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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Toxicodependência na gravidez e maternidade: a importância de uma abordagem multidisciplinar]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Maternal drug use during pregnancy and infancy: the importance of a multidisciplinary approach]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Drug use in pregnancy and infancy is a serious problem. In particular, the use of marijuana by the mother is not harmless. It may be associated with a withdrawal syndrome in the newborn and may affect the development of older children. This article describes a multidisciplinary approach to maternal drug use, providing advice to the family physician in dealing with affected children and increasing interest in the effects of drug addiction on the mother-child relationship. Description: We present the case of a pregnant woman affected by marijuana use and the human immune deficiency virus (HIV). The pregnancy was unplanned, but desired and monitored. The child presented with a delay in psychomotor development of 3 to 6 months. The case was managed by a family physician together with a pediatrician and a social worker. Comment: A multidisciplinary approach is recommended in these cases through timely referral. Provision of support for the mother is always appropriate and should be given early. Promotion of a functional family environment along with the surveillance of the child protection services, educational interventions during pregnancy and in the first months of life of the child are of value in aiding child development. This type of care is possible by the family doctor.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comportamento Aditivo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RELATOS DE CASOS</b></p>     <p><font size="4"><b>Toxicodepend&ecirc;ncia na gravidez e maternidade &#8211; a import&acirc;ncia de uma abordagem multidisciplinar </b></font></p>     <p><font size="3"><b>Maternal drug use during pregnancy and infancy &#8211; the importance of a multidisciplinary approach </b></font></p>     <p><b>Cristina Nunes,* Susana Rocha,** T&acirc;nia Esteves*** </b></p>     <p>*Assistente de Medicina Geral e Familiar, Unidade de Sa&uacute;de da Buraca, ACES VII da Amadora</p>     <p>**Assistente Hospitalar de Pediatria, Hospital de Nossa Senhora do Ros&aacute;rio, Centro Hospitalar do Barreiro-Montijo</p>     <p>***Assistente Social, ACES VII da Amadora</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr />     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o:</b> Os problemas de adi&ccedil;&atilde;o na gravidez e na maternidade s&atilde;o graves. Em particular, o uso de cannabis n&atilde;o &eacute; inofensivo. Pode estar associado a uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia no rec&eacute;m-nascido e altera&ccedil;&otilde;es do desenvolvimento na crian&ccedil;a mais velha.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo descreve a abordagem multidisciplinar no caso de toxicodepend&ecirc;ncia na gravidez, fornecendo algumas pistas para ajudar os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia a lidar com as crian&ccedil;as afectadas e a aumentar o interesse sobre o tema da toxicodepend&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filho.</p>     <p><b>Descri&ccedil;&atilde;o do caso:</b> Apresenta-se o caso de uma mulher gr&aacute;vida, seropositiva para o VIH, consumidora de cannabis. A gravidez foi n&atilde;o planeada mas desejada e vigiada. O filho resultante desta gravidez apresenta um atraso de desenvolvimento psicomotor de cerca de 3 a 6 meses correspondente &agrave; sua idade real. Foi analisado o caso com a sua M&eacute;dica de Fam&iacute;lia, em conjunto com a Pediatra e a Assistente Social.</p>     <p><b>Coment&aacute;rio:</b> A abordagem destes casos deve ser multidisciplinar, atrav&eacute;s de referencia&ccedil;&atilde;o atempada. O tratamento de suporte &eacute; sempre adequado e deve ser institu&iacute;do precocemente. Promovendo um ambiente familiar funcional e com a vigil&acirc;ncia da Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Menores, as interven&ccedil;&otilde;es educativas precoces durante a gravidez e nos primeiros meses e anos de vida da crian&ccedil;a s&atilde;o das mais valiosas para um desenvolvimento o mais pleno poss&iacute;vel. Este tipo de cuidados est&aacute; ao alcance do M&eacute;dico de Fam&iacute;lia.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Comportamento Aditivo; S&iacute;ndrome de Abstin&ecirc;ncia Neonatal; Interven&ccedil;&atilde;o Precoce; Cannabis.</p> <hr />     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p><b>Introduction:</b> Drug use in pregnancy and infancy is a serious problem.&nbsp;In particular, the use of marijuana by the mother is not harmless.&nbsp;It may be associated with a withdrawal syndrome in the newborn and may affect the development of older children.</p>     <p>This article describes a multidisciplinary approach to maternal drug use, providing advice to the family physician in dealing with affected children and increasing interest in the effects of drug addiction on the mother-child relationship.</p>     <p><b>Description:</b> We present the case of a pregnant woman affected by marijuana use and the human immune deficiency virus (HIV). The pregnancy was unplanned, but desired and monitored.