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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação retrospectiva de fracturas da clavícula tratadas com osteossíntese rígida: Resultados e complicações]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital Beatriz Ângelo Serviço de Ortopedia e Traumatologia Unidade de Cirurgia do Ombro]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-21222019000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-21222019000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-21222019000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução Embora tradicionalmente as fracturas da clavícula tenham sido tratadas conservadoramente, a literatura mais recente mostra resultados funcionais menos satisfatórios com esta abordagem. Apresentamos uma revisão de 36 doentes com fracturas da clavícula submetidos a osteossíntese primária e avaliação dos resultados funcionais e complicações. Materiais e Métodos Avaliação retrospectiva dos doentes com fracturas descoaptadas da clavícula submetidos a redução cruenta e osteossíntese, entre 2012-2015. As fracturas foram classificadas segundo a classificação AO e foram seleccionados os doentes jovens, com requisitos funcionais elevados. Foi realizado seguimento para avaliação clínica, funcional (mobilidade, regresso às actividades diárias e desportivas, score funcional Quick Disabilities of Arm Shoulder and Hand - Quick-DASH) e imagiológica até consolidação da fractura e após 6-12 meses para ponderar extracção do material de osteossíntese. Resultados Obtivemos uma população de 36 doentes, com seguimento médio de 26 meses, idade média de 35,16 anos. Todos os doentes recuperaram arco mobilidade total, sem limitação nas suas actividades. O score funcional QuickDash médio foi 1,4 pontos. Exceptuando um caso de pseudartrose, todas as fracturas apresentaram evidência de consolidação num período médio de 3,3 (2-6) meses. Referimos ainda um caso de infecção superficial da ferida operatória, com resolução após desbridamento e encerramento da mesma Discussão Apesar do tratamento conservador apresentar elevadas taxas de consolidação, os resultados clínicos e funcionais podem ser subóptimos. O tratamento cirúrgico, tem demonstrado bons resultados, permitindo mobilização e retorno à actividade precoces, com baixa incidência de complicações.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction Traditionally, clavicle fractures are treated conservatively. However, recent evidence shows less satisfactory functional results with conservative treatment. We present our results and complications with surgical treatment of displaced clavicle fractures in a group of 36 patients. Materials and Methods We evaluated retrospectively, patients with displaced clavicle fractures treated surgically with open reduction and osteosynthesis between 2012-2015. Fractures were classified according to AO classification and we selected young patients with high functional needs. Follow-up was performed with clinical and functional evaluation. Data regarding mobility, return to work and sports as well as evaluation with Quick Disabilities of Arm Shoulder and Hand (Quick-DASH) were collected. Patients were evaluated with radiographs until evidence of fracture healing and then after 6-12 month for discussing hardware removal. Results We present 36 patients with a mean follow-up of 26 month, mean age of 35,16 years old. All patients recovered a full mobility arch without limitation in their activities. Functional score QuickDash averaged 1,4. Except for one case of nonunion, all fractures healed in an average of 3,3 months (2-6). We report one case of a superficial infection of the surgical wound, which resolved after debridement and wound closure. Discussion Despite high fracture healing rates reported with conservative treatment, clinical and functional results are frequently suboptimal. Surgical treatment has shown good results, allowing for early mobilization and return to previous daily and sport activities, with a low incidence of complications.