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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O ensino superior: a mobilidade estudantil como estratégia de internacionalização na América Latina]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Among the current policies for undergraduate schools, internationalization has emerged as an important strategy for the integration of countries in the globalized world either from the perspective of solidarity, advocated by UNESCO, either by mercantilist trend, advocated by the World Trade Organization. This article focuses on this theme, analyzing the main characteristics assumed in the process of internationalization of undergraduate schools, with emphasis on student mobility in different regions of the world, explaining how Latin America, and Brazil in particular, falls within that process. The article was based on literature review, documentary analysis and secondary data. The data on student mobility was provided by UNESCO, World Education Textbooks, concerning the years 2006 to 2010, and refer to the regions receiving and sending students abroad. Data analysis shows that the regions that receive more students, in the process of mobility are those where the countries are more developed and better inserted in the new global division of labor. Latin America is part of this process as being a peripheral area with poor reception and high sending students to other regions of the world, especially for the region of North America and Western Europe. This trend is also confirmed for Brazil, although this country stands with one of the best performers on the continent, a trend that was consolidated, as recently, Brazil has adopted strategies to enhance their integration through the implementation of programs and the creation of public universities aimed at regional integration.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[políticas educacionais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O ensino superior: a mobilidade estudantil como estrat&eacute;gia de internacionaliza&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina</b></p>      <p><b>Undergraduate schools: student mobility as a strategy for internationalization in Latin America</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Alda Ara&uacute;jo Castro<sup>*</sup> &amp; Ant&ocirc;nio Cabral Neto<sup>**</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Professora do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o e do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em   Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.    <br>   <a href="mailto:alda@ufrnet.br">alda@ufrnet.br</a></p>     <p><sup>**</sup>Professor do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o e do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da   Universidade Federal do Rio Grande do Norte.    <br>   <a href="mailto:cabraln@ufrnet.br">cabraln@ufrnet.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre as atuais pol&iacute;ticas para o ensino superior, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o desponta como uma estrat&eacute;gia importante para a inser&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses no mundo globalizado quer seja pela perspectiva da solidariedade defendida pela UNESCO, quer seja pela tend&ecirc;ncia mercantilista propugnada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. Este artigo se debru&ccedil;a sobre essa tem&aacute;tica, analisando as principais caracter&iacute;sticas assumidas no processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior, com realce para a mobilidade estudantil, nas diversas regi&otilde;es do mundo, explicitando como a Am&eacute;rica Latina e o Brasil, em particular, se inserem nesse processo. O artigo foi elaborado com base em revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, an&aacute;lise documental e dados secund&aacute;rios. Os dados relativos &agrave; mobilidade estudantil foram disponibilizados pela UNESCO, nos Comp&ecirc;ndios Mundiais da Educa&ccedil;&atilde;o concernentes aos anos de 2006 a 2010, e se referem &agrave;s regi&otilde;es receptoras e &agrave;s que enviam estudantes para o estrangeiro. A an&aacute;lise dos dados permite concluir que as regi&otilde;es que mais recebem estudantes, em processo de mobilidade, s&atilde;o aquelas onde os pa&iacute;ses s&atilde;o mais desenvolvidos e melhor inseridos na nova divis&atilde;o mundial do trabalho. A Am&eacute;rica Latina se insere nesse processo de forma perif&eacute;rica sendo uma regi&atilde;o com baixa recep&ccedil;&atilde;o e elevado envio de estudantes para outras regi&otilde;es do mundo, em especial para a regi&atilde;o da Am&eacute;rica do Norte e da Europa Ocidental. Essa tend&ecirc;ncia, tamb&eacute;m, se confirma para o Brasil, embora esse pa&iacute;s se destaque com um dos melhores resultados no continente, tend&ecirc;ncia que se consolida, pois recentemente, o pa&iacute;s vem adotando estrat&eacute;gias para ampliar a sua inser&ccedil;&atilde;o no processo de mobilidade estudantil, mediante a implanta&ccedil;&atilde;o de programas e da cria&ccedil;&atilde;o de universidades p&uacute;blicas que visam &agrave; integra&ccedil;&atilde;o regional.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> pol&iacute;ticas educacionais; ensino superior; internacionaliza&ccedil;&atilde;o; mobilidade estudantil.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>Among the current policies for undergraduate   schools, internationalization   has emerged as an important   strategy for the integration of countries   in the globalized world either   from the perspective of solidarity, advocated   by UNESCO, either by mercantilist   trend, advocated by the World   Trade Organization. This article focuses   on this theme, analyzing the main   characteristics assumed in the process   of internationalization of undergraduate   schools, with emphasis on student   mobility in different regions of the   world, explaining how Latin America,   and Brazil in particular, falls within   that process. The article was based   on literature review, documentary   analysis and secondary data. The data   on student mobility was provided by   UNESCO, World Education Textbooks,   concerning the years 2006 to 2010,   and refer to the regions receiving and   sending students abroad. Data analysis   shows that the regions that receive   more students, in the process of mobility   are those where the countries are   more developed and better inserted in   the new global division of labor. Latin   America is part of this process as being   a peripheral area with poor reception   and high sending students to other   regions of the world, especially for the   region of North America and Western   Europe. This trend is also confirmed   for Brazil, although this country stands   with one of the best performers on the   continent, a trend that was consolidated,   as recently, Brazil has adopted   strategies to enhance their integration   through the implementation of programs   and the creation of public universities aimed at regional integration.</p>     <p> <b>Keywords:</b> undergraduate schools; internationalization; student mobility.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O processo de mudan&ccedil;a socioecon&ocirc;mico, cultural e tecnol&oacute;gico em desenvolvimento, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas em todo o planeta, criou novas necessidades formativas para os cidad&atilde;os que necessitam, cada vez mais, de n&iacute;veis elevados de educa&ccedil;&atilde;o para atuar no mundo globalizado, sem fronteiras e centrado no conhecimento. Nesse cen&aacute;rio, o ensino superior ganha relev&acirc;ncia como estrat&eacute;gia de inser&ccedil;&atilde;o das pessoas no mundo do trabalho e para o desenvolvimento da cidadania, imprimindo aos governos e aos organismos internacionais a formula&ccedil;&atilde;o de novas diretrizes nacionais e supranacionais para atender &agrave;s novas demandas contextuais, decorrentes desse processo de mudan&ccedil;as. Nessa nova din&acirc;mica, os organismos internacionais desempenham um papel relevante na media&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o dessas diretrizes que tendem a ser assumidas pelos governos nacionais, guardadas as especificidades pr&oacute;prias de cada regi&atilde;o ou pa&iacute;s, no intuito de consolidar uma vis&atilde;o hegem&ocirc;nica para o campo da educa&ccedil;&atilde;o superior. </p>     <p>Essas diretrizes, no seu conjunto, est&atilde;o em articula&ccedil;&atilde;o com as atuais tend&ecirc;ncias que se apresentam como central nos estudos e debates ocorridos no atual mundo globalizado, os quais p&otilde;em em evid&ecirc;ncia que a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior deve ser concebida de forma ampliada, porque compreende, al&eacute;m da coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, a inser&ccedil;&atilde;o de uma dimens&atilde;o internacional ou intercultural em todos os aspectos da educa&ccedil;&atilde;o e da pesquisa. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Prop&otilde;e-se neste artigo desenvolver uma an&aacute;lise sobre o processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior, situando-o no contexto das mudan&ccedil;as que se processam no cen&aacute;rio mundial e destacando o papel que os organismos multilaterais desempenham nessa din&acirc;mica. No segundo momento, elege-se, como fulcro da discuss&atilde;o, a mobilidade estudantil, considerada como uma das formas de materializa&ccedil;&atilde;o da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior, pondo em destaque como as regi&otilde;es e os pa&iacute;ses se inserem nesse processo. Procura-se, ainda, focar uma reflex&atilde;o sobre a inser&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina e, particularmente, do Brasil nessa din&acirc;mica da mobilidade estudantil. Para a realiza&ccedil;&atilde;o deste artigo, foram considerados, al&eacute;m da literatura sobre o tema, os principais documentos de ag&ecirc;ncias multilaterais de desenvolvimento e os dados disponibilizados pela UNESCO sobre a mobilidade estudantil,  nos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, referentes &agrave;s regi&otilde;es e aos pa&iacute;ses que recebem e enviam a maior quantidade de estudantes para &agrave;s diferentes regi&otilde;es do mundo. Essa discuss&atilde;o ganha relev&acirc;ncia na medida em que procura explicitar as din&acirc;micas pr&oacute;prias de um movimento combinado e desigual no processo de envio e recep&ccedil;&atilde;o de estudantes em processo de mobilidade acad&ecirc;mica, pondo em evid&ecirc;ncia como os se pa&iacute;ses inserem, de modo diferenciado, nessa trajet&oacute;ria. Procura-se argumentar que os pa&iacute;ses mais desenvolvidos assumem a hegemonia na recep&ccedil;&atilde;o de estudantes e, por isso, auferem mais vantagens educacionais, culturais e econ&ocirc;micas do que aqueles em fase de desenvolvimento. </p>     <p><b>1. Estrat&eacute;gias de internacionaliza&ccedil;&atilde;o para a educa&ccedil;&atilde;o superior: diretrizes e perspectivas </b></p>     <p>O processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno in&eacute;dito na hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o. Ele tem seu marco inicial, em 1945, na Europa e surge como uma necessidade da reconstru&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses destru&iacute;dos pela Segunda Guerra Mundial, objetivando oferecera assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica para o desenvolvimento com bases em acordos culturais e cient&iacute;ficos, mobilidade estudantil e bolsas de capacita&ccedil;&atilde;o (WIT, 2008). </p>     <p>No atual contexto marcado pelo aumento do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, pela necessidade de inser&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses na sociedade do conhecimento, pela redu&ccedil;&atilde;o de custos de forma&ccedil;&atilde;o e por um melhor aproveitamento da infraestrutura de comunica&ccedil;&atilde;o, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o no campo da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; reconfigurada para atender a esses novos requerimentos decorrentes