&nbsp;The child presented with a delay in psychomotor development of 3 to 6 months.&nbsp;The case was managed by a family physician together with a pediatrician and a social worker.</p>     <p><b>Comment:</b> A multidisciplinary approach is recommended in these cases through timely referral.&nbsp;Provision of support for the mother is always appropriate and should be given early. Promotion of a functional family environment along with the surveillance of the child protection services, educational interventions during pregnancy and in the first months of life of the child are of value in aiding child development. This type of care is possible by the family doctor.</p>     <p><b>Keywords:</b> Behavior Addictive;&nbsp;Neonatal Abstinence Syndrome;&nbsp;Early Intervention;&nbsp;Marijuana Abuse.</p> <hr />     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></p>     <p>Atoxicodepend&ecirc;ncia &eacute; um problema grave na sociedade. Encontra-se associada a elevada morbilidade, disfun&ccedil;&atilde;o familiar e dificuldades laborais e s&oacute;cio-econ&oacute;micas.<sup>1</sup> Os problemas de adi&ccedil;&atilde;o incrementam na gravidez e na maternidade. Em particular, o uso de cannabis produz alguns efeitos a curto e longo prazo, ligeiros a moderados, tanto na gr&aacute;vida como no futuro filho, a n&iacute;vel de mem&oacute;ria, aprendizagem, pensamento, percep&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o motora, que a tornam n&atilde;o t&atilde;o inofensiva como poderia parecer.<sup>2,3</sup> A vulnerabilidade associada &agrave; toxicodepend&ecirc;ncia amplifica-se quando nasce um filho, um acontecimento de vida que exige a concentra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os dos pais e da comunidade, habitualmente distantes neste contexto.<sup>4</sup></p>     <p>A toxicodepend&ecirc;ncia na maternidade &eacute; um tema pouco abordado no &acirc;mbito da Medicina Geral e Familiar, pois &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o muito espec&iacute;fica que pode parecer estar reservada em exclusivo para a Neonatologia e Pediatria. De facto, logo ap&oacute;s o parto o rec&eacute;m-nascido pode manifestar uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia e o seu tratamento farmacol&oacute;gico poder&aacute; ser considerado em casos seleccionados, neste caso pela Pediatria intra-hospitalar.<sup>5</sup> Contudo, por outro lado a terap&ecirc;utica n&atilde;o farmacol&oacute;gica na abstin&ecirc;ncia, apelidada de tratamento de suporte, &eacute; sempre adequada e deve ser institu&iacute;da precocemente, de forma intensiva, atrav&eacute;s de uma abordagem multidisciplinar.<sup>5</sup> Como se poder&aacute; verificar, est&aacute; ao alcance do m&eacute;dico de fam&iacute;lia refor&ccedil;ar e mesmo coordenar alguns destes cuidados ao rec&eacute;m-nascido ap&oacute;s a alta hospitalar. Para o filho de m&atilde;e adicta, as interven&ccedil;&otilde;es educativas precoces durante a gravidez e nos primeiros meses e anos de vida da crian&ccedil;a s&atilde;o relevantes para um desenvolvimento o mais pleno poss&iacute;vel.<sup>6</sup> A crian&ccedil;a deve ser encaminhada na idade pr&eacute;-escolar, pois grande parte das aprendizagens e do desenvolvimento ocorre mais rapidamente nessa altura. Mais tarde, a crian&ccedil;a, sendo mais velha, perde oportunidades de desenvolvimento.</p>     <p>Pretende-se com este trabalho ilustrar a pl&ecirc;iade de problemas associados &agrave; toxicodepend&ecirc;ncia na gravidez e maternidade, real&ccedil;ando a import&acirc;ncia de uma abordagem multidisciplinar na orienta&ccedil;&atilde;o destes casos.</p>     <p>Esperemos que a apresenta&ccedil;&atilde;o deste caso forne&ccedil;a algumas pistas para ajudar os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia a lidar com estas crian&ccedil;as e a aumentar o interesse sobre o tema da toxicodepend&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filho.</p>     <p><b>DESCRI&Ccedil;&Atilde;O DO CASO</b></p>     <p>Contexto familiar: Judite (nome fict&iacute;cio), 27 anos de idade, caucasiana, nasceu e reside no Concelho de Lisboa. Possui o 12.<sup>o</sup> ano de escolaridade e tem empregos tempor&aacute;rios na &aacute;rea da est&eacute;tica (de momento tem um contrato de trabalho de 6 meses). Actualmente pertence a uma fam&iacute;lia monoparental, no n&iacute;vel 3 da escala de Graffar,<sup>7</sup> cujo agregado inclui a pr&oacute;pria e o seu filho de 15 meses.</p>     <p>A Judite &eacute; filha de pai ex-dependente de &aacute;lcool e de m&atilde;e toxicodependente, abandonada pela m&atilde;e alguns dias ap&oacute;s o parto, ficando a cargo da av&oacute; paterna e a partir dos 12 anos com o pai. Como antecedentes pessoais iniciou consumos de haxixe-marijuana aos 13 anos de idade e manteve consumos de tabaco, haxixe, hero&iacute;na e coca&iacute;na dos 15 aos 22 anos, estas duas inaladas e injectadas, bem como manteve uma ingest&atilde;o frequente de alucinog&eacute;nios. Refere actualmente consumos de haxixe, quantificado em 3 doses/dia, e de tabaco de cerca de 4-5 cigarros/dia.