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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os proprietários e o associativismo agrário na Catalunha (1850-1936)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Landowners and agrarian associations in Catalunya (1850-1936)]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universitat de Barcelona Centre d'Estudis Antoni de Capmany d'Economia i Història Económica ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this article is to analyse the role of landowners in agrarian associations in Catalunya (Spain) from 1850 to 1936, when the Spanish Civil War started. Up to the nineteenth century they enjoyed a preeminent social position, but as industrialisation continued to grow their economic and social status declined, especially after the late nineteenth century crisis. Facingthis situation, from the end of the nineteenth century they promoted important efforts for social mobilisation and tried to obtain control of the peasantry through agrarian cooperatives and other associations. Nevertheless, as a consequence of the increasing struggle with the peasantry, landowners changed their strategy, and in the 1930s concentrated their collective action on the defence of property.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Os propriet&aacute;rios e o associativismo agr&aacute;rio na Catalunha (1850-1936)<a href="#a2">**</a>    <a name="topa2"></a> </b></p>     <p><b>Jordi Planas<a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a> </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este artigo analisa o papel desempenhado pelos propriet&aacute;rios    rurais no associativismo agr&aacute;rio da Catalunha (Espanha) entre 1850 e    1936. At&eacute; ao s&eacute;culo xix, este grupo social ocupara uma posi&ccedil;&atilde;o    preeminente, mas, &agrave; medida que o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o    avan&ccedil;ava, o seu estatuto econ&oacute;mico e social sofreu um retrocesso,    deteriorando-se ainda mais depois da crise agr&aacute;ria do final do s&eacute;culo.    Como reac&ccedil;&atilde;o, em finais do s&eacute;culo xix este grupo protagonizou    uma intensa mobiliza&ccedil;&atilde;o social e promoveu um novo associativismo    agr&aacute;rio de car&aacute;cter corporativo, ligado ao desenvolvimento do    cooperativismo. Mas a exist&ecirc;ncia destas associa&ccedil;&otilde;es interclassistas    n&atilde;o conseguiria evitar a conflitualidade crescente e nos anos 30 a classe    propriet&aacute;ria reorientou a sua ac&ccedil;&atilde;o colectiva para a defesa    patronal.      <p><B>Palavras-chave: </B>propriet&aacute;rios rurais; associativismo agr&aacute;rio;    Catalunha; Espanha.      <p>&nbsp;      <p><B>Landowners and agrarian associations in Catalunya (1850-1936)</B>      <p>The aim of this article is to analyse the role of landowners    in agrarian associations in Catalunya (Spain) from 1850 to 1936, when the Spanish    Civil War started. Up to the nineteenth century they enjoyed a preeminent social    position, but as industrialisation continued to grow their economic and social    status declined, especially after the late nineteenth century crisis. Facingthis    situation, from the end of the nineteenth century they promoted important efforts    for social mobilisation and tried to obtain control of the peasantry through    agrarian cooperatives and other associations. Nevertheless, as a consequence    of the increasing struggle with the peasantry, landowners changed their strategy,    and in the 1930s concentrated their collective action on the defence of property.      <p><B>Keywords: </B>landowners; agrarian associations; Catalunya; Spain.      <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;      <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>      <p>Nos &uacute;ltimos anos do s&eacute;culo xix e nos primeiros    do s&eacute;culo xx registou-se em toda a Europa uma intensa mobiliza&ccedil;&atilde;o    social no mundo rural. Tratava-se de uma resposta &agrave; crise agr&aacute;ria    finissecular, per&iacute;odo marcado por uma persistente queda dos pre&ccedil;os    agr&iacute;colas que provocou a ru&iacute;na de muitas explora&ccedil;&otilde;es.    