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</front><body><![CDATA[ <p><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ramon Sarr&oacute;<a href="#6">*</a><a name="top6"></a></b></p>     <p><b>Ruy Blanes<a href="#7">**</a><a name="top7"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Religi&atilde;o, espa&ccedil;o e movimento</b></p>     <p>Seja qual for o tema com o qual se debatem, as ci&ecirc;ncias sociais n&atilde;o    podem hoje deixar de incluir na sua an&aacute;lise a problem&aacute;tica da    mobilidade. A frase &quot;todos os cientistas sociais estudam as migra&ccedil;&otilde;es&quot;,    frequentemente invocada para criticar a &quot;moda&quot; dos estudos sobre esta    tem&aacute;tica, n&atilde;o deixa de assentar numa inevitabilidade. Hoje as    palavras &quot;transnacionalidade&quot;, &quot;globaliza&ccedil;&atilde;o&quot;,    est&atilde;o na ordem do dia (Carmo, Melo e Blanes, 2008). Nesta linha, de todos    os contextos estudados pelas ci&ecirc;ncias sociais, talvez o fen&oacute;meno    que mais resistiu a esta necessidade de &quot;mobiliza&ccedil;&atilde;o&quot;    tenha sido o da religi&atilde;o. Durante muitos anos, a religi&atilde;o foi    considerada por diversos autores, essencialmente fenomen&oacute;logos, mas tamb&eacute;m    soci&oacute;logos, como Peter Berger (1967), uma forma de &quot;ancoragem&quot;    das pessoas no mundo, de atribui&ccedil;&atilde;o de um fundamento ontol&oacute;gico    &agrave; vida humana e de fixa&ccedil;&atilde;o da realidade que nos rodeia    numa suposta divis&atilde;o entre o &quot;sagrado&quot; e o &quot;profano&quot;<SUP><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></SUP>.  </p>     <p>Hoje, no entanto, tamb&eacute;m a religi&atilde;o &eacute; cada vez mais abordada    a partir dos par&acirc;metros do movimento &#151; ou pelo menos em rela&ccedil;&atilde;o    com a mobilidade humana. At&eacute; h&aacute; cinco anos era frequente ouvir-se    investigadores afirmarem que a religi&atilde;o n&atilde;o fazia parte dos estudos    sobre o transnacionalismo. Dessa </p>     <P  ALIGN="JUSTIFY">constata&ccedil;&atilde;o partiram n&atilde;o s&oacute; alguns    dos artigos pioneiros que se escreveram nesse momento (Levitt, 2003; Vertovec,    2004), como tamb&eacute;m algumas das comunica&ccedil;&otilde;es orais apresentadas    na mesa sobre religi&atilde;o e migra&ccedil;&otilde;es do VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro,    que se organizou em Coimbra em 2004 e que esteve na g&eacute;nese deste n&uacute;mero    tem&aacute;tico da revista <I>An&aacute;lise Social</I><SUP><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></SUP>.    Contudo, nestes &uacute;ltimos cinco anos, a religi&atilde;o n&atilde;o s&oacute;    se tornou relevante nas an&aacute;lises sobre a mobilidade humana, como se converteu    numa &aacute;rea de interesse especial &#151; como fica demonstrado no facto    de o maior centro de estudos sobre migra&ccedil;&otilde;es na Europa, recentemente    constitu&iacute;do em G&ouml;ttingen, se chamar <I>Max Planck Institute for    the Study of Religious and Ethnic Diversity</I> e de tamb&eacute;m em Portugal    a religi&atilde;o constituir uma linha priorit&aacute;ria de investiga&ccedil;&atilde;o    nos dois &uacute;nicos laborat&oacute;rios associados em ci&ecirc;ncias sociais:    o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Instituto de Ci&ecirc;ncias    Sociais da Universidade de Lisboa.      <P ALIGN="JUSTIFY">Porqu&ecirc; ent&atilde;o este crescente interesse pela rela&ccedil;&atilde;o    entre a religi&atilde;o e a mobilidade humana? A resposta deve ser cuidadosamente    formulada se n&atilde;o pretendermos cair em estere&oacute;tipos. Porque, de    facto, incorremos num duplo erro se assumirmos alguma das seguintes premissas:      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY"><I>a</I>) em primeiro lugar, que no passado a religi&atilde;o    e a mobilidade n&atilde;o se associavam &#151; um pressuposto falso e contrariado,    desde logo, pelos textos religiosos mais antigos, que nos falam da mobilidade    do ser humano e de que &eacute; exemplo paradigm&aacute;tico o relato da expuls&atilde;o    do para&iacute;so. Lembremo-nos ainda