</p>     <p>Tem infec&ccedil;&atilde;o VIH<sub>1</sub> conhecida desde o ano de 2003 (22 anos de idade) e, por aumento da carga viral, iniciou terap&ecirc;utica tripla anti-retroviral em 2007 com tenofovir, emtricitabina e efavirenz, seguida em consulta de Infecciologia. Fez contracep&ccedil;&atilde;o oral de forma irregular. Tem Beta-Talass&eacute;mia minor diagnosticada em 2000, seguida na consulta de Hematologia, com uma frequ&ecirc;ncia semestral. Refere otites externas de repeti&ccedil;&atilde;o no passado, com seguimento em consulta anual de Otorrinolaringologia.</p>     <p>O namorado, Pedro (nome fict&iacute;cio), desempregado, est&aacute; a frequentar um curso profissionalizante durante a semana em local distante. Tem h&aacute;bitos tab&aacute;gicos e consumos di&aacute;rios de cannabis inalado. &Eacute; seropositivo para o VIH<sub>1</sub> e asm&aacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contexto obst&eacute;trico: Primeira gravidez n&atilde;o planeada, mas desejada, pelo que recorreu ao centro de sa&uacute;de com 8 semanas de amenorreia. Foi enviada &agrave; consulta de Alto Risco do Hospital de Refer&ecirc;ncia e continuou a ser vigiada em consulta bimensal pelo m&eacute;dico de fam&iacute;lia, consulta mensal de Obstetr&iacute;cia para Gravidez Adicta e consultas de Infecciologia. Fez consulta de diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal, onde realizou testes bioqu&iacute;micos de rastreio que conclu&iacute;ram existir uma baixa probabilidade de risco de cromossomopatias. Iniciou lamivudina, zidovudina, lopinavir e norvir, ferro, &aacute;cido f&oacute;lico e Fantomalte&reg;&nbsp;(preparado em p&oacute; rico em gl&uacute;cidos) na gravidez, e suspendeu os outros f&aacute;rmacos. Durante este per&iacute;odo ainda foi acompanhada pela Assistente Social, pela Psicologia da Associa&ccedil;&atilde;o Abra&ccedil;o e pela Psiquiatria.</p>     <p>Por sua iniciativa, &agrave;s 8 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o suspendeu os consumos de drogas, excepto de haxixe, que manteve na quantidade de 3-4 doses/dia e de tabaco de cerca de 10 cigarros/dia. Durante a gravidez a Judite terminou o 12.<sup>o</sup> ano, na &aacute;rea de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas. Esteve a viver com um tio paterno dos 25 aos 26 anos, planeando-se que sairia de casa deste, por motivos de casamento do tio, e passaria a viver com o namorado em casa pr&oacute;pria, o que aconteceu &agrave;s 30 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o. Recebeu o subs&iacute;dio de gravidez a partir da 13.<sup>a</sup> semana de gesta&ccedil;&atilde;o e o subs&iacute;dio de parto. Teve apoio do rendimento m&iacute;nimo at&eacute; ao parto e durante os primeiros 12 meses de maternidade.</p>     <p>O parto foi de termo, induzido &agrave;s 38 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, tendo sido previsto um parto eut&oacute;cico por vontade materna e cargas virais indetect&aacute;veis, mas a n&atilde;o progress&atilde;o pelo canal de parto motivou a realiza&ccedil;&atilde;o de uma cesariana. Fez AZT intra-parto e retomou a terap&ecirc;utica retroviral da gravidez. Um m&ecirc;s depois do parto altera-se a medica&ccedil;&atilde;o para tenofovir, emtricitabina e efavirenz.</p>     <p>Hist&oacute;ria actual: Paulo (nome fict&iacute;cio), rec&eacute;m-nascido com 3345 g de peso, 49 cm de comprimento, 34.5 de per&iacute;metro cef&aacute;lico, &iacute;ndice de Apgar de 9 e 10 ao 1.<sup>o</sup> e 5.<sup>o</sup> minutos de vida, respectivamente. Iniciou AZT no primeiro dia de vida e co-trimoxazol &agrave;s 6 semanas, segundo o protocolo de preven&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o vertical do VIH da Sociedade Portuguesa de Pediatria,<sup>8</sup> que manteve at&eacute; aos 4 meses de idade, tendo sido seguido em consulta de Infecciologia at&eacute; receber alta aos 20 meses de idade. As an&aacute;lises para pesquisa do VIH (PCR para DNA de VIH1) no rec&eacute;m-nascido/lactente foram sucessivamente negativas (dia 0, dia 11, aos 2M, 4M, 6M, 18M) e aos 4 meses de idade efectua a vacina&ccedil;&atilde;o com BCG. A electroforese das hemoglobinas n&atilde;o mostrou altera&ccedil;&otilde;es. Desde a alta hospitalar teve os seguintes apoios sociais: leite, fraldas, e de uma amiga que doou vestu&aacute;rio de beb&eacute; e cadeirinha de transporte, pai e vizinha que por vezes tomavam conta da crian&ccedil;a.</p>     <p>Inicialmente o pai do Paulo acompanhou a crian&ccedil;a &agrave; consulta de Sa&uacute;de Infantil, alternando com a m&atilde;e, mas posteriormente, por separa&ccedil;&atilde;o dos pais, a crian&ccedil;a ficou a cargo unicamente da m&atilde;e.</p>     <p>De real&ccedil;ar epis&oacute;dio &uacute;nico de bronquiolite aos 11 meses de idade. Por febre e dificuldade respirat&oacute;ria a m&atilde;e recorreu oportunamente ao Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia onde foi aconselhada a proceder a medidas terap&ecirc;uticas gerais.</p>     <p>Dos 6 aos 12 meses de idade apresentou um ligeiro atraso do desenvolvimento psicomotor a n&iacute;vel da linguagem e motricidade, pelo que se referenciou a consulta de Desenvolvimento. O Paulo tem actualmente 15 meses. Ainda n&atilde;o anda, nem se p&otilde;e de p&eacute; com apoio e os sons s&atilde;o guturais. As avalia&ccedil;&otilde;es somatom&eacute;tricas apresentaram poucas varia&ccedil;&otilde;es dentro dos Percentis 50 a 90. O restante exame objectivo, que incluiu um rastreio da acuidade visual e acuidade auditivas, estava bem. &Agrave; data a crian&ccedil;a ainda n&atilde;o foi chamada para a consulta de Desenvolvimento (provavelmente por existirem casos mais graves e por existir um grande tempo de espera para a consulta), mas discutiu-se o caso em Consultadoria de Pediatria, em conjunto com a Assistente Social.