<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732007000200001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Introdução]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bandeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mário Leston]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<numero>183</numero>
<fpage>389</fpage>
<lpage>392</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732007000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732007000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732007000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p> As novas tend&ecirc;ncias demogr&aacute;ficas &#8212; baixa fecundidade, aumento    da longevidade, envelhecimento demogr&aacute;fico e aumento da imigra&ccedil;&atilde;o    &#8212; que se afirmaram ao longo dos &uacute;ltimos anos t&ecirc;m vindo a    constituir-se como novos problemas que desafiam a sociedade e todos quantos    reflectem e agem sobre o mundo em que vivemos. A import&acirc;ncia e as repercuss&otilde;es    destas novas tend&ecirc;ncias explicam, por outro lado, em grande parte os progressos    da investiga&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica e o aumento do interesse pela    demografia em Portugal. </p>     <p>At&eacute; aos anos 70, os estudos demogr&aacute;ficos em Portugal eram quase    exclusivamente produzidos pelos investigadores ligados ao Centro de Estudos    Demogr&aacute;ficos do INE e publicados na revista do Centro, fundada em 1945.    Este monop&oacute;lio do INE esbate-se quando algumas universidades come&ccedil;aram    a integrar a disciplina de demografia nos curricula de cursos de licenciatura    na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias sociais e criaram cursos de mestrado em Demografia.    Em resultado desta abertura do meio universit&aacute;rio &agrave; demografia,    desenvolvem-se novas linhas de investiga&ccedil;&atilde;o, em particular a de    J. Manuel Nazareth, da Universidade Nova de Lisboa, sobre o envelhecimento demogr&aacute;fico,    e a de Norberta Amorim, da Universidade do Minho, sobre as popula&ccedil;&otilde;es    do passado. Nos anos 80, os trabalhos de Jorge Carvalho Arroteia, da Universidade    de Aveiro, apresentam uma perspectiva geo-demogr&aacute;fica da popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa. </p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica na &aacute;rea    da demografia aumentou substancialmente, como comprova a pesquisa bibliogr&aacute;fica    de Isabel Baptista apresentada neste n&uacute;mero tem&aacute;tico. Os dois    congressos de demografia realizados, com larga participa&ccedil;&atilde;o de    dem&oacute;grafos, em 2000 e em 2004 e a funda&ccedil;&atilde;o em 2000 da Associa&ccedil;&atilde;o    Portuguesa de Demografia mostram, por outro lado, um efectivo aumento do n&uacute;mero    de investigadores, com a chegada de novas gera&ccedil;&otilde;es e a diversifica&ccedil;&atilde;o    dos centros de interesse e de &aacute;reas tem&aacute;ticas. A demografia hist&oacute;rica,    que se tem desenvolvido de maneira not&aacute;vel, tende, no entanto, a constituir-se    como um dom&iacute;nio de investiga&ccedil;&atilde;o, como uma disciplina &agrave;    parte, o que prejudica o di&aacute;logo cient&iacute;fico e a extens&atilde;o    e unifica&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios demogr&aacute;ficos.</p>     <p> Este n&uacute;mero tem&aacute;tico da An&aacute;lise Social dedicado &agrave;    demografia n&atilde;o pretende ser representativo nem quanto aos temas que ocupam    actualmente a investiga&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica em Portugal, nem    quanto &agrave;s diferentes escolas ou grupos de investiga&ccedil;&atilde;o    existentes. Houve, sobretudo, uma certa preocupa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave;    diversidade dos temas, conjugando, dentro do poss&iacute;vel, essa diversidade    com a qualidade do contributo cient&iacute;fico e o interesse social das quest&otilde;es    