das mudan&ccedil;as impressas pela din&acirc;mica social que se delineiam nos anos finais do s&eacute;culo XX e se aprofundam neste in&iacute;cio de s&eacute;culo. No contexto globalizado, a educa&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel superior, &agrave; medida que cumpre a fun&ccedil;&atilde;o de produtora e propagadora de conhecimentos, &eacute; vital para o crescimento tanto de pa&iacute;ses desenvolvidos quanto para aqueles em desenvolvimento. </p>     <p>É relevante considerar que, no atual cenário, a internacionalização emerge, mais uma vez, das instâncias econômicas e políticas e não do espaço universitário. A formação de blocos econômicos passou a exigir, também, um espaço comum de educação, onde fosse possível a livre circulação de serviços e capitais educacionais, criando, por conseguinte, a necessidade de compatibilizar as qualificações, os sistemas educativos e de desenvolver padrões educacionais equivalentes. </p>     <p>Entendida como um procedimento de inclus&atilde;o da dimens&atilde;o internacional da educa&ccedil;&atilde;o e da pesquisa, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; compreendida sob diferentes aspectos, como tamb&eacute;m &eacute; definida por uma m&uacute;ltipla terminologia, isto &eacute;, se apresenta com uma diversidade de termos, tais como: dimens&atilde;o internacional, educa&ccedil;&atilde;o internacional, internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior. Al&eacute;m da terminologia j&aacute; referida, ainda &eacute; poss&iacute;vel encontrar na literatura pertinente for-mas como: educa&ccedil;&atilde;o internacional, coopera&ccedil;&atilde;o internacional, educa&ccedil;&atilde;o transnacional, educa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das fronteiras, educa&ccedil;&atilde;o sem fronteiras. Contudo, a despeito da terminologia usada, o processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior, articulado ao processo de globaliza&ccedil;&atilde;o requer novas compet&ecirc;ncias de cunho internacional, criando, portanto, uma s&eacute;rie de demandas para as institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior. </p>     <p>Nessa perspectiva, Siufi (2007) indica atividades realizadas entre e por institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias, que, por interm&eacute;dio de m&uacute;ltiplas modalidades, implicam uma associa&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da pol&iacute;tica e da gest&atilde;o institucional e que impulsionam a internacionaliza&ccedil;&atilde;o, entre elas: a mobilidade e interc&acirc;mbio de estudantes e professores; a colabora&ccedil;&atilde;o para o ensino e a investiga&ccedil;&atilde;o; a qualidade acad&ecirc;mica; a coopera&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia para o desenvolvimento regional e institucional; o desenvolvimento curricular; a diversifica&ccedil;&atilde;o das fontes de ingressos e o aumento de transfer&ecirc;ncia do conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico. </p>     <p>Percebida como um conceito de grande magnitude, abrangendo, al&eacute;m da coopera&ccedil;&atilde;o internacional no sentido geogr&aacute;fico da atividade, altera&ccedil;&otilde;es internas nas organiza&ccedil;&otilde;es no que se referem aos programas de mobilidade de professores e alunos, &agrave;s franquias de cursos, educa&ccedil;&atilde;o <I>on line</I>, aos estudos internacionais, entre outros, criando, desse modo, novas demandas para as IES. A internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior configura-se, dessa forma, com uma das tend&ecirc;ncias que tem despertado um extraordin&aacute;rio interesse dos diversos pa&iacute;ses, notadamente a partir da d&eacute;cada de 1990, quando a educa&ccedil;&atilde;o em seus v&aacute;rios n&iacute;veis e modalidades passa a ser um servi&ccedil;o internacional poss&iacute;vel de ser comercializado como um bem de mercado. </p>     <p>1.1. As diretrizes para a internacionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino superior: a vis&atilde;o dos organismos internacionais </p>     <p>A concep&ccedil;&atilde;o de que o conhecimento &eacute; fundamental para o desenvolvimento das sociedades capitalistas na atualidade e a compreens&atilde;o de que uma forte economia baseada no conhecimento n&atilde;o reside, apenas, no acesso das pessoas &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m no grau em que elas conseguem processar essa informa&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m levado os pa&iacute;ses a repensar seus sistemas de ensino superior.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &ecirc;nfase atribu&iacute;da a esse n&iacute;vel de ensino para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses foi exaustivamente defendida na Confer&ecirc;ncia Mundial de Ensino Superior (CMES) organizada pela UNESCO e realizada em outubro de 1998 em Paris. A Confer&ecirc;ncia ressaltou  o papel e a fun&ccedil;&atilde;o desse n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o, buscando apreender a implica&ccedil;&atilde;o dos fatores externos que determinam a dinamicidade de sua transforma&ccedil;&atilde;o e, por conseguinte, a conforma&ccedil;&atilde;o do seu desenvolvimento. </p>     <p>A Declara&ccedil;&atilde;o Mundial sobre Educa&ccedil;&atilde;o Superior no S&eacute;culo XXI: Vis&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o (Paris, 1998) firmou, em suas orienta&ccedil;&otilde;es, o argumento de que uma educa&ccedil;&atilde;o superior desprovida de institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa adequadas, para formar a massa cr&iacute;tica de pessoas qualificadas e cultas, n&atilde;o poderia assegurar a nenhum pa&iacute;s um desenvolvimento end&oacute;geno genu&iacute;no e sustent&aacute;vel, tampouco poderia reduzir a disparidade que separa os pa&iacute;ses pobres e em desenvolvimento dos pa&iacute;ses desenvolvidos. &Eacute; reafirmado, tamb&eacute;m, nas diretrizes da Confer&ecirc;ncia, que, com as enormes dificuldades econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas que grassam os pa&iacute;ses em desenvolvimento e em transi&ccedil;&atilde;o, estes n&atilde;o teriam como vencer esse fosso com os seus pr&oacute;prios recursos, sendo necess&aacute;rio, portanto, a ajuda e o apoio internacional significativo. Abria-se, assim, um espa&ccedil;o privilegiado para intensificar a discuss&atilde;o acerca da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o superior, entendida como uma das formas para que os pa&iacute;ses em desenvolvimento possam enfrentar os desafios da globaliza&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Ainda nas orienta&ccedil;&otilde;es provenientes da referida Confer&ecirc;ncia, est&aacute; evidente a necessidade de compartilhar o conhecimento, de estabelecer a coopera&ccedil;&atilde;o internacional e o entendimento de que as novas tecnologias podem oferecer oportunidades diferenciadas para reduzir as disparidades regionais, devendo ser utilizadas pelos pa&iacute;ses em escala global. Com essa compreens&atilde;o, a UNESCO se comprometeu a desempenhar um papel decisivo na promo&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o internacional no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o superior, tendo, como refer&ecirc;ncia, a solidariedade, o reconhecimento e o apoio m&uacute;tuo, de modo que redundasse em benef&iacute;cio para todos os pa&iacute;ses, ressaltando, dessa forma, o car&aacute;ter de internacionaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas. </p>     <p>A orienta&ccedil;&atilde;o das diretrizes globais para o ensino superior, no marco da Confer&ecirc;ncia sobre Educa&ccedil;&atilde;o Superior no S&eacute;culo XXI (1998) evidencia que a dimens&atilde;o da internacionaliza&ccedil;&atilde;o deveria estar presente nos planos de estudo e nos processos de ensino e de aprendizagem, passando a ser inclu&iacute;da como tema priorit&aacute;rio das agendas governamentais. As argumenta&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pelos articuladores da Confer&ecirc;ncia sobre a internacionaliza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o em acordo com a defesa assumida pela UNESCO que visualiza, nesse fen&ocirc;meno, a possibilidade para promover a justi&ccedil;a e a equidade social. Nesse sentido, deve-se utilizar da coopera&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses para fomentar o bem-estar social e fortalecer as capacidades nacionais. Entende-se que as sociedades do conhecimento s&atilde;o sociedades em redes que propiciam uma melhor tomada de consci&ecirc;ncia dos problemas mundiais, gra&ccedil;as ao aproveitamento compartilhado da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica entre os pa&iacute;ses do Norte e do Sul. Nesse sentido, a cria&ccedil;&atilde;o de redes nos centros de conhecimento e o aproveitamento comum da informa&ccedil;&atilde;o pertinente pela comunidade acad&ecirc;mica e cient&iacute;fica devem abrir novas perspectivas no &acirc;mbito p&uacute;blico do conhecimento. </p>     <p>A coopera&ccedil;&atilde;o internacional, pela via interinstitucional, caracteriza-se, segundo Stallivieri (2004), por se fundamentar-se em condi&ccedil;&otilde;es que, se levadas a cabo, resultariam em uma real coopera&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, em benef&iacute;cios entre os parceiros. Assim, considera condi&ccedil;&otilde;es relevantes nesse processo o reconhecimento dos atores que protagonizam a coopera&ccedil;&atilde;o, o seu comprometimento com os modos de coopera&ccedil;&atilde;o, o efetivo planejamento no intuito de precisar os objetivos, as atividades, os prazos de execu&ccedil;&atilde;o, os quais dever&atilde;o ser rigorosamente cumpridos, al&eacute;m do processo de avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es propostas e implementadas. </p>     <p>Na atualidade, h&aacute; uma mudan&ccedil;a substancial no conceito de coopera&ccedil;&atilde;o internacional, entendido, inicialmente, como uma fonte de financiamento externa, e, hoje, assume uma caracter&iacute;stica mais ampliada, em que a coopera&ccedil;&atilde;o deve se converter em um instrumento para a internacionaliza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de educa&ccedil;&atilde;o superior, com pol&iacute;ticas mais ativas, incluindo tem&aacute;ticas e prioridades regionais. E isso faz com que ela seja, cada vez mais, considerada como um meio para o desenvolvimento institucional, envolvendo atividades conjuntas entre as universidades, configurando-se com uma integra&ccedil;&atilde;o com fins m&uacute;tuos. </p>     <p>Essa defesa, tamb&eacute;m, &eacute; encontrada nos documentos da UNESCO (1998, 2009), preconizando que a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior n&atilde;o deve se resumir, apenas, &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o internacional estabelecida entre os pa&iacute;ses que perseguem um benef&iacute;cio comum e que n&atilde;o conseguiriam de forma isolada atingir esse objetivo. Ela deve ser vista, sobremaneira, como a inser&ccedil;&atilde;o de uma dimens&atilde;o internacional ou intercultural em todos os aspectos da educa&ccedil;&atilde;o e da pesquisa. Essa concep&ccedil;&atilde;o &eacute; adotada, em geral, pela UNESCO, uma vez que compreende um processo transformador no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o superior, possibilitando, dessa forma, o enfrentamento das quest&otilde;es propostas por uma conjuntura pol&iacute;tica e socioecon&ocirc;mica complexa. </p>     <p>Essa concep&ccedil;&atilde;o de internacionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; ratificada, posteriormente, pela Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Ensino Superior, intitulada &ldquo;As novas din&acirc;micas do ensino superior e pesquisas para a mudan&ccedil;a e o desenvolvimento social&rdquo;, realizada pela UNESCO, em 2009, em Paris. No item intitulado &ldquo;Internacionaliza&ccedil;&atilde;o, Regionaliza&ccedil;&atilde;o e Globaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, reafirma que a Coopera&ccedil;&atilde;o internacional na educa&ccedil;&atilde;o superior deve ser baseada na solidariedade, no respeito m&uacute;tuo, na promo&ccedil;&atilde;o de