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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quem lidera os governos europeus? A carreira dos primeiros-ministros (1946-2006)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Who are the European leaders? The careers of prime ministers (1946-2006)]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa ICS - Instituto de Ciências Sociais ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article seeks to understand who the European prime ministers are, as well as to ascertain how institutions and parties can influence their profiles. The findings show that the different institutional organizations of democracies exert diverse influences upon their careers. On the contrary, the ideologies of the parties, the key gatekeepers of the political elite, do not significantly affect the profile of prime ministers.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Quem lidera os governos europeus? A carreira dos primeiros-ministros (1946-2006)<a href="#9">**</a><a name="top9"></a>    </b>      <p><b>Nuno Guedes<a href="#8">*</a> <a name="top8"></a></b>      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p>Este artigo tem como objectivo perceber quem s&atilde;o os primeiros-ministros  europeus, reflectindo ainda sobre a influ&ecirc;ncia que os contextos institucionais e  partid&aacute;rios exercem sobre os seus perfis. As conclus&otilde;es indicam que diferentes  configura&ccedil;&otilde;es institucionais das democracias influenciam de forma diversa as carreiras dos l&iacute;deres  de governo. Pelo contr&aacute;rio, as ideologias dos partidos, principais  <I>gatekeepers</I> das elites pol&iacute;ticas, n&atilde;o parecem afectar de forma significativa o perfil dos primeiros-ministros.     <p><B>Palavras-chave</B>: elites; regimes; partidos; pol&iacute;tica comparada.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p><B>Who are the European leaders? The careers of prime  ministers (1946-2006)</B>     <p>This article seeks to understand who the European prime ministers are, as well as  to ascertain how institutions and parties can influence their profiles. The findings  show that the different institutional organizations of democracies exert diverse  influences upon their careers. On the contrary, the ideologies of the parties, the key  gatekeepers of the political elite, do not significantly affect the profile of prime ministers.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Keywords:</B> elites; regimes; parties; comparative politics.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>      <p>Apesar da longa tradi&ccedil;&atilde;o de estudos emp&iacute;ricos sobre elites    nacionais isoladas, as compara&ccedil;&otilde;es internacionais, sobretudo na    Europa, s&atilde;o raras (Best e Cotta, 2000, pp. 1-3; Almeida <I>et al.,</I>    2006, pp. 16-17). Em &aacute;reas importantes do estudo das elites, as teorias    continuam muitas vezes a ser generaliza&ccedil;&otilde;es e &quot;palpites plaus&iacute;veis&quot;,    num campo decisivo para perceber os processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o e    integra&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica, em que s&atilde;o necess&aacute;rias    as compara&ccedil;&otilde;es culturais e de longa dura&ccedil;&atilde;o. S&oacute;    elas permitem conclus&otilde;es mais alargadas sobre um tema em que, apesar    das d&uacute;vidas, h&aacute; quem defenda que &quot;quem governa faz, de facto,    a diferen&ccedil;a&quot; (Putnam, 1976, pp. ix-x; Jones, 1991a; Rose, 1991;    Hibbing, 2002; Best e Cotta, 2000, pp. 1-3; Almeida <I>et al.,</I> 2006, p.    232).      <p>Fundamentais nos sistemas pol&iacute;ticos europeus, os  primeiros-ministros n&atilde;o s&atilde;o, contudo, todos iguais: na import&acirc;ncia e poder que re&uacute;nem  (Rose e Suleiman, 1980; M&uuml;ller <I>et al.,</I> 1993; King, 1994; Elgie, 1997;  Lijphart, 1999, pp. 113-115; Poguntke e Webb, 2005, pp. 5-6; O'Malley, 2007),  mas tamb&eacute;m no percurso que fazem at&eacute; atingirem aquele que &eacute;, em quase  todos os pa&iacute;ses europeus, o topo de uma carreira pol&iacute;tica (Jones, 1991a).  Como salienta Norris (1997, p. 3), n&atilde;o existem qualifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para  se ser pol&iacute;tico.      <p>Sendo dif&iacute;cil medir o poder do primeiro-ministro, que varia muito  conforme o pa&iacute;s, mas tamb&eacute;m de acordo com a conjuntura e  personalidades, as d&uacute;vidas s&atilde;o poucas quanto &agrave; sua grande influ&ecirc;ncia enquanto membro  da elite que, por norma, mais pode afectar as pol&iacute;ticas. Nos  <I>media</I> e para a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; ele a figura pol&iacute;tica cimeira da maioria dos pa&iacute;ses  europeus, numa personifica&ccedil;&atilde;o ou &quot;presidencializa&ccedil;&atilde;o&quot; que ser&aacute; crescente (Rose  e Suleiman, 1980; Jones, 1991b; Pasquino, 2005a, p. 312; Poguntke e  Webb, 2005).        <p>As perguntas que orientam este trabalho s&atilde;o as tradicionalmente  colocadas no estudo das elites (Almeida <I>et  al.,</I> 2006, p. 15), mas aplicadas aos chefes dos governos europeus, quase sempre identificados pelo t&iacute;tulo de  primeiro-ministro. Quem s&atilde;o? Quais as suas credenciais e perfil social? Como  s&atilde;o escolhidos e qual a traject&oacute;ria na ascens&atilde;o a este cargo de poder? No  entanto, vamos mais longe. Partindo do pressuposto de que as institui&ccedil;&otilde;es  contam (Rose, 1991; Rothstein, 1996; Norris, 1999; March e Olsen, 2005),  tentamos perceber de que forma estes perfis e carreiras podem ser influenciados  por uma s&eacute;rie de diferen&ccedil;as nas &quot;regras do jogo&quot; dos sistemas pol&iacute;ticos. Ou  seja, na forma como est&atilde;o organizadas as democracias. Depois, e seguindo  a evid&ecirc;ncia de que, al&eacute;m dos constrangimentos fornecidos pelas institui&ccedil;&otilde;es,  os partidos s&atilde;o os principais  <I>gatekeepers</I> do recrutamento e lideran&ccedil;as  pol&iacute;ticas (Norris, 1997; Davis, 1998), tentamos perceber se as diferen&ccedil;as entre  estas for&ccedil;as pol&iacute;ticas tamb&eacute;m afectam os primeiros-ministros.     <p>Para responder &agrave;s perguntas colocadas utilizamos uma das  estrat&eacute;gias cient&iacute;ficas b&aacute;sicas de pesquisa no estudo dos sistemas pol&iacute;ticos para  descobrir rela&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas entre vari&aacute;veis: o m&eacute;todo comparativo numa  an&aacute;lise estat&iacute;stica (Lijphart, 1971; Jones, 1991a; Pasquino, 2005b, pp. 21-26).      <p>Apesar das limita&ccedil;&otilde;es do m&eacute;todo, a compara&ccedil;&atilde;o    entre um vasto n&uacute;mero de pa&iacute;ses (os 15 que at&eacute; 2004 compunham    a Uni&atilde;o Europeia) tem a vantagem de permitir generaliza&ccedil;&otilde;es    &quot;al&eacute;m-fronteiras&quot;, obtendo um leque mais vasto de informa&ccedil;&otilde;es    sobre o assunto em estudo<SUP><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></SUP>. Podemos    perceber, por exemplo, as influ&ecirc;ncias do sistema de governo e, eventualmente,    explicar e prever os acontecimentos pol&iacute;ticos (Lijphart, 1971; Bahry,    2002). Como salienta Rose (1991), comparar primeiros-ministros de v&aacute;rios    pa&iacute;ses fornece uma nova dimens&atilde;o na compreens&atilde;o do cargo.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar das grandes diferen&ccedil;as de funcionamento interno entre  Estados, os 15 pa&iacute;ses aqui estudados fazem parte de um mesmo sistema pol&iacute;tico,  e s&atilde;o democracias consolidadas e compar&aacute;veis, em que todos os chefes  do executivo s&atilde;o respons&aacute;veis perante a legislatura.      <p>Complexa e imprevis&iacute;vel, a selec&ccedil;&atilde;o dos l&iacute;deres    &eacute; um processo essencial na democracia representativa (Davis, 1998; Winter    e Dumont, 2006). Na compara&ccedil;&atilde;o com outros estudos sobre elites    (deputados e ministros), a an&aacute;lise dos primeiros-ministros apresenta    a particularidade de se cingir a uma pessoa que numa determinada &eacute;poca    ocupa um cargo de topo no contexto das elites e carreiras pol&iacute;ticas,    num processo de recrutamento que selecciona apenas um de entre milh&otilde;es    de potenciais candidatos.      <p>&nbsp;     <P><b>Os primeiros-ministros europeus: caracter&iacute;sticas e carreiras </b>     <p>Os dados recolhidos ajudam a perceber quem lidera os governos europeus<SUP><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></SUP>.    O primeiro indicador (v. quadro n.&#186; 1) foi o g&eacute;nero dos primeiros-ministros.    Mais uma vez, &eacute; vis&iacute;vel a fraca representa&ccedil;&atilde;o feminina    na pol&iacute;tica, mas que neste caso parece ser ainda mais baixa do que noutros    cargos de menor import&acirc;ncia. Apenas 4 de 10 pa&iacute;ses analisados registaram    um l&iacute;der do sexo feminino nos &uacute;ltimos sessenta anos. E sempre,    apenas, por uma vez: Pintasilgo (1979-1980), Thatcher (1979-1990), Cresson (1979-1980)    e Merkel (2005- ).      <p>&nbsp;     <p align="center">[<a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">Quadro    n.&#186; 1</a>]      