abordadas. </p>     <p>Quest&otilde;es relativas ao estudo da mortalidade s&atilde;o abordadas nos    dois primeiros artigos. </p>     <p>Partindo da distin&ccedil;&atilde;o entre as causas &laquo;naturais&raquo;    e remotas da mortalidade e as causas que decorrem de atitudes e comportamentos    volunt&aacute;rios que &laquo;perturbam cada vez mais os modelos&raquo; te&oacute;ricos    da mortalidade definidos por v&aacute;rios autores, M&aacute;rio F. Lages analisa    as transforma&ccedil;&otilde;es da mortalidade iniciadas em Portugal na d&eacute;cada    de 1960. Utilizando dados estat&iacute;sticos relativos aos per&iacute;odos    centrados nos &uacute;ltimos cinco recenseamentos (1960/61, 1970/71, 1980/81,    1990/91 e 2000/01), esta an&aacute;lise compara a evolu&ccedil;&atilde;o das    mortalidades masculina e feminina e verifica, como principal conclus&atilde;o,    um aumento dos riscos de mortalidade masculina nas idades jovens, o qual est&aacute;    correlacionados com o aumento de acidentes de via&ccedil;&atilde;o que vitimam    jovens do sexo masculino. </p>     <p>Ana Alexandre Fernandes, no seguimento, que me parece l&oacute;gico, dos seus    trabalhos sobre as quest&otilde;es do envelhecimento demogr&aacute;fico, consagra    agora a sua aten&ccedil;&atilde;o &agrave; mortalidade e ao aumento da longevidade.    O seu artigo apresenta um invent&aacute;rio comparativo dos progressos em mat&eacute;ria    de sobreviv&ecirc;ncia conseguidos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas nos pa&iacute;ses    da UE-15 e em Portugal. Em alguns desses pa&iacute;ses cheg&aacute;mos a &laquo;uma    fase do crescimento da esperan&ccedil;a de vida que estar&aacute; pr&oacute;ximo    de um limiar dif&iacute;cil de superar&raquo;. Mas os riscos de mortalidade    permanecem desiguais e a autora passa em revista os principais indicadores de    mortalidade diferencial (segundo a idade, sexo e estado civil). S&atilde;o ainda    abordados alguns factores que condicionam a sa&uacute;de, tais como a educa&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o subjectiva de sa&uacute;de e a adop&ccedil;&atilde;o    de comportamentos saud&aacute;veis. </p>     <p>Os tr&ecirc;s artigos seguintes t&ecirc;m em comum a refer&ecirc;ncia &agrave;s    quest&otilde;es da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Jo&atilde;o Peixoto, que tem dedicado a sua actividade ao estudo das migra&ccedil;&otilde;es,    parte da teoria da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica para introduzir    a hip&oacute;tese da exist&ecirc;ncia de regimes migrat&oacute;rios e de transi&ccedil;&otilde;es    migrat&oacute;rias, questionando-se se haver&aacute; ou n&atilde;o uma rela&ccedil;&atilde;o    entre a transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica cl&aacute;ssica e a evolu&ccedil;&atilde;o    das migra&ccedil;&otilde;es. Inspirando-se na teoria da transi&ccedil;&atilde;o    de mobilidade de Zelinsky e analisando a evolu&ccedil;&atilde;o da emigra&ccedil;&atilde;o    e da imigra&ccedil;&atilde;o em Portugal, o autor formula a hip&oacute;tese    de Portugal ser &laquo;um lugar original &agrave; escala europeia&raquo;, ou    seja, ao mesmo tempo receptor e emissor de migrantes. Quanto ao futuro, desenha    alguns cen&aacute;rios poss&iacute;veis, desde um cen&aacute;rio em que, sendo    a emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa actual maioritariamente tempor&aacute;ria,    Portugal ser&aacute; principalmente um pa&iacute;s de imigrantes. Mas admite    que possa haver invers&otilde;es deste cen&aacute;rio se se perspectivar em    Portugal um agravamento das press&otilde;es &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o,    motivado pela deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de vida,    e um abrandamento dos fluxos de entrada, provocado principalmente pelo desvio    da imigra&ccedil;&atilde;o para os novos pa&iacute;ses que recentemente passaram    a integrar a Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p> Isabel