valores human&iacute;sticos e no di&aacute;logo intercultural. Encontra-se, no documento, o argumento de que as institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior ao redor do mundo t&ecirc;m uma responsabilidade social de ajudar no desenvolvimento, por meio da crescente transfer&ecirc;ncia de conhecimentos cruzando fronteiras, e trabalhando para encontrar solu&ccedil;&otilde;es comuns visando promover a circula&ccedil;&atilde;o do saber. Como sugest&atilde;o para esse enfrentamento, indica a forma&ccedil;&atilde;o de redes de universidades internacionais, as parcerias para pesquisa, e o interc&acirc;mbio de estudantes e profissionais. </p>     <p>A internacionaliza&ccedil;&atilde;o, ainda em constru&ccedil;&atilde;o, no campo educacional, &eacute; um processo complexo por se inserir em um amplo contexto das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e, portanto, sem uma clara defini&ccedil;&atilde;o de seus objetivos. No atual cen&aacute;rio de globaliza&ccedil;&atilde;o, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m aparece com uma nova perspectiva, ou seja, o entendimento de que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um servi&ccedil;o, e deve ser vista como uma mercadoria, devendo ser regulada pelo mercado, o que leva a educa&ccedil;&atilde;o a perder a sua dimens&atilde;o de direito humano, portanto, universal e de responsabilidade do Estado. </p>     <p>Essa vis&atilde;o &eacute; defendida pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Com&eacute;rcio (OMC) que, em 1995, no &acirc;mbito do Acordo Geral de Com&eacute;rcio de Servi&ccedil;os, apresentou uma proposta de inclus&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o como servi&ccedil;os. Segundo Silva, Gonzalez e Brugier (2008), foram estabelecidos pela OMC quatro campos em que se poderiam proceder &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os educacionais: a) oferta transfronteiri&ccedil;a &ndash; quando o servi&ccedil;o cruza a fronteira, saindo de um pa&iacute;s para ser consumido em outro. Nessa categoria, estariam programas de forma&ccedil;&atilde;o ou capacita&ccedil;&atilde;o organizados, na forma presencial ou a dist&acirc;ncia, e a implanta&ccedil;&atilde;o de sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o, etc.; b) consumo no exterior - situa&ccedil;&atilde;o em que o consumidor cruza a fronteira, representando a forma mais comum de com&eacute;rcio na educa&ccedil;&atilde;o, incluindo a migra&ccedil;&atilde;o de estudantes, professores, pesquisadores, interessados em participar de cursos de curta ou longa dura&ccedil;&atilde;o, cursos a dist&acirc;ncia e franquias de cursos; c) presen&ccedil;a comercial &ndash; caso em que o fornecedor cruza a fronteira estabelecendo-se e investindo em pa&iacute;s estrangeiro. Isso acontece quando as universidades criam cursos ou institui&ccedil;&otilde;es em pa&iacute;ses estrangeiros; e d) movimento tempor&aacute;rio de pessoas f&iacute;sicas &ndash; quando o fornecedor cruza a fronteira na forma de um deslocamento de pessoas f&iacute;sicas, configurando-se como o deslocamento de professores e outros profissionais da &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o, na condi&ccedil;&atilde;o de palestrantes, professor visitante, pesquisador e consultor. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As determina&ccedil;&otilde;es da OMC preveem a exclus&atilde;o de alguns servi&ccedil;os da negocia&ccedil;&atilde;o, desde que esses sejam servi&ccedil;os prestados exclusivamente pelo poder governamental, de forma n&atilde;o comercial e que n&atilde;o existam concorrentes entre os provedores. Essa prerrogativa afasta a educa&ccedil;&atilde;o dessa categoria uma vez que em todos os sistemas educativos do mundo coexistem escolas p&uacute;blicas e privadas. Na sua &oacute;tica, a educa&ccedil;&atilde;o seria dividida em cinco categorias de servi&ccedil;o: educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, secund&aacute;ria, superior, educa&ccedil;&atilde;o de adultos e outros servi&ccedil;os, estes entendidos como qualquer servi&ccedil;o educacional, excluindo as atividades de lazer que comporiam outro setor de servi&ccedil;o. A internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior configura-se, dessa forma, com uma das tend&ecirc;ncias que tem despertado um extraordin&aacute;rio interesse dos diversos pa&iacute;ses na d&eacute;cada de 1990, porque, nessa din&acirc;mica, a educa&ccedil;&atilde;o, em seus v&aacute;rios n&iacute;veis e modalidades, passa a ser considerada um servi&ccedil;o internacional poss&iacute;vel de ser comercializado como um bem de mercado. </p>     <p>A Comunidade Europeia com vista a sua inser&ccedil;&atilde;o nesse processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, e, vislumbrando o rent&aacute;vel com&eacute;rcio que poderia advir dos servi&ccedil;os educacionais, empreendeu uma iniciativa pioneira no sentido de criar um espa&ccedil;o educacional comum e revitalizar a educa&ccedil;&atilde;o superior. Dessa forma, os ministros de Educa&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a, Alemanha, It&aacute;lia e Reino Unido, reunidos no ano de 1998, em Paris, tendo, como pressuposto, o atendimento aos requisitos de uma sociedade em mudan&ccedil;a, assinaram a &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o de Sorbonne&rdquo;, momento em que j&aacute; se projetava a constru&ccedil;&atilde;o de um Espa&ccedil;o Europeu de Ensino Superior. </p>     <p>Em 1999, outro importante documento &ndash; a &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o de Bolonha&rdquo; &ndash; &eacute; assinada por 29 ministros de educa&ccedil;&atilde;o europeus (45 estados europeus, em 2010, j&aacute; haviam subscrito esse documento), visando &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o, at&eacute; 2010, do Espa&ccedil;o Europeu de Ensino Superior (EEES). A Declara&ccedil;&atilde;o de Bolonha apresentava o objetivo claro de estabelecer um Espa&ccedil;o Europeu de Ensino Superior que fosse coerente, compat&iacute;vel, competitivo e atrativo para estudantes europeus e de pa&iacute;ses de outras regi&otilde;es do mundo. Essa &eacute; uma estrat&eacute;gia da globaliza&ccedil;&atilde;o que est&aacute; focalizada nos movimentos de capitais, na informa&ccedil;&atilde;o, na tecnologia e que, agora, se expande para a mobilidade de recursos humanos especialmente de alta qualifica&ccedil;&atilde;o, demarcando uma transfer&ecirc;ncia internacional de conhecimentos e tecnologias. </p>     <p>O modo como foi instituido o Processo de Bolonha representa, segundo An-tunes (2009), uma forma inovadora de fazer pol&iacute;ticas educativas, em que os governos definem os compromissos em f&oacute;runs supranacionais, ratificados pelas instituic&otilde;es nacionais, que, em car&aacute;ter volunt&aacute;rio, d&atilde;o ades&atilde;o leg&iacute;tima &agrave; aus&ecirc;ncia de processos institucionalizados. O Processo de Bolonha visa aumentar a produtividade e a atratividade dos pa&iacute;ses europeus no campo educacional, associando a isso pr&aacute;ticas de aprendizagem cont&iacute;nua e asupera&ccedil;&atilde;o de entraves burocr&aacute;ticos. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que as reflex&otilde;es e avalia&ccedil;&otilde;es em torno dos processos ora implementados na Europa com o intuito de expandir e dar maior qualidade &agrave; educa&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel superior, t&ecirc;m colocado como prioridade o car&aacute;ter econ&ocirc;mico dessas iniciativas. </p>     <p>Dessa forma, pode-se dizer que tem prevalecido, no atual momento do processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, a perspectiva da OMC que v&ecirc;, na internacionaliza&ccedil;&atilde;o, a possibilidade de mercadoriza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, embora se encontre nos documentos da UNESCO uma abordagem que evidencia uma dimens&atilde;o de justi&ccedil;a e equidade social. </p>     <p><b>2. A mobilidade estudantil como estrat&eacute;gia de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior </b></p>     <p>A mobilidade estudantil n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno novo no campo educacional, considerando que, desde a idade m&eacute;dia, as popula&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias eram bastante m&oacute;veis, pois, segundo Charle e Verger (1996), naquela &eacute;poca, em tese, nenhuma fronteira se opunha &agrave; circula&ccedil;&atilde;o dos homens tampouco &agrave; validade universal dos diplomas conquistados. No entanto, esse processo n&atilde;o englobava da mesma forma todas as universidades, ficando restrito &agrave;s grandes universidades como Paris e Bolonha, pois eram as mais atrativas para os estudantes de diferentes localidades, tanto culturalmente, como por possu&iacute;rem uma infraestrutura mais organizada do que as universidades de menor porte. </p>     <p>Embora a mobilidade estudantil n&atilde;o seja um fen&ocirc;meno novo, ela &eacute; completamente reestruturada na contemporaneidade em decorr&ecirc;ncia do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o e das atuais estrat&eacute;gias de internacionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino superior. A mobilidade como fen&ocirc;meno envolve, hoje, uma s&eacute;rie de fatores e processos que est&atilde;o na base do sistema produtivo e no cotidiano das pessoas, englobando todo o sistema de transporte, a gest&atilde;o desses espa&ccedil;os, as intera&ccedil;&otilde;es espaciais at&eacute; as din&acirc;micas geogr&aacute;ficas espec&iacute;ficas. A mobilidade n&atilde;o envolve, apenas, o movimento de deslocamento; ela &eacute; muito mais ampla, pois &eacute; social e envolve estruturas, meios, culturas e significados. </p>     <p>Lima e Maranh&atilde;o (2009) assinalam que o fen&ocirc;meno da internacionaliza&ccedil;&atilde;o no setor educacional ocorre de duas formas: pela internacionaliza&ccedil;&atilde;o ativa &ndash; quando os pa&iacute;ses mant&ecirc;m pol&iacute;ticas de Estado voltadas para atra&ccedil;&atilde;o e acolhimento acad&ecirc;mico, oferecem servi&ccedil;os educacionais no exterior, abrangendo mobilidade de <I>experts </I>em &aacute;reas de interesse estrat&eacute;gico, exporta programas e instalam <I>campi </I>no exterior; e pela internacionaliza&ccedil;&atilde;o passiva &ndash; que se caracteriza pela inexist&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica criteriosa para envio dos estudantes para o exterior e que os pa&iacute;ses possuem pouca capacidade instalada (recursos materiais e humanos) para o acolhimento e a oferta de servi&ccedil;os educacionais. </p>     <p>A forma como as regi&otilde;es e os pa&iacute;ses se inserem no cen&aacute;rio mundial considerando a sua import&acirc;ncia pol&iacute;tica, desenvolvimento econ&ocirc;mico, cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico influencia o processo de receptividade dos alunos em mobilidade estudantil. A Tabela1 permite visualizar a distribui&ccedil;&atilde;o de alunos em mobilidade nas diferentes regi&otilde;es do mundo, em uma s&eacute;rie hist&oacute;rica de 2004-2008. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="t1"></a><a href="#topt1">Tabela 1</a> - Distribui&ccedil;&atilde;o dos estudantes internacionais por regi&atilde;o de  recep&ccedil;&atilde;o &laquo;&laquo;</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a05t1.