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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As drogas em combate: usos e significados das substâncias psicoativas na Guerra Colonial Portuguesa]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents the latest conclusions of an ongoing research on the use of psychoactive substances in the Portuguese Colonial War (1961-1974). The key aspects that emerge in the narratives of the former soldiers about their own war experience are identified. These aspects contextualize a set of practices, among them the use of legal and illegal drugs. Collected data show that the use of cannabis and the abuse of alcohol by Portuguese soldiers during this war was widespread, at the time when the first war-on-drugs initiatives were carried out in Portugal. The use of both alcoholic beverages and cannabis was, as research reveals, a way of dealing with anxiety and everyday violence.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="4" face="Verdana"><b>As drogas   em combate: usos e significados das subst&acirc;ncias psicoativas na   Guerra Colonial Portuguesa</b></font></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Drugs in   combat: uses and meanings of psychoactive substances in the   Portuguese Colonial War</b> </font></p>      <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="2" face="Verdana"><b>   Vasco Gil Calado<sup>I</sup></b></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>ISCTE-IUL; SICAD, Portugal. <i>E-mail:</i> <A HREF="mailto:vascogil@gmail.com">vascogil@gmail.com</A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <hr noshade size="1">      <P><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">Apresentam-se   as principais quest&otilde;es suscitadas pelo trabalho em curso   acerca do uso de subst&acirc;ncias psicoativas na Guerra Colonial   Portuguesa (1961-1974). S&atilde;o identificados alguns aspetos-chave   que emergem das narrativas dos ex-combatentes acerca da sua   experi&ecirc;ncia de guerra e que contextualizam um conjunto de   pr&aacute;ticas, entre elas o uso de drogas. Confirma-se o abuso de   &aacute;lcool e o uso de can&aacute;bis entre os militares das for&ccedil;as   armadas portuguesas envolvidas no conflito, numa altura em que em   Portugal surgiam as primeiras iniciativas de combate &agrave;s   drogas. Tanto o consumo de bebidas alco&oacute;licas como de outras   drogas pode ser entendido como uma forma de lidar com a ansiedade e a   viol&ecirc;ncia do quotidiano.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> subst&acirc;ncias     psicoativas, Guerra Colonial Portuguesa, experi&ecirc;ncia de guerra, &aacute;lcool, can&aacute;bis.</font></P> <hr noshade size="1">      <P><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   This   paper presents the latest conclusions of an ongoing research on the   use of psychoactive substances in the Portuguese Colonial War   (1961-1974). The key aspects that emerge in the narratives of the   former soldiers about their own war experience are identified. These   aspects contextualize a set of practices, among them the use of legal   and illegal drugs. Collected data show that the use of cannabis and   the abuse of alcohol by Portuguese soldiers during this war was   widespread, at the time when the first war-on-drugs initiatives were   carried out in Portugal. The use of both alcoholic beverages and   cannabis was, as research reveals, a way of dealing with anxiety and everyday violence.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> psychoactive     substances, Portuguese Colonial War, war experience, alcohol, cannabis.</font></P> <hr noshade size="1">      <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Em junho de 1971, numa c&eacute;lebre confer&ecirc;ncia de imprensa,   o presidente Richard Nixon declarou as drogas il&iacute;citas o   &ldquo;inimigo n&uacute;mero um&rdquo; da sociedade norte-americana,   o que para muitos autores marcou simbolicamente o in&iacute;cio da   chamada &ldquo;guerra &agrave;s drogas&rdquo; (Bergen-Cico 2012; Nutt   2012; T.&nbsp;Rodrigues 2008; Courtwright 2001). No dia anterior,   Nixon havia escrito uma mensagem ao Congresso dos Estados Unidos da   Am&eacute;rica, explicando os moldes do paradigma que, apesar de cada   vez mais contestado, ainda hoje domina a pr&aacute;tica e, sobretudo,   o discurso oficial e se afirmou praticamente hegem&oacute;nico a   n&iacute;vel mundial durante as d&eacute;cadas que se seguiram (Gezon   2016 [2012]; Cruz, Machado e Fernandes 2012). Os seus defensores   advogavam ent&atilde;o um mundo livre de drogas il&iacute;citas e   defendiam uma concerta&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os no sentido da sua erradica&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Esta &eacute; tida como uma resposta aos novos tempos de mudan&ccedil;a   que se viviam nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, mais   concretamente como uma forma de combater o uso crescente de   subst&acirc;ncias psicoativas il&iacute;citas por parte de jovens <I>hippies </I>e simpatizantes do movimento de contesta&ccedil;&atilde;o   social que ficou conhecido como &ldquo;contracultura&rdquo; (Booth   2005), tend&ecirc;ncia que se intensificou na segunda metade da   d&eacute;cada de 60 do s&eacute;culo&nbsp;XX. De facto, pela primeira   vez em larga escala nas sociedades ditas ocidentais, o consumo de   novas e velhas drogas il&iacute;citas fazia-se fora de pequenos meios   e &ldquo;subculturas&rdquo; (Manning 2014; Feixa 1998),   liberalizando-se e estendendo-se a diferentes tipos de popula&ccedil;&otilde;es   (Escohotado 2004 [1996]).<A NAME="sdfootnote1anc" HREF="#sdfootnote1sym"><SUP>1</SUP></A> Nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, entre os novos consumidores   inclu&iacute;am-se jovens brancos de classe m&eacute;dia e estudantes   universit&aacute;rios, o que s&oacute; por si fez aumentar a   preocupa&ccedil;&atilde;o social e p&ocirc;s em causa estigmatiza&ccedil;&otilde;es   enraizadas que relacionavam o uso de drogas exclusivamente com   determinadas minorias &eacute;tnicas, subpopula&ccedil;&otilde;es marginalizadas ou estilos de vida bo&eacute;mios.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> No entanto, para a defini&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia de   guerra &agrave;s drogas adotada pela administra&ccedil;&atilde;o   Nixon, foi t&atilde;o ou mais importante o alarme social criado pelas   constantes not&iacute;cias e reportagens difundidas pelos <I>media</I> americanos acerca do elevado uso de can&aacute;bis (marijuana),   hero&iacute;na e LSD por parte dos militares envolvidos na Guerra do   Vietname (1965-1975) (Booth 2005). Estimativas da altura apontavam   para que cerca de 10 a 25% dos soldados norte-americanos presentes no   Vietname fumassem hero&iacute;na com regularidade (Martin 2012; Maraniss 2003).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Na esfera p&uacute;blica, as tropas norte-americanas de ent&atilde;o   eram representadas como um indisciplinado grupo de soldados   maioritariamente sob o efeito constante de subst&acirc;ncias   psicoativas il&iacute;citas (Whalon 2004; Kuzmarov 2009). Assente num   p&acirc;nico moral (Cohen 2002 [1972]), o tema foi elevado &agrave;   categoria de problema social, e muitos l&iacute;deres de opini&atilde;o   expressaram o receio de que os militares constitu&iacute;ssem um foco   de instabilidade e que o seu regresso e desmobiliza&ccedil;&atilde;o   se traduzissem numa s&uacute;bita enchente de toxicodependentes na   sociedade norte-americana (Stanton 1976; Inglis 1975). O que n&atilde;o   veio a acontecer: de volta a casa, a grande maioria dos militares cessou os consumos de hero&iacute;na (Robins 1993).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Apesar de toda a inaudita aten&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica que   o assunto suscitou na altura, a Guerra do Vietname n&atilde;o foi o   primeiro conflito militar onde as drogas circularam mais ou menos   livremente. Pelo contr&aacute;rio, historicamente as guerras foram   ami&uacute;de um contexto de consider&aacute;vel ou intenso uso de   subst&acirc;ncias psicoativas e um importante ve&iacute;culo para a   sua difus&atilde;o e massifica&ccedil;&atilde;o. O mito da seita   fundada por Hassen Sabbah, no s&eacute;culo&nbsp;XI, que teria o   h&aacute;bito de fumar haxixe antes dos combates, a can&aacute;bis   que os soldados de Napole&atilde;o trouxeram do Egito para Fran&ccedil;a,   a Guerra do &Oacute;pio, os dependentes de morfina na Guerra Civil   Americana, o uso de anfetaminas e metanfetaminas na Segunda Guerra   Mundial e, depois disso, na Guerra da Coreia s&atilde;o alguns dos   casos mais frequentemente citados (Kan 2009; Kuzmarov 2009; Rasmussen   2008; Booth 2005; Escohotado 2004 [1996]; Lewis 2003 [1967]; Pollan   2001; Ribeiro 1995). In&uacute;meros s&atilde;o tamb&eacute;m os   exemplos de guerras onde bebidas alco&oacute;licas foram usadas pelos   militares envolvidos, muitas vezes fazendo inclusivamente parte das   ra&ccedil;&otilde;es de combate ou servindo como soldo (Bergen-Cico   2012; Kranzler e Korsmeyer 2009; Williams 2005). Consoante o caso,   historicamente as subst&acirc;ncias psicoativas foram usadas em   contexto de conflito militar sobretudo como estimulantes, como forma   de al&iacute;vio ou, mais recentemente, por raz&otilde;es recreativas.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Sensivelmente ao mesmo tempo que o ex&eacute;rcito norte-americano se   envolvia militarmente no Extremo Oriente, em &Aacute;frica decorria a   Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974), opondo as for&ccedil;as   armadas portuguesas a movimentos independentistas africanos de   guerrilha oriundos dos ent&atilde;o territ&oacute;rios ultramarinos de Angola, Guin&eacute; e Mo&ccedil;ambique.<A NAME="sdfootnote2anc" HREF="#sdfootnote2sym"><SUP>2</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Como se ver&aacute;, tamb&eacute;m os militares portugueses usaram e   se serviram de subst&acirc;ncias psicoativas l&iacute;citas e   il&iacute;citas no decorrer de um conflito militar. Este artigo   sintetiza as principais conclus&otilde;es de tr&ecirc;s anos de pesquisa sobre o tema.<A NAME="sdfootnote3anc" HREF="#sdfootnote3sym"><SUP>3</SUP></A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><font face="Verdana"> Guerra Colonial Portuguesa</font></b></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A forma como os ex-combatentes falam e escrevem acerca da sua   experi&ecirc;ncia de guerra no &ldquo;Ultramar&rdquo; &eacute;   extremamente vari&aacute;vel, indo de uma postura mais distanciada a   uma posi&ccedil;&atilde;o mais vivida, de um tom p&iacute;caro e   quase aned&oacute;tico a um mais dram&aacute;tico e sofrido, de uma   posi&ccedil;&atilde;o de explica&ccedil;&atilde;o e enquadramento   hist&oacute;rico e social a um registo puramente individualista e   autocentrado.<A NAME="sdfootnote4anc" HREF="#sdfootnote4sym"><SUP>4</SUP></A> A pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de guerra variou muito consoante o   ano e o local onde o servi&ccedil;o militar foi prestado, sendo   radicalmente diferente de regi&atilde;o para regi&atilde;o e de   fun&ccedil;&atilde;o para fun&ccedil;&atilde;o.<A NAME="sdfootnote5anc" HREF="#sdfootnote5sym"><SUP>5</SUP></A> Por tudo isto, e tal j&aacute; foi dito mil vezes, a Guerra Colonial   Portuguesa n&atilde;o foi uma mas muitas guerras, porventura tantas quantas os militares envolvidos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> H&aacute;, no entanto, tra&ccedil;os comuns ao conjunto dos   testemunhos. Por exemplo, embora a guerra tenha terminado h&aacute;   mais de 40 ou 50 anos, a grande maioria dos entrevistados fala dela e   de epis&oacute;dios l&aacute; vividos como se tudo se tivesse passado   muito recentemente. Outros falam como se para eles a guerra nunca   tivesse acabado (Loja 2013 [2002]; Janeiro 2012; Bastos 2008). Em   muitos textos, perpassa uma vincada necessidade de acertar contas com   o passado, de impedir que o vivido caia no esquecimento, de deixar   escritos para mem&oacute;ria futura e de homenagear os companheiros   de luta, nomeadamente aqueles que morreram em combate. Tamb&eacute;m   a ideia de que a experi&ecirc;ncia de guerra transforma e faz   amadurecer os jovens &agrave; for&ccedil;a &eacute; recorrente (Niza 2012; Ganh&atilde;o 2007; Monteiro 2001).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Feito um esfor&ccedil;o para identificar os principais eixos de   an&aacute;lise, emergem tr&ecirc;s ideias-chave, relevantes na medida   em que ajudam a contextualizar, enquadrar e explicar o uso de   subst&acirc;ncias psicoativas naquele contexto espec&iacute;fico.