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</front><body><![CDATA[ <p><i>C. Leccardi e E. Ruspini</i> (eds.), <b>A New Youth? Young People, Generations and Family Life</b>, Ashgate, Aldershot, 2006.</p>      <p align="justify">Como referido no pref&aacute;cio a esta compila&ccedil;&atilde;o    de ensaios, os desenvolvimentos te&oacute;ricos no estudo da juventude t&ecirc;m    ultrapassado frequentemente o ritmo da investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica    na mesma &aacute;rea, verificando-se uma relativa desaten&ccedil;&atilde;o relativamente    &agrave; diversidade das experi&ecirc;ncias da juventude em favor de considera&ccedil;&otilde;es    sobre o impacto da p&oacute;s-modernidade ou da individualiza&ccedil;&atilde;o.    &Agrave; laia de compensa&ccedil;&atilde;o, os catorze importantes estudo reunidos    no presente volume cobrem aspectos diversos da vida dos jovens, que v&atilde;o    desde as rela&ccedil;&otilde;es familiares intergeracionais at&eacute; aos variados    desafios enfrentados pelos jovens durante a transi&ccedil;&atilde;o para a idade    adulta em diferentes contextos nacionais &#8212; maioritariamente europeus &#8212;    e sociais.</p>     <p align="justify">O primeiro estudo, de Carmen Leccardi (Universidade de Mil&atilde;o-Bicocca),    &laquo;Facing uncertainty: temporality and biographies in the new century&raquo;,    proporciona uma avalia&ccedil;&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o dos jovens    para a idade adulta. A autora estabelece um paralelo entre a perda de regularidade    temporal no seio da sociedade p&oacute;s-industrial com a ruptura da narrativa    biogr&aacute;fica linear no curso de vida dos jovens, concluindo essencialmente    que &eacute; hoje necess&aacute;rio mais tempo e engenho para que um jovem se    torne adulto. Leccardi ilustra o impacto desta ruptura sobre a juventude italiana    e os seus processos de planeamento de vida, descrevendo em pormenor os mecanismos    pelos quais esses jovens lidam com a &laquo;subjectiviza&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica&raquo;    e a perda de certezas. Os dados emp&iacute;ricos prov&ecirc;m de um estudo qualitativo    longitudinal sobre as experi&ecirc;ncias temporais de jovens milaneses, as quais,    como seria de esperar, variam no que toca &agrave; capacidade de tra&ccedil;ar    planos para uma vida futura; a tend&ecirc;ncia para planear o futuro pode ser    substitu&iacute;da ou minimizada pelo estabelecimento de linhas directrizes    provis&oacute;rias ou praticamente abandonada em favor do acaso.</p>     <p align="justify">Leccardi identifica um sentimento generalizado nos relatos    destes jovens milaneses, dando particular &ecirc;nfase &agrave;s experi&ecirc;ncias    das jovens mulheres, que o tempo acelerou, estimulando uma orienta&ccedil;&atilde;o    para o presente, em detrimento do futuro, enquanto as jovens se esfor&ccedil;am    por acompanharem o ritmo de vida. Estes relatos constituem um registo inestim&aacute;vel    de uma juventude aparentemente inst&aacute;vel em termos temporais, se bem que    os casos citados pare&ccedil;am partilhar um elemento de continuidade &#8212;    nomeadamente a estabilidade geogr&aacute;fica e, em particular, a prolongada    perman&ecirc;ncia dos jovens em casa dos pais.