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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Migration, Mobility, and Borders: Issues of Theory and Policy, IKO-Verlag fur Interkulturelle Kommunikation]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><I>Thomas Geisen, Anthony Andrew Hickey, Allen Karcher </I>(eds.), <B>Migration,    Mobility, and Borders. Issues of Theory and Policy, IKO-Verlag fur Interkulturelle    Kommunikation,</B><I> </I>Frankfurt am Main/Londres, 2004, 186 p&aacute;ginas.  </p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="justify">Com contributos da Austr&aacute;lia, dos Estados Unidos e da    Europa, os oito ensaios que integram o volume <I>Migration, Mobility, and Borders</I>    <I>(Migra&ccedil;&atilde;o, Mobilidade e Fronteiras) </I>constituem uma tentativa    de abordar os temas ep&oacute;nimos num contexto global. No que concerne &agrave;s    &#171;fronteiras&#187;, na &#171;Introdu&ccedil;&atilde;o&#187;, os editores    apontam o facto de que tais fronteiras n&atilde;o s&atilde;o meras linhas de    demarca&ccedil;&atilde;o num mapa: possuem significado social, cultural e pol&iacute;tico    relativamente &agrave;quilo que definem, incluem e excluem. Do mesmo modo, as    entidades que as fronteiras definem &#151; estados, prov&iacute;ncias ou comunidades    &#151; possuem tamb&eacute;m vida pr&oacute;pria. Como tal, os movimentos transfronteiri&ccedil;os    encerram um significado que transcende a simples passagem f&iacute;sica de uma    fronteira e a vida dentro das fronteiras est&aacute; dependente das diversas    divis&otilde;es internas.      <P ALIGN="justify">Partindo deste ponto, os restantes ensaios identificam outras    tens&otilde;es que marcam a teoriza&ccedil;&atilde;o da migra&ccedil;&atilde;o:    o modo como divis&otilde;es internamente constru&iacute;das como classe, g&eacute;nero    ou ra&ccedil;a se tornam fronteiras em si mesmas, com ou sem diferencia&ccedil;&otilde;es    espaciais; contudo, n&atilde;o obstante a import&acirc;ncia destes fen&oacute;menos    e de outros desenvolvimentos, como a globaliza&ccedil;&atilde;o e a exist&ecirc;ncia    de entidades metanacionais, como a Uni&atilde;o Europeia, os editores defendem    tamb&eacute;m que as fronteiras n&atilde;o devem ser ignoradas, sejam elas antigas    fronteiras nacionais ou fronteiras redesenhadas por forma&ccedil;&otilde;es    &eacute;tnicas.      <P  ALIGN="justify">Quatro dos cap&iacute;tulos que comp&otilde;em esta antologia    incidem sobre a Europa. &#171;Migration as a balancing process: individual and    societal connections of mobility&#187;, de Dirk Hoerder, professor de Hist&oacute;ria    na Universidade de Bremen, analisa a avalia&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es    de vida realizada pelos migrantes. O processo de equil&iacute;brio que cada    migrante (potencial) tem de efectuar, possivelmente em conjunto com a sua fam&iacute;lia,    envolve a avalia&ccedil;&atilde;o das futuras possibilidades econ&oacute;micas    e sociais em &#171;casa&#187; e no exterior, particularmente a possibilidade    (ou aus&ecirc;ncia de possibilidade) de alcan&ccedil;ar um n&iacute;vel de vida    m&iacute;nimo. Este paradigma surge em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; concep&ccedil;&atilde;o    dos migrantes como &#171;desenraizados&#187; ou, na Alemanha, &#171;sujeitos    sem p&aacute;tria&#187; <I>(vaterlandslose Gesellen).</I> As dificuldades culturais    que os alem&atilde;es experimentaram historicamente na concep&ccedil;&atilde;o    da migra&ccedil;&atilde;o como um processo de decis&atilde;o pragm&aacute;tico,    mais do que um processo de imola&ccedil;&atilde;o virtual da identidade nacional,    s&atilde;o ilustradas pela predisposi&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua e folclore    alem&atilde;es para o sedentarismo; como afirma Hoerder, &#171;a l&iacute;ngua    nunca &eacute; neutra&#187; (2004, p. 16).      <P ALIGN="justify">A afirma&ccedil;&atilde;o da &#171;escolha&#187; (ou de uma    abordagem de custos/benef&iacute;cios) como o paradigma dominante para a compreens&atilde;o    da migra&ccedil;&atilde;o, se bem que muitas vezes limitada por condi&ccedil;&otilde;es    estruturais econ&oacute;micas e sociais (incluindo as pol&iacute;ticas governamentais),    &eacute; intensificada pela considera&ccedil;&atilde;o dos sistemas que interagem    com processos individuais de tomada de decis&atilde;o e op&ccedil;&otilde;es    de migra&ccedil;&atilde;o preexistentes: ao n&iacute;vel micro, o pessoal e    o familiar (ou seja, factores emocionais, intelectuais e religiosos); ao n&iacute;vel    que Hoerder denomina como &#171;meso&#187;, de regi&atilde;o e estrutura (por    exemplo, redes comunit&aacute;rias e familiares); finalmente, ao n&iacute;vel    macro, em sistemas de migra&ccedil;&atilde;o preexistentes, sejam eles transcontinentais    ou transoce&acirc;nicos.      <P ALIGN="justify">Os factores que influenciam a decis&atilde;o de migrar s&atilde;o    ainda mais desenvolvidos em &#171;People on the move: the inclusion of migrants    in `labor transfer systems' &#151; the European case&#187;, de Thomas Geisen,    da Universidade de Zurique. Este cap&iacute;tulo examina a din&acirc;mica do    desenvolvimento s&oacute;cio-hist&oacute;rico dos movimentos migrat&oacute;rios,    incluindo uma an&aacute;lise aprofundada da contradi&ccedil;&atilde;o entre    migra&ccedil;&atilde;o como uma ac&ccedil;&atilde;o de inspira&ccedil;&atilde;o    individual e um acontecimento determinado por estruturas s&oacute;cio-econ&oacute;micas;    o papel da interac&ccedil;&atilde;o entre migrantes &eacute; tamb&eacute;m trazido    &agrave; luz. Al&eacute;m disso, numa perspectiva que muito deve a Wallerstein,    o autor refere o estabelecimento de um sistema global de diferentes padr&otilde;es    migrat&oacute;rios, uma rede historicamente interligada &agrave; expans&atilde;o    colonial e ao desenvolvimento do capitalismo, fornecendo m&atilde;o-de-obra    e for&ccedil;a militar sempre que estas eram necess&aacute;rias &agrave;s pot&ecirc;ncias    coloniais e capitalistas. Estes padr&otilde;es de movimento s&atilde;o descritos    e analisados por Geisen em termos de &#171;sistemas de transfer&ecirc;ncia de    m&atilde;o-de-obra&#187;. Por exemplo, o processo de manuten&ccedil;&atilde;o    da supremacia da Europa e do Atl&acirc;ntico Norte serviu tamb&eacute;m para    regularizar determinados movimentos migrat&oacute;rios internos e externos &#151;    por exemplo, o fluxo de escravos para os pa&iacute;ses colonizados e no interior    dos mesmos. Geisen analisa desenvolvidamente as cinco diferentes fases de tais    migra&ccedil;&otilde;es, desde a ascens&atilde;o da Espanha e o in&iacute;cio    da coloniza&ccedil;&atilde;o europeia do continente americano at&eacute; aos    diversos movimentos do p&oacute;s-guerra no s&eacute;culo XX.      <P ALIGN="justify">O resto do cap&iacute;tulo aborda a rela&ccedil;&atilde;o entre    a migra&ccedil;&atilde;o e o estado--na&ccedil;&atilde;o e &eacute; de particular    interesse para os estudiosos da &aacute;rea, tendo em conta a tend&ecirc;ncia    para se considerarem os movimentos humanos apenas em termos de fluxos populacionais    internacionais. De facto, o significado sociol&oacute;gico dos movimentos de    cidade para cidade, de vila para vila e de aldeia para aldeia, etc., n&atilde;o    deve ser ignorado. Dentro das na&ccedil;&otilde;es, as pol&iacute;ticas de migra&ccedil;&atilde;o    tendem a ser contradit&oacute;rias: frequentemente, as migra&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o necess&aacute;rias &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de uma m&atilde;o-de-obra    adequada; por&eacute;m, s&atilde;o desvalorizadas ou at&eacute; olhadas com    desconfian&ccedil;a &#151; uma desconfian&ccedil;a renovada &agrave; luz da    amea&ccedil;a do terrorismo global. Para colocar a quest&atilde;o em termos    mais coloquiais, os migrantes s&atilde;o muitas vezes necess&aacute;rios, mas    nem sempre desejados.      <P ALIGN="justify">Se as pr&oacute;prias fronteiras nacionais exercem de facto    um efeito regulador decisivo sobre a migra&ccedil;&atilde;o, tal poder&aacute;    verificar-se mais em termos de barreiras burocr&aacute;ticas do que de barreiras    f&iacute;sicas; por detr&aacute;s dos seus &#171;muros&#187;, os governos utilizam    o seu poder pol&iacute;tico-econ&oacute;mico para encorajarem determinados tipos    de migrantes e dissuadirem outros. Mas quem s&atilde;o os migrantes culturalmente    adequados? De acordo com Geisen, a prefer&ecirc;ncia por migrantes portugueses    no Luxemburgo, por exemplo, devia-se em parte &agrave; sua f&eacute; cat&oacute;lica.    