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os dados da Tabela 1 indicam que a regi&atilde;o que mais recebeu estudantes em mobilidade (2004-2008) foi a Regi&atilde;o da Am&eacute;rica do Norte e Europa Ocidental, considerando que, no ano de 2004, concentravam mais da metade dos estudantes (69,4%) que estavam em programas de mobilidade estudantil, que era da ordem de 2.455.260. Essa situa&ccedil;&atilde;o de preval&ecirc;ncia se verifica em todos os outros anos analisados (2005, 2006, 2007 e 2008) de modo que no per&iacute;odo se verifica um aumento de 8,1% de estudantes em processo de mobilidade estudantil. No ano de 2008, essa regi&atilde;o detinha 62,1% do total de alunos em mobilidade estudantil que era de 2.965.840. Verifica-se, todavia, que, embora tenha aumentado o n&uacute;mero de alunos em mobilidade nessa regi&atilde;o, ela reduziu a sua participa&ccedil;&atilde;o no computo geral, visto que, no ano de 2004, ela abrangia 69,4% dos alunos e, no ano de 2008, passa a deter 62,1% desse contingente, significando que ela (regi&atilde;o) vem perdendo espa&ccedil;o no conjunto das demais regi&otilde;es aqui consideradas. </p>     <p>A segunda regi&atilde;o que aparece como maior receptora de estudantes &eacute; a &Aacute;sia do Leste e Pac&iacute;fico que recebeu, em 2004, a quantidade de 379.919; esse n&uacute;mero cresce nos anos subsequentes chegando em 2008 com um total de 559.236, representando um crescimento de 47,2% no per&iacute;odo considerado e, no ano de 2008, representava 18,9% do total em rela&ccedil;&atilde;o ao conjunto das regi&otilde;es, superior, portanto, ao percentual de 2004, que era de 15,5%. Os pa&iacute;ses dessa regi&atilde;o t&ecirc;m, em comum, um acelerado processo de crescimento econ&ocirc;mico, nem sempre acompanhado por um sistema consolidado de educa&ccedil;&atilde;o superior, precisando, portanto, de buscar conhecimentos de ponta em outros pa&iacute;ses mais desenvolvidos. O fato de a educa&ccedil;&atilde;o ser reconhecida como principal for&ccedil;a produtiva tem despertado, em pa&iacute;ses em desenvolvimento, a procura por conhecimento em centros e universidades mais desenvolvidas, em pa&iacute;ses que det&ecirc;m alto grau de tecnologia. </p>     <p>Embora as regi&otilde;es se insiram de forma diferenciada no processo de mobilidade estudantil, observa-se, conforme os dados da <a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a>, que h&aacute; um crescimento significativo do n&uacute;mero de alunos nessa condi&ccedil;&atilde;o, no per&iacute;odo de 2004 a 2008. O n&uacute;mero de alunos em processo de mobilidade cresceu de forma significativa entre 2004 e 2008, nas outras regi&otilde;es, assumindo o seguinte desenho: os Estados &Aacute;rabes crescem 114,2%, a Europa Central e Oriental 36,2%, a &Aacute;sia Central 51,3%, a &Aacute;sia do Leste e Pac&iacute;fico 47,2% a Am&eacute;rica Latina e Caribe 58,0%, a Am&eacute;rica do Norte e Europa Ocidental 8,1%, a &Aacute;sia do Sul e Oeste 42,2%, &Aacute;frica Subsariana 20,8%. </p>     <p>Como se observa, embora, a Am&eacute;rica do Norte e a Europa Ocidental tenham crescido em propor&ccedil;&atilde;o menor do que as outras regi&otilde;es, ainda det&ecirc;m a hegemonia na recep&ccedil;&atilde;o de estudantes em processo de mobilidade. Essas altera&ccedil;&otilde;es no quadro de mobilidade estudantil podem ser explicadas, dentre outros fatores, pela decis&atilde;o de outros pa&iacute;ses em conceber pol&iacute;ticas de capta&ccedil;&atilde;o de estudantes, pela necessidade de integra&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es em processo de desenvolvimento ao cen&aacute;rio mundial, pela necessidade de forma&ccedil;&atilde;o de c&eacute;rebros e pela ascens&atilde;o de novas regi&otilde;es no cen&aacute;rio econ&ocirc;mico mundial. </p>     <p>O processo de mobilidade estudantil gera dividendos econ&ocirc;micos, uma vez que a atra&ccedil;&atilde;o dos estudantes internacionais tamb&eacute;m pode ser entendida como um com&eacute;rcio que gera divisas para os pa&iacute;ses que os recebem. Essas divisas s&atilde;o extremamente variadas, compreendendo as taxas de inscri&ccedil;&otilde;es e anuidades que os estudantes t&ecirc;m que pagar nos pa&iacute;ses receptores, despesas com transporte, habita&ccedil;&atilde;o, alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e lazer que s&atilde;o custeadas ou por suas fam&iacute;lias ou por bolsas de estudos, na maioria das vezes, provenientes dos pa&iacute;ses de origem desses estudantes. </p>     <p>Para Ianni (2005), com a crescente valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento, o Estado, as empresas e as fam&iacute;lias passam a valorizar os centros acad&ecirc;micos que fomentam pesquisas e formam profissionais cosmopolitas com elevadas chances de sucesso profissional. Segundo Aur&eacute;lie Filippetti (2007, cit. por Lima e Maranh&atilde;o, 2009), os pa&iacute;ses reconhecidos pelo poder de atra&ccedil;&atilde;o e acolhimento acad&ecirc;mico de estudantes, al&eacute;m de capitalizar recursos financeiros diretos e indiretos, t&ecirc;m, ainda, como vantagens: a) contribuir para ampliar a rede mundial de influ&ecirc;ncia cultural e pol&iacute;tica; b) selecionar os melhores c&eacute;rebros; c) beneficiar-se de m&atilde;o de obra especializada; d) promover transfer&ecirc;ncia de tecnologia; e) criar um ambiente de aprendizagem multicultural; e f) enfrentar a imigra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o controlada. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa din&acirc;mica refor&ccedil;a a primazia de regi&otilde;es desenvolvidas, aumentado os desequil&iacute;brios entre os pa&iacute;ses que se inserem, perifericamente, na nova divis&atilde;o do trabalho. Essa situa&ccedil;&atilde;o pode ser constatada, tamb&eacute;m, nos dados apresentados na <a href="#t1">Tabela 1</a>, porque, embora se evidencie um crescimento da mobilidade estudantil em todas as regi&otilde;es do mundo, aquelas menos desenvolvidas se inserem nesse processo, de forma perif&eacute;rica, principalmente, no que concerne ao acolhimento de estudantes. </p>     <p>É possível ainda identificar que essa assimetria ocorre, também, dentro das próprias regiões. A economia global, para Castells (2001), caracteriza-se por sua interdependência, assimetria, regionalização, crescente diversificação dentro de cada região, inclusão seletiva, segmentação excludente. Portanto é possível identificar que, mesmo dentro das regiões mais desenvolvidas, alguns países se destacam pelo número de acolhimento para estudantes estrangeiros e são destinos escolhidos pela maioria de estudantes, como é possível constatar através de dados computados no ano de 2008. A Tabela 2 permite visualizar quais os seis países que mais enviam estudantes ao estrangeiro e quais são os destinos escolhidos pelos estudantes. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 2 - Distribui&ccedil;&atilde;o internacional dos estudantes por pa&iacute;s de origem e de acolhimento - 2008</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a05t2.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A Tabela 2 cont&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es sobre o processo de mobilidade estudantil (origem e recep&ccedil;&atilde;o) em seis pa&iacute;ses que possu&iacute;am mais de 50.000 alunos inclu&iacute;dos nesse processo, no ano de 2008, e revela, tamb&eacute;m, os 05 principais pa&iacute;ses de destino desses estudantes. Os dados mostram que os Estados Unidos despontam, dentre os pa&iacute;ses considerados, como aquele de maior recep&ccedil;&atilde;o de alunos, acolhendo 110.246 estudantes da China, 94.664 da &Iacute;ndia, 69.198 da Cor&eacute;ia e 50.380 do Jap&atilde;o. No entanto, esse pa&iacute;s (EUA) envia um n&uacute;mero reduzido de estudantes para destinos internacionais, e seus alunos escolhem, nesse processo, por ordem de prioridade, o Reino Unido, o Canad&aacute;, a Fran&ccedil;a, a Austr&aacute;lia e a Alemanha, pa&iacute;ses esses que concentram uma grande capacidade de tecnologia, de capital, de mercados e produ&ccedil;&atilde;o industrial. Ademais, s&atilde;o pa&iacute;ses que investem na capacidade instalada para acolhimento de alunos, oferecem uma infraestrutura para receb&ecirc;-los e a maioria desses pa&iacute;ses permite, tamb&eacute;m, que os estudantes trabalhem 20 horas por semana. Al&eacute;m do mais, os Estados Unidos, por possu&iacute;rem um sistema educacional bastante consolidado e desenvolvido, com alta tecnologia e capacidade instalada de pesquisa, n&atilde;o investem, de forma mais intensa, no processo de mobilidade externa; as universidades americanas s&atilde;o as respons&aacute;veis pela pr&oacute;pria capta&ccedil;&atilde;o desse estudante internamente. </p>     <p>A China se destaca como o pa&iacute;s que mais envia estudantes ao estrangeiro (441.186), em segundo lugar, a &Iacute;ndia (170.256); e em terceiro, a Rep&uacute;blica da Cor&eacute;ia (112.588). Essa grande mobilidade poderia ser explicada pela posi&ccedil;&atilde;o que a regi&atilde;o da &Aacute;sia, principalmente a &Aacute;sia Oriental vem ocupando na nova conjuntura mundial. Para Castells (2001), a mudan&ccedil;a dos modelos na divis&atilde;o internacional do trabalho, na economia informacional e global propiciou o surgimento de uma economia semi-integrada, na regi&atilde;o do pac&iacute;fico Asi&aacute;tico, que se tornou um importante centro de acumula&ccedil;&atilde;o de capital mundial. Para o autor, pode-se afirmar que a ind&uacute;stria da Regi&atilde;o da &Aacute;sia desenvolvida ser&aacute; particularmente significativa em eletr&ocirc;nica, setor decisivo para a economia informacional, e, tamb&eacute;m, poder&aacute; assumir a lideran&ccedil;a em fabrica&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis, o que demandaria a forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra qualificada e altamente especializada. Esse movimento pode se constituir em uma das explica&ccedil;&otilde;es plaus&iacute;veis para o grande investimento na mobilidade estudantil, tanto para outras regi&otilde;es como tamb&eacute;m, para pa&iacute;ses dentro da pr&oacute;pria regi&atilde;o. Argumenta-se, ainda, que a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais, nos grandes centros desenvolvidos e com alto padr&atilde;o de tecnologia, seria fundamental para a economia da Regi&atilde;o, impulsionando, desse modo, o processo de mobilidade estudantil. </p>     <p>O Reino Unido aparece, tamb&eacute;m, entre o destino favorito dos estudantes para mobilidade estudantil, por&eacute;m com uma quantidade bem abaixo da m&eacute;dia dos Estados Unidos. &Eacute; escolhido como segundo destino dos estudantes provenientes da Alemanha e do Jap&atilde;o, terceiro destino dos estudantes indianos e quarto destino dos estudantes chineses e coreanos. Outros pa&iacute;ses europeus &ndash; a &Aacute;ustria, a Fran&ccedil;a, os Pa&iacute;ses Baixos, a Su&iacute;&ccedil;a e a Alemanha &ndash;tamb&eacute;m se encontram nas escolhas dos estudantes, mas de forma muito perif&eacute;rica. </p>     <p>Dos pa&iacute;ses europeus, apenas a Alemanha aparece com mais de 50.000 estudantes (83.524) em mobilidade estudantil, no entanto se verifica que a sua grande mobilidade permanece no continente europeu, com o envio de, apenas, 8.917 estudantes para os EUA.  