<A NAME="sdfootnote6anc" HREF="#sdfootnote6sym"><SUP>6</SUP></A> Nos testemunhos dos ex-combatentes, tanto expl&iacute;cita como   implicitamente, a Guerra Colonial Portuguesa tende a ser apresentada   como: (a)&nbsp;um tempo de experimenta&ccedil;&atilde;o e de contacto   com novas realidades; (b)&nbsp;uma experi&ecirc;ncia feita de grande   tens&atilde;o e estados de ansiedade constante; (c)&nbsp;um contexto   de pouca prepara&ccedil;&atilde;o militar, alguma indisciplina e formas de contesta&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Para a grande maioria dos militares que nela participaram, oriundos   da &ldquo;Metr&oacute;pole&rdquo;, a guerra em &Aacute;frica foi, em   muitos sentidos, um mundo admiravelmente novo. Excluindo o caso dos   militares que foram recrutados localmente &ndash; &ldquo;colonos&rdquo;   e &ldquo;nativos&rdquo;, para usar as express&otilde;es da altura<SUP>&nbsp;<A NAME="sdfootnote7anc" HREF="#sdfootnote7sym"><SUP>7</SUP></A></SUP> &ndash;, tudo se passou num continente estranho, profundamente   diferente do que a generalidade dos soldados portugueses conhecia: os   cheiros, os sabores e os sons, a fauna e a flora, a escala e a   dimens&atilde;o, o clima, a paisagem e as cores, etc., tudo era   novidade e muito foi vivido, sentido ou experimentado ali pela   primeira vez (V.&nbsp;Santos 2013; Ferreira 2011; Oeiras 2009; A.    L.   Antunes 2005). Para mais, muitos dos militares portugueses que   participaram na Guerra Colonial Portuguesa &ndash; de baixa patente,   sobretudo &ndash; s&atilde;o apresentados como muito novos, pouco   viajados, com baixas habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias e   oriundos de um Portugal rural (M.    J.    L. Antunes 2015;   Oeiras 2009), constituindo o servi&ccedil;o militar a sua primeira   viv&ecirc;ncia fora da casa dos pais. Nesse sentido, o per&iacute;odo   de guerra, enquanto incurs&atilde;o num mundo &ldquo;ex&oacute;tico&rdquo;,   constituiu um &oacute;bvio corte com o quotidiano, uma pausa no   percurso de vida (M.    J.    L. Antunes 2015; Niza 2012;   Vardasca 2012).<A NAME="sdfootnote8anc" HREF="#sdfootnote8sym"><SUP>8</SUP></A> Como se ver&aacute;, para alguns, entre as novas experi&ecirc;ncias   tidas na guerra constam a ingest&atilde;o de determinadas comidas e   bebidas,<A NAME="sdfootnote9anc" HREF="#sdfootnote9sym"><SUP>9</SUP></A> mas tamb&eacute;m o uso de subst&acirc;ncias psicoativas l&iacute;citas   (como bebidas alco&oacute;licas espec&iacute;ficas, destiladas ou de   fabrico artesanal local, por exemplo, resultando por vezes na   primeira experi&ecirc;ncia de um estado de embriaguez) e il&iacute;citas (como a can&aacute;bis) (Ferreira 2011).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Invariavelmente, fruto da pr&oacute;pria natureza do conflito, a   Guerra Colonial Portuguesa &eacute; descrita como uma experi&ecirc;ncia   de desgaste, dura e dif&iacute;cil de suportar, tanto do ponto de   vista f&iacute;sico e das condi&ccedil;&otilde;es materiais como do   ponto de vista mental e psicol&oacute;gico. Enfrentar um movimento de   guerrilha implica combater um inimigo que na maior parte das vezes   n&atilde;o se v&ecirc; e se esconde, que ataca quando n&atilde;o se   espera e contra o qual h&aacute; que estar sempre &agrave; defesa.   Como refere Lu&iacute;s Oeiras, que participou neste conflito como   alferes em Mo&ccedil;ambique, &ldquo;um combate de guerrilha &eacute;   como um terramoto. Pode estoirar em qualquer altura, mas n&atilde;o se pode viver &agrave; espera debaixo de uma mesa&rdquo; (2009:&nbsp;39).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Ali&aacute;s, para a generalidade da tropa convencional,<A NAME="sdfootnote10anc" HREF="#sdfootnote10sym"><SUP>10</SUP></A> tratou-se de uma guerra defensiva, procurando evitar emboscadas e   ataques de minas, com poucas incurs&otilde;es ofensivas (e que muitas   vezes n&atilde;o chegavam a resultar em confrontos). Por outro lado,   os testemunhos est&atilde;o cheios de refer&ecirc;ncias a tempos   mortos, de &oacute;cio e de inatividade, pass&iacute;veis, no   entanto, de serem interrompidos a qualquer instante por um ataque   inimigo. Segundo Manuel Bastos, que esteve como alferes em   Mo&ccedil;ambique, &ldquo;a vida de um soldado &eacute; feita de   longos per&iacute;odos de t&eacute;dio, que alternam com curtos   per&iacute;odos de terror [&hellip;] por&eacute;m nestes per&iacute;odos   de t&eacute;dio &eacute; que verdadeiramente nos visita o medo,   quando a adrenalina est&aacute; baixa e a fantasia mais vol&aacute;til que o fumo do cigarro&rdquo; (2008:&nbsp;169).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Recorrentemente &eacute; descrito um ambiente sufocante e   concentracion&aacute;rio (M.    J.    L. Antunes 2015; A.    L.   Antunes 2005), marcado pelo isolamento, pelo <I>stress </I>e muita   ansiedade, mesmo por quem viveu a guerra em regi&otilde;es de menor   atividade militar do inimigo (Sousa 2007; Lopes 1998).<A NAME="sdfootnote11anc" HREF="#sdfootnote11sym"><SUP>11</SUP></A> Era o inimigo quem conhecia e dominava o terreno, da&iacute; tirando   &oacute;bvio benef&iacute;cio: de alguma forma, as tropas portuguesas   eram em &Aacute;frica um corpo estranho. Por tudo isto, os   testemunhos incluem constantes refer&ecirc;ncias a problemas mentais   e epis&oacute;dios de descompensa&ccedil;&atilde;o, descritos pelos   pr&oacute;prios ou relatados por terceiros, tipificados na figura do   &ldquo;cacimbado&rdquo; (Janeiro 2012; Bastos 2008).<A NAME="sdfootnote12anc" HREF="#sdfootnote12sym"><SUP>12</SUP></A> De uma forma gen&eacute;rica, a sa&uacute;de mental dos   ex-combatentes das for&ccedil;as armadas presentes na Guerra Colonial   Portuguesa degradava-se visivelmente &agrave; medida que o tempo de   comiss&atilde;o ia passando (Loja 2013 [2002]; Aguiar 2007),   atingindo o ponto m&iacute;nimo de sanidade (se &eacute; que tal pode   ser medido) na altura da rendi&ccedil;&atilde;o, para espanto e   choque das tropas acabadas de chegar &agrave; frente de combate   (M.    J.    L. Antunes 2015; Janeiro 2012; Mata 2012; Pereira 2011).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Por &uacute;ltimo, perpassa nos testemunhos uma sensa&ccedil;&atilde;o   de que os militares envolvidos na Guerra Colonial Portuguesa se   sentiam &ldquo;carne para canh&atilde;o&rdquo;, manifestando ami&uacute;de   uma certa antipatia e desd&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o aos   comandantes e, sobretudo, &agrave;s chefias de topo e aos &ldquo;senhores   da guerra&rdquo;, tidos como os respons&aacute;veis pela dura   situa&ccedil;&atilde;o que se sentiam obrigados a enfrentar (Loja   2013 [2002]; Aguiar 2007; A.    L. Antunes 2005). Em alguns casos,   tal pareceu resultar num afrouxar da disciplina militar e em atos de   desobedi&ecirc;ncia e outros que colidiam com as regras de conduta   militar. Por outro lado, para os ex-combatentes, o conceito de   &ldquo;camaradagem&rdquo; (T.    M. Silva 2007) foi, em certo   sentido, mais relevante do que os de &ldquo;p&aacute;tria&rdquo; ou   &ldquo;dever patri&oacute;tico&rdquo; (S&aacute; 2009) &ndash; o   dever sentido era sobretudo para com os camaradas de armas. A n&iacute;vel   pessoal, portanto, o prop&oacute;sito &uacute;ltimo da guerra travada   parece n&atilde;o ter sido lutar pela p&aacute;tria mas, pura e   simplesmente, sobreviver e chegar ao fim da comiss&atilde;o vivo, s&atilde;o   e inteiro. Como tal, muitos ex-combatentes declaram ter feito a   guerra com pouca convic&ccedil;&atilde;o &ndash; mesmo aqueles que se   ofereceram como volunt&aacute;rios &ndash;, da&iacute; derivando,   mais uma vez, uma s&eacute;rie de pequenos e grandes atos de   indisciplina e fabrico de regras pr&oacute;prias. Para mais, perpassa   tamb&eacute;m nos testemunhos um claro sentimento de imprepara&ccedil;&atilde;o   militar e operacional (Lopes 1998), aliado a uma car&ecirc;ncia no   que toca aos meios materiais dispon&iacute;veis e &agrave;s fracas   condi&ccedil;&otilde;es de vida na maior parte dos quart&eacute;is &ndash;   em particular naqueles localizados em zonas mais remotas &ndash;, o   que contribuiu para desvincular os militares de causas ideol&oacute;gicas   (V.&nbsp;Santos 2013; Mata 2012; Vardasca 2012) e favoreceu formas de   contesta&ccedil;&atilde;o (como o <I>Cancioneiro do Niassa</I>, por exemplo).<A NAME="sdfootnote13anc" HREF="#sdfootnote13sym"><SUP>13</SUP></A></font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana">&Eacute; tendo este cen&aacute;rio como pano de fundo que os     ex-militares entrevistados enquadram e contextualizam um conjunto de     pr&aacute;ticas e &ldquo;v&iacute;cios&rdquo;<SUP>&nbsp;<A NAME="sdfootnote14anc" HREF="#sdfootnote14sym"><SUP>14</SUP></A></SUP> que tiveram lugar na Guerra Colonial Portuguesa: jogo, indisciplina,     viol&ecirc;ncia, atrocidades, prostitui&ccedil;&atilde;o,     homossexualidade e tamb&eacute;m uso e abuso de subst&acirc;ncias     psicoativas (Alexandre 2015; Martins 2003). Uns s&atilde;o descritos     como transversais e generalizados, outros como interditos, alguns     foram alvo de censura social, outros foram praticados sobretudo longe     dos olhares p&uacute;blicos, mas todos s&atilde;o hoje explicados &agrave; luz da natureza do conflito militar e dos seus condicionantes.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana"> Usos de &aacute;lcool e outras drogas</font></b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> A Guerra Colonial Portuguesa &eacute; tamb&eacute;m feita de sombras   e sil&ecirc;ncios (Roque 2004), onde cabem os usos de &aacute;lcool e   outras drogas. Na sua historiografia oficial (J.    F. Antunes   1995; Garcia 2010; Teixeira 2001; Afonso e Gomes 2000), o consumo de   bebidas alco&oacute;licas geralmente n&atilde;o merece mais do que   uma nota de rodap&eacute;, enquanto o uso de drogas il&iacute;citas &eacute;   completamente ignorado, omitido ou considerado irrelevante.<A NAME="sdfootnote15anc" HREF="#sdfootnote15sym"><SUP>15</SUP></A> No entanto, na hist&oacute;ria oficiosa &ndash; isto &eacute;, aquela   que se faz de depoimentos e registos (auto)biogr&aacute;ficos,   necessariamente parciais e nem sempre objetivos &ndash;, o uso de   subst&acirc;ncias psicoativas tem um outro relevo: &agrave;s bebidas   alco&oacute;licas &eacute; atribu&iacute;do um papel central na vida   quotidiana dos militares das for&ccedil;as armadas portuguesas   envolvidos na Guerra Colonial, enquanto &eacute; poss&iacute;vel   encontrar nos testemunhos refer&ecirc;ncias &ndash; ainda que muito   mais veladas e espor&aacute;dicas, &eacute; certo &ndash; ao uso de   can&aacute;bis, na forma de erva fum&aacute;vel, conhecida como   liamba em Angola e suruma em Mo&ccedil;ambique, tanto por parte da   popula&ccedil;&atilde;o africana como por parte das tropas portuguesas.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> De acordo com os relatos, pode dizer-se que indiscutivelmente o   &aacute;lcool foi a subst&acirc;ncia psicoativa mais usada na Guerra   Colonial Portuguesa, seguindo-se o tabaco e s&oacute; depois todas as   outras, a larga dist&acirc;ncia. De facto, dificilmente um   ex-combatente da Guerra Colonial Portuguesa parece ser capaz de falar   da sua viv&ecirc;ncia de guerra sem fazer men&ccedil;&atilde;o &agrave;s   bebidas alco&oacute;licas, com destaque para a cerveja, tal era a sua   import&acirc;ncia no dia-a-dia dos militares portugueses em &Aacute;frica.   Exceto em sa&iacute;das operacionais para o &ldquo;mato&rdquo;, o   &aacute;lcool era uma presen&ccedil;a constante, tanto em ocasi&otilde;es especiais como no mais banal dos dias.<A NAME="sdfootnote16anc" HREF="#sdfootnote16sym"><SUP>16</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Segundo os ex-combatentes, no que &agrave; Guerra Colonial Portuguesa   diz respeito, para muitos a ingest&atilde;o maci&ccedil;a de bebidas   alco&oacute;licas come&ccedil;ou cedo, logo a bordo dos navios que   transportavam as tropas portuguesas at&eacute; aos territ&oacute;rios   africanos (Alexandre 2015; Ferreira 2011; Oeiras 2009; Roque 2004).   Para mais, tanto no meio do oceano como, mais tarde, em boa parte dos   aquartelamentos africanos, a &aacute;gua era um bem escasso e   tendencialmente de m&aacute; qualidade, o que, juntamente com o clima   abrasador, favorecia o consumo de bebidas alco&oacute;licas, normalmente ingeridas frescas ou geladas.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Como j&aacute; referido, entre as diferentes bebidas alco&oacute;licas   consumidas durante o conflito, destaca-se a cerveja. De car&aacute;ter   transversal, pode considerar-se a bebida emblem&aacute;tica da Guerra   Colonial Portuguesa: consumida pela &shy;maioria dos militares,   independentemente da ocasi&atilde;o, da hora do dia, da fun&ccedil;&atilde;o   ou da patente militar. Vendidas mais caras, bebidas destiladas, como <I>whisky</I>, <I>gin</I>, aguardente e outras, eram consumidas   sobretudo por militares graduados, que, na sua condi&ccedil;&atilde;o   de oficiais e sargentos, tinham direito a comprar e    /    ou   eram-lhes oferecidas determinadas bebidas destiladas por m&ecirc;s.   