da liga&ccedil;&atilde;o entre as religi&otilde;es    &quot;universais&quot; e a mobilidade geogr&aacute;fica que motivou a sua expans&atilde;o    na &eacute;poca das &quot;conquistas&quot;, &quot;reconquistas&quot; e &quot;descobrimentos&quot;,    ou da sabedoria popular que afirma que &quot;ningu&eacute;m &eacute; profeta    na sua terra&quot;;      <P ALIGN="JUSTIFY"><I>b</I>) em segundo lugar, que, mesmo admitindo que a rela&ccedil;&atilde;o    entre a religi&atilde;o e a mobilidade existia no passado, o <I>estudo</I> da    religi&atilde;o e da mobilidade n&atilde;o existia. Este seria outro erro crasso,    j&aacute; que desde o s&eacute;culo XIX se desenvolveram estudos sobre a expans&atilde;o    religiosa e a migra&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos e cultos fora j&aacute;    um tema privilegiado pela escola difusionista desse s&eacute;culo<SUP><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></SUP>,    tendo sido tamb&eacute;m objecto de an&aacute;lise por parte de um consider&aacute;vel    n&uacute;mero de autores que estudaram a &quot;recep&ccedil;&atilde;o religiosa&quot;    ao longo do s&eacute;culo XX &#151; por exemplo, a recep&ccedil;&atilde;o da    religiosidade africana na outra costa do Atl&acirc;ntico, estudada desde as    obras seminais de Herskovits (1943) ou de Bastide (2007 [1960]).      <P  ALIGN="JUSTIFY">Na nossa opini&atilde;o, a explica&ccedil;&atilde;o para este    fen&oacute;meno ter&aacute; a ver com o facto de que o <I>boom</I> da migra&ccedil;&atilde;o    (e dos estudos sobre a mesma) na d&eacute;cada de 90 retirou simplesmente a    religi&atilde;o dos indicadores de relev&acirc;ncia: a explica&ccedil;&atilde;o    para a mobilidade humana n&atilde;o parecia precisar de ter em conta a religi&atilde;o,    que se tornava assim um par&acirc;metro desprez&iacute;vel enquanto factor explicativo:    &agrave; excep&ccedil;&atilde;o dos mission&aacute;rios e de algumas minorias    de refugiados, quem emigra <I>por causa</I> da religi&atilde;o? Hoje, no entanto,    por diversas raz&otilde;es, j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sustentar    esta &quot;irrelev&acirc;ncia&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">Em primeiro lugar, porque desde o funesto 11 de Setembro que    a associa&ccedil;&atilde;o entre a mudan&ccedil;a social e a vida religiosa    &eacute; imediata na cabe&ccedil;a de qualquer pessoa minimamente informada;    a religi&atilde;o converteu-se num factor de relev&acirc;ncia cognitiva, invocado    espontaneamente para explicar, compreender ou simplesmente pensar a realidade    multicultural do mundo em que se vive. Em segundo lugar, porque a teoria da    seculariza&ccedil;&atilde;o afirmava que existe uma rela&ccedil;&atilde;o entre    a modernidade e o paulatino desaparecimento da religi&atilde;o &#151; ou pelo    menos da sua visibilidade no mundo actual. Seguindo essa linha de racioc&iacute;nio,    o que acontece quando pessoas provenientes de um mundo &quot;n&atilde;o t&atilde;o    modernizado&quot; (ou com uma moderniza&ccedil;&atilde;o &quot;alternativa&quot;)    chegam &agrave; Europa? Ser&aacute; que elas trazem uma religiosidade que os    europeus j&aacute; tinham &quot;esquecido&quot;? A migra&ccedil;&atilde;o implica    um desafio religioso para uma Europa bastante secularizada, e a presen&ccedil;a    cada vez mais evidente da religi&atilde;o no territ&oacute;rio europeu deu origem    a duas tend&ecirc;ncias acad&eacute;micas nem sempre bem compaginadas: por um    lado, alguns autores reformularam a teoria da seculariza&ccedil;&atilde;o, afirmando    que a chamada teoria &quot;cl&aacute;ssica&quot; da seculariza&ccedil;&atilde;o    (exposta na d&eacute;cada de 60 por Berger, 1967, e Martin, 1969, entre outros)    era falsa porque a Europa n&atilde;o se estava a secularizar tanto como (superficialmente)    parecia<SUP><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></SUP>. Por outro lado, outros    autores propuseram-se demonstrar que a teoria n&atilde;o estava necessariamente    incorrecta, mas que apenas n&atilde;o contemplava o fluxo de imigrantes que,    precisamente, estaria a devolver &agrave; Europa a religiosidade &quot;abandonada&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">Seria necess&aacute;ria, portanto, uma revis&atilde;o de paradigma.    