O fato de os outros pa&iacute;ses europeus n&atilde;o aparecerem no quadro de maiores emissores e nem de maiores receptores mundiais de estudantes, tornou-se uma preocupa&ccedil;&atilde;o da Comunidade Europeia que, para a supera&ccedil;&atilde;o dessa defasagem, tomou algumas iniciativas com base em acordos multilaterais, objetivando criar condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para influenciar a dire&ccedil;&atilde;o, o conte&uacute;do e os efeitos das din&acirc;micas da globaliza&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As organiza&ccedil;&otilde;es regionais constituem-se, dessa forma, como inst&acirc;ncias de media&ccedil;&atilde;o que criam, modelam, filtram e veiculam os processos que s&atilde;o mais convenientes ao desenvolvimento do capital. Para ingressar nesse cen&aacute;rio competitivo, a Uni&atilde;o Europeia sentiu a necessidade de reestruturar a educa&ccedil;&atilde;o superior em face da exig&ecirc;ncia de integra&ccedil;&atilde;o dessas institui&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, ao novo projeto econ&ocirc;mico e desafiador, imposto, especialmente, pelos Estados Unidos e Jap&atilde;o, com suas redes tecnol&oacute;gicas sofisticadas que d&atilde;o base &agrave; economia mundial. Uma das primeiras iniciativas para criar um espa&ccedil;o educacional comum e revitalizar a educa&ccedil;&atilde;o superior foi o Processo de Bolonha (1999), no qual &eacute; evidenciada a mobilidade estudantil como uma estrat&eacute;gia vi&aacute;vel para tornar os pa&iacute;ses europeus mais competitivos e assim, atrair estudantes de outras regi&otilde;es do planeta. </p>     <p>Nesse sentido, na expectativa de amplia&ccedil;&atilde;o dos objetivos da pol&iacute;tica comunit&aacute;ria, o Processo de Bolonha, tinha, como prioridade, a constru&ccedil;&atilde;o de um Espa&ccedil;o Europeu do Ensino Superior que se apresentasse conexo, competitivo e com poder de atrair docentes e discentes europeus e dos demais pa&iacute;ses, de forma, a promover a mobilidade destes, assim como a empregabilidade de diplomados. Na reuni&atilde;o de Bergen (2005), que teve como objetivo fazer um balan&ccedil;o do que se conseguiu durante cinco anos de institu&iacute;do, o Processo de Bolonha foi reafirmado que o Espa&ccedil;o Europeu de Educa&ccedil;&atilde;o deveria ser aberto e atrativo para outras partes do mundo, estimulando o interc&acirc;mbio equilibrado entre estudantes, profissionais e institui&ccedil;&otilde;es. Dentre as principais estrat&eacute;gias para viabilizar a realiza&ccedil;&atilde;o de um mercado europeu de educa&ccedil;&atilde;o competitivo, foram implementados o Programa Erasmus Mundus, a Pol&iacute;tica de Vizinhan&ccedil;a, as negocia&ccedil;&otilde;es do Acordo Geral sobre Servi&ccedil;os (GATS) da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do com&eacute;rcio (OMC), mobiliza&ccedil;&atilde;o de antigos acordos coloniais para alinhar esses com o mercado da Europa, (Robertson, 2009) e, com isso, incentivar a mobilidade estudantil. </p>     <p>Observa-se no momento atual, que a mobilidade estudantil, cada vez mais, se consolida como uma importante estrat&eacute;gia de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, e, por isso, vem sendo estimulada mundialmente, principalmente por pa&iacute;ses com maior capacidade tecnol&oacute;gica e com condi&ccedil;&otilde;es de criar estruturas de acolhimento para os estudantes, e isso, consequentemente, se reveste em divisas econ&ocirc;micas e culturais para os pa&iacute;ses que os acolhem. </p>     <p><b>3. Mobilidade estudantil na Am&eacute;rica Latina: cen&aacute;rios, limites    e possibilidades</b></p>     <p>O paradigma competitivo baseado na capacidade tecnol&oacute;gica, embora promova a interdepend&ecirc;ncia na nova economia global, refor&ccedil;a, ao mesmo tempo, a depend&ecirc;ncia em uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica que, no geral, fortalece os padr&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o criados por formas anteriores de depend&ecirc;ncia ao longo da hist&oacute;ria. A inser&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina no processo de desenvolvimento, segundo Castells (2001), compreendeu tr&ecirc;s modelos, todos eles imbricados. O primeiro modelo baseava-se em exporta&ccedil;&otilde;es de mat&eacute;rias-primas e produtos agr&iacute;colas, representando um interc&acirc;mbio desigual, porque trocavam-se <I>commodities </I>prim&aacute;rias por produtos industrializados; o segundo modelo tinha por base a industrializa&ccedil;&atilde;o em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; importa&ccedil;&atilde;o; e o terceiro modelo era fundamentado em uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento voltado para o exterior, usando vantagens comparativas em termos de custos para conquistar fatias do mercado na economia global. No entanto, nenhum desses modelos, conforme o autor, foi suficiente para colocar a economia da Am&eacute;rica Latina em destaque no cen&aacute;rio mundial, </b>o que lhe imp&otilde;e uma posi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras economias mundiais. </p>     <p>Essa situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia se expressa, tamb&eacute;m, no campo educacional, fazendo com que a Am&eacute;rica Latina se insira no processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino superior de forma perif&eacute;rica, com repercuss&otilde;es na mobilidade estudantil. Outros fatores t&ecirc;m contribu&iacute;do para isso, entre eles: a Am&eacute;rica Latina n&atilde;o &eacute; uma regi&atilde;o com uma hist&oacute;ria de grande mobilidade, j&aacute; que possui um espa&ccedil;o geogr&aacute;fico extenso, um menor desenvolvimento econ&ocirc;mico e tecnol&oacute;gico e pouca tradi&ccedil;&atilde;o de integra&ccedil;&atilde;o. Esses fatores repercutem nas suas institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias que apresentam baixo grau de competitividade, quando comparadas com as grandes universidades de regi&otilde;es desenvolvidas do mundo. Embora a Regi&atilde;o abrigue universidades bem pontuadas na classifica&ccedil;&atilde;o internacional (Academic Ranking of World Universities, 2007<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a>), elas constituem um n&uacute;mero bastante reduzido. Em um ranking de 500 universidades avaliadas no mundo, apenas 07 universidades latino-americanas est&atilde;o classificadas entre as 500 primeiras. S&atilde;o elas: no Brasil, a Universidade de S&atilde;o Paulo (128&ordm;), a Universidade Estadual de Campinas (304&ordm;), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (338&ordm;), Universidade Estadual Paulista (449&ordm;), a Universidade Federal de Minas Gerais (453&ordm;);no M&eacute;xico, a Universidade Nacional Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico (128&ordf;); e no Chile: Pontif&iacute;cia Universidade do Chile (401&ordm;), e a Universidade do Chile (448&ordm;). </p>     <p>Mesmo considerando esse grupo de universidades bem conceituadas, o que predomina na regi&atilde;o s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es com pouca tradi&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica e capacidade de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica limitada, o que deve contribuir para a pouca capacidade de atra&ccedil;&atilde;o de estudantes. Segundo Lima e Maranh&atilde;o (2009, p. 601), isso acontece porque, </p>     <blockquote>       <p>O sistema de educa&ccedil;&atilde;o superior ainda n&atilde;o alcan&ccedil;ou a maturidade e que os pa&iacute;ses ainda n&atilde;o disp&otilde;em de pol&iacute;tica capaz de estimular a internacionaliza&ccedil;&atilde;o ativa. Governos e institui&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses da regi&atilde;o parecem mais desafiados a criar condi&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o aut&oacute;ctone. Al&eacute;m disso, historicamente, as iniciativas ligadas &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o predominantemente estabelecidas com os pa&iacute;ses hegem&ocirc;nicos e tradicionalmente associados &agrave; emerg&ecirc;ncia/amadurecimento da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o <I>stricto sensu</I>.</p></blockquote>      <p>Embora, nos &uacute;ltimos anos, alguns pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina tenham procurado se inserir no contexto global de forma mais din&acirc;mica, apresentando um grande aumento na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, expressa em n&uacute;mero de patentes, artigos cient&iacute;ficos e na expans&atilde;o do sistema de ensino superior, por exemplo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados sobre a mobilidade estudantil na Am&eacute;rica Latina, referente ao acolhimento de estudantes, s&atilde;o expressivos da pouca inser&ccedil;&atilde;o, dessa regi&atilde;o, no processo global de mobilidade. </p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; recep&ccedil;&atilde;o de estudantes por pa&iacute;ses latino-americanos, os  dados s&atilde;o escassos e n&atilde;o permitem uma an&aacute;lise mais detalhada da mobilidade na regi&atilde;o.  Os dados sistematizados na Tabela 3 evidenciam que, no ano de 2004, Cuba, com 13.705 estudantes, desponta como a grande  receptora de alunos provenientes de outros pa&iacute;ses. O acolhimento de alunos por esse pa&iacute;s cresceu de  forma substancial chegando, no ano de 2008, ao patamar de 30.961 estudantes, o que representa um crescimento no  per&iacute;odo (2004-2008) de 125,9%. Ao analisar a situa&ccedil;&atilde;o de Cuba nesse processo de mobilidade,  pode-se inferir que essa prefer&ecirc;ncia pode estar relacionada com o desejo de os estudantes conhecerem uma  cultura diferente, configurada por uma sociedade de princ&iacute;pios socialistas e que, ainda hoje, desperta  interesse no mundo. Outro fator que contribui para a capacidade de acolhimento de estudantes, por esse Pa&iacute;s  foram os investimentos realizados para consolidar um sistema de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica  de qualidade, o que tem influenciado na capta&ccedil;&atilde;o de estudantes em processo de mobilidade,  principalmente, nessas duas &aacute;reas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 3 - Distribui&ccedil;&atilde;o dos estudantes internacionais por pa&iacute;ses de acolhimento na  Am&eacute;rica Latina</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a05t3.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Destaca-se, ademais, que a experi&ecirc;ncia cubana no campo da educa&ccedil;&atilde;o tem favorecido o processo de inclus&atilde;o dos cidad&atilde;os na atividade educacional de coopera&ccedil;&atilde;o das entidades nacionais e internacionais. Entre as que mais se destacam na atualidade est&atilde;o os programas promovidos pela Alternativa Bolivariana para os Pueblos de Nuestra Am&eacute;rica (ALBA), atrav&eacute;s dos quais o pa&iacute;s tem recebido e oferecido apoio a programas educacionais.</p>     <p>Um segundo pa&iacute;s que merece destaque na regi&atilde;o da Am&eacute;rica Latina &eacute; o Chile que, em 2004, recebeu 5.211 estudantes, embora n&atilde;o tenha mantido um ritmo de crescimento est&aacute;vel, pois nos anos de 2005 e 2006, ocorreu uma redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de alunos acolhidos, voltando a crescer a partir de 2007 e 2008, o que resultou em um crescimento de 52,5% no per&iacute;odo. O Brasil e a Bol&iacute;via s&atilde;o os dois pa&iacute;ses que, na Regi&atilde;o, considerando o grupo de pa&iacute;ses analisados, menos recebem estudantes em processo de mobilidade.</p>     <p>No processo de mobilidade estudantil, no que se refere ao envio de estudantes para o exterior, a regi&atilde;o da  Am&eacute;rica Latina tem-se mostrado mais din&acirc;mica, diferente do processo de acolhimento. Essa  situa&ccedil;&atilde;o pode ser evidenciada na Tabela 4.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="t4"></a><a href="#topt4">Tabela 4</a> - Estudantes enviados pelos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina para o estrangeiro em 2008 - pa&iacute;ses com mais de 10.000 alunos enviados</b></p>      <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a05t4.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Conforme os dados da Tabela 4, apenas cinco pa&iacute;ses na Am&eacute;rica Latina, no ano de 2008, se sobressa&iacute;ram no processo de mobilidade estudantil enviando mais de 10.000 alunos. Esses pa&iacute;ses s&atilde;o o Brasil com 23.410 estudantes; a Col&ocirc;mbia com 18.082; o M&eacute;xico com 25.444; o Peru com 14.719 e a Venezuela com 12.428 estudantes. </p>     <p>No conjunto desses pa&iacute;ses, o M&eacute;xico e o Brasil s&atilde;o aqueles que mais enviam estudantes para destinos fora da regi&atilde;o latino-americana, e o destino privilegiado por todos os pa&iacute;ses s&atilde;o os Estados Unidos. Esse fen&ocirc;meno decorre de v&aacute;rios fatores, entre eles, o fato de que os Estados Unidos t&ecirc;m uma influ&ecirc;ncia no cen&aacute;rio econ&ocirc;mico-mundial e historicamente mant&eacute;m fortes rela&ccedil;&otilde;es (inclusive de dom&iacute;nio) com os pa&iacute;ses latino-americanos, al&eacute;m de manter um sistema educacional considerado de excelente qualidade, o que pode ser fator atrativo para estudantes que desejam vivenciar experi&ecirc;ncias educativas mais significativas. </p>     <p>Ainda cabe evidenciar que, no conjunto dos pa&iacute;ses considerados na <a href="#t4">Tabela 4</a><a name="topt4"></a>, a Espanha se apresenta como o segundo pa&iacute;s de prefer&ecirc;ncia da maioria de alunos dos pa&iacute;ses latino-americanos (Col&ocirc;mbia, M&eacute;xico e Peru), e como terceiro destino da Venezuela e quinto do Brasil. Isso pode ser explicado, dentre outros fatores, pela facilidade do idioma, fator que pode tamb&eacute;m justificar o fato de Portugal ser um dos destinos de prefer&ecirc;ncia de estudantes brasileiros. Outros pa&iacute;ses da Europa, principalmente a Fran&ccedil;a, se constitui em destino de alunos da Am&eacute;rica Latina nessa din&acirc;mica da mobilidade estudantil, que &eacute; escolhida como segundo destino de alunos do Brasil, terceiro da Col&ocirc;mbia e do M&eacute;xico e quarto da Venezuela. O Brasil &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s que envia estudantes a Portugal como terceiro destino a Alemanha recebe alunos do Brasil e da Col&ocirc;mbia (quarto destino) e do M&eacute;xico (quinto destino) e a It&aacute;lia recebe do Peru como quinta op&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Se a mobilidade estudantil entre os pa&iacute;ses da regi&atilde;o latino-americana e outras regi&otilde;es do mundo, ainda se  apresenta em  fase embrion&aacute;ria, constata-se que a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais prec&aacute;ria quando se observa a situa&ccedil;&atilde;o desse  fen&ocirc;meno entre os pa&iacute;ses da pr&oacute;pria regi&atilde;o.  