Embora n&atilde;o lhes fossem vedadas, as bebidas destiladas eram   muito menos consumidas por militares n&atilde;o graduados, por serem   vendidas mais caras do que a cerveja. O pre&ccedil;o limitava assim o   acesso a este tipo de bebidas alco&oacute;licas e impunha uma clara   barreira hier&aacute;rquica.<A NAME="sdfootnote17anc" HREF="#sdfootnote17sym"><SUP>17</SUP></A> Ao contr&aacute;rio da cerveja, que era em geral de produ&ccedil;&atilde;o local, as bebidas destiladas e o vinho iam de Portugal continental.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A import&acirc;ncia do &aacute;lcool para as tropas era reconhecida   tanto por soldados como pelas chefias militares. De facto, tal como   os g&eacute;neros alimentares, as muni&ccedil;&otilde;es ou a   correspond&ecirc;ncia, as bebidas alco&oacute;licas faziam parte da   log&iacute;stica militar e, por conseguinte, nunca faltavam nos   quart&eacute;is portugueses, por mais remota que fosse a sua   localiza&ccedil;&atilde;o, sob pena de perturbar a paz social e abalar o moral.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Jos&eacute; Niza, que, entre 1969 e 1971, esteve presente na Guerra   Colonial Portuguesa como m&eacute;dico de uma companhia militar em   Angola, conta no seu livro de mem&oacute;rias, <I>Golden Gate</I> (2012), como a decis&atilde;o governamental de limitar o acesso &agrave;s   bebidas alco&oacute;licas nos quart&eacute;is, em 1971, causou uma   enorme revolta entre as tropas portuguesas em &Aacute;frica, acabando   por ser revertida apenas tr&ecirc;s semanas depois. Apelidando a   decis&atilde;o de inoportuna e at&eacute; cruel num aerograma escrito   por alturas dessa decis&atilde;o pol&iacute;tica, o m&eacute;dico   revela bem como o consumo de &aacute;lcool, mesmo se excessivo, era   entendido pelos oficiais como algo que cumpria um importante papel   social, nomeadamente uma forma de escape e al&iacute;vio, pelo que limitar o seu uso causaria mais mal do que bem.</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Outro problema que c&aacute; temos &eacute; o das       quantidades astron&oacute;micas de cerveja que estes tipos bebem. Uma       loucura! Muitos deles, quando chegam &agrave; cantina, em vez de       pedirem uma cerveja, pedem meia grade! [&hellip;] O seu       tranquilizante &eacute; o &aacute;lcool, &eacute; com ele que se       sentem mais animados, &eacute; ele que lhes tira do pensamento os       problemas [&hellip;]. Devo tirar-lhes a bebida? Devo tirar-lhes o       biber&atilde;o, a eles, que na realidade s&atilde;o crian&ccedil;as       ing&eacute;nuas e ignorantes a quem disseram que eram homens, a quem       deram uma espingarda, a quem lan&ccedil;aram para uma guerra onde       muitos v&atilde;o ficar? Devo tirar-lhes a &uacute;nica coisa que       para al&eacute;m do correio os mant&eacute;m vivos?&rdquo; (Niza     2012:&nbsp;46-47).</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Para confirmar esta rela&ccedil;&atilde;o entre o &aacute;lcool e o   al&iacute;vio emocional durante a Guerra Colonial Portuguesa,   incluiu-se uma pergunta aberta no question&aacute;rio <I>online</I> aplicado junto de ex-combatentes: &ldquo;No caso de ter sentido <I>stress</I> durante a guerra em &Aacute;frica, na altura como   lidava com isso? O que fazia para se libertar da press&atilde;o?&rdquo;<SUB>&nbsp;</SUB><A NAME="sdfootnote18anc" HREF="#sdfootnote18sym"><SUP>18</SUP></A> Sem surpresa, muitos ex-militares declararam que o consumo de bebidas   alco&oacute;licas era uma das principais formas de lidar com a   press&atilde;o e a ansiedade (que a grande maioria reconhece ter   sentido), sendo mesmo para alguns a mais importante. Assim,   juntamente com o conv&iacute;vio, a m&uacute;sica, a pr&aacute;tica   de desporto e, no caso de militares mais graduados, a escrita e a   leitura, o consumo de bebidas alco&oacute;licas destaca-se como um   importante aliviador de tens&atilde;o emocional. Eis algumas   respostas &agrave; pergunta colocada no question&aacute;rio <I>online</I> em novembro de 2015:</font></P> <ul>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Passei por v&aacute;rios per&iacute;odos de       grande <I>stress</I>, nomeadamente os dois meses de espera por       substituto depois de cumprir os dois anos de comiss&atilde;o.     Lembro-me que a minha liberta&ccedil;&atilde;o era o &aacute;lcool&rdquo;.</font></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Procur&aacute;vamos no tempo livre abster-nos de       tudo o que nos envolvia: copos, m&uacute;sica, grandes amizades e     muita confian&ccedil;a entre as chefias&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Fingia que n&atilde;o havia stress. Copos,     cartas, bola e conv&iacute;vio com os camaradas&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Nas alturas de maior press&atilde;o bebia&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Bebia at&eacute; &agrave; inconsci&ecirc;ncia&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Embebedava-me&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Bebia muit&iacute;ssimo&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Bebia para dormir&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Farra e cerveja&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;&Aacute;lcool e tabaco com for&ccedil;a&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Fumava e bebia <I>whisky</I> e cerveja&rdquo;.</font></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Bebia e jogava&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;<I>Whisky</I> e poker&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;<I>Whisky</I>, bridge y putas&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Procurava abstrair-me, distraindo-me com amigos e     bebendo&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Lia, bebia e tocava guitarra&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Sa&iacute;a para ca&ccedil;ar e muito &aacute;lcool&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Dava-lhe com uns bioxenes [cal&atilde;o para o <I>whisky</I>]&rdquo;.</font></li>       <li>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;A camaradagem era muito grande e por isso se       algu&eacute;m estivesse em baixo havia sempre um amigo. Al&eacute;m     disso havia muito <I>whisky</I>&hellip;&rdquo;</font></li>     </ul>     <P><font size="2" face="Verdana"> N&atilde;o &eacute; por acaso, ent&atilde;o, que a cantina, o bar dos   soldados e a messe de oficiais e sargentos eram locais de grande   import&acirc;ncia simb&oacute;lica em qualquer quartel ou base   militar da Guerra Colonial Portuguesa, servindo mais do que como mero ponto de aquisi&ccedil;&atilde;o de bebidas alco&oacute;licas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Nos quart&eacute;is as bebidas alco&oacute;licas eram vendidas mais   baratas &ndash; para uso exclusivo das for&ccedil;as armadas   portuguesas &ndash;, o que, intencionalmente ou n&atilde;o, favorecia   e incentivava o consumo de &aacute;lcool.<A NAME="sdfootnote19anc" HREF="#sdfootnote19sym"><SUP>19</SUP></A> N&atilde;o obstante o seu baixo pre&ccedil;o, era na aquisi&ccedil;&atilde;o   de bebidas alco&oacute;licas que grande parte dos militares gastava   uma importante fatia do dinheiro que lhe era entregue mensalmente   (&ldquo;pr&eacute;&rdquo;), o que revela bem o n&iacute;vel de consumo de &aacute;lcool na Guerra Colonial Portuguesa.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Embora retrospetivamente o n&iacute;vel geral de consumo de bebidas   alco&oacute;licas seja hoje consensualmente considerado elevado pelos   ex-combatentes, s&oacute; em casos raros e extremos estes falam de   alcoolismo.<A NAME="sdfootnote20anc" HREF="#sdfootnote20sym"><SUP>20</SUP></A> Mesmo se visto como &ldquo;exagerado&rdquo;, o uso de bebidas   alco&oacute;licas tende a n&atilde;o ser visto pelo prisma da   patologia e da ordem biom&eacute;dica, sendo considerado normal e   justificado, quase nunca condenado ou denegrido, na medida em que,   como se viu, os militares da Guerra Colonial Portuguesa lhe atribuem   um papel terap&ecirc;utico: nas condi&ccedil;&otilde;es descritas, o   &aacute;lcool servia de equilibrador emocional e nesse sentido era   tido como indispens&aacute;vel &agrave; boa sa&uacute;de mental. &Eacute;,   por exemplo, a opini&atilde;o de Alcino Ferreira, que esteve como   furriel em Mo&ccedil;ambique, e de Jos&eacute; Le&atilde;o   (pseud&oacute;nimo), que esteve em Angola como cabo enfermeiro, e que resumem muito do que atr&aacute;s foi dito acerca do &aacute;lcool:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Bebia-se muito, no meu pensar, devido a diversas       situa&ccedil;&otilde;es: &agrave; alta press&atilde;o passada em       zonas de combate, a n&atilde;o se saber se haveria um amanh&atilde;,     &agrave; solid&atilde;o, &agrave; quest&atilde;o de o tempo de &oacute;cio       ser muito, aos quase sempre pensamentos terr&iacute;veis e       inoportunos que teimavam em n&atilde;o nos largar, aos custos nulos e       aos proveitos mais do que suficientes, tudo isso proporcionava a     vadiagem e estroinice&hellip;!&rdquo; (Ferreira 2011:&nbsp;128)</font></p>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Normalmente havia sempre uma raz&atilde;o n&atilde;o       espec&iacute;fica para se beber, bebia-se por camaradagem, por       conviv&ecirc;ncia, e porque o pr&oacute;prio clima convidava a       faz&ecirc;-lo, poderia haver num ou noutro raz&otilde;es de ordem       psicol&oacute;gica, de saudade da fam&iacute;lia, que nem sempre eram       exteriorizadas. Bebia-se para comemorar o regresso de uma opera&ccedil;&atilde;o       no mato, em que tudo tinha corrido pelo melhor, ou seja, sem mortos       nem feridos, bebia-se porque se ia para uma a&ccedil;&atilde;o no       mato, e n&atilde;o se sabia quem, ou se se iria voltar, bebia-se       porque poderia ser a &uacute;ltima, bebia-se porque algu&eacute;m       fazia anos, ou porque algu&eacute;m pagava umas rodadas, enfim,       bebia-se porque estar vivo, por si s&oacute;, j&aacute; era um       motivo&rdquo; [entrevista eletr&oacute;nica, 26        /        3        /      2015].</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Por outro lado, muitas vezes os testemunhos d&atilde;o conta de que o   &aacute;lcool era um dos principais fatores que contribu&iacute;am   para desencadear epis&oacute;dios de descompensa&ccedil;&atilde;o   emocional (descritos como recorrentes), al&eacute;m de potenciar   condutas irrespons&aacute;veis ou consideradas incorretas e de estar   igualmente associado a muitos dos acidentes, nalguns casos com   desfechos fatais (nomeadamente em epis&oacute;dios tr&aacute;gicos   com armas de fogo). Essa vertente das bebidas alco&oacute;licas   tende, no entanto, a ser claramente desvalorizada ou, pelo menos, a   ser secundarizada face &agrave; utilidade das mesmas num contexto como o da Guerra Colonial Portuguesa.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s drogas il&iacute;citas, o   conhecimento acerca do seu uso durante o conflito &eacute; bastante   mais escasso, impreciso e menos bem documentado, o que levou a que se   recorresse essencialmente a testemunhos orais. Com base num intenso   trabalho de triangula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o   dispersa, &eacute; poss&iacute;vel confirmar o seu uso na Guerra   Colonial Portuguesa, mas n&atilde;o tanto o seu significado e a sua hist&oacute;ria social.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> N&atilde;o obstante todas as lacunas de informa&ccedil;&atilde;o,   parece indiscut&iacute;vel que a can&aacute;bis foi a subst&acirc;ncia   psicoativa il&iacute;cita mais consumida neste conflito militar,   nomeadamente em Angola e em Mo&ccedil;ambique, pa&iacute;ses onde, ao   contr&aacute;rio da Guin&eacute;, o consumo da planta era ent&atilde;o   uma pr&aacute;tica antiga institu&iacute;da junto de parte da   popula&ccedil;&atilde;o (Valentim 2012; Silva 2003; Fabian 2000; Toit 1976).<A NAME="sdfootnote21anc" HREF="#sdfootnote21sym"><SUP>21</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Infelizmente, a produ&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica e o saber   etnogr&aacute;fico acumulado acerca dos povos de Angola, Guin&eacute;   e Mo&ccedil;ambique nunca deram muita aten&ccedil;&atilde;o ao uso de   subst&acirc;ncias psicoativas l&iacute;citas e, muito menos,   il&iacute;citas. Sobre a can&aacute;bis e outras drogas que n&atilde;o   o &aacute;lcool na &Aacute;frica portuguesa, &eacute; poss&iacute;vel   encontrar apenas refer&ecirc;ncias dispersas e geralmente laterais   (Carvalho 1898; Welwitsch 1862), as mais antigas das quais remontam   ao per&iacute;odo dos mission&aacute;rios, como o frade Jo&atilde;o   dos Santos (1999 [1609]), no s&eacute;culo XVII, e dos exploradores   de &Aacute;frica, como Paiva Couceiro (1892), Capelo e Ivens (2010   [1881]) e outros (Rosa e Verde 2013; Heintze 2010 [1999]), no s&eacute;culo&nbsp;XIX.