As pr&oacute;prias teorias da migra&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m variado historicamente,    sendo necessariamente diferenciadas em termos sociais, pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos.    Isto deve-se, e n&atilde;o em &uacute;ltimo caso, ao facto de os migrantes possu&iacute;rem    uma multiplicidade de raz&otilde;es para os seus movimentos e estarem sujeitos    &agrave; influ&ecirc;ncia de uma multiplicidade de for&ccedil;as estruturantes,    incluindo os sistemas burocr&aacute;ticos, e de situa&ccedil;&otilde;es subjectivas,    o que exige uma perspectiva te&oacute;rica multifocal. A an&aacute;lise da migra&ccedil;&atilde;o    como um &#171;sistema de transfer&ecirc;ncia de m&atilde;o-de-obra&#187; &eacute;    em si mesma baseada na no&ccedil;&atilde;o marxista da m&atilde;o-de-obra como    uma mercadoria de troca. No &#171;sistema global moderno&#187; (Wallerstein),    esta m&atilde;o-de-obra abstracta est&aacute; &agrave; venda. Ocorreu um afastamento    hist&oacute;rico gradual da concep&ccedil;&atilde;o do trabalhador como mercadoria    (escravatura), em benef&iacute;cio da no&ccedil;&atilde;o do trabalhador como    um agente mais ou menos livre, servindo a migra&ccedil;&atilde;o como forma    de suprir as car&ecirc;ncias de m&atilde;o-de-obra onde quer que se verifiquem.    Geisen introduz o conceito de capital de Bourdieu enquanto rela&ccedil;&atilde;o    de poder num contexto social, distinguindo entre capital econ&oacute;mico, capital    cultural e capital social; do que podemos inferir que o processo de decis&atilde;o    de migra&ccedil;&atilde;o &#151; com os movimentos de trabalhadores como parte    do processo de &#171;transfer&ecirc;ncia de m&atilde;o-de-obra&#187; &#151;    &eacute; conduzido pela posse destes capitais. Por conseguinte, os &#171;sistemas    de transfer&ecirc;ncia de m&atilde;o-de-obra&#187; n&atilde;o podem ser interpretados    unicamente com base na economia, mas antes como um complemento da interconex&atilde;o    de processos econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos, sociais e culturais.      <P ALIGN="justify">&#171;International norms and refugees: the concentration camp    world of the australian state&#187;, de Alastair Davidson, da Universidade de    Tecnologia Swinburne, de Melbourne, apresenta uma an&aacute;lise esclarecedora    sobre a recente &#171;crise&#187; de refugiados na Austr&aacute;lia; apesar    dos n&iacute;veis relativamente reduzidos dos pedidos de estatuto de refugiado    por parte de estrangeiros ilegais (9450 em 1991, em compara&ccedil;&atilde;o,    por exemplo, com os 71 000 no Reino Unido), o governo australiano promulgou    em 1992 leis draconianas que estabeleciam a deten&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria    de migrantes considerados &#171;ileg&iacute;timos&#187; e institu&iacute;am    uma rede de campos de deten&ccedil;&atilde;o para tais indiv&iacute;duos. Isto    incluiu o estabelecimento de campos <I>offshore</I> nas ilhas do Pac&iacute;fico    que t&ecirc;m sido alvo de muitas cr&iacute;ticas. Davidson centra a sua an&aacute;lise    cr&iacute;tica na situa&ccedil;&atilde;o dos &#171;boat people&#187; ilegais,    tipicamente oriundos do arquip&eacute;lago do sudeste asi&aacute;tico, que enfrentam    uma complexa situa&ccedil;&atilde;o legal no que concerne a solicitarem asilo    devido a pr&aacute;ticas do governo australiano, como a redefini&ccedil;&atilde;o    do seu territ&oacute;rio nacional com vista a evitar obriga&ccedil;&otilde;es    legais. Assim, estes migrantes enfrentam o perigo de se tornarem <I>civiliter    mortuum,</I> sendo efectivamente destitu&iacute;dos de quaisquer direitos; em    consequ&ecirc;ncia, Davidson relata casos de viola&ccedil;&atilde;o, abuso de    crian&ccedil;as, fome e tortura.