</p>     <p><b>COMENT&Aacute;RIO </b></p>     <p>Este caso &eacute; paradigm&aacute;tico da multiplicidade de problemas frequentemente associados ao consumo de drogas na gravidez. A actua&ccedil;&atilde;o conjunta da Pediatria hospitalar, M&eacute;dico de Fam&iacute;lia e Servi&ccedil;o Social &eacute; fundamental.</p>     <p>Gostar&iacute;amos de discutir alguns pontos-chave deste caso, abordando o ponto de vista de cada um dos elementos desta equipa multidiscilplinar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. Sendo os consumos durante a gravidez apenas de haxixe, uma droga considerada &laquo;leve&raquo;, existe probabilidade de ap&oacute;s o parto a crian&ccedil;a manifestar uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia?</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>O haxixe &eacute; sempre uma droga potencialmente prejudicial ao feto e &agrave; futura crian&ccedil;a, para al&eacute;m de que interfere negativamente na interac&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filho. A s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia tamb&eacute;m se pode associar a esta subst&acirc;ncia. Dependendo da quantidade di&aacute;ria de canabin&oacute;ides consumida pela gr&aacute;vida, o rec&eacute;m-nascido pode manifestar mais ou menos sintomas. O haxixe actua nos receptores canabin&oacute;ides promovendo o aumento dos n&iacute;veis de dopamina, o que provoca nos indiv&iacute;duos uma sensa&ccedil;&atilde;o de bem-estar, relaxamento e tamb&eacute;m uma diminui&ccedil;&atilde;o das mem&oacute;rias de curta dura&ccedil;&atilde;o. Est&aacute; associado a altera&ccedil;&otilde;es da aprendizagem, pensamento e percep&ccedil;&atilde;o.<sup>2,3</sup></p>     <p>Tem ainda um efeito analg&eacute;sico tanto na m&atilde;e como no feto. Reduz a oxigena&ccedil;&atilde;o durante a gesta&ccedil;&atilde;o e diminui o volume do Sistema Nervoso Central fetal. O haxixe &eacute; muito lipossol&uacute;vel e tem uma lenta elimina&ccedil;&atilde;o do corpo, pelo que a exposi&ccedil;&atilde;o fetal se encontra potenciada.<sup>2,3</sup></p>     <p>No rec&eacute;m-nascido existe uma aus&ecirc;ncia s&uacute;bita da droga, podendo existir uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia. O rec&eacute;m-nascido pode manifestar um conjunto de sinais e sintomas de doen&ccedil;a, como tremores, diarreia, etc. Esta crian&ccedil;a pode ter ou n&atilde;o apresentado uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia.</p>     <p><i>M&eacute;dico de fam&iacute;lia: </i></p>     <p>Parece n&atilde;o ter sido diagnosticado um s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia. N&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncia no Boletim de Sa&uacute;de Infantil a qualquer intercorr&ecirc;ncia p&oacute;s-parto e tanto o rec&eacute;m-nascido como a m&atilde;e sa&iacute;ram da Maternidade ao 5.<sup>o</sup> dia p&oacute;s-parto, o que corresponde ao tempo habitual ap&oacute;s uma cesariana.</p>     <p>2. Quando a crian&ccedil;a nasce, como se pode diagnosticar uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia?</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>A s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia deve ser suspeitada quando na hist&oacute;ria materna apuramos o consumo de drogas ou metadona durante a gravidez, pesquisando subst&acirc;ncias na urina e sangue e utilizando depois escalas de observa&ccedil;&atilde;o do rec&eacute;m-nascido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escala que mais utilizamos &eacute; a escala de Finnegan<sup>9,10</sup> e baseia-se na observa&ccedil;&atilde;o de sinais e sua pontua&ccedil;&atilde;o. Os sinais que mais pontuam s&atilde;o o choro gritado, o sono curto e fragmentado, os tremores, as escoria&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas no nariz, queixo, cotovelos, joelhos e p&eacute;s, a hipertermia, a sudorese profusa, as crises esternutat&oacute;rias constantes, uma frequ&ecirc;ncia respirat&oacute;ria acima de 60 por minuto, uma suc&ccedil;&atilde;o descoordenada que dificulte a alimenta&ccedil;&atilde;o, v&oacute;mitos em jacto e diarreias profusas. Com uma pontua&ccedil;&atilde;o igual ou superior a oito em tr&ecirc;s observa&ccedil;&otilde;es consecutivas ou igual ou superior a 12 em duas observa&ccedil;&otilde;es consecutivas, dever-se-&aacute; considerar o tratamento farmacol&oacute;gico. As escalas depois s&atilde;o aplicadas nas reavalia&ccedil;&otilde;es para seguimento da crian&ccedil;a.</p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o da sintomatologia quando ocorre &eacute; em crescendo, de in&iacute;cio (geralmente entre o 1.<sup>o</sup> e o 3.<sup>o</sup> dias de vida) s&atilde;o os tremores, por volta do 10.<sup>o</sup> dia come&ccedil;am as convuls&otilde;es, sendo que o S&iacute;ndrome dura em m&eacute;dia duas semanas. Os sintomas sub-agudos como a irritabilidade, hipertonia e altera&ccedil;&otilde;es do sono e da alimenta&ccedil;&atilde;o poder&atilde;o persistir 4 a 6 meses.