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Uma coisa &eacute; certa: as tropas portuguesas bebiam o &aacute;lcool   que era disponibilizado pela intend&ecirc;ncia militar, mas fumavam   as drogas que encontravam por si pr&oacute;prias, tendo desenvolvido   com a liamba e a suruma uma rela&ccedil;&atilde;o que nunca   estabeleceram com as bebidas alco&oacute;licas tradicionais   africanas, de fabrico artesanal. De uma forma geral, foi algo com que   se depararam, n&atilde;o um bem que trouxessem consigo, que j&aacute;   conhecessem ou que procurassem ativamente. Ali&aacute;s,   tendencialmente os militares envolvidos na Guerra Colonial Portuguesa   &ndash; como a maior parte dos jovens portugueses seus   contempor&acirc;neos, de resto &ndash; n&atilde;o tinham um   conhecimento pr&eacute;vio acerca das drogas em geral, e dos efeitos   psicoativos da can&aacute;bis em particular, conhecimento que era em   geral muito escasso e difuso. Neste sentido, o consumo de can&aacute;bis   foi uma das novas e n&atilde;o antecipadas experi&ecirc;ncias por que passaram alguns ex-combatentes em terras africanas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Tudo indica que o conhecimento acerca da can&aacute;bis e,   consequentemente, o seu uso tenham aumentado com o desenrolar da   pr&oacute;pria guerra (Ribeiro 1999), dependendo da regi&atilde;o, do   tipo de tropa e at&eacute; da unidade militar, beneficiando da   crescente &ldquo;africaniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; do contingente   militar. Nesse sentido, o consumo de can&aacute;bis pode ser visto   como um processo de aprendizagem que dependia de personagens-chave   com liga&ccedil;&otilde;es &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es locais   (que depois introduziriam o uso da planta no seu c&iacute;rculo de   rela&ccedil;&otilde;es).<A NAME="sdfootnote22anc" HREF="#sdfootnote22sym"><SUP>22</SUP></A> N&atilde;o &eacute; por acaso que os militares portugueses colocados   em quart&eacute;is situados em zonas muito remotas, sem aldeamentos   nas imedia&ccedil;&otilde;es, tendem a n&atilde;o ter tido contacto   com esta subst&acirc;ncia.<A NAME="sdfootnote23anc" HREF="#sdfootnote23sym"><SUP>23</SUP></A> De acordo com os testemunhos, a can&aacute;bis que circulava por   entre os militares portugueses provinha das popula&ccedil;&otilde;es   africanas, sendo comprada, trocada, recolhida ou at&eacute; roubada   nos aldeamentos pr&oacute;ximos dos quart&eacute;is portugueses (Janeiro 2012), ou ent&atilde;o capturada ao inimigo (Marta 2000).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Rui Martins (pseud&oacute;nimo), que esteve em Mo&ccedil;ambique como   alferes entre 1971 e 1974, refere os esquemas de circula&ccedil;&atilde;o   da can&aacute;bis por entre as tropas portuguesas e como ent&atilde;o se estava longe do conceito de &ldquo;tr&aacute;fico de droga&rdquo;:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;A mim davam-me. Eram os africanos que tinham esse       conhecimento. Por vezes achavam aquilo uma coisa natural, era como       dar tremo&ccedil;os para a cerveja, outras vezes vendiam por valores       irris&oacute;rios. Os pre&ccedil;os eram muito baratos. Na maior       parte das vezes davam. [&hellip;] E portanto as pessoas fumavam, era       barato, muitas vezes n&atilde;o custava nada, havia pessoas que       sabiam ir ao campo buscar a marijuana como c&aacute; s&atilde;o       capazes de ir buscar papoilas&rdquo; [entrevista presencial,       31        /        1        /      2015].</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Ao contr&aacute;rio do que se passa com as bebidas alco&oacute;licas,   a grande maioria dos testemunhos publicados n&atilde;o faz a m&iacute;nima   men&ccedil;&atilde;o ao uso de can&aacute;bis. Alguns registos   biogr&aacute;ficos fazem men&ccedil;&atilde;o ao uso de liamba e   suruma durante a guerra mas n&atilde;o lhe dedicam aten&ccedil;&atilde;o   (Vardasca 2012; A.    L. Antunes 2005), ou ent&atilde;o   referem-nas de forma lateral (Janeiro 2012; Marta 2000) ou   condenat&oacute;ria, criando dist&acirc;ncia (Ferreira 2011; Aranha   2005; Martins 2003). Tamb&eacute;m a recolha de informa&ccedil;&atilde;o   no ciberespa&ccedil;o permitiu encontrar refer&ecirc;ncias ao uso de   can&aacute;bis por parte das tropas portuguesas, embora estas sejam   raras e muitas vezes indiretas: tendencialmente o tema n&atilde;o &eacute;   abordado diretamente mas atrav&eacute;s de met&aacute;foras, muitas vezes num tom ir&oacute;nico e com recurso a duplos sentidos.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> No entanto, quando se pergunta por esta planta a ex-combatentes, uma   boa parte tem algo a dizer sobre o assunto, seja porque consumiu ou   assistiu ao seu consumo, seja porque tem not&iacute;cia por terceiros   do seu uso na Guerra Colonial Portuguesa. N&atilde;o &eacute;, de   todo, um assunto totalmente desconhecido, ainda que geralmente n&atilde;o   seja falado. De facto, a maior parte dos entrevistados no &acirc;mbito   da presente investiga&ccedil;&atilde;o teve contacto direto ou ouviu falar do uso da planta durante o conflito.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> O inqu&eacute;rito <I>online</I> incluiu duas perguntas abertas com o   prop&oacute;sito de confirmar o uso de can&aacute;bis na Guerra   Colonial Portuguesa: uma questionava o conhecimento do fen&oacute;meno   (&ldquo;Como descreveria o consumo de marijuana    /    liamba    /    suruma   durante a guerra em &Aacute;frica por parte das tropas   portuguesas?&rdquo;), outra o contacto direto com a planta (&ldquo;Consumiu   marijuana    /    liamba    /    suruma durante a guerra em &Aacute;frica?&rdquo;).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A an&aacute;lise das respostas permite chegar a duas conclus&otilde;es:   a aus&ecirc;ncia de consumo de can&aacute;bis por parte das tropas   portuguesas na Guin&eacute; e um consumo relevante em Angola e   Mo&ccedil;ambique. De entre os 210 respondentes, todos aqueles que   estiveram na Guin&eacute; afirmam n&atilde;o ter consumido a planta e   desconhecer por completo o seu uso no territ&oacute;rio durante a   guerra. O mesmo n&atilde;o se passa com os respondentes que estiveram   em Angola e Mo&ccedil;ambique: 15% dos militares que fizeram a guerra   naqueles territ&oacute;rios afirmam ter consumido can&aacute;bis,   enquanto outros 25% afirmam ter assistido ao consumo ou tido   conhecimento direto disso. Feitas as contas, dos respondentes que   estiveram em Angola e Mo&ccedil;ambique durante a Guerra Colonial   Portuguesa, perto de metade (40%) declaram ter tido um contacto direto com a planta.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Mas se &eacute; facilmente comprov&aacute;vel o consumo de can&aacute;bis   (e at&eacute;, de alguma forma, poss&iacute;vel estimar a dimens&atilde;o   do fen&oacute;meno) entre as tropas portuguesas que estiveram na   Guerra Colonial, mais dif&iacute;cil &eacute; perceber o seu   significado e fazer a sua hist&oacute;ria social. Em geral, o tom com   que os entrevistados falam acerca do uso pessoal de can&aacute;bis   revela desconforto e vontade de evitar ou, pelo menos, desvalorizar a   quest&atilde;o, tornando claro que este &eacute; um assunto inc&oacute;modo,   acerca do qual se dizem sobretudo coisas gen&eacute;ricas e n&atilde;o   pessoais, o que est&aacute; certamente relacionado com o seu car&aacute;ter   il&iacute;cito. Tal dificulta a investiga&ccedil;&atilde;o, mas ao   mesmo tempo revela que as drogas n&atilde;o podem ser postas &agrave;   parte do contexto social e que o discurso sobre elas &eacute;   condicionado hist&oacute;rica e socialmente. De t&atilde;o presente e   recorrente, este sil&ecirc;ncio adquiriu uma import&acirc;ncia central, levantando quest&otilde;es.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A t&oacute;nica dos discursos &eacute; colocada no desconhecimento,   como se de alguma forma atenuasse ou desculpasse uma pr&aacute;tica   que &eacute; hoje vista como il&iacute;cita: todos os ex-combatentes   entrevistados, tanto presencialmente como por via eletr&oacute;nica,   declaram que, &agrave; data, n&atilde;o estavam informados acerca das   drogas e que n&atilde;o havia uma clara perce&ccedil;&atilde;o de que   o uso de can&aacute;bis era algo proibido. Como j&aacute; referido no   in&iacute;cio, a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;droga&rdquo; enquanto   problema social (&shy;Fernandes 2009) emerge no mundo ocidental ao   mesmo tempo que decorre a Guerra Colonial Portuguesa. No entanto, no   Portugal dos anos 60 e meados de 70 do s&eacute;culo&nbsp;XX, o   conhecimento sobre as drogas e o contacto com as subst&acirc;ncias   proibidas eram invulgares e estavam limitados principalmente a uma   pequena fatia da popula&ccedil;&atilde;o, constitu&iacute;da   essencialmente por jovens urbanos das grandes cidades (Costa 2007;   Dias 2007; Ribeiro 1995), pelo que o conceito era algo mais abstrato do que concreto, n&atilde;o algo palp&aacute;vel e bem definido.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Do pouco que os seus consumidores est&atilde;o dispostos a falar,<A NAME="sdfootnote24anc" HREF="#sdfootnote24sym"><SUP>24</SUP></A> pode dizer-se que a can&aacute;bis era usada na guerra de &Aacute;frica   como uma forma de ajudar a relaxar, &ldquo;espantar o medo&rdquo;,   aliviar a ansiedade e escapar &agrave; ang&uacute;stia (Vardasca   2010) &ndash; que naquele contexto, de acordo com os testemunhos,   assumiam uma dimens&atilde;o colossal. Normalmente em associa&ccedil;&atilde;o   com as bebidas alco&oacute;licas, o consumo de can&aacute;bis tanto   podia ser feito em pequenos grupos como de forma isolada. Tendia a   ser discreto mas n&atilde;o se tratava de algo propriamente secreto   e    /    ou algo que, por si s&oacute;, desse origem a castigos disciplinares.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Lu&iacute;s Leal (pseud&oacute;nimo), que esteve como soldado   condutor em &shy;Mo&ccedil;ambique entre 1971 e 1973, destaca-se como   informante privilegiado, por falar abertamente acerca do uso pessoal   de can&aacute;bis na guerra, que define como recorrente enquanto esteve em zona operacional:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Eh p&aacute;, a gente fumava aquilo. P&aacute;, a       gente ia para uma opera&ccedil;&atilde;o e parecia que &iacute;amos       para um baile. Uma despreocupa&ccedil;&atilde;o total. Quer dizer,       aquele medo, coiso e tal, n&atilde;o. Claro que n&atilde;o &iacute;amos       para o mato a rir, n&atilde;o &eacute;, nem a dan&ccedil;ar. Mas     &iacute;amos t&atilde;o despreocupados que aquilo parecia que nem       est&aacute;vamos em guerra. E a gente ia, faz&iacute;amos as       opera&ccedil;&otilde;es. Eu fumei bastante. Bastante daquilo. Porque       era um escape que eu tinha. Eu n&atilde;o podia viver sem aquilo l&aacute;.       [&hellip;] A gente queria &eacute; ir para o mato tranquilos, sem       preocupa&ccedil;&otilde;es. E aquilo: &lsquo;eh p&aacute;, tu vais       para o mato e parece que n&atilde;o vais, esse medo todo sai, sai       fora de ti, p&aacute;&rsquo;, n&atilde;o sei qu&ecirc;&rdquo;     [entrevista presencial, 13      /      2      /      2015].</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Tamb&eacute;m Rui Martins, atr&aacute;s j&aacute; apresentado,   descreve o consumo de can&aacute;bis como generalizado em Mo&ccedil;ambique   e, mais do que isso, de alguma forma incentivado pelos pares e ignorado pelas chefias militares:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Havia uma quest&atilde;o psicol&oacute;gica, como       toda a gente fumava marijuana, havia a ideia que quem n&atilde;o       fumasse marijuana era maricas, ou qualquer coisa. [&hellip;] As       chefias achavam que cada um fizesse o que quisesse. N&atilde;o havia       qualquer proibi&ccedil;&atilde;o, toda a gente sabia que toda a gente       fumava a dita liamba &ndash; ou como chamava-se l&aacute;, suruma, a       express&atilde;o que era usada em Mo&ccedil;ambique. De tal maneira       que se tornou uma adjetiva&ccedil;&atilde;o: &lsquo;eh, p&aacute;,       isso &eacute; s&oacute; suruma&rsquo;, quer dizer que um gajo estava       a ficar parvo, p&aacute;. Mas ele estava a ficar parvo n&atilde;o era       por isso, estava a ficar parvo porque estava farto da guerra [risos],       n&atilde;o era por causa de fumar suruma&rdquo; [entrevista       presencial, 31        /        1        /      2015].</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Claro que, por cada informante que considera o consumo de liamba e   suruma uma pr&aacute;tica habitual na Guerra Colonial Portuguesa,   nomeadamente em Angola e Mo&ccedil;ambique, se encontram dois ou tr&ecirc;s que afirmam o contr&aacute;rio.