</p>     <p align="justify">Andy Biggart e Andreas Walther (Universidade de T&uuml;bingen)    assinam &laquo;Coping with yo-yo-transitions. Young adults&#8217; struggle for    support, between family and state in comparative perspective&raquo;, um estudo    centrado naquilo que os autores descrevem como o fen&oacute;meno das transi&ccedil;&otilde;es    cada vez mais desestandardizadas &#8212; algo que se verifica, por exemplo,    na passagem do sistema escolar para o mercado de trabalho ou para o pleno estatuto    de adulto. Este fen&oacute;meno resulta em estados vari&aacute;veis de semidepend&ecirc;ncia:    por exemplo, alguns jovens alcan&ccedil;am a independ&ecirc;ncia econ&oacute;mica,    mas permanecem dependentes da fam&iacute;lia em termos de apoio cultural e emocional.    O fen&oacute;meno &eacute; descrito como uma condi&ccedil;&atilde;o &laquo;i&oacute;-i&oacute;&raquo;,    marcada por situa&ccedil;&otilde;es pendentes de dura&ccedil;&atilde;o incerta,    com os jovens alternando entre o emprego e o desemprego e entre a resid&ecirc;ncia    independente e a casa dos pais. Os dados emp&iacute;ricos procedem de uma s&eacute;rie    de pesquisas recentes que assinalam as disparidades regionais dentro da Europa    de acordo com diferentes &laquo;regimes de transi&ccedil;&atilde;o&raquo;; esta    diversidade est&aacute; tamb&eacute;m relacionada com factores como a depend&ecirc;ncia    econ&oacute;mica e habitacional e as interac&ccedil;&otilde;es entre estes factores    estruturais e as experi&ecirc;ncias subjectivas individuais &#8212; e, em particular,    com a tomada de decis&otilde;es relativamente &agrave; carreira profissional    e a outras quest&otilde;es de ordem pessoal.</p>     <p align="justify">Em &laquo;Individualization and the changing youth life&raquo;,    Sven M&oslash;rch e Helle Andersen (Universidade de Copenhaga) abordam a quest&atilde;o    da individualiza&ccedil;&atilde;o no contexto das mudan&ccedil;as de vida. A    individualiza&ccedil;&atilde;o &eacute; analisada no contexto da educa&ccedil;&atilde;o,    sendo o sistema educativo interpretado como a &laquo;incubadora&raquo; do individual.    Contudo, uma vez que o individual &eacute; cada vez mais entendido como um assunto    independente na sociedade &laquo;modernista&raquo;, o processo de individualiza&ccedil;&atilde;o    &eacute; efectivamente subjectivizado: o desenvolvimento individual &eacute;    visto no contexto de um novo paradigma de integra&ccedil;&atilde;o social, valorizando-se    os pap&eacute;is da fam&iacute;lia e da juventude, bem como a import&acirc;ncia    dos grupos de pares. Assim, no actual processo de individualiza&ccedil;&atilde;o,    os jovens disp&otilde;em de oportunidades mais amplas para moldarem os seus    destinos futuros, se bem que as suas hip&oacute;teses de individualiza&ccedil;&atilde;o    possam ser diminu&iacute;das por factores como o grau de forma&ccedil;&atilde;o    acad&eacute;mica ou o n&iacute;vel s&oacute;cio-econ&oacute;mico dos seus pais.    Uma outra transforma&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; pr&oacute;pria juventude,    uma fase da vida que se tornou cada vez mais prolongada sob as condi&ccedil;&otilde;es    &laquo;modernistas&raquo;; de facto, nos nossos actuais modelos de consumo cultural    e de orienta&ccedil;&atilde;o de vida tornou-se popular permanecer &laquo;jovem&raquo;,    pelo que a fase &laquo;juvenil&raquo; pode parecer prolongar-se indefinidamente.</p>     <p align="justify">Toby Daspit (Universidade de Luisiana), Gunilla Holm e Allison    J. Kelaher Young (West Michigan University), num ensaio intitulado &laquo;The    sky is always falling. (Un)Changing views on youth in the US&raquo;, analisam    a crise da juventude norte-americana aparentemente provocada pelos meios de    entretenimento, apresentando para o efeito quatro &laquo;instant&acirc;neos &raquo;    emblem&aacute;ticos; os autores desmontam eficazmente uma s&eacute;rie    de concep&ccedil;&otilde;es err&oacute;neas relativamente &agrave; juventude    americana &#8212; por exemplo, no que diz respeito &agrave; viol&ecirc;ncia    e &agrave; gravidez adolescente &#8212;, defendendo que tal perspectiva constitui,    desde h&aacute; d&eacute;cadas, uma forma de controlar a juventude americana.    