Esta crise n&atilde;o foi um per&iacute;odo depressivo meramente conjuntural,    mas antes uma fase de mudan&ccedil;as profundas na agricultura europeia (Garrabou,    1988). Da mesma forma, a mobiliza&ccedil;&atilde;o social iniciada em finais    do s&eacute;culo xix n&atilde;o foi um simples movimento de protesto contra    a crise, mas antes marcou o in&iacute;cio de uma nova etapa na organiza&ccedil;&atilde;o    dos interesses agr&aacute;rios e na sociabilidade no mundo rural. O associativismo    agr&aacute;rio passou por mudan&ccedil;as profundas e converteu-se num dos eixos    centrais da sociedade rural.      <p>O objectivo deste artigo &eacute; analisar o papel desempenhado    pelos propriet&aacute;rios rurais nestas mudan&ccedil;as da sociabilidade do    mundo rural. Embora na estrutura social do mundo rural a denomina&ccedil;&atilde;o    de &quot;propriet&aacute;rios rurais&quot; possa esconder uma grande variedade    de situa&ccedil;&otilde;es patrimoniais, h&aacute; algumas caracter&iacute;sticas    que nos permitem identificar uma classe propriet&aacute;ria mais ou menos homog&eacute;nea.    Durante o s&eacute;culo xix e na primeira metade do s&eacute;culo xx, alguns    membros da sociedade agr&aacute;ria obtinham a maior parte dos seus proventos    atrav&eacute;s da terra que possu&iacute;am, sem necessitarem de participar    directamente na produ&ccedil;&atilde;o. Por vezes estes propriet&aacute;rios    residiam na pr&oacute;pria explora&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria e realizavam    algumas fun&ccedil;&otilde;es de supervis&atilde;o do trabalho; mas a situa&ccedil;&atilde;o    mais caracter&iacute;stica era a do propriet&aacute;rio absentista, que vivia    longe das suas propriedades, cedidas em regime de arrendamento ou em parceria.    Na Catalunha, a regi&atilde;o nordeste de Espanha que constitui o foco da nossa    observa&ccedil;&atilde;o, a dimens&atilde;o destas explora&ccedil;&otilde;es    agr&iacute;colas n&atilde;o era excepcional, mas a acumula&ccedil;&atilde;o    de v&aacute;rias explora&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dia dimens&atilde;o dava    lugar &agrave; exist&ecirc;ncia de grandes patrim&oacute;nios rurais, que, em    geral, eram geridos atrav&eacute;s de contratos de parceria ou por via de outras    formas de explora&ccedil;&atilde;o indirecta (Garrabou, Planas e Saguer, 2001a    e 2001b).      <p>Tal como noutras regi&otilde;es europeias, tamb&eacute;m na    Catalunha o sector agr&aacute;rio atravessou uma conjuntura expansiva que terminou    bruscamente em finais do s&eacute;culo xix. Os efeitos da crise agr&iacute;cola    come&ccedil;aram a fazer-se sentir na d&eacute;cada de 80 desse s&eacute;culo,    quando a praga da filoxera come&ccedil;ou a destruir os vinhedos, pondo fim    a uma aut&ecirc;ntica &quot;idade de ouro&quot; da viticultura catal&atilde;,    favorecida pelo apogeu das exporta&ccedil;&otilde;es para a Fran&ccedil;a, pa&iacute;s    mais precocemente afectado por essa doen&ccedil;a. No in&iacute;cio da d&eacute;cada    de 90, a crise agravou-se quando as medidas proteccionistas decretadas pela    Fran&ccedil;a coincidiram com a queda geral dos pre&ccedil;os agr&iacute;colas.    Ao mesmo tempo estalava a conflitualidade social, com greves e confrontos violentos    entre propriet&aacute;rios e camponeses, e produziam-se mudan&ccedil;as profundas    ao n&iacute;vel das pr&aacute;ticas sociais e pol&iacute;ticas: desenvolvimento    de um associativismo campon&ecirc;s de classe, sufr&aacute;gio universal masculino,    difus&atilde;o de ideias revolucion&aacute;rias.      <p>Esta situa&ccedil;&atilde;o comprometia a posi&ccedil;&atilde;o    social dos propriet&aacute;rios rurais e questionava a sua autoridade tradicional.    