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</front><body><![CDATA[ <p><I>Francesca Vianello,</I> <B>Ai margini della citt&agrave;. Forme di controllo    e risorse sociali nel nuovo ghetto,</B><I> </I>Carocci, Roma, 2006, 271 p&aacute;ginas.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <P ALIGN="JUSTIFY">O livro &eacute; uma colect&acirc;nea de textos que resultam    do trabalho de pesquisa de uma equipa de investigadores do Departamento de Sociologia    da Universidade de P&aacute;dua, It&aacute;lia. Os autores, especialistas nas    teorias e pr&aacute;ticas do controlo social em terrenos migrat&oacute;rios    distantes, elaboram a sua an&aacute;lise num terreno perto de casa: um &#171;gueto&#187;    da cidade onde vivem, o complexo residencial da &#171;via Anelli&#187; em P&aacute;dua,    situado a 2 km do centro hist&oacute;rico e do pr&oacute;prio lugar de trabalho    dos investigadores. Os pr&eacute;dios de cimento que constituem a arquitectura    deste bairro s&atilde;o tristemente famosos pela aten&ccedil;&atilde;o que a    comunica&ccedil;&atilde;o social lhes dedica quase quotidianamente nos &uacute;ltimos    dez anos pela falta de higiene, prostitui&ccedil;&atilde;o, com&eacute;rcio    de droga, criminalidade e interven&ccedil;&otilde;es das for&ccedil;as policiais.    Mesmo assim, ao lado desta imagem, as associa&ccedil;&otilde;es de apoio e os    movimentos c&iacute;vicos que trabalham no bairro contam uma realidade diferente.    O projecto de investiga&ccedil;&atilde;o neste lugar nasce da necessidade de    interpretar analiticamente esta realidade migrat&oacute;ria contempor&acirc;nea    e as suas formas de controlo social. Os resultados do projecto s&atilde;o apresentados    nos seis cap&iacute;tulos do livro.      <P ALIGN="JUSTIFY">O primeiro, da autoria de Annalisa Butticci, Alvise Sbraccia    e Francesca Vianello, &eacute; uma reflex&atilde;o aprofundada sobre os desafios    metodol&oacute;gicos de uma investiga&ccedil;&atilde;o levada a cabo num espa&ccedil;o    de exclus&atilde;o. Trata-se de um cap&iacute;tulo transversal a todos os outros,    uma vez que as dificuldades em fazer pesquisa num espa&ccedil;o com estas caracter&iacute;sticas    emergem em todos os outros cap&iacute;tulos. Do ponto de vista metodol&oacute;gico,    o trabalho tem um enfoque exclusivamente qualitativo, referindo que foram utilizadas    v&aacute;rias t&eacute;cnicas, como sejam: a observa&ccedil;&atilde;o directa    do contexto; as entrevistas a observadores privilegiados e aos actores; a an&aacute;lise    dos documentos camar&aacute;rios e das provid&ecirc;ncias administrativas que    os governos locais (quer o de centro-esquerda, quer o de centro-direita, que    o substituiu mais recentemente) t&ecirc;m promovido entre 1998 e 2004 em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; &#171;via Anelli&#187;; a recolha e an&aacute;lise de artigos da comunica&ccedil;&atilde;o    social local sobre este lugar para o mesmo per&iacute;odo de tempo. Neste cap&iacute;tulo    introdut&oacute;rio descrevem-se, pormenorizadamente, os mecanismos de controlo    e autocontrolo que se activam em espa&ccedil;os segregados, como aquele em an&aacute;lise,    interpretando-os com base nas teorias do controlo social. As t&eacute;cnicas    utilizadas para a recolha de dados s&atilde;o etnogr&aacute;ficas e os autores    apresentam aqui tamb&eacute;m uma revis&atilde;o da literatura sobre pesquisa    etnogr&aacute;fica e trabalho de campo ancorada sobretudo na escola de Chicago    e nas suas pesquisas pioneiras sobre fluxos migrat&oacute;rios do s&eacute;culo    xx.      <P ALIGN="JUSTIFY">Em sociologia, a escola de Chicago refere-se &agrave; primeira    tentativa importante de estudo dos centros urbanos que combina conceitos te&oacute;ricos    e pesquisa de campo de car&aacute;cter etnogr&aacute;fico. Da d&eacute;cada    de 20 &agrave; de 30, a sociologia urbana foi quase sin&oacute;nimo de escola    de Chicago, uma vez que esta inicia um processo que aborda os estudos em antropologia    urbana em que o &#171;outro&#187; se torna o &#171;pr&oacute;ximo&#187;. Tendo    o seu foco de an&aacute;lise principal no meio urbano, desencadeia os estudos    relacionados com o surgimento de &#171;favelas&#187;, a prolifera&ccedil;&atilde;o    do crime e da viol&ecirc;ncia, o aumento populacional, t&atilde;o marcantes    no in&iacute;cio do s&eacute;culo xx no continente americano. &Eacute; neste    contexto te&oacute;rico que os autores do livro referem, por exemplo, autores    como Clifford Geertz, o antrop&oacute;logo da &#171;descri&ccedil;&atilde;o    densa&#187;, que se definiu a si pr&oacute;prio como sendo, &#171;da cabe&ccedil;a    aos p&eacute;s, um etn&oacute;grafo que escreve sobre etnografia&#187;. &Eacute;    assim que se pode ler: &#171;As entrevistas constituem momentos, oportunidades    de verifica&ccedil;&atilde;o e redefini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o somente    das hip&oacute;teses, mas tamb&eacute;m das interpreta&ccedil;&otilde;es que    &iacute;amos amadurecendo por meio da observa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    interpessoais e grupais no interior da comunidade observada&#187; (p. 27).      <P ALIGN="JUSTIFY">Fica claro como o objecto de estudo te&oacute;rico nesta pesquisa    se constr&oacute;i no terreno, surgindo as hip&oacute;teses do discurso biogr&aacute;fico    do entrevistado e dizendo respeito ao car&aacute;cter pragm&aacute;tico e criativo    dos actores imigrantes, para os quais a ordem social aparece como uma refer&ecirc;ncia    distante e um horizonte problem&aacute;tico. Neste sentido, do ponto de vista    da an&aacute;lise, a posi&ccedil;&atilde;o dos actores torna-se explicativa    do desafio normativo da recupera&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas etnogr&aacute;ficas    na sociologia contempor&acirc;nea. E n&atilde;o &eacute; por acaso que esta    recupera&ccedil;&atilde;o se faz por refer&ecirc;ncia aos te&oacute;ricos da    escola de Chicago, &#171;empenhados prevalecentemente em considerar os efeitos    das repetidas ondas migrat&oacute;rias na organiza&ccedil;&atilde;o social da    metr&oacute;pole&#187; (p. 28), a que todas as contribui&ccedil;&otilde;es deste    livro colectivo se referem.      <P ALIGN="JUSTIFY">Por&eacute;m, os autores sublinham tamb&eacute;m que realizar    entrevistas em profundidade na &#171;via Anelli&#187; tem sido a fase mais complexa    de todo o trabalho pela necessidade de possuir, ao lado de uma prepara&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica, uma abordagem humana que torne poss&iacute;vel a interac&ccedil;&atilde;o    com o entrevistado. Como os autores sublinham, a capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o    que permite recolher uma biografia passa por reconhecer os processos de controlo    e autocontrolo social e estar disposto a oferecer algo em troca, partilhando    alguma informa&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica e estimulando a confian&ccedil;a.      <P ALIGN="JUSTIFY">Al&eacute;m disso, a escolha das pessoas para entrevistar pressup&otilde;e    a presen&ccedil;a de intermedi&aacute;rios como associa&ccedil;&otilde;es e    activistas pol&iacute;ticos e outras redes preestabelecidas. Os modos como s&atilde;o    descritas as v&aacute;rias t&eacute;cnicas usadas, as dificuldades encontradas    e as pistas oferecidas para a sua resolu&ccedil;&atilde;o constituem, quer neste    primeiro cap&iacute;tulo, quer em todos os outros cap&iacute;tulos tem&aacute;ticos,    o contributo mais importante dos autores deste livro, um verdadeiro reconhecimento    da import&acirc;ncia da etnografia para a investiga&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica    na &aacute;rea das migra&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas. A t&iacute;tulo    de exemplo, os autores explicam que reconhecer os espa&ccedil;os privilegiados    para observar o ritual da viol&ecirc;ncia/intimida&ccedil;&atilde;o, o que faz    parte de uma transac&ccedil;&atilde;o de droga, &eacute; apenas poss&iacute;vel    entrando de alguma forma no jogo, indo &#171;atr&aacute;s das pessoas&#187;,    como diria Clifford Geertz.      <P ALIGN="JUSTIFY">O cap&iacute;tulo 2 do livro, &#171;Destinazione via Anelli:    traiettorie di vita e percorsi migratori&#187;, da autoria de Annalisa Butticci,    oferece a reconstru&ccedil;&atilde;o dos percursos migrat&oacute;rios atrav&eacute;s    dos quais a popula&ccedil;&atilde;o migrante se insere no contexto habitacional,    relacional e de trabalho no complexo &#171;Seren&iacute;ssima&#187; da &#171;via    Anelli&#187; em P&aacute;dua. A partir da an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o    familiar, s&oacute;cio-econ&oacute;mica e do trabalho, das redes de socializa&ccedil;&atilde;o    e de lazer no pa&iacute;s de origem e no pa&iacute;s de acolhimento, &eacute;    reconstitu&iacute;do o percurso da migra&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos    de origem marroquina, tunisina, nigeriana e senegalesa. S&atilde;o aqui analisadas    as raz&otilde;es das escolhas migrat&oacute;rias, as peculiaridades familiares,    o peso e a import&acirc;ncia das redes e as estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia    dos fluxos migrat&oacute;rios. A maioria refere que a &#171;via Anelli&#187;    &eacute; considerada uma &#171;ultima spiaggia&#187; (&uacute;ltima praia) para    a obten&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de habita&ccedil;&atilde;o,    sociabilidade, solidariedade &eacute;tnica e inser&ccedil;&atilde;o no mercado    de trabalho.      <P ALIGN="JUSTIFY">No cap&iacute;tulo 3, &#171;La costituzione di uno spazio segregato&#187;,    o autor, Alvise Sbraccia, p&otilde;e em rela&ccedil;&atilde;o os percursos biogr&aacute;ficos    dos entrevista dos com os processos de estereotipagem e estigmatiza&ccedil;&atilde;o    que atingem os habitantes do complexo &#171;Seren&iacute;ssima&#187; da &#171;via    Anelli&#187;, com particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s formas como neste    espa&ccedil;o segregado se constr&oacute;i o encontro entre precariedade e clandestinidade.    &Eacute; aqui posta em evid&ecirc;ncia a inexactid&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o    da &#171;via Anelli&#187; &agrave; criminalidade, como &eacute; constantemente    proposto pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social locais. Para corroborar    esta perspectiva, o autor prop&otilde;e uma leitura do espa&ccedil;o da &#171;via    Anelli&#187; como um espa&ccedil;o de &#171;tr&acirc;nsito&#187;, onde os rec&eacute;m-chegados    constroem a sociabilidade necess&aacute;ria para organizarem a sua pr&oacute;pria    vida no pa&iacute;s de acolhimento, embora em condi&ccedil;&otilde;es degradantes    e problem&aacute;ticas. P&otilde;e-se aqui tamb&eacute;m uma discuss&atilde;o    sobre a dificuldade de designa&ccedil;&atilde;o do terreno de estudo e a falta    de neutralidade da linguagem que &eacute; evidenciada nas nomea&ccedil;&otilde;es    que se usam para classificar o espa&ccedil;o do bairro. Referido &agrave;s vezes    como &#171;espa&ccedil;o de minorias&#187;, outras como &#171;espa&ccedil;o    de exclus&atilde;o&#187; e ainda como &#171;espa&ccedil;o segregado&#187;, a    equipa do projecto decide-se pela designa&ccedil;&atilde;o &#171;novo gueto&#187;    para indicar os 280 apartamentos que, como &eacute; explicado, foram inicialmente    pensados como alojamentos para os universit&aacute;rios residentes na prov&iacute;ncia,    pela proximidade da esta&ccedil;&atilde;o do comboio e de uma das principais    art&eacute;rias rodovi&aacute;rias da regi&atilde;o. &Eacute; nos anos 90 que    os imigrantes come&ccedil;am a alugar casas neste bairro, sobretudo devido aos    pre&ccedil;os acess&iacute;veis, em consequ&ecirc;ncia tamb&eacute;m da presen&ccedil;a    antiga de actividades, como a prostitui&ccedil;&atilde;o e o com&eacute;rcio    de droga, que contribuem para a deteriora&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os    comuns. &Eacute; neste panorama que a ret&oacute;rica da luta contra a criminalidade    encontra um terreno f&eacute;rtil para a constru&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica    da imigra&ccedil;&atilde;o como sendo exclusivamente uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">A quest&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o dos migrantes no    mercado de trabalho &eacute; aprofundada nos cap&iacute;tulos 4 e 5, onde os    