Para os autores, essa perspectiva n&atilde;o s&oacute; diagnostica erradamente    a condi&ccedil;&atilde;o de jovem, como tamb&eacute;m ignora a diversidade entre    os jovens, que por vezes apresentam m&uacute;ltiplas identidades.</p>     <p align="justify">Helena Helve (Universidade de Kuopio) analisa o contexto finland&ecirc;s    em &laquo;Social changes and multicultural values of young people&raquo;. Neste    estudo, a autora relaciona os valores dos jovens com as condi&ccedil;&otilde;es    econ&oacute;micas e sociais do seu pa&iacute;s, revelando que a exist&ecirc;ncia    de diferentes atitudes e valores &#8212; no que diz respeito, por exemplo, &agrave;    pol&iacute;tica e ao meio ambiente &#8212; resulta de diferen&ccedil;as ao n&iacute;vel    da forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica dos jovens. Num resultado interessante    &agrave; luz do contributo de M&oslash;rch e Andersen, da vizinha Dinamarca,    a autora afirma ainda que esses sistemas de cren&ccedil;a individualistas foram    valorizados durante a d&eacute;cada de 90, talvez como uma resposta c&iacute;nica    aos partidos pol&iacute;ticos e &agrave;s pol&iacute;ticas que implementaram    no seguimento das dificuldades econ&oacute;micas que marcaram esse per&iacute;odo.    As diferen&ccedil;as de g&eacute;nero s&atilde;o tamb&eacute;m vis&iacute;veis,    com as jovens do sexo feminino aparentemente mais preocupadas com as quest&otilde;es    ambientais, enquanto os jovens do sexo masculino atribuem uma maior import&acirc;ncia    &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; tecnologia.</p>     <p align="justify">Sarah Hillcoat-Natt&eacute;tamby e Arunachalam Dharmalongam    (Universidade de Waikato) contribuem para o volume com &laquo;Solidarity in    New Zealand. Parental support in a three-generation context&raquo;, no qual    examinam a &laquo;solidariedade funcional&raquo;, isto &eacute;, o apoio que    os pais e os av&oacute;s continuam a proporcionar aos jovens ap&oacute;s estes    terem abandonado a casa familiar. As autoras fazem notar que na Nova Zel&acirc;ndia,    tal como parece ocorrer tamb&eacute;m na Europa, observamos um refor&ccedil;o    do apoio familiar aos jovens em resposta &agrave; crescente complexidade do    processo de transi&ccedil;&atilde;o para a idade adulta, bem como uma perman&ecirc;ncia    mais prolongada na casa familiar. Estudos anteriores revelaram que a idade e    o g&eacute;nero constituem elementos importantes para a defini&ccedil;&atilde;o    destas rela&ccedil;&otilde;es de apoio; as autoras mostram tamb&eacute;m que    os pais tendem a fornecer apoio n&atilde;o apenas aos filhos, depois de estes    abandonarem a casa familiar, como tamb&eacute;m aos pr&oacute;prios pais, se    bem que as verdadeiras formas destes dois n&iacute;veis de apoio variem acentuadamente    de acordo com as gera&ccedil;&otilde;es: os filhos tendem a receber ajuda emocional    e financeira, ao passo que os av&oacute;s recebem mais ajuda em g&eacute;neros,    por exemplo, ao n&iacute;vel da jardinagem e da manuten&ccedil;&atilde;o da    casa. Al&eacute;m disso, os filhos t&ecirc;m mais probabilidades de receberem    ajuda, particularmente financeira, se os av&oacute;s receberem apoio emocional    &#8212; e, se estes beneficiarem de apoio em g&eacute;neros, a probabilidade    de os filhos receberem apoio emocional &eacute; tr&ecirc;s vezes maior.