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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crianças em acolhimento residencial: Conteúdo temático das suas narrativas de vida]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The narrative is a semantic unit in the form of history that allows the human being to give meaning to their experience. Research in the area has not been conclusive in respect to the ability of children who experienced maltreatment to integrate these experiences into their life narratives. Some researchers argue that maltreatment has an effect in the children’s memory, hindering the recall and reference of these experiences; others argue that traumatic experiences may be better remembered and narrated than quotidian experiences. This study aimed to map emergent themes in the life narratives of children with a past marked by early adversity, exploring if the theme of maltreatment is brought up in these narratives and/or even becomes the dominant theme. In this study participants were 16 children living in residential care, aged between 7 and 12 years old. The Life Narrative Interview with Children was used to collect life stories. The thematic analysis of life narratives allowed us to identify that children included an average of 15 themes in their life narratives, being that half of the children reported episodes of physical and/or psychological maltreatment. The thematic diversity found in children’s life narratives suggests the adaptive capacity of having available the multiplicity of experiences, without being overwhelmed by a rigid and monothematic narrative. In addition, the ability of many children to report maltreatment events, sets us aside from the hypothesis of forgetting or the inability to narrate and encourages the promotion of adaptive open, unconstrained, conversational spaces.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Narrativas autobiográficas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Crian&ccedil;as em acolhimento residencial: Conte&uacute;do tem&aacute;tico das suas narrativas de vida</b></p>     <p><b>Diana Neves Teixeira<sup>1</sup>, Sara Ramos Silva<sup>1</sup>, Margarida Rangel Henriques<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Porto, Portugal</p>     <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Correspondência</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A narrativa constitui uma unidade sem&acirc;ntica em forma de hist&oacute;ria que permite ao ser humano dar sentido &agrave; sua  experi&ecirc;ncia. A investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea n&atilde;o tem sido conclusiva quanto &agrave; capacidade das crian&ccedil;as que  vivenciaram maus-tratos integrarem estas experi&ecirc;ncias nas suas narrativas de vida. Alguns investigadores defendem que os maus-tratos afetam a  capacidade mn&eacute;sica das crian&ccedil;as, dificultando a recorda&ccedil;&atilde;o e a refer&ecirc;ncia destas experi&ecirc;ncias; outros  defendem que experi&ecirc;ncias traum&aacute;ticas podem at&eacute; ser melhor recordadas e hipernarradas do que experi&ecirc;ncias do quotidiano.  Neste estudo pretendeu-se mapear as tem&aacute;ticas que emergem nas narrativas de vida de crian&ccedil;as com passado de adversidade precoce,  explorando se o tema dos maus-tratos chega a surgir nestas narrativas ou se at&eacute; se torna o tema dominante. Participaram no estudo 16  crian&ccedil;as em acolhimento residencial, com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos. Foi utilizada a <i>Entrevista de Narrativa de Vida  com Crian&ccedil;as</i>, para a recolha das hist&oacute;rias de vida. A an&aacute;lise tem&aacute;tica das narrativas de vida permitiu identificar  que as crian&ccedil;as incluem em m&eacute;dia 15 temas nas suas narrativas de vida, sendo que metade das crian&ccedil;as relatou epis&oacute;dios  de Maus-tratos f&iacute;sicos e/ou psicol&oacute;gicos. A diversidade tem&aacute;tica encontrada nas narrativas de vida das crian&ccedil;as aponta  para a capacidade adaptativa de estar dispon&iacute;vel para a multiplicidade de viv&ecirc;ncias, sem permanecer dominado por uma narrativa  r&iacute;gida e monotem&aacute;tica. Al&eacute;m disso, a capacidade com que muitas crian&ccedil;as relatam acontecimentos de maltrato, distancia a  hip&oacute;tese da amn&eacute;sia ou incapacidade de os narrar e encoraja a exist&ecirc;ncia de espa&ccedil;os conversacionais abertos e sem  restri&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas.    <p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Narrativas autobiogr&aacute;ficas, Narrativas de vida, Crian&ccedil;as, Acolhimento residencial, Conte&uacute;do  tem&aacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The narrative is a semantic unit in the form of history that allows the human being to give meaning to their experience. Research in the area  has not been conclusive in respect to the ability of children who experienced maltreatment to integrate these experiences into their life  narratives. Some researchers argue that maltreatment has an effect in the children&rsquo;s memory, hindering the recall and reference of these  experiences; others argue that traumatic experiences may be better remembered and narrated than quotidian experiences. This study aimed to map  emergent themes in the life narratives of children with a past marked by early adversity, exploring if the theme of maltreatment is brought up in  these narratives and/or even becomes the dominant theme. In this study participants were 16 children living in residential care, aged between 7  and 12 years old. The Life Narrative Interview with Children was used to collect life stories. The thematic analysis of life narratives allowed us  to identify that children included an average of 15 themes in their life narratives, being that half of the children reported episodes of physical  and/or psychological maltreatment. The thematic diversity found in children&rsquo;s life narratives suggests the adaptive capacity of having  available the multiplicity of experiences, without being overwhelmed by a rigid and monothematic narrative. In addition, the ability of many  children to report maltreatment events, sets us aside from the hypothesis of forgetting or the inability to narrate and encourages the promotion  of adaptive open, unconstrained, conversational spaces.</p>     <p><b>Key words</b>: Autobiographical narratives, Life narratives, Children, Residential care, Thematic content.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>A narrativa enquanto conhecimento</i></p>     <p>O ser humano apresenta uma predisposi&ccedil;&atilde;o inata para organizar a sua experi&ecirc;ncia em forma de narrativa, permitindo-lhe  compreend&ecirc;-la e utiliz&aacute;-la. Esta predisposi&ccedil;&atilde;o &eacute; potenciada pela cultura, atrav&eacute;s das  tradi&ccedil;&otilde;es de contar e interpretar o que partilhamos com os outros, enriquecendo-nos com novas formas de contar hist&oacute;rias  (Bruner, 2002).</p>     <p>A narrativa surge, n&atilde;o como o espelho exato da experi&ecirc;ncia, mas como o produto de uma constru&ccedil;&atilde;o de significados,  culturalmente enquadrada, por parte do narrador (Gon&ccedil;alves, 2000). Dado que a narrativa se trata da representa&ccedil;&atilde;o da  hist&oacute;ria de vida, n&atilde;o pode ser verdadeira ou falsa, passando-se de um processo de busca da verdade a um processo de  constru&ccedil;&atilde;o de significados. O significado emerge, ent&atilde;o, como base para todas as narrativas, na medida em que entendemos o que  aconteceu e projetamos o futuro (Gon&ccedil;alves, 1994). O processo atrav&eacute;s do qual se constr&oacute;i a narrativa implica um padr&atilde;o  espec&iacute;fico de coer&ecirc;ncia temporal permitindo dar sentido a uma experi&ecirc;ncia, que de outro modo seria aleat&oacute;ria e  ca&oacute;tica (Gon&ccedil;alves, Korman, &amp; Angus, 2000).</p>     <p>As <i>narrativas autobiogr&aacute;ficas</i> traduzem-se em hist&oacute;rias elaboradas com os acontecimentos de vida integrados como um todo ou  em hist&oacute;rias que se focam em acontecimentos de vida espec&iacute;ficos (Habermas, Ehlert-Lerche, &amp; Silveira, 2009). No presente artigo  iremos focar as narrativas autobiogr&aacute;ficas que incidem sobre a <i>hist&oacute;ria de vida</i>. Estas ser&atilde;o, ent&atilde;o, designadas  de <i>narrativas de vida</i> e consistem na perspetiva do narrador acerca do curso da sua vida, englobando o que sabe que aconteceu na sua vida e,  ainda, uma representa&ccedil;&atilde;o subjetiva do percurso, que &eacute; relembrado atrav&eacute;s de uma retrospetiva (Bluck &amp; Habermas,  2000; Habermas &amp; Silveira, 2008).