Conforme os dados da <a href="#t4">Tabela 4</a> a mobilidade dentro da regi&atilde;o nesses cinco pa&iacute;ses &eacute; muito pequena. Nos pa&iacute;ses considerados nessa faixa de envio de alunos ao exterior, apenas, a Venezuela e o Peru destinaram alunos para a regi&atilde;o da Am&eacute;rica Latina e Caribe e os &uacute;nicos pa&iacute;ses receptores foram o Chile e Cuba. A Venezuela enviou, para Cuba, em 2008, 3.520 alunos (28,3% do total de estudantes participantes do processo de mobilidade) se constituindo, desse modo, como segundo destino de prefer&ecirc;ncia desse pa&iacute;s. O Peru enviou, nesse mesmo ano, para o Chile 1.523 estudantes (10,3%) como segundo destino e para Cuba 1.422 (9,7%) como quarto destino. </p>     <p>Cabe evidenciar que essa din&acirc;mica vem se modificando, principalmente, entre os pa&iacute;ses da regi&atilde;o, que t&ecirc;m utilizado estrat&eacute;gias e pr&aacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o, a exemplo do MERCOSUL e do Pacto Andino<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>no &acirc;mbito da economia. Tais experi&ecirc;ncias motivaram a constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o regional de educa&ccedil;&atilde;o superior, projeto que se transformou em objeto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, das estrat&eacute;gias de atua&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es internacionais e regionais, como tamb&eacute;m as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior que viram, nesse processo, a oportunidade de assumir a lideran&ccedil;a e promover a coopera&ccedil;&atilde;o internacional, bem como a possibilidade de atender &agrave; demanda de desenvolvimento dos estudantes por novos conhecimentos. </p>     <p>Na esfera do MERCOSUL, destacamos dois programas orientados para a coopera&ccedil;&atilde;o internacional universit&aacute;ria: o Mecanismo Experimental de Credenciamento &ndash; MEXA, implementado, em 2003, e o Programa de Mobilidade Acad&ecirc;mica Regional para Cursos Credenciados  -MARCA, implementado em 2006. </p>     <p>O MEXA tem como objetivo a valida&ccedil;&atilde;o dos t&iacute;tulos e graus universit&aacute;rios entre os pa&iacute;ses, com car&aacute;ter &uacute;nicamente acad&ecirc;mico, mas n&atilde;o confere o direito do exerc&iacute;cio profissional. Foi desenvolvido com cunho experimental e teve sua aplica&ccedil;&atilde;o a poucos cursos e &aacute;reas, limitando-se aos cursos de agronomia, engenharias e medicina. Esse programa tem por objetivo promover o conhecimento m&uacute;tuo e estimular a melhoria da qualidade da educa&ccedil;&atilde;o superior. Aderiram ao programa IES da Argentina, Bol&iacute;via, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O outro Programa inserido no Plano Estrat&eacute;gico 2001-2005 do Setor Educacional do MERCOSUL &eacute; o programa MARCA, considerado o pioneiro na &aacute;rea da mobilidade estudantil. Foi institu&iacute;do por meio do Memorando de Entendimento confirmado na XXVII Reuni&atilde;o de Ministros de Educa&ccedil;&atilde;o, realizada, em 19 de novembro de 2004, em Porto Alegre/Brasil. A primeira etapa do MARCA foi implementada, em 2006, objetivando promover o interc&acirc;mbio de discentes, docentes, investigadores e gestores de Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior. Esse programa tinha, ainda, como objetivos fortalecer as carreiras acad&ecirc;micas e acreditadas, fomentar a coopera&ccedil;&atilde;o institucional e cumprir com os objetivos centrais de integra&ccedil;&atilde;o regional. </p>     <p>Em s&iacute;ntese, pode-se dizer que, na Am&eacute;rica Latina, h&aacute; uma diversidade de programas e acordos desenvolvidos com vista &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o e &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior sob os ausp&iacute;cios de associa&ccedil;&otilde;es e redes universit&aacute;rias, de institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior e de organismos intergovernamentais. Conv&eacute;m lembrar, em que pese a exist&ecirc;ncia dos in&uacute;meros acordos bilaterais e multilaterais, n&atilde;o h&aacute; garantia de um interc&acirc;mbio com a qualidade conforme os objetivos pretendidos. Todavia, a realidade mostra que os referidos acordos nem sempre s&atilde;o abonados pelos pa&iacute;ses assinantes, al&eacute;m do que os caminhos burocr&aacute;ticos se sobressaem, nesse processo, como uma dificuldade para sua efetiva&ccedil;&atilde;o. </p>     <p><b>4. Mobilidade estudantil no Brasil: tra&ccedil;os de um processo    em desenvolvimento </b></p>     <p>A partir do &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XX, v&aacute;rios movimentos, entre eles, a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, a intensifica&ccedil;&atilde;o do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, e a ado&ccedil;&atilde;o das ideias neoliberais aceleraram o ritmo de reprodu&ccedil;&atilde;o do capital e reduziram a capacidade de a&ccedil;&atilde;o dos Estados nacionais e o engajamento das economias em desenvolvimento no cen&aacute;rio global. Mesmo assim, alguns pa&iacute;ses na Am&eacute;rica Latina, inclusive o Brasil, apresentaram desempenho consider&aacute;vel no conjunto da econ&ocirc;mica mundial. Segundo Pochmann (2004), o Brasil e a Venezuela foram os pa&iacute;ses que registraram as mais elevadas taxas m&eacute;dias de varia&ccedil;&atilde;o do Produto Interno Bruto (PIB), com 4,14% e 4,99% respectivamente. </p>     <p>Referindo-se ao Brasil, Pochmann (2004) reconhece que o pa&iacute;s vivenciou momentos diferenciados na busca de se consolidar como uma na&ccedil;&atilde;o industrializada. Entre as d&eacute;cadas de 1930 e 1980, houve maior impulso na industrializa&ccedil;&atilde;o nacional, o que configurou, no pa&iacute;s, um per&iacute;odo de &ldquo;ouro&rdquo;, caracterizado por elevadas taxas de expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. Mas, a partir de 1980, a economia brasileira registrou uma profunda inflex&atilde;o, com a predomin&acirc;ncia de um ciclo de baixo dinamismo, perdendo a import&acirc;ncia no cen&aacute;rio da economia mundial, passando de oitava para a d&eacute;cima terceira economia do mundo. A partir da d&eacute;cada de 1990 com a implanta&ccedil;&atilde;o de um novo modelo econ&ocirc;mico, o pa&iacute;s apresenta sinais de recupera&ccedil;&atilde;o de alguns indicadores econ&ocirc;micos e sociais, mas continua ainda se inserindo, de forma perif&eacute;rica, na economia mundial. </p>     <p>A necessidade de se ajustar &agrave;s novas demandas da economia mundial e a prem&ecirc;ncia de integra&ccedil;&atilde;o ao sistema econ&ocirc;mico global passaram a exigir dos pa&iacute;ses em desenvolvimento reformas na educa&ccedil;&atilde;o, considerado como uma estrat&eacute;gia essencial para melhorar a competitividade dos pa&iacute;ses. Para atender a esses novos requerimentos da sociedade contempor&acirc;nea, v&aacute;rias estrat&eacute;gias foram desenvolvidas na &aacute;rea educacional, dentre elas, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o, utilizada como um dos mecanismos que permite maior interc&acirc;mbio de bens, servi&ccedil;os e informa&ccedil;&otilde;es entre as na&ccedil;&otilde;es. O Brasil se insere nesse processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o e, dentre os v&aacute;rios formatos que essa assume, a mobilidade estudantil se sobressai como uma das principais formas. Na Am&eacute;rica Latina, o Brasil se destaca como um dos pa&iacute;ses que mais envia estudantes ao estrangeiro, tendo, no per&iacute;odo entre 2004 e 2008, apresentado um crescimento da ordem de 19,3%. A Tabela 5 permite visualizar os cinco primeiros destinos escolhidos pelos estudantes brasileiros, em processo de mobilidade, no per&iacute;odo de 2004 a 2008. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 5 - Evolu&ccedil;&atilde;o do N&uacute;mero de Estudantes Brasileiros no Exterior por regi&atilde;o de acolhimento</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a05t5.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A situa&ccedil;&atilde;o delineada na Tabela 5 evidencia que o Brasil enviava, no ano de 2004, 19.619 estudantes para o exterior dos quais a grande maioria se destinava aos Estados Unidos (7.799), o segundo destino escolhido foi a Alemanha (1.801), seguidos de Portugal (1.760), Fran&ccedil;a (1.759) e o Reino Unido com (1.110) estudantes. No per&iacute;odo de 2004 a 2008, observam-se algumas modifica&ccedil;&otilde;es nesse quadro: os Estados Unidos continuam sendo a primeira prefer&ecirc;ncia de alunos brasileiros no processo de mobilidade, todavia constata-se que, a partir de 2005, vem ocorrendo uma redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de alunos que escolhem esse pa&iacute;s como primeiro destino, que, embora voltando a crescer a partir de 2008, representou uma redu&ccedil;&atilde;o de (-2,7%) nesse per&iacute;odo. A partir de 2005, a Fran&ccedil;a passa a ser o segundo lugar de prefer&ecirc;ncias dos estudantes brasileiros, condi&ccedil;&atilde;o que era assumida, em 2004, pela Alemanha. Entre os anos de 2005 e 2008, houve um crescimento de 59,3% no n&uacute;mero de estudantes que optaram pela Fran&ccedil;a, como segundo destino. Essa situa&ccedil;&atilde;o pode ser explicada, dentre outros fatores, pela riqueza cultural e pela notabilidade de suas grandes escolas e a proximidade com p&oacute;los culturais, pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos europeus. Portugal, no per&iacute;odo, foi o terceiro lugar escolhido pelos estudantes brasileiros, (exceto, no ano de 2005, que foi uma condi&ccedil;&atilde;o assumida pela Espanha). Portugal vem se consolidando como um importante destino de estudantes brasileiros, cujos n&uacute;meros v&ecirc;m aumentando, ano a ano, a partir de 2006, tendo acumulado, no per&iacute;odo de 2004 a 2008 um crescimento de 25,2%. Dentre os fatores que possivelmente, contribu&iacute;ram para esse fen&ocirc;meno pode-se real&ccedil;ar a import&acirc;ncia que esse pa&iacute;s assumiu ap&oacute;s a sua inser&ccedil;&atilde;o na Comunidade Europeia e, tamb&eacute;m, pela facilidade da l&iacute;ngua materna. </p>     <p>A Espanha vem perdendo espa&ccedil;o como receptor de estudantes brasileiros porque de terceiro destino que sustentava, em 2005, passou a n&atilde;o configurar entre os cinco pa&iacute;ses que mais recebem estudantes nos anos de 2006 e 2007, reaparecendo, no ano de 2008, como quinta prefer&ecirc;ncia. Outro pa&iacute;s que vem perdendo espa&ccedil;o como receptor de estudantes brasileiros &eacute; a Alemanha que, em 2004, era considerado o segundo destino de nossos estudantes, passando, em 2005, a ocupar a quinta posi&ccedil;&atilde;o nesse grupo de pa&iacute;ses, embora, a partir de 2006, apresente uma pequena melhoria, assumindo a quarta posi&ccedil;&atilde;o, como destino de estudantes brasileiros. O Reino Unido, historicamente, tem recebido poucos estudantes brasileiros em processo de mobilidade, aparecendo, nesse grupo de pa&iacute;ses, como quinto destino nos anos de 2004, 2006 e 2007 e sem nenhuma ocorr&ecirc;ncia nos anos de 2005 e 2008. Essa situa&ccedil;&atilde;o constatada, nesses dois &uacute;ltimos pa&iacute;ses (Alemanha e Reino Unido), decorre, dentre outros fatores, dos altos custos da mobiliza&ccedil;&atilde;o quando comparados com outros destinos, e, particularmente, no caso da Alemanha, a l&iacute;ngua deve se constituir em uma dificuldade para parte significativa de estudantes brasileiros.