</p>     <p align="justify">O estudo de Monica Santoro (Universidade de Mil&atilde;o),    &laquo;Living with parents. A research study on Italian young people and their    mothers&raquo;, examina o fen&oacute;meno da perman&ecirc;ncia prolongada na    casa familiar, utilizando uma abordagem qualitativa, nomeadamente entrevistas    a jovens adultos milaneses entre os 24 e os 35 anos e &agrave;s respectivas    m&atilde;es. A autora aponta dois tipos de raz&otilde;es para justificar a perman&ecirc;ncia    dos jovens em casa dos pais, nomeadamente, e em primeiro lugar, os factores    culturais e sociais associados a um abrandamento do processo de abandono da    casa dos pais e, em segundo lugar, a falta de recursos financeiros. No entanto,    uma an&aacute;lise mais aprofundada revela que estas raz&otilde;es parecem constituir    justifica&ccedil;&otilde;es insuficientes e que, na realidade, estes jovens    simplesmente n&atilde;o desejam ser independentes &#8212; o abandono da casa    dos pais n&atilde;o &eacute; por eles entendido como um passo necess&aacute;rio    e inevit&aacute;vel para se tornarem pessoas aut&oacute;nomas. Assim, se bem    que estes jovens possam referir a exist&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de obst&aacute;culos,    a verdade &eacute; que n&atilde;o fazem qualquer tentativa concertada para os    ultrapassarem nem para aproveitarem plenamente as oportunidades de independ&ecirc;ncia    que lhes s&atilde;o proporcionadas. A perman&ecirc;ncia prolongada na casa dos    pais &eacute; racionalizada como parte de uma &laquo;l&oacute;gica comum&raquo;    na It&aacute;lia, pelo que a in&eacute;rcia destes jovens n&atilde;o &eacute;    objecto de cr&iacute;tica social. No entanto, a consequ&ecirc;ncia inevit&aacute;vel    &eacute; que estes jovens experimentam dificuldades em se desligarem dos pais    e em enfrentarem uma eventual separa&ccedil;&atilde;o, o que acentua o receio    de estarem s&oacute;s e a incapacidade de compreenderem um dos mais b&aacute;sicos    e inevit&aacute;veis elementos da condi&ccedil;&atilde;o humana, nomeadamente    a solid&atilde;o, j&aacute; para n&atilde;o falar da incapacidade de lidarem    com as &laquo;tarefas quotidianas comuns&raquo; relacionadas com a manuten&ccedil;&atilde;o    de uma casa. Do ponto de vista das m&atilde;es, verifica-se uma elevada consci&ecirc;ncia    das diferen&ccedil;as da juventude actual relativamente &agrave; sua pr&oacute;pria    juventude &#8212; ao n&iacute;vel, por exemplo, da aus&ecirc;ncia de certezas    que caracteriza os dias de hoje. Assim, viver com os pais &eacute; entendido    como uma &laquo;estrat&eacute;gia vencedora&raquo;, no sentido em que reduz    os riscos externos e limita a incerteza.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify">Em &laquo;Work and care in the lifecourse of young adults in    the Netherlands&raquo;, Manuela du Bois-Reymond (Universidade de Leiden)    e Yolanda te Poel (Instituto para o Ensino Superior, Eindhoven) lidam com os    processos de negocia&ccedil;&atilde;o entre jovens do sexo masculino e do sexo    feminino com e sem filhos. Desenvolvendo uma abordagem longitudinal, as autoras    analisam a evolu&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o do trabalho e a presta&ccedil;&atilde;o    de cuidados aos filhos por parte dos jovens pais, bem como o adiamento da maternidade    e da paternidade no contexto dos paradoxos da moderniza&ccedil;&atilde;o, concentrando-se    sobretudo no &laquo;modelo um e meio&raquo; (o