursivo disf&oacute;rico do protagonista, aduzem, no discurso das testemunhas, o mesmo valor negativo do contacto ocular, refor&ccedil;ando a constru&ccedil;&atilde;o efetiva deste <i>ethos</i> disf&oacute;rico.</p>      <p>O exemplo (2) mostra, mais uma vez, uma recusa em estabelecer contacto ocular que, acima atribu&iacute;mos a uma express&atilde;o de distanciamento, sobretudo de car&aacute;ter socio-afetivo.</p>      <blockquote>    <p>(2) En arrivant, <b>le concierge m&#8217;a regard&eacute; et il a d&eacute;tourn&eacute; les yeux. </b>Il a r&eacute;pondu aux questions qu&#8217;on lui posait. Il a dit que je n&#8217;avais pas voulu voir maman, que j&#8217;avais fum&eacute;, que j&#8217;avais dormi et que j&#8217;avais pris du caf&eacute; au lait.<sup><a href="#21" name="top21">[21]</a></sup> [pp.136]</p></blockquote>      <p>Tamb&eacute;m em (3) existe esse movimento de distancia&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da refer&ecirc;ncia &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do olhar da personagem.</p>      <blockquote>    <p>(3) &Agrave; une autre question, il a r&eacute;pondu qu&#8217;il avait &eacute;t&eacute; surpris de mon calme le jour de l&#8217;enterrement. On lui a demand&eacute; ce qu&#8217;il entendait par calme. <b>Le directeur a regard&eacute; alors le bout de ses souliers </b>et il a dit que je n&#8217;avais pas voulu voir maman, je n&#8217;avais pas pleur&eacute; une seule fois et j&#8217;&eacute;tais parti aussit&ocirc;t apr&egrave;s l&#8217;enterrement sans me recueillir sur sa tombe.<sup><a href="#22" name="top22">[22]</a></sup> [pp.135]</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, neste caso, a manifesta&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; a um n&iacute;vel f&iacute;sico, mas &eacute;, principalmente, em rela&ccedil;&atilde;o ao objeto do discurso (os comportamentos an&oacute;malos de Meursautl); ali&aacute;s a refer&ecirc;ncia ao olhar &#8211; desviado para &#8220;le bout des souliers&#8221; acompanha o verbo &#8220;dire&#8221; introdutor do discurso relatado.</p>      <p>A transgress&atilde;o das expectativas doxais relativamente &agrave; atitude de um filho em estado de luto constitui um comportamento an&oacute;malo, cujas repercurss&otilde;es sociais (e na constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem de si) se assemelham &agrave;s de um estigma<sup><a href="#23" name="top23">[23]</a></sup>. Assim, o contacto ocular, ou melhor, a aus&ecirc;ncia/ recusa de contacto ocular constituem uma marca da heteroconstru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> disf&oacute;rico do protagonista, uma vez que manifestam um desejo de distanciamento das restantes personagens-interlocutores, ao n&iacute;vel f&iacute;sico, emocional e social.</p>      <p><i>3.2. Aspetos pros&oacute;dicos: intensidade articulat&oacute;ria</i></p>      <p>A intensidade articulat&oacute;ria, tal como o contacto ocular, constitui um elemento importante no que diz respeito &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o do tipo de rela&ccedil;&atilde;o interpessoal na qual os interlocutores participam. Kerbrat-Orecchioni (1992: 43) d&aacute; o exemplo dos sussurros e de &#8220;ce que les phon&eacute;ticiens appellent &#8216;la voix de la proximit&eacute;&#8217;&#8221; que se encontram associados a uma rela&ccedil;&atilde;o de intimidade. M. Grosjean (1991), (<i>apud</i> Kerbrat-Orecchioni, <i>ibidem</i>) por seu turno, concluiu, atrav&eacute;s das suas experi&ecirc;ncias, que a voz desempenha um papel fundamental na marca&ccedil;&atilde;o da dist&acirc;ncia psicol&oacute;gica e social:</p>      <blockquote>    <p>Principal syst&egrave;me de communication &agrave; distance [&#8230;], la voix serait ainsi un signe fondamental du lien, en ce qu&#8217;il appara&icirc;t &ecirc;tre le support id&eacute;al pour traduire par homologie notre distance psychologique et sociale &agrave; l&#8217;autre.</p></blockquote>      <p>Com efeito, a intensidade articulat&oacute;ria dos interlocutores &eacute; relevante na defini&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, mas &eacute;-o tamb&eacute;m em diferentes e variados aspetos da intera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Os trabalhos experimentais de Prieto e Nadeu (2010) e Prieto <i>et al</i>. (2012) mostram o papel da pros&oacute;dia (entoa&ccedil;&atilde;o, intensidade articulat&oacute;ria, qualidade vocal) em correla&ccedil;&atilde;o com express&otilde;es faciais e gestos, na perce&ccedil;&atilde;o da incredulidade e na ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de cortesia, no curso da intera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>A varia&ccedil;&atilde;o articulat&oacute;ria<sup><a href="#24" name="top24">[24]</a></sup> tem um lugar de destaque em (4), na sequ&ecirc;ncia de mais uma intera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o colaborativa:</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(4) Voulez-vous auparavant voir votre m&egrave;re une derni&egrave;re fois ?&raquo; J&#8217;ai dit <i>non</i>. Il [le directeur] a ordonn&eacute; dans le t&eacute;l&eacute;phone <b>en baissant la voix </b>: &laquo;Figeac, dites aux hommes qu&#8217;ils peuvent aller.&raquo;<sup><a href="#25" name="top25">[25]</a></sup> [pp.23]</p></blockquote>      <p>A intensidade articulat&oacute;ria expressa pelo sintagma &#8220;en baissant la voix&#8221;, que acompanha o verbo introdutor de discurso relatado &#8220;ordonner&#8221;, constitui uma marca de distancia&ccedil;&atilde;o social, bem como, psicol&oacute;gica: a recusa em ver o corpo da m&atilde;e &eacute; tratada como um assunto interdito ou tabu.</p>      <p>A tem&aacute;tica deste excerto prolonga a sequ&ecirc;ncia que analis&aacute;mos em (1). O t&oacute;pico &eacute; retomado, mas desta vez com um novo interlocutor. Por isso, (4) deve ser analisado &agrave; luz do precedente, uma vez que a pergunta que inicia este excerto vem no seguimento do ato de recusa anterior. E permite a possibilidade de reconcilia&ccedil;&atilde;o com as normas, adquirindo um car&aacute;ter de urg&ecirc;ncia mostrado no uso do sintagma &#8220;une derni&egrave;re fois&#8221;. Ou seja, existe ainda a oportunidade de cumprir a expectativa doxal, de reparar os danos causados &agrave; imagem do protagonista pela recusa inicial e, por conseguinte, reintegrar-se na imagem estereotipada do filho enlutado. A nova recusa do protagonista vai consolidar a imagem disf&oacute;rica criada na intera&ccedil;&atilde;o precedente.</p>      <p>A redu&ccedil;&atilde;o do tom de voz por parte do interlocutor poder&aacute; tamb&eacute;m constituir uma tentativa de colocar Meursault fora da intera&ccedil;&atilde;o verbal, como um mecanismo de distancia&ccedil;&atilde;o afetiva do conte&uacute;do e das implica&ccedil;&otilde;es do enunciado, isto &eacute;, a recusa em ver o corpo da m&atilde;e que evoca valores paradoxais, como &#8220;O filho n&atilde;o ama a m&atilde;e&#8221; ou &#8220;O filho n&atilde;o se quer despedir da m&atilde;e&#8221;. Ou seja, o movimento de distanciamento ocorre em dois n&iacute;veis diferentes: um distanciamento relativamente ao objeto do discurso e um distanciamento relativamente a Meursault.</p>      <p>Assim, o afastamento da postura e dos comportamentos estereotipicamente expect&aacute;veis de um filho em estado de luto conduz &agrave; heteroconstru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> de car&aacute;ter claramente negativo, a partir do distanciamento, f&iacute;sico e emocional, dos interlocutores relativamente a Meursault.