</p>     <p>Dados mais recentes indicam que essa tend&ecirc;ncia de enviar estudantes ao exterior est&aacute; sempre em crescimento no Brasil. O principal destino continua sendo os Estados Unidos, devido &agrave; relev&acirc;ncia do ingl&ecirc;s e ao n&uacute;mero de parcerias firmadas entre institui&ccedil;&otilde;es nacionais e americanas. Em 2010, de acordo com o Relat&oacute;rio anual da &ldquo;Open Doors&rdquo;, 8.786 brasileiros estavam matriculados nos Estados Unidos em escolas de ensino superior cursando gradua&ccedil;&atilde;o, p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o ou ingl&ecirc;s. O segundo principal destino, de acordo com o referido relat&oacute;rio, &eacute; a Fran&ccedil;a, pa&iacute;s europeu que mant&eacute;m 631 conv&ecirc;nios com universidades brasileiras e recebeu 2,9 mil alunos nos n&iacute;veis de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, no ano de 2010. Nos &uacute;ltimos 05 anos, o Canad&aacute; tem atra&iacute;do, cada vez, mais estudantes do ensino m&eacute;dio porque, ao contr&aacute;rio dos EUA, permite que os intercambistas escolham a escola onde desejam estudar e a fam&iacute;lia com quem podem morar (Jord&atilde;o; Lopes, 2011).</p>     <p>O Brasil, nos &uacute;ltimos anos, vem procurando se firmar no sentido de viabilizar a amplia&ccedil;&atilde;o do processo de mobilidade estudantil externa. Como iniciativa, nesse campo, pode ser citado o programa de mobilidade estudantil que o Brasil se integrou recentemente, financiado pelo Santander. Trata-se do programa de bolsa de estudo Santander Universidades (bolsas ibero-americanas para estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o). Esse programa, com cinco anos de dura&ccedil;&atilde;o (2010 a 2015), se constitui em um dos compromissos assumidos pelo Santander durante o II Encontro Internacional de Reitores realizado em Guadalajara, M&eacute;xico em 2010. </p>     <p>O referido programa se prop&otilde;e a desenvolver a mobilidade de estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o durante seis meses entre universidades ibero-americanas e tem como objetivos fortalecer a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da atividade acad&ecirc;mica, criar novas frentes de colabora&ccedil;&atilde;o, reciprocidade, fortalecer o interc&acirc;mbio bilateral al&eacute;m de estreitar o relacionamento entre universidades dos pa&iacute;ses iberoamericanos mediante a constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de conhecimento socialmente respons&aacute;vel. Para o ano de 2011, foram concedidas 1.000 bolsas de estudos, distribu&iacute;das entre universidades de 10 pa&iacute;ses: Brasil, Argentina, Espanha, Chile, Col&ocirc;mbia, M&eacute;xico, Peru, Portugal, Porto Rico e Uruguai. No Brasil, 49 universidades foram beneficiadas com o total de 265 bolsas de estudos no valor de tr&ecirc;s mil euros. </p>     <p>Outra iniciativa de mobilidade estudantil externa &eacute; o Programa Bolsas Luso-Brasileiras Santander Universidades. Para a edi&ccedil;&atilde;o de 2011, foi definido como objetivo possibilitar a mobilidade internacional de estudantes universit&aacute;rios, regularmente matriculados em institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, conveniadas ao Santander, para potencializar as rela&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas entre os dois pa&iacute;ses, visando &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o ibero-americano de educa&ccedil;&atilde;o superior. Para a sua viabiliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; exigida a celebra&ccedil;&atilde;o de conv&ecirc;nios espec&iacute;ficos de interc&acirc;mbio entre a institui&ccedil;&atilde;o de origem (Brasil) e a institui&ccedil;&atilde;o acolhedora (Portugal). A sele&ccedil;&atilde;o dos alunos &eacute; feita pela institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior conveniada (pa&iacute;s de origem), sendo a bolsa aux&iacute;lio paga pelo Santander, cujo valor &eacute; definido em instrumento espec&iacute;fico a ser celebrado com a institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior conveniada. </p>     <p>É válido considerar no âmbito da internacionalização, em uma perspectiva mais solidária as iniciativas do Ministério da Educação do Brasil de criar universidades no sentido de promover a integração com outros países e povos, mediante a oferta de educação superior. A Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila), aprovada pelo Congresso Nacional brasileiro (Lei nº 12.189, de 12 de janeiro de 2010), situa-se nessas iniciativas para incentivar a captação de estudantes estrangeiros. Essa instituição está localizada na cidade de Foz do Iguaçu, na fronteira argentina, brasileira e paraguaia e caracteriza-se por ser uma universidade de caráter internacional com metade dos alunos e professores brasileiros, e a outra metade, de estrangeiros. Outro traço inovador é o de ser uma universidade bilíngue (português e espanhol). O bilinguismo torna-se uma ferramenta-chave para a integração cultural e intelectual da comunidade acadêmica. </p>     <p>Outra iniciativa nesse campo da internacionaliza&ccedil;&atilde;o, no pa&iacute;s, &eacute; a Universidade da Integra&ccedil;&atilde;o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que tem, entre os seus objetivos, formar pessoas para contribuir com a integra&ccedil;&atilde;o do Brasil com pa&iacute;ses da &Aacute;frica em especial com os membros da Comunidade dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa (CPLP). Essa integra&ccedil;&atilde;o se realiza pela composi&ccedil;&atilde;o do corpo docente e discente, proveniente n&atilde;o s&oacute; das v&aacute;rias regi&otilde;es do Brasil, mas tamb&eacute;m de outros pa&iacute;ses e do estabelecimento e execu&ccedil;&atilde;o de conv&ecirc;nios tempor&aacute;rios ou permanentes com outras institui&ccedil;&otilde;es da CPLP. </p>     <p>Essas experi&ecirc;ncias em desenvolvimento no Brasil, segundo Peixoto (2010), representa um movimento que caminha no sentido oposto da internacionaliza&ccedil;&atilde;o como servi&ccedil;o, considerando que a proposta de coopera&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria parte da iniciativa do governo brasileiro, sendo realizada em universidades situadas no Brasil e que est&atilde;o submetidas a procedimentos de avalia&ccedil;&atilde;o de qualidades que s&atilde;o tamb&eacute;m brasileiros. </p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o dessas universidades, com previs&atilde;o de interc&acirc;mbio de estudantes de pa&iacute;ses diferenciados certamente ampliar&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o do Brasil no processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; enviando alunos ao exterior, mas no sentido inverso, recebendo alunos e se projetando assim no espa&ccedil;o social e cultural da Am&eacute;rica Latina e no Continente Africano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora o Brasil venha desenvolvendo iniciativas de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, no campo da mobilidade estudantil, mediante esse conjunto de medidas, a sua inser&ccedil;&atilde;o nesse processo, quando comparada com os pa&iacute;ses desenvolvidos, pode ser considerada, ainda, embrion&aacute;ria.  Diante de tal realidade, o pa&iacute;s necessita arquitetar uma pol&iacute;tica de estado para consolidar um sistema de educa&ccedil;&atilde;o superior de melhor qualidade com vistas a uma inser&ccedil;&atilde;o mais qualificada no cen&aacute;rio mundial econ&ocirc;mico e educacional. </p>     <p><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></p>     <p>A globaliza&ccedil;&atilde;o nas sociedades contempor&acirc;neas e as novas necessidades produtivas fizeram emergir a centralidade da educa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento como vetores do desenvolvimento e da competitividade entre os pa&iacute;ses, o que induziu as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e as propostas de reformas a serem orientadas por diferentes formas de pensar o estado e a sociedade. Constata-se que, nas atuais sociedades do conhecimento, h&aacute; um paradoxo que se estabelece ao mesmo tempo em que se reconhece a centralidade da educa&ccedil;&atilde;o e que deveria ser considerada como um bem p&uacute;blico e as pol&iacute;ticas adotadas para o campo que priorizam estrat&eacute;gias que beneficiam o mercado, reduzindo os cidad&atilde;os a situa&ccedil;&atilde;o de consumidores, em um contexto de exclus&atilde;o e polariza&ccedil;&atilde;o social crescente. </p>     <p>No conjunto de elabora&ccedil;&atilde;o e de decis&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o campo da educa&ccedil;&atilde;o superior, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o conquistou um significativo espa&ccedil;o, de modo a suscitar expressivos e pol&ecirc;micos debates quanto a sua natureza, causas e consequ&ecirc;ncias, implicando &ndash; pelo seu car&aacute;ter m&uacute;ltiplo &ndash; resultados econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e culturais para a educa&ccedil;&atilde;o superior. </p>     <p>A internacionaliza&ccedil;&atilde;o, conforme os dados analisados neste artigo, n&atilde;o ocorre de forma isolada; ela pressup&otilde;e coopera&ccedil;&atilde;o em todas as suas formas &ndash; cient&iacute;fica, tecnol&oacute;gica, acad&ecirc;mica &ndash; e em seus diferentes n&iacute;veis, o que significa que nem todas as regi&otilde;es e os pa&iacute;ses se inserem nesse processo nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es de igualdade, situa&ccedil;&atilde;o essa que pode aprofundar, cada vez mais, a dist&acirc;ncia, entre os polos de desenvolvimento. Esse fen&ocirc;meno se observa, tamb&eacute;m, entre as institui&ccedil;&otilde;es que se voltam para a pesquisa, com financiamento garantido e as institui&ccedil;&otilde;es que se voltam essencialmente para o ensino, tornando-se, assim, instrumentais e sem condi&ccedil;&otilde;es de competir no mercado educacional. </p>     <p>A proposta de internacionaliza&ccedil;&atilde;o mediante a comercializa&ccedil;&atilde;o se funda na ideia de que as necessidades dos cidad&atilde;os seriam supridas de forma mais eficiente pelas institui&ccedil;&otilde;es privadas, em raz&atilde;o dos mecanismos de mercado. O setor privado incentivaria a competi&ccedil;&atilde;o e diminuiria a burocracia e a in&eacute;rcia supostamente do setor p&uacute;blico; essa &eacute; uma l&oacute;gica que conflita com a concep&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o como direito e como necessidade intr&iacute;nseca ao indiv&iacute;duo, direito universal e fundamental para desenvolvimento da cidadania. </p>     <p>Ao analisar as concep&ccedil;&otilde;es de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, presentes nas pol&iacute;ticas educacionais, alertamos para o fato de que a ideia de coopera&ccedil;&atilde;o entendida como integra&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria entre as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior n&atilde;o  se ajustam &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es de globaliza&ccedil;&atilde;o como um fen&ocirc;meno, que compromete a autonomia dos estados nacionais, a identidade e as culturas. A globaliza&ccedil;&atilde;o, na maioria das vezes, conclama uma ideia de um processo de conforma&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico mundo em escala planet&aacute;ria, em que a efic&aacute;cia individual e a compet&ecirc;ncia do mercado s&atilde;o os motores do progresso e do desenvolvimento. Todavia, a globaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consegue romper com as desigualdades regionais, e em algumas situa&ccedil;&otilde;es, concorre para o aprofundamento do <I>gap </I>existente entre os pa&iacute;ses, propiciando uma discrep&acirc;ncia nas formas como as regi&otilde;es e os pa&iacute;ses se inserem  nesse processo. </p>     <p>No campo educacional, tomando como refer&ecirc;ncia os dados da mobilidade estudantil, &eacute; percept&iacute;vel que o processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorre, tamb&eacute;m, de forma homog&ecirc;nea, considerando que a grande quantidade de estudantes estrangeiros no mundo est&aacute; concentrada em poucas regi&otilde;es, mais desenvolvidas, com universidades mais consolidadas e tecnologias de ponta. As outras regi&otilde;es se inserem nesse processo de forma perif&eacute;rica, muito mais enviando estudantes do que recebendo, e, assim, patrocinando divisas para as regi&otilde;es mais desenvolvidas, demonstrando que a capta&ccedil;&atilde;o de estudantes decorre, tamb&eacute;m, da pujan&ccedil;a acad&ecirc;mica e do poderio econ&ocirc;mico dos pa&iacute;ses, o que refor&ccedil;a a l&oacute;gica da educa&ccedil;&atilde;o como servi&ccedil;o. </p>     <p>Na Am&eacute;rica Latina, bem como no Brasil, o processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o pela perspectiva da mobilidade estudantil ainda &eacute; bastante embrion&aacute;rio. &Eacute; pequena a capacidade de capta&ccedil;&atilde;o de estudantes pelos pa&iacute;ses desse continente,o que demonstra um desequil&iacute;brio crescente entre as regi&otilde;es desenvolvidas e aquelas em processo de desenvolvimento. Como se constatou, o Brasil &eacute; o pa&iacute;s na Am&eacute;rica Latina que mais envia estudantes ao estrangeiro e, nos &uacute;ltimos anos, vem adotando uma s&eacute;rie de estrat&eacute;gias de capta&ccedil;&atilde;o de estudantes, por meio de pol&iacute;ticas e programas financiados por recursos privados e p&uacute;blicos, o que, provavelmente, ir&aacute; mudar o quadro de recep&ccedil;&atilde;o e a melhoria da mobilidade, no pa&iacute;s, pela integra&ccedil;&atilde;o regional.