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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Judicialização da política no Brasil: controlo de constitucionalidade e racionalidade política]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The judicialization of politics in Brazil: monitoring constitutionality and political rationality]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Pernambuco Centro de Filosofia e Ciências Humanas ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Brazilian Constitution of 1988 revealed that institutional procedures for judicial review were organized in a way which was highly conducive to the judicialization of politics. This article will show that the increase in the number of bodies which could legitimately apply for judicial review, and the independent power of the judiciary, are key variables in understanding the phenomenon of the judicialization of politics in Brazil. The data also show, however, that there was no ongoing increase in the extent to which the Federal Supreme Court intervened in the world of politics as such, at least as far as the abstract revision of legislation in the federal context is concerned.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica no Brasil: controlo de constitucionalidade    e racionalidade pol&iacute;tica </b>     <p><b>Ernani Carvalho<a href="#16">*</a> <a name="top16"></a></b>      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;      <p>No Brasil a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 revelou um desenho institucional da revis&atilde;o  judicial altamente prop&iacute;cio &agrave; judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. Veremos que o aumento das  entidades com legitimidade para proporem uma revis&atilde;o judicial e a autonomia do poder  judicial s&atilde;o vari&aacute;veis determinantes para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno da judicializa&ccedil;&atilde;o  da pol&iacute;tica no Brasil. Os dados demonstram, no entanto, que n&atilde;o existe uma  participa&ccedil;&atilde;o crescente do Supremo Tribunal Federal no mundo pol&iacute;tico propriamente dito,  pelo menos no que tange &agrave; revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o no contexto federal.     <p><B>Palavras-chave:</B> judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica; revis&atilde;o    judicial; poder judici&aacute;rio; controlo; Constitui&ccedil;&atilde;o.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <P><B>The judicialization of politics in Brazil: monitoring                      constitutionality and political rationality</B>     <p>The Brazilian Constitution of 1988 revealed that institutional procedures for  judicial review were organized in a way which was highly conducive to the  judicialization of politics. This article will show that the increase in the number of bodies  which could legitimately apply for judicial review, and the independent power of  the judiciary, are key variables in understanding the phenomenon of the  judicialization of politics in Brazil. The data also show, however, that there was no  ongoing increase in the extent to which the Federal Supreme Court intervened in the  world of politics as such, at least as far as the abstract revision of legislation in the  federal context is concerned.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Keywords:</B> judicialization of politics; judicial review; power of the    judiciary; monitoring; Constitution.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>      <p>A judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica &eacute; um tema que vem sendo estudado em  todo o mundo. As democracias ocidentais t&ecirc;m observado que os tribunais  s&atilde;o cada vez mais parte importante do processo pol&iacute;tico. Na Europa,  o fen&oacute;meno da judicializa&ccedil;&atilde;o ganhou for&ccedil;a com a democratiza&ccedil;&atilde;o do  continente, o mesmo se verificando na Am&eacute;rica do Sul.                <p>O termo &quot;judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica&quot; entrou    no vocabul&aacute;rio da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica contempor&acirc;nea pelo    esfor&ccedil;o anal&iacute;tico apresentado de forma colectiva em <I>The Global    Expansion of Judicial Power,</I> coordenado por T. Vallinder e C. N. Tate (1995)<SUP><a href="#1">1</a></SUP><a name="top1"></a>.    Nos estudos desta colect&acirc;nea existem v&aacute;rias tentativas para definir    a judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. De uma forma geral, podemos    afirmar que o termo procura abarcar causas e consequ&ecirc;ncias da expans&atilde;o    do poder judici&aacute;rio no processo decis&oacute;rio das democracias contempor&acirc;neas.      <p>Na nossa an&aacute;lise, a judicializa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; entendida como um fen&oacute;meno  que potencia a participa&ccedil;&atilde;o dos membros do poder judici&aacute;rio no  <I>policy-making</I>. Distinguimos ent&atilde;o o car&aacute;cter potenciador, que &eacute; caracterizado pelos  aspectos formais ou procedimentais, do seu car&aacute;cter substantivo, que &eacute; a  inten&ccedil;&atilde;o dos operadores da lei em participarem no  <I>policy-making</I>. Na nossa leitura, a dimens&atilde;o substantiva ocupa-se de outro fen&oacute;meno, o activismo judicial.     <p>A literatura neoinstitucional da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica que aborda o tema  da judicializa&ccedil;&atilde;o tomou a revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o como foco do  debate emp&iacute;rico e aponta o desenho institucional como elemento potenciador  da judicializa&ccedil;&atilde;o. A proposta deste artigo &eacute; seguir a traject&oacute;ria da literatura  internacional e centrar a an&aacute;lise no desenho institucional de parte significativa  do controlo de constitucionalidade no Brasil (controlo abstracto). Para tanto,  o artigo vai tomar como ponto central a an&aacute;lise emp&iacute;rica das ac&ccedil;&otilde;es directas  de inconstitucionalidade (ADINs) e duas abordagens explicativas do fen&oacute;meno  da judicializa&ccedil;&atilde;o: a <I>policy-seeking  approach</I> e a <I>unconstrained courts approach. </I>     <p>Atrav&eacute;s de um estudo de caso, pretendemos demonstrar que os actores    que intentem uma ac&ccedil;&atilde;o directa de inconstitucionalidade est&atilde;o,    em grande medida, racionalmente orientados pelos seus interesses, o que vai    ao encontro da vis&atilde;o mais &quot;optimista&quot; da literatura brasileira    sobre este assunto, que considera que as ac&ccedil;&otilde;es destes actores    se pautam por uma &eacute;tica republicana. Neste artigo procuramos argumentar    que o Supremo Tribunal Federal n&atilde;o tem protagonizado um processo de interfer&ecirc;ncia    sem precedentes na hist&oacute;ria brasileira, como sustenta parte da literatura    especializada no Brasil. Pelo contr&aacute;rio, actua de forma id&ecirc;ntica    &agrave; dos seus cong&eacute;neres no continente sul-americano, procurando    evitar, sobretudo, os conflitos com um executivo extremamente poderoso. Entretanto,    no caso brasileiro, &eacute; poss&iacute;vel perceber uma pr&oacute;-actividade    bastante selectiva e pontual do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que &agrave;    margem das quest&otilde;es pol&iacute;ticas centrais.      <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Abordagens Te&oacute;ricas </b>     <p>O desenho institucional do controlo de constitucionalidade no Brasil, definido    na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, proporcionou uma situa&ccedil;&atilde;o    in&eacute;dita na hist&oacute;ria republicana do pa&iacute;s ao garantir um    grau de autonomia nunca antes visto. No que tange ao campo pol&iacute;tico,    o controlo abstracto de constitucionalidade ganhou uma relev&acirc;ncia especial,    pois ampliou sobremaneira a capacidade de apresentar ac&ccedil;&otilde;es directas    de inconstitucionalidade (artigo 103, CF). Este facto aproximou o Brasil do    cen&aacute;rio europeu no que diz respeito &agrave; predomin&acirc;ncia do controlo    de constitucionalidade abstracta no velho mundo. Deste modo, as abordagens explicativas    utilizadas na Europa para o estudo deste fen&oacute;meno passam a ser aplic&aacute;veis    ao cen&aacute;rio brasileiro.      <p>As diferen&ccedil;as existentes entre os pa&iacute;ses europeus que adoptaram a  revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o impediram a constru&ccedil;&atilde;o de um marco  te&oacute;rico-anal&iacute;tico encarregado de explicar a adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional.  As consequ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas desta revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o tornaram-na parte  significativa do processo de judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica na Europa do  p&oacute;s-guerra. Uma boa parcela da literatura europeia que trata do tema da judicializa&ccedil;&atilde;o  da pol&iacute;tica toma como base o modelo arquitectado por Kelsen (Stone,  1995; Sweet, 2000; Magalh&atilde;es, 2003), destacando-se dois tipos de abordagens.      <p>A primeira abordagem &eacute; aquela a que a literatura se refere como <I>policy-seeking    approach,</I> ou seja, a expans&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional    sobre o <I>policy-making</I> governamental (ou as pol&iacute;ticas da maioria),    como resultado da habilidade e disposi&ccedil;&atilde;o dos actores pol&iacute;ticos    que perderam no processo legislativo em provocarem decis&otilde;es judiciais    sobre a constitucionalidade das pol&iacute;ticas aprovadas pela maioria parlamentar.    Trazer a Corte Constitucional para dentro do processo legislativo &eacute; muitas    vezes um comportamento irresist&iacute;vel para a oposi&ccedil;&atilde;o. A    litig&acirc;ncia &eacute; geralmente de baixo custo e n&atilde;o se traduz em    puni&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, seja porque a decis&atilde;o judicial    &eacute; pertinente ao direito p&uacute;blico, seja porque a oposi&ccedil;&atilde;o    possui um interesse forte em mostrar ao eleitorado a sua alegada falta de compromisso    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas em quest&atilde;o<a href="#2"><SUP>2</SUP></a><a name="top2"></a><SUP></SUP>.      <p>A <I>policy-seeking approach</I> baseia-se em duas premissas: primeiro, o litigante,    quando acciona a justi&ccedil;a constitucional, f&aacute;-lo contra uma legisla&ccedil;&atilde;o    que vai contra a sua prefer&ecirc;ncia; segundo, n&atilde;o existe custo sobre    qualquer mat&eacute;ria associada com a revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o    ou, pelo menos, os benef&iacute;cios potenciais da litig&acirc;ncia<B> </B>pesam    mais do que os custos potenciais.     <p>Uma segunda e forte explica&ccedil;&atilde;o para a judicializa&ccedil;&atilde;o    vem das regras institucionais e do seu formato. Sendo os tribunais constitucionais    completamente independentes dos interesses das maiorias parlamentares e dos    executivos, podem decidir sem constrangimento. &Eacute; aquilo a que podemos    chamar <I>unconstrained courts approach</I> da decis&atilde;o judicial. Para    essa abordagem, os ju&iacute;zes funcionam como agentes livres nas suas rela&ccedil;&otilde;es    com os partidos pol&iacute;ticos e com as maiorias legislativas. Al&eacute;m    disso, os ju&iacute;zes possuem uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o com a expans&atilde;o    da relev&acirc;ncia das leis constitucionais e da sua revis&atilde;o. Os tribunais    constitucionais n&atilde;o possuem constrangimentos porque os actores pol&iacute;ticos    que foram afectados pela sua decis&atilde;o n&atilde;o possuem meios h&aacute;beis,    coerentes e sustent&aacute;veis para reverter a sua decis&atilde;o, portanto,    esses actores n&atilde;o podem constranger o poder judicial nem ao menos punir    o juiz ou a corte.      <p>Nesse sentido, existe uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica entre o Parlamento e  a corte. Este &uacute;ltimo pode revogar uma lei do primeiro atrav&eacute;s do voto de  uma maioria simples ou qualificada. J&aacute; o primeiro s&oacute; pode derrubar um veto  da corte atrav&eacute;s de uma emenda constitucional ou atrav&eacute;s de  procedimentos que exigem maioria qualificada no Parlamento.     <p>Apesar de todos estes entraves, parte da literatura alerta para a for&ccedil;a    dos constrangimentos internos (justificar a sua decis&atilde;o por escrito,    a press&atilde;o dos pares, a tradi&ccedil;&atilde;o do tribunal, etc.) e dos    externos (impacto da sua decis&atilde;o perante outras autoridades, <I>media,</I>    opini&atilde;o p&uacute;blica, etc.), que, dependendo das circunst&acirc;ncias,    podem tornar-se determinantes (Epstein e Knight, 1998).      <p>&nbsp;     <P><b>Dados e Metodologia da Pesquisa </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A base de dados utilizada por Matthew Taylor (2004) serviu de ponto de partida    para este artigo. As informa&ccedil;&otilde;es da&iacute; retiradas foram adaptadas    e ampliadas para os fins deste estudo. Os dados complementares foram obtidos    atrav&eacute;s da p&aacute;gina do Supremo Tribunal Federal (<a href="http://www.stf.gov.br" target="_blank">www.stf.gov.br</a>).    A nossa estrat&eacute;gia &eacute; metodologicamente semelhante &agrave; utilizada    por Vianna <I>et al.</I> (1999), mas existem algumas diferen&ccedil;as no processamento    dos dados. Trataremos apenas das ADINs que possuem a legisla&ccedil;&atilde;o    federal como objecto jur&iacute;dico, portanto daquelas que envolvem a legisla&ccedil;&atilde;o    estadual, n&atilde;o considerando no universo pesquisado as outras esferas da    federa&ccedil;&atilde;o.      <p>De resto, o que temos &eacute; semelhante ao estudo desenvolvido por  Vianna <I>et al. </I>(1999), ou seja, trabalharemos com as categorias de &quot;decis&atilde;o  liminar&quot; e de &quot;decis&atilde;o do  m&eacute;rito&quot; como forma de aferir o desempenho dos  requerentes e actores junto do Supremo Tribunal Federal. A ideia central &eacute;  compreender melhor o processo de judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica, tomando  como pano de fundo as consequ&ecirc;ncias da revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o. Os  dados da pesquisa foram obtidos a partir de 1073 casos e referem-se ao  per&iacute;odo de 1988-2002. As categorias criadas para an&aacute;lise s&atilde;o as seguintes:     <blockquote>       <p><I>a</I>) Requerente I (todos); </p>       <p><I>b</I>) Requerente II (actores pol&iacute;ticos, jur&iacute;dicos e sociais);    </p>       <p><I>c</I>) Requerido; </p>       <p><I>d</I>) Tipo de lei; </p>       <p><I>e</I>) T&oacute;pico da lei; </p>       <p><I>f</I>) Decis&atilde;o liminar; </p>       <p><I>g</I>) Decis&atilde;o de m&eacute;rito. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> </blockquote>     <P><b>Aspectos gerais da revis&atilde;o abstracta no Brasil </b>     <p>O quadro n.&#186; 1 demonstra o perfil de quem procura o tribunal, ou seja,    de quem judicializa a disputa. Numa primeira an&aacute;lise &eacute; poss&iacute;vel    afirmar que as teorias europeias se confirmam. Como vimos, a revis&atilde;o    abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a a rela&ccedil;&atilde;o    entre a oposi&ccedil;&atilde;o e o tribunal na adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional<a href="#3"><SUP>3</SUP></a><a name="top3"></a><SUP></SUP>.    Os partidos pol&iacute;ticos s&atilde;o os que movem mais ac&ccedil;&otilde;es    (34,3%), sendo logo seguidos pelas confedera&ccedil;&otilde;es sindicais ou    pelas entidades de classe (32,6%).      <p>&nbsp;     <p align="center"><b>Requerente (todos) </b>     <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[<a href="#top23">Quadro n.&#186; 1</a>] <a name="23"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t1.gif" width="764" height="279">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p><b>Fonte</b>:</B> Banco Nacional de Dados do Poder Judici&aacute;rio              (BNDPJ), Supremo Tribunal Federal (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>Na verdade, se adicionarmos &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es das entidades de    classe da burocracia jur&iacute;dica (4,3%) as ac&ccedil;&otilde;es das confedera&ccedil;&otilde;es    sindicais ou das entidades de classe (32,6%), estas &uacute;ltimas passam a    ser as entidades que mais processos instauram junto do tribunal constitucional    brasileiro (36,9%). A participa&ccedil;&atilde;o activa das confedera&ccedil;&otilde;es    sindicais ou das entidades de classe &eacute;, sem d&uacute;vida, a grande novidade    no cen&aacute;rio te&oacute;rico, pois, em termos gerais, a participa&ccedil;&atilde;o    destes actores &eacute; vedada na maioria dos pa&iacute;ses europeus (Magalh&atilde;es,    2003; Sweet, 2000). Elas, em tese, aumentam a capacidade de interven&ccedil;&atilde;o    do tribunal no cen&aacute;rio pol&iacute;tico. A Procuradoria da Rep&uacute;blica    tamb&eacute;m possui algum destaque, apresentando 15,2% das ocorr&ecirc;ncias.