Tiago de Oliveira, adoptando uma perspectiva cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; teoria cl&aacute;ssica da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica,    examina a evolu&ccedil;&atilde;o da fecundidade leg&iacute;tima em Portugal    atrav&eacute;s de modelos econom&eacute;tricos explicativos dos processos regionais    do seu decl&iacute;nio. Inspirada nas teorias de Davis e de Friedlander, a autora    procura medir a influ&ecirc;ncia das restri&ccedil;&otilde;es &agrave; nupcialidade    e da emigra&ccedil;&atilde;o no diferimento da adop&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas    contraceptivas pelos casais, confrontando o que designa por primeira transi&ccedil;&atilde;o    da fecundidade (1925-1965) com o per&iacute;odo de pr&eacute;-transi&ccedil;&atilde;o    (1911-1925). </p>     <p>A teoria da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica &eacute; utilizada por    S&oacute;nia Cardoso na sua an&aacute;lise da fecundidade de uma popula&ccedil;&atilde;o    que se encontra ainda maioritariamente no est&aacute;dio que Notestein designou    de elevado potencial de crescimento: a popula&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique.    A autora socorre-se sobretudo da teoria de Caldwell, formulada a partir de investiga&ccedil;&otilde;es    sobre popula&ccedil;&otilde;es africanas, acerca da invers&atilde;o dos fluxos    intergeracionais de riqueza e examina a rela&ccedil;&atilde;o entre nupcialidade,    inicia&ccedil;&atilde;o sexual e fecundidade. Desta investiga&ccedil;&atilde;o    resultam extensos resultados expressos em indicadores demogr&aacute;ficos, os    quais, conjugados com refer&ecirc;ncias interpretativas acerca dos comportamentos    pr&oacute;prios de uma sociedade africana no in&iacute;cio do seu processo de    moderniza&ccedil;&atilde;o, permitem identificar as clivagens entre um modelo    familiar tradicional, maiorit&aacute;rio, e um modelo inovador, aberto a formas    e pr&aacute;ticas pr&oacute;prias da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica,    ou seja, da moderniza&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, este estudo abre uma    nova linha de investiga&ccedil;&atilde;o sobre a demografia africana, a qual    se espera venha a ser desenvolvida no futuro com novos trabalhos, se poss&iacute;vel,    em parceria com dem&oacute;grafos africanos de l&iacute;ngua portuguesa. </p>     <p>Na minha contribui&ccedil;&atilde;o para este n&uacute;mero tem&aacute;tico    optei por deslocar a an&aacute;lise demogr&aacute;fica para o estudo dos fen&oacute;menos    escolares. Tendo em conta que o ensino e a educa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m    uma import&acirc;ncia crescente e que, infelizmente, nem sempre t&ecirc;m sido    adoptadas as solu&ccedil;&otilde;es mais racionais e eficazes na gest&atilde;o    e funcionamento do sistema de ensino, f&aacute;cil &eacute; constatar a necessidade    de se desenvolverem estudos de demografia escolar que contribuam para um conhecimento    mais exacto das realidades escolares. No meu artigo defendo a prioridade da    an&aacute;lise longitudinal no estudo da escolariza&ccedil;&atilde;o e da escolaridade    e apresento um exemplo de reconstitui&ccedil;&atilde;o da escolariza&ccedil;&atilde;o    da gera&ccedil;&atilde;o de 1981 e da escolaridade da promo&ccedil;&atilde;o    de alunos matriculados em 1993-1994 no 7.&ordm; ano. </p>     <p>Um n&uacute;mero tem&aacute;tico sobre demografia ficaria incompleto sem um    balan&ccedil;o bibliogr&aacute;fico da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.    Esse invent&aacute;rio foi objecto de uma extensa pesquisa realizada por Maria    Isabel Rodrigues Baptista, que apresenta os resultados obtidos num texto-s&iacute;ntese    que aborda principalmente os prim&oacute;rdios da investiga&ccedil;&atilde;o    demogr&aacute;fica em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b>M&aacute;rio Leston Bandeira</b></p>      ]]></body>
</article>