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Seja qual for a verdadeira dimens&atilde;o do uso de can&aacute;bis   por parte das tropas portuguesas envolvidas no conflito, tudo indica   que a grande maioria dos militares cessou os consumos aquando do   regresso a casa, tal como se passou, ali&aacute;s, no caso dos   veteranos da Guerra do Vietname. Se bem que num processo mais   complicado e demorado, segundo os pr&oacute;prios, tamb&eacute;m o   consumo de bebidas alco&oacute;licas foi igualmente sendo reduzido na   generalidade dos casos, &agrave; medida que se foi procedendo ao   reajuste face ao novo quotidiano e &agrave; passagem para a vida   civil. Tal refor&ccedil;a a ideia de que o uso de subst&acirc;ncias   psicoativas &eacute; algo que &eacute; intrinsecamente condicionado   pelo contexto social e pelo conjunto de motiva&ccedil;&otilde;es e expetativas dos seus utilizadores.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> No seu livro de mem&oacute;rias da guerra, Jos&eacute; Manuel   Martins, que esteve como primeiro-cabo no norte de Angola, entre 1972 e 1973, resume muito do que foi dito atr&aacute;s acerca da can&aacute;bis:</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Na d&eacute;cada de setenta do s&eacute;culo       passado, havia consumo de droga nos quart&eacute;is! Em Zau-&Eacute;vua,       alguns militares consumiam droga, fumavam, pelo menos, liamba. No     &acirc;mbito fechado, onde o moral n&atilde;o era alto, o consumo       constitu&iacute;a mais um meio de &lsquo;evas&atilde;o&rsquo;, de       resposta ao isolamento e &agrave; desmotiva&ccedil;&atilde;o. [&hellip;]       N&atilde;o existiam intuitos de &lsquo;tr&aacute;fico&rsquo;: quem       tinha, tinha, e, por vezes, &lsquo;facilitava&rsquo; aos       interessados, que, mais tarde, faziam o mesmo. N&atilde;o havia,       embora possa admitir estar errado, consci&ecirc;ncia dos malef&iacute;cios       do consumo de droga; ao contr&aacute;rio, os consumidores achavam que       o uso da liamba favorecia os relacionamentos, descomplexava e fazia       esquecer as dificuldades do momento! N&atilde;o se falava, &eacute;     certo, de coca&iacute;na ou hero&iacute;na nem dos horrores que o       respetivo consumo implicava. Est&aacute;vamos apenas no in&iacute;cio       da d&eacute;cada de setenta, numa sociedade encerrada em si mesma,       sem abertura ao exterior, onde apenas as ondas de r&aacute;dio nos       levavam para bem longe, embora sob todas as cautelas poss&iacute;veis.       Nas circunst&acirc;ncias, o consumo de droga visava mais a     &lsquo;descontra&ccedil;&atilde;o&rsquo;, o al&iacute;vio da tens&atilde;o       em que se vivia. N&atilde;o mais do que isso&rdquo; (Martins     2003:&nbsp;152).</font></p> </blockquote>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana">Palavras finais</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> As drogas entram na Guerra Colonial Portuguesa desde o in&iacute;cio:   quando em 1961 se d&atilde;o em Angola os primeiros ataques levados a   cabo por independentistas ligados &agrave; UPA e ao MPLA, logo na   imprensa portuguesa os &ldquo;terroristas&rdquo; s&atilde;o descritos   como &ldquo;b&aacute;rbaros assassinos&rdquo; e &eacute; feita uma   &ldquo;liga&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica ao consumo de drogas   e ao recurso a feiti&ccedil;os&rdquo; (M.    J.    L. Antunes   2015: 64).<A NAME="sdfootnote25anc" HREF="#sdfootnote25sym"><SUP>25</SUP></A> De facto, na altura foi repetidamente dito que os autores dos   massacres agiam cegos e enlouquecidos, sob influ&ecirc;ncia direta de can&aacute;bis e <I>cachipembe</I><SUP>&nbsp;<A NAME="sdfootnote26anc" HREF="#sdfootnote26sym"><SUP>26</SUP></A></SUP> (Wheeler e P&eacute;lissier 2009 [1971]; Valahu 1968).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> N&atilde;o era inaudita a rela&ccedil;&atilde;o entre can&aacute;bis   e viol&ecirc;ncia em &Aacute;frica (Bergen-Cico 2012). O caso mais   frequentemente citado &eacute; o dos guerreiros zulus da atual &Aacute;frica   do Sul, que tinham por h&aacute;bito fumar can&aacute;bis antes de   entrar em batalha (Toit 1975), pr&aacute;tica que o explorador   brit&acirc;nico David Livingstone registou no s&eacute;culo&nbsp;XIX   (James e Johnson 1996). Mas j&aacute; antes disso, em 1767, o   governador de Mo&ccedil;ambique, Pereira do Lago, falava dos cafres   da Ilha de Mo&ccedil;ambique, que &ldquo;b&ecirc;bados de um fumo   infernal e pernicioso se alucinam para toda a qualidade de   homic&iacute;dios&rdquo; (citado em L.  D. Antunes 2006:&nbsp;205).<A NAME="sdfootnote27anc" HREF="#sdfootnote27sym"><SUP>27</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A can&aacute;bis circula pelo continente africano pelo menos desde o   s&eacute;culo&nbsp;XII, tendo sido inicialmente introduzida a partir   da &Aacute;sia atrav&eacute;s de rotas de com&eacute;rcio &aacute;rabes   (Klantschnig 2014; Nahas 1982). Com o tempo, alguns povos africanos   aprenderam a dominar os seus efeitos psicoativos e desenvolveram o   seu consumo, nomeadamente de forma ritualizada (Emboden 1990 [1972]).   Na Europa, pelo contr&aacute;rio, o consumo de can&aacute;bis n&atilde;o   se enraizou como costume cultural e &eacute; bastante recente (Pollan   2001), embora a sua utiliza&ccedil;&atilde;o para fins comerciais,   nomeadamente o aproveitamento das fibras do c&acirc;nhamo, fosse quase milenar (Fontes e Carvalho 2011 [2002]).<A NAME="sdfootnote28anc" HREF="#sdfootnote28sym"><SUP>28</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Tamb&eacute;m o consumo de bebidas alco&oacute;licas era algo   fortemente enraizado em &Aacute;frica: o &aacute;lcool afirmou-se   sempre como a subst&acirc;ncia psicoativa mais consumida por todo o   continente africano, nomeadamente na forma de vinhos, cervejas e   licores de fabrico artesanal (Ambler, Carrier e Klantschnig 2014;   Medeiros 1988; Capela 1973). No entanto, durante a Guerra Colonial,   as tropas portuguesas n&atilde;o demonstraram para com as bebidas   alco&oacute;licas africanas o mesmo interesse que devotaram &agrave;   can&aacute;bis: limitaram-se a experiment&aacute;-las, mas, salvo   raras exce&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o as adotaram e muito menos   pensaram em troc&aacute;-las pelas suas pr&oacute;prias, nomeadamente a cerveja e o <I>whisky</I>.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Sensivelmente ao mesmo tempo que os soldados norte-americanos   adotaram o consumo de drogas il&iacute;citas na Guerra do Vietname,   os militares portugueses depararam inesperadamente com a can&aacute;bis   num contexto de guerra, atrav&eacute;s das popula&ccedil;&otilde;es   africanas negras. Experimentaram-na, deram-lhe uso, apropriaram-se   dela e alguns trouxeram-na mesmo de volta a casa. De facto, alguns   autores (Fontes e Carvalho 2011 [2002]) apontam os militares que   regressavam da Guerra Colonial Portuguesa como os principais   divulgadores do consumo de can&aacute;bis (liamba) na &ldquo;Metr&oacute;pole&rdquo; antes do 25 de Abril.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Tudo isto se passou nos finais da d&eacute;cada de 60 e in&iacute;cios   de 70 do s&eacute;culo&nbsp;XX, altura em que o mundo ocidental   iniciava uma &ldquo;cruzada&rdquo; contra as drogas il&iacute;citas,   assente no proibicionismo. Embora o primeiro tratado internacional de   controlo de drogas tenha sido acordado em 1912, foram as conven&ccedil;&otilde;es   da ONU de 1961 e 1971 que definitivamente estabeleceram um novo   paradigma. Se para todos os efeitos o consumo de drogas il&iacute;citas   em Portugal continental era praticamente inexistente (Agra e   Fernandes 1993), &eacute; neste per&iacute;odo que o tema emerge como   objeto do discurso pol&iacute;tico (Poiares 1995) &ndash; por press&atilde;o   externa e provavelmente em fun&ccedil;&atilde;o do alarme suscitado   com a associa&ccedil;&atilde;o entre drogas e subvers&atilde;o   juvenil a que se assistia noutros pa&iacute;ses &ndash; e se tomam as   primeiras iniciativas, que culminam com a campanha &ldquo;droga-loucura-morte&rdquo;, de 1972.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Ao mesmo tempo que o poder pol&iacute;tico fazia assentar o seu   discurso sobre as drogas il&iacute;citas numa linguagem b&eacute;lica   e num conjunto de met&aacute;foras militares (guerra, combate,   inimigo), longe de casa, as tropas norte-americanas e portuguesas   consumiam-nas sem grandes consequ&ecirc;ncias disciplinares e, muito   menos, criminais. Mais do que isso, no caso portugu&ecirc;s, os   jovens envolvidos na Guerra Colonial parecem ter sido mesmo os   primeiros a consumir a can&aacute;bis de forma expressiva (se se   excluir os jovens nascidos ou residentes nas ent&atilde;o col&oacute;nias portuguesas de Angola e Mo&ccedil;ambique).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> De acordo com os testemunhos dos ex-combatentes, e pesem embora todas   as dificuldades advindas de um tema manifestamente dif&iacute;cil e   inc&oacute;modo, pode dizer-se que os usos de &aacute;lcool e can&aacute;bis   tinham o mesmo prop&oacute;sito: fazer esquecer, mesmo que   temporariamente, a experi&ecirc;ncia da guerra e tornar poss&iacute;vel   a vida em t&atilde;o duras condi&ccedil;&otilde;es. Para entender o consumo, &eacute; imprescind&iacute;vel conhecer as circunst&acirc;ncias.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> O que a hist&oacute;ria dos usos de &aacute;lcool e can&aacute;bis   por parte de militares portugueses envolvidos na Guerra Colonial   releva &eacute; o papel absolutamente central das motiva&ccedil;&otilde;es   de consumo, das normas, dos significados e do enquadramento social   (Klein 2012; MacRae 2001; Zinberg 1984). Dito de outra forma, as   drogas &ndash; sejam elas de car&aacute;ter l&iacute;cito ou il&iacute;cito   &ndash; n&atilde;o se podem reduzir &agrave;s suas propriedades   farmacol&oacute;gicas, pois a sua a&ccedil;&atilde;o est&aacute;   intimamente dependente dos referentes socioculturais dos grupos   sociais que as utilizam, contrariando as vis&otilde;es dominantes   assentes nas vis&otilde;es m&eacute;dicas e criminais (Milhet <I>et al</I>. 2011; Roman&iacute; 1999).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> S&oacute; assim se compreende que a can&aacute;bis, uma droga que   come&ccedil;a por ser tida como um &ldquo;intoxicante&rdquo; que   instiga a viol&ecirc;ncia do inimigo, seja mais tarde usada como uma   fonte de &ldquo;evas&atilde;o&rdquo; da viol&ecirc;ncia do   quotidiano. As drogas s&atilde;o sempre algo mais do que subst&acirc;ncias   com determinadas propriedades farmacol&oacute;gicas, e o contexto hist&oacute;rico e social &eacute; tudo. Ou quase tudo.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Em resumo, os usos de &aacute;lcool e can&aacute;bis na Guerra   Colonial Portuguesa s&atilde;o mais um epis&oacute;dio da hist&oacute;ria   das drogas assente nas trocas, no fluxo e na circula&ccedil;&atilde;o   dos produtos &ndash; neste caso, as bebidas alco&oacute;licas que s&atilde;o   levadas de Portugal continental para as (ent&atilde;o) col&oacute;nias   africanas, incluindo as mais remotas &aacute;reas onde estivessem   militares portugueses, e uma planta com propriedades psicoativas que   circula das popula&ccedil;&otilde;es negras africanas para os   quart&eacute;is portugueses. E &eacute; uma hist&oacute;ria que, para   ser compreendida, dever&aacute; ser contada atendendo, por um lado,   ao contexto pol&iacute;tico, social e econ&oacute;mico e, por outro,   &agrave;s experi&ecirc;ncias e &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es dos   consumidores. &Eacute; esse o desafio da antropologia num terreno   minado como &eacute; o campo das drogas, h&aacute; muito tempo dominado pelo biopoder.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana">BIBLIOGRAFIA</font></b></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   AFONSO, Aniceto, e Carlos Matos GOMES, 2000, <I>Guerra Colonial</I>. Lisboa, Editorial Not&iacute;cias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194686&pid=S0873-6561201600030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> AGRA, C&acirc;ndido, e Lu&iacute;s FERNANDES, 1993, &ldquo;Droga   enigma, droga novo paradigma&rdquo;, em C.&nbsp;Agra (org.), <I>Dizer a Droga, Ouvir as Drogas</I>. Porto, Radic&aacute;rio, 56-86.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> AGUIAR, Crist&oacute;v&atilde;o, 2007, <I>Bra&ccedil;o Tatuado: Retalhos da Guerra Colonial</I>. Lisboa, Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194689&pid=S0873-6561201600030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ALEXANDRE, Dora, 2015, <I>O Outro Lado da Guerra: Mem&oacute;rias     para Al&eacute;m das Armas e dos Combates</I>. Lisboa, A&nbsp;Esfera dos Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194691&pid=S0873-6561201600030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> AMBLER, Charles, Neil CARRIER, e Gernot KLANTSCHNIG, 2014,  &ldquo;Introduction&rdquo;, em G.&nbsp;Klantschnig, N.&nbsp;Carrier   e C.&nbsp;Ambler (orgs.), <I>Drugs in Africa: Histories and     Ethnographies of Use, Trade, and Control</I>. Nova Iorque, Palgrave Macmillan, 1-23.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> ANTUNES, Ant&oacute;nio Lobo, 2005, <I>D&rsquo;Este Viver Aqui Neste Papel Descripto</I>. Lisboa, Dom Quixote.