<p>&nbsp;     <p>Nas vari&aacute;veis sociais que apresentamos n&atilde;o foi poss&iacute;vel    incluir os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, tradicionalmente associados a uma    maior presen&ccedil;a das mulheres. Mas os dados analisados &agrave; margem    da base de dados n&atilde;o mostram, tamb&eacute;m a&iacute;, uma presen&ccedil;a    significativa neste cargo. Ali&aacute;s, apenas detect&aacute;mos um caso: Anneli    J&auml;&auml;tteenm&auml;ki, que em 2003 chegou a primeira-ministra&#160;da    Finl&acirc;ndia.      <p>Na&#160;idade, em 7 dos 10 pa&iacute;ses estudados, a m&eacute;dia&#160;da    primeira tomada de posse est&aacute; entre os 50 e os 59 anos. As novas democracias    da Europa do Sul ficam &agrave; margem deste grupo: em Portugal e Espanha a    m&eacute;dia et&aacute;ria situa-se nos 40 anos e na Gr&eacute;cia acima dos    60.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A terceira an&aacute;lise incidiu sobre a forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica dos l&iacute;deres  de governo. Os resultados mostram, em primeiro lugar, que, tal como entre  os deputados (Best e Cotta, 2000) e os ministros europeus (Almeida  <I>et al.,</I> 2006), a exist&ecirc;ncia de uma forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica superior &eacute; uma  marca distintiva de quase todos os l&iacute;deres de governo, atingindo os 92%.  Portugal, a Espanha e a Gr&eacute;cia destacam-se de novo por uma maior predomin&acirc;ncia  da educa&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria: todos os primeiros-ministros s&atilde;o licenciados.      <p>Mais de metade dos&#160;l&iacute;deres europeus (55%) s&atilde;o formados em  Direito. Schr&ouml;der, Kreisky, Verhofstadt, Aznar, Balladur, Papandreou, Santer,  S&aacute; Carneiro ou Blair s&atilde;o algumas das muitas personalidades licenciadas  nesta &aacute;rea. Se entre parlamentares europeus h&aacute; um decl&iacute;nio do n&uacute;mero de  juristas nos &uacute;ltimos anos (Best e Cotta, 2000), nos&#160;primeiros-ministros essa  tend&ecirc;ncia n&atilde;o se sente.      <p>A categoria &quot;Economia, Finan&ccedil;as ou Gest&atilde;o&quot; re&uacute;ne 13% dos l&iacute;deres  de governo: Erhard e Schmidt na Alemanha; Vranitzky e Klima na  &Aacute;ustria; Barre, Cresson e Raffarin em Fran&ccedil;a; Simitis na Gr&eacute;cia; Cavaco Silva  em Portugal.      <p>Na categoria &quot;Outra(s)&quot;, com valores na ordem dos 29%,  encontram-se v&aacute;rias&#160;&aacute;reas de forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica. Algumas repetem-se, como as  licenciaturas em  Hist&oacute;ria (Sinowatz na &Aacute;ustria e Bidault em Fran&ccedil;a) ou em  Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas e Sociais (Schmidt na Alemanha, Leburton na B&eacute;lgica e Werner  no Luxemburgo). As licenciaturas em letras tamb&eacute;m surgem com alguma  frequ&ecirc;ncia, mas sobretudo em Fran&ccedil;a (Mollet, Pompidou, Messmer e Rocard).      <p>Nos pa&iacute;ses em que a categoria  &quot;outra&quot; forma&ccedil;&atilde;o &eacute; mais elevada,  as raz&otilde;es devem-se, sobretudo, &agrave;s dificuldades na classifica&ccedil;&atilde;o de  algumas &aacute;reas de estudo. &Eacute; o caso, nomeadamente, do Reino Unido, com  personalidades que estudaram <I>Philosophy, Politics, and Economics  </I>(Wilson e Heath), um curso t&iacute;pico das universidades de Oxford e  Cambridge; e&#160;tamb&eacute;m da V Rep&uacute;blica  francesa, com v&aacute;rios l&iacute;deres de governo em  que as biografias apenas referem (sem indica&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea) a forma&ccedil;&atilde;o no  <I>Institut d'&Eacute;tudes Politiques </I>e/ou na  <I>Ecole National d'Administration</I>.      <p>Depois, h&aacute; &aacute;reas acad&eacute;micas que apenas surgem uma vez entre os  primeiros-ministros europeus analisados, como a Matem&aacute;tica (Valera), a  Medicina (Queuille), a F&iacute;sica (Merkel) e a Qu&iacute;mica (Thatcher). &Agrave; semelhan&ccedil;a  do que foi verificado por outros estudos sobre l&iacute;deres ocidentais (Hira,  2007), os militares, como de Gaulle e Churchill, tenderam a desaparecer.  Quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o em Engenharia, esta ocorre sobretudo em Portugal (Nobre  da Costa, Pintasilgo, Guterres e S&oacute;crates) e est&aacute; presente apenas em sete  das personalidades observadas.        <p>Na profiss&atilde;o, a advocacia &eacute;, naturalmente, a mais comum entre os  primeiros-ministros (27%). As percentagens mais baixas ocorrem em  pa&iacute;ses semipresidenciais e&#160;a V Rep&uacute;blica  francesa &eacute; o &uacute;nico caso em que os advogados n&atilde;o est&atilde;o presentes, depois de ter sido a profiss&atilde;o mais  representada at&eacute; 1958. Muitos dos novos l&iacute;deres gauleses t&ecirc;m uma forte  carreira ligada a altos cargos na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Debr&eacute;, de Murville,  Chaban-Delmas, Chirac, Fabius, Rocard, Jupp&eacute;, Jospin ou Villepin), mas  tamb&eacute;m, em alguns casos, &agrave; vida empresarial.      <p>Os dois pa&iacute;ses com mais primeiros-ministros com um passado  de &quot;administrador de empresas ou empres&aacute;rio&quot; t&ecirc;m, ali&aacute;s, regimes  semipresidenciais &#151; a &Aacute;ustria (Raab, Vranitzky e Klima) e a V Rep&uacute;blica  francesa (Pompidou, Cresson, B&eacute;r&eacute;govoy, Balladur e Raffarin). Ao todo, 16%  dos primeiros-ministros dos dez pa&iacute;ses analisados inserem-se nesta  categoria, numa percentagem um pouco superior &agrave; de 9% de &quot;homens de  neg&oacute;cios&quot;, na elite ministerial da Europa ocidental (Almeida  <I>et al.,</I> 2006, pp. 237-238).     <p>Os dados sobre as profiss&otilde;es dos l&iacute;deres de governo distanciam-se  dos que podemos encontrar, por exemplo, para a elite parlamentar europeia,  em que as profiss&otilde;es ligadas ao universo oper&aacute;rio, mas tamb&eacute;m as  relacionadas com os gestores e com os empres&aacute;rios, s&atilde;o minorit&aacute;rias ou  mostram decl&iacute;nio. Esta tend&ecirc;ncia &eacute; particularmente vis&iacute;vel entre os advogados,  personificando a diminui&ccedil;&atilde;o do chamado  <I>free political entrepreneur</I> nos parlamentos, o qual tem vindo a ser substitu&iacute;do pelo &quot;pol&iacute;tico profissional&quot;,  hoje dominante. Na maioria dos pa&iacute;ses, os empregados dos servi&ccedil;os  (sobretudo os do sector p&uacute;blico e particularmente os  professores)dominam as legislaturas (Cotta e Almeida, 2007), factos que, segundo Best e  Cotta (2000), indicariam que um elevado estatuto social deixou de ser um  recurso essencial&#160;numa carreira pol&iacute;tica.     <p>Nas profiss&otilde;es menos comuns dos primeiros-ministros, inclu&iacute;das na  vasta categoria &quot;Outra(s)&quot; (com 46%), mas ainda relativamente frequentes,  destacam-se os docentes, quase sempre universit&aacute;rios: por exemplo, Eyskens  na B&eacute;lgica, Zapatero em Espanha, Pompidou e Barre em Fran&ccedil;a, Papandreou  na Gr&eacute;cia, Dur&atilde;o Barroso em Portugal ou Wilson no Reino Unido.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto &agrave;s ocupa&ccedil;&otilde;es mais raras, citemos os casos de Merkel,  cientista, Queuille, m&eacute;dico, Ahern, contabilista, e Major, banc&aacute;rio. Casos  curiosos dizem respeito a algumas profiss&otilde;es detectadas no Norte da Europa,  com primeiros-ministros agricultores&#160;e com origens em partidos por vezes  classificados como da fam&iacute;lia agr&aacute;ria _ Kristensen e Eriksen, do  dinamarqu&ecirc;s Liberal Party, e F&auml;lldin, do sueco Center Party.&#160;&#160;     <p>Para terminar, uma nota sobre a categoria dos l&iacute;deres de governo &quot;sem    registo&quot; de qualquer profiss&atilde;o, ou seja, sobre os 11% de personalidades    que apenas est&atilde;o associadas ao desempenho de fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas.    Embora n&atilde;o tenha sido poss&iacute;vel contabilizar o tempo de carreira    profissional de todos os primeiros-ministros, os dados recolhidos apontam para    um percurso que tende a ser curto.      <p>Passando para o perfil e carreira pol&iacute;tica dos primeiros-ministros (v.    quadros n.<SUP>os</SUP> 2, 3 e 4), comecemos pelos primeiros-ministros sem filia&ccedil;&atilde;o    partid&aacute;ria. Os n&uacute;meros revelam que estes s&atilde;o raros e apenas    surgiram em 5 dos 15 pa&iacute;ses analisados. Destes Estados, apenas dois s&atilde;o    parlamentares &#151; Gr&eacute;cia (Gravis e Zolotas) e It&aacute;lia (Ciampi,    Dini e Amato) &#151;, contra tr&ecirc;s semipresidenciais &#151; Finl&acirc;ndia    (Paasikivi, Tuomioja, von Fieandt e Lehto), Fran&ccedil;a (Barre) e Portugal    (Nobre da Costa, Mota Pinto e Pintasilgo). Ao todo, apenas 13 primeiros-ministros    (de um total de 251) que tomaram posse nos &uacute;ltimos sessenta anos eram    independentes. Vale a pena real&ccedil;ar outro pormenor relevante e que vai    ao encontro das conclus&otilde;es de Neto e Strom (2004) para os ministros:    nenhum destes casos ocorreu numa das sete monarquias parlamentares inclu&iacute;das    na an&aacute;lise.      <p>&nbsp;      <p align="center"><B>Perfil e carreira pol&iacute;tica dos primeiros-ministros</B>      <p align="center">(<I>em percentagem</I>)      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                <p align="left">[<a href="#top10">Quadro n.&#186; 2</a>] <a name="10"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t2.gif" width="777" height="451">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p>(<I>a</I>) Ao contr&aacute;rio dos outros elementos de caracteriza&ccedil;&atilde;o              do perfil e carreira dos primeiros-ministros, em rela&ccedil;&atilde;o              a estas tr&ecirc;s vari&aacute;veis voltamos a contabilizar as caracter&iacute;sticas              de uma determinada personalidade cada vez que ela regressa ao cargo,              mesmo depois de um per&iacute;odo de interregno. </p>               <p>(<I>b</I>) Aquando da tomada de posse. </p>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Fonte: </B>V. <a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">quadro              n.&#186;1</a>. </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>         
