<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732009000100007</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Missão religiosa e migração: "novas comunidades" e igrejas pentecostais brasileiras no exterior]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Religious mission and migration: "new communities"and Brazilian pentecostal churches abroad]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mariz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Cecília L.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Estado do Rio de Janeiro Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Departamento de Ciências Sociais]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<numero>190</numero>
<fpage>161</fpage>
<lpage>187</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732009000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732009000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732009000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Desde a colonização que o Brasil era conhecido apenas como alvo de missionários católicos, vindos em geral da Europa, e posteriormente protestantes, na maioria dos Estados Unidos. Esse quadro, contudo, tem vindo a transformar-se: recentemente, missionários brasileiros deixaram o seu país para evangelizar outras nações. Este artigo apresenta reflexões sobre esse novo fluxo missionário e a sua relação com as rotas dos emigrantes brasileiros que buscam trabalho no exterior. Baseando-se em dados recolhidos no Brasil, especialmente entre grupos católicos das chamadas "novas comunidades" e documentos de pentecostais, apresentam-se hipóteses sobre o significado das motivações religiosas para os deslocamentos geográficos no contexto global contemporâneo.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[From the time of its colonization Brazil was known only as a target for catholic missionaries, mainly of European origin, and later of protestant missionaries, mainly from the United States. But this picture has been changing: in recent times, Brazilian missionaries have gone abroad to spread their gospel in other countries. This article examines this new missionary flow and its relationship to the paths of Brazilian emigrants looking for jobs abroad. Based on data collected in Brazil, particularly among catholic groups in the so-called "new communities", and pentecostal documents, the article puts forward a number of hypotheses on the meaning of the religious motivations for geographical displacement in the modern global context.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[missionários]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[migração]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[globalização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[religião]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[missionaries]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[migration]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[globalization]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[religion]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Miss&atilde;o religiosa e migra&ccedil;&atilde;o: &quot;novas comunidades&quot;    e igrejas pentecostais brasileiras no exterior</b></p>     <p><b>Cec&iacute;lia L. Mariz</b><a href="#21">*</a><a name="top21"></a> </p>     <P ALIGN="JUSTIFY">Desde a coloniza&ccedil;&atilde;o que o Brasil era conhecido    apenas como alvo de mission&aacute;rios cat&oacute;licos, vindos em geral da    Europa, e posteriormente protestantes, na maioria dos Estados Unidos. Esse quadro,    contudo, tem vindo a transformar-se: recentemente, mission&aacute;rios brasileiros    deixaram o seu pa&iacute;s para evangelizar outras na&ccedil;&otilde;es. Este    artigo apresenta reflex&otilde;es sobre esse novo fluxo mission&aacute;rio e    a sua rela&ccedil;&atilde;o com as rotas dos emigrantes brasileiros que buscam    trabalho no exterior. Baseando-se em dados recolhidos no Brasil, especialmente    entre grupos cat&oacute;licos das chamadas &quot;novas comunidades&quot; e documentos    de pentecostais, apresentam-se hip&oacute;teses sobre o significado das motiva&ccedil;&otilde;es    religiosas para os deslocamentos geogr&aacute;ficos no contexto global contempor&acirc;neo.      <P ALIGN="JUSTIFY"><B>Palavras-chave: </B>mission&aacute;rios; migra&ccedil;&atilde;o;    globaliza&ccedil;&atilde;o; religi&atilde;o.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P ALIGN="JUSTIFY"><b>Religious mission and migration: &quot;new communities&quot;</b><b>and    Brazilian pentecostal churches abroad </b>      <P ALIGN="JUSTIFY">From the time of its colonization Brazil was known only as    a target for catholic missionaries, mainly of European origin, and later of    protestant missionaries, mainly from the United States. But this picture has    been changing: in recent times, Brazilian missionaries have gone abroad to spread    their gospel in other countries. This article examines this new missionary flow    and its relationship to the paths of Brazilian emigrants looking for jobs abroad.    Based on data collected in Brazil, particularly among catholic groups in the    so-called &quot;new communities&quot;, and pentecostal documents, the article    puts forward a number of hypotheses on the meaning of the religious motivations    for geographical displacement in the modern global context.      <P ALIGN="JUSTIFY"><B>Keywords: </B>missionaries; migration; globalization; religion.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;     <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Nos &uacute;ltimos anos tenho feito investiga&ccedil;&atilde;o,    no Brasil, sobre as chamadas &quot;novas comunidades&quot;<SUP><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></SUP>.    A express&atilde;o &quot;novas comunidades&quot; foi incorporada na linguagem    da hierarquia e dos fi&eacute;is da Igreja Cat&oacute;lica no Brasil e no exterior    para se referir &agrave;s v&aacute;rias comunidades que surgiram inspiradas    pela Renova&ccedil;&atilde;o Carism&aacute;tica Cat&oacute;lica (RCC). Os homens    e mulheres que se consagram a essas comunidades podem ser casados ou celibat&aacute;rios;    em geral, s&atilde;o leigos, mas podem tamb&eacute;m ser sacerdotes. H&aacute;    &quot;consagrados&quot; que se dedicam totalmente ao trabalho religioso e compartilham    a morada; mas h&aacute; outros que t&ecirc;m lares e ocupa&ccedil;&atilde;o    fora da comunidade. Enquanto os primeiros formam a &quot;comunidade de vida&quot;,    os segundos pertencem &agrave; &quot;comunidade de alian&ccedil;a&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">Em Fran&ccedil;a e nos EUA, algumas dessas comunidades j&aacute;    completaram quarenta anos de exist&ecirc;ncia, como mostram os estudos de Martine    Cohen (1997), para o caso franc&ecirc;s<SUP><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></SUP>,    e de Thomas Csordas (2007), para o caso norte-americano. No Brasil, elas s&atilde;o    mais recentes; surgiram no final dos anos 80, fundadas na sua maioria por leigos,    embora algumas o tenham sido por sacerdotes, como &eacute; o caso da mais antiga    delas, a Can&ccedil;&atilde;o Nova.      <P ALIGN="JUSTIFY">Durante a pesquisa mencionada acima sobre as &quot;novas comunidades&quot;<SUP><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></SUP>    surpreendi-me, por um lado, com a r&aacute;pida expans&atilde;o nacional e transnacional    dos grupos fundados no Brasil e, por outro, com o frequente uso da palavra &quot;miss&atilde;o&quot;<SUP><a href="#4">4</a></SUP><a name="top4"></a>    por parte dos seus l&iacute;deres e membros. Embora as comunidades brasileiras    cres&ccedil;am principalmente no seu pa&iacute;s de origem, a abertura de &quot;casas    de miss&atilde;o&quot; no exterior tem sido cada vez maior e &eacute; sempre    muito festejada.      <P ALIGN="JUSTIFY">Inspirados pelos documentos do conc&iacute;lio Vaticano II,    que salientam a natureza mission&aacute;ria da Igreja Cat&oacute;lica e a voca&ccedil;&atilde;o    mission&aacute;ria de cada um dos baptizados (Pinheiro, 1999, p. 57), os membros    dessas comunidades usam frequentemente o termo &quot;miss&atilde;o&quot; e autodenominam-se    mission&aacute;rios. Esses termos tamb&eacute;m est&atilde;o muito presentes    nos <I>sites</I> das comunidades pesquisadas. Os temas dos encontros das &quot;novas    comunidades&quot; tamb&eacute;m revelam a preocupa&ccedil;&atilde;o com a actividade    mission&aacute;ria. Em 2007 o Brasil foi sede n&atilde;o apenas do VII Encontro    Nacional das Novas Comunidades Cat&oacute;licas no Recife, Pernambuco, cujo    tema foi &quot;Novas comunidades, disc&iacute;pulos e mission&aacute;rios&quot;,    mas tamb&eacute;m do XII Congresso Internacional da Fraternidade Internacional    de Comunidades e Associa&ccedil;&otilde;es Carism&aacute;ticas de Alian&ccedil;a    (<a href="http://www.catholicfraternity.net" target="_blank">www.catholicfraternity.net</a>), na Comunidade    Can&ccedil;&atilde;o Nova, na Cachoeira Paulista, com tema similar, &quot;Novas    comunidades para uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY"> Justificadas pela valoriza&ccedil;&atilde;o de um projecto    mission&aacute;rio global, as comunidades procuram abrir &quot;casas&quot; em    v&aacute;rias localidades do mundo e tornam os seus <I>sites</I> transnacionais,    disponibilizando informa&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rios idiomas. Nestes    <I>sites</I> encontram-se, em geral, dados sobre as miss&otilde;es em diferentes    regi&otilde;es do Brasil e do mundo. De entre as &quot;novas comunidades&quot;    pesquisadas, a Shalom<SUP><a href="#5">5</a></SUP><a name="top5"></a> parece    destacar-se nesse aspecto. Embora tenha sido criada em 1985, j&aacute; possui    &quot;casas&quot; em v&aacute;rios continentes. Para obter o nome das cidades    onde existem&quot;casas&quot; da Shalom basta entrar no <I>site</I> dessa comunidade    e clicar em &quot;onde estamos&quot; e nos mapas do Brasil ou do mundo a&iacute;    dispon&iacute;veis<SUP><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></SUP>. Esse facto,    em si, n&atilde;o &eacute; novidade: a Igreja Cat&oacute;lica, desde o seu in&iacute;cio,    foi transnacional, e muitas &quot;novas comunidades&quot; tamb&eacute;m o s&atilde;o<SUP><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></SUP>.    A novidade &eacute; o facto de leigos cat&oacute;licos brasileiros se proporem    ir para o exterior realizar trabalho mission&aacute;rio. O que chama a aten&ccedil;&atilde;o    &eacute; uma nova forma de os cat&oacute;licos se verem e ao seu pa&iacute;s,    o qual desde a sua &quot;descoberta&quot;, em 1500, tem sido concebido como    meta das miss&otilde;es cat&oacute;licas, e n&atilde;o como origem delas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Reflex&otilde;es sobre a transnacionaliza&ccedil;&atilde;o    de igrejas pentecostais criadas no Brasil, especialmente sobre a Igreja Universal    do Reino de Deus (IURD), s&atilde;o mais f&aacute;ceis de encontrar. Fundada    no Rio de Janeiro um pouco antes de terem aqui surgido as &quot;novas comunidades&quot;,    essa igreja neopentecostal<SUP><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></SUP> tem-se    evidenciado pelos seus projectos mission&aacute;rios globais (Freston, 1999    e 2003; Aubr&eacute;e, 2002; Mafra, 2002; Oro <I>et al.,</I> 2003). Tamb&eacute;m    no <I>site</I> da IURD h&aacute; um mapa, como o da Shalom, atrav&eacute;s do    qual se pode visualizar a extens&atilde;o e o alcance global dessa igreja.      <P ALIGN="JUSTIFY">Embora tenha havido mais pesquisa sobre as miss&otilde;es internacionais    da IURD, outras igrejas brasileiras, como as assembleias de Deus (AD) e a igreja    pentecostal &quot;Deus &eacute; Amor&quot; (IPDA), tamb&eacute;m enviam pastores    para o exterior e experimentam o crescimento fora do pa&iacute;s. O Brasil,    tradicional mente uma &quot;terra de miss&atilde;o&quot;, tanto para cat&oacute;licos    como para protestantes, torna-se exportador de mission&aacute;rios.      <P ALIGN="JUSTIFY">Para entender as raz&otilde;es dessa invers&atilde;o do fluxo    mission&aacute;rio no Brasil procuro na primeira parte do artigo reflectir sobre    a poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o desse fen&oacute;meno com outro igualmente    importante ocorrido no mesmo per&iacute;odo neste pa&iacute;s: a grande emigra&ccedil;&atilde;o    de m&atilde;o-de-obra. Como as pesquisas junto de brasileiros que vivem no exterior    t&ecirc;m salientado a import&acirc;ncia das igrejas brasileiras no seu quotidiano,    iniciei as minhas reflex&otilde;es relacionando as miss&otilde;es com a emigra&ccedil;&atilde;o.    Os dados v&atilde;o sugerir, contudo, que as transforma&ccedil;&otilde;es que    levaram o Brasil a tornar-se um pa&iacute;s exportador de m&atilde;o-de-obra    e tamb&eacute;m de mission&aacute;rios, embora simult&acirc;neas, podem n&atilde;o    ter uma rela&ccedil;&atilde;o de causa e efeito. Pode argumentar-se, no entanto,    que essas transforma&ccedil;&otilde;es respondem a imperativos e necessidades    de um novo contexto social e econ&oacute;mico global.      <P ALIGN="JUSTIFY">Discutir as caracter&iacute;sticas da sociedade global contempor&acirc;nea    torna-se, portanto, imprescind&iacute;vel para se poder entender como e por    que surgem n&atilde;o apenas os projectos de miss&atilde;o internacional da    RCC e das igrejas pentecostais e neopentecostais brasileiras, mas tamb&eacute;m    para entender o sucesso desses movimentos religiosos como um todo, as suas simbologias    e pr&aacute;ticas. Para isso, seleccionarei alguns elementos da discuss&atilde;o    de Sennett (2007) e Bauman (1999 e 2003) sobre as caracter&iacute;sticas da    sociedade actual. Esta discuss&atilde;o permite identificar as &quot;afinidades    electivas&quot;, no sentido weberiano da express&atilde;o, entre as experi&ecirc;ncias    subjectivas geradas nessa sociedade, tanto com o reavivamento de s&iacute;mbolos    religiosos que tradicionalmente t&ecirc;m atribu&iacute;do sentido a deslocamentos    geogr&aacute;ficos, motivando os indiv&iacute;duos a realiz&aacute;-los, como    tamb&eacute;m com a pr&oacute;pria espiritualidade pneum&aacute;tica.      <P ALIGN="JUSTIFY">A partir da discuss&atilde;o da literatura sobre as miss&otilde;es    pentecostais e neopentecostais brasileiras, especialmente sobre as da IURD,    e de resultados parciais de pesquisa que realizo entre membros das &quot;novas    comunidades&quot; no Rio de Janeiro, procuro mostrar como revi a minha hip&oacute;tese    inicial sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a emigra&ccedil;&atilde;o e a miss&atilde;o    brasileira para o exterior. Pretendo entender que outros sentidos, al&eacute;m    dos religiosos, podem assumir os projectos mission&aacute;rios para os indiv&iacute;duos    e grupos neles envolvidos e qual o papel desempenhado por esse &quot;chamamento&quot;    na traject&oacute;ria individual, sugerindo que a voca&ccedil;&atilde;o para    realizar tais &quot;miss&otilde;es&quot; seria uma, entre os significados religiosamente    leg&iacute;timos, que os indiv&iacute;duos podem atribuir a deslocamentos dos    mais diversos tipos, impulsionados pela sociedade e pela economia globais contempor&acirc;neas.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;     <P><b>Miss&otilde;es e migra&ccedil;&otilde;es a partir do Brasil</b>      <P ALIGN="JUSTIFY">Como chama a aten&ccedil;&atilde;o Alfredo Bosi (2006), &quot;o    Brasil, que foi h&aacute; um s&eacute;culo um t&iacute;pico pa&iacute;s de imigra&ccedil;&atilde;o,    tornou-se, a partir de 1980, aproximadamente, um exportador de m&atilde;o-de-obra,    ou seja, um pa&iacute;s de emigra&ccedil;&atilde;o&quot;. O autor recorre a    n&uacute;meros oficiais quando afirma que em 2003 havia 1 900 000 brasileiros    a viver fora do pa&iacute;s. Helion P&oacute;voa Neto (2006) comenta que, aos    poucos, os brasileiros tendem a rever a imagem do seu pa&iacute;s, que se tinham    acostumado a perceber como repleto de &quot;vazios demogr&aacute;ficos&quot;    e capaz de atrair e dar trabalho a imigrantes. Segundo o mesmo autor, esse facto    tem implica&ccedil;&otilde;es mais amplas e n&atilde;o se reduz a uma &quot;mudan&ccedil;a    exclusivamente demogr&aacute;fica&quot;; e afirma: &quot;essa transi&ccedil;&atilde;o    representa um facto social e pol&iacute;tico que vem sendo progressivamente    reconhecido&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">O final da d&eacute;cada de 80 destacou-se, portanto, n&atilde;o    apenas pelo surgimento das novas comunidades nesse pa&iacute;s e pelo in&iacute;cio    das miss&otilde;es brasileiras internacionais, mas tamb&eacute;m, como mencionei    acima, por uma crescente sa&iacute;da de m&atilde;o-de-obra para o exterior.    Nas suas pesquisas entre os imigrantes brasileiros em Massachusetts, EUA, Ana    Cristina Martes (1999) e Teresa Salles (2005) apontam o papel desempenhado pelas    igrejas, tanto cat&oacute;lica como evang&eacute;licas, no apoio a essa popula&ccedil;&atilde;o    que vive, por vezes de forma ilegal, naquele pa&iacute;s. Observam especialmente    como &eacute; vis&iacute;vel a grande quantidade de igrejas evang&eacute;licas    brasileiras em solo norte-americano<SUP><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></SUP>.    Em geral de cunho pentecostal, elas multiplicam-se como mais um tipo de &quot;igreja    &eacute;tnica&quot; na sociedade americana.      <P ALIGN="JUSTIFY">Ana Cristina Martes (1999) chama a aten&ccedil;&atilde;o para    a maior propor&ccedil;&atilde;o de evang&eacute;licos entre estes brasileiros    que vivem nos EUA do que na popula&ccedil;&atilde;o brasileira em geral. Esta    autora destaca que os brasileiros evang&eacute;licos que vivem nos EUA n&atilde;o    se converteram l&aacute;: a maioria j&aacute; era protestante antes de migrar.    Como os imigrantes brasileiros que pesquisou vinham de regi&otilde;es brasileiras    com grande propor&ccedil;&atilde;o de igrejas evang&eacute;licas, a autora pergunta-se    se tal tipo de experi&ecirc;ncia religiosa motivaria a procura de emprego fora    do Brasil. A investigadora observa a import&acirc;ncia do discurso da teologia    da prosperidade nas igrejas que visitou em Massachusetts, questionando-se sobre    a rela&ccedil;&atilde;o deste tipo de discurso com o desejo de migrar.      <P ALIGN="JUSTIFY">Embora note a import&acirc;ncia da teologia da prosperidade,    a autora n&atilde;o faz refer&ecirc;ncias &agrave; Igreja Universal do Reino    de Deus, que tem sido identificada como a grande portadora dessa teologia no    Brasil e que tamb&eacute;m tem feito muito investimento na abertura de templos    no exterior. Naquela comunidade de migrantes, a maior denomina&ccedil;&atilde;o    evang&eacute;lica era a Assembleia de Deus Brasileira<SUP><a href="#10">10</a></SUP><a name="top10"></a>.    Tamb&eacute;m pertencia &agrave; Assembleia de Deus o templo estudado por Marjo    de Theije (2008) no Suriname. No entanto, a falta de estudos sobre o expansionismo    das assembleias de deus brasileiras no exterior impede que se avalie a sua amplitude    fora do Brasil em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; de outras denomina&ccedil;&otilde;es    pentecostais desse pa&iacute;s.      <P ALIGN="JUSTIFY">Em contraste, h&aacute; muitos estudos sobre os projectos mission&aacute;rios    da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A colect&acirc;nea organizada por    Ari P. Oro, Andr&eacute; Corten e Jean-Pierre Dozon (2003) re&uacute;ne artigos    que trazem dados e resultados de pesquisas sobre a IURD nos v&aacute;rios continentes,    delineando a expans&atilde;o dessa igreja. Tendo aberto o seu primeiro templo    internacional no Paraguai em 1985, essa igreja informa, no seu <I>site,</I>    estar presente actualmente em 66 pa&iacute;ses do mundo, al&eacute;m do Brasil.      <P ALIGN="JUSTIFY">A ida desses mission&aacute;rios para fora do pa&iacute;s contribui    para aumentar as cifras de brasileiros em terra estrangeira. Estariam esses    mission&aacute;rios a seguir a mesma rota dos migrantes com o objectivo de oferecer    servi&ccedil;os religiosos em portugu&ecirc;s ou no estilo brasileiro aos compatriotas    no ex&iacute;lio? As chamadas &quot;igrejas de imigra&ccedil;&atilde;o&quot;,    e a chegada de l&iacute;deres religiosos, juntamente com os demais imigrantes,    s&atilde;o um fen&oacute;meno j&aacute; bastante descrito e historicamente muito    conhecido. No entanto, os mission&aacute;rios brasileiros da IURD e os das &quot;novas    comunidades&quot; n&atilde;o seguem necessariamente essa rota.      <P ALIGN="JUSTIFY">A localiza&ccedil;&atilde;o da maior parte das casas mission&aacute;rias    das &quot;novas comunidades&quot; brasileiras no exterior, bem como as cidades    e pa&iacute;ses de miss&atilde;o da IURD, n&atilde;o coincidem com as das comunidades    de brasileiros emigrados. N&atilde;o foi por via da tentativa de conves&atilde;o    de brasileiros exilados que essas comunidades abriram casas de miss&atilde;o    em Israel, em It&aacute;lia (Roma) e em Portugal (F&aacute;tima). No caso destes    locais, as comunidades parecem deslocar-se, n&atilde;o para atrair mais fi&eacute;is    ou apoiar os brasileiros, mas para se aproximarem de lugares sagrados, seja    para compartilharem o seu carisma, seja para apoiarem peregrinos ou incentivarem    peregrina&ccedil;&otilde;es. Israel, Roma e F&aacute;tima s&atilde;o localidades    que atraem fi&eacute;is para visitas tempor&aacute;rias, p&oacute;los de peregrina&ccedil;&atilde;o.    Tamb&eacute;m o grande investimento mission&aacute;rio da IURD em &Aacute;frica    com certeza n&atilde;o ocorre para apoiar brasileiros naquele continente. Isso,    contudo, n&atilde;o significa que n&atilde;o haja expans&atilde;o religiosa    na rota dos migrantes.      <P ALIGN="JUSTIFY">Ao reflectir sobre essas novas origens e destinos de miss&otilde;es,    &eacute; importante levar em conta a observa&ccedil;&atilde;o de Helion P&oacute;voa    Neto (2006) de que as mudan&ccedil;as globais n&atilde;o apenas redefinem os    fluxos das migra&ccedil;&otilde;es, mas t&ecirc;m sido respons&aacute;veis tamb&eacute;m    pelo surgimento de uma sociedade em que os limites geogr&aacute;ficos t&ecirc;m    muito menor impacto sobre o comportamento humano do que no passado. A dicotomia    &quot;pa&iacute;ses de emigra&ccedil;&atilde;o&quot; e &quot;pa&iacute;ses de    imigra&ccedil;&atilde;o&quot;, como destaca P&oacute;voa Neto (2006, p. 25<B>)</B>,    deixa de ser significativa, no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o, quando    os movimentos de diversas escalas e dura&ccedil;&otilde;es se aceleram, quando    as facilidades para o deslocamento se multiplicam (acompanhadas, &eacute; verdade,    de importantes iniciativas de repress&atilde;o aos fluxos migrat&oacute;rios),    quando, enfim, a ideia de mobilidade, de flexibilidade, &eacute; erigida como    valor a ser perseguido por indiv&iacute;duos e economias.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Portanto, n&atilde;o seria poss&iacute;vel entender as migra&ccedil;&otilde;es    contempor&acirc;neas sem reflectir sobre as consequ&ecirc;ncias das novas tecnologias    e do novo tipo de capitalismo na sociedade global. A advert&ecirc;ncia que esse    autor faz em rela&ccedil;&atilde;o ao estudo das migra&ccedil;&otilde;es aplica-se    tamb&eacute;m &agrave;s reflex&otilde;es sobre as miss&otilde;es religiosas.    Para entender os novos fluxos mission&aacute;rios ser&aacute; necess&aacute;rio    ampliar o leque de hip&oacute;teses e reflectir sobre o contexto social global    e sobre os seus est&iacute;mulos em rela&ccedil;&atilde;o aos deslocamentos    dos mais diversos tipos.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P><b>Afinidade entre contexto global e religi&otilde;es pneum&aacute;ticas    </b>     <P ALIGN="JUSTIFY">J&aacute; &eacute; poss&iacute;vel encontrar uma quantidade    expressiva de an&aacute;lises sobre a forma como distintos aspectos do processo    de globaliza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m afectado as diversas religi&otilde;es.    Aponta-se para novas <I>bricolages</I> e hibridismo nas tradi&ccedil;&otilde;es    universalistas, que s&atilde;o inerentemente transnacionais, e, noutro sentido,    identificam-se transforma&ccedil;&otilde;es em religi&otilde;es marcadamente    territoriais e &eacute;tnicas<SUP><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></SUP>.    Muitos s&atilde;o j&aacute; os trabalhos sobre a globaliza&ccedil;&atilde;o    da RCC e do pentecostalismo, pelo que o presente trabalho n&atilde;o se constitui    como original nesse aspecto. Ele pretende assomar-se desse conjunto de reflex&otilde;es,    focando o caso das &quot;novas comunidades&quot; brasileiras, a partir do di&aacute;logo    com dois autores que investiram muito na an&aacute;lise da sociedade contempor&acirc;nea    global, Richard Sennett e Zygmunt Bauman.      <P ALIGN="JUSTIFY">Centrar a minha an&aacute;lise no di&aacute;logo com as ideias    desses autores n&atilde;o significa que concorde com elas. Em v&aacute;rios    aspectos, as an&aacute;lises realizadas por Bauman e Sennett n&atilde;o me satisfazem.    Pela despreocupa&ccedil;&atilde;o com a base emp&iacute;rica das suas afirma&ccedil;&otilde;es,    por demais generalizantes, esses autores prop&otilde;em uma cr&iacute;tica moral,    mais do que uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica propriamente dita. Ambos se    mostram muito indignados e contrafeitos com a realidade actual, que seria para    eles respons&aacute;vel pelo surgimento de uma mentalidade e de comportamentos    moralmente inferiores. De certa forma, sugerem uma decad&ecirc;ncia moral e    n&atilde;o parecem identificar qualquer sa&iacute;da positiva para o futuro.    Al&eacute;m do mais, os casos emp&iacute;ricos citados servem mais para ilustrar    as suas asser&ccedil;&otilde;es do que para demonstrar argumentos. Apesar desses    limites, s&atilde;o textos instigantes que estimulam reflex&otilde;es e oferecem    pistas para a interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados que apresento.      <P ALIGN="JUSTIFY">Bauman (1999, p. 85) afirma: &quot;hoje estamos todos em movimento.&quot;    A facilidade nos meios de transportes e comunica&ccedil;&atilde;o parece ter    modificado os significados e consequ&ecirc;ncias concretas para os indiv&iacute;duos    das migra&ccedil;&otilde;es e dos diversos deslocamentos e viagens que realizam.    Identificando uma &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o entre essa intensifica&ccedil;&atilde;o    da mobilidade geogr&aacute;fica e as novas tecnologias de transporte e comunica&ccedil;&atilde;o,    Baumam amplia o conceito de deslocamentos, incluindo nestes as &quot;viagens&quot;    virtuais.      <P ALIGN="JUSTIFY">Da mesma forma que Bauman, tamb&eacute;m Sennett est&aacute;    preocupado com o dinamismo do mundo global contempor&acirc;neo, com a constante    mobilidade geogr&aacute;fica, social e cultural dos indiv&iacute;duos que vivem    uma experi&ecirc;ncia de instabilidade. Nesse contexto, as migra&ccedil;&otilde;es    internacionais em busca de trabalho seriam apenas um dos v&aacute;rios processos    de desloca&ccedil;&atilde;o aos quais os indiv&iacute;duos est&atilde;o submetidos    frequentemente. Enquanto Baumam afirma que vivemos uma modernidade &quot;l&iacute;quida&quot;,    Sennett refere-se ao &quot;capitalismo flex&iacute;vel&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">Essas reflex&otilde;es s&atilde;o produtivas para o presente    estudo, pois podem sugerir que o sucesso da religiosidade pentecostal e carism&aacute;tica,    em geral, mas tamb&eacute;m dos seus projectos de &quot;miss&atilde;o&quot;,    tem afinidades com esse contexto de flexibilidade e mobilidade. O sucesso das    religi&otilde;es e grupos religiosos pode depender da sua capacidade de recuperar    e accionar mitos e s&iacute;mbolos que atribuam sentido a experi&ecirc;ncias    de desenraizamento e a um estilo de vida mut&aacute;vel. Alguns j&aacute; apontaram    para a afinidade electiva entre a religiosidade pneum&aacute;tica, que enfatiza    os dons do Esp&iacute;rito Santo, que, na pr&oacute;pria literatura religiosa,    &eacute; referido como &quot;sopro&quot; ou vento (o &quot;vento que sopra onde    quer&quot;), e as crescentes muta&ccedil;&otilde;es do mundo contempor&acirc;neo    (Aubr&eacute;e, 2007).      <P ALIGN="JUSTIFY">Clara Mafra (2002, p. 36) observou a analogia entre o Esp&iacute;rito    Santo e a &quot;&aacute;gua&quot; em discursos da Assembleia de Deus. Essa analogia,    que est&aacute; muito presente em toda a espiritualidade crist&atilde;, a <I>&aacute;gua    viva,</I> mas especialmente a carism&aacute;tica e pentecostal<SUP><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></SUP>,    est&aacute;, portanto, em sintonia com as refer&ecirc;ncias de Bauman &agrave;    &quot;modernidade l&iacute;quida&quot;, ao &quot;amor l&iacute;quido&quot;.    &Eacute; bom lembrar, contudo, que, para os pentecostais e na B&iacute;blia,    a &aacute;gua, a <I>&aacute;gua viva,</I> tem um sentido fortemente positivo,    e n&atilde;o a conota&ccedil;&atilde;o negativa que a ideia de &quot;l&iacute;quido&quot;    tem para Bauman, que utiliza esta palavra com o sentido de algo passageiro,    sem compromissos, sem firmeza e solidez.      <P ALIGN="JUSTIFY">A literatura tamb&eacute;m j&aacute; tem apontado, especificamente    no caso da IURD e da teologia da prosperidade, &quot;afinidades electivas&quot;    com as novas regras do capitalismo flex&iacute;vel ou neoliberal, como se destaca    adiante. Segundo Sennett, no final do s&eacute;culo XX surgiu essa nova modalidade    de capitalismo, impondo uma constante mobilidade geogr&aacute;fica a amplos    sectores da sociedade contempor&acirc;nea. As regras desse novo capitalismo    seriam respons&aacute;veis pela crescente inseguran&ccedil;a da for&ccedil;a    de trabalho quanto &agrave;s suas posi&ccedil;&otilde;es e contratos, pelo enfraquecimento    das organiza&ccedil;&otilde;es colectivas de defesa dos trabalhadores e ainda    pelas ondas de desemprego, especialmente nos pa&iacute;ses mais pobres, cuja    decorr&ecirc;ncia seriam as levas de migra&ccedil;&otilde;es de desempregados    dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos para a Europa e para os Estados Unidos.    O in&iacute;cio do processo de emigra&ccedil;&atilde;o do Brasil para os Estados    Unidos, Jap&atilde;o e Portugal, entre outros pa&iacute;ses, coincidiu com o    per&iacute;odo de amplia&ccedil;&atilde;o internacional do que Sennet chamou    o capitalismo &quot;flex&iacute;vel&quot;, ou seja, coincidiu com o que no Brasil    tem sido chamado a instaura&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo na d&eacute;cada    de 80.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">A sintonia e a grande funcionalidade dos discursos da IURD,    especialmente o da teologia da prosperidade<SUP><a href="#13">13</a></SUP><a name="top13"></a>,    em rela&ccedil;&atilde;o ao contexto do capitalismo contempor&acirc;neo j&aacute;    foram muito salientadas pela literatura espec&iacute;fica (Mafra, 2002, Machado,    1996, e Mesquita, 2003, entre outros). Esses discursos estariam a oferecer motiva&ccedil;&atilde;o    e legitimidade religiosa para a adapta&ccedil;&atilde;o a esse mundo global    e fluido e para os seus valores econ&oacute;micos. Os investigadores t&ecirc;m    chamado a aten&ccedil;&atilde;o para a afinidade electiva entre a ideologia    consumista contempor&acirc;nea e esse tipo de religiosidade, analisando testemunhos    de fi&eacute;is que identificam a prosperidade com a maior capacidade de consumir.    Atr&aacute;s dessa &quot;prosperidade&quot;, do desejo de &quot;parar de sofrer&quot;,    os indiv&iacute;duos sentiriam necessidade de viajar, real ou virtualmente.      <P ALIGN="JUSTIFY">Compartilhando um desconforto diante das mudan&ccedil;as constantes,    Sennett e Bauman desaprovam moralmente os valores e estilos de vida do mundo    contempor&acirc;neo, embora reconhe&ccedil;am ser essa uma din&acirc;mica inerente    &agrave; moderna sociedade capitalista, caracterizada pela constante revolu&ccedil;&atilde;o,    fazendo &quot;tudo o que era s&oacute;lido&quot; evaporar-se &quot;no ar&quot;,    como afirmavam Marx e Engels (1978, p. 96). Para Sennett, essa instabilidade    e deslocamentos cont&iacute;nuos gerariam sentimentos de desenraizamento, incapacidade    de assumir compromissos, ou cuidados com o outro, que caracterizariam a situa&ccedil;&atilde;o    de &quot;deriva&quot; resultante de um novo formato da economia mundial baseado    em contratos de trabalho de curto prazo. Acirrando a competi&ccedil;&atilde;o    entre trabalhadores, essas experi&ecirc;ncias seriam as respons&aacute;veis    por uma generalizada &quot;corros&atilde;o do car&aacute;cter&quot; e pela crise    moral, que Sennett afirma atingirem todos na sociedade contempor&acirc;nea,    independentemente da sua classe social e do acesso a bens e consumos.      <P ALIGN="JUSTIFY">Bauman tamb&eacute;m faz uma cr&iacute;tica moral &agrave;    subjectividade contempor&acirc;nea, destacando o individualismo e o enfraquecimento    do compromisso com o colectivo. Relacionando os deslocamentos com um consumismo    desenfreado, Bauman critica ambos por criarem insatisfa&ccedil;&otilde;es perenes,    al&eacute;m de aprofundarem desigualdades sociais e alimentarem uma subjectividade    individualista e insatisfeita.      <P ALIGN="JUSTIFY">H&aacute;, portanto, entre estes dois cr&iacute;ticos da sociedade    contempor&acirc;nea uma suspei&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos    deslocamentos constantes dessa sociedade. Enquanto para Sennett estes seriam    respons&aacute;veis, entre outros processos, pela &quot;corros&atilde;o do car&aacute;cter&quot;,    para Bauman expressariam o desejo insaci&aacute;vel de consumo. Sennett v&ecirc;    com desconfian&ccedil;a essa exacerba&ccedil;&atilde;o da individualidade e    o crescente incentivo &agrave; express&atilde;o do que, em geral, se tem chamado    a &quot;personalidade&quot;, em detrimento da responsabilidade e do respeito    pelas normas e princ&iacute;pios colectivamente aceites que definem o que se    pode chamar o &quot;car&aacute;cter&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">Preocupado com os crescentes deslocamentos no mundo contempor&acirc;neo    e lamentando tamb&eacute;m as suas consequ&ecirc;ncias negativas sobre a sociedade    e sobre o indiv&iacute;duo, Zygmunt Bauman (1999 e 2003) critica mais os valores    vigentes na actualidade do que as regras econ&oacute;micas. Embora se assemelhe    a Sennett quando critica as ideologias que legitimam e motivam os deslocamentos,    distingue-se dele quando evita analisar os elementos infra-estruturais da sociedade    contempor&acirc;nea. Sennett, cujas cr&iacute;ticas t&ecirc;m como foco principal    as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no mundo actual, julga que a situa&ccedil;&atilde;o    se torna mais problem&aacute;tica em sociedades, como a dos EUA, em que os indiv&iacute;duos    se convencem da necessidade e do valor das regras desse sistema econ&oacute;mico,    aderindo a ideologias que consideram mais competentes os indiv&iacute;duos e    as empresas mais &quot;vol&aacute;teis&quot;, ou seja, menos comprometidos com    territ&oacute;rios e comunidades.      <P ALIGN="JUSTIFY">Como levam em conta apenas as motiva&ccedil;&otilde;es e as    justifica&ccedil;&otilde;es de ordem material e individual para os deslocamentos,    estes autores apontam para o enfraquecimento dos la&ccedil;os de solidariedade    social resultantes desses processos. Apesar disso, reconhecem que os deslocamentos    s&atilde;o tamb&eacute;m respons&aacute;veis por processos reactivos de forma&ccedil;&atilde;o    de comunidades e de defesa de discursos comunit&aacute;rios.      <P ALIGN="JUSTIFY">Sennett e Bauman, portanto, identificam o surgimento de ideologias    comunit&aacute;rias que emergem a partir da necessidade de perten&ccedil;a a    um todo coeso. Para ambos, essa necessidade surge a partir da experi&ecirc;ncia    do medo, da situa&ccedil;&atilde;o de risco e da falta de confian&ccedil;a generalizada,    fruto da hiperindividualiza&ccedil;&atilde;o. Os dois autores tamb&eacute;m    compartilham desconforto e suspeitas em rela&ccedil;&atilde;o a esse tipo de    resposta, salientando os problemas que ela pode gerar. Sennett (2007, p. 165)    chega a considerar &quot;perigosa&quot; a comunidade e a constru&ccedil;&atilde;o    fict&iacute;cia de um &quot;n&oacute;s&quot;:      <P ALIGN="JUSTIFY">Esse uso do &quot;n&oacute;s&quot; se torna um ato de autoprote&ccedil;&atilde;o.    O desejo de comunidade &eacute; defensivo, muitas vezes manifestado como rejei&ccedil;&atilde;o    a imigrantes e outros marginais &#151; sendo arquitetura comunal mais importante    que as muralhas contra uma ordem econ&ocirc;mica hostil [...] &eacute; quase    uma lei universal que o &quot;n&oacute;s&quot; pode ser utilizado como defesa    contra confus&atilde;o e desloca&ccedil;&atilde;o [Sennet, 2007, p. 165].      <P ALIGN="JUSTIFY">O pronome &quot;n&oacute;s&quot; &eacute; visto como perigoso    por Sennett, que o identifica com atitudes de intoler&acirc;ncia, capazes de    reavivar conflitos antigos e gerar novos conflitos com os &quot;outros&quot;,    ou seja, &quot;os de fora&quot;. Para Bauman, o principal problema da comunidade    &eacute; o pre&ccedil;o da protec&ccedil;&atilde;o que oferece: a liberdade    individual. Para esses autores, portanto, o crescimento de grupos religiosos,    como os grupos das &quot;novas comunidades&quot;, e das igrejas pentecostais    e neopentecostais, em geral, pode ser entendido como uma destas solu&ccedil;&otilde;es    comunit&aacute;rias para os problemas impostos aos indiv&iacute;duos no contexto    actual.      <P ALIGN="JUSTIFY">Com efeito, no Brasil, a renova&ccedil;&atilde;o carism&aacute;tica    tem crescido muito dentro da Igreja Cat&oacute;lica, reanimando a pr&aacute;tica    religiosa, reunindo os fi&eacute;is em grupos e criando comunidades de dimens&otilde;es    nacionais, algumas com regras similares a ordens religiosas e com projectos    mission&aacute;rios, como veremos mais adiante. Tamb&eacute;m nas igrejas evang&eacute;licas    pentecostais e neopentecostais os fi&eacute;is sentem-se apoiados pelos discursos,    rituais e pr&aacute;ticas que os levam a experimentar em graus distintos a vida    em comunidade. Sem d&uacute;vida, tais grupos religiosos seriam bons exemplos    do que esses autores chamam comunidades.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Sennettt e Bauman t&ecirc;m desconfian&ccedil;a das comunidades,    em geral, e certamente desconfiariam das comunidades religiosas aqui analisadas.    Acusariam esse tipo de grupo de restringir a liberdade individual e de ser intolerante.    N&atilde;o &eacute; meu objectivo demonstrar os limites das suas cr&iacute;ticas    morais. Embora discorde das avalia&ccedil;&otilde;es desses autores, n&atilde;o    pretendo discutir aqui se essas comunidades s&atilde;o ou n&atilde;o tolerantes,    ou o quanto limitam a liberdade, pois isso exigiria longas reflex&otilde;es    sobre a forma como esses autores concebem a liberdade e a toler&acirc;ncia,    al&eacute;m de uma recolha de dados mais espec&iacute;fica. Procuro dialogar    com esses autores, ressaltando que as comunidades e os discursos comunit&aacute;rios    podem gerar motiva&ccedil;&otilde;es para os deslocamentos e que estes podem,    por sua vez, solidificar experi&ecirc;ncias colectivas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Quero assinalar que as motiva&ccedil;&otilde;es subjacentes    aos deslocamentos e &agrave;s migra&ccedil;&otilde;es no mundo actual n&atilde;o    se restringem a factores de ordem econ&oacute;mica ou de sobreviv&ecirc;ncia    nem visam apenas aumentar o consumo b&aacute;sico ou sup&eacute;rfluo. T&atilde;o-pouco    s&atilde;o viagens e mudan&ccedil;as, sempre motivadas ou justificadas por raz&otilde;es    individualistas, como parecem indicar os autores acima. H&aacute; motiva&ccedil;&otilde;es    colectivamente constru&iacute;das, com objectivos tamb&eacute;m colectivamente    definidos, altruisticamente justificados. Focar a an&aacute;lise nos discursos    sobre as motiva&ccedil;&otilde;es n&atilde;o significa considerar que as motiva&ccedil;&otilde;es    sejam as causas, ou, por outras palavras, que estas possam explicar os comportamentos,    no caso os deslocamentos. Embora as causas propriamente ditas possam ser identificadas    a um n&iacute;vel infra-estrutural, as motiva&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o    meros reflexos dessa base econ&oacute;mica. Atrav&eacute;s da an&aacute;lise    de discursos motivacionais que leve a uma &quot;compreens&atilde;o&quot;, no    sentido weberiano do termo, das decis&otilde;es inerentes ao acto de se deslocar,    &eacute; poss&iacute;vel ampliar o conhecimento sobre as consequ&ecirc;ncias    subjectivas e morais, que tanto interessam e desgostam Sennett e Bauman, da    forma em que se tem vivido nas sociedades contempor&acirc;neas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Antes de iniciar a an&aacute;lise sobre os discursos relativos    &agrave;s miss&otilde;es &eacute; importante lembrar que o projecto mission&aacute;rio    n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico que mobiliza religiosamente os indiv&iacute;duos    e os grupos para se deslocarem. H&aacute; outras formas de legitima&ccedil;&atilde;o    religiosa para esse tipo de processo. Dedicar-se a uma &quot;miss&atilde;o religiosa&quot;    &eacute; apenas um desses sentidos atribu&iacute;dos ao deslocamento. Para entender    o sentido do deslocamento na religiosidade contempor&acirc;nea, em geral, &eacute;    &uacute;til proceder a uma breve an&aacute;lise sobre a forma como as religi&otilde;es    t&ecirc;m motivado as viagens e outro tipo de deslocamentos na actualidade.