</p>      <p>Retomando o contexto do julgamento, o exemplo (5) mostra tamb&eacute;m a intensidade articulat&oacute;ria como marca de constru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> disf&oacute;rico.</p>      <blockquote>    <p>(5) L&#8217;avocat g&eacute;n&eacute;ral a dit qu&#8217;&agrave; suite des d&eacute;clarations de Marie &agrave; l&#8217;instruction, il avait consult&eacute; les programmes de cette date. Il a ajout&eacute; que Marie elle-m&ecirc;me dirait quel film on passait alors. <b>D&#8217;une voix presque blanche</b>, en effet, elle a indiqu&eacute; que c&#8217;&eacute;tait un film de Fernandel.<sup><a href="#26" name="top26">[26]</a></sup> [pp.142]</p></blockquote>      <p>Neste excerto, o procurador pede a Marie, namorada de Meursault, para revelar o nome do filme a que ambos assistiram, ap&oacute;s uma tarde passada nas piscinas, no dia seguinte ao funeral. Uma vez que o g&eacute;nero do filme (uma com&eacute;dia) se torna inadequado relativamente ao estado emocional esperado de um filho enlutado, a descri&ccedil;&atilde;o do tom de voz de Marie como &#8220;d&#8217;une voix presque blanche&#8221;, isto &eacute;, uma articula&ccedil;&atilde;o sem timbre ou sem entoa&ccedil;&atilde;o, revela uma atitude de relut&acirc;ncia em realizar o ato que poder&aacute; equivaler a um ato de admiss&atilde;o de culpa por associa&ccedil;&atilde;o. Com efeito, a relut&acirc;ncia de Marie implica a consci&ecirc;ncia de que no seio da comunidade h&aacute; uma discrep&acirc;ncia entre um estado emocional de tristeza socialmente previsto de um filho em luto e uma disposi&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica para a visualiza&ccedil;&atilde;o de um filme, o que refor&ccedil;a a constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> disf&oacute;rico do protagonista.</p>      <p><i>3.3. Multifuncionalidade do sil&ecirc;ncio</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em contexto interacional, o sil&ecirc;ncio possui um papel preponderante e pode desempenhar diferentes fun&ccedil;&otilde;es. Michal Ephratt (2008: 1911) afirma, a prop&oacute;sito do trabalho de Bilmes (1994), que</p>      <blockquote>    <p>Bilmes (1994) adheres to his view that &#8216;&#8216;where the rule is &#8216;Speak&#8217;, not speaking is communicative&#8217;&#8217; (78), writing that &#8216;&#8216;conversational silence is the absence of talk (or of particular kinds of talk) where talk might relevantly occur&#8217;&#8217; (79).</p></blockquote>      <p>Ou, por outras palavras, numa intera&ccedil;&atilde;o social, o sil&ecirc;ncio pode desempenhar uma fun&ccedil;&atilde;o comunicativa, cuja import&acirc;ncia interativa pretendemos comprovar na an&aacute;lise do seguinte excerto:</p>      <p>(6) J&#8217;ai demand&eacute; deux jours de cong&eacute; &agrave; mon patron et il ne pouvait pas me les refuser avec une excuse pareille. Mais il n&#8217;avait pas l&#8217;air content. Je lui ai m&ecirc;me dit : &laquo;Ce n&#8217;est pas de ma faute.&raquo; <b>Il n&#8217;a pas r&eacute;pondu</b>. J&#8217;ai pens&eacute; alors que je n&#8217;aurais pas d&ucirc; dire cela. En somme, je n&#8217;avais pas &agrave; m&#8217;excuser. C&#8217;&eacute;tait plut&ocirc;t &agrave; lui de me pr&eacute;senter ses condol&eacute;ances.<sup><a href="#27" name="top27">[27]</a></sup> [pp.9/10]</p>      <p>Em (6), o sil&ecirc;ncio do destinat&aacute;rio &eacute; provocado, dado o t&oacute;pico e o contexto, pelo coment&aacute;rio reativo de Meursault &#8220;Ce n&#8217;est pas de ma faute&#8221; dirigido ao patr&atilde;o. Esta aus&ecirc;ncia de rea&ccedil;&atilde;o verbal &eacute; perspetivada como um ato avaliativo por Meursault. O coment&aacute;rio metadiscursivo decorre da avalia&ccedil;&atilde;o que Meursault faz do sil&ecirc;ncio do seu interlocutor: o marcador discursivo &#8220;alors&#8221; com valor temporal e consecutivo estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o de causalidade entre os dois enunciados (&#8220;J&#8217;ai pens&eacute; alors que je n&#8217;aurais pas d&ucirc; dire cela&#8221;).</p>      <p>Assim, o sil&ecirc;ncio vai adquirir um papel central nesta intera&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que &eacute; entendido como um ato avaliativo e, como tal, provoca a reinterpreta&ccedil;&atilde;o, por parte do protagonista, do enunciado &#8220;Ce n&#8217;est pas de ma faute&#8221; como um <i>faux pas</i>, isto &eacute;, um coment&aacute;rio que socialmente n&atilde;o &eacute; adequado ao contexto em quest&atilde;o. Pois, embora este excerto n&atilde;o se encontre inserido no espa&ccedil;o do funeral, o contexto da morte da m&atilde;e, com os valores doxais que acarreta, abarca todas as intera&ccedil;&otilde;es sociais inscritas numa proximidade temporal do evento, quer seja esta anterior ou posterior ao pr&oacute;prio funeral.</p>      <p>Johannesen<sup><a href="#28" name="top28">[28]</a></sup> (1974: 29 <i>apud</i> Kurzon, 2007: 1674) apresenta um elenco de vinte poss&iacute;veis significados do sil&ecirc;ncio, entre os quais, podemos considerar como pass&iacute;veis de categorizar o tipo de sil&ecirc;ncio em an&aacute;lise &#8220;The person is avoiding discussion of a controversial or sensitive issue out of fear&#8221;, &#8220;The silence expresse[s] disagreement&#8221;, ou, at&eacute; mesmo, &#8220;The person&#8217;s silence is a means of punishing others, of annihilating others symbolically by excluding them from verbal communication&#8221;. Seja qual for o grau de desacordo (da simples evas&atilde;o at&eacute; &agrave; puni&ccedil;&atilde;o ativa), o valor avaliativo negativo do sil&ecirc;ncio encontra-se claramente presente.</p>      <p>No contexto particular do funeral, o sil&ecirc;ncio ocorre nas intera&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m com um valor marcadamente negativo, o que contribui para a constru&ccedil;&atilde;o progressiva da imagem disf&oacute;rica do protagonista.</p>      <p>Ainda a prop&oacute;sito dos tipos de sil&ecirc;ncio, Dennis Kurzon<sup><a href="#29" name="top29">[29]</a></sup> (2007: 1675) recupera a distin&ccedil;&atilde;o, desenvolvida em trabalhos anteriores (1998), entre sil&ecirc;ncio intencional (<i>intentional silence</i>) e sil&ecirc;ncio n&atilde;o intencional (<i>unintentional silence</i>) referindo-se ao trabalho supracitado de Johannesen (1974). Partindo desta distin&ccedil;&atilde;o, podemos observar em (7) a progress&atilde;o e mesmo dinamismo do sil&ecirc;ncio na intera&ccedil;&atilde;o.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>(7) Il s&#8217;approchait de la bi&egrave;re quand je l&#8217;ai arr&ecirc;t&eacute;. Il m&#8217;a dit: &laquo;Vous ne voulez pas?&raquo; J&#8217;ai r&eacute;pondu: &laquo;Non.&raquo; <b>Il s&#8217;est interrompu </b>et j&#8217;&eacute;tais g&ecirc;n&eacute; parce que je sentais que je n&#8217;aurais pas d&ucirc; dire cela. <b>Au bout d&#8217;un moment</b>, il m&#8217;a regard&eacute; et il m&#8217;a demand&eacute; : &laquo;Pourquoi ?&raquo; mais sans reproche, comme s&#8217;il s&#8217;informait.