<p>&nbsp;</p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Tempo m&eacute;dio dos primeiros-ministros no parlamento    e no governo </B>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top11">Quadro n.&#186; 3</a>] <a name="11"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t3.gif" width="765" height="381">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>(<I>a</I>) Na contagem do tempo que uma determinada personalidade              passou no parlamento retir&aacute;mos os anos em que essa fun&ccedil;&atilde;o              &eacute; acumulada com um cargo governativo, situa&ccedil;&atilde;o              poss&iacute;vel na maioria dos pa&iacute;ses em an&aacute;lise. </p>               <p><B>Fonte: </B>V. <a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">quadro              n.&#186; 1</a>. </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;     <p align="center"><B>Carreira parlamentar e governativa dos primeiros-ministros</B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">(<I>em percentagem</I>)      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top12">Quadro n.&#186; 4</a>] <a name="12"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t4.gif" width="767" height="393">      
<blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>(<I>a</I>) Indicador que us&aacute;mos para definir uma carreira              pol&iacute;tica tradicional ou n&atilde;o. </p>               <p><B>Fonte:</B> V. <a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">quadro              n.&#186; 1</a>. </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;      <p>Os dados mostram ainda que 50.4% dos primeiros-ministros eram l&iacute;deres    do seu partido aquando da tomada de posse. No entanto, &eacute; de constatar    a exist&ecirc;ncia de grandes diferen&ccedil;as entre pa&iacute;ses. No Reino    Unido, na Dinamarca e na Su&eacute;cia todos os l&iacute;deres de governo perfilhavam    essa caracter&iacute;stica, enquanto nos casos da B&eacute;lgica, da Fran&ccedil;a    IV e V, do Luxemburgo, da Finl&acirc;ndia e da It&aacute;lia essa caracter&iacute;stica    era minorit&aacute;ria.      <p>O <a href="#10">quadro n.&#186; 2</a><a name="top10"></a> apresenta ainda o tempo    m&eacute;dio que os primeiros-ministros se mant&ecirc;m nesse cargo<SUP><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></SUP>.    Os n&uacute;meros reafirmam as grandes diferen&ccedil;as entre os sistemas pol&iacute;ticos    europeus, com pa&iacute;ses cujos l&iacute;deres s&atilde;o muito est&aacute;veis    (seis a oito anos de mandato m&eacute;dio na Alemanha, &Aacute;ustria, Espanha,    Luxemburgo e Su&eacute;cia) e outros em que isso claramente n&atilde;o se verifica    (IV Rep&uacute;blica francesa, It&aacute;lia e Finl&acirc;ndia).      <p>Os dados mostram tamb&eacute;m que 80% dos primeiros-ministros analisados passaram    pela legislatura antes de chegarem ao cargo, facto que refor&ccedil;a a ideia    de que a elite parlamentar &eacute; crucial nas democracias europeias. N&atilde;o    por acaso, as elei&ccedil;&otilde;es legislativas s&atilde;o consideradas um    teste pol&iacute;tico fundamental para as elites e os parlamentos continuam    a ser o principal canal para uma carreira governamental. Na Europa ocidental,    75% dos ministros t&ecirc;m experi&ecirc;ncia como deputados (Best e Cotta,    2000, pp. 8 e 493; Almeida <I>et al.,</I> 2006, p. 236).      <p>No entanto, os quatro quintos de primeiros-ministros que foram deputados apresentam    grandes diferen&ccedil;as entre si. Estas dizem respeito quer &agrave; dura&ccedil;&atilde;o    dos seus mandatos como deputados, que variam entre um e trinta e quatro anos    (como no caso do belga Camille Huysmans), quer ainda &agrave;s m&eacute;dias    nacionais deste fen&oacute;meno, que oscilam entre os 2,3 anos no Luxemburgo    aos 17,3 no Reino Unido, pa&iacute;s onde n&atilde;o raras vezes s&atilde;o    necess&aacute;rios vinte anos na legislatura antes de se chegar a primeiro-ministro    &#151; Churchill, Macmillan e Callaghan<SUP><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></SUP>.    Com excep&ccedil;&atilde;o deste pa&iacute;s, essa barreira apenas foi ultrapassada    quatro vezes: Mitsotakis na Gr&eacute;cia, Schuman na IV Rep&uacute;blica francesa,    Huysmans na B&eacute;lgica e Cosgrave na Irlanda (caso &uacute;nico num regime    semi-presidencial).      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <a href="#11">quadro n.&#186; 3</a><a name="top11"></a> revela que os primeiros-ministros    dos regimes parlamentares apresentam uma carreira mais longa na legislatura,    ao contr&aacute;rio do que sucede nos regimes semipresidenciais. O Luxemburgo,    no primeiro caso, e a Irlanda, no segundo, s&atilde;o as excep&ccedil;&otilde;es    a esta tend&ecirc;ncia. Um dos casos mais curiosos &eacute;, mais uma vez, a    Fran&ccedil;a, que viu o tempo m&eacute;dio no parlamento reduzir-se para metade    da IV para a V Rep&uacute;blica.      <p>Os n&uacute;meros relativos ao tempo m&eacute;dio passado no governo n&atilde;o    revelam tend&ecirc;ncias t&atilde;o evidentes como o percurso na legislatura,    apesar das grandes diferen&ccedil;as entre os pa&iacute;ses. Outro dado parece    certo: a presen&ccedil;a pr&eacute;via no executivo como secret&aacute;rio de    Estado ou, sobretudo, como ministro parece ser um requisito quase imprescind&iacute;vel    para se chegar a primeiro-ministro (85,5% tinham essa experi&ecirc;ncia). O    tempo m&eacute;dio no desempenho destas fun&ccedil;&otilde;es (5,3 anos) &eacute;,    no entanto, menor do que aquele que se apurou para o exerc&iacute;cio de cargos    parlamentares (8,5 anos).      <p>Os pol&iacute;ticos que chegam a primeiro-ministro sem qualquer experi&ecirc;ncia    no governo ou no parlamento s&atilde;o muito raros e ocorreram, sobretudo, com    os primeiros l&iacute;deres de um novo regime &#151; Adenauer na Alemanha e    Figl na &Aacute;ustria. Muito pr&oacute;ximo do presidente Charles de Gaulle,    Pompidou &eacute; um caso &uacute;nico que foge a esta norma.&#160;      <p>A an&aacute;lise seguinte (v. <a href="#12">quadro n.&#186; 4</a>)<a name="top12"></a>,    apesar de pouco comum, pretende perceber se os l&iacute;deres de governo evidenciam    aquilo a que podemos chamar uma carreira pol&iacute;tica &quot;tradicional&quot;,    seguindo a ideia comprovada de que o parlamento &eacute; o principal &quot;viveiro&quot;    dos governos europeus. A ser assim, o percurso comum de um primeiro-ministro    dever&aacute; passar primeiro pelo cargo de deputado e s&oacute; depois pelo    de governante, como secret&aacute;rio de Estado ou ministro. Os resultados mostram    que para 65% dos l&iacute;deres de governo &eacute; este o caminho realizado.    No entanto, para quase um ter&ccedil;o (31%) o percurso &eacute; o inverso.      <p> As percentagens mostram tamb&eacute;m que tr&ecirc;s dos quatro pa&iacute;ses    onde esta carreira pol&iacute;tica &quot;menos tradicional&quot; ocorreu com    mais frequ&ecirc;ncia t&ecirc;m regimes semipresidenciais: &Aacute;ustria, V    Rep&uacute;blica francesa e Portugal. No outro extremo encontra-se a Irlanda,    que apresenta um resultado igual ao do Reino Unido, com todos os l&iacute;deres    de governo a passarem primeiro pela legislatura e s&oacute; depois pelo executivo.      <p>Analisando-se os dados relacionados com o &uacute;ltimo cargo ocupado pelos    primeiros-ministros antes da sua nomea&ccedil;&atilde;o, verificou-se que 40%    eram legisladores e 46% governantes. A Alemanha constitui uma excep&ccedil;&atilde;o,    uma vez que metade dos seus primeiros-ministros assumia antes a lideran&ccedil;a    de munic&iacute;pios (Adenauer e Brandt) ou de um governo regional (Kiesinger    e Schr&ouml;der). Portugal tamb&eacute;m se destaca por uma elevada percentagem    de primeiros-ministros que n&atilde;o v&ecirc;m directamente do governo ou do    parlamento, o que se deve sobretudo aos tr&ecirc;s executivos de origem presidencial,    liderados por independentes<SUP><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></SUP>.      <p>Quanto &agrave; deten&ccedil;&atilde;o de um cargo de lideran&ccedil;a de um    grupo de interesses, os dados mostram que esta &eacute; uma caracter&iacute;stica    pouco comum nos l&iacute;deres de governo (16%). Al&eacute;m disso, &eacute;    nos pa&iacute;ses onde existem, por norma, organiza&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias    mais fracas (Fran&ccedil;a, Espanha, Gr&eacute;cia, Portugal e Irlanda) que    se encontram percentagens mais baixas ou nulas de primeiros-ministros com este    tipo de antecedentes. Pelo contr&aacute;rio, as taxas mais altas surgem em pa&iacute;ses    do Centro da Europa. A lideran&ccedil;a de um grupo de interesses registou-se,    sobretudo, no caso das juventudes partid&aacute;rias. Mais raros s&atilde;o    os primeiros-ministros com a lideran&ccedil;a sindical no curr&iacute;culo.      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Carreira pol&iacute;tica dos primeiros-ministros: percursos    menos comuns</B>      <p align="center">(<I>em percentagem</I>)      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p>[Quadro n.