Nos &uacute;ltimos anos, v&aacute;rios autores procuraram responder a essa necessidade,    preocupando-se com a cria&ccedil;&atilde;o de novos modelos para pensar a religi&atilde;o    na Europa e na Am&eacute;rica do Norte (Davie, 2000 e 2002; Levitt, 2007; Berger,    Davie e Fokas, 2008) &#151; ou para pens&aacute;-la &agrave; escala global,    numa &oacute;ptica de &quot;relocaliza&ccedil;&atilde;o&quot; geogr&aacute;fica    e demogr&aacute;fica da f&eacute; (Jenkins, 2002 e 2007).      <P  ALIGN="JUSTIFY">A obra basilar que inspirou essas novas abordagens foi, seguramente,    <I>O Peregrino e o Convertido</I>, de Dani&egrave;le Hervieu-L&eacute;ger (2005    [1999]), que propunha um paradigma da &quot;religiosidade moderna&quot; que    assentava em dois pressupostos fundamentais: a individualidade da condi&ccedil;&atilde;o    religiosa (j&aacute; n&atilde;o necessariamente imposta por heran&ccedil;a ou    jurisdi&ccedil;&atilde;o) e a mobilidade da cren&ccedil;a (j&aacute; n&atilde;o    enclausurada num lugar ou sistema pol&iacute;tico). Embora o tema da migra&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o tenha sido inclu&iacute;do na perspectiva de Hervieu-L&eacute;ger,    o seu trabalho oferece um modelo que permite considerar a mobilidade uma caracter&iacute;stica    do fen&oacute;meno religioso contempor&acirc;neo, superando dicotomias cl&aacute;ssicas,    como a ideia de que existe uma religi&atilde;o institu&iacute;da que se op&otilde;e    a uma s&eacute;rie de &quot;movimentos&quot; religiosos (ou de &quot;seitas&quot;,    dependendo do grau de cepticismo), ou a distin&ccedil;&atilde;o entre uma religi&atilde;o    &quot;do lugar&quot; e religi&otilde;es &quot;estrangeiras&quot;.      <P><I><b>Dirt is spirit out of place</b></I><b>: o lugar da religi&atilde;o    no mundo contempor&acirc;neo </b>      <P ALIGN="JUSTIFY">O crescente interesse pela mobilidade religiosa despertou a    consci&ecirc;ncia de que a religi&atilde;o se encontra hoje em lugares distintos    dos &quot;do costume&quot;. O cristianismo j&aacute; n&atilde;o se move de leste    para oeste, como fizera na antiguidade, nem de norte para sul, como fizera na    sua segunda expans&atilde;o: hoje tamb&eacute;m viaja de oeste para leste, de    sul para norte e atrav&eacute;s de todo o tipo de triangula&ccedil;&otilde;es    (v. Sarr&oacute; e Blanes, 2008, para o caso do denominado &quot;Atl&acirc;ntico    crist&atilde;o&quot;). Mas n&atilde;o se trata apenas do cristianismo: o isl&atilde;o    encontra-se hoje globalizado, o budismo ganha adeptos na &Aacute;frica do Sul    e as religi&otilde;es afro-brasileiras crescem nos <I>banlieux</I> de Paris.      <P ALIGN="JUSTIFY">Apesar desta constata&ccedil;&atilde;o, persiste nas nossas    abordagens uma certa &quot;geografiza&ccedil;&atilde;o&quot; da religi&atilde;o,    que continua a fazer-nos pensar que a cada religi&atilde;o corresponde um lugar    mais ou menos &quot;natural&quot;, no sentido aristot&eacute;lico: o lugar natural    do isl&atilde;o, para muitos ocidentais, &eacute; a Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica    ou o Magrebe; o lugar natural do hindu&iacute;smo &eacute; a &Iacute;ndia; o    lugar natural do cristianismo &eacute; o Ocidente; o xamanismo &eacute; pr&oacute;prio    da &Aacute;sia, mas n&atilde;o da &Aacute;frica, etc. Se a realidade n&atilde;o    corresponde a essa geografia ideal, &eacute; porque &eacute; transgressora,    e desafiadora do <I>logos</I> classificador. Por exemplo, em 2001, a mulher    do ent&atilde;o presidente catal&atilde;o, Jordi Pujol, afirmava que na Catalunha    havia demasiadas mesquitas e que, embora nada tivesse contra o isl&atilde;o,    se estas continuassem a multiplicar-se, no prazo de dez anos passariam a existir    mais mesquitas do que igrejas rom&acirc;nicas (que s&atilde;o caracter&iacute;sticas    da paisagem pirenaica catal&atilde;). &Eacute; curioso que ela tenha feito refer&ecirc;ncia    &agrave;s &quot;igrejas rom&acirc;nicas&quot; e n&atilde;o &agrave;s &quot;igrejas    cat&oacute;licas&quot;. As igrejas rom&acirc;nicas s&atilde;o um indicador de    &quot;catalanidade&quot;, de identidade cultural. Para al&eacute;m do mais,    s&atilde;o antigas &#151; as pr&oacute;prias ra&iacute;zes medievais da &quot;catalanidade    pura&quot;. Mas n&atilde;o entremos na dimens&atilde;o temporal:      <P  ALIGN="JUSTIFY">em termos puramente geogr&aacute;ficos, no mapa cognitivo da &quot;primeira    dama&quot;, a Catalunha era uma terra crist&atilde; e n&atilde;o mu&ccedil;ulmana.    