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P><b>Motiva&ccedil;&otilde;es religiosas para a viagem: o &quot;chamamento&quot;    religioso para se deslocar </b>     <P ALIGN="JUSTIFY">As viagens e deslocamentos podem obter sentido sagrado em v&aacute;rias    tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, e n&atilde;o apenas no cristianismo, tendo    assumido muitos significados em diferentes discursos religiosos. Essas viagens    podem ser experi&ecirc;ncias m&iacute;sticas, como as relatadas por xam&atilde;s<SUP><a href="#14">14</a></SUP><a name="top14"></a>,    ou podem ser experi&ecirc;ncias f&iacute;sicas ou concretas de indiv&iacute;duos    e grupos que se deslocam por motivos religiosos atrav&eacute;s de diferentes    regi&otilde;es geogr&aacute;ficas. Ao longo da hist&oacute;ria, e em diferentes    culturas, h&aacute; v&aacute;rios exemplos de popula&ccedil;&otilde;es ou indiv&iacute;duos    que se deslocam geograficamente devido a um repert&oacute;rio variado de motivos    religiosos. Nas diversas religiosidades contempor&acirc;neas s&atilde;o accionados    elementos de tais repert&oacute;rios para darem sentido e estimularem ou justificarem    deslocamentos vivenciados na sociedade &quot;l&iacute;quida&quot; ou &quot;flex&iacute;vel&quot;    descrita por Bauman e Sennett.      <P ALIGN="JUSTIFY">Com efeito, tem-se verificado, por exemplo nas grandes cidades,    a multiplica&ccedil;&atilde;o de grupos que praticam religi&otilde;es xam&acirc;nicas    e buscam experi&ecirc;ncias de deslocamentos subjectivos (Magnani, 1999). Embora    os corpos se mantenham fisicamente no mesmo local, os deslocamentos subjectivos    t&ecirc;m efeitos sociais semelhantes aos deslocamentos concretos. Este deslocamento    xam&acirc;nico corresponderia e teria talvez uma &quot;afinidade electiva&quot;    com outro tipo de deslocamento, aquele proporcionado pelos <I>media </I>contempor&acirc;neos,    como destaca Bauman.      <P ALIGN="JUSTIFY">O deslocamento virtual tamb&eacute;m &eacute; valorizado nas    tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s. Tanto as &quot;novas comunidades&quot;    como a IURD d&atilde;o bastante import&acirc;ncia aos <I>media </I>como instrumento    de divulga&ccedil;&atilde;o da sua mensagem. Atrav&eacute;s da r&aacute;dio,    da televis&atilde;o e da internet, as imagens e palavras dos pregadores podem    chegar bem mais longe do que os pr&oacute;prios mission&aacute;rios. A TV e    a r&aacute;dio destacam-se entre os carismas das &quot;novas comunidades&quot;.    A IURD investe bastante nos <I>media </I>televisivos. Al&eacute;m de possu&iacute;rem    <I>sites</I> bem elaborados, as novas comunidades s&atilde;o referidas e est&atilde;o    presentes com v&iacute;deos em <I>sites</I> como o <I>YouTub</I>e. Os seus membros    formam comunidades virtuais e s&atilde;o encontrados em redes virtuais, como    o <I>Orkut.</I> Sem d&uacute;vida, est&atilde;o bem mais vis&iacute;veis e presentes    no mundo virtual do que outros grupos cat&oacute;licos. A comunidade Can&ccedil;&atilde;o    Nova destaca-se pelo seu carisma em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.    Tendo aberto um canal televisivo no Brasil e no exterior, como fizera a IURD,    estariam ambas a realizar deslocamentos medi&aacute;ticos e a criar &quot;comunidades    est&eacute;ticas&quot;, no sentido dado por Bauman a essa express&atilde;o.      <P ALIGN="JUSTIFY">Outra experi&ecirc;ncia religiosa que tem sido retomada recentemente,    seja vinculada &agrave; ind&uacute;stria do turismo ou n&atilde;o, &eacute;    a peregrina&ccedil;&atilde;o. Sandra Carneiro (2004 e 2007) analisa uma ampla    literatura sobre esta mat&eacute;ria, o que lhe permite afirmar que as peregrina&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o frequentes nas mais diferentes tradi&ccedil;&otilde;es religiosas.    Por outro lado, observa tamb&eacute;m que os rituais de deslocamento com o objectivo    de visitar um lugar sagrado t&ecirc;m-se fortalecido recentemente, ao menos    no Brasil, onde aos santu&aacute;rios tradicionais se somam novos centros ou    rotas de peregrina&ccedil;&otilde;es que alimentam uma crescente ind&uacute;stria    de turismo religioso.      <P ALIGN="JUSTIFY">Motivados religiosamente a realizar viagens, os peregrinos    sentem refor&ccedil;ada a sua cosmovis&atilde;o, bem como a sua liga&ccedil;&atilde;o    com o grupo religioso mais amplo. Como argumentam Turner e Turner (1978), as    romarias criam a <I>comunitas</I> tanto atrav&eacute;s do seu car&aacute;cter    sacrificial como atrav&eacute;s dos seus aspectos festivos e l&uacute;dicos.    Entre as &quot;novas comunidades&quot; brasileiras h&aacute; uma &ecirc;nfase    na peregrina&ccedil;&atilde;o, e uma delas, a Obra de Maria, tem-se dedicado    a organizar peregrina&ccedil;&otilde;es a lugares santos (Campos e Caminha,    no prelo)<SUP><a href="#15">15</a></SUP><a name="top15"></a>. Tamb&eacute;m    a IURD tem procurado motivar a peregrina&ccedil;&atilde;o, seja para visitar    as suas catedrais, seja para visitar o seu projecto social no campo, a Fazenda    Cana&atilde; (Gomes, 2004).      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Outro mito religioso que j&aacute; motivou muitos deslocamentos    atrav&eacute;s da hist&oacute;ria &eacute; o da &quot;terra prometida&quot;.    Desempenhando um papel significativo na tradi&ccedil;&atilde;o judaica, esse    mesmo mito inspirou os puritanos que, na tentativa de escaparem &agrave;s guerras    religiosas europeias, migraram para a Nova Inglaterra, sendo assim um mito fundador    nacional nos Estados Unidos, tamb&eacute;m presente noutras igrejas criadas    nesse pa&iacute;s, como, por exemplo, a Igreja dos M&oacute;rmones<SUP><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></SUP>.    Relativamente a outras motiva&ccedil;&otilde;es para o deslocamento, esta tem    sido pouco accionada pelos grupos religiosos contempor&acirc;neos.      <P ALIGN="JUSTIFY">A viagem mission&aacute;ria, tema deste artigo, &eacute; central    no cristianismo. Faz parte da pr&oacute;pria l&oacute;gica religiosa crist&atilde;,    mas pode ser mais ou menos reavivado e pode tamb&eacute;m ser interpretado de    formas distintas em distintos contextos hist&oacute;ricos. O deslocamento religiosamente    motivado &#151; que no mundo ocidental tem conseguido gerar uma grande quantidade    de recursos, mobilizando um n&uacute;mero enorme de fi&eacute;is &#151; pode    n&atilde;o possuir a mesma import&acirc;ncia noutras tradi&ccedil;&otilde;es    religiosas. O papel dos factores sociais que afectam a l&oacute;gica religiosa,    e assim a maior ou menor &ecirc;nfase em valores e significados mission&aacute;rios,    pode ser percebido quando se nota que no s&eacute;culo XX, em religi&otilde;es    tradicionalmente n&atilde;o mission&aacute;rias, como o budismo e o hindu&iacute;smo<SUP><a href="#17">17</a><a name="top17"></a></SUP>,    surgem tamb&eacute;m miss&otilde;es: grupos transnacionais que se prop&otilde;em    atrair novos adeptos nos mais diferentes lugares do globo e inovam a sua tradi&ccedil;&atilde;o    ao adoptarem pr&aacute;ticas similares &agrave;s dos mission&aacute;rios crist&atilde;os.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P><b>O chamamento: as motiva&ccedil;&otilde;es dos mission&aacute;rios </b>     <P ALIGN="JUSTIFY">A partir da exorta&ccedil;&atilde;o &quot;Ide por todo o mundo    e pregai o Evangelho a toda a criatura&quot;<SUP><a href="#18">18</a><a name="top18"></a></SUP>,    o cristianismo, desde o seu surgimento, vem motivando deslocamentos geogr&aacute;ficos    tanto de longa como de curta dist&acirc;ncia e dura&ccedil;&atilde;o. Apesar    de relativamente pouco numerosos, os indiv&iacute;duos que seguiram e seguem    esse chamamento s&atilde;o importantes no mundo crist&atilde;o, por mobilizarem    recursos materiais e especialmente pelo simbolismo que carreiam. As diferentes    comunidades sentem-se &quot;vocacionadas&quot; a abrir novas casas atrav&eacute;s    do pa&iacute;s e no exterior. Mais uma casa aberta &eacute; uma vit&oacute;ria    e uma not&iacute;cia a ser divulgada no <I>site</I> e noutros meios de comunica&ccedil;&atilde;o    do grupo. Esse chamamento para se expandirem geogr&aacute;fica e socialmente    aparece em todas as comunidades, n&atilde;o apenas nessas tr&ecirc;s maiores    que vieram de fora do Rio de Janeiro e que citamos aqui. Notamos a mesma preocupa&ccedil;&atilde;o    em comunidades menores criadas no Rio de Janeiro, como &eacute; o caso da comunidade    &quot;Novo Man&aacute;&quot;.      <P ALIGN="JUSTIFY">Como j&aacute; foi exaustivamente observado pela literatura    especializada (Antoniazzi, 1999), essa motiva&ccedil;&atilde;o foi aproveitada    para o desenvolvimento de projectos n&atilde;o religiosos do Ocidente, destacando-se,    entre esses, a expans&atilde;o econ&oacute;mica das sociedades europeias durante    a coloniza&ccedil;&atilde;o das Am&eacute;ricas e de &Aacute;frica. Apesar de    assumir um papel econ&oacute;mico e pol&iacute;tico para a sociedade mais ampla,    o chamamento mission&aacute;rio somente ser&aacute; escutado e obedecido pelos    indiv&iacute;duos se possuir algum significado religioso ou cultural para eles    e se responder a necessidades pessoais, tanto materiais como subjectivas. As    cren&ccedil;as e os valores religiosos apenas ser&atilde;o capazes de servir    fins n&atilde;o religiosos se forem religiosamente leg&iacute;timos, social    e subjectivamente plaus&iacute;veis.      <P ALIGN="JUSTIFY">As religi&otilde;es, em geral, e o cristianismo, em particular,    podem tamb&eacute;m oferecer motiva&ccedil;&atilde;o e significado aos indiv&iacute;duos    para que se submetam &agrave;s press&otilde;es da sociedade actual e deixem    a sua localidade de origem, o seu lar, em busca de novos espa&ccedil;os. Para    tomar a decis&atilde;o de se deslocarem, abandonando as suas origens, os indiv&iacute;duos    podem recorrer a motiva&ccedil;&otilde;es religiosas. Um projecto mission&aacute;rio,    al&eacute;m de legitimar e motivar um deslocamento duradouro ou mais curto,    ajuda o indiv&iacute;duo a obter apoio material de alguma igreja ou comunidade.      <P ALIGN="JUSTIFY">Grande parte da literatura sobre as actividades mission&aacute;rias    crist&atilde;s tem-se dedicado basicamente a analisar os efeitos da miss&atilde;o    sobre o grupo que a atraiu. Como, em geral, as miss&otilde;es estudadas se davam    em contextos de coloniza&ccedil;&atilde;o ou imperialismo cultural, o aspecto    da domina&ccedil;&atilde;o cultural tem sido o objecto privilegiado da an&aacute;lise,    com a &ecirc;nfase nos limites e nas consequ&ecirc;ncias das actividades mission&aacute;rias.    Revendo a bibliografia sobre o tema no Brasil, observa-se que h&aacute; poucos    dados sobre os mission&aacute;rios e pouca reflex&atilde;o sobre os discursos,    valores e subjectividade dos que realizam as miss&otilde;es. Uma excep&ccedil;&atilde;o    seria o trabalho de Rubem C&eacute;sar Fernandes (1980) sobre os mission&aacute;rios    norte-americanos que trabalhavam em &aacute;reas ind&iacute;genas brasileiras<SUP><a href="#19">19</a><a name="top19"></a></SUP>.      <P ALIGN="JUSTIFY">H&aacute; poucos estudos sobre os discursos a respeito das    miss&otilde;es realizadas por igrejas brasileiras que mostrem como essas miss&otilde;es,    aqueles a quem se direccionam e o sucesso do projecto s&atilde;o percebidos    pelas igrejas, pelos seus fi&eacute;is e pelos pr&oacute;prios mission&aacute;rios    brasileiros. Que significados est&atilde;o vinculados a essa empreitada religiosa?    A an&aacute;lise de textos jornal&iacute;sticos publicados em 1996 na <I>Seara,</I>    revista bimensal da Assembleia de Deus (AD), e na <I>Folha Universal, </I>jornal    semanal da IURD, revela que nessa &eacute;poca era divulgado, especialmente    na revista da AD, um tipo de teologia comum entre os mission&aacute;rios norte-americanos,    conhecida como <I>dominion theology,</I> que vincula a teologia da batalha espiritual    aos projectos mission&aacute;rios. V&aacute;rios autores, entre os quais Paul    Freston (1993), Ricardo Mariano (1999) e Hil&aacute;rio Winarczyk (1994), afirmam    que esse tipo de teologia tem sido muito popular no meio mission&aacute;rio    dos <I>evangelicals</I> norte-americanos. Nesta teologia, a ac&ccedil;&atilde;o    mission&aacute;ria &eacute; interpretada como uma &quot;batalha espiritual&quot;.    Cada povo n&atilde;o crist&atilde;o estaria dominado por um tipo distinto de    dem&oacute;nio e seria &quot;uma vit&oacute;ria contra o inimigo a convers&atilde;o    de um novo fiel, ou de um povo que n&atilde;o conhecia o cristianismo&quot;    (Mariz e Mesquita, 1997, p. 10). Essa teologia aparece claramente na cita&ccedil;&atilde;o    abaixo, retirada da re<I>vista Seara: </I>      <P ALIGN="JUSTIFY"> &Eacute; ineg&aacute;vel que existem lugares onde a batalha    espiritual &eacute; mais intensa, principalmente na seara do animismo, do islamismo    e das religi&otilde;es orientais [<I>Seara,</I> Mar&ccedil;o-Abril, 1996, p.    7].      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">A forte cren&ccedil;a na necessidade de combater os diferentes    &quot;dem&oacute;nios territoriais&quot; que dominam cada povo n&atilde;o crist&atilde;o    seria uma forte motiva&ccedil;&atilde;o para apoiar as miss&otilde;es. Hil&aacute;rio    Winarczyk (1994) analisa autores protestantes e argentinos que abra&ccedil;am    esta concep&ccedil;&atilde;o e sublinha o facto de estes se declararem preocupados    com a chamada &quot;janela 10/40&quot;.