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> ANTUNES, Jos&eacute; Freire, 1995, <I>A Guerra de &Aacute;frica: 1961-1974</I>. Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores, 2&nbsp;vols.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194695&pid=S0873-6561201600030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> ANTUNES, Lu&iacute;s Dias, 2006, &ldquo;A Ilha de Mo&ccedil;ambique   na segunda metade do s&eacute;culo XVIII&rdquo;, <I>Anais da Hist&oacute;ria de Al&eacute;m-Mar</I>, VII: 197-212.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> ANTUNES, Maria Jos&eacute; Lobo, 2015, <I>Regressos Quase Perfeitos: Mem&oacute;rias da Guerra em Angola</I>. Lisboa, Tinta da China.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194698&pid=S0873-6561201600030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ARANHA, Eduardo Brito, 2005, <I>Um Barco Fardado</I>. Lisboa, Roma Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194700&pid=S0873-6561201600030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   BASTOS, Manuel, 2008, <I>Cacimbados: A Vida por Um Fio</I>. Vila Nova de Gaia, Babel Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194702&pid=S0873-6561201600030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   BERGEN-CICO, Dessa, 2012, <I>War and Drugs: The Role of Military     Conflict in the Development of Substance Abuse</I>. Boulder, CO, Paradigm Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194704&pid=S0873-6561201600030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   BOOTH, Martin, 2005, <I>Cannabis: A History</I>. Nova Iorque, Picador.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194706&pid=S0873-6561201600030000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   CALADO, Vasco Gil, 2006, <I>Drogas Sint&eacute;ticas: Mundos     Culturais, M&uacute;sica </I>Trance<I> e Ciberespa&ccedil;o</I>. Lisboa, Instituto da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194708&pid=S0873-6561201600030000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> CALADO, Vasco Gil, 2009, &ldquo;Em torno do cultivo de <I>cannabis</I>:   uma an&aacute;lise do ciberespa&ccedil;o como ponto de partida para   uma investiga&ccedil;&atilde;o&rdquo;, <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, 15&nbsp;(1): 43-52.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   CALADO, Vasco Gil, 2013, <I>Novas Subst&acirc;ncias Psicoativas: O     Caso da </I>Salvia Divinorum. &shy;Lisboa, Servi&ccedil;o de   Interven&ccedil;&atilde;o nos Comportamentos Aditivos e nas Depend&ecirc;ncias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194711&pid=S0873-6561201600030000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> CAPELA, Jos&eacute;, 1973, <I>O Vinho para o Preto: Notas e Textos   sobre a Exporta&ccedil;&atilde;o do Vinho para &Aacute;frica</I>. Porto, Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194713&pid=S0873-6561201600030000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   CAPELO, Hermenegildo, e Roberto IVENS, 2010 [1881], <I>De Benguella   &aacute;s Terras de I&aacute;cca: Descrip&ccedil;&atilde;o de uma     Viagem na Africa Central e Occidental</I>, volumes I e II. Mem Martins, Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194715&pid=S0873-6561201600030000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   CARVALHO, Henrique, 1898, <I>O Jagado de Cassange na Provincia de     Angola</I>. Lisboa, Typographia de Cristov&atilde;o Augusto Rodrigues.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194717&pid=S0873-6561201600030000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   COHEN, Stanley, 2002 [1972], <I>Folk Devils and Moral Panics: The     Creation of the Mods and Rockers</I>. Londres, Routledge (3.&ordf;&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194719&pid=S0873-6561201600030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   COSTA, Carlos, 2007, <I>A Droga, o Poder Pol&iacute;tico e os     Partidos em Portugal</I>. Lisboa, Instituto da Droga e da Toxicodepend&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194721&pid=S0873-6561201600030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   COUCEIRO, Henrique de Paiva, 1892, <I>Relat&oacute;rio de Viagem entre Bailundo e as Terras do Mucusso</I>. Lisboa, Imprensa Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194723&pid=S0873-6561201600030000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   COURTWRIGHT, David, 2001, <I>Forces of Habit: Drugs and the Making of the Modern World</I>. Cambridge, MA, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194725&pid=S0873-6561201600030000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> CRUZ, Olga Sousa, Carla MACHADO, e Lu&iacute;s FERNANDES, 2012, &ldquo;O   &lsquo;problema da droga&rsquo;: sua constru&ccedil;&atilde;o, desconstru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o&rdquo;, <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica</I>, 30&nbsp;(1-2): 49-61.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> DEVILLARD, M. Jos&eacute;, Adela MUDAN&Oacute;, e &Aacute;lvaro   PAZOS, 2012, &ldquo;Apuntes metodol&oacute;gicos sobre la   conversaci&oacute;n en el trabajo etnogr&aacute;fico&rdquo;, <I>Pol&iacute;tica y Sociedad</I>, 49&nbsp;(2): 353-369.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> DIAS, L&uacute;cia, 2007, <I>As Drogas em Portugal: O Fen&oacute;meno   e os Factos Jur&iacute;dico-Pol&iacute;ticos de 1970 a 2004</I>. Coimbra, P&eacute; de P&aacute;gina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194729&pid=S0873-6561201600030000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> EMBODEN, William, 1990 [1972], &ldquo;Ritual use of <I>Cannabis   sativa</I>, L.: a historical-etnographic survey&rdquo; em   Peter Furst (org.), <I>Flesh of the Gods: The Ritual Use of Hallucinogens</I>. Prospect Heights, IL, Waveland Press, 214-236.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ESCOHOTADO, Antonio, 2004 [1996], <I>Hist&oacute;ria Elementar das Drogas</I>. 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Barcelona, Editorial Ariel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194735&pid=S0873-6561201600030000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> FERNANDES, Lu&iacute;s, 2009, &ldquo;O que a droga faz &agrave; norma&rdquo;, <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, 15&nbsp;(1): 3-18.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   FERREIRA, Alcino, 2011, <I>A Minha Guerra: Um Testemunho da Guerra Colonial por Quem a Viveu</I>. 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Matosinhos, Quidnovi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194742&pid=S0873-6561201600030000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   GEZON, Lisa, 2016 [2012], <I>Drug Effects: Khat in Biocultural and Socioeconomic Perspective</I>. Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194744&pid=S0873-6561201600030000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> GOMES, Carlos Matos, 2013, &ldquo;A africaniza&ccedil;&atilde;o na   Guerra Colonial e as suas sequelas: tropas locais &ndash; os vil&otilde;es   nos ventos da hist&oacute;ria&rdquo;, em M.&nbsp;P. Meneses e B.    S.   Martins (orgs.), <I>As Guerras de Liberta&ccedil;&atilde;o e os     Sonhos Coloniais: Alian&ccedil;as Secretas, Mapas Imaginados</I>.   Coimbra, CES    /  Almedina, 123-141.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   HEINTZE, Beatrix, 2010 [1999], <I>Exploradores Alem&atilde;es em     Angola (1611-1954): Apropria&ccedil;&otilde;es Etnogr&aacute;ficas     entre Com&eacute;rcio de Escravos, Colonialismo e Ci&ecirc;ncia</I>,     <I>e-book</I> dispon&iacute;vel em   &lt;    <a href="http://www.frobenius-institut.de/images/downloads/exploradores.pdf" target="_blank">http://www.frobenius-institut.de/images/downloads/exploradores.pdf</a>  &gt; (&uacute;ltima consulta em outubro de 2016).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194747&pid=S0873-6561201600030000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> HUNT, Geoffrey, e Judith BARKER, 2001, &ldquo;Socio-cultural   Anthropology and alcohol and drug research: towards a unified theory&rdquo;, <I>Social Science &amp; Medicine</I>, 53: 165-188.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   INGLIS, Brian, 1975, <I>The Forbidden Game: A Social History of Drugs</I>. Nova Iorque, Charles Scribner&rsquo;s Sons.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   JAMES, William, e Stephen JOHNSON, 1996, <I>Doin&rsquo; Drugs:     Patterns of African American Addiction</I>. Austin, University of Texas Press.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> JANEIRO, Ant&oacute;nio, 2012, <I>Regresso a Angola (Por N&atilde;o Ter Partido)</I>. 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Dulles, VA, Pontomac Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194754&pid=S0873-6561201600030000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> KLANTSCHNIG, Gernot, 2014, &ldquo;Histories of cannabis use and   control in Nigeria, 1927-1967&rdquo;, em G.&nbsp;Klantschnig,   N.&nbsp;Carrier e C.&nbsp;Ambler (orgs.), <I>Drugs in Africa:     Histories and Ethnographies of Use, Trade, and Control</I>. Nova Iorque, Palgrave Macmillan, 69-88.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> KLEIN, Axel, 2012, &ldquo;The Anthropology of drugs&rdquo;, em   R.&nbsp;Fardon <I>et al</I>. (orgs.), <I>The Sage Handbook of Social Anthropology</I>, vol.&nbsp;II. Los Angeles, Sage, 365-376.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   KRANZLER, Henry, e Pamela KORSMEYER, 2009, <I>Encyclopedia of Drugs,     Alcohol &amp; Addictive Behavior</I> <I>(Third Edition)</I>. Nova   Iorque, Macmillan Reference    /    Gale Cengage Learning Library.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194758&pid=S0873-6561201600030000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   KUZMAROV, Jeremy, 2009, <I>The Myth of the Addicted Army: Vietnam and     the Modern War on Drugs</I>. Boston, University of Massachusetts Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194760&pid=S0873-6561201600030000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> KVALE, Steinar, 2006, &ldquo;Dominance through interviews and dialogues&rdquo;, <I>Qualitative Inquiry</I>, 12&nbsp;(3): 480-500.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   LEWIS, Bernard, 2003 [1967], <I>The Assassins: A Radical Sect in Islam</I>. Nova Iorque, Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194763&pid=S0873-6561201600030000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> LOJA, Ant&oacute;nio, 2013 [2002], <I>As Aus&ecirc;ncias de Deus: No   Labirinto da Guerra Colonial</I>. Lisboa, &Acirc;ncora Editora (2.&ordf;&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194765&pid=S0873-6561201600030000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   LOPES, Daniel Seabra, 1998, <I>Ex-Combatentes da Guerra Colonial:     Experi&ecirc;ncia e Identidades: Ensaio de Constru&ccedil;&atilde;o     de Um Objecto Antropol&oacute;gico.</I> Lisboa, ISCTE, tese de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194767&pid=S0873-6561201600030000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> LOVEJOY, Paul, 2007 [1995], &ldquo;Kola nuts: the &lsquo;coffee&rsquo;   of the Central Sudan&rdquo;, em J.&nbsp;&shy;Goodman,   P.&nbsp;Lovejoy e A.&nbsp;Sherratt (orgs.), <I>Consuming Habits:     Global and Historical Perspectives on How Cultures Define Drugs</I>. Londres, Routledge, 98-120.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MacRAE, Edward, 2001, &ldquo;Antropologia: aspectos sociais,   culturais e ritual&iacute;sticos&rdquo;, em S.&nbsp;&shy;Seibel e   A.&nbsp;Toscano&nbsp;Jr., <I>Depend&ecirc;ncia de Drogas</I>. S&atilde;o Paulo, Editora Atheneu, 25-34.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MANNING, Paul, 2014, <I>Drugs and Popular Culture in the Age of New Media</I>. Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194771&pid=S0873-6561201600030000200054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MARANISS, David, 2003, <I>They Marched into Sunlight: War and Peace,     Vietnam and America</I>, <I>October 1976</I>. Nova Iorque, Simon &amp; Schuster.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194773&pid=S0873-6561201600030000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> MARTA, Alexandre, 2000, <I>A Arma</I>. Lisboa, Roma Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194775&pid=S0873-6561201600030000200056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   MARTIN, A. Lee, 2012, <I>Smoke Signals: A Social History of Marijuana   &ndash; Medical, Recreational, and Scientific</I>. Nova Iorque, Scriber.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MARTINS, Jos&eacute; Manuel, 2003, <I>Zau-&Eacute;vua: Terra de   Ningu&eacute;m, S&iacute;tio de Viv&ecirc;ncias</I>. Seixal, Letras d&rsquo;Ouro.