</p>     <p>As narrativas de vida podem ser perspetivadas como uma autobiografia seletiva das experi&ecirc;ncias do indiv&iacute;duo, onde a  interpreta&ccedil;&atilde;o acerca dos seus acontecimentos de vida lhe proporciona unidade e prop&oacute;sito (McAdams, 1996). Uma narrativa de  vida funcional aborda a quest&atilde;o da identidade pessoal, descrevendo como a pessoa se tornou no que &eacute;, com base na lembran&ccedil;a e  interpreta&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias passadas. No decorrer da vida, a narrativa muda para acomodar novas experi&ecirc;ncias e  tem&aacute;ticas, visto que, a hist&oacute;ria de vida serve ainda como um quadro de assimila&ccedil;&atilde;o de novos aconte cimentos em termos  de temas recorrentes da identidade (Pasupathi, Mansour, &amp; Brubaker, 2007).</p>     <p>Em suma, a narrativa surge como produto de uma constru&ccedil;&atilde;o de significados elaborados pelo narrador (Gon&ccedil;alves, 2000) e  &eacute; atrav&eacute;s dela que este d&aacute; significado ao que aconteceu (Gon&ccedil;alves, 1994). As narrativas de vida surgem, ent&atilde;o,  como a perspetiva do narrador acerca do seu percurso (Bluck &amp; Habermas, 2000; Habermas &amp; Silveira, 2008), a qual vai sendo adaptada  &agrave; medida que surge a necessidade de integrar novas mudan&ccedil;as (Pasupathi et al., 2007).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Maus-tratos e acolhimento residencial</i></p>     <p>Os maus-tratos podem ser definidos de m&uacute;ltiplas formas mediante o enquadramento legal, m&eacute;dico, psicol&oacute;gico ou social. De  acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, os maus-tratos infantis incluem todas as formas de maus tratos f&iacute;sicos e  emocionais, abuso sexual, neglig&ecirc;ncia e explora&ccedil;&atilde;o que resultam em danos reais ou potenciais &agrave; sa&uacute;de, ao  desenvolvimento ou &agrave; dignidade da crian&ccedil;a (OMS, s/d).</p>     <p>No seguimento dos epis&oacute;dios de maus-tratos, o n.&ordm; 1 do Artigo 3.&ordm; da Lei de Promo&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o de  Crian&ccedil;as e Jovens em Perigo n.&ordm; 142/2015, de 8 de setembro (Procuradoria Geral Distrital de Lisboa, 2003), prev&ecirc; que a  promo&ccedil;&atilde;o dos direitos e prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as/jovens em perigo tem lugar quando os cuidadores legais colocam ou  s&atilde;o coniventes com algo que coloque em perigo a sua seguran&ccedil;a, sa&uacute;de, forma&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o ou  desenvolvimento. Sempre que n&atilde;o seja poss&iacute;vel aceder ao princ&iacute;pio da preval&ecirc;ncia da fam&iacute;lia que surge como  orientador da interven&ccedil;&atilde;o para a promo&ccedil;&atilde;o dos direitos e prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e do jovem em perigo,  temos como recurso o acolhimento familiar ou residencial.</p>     <p>O acolhimento residencial surge, ent&atilde;o, como uma medida de promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o com o objetivo de promover a  educa&ccedil;&atilde;o, o bem-estar e o desenvolvimento integral da crian&ccedil;a (Paiva, 2012); no entanto, &eacute; associado pela  crian&ccedil;a a um sentimento de puni&ccedil;&atilde;o, &agrave; estigmatiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o social,  conduzindo &agrave; desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia (Alberto, 2002). O momento da chegada &agrave; institui&ccedil;&atilde;o  &eacute; definido pelas crian&ccedil;as como uma experi&ecirc;ncia <i>&ldquo;dif&iacute;cil, dolorosa, sendo fundamentalmente, acompanhada por  sentimentos de tristeza, medo, mal-estar, nervosismo, solid&atilde;o e vergonha&rdquo;</i> (Carvalho, 2009, p. 34), acompanhada, frequentemente,  por choro constante, rebeldia, isolamento e/ou tentativas de fuga recorrentes. A adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas circunst&acirc;ncias  implica o estabelecimento de novas rela&ccedil;&otilde;es que ir&atilde;o funcionar como facilitadores da integra&ccedil;&atilde;o. De acordo com  Carvalho (2009), a perce&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o melhora  tendencialmente com o decorrer do tempo, surgindo os pares e os cuidadores da institui&ccedil;&atilde;o como elementos positivos neste contexto. Os  pares tornam-se importantes pela ajuda que disponibilizam, particularmente no que respeita &agrave; explora&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, a  esclarecer d&uacute;vidas, a explicar o funcionamento da institui&ccedil;&atilde;o, ao envolv&ecirc;-los em brincadeiras e pelo esp&iacute;rito de  solidariedade e partilha. Por sua vez, quando os cuidadores se disponibilizam para ouvir e marcam presen&ccedil;a nos momentos de vida relevantes,  assumem-se como as figuras que na institui&ccedil;&atilde;o se aproximam mais da representa&ccedil;&atilde;o de pai/m&atilde;e (Carvalho, 2009).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Maus-tratos e constru&ccedil;&atilde;o de significados</i></p>     <p>A literatura n&atilde;o tem sido consensual quanto ao impacto das experi&ecirc;ncias de maus-tratos vividas pelas crian&ccedil;as, ao  n&iacute;vel da recorda&ccedil;&atilde;o dessas mesmas viv&ecirc;ncias. Alguns investigadores defendem que o stress e o trauma associados a estas  experi&ecirc;ncias podem afetar as mem&oacute;rias, tornando-as mais pobres, desorganizadas e fragmentadas e conduzindo &agrave;  dissocia&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia (Bailey, Morgan, &amp; Pederson, 2007). Em contraste, outros estudos sugerem uma maior  elabora&ccedil;&atilde;o destas narrativas, dada a maior dificuldade de assimilar essas experi&ecirc;ncias e a sua sali&ecirc;ncia emocional  (Fivush, 1998; Fivush, Berlin, Sales, Mennuti-Washburn, &amp; Cassidy, 2003; Howe, Cicchetti, &amp; Toth, 2006), embora pare&ccedil;am carecer de  coer&ecirc;ncia narrativa (Henriques &amp; Ribeiro, 2011). Dada esta tend&ecirc;ncia para um maior desenvolvimento das narrativas associadas a  experi&ecirc;ncias maltratantes, o produto narrativo poder&aacute; surgir saturado, n&atilde;o permitindo a integra&ccedil;&atilde;o de outras  experi&ecirc;ncias. A incapacidade para uma vis&atilde;o multifacetada da experi&ecirc;ncia conduz a um discurso patol&oacute;gico  (Gon&ccedil;alves, 2000). Gon&ccedil;alves (2000) diz-nos que <i>&ldquo;O prot&oacute;tipo narrativo &eacute;, neste caso, sin&oacute;nimo de uma  autoria narrativa inflex&iacute;vel, uma identidade fechada que dissocia ou restringe todas as experi&ecirc;ncias que n&atilde;o se enquadram no  molde protot&iacute;pico&rdquo;</i> (p. 91).</p>     <p>No que se refere &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da narrativa de vida, esta &eacute; uma tarefa especialmente complexa para as crian&ccedil;as  em acolhimento residencial, uma vez que o seu percurso desenvolvimental foi marcado por descontinuidade, por acontecimentos de vida at&iacute;picos  e por mudan&ccedil;as abruptas. A experi&ecirc;ncia de eventos traum&aacute;ticos precoces e rupturas nos contextos de vida cria descontinuidade no  fluxo cont&iacute;nuo de experi&ecirc;ncias, o que constitui um desafio maior &agrave; sua integra&ccedil;&atilde;o, levando a uma maior  dificuldade na elabora&ccedil;&atilde;o de narrativas de vida coerentes (Neuner, Catani, Ruf, Schauer, Schauer, &amp; Elbert, 2008).</p>     <p>Nesta sequ&ecirc;ncia, revela-se pertinente estudar o conjunto de significados a que estas recorrem para organizar as suas experi&ecirc;ncias.  N&atilde;o obstante a complexidade dos processos narrativos, neste estudo elegemos a explora&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do tem&aacute;tico  das narrativas de vida das crian&ccedil;as em acolhimento residencial. O presente estudo pretende assim: (1) mapear as tem&aacute;ticas que emergem  nas narrativas de vida de crian&ccedil;as a viver em acolhimento residencial; (2) identificar os contextos que as crian&ccedil;as em acolhimento  residencial incluem nas suas narrativas de vida e avaliar a exist&ecirc;ncia de diversidade tem&aacute;tica; e (3) explorar a refer&ecirc;ncia a  experi&ecirc;ncias de maus-tratos no momento de narrar a sua vida. Desta forma, espera-se clarificar se as crian&ccedil;as em acolhimento  residencial excluem as experi&ecirc;ncias emocionais aversivas das suas narrativas de vida ou se, pelo contr&aacute;rio, as saturam com essas  experi&ecirc;ncias marcantes ou, ainda, se incluem as v&aacute;rias experi&ecirc;ncias positivas e negativas vividas ao longo da sua vida,  transmitindo uma capacidade de integra&ccedil;&atilde;o e fluidez na constru&ccedil;&atilde;o narrativa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>Participaram neste estudo 16 crian&ccedil;as com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos de idade (<i>M</i>=9.19; <i>DP</i>=1.68), sendo 6  do sexo masculino (37.5%) e 10 do sexo feminino (62.5%). Os participantes foram selecionados por conveni&ecirc;ncia, encontrando-se numa  situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento residencial em quatro Centros de Acolhimento Tempor&aacute;rio (CAT) do distrito do Porto. Como  crit&eacute;rio de exclus&atilde;o foi definido o tempo de perman&ecirc;ncia em acolhimento residencial inferior a seis meses, de modo a garantir  um per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o ao contexto. As crian&ccedil;as tinham entre 4 e 11 anos (<i>M</i>=7.81; <i>DP</i>=1.97) aquando da  chegada &agrave; resid&ecirc;ncia de acolhimento e no momento da participa&ccedil;&atilde;o no estudo estavam acolhidas em m&eacute;dia h&aacute;  15 meses (<i>DP</i>=8.59). Todas as crian&ccedil;as viveram com a sua fam&iacute;lia biol&oacute;gica antes de chegarem &agrave; resid&ecirc;ncia  de acolhimento e todas foram v&iacute;timas de maus-tratos: neglig&ecirc;ncia (<i>n</i>=14), maus-tratos f&iacute;sicos (<i>n</i>=6), maus-tratos  psicol&oacute;gicos (<i>n</i>=6) e abuso sexual (<i>n</i>=1), de acordo com o analisado no processo de cada crian&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Instrumentos</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Ficha de identifica&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e do percurso de vida</i> (Ribeiro, 2009), preenchida atrav&eacute;s de uma entrevista  estruturada ao t&eacute;cnico, com a finalidade recolher informa&ccedil;&atilde;o aprofundada sobre a hist&oacute;ria da crian&ccedil;a, tendo em  considera&ccedil;&atilde;o os contextos familiar, de acolhimento e escolar.