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="justify">Kathleen Weekley, da Universidade de Wollongong, Austr&aacute;lia,    assina o ensaio &#171;US-Philippines `special relations' revived? National borders    and the war against terror&#187;. Estas circunst&acirc;ncias, caracterizadas    por uma renovada coopera&ccedil;&atilde;o militar entre os dois pa&iacute;ses,    fazem eco de uma era anterior em que os Estados Unidos mantinham acordos &#151;    e bases &#151; militares nas Filipinas, mas agora com a inten&ccedil;&atilde;o    de, nas palavras do secret&aacute;rio da Defesa norte-americano Donald Rumsfeld,    &#171;desenvolverem um melhor trabalho no combate [&#133;] aos terroristas&#187;.    &Agrave; semelhan&ccedil;a de Davidson, Weekley contextualiza a sua an&aacute;lise    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o das fronteiras: estabelecidas,    neste caso espec&iacute;fico, como forma de protec&ccedil;&atilde;o contra as    diversas comunidades &eacute;tnicas mu&ccedil;ulmanas e/ou outras do sul das    Filipinas. Significativamente, as incurs&otilde;es dos Estados Unidos nas Filipinas    s&atilde;o consideradas em termos do seu car&aacute;cter transnacional, mais    do que em termos de uma ofensa &agrave; soberania nacional do pa&iacute;s, sendo    esta &uacute;ltima quest&atilde;o cada vez mais irrelevante face ao discurso    da guerra ao terror, pelo menos em termos de ret&oacute;rica.      <P  ALIGN="justify">&#171;Gambling and the economic security of the american Indian:    the case of the eastern band of Cherokees&#187;, de Anthony Andrew Hickey, da    Universidade da Carolina Ocidental, analisa a quest&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o    e da pobreza numa das &#171;col&oacute;nias internas&#187; dos Estados Unidos.    Ao longo dos &uacute;ltimos anos, os casinos de jogo das tribos nativas norte-americanas    tornaram-se uma importante resposta econ&oacute;mica &agrave; pobreza. Contudo,    o sucesso econ&oacute;mico do jogo tribal &eacute; algo contradit&oacute;rio,    com a riqueza concentrada num pequeno n&uacute;mero de tribos e muitos fracassos    financeiros absolutos. Hickey estuda o caso do Bando Oriental da Na&ccedil;&atilde;o    Cherokee, localizado na Carolina do Norte ocidental. A reserva permaneceu mergulhada    na pobreza durante a maior parte do s&eacute;culo xx, at&eacute; &agrave; chegada    do casino, que exerceu um efeito positivo sobre o desenvolvimento econ&oacute;mico,    apesar dos problemas ambientais que come&ccedil;aram a emergir como efeito secund&aacute;rio    desse sucesso econ&oacute;mico &#151; por exemplo, a n&iacute;vel do tr&acirc;nsito    e do grande crescimento urbano.      <P ALIGN="justify">Katrin Kraus, da Universidade de Zurique, apresenta &#171;Constructing    `Europe' and the `European identity': the role of education in the process of    european unification&#187;, analisando, em particular, a pol&iacute;tica de    mobilidade. Kraus faz notar que a integra&ccedil;&atilde;o europeia tem sido    um processo cont&iacute;nuo, com a mobilidade como parte do progresso integrativo,    isto &eacute;, promovendo n&atilde;o apenas as l&iacute;nguas, o reconhecimento    transnacional e os encontros &#171;estrangeiros&#187;, mas tamb&eacute;m sentimentos    de perten&ccedil;a &agrave; Europa; o estabelecimento de leis comuns e da uni&atilde;o    monet&aacute;ria, na forma do euro, constitui outro pilar auto-evidente da integra&ccedil;&atilde;o.    A par da din&acirc;mica exterior da integra&ccedil;&atilde;o, Kraus sublinha    a import&acirc;ncia dos desenvolvimentos de &#171;integra&ccedil;&atilde;o mental&#187;    que ajudam a garantir a aceita&ccedil;&atilde;o da uni&atilde;o. Com estes dois    esfor&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o, a Uni&atilde;o Europeia, enquanto    organiza&ccedil;&atilde;o supranacional, procura competir com as na&ccedil;&otilde;es    pela posi&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o da    identidade individual (e pol&iacute;tica). A pol&iacute;tica educacional &#171;integrativa&#187;    tem inclu&iacute;do programas de ac&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o    e forma&ccedil;&atilde;o, como o <I>S&oacute;crates </I>e o <I>Leonardo da Vinci,</I>    