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Fracturas da Clavícula]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Tratamento Cirúrgico]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Resultados Funcionais]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Clavicle fracture]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Functional Results]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Avaliação retrospectiva de fracturas da clavícula tratadas com osteossíntese rígida: Resultados e complicações</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ana M. Coelho<sup>I</sup></b>; <b>Tiago P. Marques<sup>I</sup></b>; <b>Raul Alonso<sup>I</sup></b>; <b>Luís Pires<sup>I</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço de Ortopedia e Traumatologia, Unidade de Cirurgia do Ombro, Hospital Beatriz Ângelo, Loures.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introdu&ccedil;&atilde;o</p>     <p>Embora tradicionalmente as fracturas da clav&iacute;cula tenham sido tratadas conservadoramente, a literatura mais recente mostra resultados funcionais menos satisfat&oacute;rios com esta abordagem.</p>     <p>Apresentamos uma revis&atilde;o de 36 doentes com fracturas da clav&iacute;cula submetidos a osteoss&iacute;ntese prim&aacute;ria e avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados funcionais e complica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Materiais e M&eacute;todos</p>     <p>Avalia&ccedil;&atilde;o retrospectiva dos doentes com fracturas descoaptadas da clav&iacute;cula submetidos a redu&ccedil;&atilde;o cruenta e osteoss&iacute;ntese, entre 2012-2015. As fracturas foram classificadas segundo a classifica&ccedil;&atilde;o AO e foram seleccionados os doentes jovens, com requisitos funcionais elevados.</p>     <p>Foi realizado seguimento para avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, funcional (mobilidade, regresso &agrave;s actividades di&aacute;rias e desportivas, <em>score</em> funcional <em>Quick Disabilities of Arm Shoulder and Hand - Quick-DASH</em>) e imagiol&oacute;gica at&eacute; consolida&ccedil;&atilde;o da fractura e ap&oacute;s 6-12 meses para ponderar extrac&ccedil;&atilde;o do material de osteoss&iacute;ntese.</p>     <p>Resultados</p>     <p>Obtivemos uma popula&ccedil;&atilde;o de 36 doentes, com seguimento m&eacute;dio de 26 meses, idade m&eacute;dia de 35,16 anos. Todos os doentes recuperaram arco mobilidade total, sem limita&ccedil;&atilde;o nas suas actividades. O <em>score</em> funcional QuickDash m&eacute;dio foi 1,4 pontos. Exceptuando um caso de pseudartrose, todas as fracturas apresentaram evid&ecirc;ncia de consolida&ccedil;&atilde;o num&nbsp; per&iacute;odo m&eacute;dio de 3,3 (2-6) meses. Referimos ainda um caso de infec&ccedil;&atilde;o superficial da ferida operat&oacute;ria, com resolu&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s desbridamento e encerramento da mesma</p>     <p>Discuss&atilde;o</p>     <p>Apesar do tratamento conservador apresentar elevadas taxas de consolida&ccedil;&atilde;o, os resultados cl&iacute;nicos e funcionais podem ser sub&oacute;ptimos. O tratamento cir&uacute;rgico, tem demonstrado bons resultados, permitindo mobiliza&ccedil;&atilde;o e retorno &agrave; actividade precoces, com baixa incid&ecirc;ncia de complica&ccedil;&otilde;es.</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: Fracturas da Clavícula, Tratamento Cirúrgico, Resultados Funcionais. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Introduction</p>     <p>Traditionally, clavicle fractures are treated conservatively. However, recent evidence shows less satisfactory functional results with conservative treatment. We present our results and complications with surgical treatment of displaced clavicle fractures in a group of 36 patients.