<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1647-6158</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista :Estúdio]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Estúdio]]></abbrev-journal-title>
<issn>1647-6158</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1647-61582014000200002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Sagrado e o Profano na obra de Paulo Kapela ou a dialética da Criação como processo artístico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Sacred and Profane in Paulo Kapela's work or the dialectic of Creation as artistic process]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Teresa Matos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Lisboa Escola Superior de Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>5</volume>
<numero>10</numero>
<fpage>20</fpage>
<lpage>27</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1647-61582014000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1647-61582014000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1647-61582014000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo aborda a obra de Paulo Kapela (n.1947, Uíge, Angola), atendendo às conexões que esta estabelece com um domínio alargado da religiosidade, fundindo arte e vida. Ao Reunir, num mesmo plano, uma miríade de objetos e imagens aparentemente díspares, as instalações de Kapela problematizam as definições de sagrado e profano, propondo um processo criativo que convoca, simbolicamente, uma dialética da Ordem e do Caos onde a Criação incute uma nova temporalidade e existência a esses fragmentos da realidade.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes an approach to the work of Paulo Kapela (n.1947, Uige, Angola), considering its connections with an extended idea of religiosity and merging art and life. Assembling, in the same plane, a myriad of disparate objects and images, Kapela's installations interrogate definitions of Sacred and Profane, proposing a creative process that symbolically simulates Order and Chaos dialectic, where art creation confers to these fragments of reality a new temporality and existence.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Religiosidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Angola]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Processo Criativo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Instalação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sagrado]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Profano]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Religiosity]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Angola]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Creative Process]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Installation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Sacred]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Profane]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>O Sagrado e o Profano na obra de Paulo Kapela ou a dial&eacute;tica da <i>Cria&ccedil;&atilde;o</i> como processo art&iacute;stico</b></p>     <p><b>Sacred and Profane in Paulo Kapela&#39;s work or the dialectic of <i>Creation</i> as artistic process</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Matos Pereira&#42;</b></p>     <p>&#42;Portugal, Artista pl&aacute;stica e professora. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas (Pintura) Faculdade de Belas Artes da universidade de Lisboa (FBAUL). Mestrado em Teorias da Arte (FBAUL) Doutoramento em Belas Artes, especializa&ccedil;&atilde;o de Pintura, FBAUL.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa (ESELx-IPL) Estrada do Calhariz de Benfica, 1549-003 Lisboa Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Este artigo aborda a obra de Paulo Kapela (n.1947, U&iacute;ge, Angola), atendendo &agrave;s conex&otilde;es que esta estabelece com um dom&iacute;nio alargado da religiosidade, fundindo arte e vida. Ao Reunir, num mesmo plano, uma mir&iacute;ade de objetos e imagens aparentemente d&iacute;spares, as instala&ccedil;&otilde;es de Kapela problematizam as defini&ccedil;&otilde;es de sagrado e profano, propondo um processo criativo que convoca, simbolicamente, uma dial&eacute;tica da Ordem e do Caos onde a Cria&ccedil;&atilde;o incute uma nova temporalidade e exist&ecirc;ncia a esses fragmentos da realidade. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Religiosidade / Angola / Processo Criativo / Instala&ccedil;&atilde;o / Sagrado / Profano.