elemento masculino trabalha a    tempo inteiro, enquanto o elemento feminino trabalha a tempo parcial) da vida    familiar. No caso dos jovens casais com filhos, as autoras ilustram as diversas    tens&otilde;es que decorrem da &laquo;negocia&ccedil;&atilde;o&raquo; entre    os dois elementos do casal, ao passo que para aqueles que adiam a maternidade/paternidade    o trabalho e a independ&ecirc;ncia econ&oacute;mica constituem claramente factores    de import&acirc;ncia capital. &Eacute; tamb&eacute;m apresentada uma s&eacute;rie    de diferentes respostas, sobretudo por parte das jovens mulheres, incluindo    varia&ccedil;&otilde;es em torno dos modelos biogr&aacute;ficos &laquo;normais&raquo;    (isto &eacute;, o papel de &laquo;m&atilde;e&raquo;) e op&ccedil;&otilde;es    mais orientadas para a carreira profissional.</p>     <p align="justify">No seu breve estudo &laquo;Daughters of the women&#8217;s movement.    Generation conflicts and social change&raquo;, Ute Gerhard (Universidade de    Frankfurt/ Main) utiliza o conceito de gera&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fico    ou n&atilde;o biol&oacute;gico de Mannheim, aplicando-o ao contexto da Alemanha.    Perante a diminui&ccedil;&atilde;o do interesse pela pol&iacute;tica evidenciado    em estudos como a pesquisa &laquo;Shell&raquo; sobre as orienta&ccedil;&otilde;es    dos jovens, Gerhard interroga-se se tal fen&oacute;meno dever&aacute; ser entendido    como uma consequ&ecirc;ncia do decl&iacute;nio do movimento de emancipa&ccedil;&atilde;o    das mulheres ou se, pelo contr&aacute;rio, dever&aacute; ser atribu&iacute;do    aos seus sucessos passados.</p>     <p align="justify">Em &laquo;Young people and family life in Eastern Europe&raquo;,    Ken Roberts (Universidade de Liverpool) analisa a problem&aacute;tica da juventude    e da vida familiar na Europa de Leste, onde, ap&oacute;s a queda do comunismo    e o estabelecimento das economias de mercado e dos sistemas pol&iacute;ticos    multipartid&aacute;rios, muita coisa mudou &#8212; mas n&atilde;o tudo &#8212;    em termos da transi&ccedil;&atilde;o dos jovens para a idade adulta. Dados provenientes    de quatro ex-rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas mostram que foram os jovens    a suportar o grosso do impacto destas mudan&ccedil;as e transforma&ccedil;&otilde;es    e que actualmente muitos deles n&atilde;o conseguem encontrar um emprego est&aacute;vel,    ao mesmo tempo que deixaram de poder contar com os anteriores apoios da seguran&ccedil;a    social. A situa&ccedil;&atilde;o parece ser particularmente desencorajadora    para aqueles que desejam participar na nova cultura de consumo, bem como para    as jovens mulheres, que assistiram a um decl&iacute;nio no seu n&iacute;vel    de vida. Entre as outras tend&ecirc;ncias observadas conta-se o aumento l&iacute;quido    da idade para o casamento e para a maternidade e a paternidade, al&eacute;m    de uma diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de fertilidade. Se bem que    a explica&ccedil;&atilde;o mais comum para estes fen&oacute;menos seja de cariz    econ&oacute;mico, Roberts defende, em alternativa, que estes jovens, ao valorizarem    os amigos e a fam&iacute;lia acima de tudo o resto, se revelaram simplesmente    incapazes de se tornarem os consumistas desenfreados que poderiam ter sido.</p>     <p align="justify">A par do estudo de Roberts, Nana Sumbadze e George Tarkhan-Mouravi  (Universidade Estatal de Tbilissi/Instituto de Estudos Pol&iacute;ticos)    proporcionam-nos uma interessante leitura em &laquo;Transition to adulthood    in Georgia. Dynamics of generational and gender roles in post-totalitarian society&raquo;.    