&#186; 5] </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t5.gif" width="768" height="344">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>              <blockquote>               <p><B>Fonte:</B> V. <a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">quadro              n.&#186; 1</a>. </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p>Os &uacute;ltimos dados do quadro n.&#186; 5 relacionam-se com a divis&atilde;o do  poder dentro de um pa&iacute;s. Como esperado, a maior percentagem de  primeiros-ministros com carreiras marcadas pela lideran&ccedil;a regional encontra-se  na Alemanha (50%), principal exemplo europeu de um Estado federal  &#151; Adenauer, Kiesinger, Kohl e Schr&ouml;der. Al&eacute;m destes, h&aacute; outros  chanceleres com uma carreira nos  <I>l&auml;nders</I>, mesmo que n&atilde;o chegando &agrave; sua  lideran&ccedil;a: Erhard e Schmidt. Na m&eacute;dia dos pa&iacute;ses europeus esta experi&ecirc;ncia &eacute;,  no entanto, residual: 7%.      <p>A lideran&ccedil;a de um munic&iacute;pio &eacute; uma caracter&iacute;stica    que se encontra em 20% dos primeiros-ministros, mas com percentagens significativamente    diferentes entre pa&iacute;ses. Ocorre com mais frequ&ecirc;ncia nos dois regimes    franceses, pa&iacute;s conhecido pela tradi&ccedil;&atilde;o municipal.      <p>&nbsp;     <P><b>A influ&ecirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es </b>     <p>A par das diferen&ccedil;as encontradas entre os primeiros-ministros  europeus, tent&aacute;mos perceber at&eacute; que ponto as regras que organizam e distinguem  as democracias s&atilde;o importantes no recrutamento destes l&iacute;deres.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem v&aacute;rias formas de organizar e governar uma democracia. As suas    institui&ccedil;&otilde;es podem relacionar-se de formas muito diferentes (Elgie,    1997, p. 218; Lijphart, 1999). &Agrave;s duas modalidades cl&aacute;ssicas de    regime (presidencial e parlamentar) juntou-se, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,    apesar da pol&eacute;mica sobre o conceito, o semipresidencialismo. Segundo    v&aacute;rios autores, as democracias da Uni&atilde;o Europeia s&atilde;o de    tipo parlamentar ou semipresidencial.      <p>Visto como um dos tr&ecirc;s principais componentes dos sistemas pol&iacute;ticos    (Pasquino, 2005b, pp. 15-16), o regime deve ser necessariamente analisado para    se compreender o funcionamento da democracia. No parlamentarismo e no semipresidencialismo    &eacute; necess&aacute;rio ter aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas &agrave;    rela&ccedil;&atilde;o legislatura-governo, mas tamb&eacute;m &agrave; rela&ccedil;&atilde;o    entre os tr&ecirc;s &oacute;rg&atilde;os de soberania pol&iacute;tica: legislatura-governo-chefe    de Estado (Woldendorp <I>et al.,</I> 2000; Lobo, 2005, p. 50).      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Rela&ccedil;&atilde;o entre os principais componentes de    uma democracia parlamentar ou semipresidencial</B>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p>[Figura N.&ordm;1] </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02f1.gif" width="689" height="346">      
<p>&nbsp;     <p>As setas tracejadas da figura anterior reflectem uma rela&ccedil;&atilde;o    que pode ser mais ou menos necess&aacute;ria em determinados sistemas pol&iacute;ticos    entre a legislatura ou o governo e o chefe de Estado.      <p>A liga&ccedil;&atilde;o entre o chefe do executivo e a legislatura &eacute; um aspecto  fundamental do parlamentarismo: a sua nomea&ccedil;&atilde;o e o respectivo governo  dependem apenas do parlamento (Lijphart, 1999, pp. 117-124; Pasquino,  2002, pp. 238-241).     <p>Ao contr&aacute;rio dos regimes parlamentares, em que o chefe de Estado (presidente    ou monarca) n&atilde;o &eacute; eleito pelo voto popular, no semipresidencialismo    - uma forma de governo mista - existe um presidente eleito directamente para    um mandato fixo que coexiste com um primeiro-ministro e um governo respons&aacute;veis    perante o parlamento (Elgie, 1999).      <p>Uma das consequ&ecirc;ncias do regime no recrutamento pol&iacute;tico foi detectada    recentemente (Almeida e Cho, 2003; Neto e Samuels, 2003; Neto e Strom, 2004):    o poder dos presidentes dos regimes semipresidenciais aumentar&aacute; o n&uacute;mero    de ministros independentes, numa eterna disputa entre o chefe de Estado e a    legislatura pelo controlo do executivo.      <p>O potencial de conflito na composi&ccedil;&atilde;o do governo existe porque no  semi-presidencialismo a legislatura e o presidente t&ecirc;m legitimidades eleitorais  diferentes. Sobretudo, se o chefe de Estado tiver mais poderes formais ou  informais, nomeadamente, na liberdade de escolher um primeiro-ministro. O  presidente surge como um poder extra, &agrave; parte, legitimado directamente pelo  eleitorado. Em v&aacute;rios pa&iacute;ses, ele &eacute; algu&eacute;m de quem o governo depende, ao contr&aacute;rio  do que sucede no parlamentarismo, em que essa depend&ecirc;ncia se d&aacute; apenas  em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legislatura. Estes factores determinariam uma esp&eacute;cie de  &quot;negocia&ccedil;&atilde;o&quot; entre o primeiro-ministro e o presidente na escolha dos ministros.      <p>A hip&oacute;tese que apresentamos relaciona as caracter&iacute;sticas e carreiras    dos primeiros-ministros com os dois regimes que marcam a democracia europeia.    No entanto, al&eacute;m da falta de liga&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria    detectada nos ministros, argumentamos que, paralelamente, os l&iacute;deres    do semipresidencialismo podem n&atilde;o apenas ter tend&ecirc;ncia para ser    mais vezes independentes como apresentar um perfil menos pol&iacute;tico (normalmente    associado a uma longa carreira no parlamento e aos juristas) e mais t&eacute;cnico    (ligado a outros percursos e forma&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas ou profiss&otilde;es)<SUP><a href="#6">6</a></SUP>.    <a name="top6"></a>     <p>Apesar da organiza&ccedil;&atilde;o constitucional semelhante, existem grandes  diferen&ccedil;as entre pa&iacute;ses classificados como parlamentares ou  semipresidenciais, pelo que acrescent&aacute;mos &agrave; an&aacute;lise uma s&eacute;rie de outras vari&aacute;veis que  espelham outros aspectos da organiza&ccedil;&atilde;o da democracia em cada um dos  Estados analisados: o poder do chefe de Estado; o poder do parlamento; o poder  do l&iacute;der de governo; o n&uacute;mero m&eacute;dio efectivo de partidos no parlamento;  o n&uacute;mero de partidos no governo; a organiza&ccedil;&atilde;o territorial do poder.       <p>A an&aacute;lise (v. quadro n.&#186; 6) apresenta resultados que confirmam  v&aacute;rias tend&ecirc;ncias esperadas, nomeadamente as relacionadas com o regime.  No entanto, mais do que este, s&atilde;o outras caracter&iacute;sticas internas do seu  funcionamento que mais afectam o recrutamento dos l&iacute;deres de governo: os  poderes do parlamento e os do chefe de Estado. Quando um apresenta  uma tend&ecirc;ncia, o outro apresenta-a em sentido contr&aacute;rio.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais poderes da legislatura significam _ tal como de forma menos vincada os    regimes parlamentares _ uma carreira mais longa e mais relevante do primeiro-ministro    enquanto deputado, al&eacute;m de uma maior presen&ccedil;a de advogados na    lideran&ccedil;a do governo, mais l&iacute;deres partid&aacute;rios e uma maior    longevidade do pr&oacute;prio &agrave; frente do executivo. Pelo contr&aacute;rio,    o maior poder do chefe de Estado tra&ccedil;a tend&ecirc;ncias de sentido oposto    a estas, mais parecidas com as dos regimes semipresidenciais.      <p>Ao quadro seguinte acrescent&aacute;mos ainda os resultados das correla&ccedil;&otilde;es    com a vari&aacute;vel &quot;poder&quot; do primeiro-ministro, que, n&atilde;o    podendo ser considerada totalmente independente (devido &agrave; forma como    foi constru&iacute;da por King, 1994), apresenta resultados esper&aacute;veis:    l&iacute;deres de governo com mais poder tendem a manter-se mais tempo no cargo    e a ser mais vezes l&iacute;deres partid&aacute;rios.      <p>&nbsp;      <p align="center"><B>Correla&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis institucionais    e caracter&iacute;sticas dos l&iacute;deres de governo</B>       <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                  ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[<a href="#top13">Quadro n.&#186; 6</a>] <a name="13"></a></p>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t6.gif" width="758" height="326">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>(<I>a</I>) Neste e noutros quadros, as respostas &quot;sim&quot;              e &quot;n&atilde;o&quot; a vari&aacute;veis dicot&oacute;micas correspondem              aos valores 1 e 0, respectivamente. </p>               <p>A base de dados sobre primeiros-ministros inclui outras vari&aacute;veis              que, no entanto, n&atilde;o apresentam praticamente nenhuma correla&ccedil;&atilde;o              significativa. Este facto robustece a fiabilidade dos dados recolhidos,              pois, &agrave; partida, n&atilde;o vemos como &eacute; que essas vari&aacute;veis              de carreira (tempo no governo e &uacute;ltimo cargo ocupado) podem              estar relacionadas com as vari&aacute;veis independentes institucionais              ou partid&aacute;rias. </p>               <p>(<I>b</I>) Com base em Elgie (1999). </p>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<I>c</I>) Com base em Siaroff (2003a). No caso das monarquias atribu&iacute;mos              um poder 0. </p>               <p>(<I>d</I>) Com base em Fish e Kroenig (no prelo), a quem agradecemos              a disponibilidade pr&eacute;via dos dados. </p>               <p>(<I>e</I>) Com base em King (1994), Siaroff (2003b) e O'Malley (2007).            </p>               <p><B>Legenda:</B> O primeiro n&uacute;mero de cada parcela corresponde              ao resultado de correla&ccedil;&otilde;es entre os dados obtidos para              todos os pa&iacute;ses em an&aacute;lise. O segundo resulta de uma              an&aacute;lise donde retir&aacute;mos tr&ecirc;s pa&iacute;ses considerados              <I>outliers </I>(Luxemburgo, Irlanda e It&aacute;lia). </p>               <p>* A correla&ccedil;&atilde;o de Pearson &eacute; significativa ao              n&iacute;vel de 0,05 <I>(2-tailed);</I> </p>               <p>** A correla&ccedil;&atilde;o de Pearson &eacute; significativa ao              n&iacute;vel de 0,01 <I>(2-tailed);</I> n. s. &#151; n&atilde;o significativo.            </p>               <p><B>Fonte:</B> V. <a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">quadro              n.&#186; 1</a>. </p>               