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Entrevista de narrativa de vida com crian&ccedil;as (LNIC)</i> (Teixeira, 2014) que consiste numa entrevista semiestruturada, especificamente  preparada para a recolha de narrativas de vida com crian&ccedil;as, contemplando estrat&eacute;gias facilitadoras da recorda&ccedil;&atilde;o  autobio gr&aacute;fica e produ&ccedil;&atilde;o discursiva da crian&ccedil;a. A entrevista est&aacute; organizada por etapas, correspondentes a um  suporte crescente por parte do adulto que come&ccedil;a por apenas ouvir o relato espont&acirc;neo da crian&ccedil;a, at&eacute; vir a conduzir a  recorda&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de quest&otilde;es espec&iacute;ficas. Esta entrevista, para o qual a crian&ccedil;a tem uma fase inicial  de quebra gelo da rela&ccedil;&atilde;o com o entrevistador e de focaliza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o em quest&otilde;es  autobiogr&aacute;ficas, contempla os diferentes n&iacute;veis de mem&oacute;rias autobio gr&aacute;ficas (Conway &amp; Pleydell-Pearce, 2000),  desde as <i>mem&oacute;rias espec&iacute;ficas</i> essenciais &agrave; <i>constru&ccedil;&atilde;o</i> da hist&oacute;ria de vida, a estruturas  superiores, como os <i>per&iacute;odos de tempo de vida</i>, at&eacute; &agrave; macroestrutura temporal presente da <i>narrativa de vida</i>  encadeada. Atrav&eacute;s deste processo &eacute; poss&iacute;vel, ent&atilde;o, que as crian&ccedil;as desenvolvam uma narrativa acerca da sua  vida. A aplica&ccedil;&atilde;o desta entrevista implica uma forma&ccedil;&atilde;o especializada, tendo as autoras recebido treino para o efeito.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos de recolha de dados</i></p>     <p>Ap&oacute;s uma apresenta&ccedil;&atilde;o pessoal do estudo &agrave;s Dire&ccedil;&otilde;es das casas de acolhimento e dos devidos pedidos de  consentimento serem assinados, a recolha de dados decorreu em tr&ecirc;s momentos: (1) preenchimento da Ficha de Identifica&ccedil;&atilde;o da  Crian&ccedil;a e do Percurso de Vida com o t&eacute;cnico respons&aacute;vel pela crian&ccedil;a; (2) apresenta&ccedil;&atilde;o dos investigadores  &agrave; crian&ccedil;a e estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica com esta; (3) administra&ccedil;&atilde;o da Entrevista de  Narrativa de Vida com Crian&ccedil;as, a qual decorreu na pr&oacute;pria casa de acolhimento numa sala com privacidade ou na Faculdade (FPCEUP), de  acordo com a prefer&ecirc;ncia dos respons&aacute;veis por esta autoriza&ccedil;&atilde;o na casa de acolhimento. Aproximadamente uma semana  ap&oacute;s o &uacute;ltimo contacto com a crian&ccedil;a, estabeleceu-se contacto telef&oacute;nico com o t&eacute;cnico respons&aacute;vel por  esta, no sentido de explorar se se teria registado alguma altera&ccedil;&atilde;o comportamental ou emocional na crian&ccedil;a. Assim,  pretendeu-se assegurar que a intensidade da entrevista aplicada n&atilde;o se tornava fonte de perturba&ccedil;&atilde;o e mal-estar para a  crian&ccedil;a, bem como, disponibilizar acompanhamento psicol&oacute;gico &agrave; crian&ccedil;a, no caso de tal se ter verificado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Procedimentos de an&aacute;lise de dados</i></p>     <p>Para proceder &agrave; an&aacute;lise de dados, as narrativas de vida foram gravadas em formato &aacute;udio e, posteriormente, transcritas na  &iacute;ntegra. A an&aacute;lise de conte&uacute;do teve como unidade os temas que emergiram nas narrativas de vida elaboradas pelas  crian&ccedil;as, sendo que o tema &eacute; definido como uma unidade de significado que surge naturalmente atrav&eacute;s da leitura de um  discurso (Angus, Levitt, &amp; Hardtke, 1999; Bardin, 2011). Desta forma, sempre que se verificou a mudan&ccedil;a de assunto, n&atilde;o sendo um  aprofundamento da tem&aacute;tica em abordagem, foi considerado uma nova unidade tem&aacute;tica, possibilitando a explora&ccedil;&atilde;o dos  n&uacute;cleos de sentido que comp&otilde;em o discurso da crian&ccedil;a. A an&aacute;lise, tendo como refer&ecirc;ncia o m&eacute;todo de  an&aacute;lise da <i>Grounded Theory</i> (Glaser &amp; Strauss, 1967), e n&atilde;o contando por isso com uma grelha de temas pr&eacute;via, foi  realizada por dois ju&iacute;zes em conjunto, permitindo a discuss&atilde;o e, posterior, consenso quanto ao n&uacute;mero de temas por narrativa,  bem como &agrave; designa&ccedil;&atilde;o a atribuir a cada tema. Foram considerados para a an&aacute;lise os temas referidos por mais do que 25%  (<i>n</i>=4) dos participantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Os resultados apresentados correspondem &agrave; an&aacute;lise de narrativas de vida constru&iacute;das por 16 crian&ccedil;as. A  apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados ir&aacute; ser realizada de acordo com os contextos que emergiram nas narrativas de vida analisadas. As  categorias tem&aacute;ticas abordadas pelas crian&ccedil;as na constru&ccedil;&atilde;o das suas narrativas de vida e respetiva frequ&ecirc;ncia  ser&atilde;o explicitadas, tal como, ser&aacute; apresentada uma defini&ccedil;&atilde;o curta de cada categoria tem&aacute;tica e exemplos  ilustrativos da mesma. Salvaguarda-se que os nomes usados s&atilde;o fict&iacute;cios, de forma a proteger a identidade dos participantes no  estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Anteriormente defendemos que a narrativa pressup&otilde;e uma orienta&ccedil;&atilde;o temporal dos acontecimentos (Gon&ccedil;alves et al.,  2000). Os resultados verificados neste estudo v&ecirc;m corroborar esta perspetiva, uma vez que, nas narrativas analisadas, as crian&ccedil;as  tenderam a seguir uma organiza&ccedil;&atilde;o temporal dos acontecimentos, tamb&eacute;m sugerida pela instru&ccedil;&atilde;o da entrevista  <i>&ldquo;Vou pedir-te para me contares como &eacute; que tem sido a tua vida... conta o m&aacute;ximo de coisas que tu sabes que se passaram  contigo desde que nasceste at&eacute; agora, quando nasceste onde vivias, quem &eacute; que vivia contigo, como &eacute; que foi, e depois, e  depois at&eacute; agora.&rdquo;</i> As crian&ccedil;as, ao longo da constru&ccedil;&atilde;o das suas narrativas de vida, referiram em m&eacute;dia  15 temas (<i>Min</i>=8; <i>Max</i>=22) tendo abordado temas que remetem para os contextos familiar, de acolhimento residencial, escolar e,  tamb&eacute;m, para o grupo de pares. Surgiram, ainda, categorias tem&aacute;ticas que por serem comuns aos diferentes contextos foram  inclu&iacute;dos no grupo Outros. No total surgiram 27 categorias tem&aacute;ticas. Em seguida, apresenta-se um esquema no qual se explicitam os  temas que emergiram das narrativas de vida inclu&iacute;das na amostra e a respetiva percentagem de crian&ccedil;as que abordou cada um deles  (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/aps/v36n1/36n1a01f1.jpg" width="580" height="376"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Associado ao contexto familiar surgiram 10 categorias tem&aacute;ticas: din&acirc;mica familiar; nascimento; acontecimentos com a  fam&iacute;lia; irm&atilde;os; maus-tratos; mudan&ccedil;as no agregado familiar; nascimento dos irm&atilde;os; separa&ccedil;&atilde;o dos pais;  conflito entre familiares; e mudan&ccedil;as de casa.</p>     <p>A <i>Din&acirc;mica Familiar</i> experienciada antes do acolhimento residencial foi abordada pela quase totalidade das crian&ccedil;as (15 em      16). Nesta categoria tem&aacute;tica foram inclu&iacute;das as refer&ecirc;ncias aos elementos que constitu&iacute;am os seus agregados familiares      e a descri&ccedil;&atilde;o das rotinas destes. A t&iacute;tulo de exemplo, a Telma (11 anos) referiu <i>&ldquo;O meu pai trabalhava muito longe e      os meus padrinhos n&atilde;o podiam tomar conta de mim tamb&eacute;m. Quando o meu pai ia passear o c&atilde;o, eu ia com ele, quando a minha      ]]></body>