<sup><a href="#30" name="top30">[30]</a></sup> [pp.14]</p></blockquote>      <p>No que diz respeito a &#8220;il s&#8217;est interrompu&#8221;, podemos classific&aacute;-lo como um sil&ecirc;ncio n&atilde;o intencional, na medida em que constitui uma rea&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea &agrave; interven&ccedil;&atilde;o de Meursault. Segundo Kurzon (2007), Berger (2004) conclui, como resultado de um trabalho experimental, que uma das principais causas do sil&ecirc;ncio se centra na tomada de conhecimento de &#8220;unexpected information/ deviant behaviour&#8221; (Kurzon, 2007: 1675). Como atr&aacute;s observ&aacute;mos, a recusa de Meursault em ver a m&atilde;e &eacute;, no contexto f&uacute;nebre, uma rea&ccedil;&atilde;o n&atilde;o preferencial que se liga a &iacute;ndices de aus&ecirc;ncia de afetividade. A rea&ccedil;&atilde;o n&atilde;o preferencial de Meursault introduz, pois, na intera&ccedil;&atilde;o um comportamento desviante do expect&aacute;vel para o estere&oacute;tipo de &#8220;filho enlutado&#8221;. Por conseguinte, o rea&ccedil;&atilde;o do porteiro integra-se nas conclus&otilde;es de Berger (2004).</p>      <p>Relativamente a &#8220;au bout d&#8217;un moment&#8221;, podemos inseri-lo na categoria dos sil&ecirc;ncios intencionais. A interrup&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea inicial d&aacute; agora lugar a um sil&ecirc;ncio prolongado e intencional. Retomando a lista de Johannesen (1974: 29 <i>apud</i> Kurzon, 2007: 1674) &#8220;The person is carefully pondering exactly what to say next&#8221;. Visto que a imprevisibilidade da recusa de Meursault obriga, como vimos, a um esfor&ccedil;o adicional na manuten&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o, o sil&ecirc;ncio constitui, neste caso, uma marca desse esfor&ccedil;o acrescido.</p>      <p>J&aacute;, em (8), o sil&ecirc;ncio marca o fim da intera&ccedil;&atilde;o e comporta um ju&iacute;zo axiol&oacute;gico negativo.</p>      <blockquote>    <p>(8) Un peu apr&egrave;s, il m&#8217;a demand&eacute; : &laquo;C&#8217;est votre m&egrave;re qui est l&agrave; ?&raquo; J&#8217;ai encore dit: &laquo;Oui &#8211; Elle &eacute;tait vieille ?&raquo; J&#8217;ai r&eacute;pondu : &laquo;Comme &ccedil;a&raquo;, parce que je ne savais pas le chiffre exact. Ensuite, <b>il s&#8217;est tu</b>.<sup><a href="#31" name="top31">[31]</a></sup> [pp.28]</p></blockquote>      <p>Como a interven&ccedil;&atilde;o reativa de Meursault se encontra modalizada epistemicamente com o ju&iacute;zo de &#8220;desconhecimento&#8221;, esta constitui uma rea&ccedil;&atilde;o n&atilde;o preferencial, j&aacute; que o desconhecimento de um dado pessoal, como a idade, de um familiar pr&oacute;ximo sugere um distanciamento ou uma aus&ecirc;ncia de afetividade.</p>      <p>Ainda de acordo com Johannessen, podemos concluir que, no caso do empregado de cerim&oacute;nias f&uacute;nebres, &#8220;The silence expresse(s) disagreement&#8221;. Entenderemos aqui desacordo como uma recusa de ades&atilde;o (Maingueneau, 1999), ou seja, existe um movimento de distanciamento que determina o encerramento da intera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>No julgamento, o sil&ecirc;ncio ocorre igualmente como refor&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> disf&oacute;rico do protagonista:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>(9) L&#8217;avocat g&eacute;n&eacute;ral a dit qu&#8217;&agrave; la suite des d&eacute;clarations de Marie &agrave; l&#8217;instruction, il avait consult&eacute; les programmes de cette date. Il a ajout&eacute; que Marie elle-m&ecirc;me dirait quel film on passait alors D&#8217;une voix presque blanche, en effet, elle a indiqu&eacute; que c&#8217;&eacute;tait un film de Fernandel. <b>Le silence &eacute;tait complet </b>dans la salle quand elle a eu fini.<sup><a href="#32" name="top32">[32]</a></sup> [pp.142]</p></blockquote>      <p>Em (9), o sil&ecirc;ncio encontra-se na sequ&ecirc;ncia da revela&ccedil;&atilde;o de Marie de que o filme a que assistiu com o protagonista no dia seguinte ao funeral era uma com&eacute;dia. Como acima referimos, o g&eacute;nero c&oacute;mico n&atilde;o se coaduna com o estado de esp&iacute;rito de uma pessoa em luto. Esta diverg&ecirc;ncia emocional invoca a nega&ccedil;&atilde;o dos valores doxais ligados &agrave; figura da m&atilde;e, atr&aacute;s mencionados, ou seja, &#8220;Este filho n&atilde;o ama a m&atilde;e&#8221;, &#8220;A morte da m&atilde;e n&atilde;o afetou/ &eacute; indiferente ao filho&#8221;, &#8220;A m&atilde;e n&atilde;o tem import&acirc;ncia para este filho&#8221;. &Eacute; esta esfera de valores desviantes que concorre na constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> disf&oacute;rico do protagonista.</p>      <p>O sil&ecirc;ncio que predomina ap&oacute;s o testemunho de Marie, mais do que a simples express&atilde;o de desacordo, invoca um estado de estupefa&ccedil;&atilde;o, ou mesmo de horror perante a apresenta&ccedil;&atilde;o/constru&ccedil;&atilde;o da imagem marcadamente negativa de Meursault. De acordo com o trabalho Johannesen (1974:29, <i>apud</i> Kurzon, 2007:1674), poderimos afirmar que a audi&ecirc;ncia se encontra &#8220;in awe, or raptly attentive, or emotionally overcome&#8221;.</p>      <p>Assim, o movimento de distanciamento, presente no sil&ecirc;ncio, e igualmente nos mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais que temos vindo a analisar, constitui uma marca/consequ&ecirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o, por parte dos interlocutores do protagonista, de um <i>ethos</i> disf&oacute;rico de Meursault.</p>      <p><i>3.4. Marcas prox&eacute;micas de distancia&ccedil;&atilde;o</i></p>      <p>Os ind&iacute;cios corporais, como os gestos, a postura ou a orienta&ccedil;&atilde;o do corpo e dist&acirc;ncia entre os interlocutores, podem constituir igualmente um meio de express&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es, de ju&iacute;zos, de uma solidariedade entre os interlocutores ou de um afastamento emocional.</p>      <p>O exemplo (10) mostra o dinamismo da organiza&ccedil;&atilde;o prox&eacute;mica no desenvolvimento da intera&ccedil;&atilde;o. Contextualizando o excerto: a a&ccedil;&atilde;o narrada ocorre no dia seguinte ao funeral, quando o protagonista encontra Marie Cardona, uma antiga funcion&aacute;ria da empresa em que trabalha, nas piscinas.</p>       <blockquote>    <p>(10) Quand nous nous sommes rhabill&eacute;s, elle a eu l&#8217;air tr&egrave;s surprise de me voir avec une cravate noire et elle m&#8217;a demand&eacute; si j&#8217;&eacute;tais en deuil. Je lui ai dit que maman &eacute;tait morte. Comme elle voulait savoir depuis quand, j&#8217;ai r&eacute;pondu: &laquo;Depuis hier.&raquo; <b>Elle a eu un petit recul</b>, mais n&#8217;a fait aucune remarque.<sup><a href="#33" name="top33">[33]</a></sup> [pp.33]</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em (10), o vestu&aacute;rio serve de instigador da troca verbal, dado que o vestu&aacute;rio de cor preta &eacute; marca na sociedade ocidental de um estado de luto. Tal provoca uma rea&ccedil;&atilde;o de surpresa em Marie, j&aacute; que o contexto recreativo em que os interlocutores se encontram inseridos diverge da disposi&ccedil;&atilde;o emocional que o estado de luto pressup&otilde;e.</p>      <p>Desta forma, a rea&ccedil;&atilde;o de Marie conduz a um ato reativo/iniciativo de &#8220;pergunta&#8221; (&#8220;elle m&#8217;a demand&eacute; si j&#8217;&eacute;tais en deuil&#8221;). A resposta afirmativa de Meursault desencadeia a segunda troca verbal que introduz o conflito na intera&ccedil;&atilde;o: a proximidade temporal com a morte da m&atilde;e. Como j&aacute; referimos, a proximidade temporal relativamente &agrave; morte da m&atilde;e inscreve esta intera&ccedil;&atilde;o na mesma esfera de valores doxais acima referidos.