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cri&aacute;mos tamb&eacute;m uma vari&aacute;vel categ&oacute;rica mais ampla    para os requerentes e distribu&iacute;mo-la em tr&ecirc;s categorias: actores    pol&iacute;ticos, jur&iacute;dicos e sociais. Como sabemos, no Brasil o n&uacute;mero    de entidades com legitimidade para este efeito &eacute; comparativamente superior    ao dos pa&iacute;ses europeus, o que de certa forma possibilita essa reclassifica&ccedil;&atilde;o    e uma reflex&atilde;o maior sobre a ac&ccedil;&atilde;o em conjunto destes actores.    Ao alargar essas entidades para<B> </B>categorias maiores, &eacute; poss&iacute;vel    observar, como mostra o quadro n.&#186; 2, que os actores pol&iacute;ticos correspondem    a 41,9%, sendo seguidos pelos actores sociais com 32,6% e pelos actores jur&iacute;dicos    com 24,3%.      <p>&nbsp;     <p align="center"><b>Requerente (actores) </b>     <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                 <p>[Quadro n.&#186; 2] </p>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t2.gif" width="711" height="169"></p>     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                 <p><b>Fonte</b>:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Um aspecto importante da nossa pesquisa &eacute; compreender que tipo de  lei vem sendo questionada no Tribunal Constitucional. Para cumprir este  prop&oacute;sito inclu&iacute;mos uma vari&aacute;vel categ&oacute;rica que define o tipo de lei,  obedecendo &agrave;s seguintes especifica&ccedil;&otilde;es:     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p>1) Legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria: foi classificado como legisla&ccedil;&atilde;o      ordin&aacute;ria todo o texto legal produzido pelos poderes executivo e legislativo      que possua fun&ccedil;&atilde;o de ordena&ccedil;&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o      e controlo do quotidiano da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e que      foi alvo de uma ac&ccedil;&atilde;o directa de inconstitucionalidade. Portanto,      decis&atilde;o administrativa, acto declarat&oacute;rio, resolu&ccedil;&atilde;o,      portaria, consolida&ccedil;&atilde;o das leis do trabalho (CLT), decretos,      delibera&ccedil;&otilde;es, conv&eacute;nios, comiss&atilde;o parlamentar      de inqu&eacute;rito (CPI), lei federal, instru&ccedil;&atilde;o normativa,      entre outras; </p>       <p>2) Decis&atilde;o judicial e/ou administrativa: aqui foram classificadas      todas as decis&otilde;es judiciais e actos administrativos do poder judici&aacute;rio      e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e ainda os actos administrativos da      Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); </p>       <p>3) Medidas provis&oacute;rias: todas as medidas provis&oacute;rias, inclusive      as que apareciam em conjunto com as resolu&ccedil;&otilde;es, decis&otilde;es      administrativas e circulares, bem como as que foram convertidas em lei; </p>       <p>4) Lei complementar; </p>       <p>5) Emenda constitucional; </p>       <p>6) Constitui&ccedil;&atilde;o. </p> </blockquote>      <p>Como demonstra o quadro n.&#186; 3, a legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria    corresponde a mais de metade dos casos (50,3%), sendo seguida pelas medidas    provis&oacute;rias (25,9%) e pela decis&atilde;o judicial (13%). Por outras    palavras, 89,2% da legisla&ccedil;&atilde;o impugnada diz respeito a decis&otilde;es    ordin&aacute;rias dos poderes representativos e do judici&aacute;rio, com destaque    para a vigil&acirc;ncia exercida sobre as medidas provis&oacute;rias.      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Tipo de lei</B>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p>[Quadro n.&#186; 3] </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t3.gif" width="759" height="221">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>              <blockquote>               <p><B>Fonte:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>&nbsp;      <p>Para obtermos o peso real dos tipos de lei que foram judicializados temos de    fazer uma an&aacute;lise proporcional, como se v&ecirc; pelo quadro n.&#186;    4.      <p>&nbsp;      <p align="center"><B>Propor&ccedil;&atilde;o da judicializa&ccedil;&atilde;o por    tipo de lei</B>     <blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                  <blockquote>                   <p>[Quadro n.&#186; 4] </p>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t4.gif" width="564" height="161">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                  <blockquote>                   <p><B>Fonte: </B>Taylor (2004). </p>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>De uma forma geral, o quadro n.&#186; 4 refor&ccedil;a a ideia de que o lit&iacute;gio    constitucional brasileiro ocupa um espa&ccedil;o significativo nas leis que    auxiliam o funcionamento da Constitui&ccedil;&atilde;o, como &eacute; caso,    por exemplo, das leis complementares. Al&eacute;m disso, existe uma vigil&acirc;ncia    acentuada sobre as prerrogativas legislativas do poder executivo.      <p>A lei complementar ocupa uma fun&ccedil;&atilde;o importante no cen&aacute;rio    de regula&ccedil;&atilde;o brasileiro, pois cabe-lhe regulamentar parte da Constitui&ccedil;&atilde;o.    Como esta ocorre quase sempre num terreno legal movedi&ccedil;o, e a maioria    necess&aacute;ria para a aprova&ccedil;&atilde;o &eacute; a absoluta, &eacute;    de esperar uma forte contesta&ccedil;&atilde;o por parte dos segmentos afectados<SUP><a href="#4">4</a></SUP><a name="top4"></a>.      <p>A medida provis&oacute;ria, pelo seu car&aacute;cter legislativo especial e pela falta  de um debate parlamentar <I>ex ante, </I>atrai uma vigil&acirc;ncia forte dos mais  diversos sectores. Aqui tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel observar uma preponder&acirc;ncia no acto  de judicializar por parte dos partidos pol&iacute;ticos e das confedera&ccedil;&otilde;es sindicais  e entidades de classe.     <p>Devido &agrave; relev&acirc;ncia da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    enquanto objecto da adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional, resolvemos, para    feitos anal&iacute;ticos, dividi-la em tr&ecirc;s categorias<SUP><a href="#5">5</a></SUP><a name="top5"></a>.    Outra diferen&ccedil;a no tratamento dos dados em rela&ccedil;&atilde;o a Vianna    <I>et al</I>. (1999) &eacute; que as normas relativas &agrave; reforma agr&aacute;ria    est&atilde;o dispostas no t&oacute;pico de pol&iacute;tica social e, por fim,    as normas que tratam do direito de greve foram alocadas no t&oacute;pico de    rela&ccedil;&otilde;es laborais:      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p>1) Administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica civil: re&uacute;ne a legisla&ccedil;&atilde;o      que versa sobre carreiras, remunera&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o      do servi&ccedil;o p&uacute;blico, no &acirc;mbito do poder executivo e do      poder legislativo; </p>       <p>2) Administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica judicial: re&uacute;ne a legisla&ccedil;&atilde;o      que versa sobre carreiras, remunera&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o      do servi&ccedil;o p&uacute;blico, no &acirc;mbito do poder judicial; </p>       <p>3) Administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica militar: re&uacute;ne a legisla&ccedil;&atilde;o      que versa sobre carreiras, remunera&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o      do servi&ccedil;o