Ela n&atilde;o deixou de explicitar: n&atilde;o tinha nada contra os mu&ccedil;ulmanos,    mas n&atilde;o <I>aqui</I>...      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Este exemplo pode parecer banal, mas a ideia de que a religi&atilde;o    &quot;pr&oacute;pria&quot; da Europa &eacute; o cristianismo encontra-se nas    ra&iacute;zes da constitui&ccedil;&atilde;o europeia e dos problemas pol&iacute;ticos    subjacentes &agrave; inclus&atilde;o da Turquia na Uni&atilde;o Europeia. No    entanto, no mundo de mobilidades em que vivemos talvez seja mais eficaz abandonar    o aristotelismo essencialista e analisar a realidade na sua fluidez constituinte,    na qual as pessoas se movem e se convertem, independentemente do lugar donde    venham ou onde se encontrem.      <P ALIGN="JUSTIFY">Os autores que convid&aacute;mos para colaborar neste n&uacute;mero    da <I>An&aacute;lise Social</I> t&ecirc;m, <I>a priori,</I> pouco em comum,    para al&eacute;m de um interesse acad&eacute;mico pela religi&atilde;o. As bases    disciplinares, m&eacute;todos de abordagem e contextos estudados s&atilde;o,    no m&iacute;nimo, diversificados. Esta constata&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m,    confirma o facto de a religiosidade contempor&acirc;nea exigir uma diversifica&ccedil;&atilde;o    de abordagens. Neste contexto, para evitar uma &quot;clausura epistemol&oacute;gica&quot;,    n&atilde;o quisemos convidar apenas especialistas em migra&ccedil;&otilde;es    nem especialistas em seculariza&ccedil;&atilde;o, mas antes obrigar v&aacute;rios    especialistas em religi&atilde;o a repensar a rela&ccedil;&atilde;o entre a    religi&atilde;o e a mobilidade humana a partir do seu material de estudo e das    suas diversas perspectivas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Seja como for, dessa diversidade tamb&eacute;m sobressaem continuidades    e aspectos comuns &agrave;s v&aacute;rias abordagens. Desde logo, constata-se    a necessidade demonstrada por todos os autores de procederem a uma an&aacute;lise    n&atilde;o &quot;geografizante&quot;, no sentido aristot&eacute;lico acima referido.    Depreendem-se, de igual forma, v&aacute;rios cruzamentos tem&aacute;ticos que    valer&aacute; a pena sublinhar.      <P ALIGN="JUSTIFY">Em primeiro lugar, o reconhecimento de que, afinal, a religi&atilde;o    pode desencadear processos de migra&ccedil;&atilde;o que, mesmo que quantitativamente    pouco significativos, produzem impacto nos cen&aacute;rios religiosos de destino.    Neste contexto, depois do extenso <I>corpus</I> liter&aacute;rio sobre as miss&otilde;es    crist&atilde;s da &eacute;poca do colonialismo, apercebemo-nos de que o conceito    de &quot;miss&atilde;o&quot; n&atilde;o se esvaziou ou se reteve num espa&ccedil;o    hist&oacute;rico concreto, mas que se renova e recomp&otilde;e na contemporaneidade.    &Eacute;, pelo menos, o que nos descrevem os textos de Cec&iacute;lia Mariz    e de Eduardo Gabriel.      <P ALIGN="JUSTIFY">No primeiro caso, a autora descreve como o Brasil, historicamente    lugar de recep&ccedil;&atilde;o de miss&otilde;es cat&oacute;licas, &eacute;    hoje um exportador de missiona&ccedil;&atilde;o crist&atilde; pentecostal n&atilde;o    s&oacute; para os antigos lugares de origem da &quot;palavra&quot; (a Europa),    mas tamb&eacute;m, seguindo l&oacute;gicas diversas, tanto de sul para norte    (tendo os EUA como objectivo) como entre regi&otilde;es do hemisf&eacute;rio    sul, nomeadamente em direc&ccedil;&atilde;o a &Aacute;frica. A autora analisa    estes novos caminhos de dissemina&ccedil;&atilde;o religiosa a partir de um    marco te&oacute;rico original em que &#8220;weberianamente&#8221; encontra uma    &#8220;afininidade electiva&#8221; entre a fluidez de pessoas e o capital contempor&acirc;no    &#8212; com as caracter&iacute;sticas descritas por Zygmut Baumann e Richard    Sennet &#8212; e a teologia prenum&aacute;tica da IURD e das comunidades cat&oacute;licas    carism&aacute;ticas, as quais partem do Brasil, seguindo a rota de muitos emigrantes    brasileiros ou, em muitos casos, precedendo-os na implanta&ccedil;&atilde;o    nos novos pa&iacute;ses.      <P ALIGN="JUSTIFY">A ambi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica suscitada pelo material    recolhido permite &agrave;queles que se interessam pela mobilidade religiosa    pensar a rela&ccedil;&atilde;o entre a fluidez p&oacute;s-moderna e a viagem    religiosa, tanto a dos crentes como a dos pr&oacute;prios mission&aacute;rios.    Eduardo Gabriel, num texto que de facto parece constituir a continua&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica do anterior, explora em detalhe a introdu&ccedil;&atilde;o    e o significado da implanta&ccedil;&atilde;o de um destes movimentos em Portugal:    o movimento de renova&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica carism&aacute;tica Can&ccedil;&atilde;o    Nova, que ocorreu precisamente na regi&atilde;o historicamente simb&oacute;lica    para o catolicismo portugu&ecirc;s: F&aacute;tima. O autor demonstra que n&atilde;o    basta analisar os movimentos na sua expans&atilde;o geogr&aacute;fica, mas que    tamb&eacute;m &eacute; preciso estudar as negocia&ccedil;&otilde;es quotidianas    que se estabelecem entre os crentes portugueses e os introdutores brasileiros    desta nova religiosidade cat&oacute;lica, t&atilde;o diferente do catolicismo    carism&aacute;tico de origem brasileira &#8212; esta origem brasileira reporta-se    apenas, obviamente, ao ponto de vista do antrop&oacute;logo, uma vez que para    o praticante ela &eacute; puramente espiritual.      <P ALIGN="JUSTIFY">Estes movimentos constituem, como sugerimos acima, elementos    que acrescem &agrave; din&acirc;mica de reflex&atilde;o sobre a religiosidade    na Europa &#8212; que ainda tenta lidar com a data de validade epistemol&oacute;gica    do conceito de &#8220;basti&atilde;o crist&atilde;o&#8221; <SUP><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></SUP>.    No entanto, esta reflex&atilde;o n&atilde;o se aplica apenas &agrave; heran&ccedil;a    crist&atilde;: as din&acirc;micas migrat&oacute;rias das &uacute;ltimas d&eacute;cadas    que tiveram a Europa como destino n&atilde;o s&oacute; conduziram a essa d&uacute;vida    epistemol&oacute;gica, como promoveram tamb&eacute;m novas viv&ecirc;ncias da    religiosidade atrav&eacute;s da condi&ccedil;&atilde;o de migrante &#8212; independentemente    do credo em causa.      <P ALIGN="JUSTIFY">Pensamos aqui, por exemplo, na constitui&ccedil;&atilde;o de    um &#8220;pensamento mu&ccedil;ulmano europeu&#8221;, propulsionado por figuras    proeminentes da teoria pol&iacute;tica contempor&acirc;nea como Tariq Rammadan    ou Salman Sayyid, e que frequentemente estabelece di&aacute;logo com os tradicionais    centros ideol&oacute;gicos do isl&atilde;o, como nos descreve Nina Tiesler no    seu artigo. Outro exemplo (mais concreto) de reconfigura&ccedil;&atilde;o surge    no texto de Jos&eacute; Mapril, que traz a lume o problema da deslocaliza&ccedil;&atilde;o    ou desterritorializa&ccedil;&atilde;o do ritual na vida e calend&aacute;rio    religioso daqueles que se v&ecirc;em na conjuntura de uma migra&ccedil;&atilde;o    laboral, como &eacute; o caso do ritual de sacrif&iacute;cio mu&ccedil;ulmano    do <em>qurbani</em> entre os migrantes do Bangladesh em Lisboa.      <P ALIGN="JUSTIFY">O mesmo sucede no artigo de Susana Pereira Bastos, que nos    mostra como para os hindus indo-brit&acirc;nicos a religi&atilde;o tamb&eacute;m    pode ser um recurso &#8220;manej&aacute;vel&#8221;, para utilizarmos os termos    da autora. Apercebemo-nos de como as culturas migrat&oacute;rias transnacionais    que, tendo origem, ao longo do s&eacute;culo XX, no Gujarat e passando por Mo&ccedil;ambique,    pelo Reino Unido e por Portugal, se socorreram de um capital simb&oacute;lico    e efectivo oferecido pelo sentido de perten&ccedil;a a uma comunidade hindu.      <P ALIGN="JUSTIFY">Mas a mobilidade n&atilde;o termina na migra&ccedil;&atilde;o.    