</p>      <p>O movimento de distancia&ccedil;&atilde;o que observ&aacute;mos nos excertos anteriores adquire, neste caso, uma corporalidade, uma manifesta&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. O sintagma &#8220;petit recul&#8221; circunscreve em si a express&atilde;o de uma rea&ccedil;&atilde;o corporal cujo car&aacute;ter espont&acirc;neo &eacute; indicativo de uma emo&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria: a surpresa, ou at&eacute; mesmo, a repulsa.</p>      <p>Mais uma vez, estamos perante o confronto de duas imagens divergentes. Com efeito, na sociedade ocidental, uma pessoa em luto n&atilde;o se envolve em atividades l&uacute;dicas, como ir &agrave; piscina, nem inicia relacionamentos amorosos no per&iacute;odo de luto, uma vez que o estado emocional previsto n&atilde;o se coaduna com o empreendimento de atividades recreativas. O estado emocional estabelece-se, ent&atilde;o, como fator decisivo na constru&ccedil;&atilde;o deste <i>ethos</i>.</p>      <p>Considerando a proposta de Hall (1966), este afastamento constitui uma tentativa de sair do espa&ccedil;o pessoal comum aos interlocutores, pela sua rela&ccedil;&atilde;o de intimidade. Inserida neste espa&ccedil;o pessoal, Marie Cardona participa, por associa&ccedil;&atilde;o, no comportamento desviante do protagonista.</p>      <p><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>      <p>Perspetivamos o nosso trabalho sobre o <i>ethos</i> ou <i>imagem de si</i> no quadro de investiga&ccedil;&atilde;o da An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso, revendo brevemente o percurso hist&oacute;rico deste conceito. Al&eacute;m do complexo de estrat&eacute;gias lingu&iacute;sticas e discursivas que envolve a constru&ccedil;&atilde;o das imagens, centr&aacute;mos a nossa an&aacute;lise na correla&ccedil;&atilde;o entre mecanismos discursivos e mecanismos n&atilde;o-verbais e paraverbais que participam na co-constru&ccedil;&atilde;o da imagem do protagonista.</p>      <p>Os elementos n&atilde;o-verbais e paraverabais podem desempenhar diferentes fun&ccedil;&otilde;es sociais, e podem, em particular, constituir marcas de uma comunica&ccedil;&atilde;o afetiva entre os interlocutores. S&atilde;o mecanismos que fazem parte integrante do material semi&oacute;tico da intera&ccedil;&atilde;o, marcando dimens&otilde;es comunicativas que apontam a centralidade do contexto e a natureza multicanal da intera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Na constru&ccedil;&atilde;o do universo discursivo de <i>L&#8217; &eacute;tranger</i>, o contexto sociocultural no qual se insere a a&ccedil;&atilde;o dos excertos selecionados, nomeadamente, o contexto f&uacute;nebre, molda de forma ineg&aacute;vel o curso das intera&ccedil;&otilde;es. Tal verifica-se no confronto de duas imagens: a imagem prevista no imagin&aacute;rio doxal das personagens que interagem com o protagonista, isto &eacute;, o estere&oacute;tipo de filho enlutado e a imagem que as personagens constroem de Meursault, em rea&ccedil;&atilde;o ao seu discurso e &agrave; sua conduta (num processo de heteroconstru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i>). &Eacute;, pois, deste confronto que surge o <i>ethos</i> disf&oacute;rico de Meursault, constru&iacute;do pelas demais personagens</p>      <p>A presen&ccedil;a de elementos n&atilde;o-verbais e paraverbais variados nas intera&ccedil;&otilde;es analisadas, tais como, o contacto ocular, a pros&oacute;dia, o sil&ecirc;ncio e a organiza&ccedil;&atilde;o prox&eacute;mica da intera&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;am a esfera da negatividade, e, por consequ&ecirc;ncia, implicam um ju&iacute;zo axiol&oacute;gico: evitamento ocular, diminui&ccedil;&atilde;o do tom de voz, sil&ecirc;ncio s&atilde;o marcas do fim da intera&ccedil;&atilde;o e de dist&acirc;ncia f&iacute;sica. Tal sugere um movimento de distancia&ccedil;&atilde;o social, f&iacute;sica e emocional das personagens que participam em intera&ccedil;&otilde;es sociais com o protagonista. Este movimento recorrente de distancia&ccedil;&atilde;o das personagens aparece como rea&ccedil;&atilde;o &agrave; postura e comportamentos an&oacute;malos do protagonista e consequente constru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> &#8220;disf&oacute;rico&#8221;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Amossy, R. (1991), <i>Les Id&eacute;es re&ccedil;ues. S&eacute;miologie du st&eacute;r&eacute;otype</i>, Paris, Nathan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0807-8967201400010001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Amossy, R. (1994), &#8220;St&eacute;r&eacute;otype et Argumentation&#8221;, in Alain Goulet (ed.) <i>Le St&eacute;r&eacute;otype. Crise et Transformation</i>, Caen, Presses Universitaires de Caen, pp. 47-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0807-8967201400010001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Amossy, R. &amp; Herschberg Pierrot, A. (1997), <i>St&eacute;r&eacute;otypes et clich&eacute;s. Langue, discours, soci&eacute;t&eacute;,</i> Paris, Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0807-8967201400010001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Amossy, R. (2000), <i>L&#8217;argumentation dans le discours. Discours politique, litt&eacute;rature d&#8217;id&eacute;es, fiction</i>, Paris, Nathan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0807-8967201400010001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Amossy, R. (2010), <i>La pr&eacute;sentation de soi &#8211; Ethos et identit&eacute; verbale</i>, Paris, Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0807-8967201400010001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Argyle, M. &amp; Dean, J. (1965), &#8220;Eye-contact, distance and affiliation&#8221;, <i>Sociometry</i> 28, pp. 289-304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0807-8967201400010001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Arist&oacute;teles (2005), <i>Ret&oacute;rica,</i> Lisboa, INCM [Tradu&ccedil;&atilde;o de Manuel Alexandre J&uacute;nior].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0807-8967201400010001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Berger, C. R. (2004), &#8220;Speechlessness: causal attributions, emotional features and social Consequences&#8221;, <i>Journal of Language and Social Psychology</i> 23, n&ordm;2, pp.147&#8211;179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0807-8967201400010001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Bilmes, J. (1988), &#8220;The concept of preference in conversation analysis&#8221;, <i>Language in Society</i> 17, n&ordm; 2, pp.161-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0807-8967201400010001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bilmes, J. (1994), &#8220;Constituting silence: life in the world of total meaning&#8221;, <i>Semiotica</i> 98, pp. 73&#8211;87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0807-8967201400010001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Camus, A. (2007) [1942], <i>L&#8217;&eacute;tranger</i>, Paris, &Eacute;ditions Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0807-8967201400010001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Camus, A. (2012) [1942], <i>O estrangeiro</i>, Lisboa, Editora Livros do Brasil. [Tradu&ccedil;&atilde;o de Ant&oacute;nio Quadros].