p&uacute;blico militar; </p>       <p>4) Pol&iacute;tica social: inclui normas que tratam dos sistemas de seguran&ccedil;a      social n&atilde;o afectos ao funcionalismo p&uacute;blico, bem como a legisla&ccedil;&atilde;o      reguladora do acesso a diferentes benef&iacute;cios sociais. Tamb&eacute;m      se incluem nesta categoria as normas relativas &agrave; reforma agr&aacute;ria;    </p>       <p>5) Pol&iacute;tica econ&oacute;mica: re&uacute;ne as normas de regula&ccedil;&atilde;o      da economia afectas &agrave; pol&iacute;tica cambial, monet&aacute;ria, salarial      e de pre&ccedil;os, com excep&ccedil;&atilde;o das de natureza tribut&aacute;ria,      tendo sido inclu&iacute;das nesta categoria as normas sobre o programa de      privatiza&ccedil;&atilde;o; </p>       <p>6) Pol&iacute;tica tribut&aacute;ria: re&uacute;ne as normas que tratam da      defini&ccedil;&atilde;o da base de cobran&ccedil;a e da parte al&iacute;quota      dos tributos, tamb&eacute;m tendo sido classificadas nesta categoria as normas      referentes &agrave; concess&atilde;o de incentivos fiscais e &agrave; regula&ccedil;&atilde;o      das zonas de tributa&ccedil;&atilde;o especial; </p>       <p>7) Competi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica: re&uacute;ne normas relativas      &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es e aos partidos pol&iacute;ticos; </p>       <p>8) Rela&ccedil;&otilde;es laborais: inclui as normas que regulam o mundo      do trabalho, tais como os direitos dos trabalhadores, a organiza&ccedil;&atilde;o      sindical e o direito &agrave; greve; </p>       <p>9) Regula&ccedil;&atilde;o da sociedade civil: inclui as normas que ordenam      as rela&ccedil;&otilde;es entre particulares, como por exemplo a regulamenta&ccedil;&atilde;o      da cobran&ccedil;a de mensalidades escolares, das corpora&ccedil;&otilde;es      profissionais, do meio ambiente e das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas.    </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <p>O quadro n.&#186; 5 demonstra que a administra&ccedil;&atilde;o civil &eacute;    a mais accionada<B> </B>(32,8%), sendo seguida pela administra&ccedil;&atilde;o    judicial (16,8%), pela pol&iacute;tica tribut&aacute;ria (11,1%) e pela competi&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica (9,6%).      <p>&nbsp;     <p align="center"><b>T&oacute;pico da lei </b>     <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p>[Quadro n.&#186; 5]</p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t5.gif" width="758" height="357">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p><b>Fonte</b>:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>      <p>&nbsp;     <p>O quadro n.&#186; 6 apresenta os dados sobre o tipo de lei que cada requerente    acciona com mais frequ&ecirc;ncia. Todos os requerentes demonstram uma preocupa&ccedil;&atilde;o    com a legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria. Em quase todos, esse tipo de    legisla&ccedil;&atilde;o aparece como a mais accionada<B><I>,</I></B> o que    de certa forma se relaciona com o amplo campo jurisdicional desse tipo de legisla&ccedil;&atilde;o.    O procurador-geral da Rep&uacute;blica tamb&eacute;m revela grande aten&ccedil;&atilde;o    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s decis&otilde;es judiciais, incluindo as administrativas.    A OAB, os partidos pol&iacute;ticos e as confedera&ccedil;&otilde;es sindicais    ou entidades de classe (inclusive as da burocracia jur&iacute;dica), t&ecirc;m    realizado uma vigil&acirc;ncia significativa sobre as medidas provis&oacute;rias.      <p>&nbsp;       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top19">Quadro n.&#186; 6</a>] <a name="19"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t6.gif" width="762" height="483">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>              <blockquote>                <p><b>Fonte</b>:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; curioso notar que os actores jur&iacute;dicos (OAB e entidades de    classe da burocracia jur&iacute;dica) e os actores sociais se juntam aos actores    pol&iacute;ticos (partidos pol&iacute;ticos) na vigil&acirc;ncia &agrave;s medidas    provis&oacute;rias. Esse instrumento jur&iacute;dico foi utilizado como uma    grande arma legislativa do executivo. Os crit&eacute;rios de uso das medidas    provis&oacute;rias (MP) estabelecidos pela emenda constitucional n.&#186; 32    de 2001 n&atilde;o interromperam a for&ccedil;a legislativa do executivo. Recentemente,    o presidente do Congresso Nacional fez duras queixas sobre o montante de medidas    provis&oacute;rias que entravam a ac&ccedil;&atilde;o do legislativo<SUP><a href="#6">6</a></SUP><a name="top6"></a>:      <blockquote>       <p>O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), defendeu um &quot;legislativo      mais activo [...]&quot;. O peemedebista ressaltou que o Senado est&aacute;      parado devido ao excesso de MPs (medidas provis&oacute;rias): &quot;&Eacute;      uma situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas tensa, como inaceit&aacute;vel,      estamos, com isso, ferindo nossa Constitui&ccedil;&atilde;o, a representa&ccedil;&atilde;o      popular, a casa do povo&quot; [<I>Folha de S&atilde;o Paulo,</I> 25 de Agosto      de 2008]. </p> </blockquote>     <p>No quadro n.&#186; 7 &eacute; poss&iacute;vel visualizar as &aacute;reas de    interesse dos requerentes. Com este quadro fica claro que, de uma forma geral,    os requerentes procuram impugnar t&oacute;picos relacionados com sua fun&ccedil;&atilde;o    ou interesse. As demandas dos governadores relacionam-se sobretudo com as quest&otilde;es    da burocracia do seu estado (administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica) e,    quando muito, tamb&eacute;m com a pol&iacute;tica tribut&aacute;ria e a competi&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica. O procurador-geral da Rep&uacute;blica dedica grande parte    da sua aten&ccedil;&atilde;o &agrave; administra&ccedil;&atilde;o judicial.    A OAB e as entidades de classe da burocracia jur&iacute;dica est&atilde;o divididas    entre a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica civil e judicial. Os partidos    pol&iacute;ticos dirigem boa parte das suas ac&ccedil;&otilde;es para os temas    relacionados com a administra&ccedil;&atilde;o civil e com a competi&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica. As confedera&ccedil;&otilde;es sindicais e as entidades de    classe n&atilde;o apresentam uma concentra&ccedil;&atilde;o como os demais requerentes,    fruto da sua composi&ccedil;&atilde;o numerosa e diversificada<SUP><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></SUP>.      <p>&nbsp;     <p align="center"><b>T&oacute;pico da lei/requerente (todos) </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top20">Quadro n.&#186; 7</a>] <a name="20"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t7.gif" width="762" height="623">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>              <blockquote>               <p><b>Fonte</b>:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>      <p>&nbsp;     <p>Se compararmos o perfil das ADINs das confedera&ccedil;&otilde;es sindicais    e das entidades de classe, em geral, com o das entidades de classe da burocracia    jur&iacute;dica, podemos verificar que, quanto mais homog&eacute;neo &eacute;    o grupo, maior &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es.    O interesse de cada confedera&ccedil;&atilde;o ou entidade &eacute; que dita    a estrat&eacute;gia de actua&ccedil;&atilde;o na adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional.    No entanto, &eacute; preciso esclarecer que nem todos os entes com legitimidade    activa podem propor qualquer ADIN e que se exige, para alguns, o requisito de<B>    </B>pertin&ecirc;ncia tem&aacute;tica, ou seja, deve existir rela&ccedil;&atilde;o    entre a norma impugnada e as actividades institucionais do requerente (v. quadro    n.&#186; 8). Isto enfraquece um pouco o argumento de que os requerentes buscam    intentar ac&ccedil;&otilde;es relacionadas com t&oacute;picos afins &agrave;s    suas fun&ccedil;&otilde;es ou interesses.      <p>&nbsp;      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                <blockquote>                 <p>[Quadro n.