<body><![CDATA[m&atilde;e me dava banho, eu chapinava-lhe a &aacute;gua toda e a minha m&atilde;e dizia para eu parar quieta e eu &ldquo;n&atilde;o paro.&rdquo; E      depois o c&atilde;o vinha, saltava para dentro da &aacute;gua e tomava banho comigo&rdquo;</i>. A maioria das crian&ccedil;as (<i>n</i>=12; 75%)      integrou o seu <i>Nascimento</i> nas narrativas de vida, explicitando o local onde este ocorreu, as pessoas que estavam presentes e descrevendo o      dia. A este respeito, a Daniela (12 anos) contou que nasceu <i>&ldquo;No dia 17 de Junho de 1997. Foi no hospital em (...) ... N&atilde;o sei como      &eacute; que se chama... E que a minha m&atilde;e me teve e mais nada.&rdquo;.</i> Acrescenta-se que, embora a maioria das crian&ccedil;as tivesse      abordado o nascimento, este surge como um tema pouco desenvolvido. Os <i>Acontecimentos com a fam&iacute;lia</i> ocorridos antes do acolhimento      residencial foram abordados por mais de metade das crian&ccedil;as (<i>n</i>=10; 62.5%). Esta unidade tem&aacute;tica distingue-se das      din&acirc;micas familiares por se tratar do relato de epis&oacute;dios espec&iacute;ficos (e n&atilde;o de rotinas). &Eacute; de real&ccedil;ar      que, mesmo tendo vivido acontecimentos de vida adversos no seu contexto familiar, as crian&ccedil;as tendem a incluir na sua hist&oacute;ria de      vida acontecimentos do passado com as fam&iacute;lias e a narr&aacute;-los com muito detalhe e envolvimento. A Mafalda (9 anos), por exemplo,      ]]></body>
<body><![CDATA[contou um epis&oacute;dio espec&iacute;fico de um momento de refei&ccedil;&atilde;o com os pais: <i>&ldquo;Depois fui indo crescendo, crescendo e      um dia a minha m&atilde;e estava a comer, eu fui a primeira a servir e a primeira a comer e fui ao quarto do meu pai, da minha m&atilde;e, tirei as      minhas cal&ccedil;as e peguei nas cal&ccedil;as do meu pai, fui at&eacute; &agrave; sala e mostrei-lhe e eles tiraram uma fotografia e acharam      piada. Depois fui tirar, vesti outra vez as minhas cal&ccedil;as&rdquo;.</i> A integra&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica dos <i>Irm&atilde;os</i>      nas narrativas de vida surge na maioria das crian&ccedil;as (<i>n</i>=9; 56,25%). Ao abordar os irm&atilde;os, as crian&ccedil;as fizeram      refer&ecirc;ncia a caracter&iacute;sticas destes e &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com eles, como se ilustra com um excerto da narrativa de vida do      Afonso (12 anos):<i>&ldquo;S&oacute; que depois comecei a ficar com ci&uacute;mes. Quando a minha m&atilde;e estava a tratar das minhas      irm&atilde;s, ficava com ci&uacute;mes, tamb&eacute;m queria mimo. Mas ela dar mimo dava-me. Dava-me &agrave; noite, quando ia para a cama. Eu      nunca dormi na cama separado, dormi sempre com ela&rdquo;</i>. Os <i>Maus-tratos</i> foram o quinto tema mais abordado das categorias      tem&aacute;ticas associadas ao contexto familiar, tendo sido integrado nas narrativas de vida por metade das crian&ccedil;as (<i>n</i>=8; 50%).      ]]></body>
<body><![CDATA[Nesta categoria tem&aacute;tica foram inclu&iacute;dos os epis&oacute;dios de maus-tratos f&iacute;sicos e/ou psicol&oacute;gicos infligidos      &agrave; crian&ccedil;a por um adulto. A Daniela (12 anos) recordou: <i>&ldquo;Bateu uma vez em mim. Eu estava no parque, porque a minha casa na      Alemanha tinha l&aacute; um parque e tinha l&aacute; piscina e ent&atilde;o eu sem querer empurrei o meu pai para a piscina e ent&atilde;o o meu p     ai veio c&aacute; e come&ccedil;ou-me a bater. Fui a chorar para casa... chamei-lhe nomes, est&uacute;pido... pronto vou dizer tudo: chamei-lhe      boi. Era o que estava a vir-me &agrave; cabe&ccedil;a. O meu pai estava a tentar-me bater e eu fechei-lhe a porta na cara e tranquei-lhe os dedos e      ele ficou assim com os dedos todos. Ele s&oacute; por ser o meu pai n&atilde;o tinha</i> o direito de me bater&rdquo;</i>. Acrescenta-se que as      crian&ccedil;as que inclu&iacute;ram a refer&ecirc;ncia &agrave;s viv&ecirc;ncias de maus-tratos nas suas narrativas de vida, abordaram em      m&eacute;dia 18 temas, evidenciando que a refer&ecirc;ncia a essas viv&ecirc;ncias em nada restringiu a abordagem a outras tem&aacute;ticas,      n&atilde;o se mostrando essa recorda&ccedil;&atilde;o absorvente e bloqueadora da descentra&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a. O tema das      <i>Mudan&ccedil;as no agregado familiar</i> surgiu nas narrativas de vida de 6 crian&ccedil;as (37.5%), ilustrado com a altera&ccedil;&atilde;o dos      ]]></body>
<body><![CDATA[cuidadores ou com entradas e sa&iacute;das de pessoas do seu n&uacute;cleo familiar. A t&iacute;tulo de exemplo, a In&ecirc;s (10 anos) incluiu na      sua narrativa a viv&ecirc;ncia de uma mudan&ccedil;a constante de cuidadores e o impacto que esta teve para si: <i>&ldquo;Depois eu mudei para a      minha av&oacute;. Ainda era pequenina e ainda n&atilde;o... N&atilde;o senti nada, pronto. Depois fui crescendo e estava entre a minha madrinha,      depois ia</i> para a minha av&oacute;... Eu n&atilde;o me importava, porque eu n&atilde;o compreendia qual era o problema. Depois a minha tia      tamb&eacute;m entrou, isto j&aacute; com... seis anos&rdquo;</i>. O <i>Nascimento dos irm&atilde;os</i> foi integrado nas narrativas de vida de      mais de um quarto das crian&ccedil;as (<i>n</i>=6; 37,5%), destacando a import&acirc;ncia que este momento teve para as pr&oacute;prias. O Afonso      (12 anos) lembrou que <i>&ldquo;Depois houve as minhas manas, nasceram. Quando a minha m&atilde;e disse que estava gr&aacute;vida eu disse      &ldquo;quero que sejam duas meninas&rdquo; e depois nasceram duas! Mas nasceram na casa de apoio &agrave; v&iacute;tima quando eu estava em F. Foi      fixe&rdquo;</i>. A <i>Separa&ccedil;&atilde;o dos pais</i>, foi mencionada e explorada por 5 das crian&ccedil;as (31.25%), por exemplo a Daniela      (12 anos) aborda a separa&ccedil;&atilde;o dos pais e a transforma&ccedil;&atilde;o no agregado familiar que da&iacute; resultou: <i>&ldquo;Depois,      ]]></body>
<body><![CDATA[eu, a minha av&oacute; e a minha m&atilde;e ficamos tristes com ele, vivemos n&oacute;s as tr&ecirc;s juntas e ele saiu de casa. E depois a minha      m&atilde;e e ele, separaram-se&rdquo;</i>. Contudo, na constru&ccedil;&atilde;o das narrativas de vida, as crian&ccedil;as mostraram      alguma dificuldade em explorar estes epis&oacute;dios das suas vidas, manifestando falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre os acontecimentos que as      impedia de atribuir coer&ecirc;ncia ao momento de os recordar. Os <i>Conflitos familiares</i> foram mencionados por algumas crian&ccedil;as ao      narrar a sua hist&oacute;ria de vida (<i>n</i>=5; 31.25%), fazendo refer&ecirc;ncia &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de conflitos entre os diversos      membros. A In&ecirc;s (10 anos) conta um epis&oacute;dio de discuss&atilde;o entre o pai e a tia, com foco nos cuidados prestados a si:      <i>&ldquo;Estavam todos na minha tia Liliana e a minha tia perguntou ao meu pai se ele queria deixar-me ficar com ela. E o meu pai disse-lhe que      n&atilde;o e disse-lhe &ldquo;se quiseres filhos, f&aacute;-los!&rdquo; E ent&atilde;o, desde a&iacute;, o meu pai e a minha tia Liliana nunca mais      se entenderam&rdquo;</i>. Finalmente no que respeita ao contexto familiar, surgiu o tema das <i>Mudan&ccedil;as de casa</i> antes do acolhimento      residencial, referido por um quarto da amostra (<i>n</i>=4; 25%). Associado &agrave; refer&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a de casa,      ]]></body>