</p>     <p>Materials and Methods</p>     <p>We evaluated retrospectively, patients with displaced clavicle fractures treated surgically with open reduction and osteosynthesis between 2012-2015. Fractures were classified according to AO classification and we selected young patients with high functional needs. Follow-up was performed with clinical and functional evaluation. Data regarding mobility, return to work and sports as well as evaluation with Quick Disabilities of Arm Shoulder and Hand (Quick-DASH) were collected. Patients were evaluated with radiographs until evidence of fracture healing and then after 6-12 month for discussing hardware removal.</p>     <p>Results</p>     <p>We present 36 patients with a mean follow-up of 26 month, mean age of 35,16 years old. All patients recovered a full mobility arch without limitation in their activities. Functional score QuickDash averaged 1,4. Except for one case of nonunion, all fractures healed in an average of 3,3 months (2-6). We report one case of a superficial infection of the surgical wound, which resolved after debridement and wound closure.</p>     <p>Discussion</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Despite high fracture healing rates reported with conservative treatment, clinical and functional results are frequently suboptimal. Surgical treatment has shown good results, allowing for early mobilization and return to previous daily and sport activities, with a low incidence of complications.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Clavicle fracture, Fracture Fixation, Functional Results. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>As fracturas da clav&iacute;cula s&atilde;o comuns, representando 2.6 a 4% das fracturas no doente adulto. As fracturas diafis&aacute;rias e do ter&ccedil;o lateral s&atilde;o mais frequentes constituindo 69-82% e 21-28% todas as fracturas da clav&iacute;cula, respectivamente. S&atilde;o les&otilde;es que ocorrem mais frequentemente em doentes jovens e activos, particularmente as fracturas diafis&aacute;rias<sup>1</sup>.</p>
    <p>Tradicionalmente as fracturas da clav&iacute;cula s&atilde;o objecto de tratamento conservador. Esta premissa &eacute; baseada em estudos que referem taxas de pseudartrose baixas comparativamente com a taxa de complica&ccedil;&otilde;es associada ao tratamento cir&uacute;rgico, nomeadamente o estudo de Neer (1960), com uma incid&ecirc;ncia de pseudartrose de 3 em 2235 doentes com fracturas da clav&iacute;cula tratados conservadoramente<sup>2</sup>.</p>
    <p>No entanto, alguns estudos mais recentes t&ecirc;m contestado esta evid&ecirc;ncia, verificando-se sequelas importantes com o tratamento conservador em fracturas descoaptadas, com persist&ecirc;ncia de dor, diminui&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a muscular, parestesias e taxas de pseudartrose at&eacute; 15%<sup>1,3</sup>. Por outro lado, existe evid&ecirc;ncia crescente demonstrando bons resultados funcionais, retorno precoce &agrave; fun&ccedil;&atilde;o normal e baixa taxa de complica&ccedil;&otilde;es e pseudartrose com o tratamento cir&uacute;rgico<sup>4,5</sup>. Estes dados epidemiol&oacute;gicos mais recentes levaram alguns autores a defenderem uma abordagem que inclui o tratamento cir&uacute;rgico inicial para todas as fracturas descoaptadas da di&aacute;fise da clav&iacute;cula em doentes adultos activos<sup>4</sup>. No entanto, este continua a ser um assunto controverso em discuss&atilde;o.</p>
    <p>No nosso trabalho propusemo-nos a realizar uma avalia&ccedil;&atilde;o retrospectiva dos doentes submetidos a osteoss&iacute;ntese prim&aacute;ria ap&oacute;s fractura descoaptada da clav&iacute;cula e avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados e complica&ccedil;&otilde;es.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">MATERIAL E MÉTODOS</font></b></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">Selecção de doentes</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os autores preconizam o tratamento cir&uacute;rgico para as fracturas da clav&iacute;cula descoaptadas em doentes jovens e activos. Assim, foram inclu&iacute;dos e avaliados no estudo, todos os doentes com fracturas da clav&iacute;cula descoaptadas submetidos a tratamento cir&uacute;rgico no Hospital Beatriz &Acirc;ngelo e no Hospital da Luz entre 2012 e 2015.