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article proposes an approach to the work of Paulo Kapela (n.1947, Uige, Angola), considering its connections with an extended idea of religiosity and merging art and life. Assembling, in the same plane, a myriad of disparate objects and images, Kapela&#39;s installations interrogate definitions of Sacred and Profane, proposing a creative process that symbolically simulates Order and Chaos dialectic, where art creation confers to these fragments of reality a new temporality and existence.</p>      <p><b>Keywords:</b> Religiosity / Angola / Creative Process / Installation / Sacred / Profane.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paulo Kapela (n.1947, U&iacute;ge) &eacute; um artista autodidata que, na d&eacute;cada de 1960 frequentou a Escola de pintura Poto-Poto em Brazzaville na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo sendo que atualmente vive e trabalha em Luanda. A sua obra conheceu uma maior visibilidade fora de Angola a partir de meados de 2000, quando, em 2003, vence o pr&eacute;mio CICIBA &#8211; Centro Internacional de Civiliza&ccedil;&atilde;o Bantu, em Brazzaville ou atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o em in&uacute;meras exposi&ccedil;&otilde;es coletivas quer no continente africano quer na Europa. Destas destacam-se a Trienal de Luanda, a representa&ccedil;&atilde;o angolana &agrave; 52&ordf; Bienal de Veneza em 2007 &#8211; concretizada na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Check List Luanda Pop</i> &#8211; as exposi&ccedil;&otilde;es itinerantes <i>Africa Remix</i> (2004-2006) e <i>R&eacute;plica e Rebeldia</i> (2006) <i>Luanda Smooth and Rave</i> em Bord&eacute;us (2009) ou mais recentemente <i>No Fly Zone</i> em Lisboa (2013).</p>     <p>Refer&ecirc;ncia para alguns jovens artistas angolanos, a obra de Kapela &eacute; dif&iacute;cil de classificar, destacando-se pela cria&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es que integram uma mir&iacute;ade de materiais d&iacute;spares como pinturas (que seguem uma linguagem da escola de Poto-Poto) imagens publicit&aacute;rias, s&iacute;mbolos religiosos, objetos do quotidiano, textos, desenhos, fotografia, <i>slogans</i> de propaganda politica que, no seu conjunto remetem, primeiramente, para a precariedade da viv&ecirc;ncia quotidiana do individuo/artista e incorporam as dimens&otilde;es est&eacute;tica/vivencial/ontol&oacute;gica fundindo arte e vida.</p>     <p>As instala&ccedil;&otilde;es de Paulo Kapela configuram-se como obras em aberto, propondo uma polissemia capaz de suscitar diferentes leituras. Neste sentido atenderei &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es que estas v&atilde;o revelando com os dom&iacute;nios do sagrado e do profano de onde sobressai uma dimens&atilde;o mythopoietica que sustenta, quer o processo criativo, quer a plasticidade, performatividade e visualidade da obra.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Sagrado/Profano, Caos/Ordem</b></p>     <p>Para Mircea Eliade o <i>sagrado e o profano</i> configuram-se como modalidades de <i>ser no mundo</i>, condi&ccedil;&otilde;es existenciais que dimensionam, ao longo da hist&oacute;ria, a rela&ccedil;&atilde;o do homem com o espa&ccedil;o, com o tempo, com a natureza e com o seu semelhante.</p>     <p>Esta rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de ser mediada pela apreens&atilde;o de um universo fragmentado que se configura enquanto <i>mundo</i> atrav&eacute;s de uma opera&ccedil;&atilde;o de significa&ccedil;&atilde;o e de simboliza&ccedil;&atilde;o que transforma os espa&ccedil;os informes em lugares vivenciais, carregados de significado.</p>     <p>Para o autor, mesmo a experi&ecirc;ncia do espa&ccedil;o profano guarda uma esp&eacute;cie de "sacraliza&ccedil;&atilde;o" dos lugares que os diferencia do espa&ccedil;o neutro, conferindo-lhe significa&ccedil;&otilde;es particulares, pessoais/individuais ou coletivas/sociais.</p>     <p>O conjunto dos espa&ccedil;os habitados, "sacralizados" atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de sentido, perfaz o mundo de cada individuo, um <i>cosmos</i>, expresso numa dimens&atilde;o individual, social e cultural. O espa&ccedil;o neutro &#8211; o "n&atilde;o lugar"&#8211; &eacute; indiferenciado, estranho, incarnando a ideia do <i>caos</i>.