<sup>4,11</sup></p>     <p><i>M&eacute;dico de fam&iacute;lia: </i></p>     <p>A m&atilde;e refere que a crian&ccedil;a chorava muito, estava agitada e tinha cerca de 4-5 dejec&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, l&iacute;quidas a pastosas, contudo poderiam ser as fezes normais do lactente. A pontua&ccedil;&atilde;o na escala de Finnegan foi sempre inferior a 8, de acordo com a refer&ecirc;ncia materna, e a crian&ccedil;a nunca fez tratamento algum durante a hospitaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>Pode ter ocorrido uma s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia mas mais fruste. O diagn&oacute;stico de situa&ccedil;&otilde;es ligeiras &eacute; dif&iacute;cil pois sobrep&otilde;em-se a casos dentro da normalidade.</p>     <p>3. Existe um tratamento para a s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia logo ap&oacute;s o parto?</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>O tratamento n&atilde;o farmacol&oacute;gico de suporte &eacute; imprescind&iacute;vel e deve ser aplicado em todos os casos. O tratamento farmacol&oacute;gico &eacute; deixado para as situa&ccedil;&otilde;es mais graves. V&aacute;rios f&aacute;rmacos t&ecirc;m sido utilizados, nomeadamente fenobarbital, morfina, metadona e diazepam, sendo a morfina o f&aacute;rmaco de primeira escolha para a priva&ccedil;&atilde;o a opi&aacute;ceos.<sup>5,9,12</sup></p>     <p>Neste caso cl&iacute;nico n&atilde;o me parece que tenham sido necess&aacute;rias quaisquer interven&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma vez que o leite materno concentra estes t&oacute;xicos, por norma est&aacute; contra-indicado. Esta &eacute; uma componente importante do tratamento, pois s&oacute; assim temos a certeza de que a crian&ccedil;a n&atilde;o tem drogas em circula&ccedil;&atilde;o. Neste caso cl&iacute;nico a m&atilde;e refere um consumo di&aacute;rio de haxixe e nunca se sabe se de outras subst&acirc;ncias. N&atilde;o dever&aacute; amamentar.</p>     <p>A excep&ccedil;&atilde;o pode fazer-se para as m&atilde;es em programa de metadona. Nestes casos o aleitamento materno n&atilde;o est&aacute; contra-indicado.<sup>4</sup> A excre&ccedil;&atilde;o de metadona no leite materno promove um &laquo;desmame&raquo; gradual da droga pelo rec&eacute;m-nascido, que por vezes n&atilde;o chega a ter manifesta&ccedil;&otilde;es de abstin&ecirc;ncia ou estas s&atilde;o mais frustres. No entanto, o consumo il&iacute;cito das m&atilde;es toxicodependentes hospitalizadas &eacute; sempre ocultado, o que dificulta o c&aacute;lculo correcto das doses, sendo que existem hospitais que preferem desaconselhar o aleitamento materno em todas as situa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O tratamento de suporte &eacute; favorecido desde logo por toda a equipa m&eacute;dica e de enfermagem. Infelizmente ainda n&atilde;o temos as &oacute;ptimas condi&ccedil;&otilde;es no Hospital para proporcionar ao rec&eacute;m-nascido o melhor ambiente poss&iacute;vel. O ambiente favor&aacute;vel dever&aacute; ser tranquilo, isento de ru&iacute;dos desnecess&aacute;rios e de est&iacute;mulos luminosos. Dever&atilde;o ser evitadas as manipula&ccedil;&otilde;es e organizados os cuidados de modo a minimiz&aacute;-las.</p>     <p>4. O contacto com estas subst&acirc;ncias durante a gravidez pode influenciar a crian&ccedil;a quando ela for mais velha?</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>Nas crian&ccedil;as mais velhas, filhas de m&atilde;es toxicodependentes, poder&atilde;o verificar-se altera&ccedil;&otilde;es do desenvolvimento, do comportamento e do rendimento escolar.<sup>2,3,13</sup> Aqui tamb&eacute;m depende da subst&acirc;ncia utilizada pela m&atilde;e e do n&uacute;mero de doses.</p>     <p>As crian&ccedil;as s&atilde;o influenciadas, pelo efeito prejudicial da droga durante a gravidez, mas tamb&eacute;m por toda a viv&ecirc;ncia materna durante a perman&ecirc;ncia <i>in utero</i> e pelo ambiente familiar durante o desenvolvimento posterior da crian&ccedil;a.</p>     <p><i>M&eacute;dico de fam&iacute;lia: </i></p>     <p>E de facto, a crian&ccedil;a mostra um ligeiro atraso do desenvolvimento psicomotor nesta fase. S&oacute; com um ano come&ccedil;ou a gatinhar e presentemente ainda n&atilde;o se p&otilde;e de p&eacute;. Os primeiros sons n&atilde;o foram o vulgar palrear incompreens&iacute;vel; mas foi antes um som gutural. Por isso foi apresentada nesta reuni&atilde;o e referenciada &agrave; consulta de Desenvolvimento do Hospital de refer&ecirc;ncia. A etiologia do atraso do desenvolvimento nestes casos pode ser multifactorial, e em adi&ccedil;&atilde;o podem existir cuidados peri-natais deficientes, car&ecirc;ncias nutricionais, menor vincula&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filho, etc.</p>     <p>5. E depois da alta hospitalar, que atitudes poder&atilde;o ser tomadas perante a Judite e o filho? Qual o papel do M&eacute;dico de Fam&iacute;lia?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>M&eacute;dico de fam&iacute;lia: </i></p>     <p>Relativamente &agrave; m&atilde;e devem ser prestados os cuidados habituais de promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de de adulto e diagn&oacute;stico precoce de doen&ccedil;a, incluindo discutir os aspectos positivos e negativos do consumo de subst&acirc;ncias il&iacute;citas ou de tabaco e promover informa&ccedil;&atilde;o acerca de contraceptivos, discutindo a necessidade da sua utiliza&ccedil;&atilde;o. As abordagens cognitivo-comportamentais individuais e em grupo mostraram ser eficazes para a redu&ccedil;&atilde;o do uso de cannabis.