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Tratamento cirúrgico</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Todos os doentes foram operados em at&eacute; tr&ecirc;s semanas ap&oacute;s o traumatismo. Os doentes com fracturas diafis&aacute;rias foram submetidos a redu&ccedil;&atilde;o cruenta e osteoss&iacute;ntese com placa anat&oacute;mica <em>locking</em> (Depuy-Synthes&reg;), colocadas na vertente superior da clav&iacute;cula (<a name="topf1"></a><a href="#f1">Figura 1</a>). Os doentes com fracturas do ter&ccedil;o distal da clav&iacute;cula foram submetido a redu&ccedil;&atilde;o cruenta e osteoss&iacute;ntese com placa gancho. No caso de fracturas segmentares ou cominutivas, foi muitas vezes necess&aacute;rias a redu&ccedil;&atilde;o combinada com parafuso de compress&atilde;o interfragment&aacute;rio ou suturas com fios de sutura de alta resist&ecirc;ncia (Orthocord&reg;). Todos os procedimentos foram realizados por dois cirurgi&otilde;es da Unidade de Cirurgia do Ombro do Hospital Beatriz &Acirc;ngelo. No per&iacute;odo p&oacute;s-operat&oacute;rio foram imobilizados com suspens&atilde;o braquial ant&aacute;lgica durante duas semanas, per&iacute;odo ap&oacute;s o qual iniciaram auto-reabilita&ccedil;&atilde;o com mobiliza&ccedil;&atilde;o passiva do ombro. Foi permitida mobiliza&ccedil;&atilde;o activa sem carga ap&oacute;s 3 semanas conforme toler&acirc;ncia do doente e mobiliza&ccedil;&atilde;o com carga ap&oacute;s 6 semanas e evid&ecirc;ncia de consolida&ccedil;&atilde;o da fractura.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f1"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v27n1/27n1a02f1.jpg" width="390" height="236" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Colheita de dados e seguimento pós-operatório</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>No per&iacute;odo p&oacute;s-operat&oacute;rio, os doentes foram observados em consulta externa para avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e imagiol&oacute;gica at&eacute; consolida&ccedil;&atilde;o da fractura, sendo posteriormente reavaliados aos 6 meses (no caso de fracturas do ter&ccedil;o distal) ou 6-12 meses no caso das fracturas diafis&aacute;rias para avalia&ccedil;&atilde;o e pondera&ccedil;&atilde;o de extrac&ccedil;&atilde;o do material de osteoss&iacute;ntese. Foram revistos os processos cl&iacute;nicos dos doentes para colheita de informa&ccedil;&otilde;es para caracteriza&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica (sexo, idade, tipo de traumatismo), classifica&ccedil;&atilde;o de fracturas, cirurgia realizada, evolu&ccedil;&atilde;o e complica&ccedil;&otilde;es.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita a avalia&ccedil;&atilde;o radiogr&aacute;fica, os doentes realizaram radiografia postero-anterior da clav&iacute;cula pr&eacute;-operat&oacute;ria, &agrave;s 2 e 6 semanas de p&oacute;s-operat&oacute;rio e posteriormente aos 3 e 6 meses caso n&atilde;o se verificasse consolida&ccedil;&atilde;o da fractura at&eacute; ent&atilde;o. As fracturas foram classificadas segundo os crit&eacute;rios AO, considerando localiza&ccedil;&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o do tra&ccedil;o de fractura e grau de cominu&ccedil;&atilde;o. A consolida&ccedil;&atilde;o foi considerada aquando da corticaliza&ccedil;&atilde;o superior e inferior ao n&iacute;vel do foco de fractura.</p>
    <p>A avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica dos doentes englobou uma avalia&ccedil;&atilde;o funcional tendo sido registados, a mobilidade do membro operado em compara&ccedil;&atilde;o com o membro contralateral e o <em>score</em> funcional <em>Quick-Disabilities of Arm, Shoulder and Hand</em> (Quick-DASH). Foi ainda inquirido aos doentes a satisfa&ccedil;&atilde;o global com o procedimento, retorno &agrave;s actividades normais da vida di&aacute;ria e retorno &agrave;s actividades desportivas.