&#186; 8] </p>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t8.gif" width="632" height="354">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                 ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Fonte:</B> Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa                do Brasil. </p>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>      <P>&nbsp;     <P>&nbsp;     <P><b>O Julgamento das ADINs </b>     <p>O julgamento das ac&ccedil;&otilde;es directas de inconstitucionalidade  processa-se, basicamente, atrav&eacute;s de dois tipos de decis&atilde;o. A primeira &eacute; a decis&atilde;o  liminar. O pedido de liminar no direito processual brasileiro justifica-se pela  chamada &quot;fuma&ccedil;a do bom direito&quot;. O juiz, no intuito de resguardar o requerente  de uma poss&iacute;vel viola&ccedil;&atilde;o do seu direito, a qual, num momento futuro,  lhe causaria danos irrepar&aacute;veis, autoriza liminarmente ou temporariamente  (pelo menos at&eacute; a senten&ccedil;a do m&eacute;rito) uma protec&ccedil;&atilde;o do direito atingido, que  pode revestir diversas formas, dependendo do caso em quest&atilde;o. Por fim, a  decis&atilde;o de m&eacute;rito p&otilde;e fim ao lit&iacute;gio. Neste artigo, as decis&otilde;es de m&eacute;rito e  as decis&otilde;es liminares ser&atilde;o utilizadas como instrumentos de an&aacute;lise do  processo de judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. A nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; descobrir e compreender  que tipo de lei e, principalmente, que t&oacute;pico de lei vem sendo revisto pela  Suprema Corte brasileira. Essa estrat&eacute;gia tamb&eacute;m fornece informa&ccedil;&otilde;es  sobre quais os actores e requerentes que s&atilde;o parceiros do Supremo  Tribunal Federal na adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional.     <p>No quadro n.&#186; 9 podemos observar a rela&ccedil;&atilde;o existente entre    os requerentes (todos) e a decis&atilde;o liminar. Em termos proporcionais,    destacam-se quatro requerentes, os quais foram atendidos, no todo ou em parte,    nos seus pedidos de liminar.      <p>&nbsp;     <p align="center"><b>Decis&atilde;o liminar/requerente (todos) </b>     <blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top21">Quadro n.&#186; 9</a>] <a name="21"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t9.gif" width="764" height="485">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Fonte</b>:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>As entidades de classe da burocracia jur&iacute;dica tiveram 17,4% dos seus    pleitos liminares atendidos no todo ou em parte. Os governadores de estado e    de distrito federal obtiveram 19,4% de &ecirc;xito na mesma propor&ccedil;&atilde;o.    A ordem dos advogados do Brasil, atrav&eacute;s do seu conselho federal, atingiu    os 25%. Por fim, o destaque fica para o procurador-geral da Rep&uacute;blica,    que, em termos proporcionais, &eacute; de longe o requerente que possui a maior    taxa de sucesso na obten&ccedil;&atilde;o de uma liminar (57,7%).      <p>Como &eacute; poss&iacute;vel observar no quadro n.&#186; 10, a taxa de concess&atilde;o da  decis&atilde;o liminar, no todo ou em parte, dos actores pol&iacute;ticos e sociais n&atilde;o  ultrapassa os 11%, enquanto o desempenho dos actores jur&iacute;dicos chega aos  44%.     <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Decis&atilde;o liminar/requerente (actores)</B>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                <p>[<a href="#top22">Quadro n.&#186; 10</a>] <a name="22"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t10.gif" width="758" height="411">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p><B>Fonte:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>      <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esses dados permitem-nos sugerir a hip&oacute;tese de que os argumentos levantados    ou questionados pelos actores jur&iacute;dicos possuem uma maior aceita&ccedil;&atilde;o    por parte dos ju&iacute;zes do Supremo Tribunal Federal. Para o Prof. Jos&eacute;    Afonso da Silva isso acontece porque o &quot;mundo jur&iacute;dico se organiza    em face do pr&oacute;prio Supremo&quot; (Silva, 2005). Ou seja, a argumenta&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica (jurisprud&ecirc;ncia) utilizada pelo Supremo &eacute; absorvida    pelas corpora&ccedil;&otilde;es, que passam a actuar, levando-as em considera&ccedil;&atilde;o.    O professor lembra que o conselho federal da OAB mant&eacute;m um grupo de estudo    dedicado &agrave; revis&atilde;o judicial que se re&uacute;ne mensalmente.      <p>Para o referido professor, os actores sociais n&atilde;o poderiam organizar-se    num mesmo n&iacute;vel, pois precisam de justificar a sua pertin&ecirc;ncia    tem&aacute;tica:      <blockquote>       <p>N&atilde;o d&aacute; para montar banca de advogados em fun&ccedil;&atilde;o      de eventualidades. Essas associa&ccedil;&otilde;es s&oacute; podem entrar      com pertin&ecirc;ncia tem&aacute;tica. Essa pertin&ecirc;ncia tem&aacute;tica      n&atilde;o ocorre todo dia. Ent&atilde;o montar uma banca de advogados em      fun&ccedil;&atilde;o de eventualidades seria um despaut&eacute;rio. N&atilde;o      tem como manter uma estrutura permanente pensando nisso [Silva, 2005]. </p> </blockquote>     <p>De entre as entidades que n&atilde;o necessitam de comprovar a sua  pertin&ecirc;ncia tem&aacute;tica, o procurador-geral da Rep&uacute;blica e a Ordem dos Advogados  do Brasil s&atilde;o os &uacute;nicos que n&atilde;o possuem cargo electivo popular, ou seja,  n&atilde;o pertencem aos actores pol&iacute;ticos. Em certo sentido, esse quadro parece  refor&ccedil;ar o tratamento diferenciado que os actores judiciais (ou pelo menos  boa parte deles) possuem.     <p>A pertin&ecirc;ncia tem&aacute;tica n&atilde;o parece ser uma boa resposta    para justificar o baixo desempenho dos actores sociais na obten&ccedil;&atilde;o    de uma decis&atilde;o liminar. Nessa linha de racioc&iacute;nio, os actores    pol&iacute;ticos deveriam ter um n&iacute;vel de obten&ccedil;&atilde;o de liminar    bem superior ao alcan&ccedil;ado, j&aacute; que eles tamb&eacute;m n&atilde;o    precisam de comprovar a pertin&ecirc;ncia.      <p>Numa an&aacute;lise mais cuidadosa dos dados, &eacute; poss&iacute;vel perceber    que das 103 ac&ccedil;&otilde;es em que os actores jur&iacute;dicos obtiveram    a decis&atilde;o liminar (concedida totalmente)<SUP><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></SUP>,    90 (87,4%) eram ac&ccedil;&otilde;es que tiveram como requerente o procurador-geral    da Rep&uacute;blica<SUP><a href="#9">9</a></SUP><a name="top9"></a>. Portanto,    se existe um dom&iacute;nio da linguagem, esse dom&iacute;nio transcende o aparato    t&eacute;cnico da teoria do direito e penetra no estreito relacionamento institucional.    Caso contr&aacute;rio, as institui&ccedil;&otilde;es que dominam bem a linguagem,    como o conselho federal da OAB e as entidades de classe da burocracia jur&iacute;dica    (Associa&ccedil;&atilde;o dos Magistrados Brasileiros, por exemplo), deveriam    possuir um padr&atilde;o semelhante aos obtidos pela Procuradoria da Rep&uacute;blica.      <p>O quadro n.&#186; 11 trata da rela&ccedil;&atilde;o entre a decis&atilde;o    do m&eacute;rito e todos os requerentes. Da sua an&aacute;lise ressaltam duas    caracter&iacute;sticas marcantes: (<I>i</I>) a alta taxa de pedidos de m&eacute;rito    negados (663 casos, ou 61,8%); (<I>ii</I>) a alta taxa de decis&otilde;es pendentes    (332 casos, ou 30,9%). Noutras palavras, em catorze anos o Supremo Tribunal    Federal resolveu interferir, ou rever, no todo ou em parte, 7,3% dos casos.    A Corte Suprema tamb&eacute;m tem mantido um grande n&uacute;mero de ac&ccedil;&otilde;es    sem julgamento (cerca de um ter&ccedil;o), embora tenha decidido aproximadamente    70% delas. Apenas a uma pequena parcela &eacute; efectivamente concedida revis&atilde;o    judicial. Os dados confirmam as conclus&otilde;es obtidas para outros pa&iacute;ses    sul-americanos. A traject&oacute;ria de instabilidade pol&iacute;tica da regi&atilde;o,    os grandes per&iacute;odos de autoritarismo e o seu consequente modelo pol&iacute;tico    baseado no presidencialismo de coalis&atilde;o propiciaram o desenvolvimento    de uma estrat&eacute;gia de relut&acirc;ncia face ao activismo (Helmke, 2005;    Melo, 2007).      