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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A integração europeia vista pelos economistas portugueses - uma perspectiva de longo prazo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[European integration as seen by Portuguese economists - a long-term view]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Portuguese economists have followed the movement for European integration since the beginnings of the modern period of economic growth. As a result of their work, ideas for a variety of projects were disseminated, some of them for Europe as a whole, others to do with the accession of Portugal and Spain. They were often weakly argued and vaguely articulated, and their general impact on society and politics was limited, but they were of some significance in defining strategies for overcoming economic backwardness.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[história do pensamento económico]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[monetary union]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A integra&ccedil;&atilde;o europeia vista pelos economistas portugueses    &#151; uma perspectiva de longo prazo </b>     <p><b>Carlos Bastien<a href="#1">*</a> <a name="top1"></a></b>      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p>Os economistas portugueses acompanharam o movimento de integra&ccedil;&atilde;o  europeia desde o limiar do crescimento econ&oacute;mico moderno. Esse acompanhamento  resultou na divulga&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos projectos, uma parte deles referente &agrave; Europa no  seu conjunto e a outra &agrave; integra&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o ib&eacute;rico.     <p>Frequentemente fr&aacute;geis na sua fundamenta&ccedil;&atilde;o e vagos no seu articulado,  obtiveram um impacto limitado na sociedade e no sistema pol&iacute;tico, mas n&atilde;o foram  irrelevantes na defini&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias tendentes a superar o atraso econ&oacute;mico.     <p><B>Palavras-chave: </B>hist&oacute;ria do pensamento econ&oacute;mico; iberismo;    integra&ccedil;&atilde;o europeia; integra&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <P><B>European integration as seen by Portuguese economists                   &#151; a long-term view</B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portuguese economists have followed the movement for European integration  since the beginnings of the modern period of economic growth. As a result of their  work, ideas for a variety of projects were disseminated, some of them for Europe as  a whole, others to do with the accession of Portugal and Spain. They were  often weakly argued and vaguely articulated, and their general impact on society  and politics was limited, but they were of some significance in defining strategies  for overcoming economic backwardness.     <p><B>Keywords:</B> history of economic thought; iberianism; European integration;    monetary union.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>      <p>A forma como a problem&aacute;tica europeia, em particular o papel de  Portugal nessa problem&aacute;tica, tem sido considerada pela intelectualidade portuguesa  foi j&aacute; objecto de diversos estudos publicados nos &uacute;ltimos anos.      <p>Na sua maioria, tais estudos privilegiaram a hist&oacute;ria do pensamento    pol&iacute;tico e da ac&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica (v., por todos,    Silva, 2005), sendo poucos os que tomaram por objecto principal a reflex&atilde;o    e o papel desempenhado por uma frac&ccedil;&atilde;o dessa intelectualidade    &#151; os economistas &#151;, ainda quando estiveram em causa os processos de    integra&ccedil;&atilde;o formal ocorridos na segunda metade do s&eacute;culo    xx.      <p>Em Portugal, no &acirc;mbito da hist&oacute;ria das ideias econ&oacute;micas, esta  problem&aacute;tica tem sido abordada preferencialmente em notas e entrevistas de  natureza sobretudo autobiogr&aacute;fica (Teixeira e Pinto, 2007), em estudos  dedicados ao pensamento e ac&ccedil;&atilde;o de economistas individualmente  considerados (Cardoso, 2004; Miranda, 2000) ou ainda em estudos de conjunto  referentes a per&iacute;odos historicamente breves ou a um n&uacute;mero muito limitado de  espa&ccedil;os nacionais (Pereira, 1995). Acresce que a literatura internacional de  refer&ecirc;ncia nesta &aacute;rea subdisciplinar tem ignorado persistentemente os  economistas portugueses (v.,<I> </I>por todos, Machlup, 1977).     <p>Tal como foi j&aacute; realizado relativamente a outros  casos nacionais (v., para o caso espanhol, Perdices de Blas, Reeder e Ramos Gorostiza, 2006), ou  em estudos referentes &agrave; Europa no seu conjunto (Pagden, 2002; Ribeiro,  2003; Wilson e Dussen, 2005), procura-se agora evidenciar a exist&ecirc;ncia de  uma longa, ainda que intermitente, tradi&ccedil;&atilde;o portuguesa de reflex&atilde;o sobre  a integra&ccedil;&atilde;o europeia e esbo&ccedil;ar uma primeira vis&atilde;o de conjunto sobre a  contribui&ccedil;&atilde;o dos economistas para tal tradi&ccedil;&atilde;o.     <p>Note-se, no entanto, que o entendimento aqui dado &agrave; express&atilde;o  &quot;economista&quot; &eacute; muito amplo, n&atilde;o se confinando aos termos estritos que a  defini&ccedil;&atilde;o desta categoria socioprofissional assumiu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Para al&eacute;m  dos economistas te&oacute;ricos e dos economistas pr&aacute;ticos, s&atilde;o tamb&eacute;m  considerados pol&iacute;ticos, burocratas, homens de neg&oacute;cios e publicistas, com a condi&ccedil;&atilde;o  de terem apresentado propostas sobre a integra&ccedil;&atilde;o das economias europeias  no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. A concep&ccedil;&atilde;o aqui presente sobre o  que s&atilde;o ideias econ&oacute;micas &eacute; tamb&eacute;m assaz lata, j&aacute; que em muitas das  reflex&otilde;es, de natureza pura ou aplicada, e das propostas apresentadas nem sempre  a dimens&atilde;o econ&oacute;mica surgia claramente demarcada. Em particular na  &eacute;poca pr&eacute;-moderna, a pr&oacute;pria natureza do sistema econ&oacute;mico vigente na  Europa levou a que esta dimens&atilde;o surgisse frequentemente subsumida em  projectos de &acirc;mbito essencialmente pol&iacute;tico.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Porque a Primeira Guerra Mundial constitui um ponto de fractura  na hist&oacute;ria da integra&ccedil;&atilde;o da economia europeia &#151; mas tamb&eacute;m por raz&otilde;es  de extens&atilde;o &#151;, a demonstra&ccedil;&atilde;o de que Portugal, no seu caminho para a  Europa, acompanhou os demais pa&iacute;ses, cumprindo com a sua quota-parte  de reflex&otilde;es e projectos europe&iacute;stas, fica por ora limitada ao per&iacute;odo  anterior &agrave; Primeira Guerra Mundial. Esta dupla circunst&acirc;ncia determina ainda que  os debates travados entre as vis&otilde;es casti&ccedil;as e as europe&iacute;stas &#151; e, por  maioria de raz&atilde;o, os debates puramente te&oacute;ricos em mat&eacute;ria de rela&ccedil;&otilde;es  econ&oacute;micas internacionais &#151; tamb&eacute;m n&atilde;o sejam aqui considerados de forma sistem&aacute;tica.                                     <p>Assim, na primeira sec&ccedil;&atilde;o do artigo analisam-se dois projectos    formulados na &eacute;poca pr&eacute;-moderna, os quais expressam, de algum    modo, o momento e a forma como em Portugal se come&ccedil;ou a pensar a Europa    enquanto realidade pol&iacute;tica e econ&oacute;mica. A segunda sec&ccedil;&atilde;o    reporta-se j&aacute; &agrave; &eacute;poca da modernidade europeia, especificamente    ao s&eacute;culo xix. Compreende na primeira das suas subsec&ccedil;&otilde;es    uma breve avalia&ccedil;&atilde;o do saber te&oacute;rico dispon&iacute;vel    no pa&iacute;s sobre rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas internacionais,    apresentando e analisando nas subsec&ccedil;&otilde;es seguintes as principais    formula&ccedil;&otilde;es de &acirc;mbito doutrin&aacute;rio ou pol&iacute;tico-econ&oacute;mico    que naquele mesmo per&iacute;odo deram corpo a projectos de integra&ccedil;&atilde;o    comercial, econ&oacute;mica e monet&aacute;ria. A sec&ccedil;&atilde;o final    apresenta as principais conclus&otilde;es da an&aacute;lise empreendida.      <p>&nbsp;     <P><b>Projectos de integra&ccedil;&atilde;o europeia no per&iacute;odo anterior    ao crescimento econ&oacute;mico moderno </b>     <p>Ainda que europeu pela geografia, pela l&iacute;ngua, pela religi&atilde;o, pelas  formas de organiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, social e pol&iacute;tica, Portugal atravessou os  s&eacute;culos imediatamente anteriores ao in&iacute;cio do crescimento econ&oacute;mico moderno  largamente dominado pela problem&aacute;tica ultramarina. Ao longo desse per&iacute;odo,  a reflex&atilde;o das elites pol&iacute;ticas n&atilde;o valorizou a problem&aacute;tica europeia,  embora n&atilde;o a tenha ignorado por completo, n&atilde;o s&oacute; na dimens&atilde;o relativa &agrave;  Europa no seu conjunto, como na respeitante &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de inser&ccedil;&atilde;o de  Portugal nesse espa&ccedil;o.     <p>Num continente cuja economia era ainda baseada no cultivo, as  din&acirc;micas de integra&ccedil;&atilde;o manifestaram-se preferencialmente no &acirc;mbito pol&iacute;tico.  Nuns casos sob a forma de projectos imperiais visando a integra&ccedil;&atilde;o de  novos territ&oacute;rios, frequentemente atrav&eacute;s da guerra, noutros casos sob a forma  de projectos de paz visando o estabelecimento de sistemas de seguran&ccedil;a  comuns, de natureza interestatal ou comunit&aacute;ria. Ocasionalmente, tais  din&acirc;micas, dando express&atilde;o &agrave; emerg&ecirc;ncia do capitalismo comercial,  manifestaram-se tamb&eacute;m em projectos direccionados para a reforma das  rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas internacionais.     <p>Assim, o rei portugu&ecirc;s D. Manuel I (1469-1521) ter&aacute; chegado a    formular um projecto de unidade europeia com o presum&iacute;vel duplo prop&oacute;sito    de limitar os riscos de envolvimento do Estado portugu&ecirc;s nos conflitos    intra-europeus e de facilitar a concentra&ccedil;&atilde;o dos recursos dispon&iacute;veis    na expans&atilde;o colonial. Nele propunha a cria&ccedil;&atilde;o de um &quot;magno    congresso dos pr&iacute;ncipes crist&atilde;os europeus para deliberar sobre    a constitui&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a universal, esp&eacute;cie    de pan-Europa, sob a chefia do Sumo Pont&iacute;fice&quot; (Silva, 2005, p.    18), mas, &agrave; semelhan&ccedil;a do que sucedia com a generalidade dos projectos    formulados nesta &eacute;poca hist&oacute;rica, o projecto manuelino era distitu&iacute;do    de conte&uacute;do econ&oacute;mico.      <p>Apresentado em Roma pela embaixada portuguesa que em 1514  visitou o papa Le&atilde;o x &#151; numa &eacute;poca em que a cis&atilde;o religiosa introduzida  pela Reforma desafiava a autoridade papal &#151;, n&atilde;o teve impacto vis&iacute;vel  nem sequ&ecirc;ncia pr&aacute;tica.     <p>Diverso foi o projecto apresentado ao czar Pedro-o Grande por  Estev&atilde;o &Aacute;lvares Bandeira em 1724. Este mercador da pra&ccedil;a de Lisboa, envolvido  nas redes de com&eacute;rcio de longo curso da economia-mundo euro-atl&acirc;ntica,  pensou um programa econ&oacute;mico desenvolvimentista para Portugal em  termos caros ao ide&aacute;rio mercantilista ent&atilde;o dominante.     <p>No essencial, tal programa, expresso nos tr&ecirc;s textos escritos que  lhe sobreviveram (Bandeira, 2000 [1724a, 1724b e s.  d.]),<B> </B>mas provavelmente tamb&eacute;m objecto de outras interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, previa a cria&ccedil;&atilde;o por  iniciativa estatal de novos n&uacute;cleos fabris no pa&iacute;s, designadamente nos  sectores t&ecirc;xtil e dos cortumes, e bem assim a cria&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de  companhias comerciais especializadas por produtos (escravos, produtos agr&iacute;colas,  peixe, sal, t&ecirc;xteis, tabaco, a&ccedil;&uacute;car, etc.), sem car&aacute;cter monopolista e em  concorr&ecirc;ncia com a navega&ccedil;&atilde;o e com o com&eacute;rcio estrangeiros (excep&ccedil;&atilde;o feita  a ingleses e holandeses), tanto no reino como nas col&oacute;nias.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m destas actividades preconizadas com alguma heterodoxia  no &acirc;mbito do pacto colonial ent&atilde;o vigente, Bandeira tomava como estrat&eacute;gico  o desenvolvimento do com&eacute;rcio portugu&ecirc;s com o B&aacute;ltico e previa que  tal com&eacute;rcio n&atilde;o s&oacute; absorveria alguns dos produtos tradicionais das  exporta&ccedil;&otilde;es portuguesas, como permitiria obter mat&eacute;rias-primas importantes para a  ind&uacute;stria t&ecirc;xtil e para a constru&ccedil;&atilde;o naval. Admitia, ali&aacute;s, tamb&eacute;m em  contradi&ccedil;&atilde;o com o c&acirc;none mercantilista, que tal com&eacute;rcio pudesse  ser sustentadamente deficit&aacute;rio.     <p>Ao contr&aacute;rio de outros autores mercantilistas, Bandeira acentuava com  o seu projecto a necessidade de Portugal redefinir a sua posi&ccedil;&atilde;o na Europa  que emergiu da paz de Utreque de 1713, redefini&ccedil;&atilde;o essa que contemplava  a diversifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas externas, o combate  ao hegemonismo holand&ecirc;s e ingl&ecirc;s e a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha, cujos  interesses estrat&eacute;gicos este mercador lisboeta tomava como coincidentes com os  portugueses.      <p>O projecto para Portugal articulava-se com um outro projecto mais ambicioso    de reforma da Europa, o qual visava definir um novo equil&iacute;brio econ&oacute;mico    e estrat&eacute;gico global, mas numa forma distanciada das utopias coevas que    anteviam a fus&atilde;o dos seres humanos numa comunidade &uacute;nica. Na &oacute;ptica    de Bandeira, tal reforma, que deveria conduzir &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    de um bloco continental, iniciar-se-ia com um tratado comercial que forneceria    base legal &agrave;s trocas directas entre Portugal (e as suas col&oacute;nias)    e a R&uacute;ssia, a que se seguiria o alargamento &agrave; Espanha e, posteriormente,    num prazo de oito anos, pelo menos &agrave; Fran&ccedil;a, &agrave; Alemanha    e &agrave; Pol&oacute;nia. Ainda que constituindo um projecto esssencialmente    laico, e n&atilde;o tanto um resqu&iacute;cio dos projectos ecum&eacute;nicos    da cristandade, o mercador-economista portugu&ecirc;s recorria habilidosamente    a uma argumenta&ccedil;&atilde;o religiosa para fundamentar a exclus&atilde;o    da Holanda, da Inglaterra e do Imp&eacute;rio Turco do projectado bloco europeu.      <p>Este projecto tinha impl&iacute;cita a ideia de integra&ccedil;&atilde;o, ainda que muito  limitada, das actividades produtivas situadas nos v&aacute;rios pa&iacute;ses e previa  explicitamente a livre circula&ccedil;&atilde;o internacional de pessoas. No entanto,  apresentava tais disposi&ccedil;&otilde;es de uma forma gen&eacute;rica, sem detalhes t&eacute;cnicos,  designadamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mat&eacute;ria monet&aacute;ria, cambial ou a outras eventuais  cl&aacute;usulas espec&iacute;ficas a inserir nos tratados. Em boa medida, livre das  preocupa&ccedil;&otilde;es proteccionistas caras &agrave; maioria dos mercantilistas, Bandeira  insistia sobretudo numa liberaliza&ccedil;&atilde;o das trocas comerciais entre os pa&iacute;ses  envolvidos. Como notou Schumpeter, &quot;as for&ccedil;as livre-cambistas n&atilde;o se  congregaram apenas fora da cidadela mercantilista hostilizando-a [&#133;] em  grande medida nasceram no seu interior&quot; (Schumpeter, 1994, p. 369).     <p>No plano pol&iacute;tico, o projecto de Estev&atilde;o Bandeira tinha uma &oacute;bvia  inten&ccedil;&atilde;o de preservar a paz entre as pot&ecirc;ncias presentes no cen&aacute;rio europeu  (com exclus&atilde;o do Imp&eacute;rio Otomano) n&atilde;o s&oacute; porque admitia que o  desenvolvimento do com&eacute;rcio e a circula&ccedil;&atilde;o das pessoas tendiam a iludir fronteiras e  a travar as l&oacute;gicas de guerra, mas tamb&eacute;m porque aceitava a manuten&ccedil;&atilde;o  do <I>status quo</I> territorial. Ainda assim, o projecto deste  mercador-economista n&atilde;o previa a cria&ccedil;&atilde;o de qualquer organismo regulador internacional de  natureza econ&oacute;mica ou pol&iacute;tica, como n&atilde;o reclamava um direito  internacional positivo, mas t&atilde;o-s&oacute; uma forte coopera&ccedil;&atilde;o entre os v&aacute;rios  estados assente numa rede de tratados e alian&ccedil;as e, eventualmente, na cria&ccedil;&atilde;o conjunta  de uma companhia de com&eacute;rcio com o Oriente. Em Estev&atilde;o Bandeira, a  Europa surgia assim como quadro de refer&ecirc;ncia pol&iacute;tica, mas sobretudo como  espa&ccedil;o comercial e cosmopolita, tal como ele surgia j&aacute; na pr&aacute;tica e no  &quot;horizonte mental&quot; dos mercadores do noroeste europeu do s&eacute;culo  xvii (Peluse-Kaplan, 1994, p. 133).     <p>Foi porventura este entendimento sobre a Europa e a conjuntura do primeiro    quartel de Setecentos, designadamente no que esta continha de intensifica&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es comerciais intra-europeias, de novas rela&ccedil;&otilde;es    de poder entre as pot&ecirc;ncias do continente, de hostiliza&ccedil;&atilde;o    do Imp&eacute;rio Turco e de eros&atilde;o da pr&oacute;pria ideia de imp&eacute;rio    enquanto forma de integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e religiosa do ocidente    crist&atilde;o, que determinou algumas semelhan&ccedil;as com outros projectos    coevos. N&atilde;o s&oacute; com um outro projecto apresentado tamb&eacute;m    no ano de 1724 pelo comerciante de C&aacute;dis Francesco Perrata em nome da    corte espanhola cujo objectivo era a integra&ccedil;&atilde;o comercial com    a R&uacute;ssia (Miranda, 2000, pp. 113-115), mas tamb&eacute;m o <I>Projecto    para tornar perp&eacute;tua a paz na Europa</I>, publicado pelo Abb&eacute;    de Saint-Pierre entre 1712 e 1729 e que veio a alargar significativamente a    dimens&atilde;o econ&oacute;mica dos sucessivos projectos de paz e a marcar    toda a reflex&atilde;o sobre a problem&aacute;tica europeia ao longo do s&eacute;culo    xviii.      <p>Apesar de todas as diferen&ccedil;as entre o projecto de Estev&atilde;o Bandeira e  este &uacute;ltimo &#151; desde logo a sistematicidade e extens&atilde;o dos respectivos textos  e o facto de o projecto do abade normando prever a transfer&ecirc;ncia de  soberania para institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas comunit&aacute;rias a criar &#151;, existiam importantes  semelhan&ccedil;as na forma como concebiam as rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas entre  os Estados crist&atilde;os. A aboli&ccedil;&atilde;o dos direitos de importa&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o  no com&eacute;rcio entre os pa&iacute;ses signat&aacute;rios dos tratados e a liberdade de  circula&ccedil;&atilde;o e estabelecimento de pessoas eram, porventura, as mais importantes.      <p>Em qualquer caso, nenhum destes projectos teve impacto significativo na vida    cultural ou pol&iacute;tica portuguesa. Apenas o de Estev&atilde;o Bandeira    ter&aacute; sensibilizado uma frac&ccedil;&atilde;o da diplomacia portuguesa    (Miranda, 2000, pp. 74-75), sem, contudo, afectar a pol&iacute;tica externa,    que ent&atilde;o se orientava preferencialmente para as col&oacute;nias, encontrando-se    muito dependente dos interesses estrat&eacute;gicos ingleses.      <p>&nbsp;     <P><b>A integra&ccedil;&atilde;o comercial, econ&oacute;mica e monet&aacute;ria    vista pelos economistas oitocentistas </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a emerg&ecirc;ncia em finais do s&eacute;culo  xviii do crescimento econ&oacute;mico moderno enquanto padr&atilde;o de funcionamento da  economia-mundo euro-at&acirc;ntica, a natureza dos processos de integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica  mudou. A concomitante preval&ecirc;ncia da economia pol&iacute;tica cl&aacute;ssica mudou tamb&eacute;m  a atitude dos economistas relativamente ao com&eacute;rcio externo e, em  particular, &agrave; problem&aacute;tica da integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica no espa&ccedil;o europeu.     <p>Esta &uacute;ltima mudan&ccedil;a foi porventura menos clara entre os  economistas portugueses do que entre os seus cong&eacute;neres de outros pa&iacute;ses  europeus, uma vez que a quest&atilde;o colonial continuou, em boa medida, a estar no  centro da sua aten&ccedil;&atilde;o e os efeitos decorrentes da situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia  da Inglaterra, desde logo confirmada pelo tratado de 1810 &#151; para al&eacute;m  da pr&oacute;pria estrutura fiscal &#151;, condicionaram de alguma forma a reflex&atilde;o  sobre a Europa e a afirma&ccedil;&atilde;o do ide&aacute;rio livre-cambista. Talvez por isso, s&oacute; a  t&iacute;tulo excepcional, algum destes economistas tomou a Europa, e por maioria  de raz&atilde;o a economia mundial em forma&ccedil;&atilde;o, como foco das suas  reflex&otilde;es. Ainda assim, a utopia smithiana da f&aacute;brica &uacute;nica e da rep&uacute;blica  mercantil universal n&atilde;o deixou de ecoar pontualmente em Portugal: &quot;este grande  acontecimento comercial [a uni&atilde;o das alf&acirc;ndegas alem&atilde;s] ser&aacute; porventura  precursor da liberdade de com&eacute;rcio; &agrave; queda das alf&acirc;ndegas de prov&iacute;ncia a  prov&iacute;ncia seguir-se-&aacute; a dest'outras, que separam estados lim&iacute;trofes; e esta a  fus&atilde;o universal em um futuro, que por ser mui remoto, nem por isso &eacute;  improv&aacute;vel&quot; (Sampaio, 1852, p. 84).                                     <p>Em qualquer caso, as reflex&otilde;es formuladas pelos economistas  portugueses assumiram natureza diversa. Nuns casos traduziram-se em propostas  de integra&ccedil;&atilde;o comercial, isto &eacute;, em propostas de diminui&ccedil;&atilde;o ou elimina&ccedil;&atilde;o  de barreiras artificiais ao com&eacute;rcio, em ordem a viabilizar a intensifica&ccedil;&atilde;o  das trocas internacionais de mercadorias e, no limite, a integra&ccedil;&atilde;o informal  da economia europeia; noutros casos resultaram em projectos de  integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica formal, isto &eacute;, em projectos de arranjo institucional, a  acordar pelas autoridades de duas ou mais economias, nacionais visando a cria&ccedil;&atilde;o  de uni&otilde;es aduaneiras, ou mesmo de mercados comuns, complementados ou  n&atilde;o com projectos de integra&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria.      <p>Na aus&ecirc;ncia de uma teoria das uni&otilde;es aduaneiras, a generalidade    dos projectos visando a integra&ccedil;&atilde;o da economia europeia procurou    fundamento e legitimidade no discurso te&oacute;rico sobre o com&eacute;rcio    internacional, tanto mais que os pr&oacute;prios processos de integra&ccedil;&atilde;o    formal eram &agrave; &eacute;poca entendidos como &quot;um passo na direc&ccedil;&atilde;o    do com&eacute;rcio livre&quot; (Robson, 1990, p. 4).      <p>&nbsp;     <P><b>O discurso te&oacute;rico </b>     <p>Os economistas portugueses de Oitocentos n&atilde;o se dedicaram, por  regra, a grandes reflex&otilde;es ou discuss&otilde;es em mat&eacute;ria de teoria do com&eacute;rcio  internacional. Ainda assim, n&atilde;o deixaram de acompanhar e acolher, em  algum momento, os principais contributos da escola cl&aacute;ssica, designadamente  as teorias das vantagens absolutas e das vantagens comparativas.     <p>Um primeiro exemplo de assimila&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o smithiana &eacute; o  economista luso-brasileiro Jos&eacute; da Silva Lisboa (1756-1835), que nos seus  &#171;Princ&iacute;pios de economia pol&iacute;tica&#187;, obra do in&iacute;cio do s&eacute;culo e que de alguma  forma assinala o in&iacute;cio do predom&iacute;nio do pensamento cl&aacute;ssico em Portugal,  enunciava o que designava por 2.&#186; princ&iacute;pio de economia pol&iacute;tica, notando  que &quot;[...] a concorr&ecirc;ncia estrangeira n&atilde;o pode deixar de produzir o ben&eacute;fico  efeito de virem ao p&uacute;blico os efeitos a mais barato pre&ccedil;o&quot;, que &quot;o amor da  independ&ecirc;ncia nacional, e o desejo do extenso e geral emprego dos cidad&atilde;os, n&atilde;o  deve precipitar a um governo iluminado ao absurdo e imposs&iacute;vel projecto de  concentrar no pr&oacute;prio territ&oacute;rio todos os ramos da ind&uacute;stria e com&eacute;rcio, e  menos os daqueles pa&iacute;ses que t&ecirc;m decisivas vantagens naturais ou adquiridas  nesses ramos&quot;, concluindo que &quot;mostra-se, assim, a teoria, como em pr&aacute;tica, que  a divis&atilde;o do trabalho &eacute; igualmente ben&eacute;fica aos particulares e &agrave;s na&ccedil;&otilde;es; e  que a liberdade de com&eacute;rcio amplifica tanto a s&oacute;lida grandeza e opul&ecirc;ncia  dos Estados [&#133;] como a contr&aacute;ria pol&iacute;tica arruina os imp&eacute;rios, e obsta ao  progresso da civiliza&ccedil;&atilde;o e filantropia&quot; (Lisboa, 1993 [1804], pp. 36-37).      <p>Quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas e meia mais tarde, Jos&eacute; Ferreira Borges    (1786-1838) sustentou tamb&eacute;m que &quot;a liberdade de com&eacute;rcio    [externo] &eacute; uma necessidade para a acumula&ccedil;&atilde;o da riqueza    nacional &#151; que os direitos proibitivos e protectores s&atilde;o a ru&iacute;na    da sua prosperidade&quot;, concluindo que &quot;o verdadeiro e &uacute;nico    princ&iacute;pio a seguir em todas e quaisquer circunst&acirc;ncias: &#151;    a regra nesta mat&eacute;ria sem excep&ccedil;&atilde;o, &eacute; &#151; liberdade    do com&eacute;rcio&quot; (Borges, 1995 [1831], pp. 40 e 44). No entanto, a fundamenta&ccedil;&atilde;o    deste ponto de vista trazia novidade, j&aacute; que remetia explicitamente para    a teoria ricardiana das vantagens comparativas, designadamente quando notava:      <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&oacute;s n&atilde;o podemos tocar na mat&eacute;ria das proibi&ccedil;&otilde;es      sem activarmos em n&oacute;s o desejo de reproduzir novos argumentos e novas      autoridades. Diz Mr. Ricardo numa nota ao cap&iacute;tulo 7 dos seus <I>Principes      d'economie politique:</I> um pa&iacute;s que pela sua superioridade nas m&aacute;quinas      e habilidade de oper&aacute;rios fabrica com maior economia de m&atilde;o-de-obra      do que os seus vizinhos, pode com os produtos da sua ind&uacute;stria fazer      vir de fora o trigo necess&aacute;rio ao seu consumo, <I>ainda que o seu solo      fosse mais f&eacute;rtil e que o trigo nele se desse com menos trabalho do      que no pa&iacute;s donde se provesse</I>. Suponhamos dois oficiais, e que      ambos sabem fazer sapatos e chap&eacute;us. Um deles pode ser superior em      ambos os of&iacute;cios; mas fazendo sapatos lhe leva a vantagem de 1/3, ou      33 por cento. N&atilde;o seria do interesse de ambos, que o oficial mais h&aacute;bil      se desse exclusivamente a chapeleiro [id.,<I> ibid., </I>pp. 96-97]? </p> </blockquote>     <p>Pouco depois, Agostinho Albano da Silveira Pinto (1785-1852), no curso que    leccionou na Associa&ccedil;&atilde;o Comercial do Porto, embora sem citar explicitamente    Ricardo, retomou brevemente a teoria das vantagens comparativas (Pinto, 1837,    p. 177). No entanto, apesar destas refer&ecirc;ncias, a reflex&atilde;o te&oacute;rica    sobre esta tem&aacute;tica espec&iacute;fica n&atilde;o progrediu significativamente.    Tal como sucedeu com muitos outros textos publicado ao longo do s&eacute;culo,    o primeiro manual de ensino de economia pol&iacute;tica produzido na Universidade    de Coimbra representava nesta mat&eacute;ria um regresso a Smith &#151; ainda    que filtrado pelas leituras de Say &#151;, com o consequente retomar da teoria    das vantagens absolutas: &quot;da mesma forma que o indiv&iacute;duo interessa    em adquirir pela troca de seus pr&oacute;prios produtos os estranhos, que h&aacute;    mister, e que ou n&atilde;o pode absolutamente produzir, ou somente com um disp&ecirc;ndio    superior, cada uma das na&ccedil;&otilde;es, importando mercadorias estrangeiras    [...] adquire com mais economia de seus rendimentos aquelas outras que uma na&ccedil;&atilde;o    estrangeira lhe vende mais baratas, do que se ela pr&oacute;pria as produzira&quot;    (Sampaio, 1995 [1839], p. 37). Contudo, tal afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    impedia este economista de, ainda sob a influ&ecirc;ncia de Say, referir uma    outra explica&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia do com&eacute;rcio internacional:    a chamada &quot;regra do s&eacute;culo xviii&quot; (Viner, 1937, p. 440). De    acordo com esta regra, que pressupunha serem diferentes os custos relativos    nos pa&iacute;ses envolvidos na troca, seria vantajoso para um pa&iacute;s importar    mercadorias sempre que estas pudessem ser obtidas atrav&eacute;s de exporta&ccedil;&otilde;es    cujo custo real fosse inferior ao custo real da eventual produ&ccedil;&atilde;o    interna das mercadorias importadas (Sampaio, 1995 [1853], p. 252).      <p>Os manuais que se lhe seguiram ou ignoraram a problem&aacute;tica do  com&eacute;rcio internacional (Carneiro, 1850), ou referiram-se preferencialmente &agrave;  teoria das vantagens absolutas, de forma que o pr&oacute;prio Jos&eacute; Marnoco e  Sousa (1869-1916), o mais informado dos economistas acad&eacute;micos  portugueses at&eacute; &agrave; Primeira Guerra Mundial, ao resumir o contributo de David  Ricardo para a ci&ecirc;ncia econ&oacute;mica, e sem para tal apresentar qualquer  justifica&ccedil;&atilde;o, ignorou a teoria das vantagens comparativas (Sousa, 1997 [1910], pp.  50-51). A causa desta postura te&oacute;rica residia, porventura, na avers&atilde;o  destes economistas de forma&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica e liter&aacute;ria &quot;a um m&eacute;todo  essencialmente matem&aacute;tico de compreender o mundo&quot; (Krugman, 1998, p. 23).     <p>Os desenvolvimentos te&oacute;ricos posteriores introduzidos por John  Stuart Mill em meados dos anos 40, nomeadamente a incorpora&ccedil;&atilde;o do lado  da oferta na an&aacute;lise dos valores internacionais e o conceito de procura  rec&iacute;proca, ainda que pontual e superficialmente referidos, n&atilde;o foram  verdadeiramente assimilados: &quot;nas trocas internacionais o valor dos produtos &eacute; n&atilde;o o  do seu custo de produ&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s de origem, mais as despesas acess&oacute;rias,  mas um valor interm&eacute;dio entre este custo e o que eles t&ecirc;m ou teriam no pa&iacute;s  de destino, valor interm&eacute;dio que pode deixar um lucro relativo igual, maior,  ou menor aos pa&iacute;ses que comerceiam [...]&quot; (Laranjo, 1997 [1891], p. 414).     <p>Do mesmo modo, os efeitos de cria&ccedil;&atilde;o e de desvio de com&eacute;rcio a  que j&aacute; haviam feito refer&ecirc;ncia os economistas cl&aacute;ssicos, especialmente  John MacCulloch (O'Brien, 1976, p. 546) &#151; pese a j&aacute; citada inexist&ecirc;ncia  ao tempo de uma teoria das uni&otilde;es aduaneiras &#151;, tamb&eacute;m n&atilde;o foram  objecto de enunciado claro por parte dos seus pares portugueses. Os precursores  da an&aacute;lise neocl&aacute;ssica do com&eacute;rcio internacional que permitiam suportar  uma posi&ccedil;&atilde;o livre-cambista,  <I>maxime</I> Hans von Mangoldt (Gomes, 1990, p.  23), o qual estendeu a teoria dos custos comparativos a um mundo com  m&uacute;ltiplas mercadorias, t&atilde;o-pouco foram referidos.     <p>Entretanto, o pensamento livre-cambista que emergiu no debate com  as correntes proteccionistas n&atilde;o revelou densidade te&oacute;rica. A refer&ecirc;ncia  fundamental, quando existente, foi Smith, o que ainda assim n&atilde;o impedia o  expressar pontual da ideia de que n&atilde;o existia diferen&ccedil;a significativa entre  com&eacute;rcio interno e com&eacute;rcio externo, com a consequente nega&ccedil;&atilde;o da relev&acirc;ncia  de uma teoria aut&oacute;noma do com&eacute;rcio internacional. Ilustra-o exemplarmente  o pol&iacute;tico e jornalista livre-cambista Ant&oacute;nio de Serpa (1825-1900) ao  notar que: &quot;&Eacute; a economia internacional fundada nos mesmos princ&iacute;pios da  economia interna&quot; (Serpa, 1850, p. 1).<B></B>     <p>&Agrave; margem da ortodoxia te&oacute;rica, o <I>Sistema Nacional de Economia    Pol&iacute;tica,</I> de Friedrich List, apesar de citado com alguma frequ&ecirc;ncia,    permaneceu mal conhecido da generalidade dos economistas portugueses. A principal    excep&ccedil;&atilde;o foi Oliveira Marreca (1805-1889), um economista que se    aproximou muito das concep&ccedil;&otilde;es daquele economista alem&atilde;o,    designadamente quando se ocupou da integra&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o    nacional. No entanto, Marreca diferiu de List na avalia&ccedil;&atilde;o do    papel dos pequenos pa&iacute;ses no concerto internacional e, procurando preservar    tanto quanto poss&iacute;vel a autonomia econ&oacute;mica e estrat&eacute;gica    de Portugal, op&ocirc;s-se &agrave; ideia de um poss&iacute;vel <I>zollverein</I>    ib&eacute;rico (que de resto List, ainda que por raz&otilde;es diversas das    de Marreca, tamb&eacute;m n&atilde;o sustentou). Num plano estritamente anal&iacute;tico,    Marreca n&atilde;o s&oacute; silenciou o que em List foi efectiva contribui&ccedil;&atilde;o    para a teoria das rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas internacionais, como    pouco se empenhou, ele pr&oacute;prio, na cr&iacute;tica te&oacute;rica da vis&atilde;o    cl&aacute;ssica (Bastien, 2002). Por seu turno, o professor de Coimbra Jos&eacute;    Frederico Laranjo (1846-1910) revelou uma discreta simpatia pelos pontos de    vista de List, mas tamb&eacute;m ele ignorou o que na obra deste autor poderia    sustentar uma ideia de integra&ccedil;&atilde;o internacional (Laranjo, 1997    [1891], pp. 425-426).      <p>Esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o surpreende: se houve t&oacute;pico da    economia pol&iacute;tica que suscitou pouco o interesse e a reflex&atilde;o    dos economistas portugueses, foi precisamente o da teoria do com&eacute;rcio    internacional. &Eacute; prov&aacute;vel que, &agrave; semelhan&ccedil;a do que    sucedeu com boa parte dos economistas cl&aacute;ssicos, tamb&eacute;m os seus    cong&eacute;neres portugueses entendessem que o com&eacute;rcio externo perderia    import&acirc;ncia &agrave; medida que a economia portuguesa se fosse desenvolvendo.      <p>&nbsp;      <P><b>A integra&ccedil;&atilde;o comercial </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A perspectiva de integra&ccedil;&atilde;o informal da economia europeia &#151; no  dizer de Agostinho Albano, &quot;a permuta&ccedil;&atilde;o de produtos [que] liga entre si  as na&ccedil;&otilde;es civilizadas pelas rela&ccedil;&otilde;es de m&uacute;tuo interesse e [que] faz delas  uma grande sociedade&quot; (Pinto, 1837, p. 177) &#151; teve, no decurso do s&eacute;culo  xix, express&atilde;o privilegiada no livre-cambismo enquanto regra  doutrin&aacute;ria orientadora da pol&iacute;tica econ&oacute;mica externa.     <p>Em Portugal, no primeiro ter&ccedil;o do s&eacute;culo, tal perspectiva teve  como defensores qualificados os j&aacute; citados Silva Lisboa (particularmente  preocupado com a liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio brasileiro) e Ferreira Borges.     <p>Antes deles, nos anos que antecederam a revolu&ccedil;&atilde;o liberal de    1820 e a independ&ecirc;ncia do Brasil, tal postura foi rara e mais restrita    no seu alcance. Ent&atilde;o, a abertura da economia portuguesa, plasmada nos    tratados de 1808 e<B> </B>de<B> </B>1810, significou sobretudo subordina&ccedil;&atilde;o    a interesses econ&oacute;micos ingleses. Sousa Coutinho (1755-1812), leitor    de Adam Smith e principal arquitecto dessa pol&iacute;tica, via nela o caminho    para o desenvolvimento da economia portuguesa (e brasileira) e justificava-a    nos seguintes termos: &quot;Sua Alteza Real firmou com a Gr&atilde;-Bretanha    n&atilde;o s&oacute; um tratado de alian&ccedil;a mais expl&iacute;cito do que    tudo o que antes existia, mas um tratado de com&eacute;rcio que p&otilde;e a    navega&ccedil;&atilde;o portuguesa em perfeita igualdade com a inglesa, que    tira todos os gravames que contra ela existiam, e que quanto ao com&eacute;rcio    n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o concede privil&eacute;gio algum exclusivo, mas    renova o tratado de Methuen na parte em que t&atilde;o favor&aacute;vel &eacute;    aos nossos vinhos, sem dar por isso equivalente algum, pois que a proibi&ccedil;&atilde;o    dos lanif&iacute;cios das outras na&ccedil;&otilde;es j&aacute; n&atilde;o existe&quot;    (Coutinho, 1993 [1811], p. 399).      <p>No pr&oacute;prio parlamento vintista, n&atilde;o obstante todo o entusiamo liberal  que o marcou, a protec&ccedil;&atilde;o foi posi&ccedil;&atilde;o largamente dominante em mat&eacute;ria  de pol&iacute;tica econ&oacute;mica externa. O economista e deputado Jo&atilde;o Rodrigues  de Brito (1768-1835) adoptou uma posi&ccedil;&atilde;o claramente favor&aacute;vel ao  livre-c&acirc;mbio, sustentada no conhecimento do  <I>Trait&eacute;</I> de Say. Argumentou, por exemplo,  que &quot;a ci&ecirc;ncia da economia pol&iacute;tica tem sido muito debatida:  consultem-se esses autores e eles dir&atilde;o que o com&eacute;rcio alenta a  agricultura. A importa&ccedil;&atilde;o dos g&eacute;neros estrangeiros provoca a importa&ccedil;&atilde;o dos nossos:  a soma que importam os g&eacute;neros estrangeiros h&aacute;-de ser paga com a  nossa ind&uacute;stria, eles n&atilde;o podem levar sen&atilde;o em g&eacute;neros um valor igual&quot;  (Brito, 1821, p. 312), mas esta sua ideia encontrou pouco eco entre os seus pares.     <p>Antes ainda de meados do s&eacute;culo, em 1844 e 1845, Portugal  assinou tratados de com&eacute;rcio com alguns dos estados da Confedera&ccedil;&atilde;o  Germ&acirc;nica, mas foi no per&iacute;odo da Regenera&ccedil;&atilde;o que a pol&iacute;tica econ&oacute;mica externa  portuguesa se revelou mais fortemente influenciada pelo ide&aacute;rio  livre-cambista, embora sem nunca atingir no plano pol&iacute;tico e pr&aacute;tico o patamar de  uma liberaliza&ccedil;&atilde;o radical (Fontoura e Val&eacute;rio, 2000). Particularmente  significativos deste per&iacute;odo foram a redu&ccedil;&atilde;o dos direitos de importa&ccedil;&atilde;o de cereais logo  em 1852, assim como o tratado comercial assinado com a Fran&ccedil;a em 1866,  na sequ&ecirc;ncia do tratado Cobden-Chevalier, e igualmente conforme ao que  se tornou por essa &eacute;poca modelo de regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas sob  a &eacute;gide da ideologia liberal: tratado bilateral levantando proibi&ccedil;&otilde;es,  reduzindo tarifas e acolhendo a cl&aacute;usula de na&ccedil;&atilde;o mais favorecida.     <p>Foi tamb&eacute;m neste per&iacute;odo que no plano doutrinal se intensificaram  as tomadas de posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;veis a uma orienta&ccedil;&atilde;o livre-cambista, mas,  diversamente do que sucedeu no plano pol&iacute;tico pr&aacute;tico, com predom&iacute;nio de  uma vis&atilde;o que apontava para a liberaliza&ccedil;&atilde;o unilateral das rela&ccedil;&otilde;es  econ&oacute;micas externas, sem considera&ccedil;&atilde;o pelo princ&iacute;pio da reciprocidade. Ilustra-o  exemplarmente Forjaz de Sampaio (1810-1874), ao sustentar que, &quot;adoptada  a liberdade comercial, tornam-se escusados os tratados&quot; e que  &quot;ser&aacute; porventura mais seguro abandonar o com&eacute;rcio aos seus movimentos  naturais&quot; (Sampaio, 1852, p. 85).     <p>Parte das tomadas de posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;veis ao aprofundamento    da integra&ccedil;&atilde;o comercial emergiu no &acirc;mbito de debates que,    em particular no terceiro quartel do s&eacute;culo, opuseram partid&aacute;rios    do livre-c&acirc;mbio a partid&aacute;rios do proteccionismo.      <p>Foi o caso do j&aacute; citado Ant&oacute;nio de Serpa (1825-1900), ao afirmar  em debates com Lopes de Mendon&ccedil;a e com Ribeiro de S&aacute; a sua convic&ccedil;&atilde;o  de que a liberdade de com&eacute;rcio, para al&eacute;m de indispens&aacute;vel ao crescimento  da economia portuguesa, seria a breve prazo uma regra para a generalidade  dos pa&iacute;ses europeus: &quot;a economia internacional [&#133;] &eacute; uma das m&uacute;ltiplas  faces da emancipa&ccedil;&atilde;o pela qual na Europa h&aacute; mais de meio s&eacute;culo se t&ecirc;m dado  os mais violentos e decisivos combates&quot; (Serpa, 1850, p. 1). Foi tamb&eacute;m  o caso de Duarte Nogueira Soares (1831-1901), que, polemizando nas  p&aacute;ginas de A <I>Revolu&ccedil;&atilde;o de  Setembro</I> com Fradesso da Silveira, pugnou e  anteviu que &quot;est&aacute; pr&oacute;ximo [em toda a Europa] o dia do triunfo da liberdade  comercial&quot;, que &quot;o programa do imperador Napole&atilde;o &eacute; a aurora desse dia &#151; &eacute;  a inaugura&ccedil;&atilde;o de uma nova &eacute;poca de paz&quot; &#151; e que &quot;o exemplo da Fran&ccedil;a  h&aacute;-de esclarecer a raz&atilde;o e a consci&ecirc;ncia de todos os povos e de todos  os governos&quot;, congratulando-se &quot;por este acontecimento com todos  aqueles que partilham a convic&ccedil;&atilde;o de que a liberdade das trocas &eacute; uma das  condi&ccedil;&otilde;es mais essenciais da paz e civiliza&ccedil;&atilde;o dos povos&quot; (Silveira, 1862, p. 83).  Foi ainda o caso do empres&aacute;rio Eduardo Moser (1816-1893), que, envolvido  em pol&eacute;mica com outro empres&aacute;rio, o proteccionista Pereira Magalh&atilde;es,  citava nas p&aacute;ginas do <I>Di&aacute;rio  Mercantil</I> de 1865, em tom de aprova&ccedil;&atilde;o, os  exemplos da Su&iacute;&ccedil;a, da Rep&uacute;blica de Hamburgo, de Bremen e de outras  cidades hanse&aacute;ticas como exemplos de pol&iacute;ticas externas liberais bem  sucedidas. Referindo-se especificamente a Portugal, e procurando mais a  avalia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica concreta do que a afirma&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria gen&eacute;rica, afirmou ainda  que &quot;o tratado de 1810 deu-nos consider&aacute;veis vantagens, sobretudo &agrave;  nossa agricultura, com o monop&oacute;lio dos mercados brit&acirc;nicos para os nossos  vinhos; e nos direitos que perceb&iacute;amos de um imenso tr&acirc;nsito de fazendas  de algod&atilde;o e de l&atilde;, que iam pela raia seca, para Espanha&quot; (Magalh&atilde;es,  1871, pp. 63-64).      <p>No entanto, a mais consequente tomada de posi&ccedil;&atilde;o a favor da  doutrina livre-cambista foi talvez a que Jos&eacute; Luciano de Castro (1834-1914)  expressou na <I>Quest&atilde;o das  Subsist&ecirc;ncias</I>. Defendia este pol&iacute;tico, &agrave; data  ainda regenerador, que &quot;&eacute; na liberdade de com&eacute;rcio, que n&oacute;s achamos o meio  mais eficaz e prof&iacute;cuo para incitar e desenvolver a produ&ccedil;&atilde;o, e aumentar  as quantidades de subst&acirc;ncias alimentares. &Eacute; na liberdade de importa&ccedil;&atilde;o  e exporta&ccedil;&atilde;o, que n&oacute;s vemos a mais vantajosa garantia de progresso  industrial, e do engrandecimento e produtividade do trabalho&quot; (Castro, 1856, p. 113).      <p>A associa&ccedil;&atilde;o que estabelecia entre o <I>free trade,</I> a paz    e a prosperidade do pa&iacute;s, bem como a ideia de que esta dependia fundamentalmente    do esfor&ccedil;o interno de desenvolvimento, aproximavam &quot;este humilde    soldado da gloriosa causa [da liberdade de com&eacute;rcio]&quot; (id.,<I> ibid.,    </I>p. 125) das ideias de Richard Cobden (da fase anterior aos tratados). N&atilde;o    obstante, &eacute; de crer que este liberalismo radical tenha chegado aos economistas    portugueses por via da leitura de Bastiat, mais do que atrav&eacute;s do contacto    directo com os escritos de Cobden.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em qualquer caso, este mesmo liberalismo revelou alguma capacidade de influenciar    a sociedade e o pr&oacute;prio sistema pol&iacute;tico. Foi combatido por proteccionismos    v&aacute;rios &#151; na generalidade sem apoio te&oacute;rico ou doutrin&aacute;rio    sofisticado (v., por todos, Costa, 1861) &#151;, mas jamais foi confrontado    com as vers&otilde;es historicamente mais marcantes da doutrina socialista.    As refer&ecirc;ncias cr&iacute;ticas de Marx &quot;&agrave; hipocrisia comum    a todos os discursos livre-cambistas&quot; e &agrave; &quot;explora&ccedil;&atilde;o    no seu estado cosmopolita&quot; (Marx, 1965 [1848], pp. 151 e 154) passaram    despercebidas mesmo entre aqueles intelectuais que a partir de meados dos anos    70 se aproximaram da Internacional.      <p>&nbsp;     <P><b>A integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica formal </b>     <p>Outras abordagens da problem&aacute;tica europeia supunham o  aprofundamento da integra&ccedil;&atilde;o das diversas economias nacionais ent&atilde;o existentes na  Europa, designadamente por admitirem de forma mais ou menos clara a  supress&atilde;o das discrimina&ccedil;&otilde;es entre as unidades econ&oacute;micas dos diferentes  estados, a mobilidade internacional dos factores produtivos, e por preconizarem  arranjos institucionais formais de &acirc;mbito geral, e n&atilde;o apenas sectorial,  como sucedia com a generalidade dos tratados de com&eacute;rcio celebrados &agrave; &eacute;poca.     <p>Assim, em 1846, quando em Portugal se desenhava pela primeira  vez uma pol&iacute;tica moderna de transportes, Silvestre Pinheiro Ferreira  (1769-1846) apresentou publicamente as suas ideias sobre a problem&aacute;tica da  integra&ccedil;&atilde;o europeia e em termos avessos ao nacionalismo caracter&iacute;stico da &eacute;poca.  Ao contr&aacute;rio do que sucedeu com outros economistas, as suas  considera&ccedil;&otilde;es sobre o futuro da Europa deixavam provisoriamente de lado os  aspectos institucionais ligados &agrave;s pol&iacute;ticas econ&oacute;micas e aos tratados e tomavam  antes como base a revolu&ccedil;&atilde;o do caminho-de-ferro ent&atilde;o em curso, vendo na  difus&atilde;o dessa inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica a origem de uma irresist&iacute;vel for&ccedil;a integradora  que conduziria a Europa a uma divis&atilde;o em apenas dois blocos (o oriental e  o ocidental), ambos com caracter&iacute;sticas de economias nacionais.     <p>Nessa sua antevis&atilde;o, expressa em artigo publicado postumamente, Ferreira    admitia que &quot;a multiplica&ccedil;&atilde;o das transac&ccedil;&otilde;es    di&aacute;rias&quot; viabilizada pela rede ferrovi&aacute;ria resultaria na    &quot;fus&atilde;o dos pa&iacute;ses lim&iacute;trofes num s&oacute; Estado,    n&atilde;o se podendo consentir alf&acirc;ndegas internas&quot; (Ferreira, 1996    [1851], p. 309). Quanto aos termos concretos desse processo unificador, apenas    indicava como prov&aacute;vel a liga&ccedil;&atilde;o inicial entre a Fran&ccedil;a,    a B&eacute;lgica e a Holanda e um per&iacute;odo de cerca de cinquenta anos    para supera&ccedil;&atilde;o da diversidade lingu&iacute;stica, o que, em sua    opini&atilde;o, deveria ocorrer por generaliza&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua    alem&atilde;. Isto pela circust&acirc;ncia de esta l&iacute;ngua estar mais    difundida do que a francesa na Europa da &eacute;poca e por ser a mais rica    em express&otilde;es e a mais adequada &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos    termos.      <p>Este projecto de Ferreira  tinha, evidentemente, impl&iacute;cita a considera&ccedil;&atilde;o  de casos de integra&ccedil;&atilde;o formal ocorridos ou em curso na  Europa, n&atilde;o s&oacute; o projecto da uni&atilde;o aduaneira entre a Fran&ccedil;a e a B&eacute;lgica esbo&ccedil;ado em 1835,  mas sobretudo o <I>zollverein</I> alem&atilde;o, ent&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o. Ferreira n&atilde;o  referiu explicitamente a poss&iacute;vel atitude a assumir por Portugal, designadamente  a hip&oacute;tese de cria&ccedil;&atilde;o de uma uni&atilde;o aduaneira ib&eacute;rica. No entanto, a ideia de  que o caminho para a Europa poderia ou deveria passar por uma Ib&eacute;ria  unificada n&atilde;o deixou de ser considerada por outros intelectuais e pol&iacute;ticos portugueses.      <p>Almeida Garrett (1799-1854) foi quem de certa forma iniciou o longo  ciclo de reflex&otilde;es sobre o papel de Portugal no quadro pol&iacute;tico europeu  posterior &agrave; Confer&ecirc;ncia de Viena de 1815, que desembocavam na aceita&ccedil;&atilde;o  da integra&ccedil;&atilde;o de Portugal em Espanha  &#151; &quot;talvez uma federa&ccedil;&atilde;o&quot; (Garrett,  s. d. [1830], p. 220) &#151; enquanto solu&ccedil;&atilde;o alternativa e prefer&iacute;vel &agrave;  monarquia absoluta.      <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do que sucedeu com esta figura cimeira do  romantismo, muitos dos intelectuais portugueses que aceitaram ou pugnaram pela  ideia iberista privilegiaram a dimens&atilde;o pol&iacute;tica do problema. Em geral,  deram pouca aten&ccedil;&atilde;o aos aspectos econ&oacute;micos, ainda que compartilhassem a  convic&ccedil;&atilde;o de que a uni&atilde;o ib&eacute;rica era a via poss&iacute;vel para libertar a  economia portuguesa da rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia tutelar que mantinha com  a Gr&atilde;-Bretanha e, simultaneamente, a via mais eficiente para a supera&ccedil;&atilde;o do  atraso econ&oacute;mico nacional.      <p>Os projectos propriamente econ&oacute;micos resultaram, assim, em  considera&ccedil;&otilde;es algo gen&eacute;ricas, sem grande detalhe e sem apreci&aacute;vel dimens&atilde;o  t&eacute;cnica, n&atilde;o raro expressos em cartas, artigos de jornal ou meros op&uacute;sculos  publicados na sua esmagadora maioria entre os anos 50 e os anos 90 do  s&eacute;culo xix. Em nenhum deles houve a tentativa conseguida de avalia&ccedil;&atilde;o dos  efeitos econ&oacute;micos e financeiros decorrentes da eventual aplica&ccedil;&atilde;o dos  projectos, desde logo porque os seus autores tomavam as respectivas  vantagens &#151; sobretudo o alargamento dos mercados &#151; por evidentes. Cl&aacute;udio Adriano  da Costa (1795-1866) foi quem mais se acercou de uma avalia&ccedil;&atilde;o daquele  tipo, mas o seu prop&oacute;sito foi em parte frustrado pela circunst&acirc;ncia de a  imprensa ser, no seu dizer, &quot;inimiga jurada das letras de conta&quot; (Costa, 1856, p. 198).     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em qualquer caso, o ponto de partida desta literatura foi justamente  um artigo n&atilde;o assinado publicado ainda em finais da d&eacute;cada de 40, no qual o  autor an&oacute;nimo come&ccedil;ava por invocar &quot;o princ&iacute;pio fundamental da religi&atilde;o de  Cristo [...] a convers&atilde;o do mundo numa vasta e universal fraternidade&quot;  (id.,<I> ibid.,</I> 1847, p. 1) para acabar propondo a cria&ccedil;&atilde;o por etapas de uma uni&atilde;o  aduaneira entre Portugal e a Espanha.     <p>No entanto, o primeiro momento verdadeiramente importante do <I>corpus</I>    do iberismo econ&oacute;mico s&oacute; surgiu cerca de tr&ecirc;s anos mais    tarde. Ent&atilde;o Henriques Nogueira (1823-1858), um representante qualificado    da primeira gera&ccedil;&atilde;o socialista, um homem imbu&iacute;do do esp&iacute;rito    de 1848, que &quot;via a Europa j&aacute; n&atilde;o como um equil&iacute;brio    de poderes mas como uma federa&ccedil;&atilde;o de na&ccedil;&otilde;es&quot;    (Boer, 2005, p. 74), sugeriu no <I>Almanaque Democr&aacute;tico</I> um programa    econ&oacute;mico para a Federa&ccedil;&atilde;o Ib&eacute;rica, contemplando    a livre circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias entre Portugal e a Espanha e    uma pauta exterior comum, &quot;ao modo da <I>zollverein</I>&quot;, que asseguraria    temporariamente o equil&iacute;brio entre &quot;as for&ccedil;as produtivas    da ind&uacute;stria estrangeira e as da nacional&quot;. Tomando o alargamento    do mercado como um factor de progresso dos v&aacute;rios sectores da economia    portuguesa, notava que &quot;as nossas f&aacute;bricas que melhor produzissem,    teriam a vantagem de oferecer os seus artefactos a um mercado de mais de 17    milh&otilde;es de habitantes. A nossa agricultura ainda interessaria no consumo    dos vinhos que pudesse exportar para o continente e col&oacute;nias da Espanha&quot;    (Nogueira, 1976 [1853], p. 207). Este programa previa tamb&eacute;m a constru&ccedil;&atilde;o    ou melhoramento das vias terrestres e fluviais dirigidas &agrave; fronteira,    de forma a permitir n&atilde;o s&oacute; uma maior integra&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o ib&eacute;rico, como a intensifica&ccedil;&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es    com a restante Europa, e previa ainda a redu&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos    mediante a extin&ccedil;&atilde;o das alf&acirc;ndegas entre Portugal e a Espanha    e a &quot;elimina&ccedil;&atilde;o dos disp&ecirc;ndios de uma corte faustosa,    de uma diplomacia in&uacute;til e de um ex&eacute;rcito devorador&quot; (id.,<I>    ibid.,</I> p. 208).      <p>Outras vers&otilde;es do programa econ&oacute;mico iberista surgiram neste  per&iacute;odo com poucas diferen&ccedil;as entre si, independentemente da prefer&ecirc;ncia  pol&iacute;tica pelo iberismo unit&aacute;rio ou pelo iberismo federalista que revelavam.     <p>Excep&ccedil;&atilde;o parcial, porque um  pouco mais detalhado, foi o projecto apresentado em 1854 pelo m&eacute;dico e pol&iacute;tico portuense Jos&eacute; Barbosa Le&atilde;o  (1818-1888), justamente no ano em que Joaquim Maria da Silva (1830-?) deu  &agrave; estampa um primeiro esbo&ccedil;o de constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos da  Ib&eacute;ria (Silva, 1854). O projecto de Le&atilde;o retomava a ideia de cria&ccedil;&atilde;o a curto  prazo de uma uni&atilde;o aduaneira, de elimina&ccedil;&atilde;o de barreiras alfandeg&aacute;rias e n&atilde;o  alfandeg&aacute;rias ao com&eacute;rcio peninsular, precisando a este respeito a necessidade  de uniformiza&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o comercial, da lei de navega&ccedil;&atilde;o e do sistema  de pesos e medidas. O projecto previa tamb&eacute;m, pioneiramente, a adop&ccedil;&atilde;o de  um sistema monet&aacute;rio comum e, embora em momento diferido no tempo,  a completa liberdade de circula&ccedil;&atilde;o de pessoas. Destas medidas resultaria  uma uni&atilde;o econ&oacute;mica e monet&aacute;ria ib&eacute;rica. Como era omisso em mat&eacute;ria fiscal  e or&ccedil;amental e evitava a problem&aacute;tica da unifica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &#151; &quot;a uni&atilde;o  econ&oacute;mica dos dois reinos de Portugal e da Espanha pode muito bem  realizar-se, sem que se toque em coisa nenhuma na sua organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot;  (Le&atilde;o, 1854, p. 2) &#151;, este projecto n&atilde;o era inteiramente claro a respeito do  tempo e do modo da eventual fus&atilde;o das duas economias.     <p>Menos ambicioso, mais extenso e em alguns aspectos mais detalhado  era o projecto apresentado por J&uacute;lio M&aacute;ximo de Oliveira Pimentel (1809-1884).                                     <p>Este deputado e futuro reitor da Universidade de Coimbra defendia  tamb&eacute;m o estabelecimento de uma uni&atilde;o aduaneira entre os dois pa&iacute;ses, mas  deixava claro que isso deveria acontecer &quot;sem preju&iacute;zo da sua m&uacute;tua  independ&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de governo e de administra&ccedil;&atilde;o interior&quot; (Pimentel, 1860, p.  42). Mais uma vez, este projecto era sobretudo pormenorizado no que diz  respeito &agrave;s medidas de ordem fiscal e financeira, nomeadamente o  nivelamento da tarifa exterior comum pela tarifa mais baixa, e ainda uma outra  norma segundo a qual as receitas das alf&acirc;ndegas da uni&atilde;o pertenceriam ao pa&iacute;s  onde a alf&acirc;ndega se situasse, n&atilde;o havendo, pois, lugar a redistribui&ccedil;&atilde;o  proporcional das receitas (id.,<I> ibid.,</I> pp. 289-290).     <p>Diverso nos seus termos foi o projecto apresentado, um pouco mais  tarde, por Oliveira Martins (1845-1894), sobretudo porque nele se concebia  a integra&ccedil;&atilde;o ib&eacute;rica como resultado de uma dupla revolu&ccedil;&atilde;o. Uma  revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, conducente &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o de uma rep&uacute;blica federativa ib&eacute;rica, e  uma revolu&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, inspiradas nos princ&iacute;pios proudhonianos da  mutualidade e da regula&ccedil;&atilde;o por meio de contratos. Na pr&aacute;tica, Oliveira Martins  idealizava uma economia de agricultores propriet&aacute;rios, de cooperativas de produ&ccedil;&atilde;o  industrial e de profissionais liberais assente na mais ampla divis&atilde;o poss&iacute;vel  do trabalho e na troca livre das respectivas produ&ccedil;&otilde;es no mercado. Em  resultado da tend&ecirc;ncia imanente &quot;para o trabalho organizado pela federa&ccedil;&atilde;o das  fun&ccedil;&otilde;es&quot; (Martins, 1974 [1872], p. 319), aqueles agentes econ&oacute;micos  agrupar-se-iam em federa&ccedil;&otilde;es de f&aacute;bricas, de agricultores e em gr&eacute;mios profissionais,  sendo que este modelo organizativo deveria cobrir todo o espa&ccedil;o ib&eacute;rico.     <p>Volvidas duas d&eacute;cadas, este economista da gera&ccedil;&atilde;o de 70  apresentaria uma vis&atilde;o diferente sobre a integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica ib&eacute;rica. Descrendo  ent&atilde;o do federalismo, mostrou-se ainda favor&aacute;vel a uma economia ib&eacute;rica  integrada mas &quot;como na Alemanha, presidida e enfaixada pelo cesarismo  forte&quot; (Martins, 1924, p. 237). No entanto, este projecto, mais ainda do que  o anterior, era apresentado de forma muito gen&eacute;rica e com pouco  conte&uacute;do pr&aacute;tico. N&atilde;o havia nele, nem nos demais projectos, clareza na defini&ccedil;&atilde;o  dos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e pol&iacute;tica do conjunto nem  t&atilde;o-pouco um esbo&ccedil;o da afecta&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias no seio da Uni&atilde;o ent&atilde;o proposta.      <p>De um modo geral, e para al&eacute;m dos entraves de natureza pol&iacute;tica,    a preval&ecirc;ncia em todo este per&iacute;odo de uma vis&atilde;o livre-cambista    ampla _ ainda que s&oacute; parcialmente praticada _ limitou o aprofundamento    e a afirma&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese econ&oacute;mica iberista.      <p>&nbsp;      ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>A integra&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria </b>     <p>Os economistas portugueses que se ocuparam da integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica    neste per&iacute;odo foram, em geral, parcimoniosos na abordagem da integra&ccedil;&atilde;o    monet&aacute;ria, desde logo quando estava em causa a quest&atilde;o ib&eacute;rica.    Porque julgassem a quest&atilde;o dif&iacute;cil, ou adi&aacute;vel, ou porque    a tomassem por demasiado sens&iacute;vel politicamente, tendo em aten&ccedil;&atilde;o    a liga&ccedil;&atilde;o entre moeda e soberania, o facto &eacute; que raramente    foram al&eacute;m de alus&otilde;es vagas a uma eventual moeda &uacute;nica    ou outra solu&ccedil;&atilde;o afim.      <p>Como acima se referiu, Jos&eacute; Barbosa Le&atilde;o propunha pioneiramente  a adop&ccedil;&atilde;o de um sistema monet&aacute;rio &uacute;nico na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, embora  sem esclarecer os termos em que tal se realizaria (Le&atilde;o, 1854).     <p>Um pouco mais definida, mas igualmente sem suporte te&oacute;rico claro,  foi a proposta de uni&atilde;o monet&aacute;ria apresentada por um autor que apenas  se identificava como C. P. A sua ideia inicial era tamb&eacute;m a cria&ccedil;&atilde;o de  uma uni&atilde;o monet&aacute;ria sem uni&atilde;o pol&iacute;tica, de tal forma que todas as moedas  portuguesas e espanholas circulariam livremente no espa&ccedil;o ib&eacute;rico. Embora  nas condi&ccedil;&otilde;es concretas da &eacute;poca, a proposta cumpria aproximativamente  as condi&ccedil;&otilde;es que definem uma uni&atilde;o monet&aacute;ria: a convertibilidade das  moedas dos dois pa&iacute;ses, embora a Espanha estivesse ent&atilde;o fora do padr&atilde;o-ouro;  a fixidez da taxa de c&acirc;mbio, expressa numa tabela de equival&ecirc;ncia do valor  das v&aacute;rias moedas; a liberdade de movimentos de capital, condi&ccedil;&atilde;o que  talvez pelo pouco significado que esses movimentos ent&atilde;o assumiam n&atilde;o era  explicitamente enunciada. Apesar da aparente simplicidade, o pr&oacute;prio  autor admitia que a solu&ccedil;&atilde;o proposta poderia revelar-se dif&iacute;cil de executar. N&atilde;o  s&oacute; porque as tabelas j&aacute; ent&atilde;o publicadas na  <I>Gazeta</I> oficial de Madrid continham omiss&otilde;es e erros (nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o aos toques das diversas  moedas), como tamb&eacute;m porque, n&atilde;o sendo estes sistemas monet&aacute;rios  decimais, seria dif&iacute;cil para a popula&ccedil;&atilde;o dos dois pa&iacute;ses &quot;compreender a rela&ccedil;&atilde;o  entre o real espanhol e o real portugu&ecirc;s&quot;. Ponderadas estas dificuldades, C.  P. acabou, sem mais justifica&ccedil;&otilde;es, por adiantar uma solu&ccedil;&atilde;o alternativa  que consistia na adop&ccedil;&atilde;o do &quot;franco como moeda comum a ambas as  na&ccedil;&otilde;es ib&eacute;ricas&quot; (C. P., 1855, p. 1).     <p>Mais pr&aacute;tico foi o lan&ccedil;amento do padr&atilde;o-ouro, um regime  monet&aacute;rio internacional que de alguma forma veio a unificar monetariamente a  Europa mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma mesma moeda: o ouro.      <p>Nascido em Inglaterra a partir de um acontecimento algo fortuito &#151;  a fixa&ccedil;&atilde;o de um valor inadequado para a rela&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria do ouro com  a prata na Casa da Moeda de Londres &#151; o padr&atilde;o-ouro come&ccedil;ou por ser  um sistema monometalista de facto, vindo a ser formalizado apenas em  1816. Quase quatro d&eacute;cadas mais tarde, em 1854, ele foi tamb&eacute;m adoptado  por Portugal.     <p>O que ent&atilde;o conduziu Portugal a esta solu&ccedil;&atilde;o foi sobretudo    a forte liga&ccedil;&atilde;o com a Inglaterra, sendo que o padr&atilde;o-ouro    significava nesse contexto facilidade e estabilidade nas rela&ccedil;&otilde;es    comerciais e financeiras. Acrescia a ideia, aduzida ao longo do debate parlamentar    que concluiu pela introdu&ccedil;&atilde;o deste regime monet&aacute;rio, que    tal regime poderia dar confian&ccedil;a e atrair investidores estrangeiros (Sousa,    2004, p. 80). O facto de haver grande quantidade de moedas de ouro em circula&ccedil;&atilde;o    em Portugal, pelo menos desde 1850, era outro factor que aconselhava a introdu&ccedil;&atilde;o    de tal regime monet&aacute;rio. Foram, pois, raz&otilde;es de ordem pr&aacute;tica,    avaliadas no plano da decis&atilde;o pol&iacute;tica, e n&atilde;o projectos    apoiados em reflex&otilde;es te&oacute;ricas ou doutrin&aacute;rias aprofundadas    &#151; que, de resto, tamb&eacute;m s&oacute; adquiriram relevo nos demais pa&iacute;ses    europeus ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia de Paris de 1867 &#151;, a determinar    aquela op&ccedil;&atilde;o. Note-se, em qualquer caso, que a teoria de David    Hume acerca do pre&ccedil;o-fluxo de metais preciosos, que constituiu a refer&ecirc;ncia    fundamental deste sistema monet&aacute;rio, n&atilde;o foi claramente entendida    nem debatida pelos economistas portugueses. Ferreira Borges dedicou-lhe algumas    breves observa&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o foi al&eacute;m da considera&ccedil;&atilde;o    dos aspectos estritamente monet&aacute;rios dos mecanismos envolvidos no processo    de equil&iacute;brio da balan&ccedil;a de pagamentos (Borges, 1995 [1831], p.    277).      <p>De um modo geral, a discuss&atilde;o havida entre os economistas  acad&eacute;micos portugueses acerca do padr&atilde;o monet&aacute;rio foi pouco profunda e tardia.  Jos&eacute; Frederico Laranjo defendeu o bimetalismo para Portugal, embora  admitisse que qualquer acordo para a sua adop&ccedil;&atilde;o como padr&atilde;o internacional  seria muito dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar (Laranjo, 1997 [1891], pp. 187 e segs.) e  Marnoco e Sousa, entre outros, defendeu o monometalismo ouro pensando ser  esse o sistema mais est&aacute;vel e mais adequado ao regular funcionamento da  economia internacional (Sousa, 1997, pp. 287-289). No entanto, nenhum  dos intervenientes neste debate aprofundou a an&aacute;lise das implica&ccedil;&otilde;es  internacionais do padr&atilde;o monet&aacute;rio para Portugal nem para o processo de  integra&ccedil;&atilde;o europeia no seu conjunto. Estranhamente, parece que nenhum deles se  apercebeu verdadeiramente de que o equil&iacute;brio externo autom&aacute;tico prometido  pela teoria se revelava, afinal, desequil&iacute;brio permanente e instrumento  fundamental da expans&atilde;o financeira da Gr&atilde;-Bretanha.      <p>Surgiram ainda neste per&iacute;odo algumas sugest&otilde;es breves de  integra&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria europeia formal. O mais original e pensado projecto de cria&ccedil;&atilde;o  de uma moeda simultaneamente europeia e nacional foi apresentado por  Carlos Morato Roma (1798-1862) no &acirc;mbito de um estudo te&oacute;rico sobre a  moeda editado quase em simult&acirc;neo em Portugal e em Fran&ccedil;a (Roma, 1861a  e 1861b). Este financeiro lisboeta admitia, que a estabilidade monet&aacute;ria,  as facilidades comerciais e a clareza contabil&iacute;stica resultantes da maior  transpar&ecirc;ncia dos pre&ccedil;os dos produtos eram raz&otilde;es suficientes para justificar  a cria&ccedil;&atilde;o de uma moeda de ouro comum. Admitia tamb&eacute;m que a Fran&ccedil;a,  pela sua relev&acirc;ncia no cen&aacute;rio econ&oacute;mico e pol&iacute;tico europeu, n&atilde;o obstante a  sua perman&ecirc;ncia, &agrave; data, no sistema bimetalista, poderia ter um papel motor  em todo o processo de cria&ccedil;&atilde;o da uni&atilde;o monet&aacute;ria e ser depois secundada  pela It&aacute;lia, pela Espanha e por Portugal. Antevia ainda que posteriores  ades&otilde;es levariam rapidamente &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma moeda &uacute;nica  europeia.                                     <p>Na sombra ficava uma s&eacute;rie de aspectos t&eacute;cnicos e pr&aacute;ticos, desde  logo o nome a atribuir a uma tal moeda. Ainda assim, Morato Roma  preconizava que &quot;a pe&ccedil;a principal se compusesse de 10 gramas de ouro [...] e que  haveria tamb&eacute;m pe&ccedil;as de 5 gramas e de 2 gramas. Poderia a unidade monet&aacute;ria  ser o cent&eacute;simo do grama. A pe&ccedil;a de 10 gramas teria 1000  unidades &#151; 1000 centigramas&quot; (Roma, 1861a, p. 80). O projecto previa tamb&eacute;m que em  cada na&ccedil;&atilde;o deveria haver moeda auxiliar de prata, ainda que definida por  cada autoridade nacional &agrave; margem do acordo internacional. Quanto &agrave;  cunhagem e ao controlo da circula&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria, sustentava que tais fun&ccedil;&otilde;es  deveriam ficar a cargo das autoridades dos v&aacute;rios pa&iacute;ses aderentes ao sistema,  pelo que este configuraria uma uni&atilde;o monet&aacute;ria descentralizada.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alinhando com os pontos de vista expressos por uma parte da elite  liberal francesa &#151; a quem expressamente apresentou este seu projecto &#151;,  Morato Roma obteve uma audi&ecirc;ncia invulgar. Apesar de n&atilde;o terem tido  sequ&ecirc;ncia hist&oacute;rica nos exactos termos em que estavam formuladas, as suas ideias  n&atilde;o deixaram de anteceder alguns projectos afins apresentados em  Fran&ccedil;a, designadamente por Felix Parieu, Charles Le Touz&eacute; e Michel Chevalier  (Cardoso, 2004, p. 287), e, porventura, de influenciar algumas realiza&ccedil;&otilde;es  concretas, <I>maxime</I> a Uni&atilde;o Latina.     <p>Com efeito, esta uni&atilde;o monet&aacute;ria foi efectivamente criada em  1865, antecedendo em alguns anos &#151; &agrave; semelhan&ccedil;a do que tamb&eacute;m sucedeu  com a Uni&atilde;o Austro-Alem&atilde;, em 1857, e com Uni&atilde;o Escandinava, em 1873 &#151;  a generaliza&ccedil;&atilde;o do sistema monet&aacute;rio do padr&atilde;o-ouro.      <p>A Uni&atilde;o Latina foi formada por iniciativa da Fran&ccedil;a, que reuniu &agrave;  sua volta pa&iacute;ses com os quais mantinha rela&ccedil;&otilde;es monet&aacute;rias fortes &#151; a  B&eacute;lgica, a It&aacute;lia, a Su&iacute;&ccedil;a e mais tarde a Gr&eacute;cia &#151;, constituindo uma uni&atilde;o  monet&aacute;ria bimetalista, descentralizada e imperfeita.      <p>Portugal nunca participou nela. &Agrave; data em que esta Uni&atilde;o se  constituiu, Portugal tinha j&aacute; adoptado o regime do padr&atilde;o-ouro e, n&atilde;o obstante  as promessas de apoio por parte do governo franc&ecirc;s, eram poucos os  que admitiam ser vantajosa a passagem a um sistema bimetalista. Acrescia  que as enormes dificuldades financeiras que culminaram na bancarrota parcial  de 1892 e a consequente adop&ccedil;&atilde;o do sistema de curso for&ccedil;ado retiravam  ao pa&iacute;s as condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para integrar qualquer uni&atilde;o monet&aacute;ria.      <p>Ainda que tardiamente, Portugal esbo&ccedil;ou uma aproxima&ccedil;&atilde;o    &agrave; Uni&atilde;o Latina. Em 1904 Rodrigo Afonso Pequito (1849-1931), professor    do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e &agrave; data ministro da Fazenda,    apresentou ao parlamento um projecto de reforma monet&aacute;ria dominado pela    ideia de aprofundar a integra&ccedil;&atilde;o da economia portuguesa na europeia.    Esse projecto assentava na expectativa de r&aacute;pido regresso de Portugal    ao padr&atilde;o-ouro &#151; a pr&oacute;pria Uni&atilde;o Latina havia-se convertido    de facto a este padr&atilde;o monet&aacute;rio em 1878 &#151; e previa a altera&ccedil;&atilde;o    da unidade monet&aacute;ria portuguesa (entretanto renomeada luso, em vez do    tradicional real), a divis&atilde;o decimal desta at&eacute; aos cent&eacute;simos    e a defini&ccedil;&atilde;o do toque das moedas de forma que todo o sistema    coincidisse com o dos pa&iacute;ses membros daquela Uni&atilde;o (Pequito, 1904,    pp. 42-44 e 53-54).      <p>A queda do governo impediu a discuss&atilde;o parlamentar deste projecto, que    tamb&eacute;m n&atilde;o entusiasmou a opini&atilde;o p&uacute;blica, nem mesmo    a mais especializada. De entre os economistas portugueses, s&oacute; Marnoco    e Sousa se lhe referiu com algum detalhe, revelando concordar apenas com a altera&ccedil;&atilde;o    do toque das moedas portuguesas (Sousa, 1997, pp. 295-297). A generaliza&ccedil;&atilde;o    e o bom funcionamento do padr&atilde;o-ouro at&eacute; &agrave; Primeira Guerra    Mundial fizeram decrescer a oportunidade e o interesse pelas uni&otilde;es regionais.      <p>&nbsp;     <P><b>Notas conclusivas </b>     <p>A generalidade dos projectos aqui reportoriados, que n&atilde;o esgotam  o universo da literatura econ&oacute;mica europe&iacute;sta, revelam que existiu em  Portugal, ao longo de s&eacute;culos, uma reflex&atilde;o econ&oacute;mica sobre a  problem&aacute;tica europeia. Nem a longa vig&ecirc;ncia dos projectos coloniais nem a posi&ccedil;&atilde;o  semi-perif&eacute;rica do pa&iacute;s na Europa da economia, da pol&iacute;tica e dos  saberes inviabilizaram tal reflex&atilde;o.     <p>Na sua maioria, os diversos projectos, mais do que revelarem uma  afirma&ccedil;&atilde;o de cosmopolitismo, partilhavam uma ideia desenvolvimentista  para Portugal que tinha no aprofundar da integra&ccedil;&atilde;o europeia um pilar  fundamental.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m disso, dispersos por mais de um s&eacute;culo, tudo ou quase  tudo foi heterogeneidade entre eles, sendo que as principais clivagens  resultavam sobretudo da circunst&acirc;ncia de uns se reportarem ao espa&ccedil;o ib&eacute;rico,  enquanto outros tomavam por refer&ecirc;ncia a Europa no seu conjunto (ou pelo  menos vastas por&ccedil;&otilde;es dela), e ainda o facto de uns procurarem articular as  dimens&otilde;es econ&oacute;mica, monet&aacute;ria e pol&iacute;tica do processo de integra&ccedil;&atilde;o,  enquanto outros tinham um alcance meramente sectorial.      <p>Em qualquer caso, existiram dois outros tipos de projectos que n&atilde;o foram    aqui considerados. Os que, revelando pouca consci&ecirc;ncia da preced&ecirc;ncia    do factor econ&oacute;mico, tomaram uma fei&ccedil;&atilde;o exclusivamente    pol&iacute;tica (v., por todos, Ant&oacute;nio Enes, 1870) e aqueles que se    referiram preferencialmente aos aspectos t&eacute;cnico-institucionais dos processos    de integra&ccedil;&atilde;o, designadamente &agrave; unifica&ccedil;&atilde;o    de pesos e medidas, &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de    correio e de tel&eacute;grafo, &agrave; nomenclatura das pautas aduaneiras e    &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos meios de pagamento internacional. Embora    Portugal tenha acompanhado a generalidade destas inova&ccedil;&otilde;es e participado    em muitas das organiza&ccedil;&otilde;es intergovernamentais entretanto criadas,    n&atilde;o produziu reflex&otilde;es ou propostas not&aacute;veis a tal respeito.    Tom&aacute;s Cabreira (1865-1918), adaptando ideias de Luigi Luzzati, prop&ocirc;s,    em 1917, a cria&ccedil;&atilde;o de &quot;uma nota internacional emitida em    Londres&quot; para facilitar os pagamentos interaliados (Cabreira, 1917, p.    29), mas permaneceu uma excep&ccedil;&atilde;o.      <p>De um modo geral, o impacto destes projectos no sistema pol&iacute;tico  foi muito limitado. &Eacute; sintom&aacute;tico que os governos nunca tenham  manifestado grandes opini&otilde;es a este respeito e que pr&oacute;prio parlamento da  monarquia constitucional nunca tenha debatido abertamente qualquer destes  projectos (com excep&ccedil;&atilde;o do relativo ao padr&atilde;o-ouro), n&atilde;o obstante muitos dos  seus autores e promotores terem sido deputados. Ali&aacute;s, a pol&iacute;tica  econ&oacute;mica externa foi frequentemente implementada &agrave; margem dos debates e  decis&otilde;es parlamentares.      <p>Contudo, esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi inteiramente original no    quadro europeu. Como notou Sidney Pollard, &quot;n&atilde;o houve falta de iniciativa    para a cria&ccedil;&atilde;o de uni&otilde;es aduaneiras supranacionais [&#133;]    [mas] nada disto foi levado a s&eacute;rio pelos governos da Europa, excepto    em 1915-17 sob a forma distorcida das ambi&ccedil;&otilde;es expansionistas    alem&atilde;s para incorporar os Balc&atilde;s, a Turquia e talvez mesmo a Ucr&acirc;nia    num imp&eacute;rio econ&oacute;mico dominado pela Alemanha&quot; (Pollard, 1974,    pp.119-120).      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Bibliografia</B>      <p align="center">&nbsp;     <!-- ref --><p>&#151;_ (1847), &quot;Rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com Espanha&quot;.  <I>O Nacional,</I> n.&#186; 29, 11-09-1947, pp. 1-3.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0003-2573200900020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Bandeira, E. A. (2000 [1724a]), &quot;Carta a Pedro o Grande datada de 7 de Agosto de  1724&quot;. <I>In</I> J. Miranda, <I>A Ideia da Europa em Portugal na &Eacute;poca de D. Jo&atilde;o  v,</I> Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas, pp. 199-204.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bandeira, E. A. (2000 [1724b]), &quot;Carta a Pedro o Grande datada de 15 de Agosto de  1724&quot;. <I>In</I> J. Miranda, <I>A Ideia da Europa em Portugal na  &eacute;poca de D. Jo&atilde;o v, </I>Lisboa,  Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas, pp. 204-214.     <p>Bandeira, E. A. (2000 [s. d.]), &quot;Arb&iacute;trio de Estev&atilde;o &Aacute;lvares Bandeira acerca de reformas  a realizar em Portugal e no seu imp&eacute;rio colonial dirigido ao Duque de Cadaval&quot;.  <I>In</I> J. Miranda, <I>A Ideia da Europa em Portugal na  &eacute;poca de D. Jo&atilde;o v, </I>Lisboa,  Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas, pp. 215-242.      <p>Bastien, C. (2002), &quot;Oliveira Marreca and Friedrich List: some odd coincidences&quot;.  <I>In</I> M. Psalidopoulos e M. E. Mata (eds.),  <I>Economic Thought and Policy in Less Developed  Europe,</I> Londres e Nova Iorque, Routledge, pp. 232-246.     <p>Boer, P. (2005), &quot;Europe to 1914: the making of an idea&quot;.  <I>In</I> K. Wilson e J. Dussen, <I>The History of the Idea of  Europe,</I> Londres e Nova Iorque, Routledge, pp. 13-82.     <p>Borges, J. F. (1995 [1831]), &quot;Princ&iacute;pios de sintelologia&quot;.  <I>In</I> J. F. Borges, <I>Sintelologia e Economia  Pol&iacute;tica,</I> Lisboa, Banco de Portugal, pp. 3-124.     <p>Brito, J. R. (1821), <I>Di&aacute;rio das Cortes Gerais e Extraordin&aacute;rias da Na&ccedil;&atilde;o  Portuguesa,</I> acta n.&#186; 39, sess&atilde;o de 21-03-1821, pp. 311-324.     <p>Cabreira, T. (1917), <I>A Defesa Econ&oacute;mica de Portugal,  </I>Lisboa, Imprensa Lib&acirc;nio da Silva.     <!-- ref --><p>Cardoso, J. L. (2004), &quot;A proposal for a `European currency' in 1861: the  forgotten contribution of Carlos Morato Roma&quot;.  <I>History of Political Economy,</I> 36 (2), pp. 273-293.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0003-2573200900020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Carneiro, B. J. S. (1850), <I>Li&ccedil;&otilde;es de Economia  Pol&iacute;tica,</I> Coimbra, Imprensa da Universidade.                                      <p>Castro, J. L. (1856), <I>A Quest&atilde;o das  Subsist&ecirc;ncias</I>, Lisboa, Typographia Universal.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Costa, C. A. (1856), <I>Mem&oacute;ria sobre Portugal e a  Espanha</I>, Lisboa, Typografia Castro &amp; Irm&atilde;o.     <p>Costa, F. M. (1861), <I>Disserta&ccedil;&atilde;o sobre a Livre Importa&ccedil;&atilde;o de Cereaes Estrangeiros  em Portugal,</I> Braga, Typografia Uni&atilde;o &agrave; Galaria n.&#186; 12.     <p>Coutinho, R. S. (1993 [1811]), &quot;Apontamentos em defesa do tratado de com&eacute;rcio de  1810&quot;. <I>In</I> R. S. Coutinho, <I>Textos Pol&iacute;ticos, Econ&oacute;micos e Financeiros,  1783-1811,</I> vol. 2, Lisboa, Banco de Portugal, pp. 398-400.     <!-- ref --><p>C. P. (1855) [sem t&iacute;tulo].  <I>O Progresso</I>, n.&#186; 130, 12-06-1855, p. 1.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0003-2573200900020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Enes, A. (1870), <I>A Guerra e a Democracia: Considera&ccedil;&otilde;es sobre a Situa&ccedil;&atilde;o Politica  da Europa</I>, Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves.     <p>Ferreira, S. P. (1996 [1851]), &quot;Das condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia dos caminhos-de-ferro em  geral e das suas consequ&ecirc;ncias quanto &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es internacionais em particular&quot;.  <I>In</I> S. P. Ferreira, <I>Textos Escolhidos de Economia Pol&iacute;tica e  Social</I>, Lisboa, Banco de Portugal, pp. 303-310.      <p>Fontoura, P., e Val&eacute;rio, N. (2000), &quot;Foreign economic relations and economic growth  in Portugal, 1840s-1980s: a long term view&quot;.  <I>&Eacute;conomies et soci&eacute;t&eacute;s</I>, s&eacute;rie AF, 26, pp.  175-206.     <p>Garrett, A. (s. d. [1830]), <I>Portugal na Balan&ccedil;a da  Europa,</I> Lisboa, Livros Horizonte.     <p>Gomes, L. (1990), <I>Neoclassical International Economics &#151; An Historical  Survey,</I> Houndmills e Londres, MacMillan.     <p>Krugman, P. (1998), &quot;Ricardo's difficult idea &#151; why some intellectuals don't  understand comparative advantage&quot;. <I>In</I> G. Cook,  <I>The Economics and Politics of International  Trade, </I>Londres e Nova Iorque, Routledge, pp. 22-36.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Laranjo, J. F. (1997 [1891],  <I>Princ&iacute;pios de Economia  Pol&iacute;tica,</I> Lisboa, Banco de Portugal.     <p>Le&atilde;o, J. B. (1854), &quot;A uni&atilde;o ib&eacute;rica&quot;.  <I>O Leiriense,</I> de 11, 18 e 25 de Novembro, pp.  1-2 e 2, e de 13 de Dezembro, pp. 1-2.     <p>Lisboa, J. S. (1993 [1804]), &quot;Princ&iacute;pios de economia pol&iacute;tica, para servir de introdu&ccedil;&atilde;o  &agrave; tentativa econ&oacute;mica do autor dos Princ&iacute;pios de Direito Mercantil&quot;.  <I>In</I> J. S. Lisboa, <I>Escritos Econ&oacute;micos  Escolhidos,</I> vol. 1, Lisboa, Banco de Portugal, pp. 3-121.     <p>Machlup, F. (1977), <I>A History of Thought on Economic Integration,  </I>Londres e Basingstoke, Macmillan Press.     <p>Magalh&atilde;es, A. S. P. (1871),  <I>O Proteccionista e os Livre-cambistas, </I>Porto,  Typografia Industrial.     <p>Martins, J. P. O. (1924), <I>Dispersos,  </I>vol. 2, Lisboa, Biblioteca Nacional.     <p>Martins, J. P. O. (1974 [1872]),  <I>Teoria do Socialismo,</I> Lisboa, Guimar&atilde;es &amp; C.&#170; Editores.     <p>Marx, K. (1965 [1848]), &quot;Discours sur le libre-&eacute;change&quot;.  <I>In</I> K. Marx, <I>Oeuvres &#151; economie</I>, vol. 1, Paris, Gallimard, pp. 137-156.     <p>Miranda, J. (2000), <I>A Ideia da Europa em Portugal na &Eacute;poca de D. Jo&atilde;o  v</I>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas.     <p>Nogueira, J. F. H. (1976 [1853]), &quot;O futuro da  pen&iacute;nsula&quot;. <I>In</I> J. F. H. Nogueira,  <I>Obra Completa</I>, vol. 1, Lisboa, INCM, pp. 205-209.     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>O'brien, D. (1976), &quot;Customs unions: trade creation and trade diversion in  historical perspective&quot;. In <I>History of Political  Economy,</I> vol. 8, pp. 540-563.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0003-2573200900020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Pagden, A. (2002) (ed.), <I>The Idea of  Europe,</I> Cambridge, Cambridge University Press.     <p>Peluse-Kaplan, M. L. (1994), &quot;Hanseates ou europ&eacute;ens? _ activit&eacute; economique,  action politique et horizon mental des bourgeois des villes hans&eacute;atiques au  xvii si&egrave;cle&quot;. <I>In</I> M. Perrin (ed.),  <I>L'id&eacute;e de l'Europe au fil de deux  mill&eacute;naires,</I> Paris, Beauchesne, pp. 119-139.     <p>Pequito, R. A. (1904), &quot;Relat&oacute;rio e propostas de lei apresentadas nesta sess&atilde;o pelo  Sr. Ministro da Fazenda&quot;. <I>Di&aacute;rio da C&acirc;mara dos Senhores  Deputados,</I> acta n.&#186; 3, 5-10-1904, pp. 42-44 e 53-54.                                      <p>Perdices de Blas, L., Reeder, J., e  Ramos Gorostiza, J. L. (2006), <I>El Camino a  Europa, </I>Salamanca, Caja Espa&ntilde;a.     <p>Pereira, M. C. M (1995), <I>A Quest&atilde;o Ib&eacute;rica &#151; Imprensa e Opini&atilde;o  (1850-1870)</I>, vol. 1, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto (mimeografado).     <!-- ref --><p>Pimentel, J. M. O. (1860), &quot;A liga das alf&acirc;ndegas peninsulares&quot;.  <I>Revista Contempor&acirc;nea de Portugal e  Brasil,</I> vol. 2, pp. 40-47, 68-80, 137-140 e 286-291.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0003-2573200900020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Pinto, A. A. S. (1837), <I>Prelec&ccedil;&otilde;es Preliminares ao Curso d'Economia Pol&iacute;tica da  Eschola d'Associa&ccedil;&atilde;o Commercial do  Porto,</I> Porto, Associa&ccedil;&atilde;o Commercial do Porto.     <p>Pollard, S. (1974), <I>European Economic Integration 1815-1970,  </I>Londres, Thames &amp; Hudson.     <p>Ribeiro, M. M. T. (2003), <I>A Ideia de Europa &#151; Uma Perspectiva  Hist&oacute;rica,</I> Coimbra, Quarteto.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Robson, P. (1990), <I>The Economics of International  Integration,</I> Londres, Routledge.     <p>Roma, C. M. (1861a), <I>A Quest&atilde;o da  Moeda,</I> Lisboa, Tipografia da Academia Real das Ci&ecirc;ncias.     <p>Roma, C. M. (1861b), <I>De la monnaie,  </I>Lisboa, Imprimerie de la Soci&eacute;t&eacute;  Typographique Franco-Portugaise.     <p>Sampaio, A. F. (1852), <I>Elementos de Economia  Pol&iacute;tica,</I> 4.&#170; ed., Coimbra, Imprensa  da Universidade.     <p>Sampaio, A. F. (1995 [1839]),  <I>Elementos de Economia Pol&iacute;tica,</I> Lisboa, Banco de Portugal.     <p>Sampaio, A. F. (1995 [1853]),  <I>Estudos de Economia Pol&iacute;tica,</I> Lisboa, Banco de Portugal.     <p>Schumpeter, J. A. (1994), <I>History of Economic  Analysis,</I> Londres, Routledge.     <!-- ref --><p>Serpa, A. (1850), &quot;A quest&atilde;o industrial  ii&quot;. <I>O Atheneo,</I> 28, de 14-07-1850, p. 1.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0003-2573200900020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Silva, A. M. (2005), <I>Portugal e a Europa &#151; Distanciamento e  Reencontro,</I> Viseu, Palimage Editores.     <p>Silva, J. M. [publicado anonimamente] (1854),  <I>Federa&ccedil;&atilde;o Ib&eacute;rica, ou Ideas Geraes  sobre o que Covem ao Futuro da Pen&iacute;nsula por Um  Portuguez,</I> Porto, Typografia F. G. Fonseca.     ]]></body>
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