ac&ccedil;&otilde;es &#171;program&aacute;ticas&#187;, como o Ano Europeu da    Aprendizagem ao Longo da Vida (1996) e o Ano Europeu das L&iacute;nguas (2001),    directivas gerais, o fornecimento de dados comparativos (atrav&eacute;s, por    exemplo, do programa <I>Eur&iacute;dice</I>) e o Fundo Social Europeu, entre    outras medidas. A somar a tais iniciativas pol&iacute;ticas est&aacute; a &ecirc;nfase    numa &#171;cidadania activa&#187;, o que significa que os cidad&atilde;os europeus    devem descobrir e aceitar a Europa como uma &aacute;rea social e pol&iacute;tica    de relev&acirc;ncia para si pr&oacute;prios.      <P ALIGN="justify">Gottfried Mergner, da Universidade de Oldenburg, Alemanha,    explora &#171;The `national heritage' of German colonialism: the continuing    presence of the colonial past in germany.&#187; Apesar de o imp&eacute;rio alem&atilde;o    ter possu&iacute;do col&oacute;nias, maioritariamente em &Aacute;frica, durante    apenas cinquenta anos, Mergner revela tra&ccedil;os de discurso colonialista    no presente. Estas incurs&otilde;es inspiradas pela religi&atilde;o e pela ideologia    nacionalista de finais do s&eacute;culo XIX e primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo    XX&#151; ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia do Congo (1884-1885) &#151; transportavam    consigo a imagem estereotipada do &#171;negro&#187; e da &#171;negra&#187;,    manifesta&ccedil;&otilde;es que Mergner encontra na literatura infantil; de    facto, o autor defende que o conceito de &#171;negro&#187; est&aacute; intimamente    ligado ao da inf&acirc;ncia na sociedade burguesa, com as crian&ccedil;as e    os negros tipificados como criaturas da natureza que carecem de uma influ&ecirc;ncia    civilizadora &#151; com a importante diferen&ccedil;a de os segundos serem destinados    aos n&iacute;veis mais baixos da sociedade, ao passo que as primeiras s&atilde;o    burgueses em pot&ecirc;ncia. Actualmente, a manifesta&ccedil;&atilde;o mais    popular deste fen&oacute;meno na Alemanha surge na forma do &#171;Sarotti Negro&#187;,    uma figura dos an&uacute;ncios publicit&aacute;rios de uma conhecida marca de    chocolates &#151; o popular doce coberto de chocolate tem o nome de &#171;beijo    negro&#187; <I>(Negerkuss).</I>      <P ALIGN="justify">Na avalia&ccedil;&atilde;o da utilidade desta compila&ccedil;&atilde;o    para os estudiosos da &aacute;rea podemos apontar como uma cr&iacute;tica &oacute;bvia    o seu car&aacute;cter ecl&eacute;ctico; certamente n&atilde;o existe uma rela&ccedil;&atilde;o    directa, ou sequer indirecta, entre, por exemplo, a pol&iacute;tica externa    dos Estados Unidos nas Filipinas e o discurso colonial da Alemanha. Contudo,    j&aacute; que o eclectismo &eacute; uma &#171;falha&#187; praticamente universal    das antologias de v&aacute;rios autores, tal n&atilde;o &eacute; com certeza    um defeito grave. Mais potencialmente enganadora para o leitor &eacute; a sinopse    da contracapa, ao dar a entender que os ensaios do volume se centram nas quest&otilde;es    da migra&ccedil;&atilde;o e das fronteiras no contexto do p&oacute;s-11 de Setembro,    quando, na verdade, apenas o artigo de Weekley o faz. Por&eacute;m, alguns destes    ensaios proporcionam informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis aos estudiosos da    migra&ccedil;&atilde;o, particularmente em &aacute;reas especializadas para    as quais escasseiam as an&aacute;lises aprofundadas; a explora&ccedil;&atilde;o    dos processos de tomada de decis&atilde;o da migra&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m    do puramente econ&oacute;mico (Hoerder e Geisen) e a an&aacute;lise do discurso    da integra&ccedil;&atilde;o europeia (Kraus) s&atilde;o particularmente oportunas.    A esta luz, a compila&ccedil;&atilde;o deve ser entendida n&atilde;o tanto como    uma antologia de ensaios sobre a migra&ccedil;&atilde;o, a mobilidade e as fronteiras    <I>per se,</I> mas antes como uma s&eacute;rie de artigos sobre quest&otilde;es    relacionadas com este amplo tema.      <P ALIGN="RIGHT">      <P ALIGN="RIGHT">David Cairns      ]]></body>
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