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> MATA, Lobo, 2012, <I>A Guerra de Lob</I>. Lisboa, Chiado Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194779&pid=S0873-6561201600030000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MEDEIROS, Eduardo, 1988, <I>Bebidas Mo&ccedil;ambicanas de Fabrico Artesanal</I>. Maputo, Arquivo Hist&oacute;rico de Mo&ccedil;ambique.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194781&pid=S0873-6561201600030000200060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   MILHET, Milena, <I>et al</I>.<I>, </I>2011, &ldquo;Introduction&rdquo;,   em G.&nbsp;Hunt, M.&nbsp;Milhet e H.&nbsp;&shy;Bergeron (orgs.), <I>Drugs and Culture: Knowledge, Consumption and Policy</I>. Farnham, Ashgate, 1-12.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MONTEIRO, Miguel, 2001, &ldquo;N&atilde;o voltes para casa: um relato   de fim de Imp&eacute;rio&rdquo;, em R.    A. Teixeira (org.), <I>A Guerra do Ultramar: Realidade e Fic&ccedil;&atilde;o</I>. 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Alfragide, Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194786&pid=S0873-6561201600030000200064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   NUTT, David, 2012, <I>Drugs, without the Hot Air: Minimizing the Harms of Legal and Illegal Drugs.</I> Cambridge, UIT Cambridge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194788&pid=S0873-6561201600030000200065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> OEIRAS, Lu&iacute;s, 2009, <I>Mueda-Lua</I>. Lisboa, Roma Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194790&pid=S0873-6561201600030000200066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> PEREIRA, Rog&eacute;rio, 2011, <I>Almas Que N&atilde;o Foram   Fardadas</I>. Oeiras, Espa&ccedil;o e Mem&oacute;ria &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Cultural de Oeiras.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> POIARES, Carlos, 1995, &ldquo;A legisla&ccedil;&atilde;o penal da   droga: contribui&ccedil;&atilde;o para uma an&aacute;lise do discurso do legislador&rdquo;, <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, 3:&nbsp;17-29.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   POLLAN, Michael, 2001, <I>The Botany of Desire: a Plant&rsquo;s-Eye View of the World</I>. Nova Iorque, Random House.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   RASMUSSEN, Nicolas, 2008, <I>On Speed: The Many Lives of Amphetamine</I>, Nova Iorque, New York University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194795&pid=S0873-6561201600030000200070&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> RIBEIRO, Jo&atilde;o Salvado, 1995, &ldquo;Depend&ecirc;ncia ou   depend&ecirc;ncias? Incid&ecirc;ncias hist&oacute;ricas na   formaliza&ccedil;&atilde;o do conceito&rdquo;, <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, 1&nbsp;(3): 5-16.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   RIBEIRO, Jorge, 1999, <I>Marcas da Guerra Colonial</I>. Lisboa, Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194798&pid=S0873-6561201600030000200072&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> ROBINS, Lee, 1993, &ldquo;Vietnam veterans&rsquo; rapid recovery from   heroin addiction: a fluke or normal expectation?&rdquo;, <I>Addiction</I>, 88: 1041-1054.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> RODRIGUES, F&aacute;tima, 2012, <I>Antigos Combatentes Africanos das   For&ccedil;as Armadas Portuguesas: A</I>&nbsp;<I>Guerra Colonial como     Territ&oacute;rio de (Re)Concilia&ccedil;&atilde;o</I>. Coimbra, Universidade de Coimbra, tese de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194801&pid=S0873-6561201600030000200074&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> RODRIGUES, Thiago, 2008, &ldquo;Tr&aacute;fico, guerra, proibi&ccedil;&atilde;o&rdquo;,   em B.&nbsp;Labate <I>et al</I>. (orgs.), <I>Droga e Cultura: Novas     Perspectivas</I>. Salvador, Editora da Universidade Federal da Bahia, 91-104.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> ROMAN&Iacute;, Oriol, 1999, <I>Las Drogas: Sue&ntilde;os y Razones</I>. Barcelona, Editorial Ariel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194804&pid=S0873-6561201600030000200076&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ROQUE, Sara, 2004, <I>A Guerra Colonial e os Seus Sil&ecirc;ncios:     Contributo para o Estudo de Uma Antropologia do Sil&ecirc;ncio</I>. Lisboa, ISCTE, tese de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194806&pid=S0873-6561201600030000200077&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ROSA, Frederico Delgado, e Filipe VERDE, 2013, <I>Exploradores     Portugueses e Reis Africanos: Viagens ao Cora&ccedil;&atilde;o de   &Aacute;frica no S&eacute;culo&nbsp;XIX</I>. Lisboa, A&nbsp;Esfera dos Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194808&pid=S0873-6561201600030000200078&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> RUBIO, Maria Isabel, 2006, &ldquo;La imposici&oacute;n de los puntos de vista durante la entrevista etnogr&aacute;fica&rdquo;, <I>Antropologia Portuguesa</I>, 22-23: 9-40.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> S&Aacute;, S&eacute;rgio O., 2009, <I>De Quibala a Melele (Norte de   Angola) no Decorrer de Uma Guerra</I>. S    /    l., edi&ccedil;&atilde;o de autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194811&pid=S0873-6561201600030000200080&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> SANTOS, Jo&atilde;o dos, 1999 [1609], <I>Eti&oacute;pia Oriental e   V&aacute;ria Hist&oacute;ria de Cousas Not&aacute;veis do Oriente</I>.   Lisboa, Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos Descobrimentos Portugueses.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194813&pid=S0873-6561201600030000200081&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> SANTOS, V&iacute;tor, 2013, <I>&ldquo;O Bafo do &Aacute;frica&rdquo;: Hist&oacute;rias de Um Sapador</I>. Lisboa, RCP Edi&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> SILVA, Elisete, 2003, &ldquo;Impactos da ocupa&ccedil;&atilde;o   colonial nas sociedades rurais do Sul de Angola&rdquo;. Lisboa,   ISCTE    /    Centro de Estudos Africanos, <I>occasional paper     series</I> n.&ordm;&nbsp;8, dispon&iacute;vel em   &lt;    <a href="http://www.casadasafricas.org.br/wp/wp-content/uploads/2011/08/Impactos-da-ocupacao-colonial-nas-sociedades-rurais-do-sul-de-Angola.pdf" target="_blank">http://www.casadasafricas.org.br/wp/wp-content/uploads/2011/08/Impactos-da-ocupacao-colonial-nas-sociedades-rurais-do-sul-de-Angola.pdf</a>  &gt; (&uacute;ltima consulta em outubro de 2016).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> SILVA, Tiago Matos, 2007, &ldquo;Exilados em casa: os veteranos da Guerra Colonial e os limites da &lsquo;Na&ccedil;&atilde;o&rsquo;<SUP>&nbsp;</SUP>&rdquo;, <I>Arquivos da Mem&oacute;ria</I>, 1&nbsp;(nova s&eacute;rie): 31-39.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   SOUSA, Jorge Trigo, 2007, <I>A Guerra Colonial</I>. Linda-a-Velha, DG Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194818&pid=S0873-6561201600030000200085&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> STANTON, Morris, 1976, &ldquo;Drugs, Vietnam and the Vietnam veteran:   an overview&rdquo;, <I>American Journal of Drugs and Alcohol Abuse</I>, 3&nbsp;(4): 279-286.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   TEIXEIRA, Rui Azevedo (org.), 2001, <I>A Guerra do Ultramar: Realidade e Fic&ccedil;&atilde;o</I>. Lisboa, Editorial Not&iacute;cias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194821&pid=S0873-6561201600030000200087&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> TOIT, Brian du, 1975, &ldquo;Dagga: the history and ethnographic   setting of <I>Cannabis sativa</I> in Southern Africa&rdquo;, em   V.&nbsp;Rubin (org.), <I>Cannabis and Culture</I>. Haia, Mouton Publishers, 81-116.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> TOIT, Brian du, 1976, &ldquo;Man and cannabis in Africa: a study of diffusion&rdquo;, <I>African Economic History</I>, 1:&nbsp;17-35.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   VALAHU, Mugur, 1968, <I>Angola: Chave de &Aacute;frica</I>. Lisboa,   Edi&ccedil;&atilde;o A.  M. Pereira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194825&pid=S0873-6561201600030000200090&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> VALENTIM, Cristina, 2012, &ldquo;Corpo, folclore e identidade:   rela&ccedil;&otilde;es de poder na Lunda colonial, Angola,   1944-1975&rdquo;, comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no   8.&ordm;&nbsp;Congresso Ib&eacute;rico de Estudos Africanos, Madrid,   Universidade Aut&oacute;noma de Madrid, dispon&iacute;vel em   &lt;    <a href="http://www.ces.uc.pt/myces/UserFiles/livros/1097_com.%20acta%20madrid.pdf" target="_blank">http://www.ces.uc.pt/myces/UserFiles/livros/1097_com.%20acta%20madrid.pdf</a>  &gt; (&uacute;ltima consulta em outubro de 2016).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> VARDASCA, Carlos, 2010, &ldquo;Como iludir os nossos medos&rdquo;, em <I>Do Tejo ao Rovuma</I> (blogue), dispon&iacute;vel em   &lt;<a href="http://dotejoaorovuma-cabel.blogspot.pt/2010/02/como-iludir-os-nossos-medos.html" target="_blank"> http://dotejoaorovuma-cabel.blogspot.pt/2010/02/como-iludir-os-nossos-medos.html</a> &gt; (&uacute;ltima consulta em outubro de 2016).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   VARDASCA, Carlos, 2012, <I>Do Tejo ao Rovuma: Uma Breve Pausa Num     Tempo das Nossas Vidas</I>. S    /    l., edi&ccedil;&atilde;o de autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194829&pid=S0873-6561201600030000200093&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   WELWITSCH, Frederico, 1862, <I>Synopse Explicativa das Amostras de     Madeiras e Drogas Medicinaes e de Outros Objectos Mormente     Ethnographicos Colligidos na Provincia de Angola Enviados &aacute;   Exposi&ccedil;&atilde;o Internacional de Londres em 1862</I>. Lisboa, Imprensa Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194831&pid=S0873-6561201600030000200094&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> WHALON, Pete, 2004,&nbsp;<I>The Saigon Zoo: Vietnam&rsquo;s Other   War. Sex, Drugs, Rock &lsquo;n&rsquo; Roll</I>. West Conshohocken, Infinity Publishing.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> WHEELER, Douglas, e Ren&eacute; P&Eacute;LISSIER, 2009 [1971], <I>Hist&oacute;ria de Angola</I>. Lisboa, Tinta da China.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194834&pid=S0873-6561201600030000200096&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   WILLIAMS, Ian, 2005, <I>Rum: A Social and Sociable History</I>. Nova Iorque, Nation Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194836&pid=S0873-6561201600030000200097&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ZINBERG, Norman, 1984, <I>Drug, Set and Setting</I>. New Haven, Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=194838&pid=S0873-6561201600030000200098&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><font face="Verdana">NOTAS</font></b></font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote1sym" HREF="#sdfootnote1anc">1</A> Neste     artigo, para simplificar, &ldquo;consumo&rdquo; e &ldquo;uso&rdquo;   s&atilde;o usados como sin&oacute;nimos.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote2sym" HREF="#sdfootnote2anc">2</A> A     Guerra Colonial Portuguesa &eacute; tamb&eacute;m chamada Guerra do     Ultramar ou Guerra de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional, se vista     por outros prismas. Menos frequentemente, &eacute; tamb&eacute;m     designada como Guerra(s) de &Aacute;frica.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote3sym" HREF="#sdfootnote3anc">3</A> A     pesquisa assenta em entrevistas n&atilde;o dirigidas (Devillard,     Mudan&oacute; e Pazos 2012; Kvale 2006; Rubio 2006) realizadas com     ex-combatentes do ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s que prestaram     servi&ccedil;o na Guerra Colonial Portuguesa e foi complementada com     uma recolha bibliogr&aacute;fica extensiva, focada essencialmente     num conjunto de biografias, hist&oacute;rias de vida e relatos     biogr&aacute;ficos centrados na experi&ecirc;ncia de guerra em   &Aacute;frica. Num segundo momento, porque tal se justificou,     estendeu-se a pesquisa ao ciberespa&ccedil;o (Calado 2006, 2009,     2013) e aplicou-se um inqu&eacute;rito <I>online</I> a     ex-combatentes. O conjunto de narrativas e textos analisados &eacute;   composto pelas entrevistas realizadas propositadamente, pelos textos   editados em livro, pelos textos publicados no espa&ccedil;o digital     que foram recolhidos e pelas respostas &agrave;s perguntas abertas     do question&aacute;rio <I>online</I>, daqui para a frente designadas     genericamente &ldquo;testemunhos&rdquo;. Alguns dos argumentos     apresentados resultam da troca de ideias com o meu colega Lu&iacute;s     Vasconcelos e tamb&eacute;m com os professores Miguel Vale de     Almeida, Brian O&rsquo;Neill e, sobretudo, Francisco Oneto, a quem     estou agradecido.