<body><![CDATA[pontualmente, foi referido o motivo que originou a mudan&ccedil;a, contudo o relato das crian&ccedil;as sobre estes acontecimentos revelou que      recordavam pouca informa&ccedil;&atilde;o. A C&aacute;tia (9 anos) descreveu: <i>&ldquo;Depois aos dois anos ainda me lembro, morava l&aacute; na      mesma... Foi aos tr&ecirc;s que mudei de casa... fui para (...) e l&aacute; era fixe&rdquo;</i>.</p>     <p>No contexto do acolhimento, integramos 5 categorias tem&aacute;ticas que emergiram nas narrativas analisadas: momento da  institucionaliza&ccedil;&atilde;o; momento da retirada; institui&ccedil;&atilde;o; contacto com fam&iacute;lia biol&oacute;gica; e  altera&ccedil;&otilde;es do projeto de vida.</p>     <p>O <i>Momento da Institucionaliza&ccedil;&atilde;o</i>, enquanto primeiro contacto com a resid&ecirc;ncia de acolhimento, foi um acontecimento  que se destacou pela elevada frequ&ecirc;ncia com que foi mencionado, havendo apenas uma crian&ccedil;a (12 anos) que n&atilde;o o fez. Ao abordar  o tema, as crian&ccedil;as mencionaram o que sentiram e pensaram no dia da entrada no acolhimento residencial e as pessoas que fizeram parte desta  transi&ccedil;&atilde;o. A Alexandra (7 anos) evocou o momento do acolhimento da seguinte forma: <i>&ldquo;A pol&iacute;cia trouxe-me para aqui e  vim para esta casa que a outra casa estava em obras. Conheci primeiro o B. Ele era muito bonito. Depois foi a M., a S., o A. e o L, que j&aacute;  n&atilde;o est&aacute; c&aacute;. Depois conheci os outros que estavam c&aacute;... o quarto das raparigas, dos beb&eacute;s, a casa de banho e  passei a ter amigos. (...) No primeiro dia chorei com saudades da minha m&atilde;e. E o A., a D., o B., e a S. e os outros meninos apoiaram-me e  disseram-me para eu n&atilde;o chorar e depois eu n&atilde;o chorei mais e fui brincar.&rdquo;</i> No entanto, as mem&oacute;rias deste dia nem  sempre se revelaram claras para as crian&ccedil;as, tendo surgido verbaliza&ccedil;&otilde;es sobre a confus&atilde;o vivenciada por n&atilde;o  perceberem o que estaria a acontecer ou para onde se dirigiam. O <i>Momento da retirada</i> &agrave; fam&iacute;lia biol&oacute;gica foi,  igualmente, abordado pela maioria das crian&ccedil;as (<i>n</i>=12, 75%), que foram explicitando o acontecimento em si e o motivo subjacente a esta  rutura. O Miguel (10 anos) referiu que: <i>&ldquo;aos 5 lembro-me que vim para aqui... Estava l&aacute; no infant&aacute;rio e foi l&aacute; a  seguran&ccedil;a social buscar-me... (...) P&ocirc;s-me num carro e vim para aqui. (...) Eu fiquei contente... ela deu-me brinquedos. A minha  m&atilde;e n&atilde;o podia ficar connosco... n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es. (...) Olha porque n&atilde;o tinha dinheiro... sei  l&aacute;... N&atilde;o fazia nada, s&oacute; ficava em casa... &Iacute;amos &agrave; escola... mas ela ficava o dia todo em casa, n&atilde;o  trabalhava...&rdquo;.</i> A vida na <i>Institui&ccedil;&atilde;o</i>, nomeadamente acontecimentos ocorridos nesta, as rotinas estabelecidas, as  atividades proporcionadas e a rela&ccedil;&atilde;o com os funcion&aacute;rios, foi mencionada pela maioria das crian&ccedil;as ao elaborarem as  suas narrativas de vida (<i>n</i>=12; 75%). Nos relatos acerca do acolhimento residencial, as crian&ccedil;as apresentam-se frequentemente  empenhadas em mostrar as suas viv&ecirc;ncias quotidianas. Verificou-se que nenhuma das crian&ccedil;as narrou acontecimentos negativos no  acolhimento residencial, como exemplifica o discurso da Carla (8 anos): <i>&ldquo;Eu gosto de estar aqui... muito, porque estamos  &rsquo;segurados&rsquo; aqui, andamos na escola, temos tudo, n&atilde;o nos falta nada aqui no centro. Temos professores, temos vigilantes,  empregadas, cozinheiras...&rdquo;</i>. A categoria tem&aacute;tica de <i>Contacto com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica ap&oacute;s a  institucionaliza&ccedil;&atilde;o</i> inclui, as refer&ecirc;ncias &agrave;s idas a casa e as visitas da fam&iacute;lia na resid&ecirc;ncia de  acolhimento e surgiu em mais de metade das crian&ccedil;as da amostra nas suas narrativas de vida (<i>n</i>= 11; 68.75%). A t&iacute;tulo de  exemplo, a Maria (8 anos) contou: <i>&ldquo;A minha m&atilde;e vinha e agora a minha m&atilde;e n&atilde;o tem vindo c&aacute;... E o meu pai tem  telefonado e tentando ligar &agrave; minha m&atilde;e para ela vir, s&oacute; que a m&atilde;e n&atilde;o vem&rdquo;</i>. A categoria  <i>Altera&ccedil;&otilde;es dos seus projetos de vida</i> durante o per&iacute;odo de acolhimento residencial emergiu em metade das crian&ccedil;as  da amostra (<i>n</i>=8; 50%). A Carla (8 anos) exp&ocirc;s a sua situa&ccedil;&atilde;o: <i>&ldquo;E eu estou quase a ir embora de vez para casa e  queria que corresse tudo bem para todos e que ficassem todos felizes e fam&iacute;lia tudo bem. Porque quando acabar a escola, antes de eu ir  embora de vez, vou ao tribunal para eu dizer se quero ir para o meu pai ou para a minha m&atilde;e mas eu ainda n&atilde;o sei... Ainda estou a  pensar e quando chegar &agrave; altura vou embora. E vou ter saudades deles&rdquo;</i>.</p>     <p>No &acirc;mbito do contexto escolar, surgiram nas narrativas de vida 4 categorias tem&aacute;ticas: escola; educador/professor;  jardim-de-inf&acirc;ncia; e mudan&ccedil;as de escola.</p>     <p>A maioria das crian&ccedil;as (<i>n</i>=15; 93.75%) referiu a <i>Escola,</i> relatando acontecimentos ocorridos neste contexto, as atividades  escolares, as transi&ccedil;&otilde;es de ano e as reten&ccedil;&otilde;es. A C&aacute;tia (9 anos) contou: <i>&ldquo;Foi quando eu passei de  classe... Para a 3&ordf; classe... Eu fui para a 3&ordf; classe, mas no 2&ordm; e no 1&ordm; j&aacute; tinha tido ingl&ecirc;s... tive excelente a  ingl&ecirc;s, a m&uacute;sica tamb&eacute;m tinha bom e a gin&aacute;stica, s&oacute; que depois quando eu fiz 9 anos, ainda n&atilde;o tinha  passado</i>.&rdquo; A categoria <i>Educador de Inf&acirc;ncia ou Professor</i> foi usada para as refer&ecirc;ncias aos nomes e/ou a  intera&ccedil;&atilde;o com essas pessoas, tendo surgido nas narrativas da maioria das crian&ccedil;as (<i>n</i>=9; 56.25%). O Ivo (8 anos)  reportou: <i>&ldquo;E a minha professora que se chama L&iacute;dia j&aacute; n&atilde;o vai mais ser minha professora, porque ela vai para outra  escola e eu vou ter outras professoras. Eu gosto dela porque ela &eacute; boa para n&oacute;s, s&oacute; ralha &agrave;s vezes quando n&oacute;s  nos portamos mal, &agrave;s vezes&rdquo;</i>. O <i>Jardim-de-inf&acirc;ncia</i> foi englobado nas narrativas de vida de metade das crian&ccedil;as  da amostra (<i>n</i>=8; 50%), que referiram a entrada para a pr&eacute;-escola ou infant&aacute;rio, tal como os acontecimentos e atividades  ocorridas neste contexto. A Telma (11 anos) relembrou que: <i>&ldquo;Havia no infant&aacute;rio uma sala de pintura, outra sala de leitura e uma  sala onde n&oacute;s faz&iacute;amos jogos e isso... Eu ia sempre para a sala de leitura e para a sala de pintura, para os desenhos, mais nada.  Depois faz&iacute;amos jogos, &iacute;amos a passeios&rdquo;</i>. As <i>Mudan&ccedil;as de escola</i>, enquanto descontinuidades na vida da  crian&ccedil;a, nomeadamente no que respeita a altera&ccedil;&otilde;es de jardim-de-inf&acirc;ncia ou escola, foram relatadas pelas  crian&ccedil;as enquanto narravam a hist&oacute;ria da sua vida (<i>n</i>=5; 31.25%). A In&ecirc;s (10 anos) contou: <i>&ldquo;Eu estava na escola  do M. at&eacute; ao segundo ano mas depois fui para (...), que era esta que eu gostei mais.&rdquo;</i></p>     <p>Associado ao contexto dos pares, surgiram na an&aacute;lise das narrativas de vida elaboradas pelas crian&ccedil;as 3 categorias  tem&aacute;ticas: refer&ecirc;ncia a amigos; brincadeiras; e conflito com pares.</p>     <p>Os <i>Amigos</i> foram integrados na maioria das narrativas de vida (<i>n</i>=11; 68.75%), com abordagem aos nomes destes, e &agrave;s  intera&ccedil;&otilde;es e/ou acontecimentos espec&iacute;ficos com eles. A In&ecirc;s (10 anos) contou: <i>&ldquo;J&aacute; conhecia l&aacute;  [resid&ecirc;ncia de acolhimento] amigos, foi l&aacute; que conheci a minha melhor amiga, a minha melhor amiga... tenho v&aacute;rias, mas ela  &eacute; a minha melhor amiga das melhores amigas&rdquo;</i>. As <i>Brincadeiras</i> preferidas ou habituais das crian&ccedil;as foram, igualmente,  mencionadas por estas (<i>n</i>=9; 56.25%). Sobre este t&oacute;pico, a Telma (11 anos) acrescenta <i>&ldquo;Brincava &agrave;s ca&ccedil;adinhas,  &agrave;s escondidinhas, com jogos... &Agrave; tarde &iacute;amos descansar, acord&aacute;vamos outra vez e t&iacute;nhamos um jogo que era de  esconder assim atr&aacute;s das costas...andar de bicicleta, de triciclo, brincar com os Nenucos. Fazia desenho com caras muito grandes&rdquo;</i>.  O tema <i>Conflito com pares</i>, com a refer&ecirc;ncia e/ou descri&ccedil;&atilde;o de discuss&otilde;es ou zangas com estes, foi integrado em  quase metade nas narrativas de vida analisadas (<i>n</i>=7; 43.75%). A Telma (11 anos) mencionou: <i>&ldquo;A minha m&atilde;e tinha-me comprado  v&aacute;rias coisas e depois eu andava sempre a brincar, com os meus vizinhos e uma vez o meu vizinho come&ccedil;ou-me a bater e eu tamb&eacute;m  lhe batia. Ele ferrou-me e eu tamb&eacute;m lhe ferrei a ele e depois a m&atilde;e do meu vizinho disse assim &ldquo;ai os meninos... andam a  ferrar uns aos outros&rdquo; depois n&oacute;s come&ccedil;&aacute;mos a rir&rdquo;</i>.</p>     <p>As categorias tem&aacute;ticas que surgiram como transversais a mais do que um contexto mencionado foram 5: F&eacute;rias e/ou Viagens; Festas;  Alimenta&ccedil;&atilde;o; Acidentes; e Presentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As <i>F&eacute;rias e/ou Viagens</i> foram inclu&iacute;das nas narrativas de vida de 6 crian&ccedil;as (37.5%), que descreveram os  acontecimentos vivenciados inerentes a esta tem&aacute;tica. A Mafalda (9 anos) descreveu uma viagem: <i>&ldquo;Depois chegou as f&eacute;rias do  ver&atilde;o e fui para a praia. A &aacute;gua era gelada, lhec! Depois um dia, tamb&eacute;m, fomos para uma quinta e foi super fixe!  