</p>     <p>Neste sentido, a arte assume um papel de media&ccedil;&atilde;o e/ou transversalidade j&aacute; que se poder&aacute; movimentar em ambas as dimens&otilde;es (a sagrada e a profana) preenchendo um interst&iacute;cio entre ambas; a interven&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica no espa&ccedil;o, a instala&ccedil;&atilde;o, confere um sentido, uma estrutura e uma forma que (re)significa o espa&ccedil;o neutro, qualificando-o, transfigurando-o num aesthetic locus. Esta ressemantiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o atrav&eacute;s da arte n&atilde;o deixa de estabelecer alguns elos de liga&ccedil;&atilde;o com a simboliza&ccedil;&atilde;o ("sacraliza&ccedil;&atilde;o") definida por autores como Eliade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, entendida nesta perspetiva, transforma-se, antes de tudo, num ato arquet&iacute;pico de atribui&ccedil;&atilde;o de significado a um <i>caos</i>, informe, impondo-lhe uma ordem e (re)ligando os fragmentos dispersos de um universo circundante. Possui igualmente um poder <i>mythopoi&eacute;tico</i> que atrav&eacute;s do imagin&aacute;rio molda e calibra, esteticamente, o terreno da experi&ecirc;ncia humana.</p>     <p>Neste caso, espelha as diferentes modalidades da experi&ecirc;ncia individual e coletiva, determina uma totalidade coerente, estruturada sob a forma de obra de arte, que, &agrave; sua escala perfaz um (micro)<i>cosmos</i> &#8211; entendido como espa&ccedil;o significante capaz de reunir e harmonizar os opostos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Espa&ccedil;o e Tempo</b></p>     <p>A obra de Paulo Kapela, entendida nesta perspetiva <i>mythopoietica</i> configura-se, antes de mais, como uma forma de apropria&ccedil;&atilde;o e habita&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o informe, do "n&atilde;o-lugar", transformando-o num <i>mundo</i> com significado e estrutura pr&oacute;prios, onde a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica assume a configura&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica de um ato de cria&ccedil;&atilde;o do mundo (mais concretamente da cria&ccedil;&atilde;o de um mundo ideal) que se repete e atualiza em cada instala&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em primeiro lugar, o espa&ccedil;o de interven&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica come&ccedil;a por ser o pr&oacute;prio lugar habitado pelo artista, o espa&ccedil;o da sua viv&ecirc;ncia quotidiana &#8211; evidenciando uma dif&iacute;cil condi&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>Nas palavras de Nadine Siegert:</p>     <blockquote><i>Ao aceder ao seu ateli&ecirc;, parece que se chega a um outro mundo, mas tamb&eacute;m a uma esp&eacute;cie de igreja. Atrav&eacute;s do telhado em destro&ccedil;os podemos ver parte do c&eacute;u, acentuando este ambiente &uacute;nico. De repente estamos num labirinto que consiste em in&uacute;meros objetos de diferentes origens, como latas, brinquedos e flores de pl&aacute;stico"</i>. (Siegert, 2010)</blockquote></p>     <p>O ac&uacute;mulo e mistura de objetos pertencentes a uma esfera quotidiana (latas de refrigerante, velas, revistas, fragmentos de espelhos, flores de pl&aacute;stico, publicidade, mapas, bandeiras, &iacute;cones da cultura popular, objetos <i>kitsh</i>, livros, etc.) s&iacute;mbolos religiosos e pol&iacute;ticos (crucifixos, estatuetas <i>nkisi, </i>m&aacute;scaras, imagens de santos cat&oacute;licos, retratos de Agostinho Neto, Eduardo dos Santos ou Che Guevara&#8230;), prop&otilde;e uma recria&ccedil;&atilde;o, transfigura&ccedil;&atilde;o e singulariza&ccedil;&atilde;o contantes do espa&ccedil;o vivencial ao mesmo tempo que religa diferentes dimens&otilde;es do <i>ser no mundo</i> (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a02f1.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a02f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A instala&ccedil;&atilde;o assume-se assim como uma forma de qualificar o espa&ccedil;o e diferencia-lo, produzindo uma rutura simb&oacute;lica; o espa&ccedil;o invadido pelos objetos, materiais, etc., &eacute; qualitativamente diferente do espa&ccedil;o homog&eacute;neo, profano.</p>     <p>A casa-atelier e por acr&eacute;scimo a organiza&ccedil;&atilde;o do seu espa&ccedil;o vivencial e simb&oacute;lico, transforma-se numa<i> imago mundi </i>que reflete as viv&ecirc;ncias sociais, culturais e individuais.