autores, respectivamente Devi Sacchetto e Alvise Sbraccia, do cap&iacute;tulo    &#171;Un'area di manovalanza stigmatizzata&#187;, e Francesco Faiella e Devi    Sacchetto, no cap&iacute;tulo &#171;Una prospettiva rovesciata: &#171;via Anelli    come risorsa&#187; &#151; analisam as tipologias ocupacionais e as condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho dos migrantes da &#171;via Anelli&#187;. Neste espa&ccedil;o, a    popula&ccedil;&atilde;o &eacute; empregada, quer na ind&uacute;stria (60% da    popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o do nordeste italiano), quer nos servi&ccedil;os    (cerca de um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o), enquanto 10% s&atilde;o    empregados na agricultura. Os contratos a tempo determinado ocupam um n&uacute;mero    crescente de trabalhadores extra-europeus. Numerosas testemunhas d&atilde;o    conta da difus&atilde;o do trabalho irregular do ponto de vista dos benef&iacute;cios    sociais e das in&uacute;meras actividades ilegais, como a muito mediatizada    venda de estupefacientes, e dos espa&ccedil;os de ambival&ecirc;ncia que esta    actividade comercial configura. Isto faz com que este tipo de com&eacute;rcio    ilegal seja alvo de uma esp&eacute;cie de aceita&ccedil;&atilde;o difusa em    nome do processo de socializa&ccedil;&atilde;o das comunidades naquele espa&ccedil;o    de imigra&ccedil;&atilde;o escolhido por vendedores que n&atilde;o vivem no    bairro pela sua falta de seguran&ccedil;a. S&atilde;o referidos os moldes em    que s&atilde;o processadas as actividades ilegais que muitas vezes complementam    os rendimentos irregulares e legais dos migrantes que vivem na &#171;via Anelli&#187;    e as articula&ccedil;&otilde;es do com&eacute;rcio da droga com a prostitui&ccedil;&atilde;o.    Em suma, um lugar onde a ilegalidade existe ao lado, e &agrave;s vezes em conflito,    das pr&aacute;ticas da ordem social quotidiana que v&ecirc; nos imigrantes uma    reserva de m&atilde;o-de-obra invis&iacute;vel mas fundamental ao aparelho    econ&oacute;mico do Nordeste italiano (p. 157).      <P ALIGN="JUSTIFY">O cap&iacute;tulo 5 oferece uma leitura alternativa da situa&ccedil;&atilde;o    da &#171;via Anelli&#187; atrav&eacute;s de v&aacute;rias testemunhas directas    que fornecem uma imagem dos habitantes do &#171;gueto&#187; como indiv&iacute;duos    que, apesar de viverem em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias tanto do    ponto de vista econ&oacute;mico como do ponto de vista social, conseguem activar    uma s&eacute;rie de recursos relacionais e econ&oacute;micos que lhes permite    realizar os seus pr&oacute;prios projectos de vida. A discuss&atilde;o apresentada    neste cap&iacute;tulo permite questionar os estere&oacute;tipos e os preconceitos    que conduzem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de equa&ccedil;&otilde;es simplistas,    &#171;como aquela que torna iguais as condi&ccedil;&otilde;es de irregularidade    de um migrante &agrave; pr&aacute;tica de actividades il&iacute;citas&#187;<I>    </I>(p. 161). Faz-se refer&ecirc;ncia neste cap&iacute;tulo &agrave;s oportunidades    que a &#171;via Anelli&#187; oferece como espa&ccedil;o habitacional de baixo    custo, pelo menos em compara&ccedil;&atilde;o com o custo de apartamentos com    as mesmas dimens&otilde;es noutros bairros, oferecendo tamb&eacute;m a garantia    de encontrar compatriotas e com eles estabelecer alguma forma de solidariedade    prim&aacute;ria indispens&aacute;vel &agrave; chegada ao pa&iacute;s (recordamos    a entrevista com a jovem nigeriana que, no cap&iacute;tulo 2, conta ter deixado    Lagos sozinha, apenas com um papel no bolso a dizer &#171;via Anelli&#187;).    Refere-se ainda a pr&aacute;tica comum do subaluguer e tamb&eacute;m a exist&ecirc;ncia    de v&aacute;rias associa&ccedil;&otilde;es laicas e cat&oacute;licas que oferecem    consultorias e ajuda para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas legais ligados    &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o e &agrave; assist&ecirc;ncia social. A maioria    dos habitantes do &#171;novo gueto&#187; sai de manh&atilde; para ir trabalhar    ou para ir &agrave; escola, havendo tamb&eacute;m uma boa parte de residentes    envolvidos nas actividades das associa&ccedil;&otilde;es que operam no bairro.    