T&iacute;nhamos que levar tendas, levamos piscina... Fomos de autocarro e j&aacute; est&aacute;!&rdquo;</i>. As <i>Festas</i>, como por exemplo as  de anivers&aacute;rio ou Natal, surgiram nas narrativas de vida elaboradas por 6 crian&ccedil;as (37.5%). A Daniela (12 anos) relembrou:  <i>&ldquo;Eu tinha dez anos e, ent&atilde;o, a minha m&atilde;e estava a preparar uma festa para mim. Estavam as duas a preparar ao mesmo tempo e o  meu tio at&eacute; que disse &agrave; minha av&oacute; que ia fazer uma coisa e estavam os tr&ecirc;s! E eu indecisa, a qual festa ir, fui  &agrave;s tr&ecirc;s.&rdquo;</i>. O tema da <i>Alimenta&ccedil;&atilde;o foi relatado por algumas crian&ccedil;as</i> (<i>n</i>=5; 31.25%), que  mencionaram os seus gostos relativamente a determinado alimento ou refei&ccedil;&atilde;o. A Mafalda (9 anos) contou: <i>&ldquo;E a minha comida  favorita quando era beb&eacute; era Cerelac e Nestum&rdquo;</i>. Os <i>Acidentes</i> foram, tamb&eacute;m, integrados nas narrativas de vida das  crian&ccedil;as (<i>n</i>=4; 25%), como refer&ecirc;ncia a quedas, acidentes de via&ccedil;&atilde;o e atropelamentos. A Maria (8 anos) contou que:  <i>&ldquo;Olha, um dia at&eacute; me aleijaram... olha um dia ca&iacute;, rachei o queixo, tive que levar 12 pontos!&rdquo;</i>. Por &uacute;ltimo,  um quarto da amostra abordou o tema dos <i>Presentes</i> nas suas narrativas (<i>n</i>=4; 25%). A Alexandra (7 anos) recordou: <i>&ldquo;Quatro  anos. Depois conheci o tio Aires, deu-me uma caixa de l&aacute;pis de cera, e l&aacute;pis de cor e borracha e borracha de caneta&rdquo;</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Um dos resultados a sublinhar na presente investiga&ccedil;&atilde;o foi o facto de as crian&ccedil;as em acolhimento residencial, n&atilde;o  obstante o seu percurso de vida marcado por ruturas e trauma, serem capazes de elaborar narrativas de vida com diversidade tem&aacute;tica,  n&atilde;o se mostrando rigidificadas numa tem&aacute;tica monoc&oacute;rdica. Ou seja, as suas narrativas de vida n&atilde;o surgem saturadas num  tema, conseguindo evocar e explorar acontecimentos de diferentes tem&aacute;ticas. Tendo em considera&ccedil;&atilde;o que as narrativas saturadas  quanto ao conte&uacute;do tem&aacute;tico transmitem pouca capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o a novas situa&ccedil;&otilde;es e, por outro lado,  que uma maior diversidade tem&aacute;tica corresponde a narrativas mais adaptativas provenientes de narradores com mais recursos para encararem  mais positivamente novas experi&ecirc;ncias (Gon&ccedil;alves, 2000), a diversidade tem&aacute;tica das narrativas destas crian&ccedil;as surge  como um dado positivo, sugerindo estar preservada, n&atilde;o obstante os maus-tratos vividos.</p>     <p>Os percursos de vida destas crian&ccedil;as pautados por v&aacute;rias adversidades levaram &agrave; necessidade de se encontrar uma  solu&ccedil;&atilde;o alternativa aos cuidados das suas fam&iacute;lias biol&oacute;gicas, surgindo assim a integra&ccedil;&atilde;o numa casa de  acolhimento. Levantava-se a quest&atilde;o de saber se estas crian&ccedil;as incluiriam este contexto familiar e o contexto de acolhimento na sua  narrativa de vida e com que grau de envolvimento o fariam.</p>     <p>Assim, no que respeita aos contextos abordados nas narrativas de vida das crian&ccedil;as, emergiram o contexto familiar, escolar e de pares que  s&atilde;o os comummente presentes na vida das crian&ccedil;as em geral. Al&eacute;m destes, as crian&ccedil;as mencionaram tamb&eacute;m o  contexto de acolhimento residencial como parte do seu ciclo de vida e desenvolveram-no abordando variados temas. As crian&ccedil;as apresentaram-se  frequentemente empenhadas em mostrar as suas viv&ecirc;ncias quotidianas e parecem perspetivar este contexto do acolhimento como parte do seu  percurso de vida, integrando-o no <i>continuum</i> da sua hist&oacute;ria. Este aspeto reveste-se de particular interesse se tivermos em  considera&ccedil;&atilde;o que, talvez pela pretens&atilde;o dos adultos de que as medidas de acolhimento sejam tempor&aacute;rias e breves, o  discurso dos t&eacute;cnicos sugere que as crian&ccedil;as evitem considerar que est&atilde;o na sua casa, focando-se nas expectativas de  transi&ccedil;&atilde;o futura, arriscando-se a que durante aquele tempo pare&ccedil;a que a vida ficou suspensa. Salienta-se ent&atilde;o a  import&acirc;ncia para os profissionais, de se aperceberem de que o tempo vivido nas casas de acolhimento &eacute; expressiva e positivamente  inclu&iacute;do pelas crian&ccedil;as nas suas hist&oacute;rias de vida, encorajando a que tamb&eacute;m estes lidem com esse tempo como uma etapa  espec&iacute;fica mas bem definida do ciclo vital da crian&ccedil;a seja ela longa ou de curta dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Ao analisar o conte&uacute;do tem&aacute;tico das narrativas de vida dentro de cada contexto, verificou-se, tamb&eacute;m, que as  crian&ccedil;as em acolhimento residencial integram na sua autobiografia experi&ecirc;ncias de vida que s&atilde;o transversais ao percurso  desenvolvimental de qualquer crian&ccedil;a, como a escola, os irm&atilde;os, os pares, festas, f&eacute;rias, com viv&ecirc;ncias at&iacute;picas  como os maus-tratos, a retirada da fam&iacute;lia biol&oacute;gica e o acolhimento residencial. Este dado lan&ccedil;a importantes pistas para a  pr&aacute;tica com estas crian&ccedil;as e para a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea, na medida em que sugere que as crian&ccedil;as  parecem conseguir dar significado &agrave;s variadas experi&ecirc;ncias vivenciadas e perspetiv&aacute;-las como parte da sua hist&oacute;ria. O  trabalho de significa&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias passadas &eacute; essencial para a prepara&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a para  projetos futuros, remetendo assim para a relev&acirc;ncia de se potenciar este trabalho de constru&ccedil;&atilde;o narrativa, nomeadamente  atrav&eacute;s do suporte de um adulto capacitado para tal.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s refer&ecirc;ncias mais espec&iacute;ficas que foram surgindo nas narrativas analisadas, real&ccedil;amos a  refer&ecirc;ncia ao contexto familiar e &agrave;s tem&aacute;ticas abrangidas nesta categoria. Este resultado parece sugerir que as crian&ccedil;as  s&atilde;o capazes de referir as mudan&ccedil;as existentes ao longo do seu percurso desenvolvimental ao contar a sua hist&oacute;ria de vida.  Assim, indo de encontro ao terceiro objetivo do estudo, os resultados transmitem que as crian&ccedil;as a viver em acolhimento residencial   apresentam recursos que lhes permitem incluir acontecimentos de vida desafiadores para a continuidade da sua hist&oacute;ria, tais como a   transi&ccedil;&atilde;o entre o contexto familiar e a resid&ecirc;ncia de acolhimento ou mesmo as mudan&ccedil;as de casa, de escola ou de   agregado familiar, ainda que estes se configurem como momentos de tens&atilde;o, rutura ou crise tal como Oliveira, Rego e Aquilino (2006)   postulam. Assim constatou-se que as crian&ccedil;as, mesmo tendo vivido acontecimentos de vida adversos no seu contexto familiar, incluem na   hist&oacute;ria de vida o passado com as fam&iacute;lias e, muitas vezes, narraram experi&ecirc;ncias com muito detalhe e envolvimento. Este   aspeto lan&ccedil;a uma pista para a import&acirc;ncia de, no contexto do acolhimento residencial, se proporcionar oportunidades para que as   crian&ccedil;as possam explorar as suas mem&oacute;rias com um adulto que contribua para a expans&atilde;o dos significados de tais   recorda&ccedil;&otilde;es. E salienta a disponibilidade para a abertura de comunica&ccedil;&atilde;o sobre o passado por parte destas   crian&ccedil;as, sugerindo que sejam os adultos a se questionar, quando tais di&aacute;logos com estas crian&ccedil;as e jovens lhes suscitam   tantas d&uacute;vidas e receios.