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESULTADOS</font></b></p><font face="verdana" size="2"></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Caracterização da população</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Foram inclu&iacute;dos 37 doentes tratados entre Janeiro de 2012 e Dezembro de 2015. Um doente foi perdido no <em>follow-up</em>. De uma popula&ccedil;&atilde;o de 36 doentes verificou-se um claro predom&iacute;nio do sexo masculino (91,7%), com uma idade m&eacute;dia de 35,2 (13-63) anos. O tempo m&eacute;dio de seguimento foi 26 meses (6-50). Os mecanismos de les&atilde;o mais frequentes foram o acidente de via&ccedil;&atilde;o (44%) e a queda (31%). Dum total de 36 fracturas, 6 (17%) eram do ter&ccedil;o distal (AO 15.3) da clav&iacute;cula e 30 (83%) eram diafis&aacute;rias (AO 15.2). Destas, a maioria eram fracturas simples (16 fracturas do tipo AO 15.2A), apresentando-se no entanto, 14 doentes com fracturas cominutivas ou com fragmento interm&eacute;dio (AO 15.2B) (<a href="/img/revistas/rpot/v27n1/27n1a02t1.jpg">Tabela 1</a>).<br/><br/></p></font>    
<p><b><font face="Verdana" size="2">Avaliação funcional</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Todos os doentes apresentaram um arco mobilidade total, sobrepon&iacute;vel ao membro contralateral, &agrave; data da &uacute;ltima avalia&ccedil;&atilde;o. Houve um regresso total &agrave;s normais actividades di&aacute;rias e desportivas, em todos os doentes. O resultado do <em>score</em> QuickDash m&eacute;dio foi de 1,4 pontos.<br /><br /></p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Avaliação radiográfica</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Todos os doentes foram avaliados com radiografia acromio-clavicular at&eacute; evid&ecirc;ncia de consolida&ccedil;&atilde;o. O tempo m&eacute;dio para consolida&ccedil;&atilde;o p&oacute;s operat&oacute;ria foi de 3,3 meses (2 a 6 meses).</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">Complicações</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>N&atilde;o houve registo de intercorr&ecirc;ncias durante os procedimentos cir&uacute;rgicos. Como complica&ccedil;&otilde;es <em>minor</em> referimos um doente que desenvolveu, no per&iacute;odo p&oacute;s-operat&oacute;rio imediato, uma infec&ccedil;&atilde;o superficial da ferida operat&oacute;ria com resolu&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s desbridamento cir&uacute;rgico, encerramento e antibioterapia. Como complica&ccedil;&atilde;o major temos a referir um caso de pseudartrose que foi submetido a re-osteoss&iacute;ntese com placa e parafusos com interposi&ccedil;&atilde;o de enxerto tricortical de osso de crista il&iacute;aca (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figura 2</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v27n1/27n1a02f2.jpg" width="388" height="247" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Tradicionalmente, as fracturas da clav&iacute;cula t&ecirc;m sido tratadas conservadoramente. Em 1960, Neer reportou uma incid&ecirc;ncia de pseudartrose da clav&iacute;cula de 3 (0,1%) em 2235 doentes tratados na sua institui&ccedil;&atilde;o. Comparativamente, referia 2 casos (4,6%) de pseudartrose em 45 doentes tratados cirurgicamente. Este e estudos semelhantes definiram a abordagem terap&ecirc;utica das fracturas descoaptadas da clav&iacute;cula durante anos. No entanto, estudos mais recentes questionaram estas premissas.</p>
    <p>Robinson <em>et</em> <em>al</em> publicaram um ensaio randomizado multic&ecirc;ntrico com 105 doentes comparando o tratamento conservador e cir&uacute;rgico nas fracturas descoaptadas da clav&iacute;cula e verificaram uma taxa de pseudartrose de 26,1% com o tratamento conservador versus 1,2% no grupo cir&uacute;rgico. Na nossa amostra, verific&aacute;mos um caso de pseudartrose (2,78%), submetido a reinterven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. Um doente desenvolveu no per&iacute;odo p&oacute;s operat&oacute;rio imediato, uma infec&ccedil;&atilde;o superficial da sutura com necessidade de desbridamento cir&uacute;rgico e encerramento da ferida operat&oacute;ria, com resolu&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, a taxa de complica&ccedil;&otilde;es com necessidade de reinterven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica foi baixa 2/36 (5,5%). Os autores encaram a extrac&ccedil;&atilde;o do material de osteoss&iacute;ntese como parte do tratamento, n&atilde;o referindo como complica&ccedil;&atilde;o a dor atribu&iacute;da a um poss&iacute;vel conflito de material.