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0807-8967201400010001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cosnier, J. &amp; Brossard A. (1984), <i>La communication non verbale</i>, Paris, Delachaux et Niestl&eacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0807-8967201400010001500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>      <!-- ref --><p>Cosnier, J. (1989), &#8220;Les tours et le copilotage de l&#8217;interaction conversationnelle&#8221;, in R. Castel, J. Cosnier, &amp; I. Joseph (ed.) <i>Le parler frais d&#8217;Erving Goffman</i>, Paris, &Eacute;dition de Minuit., pp. 223-244.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0807-8967201400010001500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cosnier, J. (1996), &#8220;Les gestes du dialogue, La communication non verbale&#8221; in <i>Psychologie de la motivation</i> 21, pp. 129-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0807-8967201400010001500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ducrot, O. (1984), <i>Le dire et le dit</i>, Paris, Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0807-8967201400010001500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Eggs, E. (1999), &#8220;Ethos aristot&eacute;licien, conviction et pragmatique moderne&#8221;, in R. Amossy (ed.) <i>Images de soi dans le discours</i>, <i>La construction de l&#8217;ethos</i>, Paris, Lausanne, Delachaux et Niestl&eacute;, pp.31-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0807-8967201400010001500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ephratt, M. (2008), &#8220;The functions of silence&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 40, pp. 1909-1938.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0807-8967201400010001500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Ephratt, M. (2011), &#8220;Linguistic, paralinguistic and extralinguistic speech and silence&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 43, pp. 2286&#8211;2307.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0807-8967201400010001500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gardner, R, Levy, M. (2010), &#8220;The coordination of talk and action in the collaborative construction of a multimodal text&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 42, pp. 2189&#8211;2203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0807-8967201400010001500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Goffman, E. (1967), <i>Interactional Ritual &#8211; Essays on Face-to-Face Behaviour</i>, London, Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0807-8967201400010001500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Goffman, E. (1973), <i>The presentation of self in everyday life</i>, London, Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0807-8967201400010001500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->~</p>      <!-- ref --><p>Goffman, E. (1981), <i>Forms of talk</i>, Phyladelphia, University of Pennsylvania Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0807-8967201400010001500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Goffman, E. (1998) [1963], <i>Estigma &#8211; Notas sobre a Manipula&ccedil;&atilde;o da Identidade Deteriorada</i>, Rio de Janeiro, Editora Guanabara [Tradu&ccedil;&atilde;o de M&aacute;rcia Bandeira de Mello Leite Nunes].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0807-8967201400010001500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Grosjean, M. (1991), <i>Les musiques de l&#8217;interaction</i>, Th&egrave;se de Doctorat, Univ. Lumi&egrave;re&#8211;Lyon 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0807-8967201400010001500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hall, E. (1966), <i>The hidden dimension</i>, New York, Doubleday &amp; Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0807-8967201400010001500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Holler, J. &amp; Wilkin, K. (2011), &#8220;An experimental investigation of how addressee feedback affects co-speech gestures accompanying speakers&#8217; responses&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 43, pp.3522-3536.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0807-8967201400010001500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Janney, R. (1999), &#8220;Words as gestures&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 31, pp. 953-972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0807-8967201400010001500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Johannesen, R. L. (1974), &#8220;The functions of silence: a plea for communication research&#8221;, <i>Western Speech</i> 38, pp. 25&#8211;35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0807-8967201400010001500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Kerbrat-Orecchioni, C.(1990), <i>Les Interactions Verbales</i>, Tome I, Paris, Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0807-8967201400010001500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Kerbrat-Orecchioni, C.(1992), <i>Les Interactions Verbales</i>, Tome II, Paris, Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0807-8967201400010001500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Kurzon, D. (1998), <i>Discourse of Silence</i>, Amsterdam, John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0807-8967201400010001500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kurzon, D. (2007), &#8220;Towards a typology of silence&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 39, pp.1673-1688.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0807-8967201400010001500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Levinson, S. (1983), <i>Pragmatics</i>, Cambridge, C.U.P.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0807-8967201400010001500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Maingueneau, D. (1984), <i>Gen&egrave;ses du discours</i>, Li&egrave;ge, Mardaga.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0807-8967201400010001500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Maingueneau, D. (1991), <i>L&#8217;Analyse du discours, Introduction aux lectures de l&#8217;archive,</i> Paris, Hachette.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0807-8967201400010001500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Maingueneau, D. (1998), <i>Analyser les textes de la communication,</i> Paris, Dunod.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0807-8967201400010001500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Maingueneau, D. (1999), &#8220;Ethos, sc&eacute;nographie, incorporation&#8221;, in R. Amossy (ed.) <i>Images de soi dans le discours, La construction de l&#8217;ethos</i>, Paris, Lausanne, Delachaux et Niestl&eacute;, pp.75-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000239&pid=S0807-8967201400010001500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Marques, M. A. (2008), &#8220;Arrog&acirc;ncia e Constru&ccedil;&atilde;o do Ethos no Discurso Pol&iacute;tico Portugu&ecirc;s&#8221;, in <i>Actas do III Simp&oacute;sio Internacional de An&aacute;lise do Discurso</i>, Brasil, Belo Horizonte, UFMG, pp. 1-10, CD-ROM, ISBN: 978.85.7758.056.9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000241&pid=S0807-8967201400010001500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Marques, M. A. (2009), &#8220;Quando a cortesia &eacute; agressiva. Express&atilde;o de cortesia e imagem do Outro&#8221; in F&aacute;tima Oliveira e Isabel Margarida Duarte (ed), <i>O fasc&iacute;nio da linguagem. Actas do Col&oacute;quio de Homenagem a Fernanda Irene Fonseca</i>, pp.277-296.