Os autores recorrem a dados estat&iacute;sticos para ilustrarem a mudan&ccedil;a    de pontos de vista dos jovens da Ge&oacute;rgia num contexto de instabilidade    pol&iacute;tica e econ&oacute;mica, caracterizado tamb&eacute;m por um sistema    educativo em decl&iacute;nio e pela corrup&ccedil;&atilde;o galopante. Os jovens    adultos s&atilde;o agora incentivados pelas fam&iacute;lias a contribu&iacute;rem    com o seu trabalho para uma mais ampla estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia    da fam&iacute;lia, bem como a progredirem nas suas pr&oacute;prias carreiras.    Os resultados de uma sondagem de pequena escala levada a cabo pelos autores    em Tbilissi ilustra muitos destes &laquo;desenvolvimentos&raquo;, tais como    a persist&ecirc;ncia de &laquo;um bem estabelecido padr&atilde;o tradicional    de predom&iacute;nio masculino&raquo; no seio da fam&iacute;lia e o &laquo;doloroso    processo&raquo; da transi&ccedil;&atilde;o para a idade adulta quando se continua    a viver em casa dos pais. Se bem que, apesar de residirem com os seus familiares,    estes jovens usufruam normalmente de um elevado n&iacute;vel de liberdade pessoal,    os autores assinalam a exist&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de t&iacute;picos    e comuns duplos padr&otilde;es relacionados com a diferen&ccedil;a de sexos,    particularmente no que diz respeito a quest&otilde;es como levar companheiros    para casa e a liberdade de viver numa casa independente; a duplicidade de padr&otilde;es    ligada aos g&eacute;neros &eacute; tamb&eacute;m evidente no que concerne aos    valores sociais, tais como as atitudes para com o sexo pr&eacute;-marital ou    o adult&eacute;rio, que s&atilde;o melhor aceites quando praticados pelos jovens    do sexo masculino.</p>     <p align="justify">Regressando ao contexto italiano, em &laquo;Going against the    tide. Young lone mothers in Italy&raquo;, Elisabetta Ruspini (Universidade de    Mil&atilde;o-Bicocca) concentra-se sobretudo na rela&ccedil;&atilde;o entre    a pobreza e a exclus&atilde;o social e o curso de vida de jovens m&atilde;es    com idades entre os 13 e os 24 anos. Se bem que n&atilde;o exista uma rela&ccedil;&atilde;o    causal entre a pobreza e o facto de se ser uma jovem m&atilde;e solteira, Ruspini    sublinha a desproporcional vulnerabilidade das jovens m&atilde;es &agrave; pobreza    e &agrave; exclus&atilde;o social no mercado de trabalho, na fam&iacute;lia    e nos sistemas de seguran&ccedil;a social; adicionalmente, verifica-se nestes    casos uma maior probabilidade de abandono escolar numa idade relativamente precoce.    No entanto, as liga&ccedil;&otilde;es &agrave; fam&iacute;lia de origem mant&ecirc;m-se    fortes, com as m&atilde;es e as av&oacute;s fornecendo uma ajuda substancial    a estes n&uacute;cleos familiares monoparentais.</p>     <p align="justify">&laquo;The transitions to adulthood of young people with multiple    disadvantages&raquo;, de Jane Parry (Policy Studies Institute, Leeds), analisa    as experi&ecirc;ncias de 49 jovens participantes no programa &laquo;welfare-to-work&raquo;    do Reino Unido. As ra&iacute;zes destas desvantagens tendem a residir n&atilde;o    apenas no insucesso escolar, mas tamb&eacute;m em circunst&acirc;ncias pessoais    adversas, como problemas familiares, dificuldades com os sistemas de apoio estatal    ou a incapacidade de tirarem proveito das oportunidades ao seu alcance, o que    torna dif&iacute;cil a manuten&ccedil;&atilde;o de um emprego. No entanto, estes    jovens mant&ecirc;m