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, encontramos na literatura estudos que revelam que o resultado funcional associado ao tratamento conservador n&atilde;o &eacute; o ideal em grande parte dos doentes e que existem v&aacute;rios factores com influ&ecirc;ncia na satisfa&ccedil;&atilde;o global do doente para al&eacute;m da consolida&ccedil;&atilde;o da fractura. Hill <em>et al</em> publicaram uma revis&atilde;o de uma popula&ccedil;&atilde;o jovem com 52 doentes, com idade m&eacute;dia de 34 anos, com fracturas diafis&aacute;rias descoaptadas da clav&iacute;cula tratadas conservadoramente. Verificou uma taxa de satisfa&ccedil;&atilde;o global dos doentes de apenas 69%, identificando parestesias residuais em 29% dos casos e dificuldade na realiza&ccedil;&atilde;o de actividades com carga com eleva&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o acima do n&iacute;vel do ombro em 36,5% dos doentes. Tamb&eacute;m Nowak <em>et al</em>, no seu estudo prospectivo verificaram que ap&oacute;s 6 meses, 42% dos doentes n&atilde;o apresentavam recupera&ccedil;&atilde;o total, com persist&ecirc;ncia de parestesias em 20% dos casos e insatisfa&ccedil;&atilde;o com o resultado cosm&eacute;tico.</p>
    <p>Na nossa popula&ccedil;&atilde;o, a recupera&ccedil;&atilde;o funcional para as actividades pr&eacute;vias &agrave; les&atilde;o foi total, com bons resultados funcionais e de controlo de dor na &oacute;ptica do doente, traduzidos pelo <em>score</em> QuickDash de 1,4 pontos, um valor inferior ou compar&aacute;vel a outras s&eacute;ries<sup>4,5,7</sup>. Em 2007, a Canadian Orthopaedic Trauma Society publicou os resultados do seu estudo prospectivo multic&ecirc;ntrico mostrando que o tratamento cir&uacute;rgico de fracturas descoaptadas da di&aacute;fise da clav&iacute;cula resulta num melhor resultado funcional com menores taxas de pseudartrose e consolida&ccedil;&atilde;o viciosa quando comparado com o tratamento incruento. Conclu&iacute;ram que a remo&ccedil;&atilde;o de material constitu&iacute;a a principal raz&atilde;o de reinterven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica neste grupo e defenderam o tratamento cir&uacute;rgico prim&aacute;rio destas fracturas numa popula&ccedil;&atilde;o adulta jovem activa. Este estudo foi um marco na mudan&ccedil;a do paradigma do tratamento das fracturas da clav&iacute;cula passando a ser cada vez mais cir&uacute;rgico<sup>4,5</sup>.</p>
    <p>No entanto o debate mant&eacute;m-se sobre o &oacute;ptimo tratamento destas fracturas. Apesar da evid&ecirc;ncia acumulada sobre o risco de um resultado funcional sub&oacute;ptimo e risco de pseudartrose ou consolida&ccedil;&atilde;o viciosa, o papel da cirurgia ainda n&atilde;o est&aacute; totalmente esclarecido. Mesmo com taxas de pseudartrose at&eacute; 20% &eacute; verdade que a maioria dos doentes v&atilde;o apresentar consolida&ccedil;&atilde;o da fractura com tratamento conservador e esta permanece uma op&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica aceit&aacute;vel em muitos doentes. Neste sentido, diversos autores tentaram definir melhor as indica&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas, identificando os factores de risco com maior efeito sob o progn&oacute;stico final. Murray <em>et al</em> publicou em 2013 um estudo&nbsp; prospectivo com 941 doentes tratados de forma incruenta, em que obtiveram uma taxa de pseudartrose de 13,3%. Identificaram v&aacute;rios factores de risco associados ao desenvolvimento de pseudartrose destacando tr&ecirc;s: tabagismo, grau de cominu&ccedil;&atilde;o e descoapta&ccedil;&atilde;o da fractura. Conclu&iacute;ram que se todas as fracturas fossem tratadas cirurgicamente, seriam precisos 7,5 procedimentos para prevenir uma pseudartrose. Mas tratando cirurgicamente apenas fracturas com uma probabilidade de &gt;40% de desenvolver pseudartrose, esse n&uacute;mero diminu&iacute;a para apenas 1,7<sup>8</sup>.