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000243&pid=S0807-8967201400010001500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Marques, M. A. (2011), &#8220;Argumenta&ccedil;&atilde;o e(m) Discursos&#8221; in Isabel Margarida Duarte e Ol&iacute;via Figueiredo (ed.), <i>Portugu&ecirc;s, L&iacute;ngua e Ensino</i>, pp.287-310, Porto, Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000245&pid=S0807-8967201400010001500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pinto, R. (2003), &#8220;O ethos e a argumenta&ccedil;&atilde;o nos editoriais portugueses &#8211; um desvendar cr&iacute;tico&#8221;, in Marques, M. A., Pereira, M. E., Ramos, R. &amp; Ermida, I. (ed.), <i>Pr&aacute;ticas de Investiga&ccedil;&atilde;o em An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso. Actas do II Encontro Internacional de An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso</i>, Braga, CEHUM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000247&pid=S0807-8967201400010001500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pomerantz, A. (1984), &#8220;Agreeing and disagreeing with assessments: some features of preferred/dispreferred turn-shapes&#8221;, in Atkinson, J.-M e Heritage, J. (ed.), <i>Structures of Social Action. Studies in Conversation Analysis</i>, Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000249&pid=S0807-8967201400010001500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rodrigues, M. (1998), &#8220;A sequ&ecirc;ncia discursiva pergunta-resposta&#8221;, in Fonseca, J. (ed.), <i>A Organiza&ccedil;&atilde;o e o Funcionamento dos Discursos</i> &#8211; <i>Estudos sobre o Portugu&ecirc;s,</i> Tomo II, Porto, Porto Editora, pp.11-220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000251&pid=S0807-8967201400010001500044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sacks, H., Schegloff, E. &amp; Jefferson, G. (1974), &#8220;A Simplest Systematic for the Organization of Turn-taking for Conversation&#8221;, in Asa Kasher (ed.) (1998), <i>Pragmatics: Critical Concepts</i>, vol. V, Communication, Interaction and Discourse, London &amp; New York, Routledge, pp. 193-242.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000253&pid=S0807-8967201400010001500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Swain, J., G.M. Stephenson &amp; M.E. Dewey, (1982), &#8220;&#8220;Seing a stranger&#8221;: Does eye-contact reflect intimacy?&#8221;, <i>Semiotica</i> 42-2/4, pp. 107-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000255&pid=S0807-8967201400010001500046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Yu, C. (2011), &#8220;The display of frustration in arguments: A multimodal analysis&#8221;, <i>Journal of Pragmatics</i> 43, pp. 2964-2981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000257&pid=S0807-8967201400010001500047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup>Trabalho realizado sob a orienta&ccedil;&atilde;o da Professora Doutora Maria Aldina Marques do Instituto de Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade do Minho.</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>A intriga do romance tem como centro um momento da vida do protagonista, Meursault, relativo &agrave; morte da sua m&atilde;e e ao seu subsequente enterro. No decorrer do funeral, Meursault manifesta comportamentos an&oacute;malos para um filho em estado de luto. Posteriormente, o protagonista envolve-se no conflito amoroso de Raymond, culminando num homic&iacute;dio, perpetrado por Meursault. A segunda parte inscreve-se no contexto do julgamento, no qual o advogado de acusa&ccedil;&atilde;o constr&oacute;i a sua argumenta&ccedil;&atilde;o com base nos comportamentos verbais e n&atilde;o verbais de Meursault durante o funeral. Por fim, este &eacute; condenado &agrave; pena capital.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Estes mecanismos s&atilde;o, na verdade, todos verbais, uma vez que s&atilde;o dados no e pelo discurso. Contudo, referem-se a uma dimens&atilde;o n&atilde;o verbal da intera&ccedil;&atilde;o que desempenha uma fun&ccedil;&atilde;o preponderante e, como tal, deve ser considerada como parte integrante da din&acirc;mica interacional.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>Note-se que todos os mecanismos s&atilde;o verbais porque s&atilde;o dados pelo discurso. Contudo, existe uma dimens&atilde;o n&atilde;o verbal da intera&ccedil;&atilde;o evocada por determinadas express&otilde;es cujo estudo se revela pertinente, uma vez que estes tomam um lugar central na constru&ccedil;&atilde;o do <i>ethos</i> efetuado da din&acirc;mica interacional.</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>Nos seus estudos sobre a ret&oacute;rica cl&aacute;ssica, Michel Le Guern (<i>apud</i> R.Amossy, 1999: 20) distingue &#8220;carateres orat&oacute;rios&#8221; de carateres reais: &#8220;Nous distinguons les m&#339;urs oratoires d&#8217;avec les m&#339;urs r&eacute;elles. Cela est ais&eacute;. Car qu&#8217;on soit effectivement honn&ecirc;te homme, que l&#8217;on ait de la pi&eacute;t&eacute;, de la religion, de la modestie, de la justice, de la facilit&eacute; &agrave; vivre avec le monde, ou que, au contraire, on soit vicieux, [&#8230;], c&#8217;est l&agrave; ce qu&#8217;on appelle m&#339;urs r&eacute;elles. Mais qu&#8217;un homme paraisse tel ou tel par le discours, cela s&#8217;appelle m&#339;urs oratoires, soit qu&#8217;effectivement il soit tel qu&#8217;il le para&icirc;t, soit qu&#8217;il ne le soit pas. Car on peut se montrer tel, sans l&#8217;&ecirc;tre ; et l&#8217;on peut ne point para&icirc;tre tel, quoiqu&#8217;on le soit ; parce que cela d&eacute;pend de la mani&egrave;re dont on parle&#8221;.</p>       <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>Ducrot estabelece uma distin&ccedil;&atilde;o entre o locutor L, respons&aacute;vel pelo enunciado, o enunciador, enquanto &#8220;voz&#8221; ou ponto de vista e o locutor ?, o locutor enquanto pessoa do mundo. Nas palavras de Ducrot (1984 : 201) &#8220;Il ne s&#8217;agit pas des affirmations flatteuses que l&#8217;orateur peut faire sur sa propre personne dans le contenu de son discours, affirmations qui risquent au contraire de heurter l&#8217;auditeur, mais de l&#8217;apparence que lui conf&egrave;rent le d&eacute;bit, l&#8217;intonation, chaleureuse ou s&eacute;v&egrave;re, le choix des mots, des arguments&#8230;Dans ma terminologie, je dirais que l&#8217;ethos est attach&eacute; &agrave; L, le locuteur en tant que tel: c&#8217;est en tant qu&#8217;il est source de l&#8217;&eacute;nonciation qu&#8217;il se voit affubl&eacute; de certains caract&egrave;res qui, par contrecoup, rendent cette &eacute;nonciation acceptable ou rebutante&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>No quadro dos estudos aplicados ao portugu&ecirc;s sobre o <i>ethos</i>, &eacute; de salientar o trabalho realizado por Rosalice Pinto (2003). A investigadora analisa o <i>ethos</i> constru&iacute;do num artigo de opini&atilde;o da sec&ccedil;&atilde;o &#8220;Espa&ccedil;o P&uacute;blico&#8221; do jornal P&uacute;blico, a partir do qual distingue v&aacute;rios tipos (<i>ethos</i> did&aacute;ctico, <i>ethos</i> cr&iacute;tico, <i>ethos</i> cr&iacute;tico subjectivado, <i>ethos</i> moderado, <i>ethos</i> indagativo e <i>ethos</i> ponderado). Devemos mencionar ainda os trabalhos de Marques (2008, 2009, 2011).