<p>&nbsp;</p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>Al&eacute;m das vari&aacute;veis anteriores, h&aacute; outras caracter&iacute;sticas    da organiza&ccedil;&atilde;o da democracia que tamb&eacute;m influenciam o recrutamento    dos primeiros-ministros, mas num sentido que, apesar de esperado, &eacute; mais    localizado, alterando os seus perfis e carreiras apenas em aspectos espec&iacute;ficos.    Salientando dois casos (v. quadro n.&#186; 7), citemos o n&uacute;mero efectivo    de partidos no parlamento (NEPP) e o tipo de governo (um partido ou coliga&ccedil;&atilde;o).    Ambos apresentam das correla&ccedil;&otilde;es mais fortes encontradas, com    mais partidos no governo ou na legislatura a significarem menos l&iacute;deres    partid&aacute;rios &agrave; frente do governo e primeiros-ministros que se mant&ecirc;m    menos tempo nesse cargo.      <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><B>Correla&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis institucionais    e caracter&iacute;sticas dos l&iacute;deres de governo </B>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[Quadro n.&#186; 7] <a name="top13"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t7.gif" width="767" height="221">      
<blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>(<I>a</I>) Com base sobretudo em Siaroff (2000). Em ambas as vari&aacute;veis              a contagem &eacute; feita apenas no primeiro governo de um determinado              primeiro-ministro. </p>               <p><B>Legenda e fonte:</B> V. <a href="#13">quadro n.&#186; 6</a>. </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p>Apesar de sempre minorit&aacute;ria, a lideran&ccedil;a de um grupo de interesses    no <I>curriculum</I> de um primeiro-ministro est&aacute; relacionada, sobretudo,    com a antiguidade da democracia, surgindo algumas vezes nas democracias mais    antigas, mas nunca em Portugal, Espanha e Gr&eacute;cia.      <p>&nbsp;      <P><b>A influ&ecirc;ncia dos partidos </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mediadores&#160;indispens&aacute;veis na rela&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os&#160;com o Estado e  essenciais numa democracia, os partidos&#160;dominam a organiza&ccedil;&atilde;o e nomea&ccedil;&atilde;o  dos executivos. Fundamentais na escolha dos l&iacute;deres (Davis, 1998) e no  recrutamento pol&iacute;tico (Norris, 1997; Best e Cotta, 2000, pp. 11-14), em que t&ecirc;m  uma fun&ccedil;&atilde;o de <I>gatekeepers</I> (Norris, 2006, pp. 89-91), os partidos podem ser  das principais vari&aacute;veis a afectar a carreira de um l&iacute;der de  governo.       <p>A maioria dos partidos que dominam a Europa tem uma longa hist&oacute;ria (Lane    e Ersson, 1999, p. 91). Origens, ideologias e fam&iacute;lias pol&iacute;ticas    s&atilde;o classifica&ccedil;&otilde;es que continuam a distingui-los (Duverger,    1970, p. 102; Ware, 1996, p. 66; Wolinetz, 2002, pp. 137-141). As ideologias    partid&aacute;rias, mesmo n&atilde;o sendo fixas e adaptando-se &agrave;s demandas    do eleitorado, tendem a persistir (Duverger, 1970, p. 19; Ware, 1996, pp. 18-36).    A divis&atilde;o entre esquerda e direita &eacute; o m&eacute;todo mais usado    para categorizar as ideias pol&iacute;ticas (Heywood, 2003, p. 16). Por outro    lado, a distin&ccedil;&atilde;o entre partidos de origem interna ou externa    caracteriza tend&ecirc;ncias gerais que se podem encontrar em v&aacute;rios    casos (Duverger, 1970, p. 26)<a href="#7"><SUP>7</SUP></a><a name="top7"></a><SUP></SUP>.      <p>O desenvolvimento dos partidos surge associado ao desenvolvimento  da democracia na Europa e, sobretudo, ao surgimento dos parlamentos.  Numa primeira fase, as legislaturas levaram os seus membros a sentirem  necessidade de se agruparem por afinidades para agirem de comum acordo.  Os primeiros partidos (liberais e conservadores) emergiram assim em  sistemas protodemocr&aacute;ticos com sufr&aacute;gio limitado a uma pequena classe  privilegiada. O alargamento do direito de voto aumentou a necessidade de enquadrar  os eleitores em &quot;comit&eacute;s&quot; capazes de dar a conhecer os candidatos. A  organiza&ccedil;&atilde;o extraparlamentar era, no entanto, praticamente inexistente, com  uma coordena&ccedil;&atilde;o pouco estruturada, que s&oacute; se desenvolveu depois com os  partidos de massas _ socialistas e democratas-crist&atilde;os (Duverger, 1970, pp.  13-20; Krouwel, 2006, pp. 253-254).      <p>Se os primeiros partidos a nascer (de origem interna, parlamentar)  n&atilde;o tinham grande organiza&ccedil;&atilde;o e eram sobretudo compostos por uma elite  profissional de intelectuais e advogados, os socialistas, com as suas sec&ccedil;&otilde;es e  membros, marcaram a imagem destas for&ccedil;as pol&iacute;ticas (Beyme, 1986, pp. 204-205).     <p>Segundo Duverger (1970), autor da distin&ccedil;&atilde;o entre partidos de  cria&ccedil;&atilde;o interna (associados aos partidos de quadros) e externa (associados aos  partidos de massas), os segundos t&ecirc;m um conjunto de caracter&iacute;sticas que  se op&otilde;em nitidamente aos criados no c&iacute;rculo eleitoral ou parlamentar. De  in&iacute;cio, s&atilde;o geralmente mais centralizados, dando mais import&acirc;ncia &agrave;s bases, em  vez das c&uacute;pulas, sendo tamb&eacute;m mais coesos e disciplinados. O grupo  parlamentar tende a ser mais preponderante nos de cria&ccedil;&atilde;o interna. Os  partidos externos nunca dar&atilde;o o mesmo valor &agrave; legislatura.      <p>Apesar da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades da competi&ccedil;&atilde;o eleitoral, as  origens dos partidos, ideologia e hist&oacute;ria do regime afectam a organiza&ccedil;&atilde;o  partid&aacute;ria, programas e pol&iacute;ticas adoptadas (Ware, 1996, pp. 20-24; Gallagher  <I>et al.,</I> 2006, pp. 222-225).      <p>Na distin&ccedil;&atilde;o entre fam&iacute;lias partid&aacute;rias europeias, a classifica&ccedil;&atilde;o  mais difundida &eacute; a de Beyme (1986). For&ccedil;as pol&iacute;ticas de uma mesma  fam&iacute;lia podem ter semelhan&ccedil;as consider&aacute;veis. No entanto, a classifica&ccedil;&atilde;o  apresenta problemas, como se v&ecirc; pelas diferentes classifica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das pelos  autores a um mesmo partido (cf. Hix e Lord, 1997, com Ware, 1996), as  quais afectam sobretudo duas das quatro fam&iacute;lias estudadas: liberais e  conservadores (Lane e Ersson, 1999, p. 108).        <p>De entre as nove fam&iacute;lias partid&aacute;rias identificadas por Beyme    interessam-nos apenas os liberais, os conservadores, os socialistas e os democratas-crist&atilde;os,    que dominaram a pol&iacute;tica da Europa ocidental nos &uacute;ltimos sessenta    anos e forneceram quase todos os l&iacute;deres de governo.      <p>Os liberais e os conservadores foram os primeiros partidos a  formar-se, sem grande organiza&ccedil;&atilde;o e baseados numa elite profissional de intelectuais  e advogados (Beyme, 1986; Gallagher <I>et al.,</I> 2006). S&oacute; no fim do s&eacute;culo  xix surgiram os partidos socialistas, com a import&acirc;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es  colaterais partid&aacute;rias a atingir o pico na &eacute;poca do partido de massas (at&eacute; 1960), em  que estruturas densas criavam uma subcultura socioecon&oacute;mica que &quot;cercava&quot;  os indiv&iacute;duos: Fran&ccedil;a IV e V, Luxemburgo, Finl&acirc;ndia e It&aacute;lia. Quanto aos  democratas-crist&atilde;os, tamb&eacute;m de origem externa, considera-se, todavia, que  t&ecirc;m menos caracter&iacute;sticas de partidos de massas do que os socialistas.  Comparativamente, estes partidos religiosos apresentam um n&iacute;vel de organiza&ccedil;&atilde;o  mais fraco, apesar de esta ser mais elevada do que entre os partidos liberais e  entre os conservadores (Pelinka, 2004; Krouwel, 2006, p. 255).      <p>Na literatura, as refer&ecirc;ncias &agrave;s influ&ecirc;ncias dos partidos sobre o  recrutamento pol&iacute;tico surgem de forma pouco sistem&aacute;tica. Mas as diferen&ccedil;as  sentem-se na compara&ccedil;&atilde;o entre a esquerda e a direita. A primeira tem  de desenvolv&ecirc;-lo desde as organiza&ccedil;&otilde;es de  basemesmo para cargos de lideran&ccedil;a, pois, em compara&ccedil;&atilde;o com o seu p&oacute;lo ideol&oacute;gico rival, n&atilde;o possui  a mesma capacidade de recrutamento. Como refere Putnam (1976, p. 51),  a direita tem maior capacidade de acesso &agrave;s fontes tradicionais de  recrutamento, sejam elas as classes socioecon&oacute;micas favorecidas, as  institui&ccedil;&otilde;es educativas de elite ou a fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A esquerda e a direita distinguem-se tamb&eacute;m pelo n&uacute;mero e  envolvimento dos seus membros na vida do partido (Wolinetz, 2002, pp. 143-145).  