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Decis&atilde;o de m&eacute;rito/requerente (todos)</B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top17">Quadro n.&#186; 11</a>] <a name="17"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t11.gif" width="758" height="366">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>              <blockquote>               <p><B>Fonte: </B>BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;       <p>Os dados tamb&eacute;m apontam para uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque do  procurador-geral da Rep&uacute;blica. O procurador possui uma taxa de sucesso muito  superior aos demais requerentes (34,3%). A sua posi&ccedil;&atilde;o de relevo na  aprova&ccedil;&atilde;o das liminares reflecte-se nas decis&otilde;es de m&eacute;rito. As entidades de classe  da burocracia jur&iacute;dica s&atilde;o o tipo de requerente que mais se aproxima do  procurador, com valores na ordem dos 6,5%, o que s&oacute; enfatiza o  desempenho do procurador.     <p>Curiosamente, os requerentes que mais solicitam a interven&ccedil;&atilde;o    do tribunal (partidos pol&iacute;ticos e confedera&ccedil;&atilde;o sindical    e entidades de classe) s&atilde;o tamb&eacute;m os que possuem, em termos proporcionais,    os piores desempenhos. Parece que a ideia de uma adjudica&ccedil;&atilde;o compartilhada    defendida por parte expressiva da literatura brasileira sobre o tema n&atilde;o    foi absorvida pelo Supremo Tribunal Federal<SUP><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></SUP>.    A disposi&ccedil;&atilde;o de contribuir, de submeter &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o    do tribunal os textos legislativos federais, &eacute; inquestion&aacute;vel.    No entanto, para que a adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional se efective    &eacute; necess&aacute;rio que os argumentos apresentados pelos requerentes    sejam aceites. Nesse sentido, um grupo (actores jur&iacute;dicos), ou melhor,    um requerente (procurador-geral da Rep&uacute;blica), destaca-se de forma isolada.      <p>No quadro n.&#186; 12 fica clara a superioridade da <I>performance</I> dos    actores jur&iacute;dicos na obten&ccedil;&atilde;o do m&eacute;rito das suas    ac&ccedil;&otilde;es junto do Supremo Tribunal Federal. Enquanto os actores    jur&iacute;dicos obtiveram &ecirc;xito, no todo ou em parte, em 22,6% das ac&ccedil;&otilde;es    intentadas, os actores pol&iacute;ticos e sociais obtiveram apenas 2,7% e 2%,    respectivamente.     <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Decis&atilde;o de m&eacute;rito/requerente (actores)</B>      <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <p>[<a href="#top18">Quadro n.&#186; 12</a>] <a name="18"></a></p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t12.gif" width="762" height="308">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>               <p><B>Fonte:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>O <a href="#17">quadro n.&#186; 11</a><a name="top17"></a> refor&ccedil;a esta    leitura, pelo sucesso das ac&ccedil;&otilde;es movidas pelo procurador-geral    da Rep&uacute;blica: das 49 ac&ccedil;&otilde;es concedidas por m&eacute;rito    (sem restri&ccedil;&otilde;es), 47 delas foram propostas pelo procurador.      <p>Em resumo, levando em considera&ccedil;&atilde;o todo o ciclo de revis&atilde;o judicial  e no que diz respeito &agrave; taxa de sucesso na efectiva&ccedil;&atilde;o da adjudica&ccedil;&atilde;o  constitucional, o procurador-geral da Rep&uacute;blica &eacute;, sem d&uacute;vida, o maior  parceiro do Supremo.     <p>No que toca &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a decis&atilde;o liminar e o t&oacute;pico da lei em  quest&atilde;o, o quadro n.&#186; 13 sugere que o Supremo Tribunal Federal, atrav&eacute;s do  julgamento de ac&ccedil;&otilde;es directas de inconstitucionalidade que possuem como  objecto jur&iacute;dico uma legisla&ccedil;&atilde;o federal, tem demonstrado existir uma  tend&ecirc;ncia decisional ou jurisprudencial de controlo da pol&iacute;tica judicial por via da  revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o. Portanto, o STF faz uso das suas  prerrogativas constitucionais para rever a pol&iacute;tica judicial em todo o aparelho judici&aacute;rio,  e isso ocorre em estreita parceria com a Procuradoria da Rep&uacute;blica. &Eacute;  interessante notar que essa disposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o entra em conflito com nenhum  outro requerente, actor ou t&oacute;pico de lei.     <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Decis&atilde;o liminar/t&oacute;pico da lei</B>      <blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>             <p>[Quadro n.&#186; 13] </p>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t13.gif" width="768" height="473">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>             <p><B>Fonte:</B> BNDPJ, STF (1988-2002). </p>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <a href="#18">quadro n.&#186; 12</a><a name="top18"></a> demonstra que a    parceria entre a Procuradoria da Rep&uacute;blica e o Tribunal Constitucional    brasileiro tem como foco principal a administra&ccedil;&atilde;o judicial, que    teve, no todo ou em parte, 48,3% das liminares aceites, sendo seguida pela regula&ccedil;&atilde;o    da sociedade civil (21,3%) e pela pol&iacute;tica tribut&aacute;ria (16,8%).      <p>Os dados indicam que essa parceria na adjudica&ccedil;&atilde;o constitucional    al&eacute;m de selectiva no que diz respeito ao requerente, &eacute; especializada    num tema. Os dados apontam que o Supremo tem mais propens&atilde;o para regular,    ou melhor, para rever, a legisla&ccedil;&atilde;o que tenha como foco tem&aacute;tico    a administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a.      <p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico, representado aqui pelo seu dirigente maior,    o procurador-geral da Rep&uacute;blica, exerce uma fun&ccedil;&atilde;o de parceria    com o Supremo Tribunal Federal na administra&ccedil;&atilde;o do aparelho judici&aacute;rio.    Quais ser&atilde;o as raz&otilde;es desse activismo? Para Amaral (2004), a independ&ecirc;ncia    administrativa e funcional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e do Judici&aacute;rio    levou a um n&uacute;mero relativamente alto de abusos, &quot;tais como a concess&atilde;o    de reajustes de vencimentos atrav&eacute;s de meros actos administrativos, sem    a necess&aacute;ria elabora&ccedil;&atilde;o de projectos de lei a serem submetidos    &agrave; discuss&atilde;o e &agrave; vota&ccedil;&atilde;o&quot; (Amaral, 2004,    p. 48). Al&eacute;m das quest&otilde;es pecuni&aacute;rias, as relativas &agrave;    organiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; composi&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    eram frequentes<SUP><a href="#11">11</a></SUP><a name="top11"></a>. Esses factos,    como mostram os dados, tornaram-se o alvo preferencial das revis&otilde;es judiciais    oriundas da parceria entre o procurador-geral da Rep&uacute;blica e o Supremo    Tribunal brasileiro.      <p>Por fim, o quadro n.&#186; 14 retrata a rela&ccedil;&atilde;o existente entre    os t&oacute;picos da lei e a decis&atilde;o de m&eacute;rito e vem confirmar    de novo as evid&ecirc;ncias no que concerne &agrave;s decis&otilde;es liminares.    O t&oacute;pico da administra&ccedil;&atilde;o judicial viu mais de um quarto    das suas ac&ccedil;&otilde;es revistas judicialmente, no todo ou em parte. Os    restantes t&oacute;picos registaram &iacute;ndices inferiores a 6,5%. &Eacute;    interessante notar tamb&eacute;m que, das 56 ADINs que obtiveram concess&atilde;o    do m&eacute;rito sem restri&ccedil;&atilde;o, 40 (ou 71,43%) versavam sobre    a pol&iacute;tica ou administra&ccedil;&atilde;o judicial, ou seja, mais de    dois ter&ccedil;os.      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Decisao de m&eacute;rito/t&oacute;pico da lei</B>     <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>               <p>[Quadro n.&#186; 14] </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n191/n191a04t14.gif" width="766" height="365">      