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Antunes, F. (2008). <I>A nova ordem educacional: espa&ccedil;o europeu de educa&ccedil;&atilde;o e aprendizagem ao longo da vida.</I> Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1645-7250201200020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>ARWU. (2010). Ranking mundial de universidade. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.arwu.org" target="_blank">http://www.arwu.org</a>, consultado em 20/05/2010].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1645-7250201200020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2001). <I>A Sociedade em rede</I>: <I>a era da informa&ccedil;&atilde;o: economia, sociedade e cultura, </I>vol. 1, (pp 87-172), S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1645-7250201200020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Christophe, C. &amp; Verger, J. (1996). <I>Hist&oacute;ria das Universidades.</I> S&atilde;o Paulo: UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1645-7250201200020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Comunicado de Bergen. (2005). The European Higher Education Area. Achieving the Goals.  [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.mctes.pt/docs/ficheiors/Bergen_comunicado.pdf" target="_blank">http://www.mctes.pt/docs/ficheiors/Bergen_comunicado.pdf</a>., consultado em 28/05/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1645-7250201200020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Declara&ccedil;&atilde;o de Bolonha. (1999). [Dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.mctes.pt/docs/ficheiros/Declaração_de_Bolonha.pdf" target="_blank">http://www.mctes.pt/docs/ficheiros/Declara&ccedil;&atilde;o_de_Bolonha.pdf</a>., consultado em 20/09/2009].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-7250201200020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Declara&ccedil;&atilde;o de Sorbonne. (1998). [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.mctes.pt/docs/ficheiros/Declaração_de_Sorbone.pdf" target="_blank">http://www.mctes.pt/docs/ficheiros/Declara&ccedil;&atilde;o_de_Sorbone.pdf</a>., consultado em 20/09/2009].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1645-7250201200020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ianni, O. (2005). <I>A sociedade global. </I>Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira<I>.</I> (12&ordf; ed. 2005).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1645-7250201200020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Jord&atilde;o, C. &amp; Lopes, J. (2011). O melhor momento para estudar no exterior. <I>Revista ISTO &Eacute;, </I>2153(35), 66-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1645-7250201200020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Lima, M. C. &amp; Maranh&atilde;o, C. M. do S. de A. (2009). O sistema de educa&ccedil;&atilde;o superior mundial: entre a internacionaliza&ccedil;&atilde;o ativa e passiva. <I>Revista Avalia&ccedil;&atilde;o, </I>vol. 14, 3, 583-610.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1645-7250201200020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Peixoto, M. do C. L. (2010). Educa&ccedil;&atilde;o como bem p&uacute;blico, internacionaliza&ccedil;&atilde;o e as perspectivas para a educa&ccedil;&atilde;o superior brasileira. In Oliveira, J. F. de, Catani, A. M. &amp; Silva J&uacute;nior, J. dos R. (Org.), <I>Educa&ccedil;&atilde;o superior no Brasil: tempos de internacionaliza&ccedil;&atilde;o. </I>(pp 29-36). S&atilde;o Paulo: Xam&atilde;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1645-7250201200020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </p>     <!-- ref --><p>Pochmann, M. (2004). <I>Reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva: perspectiva de desenvolvimento local cominclus&atilde;o social. </I>Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1645-7250201200020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Robertson, S. L. (2009). O proceso de Bolonha da Europa torna-se global: modelo, mercado, mobilidade, for&ccedil;a intelectual ou estrat&eacute;gia para constru&ccedil;&atilde;o do Estado? <I>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o,</I> vol. 14, 42, 407-600.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1645-7250201200020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Silva, C. C., Gonzalez, M. &amp; Brugier, Y. S. (2008). OMC em foco: a comercializa&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. In: Haddad, S&eacute;rgio (Org.), <I>Banco Mundial, OMC e FMI: o impacto nas pol&iacute;ticas educacionais.</I> (pp 89 - 143). S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1645-7250201200020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Siufe, G. (2007). Cooperaci&oacute;n internacional e internacionalizaci&oacute;n da la Educaci&oacute;n Superior.S.I IESALC; UNESCO. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ess.ielsac.unesco.org.ve/index.php/ess/article/viewArticles/55" target="_blank">http://www.ess.ielsac.unesco.org.ve/index.php/ess/article/viewArticles/55</a>, consultado em 12/03/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1645-7250201200020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stallivieri, L. (2004). <I>Estrat&eacute;gias de internacionaliza&ccedil;&atilde;o das universidades brasileiras.</I> Caxias do Sul: EDUCS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1645-7250201200020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2009). <I>Declara&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Mundial de Ensino Superior no s&eacute;culo XXI: Vis&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o. </I>[Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.preal.cl" target="_blank">http://www.preal.cl</a>., consultado em 22/11/2009].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1645-7250201200020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2009). <I>Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Ensino Superior 2009: As Novas Din&acirc;micas do Ensino Superior e Pesquisas para a Mudan&ccedil;a e o Desenvolvimento Social. </I>[Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.preal.cl" target="_blank">http://www.preal.cl</a>., consultado em 24/11/2010].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1645-7250201200020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2009). <I>Compendio mundial de la educaci&oacute;n 2006: Comparaci&oacute;n de las estad&iacute;sticas de educaci&oacute;n en el mundo. </I>Canad&aacute;: Instituto de Estad&iacute;stica de la UNESCO, Montreal 2006. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uis.UNESCO.org" target="_blank">http://www.uis.UNESCO.org</a>., consultado em 26/03/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1645-7250201200020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2009). <I>Compendio mundial de la educaci&oacute;n 2007: Comparaci&oacute;n de las estad&iacute;sticas de educaci&oacute;n en el mundo. </I>Canad&aacute;: Instituto de Estad&iacute;stica de la UNESCO, Montreal. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uis.UNESCO.org" target="_blank">http://www.uis.UNESCO.org</a>., consultado em 26/03/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1645-7250201200020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2008). <I>Compendio mundial de la educaci&oacute;n 2008: Comparaci&oacute;n de las estad&iacute;sticas de educaci&oacute;n en el mundo. </I>Canad&aacute;: Instituto de Estad&iacute;stica de la UNESCO, Montreal 2008. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uis.UNESCO.org" target="_blank">http://www.uis.UNESCO.org</a>., consultado em 26/03/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1645-7250201200020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2009). <I>Compendio mundial de la educaci&oacute;n 2009: Comparaci&oacute;n de las estad&iacute;sticas de educaci&oacute;n en el mundo. </I>Canad&aacute;: Instituto de Estad&iacute;stica de la UNESCO, Montreal 2009. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uis.UNESCO.org" target="_blank">http://www.uis.UNESCO.org</a>., consultado em 02/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S1645-7250201200020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>UNESCO. (2010). <I>Compendio mundial de la educaci&oacute;n 2010: Comparaci&oacute;n de las estad&iacute;sticas de educaci&oacute;n en el mundo. </I>Canad&aacute;: Instituto de Estad&iacute;stica de la UNESCO, Montreal 2010. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uis.UNESCO.org" target="_blank">http://www.uis.UNESCO.org</a>., consultado 04/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1645-7250201200020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Wit, H. de. (2005). Am&eacute;rica Latina y Europa ante el fen&ocirc;meno de la internacionalizaci&oacute;n: In: Mora, J. G. &amp; Lamarra, N. F. (Org.). <I>Educaci&oacute;n superior: Converg&ecirc;ncia entre Am&eacute;rica Latina y Europa </I>(pp 222-226). Caseros: Eduntref.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1645-7250201200020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a>As universidades s&atilde;o classificadas por v&aacute;rios indicadores de performance acad&ecirc;mica ou de pesquisa, incluindo ex-alunos e funcion&aacute;rios ganhando pr&ecirc;mios Nobel e Medalhas Fields, pesquisadores altamente citados, artigos publicados na Nature e Science, pap&eacute;is indexados em &iacute;ndices de cita&ccedil;&atilde;o importante, e o per capita desempenho acad&ecirc;mico de uma institui&ccedil;&atilde;o (ARWU, 2007). </p>     <p><a name="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> O Mercado Comum do Sul (Mercosul), formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi institu&iacute;do por meio do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o em 1991. Outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o foram se associando, ampliando a sua &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia, com a entrada de v&aacute;rios membros-associados, como o Chile (1996), Bol&iacute;via (1997), Peru (2003) e Venezuela (2004), culminando, em 2005, com o acordo entre Mercosul e o Pacto Andino que deflagra a proposta de cria&ccedil;&atilde;o da Comunidade Sul-Americana de Na&ccedil;&otilde;es. </p>      ]]></body><back>
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