</p>     <p>Tal como a obra de Paulo Kapela produz uma singulariza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, tamb&eacute;m motiva uma nova perspetiva de leitura temporal j&aacute; que ela re&uacute;ne e torna presente v&aacute;rios momentos-de-tempo. Esta heterogeneidade temporal da obra de Kapela n&atilde;o se circunscreve, por&eacute;m, &agrave;s refer&ecirc;ncias dos conte&uacute;dos expressos mas integra o processo de cria&ccedil;&atilde;o. Neste sentido a recolha, organiza&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o no universo da arte de objetos provenientes da esfera quotidiana &#8211; incluindo aqui os ciclos de vida e morte dos objetos de consumo &#8211; incute-lhe uma nova temporalidade qualitativamente diferente.</p>     <p>Por outro lado, interpelando as diferentes conce&ccedil;&otilde;es de tempo, as suas instala&ccedil;&otilde;es integram um conjunto de refer&ecirc;ncias que remetem, quer para o passado hist&oacute;rico de Angola (justapondo imagens de Agostinho Neto, Jonas Savimbi, Jos&eacute; Eduardo dos Santos, propaganda pol&iacute;tica, etc.) ou para o tempo ef&eacute;mero da quotidianidade. Estas duas dimens&otilde;es temporais marcam indelevelmente o seu imagin&aacute;rio pl&aacute;stico e esfera vivencial resultando a obra de arte num processo de procura de um continuum temporal atrav&eacute;s da reuni&atilde;o e fus&atilde;o das v&aacute;rias temporalidades fragmentadas.</p>     <p>Aqui a separa&ccedil;&atilde;o entre o ato criativo e a esfera religiosa torna-se um ponto de discuss&atilde;o, adensado pelas refer&ecirc;ncias recorrentes ao dom&iacute;nio de uma religiosidade, onde se misturam passagens da B&iacute;blia e imagens dos santos cat&oacute;licos, alus&otilde;es ao rastafarianismo, ou &agrave;s religi&otilde;es bantu, pontuadas por datas, apelos &agrave; uni&atilde;o e &agrave; paz, repetidamente inscritos nas molduras que circundam as suas colagens.</p>     <p>Por outro lado, a disposi&ccedil;&atilde;o dos materiais em cenografias que remetem para o espa&ccedil;o do altar religioso vem refor&ccedil;ar a complexidade da rela&ccedil;&atilde;o entre arte e religi&atilde;o proposta por Kapela nas suas instala&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O "altar" torna-se o lugar de reconcentra&ccedil;&atilde;o de fragmentos atrav&eacute;s de um processo criativo que, metaforizando um ato demi&uacute;rgico (onde o pr&oacute;prio artista se auto intitula profeta) d&aacute; forma a uma mat&eacute;ria segmentada insinuando a perce&ccedil;&atilde;o de novas rela&ccedil;&otilde;es e configurando a emerg&ecirc;ncia de novas formas &#8211; marcadas pela polissemia, e apelando a uma leitura aberta e ativa por parte do observador.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como um lugar cultual, as instala&ccedil;&otilde;es de Kapela resultam de uma estreita liga&ccedil;&atilde;o entre a materialidade vis&iacute;vel dos objetos e a incorporalidade da energia colocada no ato criativo/contemplativo interpelando uma ideia alargada de religiosidade (que n&atilde;o se circunscreve necessariamente a uma religi&atilde;o em particular) enquanto vis&atilde;o do mundo (englobando aqui o percurso hist&oacute;rico de Angola) que provoca a comunh&atilde;o entre entidades diversas, elidindo as fronteiras entre passado e presente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Iconografias e mitologias</b></p>     <p>Para l&aacute; do processo implicado na realiza&ccedil;&atilde;o das instala&ccedil;&otilde;es h&aacute; que atender &agrave; sua imag&eacute;tica, resultado de uma fus&atilde;o de realidades aparente d&iacute;spares, e a uma converg&ecirc;ncia entre os dom&iacute;nios da materialidade e da espiritualidade, da hist&oacute;ria e da mem&oacute;ria, da experi&ecirc;ncia individual e coletiva.</p>     <p>Nestas instala&ccedil;&otilde;es a presen&ccedil;a de um conjunto de s&iacute;mbolos e objetos religiosos aponta para uma leitura sincr&eacute;tica onde as estatuetas <i>nkisi </i>ou as m&aacute;scaras surgem como intercessores entre a realidade f&iacute;sica e uma dimens&atilde;o espiritual, entre a vida quotidiana do homem e um mundo povoado pelo esp&iacute;rito dos antepassados; onde o crucifixo crist&atilde;o assume igualmente um papel de mediador entre o homem e a (omni)presen&ccedil;a de Deus. Como vimos, a refer&ecirc;ncia ao campo religioso &eacute; complementada com um conjunto de inscri&ccedil;&otilde;es e colagens onde o autor se auto referencia como profeta ou como papa cat&oacute;lico (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a02f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&Agrave; imag&eacute;tica religiosa junta-se a uma iconografia socialista e nacionalista pontuada pelas figuras de Che Guevara, pelos presidentes de Angola, bandeira nacional entre outros s&iacute;mbolos e refer&ecirc;ncias escritas.