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CONCLUSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os autores cr&ecirc;em que o tratamento das fracturas da clav&iacute;cula deve ser individualizado e orientado segundo as expectativas e requisitos funcionais do doente. O sucesso do tratamento e a satisfa&ccedil;&atilde;o do doente prende-se com mais do que a consolida&ccedil;&atilde;o da fractura e o tratamento cir&uacute;rgico &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o com bons resultados funcionais, baixa taxa de complica&ccedil;&otilde;es e permite uma reabilita&ccedil;&atilde;o e um retorno &agrave; actividade di&aacute;ria e desportiva precoces.</p>
    <p>Como tal, da perspectiva dos autores, o tratamento cir&uacute;rgico deve ser uma op&ccedil;&atilde;o a considerar no tratamento de doentes jovens activos com fracturas descoaptadas da clav&iacute;cula.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Khan LAK, Bradnock TJ, Scott C, Robinson M. Fractures of the clavicle. JBJS. 2009; 91: 447-460</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323867&pid=S1646-2122201900010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Neer CS. Nonunion of the clavicle. JAMA. 1960; 172 (10): 96-101</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323868&pid=S1646-2122201900010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">3. Hill  JM, McGuire MH, Crosby LA. Closed treatment of displaced middle-third fractures of the clavicle gives poor results. J Bone Joint Surg Br. 1997; 79 (4): 537-539</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323869&pid=S1646-2122201900010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Canadian Orthopaedic Trauma  Society. Nonoperative treatment compared with plate fixation of displaced midshaft clavicular fractures. A multicenter, randomized clinical trial. J Bone Joint Surg Am. 2007; 89 (1): 1-10</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323870&pid=S1646-2122201900010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Robinson CM , Goudie EB, Murray IR. Open Reduction and Plate Fixation Versus Nonoperative Treatment for Displaced Midshaft Clavicular Fractures. JBJS. 2013; 95: 1576-1584</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323871&pid=S1646-2122201900010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Nowak J, Holgersson M, Larsson S. Sequelae from clavicular fractures are common: a prospective study of 222 patients. Acta Orthop. 2005; 76: 496-502</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323872&pid=S1646-2122201900010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Van der Ven Denise JC, Timmers TK, Van Ijseldijk ALA, Olden GDJ. Plate fixation versus conservative treatment of displaced midshaft clavicle fractures: functional outcome and Patients&#39; satisfaction during a mean follow-up of 5 years. Int.J.Care Injured. 2015; 46: 2223-2229</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323873&pid=S1646-2122201900010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Murray IR, Foster CJ, Eros A, Robinson CM. Risk Factors for Nonunion After NonoperativeTreatment of Displaced Midshaft Fractures of the Clavicle. J Bone Joint Surg Am. 2013; 95: 11</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1323874&pid=S1646-2122201900010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Ana Marta Coelho    <br>Serviço de Ortopedia e Traumatologia    <br>Hospital Beatriz Ângelo    <br>Av. Carlos Teixeira, 3    <br>2674-514 LOURES    <br>Telefone: 219 847 200 / 91 625 80 58    <br><a href="mailto:ana.mcoelho@hbeatrizangelo.pt">ana.mcoelho@hbeatrizangelo.pt</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Submissão: </b> 2018-06-07</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Revisão: </b> 2018-06-24</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2018-10-31</font></p>     ]]></body><back>
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