<B><I> </I></B>Essa preocupa&ccedil;&atilde;o    estava presente na publica&ccedil;&atilde;o da AD analisada, em que se explica    o que &eacute; essa &quot;janela&quot;:      <P ALIGN="JUSTIFY">A maior concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas n&atilde;o alcan&ccedil;adas    do globo terrestre vive em uma janela retangular. &Eacute; um territ&oacute;rio    que se estende desde a &Aacute;frica ocidental atrav&eacute;s da &Aacute;sia,    entre os graus 10 e 40 a norte do equador. Essa &aacute;rea incluiu o bloco    mu&ccedil;ulmano e o bloco budista [<I>Seara,</I> Mar&ccedil;o-Abril, 1996,    p. 30].      <P ALIGN="JUSTIFY">A aus&ecirc;ncia do cristianismo &eacute; relacionada tamb&eacute;m    com a falta de prosperidade e de sa&uacute;de. A ac&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria    estaria a vincular a batalha espiritual &agrave; teologia da prosperidade:      <P ALIGN="JUSTIFY">Bilh&otilde;es de pessoas que vivem na janela 10/40 n&atilde;o    s&oacute; est&atilde;o debaixo de enfermidades, pobreza, calamidades, mas tamb&eacute;m    t&ecirc;m sido impossibilitadas de conhecer o poder transformador do evangelho    [<I>Seara,</I> Mar&ccedil;o-Abril, 1996, p. 30].      <P ALIGN="JUSTIFY">Um outro papel que os relatos dos mission&aacute;rios podem    assumir, quando divulgados para os fi&eacute;is, &eacute; o de legitimarem o    poder da sua igreja. No caso da reportagem que se segue, publicada na <I>Folha    Universal</I>, a descri&ccedil;&atilde;o da entrada dessa igreja no continente    africano real&ccedil;a o seu poder expansionista. A IURD fica mais forte e o    mundo torna-se menor no discurso mission&aacute;rio:      <P ALIGN="JUSTIFY">      <P ALIGN="JUSTIFY">Na ocasi&atilde;o o bispo falou sobre principados e potestades    que trabalham para impedir o crescimento da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo    em todo o mundo. Em seguida fez uma ora&ccedil;&atilde;o repreendendo essas    for&ccedil;as espirituais do mal e agradeceu a Deus por mais uma porta aberta    no continente africano [<I>Folha Universal,</I> 2-6-1996].      <P ALIGN="JUSTIFY">      <P ALIGN="JUSTIFY">Essa &ecirc;nfase na teologia da batalha espiritual n&atilde;o    implica menor &ecirc;nfase na teologia da prosperidade, j&aacute; mencionada.    Os dem&oacute;nios territoriais, como citado acima, s&atilde;o respons&aacute;veis    pela pobreza e pelo fracasso material.      <P ALIGN="JUSTIFY">Edlaine C. Gomes (2004) nota, contudo, que a <I>Folha Universal</I>    passou a trazer, aos poucos, menos not&iacute;cias sobre os trabalhos mission&aacute;rios    no exterior. Em 1998, como reflexo desta realidade, afirmava-se neste jornal    que, &quot;ap&oacute;s levar o evangelho os quatro cantos do planeta, a IURD    entrou na chamada era das catedrais&quot; (<I>Folha Universal,</I> 26-7-1998).    Comentando esta afirma&ccedil;&atilde;o, Paul Freston (2003) considera que a    IURD n&atilde;o teria com isso desistido de todo das suas actividades mission&aacute;rias,    mas estaria a procurar aprofundar a sua penetra&ccedil;&atilde;o nos locais    onde j&aacute; se tinha implantado com sucesso. &Eacute; importante destacar    que chegar aos &quot;confins do mundo&quot; e construir catedrais ampliam a    visibilidade da IURD, destacando, para os fi&eacute;is, que a sua igreja tem    efectivamente alcan&ccedil;ado a prosperidade que prega. Com efeito, a pr&oacute;pria    realiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o no exterior poderia tamb&eacute;m    oferecer, de certa forma, um tipo de prest&iacute;gio ao mission&aacute;rio    e &agrave; sua igreja.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Por outro lado, ao escutar os testemunhos dos mission&aacute;rios,    ao ler reportagens sobre as miss&otilde;es das suas igrejas junto de outros    povos, os fi&eacute;is que n&atilde;o sa&iacute;ram da sua terra natal passam    a conhecer melhor o mundo al&eacute;m-fronteiras e, na perspectiva da sua f&eacute;,    integram-se, de uma forma religiosamente diferenciada, na sociedade global.    Tamb&eacute;m geram curiosidade outros sentimentos, como o ardor mission&aacute;rio,    o qual pode suscitar o desejo de viajar. &Eacute; prov&aacute;vel que muitos    dos fi&eacute;is dessas igrejas no Brasil, especialmente da IURD, das assembleias    de deus e da igreja pentecostal Deus &eacute; Amor, cujos n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o    e rendimentos s&atilde;o baixos, raramente tenham tido oportunidade de conversar    com pessoas que viveram noutros pa&iacute;ses e conheceram outros povos. O seu    conhecimento sobre a vida al&eacute;m das fronteiras nacionais pode ser bem    escasso, reduzindo-se a informa&ccedil;&otilde;es pouco sistem&aacute;ticas    obtidas atrav&eacute;s dos <I>media</I>. Escutar as prega&ccedil;&otilde;es    dos mission&aacute;rios, ler os seus escritos e ver os v&iacute;deos que produzem    s&atilde;o algumas das formas atrav&eacute;s das quais os fi&eacute;is se integram    no mundo global. Para essa popula&ccedil;&atilde;o os relatos e testemunhos    dos mission&aacute;rios s&atilde;o fontes mais v&iacute;vidas e fi&aacute;veis    do que quaisquer outras, especialmente do que os <I>media</I>.      <P ALIGN="JUSTIFY">Viajar e conhecer outros pa&iacute;ses s&atilde;o actividades    fundamentais para os indiv&iacute;duos se sentirem &quot;cidad&atilde;os&quot;    numa sociedade global. As informa&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias adquiridas    no exterior oferecem instrumentos e compet&ecirc;ncias que enriquecem e d&atilde;o    prest&iacute;gio. A import&acirc;ncia dada pela IURD &agrave; miss&atilde;o    em &Aacute;frica torna-se muito clara pela forma prestigiosa como se referiu    &agrave; actua&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria do bispo Crivella nesse continente,    facto que n&atilde;o deixou tamb&eacute;m de ser destacado na sua campanha para    senador da Rep&uacute;blica pelo Rio de Janeiro.      <P ALIGN="JUSTIFY">No discurso das &quot;novas comunidades cat&oacute;licas&quot;,    a teologia da &quot;batalha espiritual&quot; e da &quot;prosperidade&quot; n&atilde;o    aparece vinculada aos projectos mission&aacute;rios como s&atilde;o apresentados    nas revistas e jornais da AD e da IURD. Embora compartilhem alguns aspectos    do discurso da &quot;batalha espiritual&quot;, como ocorre, em geral, na Renova&ccedil;&atilde;o    Carism&aacute;tica Cat&oacute;lica (RCC), essas comunidades n&atilde;o vinculam    dem&oacute;nios a um territ&oacute;rio ou a uma etnia ou cultura. Ao contr&aacute;rio    das igrejas evang&eacute;licas, n&atilde;o adoptam a teologia da prosperidade.    O grande valor dado ao voto de pobreza &eacute; que chama antes a aten&ccedil;&atilde;o.      <P ALIGN="JUSTIFY">Trechos de entrevistas com membros das &quot;novas comunidades&quot;    do Rio de Janeiro sobre os seus deslocamentos em actividades mission&aacute;rias    sugerem algumas hip&oacute;teses sobre o tipo de experi&ecirc;ncias subjectivas    que podem resultar dessas viagens. Embora os entrevistados se refiram a deslocamentos    dentro do pa&iacute;s, as suas reflex&otilde;es aplicam-se a qualquer tipo de    afastamento da sua fam&iacute;lia e terra de origem para execu&ccedil;&atilde;o    de um trabalho religioso ou em prol da comunidade.      <P ALIGN="JUSTIFY">A primeira observa&ccedil;&atilde;o que se faz &eacute; que    quase todos os participantes em comunidades de vida com quem se conversou j&aacute;    se tinham deslocado v&aacute;rias vezes. Roberto<SUP><a href="#20">20</a><a name="top20"></a></SUP>,    membro da comunidade Can&ccedil;&atilde;o Nova do Rio de Janeiro, &eacute; um    caso entre muitos outros que podiam ser apontados:      <P ALIGN="JUSTIFY">Desde que eu entrei na comunidade, eu j&aacute; passei por    algumas miss&otilde;es. Fiz meu noviciado em Queluz &#151; perto da nossa sede,    que &eacute; em Cachoeira Paulista &#151;, a segunda fase do meu noviciado em    Cachoeira Paulista. Depois, terminei de fazer meu juniorato em Cuiab&aacute;.    E voltei para Cachoeira Paulista no ano de 2000. Depois em 2001 fui para Bras&iacute;lia.    E agora para o Rio de Janeiro [entrevista realizada em Novembro de 2003].      <P ALIGN="JUSTIFY">Similar &eacute; a declara&ccedil;&atilde;o de Lu&iacute;za,    de 20 anos, pertencente &agrave; comunidade Toca de Assis:      <P ALIGN="JUSTIFY">Eu `tava em Sorocaba, S&atilde;o Paulo, eu fiquei um ano e    dez meses, eu estou aqui uma semana e um dia&#133; &eacute; dois dias, aqui    em Santa Teresa... s&oacute; que eu n&atilde;o vou ficar aqui, estou aqui de    passagem, eu vou pra miss&atilde;o nova que vai abrir em Cabo Frio. &Eacute;    assim, onde Deus mandar [entrevista realizada em Setembro de 2004].      <P ALIGN="JUSTIFY">Al&eacute;m dos deslocamentos individuais, citam-se projectos    de abertura de casas mission&aacute;rias. O deslocamento &eacute; visto como    algo positivo, apesar de poder ser doloroso. Esse discurso sobre a import&acirc;ncia    do deslocamento como uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento espiritual aparece    em entrevistas com membros das &quot;novas comunidades&quot;. Quando perguntamos    por que raz&atilde;o n&atilde;o havia na casa da comunidade Can&ccedil;&atilde;o    Nova do Rio de Janeiro ningu&eacute;m dessa cidade, a nossa entrevistada explicou:      <P ALIGN="JUSTIFY">Geralmente [...] a sede n&atilde;o manda pra cidade de origem    porque a&iacute; complica um pouco &#151; tem a fam&iacute;lia. Voc&ecirc; pode    ir at&eacute; pra mais pr&oacute;ximo da sua cidade, mas a maior parte vai pra    fora. Tem gente aqui da Bahia, tem gente do Paran&aacute;, tem gente de Minas,    tem gente de v&aacute;rios lugares [entrevista realizada em Novembro de 2003].      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Os entrevistados, portanto, consideram o afastamento em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; sua cidade de origem, &agrave; fam&iacute;lia e ao passado uma condi&ccedil;&atilde;o    fundamental para se dedicarem inteiramente &agrave; obra religiosa. Desta forma,    o deslocamento permite a experi&ecirc;ncia de um &quot;novo nascimento&quot;    para o membro da comunidade. Tornando-se um estranho em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; sociedade mais ampla, o deslocamento refor&ccedil;a os la&ccedil;os    do indiv&iacute;duo com a comunidade, ajudando-o a transformar-se numa nova    pessoa. O deslocamento geogr&aacute;fico facilita, portanto, mudan&ccedil;as    mais radicais na subjectividade do deslocado.      <P ALIGN="JUSTIFY">A transfer&ecirc;ncia de indiv&iacute;duos &eacute; uma pr&aacute;tica    comum em diversas ordens religiosas cat&oacute;licas. Tamb&eacute;m &eacute;    uma pr&aacute;tica seguida pelas organiza&ccedil;&otilde;es que querem criar    um grau elevado de compromisso entre o seu pessoal, como &eacute; o caso das    For&ccedil;as Armadas. Esse tipo de deslocamento de car&aacute;cter altru&iacute;sta,    motivado pela forte solidariedade com o grupo, pode levar a um fortalecimento    do grupo da hierarquia, como vemos na declara&ccedil;&atilde;o abaixo de um    membro da Can&ccedil;&atilde;o Nova:      <P ALIGN="JUSTIFY">Onde n&oacute;s vivemos? N&oacute;s vivemos o sobrenatural    [...] Ningu&eacute;m tem um lugar fixo. De 6 em 6 meses n&oacute;s somos remanejados.    Ent&atilde;o ningu&eacute;m tem casa ningu&eacute;m tem nada, ningu&eacute;m    tem uma vida. A nossa meta &eacute; obedecer. Quem obedece n&atilde;o erra.    Mesmo n&atilde;o sabendo, se o seu formador achar: &quot;voc&ecirc; &eacute;    capaz dessa miss&atilde;o&quot;, voc&ecirc; vai [entrevista realizada em Novembro    de 2003].      <P ALIGN="JUSTIFY">Essa experi&ecirc;ncia de deslocamento seria, portanto, distinta    daquela do migrante que viaja sozinho, ou com a sua fam&iacute;lia nuclear,    em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. Este tipo de migrante,    mais comum na sociedade actual, poderia ser considerado, para utilizar a terminologia    durkheimiana, pertencente a um g&eacute;nero &quot;ego&iacute;sta&quot;, por    oposi&ccedil;&atilde;o aos exemplos acima apontados, que poderiam ser definidos    como &quot;altru&iacute;stas&quot;. Enquanto este refor&ccedil;a o grupo, o    deslocamento &quot;ego&iacute;sta&quot; pode ser tanto causa como consequ&ecirc;ncia    de um desenraizamento e de uma maior individualiza&ccedil;&atilde;o.      <P ALIGN="JUSTIFY">Observou-se nas &quot;novas comunidades&quot; que, apesar de    as transfer&ecirc;ncias serem definidas pela sede, ou pela lideran&ccedil;a,    s&atilde;o, em geral, vistas como positivas. Os membros sentem-se valorizados    quando deslocados. At&eacute; mesmo membros das comunidades de alian&ccedil;a,    que vivem com as suas fam&iacute;lias, declararam realizar deslocamentos para    miss&otilde;es noutras cidades, mesmo que por um per&iacute;odo curto. &Eacute;    com orgulho que Carolina, da comunidade de alian&ccedil;a da Can&ccedil;&atilde;o    Nova, comenta:      <P ALIGN="JUSTIFY">Eu mesma tive a oportunidade de, no ano passado, ir pra Roraima.    Eu e meu esposo passamos um m&ecirc;s em Roraima, inaugurando o canal 40 l&aacute;,    depois fomos pro Esp&iacute;rito Santo [entrevista realizada em Novembro de    2003].      <P ALIGN="JUSTIFY">O deslocamento faz com que o indiv&iacute;duo tenha a experi&ecirc;ncia    de ser um estranho na sociedade mais ampla. Por vezes, era j&aacute; uma experi&ecirc;ncia    vivenciada por aqueles que tinham uma forte liga&ccedil;&atilde;o religiosa    com a RCC antes mesmo de entrarem para as &quot;novas comunidades&quot;. Os    entrevistados comentam que s&atilde;o vistos como loucos. S&atilde;o considerados    estranhos pelos que lhes eram familiares e com o seu ingresso na comunidade    e consequentes transfer&ecirc;ncias atrav&eacute;s de distintas cidades passam    a ser totalmente estranhos entre estranhos.      <P ALIGN="JUSTIFY">Um dos entrevistados, que era da cidade de Niter&oacute;i e    decidiu ir para uma comunidade de vida nessa mesma cidade, relata sobre o seu    chamamento:      <P ALIGN="JUSTIFY">Um dia, em todas as minhas ora&ccedil;&otilde;es Deus respondia    claramente o que Ele queria, e em uma [...] eu fiquei muito confuso [...] Ele    disse assim: &quot;Sai da tua terra, vai pra terra onde eu te mandar, deixa    a tua casa que eu vou te dar outra casa.&quot; Algo que dizia muito sobre isso,    que Deus ia me dar outra terra pra morar, tudo isso, e eu n&atilde;o tinha entendido    porque n&atilde;o tinha ainda essa realidade de alian&ccedil;a e vida, comunidade    e fraternidade [Reinaldo, 20 anos, da comunidade Eis o Cordeiro, de Niter&oacute;i,    Rio de Janeiro. Entrevista realizada em Abril de 2004].      <P ALIGN="JUSTIFY">Na revela&ccedil;&atilde;o que tem durante as suas ora&ccedil;&otilde;es    carism&aacute;ticas, o chamamento para sair da sua terra &eacute; reinterpretado    como um chamamento para viver em comunidade.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Os membros das &quot;novas comunidades&quot; sugerem, nas suas    entrevistas, que os deslocamentos os transformaram, de um modo ou de outro.    Embora os problemas pessoais e familiares n&atilde;o se reduzam &agrave; situa&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica, &eacute; poss&iacute;vel romper com a fonte de alguns dos    problemas realizando deslocamentos. Dentro de um grupo religioso, o deslocar-se    por causa das miss&otilde;es pode ser parte de uma estrat&eacute;gia de transforma&ccedil;&atilde;o    dos pr&oacute;prios mission&aacute;rios, e n&atilde;o apenas do objecto das    miss&otilde;es. Desta forma, quando um grupo religioso estabelece deslocamentos    pretende mudar tanto quem foi deslocado como aqueles com quem se vai contactar    nas &aacute;reas de miss&atilde;o. Afirmar isso, contudo, n&atilde;o significa    diminuir a import&acirc;ncia da actividade mission&aacute;ria.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P><b>Os novos mission&aacute;rios</b>      <P ALIGN="JUSTIFY">No Brasil, os mission&aacute;rios cat&oacute;licos chegaram    com os colonizadores. Durante s&eacute;culos vinham sempre do &quot;centro&quot;    do sistema internacional, ou seja, da Europa para a periferia. Embora se tenha    tornado &quot;o maior pa&iacute;s cat&oacute;lico do mundo&quot;, o Brasil era    tamb&eacute;m um &quot;pa&iacute;s de miss&atilde;o&quot;, pois sofria de uma    car&ecirc;ncia cr&oacute;nica de religiosos e sacerdotes. Ainda na d&eacute;cada    de 70 do s&eacute;culo xx observava-se que 40% dos sacerdotes que trabalhavam    no Brasil eram estrangeiros, sendo na sua maioria mission&aacute;rios europeus.    A crise de voca&ccedil;&otilde;es que atingiu a Europa a partir da d&eacute;cada    de 60 reflecte-se nos anos 80 e 90. Actualmente, essa propor&ccedil;&atilde;o    &eacute; de 15% (Medeiros e Fernandes, 2005, p. 21). A Europa torna-se, por    sua vez, &quot;terra de miss&atilde;o&quot; cat&oacute;lica. Embora a propor&ccedil;&atilde;o    de padres por habitantes no Brasil ainda seja muito baixa, e talvez menor do    que na d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo XX, a propor&ccedil;&atilde;o de    padres mission&aacute;rios vindos do exterior, especialmente da Europa, &eacute;    bem menor.      <P ALIGN="JUSTIFY">Nesse in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, al&eacute;m da queda    na propor&ccedil;&atilde;o dos padres estrangeiros, observam-se mission&aacute;rios    cat&oacute;licos, sacerdotes e freiras, vindos de outras regi&otilde;es perif&eacute;ricas    que no passado tinham sido tamb&eacute;m &aacute;reas mission&aacute;rias. Encontram-neste    caso os padres da Legi&atilde;o de Cristo, ordem criada no M&eacute;xico, e    as freiras da ordem criada pela Madre Teresa de Calcult&aacute;. Claude Prudhomme    (2001, p. 24) observa que muitas congrega&ccedil;&otilde;es religiosas cat&oacute;licas    europeias, tanto masculinas como femininas, que desempenharam um papel mission&aacute;rio    importante na &Aacute;sia e na &Aacute;frica, est&atilde;o em vias de terem    o seu pessoal religioso origin&aacute;rio quase exclusivamente dos pa&iacute;ses    onde no passado realizaram miss&otilde;es. A partir da d&eacute;cada de 70,    essas ordens t&ecirc;m tido cada vez mais dificuldade em recrutar membros nos    seus pa&iacute;ses de origem. S&iacute;lvia Fernandes (2003) mostra que tamb&eacute;m    no Brasil tem decrescido o n&uacute;mero de jovens com voca&ccedil;&atilde;o    para as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas masculinas e femininas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Como foi j&aacute; assinalado, na d&eacute;cada de 80, no pontificado    de Jo&atilde;o Paulo II, o termo &quot;miss&atilde;o&quot; come&ccedil;a a ser    reutilizado e valorizado (Antoniazzi, 1999). As &quot;novas comunidades&quot;    v&atilde;o come&ccedil;ar a surgir nesse per&iacute;odo e nelas surgem esses    novos mission&aacute;rios leigos. A novidade da Igreja Cat&oacute;lica nesse    per&iacute;odo parece ser, portanto, a ruptura com o monop&oacute;lio da hierarquia    e das congrega&ccedil;&otilde;es religiosas sobre as actividades mission&aacute;rias.    Os leigos decidem e tornam-se, efectivamente, mission&aacute;rios attrav&eacute;s    de comunidades que criam com esse fim. Amplia-se para todos os membros da igreja    Cat&oacute;lica a possibilidade de se deslocarem com motiva&ccedil;&otilde;es    mission&aacute;rias.      <P ALIGN="JUSTIFY">No entanto, essa autonomia leiga tem um grande limite no universo    cat&oacute;lico. Qualquer actividade na Igreja Cat&oacute;lica tem de ser aprovada    pelo bispo local. Nenhuma casa ou comunidade pode ser aberta sem apoio do bispo.    Nenhuma miss&atilde;o pode chegar a uma diocese sem conhecimento e convite pr&eacute;vio    das autoridades episcopais locais. Com a grande dimens&atilde;o da Igreja Cat&oacute;lica,    n&atilde;o h&aacute; localidade no mundo que n&atilde;o esteja relacionada com    uma diocese; dessa forma, o controlo da hierarquia &eacute; constante.      <P ALIGN="JUSTIFY">Dentro dos limites mencionados acima, esses leigos das &quot;novas    comunidades&quot; abrem e gerem casas no Brasil e no exterior, a que chamam    tamb&eacute;m &quot;miss&otilde;es&quot;. Apesar dessa maior presen&ccedil;a    de leigos nas tarefas mission&aacute;rias cat&oacute;licas, o que pode ser interpretado,    sob um certo ponto de vista, como um processo de &quot;democratiza&ccedil;&atilde;o&quot;    dessa actividade, esta seria, no entanto, bem limitada. As decis&otilde;es ainda    est&atilde;o nas m&atilde;os da hierarquia da Igreja. Os leigos n&atilde;o podem    decidir como e onde fazer uma miss&atilde;o. Como foi apontado anteriormente,    uma nova comunidade deve obedi&ecirc;ncia &agrave;s autoridades da Igreja Cat&oacute;lica    e, assim, n&atilde;o pode fugir das metas e propostas mission&aacute;rias da    hierarquia. Por sua vez, tamb&eacute;m dentro das comunidades, os membros devem    obedi&ecirc;ncia &agrave; lideran&ccedil;a e, assim, n&atilde;o escolhem para    onde ir nem como far&atilde;o as suas miss&otilde;es. Nas suas transfer&ecirc;ncias    de uma casa para outra muitas vezes n&atilde;o s&atilde;o escutados. Nesse caso,    os seus projectos mission&aacute;rios distinguem-se muito daqueles de algumas    igrejas evang&eacute;licas, especialmente pentecostais, como as assembleia de    deus, por exemplo, em que o fiel ouve um chamamento de Deus e por sua conta    sai para abrir uma igreja em qualquer parte do mundo.      <P ALIGN="JUSTIFY">Atrav&eacute;s da possibilidade de quem quer que seja, leigo    ou sacerdote, homem ou mulher, celibat&aacute;rio ou casado, receber os dons    do Esp&iacute;rito Santo, a religiosidade pentecostal e a carism&aacute;tica    popularizam o acesso ao sagrado. O sagrado torna-se mais democr&aacute;tico,    no sentido em que se torna acess&iacute;vel a todos igualmente. O reflexo disso    transparece na autonomia das igrejas pentecostais do tipo da Assembleia de Deus,    que se organizam em conven&ccedil;&otilde;es. Apesar das poss&iacute;veis inger&ecirc;ncias    autorit&aacute;rias e personalistas de cada pastor local, a funda&ccedil;&atilde;o    de uma nova igreja &eacute; pouco burocratizada e pouco controlada, quando comparada    com as igrejas hist&oacute;ricas. Nesse tipo de denomina&ccedil;&otilde;es,    a decis&atilde;o de levar a cabo um projecto mission&aacute;rio, ou mesmo de    fundar uma igreja, &eacute; mais acess&iacute;vel &agrave; grande maioria de    leigos, o que n&atilde;o costuma acontecer nas igrejas hist&oacute;ricas, em    geral.      <P ALIGN="JUSTIFY">A cria&ccedil;&atilde;o de uma dessas igrejas ocorre a partir    do trabalho de um pastor ou de um grupo de fi&eacute;is liderado por um leigo,    que depois se torna pastor, ou por um pastor ou mais pastores. Ap&oacute;s a    funda&ccedil;&atilde;o, o fundador ou fundadores procuram filiar-se numa das    conven&ccedil;&otilde;es existentes com a qual tenham mais afinidades. Dessa    forma, a expans&atilde;o mission&aacute;ria dessa denomina&ccedil;&atilde;o    &eacute; realizada de maneira plural e muito pulverizada. H&aacute; casos de    pastores que tiveram um chamamento mission&aacute;rio e imigraram sem apoio    de qualquer denomina&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;ando o seu trabalho de forma    isolada. J&aacute; escutei, em igrejas da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro,    o relato do filho de um pastor que resolveu ir para o Jap&atilde;o, para trabalhar    e &quot;pregar&quot;. &Eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m encontrar imigrantes    que tenham viajado sem motiva&ccedil;&atilde;o religiosa e cujo &quot;chamamento&quot;    para fundar uma igreja se tenha verificado quando estavam j&aacute; no estrangeiro.    A expans&atilde;o de igrejas da AD no exterior parece ser bem distinta daquela    que ocorre com a Igreja Universal e tamb&eacute;m com a igreja Deus &eacute;    Amor. Ambas divulgam nos respectivos <I>sites</I> os nomes dos pa&iacute;ses    onde possuem templos e miss&otilde;es, situando-se estes nos lugares mais variados.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">A administra&ccedil;&atilde;o das miss&otilde;es e dos diferentes    templos, bem como da igreja como um todo, n&atilde;o &eacute; democr&aacute;tica    na IURD; pelo contr&aacute;rio, &eacute; bem centralizada. No entanto, como    n&atilde;o se exige muita escolaridade aos pastores, os indiv&iacute;duos provenientes    dos estratos populares t&ecirc;m nesta igreja oportunidade de aceder a esse    cargo. Nesse sentido, h&aacute; uma populariza&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o    do cargo de pastor, o qual se abre a um maior n&uacute;mero de estratos sociais,    como ocorre tamb&eacute;m nas assembleias de Deus. Tamb&eacute;m n&atilde;o    se exigem muitos anos de estudo para se poder ser mission&aacute;rio, o que    torna esta fun&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel aos fi&eacute;is oriundos de    meios menos favorecidos economicamente.      <P ALIGN="JUSTIFY">Clara Mafra (2001, p. 48) observa que os mission&aacute;rios    brasileiros da IURD que encontrou em Portugal tinham pouca instru&ccedil;&atilde;o    e n&atilde;o tiveram contacto durante a sua educa&ccedil;&atilde;o com idiomas    estrangeiros, desconhecendo at&eacute; o seu pr&oacute;prio idioma. Observou    que alguns &quot;ficavam em d&uacute;vida diante de um sotaque estranho, sem    saber se se tratava de uma l&iacute;ngua diferente ou apenas uma diferen&ccedil;a    regional na fala portuguesa&quot;.<I> </I>Mais adiante, comenta:      <P ALIGN="JUSTIFY">Os mission&aacute;rios brasileiros de hoje, ao contr&aacute;rio    dos primeiros evang&eacute;licos que chegaram ao Brasil, n&atilde;o t&ecirc;m    no elogio da cultura letrada seu meio de legitima&ccedil;&atilde;o no exterior    [Mafra, 2001, p. 49].      <P ALIGN="JUSTIFY">A acentua&ccedil;&atilde;o das desigualdades e injusti&ccedil;as    sociais &agrave; escala mundial &eacute; um fen&oacute;meno bastante analisado    por Bauman quando salienta as diferen&ccedil;as entre a motiva&ccedil;&atilde;o    e o pr&oacute;prio processo de deslocamento dos indiv&iacute;duos que vivem    na base da pir&acirc;mide social global e as motiva&ccedil;&otilde;es dos que    est&atilde;o no topo. No entanto, ricos e pobres movimentam-se todos num mundo    perpassado por correntes e fluxos, cujas for&ccedil;as propulsoras produzem    a motiva&ccedil;&atilde;o individual para um maior consumo. Consumir marcaria    a subjectividade contempor&acirc;nea. &quot;Turistas&quot; e &quot;vagabundos&quot;,    como refere Bauman, para identificar os que est&atilde;o, respectivamente, no    topo e na base da pir&acirc;mide social, viajariam para diversificar e aumentar    o consumo.      <P ALIGN="JUSTIFY">Apesar de haver, sem d&uacute;vida, diferen&ccedil;as marcantes    nas possibilidades de viagem entre os que pertencem a distintas camadas sociais,    como Bauman enfatiza, &eacute; importante reconhecer que o avan&ccedil;o dos    meios de transporte e comunica&ccedil;&atilde;o ampliou a possibilidade dessa    experi&ecirc;ncia, incluindo nela grandes parcelas da popula&ccedil;&atilde;o    que no passado experimentavam mais fortemente a restri&ccedil;&atilde;o territorial    ao longo das suas vidas. N&atilde;o se pode negar que tais avan&ccedil;os contribu&iacute;ram    para reduzir os custos das viagens e democratizar, em certa medida, as viagens    dos mais diferentes tipos. Com mais deslocamentos, ampliaram-se acessos a informa&ccedil;&otilde;es    e tamb&eacute;m ao desenvolvimento de uma consci&ecirc;ncia cosmopolita que    deles decorrem. No passado, essas experi&ecirc;ncias e esse tipo de consci&ecirc;ncia    eram privil&eacute;gios de uma elite.      <P ALIGN="JUSTIFY">Essa populariza&ccedil;&atilde;o do acesso a viagens e tamb&eacute;m    aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o permitiu a difus&atilde;o de diferentes    valores e costumes. No mundo actual, em que a troca cultural &eacute; intensa,    o Ocidente j&aacute; n&atilde;o precisa dos mission&aacute;rios religiosos para    difundir a sua civiliza&ccedil;&atilde;o e os seus costumes atrav&eacute;s da    f&eacute; crist&atilde;. Portanto, o papel dos novos mission&aacute;rios ser&aacute;    distinto, sem d&uacute;vida. Levando em conta tamb&eacute;m que houve uma populariza&ccedil;&atilde;o    dos mission&aacute;rios, que o trabalho mission&aacute;rio foi aberto aos que    estavam em sociedades mais pobres, a miss&atilde;o de hoje, evidentemente, ter&aacute;    significados e fun&ccedil;&otilde;es bem distintos dos do passado.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b>      <P ALIGN="JUSTIFY">Atrav&eacute;s da discuss&atilde;o sobre a flexibilidade do    mundo contempor&acirc;neo, procuro reflectir neste artigo sobre os novos significados    que as actividades mission&aacute;rias crist&atilde;s contempor&acirc;neas ganham    para aqueles que nelas se envolvem. A partir da revis&atilde;o da literatura    e da discuss&atilde;o de dados sobre as actividades mission&aacute;rias realizadas    por brasileiros das &quot;novas comunidades&quot; carism&aacute;ticas e da IURD,    especialmente no exterior, tento distinguir os mission&aacute;rios do mundo    contempor&acirc;neo daqueles da &eacute;poca moderna e do passado recente.      <P ALIGN="JUSTIFY">A novidade da miss&atilde;o crist&atilde; contempor&acirc;nea    reside no facto de ser realizada por mission&aacute;rios de pa&iacute;ses perif&eacute;ricos,    como o Brasil, que partem em direc&ccedil;&atilde;o ao centro ou a outras periferias.    Esses mission&aacute;rios n&atilde;o se destacam por serem muito mais instru&iacute;dos    do que os alvos da sua miss&atilde;o nem por disporem de muitos mais recursos    materiais do que a popula&ccedil;&atilde;o que procuram evangelizar. Neste aspecto,    distinguem-se dos mission&aacute;rios vindos da Europa e dos EUA para o Brasil    no passado.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">O di&aacute;logo com os textos de Bauman (1999 e 2003) e de    Sennett (2007) ajudou-me a identificar as &quot;afinidades electivas&quot; entre    o contexto contempor&acirc;neo global, tanto com a espiritualidade pentecostal    e os seus projectos mission&aacute;rios como com a teologia da prosperidade.    Destaco inicialmente uma afinidade electiva entre o contexto contempor&acirc;neo    e as religi&otilde;es pneum&aacute;ticas. Sugiro tamb&eacute;m que o projecto    mission&aacute;rio pode ser interpretado como um entre os v&aacute;rios significados    religiosos atribu&iacute;veis aos deslocamentos estimulados, e por vezes exigidos,    pela sociedade contempor&acirc;nea.      <P ALIGN="JUSTIFY">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os dois grupos analisados    t&ecirc;m incentivado brasileiros a serem mission&aacute;rios no exterior. Embora    esse projecto mission&aacute;rio pare&ccedil;a ter maior afinidade com um projecto    de migra&ccedil;&atilde;o, nem sempre os mission&aacute;rios brasileiros destes    grupos seguem as mesmas rotas dos que v&atilde;o para o exterior em busca de    maiores oportunidades de trabalho. H&aacute; grupos e mission&aacute;rios que    se dedicam a oferecer servi&ccedil;os religiosos aos brasileiros que v&atilde;o    para o estrangeiro, percorrendo, assim, os mesmos itiner&aacute;rios da migra&ccedil;&atilde;o,    mas esse n&atilde;o &eacute; o caso das miss&otilde;es das &quot;novas comunidades&quot;    e da IURD.      <P ALIGN="JUSTIFY">Com efeito, ao enviarem mission&aacute;rios do Brasil para    o exterior, as igrejas e as novas comunidades contribuem para aumentar o n&uacute;mero    de brasileiros fora do pa&iacute;s. Apesar de serem tamb&eacute;m migrantes,    os mission&aacute;rios distinguem-se dos demais pelas suas motiva&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;ficas. Ao contr&aacute;rio dos &quot;turistas&quot; e dos &quot;vagabundos&quot;    analisados por Bauman (1999), os mission&aacute;rios n&atilde;o teriam como    meta principal a amplia&ccedil;&atilde;o do seu consumo e rendimentos. Outro    ponto que distingue o mission&aacute;rio &eacute; o seu envolvimento numa comunidade.    O deslocamento que realiza faz parte de um projecto da sua comunidade religiosa    e tem como resultado um fortalecimento dos v&iacute;nculos sociais, ou seja,    da solidariedade do grupo.      <P ALIGN="JUSTIFY">No entanto, a experi&ecirc;ncia de vida e os resultados subjectivos    da experi&ecirc;ncia vivida como mission&aacute;rio ou como migrante podem ser    similares. Ambos precisam de conhecer as regras da nova sociedade, ambos precisam    de abrir espa&ccedil;os e de serem capazes de se inserir na nova realidade social,    oferecendo novos servi&ccedil;os. Ambos ainda adquirem, atrav&eacute;s desta    experi&ecirc;ncia, compet&ecirc;ncias e informa&ccedil;&otilde;es que os habilitam    a uma maior circula&ccedil;&atilde;o social, j&aacute; que a experi&ecirc;ncia    no exterior oferece um tipo de <I>status</I> e prest&iacute;gio na sociedade    de origem. &Eacute; importante destacar, contudo, que apontar esses significados    espec&iacute;ficos n&atilde;o implica negar os significados propriamente religiosos    nem subestimar a for&ccedil;a explicativa dos factores macroestruturais, respons&aacute;veis    pela experi&ecirc;ncia concreta vivida por esses indiv&iacute;duos numa sociedade    global marcada por intensas e constantes imposi&ccedil;&otilde;es e apelos a    todo o tipo de mobilidade.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P ALIGN="center"><B>BIBLIOGRAFIA</B>      <P ALIGN="JUSTIFY">Aguilar, L. F. (2006), <I>Rejei&ccedil;&atilde;o e Adapta&ccedil;&atilde;o    ao Mundo: o Caso da Comunidade Cat&oacute;lica Shalom</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado, Bras&iacute;lia, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Departamento    de Sociologia da Universidade de Bras&iacute;lia/UnB.      <P ALIGN="JUSTIFY">Antoniazzi, A. (1999), &quot;Das `miss&otilde;es estrangeiras'    &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o global, inculturada e ecum&ecirc;nica&quot;.    <I>In</I> C. Donegana (org.), <I>Terceiro Mil&ecirc;nio: o Desafio Mission&aacute;rio,</I>    S&atilde;o Paulo, Editora Ave-Maria, pp. 7-54.      <P ALIGN="JUSTIFY">Aubr&eacute;e, M. (2002), &quot;A difus&atilde;o do Pentecostalismo    brasileiro na Fran&ccedil;a e na Europa: o caso da Igreja Universal do Reino    de Deus&quot;. <I>Estudos de Religi&atilde;o </I>(23), pp. 12-21 (UMESP, S&atilde;o    Bernardo do Campo, SP).      <P ALIGN="JUSTIFY">Aubr&eacute;e, M. (2007), &quot;A pregn&acirc;ncia da figura    do Esp&iacute;rito Santo no Brasil: din&acirc;mica e&#160;transforma&ccedil;&otilde;es&#160;no    campo religioso brasileiro nos&#160; &uacute;ltimos trinta anos&quot;. Palestra    realizada no dia 26 de Junho de 2007&#160;no programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em ci&ecirc;ncias sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (n&atilde;o    publicado).      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Bastian, J.-P., Champion, F., e Pousselet, K. (2001), &quot;La    globalisation du religieux: diversit&eacute; des questionnements et des enjeux&quot;.&#160;    In <I>La globalisation du religieux, </I>Paris, L'Harmattan, pp. 10-18.      <!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Blanes, R. L. (2003), &quot;Nascer no culto: modalidade de    acesso ao movimento evang&eacute;lico cigano em Portugal&quot;. <I>Religi&atilde;o    e Sociedade, </I>23<I> </I>(1), pp. 107-131.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0003-2573200900010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Bauman, Z. (1999),<I> Globaliza&ccedil;&atilde;o: as Consequ&ecirc;ncias    Humanas,</I> Rio de Janeiro, Zahar.      <P ALIGN="JUSTIFY">Bauman, Z. (2003), <I>Comunidade: a Busca por Seguran&ccedil;a    no Mundo Actual, </I>Rio de Janeiro, Zahar.      <P ALIGN="JUSTIFY">Bosi, A. (2006), &quot;Editorial&quot;. <I>Estudos Avan&ccedil;ados,</I>    20 (57), dispon&iacute;vel em <a href="http://www.iea.usp.br/iea/revista/rev57.html#sumario" target="_blank">http://www.iea.usp.br/iea/revista/rev57.html#sumario</a>     <P ALIGN="JUSTIFY">Campos, R. B. C., e Caminha, C. (no prelo), &quot;A obra de    Maria: transforma&ccedil;&otilde;es do marianismo na redefini&ccedil;&atilde;o    da devo&ccedil;&atilde;o mariana&quot;. <I>In</I> B. Carranza, C. Mariz e M.    Camur&ccedil;a (orgs.), <I>Novas Comunidades Cat&oacute;licas &#151; em Busca    do Espa&ccedil;o (P&oacute;s)Moderno,</I> Aparecida, SP Editora Santu&aacute;rio.      <P ALIGN="JUSTIFY">Carneiro, S. M. de S. (2004), &quot;Novas peregrina&ccedil;&otilde;es    brasileiras e suas interfaces com o turismo&quot;. <I>Ciencias Sociales y Religi&oacute;n    </I>(6), pp. 71-100.      <P ALIGN="JUSTIFY">Carneiro, S. M. de S. (2007), <I>A P&eacute; e com F&eacute;    - Brasileiros no Caminho de Santiago,</I> Rio de Janeiro, Editora Attar.      <P ALIGN="JUSTIFY">Carranza, B. (2000), <I>Renova&ccedil;&atilde;o Carism&aacute;tica.    Origens, Mudan&ccedil;as, Tend&ecirc;ncias,</I> Aparecida, SP Editora Santu&aacute;rio.      <P ALIGN="JUSTIFY">Carranza, B., Mariz, C., e Camur&ccedil;a, M. (orgs.) (no prelo),    <I>Novas Comunidades Cat&oacute;licas &#151; em Busca do Espa&ccedil;o (P&oacute;s)Moderno,</I>    Aparecida, SP Editora Santu&aacute;rio.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Cohen, M. (1997), &quot;La regulation catholique des pratiques    pentec&ocirc;tistes au sein du Renouveau Charismatique fran&ccedil;ais&quot;.    <I>In</I> G. Bertin e M.-C. Rousseau, <I>Pent&ecirc;cote: de l'intime au social,</I>    Nantes, Silo&euml;-Universit&eacute; Catholique de l'Ouest, pp. 131-150.      <P ALIGN="JUSTIFY">Csordas, T. (2007), &quot;Global religion and the re-enchantment    of the world: the case of the Catholic Charismatic Renewal&quot;. <I>Antropological    Theory, </I>7 (3), pp. 295-314.      <!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Fernandes, R. C. (1980) &quot;Um ex&eacute;rcito de anjos:    as raz&otilde;es das miss&otilde;es novas tribos&quot;. <I>Religi&atilde;o e    Sociedade </I>(6), pp. 167-188.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0003-2573200900010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Fernandes, S. R. A. (2003), <I>&quot;Ser padre para ser santo&quot;,    &quot;Ser freira pra servir&quot;. A Constru&ccedil;&atilde;o Social da Voca&ccedil;&atilde;o    Religiosa &#151; uma an&aacute;lise comparativa entre rapazes e mo&ccedil;as    no Rio de Janeiro. </I>Tese de doutoramento, Rio de Janeiro, PPCIS/UERJ.      <P ALIGN="JUSTIFY">Freston, P. (1993). <I>Protestante e Pol&iacute;tica no Brasil:    da Constituinte ao Impeachement. </I>Tese de doutoramento em Sociologia, S&atilde;o    Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo.      <P ALIGN="JUSTIFY">Freston, P. (1999), &quot;A Igreja Universal do Reino de Deus    na Europa&quot;. In <I>Lusotopie, </I>pp. 383-404.      <P ALIGN="JUSTIFY">Freston, P. (2003), &quot;A igreja universal na &Aacute;sia&quot;.    <I>In</I> A. P. Oro, A. Corten e J.-P. Dozon (orgs.), <I>Igreja Universal do    Reino de Deus: os Novos Conquistadores da F&eacute;,</I> S&atilde;o Paulo, Paulinas.      <P  ALIGN="JUSTIFY">Freston, P. (2008) &quot;Religious affiliation among Brazilians    in the United States&quot;. <I>In</I> L. J. Braga e C. Jou&euml;t - Pastr&egrave;    (eds.), <I>Becoming Brazuca: Brazilian Immigration to the United States,</I>    Cambridge, MA, Harvard University Press, pp. 188-210.      <P ALIGN="JUSTIFY">Gomes, E. C. (2004), <I>A Era das Catedrais.</I> Tese de doutoramento,    Rio de Janeiro, PPCIS/ UERJ.      <P ALIGN="JUSTIFY">Lewis, I. (1977), <I>O &Ecirc;xtase Religioso</I>, S&atilde;o    Paulo, Perspectiva.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Machado, M. das D. C. (1996), <I>Carism&aacute;ticos e Pentecostais,    </I>Campinas, Editores Associados.      <P ALIGN="JUSTIFY">Mafra, C. (2001), <I>Os Evang&eacute;licos,</I> Rio de Janeiro,    Zahar.      <P ALIGN="JUSTIFY">Mafra, C. (2002), <I>Na Posse da Palavra: Religi&atilde;o,    Convers&atilde;o e Liberdade Pessoal em Dois Contextos Nacionais,</I> Lisboa,    ICS.      <!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY"> Magnani, J. G. C. (1999), &quot;O xamanismo urbano e a religiosidade    contempor&acirc;nea&quot;. <I>Religi&atilde;o e Sociedade, </I>20 (2), pp. 113-140.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0003-2573200900010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Mariano, R. (1999), <I>Neopentecostais: Os Pentecostais Est&atilde;o    Mudando,</I> S&atilde;o Paulo, Loyola.      <!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Mariz, C. L. (2005), &quot;Comunidades de vida no Esp&iacute;rito    Santo: juventude e religi&atilde;o&quot;. <I>Tempo Social &#151; Revista de    Sociologia da USP,</I> 17 (2), pp. 253-274.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0003-2573200900010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Mariz, C. L. (2006), &quot;`Comunidade de vida no Esp&iacute;rito    Santo': um novo modelo de fam&iacute;lia?&quot;. <I>In</I> L. F. D. Duarte <I>et    al.</I> (orgs.), <I>Religi&atilde;o e Fam&iacute;lia,</I> Rio de Janeiro, Contra    Capa, pp. 263-286.      <P ALIGN="JUSTIFY">Mariz, C., e Mesquita, W. (1997), &quot;O dem&ocirc;nio nas    publica&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas: comparando pentecostais com neopentecostais&quot;.<I>    </I>Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada ao VIII Congresso da Sociedade Brasileira    de Sociologia (&quot;Contemporaneidade brasileira: dilemas e desafios para a    imagina&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica&quot;), Bras&iacute;lia (n&atilde;o    publicado).      <P ALIGN="JUSTIFY">Martes, A. C. B. (1999), <I>Brasileiros nos Estados Unidos:    Um Estudo sobre Imigrantes em Massachusetts,</I> S&atilde;o Paulo, Paz e Terra.      <P ALIGN="JUSTIFY">Marx, K., e Engels, F. (1978), &quot;Manifesto do Partido Comunista&quot;.    <I>In</I> H. J. Laski, <I>O Manifesto Comunista de Marx e Engels,</I> 2.&#170;    ed., Rio de Janeiro, Zahar Editores pp. 93-126.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Medeiros, K. M. C., e Fernandes, S. R. A (2005), <I>O Padre    o Brasil, </I>S&atilde;o Paulo, Loyola.      <P ALIGN="JUSTIFY">Mesquita, W. (2003), <I>Em Busca da Prosperidade. Trabalho    e Empreendedorismo entre Neopentecostais. </I>Tese de doutoramento em Sociologia,    Rio de Janeiro, IUPERJ.      <P ALIGN="JUSTIFY">Miranda, J. (1999), <I>Carisma, Sociedade e Pol&iacute;tica:    Novas Linguagens do Religioso no Pol&iacute;tico,</I> Rio de Janeiro, Zahar.      <!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Oro, A. P. (1992), &quot;Podem passar a sacolinha: um estudo    sobre as representa&ccedil;&otilde;es do dinheiro no neopentecostalismo brasileiro&quot;.    <I>Cadernos de Antropologia</I> (9), pp. 7-44.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0003-2573200900010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Oro, A. P., Corten, A., e Dozon, J.-P. (orgs.) (2003), <I>Igreja    Universal do Reino de Deus &#151; Os Novos Conquistadores da F&eacute;, </I>S&atilde;o    Paulo, Paulinas.      <P ALIGN="JUSTIFY">Pinheiro, J. E. (1999), &quot;Miss&atilde;o e servi&ccedil;o&quot;.<I>    In</I> C. Donegana (org.), <I>Terceiro Mil&ecirc;nio. O Desafio Mission&aacute;rio,</I>    S&atilde;o Paulo, Editora Ave Maria, pp. 55-76.      <!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY">P&oacute;voa Neto, H. (2006), &quot;A imagem da imprensa sobre    a emigra&ccedil;&atilde;o brasileira&quot;. <I>Estudos Avan&ccedil;ados, </I>20    (57), dispon&iacute;vel em &lt;<a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142006000200003&lng=en&nrm=iso" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_    arttext&amp;pid=S0103-40142006000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso</a>.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0003-2573200900010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Prudhomme, C. (2001), &quot;Des missions &agrave; l'internationalisation    des &eacute;glises: &eacute;volution ou r&eacute;volution&quot;. <I>In</I> J.-P.    Bastian, F. Champion e K. Pousselet (orgs.), <I>La globalisation du religieux,</I>    Paris, L'Harmattan, pp. 21-34.      <P ALIGN="JUSTIFY">Salles, T. (2005), &quot;A organiza&ccedil;&atilde;o dos imigrantes    em Boston, EUA&quot;. <I>S&atilde;o Paulo em Perspectiva,</I> 19, pp. 44-54.      <P ALIGN="JUSTIFY">Sennett, R. (2007), <I>A Corros&atilde;o do Car&aacute;ter.    Consequ&ecirc;ncias Pessoais do Trabalho no Novo Capitalismo, </I>Rio de Janeiro/S&atilde;o    Paulo, Record.      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Theije, M. de (2008), &quot;Ouro e Deus: sobre a rela&ccedil;&atilde;o    entre prosperidade, moralidade e religi&atilde;o nos campos de ouro do Suriname&quot;,    <I>Religi&atilde;o e Sociedade </I>28 (1), pp. 69-83.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0003-2573200900010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="JUSTIFY">Turner, V., e Turner, E. (1978), <I>Image and Pilgrimage in    Christian Culture,</I> Nova Iorque, Columbia University Press.      <P ALIGN="JUSTIFY">Winarczyk, H. (1994), &quot;La teologia de la guerra espiritual&quot;    (texto n&atilde;o publicado/acervo pessoal).      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;     <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;     <P ALIGN="JUSTIFY"><b>Notas</b>      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></SUP> Esta pesquisa    tem tido o apoio do CNPq.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top2">2</a></SUP><a name="2"></a> Em Fran&ccedil;a    h&aacute; um interesse especial dos jornalistas por este tipo de comunidade,    devido ao caso da comunidade B&eacute;atitudes, recorrentemente acusada por    ex-adeptos e pelo movimento anti-seita de explorar e manipular indiv&iacute;duos,    aproveitando a sua fragilidade e boa f&eacute;. Isto pode ser constatado, por    exemplo, em not&iacute;cias dos jornais <I>Nouvel Observateur </I>e <I>La Croix.</I>      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top3">3</a></SUP><a name="3"></a> As comunidades    que tenho estudado na &aacute;rea metropolitana do Rio de Janeiro s&atilde;o    a Can&ccedil;&atilde;o Nova, a Shalom, Novo Man&aacute; e a Toca de Assis. Esta    &uacute;ltima tem evolu&iacute;do no sentido de se tornar uma ordem religiosa.    Os membros da Toca, embora compartilhem a espiritualidade carism&aacute;tica    e tenham sido da RCC, n&atilde;o se identificam como &quot;novas comunidades&quot;,    mas como uma congrega&ccedil;&atilde;o que espera a aprova&ccedil;&atilde;o    do Vaticano.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top4">4</a></SUP><a name="4"></a> A reutiliza&ccedil;&atilde;o    da palavra &quot;miss&atilde;o&quot; com novo significado e entusiasmo ocorreu    em toda a Igreja Cat&oacute;lica a partir do pontificado de Jo&atilde;o Paulo    II, como mostra Antoniazzi (1999). Analisando a hist&oacute;ria recente do projecto    mission&aacute;rio da Igreja Cat&oacute;lica, Antoniazzi discute como essa igreja    evitou durante um per&iacute;odo o termo &quot;miss&atilde;o&quot; &#151; preferindo,    ao menos na Am&eacute;rica Latina, a partir de 1968, o uso da palavra &quot;evangeliza&ccedil;&atilde;o&quot;    &#151; e depois a retoma. Tamb&eacute;m descreve objectivos e pr&aacute;ticas    das miss&otilde;es cat&oacute;licas a partir de Jo&atilde;o Paulo II.      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top5">5</a></SUP><a name="5"></a> Mais informa&ccedil;&otilde;es    sobre a comunidade Shalom podem ser encontradas no seu <I>site</I> <a href="http://www.comunidadeshalom.org.br" target="_blank">www.comunidadeshalom.org.br</a>    e nos trabalhos de J&uacute;lia Miranda (1999), Carranza (2000), Caranza <I>et    al. </I>(no prelo), Mariz (2005 e 2006) e Aguilar (2006).      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> </SUP>Cf. no <I>site</I>    j&aacute; citado da Shalom, especialmente no endere&ccedil;o <a href="http://www.comshalom.org/institucional/ondeestamos.php" target="_blank">http://www.comshalom.org/institucional/ondeestamos.php</a>     <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top7">7</a></SUP> <a name="7"></a>H&aacute;    um mapa similar no <I>site </I>da comunidade Chemin Neuf francesa.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top8">8</a></SUP><a name="8"></a> Tal como Mariano    (1999), Oro (1992), Machado (1996), Mafra (2001) e v&aacute;rios outros autores,    o termo neopentecostalismo &eacute; usado aqui para referir um conjunto de igrejas    pentecostais surgidas no Brasil durante a &quot;terceira onda pentecostal&quot;,    segundo a express&atilde;o usada por Paul Freston (1993).      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top9">9</a></SUP><a name="9"></a> Trabalhos    mais recentes refor&ccedil;am essa avalia&ccedil;&atilde;o feita nos Estados    Unidos (Freston, 2008) e em popula&ccedil;&otilde;es brasileiras no Suriname    (Theije, 2008).      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top10">10</a><a name="10"></a></SUP> Ruy Blanes    (2003, p. 109) observa que a Assembleia de Deus em Portugal veio do Brasil.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top11">11</a></SUP><a name="11"></a> Textos    sobre estas quest&otilde;es podem ser encontrados, por exemplo, na colect&acirc;nea    organizada por Bastian <I>et al. </I>(2001).      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top12">12</a></SUP><a name="12"></a> <I>&Aacute;gua    viva</I> &eacute; o nome adoptado, em geral, tanto para igreja pentecostal como    tamb&eacute;m para &quot;nova comunidade&quot; cat&oacute;lica.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top13">13</a><a name="13"></a></SUP> Para mais    detalhes sobre esta &quot;teologia&quot;, conhecida nos Estados Unidos como    &quot;Health and wealth gospel&quot;, v. Freston (1993), entre outros.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top14">14</a><a name="14"></a></SUP> Lembramos,    por exemplo, as viagens xam&acirc;nicas bastante descritas pela antropologia    (v., entre outros, Lewis, 1977).      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top15">15</a><a name="15"></a></SUP> Esta comunidade    possui uma ag&ecirc;ncia de viagens que leva fi&eacute;is cat&oacute;licos a    lugares santos em grupos de turismo religioso. Os proventos deste servi&ccedil;o    servem para manter a comunidade e as suas obras sociais.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top16">16</a></SUP><a name="16"></a> A busca    da nova Jerusal&eacute;m tamb&eacute;m motivou os m&oacute;rmones na sua migra&ccedil;&atilde;o    para o oeste dos EUA, fugindo de persegui&ccedil;&otilde;es. Esta igreja tamb&eacute;m    se caracteriza por um projecto mission&aacute;rio global muito importante.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top17">17</a></SUP><a name="17"></a> A partir    da d&eacute;cada de 60, com a &quot;descoberta&quot; pelo Ocidente da espiritualidade    oriental, multiplicam-se grupos hindu&iacute;stas que buscam fi&eacute;is em    diferentes pa&iacute;ses, entre eles o Brasil. E h&aacute; tamb&eacute;m v&aacute;rios    grupos religiosos que se dizem budistas e que possuem pr&aacute;ticas proselitistas    e mission&aacute;rias.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top18">18</a><a name="18"></a></SUP> H&aacute;    outras passagens no Novo Testamento, mas refiro-me aqui &agrave; passagem do    Evangelho de S&atilde;o Marcos, cap&iacute;tulo 16, vers&iacute;culo 15.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top19">19</a><a name="19"></a></SUP> Os dados    desta pesquisa revelam que naquela &eacute;poca os mission&aacute;rios norte-americanos    que vinham trabalhar entre os povos ind&iacute;genas eram das igrejas mais conservadoras    do sul dos Estados Unidos e eram de classe m&eacute;dia-baixa.      <P ALIGN="JUSTIFY"><SUP><a href="#top20">20</a></SUP><a name="20"></a> Todos os    nomes citados nas entrevistas s&atilde;o fict&iacute;cios. Agrade&ccedil;o aos    bolseiros de pesquisa CNPq e UERJ Rosiane Silva, Paulo Victor Leite Lopes, Patr&iacute;cia    Bezerra e Janine Targino o apoio dado na recolha de dados e na transcri&ccedil;&atilde;o    das entrevistas.      <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      <P ALIGN="JUSTIFY"> <a href="#top21">*</a><a name="21"></a>Departamento de Ci&ecirc;ncias    Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, IFCH 9.&#186; andar, Rua    de S&atilde;o Francisco Xavier, 524, Maracan&atilde;, CEP 20.550-900, Rio de    Janeiro, Brasil. e-mail: <a href="mailto:cemariz@alternex.com.br">cemariz@alternex.com.br</a>     <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;     <P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Blanes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nascer no culto: modalidade de acesso ao movimento evangélico cigano em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Religião e Sociedade]]></source>
<year>2003</year>
<volume>23</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>107-131</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um exército de anjos: as razões das missões novas tribos]]></article-title>
<source><![CDATA[Religião e Sociedade]]></source>
<year>1980</year>
<volume>6</volume>
<page-range>167-188</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Magnani]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. G. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["O xamanismo urbano e a religiosidade contemporânea"]]></article-title>
<source><![CDATA[Religião e Sociedade]]></source>
<year>1999</year>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>113-140</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mariz]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comunidades de vida no Espírito Santo: juventude e religião]]></article-title>
<source><![CDATA[Tempo Social - Revista de Sociologia da USP]]></source>
<year>2005</year>
<volume>17</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>253-274</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Podem passar a sacolinha: um estudo sobre as representações do dinheiro no neopentecostalismo brasileiro]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Antropologia]]></source>
<year>1992</year>
<volume>9</volume>
<page-range>7-44</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Póvoa Neto]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["A imagem da imprensa sobre a emigração brasileira"]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Avançados]]></source>
<year>2006</year>
<volume>20</volume>
<numero>57</numero>
<issue>57</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Theije]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ouro e Deus: sobre a relação entre prosperidade, moralidade e religião nos campos de ouro do Suriname]]></article-title>
<source><![CDATA[Religião e Sociedade]]></source>
<year>2008</year>
<volume>28</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>69-83</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