</p>     <p>Todavia, este sentido experimental e vivencial da obra de Kapela &#8211; que funde numa pe&ccedil;a a experi&ecirc;ncia de <i>ser no mundo</i>, cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e est&eacute;tica &#8211; n&atilde;o se traduz como uma re-presenta&ccedil;&atilde;o mas integra globalmente a experi&ecirc;ncia de vida do artista onde sagrado e profano s&atilde;o dimens&otilde;es basilares.</p>     <p>A sua obra procura dar assim uma express&atilde;o est&eacute;tica quer &agrave;s formas da vida espiritual e psicol&oacute;gica como &agrave;s viv&ecirc;ncias sociais e hist&oacute;ricas assumindo uma dupla dimens&atilde;o ontol&oacute;gica e epistemol&oacute;gica. Se quisermos, a obra de Paulo Kapela traduz uma <i>mythopoiesis</i> que funde misticismo e uma po&eacute;tica individual onde a mitografia &eacute; a da sociedade angolana contempor&acirc;nea refletindo precisamente a sua hist&oacute;ria e estrutura social e cultural, atrav&eacute;s de uma partilha quer individual quer coletiva.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao tomar a realidade vivida como ponto de partida do seu trabalho &#8211; atrav&eacute;s da recolha, "arquivamento", apropria&ccedil;&atilde;o e estetiza&ccedil;&atilde;o dos seus fragmentos e desperd&iacute;cios &#8211; Paulo Kapela introduz uma interpela&ccedil;&atilde;o dessa(s) realidade(s), propondo uma vis&atilde;o imaginada da mesma num espa&ccedil;o/tempo outro.</p>     <p>Simultaneamente, vai problematizando a constru&ccedil;&atilde;o de uma mitografia contempor&acirc;nea que justap&otilde;e ideologia pol&iacute;tica, religi&atilde;o, arte e uma autorreferencialidade &#8211; quer art&iacute;stica quer biogr&aacute;fica &#8211; de onde sobressai um conjunto de imagens que moldaram a hist&oacute;ria e cultura contempor&acirc;neas em Angola &#8211; justapondo refer&ecirc;ncias aos her&oacute;is da na&ccedil;&atilde;o, nomes de artistas seus colegas, datas, passagens da B&iacute;blia, apelos &agrave; paz, etc&#8230; &#8211; e que em conjunto com a parafern&aacute;lia de objetos configuram, metaforicamente, um inconsciente coletivo, um modus vivendi da sociedade onde se insere &#8211; aqui reduzida a um microcosmos do atelier (<a href="#f4">Figura 4</a> e <a href="#f5">Figura 5</a>)</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a02f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a02f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota Final</b></p>     <p>A obra de Paulo Kapela n&atilde;o deixa de se insinuar como uma materializa&ccedil;&atilde;o, ao n&iacute;vel art&iacute;stico e est&eacute;tico, de um fundo filos&oacute;fico bantu onde o sagrado e o profano se intersetam num plano vivencial. Ao mesmo tempo expressa a contemporaneidade social/cultural e art&iacute;stica angolana, afirmando uma identidade individual, constru&iacute;da sobre diferentes estratos culturais, hist&oacute;ricos, sociais e est&eacute;tico-art&iacute;sticos, onde nacionalismo, afrocentrismo, cristianismo e p&oacute;s-modernismo se fundem.</p>     <p>A polissemia e dimens&atilde;o performativa da obra de Kapela retratam em primeiro lugar, a pr&oacute;pria complexidade da viv&ecirc;ncia quotidiana do autor, e transferem para uma outra esfera (a de uma religiosidade em sentido mais abrangente) a experi&ecirc;ncia do homem e a sua rela&ccedil;&atilde;o com o mundo, onde sagrado e profano perdem o antagonismo e ascendem a uma unidade simb&oacute;lica, totalizante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Alvim, Fernando; Njami, Simon; Sousa, Suzana (2013) <i>No Fly Zone. Unlimited Mileage</i>. Lisboa: Museu Cole&ccedil;&atilde;o Berardo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432759&pid=S1647-6158201400020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Eliade, Mircea (1997) <i>Tratado de Hist&oacute;ria das Religi&otilde;es</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432761&pid=S1647-6158201400020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fall, N&#39;Gon&eacute; ; Marques, Irene; Gumbe, Jorge (Ed.) (1998). "Revue Noire." <i>Art Contemporaine Africain</i> &#8211; Angola. N&ordm;29, Juin-Juillet&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432763&pid=S1647-6158201400020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kersten, Ben (2013) <i>Paulo Kapela on Angolan Politics, Religion, and History.</i> &#91;Consult. 