<sup>14</sup> Para melhorar a compet&ecirc;ncia materna podemos fornecer informa&ccedil;&atilde;o sobre os cuidados &agrave; crian&ccedil;a nas diferentes etapas do desenvolvimento psicomotor e promover a vincula&ccedil;&atilde;o, envolvendo a m&atilde;e e a fam&iacute;lia alargada, bem como a vizinha amiga da Judite, ou outros. Sendo m&atilde;e solteira, o que confere grande vulnerabilidade &agrave; fam&iacute;lia, devemos acompanh&aacute;-la muito estreitamente atrav&eacute;s de consultas regulares ou at&eacute; mesmo atrav&eacute;s de contactos telef&oacute;nicos de suporte. Foi feita a articula&ccedil;&atilde;o com a Assistente Social, para avaliar a rede de apoios j&aacute; mobilizados e outros, tal como eventualmente referenciar &agrave; Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens (CPCJ) e com o Apoio Educativo da &aacute;rea para ser inclu&iacute;do num projecto de Interven&ccedil;&atilde;o Precoce. Sugeriu-se manter liga&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e a Psiquiatria ou a uma equipa de um centro de tratamento, bem como consultas de Psicologia, ao que a m&atilde;e revelou desinteresse. Disse-me a Judite: &laquo;O que me parece &eacute; que a consulta de Psicologia &eacute; como ter uns bons amigos, e eu j&aacute; estou a conseguir n&atilde;o fumar quando converso durante umas horas. Mas de manh&atilde; quando vou para o trabalho se n&atilde;o fumo nada, n&atilde;o consigo funcionar.&raquo;</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>A Interven&ccedil;&atilde;o Precoce faz todo o sentido neste caso. Destina-se a crian&ccedil;as at&eacute; &agrave; idade escolar que estejam em risco de atraso de desenvolvimento, manifestem defici&ecirc;ncia, ou necessidades educativas especiais. Consiste na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os educativos, terap&ecirc;uticos e sociais a estas crian&ccedil;as e &agrave;s suas fam&iacute;lias com o objectivo de minimizar efeitos nefastos ao seu desenvolvimento. Os programas de Interven&ccedil;&atilde;o Precoce devem, sempre que poss&iacute;vel, decorrer no meio ambiente onde vive a crian&ccedil;a. Habitualmente a interven&ccedil;&atilde;o inicia-se ap&oacute;s a sinaliza&ccedil;&atilde;o &#8211; geralmente feita pelos cuidados de sa&uacute;de, creche/jardim infantil, ou pela pr&oacute;pria fam&iacute;lia e pode iniciar-se entre o nascimento e a idade escolar.</p>     <p>6. Tenho uma &oacute;ptima rela&ccedil;&atilde;o com a Judite, e o meu receio enquanto m&eacute;dica de fam&iacute;lia &eacute; de que seja quebrada a confian&ccedil;a entre n&oacute;s, quando a CPCJ entrar na rede de apoio. Qual a sua opini&atilde;o?</p>     <p><i>Pediatra: </i></p>     <p>Uma vez estabelecida uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a entre o m&eacute;dico de fam&iacute;lia e a m&atilde;e, se lhe for explicado que o objectivo da CPCJ &eacute; avaliar e contribuir para o melhoramento das condi&ccedil;&otilde;es/compet&ecirc;ncias s&oacute;cio-familiares em conjunto com os pais (e n&atilde;o contra eles) por forma a proporcionar o melhor ambiente poss&iacute;vel para o desenvolvimento do seu filho, a Judite entender&aacute; e n&atilde;o ver&aacute; com desconfian&ccedil;a a presen&ccedil;a destes t&eacute;cnicos na sua casa.</p>     <p>7. Que apoio social pode ser oferecido a esta fam&iacute;lia?</p>     <p><i>Assistente Social: </i></p>     <p>Em qualquer proposta de interven&ccedil;&atilde;o social a fam&iacute;lia deve ser tida em conta, e ela pr&oacute;pria participar na concep&ccedil;&atilde;o e na pr&oacute;pria interven&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o trabalho da equipa multidisciplinar, a articula&ccedil;&atilde;o entre os seus membros, e a partilha de todos os pontos de vista tamb&eacute;m &eacute; de extrema import&acirc;ncia para a resolu&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter social.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim sendo, e ap&oacute;s o levantamento cuidado de todas as necessidades sentidas pela m&atilde;e da crian&ccedil;a e detectadas pela Assistente Social, no que respeita tanto a esta m&atilde;e como &agrave; crian&ccedil;a &#8211; Diagn&oacute;stico Social &#8211; devem ser desencadeados v&aacute;rios procedimentos, a saber (<a href="#f1">Figura 1</a>):</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a08f1.gif" width="557" height="509" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que se refere &agrave; crian&ccedil;a, e como j&aacute; foi referido, deve sinalizar-se o caso &agrave; Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens (CPCJ) da &aacute;rea de resid&ecirc;ncia com o intuito dos profissionais da Comiss&atilde;o acompanharem o crescimento e o desenvolvimento da crian&ccedil;a, delineando-se o seu projecto de vida em colabora&ccedil;&atilde;o com outros profissionais de outras entidades envolvidas e, naturalmente, com a m&atilde;e da crian&ccedil;a.</p>     <p>Perceber, ao n&iacute;vel da Seguran&ccedil;a Social, se a m&atilde;e j&aacute; requereu o Abono de Fam&iacute;lia para Crian&ccedil;as e Jovens, a que o filho tem direito, para a auxiliar nos encargos da crian&ccedil;a (alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, vestu&aacute;rio, educa&ccedil;&atilde;o, etc.).