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote4sym" HREF="#sdfootnote4anc">4</A> Quando     aqui se fala de &ldquo;ex-combatentes&rdquo; ou, mais genericamente,     de &ldquo;militares&rdquo;, est&aacute;-se a incluir somente aqueles     que participaram na Guerra Colonial Portuguesa incorporados nas     for&ccedil;as armadas portuguesas e a excluir os membros dos     movimentos independentistas africanos. Da mesma forma, quando se     fala em &ldquo;militares portugueses&rdquo; est&aacute;-se a incluir     militares africanos que lutaram do lado das tropas portuguesas.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote5sym" HREF="#sdfootnote5anc">5</A> N&atilde;o     foi o mesmo ter estado numa regi&atilde;o pacificada ou numa regi&atilde;o     militarmente ativa, haver tido fun&ccedil;&otilde;es operacionais e     cumprido miss&otilde;es no &ldquo;mato&rdquo; ou ficado cingido     apenas a fun&ccedil;&otilde;es administrativas e n&atilde;o ter     sa&iacute;do do quartel, por exemplo.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote6sym" HREF="#sdfootnote6anc">6</A> &ldquo;Drogas&rdquo;   e &ldquo;subst&acirc;ncias psicoativas&rdquo; s&atilde;o aqui usadas     como sin&oacute;nimos e incluem todas as subst&acirc;ncias que,     depois de ingeridas, condicionam o sistema nervoso central     (estimulantes, depressoras ou alucinog&eacute;nias), atuando sobre o     estado de consci&ecirc;ncia, o humor ou, mais genericamente, o     funcionamento cerebral. Neste sentido, tanto o &aacute;lcool como a     can&aacute;bis, as duas subst&acirc;ncias discutidas neste artigo,     s&atilde;o subst&acirc;ncias psicoativas. Ao contr&aacute;rio do     sistema jur&iacute;dico-legal, que separa claramente as duas     subst&acirc;ncias, acompanha-se os argumentos de Geoffrey Hunt e     Judith Barker (2001) de cr&iacute;tica &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o     das ci&ecirc;ncias sociais, e da antropologia em particular, de     autonomizar o estudo de &aacute;lcool e drogas il&iacute;citas,     criando duas tradi&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas distintas.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote7sym" HREF="#sdfootnote7anc">7</A> O     discurso hegem&oacute;nico acerca da Guerra Colonial Portuguesa     tende a secundarizar ou omitir a experi&ecirc;ncia e a perspetiva     dos militares de incorpora&ccedil;&atilde;o local &ndash; isto &eacute;,     aqueles nascidos ou que viviam nos territ&oacute;rios africanos &ndash;,     cujo n&uacute;mero nas for&ccedil;as armadas portuguesas foi     aumentando &agrave; medida que ia progredindo o conflito militar     (Gomes 2013).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote8sym" HREF="#sdfootnote8anc">8</A> Os     militares portugueses viram-se imersos num mundo &ldquo;ex&oacute;tico&rdquo;,     tanto do ponto de vista do mundo natural como do ponto de vista     cultural, exprimindo nos seus registos biogr&aacute;ficos espanto,     fasc&iacute;nio e consci&ecirc;ncia das diferen&ccedil;as na     natureza e na vida dos povos africanos.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote9sym" HREF="#sdfootnote9anc">9</A> Alguns     militares, por exemplo, relatam a experi&ecirc;ncia de comer camar&atilde;o     cozido pela primeira vez (Oeiras 2009). Por outro lado, bebidas como     a <I>Coca-Cola</I> ou a <I>Pepsi</I> eram de venda proibida na   &ldquo;Metr&oacute;pole&rdquo;, mas de venda livre nas &ldquo;col&oacute;nias&rdquo;.     Por causa disso, conta V&iacute;tor Santos, que participou na Guerra     Colonial Portuguesa, em Mo&ccedil;ambique, enquanto sapador de     minas, &ldquo;coca-cola [era o] nome dado pelos militares da     metr&oacute;pole aos naturais de Louren&ccedil;o Marques&rdquo;   (2013:&nbsp;112).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote10sym" HREF="#sdfootnote10anc">10</A> Excluem-se     as chamadas &ldquo;tropas especiais&rdquo; &ndash; comandos,     fuzileiros, paraquedistas, entre outras &ndash; de natureza ofensiva     e com miss&otilde;es operacionais espec&iacute;ficas,     maioritariamente de ataque.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote11sym" HREF="#sdfootnote11anc">11</A> A     experi&ecirc;ncia de guerra inclui casos de militares que n&atilde;o     chegaram a disparar um tiro e      /      ou n&atilde;o se     depararam com o inimigo uma &uacute;nica vez. Neste sentido, ter   &ldquo;ido &agrave; guerra&rdquo; &eacute; mais do que a viv&ecirc;ncia     operacional e militar.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote12sym" HREF="#sdfootnote12anc">12</A>	Manuel     Bastos inicia assim o seu livro <I>Cacimbados: A Vida por Um Fio</I>:   &ldquo;Chamavam esgazeados aos ex-combatentes da Grande Guerra e     cacimbados aos da Guerra Colonial Portuguesa, associando os seus     traumas, no primeiro caso &agrave;s bombas de g&aacute;s e no     segundo ao clima de &Aacute;frica&rdquo; (2008: 9). Tamb&eacute;m     Maria Jos&eacute; Lobo Antunes, na sua recente etnografia de uma     companhia militar que esteve em Angola entre 1971 e 1972, aborda a     figura do &ldquo;cacimbado&rdquo;, designando-a como &ldquo;uma     suave loucura&rdquo; respons&aacute;vel por tornar os &ldquo;militares     capazes dos mais impensados disparates&rdquo; (2015:&nbsp;150).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote13sym" HREF="#sdfootnote13anc">13</A>	O     <I>Cancioneiro do Niassa</I> consiste num conjunto de adapta&ccedil;&otilde;es     de fados e can&ccedil;&otilde;es em voga (de Bob Dylan a Jos&eacute;   Afonso), que, de forma humor&iacute;stica e sarc&aacute;stica,     abordam a tem&aacute;tica da Guerra Colonial Portuguesa do ponto de     vista do soldado e das condi&ccedil;&otilde;es de vida. As     adapta&ccedil;&otilde;es foram feitas por militares portugueses     estacionados na regi&atilde;o do Lago Niassa, em Mo&ccedil;ambique,     e tornaram-se rapidamente populares em muitos quart&eacute;is de     outras regi&otilde;es, servindo como uma forma de contesta&ccedil;&atilde;o   &agrave; ordem estabelecida e, sobretudo, &agrave; cadeia de     comando.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote14sym" HREF="#sdfootnote14anc">14</A> De     forma provocat&oacute;ria, &ldquo;v&iacute;cio&rdquo; &eacute; aqui     entendido num duplo sentido: como algo que &eacute; considerado     adictivo e compulsivo e, simultaneamente, como algo que desafia a     moral e pode ser visto como transgress&atilde;o e      /      ou     um desvio &agrave;s normas morais.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote15sym" HREF="#sdfootnote15anc">15</A> Como     refere Lu&iacute;s Oeiras, no seu livro de mem&oacute;rias <I>Mueda-Lua</I>, a hist&oacute;ria pol&iacute;tica e social da     Guerra Colonial &eacute; extensa e exaustiva, mas a dos combatentes     n&atilde;o (2009:&nbsp;9).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote16sym" HREF="#sdfootnote16anc">16</A> Na     Guerra Colonial Portuguesa, de acordo com os testemunhos, a regra de     n&atilde;o haver consumo de bebidas alco&oacute;licas durante     opera&ccedil;&otilde;es militares era genericamente cumprida. No     entanto, alguns ex-combatentes confirmam a ingest&atilde;o de     bebidas alco&oacute;licas durante sa&iacute;das operacionais, n&atilde;o     obstante tal ser consensualmente considerado algo perigoso e uma     inconsci&ecirc;ncia.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote17sym" HREF="#sdfootnote17anc">17</A> A     regra geral era que os quart&eacute;is portugueses em &Aacute;frica     tivessem espa&ccedil;os diferentes para pra&ccedil;as e graduados     comerem e beberem, acontecendo por vezes que sargentos e oficiais     partilhavam o mesmo refeit&oacute;rio, mas tinham espa&ccedil;os     aut&oacute;nomos para adquirir e consumir bebidas alco&oacute;licas     (messe de oficiais e bar de sargentos).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote18sym" HREF="#sdfootnote18anc">18</A> A     pergunta era colocada antes de no question&aacute;rio se falar de   &aacute;lcool e drogas, pretendendo-se, assim, evitar o enviesamento     das respostas.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote19sym" HREF="#sdfootnote19anc">19</A> Ant&oacute;nio     Lobo Antunes, que entre 1971 e 1972, esteve presente na Guerra     Colonial Portuguesa como m&eacute;dico militar em Angola, revela nas     suas cartas enviadas de &Aacute;frica para a mulher, entretanto     reunidas em livro, o qu&atilde;o baratas eram vendidas as bebidas     alco&oacute;licas nos quart&eacute;is. De facto, embora n&atilde;o     bebesse, o m&eacute;dico aproveitava para as comprar e enviar para     Lisboa: &ldquo;Como todos os meses compro uma garrafa, j&aacute; vou     em 4 de u&iacute;sque. Vou agora mudar-me para os conhaques, gins,     etc., de modo a que, quando voltar, tenhamos uma boa garrafeira. S&atilde;o     tudo marcas &oacute;timas, e saem a cerca de 100.00 cada. Parece-me     que vale a pena&rdquo; (2005:&nbsp;175).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote20sym" HREF="#sdfootnote20anc">20</A> Por     exemplo, os entrevistados tendem a associar o alcoolismo sobretudo a     casos em que o consumo excessivo de &aacute;lcool era um h&aacute;bito     anterior ao servi&ccedil;o militar. Por outro lado, alco&oacute;lico     n&atilde;o era quem bebia muito, mas sobretudo quem bebia     constantemente, quem &ldquo;n&atilde;o sabia beber&rdquo; ou n&atilde;o     aguentava os seus efeitos e se embriagava recorrentemente (&ldquo;maus     vinhos&rdquo;).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote21sym" HREF="#sdfootnote21anc">21</A> Em     contrapartida, alguns ex-combatentes que estiveram na Guin&eacute;   durante a Guerra Colonial Portuguesa referem o consumo, quase sempre   experimental e espor&aacute;dico, de noz de cola, fruto de plantas     ricas em cafe&iacute;na e com efeito estimulante, que era usado     tradicionalmente em algumas regi&otilde;es da parte ocidental do     continente africano (Lovejoy 2007 [1995]).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote22sym" HREF="#sdfootnote22anc">22</A> Entre     estas personagens-chave destacavam-se os soldados de incorpora&ccedil;&atilde;o     local que serviam no ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s, e cujo n&uacute;mero     foi crescendo com o decorrer do conflito (F. Rodrigues 2012).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote23sym" HREF="#sdfootnote23anc">23</A> Tudo     indica que, pelo contr&aacute;rio, em pontos nevr&aacute;lgicos e de     conflu&ecirc;ncia dos militares &ndash; como a cidade de Mueda, em     Mo&ccedil;ambique &ndash;, a can&aacute;bis tinha uma presen&ccedil;a     mais forte.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote24sym" HREF="#sdfootnote24anc">24</A> Assistiu-se   &agrave; mesma resist&ecirc;ncia em abordar certos temas e ao tra&ccedil;ar     da &ldquo;fronteira que separa o que deve ser lembrado do que deve     ser esquecido&rdquo; de que fala Maria Jos&eacute; Lobo Antunes     (2015:&nbsp;374).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote25sym" HREF="#sdfootnote25anc">25</A> Na     primeira p&aacute;gina do <I>Di&aacute;rio de Lisboa</I>, de 11 de     fevereiro de 1961, escrevia-se acerca do &ldquo;grupo de alucinados&rdquo;   respons&aacute;vel pelos ataques: &ldquo;alguns estavam     verdadeiramente narcotizados [&hellip;], outros teriam bebido     fortemente e davam mostras da bravura inconsciente mas inefetiva dos     etilizados, mas outros ainda teriam tomado coca-cola na qual     dissolveram comprimidos de aspirina &ndash; que constitui uma     esp&eacute;cie de droga barata e que produz uma embriaguez heroica&rdquo;.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote26sym" HREF="#sdfootnote26anc">26</A>	<I>Cachipembe</I>   (ou <I>caxipembe</I>) &eacute; uma bebida alco&oacute;lica     tradicional angolana, concretamente uma aguardente destilada a     partir da fermenta&ccedil;&atilde;o de farelo de milho.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote27sym" HREF="#sdfootnote27anc">27</A> O     termo &ldquo;cafre&rdquo; &eacute; de origem &aacute;rabe,     equivalente a &ldquo;b&aacute;rbaro&rdquo;, e era usado na &Aacute;frica     portuguesa para designar povos depreciativamente considerados   &ldquo;incultos&rdquo; e &ldquo;infi&eacute;is&rdquo;.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote28sym" HREF="#sdfootnote28anc">28</A>	Em     <I>Uma Breve Hist&oacute;ria da Cannabis em Portugal</I>, Lu&iacute;s     Torres Fontes e Jo&atilde;o Carvalho falam da improbabilidade que     foi os europeus terem lidado &ldquo;com a cannabis durante s&eacute;culos     sem se darem conta dos seus poderes psicoativos&rdquo; (2011 [2002]:     176), o que s&oacute; come&ccedil;ou a mudar com a publica&ccedil;&atilde;o     em 1563 dos escritos do portugu&ecirc;s Garcia de Orta sobre as     plantas medicinais da &Iacute;ndia (Booth 2005).</font></P>      ]]></body><back>
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