</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>A primeira trata da &#8220;activit&eacute; mimo-gestuelle&#8221; que se encontra ligada &agrave; &#8220;constitution de l&#8217;&eacute;nonc&eacute; auquel elle s&#8217;int&eacute;gre&#8221; (1996:2). Esta primeira fun&ccedil;&atilde;o incorpora a &#8220;gestualit&eacute; deictique ou d&eacute;signante&#8221;, quer dizer, nos casos em que o gesto se encontra &#8220;pr&eacute;vue par la forme de l&#8217;expression verbale&#8221;, como &eacute; o caso dos demonstrativos; a &#8220;gestualit&eacute; ilustrative&#8221; atrav&eacute;s da qual uma a&ccedil;&atilde;o ou um objeto &eacute; mimetizado em rela&ccedil;&atilde;o a um determinado espa&ccedil;o; por fim existem ainda os gestos &#8220;quasi-linguistiques&#8221; que, segundo Cosnier, s&atilde;o &#8220;&eacute;quivalents de parole et sont parfaitement conventionnalis&eacute;s selon les cultures&#8221;. A segunda fun&ccedil;&atilde;o prende-se com a coordena&ccedil;&atilde;o interacional, ligada essencialmente ao sistema de passagem e manuten&ccedil;&atilde;o da palavra.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>Sendo as tr&ecirc;s primeiras, de acordo com Cosnier (1996 :3), &#8220;&#8211; Est-ce qu&#8217;on m&#8217;entend? &#8211; Est-ce qu&#8217;on m&#8217;&eacute;coute ? &#8211; Est-ce qu&#8217;on me comprend ?&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup>Refira-se em especial o modelo proposto por Cosnier e Brossard (1984) que distingue marcas vocais e ac&uacute;sticas (que englobam material verbal e paraverbal) e marcas corporais e visuais .</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup>Tal como &eacute; definido por Kerbrat-Orecchioni (1990) enquanto &#8220;l&#8217;environnement extralinguistique de l&#8217;&eacute;nonc&eacute;&#8221; o qual &eacute; perspetivado em termos de quadro espacio-temporal, participantes e objetivos.</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>Goffman (1973: 231) define espa&ccedil;o social como &#8220;<i>any place surrounded by fixed barriers to perception in which a particular kind of activity regularly takes place. [&#8230;] any social establishment may be studied profitably from the point of view of impression management</i>&#8221;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>Ou seja, existe, por um lado, uma atitude prevista para um filho em luto, como, por exemplo, conservar uma postura de solenidade e de respeito. Por outro lado, existe um conjunto de comportamentos e, mesmo, disposi&ccedil;&otilde;es emocionais que n&atilde;o se enquadram neste imagin&aacute;rio, como, a indiferen&ccedil;a, o humor ou a felicidade, e, como tal, s&atilde;o considerados an&oacute;malos relativamente &agrave;s expectativas doxais.</p>      <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup>Remetemos a tradu&ccedil;&atilde;o das passagens em an&aacute;lise para nota de rodap&eacute;. Utilizaremos a tradu&ccedil;&atilde;o de Ant&oacute;nio Quadros, <i>O estrangeiro</i>, Editora Livros do Brasil (2012). &laquo;Neste momento, o porteiro entrou por tr&aacute;s de mim. Devia ter corrido. Gaguejou: &#8220;Fecharam-no, mas eu vou desaparafus&aacute;-lo, para que o senhor a possa ver.&#8221; Aproximava-se do caix&atilde;o, quando eu o detive. Disse-me: &#8220;N&atilde;o quer?&#8221; Respondi: &#8220;N&atilde;o.&#8221; Calou-se e eu estava embara&ccedil;ado, porque sentia que n&atilde;o devia ter dito isto. Ao fim de uns momentos, ele olhou-me e perguntou &#8220;Porqu&ecirc;?&#8221;, mas sem um ar de censura, como se pedisse uma informa&ccedil;&atilde;o. Eu disse &#8220;N&atilde;o sei.&#8221; Ent&atilde;o, retorcendo os bigodes brancos, declarou, sem olhar para mim &#8220;Compreendo&#8221;.&raquo; [pp. 31]</p>      <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup>Servimo-nos da edi&ccedil;&atilde;o de <i>L&#8217;&eacute;tranger</i> publicada em 2007 pela Gallimard, na cole&ccedil;&atilde;o Folio. Todos os excertos analisados s&atilde;o retirados desta edi&ccedil;&atilde;o.</p>      <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup>De acordo com Kerbrat-Orecchioni (1990: 134), &#8220;La notion de &#8220;paire adjacente&#8221; peut &eacute;galement s&#8217;appliquer &agrave; des couples d&#8217;actes verbaux ou non verbaux&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup>O conceito de <i>organiza&ccedil;&atilde;o preferencial</i> das sequ&ecirc;ncias discursivas (Sacks <i>et al.</i>, 1974; Levinson, 1983; Pomerantz, 1984; Bilmes, 1988) desenvolve-se em torno da no&ccedil;&atilde;o de <i>par adjacente</i>. Carapinha Rodrigues (1998: 102), recuperando Sacks <i>et al</i> (1974), afirma que a conce&ccedil;&atilde;o de <i>prefer&ecirc;ncia</i> adv&eacute;m de dois aspetos: &#8220;<i>um princ&iacute;pio de ordem que esclarece que na situa&ccedil;&atilde;o apropriada se deve fazer ou dizer X, a n&atilde;o ser que tenhamos boas raz&otilde;es para n&atilde;o o fazermos ou dizermos e, neste caso, faremos ou diremos Y [...].O outro aspeto a considerar &eacute; que este princ&iacute;pio de ordem constitui a base para infer&ecirc;ncias que os participantes na intera&ccedil;&atilde;o v&atilde;o efectuar</i>&#8221;. A cortesia lingu&iacute;stica atualiza alguns destes pressupostos.</p>      <p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup>Ligando &agrave; teoria de Cosnier que apresent&aacute;mos anteriormente, estamos perante um caso de comunica&ccedil;&atilde;o afetiva por priva&ccedil;&atilde;o, e por isso, a recusa de Meursault vir&aacute; a ser interpretada como uma marca de aus&ecirc;ncia de afetividade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&atilde;e.</p>      <p><sup><a href="#top19" name="19">[19]</a></sup>Neste contexto, ato de pergunta constitui uma pergunta orientada, tal como &eacute; definido por Carapinha (1998: 52) &#8220;perguntas directas de tipo total que, contrariando a sua aparente voca&ccedil;&atilde;o de pedidos de informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o visam buscar o valor de verdade da proposi&ccedil;&atilde;o subjacente a elas, mas antes orientar o seu receptor no sentido de este confirmar o valor de verdade que o locutor fez passar na sua pergunta; s&atilde;o orientadas precisamente porque desejam que L2 admita o ponto de vista de L1&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup>&#8220;Le texte n&#8217;est pas destin&eacute; &agrave; &ecirc;tre contempl&eacute;, il est &eacute;nonciation tendue vers un co-&eacute;nonciateur qu&#8217;il faut mobiliser pour le faire adh&eacute;rer &#8220;physiquement&#8221; &agrave; un certain univers de sens. Le pouvoir de persuasion d&#8217;un discours tient pour une parte au fait qu&#8217;il am&egrave;ne le lecteur &agrave; s&#8217;identifier &agrave; la mise en mouvement d&#8217;un corps investi de valeurs historiquement sp&eacute;cifi&eacute;es&#8221;, Maingueneau, (1999: 80).