</p>     <p>Relativamente &agrave; actividade da Ama era importante tentar integrar a crian&ccedil;a num estabelecimento escolar e recorrer &agrave; Ama no prolongamento, ou seja, desde que a creche encerra at&eacute; que a m&atilde;e regresse a casa, de forma a fomentar a interac&ccedil;&atilde;o e o contacto com outras crian&ccedil;as de forma mais estruturada.</p>     <p>Por fim, e uma vez que h&aacute; refer&ecirc;ncia de que esta m&atilde;e ter&aacute; sido acompanhada pela Ajuda de Ber&ccedil;o aquando do nascimento da crian&ccedil;a, deve tamb&eacute;m ser estabelecido um contacto funcional com esta institui&ccedil;&atilde;o para complementar eventuais lacunas do diagn&oacute;stico social, uma vez que j&aacute; t&ecirc;m conhecimento do caso h&aacute; mais tempo.</p>     <p>Quanto &agrave; progenitora da crian&ccedil;a em causa, existem tamb&eacute;m aqui v&aacute;rios pontos que devem ser trabalhados.</p>     <p>Uma vez que se trata do primeiro filho, e que o quadro da fam&iacute;lia onde nasceu n&atilde;o &eacute; o desej&aacute;vel, &eacute; necess&aacute;rio tentar perceber se haveria a necessidade de trabalhar as compet&ecirc;ncias parentais, e se sim, articular com institui&ccedil;&otilde;es locais que desenvolvem esse trabalho, e sobretudo, tamb&eacute;m, com a CPCJ.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Face &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o de empregabilidade, tendo em conta que n&atilde;o &eacute; est&aacute;vel, e que acaba por ser um pouco prec&aacute;ria, pode ser encaminhada para uma institui&ccedil;&atilde;o de apoio e promo&ccedil;&atilde;o laboral, para que, caso apare&ccedil;a um emprego que ofere&ccedil;a melhores condi&ccedil;&otilde;es laborais, possa ter a oportunidade de responder.</p>     <p>Referenciar o caso para o Banco Alimentar Contra a Fome ou para programas de apoio alimentar que por vezes as autarquias promovem tamb&eacute;m poderia ser um contributo para colmatar as despesas com bens de primeira necessidade.</p>     <p>Ao n&iacute;vel da habita&ccedil;&atilde;o, e atrav&eacute;s de visitas domicili&aacute;rias, perceber outras necessidades que possam existir, quer se trate de habita&ccedil;&atilde;o camar&aacute;ria ou n&atilde;o, de forma a verificar as condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade desta m&atilde;e e desta crian&ccedil;a. Caso sejam necess&aacute;rias pequenas repara&ccedil;&otilde;es ou aquisi&ccedil;&atilde;o de mobili&aacute;rio, pode-se sempre contactar e articular com a C&acirc;mara Municipal.</p>     <p>Existe ainda outra &aacute;rea onde se pode intervir, que &eacute; ao n&iacute;vel da psicologia, caso a M&eacute;dica de Fam&iacute;lia assim o entenda, pois est&atilde;o dispon&iacute;veis consultas de psicologia para qualquer utente do Centro de Sa&uacute;de da &aacute;rea da resid&ecirc;ncia. Entretanto este aspecto j&aacute; foi realizado pelo M&eacute;dico de Fam&iacute;lia.</p>     <p>Todas as medidas e os servi&ccedil;os mencionados s&atilde;o poss&iacute;veis de accionar e visam a reinser&ccedil;&atilde;o social desta m&atilde;e, de forma a reorganizar a sua vida, bem como impulsionar o crescimento saud&aacute;vel e cuidado desta crian&ccedil;a com vista ao seu bem-estar e qualidade de vida.</p>     <p>Tamb&eacute;m as entidades e respectivos profissionais devem acompanhar progressivamente e de forma continuada esta fam&iacute;lia, at&eacute; que tal se afigure necess&aacute;rio, trabalhando sempre e paralelamente a sua independ&ecirc;ncia face aos servi&ccedil;os, apelando &agrave; sua capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; sua autonomia, de forma a &laquo;desabitu&aacute;-la&raquo; gradualmente do apoio dos mesmos.</p>     <p>Neste caso foi efectuada uma abordagem multidisciplinar no que se refere aos cuidados perinatais e ao acompanhamento da crian&ccedil;a filha de m&atilde;e toxicodependente, com referencia&ccedil;&otilde;es v&aacute;rias, incluindo, ap&oacute;s a reuni&atilde;o com a Pediatra e Assistente Social, sinaliza&ccedil;&atilde;o &agrave; Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e envio para in&iacute;cio de interven&ccedil;&atilde;o precoce.</p>     <p>Os crit&eacute;rios de elegibilidade para interven&ccedil;&atilde;o precoce foram a exist&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es psicoafectivas e ambienciais, nomeadamente factores parentais com abuso de subst&acirc;ncias aditivas e desorganiza&ccedil;&atilde;o familiar, que poder&atilde;o dificultar com elevada probabilidade a actividade e participa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e limitar as suas oportunidades de desenvolvimento.<sup>15</sup></p>     <p>O tratamento de suporte tamb&eacute;m foi institu&iacute;do e refor&ccedil;ado pelo m&eacute;dico de fam&iacute;lia, bem como foi promovida a liga&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filho.</p>     <p>O abuso de drogas em geral na gravidez e maternidade est&aacute; associado a um desenvolvimento prejudicial da crian&ccedil;a, fundamentado em vastas e s&oacute;lidas publica&ccedil;&otilde;es. Contudo, existem ainda poucos trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o ou estudos prospectivos relacionados com a depend&ecirc;ncia de canabin&oacute;ides na maternidade. H&aacute; ainda muito lugar no futuro a um aprofundar de conhecimentos sobre a evolu&ccedil;&atilde;o natural dos filhos de m&atilde;es dependentes desta droga dita &laquo;leve&raquo; e a um aperfei&ccedil;oamento de orienta&ccedil;&otilde;es diagn&oacute;sticas e de tratamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nota: Os nomes pr&oacute;pios s&atilde;o fict&iacute;cios por forma a respeitar o anonimato.