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>               <p><B>Fonte: </B>BNDPJ, STF (1988-2002). </p>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As outras 16 ADINs (ou 28,57%) est&atilde;o distribu&iacute;das entre outros    cinco t&oacute;picos. Portanto, retirando as ADINs que tratavam de temas referentes    &agrave; administra&ccedil;&atilde;o judicial, a revis&atilde;o judicial com    decis&atilde;o de m&eacute;rito efectiva restringe-se a 1,5% do total de ADINs.    Se a iniciativa dos int&eacute;rpretes (ou legitimados activos) da Constitui&ccedil;&atilde;o,    constante da revis&atilde;o judicial, est&aacute; a conduzir o Supremo Tribunal    Federal para a assun&ccedil;&atilde;o de novos pap&eacute;is<SUP><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></SUP>,    esse novo papel n&atilde;o &eacute; de enfrentamento do poder soberano, e muito    menos de uma terceira c&acirc;mara legislativa (Sweet, 2000).      <p>&nbsp;      <P><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais </b>     <p>De uma forma geral, podemos afirmar que as teorias de m&eacute;dio alcance    produzidas pela literatura europeia s&atilde;o fortemente aplic&aacute;veis    ao Brasil. Nesse sentido, a<I> policy-seeking approach</I><SUP><a href="#13">13</a><a name="top13"></a></SUP>    n&atilde;o s&oacute; explica o comportamento das oposi&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias,    como tamb&eacute;m explica, em boa medida, o comportamento dos demais entes    com legitimidade activa<SUP><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></SUP>.    Nesses casos, o litigante, quando recorre &agrave; justi&ccedil;a constitucional,    f&aacute;-lo contra uma legisla&ccedil;&atilde;o que vai contrariar as suas    prefer&ecirc;ncias ou interesses; segundo, n&atilde;o existem custos sobre qualquer    coisa associada com a revis&atilde;o abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o ou,    pelo menos, os benef&iacute;cios potenciais da litiga&ccedil;&atilde;o pesam    mais do que os custos potenciais. O resultado disso &eacute; que, num per&iacute;odo    de catorze anos, os partidos pol&iacute;ticos (principalmente a oposi&ccedil;&atilde;o)    apresentaram 368 ADINs (34,3%) e as confedera&ccedil;&otilde;es sindicais e    as entidades de classe (incluindo as da burocracia jur&iacute;dica) cerca de    396 ADINs (36,9%). Essas duas entidades equivalem a 764 ADINs, ou 71,2% de todas    as ac&ccedil;&otilde;es interpostas no cen&aacute;rio federal. Portanto, a judicializa&ccedil;&atilde;o    da pol&iacute;tica, entendida como um fen&oacute;meno de chamamento<B> </B>do    judici&aacute;rio, de um convite &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na adjudica&ccedil;&atilde;o    constitucional, &eacute; feita maioritariamente pelos partidos e confedera&ccedil;&otilde;es.    Um relato que refor&ccedil;a essa l&oacute;gica foi dado por um antigo ministro    do Supremo Tribunal Federal:      <blockquote>       <p>N&oacute;s j&aacute; tivemos o caso em que o partido tinha apenas um deputado      que, em vez de discutir quest&otilde;es pol&iacute;ticas de elabora&ccedil;&atilde;o      legislativa na C&acirc;mara, preferia assistir &agrave;s sess&otilde;es do      STF, dizendo: &quot;porque aqui posso p&ocirc;r abaixo o que l&aacute;, minha      voz isolada de nada adiantar&aacute;&quot;. E mais ainda com propaganda, porque      os jornais diriam &quot;essa lei caiu gra&ccedil;as ao esfor&ccedil;o do deputado      fulano de tal [Moreira Alves, 1997, p. 276]. </p> </blockquote>     <p>Outro ponto relevante da teoria europeia &eacute; a ideia de que sem um aparelho    judicial completamente separado do mundo pol&iacute;tico n&atilde;o haveria    judicializa&ccedil;&atilde;o nem t&atilde;o-pouco activismo judicial. &Eacute;    aquilo a que podemos chamar <I>unconstrained courts approach</I> da decis&atilde;o    judicial. Para essa abordagem, os ju&iacute;zes funcionam como agentes livres    nas suas rela&ccedil;&otilde;es com os partidos pol&iacute;ticos e com as maiorias    legislativas. Sem essa liberdade n&atilde;o haveria independ&ecirc;ncia e dificilmente    os partidos e as demais entidades com legitimidade para o efeito apresentariam    os seus pedidos. Vale a pena real&ccedil;ar que a institucionaliza&ccedil;&atilde;o    das garantias constitucionais dos ju&iacute;zes foi uma conquista hist&oacute;rica,    n&atilde;o estando totalmente vinculada aos feitos da Constitui&ccedil;&atilde;o    de 1988<SUP><a href="#15">15</a></SUP><a name="top15"></a>.      <p>Outra conclus&atilde;o relevante &eacute; a forte vincula&ccedil;&atilde;o    existente entre o requerente e o t&oacute;pico de lei submetido a ju&iacute;zo.    Quase todos os requerentes concentram o seu raio de actua&ccedil;&atilde;o em    pelo menos dois t&oacute;picos (v. <a href="#19">quadro n.&#186; 6</a>)<a name="top19"></a>.    Os actores pol&iacute;ticos e jur&iacute;dicos, por exemplo, possuem mais de    60% das suas ADINs concentradas em duas &aacute;reas tem&aacute;ticas (v. <a href="#20">quadro    n.&#186; 7</a>).<a name="top20"></a>      <p>A vincula&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter utilitarista que explica a concentra&ccedil;&atilde;o    dos t&oacute;picos de lei judicializados pelos requerentes tamb&eacute;m explica    a dispers&atilde;o. Como podemos observar (<a href="#20">v. quadro n.&#186;    7</a>), os actores sociais tamb&eacute;m seleccionam os t&oacute;picos de lei    de acordo com os seus interesses. A diferen&ccedil;a reside na diversidade e    pluralidade de interesses que as associa&ccedil;&otilde;es e as confedera&ccedil;&otilde;es    sindicais representam.      <p>No tratamento dos resultados da revis&atilde;o judicial, ou seja, no que  diz respeito ao julgamento das ADINs, podemos afirmar que a estrat&eacute;gia  de julgamento do Supremo Tribunal Federal obedeceu a uma l&oacute;gica  de selectividade e especificidade. Por outras palavras, foi selectivo na  escolha do parceiro e foi espec&iacute;fico no tema que estava disposto a regular.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o vamos repetir os dados expostos. Em todos eles, um ap&oacute;s outro,    o procurador-geral da Rep&uacute;blica surge como o grande parceiro do Tribunal    Constitucional brasileiro no <I>rule making</I>. Contudo, como foi visto, a    parceria limita-se a um campo bem espec&iacute;fico, o da administra&ccedil;&atilde;o    judicial.      <p>Por outro lado, a tese de que o Supremo Tribunal Federal, com base na revis&atilde;o    abstracta da legisla&ccedil;&atilde;o, vinha assumindo pap&eacute;is importantes    no processo decis&oacute;rio fica seriamente comprometida.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Bibliografia</B>      <p>Amaral, A. L. (2004), <I>O Procurador-Geral da Rep&uacute;blica e as A&ccedil;&otilde;es Diretas de  Inconstitucionalidade.</I> Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, S&atilde;o Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo.      <p>Baum, L. (2001), <I>The Supreme Court,  </I>Washington, Congressional Quarterly Press.     <p>Castro, M. F. (1997), &quot;O Supremo Tribunal Federal e a judicializa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica&quot;.  <I>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias  Sociais,</I> 12 (34), pp. 147-156.     <p>Chavez, R. B. (2004), &quot;The evolution of judicial autonomy in Argentina: establishing  the rule of law in an ultrapresidential system&quot;.  <I>Jornal of Latin America Studies,  </I>n.&#186; 36 (3), pp. 451-478.     <p>Epstein, L., e Knight, J. (1998),  <I>The Choices of Justices Make, </I>Washington,  Congressional Quarterly.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Helmke, G. (2005), <I>Courts under Constrains,  </I>Cambridge, Cambridge University Press.     <p>Magalh&atilde;es, P. C. (2003),  <I>The Limits to Judicialization: Legislative Politics  and Constitutional Review in the Iberian  Democracies.</I> Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento,  Ohio, Ohio State University.     <p>Martins, I. G. da S., e Mendes, G. F. (2001),  <I>Controlo Concentrado de  Constitucionalidade,</I> S&atilde;o Paulo, Editora Saraiva.     <p>Melo, M. A. (2007), &quot;Hiperconstitucionaliza&ccedil;&atilde;o e qualidade da democracia: mito e  realidade&quot;. <I>In</I> C. Ranulfo e M. A. S&aacute;ez (orgs.),  <I>A Democracia Brasileira: Balan&ccedil;os e  perspectivas para o s&eacute;culo 21</I>, Belo Horizonte, Humanitas, pp.  237-265.     <!-- ref --><p>Moreira Alves, J. C. (1997), &quot;For&ccedil;a vinculante das decis&otilde;es do Supremo. Declara&ccedil;&atilde;o  de constitucionalidade. Juizados especiais. Valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos processuais&quot;.  <I>Revista dos Tribunais, Cadernos de Direito Constitucional e Ci&ecirc;ncia  Pol&iacute;tica</I>, 18, pp. 189-211.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000357&pid=S0003-2573200900020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Santos, M. O. F. (1991), <I>Medida Provis&oacute;ria na Constitui&ccedil;&atilde;o: Doutrina, Decis&otilde;es  Judiciais, </I>S&atilde;o Paulo, Editora Atlas.     <p>Silva, J. A. da (2005), &quot;Entrevista concedida por Jos&eacute; Afonso da Silva em 22-06-2005  em S&atilde;o Paulo&quot;.     <p>Stone, A. (1995), &quot;Complex coordinate construction in France and Germany&quot;.  <I>In</I> C. N. Tate e T. Vallinder (orgs.), <I>The Global Expansion of Judicial  Power,</I> Nova Iorque, New York University Press, pp. 205-230.     <p>Sweet, A. S. (2000), <I>Governing with Judgers: Constitutional Politics in  Europe,</I> Oxford, Oxford University Press.     <p>Taylor, M. (2004), <I>Activating Judges: Courts, Institutional Structure, and the  Judicialization of Policy Reform in Brazil,  1988-2002</I>. Tese de doutoramento em Pol&iacute;tica  Comparada, Washington, Georgetown University.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vallinder, T., e Tate, C. N. (1995),  <I>The Global Expansion of Judicial Power: The Judicialization of  Politics,</I> Nova Iorque, New York University Press.     <p>Vianna, L. W., Carvalho, M. A. R., Melo, M. P. C., Burgos, M. B. (1999), <I>A    Judicializa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica e das Rela&ccedil;&otilde;es    Sociais no Brasil, </I>Rio de Janeiro, Editora Revan.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p><b>Notas</b>      <p><SUP><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></SUP> No Brasil, o termo foi introduzido    pelo estudo de Castro (1997).      <p><SUP><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></SUP> Baum (2001) demonstrou que    no caso norte-americano a coisa n&atilde;o foi diferente. No lit&iacute;gio    constitucional de grande interesse pol&iacute;tico os actores v&atilde;o at&eacute;    as &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias, mesmo que isso signifique uma derrota    nos tribunais. Com este procedimento pretendem, pelo menos, conseguir demonstrar    aos eleitores a sua defesa de uma posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria.      <p><SUP><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></SUP> Os dados oferecidos por Vianna    <I>et al.</I> (1999, pp. 95-101) demonstram que mais de 70% das ADINs promovidas    pelos partidos pol&iacute;ticos s&atilde;o oriundas da oposi&ccedil;&atilde;o.      <p><SUP><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></SUP> No <a href="#19">quadro n.&#186;    6</a> &eacute; poss&iacute;vel verificar que, das 41 leis complementares judicializadas,    78% tiveram como requerentes os partidos pol&iacute;ticos, as confedera&ccedil;&otilde;es    sindicais e as entidades de classe.      <p><SUP><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></SUP> Nos dados apresentados por    Vianna <I>et al.</I> (1999, p. 68), das 1928 ADINs analisadas, 1217 tiveram    como objecto a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><SUP><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></SUP> S&atilde;o v&aacute;rios os    factores que tornam a medida provis&oacute;ria uma legisla&ccedil;&atilde;o    bem peculiar. Para um aprofundamento, v. Santos (1991).      <p><SUP><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></SUP> Como bem afirmou Martins e    Mendes (2001), existem mais de noventa confedera&ccedil;&otilde;es e entidades    reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal aptas a propor uma ac&ccedil;&atilde;o    directa de inconstitucionalidade.      <p><SUP><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></SUP> V. <a href="#22">quadro n.&#186;    10</a>. <a name="top22"></a>     <p><SUP><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></SUP> V. <a href="#21">quadro n.&#186;    9</a>. <a name="top21"></a>     <p><SUP><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></SUP> &quot;A judicializa&ccedil;&atilde;o    da pol&iacute;tica, entre n&oacute;s, longe de enfraquecer o sistema dos partidos,    em especial os da esquerda e da oposi&ccedil;&atilde;o, tende a refor&ccedil;&aacute;-lo,    na medida em que propicia &#151; &eacute; verdade que no campo de direito e    de seus procedimentos _ uma conex&atilde;o entre a democracia representativa    e a participativa, para o que concorrem as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas,    em que a cidadania se encontra legitimada para deflagrar o processo judicial    contra as inst&acirc;ncias do poder&quot; (Vianna <I>et al.,</I> 1999, p. 43).      <p><SUP><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></SUP> V. as ADINs dos n.<SUP>os</SUP>    170, 194, 201, 256, 274, 694, 721, 728, 730, entre outras.      <p><SUP><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></SUP> &quot;[...] a presente    pesquisa sustenta que a iniciativa dos int&eacute;rpretes da Constitui&ccedil;&atilde;o,    constante no recurso &agrave;s ADINs, estaria induzindo uma atitude mais favor&aacute;vel    por parte do STF no que se refere &agrave; assun&ccedil;&atilde;o de novos pap&eacute;is.    O Tribunal come&ccedil;a a migrar, silenciosamente, de uma posi&ccedil;&atilde;o    de coadjuvante na produ&ccedil;&atilde;o legislativa do poder soberano, de acordo    com os c&acirc;nones cl&aacute;ssicos do republicanismo jacobino, para uma de    ativo guardi&atilde;o da Carta Constitucional e dos direitos fundamentais da    pessoa humana&quot; (Vianna, 1999, p. 53).      <p><SUP><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></SUP> Que nada mais &eacute;    do que a expans&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional sobre o    <I>policy-making</I> governamental, como resultado da habilidade e disposi&ccedil;&atilde;o    dos actores pol&iacute;ticos, que perderam no processo legislativo, em provocar    decis&otilde;es judiciais sobre a constitucionalidade das pol&iacute;ticas aprovadas    pela maioria parlamentar.      <p><SUP><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></SUP> Embora, como deix&aacute;mos    claro no corpo do texto, a necessidade de pertin&ecirc;ncia tem&aacute;tica    para algumas entidades com legitimidade activa mitigue um pouco a for&ccedil;a    deste argumento (v. <a href="#23">quadro n.&#186; 1</a>). <a name="top23"></a>     <p><SUP><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></SUP> Na verdade, a institucionaliza&ccedil;&atilde;o    da autonomia judicial na Am&eacute;rica Latina, em geral, e no Brasil, em particular,    &eacute; um tema pouco explorado na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Para a Argentina,    v. Chavez (2004).      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;     <p><a name="16"></a><a href="#top16">*</a> Centro de Filosofia e Ci&ecirc;ncias    Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, Rua Acad&ecirc;mico H&eacute;lio    Ramos, s. n., 14.&#186; andar, CEP 50.670-901, Recife-PE, Brasil. e-mail: <a href="mailto:ernani_carvalho@hotmail.com">ernani_carvalho@hotmail.com</a>.       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Moreira Alves]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Força vinculante das decisões do Supremo. Declaração de constitucionalidade. Juizados especiais. Valorização dos recursos processuais]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista dos Tribunais, Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política]]></source>
<year>1997</year>
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<page-range>189-211</page-range></nlm-citation>
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