Tal como afirm&aacute;mos acima, uma das &aacute;reas em que houve mais reflex&atilde;o    te&oacute;rica no que diz respeito ao tema da recep&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o    foi a das religi&otilde;es afro-brasileiras, que hoje continuam a alimentar    o corpo te&oacute;rico e a recolha emp&iacute;rica sobre a religi&atilde;o e    a mobilidade. O nosso n&uacute;mero, portanto, n&atilde;o podia deixar de contar    com autores especialistas nestes temas. Todavia, opt&aacute;mos por convidar    autores que se demarcassem dos paradigmas cl&aacute;ssicos e que nos obrigassem    a pensar sob um novo enquadramento a forma como esp&iacute;ritos e objectos    supostamente &#8220;africanos&#8221; se incorporam na vida religiosa dos habitantes    do Brasil de hoje. Os textos &#8220;g&eacute;meos&#8221; de Goldman e Sansi    obrigam-nos a repensar a cosmologia do candombl&eacute; a partir do seu interior,    partindo da subjectividade dos crentes, sem uma preocupa&ccedil;&atilde;o excessiva    por inserir o seu trabalho nas metanarrativas hist&oacute;ricas ou geogr&aacute;ficas,    mas em que a historicidade &#8212; entendida de forma diferente por cada autor    &#8212; se revela absolutamente necess&aacute;ria tanto para a desconstru&ccedil;&atilde;o    do &#8220;fetiche&#8221;, no texto de Marcio Goldman, como para a &#8220;ilus&atilde;o    do sincretismo&#8221;, que nos &eacute; sugerida por Roger Sansi com a sua f&oacute;rmula    &#8220;o sincretismo &eacute; hist&oacute;ria&#8221;. Esta proposta recorda-nos    as sucintas formula&ccedil;&otilde;es de L&eacute;vi-Strauss quando, ap&oacute;s    uma s&eacute;rie de considera&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas, acabava com    a ilus&atilde;o do totemismo. No entanto, se L&eacute;vi-Strauss acabava com    as ilus&otilde;es &#8220;arcaizantes&#8221; mostrando as indiscut&iacute;veis    semelhan&ccedil;as nos modos de pensar humanos, Sansi e Goldman, cada um &agrave;    sua maneira, mas ambos influenciados por recentes desenvolvimentos te&oacute;ricos    da antropologia e da filosofia (Deleuze, Gell, Latour, Strathern), mostram-nos    que compreender as epistemologias e ontologias candombl&eacute;s n&atilde;o    &eacute; s&oacute; uma aproxima&ccedil;&atilde;o a um modo de pensar, mas tamb&eacute;m    a uma forma de sentir e de se situar em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo. Noutras    palavras, um viver humano, a que o leitor n&atilde;o ser&aacute; alheio.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">No seu conjunto, os textos deste volume permitem analisar as    l&oacute;gicas culturais por tr&aacute;s da incorpora&ccedil;&atilde;o de discursos    e pr&aacute;ticas religiosas, ao mesmo tempo que oferecem um material emp&iacute;rico    original que nos permite pensar o papel da religi&atilde;o no mundo lus&oacute;fono    contempor&acirc;neo, onde a pluralidade se imp&otilde;e numa progress&atilde;o    galopante.      <P ALIGN="JUSTIFY">A discuss&atilde;o que na Antiguidade cl&aacute;ssica emergiu    em torno dos perigos da entrada das bacantes, com o seu culto dionis&iacute;aco,    na polis apol&iacute;nea &#8212; decis&atilde;o vivida como uma trag&eacute;dia    pelos contempor&acirc;neos de Eur&iacute;pides e que Jonathan Z. Smith (1982)    soube utilizar magistralmente como modelo para pensar a aceita&ccedil;&atilde;o    (ou n&atilde;o) de novos cultos na d&eacute;cada de 70, marcada por uma grande    preocupa&ccedil;&atilde;o, por vezes exagerada, com o &#8220;perigo&#8221; das    &#8220;seitas religiosas&#8221; &#8212; reactualiza-se hoje. Contudo, j&aacute;    n&atilde;o surge em torno da quest&atilde;o das seitas, mas sim dos debates    sobre as pr&aacute;ticas religiosas do imigrante, pr&aacute;ticas mais ou menos    aceit&aacute;veis, mais ou menos negoci&aacute;veis, mais ou menos compreens&iacute;veis.      <P ALIGN="JUSTIFY">Sem querer oferecer recomenda&ccedil;&otilde;es ao rei Penteu    sobre o que deve ou n&atilde;o aceitar na sua <em>polis</em>, os textos deste    volume ajudar&atilde;o o leitor a situar a import&acirc;ncia da religi&atilde;o    no complexo espa&ccedil;o p&uacute;blico contempor&acirc;neo, atrav&eacute;s    da incorpora&ccedil;&atilde;o de pontos de refer&ecirc;ncia te&oacute;ricos    e da compara&ccedil;&atilde;o de exemplos etnogr&aacute;ficos, de forma a poder    reflectir sobre esta pluralidade cada vez mais vis&iacute;vel. Resta-nos agradecer    aos autores a oferta de um material t&atilde;o diversificado do ponto de vista    etnogr&aacute;fico (embora com cruzamentos muito enriquecedores, como os que    se d&atilde;o entre os textos de Mariz e Gabriel, ou de Goldman e Sansi) e as    reflex&otilde;es te&oacute;ricas t&atilde;o ricas e elaboradas que os seus textos    proporcionam. </p>      <P>&nbsp;</p>      <p align="center"><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>      <p>BASTIDE, R. (2007 [1960]), <i>The African Religions of Brazil: Toward a Sociology of the Interpenetration of Civilizations</i>, Baltimore, Johns Hopkins.</p>     <!-- ref --><p>BERGER, P. (1967), <i>The Sacred Canopy: Elements of a Sociological Theory of Religion</i>, Nova Iorque, Doubleday.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000039&pid=S0003-2573200900010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>BERGER, P. (ed.) (1999), <i>The Desecularization of the World: Resurgent Religion and World Politics</i>, Grand Rapids, MI, Wm B. Eerdmans Publishing.</p>     <p>BERGER, P., DAVIE, G., e FOKAS, E. (2008), <i>Religious America, Secular Europe? A Theme and Variations</i>, Aldershot, Ashgate.</p>     <p>BLANES, R. (2008), “Um cemitério chamado Europa. Cristianismo, visão global e identidades migratórias”. <i>In</i> R. do Carmo, D. Melo e R. L. Blanes (orgs.), <i>A Globalização no Divã</i>, Lisboa, Tinta da China, pp. 317-334.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BRUCE, S. (2001) “The curious case of the unnecessary recantation. Berger and secularization”. <i>In</i> P. Heelas, D. Martin e L. Woodhead (eds.), <i>Peter Berger and the Study of Religion</i>, Londres, Routledge, pp. 87-100.</p>     <p>CARMO, R., MELO, D., e BLANES, R. L. (orgs.) (2008), <i>A Globalização no Divã</i>, Lisboa, Tinta da China.</p>     <p>D’ALVIELLA, G. (1894), <i>The Migration of Symbols</i>, Londres, Constable & Co.</p>     <p>DAVIE, G. (2000), <i>Religion in Modern Europe: A Memory Mutates</i>, Oxford, Oxford University Press.</p>     <p>DAVIE, G. (2002), <i>Europe — The Exceptional Case: Parameters of Faith in the Modern World</i>, Londres, Orbis.</p>     <p>ELIADE, M. (1979), <i>L’épreuve du labyrinthe</i>, Paris, Pierre Belfond.</p>     <p>HERVIEU-LÉGER, D. (2005 [1999]), <i>O Peregrino e o Convertido: a Religião em Movimento</i>, Lisboa, Gradiva.</p>     <p>HERSKOVITS, M. (1943), <i>Pesquisas Etnológicas na Bahia</i>, Bahia, Museu da Bahia.</p>     <p>JENKINS, P. (2002), <i>The Next Christendom: The Coming of Global Christianity</i>, Oxford, Oxford University Press.</p>     <p>JENKINS, P. (2007), <i>God’s Continent: Christianity, Islam, and Europe’s Religious Crisis</i>, Oxford, Oxford University Press.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LEVITT, P. (2003) “‘You know, Abraham was really the first immigrant’: religion and transnational migration”. <i>International Migration Review</i>, 37 (3), pp. 847-873.</p>     <p>LEVITT, P. (2007), <i>God Needs no Passport: Immigrants and the Changing American Religious Landscape</i>, Nova Iorque, New Press.</p>     <p>MARTIN, D. (1969), <i>The Religious and the Secular: Studies in Secularization</i>, Londres, Routledge & K. Paul.</p>     <p>RATZINGER, J., e HABERMAS, J. (2007), <i>The Dialectics of Secularization: On Reason and Religion</i>, Ft. Collins, Co., Ignatius Press.</p>     <p>SANNEH, L. (2003), <i>Whose Religion is Christianity?The Gospel beyond the West</i>, Grand Rapids, MI, Eerdmans.</p>     <p>SARRÓ, R., e BLANES, R. L. (2008), “O Atlântico cristão: apontamentos etnográficos sobre o encontro religioso em Lisboa”. <i>In</i> M. V. Cabral, K. Wall, S. Aboim e F. C. da Silva (orgs.), <i>Itinerários: a Investigação nos 25 anos do ICS</i>, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, pp. 839-854.</p>     <p>SMITH, J. Z. (1978), “The wobbling pivot”. In <i>Map is not Territory: Studies in the History of Religions</i>, Leiden, Brill, pp. 88-103.