ideias relativamente lineares quanto &agrave;quilo que entendem    como transi&ccedil;&otilde;es &laquo;normativas&raquo; ou desej&aacute;veis,    al&eacute;m de defenderem veementemente perspectivas convencionais sobre aquilo    que desejam para o futuro. Na realidade, o sucesso das suas transi&ccedil;&otilde;es    para o mercado de trabalho e a vida independente tende a ser muito vari&aacute;vel    &#8212; muitos deles revelam-se incapazes de sobreviverem sem apoio, enquanto    outros conseguem ultrapassar problemas como o abuso de drogas com a ajuda de    algu&eacute;m que decidiu dar-lhes uma oportunidade. Assim, a tens&atilde;o    entre as aspira&ccedil;&otilde;es pessoais e a experi&ecirc;ncia real resulta    num de dois efeitos t&iacute;picos: ou gera sentimentos negativos de raiva e    frustra&ccedil;&atilde;o, mascarando desse modo os efeitos das desigualdades    estruturais, ou, alternativamente, permite transi&ccedil;&otilde;es normativas    em termos de aspira&ccedil;&otilde;es, tomadas como ponto de refer&ecirc;ncia    para as ambi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p align="justify">Transi&ccedil;&otilde;es de um tipo diferente s&atilde;o avaliadas    por Surya Monro (Policy Research Institute, Leeds) no estudo &laquo;Growing    up transgendered. Stories of an excluded population&raquo;. Neste cap&iacute;tulo,    Monro analisa em pormenor o modo como os jovens transg&eacute;nero do Reino    Unido s&atilde;o afectados pelas mudan&ccedil;as ao n&iacute;vel dos regimes    de apoio social e da vida familiar, bem como por outros obst&aacute;culos que    tendem a enfrentar nas suas vidas. A autora concentra-se nas estruturas que    excluem estes indiv&iacute;duos, desde a pr&oacute;pria terminologia &#8212;    por exemplo, &laquo;travesti&raquo;, &laquo;transexual&raquo;, &laquo;andr&oacute;gino&raquo;    e &laquo;intersexos&raquo; &#8212; at&eacute; &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es    inerentes aos sistemas burocr&aacute;tico e m&eacute;dico. Uma s&eacute;rie    de estudos de caso proporciona instant&acirc;neos das variadas quest&otilde;es    enfrentadas por estes jovens, tais como a m&aacute; gest&atilde;o m&eacute;dica,    os maus tratos e a hostilidade por parte de feministas.</p>     <p align="justify">O principal ponto forte que emerge da aprecia&ccedil;&atilde;o    deste volume &eacute; a pr&oacute;pria diversidade das experi&ecirc;ncias dos    jovens estudadas nestas p&aacute;ginas; somos tamb&eacute;m favoravelmente impressionados,    em particular, pelos pontos em comum entre as experi&ecirc;ncias observadas    em diferentes pa&iacute;ses: independentemente do pa&iacute;s onde vivem, os    jovens parecem ter dificuldades em efectuarem a transi&ccedil;&atilde;o para    o mercado de trabalho e para a idade adulta, bem como em estabelecerem uma resid&ecirc;ncia    independente da fam&iacute;lia. Tendo em conta a variedade dos t&oacute;picos    explorados pelos diversos autores, &eacute; surpreendente que o cap&iacute;tulo    introdut&oacute;rio n&atilde;o seja mais abrangente, de modo a dar coes&atilde;o    aos diferentes temas apresentados, particularmente os dos cap&iacute;tulos baseados    em pesquisas quantitativas de dimens&atilde;o mais ampla. Quanto a este aspecto,    os contributos qualitativos s&atilde;o menos problem&aacute;ticos, al&eacute;m    de proporcionarem uma leitura esclarecedora relativamente a experi&ecirc;ncias    espec&iacute;ficas relacionadas com as diferen&ccedil;as entre g&eacute;neros.</p>     <p align="right">DAVID CAIRNS</p>       ]]></body>
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