Nos partidos de massas, os membros t&ecirc;m geralmente liga&ccedil;&otilde;es fortes &agrave;  organiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, enquanto nos partidos de quadros a vertente parlamentar  tem uma tradi&ccedil;&atilde;o de autonomia (Heidar, 2006, pp. 302-306). A ideologia  de esquerda tem uma rela&ccedil;&atilde;o forte com o poder dos grupos  extraparlamentares no partido, o que indicia que os socialistas d&atilde;o mais poder &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o  fora da legislatura (Gibson e Harmel, 1998).      <p>Nas organiza&ccedil;&otilde;es sectoriais dos partidos (sindicatos, organiza&ccedil;&otilde;es  religiosas, juventudes...) e na milit&acirc;ncia h&aacute; claras diferen&ccedil;as n&atilde;o apenas entre os  partidos de quadros e de massas, de esquerda e de direita, mas tamb&eacute;m entre  fam&iacute;lias partid&aacute;rias. Apesar da queda generalizada no n&uacute;mero de militantes, as  organiza&ccedil;&otilde;es colaterais mant&ecirc;m a sua relev&acirc;ncia (Poguntke, 2002).  Os sindicatos e as organiza&ccedil;&otilde;es religiosas continuam a ser, tanto para os socialistas como para  os democratas-crist&atilde;os, canais importantes de recrutamento (Putnam, 1976, p. 51).     <p>As origens parlamentares ou de fora da legislatura dos partidos s&atilde;o    encaradas como&#160;um dos principais factores que influenciam a carreira dos    pol&iacute;ticos, com tend&ecirc;ncia para uma maior dura&ccedil;&atilde;o,    respectivamente, das suas fun&ccedil;&otilde;es legislativas ou partid&aacute;rias    (Ware, 1996, pp. 257-258).&#160;Este impacto faz-se sentir tamb&eacute;m no    que diz respeito &agrave;s origens dos l&iacute;deres, que tendem a vir do parlamento    nos partidos de origem interna, enquanto nos restantes casos a balan&ccedil;a    do poder tende para organiza&ccedil;&otilde;es externas &agrave; legislatura    (Daalder, 2001, p. 45).      <p>Os regimes com parlamentos fortes e partidos com uma organiza&ccedil;&atilde;o  fraca destacam-se por serem o &quot;palco&quot; mais comum do chamado  <I>free political entrepeneur, </I>geralmente personificado pelos advogados (Best e Cotta,  2000, p. 524). O contr&aacute;rio ocorre com os chamados  <I>funcion&aacute;rios,</I> ligados &agrave; democracia de massas e aos partidos com organiza&ccedil;&otilde;es desenvolvidas.      <p>Analisadas as diferen&ccedil;as entre os partidos que dominam os  governos europeus, as nossas hip&oacute;teses ligavam a esquerda, os partidos de massas  e os socialistas a uma carreira partid&aacute;ria mais longa, em detrimento de  uma carreira parlamentar, e &agrave; presen&ccedil;a de um n&uacute;mero mais reduzido de  juristas &agrave; frente dos governos. As fam&iacute;lias pol&iacute;ticas dos conservadores e dos  liberais estariam no extremo oposto, situando-se os democratas-crist&atilde;os algures  no meio destas duas tend&ecirc;ncias.        <p>Os resultados do quadro n.&#186; 8 mostram algumas diferen&ccedil;as esperadas,    que s&atilde;o, no entanto, pouco significativas.      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Correla&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis partid&aacute;rias    e caracter&iacute;sticas dos l&iacute;deres de governo</B>      <blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p>[Quadro n.&#186; 8] </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02t8.gif" width="761" height="384">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<I>a</I>) Para classificar a fam&iacute;lia dos partidos us&aacute;mos              tr&ecirc;s fontes principais: Hix e Lord (1997); Lane e Ersson (1999);              Ware (1996). Siaroff (2000) foi usado para partidos extintos. Partindo              das fam&iacute;lias, coloc&aacute;mos cada partido &agrave; esquerda              ou &agrave; direita e classific&aacute;mo-los como de origem interna              ou externa com base na ideia de que os liberais e os conservadores              se incluem na primeira categoria e que os socialistas e os democratas-crist&atilde;os              se enquadram na segunda. </p>               <p><B>Legenda e fonte:</B> V. <a href="#13">quadro n.&#186; 6</a>.              <a name="top13"></a> </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>         <p>&nbsp;</p>   </blockquote> </blockquote>     <p>Primeira conclus&atilde;o: nas vari&aacute;veis analisadas s&atilde;o pequenas as  diferen&ccedil;as entre os chefes de governo oriundos da esquerda ou da direita, sem  qualquer correla&ccedil;&atilde;o significativa. Os seus l&iacute;deres s&atilde;o muito semelhantes, com  perfis e carreiras pol&iacute;ticas equivalentes. Mais influente surge a distin&ccedil;&atilde;o entre  partidos de origem interna ou externa. No entanto, mesmo em rela&ccedil;&atilde;o a  estas vari&aacute;veis as diferen&ccedil;as restringem-se &agrave; exist&ecirc;ncia de mais casos de  lideran&ccedil;a de grupos de interesses entre os de origem externa (socialistas e  democratas-crist&atilde;os) e a uma maior longevidade do primeiro-ministro nesse cargo.      <p>No que toca &agrave; vari&aacute;vel  &quot;fam&iacute;lia partid&aacute;ria&quot;, o destaque vai para os  socialistas. N&atilde;o apenas por colocarem mais l&iacute;deres partid&aacute;rios &agrave; frente dos  governos, mas tamb&eacute;m por apresentarem menos licenciados em Direito e  mais l&iacute;deres de grupos de interesses. Na maior fam&iacute;lia partid&aacute;ria europeia,  dominante eleitoralmente do seu lado ideol&oacute;gico na maioria dos pa&iacute;ses, os  primeiros-ministros tendem ainda a manter-se mais tempo &agrave; frente dos governos do  que os seus cong&eacute;neres liberais, conservadores e democratas-crist&atilde;os.      <P>&nbsp;     <P>&nbsp;     <P><b>Conclus&otilde;es</b>      <p>Quem &eacute; o t&iacute;pico primeiro-ministro europeu? Os dados recolhidos  ajudam a responder &agrave; quest&atilde;o. Em primeiro lugar, &eacute; um indiv&iacute;duo do sexo  masculino &#151; s&atilde;o raros os casos que fogem &agrave; regra &#151;, que estudou Direito e  exerceu a profiss&atilde;o de advogado. Em termos et&aacute;rios, tem, em m&eacute;dia, 54 anos  quando chega ao cargo, depois de uma curta carreira profissional e de uma  longa carreira pol&iacute;tica, que come&ccedil;a pelo partido (v&aacute;rias vezes, nas  juventudes partid&aacute;rias) e passa, eventualmente, por uma elei&ccedil;&atilde;o local. Depois, chega  ao parlamento, o qual constitui uma etapa para chegar ao governo. A  lideran&ccedil;a do partido pode ser um passo final para a ascens&atilde;o ao topo do executivo.     <p>O par&aacute;grafo anterior resume as caracter&iacute;sticas mais frequentes do  t&iacute;pico chefe de governo europeu. No entanto, esbo&ccedil;a apenas um retrato  (demasiado) geral, que esquece todas as varia&ccedil;&otilde;es encontradas. Atrav&eacute;s da  an&aacute;lise das diferen&ccedil;as encontradas foi poss&iacute;vel estabelecer compara&ccedil;&otilde;es entre  os sistemas pol&iacute;ticos com o objectivo de avaliar a exist&ecirc;ncia de varia&ccedil;&otilde;es  significativas entre pa&iacute;ses e de compreender se estas s&atilde;o influenciadas  pelas regras que organizam a democracia e tamb&eacute;m pelos partidos, donde  s&atilde;o origin&aacute;rios praticamente todos os primeiros-ministros.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados recolhidos revelam que h&aacute; pa&iacute;ses &#151; a IV Rep&uacute;blica    francesa, a B&eacute;lgica, a Gr&eacute;cia, mas sobretudo o Reino Unido e a    Irlanda &#151; que confirmam as conclus&otilde;es da literatura mais comum sobre    esta mat&eacute;ria, a qual salienta a import&acirc;ncia da carreira parlamentar.    Noutros casos, pelo contr&aacute;rio, a legislatura n&atilde;o &eacute; t&atilde;o    importante e pode at&eacute; ser negligenciada numa carreira pol&iacute;tica    de sucesso &#151; na Alemanha, na &Aacute;ustria, na V Rep&uacute;blica francesa    e no Luxemburgo. Particularidades nacionais ou divis&otilde;es territoriais    menos comuns do poder (federalismo, em vez do Estado unit&aacute;rio europeu    t&iacute;pico) podem permitir, respectivamente, carreiras marcadas pela deten&ccedil;&atilde;o    de cargos municipais (sobretudo em Fran&ccedil;a) ou nos governos regionais    (particularmente na Alemanha).      <p>A compara&ccedil;&atilde;o entre a IV e a V  rep&uacute;blicas francesas permite extrair algumas conclus&otilde;es particularmente interessantes para este estudo, uma  vez que mostra como uma mudan&ccedil;a institucional de regime (parlamentar  para semi-presidencial) foi acompanhada de mudan&ccedil;as dr&aacute;sticas nas carreiras  dos l&iacute;deres de governo.     <p>A presen&ccedil;a pr&eacute;via no parlamento e no executivo constitui a caracter&iacute;stica    mais comum da carreira pol&iacute;tica dos primeiros-ministros europeus. A lideran&ccedil;a    de um partido, vista, por norma, como maiorit&aacute;ria entre os l&iacute;deres    de governo, divide ao meio (50%) os casos analisados, apesar das diferen&ccedil;as    significativas entre pa&iacute;ses e de ser uma realidade cada vez mais frequente    (gr&aacute;fico n.