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. WHO. Management of substance abuse - The global burden; 2002. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.who.int/substance_abuse/facts/global_burden/en/index.html" target="_blank">http://www.who.int/substance_abuse/facts/global_burden/en/index.html</a> [acedido em 24/06/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-7103201100050000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Iverson L. Long-term effects of exposure to cannabis. Curr Opin Pharmacol 2005 Feb; 5 (1): 69-72&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-7103201100050000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>3. Karila L, Cazas O, Danel T, Reynaud M. Cons&eacute;quences &agrave; court et long terme d&rsquo;une exposition pr&eacute;natale au cannabis. J Gynecol Obstet Biol Reprod 2006 Fev; 35 (1): 62-70.</p>     <!-- ref --><p>4. Palminha JM, Lucas AM, Vasconcelos MT, Manteigas MZ, Mano MA, Costa MH, et al. Os filhos dos toxicodependentes &#8211; novo grupo de risco bio-psico-social. Porto: Asa Gr&aacute;fica; 1993. p. 151-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-7103201100050000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Serrano A, Mendes MJ, Coelho A. Negr&atilde;o F, Pita O. Rec&eacute;m-nascido de m&atilde;e toxicodependente. Consensos Nacionais de Neonatologia. Lisboa: Sociedade Nacional de Pediatria; 2004. p. 181-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-7103201100050000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. National Research Council (US) Commitee on Earlychildhood Pedagogy. Eager to learn-educating our pre-schoolers. Washington, DC: NRS; 2000. p. 308.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-7103201100050000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>7. Graffar M. Une m&eacute;thode de classification sociale d&rsquo;&eacute;chantillon de la population. Courier; 1956; 6: 455-9.</p>     <!-- ref --><p>8. Sec&ccedil;&atilde;o de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Protocolo de Preven&ccedil;&atilde;o da Transmiss&atilde;o do V&iacute;rus da Imunodefici&ecirc;ncia Humana (VIH). Acta Pediatr Port 2008 Mar-Abr; 39 (2): 79-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-7103201100050000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Galanter M, Kleber HD. American Psychiatric Association, Practice Guideline for the Treatment of Patients with Substance Use Disorders. American Psychiatric Publishing; 2010 Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.psychiatryonline.com/pracGuide/pracGuideChapToc_5.aspx" target="_blank">http://www.psychiatryonline.com/pracGuide/pracGuideChapToc_5.aspx</a> [acedido em 21/05/2010].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0870-7103201100050000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Wang M. Perinatal drug abuse and neonatal drug withdrawal; 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.emedicine.medscape.com/article/978492-overview" target="_blank">http://www.emedicine.medscape.com/article/978492-overview</a> [acedido em 20/05/2010].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-7103201100050000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>11. Finnegan L. Neonatal abstinence syndrome: assessment and pharmacotherapy. In: Rubaltelli FF, Granti B, editors. Neonatal Therapy: an update. Amsterdam: Elsevier Science; 1986. p. 122-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-7103201100050000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Johnson K, Gerada C, Greenough A. Treatment of neonatal abstinence syndrome. Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed 2003 Jan; 88 (1): F2-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-7103201100050000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>13. Budden SS. Intrauterine exposure to drugs and alcohol: how do the children fare? Medscape Womens Health 1996 Oct; 1 (10): 6.</p>     <!-- ref --><p>14. The Cochrane Collaboration. Psychotherapeutic interventions for cannabis abuse and/or dependence in outpatient settings (review); 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cochrane.org/reviews/en/ab005336" target="_blank">http://www.cochrane.org/reviews/en/ab005336</a> [acedido em 22/5/2010].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-7103201100050000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>15. Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica (Portugal). Dec-lei n&ordm;281/2009, de 12 de Outubro - artigo 3&ordm;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONFLITOS DE INTERESSE</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores declaram que n&atilde;o existem conflitos de interesses. </p>     <p><a href="#topc0"><b>ENDERE&Ccedil;O PARA CORRESPOND&Ecirc;NCIA</b></a><a name="c0"></a></p>     <p>Cristina Nunes</p>     <p>Alameda da Encarna&ccedil;&atilde;o, 11 </p>     <p>1800-187 Lisboa</p>     <p><a href="mailto:ccrrn@hotmail.com">ccrrn@hotmail.com</a></p>     <p><b>Recebido em 25/06/2010 </b></p>     <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 22/04/2011 </b></p>      ]]></body><back>
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