2014-06-22&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://aadatart.com/paulo-kapela-on-angolan-politics-religionand-history/" target="_blank">http://aadatart.com/paulo-kapela-on-angolan-politics-religionand-history/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432764&pid=S1647-6158201400020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mixinge, Adriano (2009) <i>Made in Angola. Arte Contempor&acirc;nea, Artistas e Debates</i>. Paris: L&#39;Harmattan&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432765&pid=S1647-6158201400020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Paulo Kapela: "Arte &eacute; a recria&ccedil;&atilde;o da vida"(2013) <i>Cultura. Jornal Angolano de Artes e Letras</i>. &#91;Consult. 2014-06-22&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://jornalcultura.sapo.ao/artes/paulo-kapela-arte-e-a-recriacaoda-vida/fotos" target="_blank">http://jornalcultura.sapo.ao/artes/paulo-kapela-arte-e-a-recriacaoda-vida/fotos</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432766&pid=S1647-6158201400020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Siegert Nadine (2010) <i>Mestre Paulo Kapela &#8211; Re-estruturando o discordante</i> &#91;Consult. em 2014-06-25&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.buala.org/pt/cara-a-cara/mestre-paulokapela-re-estruturando-o-discordante" target="_blank">http://www.buala.org/pt/cara-a-cara/mestre-paulokapela-re-estruturando-o-discordante</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432767&pid=S1647-6158201400020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tucker, Michael (1992) <i>Dreaming with open eyes. The shamanic spirit in twentieth century art and culture.</i> London: Aquarian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432768&pid=S1647-6158201400020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 6 de Setembro e aprovado a 23 de setembro de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name = "c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresamatospereira@yahoo.com">teresamatospereira@yahoo.com</a></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alvim]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Njami]]></surname>
<given-names><![CDATA[Simon]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sousa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Suzana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[No Fly Zone: Unlimited Mileage]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Museu Coleção Berardo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Eliade]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mircea]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tratado de História das Religiões]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Asa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fall]]></surname>
<given-names><![CDATA[N'Goné]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[Irene]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gumbe]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jorge]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Art Contemporaine Africain]]></source>
<year>1998</year>
<numero>29</numero>
<issue>29</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kersten]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ben]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Paulo Kapela on Angolan Politics, Religion, and History]]></source>
<year>2013</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mixinge]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adriano]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Made in Angola: Arte Contemporânea, Artistas e Debates]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[L'Harmattan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Paulo Kapela: Arte é a recriação da vida]]></article-title>
<source><![CDATA[Cultura. Jornal Angolano de Artes e Letras]]></source>
<year>2013</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Siegert]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nadine]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mestre Paulo Kapela: Re-estruturando o discordante]]></source>
<year>2010</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tucker]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michael]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dreaming with open eyes: The shamanic spirit in twentieth century art and culture]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Aquarian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