</p>     <p>Apesar de as crian&ccedil;as terem referido nas narrativas de vida a transi&ccedil;&atilde;o entre a fam&iacute;lia biol&oacute;gica e a  resid&ecirc;ncia de acolhimento, verificou-se que o momento espec&iacute;fico da retirada da fam&iacute;lia biol&oacute;gica e a chegada ao  acolhimento residencial s&atilde;o relatados pelas crian&ccedil;as como algo confuso para si e com lacunas de informa&ccedil;&atilde;o, o que vai  de encontro aos dados de Carvalho (2009), alertando para a pertin&ecirc;ncia dos profissionais que acompanham esta transi&ccedil;&atilde;o terem  uma maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades de orienta&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as nesses momentos e, posteriormente, de  ajudarem a crian&ccedil;a a construir significados acerca dessas experi&ecirc;ncias. Parece-nos, ent&atilde;o, essencial que os t&eacute;cnicos que  acompanham estas transi&ccedil;&otilde;es estejam preparados e conscientes de que a retirada da fam&iacute;lia, independentemente da sua  hist&oacute;ria, representa uma rutura para a crian&ccedil;a e que quanto mais abrupta e parca em informa&ccedil;&atilde;o for esta  transi&ccedil;&atilde;o, mais dif&iacute;cil ser&aacute; para a crian&ccedil;a dar-lhe significado. Al&eacute;m disso, j&aacute; no contexto de  acolhimento residencial surge como essencial envolver a crian&ccedil;a em todo o processo de modo a que este fa&ccedil;a sentido para si e diminua  o car&aacute;ter amea&ccedil;ador que comporta o desconhecido. Deste modo, reveste-se de particular import&acirc;ncia que os psic&oacute;logos nas  institui&ccedil;&otilde;es trabalhem estas quest&otilde;es com as crian&ccedil;as, intervindo para as ajudar a libertar da culpa e  autodesconfian&ccedil;a t&atilde;o frequentemente presentes no seu discurso. Tamb&eacute;m outras transi&ccedil;&otilde;es, como mudan&ccedil;as de  escola e mudan&ccedil;as de casa, surgiram, muitas vezes, pouco claras e parcas no que respeita ao seu conte&uacute;do, algo que poder&aacute;  prender-se com a falta de continuidade dos adultos cuidadores e com a falta de estrutura nas fam&iacute;lias biol&oacute;gicas. Desta forma emerge  a import&acirc;ncia de explorar e elaborar um fio condutor destas experi&ecirc;ncias com as crian&ccedil;as. Neste estudo, este aspeto foi  potenciado pelo instrumento de recolha da narrativa, que permitiu que o entrevistador se assumisse como um andaime na constru&ccedil;&atilde;o da  narrativa, resultando em que todas as crian&ccedil;as tenham sido capazes de elaborar uma narrativa de vida e que, no final, se manifestassem muito  satisfeitas e com vontade de mais encontros como esse. Com efeito, a entrevista referida poder&aacute; constituir em si mesma um instrumento  tamb&eacute;m &uacute;til para a pr&aacute;tica profissional.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, as crian&ccedil;as desde cedo se confrontam com a necessidade de significar as suas experi&ecirc;ncias e as dos adultos que  fazem parte dos contextos onde se inserem, por&eacute;m, esta tarefa surge como desafiadora para as crian&ccedil;as que t&ecirc;m pouca  experi&ecirc;ncia. Assim, a escassez de recursos para significar os acontecimentos, como a falta de informa&ccedil;&atilde;o e a  inexist&ecirc;ncia de um suporte adequado para o desempenho desta tarefa, levam a que as crian&ccedil;as procurem significados alternativos,  pouco adaptativos e, por vezes, desestruturantes para si, como por exemplo, percecionarem a retirada da fam&iacute;lia biol&oacute;gica como  consequ&ecirc;ncia de uma a&ccedil;&atilde;o sua (asneira). Cabe ao adulto explorar com a crian&ccedil;a significados para estas  experi&ecirc;ncias, auxiliando-a a integr&aacute;-las na sua hist&oacute;ria de vida. A casa de acolhimento surge como um local privilegiado onde  este trabalho dever&aacute; ser realizado (Paiva, 2012). Os t&eacute;cnicos das institui&ccedil;&otilde;es e os profissionais experientes neste  suporte surgem como grandes potenciadores desta tarefa, com vista &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar das crian&ccedil;as em  quest&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, o nosso estudo sugere que as crian&ccedil;as n&atilde;o ficam absortas nos temas de trauma, englobando no seu discurso todo o resto da  exist&ecirc;ncia. Nestas narrativas encontrou-se, ainda, uma grande vitalidade e multiplicidade tem&aacute;tica sugestiva de uma narratividade  flu&iacute;da e globalmente funcional, o que sugere a sua resili&ecirc;ncia e o <i>empowerment</i> da compet&ecirc;ncia narrativa. Entretanto,  faz-nos tamb&eacute;m pensar na import&acirc;ncia de, nos seus ciclos conversacionais, as v&aacute;rias tem&aacute;ticas encontrarem espa&ccedil;o,  n&atilde;o sendo o adulto a ter a iniciativa de vedar dom&iacute;nios da sua experi&ecirc;ncia, o que poder&aacute; contribuir para eventuais  bloqueios na respetiva significa&ccedil;&atilde;o. A fluidez narrativa encontrada, contrasta ali&aacute;s com alguns exemplos de narrativas de vida  em jovens adultos adotados, com passados igualmente adversos, em que no estudo de Vieira e Henriques (2013) evidenciaram tend&ecirc;ncia para essas  experi&ecirc;ncias de vida aglutinarem a sua hist&oacute;ria, deixando na quase invisibilidade o resto da vida. Ser&aacute; assim de sublinhar que,  a diversidade e fluidez das narrativas sobre a pr&oacute;pria vida em crian&ccedil;as, ainda parece encontrar-se preservada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O conte&uacute;do das narrativas de vida das crian&ccedil;as com percursos de vida adversos e marcados pela descontinuidade n&atilde;o tinha  sido estudado at&eacute; ao momento. Assim, este estudo permitiu explorar os acontecimentos que estas crian&ccedil;as englobam nas suas narrativas  de vida recorrendo &agrave; an&aacute;lise do conte&uacute;do tem&aacute;tico das mesmas. Foi, ent&atilde;o, poss&iacute;vel mapear as  tem&aacute;ticas e contextos abordados nas hist&oacute;rias de vida destas crian&ccedil;as, sobressaindo a capacidade que as crian&ccedil;as em  acolhimento residencial t&ecirc;m para referir os acontecimentos adversos e as mudan&ccedil;as vividas ao longo do seu desenvolvimento numa  narrativa de vida, a par, de toda uma outra gama alargada de narrativas relativas a viv&ecirc;ncias normativas das crian&ccedil;as em geral. Os  resultados desta investiga&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m mais ao encontro da perspetiva de que os acontecimentos traum&aacute;ticos podem ser bem  recordados e integrados pelas crian&ccedil;as nas suas narrativas de vida, do que dos estudos que sugerem a dificuldade de acesso mn&eacute;sico e  dissocia&ccedil;&atilde;o desses acontecimentos. Um outro resultado de grande import&acirc;ncia, prende-se com o facto da narrativa dessas  viv&ecirc;ncias n&atilde;o surgirem como dominantes na narrativa de vida, saturando-a e retirando o espa&ccedil;o para as outras experi&ecirc;ncias, mas,  emergirem antes articuladas com outros acontecimentos de vida muito diversificados e val&ecirc;ncia emocional positiva, negativa ou neutra.  Encontrou-se assim uma grande diversidade tem&aacute;tica nas narrativas de vida das crian&ccedil;as, a qual contribuir&aacute; para narrativas  adaptativas.</p>     <p>Em investiga&ccedil;&otilde;es futuras, seria pertinente explorar o conte&uacute;do tem&aacute;tico das narrativas de vida de crian&ccedil;as  que n&atilde;o vivenciaram acontecimentos adversos como os maus-tratos e a institucionaliza&ccedil;&atilde;o, de forma a comparar os temas  abordados pelas crian&ccedil;as ao contar as suas hist&oacute;rias de vida com os das crian&ccedil;as a viver em acolhimento residencial. Seria  interessante aprofundar o processo de suporte do adulto &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o dos significados das experi&ecirc;ncias da  crian&ccedil;a, de modo a que a se venha a dispor, ao n&iacute;vel da interven&ccedil;&atilde;o, de estrat&eacute;gias eficazes para que a  crian&ccedil;a se oriente no caudal de experi&ecirc;ncias da sua vida e encontre significados libertadores para as viv&ecirc;ncias perturbadoras e  stressantes. A constru&ccedil;&atilde;o de narrativas autobiogr&aacute;ficas diversas, complexas e coerentes, poder&aacute; contribuir para o  bem-estar (Baerger &amp; McAdams, 1999; Gon&ccedil;alves, 2000) e o desenvolvimento saud&aacute;vel destas crian&ccedil;as, augurando-se a  proje&ccedil;&atilde;o de narrativas de &ecirc;xito para o futuro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Alberto, I. M. (2002). &ldquo;Como p&aacute;ssaros em gaiolas?&rdquo;. Reflex&otilde;es em torno da institucionaliza&ccedil;&atilde;o de menores  em risco. In C. Machado &amp; R. A. Gon&ccedil;alves (Coords.), <i>Viol&ecirc;ncia e v&iacute;timas de crimes. Vol. 2: Crian&ccedil;as</i> (pp.  223-245). Coimbra: Quarteto.</p>     <!-- ref --><p>Angus, L., Levitt, H., &amp; Hardtke, K. (1999). The narrative processes coding system: Research applications and implications for psychotherapy  practice. <i>Journal of Clinical Psychology, 55</i>, 1255-1270.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036118&pid=S0870-8231201800010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Baerger, D. R., &amp; McAdams, D. P. (1999). Life story coherence and its relation to psychological well-being. <i>Narrative Inquiry, 9</i>,  69-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036120&pid=S0870-8231201800010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bailey, H., Moran, G., &amp; Pederson, D. (2007). Childhood maltreatment, complex trauma symptoms, and unresolved attachment in an at-risk  sample of adolescent mothers. <i>Attachment &amp; Human Development, 9</i>, 193-161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036122&pid=S0870-8231201800010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (2011). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i> (L. A. Reto &amp; A. Pinheiro, Trad.). Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. (Original  publicado em 1977)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036124&pid=S0870-8231201800010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bluck, S., &amp; Habermas, T. (2000). Getting a life: The emergence of the life story in adolescence. <i>Psychological Bulletin, 126</i>,  748-769.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036125&pid=S0870-8231201800010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bruner, J. (2002). <i>Actos de significado: Para uma psicologia cultural</i> (V. Prazeres &amp; A. Mour&atilde;o, Trad.). Lisboa:  Edi&ccedil;&otilde;es 70, Lda. (Original publicado em 1990)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036127&pid=S0870-8231201800010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, T. (2009). <i>A experi&ecirc;ncia subjetiva de crian&ccedil;as e adolescentes institucionalizados: Percep&ccedil;&atilde;o em torno do  processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o e da experi&ecirc;ncia na institui&ccedil;&atilde;o</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado,  Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036128&pid=S0870-8231201800010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Conway, M. A., &amp; Pleydell-Pearce, C. W. (2000). The construction of autobiographical memories in the self-memory system. <i>Psychological  Review, 107</i>, 261.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036130&pid=S0870-8231201800010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Fivush, R. (1998). Children&rsquo;s recollections of traumatic and nontraumatic events. <i>Development and Psychopathology, 10</i>, 699-716.</p>     <!-- ref --><p>Fivush, R., Berlin, L., McDermott Sales, J., Mennuti-Washburn, J., &amp; Cassidy, J. (2003). Functions of parent-child reminiscing about  emotionally negative events. <i>Memory, 11</i>, 179-192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036133&pid=S0870-8231201800010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Glaser, G., &amp; Strauss, A. (1967). <i>The discovery of grounded theory: Strategies for qualitative research</i>. United States of America:  Transaction publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036135&pid=S0870-8231201800010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. (1994). From epistemological truth to existential meaning in cognitive narrative psychotherapy. <i>Journal of Construtivist  Psychology, 7</i>, 107-118.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036137&pid=S0870-8231201800010000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O. (2000). <i>Viver narrativamente: A psicoterapia como adjectiva&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia.</i> Coimbra:  Quarteto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036139&pid=S0870-8231201800010000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, O., Korman, Y., &amp; Angus, L. (2000). Constructing psychopathology from a cognitive narrative perspective. In R. Neimeyer  &amp; J. Raskin (Eds.), <i>Constructions of disorders: Meaning making framework for psychotherapy</i>. Washington: APA Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036141&pid=S0870-8231201800010000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Habermas, T., &amp; Silveira, C. (2008). The development of global coherence in life narratives across adolescence: Temporal, causal, and  thematic aspects. <i>Developmental Psychology, 44</i>, 707-721.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036143&pid=S0870-8231201800010000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Habermas, T., Ehlert-Lerche, S., &amp; Silveira, C. (2009). The development of the temporal macrostructure of life narratives across  adolescence: Beginnings, linear narrative form, and endings. <i>Journal of Personality, 77</i>, 527-560.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036145&pid=S0870-8231201800010000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Henriques, M. R., &amp; Ribeiro, C. (2011). <i>How children talk about their maltreatment experiences? A narrative approach to their process of  meaning construction.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036147&pid=S0870-8231201800010000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Poster presented at Society for Research in Child Development, Montr&eacute;al, Canada.</p>     <p>Howe, M., Cicchetti, D., &amp; Toth, S. (2006). Children&rsquo;s basic memory processes, stress, and maltreatment. <i>Development and  Psychopathology, 18</i>, 759-769.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>McAdams, D. P. (1996). Personality, modernity, and the storied self: A contemporary framework for studying persons. <i>Psychological Inquiry,  7</i>, 295-321.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036150&pid=S0870-8231201800010000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neuner, F., Catani, C., Ruf, M., Schauer, E., Schauer, M., &amp; Elbert, T. (2008). Narrative exposure therapy for the treatment of traumatized  children and adolescents (KidNET): From neurocognitive theory to field intervention. <i>Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America,  17</i>, 641-664.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036152&pid=S0870-8231201800010000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, M. K., Rego, T. C., &amp; Aquino, J. G. (2006). Desenvolvimento psicol&oacute;gico e constitui&ccedil;&atilde;o de subjetividades:  Ciclos de vida, narrativas autobiogr&aacute;ficas e tens&otilde;es da contemporaneidade. <i>Pro-Posi&ccedil;&otilde;es, 17</i>, 119-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036154&pid=S0870-8231201800010000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OMS. (s/d). <i>Health topics: Child maltreatment</i>. Retrieved from  <a href="http://www.who.int/topics/child_abuse/en/" target="_blank">http://www.who.int/topics/child_abuse/en/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036156&pid=S0870-8231201800010000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Paiva, W. (2012). <i>Institucionaliza&ccedil;&atilde;o e inf&acirc;ncia: Viv&ecirc;ncias e representa&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as</i>.  Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade do Minho, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036157&pid=S0870-8231201800010000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pasupathi, M., Mansour, E., &amp; Brubaker, J. R. (2007). Developing a life story: Constructing relations between self and experience in  autobiographical narratives. <i>Human Development, 50</i>, 85-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036159&pid=S0870-8231201800010000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Procuradoria Geral Distrital de Lisboa. (2003). <i>Lei de Promo&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens em Perigo  n.&ordm; 142/2015</i>, de 08 de setembro. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=545&amp;tabela=leis&amp;so_miolo="  target="_blank">http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=545&amp;tabela=leis&amp;so_miolo=</a></p>     <p>Ribeiro, C. (2009). <i>As hist&oacute;rias que nunca te contei&hellip; Um estudo explorat&oacute;rio de narrativas de maus-tratos de  crian&ccedil;as institucionalizadas</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da  Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Teixeira, D. N. (2014). <i>Produ&ccedil;&atilde;o de narrativas autobiogr&aacute;ficas em crian&ccedil;as com percursos de vida t&iacute;picos e  at&iacute;picos: Coer&ecirc;ncia estrutural, produtividade e tem&aacute;ticas</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Faculdade de Psicologia e  de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036163&pid=S0870-8231201800010000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Valentino, K., Toth, S. L., &amp; Cicchetti, D. (2009). Autobiographical memory functioning among abused, neglected, and nonmaltreated children:  The overgeneral memory effect. <i>Journal of Child Psychology and Psychiatry, 50</i>, 1029-1038.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=036165&pid=S0870-8231201800010000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c0" id="c0"></a><a href="#topc0">CORRESPONDÊNCIA</a></b></p>     <p>A correspond&ecirc;ncia relativa a este artigo dever&aacute; ser enviada para: Diana Neves Teixeira, Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias  da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Alfredo Allen, 4200-135 Porto, Portugal. E-mail:  <a href="mailto:dteixeira@fpce.up.pt">dteixeira@fpce.up.pt</a></p>     ]]></body>
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