</p>      <p><sup><a href="#top21" name="21">[21]</a></sup>&laquo;Ao aparecer, o porteiro olhou-me e depois afastou os olhos. Respondeu &agrave;s perguntas que lhe dirigiam. Disse que eu n&atilde;o tinha querido ver a minha m&atilde;e, que tinha fumado, que tinha dormido e que tinha tomado caf&eacute; com leite.&raquo; [pp. 94]</p>      <p><sup><a href="#top22" name="22">[22]</a></sup>&laquo;A uma outra pergunta redarguiu que a minha calma no dia do enterro o surpreendera. Perguntaram-lhe o que entendia ele por &laquo;calma&raquo;. O diretor olhou ent&atilde;o para as pontas dos sapatos e disse que eu n&atilde;o quisera ver o corpo da minha m&atilde;e, que n&atilde;o chorara uma &uacute;nica vez e que partira logo a seguir ao enterro, sem me recolher sequer uns momentos, no cemit&eacute;rio. [pp. 93/94]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top23" name="23">[23]</a></sup>O conceito sociol&oacute;gico de <i>estigma</i>, tal como foi perspetivado por E. Goffman (1963), &eacute; definido pelo investigador como um atributo que um dado indiv&iacute;duo possui e o torna diferente, isto &eacute;, uma caracter&iacute;stica que o desloca para uma categoria indesej&aacute;vel, tendo em conta as categorias sociais em que as pessoas podem ser inseridas e o conjunto de atributos &#8220;considerados como comuns e normais para os membros dessas categorias&#8221; (1963: 11). Segundo Goffman, estas categorias ou &#8220;pr&eacute;-conceitos&#8221; s&atilde;o por n&oacute;s (entenda-se aqui pela sociedade) transformadas em &#8220;expectativas normativas&#8221;. As expectativas relativamente &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o destas exig&ecirc;ncias por um dado indiv&iacute;duo e as caracter&iacute;sticas que este efetivamente possui s&atilde;o denominadas, na terminologia de Goffman, respetivamente, de <i>identidade social virtual</i> e <i>identidade social real</i>. No quadro de investiga&ccedil;&atilde;o em torno do <i>ethos</i>, podemos afirmar que o estigma encontra-se na diverg&ecirc;ncia entre a imagem que o locutor constr&oacute;i efetivamente de si nas suas intera&ccedil;&otilde;es sociais e a imagem estereotipicamente prevista para um determinado contexto. Como tal, defendemos no nosso trabalho de disserta&ccedil;&atilde;o que este ethos disf&oacute;rico de Merusault &eacute;, na verdade, um <i>ethos</i> de &#8220;estigmatizado&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top24" name="24">[24]</a></sup>Importa referir que, sendo um texto liter&aacute;rio, os aspetos relativos &agrave; an&aacute;lise da intensidade articulat&oacute;ria, bem como do sil&ecirc;ncio, s&atilde;o fundamentados atrav&eacute;s de informa&ccedil;&otilde;es textuais.</p>      <p><sup><a href="#top25" name="25">[25]</a></sup>&laquo;&#8220;Quer ver a sua m&atilde;e pela &uacute;ltima vez?&#8221; Disse que n&atilde;o. Baixando a voz, deu uma ordem pelo telefone: &#8220;Figeac, diga aos homens que podem ir.&#8221;&raquo; [pp.35]</p>      <p><sup><a href="#top26" name="26">[26]</a></sup>&laquo;O advogado de acusa&ccedil;&atilde;o disse que, em consequ&ecirc;ncia das declara&ccedil;&otilde;es de Maria durante a instru&ccedil;&atilde;o do processo, consultara os programas dessa data. Acrescentou que a pr&oacute;pria testemunha diria que filme tinham ido ver. Com uma voz tr&eacute;mula, Maria indicou que era um filme de Fernandel.&raquo; [pp. 97]</p>      <p><sup><a href="#top27" name="27">[27]</a></sup>&laquo;Pedi dois dias de folga ao meu patr&atilde;o e, com uma raz&atilde;o destas, ele n&atilde;o mos podia recusar. Mas n&atilde;o estava com um ar muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe: &#8220;A culpa n&atilde;o &eacute; minha.&#8221; N&atilde;o respondeu. Pensei que n&atilde;o devia ter dito estas palavras. A verdade &eacute; que eu n&atilde;o tinha que me desculpar. Ele &eacute; que tinha de me dar p&ecirc;sames.&raquo; [pp.29]</p>      <p><sup><a href="#top28" name="28">[28]</a></sup>&#8220;(1) The person lacks sufficient information to talk on the topic. (2) The person feels no sense of urgency about talking. (3) The person is carefully pondering exactly what to say next. (4) The silence may simply refl t the person&#8217;s normal rate of thinking. (5) The person is avoiding discussion of a controversial or sensitive issue out of fear. (6) The silence expresses agreement. (7) The silence expresse[s] disagreement. (8) The person is doubtful or indecisive. (9) The person is bored. (10) The person is uncertain of someone else&#8217;s meaning. (11) Th person is in awe, or raptly attentive, or emotionally overcome. (12) The person is snooty or impolite. (13) The person&#8217;s silence is a means of punishing others, of annihilating others symbolically by excluding them from verbal communication. (14) The person&#8217;s silence marks a characteristic personality disturbance. (15) The person feels inarticulate despite a desire to communicate; perhaps the topic lends itself more to intuitive sensing than to verbal discussion. (16) The person&#8217;s silence refl ts concern for not saying anything to hurt another person. (17) The person is daydreaming or preoccupied with other matters. (18) The person uses silence to enhance his own isolation, independence, and sense of self-uniqueness. (19) The silence marks sulking anger. (20) The person&#8217;s silence refl ts empathic exchange, the companionship of shared mood or insight&#8221;. Johannesen, (1974:29, <i>apud</i> Kurzon, 2007:1674)</p>      <p><sup><a href="#top29" name="29">[29]</a></sup>&#8220;We may compare several of them, for example, meanings (3) and (4): &#8216;the person is carefully pondering exactly what to say next&#8217; seems to be a case of intentional silence, while &#8216;the silence may simply reflect the person&#8217;s normal rate of thinking&#8217; is unintentional. The same may be said for meanings (16) and (17): cf. &#8216;&#8216;the person&#8217;s silence reflects concern for not saying anything to hurt another person&#8217;&#8217; &#8211; intentional, and &#8216;the person is daydreaming or preoccupied with other matters&#8217; &#8211; unintentional.&#8221;</p>      <p><sup><a href="#top30" name="30">[30]</a></sup></b>Ver nota de rodap&eacute; 14.</p>      <p><sup><a href="#top31" name="31">[31]</a></sup>&laquo;Pouco depois, perguntou-me: &#8220;&Eacute; a sua m&atilde;e quem ali vai?&#8221; Voltei a dizer: &#8220;Sim.&#8221; &#8220;Era muito velha?&#8221; Respondi: &#8220;Assim, assim&#8221;, porque n&atilde;o sabia, ao certo, quantos anos tinha. O homem calou-se. [pp.37]</p>      <p><sup><a href="#top32" name="32">[32]</a></sup>&laquo;O advogado de acusa&ccedil;&atilde;o disse que, em consequ&ecirc;ncia das declara&ccedil;&otilde;es de Maria durante a instru&ccedil;&atilde;o do processo, consultara os programas dessa data. Acrescentou que a pr&oacute;pria testemunha diria que filme tinham ido ver. Com uma voz tr&eacute;mula, Maria indicou que era um filme de Fernandel. Quando ela acabou, o sil&ecirc;ncio na sala era completo.&raquo; [pp. 97]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top33" name="33">[33]</a></sup>&laquo;Depois de vestidos, ficou admirada de me ver com uma gravata preta e perguntou-me se estava de luto. Disse-lhe que a minha m&atilde;e tinha morrido. Como queria saber h&aacute; quanto tempo, respondi-lhe: &#8220;Morreu ontem.&#8221; Esbo&ccedil;ou um movimento de recuo, mas n&atilde;o fez qualquer observa&ccedil;&atilde;o.&raquo; [pp. 40]</p>       ]]></body><back>
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