</p>     <p>SMITH, J. Z. (1982), “The devil in Mr Jones”. In <i>Imagining Religion: From Babylon to Jonestown</i>, Chicago e Londres, The University of Chicago Press, pp.102-120.</p>     <p>TAYLOR, C. (2007), <i>A Secular Age</i>, Cambridge, MA, Belknap Press.</p>     <p>VERTOVEC, S. (2004), “Religion and diaspora”. <i>In</i> P. Antes, A. W. Geertz    e R. R. Warne (eds.), <i>New Approaches to the Study of Religion</i>, vol. 2,    Berlin e Nova Iorque, Walter de Gruyter, pp. 275-304.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>       <P ALIGN="JUSTIFY"> <sup><a href="#top1">1</a></sup><a name="1"></a>N&atilde;o    ser&aacute; despiciendo ter em conta, por mais contradit&oacute;rio que nos    possa parecer, que, no caso do principal divulgador da fenomenologia das religi&otilde;es,    o romeno Mircea Eliade, a obsess&atilde;o por ver a religi&atilde;o como um    mecanismo ontologizante e fixador de sentido tenha sido desenvolvida precisamente    devido &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de exilado em cont&iacute;nuo movimento    (Rom&eacute;nia, &Iacute;ndia, Londres, Lisboa, Paris, Chicago), uma peregrina&ccedil;&atilde;o    descentralizadora &agrave; qual Eliade procurou impor uma certa ordem, imaginando    um centro ideal e desenvolvendo a sua dupla teoria (h&aacute;bil mas de dif&iacute;cil    universaliza&ccedil;&atilde;o, como foi apontado por autores como Smith, 1978)    do axis mundi e do &#8220;eterno retorno&#8221;. V., a este respeito, as conversas    entre Eliade e Claude-Henri Rocquet (Eliade, 1979).      <P ALIGN="JUSTIFY"><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></sup> O painel intitulava-se    &#8220;Religi&otilde;es transnacionais&#8221; e foi coordenado por Ramon Sarr&oacute;.      <P ALIGN="JUSTIFY"><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a></sup>A Migra&ccedil;&atilde;o    dos S&iacute;mbolos &eacute; o titulo do texto cl&aacute;ssico da ci&ecirc;ncia    das religi&otilde;es, escrito pelo belga Goblet d&#8217;Alviella em 1894. Relativamente    &agrave; expans&atilde;o do culto solar, este foi, obviamente, um tema privilegiado    pela escola difusionista de Grafton Elliot Smith e pelos seus alunos.      <P ALIGN="JUSTIFY"><sup><a href="#top4">4</a></sup><a name="4"></a> Um dos autores    mais cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; formula&ccedil;&atilde;o    cl&aacute;ssica da seculariza&ccedil;&atilde;o, tal como fora exposta por Berger    (1967), &eacute;... o pr&oacute;prio Berger (Berger, 1999). Alguns autores procuraram    defender Berger do pr&oacute;prio Berger &#8212; v., em especial, Steve Bruce,    que defendia que o &#8220;primeiro&#8221; Berger tinha raz&atilde;o e que o    &#8220;segundo&#8221; exagerava claramente os indicadores sobre a &#8220;desseculariza&ccedil;&atilde;o&#8221;    do mundo (Bruce, 2001). Para uma discuss&atilde;o actualizada das teorias da    seculariza&ccedil;&atilde;o, v. Taylor (2007) e Ratzinger e Habermas (2007).      <P ALIGN="JUSTIFY"><sup><a href="#top5">5</a></sup><a name="5"></a> Pensamos aqui    nas d&uacute;vidas reiteradas pelo presidente franc&ecirc;s Nicolas Sarkozy    acerca da inclus&atilde;o da Turquia na Uni&atilde;o Europeia (v. Blanes, 2008),    mas tamb&eacute;m nas novas teologias que p&otilde;em em causa a &#8220;naturalidade&#8221;    do cristianismo como uma quest&atilde;o de tradi&ccedil;&atilde;o europeia (v.    Sanneh, 2003).      <p>&nbsp;</p>     <P ALIGN="JUSTIFY"><a href="#top6">*</a><a name="6"></a>ICS, Universidade de Lisboa,    Av. Professor An&iacute;bal de Bettencourt, 9, 1600-189 Lisboa, Portugal. e-mail:    <a href="mailto:ramon.sarro@ics.ul.pt">ramon.sarro@ics.ul.pt</a>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY"><a href="#top7">**</a><a name="7"></a>ICS, Universidade de    Lisboa, Av. Professor An&iacute;bal de Bettencourt, 9, 1600-189 Lisboa, Portugal.    e-mail: <a href="mailto:ruy.blanes@ics.ul.pt">ruy.blanes@ics.ul.pt</a>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[BERGER]]></surname>
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<source><![CDATA[The Sacred Canopy: Elements of a Sociological Theory of Religion]]></source>
<year>1967</year>
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