&#186; 1). Este &uacute;ltimo facto vai ao encontro dos argumentos    de quem defende a exist&ecirc;ncia de uma &quot;presidencializa&ccedil;&atilde;o&quot;    pr&aacute;tica dos sistemas parlamentares europeus (Poguntke e Webb, 2005).    Em 2006, o franc&ecirc;s Villepin era o &uacute;nico que fugia a esta norma.      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Primeiros-ministros l&iacute;deres de um partido</B>      <p align="center">(<I>em percentagem</I>)      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                <blockquote>                  <blockquote>                   <p>[Gr&aacute;fico n.&#186; 1] </p>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a02f2.gif" width="650" height="400">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                  <blockquote>                   <p><b>Fonte:</b> V. <a href="/img/revistas/aso/n191/n191a02t1.gif" target="_blank">quadro                  n.&#186; 1</a>. </p>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s vari&aacute;veis &quot;forma&ccedil;&atilde;o    acad&eacute;mica&quot; e &quot;profiss&atilde;o&quot;, destacam-se os primeiros-ministros    que estudaram Direito e os advogados. As outras &aacute;reas est&atilde;o muito    menos representadas e surgem em menor n&uacute;mero do que entre as elites parlamentares    e ministeriais. Este facto, conjugado com a d&eacute;bil presen&ccedil;a num&eacute;rica    das mulheres e de personalidades sem estudos superiores entre os primeiros-ministros,    indicia uma fraca heterogeneidade dos l&iacute;deres de governo, confirmando    a &quot;lei da desproporcionalidade crescente&quot; (Putnam, 1976, pp. 57-59).    Ou seja, uma desproporcionalidade na representa&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas    da popula&ccedil;&atilde;o entre as elites que cresce &agrave; medida que aumenta    a import&acirc;ncia do cargo pol&iacute;tico ocupado, reflexo da import&acirc;ncia    de certas capacidades necess&aacute;rias para liderar: compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica    (educacional, por exemplo) ou habilidade para persuadir e organizar.      <p>Os dados confirmam ainda o que j&aacute; se sabia sobre as elites de uma  forma geral: tamb&eacute;m os l&iacute;deres de governo tendem a ser recrutados entre as  personalidades com profiss&otilde;es socialmente mais valorizadas, apesar das  varia&ccedil;&otilde;es nacionais, com tend&ecirc;ncia para uma ou outra actividade  profissional. Refor&ccedil;a-se a ideia de Putnam de que a educa&ccedil;&atilde;o e o alto estatuto  social aumentam a participa&ccedil;&atilde;o e conhecimentos pol&iacute;ticos, estimulando o  interesse e ambi&ccedil;&atilde;o e fornecendo capacidades pol&iacute;ticas a quem re&uacute;ne essas  duas qualidades. Assim, nem todos re&uacute;nem as mesmas hip&oacute;teses de chegarem  a primeiro-ministro, parecendo, tamb&eacute;m entre estes, que a principal  distin&ccedil;&atilde;o entre elites e massas n&atilde;o est&aacute; tanto no estatuto socioecon&oacute;mico, mas  sobretudo na educa&ccedil;&atilde;o superior de quase todos os l&iacute;deres europeus.     <p>No caso portugu&ecirc;s, a educa&ccedil;&atilde;o parece ser ainda mais importante para  se ter acesso a uma carreira pol&iacute;tica de sucesso. Esta &eacute;, ali&aacute;s, uma das  poucas diferen&ccedil;as dos l&iacute;deres portugueses face aos outros primeiros-ministros  europeus, as quais tamb&eacute;m s&atilde;o vis&iacute;veis na aus&ecirc;ncia de  primeiros-ministros com passagem pela lideran&ccedil;a de um grupo de interesses. Exceptuando  estas duas caracter&iacute;sticas, os primeiros-ministros portugueses s&atilde;o muito  parecidos com os seus &quot;hom&oacute;logos&quot; da UE.     <p>O trabalho apresentado permite-nos ainda afirmar que existem  diferen&ccedil;as no recrutamento de l&iacute;deres de governo conforme o pa&iacute;s europeu em  an&aacute;lise. Por outro lado, h&aacute; diferentes formas de organizar a democracia que  afectam, claramente, essas &quot;escolhas&quot;. Os dados indicam, mais uma vez, que  as institui&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m um papel determinante e que estas ajudam a explicar  a pol&iacute;tica, sobretudo em termos do regime e&#160;da distribui&ccedil;&atilde;o interna de  poder pelos &oacute;rg&atilde;os de soberania (parlamento e chefe de Estado). &#160;&#160;     <p>Pelo contr&aacute;rio, os partidos, donde s&atilde;o origin&aacute;rios praticamente todos  os primeiros-ministros, n&atilde;o alteram significativamente esses perfis e  carreiras, com poucas diferen&ccedil;as, que apenas surgem quando comparamos a  origem partid&aacute;ria interna ou externa e as respectivas fam&iacute;lias pol&iacute;ticas. Os l&iacute;deres  da esquerda e da direita s&atilde;o muito semelhantes.     <p>Representantes m&aacute;ximos das elites nacionais, fica a d&uacute;vida se    os efeitos aqui detectados das institui&ccedil;&otilde;es e partidos sobre a    carreira dos primeiros-ministros tamb&eacute;m se sentem, como seria plaus&iacute;vel,    no recrutamento de outras elites pol&iacute;ticas, nomeadamente sobre os restantes    membros dos governos.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;     <p>&nbsp;      <p align="center"><B>Bibliografia</B>      <p>Almeida, A., e Cho, S.-J. (2003), &quot;Presidential power and cabinet membership    under semi-presidentialism&quot;. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no <I>Annual    Meeting of the Midwest Political Science Association,</I> Chicago, Illinois,    dispon&iacute;vel em <a href="http://www.iuperj.br/destaques/destaqant/almeidacho521tables.pdf" target="_blank">http://www.iuperj.br/destaques/destaqant/almeidacho521tables.pdf</a>.      <!-- ref --><p>Almeida, P. T. de, Pinto, A. C., e  Bermeo, N. (2006), <I>Quem Governa a Europa do  Sul?&#160;O Recrutamento Ministerial, 1850-2000,  </I>Lisboa,&#160;Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000277&pid=S0003-2573200900020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Bahry, D. L. (2002), &quot;Crossing borders: the practice of comparative  research&quot;.<I> In</I> J. B. Manheim <I>et al., Empirical Political Analysis:&#160;Research Methods in Political  Science, </I>Nova Iorque, Longman<I>, </I>pp. 197-211.     <p>Best, H., e Cotta, M. (2000),  <I>Parliamentary Representatives in Europe 1849-2000:&#160;Legislative  Recruitment and Careers in Eleven European  Countries,</I> Oxford,&#160;Oxford University Press.     <p>Beyme, K. V. (1986), <I>Los Partidos Politicos en las Democracias  Occidentales,</I> Madrid, Centro de Investigaciones Sociologicas.     <p>Cotta, M., e Almeida, P. T. de (2007), &quot;From servants of the state to  elected representatives: public sector background among members of parliament&quot;.  <I>In</I> M. Cotta e H. Best (eds.), <I>Democratic Representation in  Europe,</I> Oxford, Oxford University Press, pp. 51-76.     <p>Daalder, H. (2001), &quot;The rise of parties in western democracies&quot;.  <I>In </I>L<I>. </I>Diamond e R. Gunther (eds.),  <I>Political Parties and Democracy, </I>Baltimore, The Johns  Hopkins University Press, pp. 40-51.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Davis, J. W. (1998), <I>Leadership Selection in Six Western  Democracies,</I> Londres,&#160;Fitzroy Dearborn.     <p>Duverger, M. (1970), <I>Os Partidos  Pol&iacute;ticos,</I> Rio de Janeiro,&#160;Zahar.      <p>Elgie, R. (1997), &quot;Models of executive politics: a framework for the study of executive  power relations&quot;<I>. Political Studies,</I> 45 (2), pp. 217-231.      <p>Elgie, R. (1999), <I>Semi-Presidentialism in  Europe,</I> Oxford, Oxford University Press.      <p>Fish, M. S., e Kroenig, M. (no  prelo),<I> The Power of National Legislatures: A Global  Survey</I>.     <p>Gallagher, M., Laver, M., e  Mair, P. (2006), <I>Representative Government in  Modern Europe,</I> 4.&#170; ed.,&#160;Boston, McGraw-Hill.     <p>Gibson, R., e Harmel, R. (1998), &quot;Party families and democratic  performance: extraparliamentary <I>vs</I>. parliamentary group power&quot;.  <I>In</I> R. Hofferbert (ed.),  <I>Parties and Democracy: Party Structure and Party Performance in Old and New  Democracies, </I>Oxford, Blackwel, pp. 211-228.     <p>Heidar, K. (2006), &quot;Party membership and participation&quot;.  <I>In</I> R. S. Katz e W. Crotty        (eds.) <I>Handbook of Party  Politics,</I> Londres, Sage Publications, pp. 301-315.     <p>Heywood, A. (2003), <I>Political  Ideologies:&#160;an Introduction,</I> 3.&#170; ed.,  Londres,&#160;Palgrave MacMillan.     <p>Hibbing, J. R. (2002), &quot;Legislative careers: why and how we should study them&quot;.  <I>In</I> G. Loewenberg, P. Squire e D. R. Kiewiet  (eds.),&#160;<I>Legislatures:&#160;Comparative Perspectives  on Representative Assemblies, </I>Michigan,&#160;University of Michigan Press, pp. 25-45.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hira, A. (2007), &quot;Should economists rule the world? Trends and implications of  leadership patterns in the developing world, 1960-2005&quot;.  <I>International Political Science Review,</I> 28 (3), pp. 325-360.      <p>Hix, S., e Lord, C. (1997), <I>Political Parties in the European  Union,&#160;</I>Londres,&#160;MacMillan.&#160;     <p>Jones, G. W. (1991a), &quot;The study of prime ministers: a framework for analysis&quot;.  <I>West European Politics,</I> 14 (2), pp. 1-8.           <p>Jones, G. W. (1991b), &quot;West European prime ministers in perspective&quot;.  <I>West European Politics,</I> 14 (2), pp. 163-178.     <p>King, A. (1994), &quot;Chief executives in western Europe&quot;.  <I>In</I> I. Budge e D. McKay (eds.), <I>Developing  Democracy,</I> Londres, Sage Publications, pp. 150-163.     <p>Krouwel, A. (2006), &quot;Party models&quot;.  <I>In</I> R. S. Katz e W. Crotty (eds.), <I>Handbook of  Party Politics, </I>Londres, Sage Publications, pp. 249-269.     <p>Lane, J.-E., e Ersson, S. O. (1999),  <I>Politics and Society in Western  Europe,&#160;</I>4.&#170; ed., Londres,&#160;Sage Publications.     <p>Lijphart, A. (1971), &quot;Comparative politics and the comparative method&quot;.  <I>The American Political Science Review, </I>65 (3), pp. 682-693.     <p>Lijphart, A. (1999), <I>Patterns of Democracy:&#160;Government Forms and Performance in  Thirty-Six Countries, </I>New Haven,&#160;Yale University Press.     <p>Lobo, M. C. (2005), <I>Governar em Democracia,  </I>Lisboa, Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>March, J. G., e Olsen, J. P.  (2005),&quot;Elaborating the `new institutionalism'&quot;.  <I>Working paper </I>n.&#186; 11, Oslo, Centre for European Studies, University of Oslo.      <p>M&uuml;ller, W. C., Philipp, W., e  Gerlich, P. (1993)<I>, </I>&quot;Prime ministers and cabinet  decision-making processes&quot;. <I>In</I> J. Blondel e F. Muller-Rommel (eds.),  <I>Governing Together: The Extent and Limits of Joint Decision-Making in Western European  Cabinets,</I> Londres,&#160;St. Martin's Press, pp. 223-256.     <p>Neto, O. A., e Samuels, D. (2003), &quot;Cabinet partisanship and regime type    in contemporary democracies&quot;. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no    encontro anual da American Political Science Association, dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.allacademic.com/meta/p64646_index.html" target="_blank">http://www.allacademic.com/meta/p64646_index.html</a>.      <p>Neto, O. A., e Strom, K. (2004), &quot;Breaking the parliamentary chain of    delegation: presidents and non-partisan cabinet members in European democracies&quot;.    Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no encontro anual da American Political    Science Association, dispon&iacute;vel em <a href="http://sitemaker.umich.edu/comparative.speaker.series/files/amorim_neto___strom_-_formatted_bjps_article_-_may_2005_-_04.doc" target="_blank">http://sitemaker.umich.edu/comparative.speaker.series/files/amorim_neto___strom_-_formatted_bjps_article_-_may_2005_-_04.doc</a>    (tamb&eacute;m retomada em 2006 no <I>British Journal of Political Science,</I>    36 (4), pp. 619-643).      <p>Norris, P. (1997), <I>Passages to Power: Legislative Recruitment in Advanced  Democracies, </I>Cambridge, Cambridge University Press.     <p>Norris, P. (1999), &quot;Institutional explanations of political support: global support  for democratic government&quot;. In <I>Critical Citizens: Global Support for  Democratic Governance,</I> Oxford, Oxford University Press, pp. 217-235.     <p>Norris, P. (2006), &quot;Recruitment&quot;.   <I>In</I> R. S. Katz e W. Crotty (eds.), <I>Handbook of  Party Politics,</I> Londres, Sage Publications, pp. 90-108.     <p>O'Malley, E. (2007), &quot;The power of prime ministers: results of an expert  survey&quot;. <I>International Political Science Review,  </I>28 (1), pp. 7-27.     <p>Pasquino, G. (2002), <I>Curso de Ci&ecirc;ncia  Pol&iacute;tica,</I> Cascais, Principia.      <p>Pasquino, G. (2005a), <I>Capi di  governo,</I> Bolonha, Il Mulino.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pasquino, G. (2005b), <I>Sistemas Pol&iacute;ticos  Comparados,</I> S&atilde;o Jo&atilde;o do Estoril, Principia.     <p>Pelinka, A. (2004), &quot;European christian democracy in comparison&quot;.  <I>In </I>M.Gehler e K. Wolfram (eds.),  <I>Christian Democracy in Europe since 1945, </I>Londres,&#160;Routledge, pp.  193-206.     <p>Poguntke, T. (2002), &quot;Parties without firm social roots? Party organizational    linkage&quot;. <I>Working paper</I> n.&#186; 13, Keele European Parties Research    Unit, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.keele.ac.uk/depts/spire/research/KEPRU/Working_Papers/KEPRUPaper13.pdf" target="_blank">http://www.keele.ac.uk/depts/spire/research/KEPRU/Working_Papers/KEPRUPaper13.pdf</a>.      <p>Poguntke, T., e Webb, P. (2005),  <I>The Presidentialization of Politics:&#160;a Comparative  Study of Modern Democracies, </I>Oxford,&#160;Oxford University Press.      <p>Putnam, R. D. (1976), <I>The Comparative Study of Political Elites,  </I>Englewood Cliffs, Prentice-Hall.     <p>Rose, R. (1991), &quot;Prime ministers in parliamentary democracies&quot;.  <I>West European Politics,</I> 14 (2), pp. 9-24.&#160;          <p>Rose, R., e Suleiman, E. N. (1980),  <I>Presidents and Prime Ministers,</I> Washington,  American Enterprise Institute for Public Policy Research.     <p>Rothstein, B. (1996), &quot;Political institutions: an overview&quot;. In  <I>A New Handbook of Political Science,</I> Oxford, Oxford University Press, pp. 133-166.      <p>Siaroff, A. (2000), <I>Comparative European Party Systems:&#160;An Analysis of  Parliamentary Elections since 1945,</I> Nova Iorque, Garland.     <p>Siaroff, A. (2003a), &quot;Comparative presidencies: the inadequacy of the presidential,  semi-presidential and parliamentary  distinction&quot;<I>. European Journal of Political  Research,</I> 42, pp. 287-312.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Siaroff, A. (2003b), &quot;Varieties of parliamentarianism in the advanced industrial  democracies&quot;. <I>International Political Science Review,  </I>24 (4), pp. 445_464.     <p>Ware, A. (1996), <I>Political Parties and Party  Systems,</I> Oxford,&#160;Oxford University Press.      <p>Winter, L. de, e Dumont, P. (2006), &quot;Parties into government: still many  puzzles&quot;.<I> In </I>R. S. Katz e W. Crotty (eds.),  <I>Handbook of Party Politics,</I> Londres, Sage Publications,   pp. 175-188.     <p>Woldendorp, J., Keman, H., e  Budge, I. (2000), <I>Party Government in 48  Democracies (1945-1998):&#160;Composition, Duration,  Personnel,</I> Dordrecht,&#160;Kluwer Academic.     <p>Wolinetz, S. B. (2002), &quot;Beyond the catch-all party: approaches to the    study of parties and party organization in contemporary democracies&quot;. <I>In    </I>R. Gunther, J. Montero e J. Linz (eds.), <I>Political Parties: Old Concepts    and New Challenges, </I>Oxford, Oxford University Press, pp. 137-141.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p><b>Notas</b>      <p><SUP><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></SUP> Pelo contr&aacute;rio, o estudo    de um ou poucos casos tem limites culturais e dificulta generaliza&ccedil;&otilde;es,    mas tem a vantagem de permitir an&aacute;lises aprofundadas de uma determinada    realidade.      <p><SUP><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></SUP> Para responder &agrave; quest&atilde;o    elabor&aacute;mos uma base de dados com os perfis sociais e pol&iacute;ticos    dos primeiros-ministros que entre 1946 e 2006 tomaram posse nos 15 pa&iacute;ses    que at&eacute; 2004 compunham a Uni&atilde;o Europeia. Trata-se de um conjunto    de 251 personalidades, mas que, por restri&ccedil;&otilde;es de dados, numa    significativa parte da an&aacute;lise, n&atilde;o ultrapassam os 118 indiv&iacute;duos    distribu&iacute;dos por 10 pa&iacute;ses.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><SUP><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></SUP> O valor foi obtido atrav&eacute;s    da simples subtrac&ccedil;&atilde;o do ano em que os primeiros-ministros abandonaram    o cargo &agrave;quele em que tomaram posse.      <p><SUP><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></SUP> Sobre a carreira parlamentar    dos primeiros-ministros ingleses, v. Rose e Suleiman (1980, pp. 4-7).      <p><SUP><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></SUP> Cavaco Silva, que, em termos    pol&iacute;ticos, era apenas l&iacute;der partid&aacute;rio, e Santana Lopes,    presidente da C&acirc;mara de Lisboa, s&atilde;o os outros casos.      <p><SUP><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></SUP> A distin&ccedil;&atilde;o    entre formados ou n&atilde;o em Direito tem sido usada noutros estudos sobre    elites para distinguir pol&iacute;ticos <I>insiders </I>(com forma&ccedil;&atilde;o    generalista, tradicionalmente associados aos juristas) e <I>outsiders </I>ou    tecnocratas(ligados aos que realizaram estudos noutras &aacute;reas) (Almeida    <I>et al.,</I> 2006, pp. 240-243; Hira, 2007).      <p><SUP><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></SUP> Apesar das dificuldades na    classifica&ccedil;&atilde;o dos partidos das jovens democracias europeias.      <p>&nbsp;     <p><a name="8"></a><a href="#top8">*</a> ICS, Universidade de Lisboa, Av. Professor    An&iacute;bal de Bettencourt, 9, 1600-189 Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:nmlguedes@gmail.com">nmlguedes@gmail.com</a>.      <p><a name="9"></a><a href="#top9">**</a> Este artigo retoma a tese de mestrado    em Pol&iacute;tica Comparada apresentada no Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais    da Universidade de Lisboa e orientada pela professora Marina Costa Lobo, a quem    gostaria de agradecer todo o apoio e conselhos imprescind&iacute;veis para a    concretiza&ccedil;&atilde;o deste trabalho.      <p>&nbsp;       ]]></body><back>
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<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. T. de]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Bermeo]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Quem Governa a Europa do Sul? O Recrutamento Ministerial, 1850-2000]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa de Ciências Sociais]]></publisher-name>
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