Existe igualmente um grande movimento de com&eacute;rcio informal nas ruas,    a cargo sobretudo de mulheres que comercializam produtos alimentares e comidas    prontas. Mas n&atilde;o &eacute; por isso que a &#171;via Anelli&#187; deixa    de ser estigmatizada como um lugar de marginalidade, sendo referido que declarar    que a&iacute; se reside constitui um forte motivo de exclus&atilde;o no acesso    ao mercado de trabalho.      <P ALIGN="JUSTIFY">No cap&iacute;tulo 6, Alvise Sbraccia e Francesca Vianello,    depois de descreverem o processo pelo qual a &#171;via Anelli&#187; se tornou    um caso &#171;nacional&#187; no que diz respeito &agrave; ordem p&uacute;blica,    descrevem tamb&eacute;m como este processo levou a transforma&ccedil;&otilde;es    que t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias na gest&atilde;o dessa mesma ordem p&uacute;blica,    quer de um ponto de vista pol&iacute;tico, quer do <I>modus operandi</I> das    for&ccedil;as policiais. Mais uma vez, a compreens&atilde;o deste processo beneficia    da an&aacute;lise dos relatos da viv&ecirc;ncia di&aacute;ria dos habitantes    do &#171;gueto&#187; e das for&ccedil;as policiais.      <P ALIGN="JUSTIFY">Finalmente, e retornando &agrave; quest&atilde;o metodol&oacute;gica    que j&aacute; foi referida no in&iacute;cio, &eacute; importante real&ccedil;ar    o m&eacute;rito desta investiga&ccedil;&atilde;o sobre um &#171;gueto&#187;    de P&aacute;dua que, al&eacute;m de percorrer a sua hist&oacute;ria, descreve    as suas caracter&iacute;sticas e as suas representa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas,    escolhendo dar voz aos pr&oacute;prios actores imigrantes e pondo em evid&ecirc;ncia    a necessidade de estudar os movimentos migrat&oacute;rios contempor&acirc;neos    de forma mais complexa do que aquela que se limita a analisar a quest&atilde;o    em fun&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias democr&aacute;ticas de seguran&ccedil;a    urbana que est&atilde;o a ser discutidas pelos governos locais e centrais um    pouco por todos os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia. Como refere Francesca    Vianello, na &aacute;rea das migra&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas existe,    a n&iacute;vel pol&iacute;tico, mas tamb&eacute;m em certa investiga&ccedil;&atilde;o    acad&eacute;mica, a tend&ecirc;ncia para considerar o &#171;crime&#187; um &#171;contenitore&#187;<I>    </I> (contentor) de todos os males (p. 242).<I> Ai margini della citt&agrave;</I>    &eacute; um exemplo de quanto &eacute; necess&aacute;rio aprofundar a investiga&ccedil;&atilde;o    nesta &aacute;rea, dando aten&ccedil;&atilde;o ao &#171;outro&#187; na perspectiva    de uma real resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais que existem nos &#171;novos    guetos&#187; das cidades europeias contempor&acirc;neas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Pelas informa&ccedil;&otilde;es que fornece, atrav&eacute;s    dos relatos dos pr&oacute;prios actores, sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o    do movimento migrat&oacute;rio contempor&acirc;neo em It&aacute;lia e a necessidade    da sua adequa&ccedil;&atilde;o ao contexto, esta investiga&ccedil;&atilde;o    &eacute; tamb&eacute;m um exemplo da liga&ccedil;&atilde;o que existe entre    investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e decisores p&uacute;blicos sobre    as quest&otilde;es sociais que emergem nesta &aacute;rea. De facto, o livro    termina com cen&aacute;rios para um futuro pr&oacute;ximo, onde os investigadores    se interrogam sobre as &uacute;ltimas decis&otilde;es pol&iacute;tico-administrativas    que afectam as &aacute;reas sociais sens&iacute;veis na &#171;via Anelli&#187;    em P&aacute;dua, exemplo de &#171;factos sociais&#187; de alguma forma generaliz&aacute;veis    na Europa contempor&acirc;nea.      <P ALIGN="RIGHT">     <P ALIGN="RIGHT">      <P ALIGN="RIGHT">Marzia Grassi       ]]></body>
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