Inicialmente, os propriet&aacute;rios reagiram de modo defensivo: pediram o    proteccionismo alfandeg&aacute;rio para reservar o mercado interno aos produtores,    a redu&ccedil;&atilde;o dos impostos e medidas repressivas contra a agita&ccedil;&atilde;o    social. Para al&eacute;m disto, envolveram-se tamb&eacute;m activamente na reorganiza&ccedil;&atilde;o    do associativismo agr&aacute;rio como via para recuperarem a sua posi&ccedil;&atilde;o    dominante no conjunto da sociedade rural e neutralizarem a crescente conflitualidade    social. Os propriet&aacute;rios impulsionaram um novo corporativismo agr&aacute;rio    baseado na identidade dos seus membros como grupo profissional (uma &quot;classe    agr&iacute;cola&quot;) e com o objectivo colectivo de modernizar a agricultura,    o que exigia a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es interclassistas    de camponeses e propriet&aacute;rios, se bem que estes &uacute;ltimos reservassem    para si a lideran&ccedil;a das mesmas (Planas, 2006).      <p>Este n&atilde;o foi, de modo algum, um fen&oacute;meno exclusivo    do associativismo agr&aacute;rio catal&atilde;o. O auge do movimento associativo,    que se verificou desde finais do s&eacute;culo xix, &eacute; fruto de uma reorganiza&ccedil;&atilde;o    dos diferentes grupos sociais, entre os quais a classe propriet&aacute;ria,    perante as mudan&ccedil;as econ&oacute;micas e sociais que se produziam por    toda a Europa. Por meio da ac&ccedil;&atilde;o colectiva, a classe propriet&aacute;ria    procurava adaptar-se a estas mudan&ccedil;as e, ao mesmo tempo, manter a sua    posi&ccedil;&atilde;o social dominante (Malatesta, 1997 e 1999). Apesar de algumas    das grandes associa&ccedil;&otilde;es europeias de propriet&aacute;rios j&aacute;    existirem desde meados do s&eacute;culo xix, como a Soci&eacute;t&eacute; Centrale    d'Agriculture de Belgique (1853) ou a Soci&eacute;t&eacute; des Agriculteurs    de France (1867), foi a partir da crise agr&aacute;ria de finais desse s&eacute;culo    que se criaram as associa&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias que, com a ades&atilde;o    do campesinato, se converteram em grandes organiza&ccedil;&otilde;es de massas.      <p>O exemplo mais relevante surge na Alemanha, onde a crise do    sector agr&aacute;rio convivia com um crescimento industrial acelerado, o que    produziu, em consequ&ecirc;ncia, uma profunda radicaliza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica    e pol&iacute;tica do mundo rural (Corni, 1994). Os grandes propriet&aacute;rios    a leste do rio Elba criaram em 1893 o poderoso <I>Bund der Landwirte,</I> uma    associa&ccedil;&atilde;o que combinava uma ideologia antiurbana e anti-industrial    (com uma forte componente nacionalista e anti-semita) com meios organizativos    modernos, pr&oacute;prios da sociedade de massas. Desde cedo contou com uma    rede de cooperativas, entidades de cr&eacute;dito e &oacute;rg&atilde;os de    informa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prios de &acirc;mbito local e nacional, com    os quais conseguiu integrar um grande n&uacute;mero de pequenos propriet&aacute;rios    e agricultores de m&eacute;dia dimens&atilde;o de diversas regi&otilde;es da    Alemanha. Com uma estrutura perfeitamente hierarquizada e disciplinada, os grandes    propriet&aacute;rios latifundi&aacute;rios mantiveram sempre o controlo e a    direc&ccedil;&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o que em 1913 superava    j&aacute; os 300 000 membros e que, at&eacute; &agrave; primeira guerra mundial,    exerceu na Alemanha uma grande influ&ecirc;ncia ideol&oacute;gica e pol&iacute;tica    (Puhle, 1986).      <p>Na B&eacute;lgica, a organiza&ccedil;&atilde;o dos interesses    agr&aacute;rios foi amplamente influenciada pela Alemanha, em especial pela    Ren&acirc;nia. A associa&ccedil;&atilde;o mais importante, o Boerenbond, foi    promovida pelo clero cat&oacute;lico com base no modelo do Rheinische Bauernverein,    embora na Alemanha o car&aacute;cter cat&oacute;lico desta associa&ccedil;&atilde;o    fosse muito mais t&eacute;nue. Fundado em 1890 em Lovaina, o Boerenbond tamb&eacute;m    desenvolveu uma extensa rede organizativa, com servi&ccedil;os cooperativos    e de cr&eacute;dito centralizados para um grande n&uacute;mero de associa&ccedil;&otilde;es    participantes, as quais contavam com mais de 50 000 membros em 1914 e com mais    de 250 000 em 1934 (Wils, 1986; Van Molle, 1990).      <p>Na Catalunha, os propriet&aacute;rios rurais n&atilde;o conseguiram    articular organiza&ccedil;&otilde;es de massas como na Alemanha ou na B&eacute;lgica.    No entanto, a partir da crise de finais do s&eacute;culo xix procuraram integrar    nas suas associa&ccedil;&otilde;es os camponeses, como forma de evitar a polariza&ccedil;&atilde;o    associativa e a conflitualidade social que eclodiram noutras regi&otilde;es    europeias, como no vale do P&oacute; ou na Andaluzia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Este artigo descreve as iniciativas de &acirc;mbito associativo levadas a    cabo pelos propriet&aacute;rios catal&atilde;es desde meados do s&eacute;culo    xix at&eacute; ao deflagrar da Guerra Civil de Espanha. Na primeira sec&ccedil;&atilde;o    destaca-se a fragilidade do associativismo agr&aacute;rio no per&iacute;odo    anterior &agrave; crise do final do s&eacute;culo. Em seguida a aten&ccedil;&atilde;o    centra-se num primeiro modelo de associa&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria de    servi&ccedil;os cooperativos que os propriet&aacute;rios rurais impulsionaram    como resposta &agrave; crise agr&aacute;ria. Na terceira sec&ccedil;&atilde;o    descrevem-se os esfor&ccedil;os das principais organiza&ccedil;&otilde;es de    propriet&aacute;rios para controlar o desenvolvimento do cooperativismo agr&aacute;rio.    Por &uacute;ltimo, analisa-se a mudan&ccedil;a de estrat&eacute;gia da classe    propriet&aacute;ria num contexto de crescente conflitualidade que desembocaria    na Guerra Civil.      <p>&nbsp;      <P><b>A fragilidade do associativismo agr&aacute;rio durante o s&eacute;culo xix    </b>     <p>O desenvolvimento do associativismo agr&aacute;rio foi muito    fr&aacute;gil at&eacute; finais do s&eacute;culo xix. Em Espanha, em meados    do s&eacute;culo, o regime liberal estabeleceu um sistema de representa&ccedil;&atilde;o    das oligarquias agr&aacute;rias a n&iacute;vel provincial (a administra&ccedil;&atilde;o    consultiva do Minist&eacute;rio de Fomento) que travou a cria&ccedil;&atilde;o    de associa&ccedil;&otilde;es privadas (Pan-Montojo, 1997).<SUP> </SUP>Para mais,    o reconhecimento legal do direito de associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o chegou    antes de 1869 e a primeira lei das associa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foi    promulgada antes de 1887.      <p>Neste contexto, a cria&ccedil;&atilde;o do Instituto Agr&iacute;cola    Catal&atilde;o de Santo Isidro (IACSI) em 1851 foi excepcional, se bem que na    mesma altura tenham sido criadas associa&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas noutros    pa&iacute;ses europeus<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Fundado por uma centena de propriet&aacute;rios    rurais residentes em Barcelona (muitos dos quais com t&iacute;tulos nobili&aacute;rquicos),    o Instituto em breve contou com mais de 2000 s&oacute;cios dispersos pelas quatro    prov&iacute;ncias catal&atilde;s (e alguns tamb&eacute;m de fora da Catalunha).    O seu objectivo principal era a defesa dos interesses dos propriet&aacute;rios    agr&aacute;rios num momento em que, devido ao processo de implanta&ccedil;&atilde;o    do liberalismo em Espanha, se definia um novo marco jur&iacute;dico e pol&iacute;tico    que afectava o direito de propriedade. Ao mesmo tempo, o IACSI pretendia promover    a moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura e desenvolveu um trabalho cient&iacute;fico    e agron&oacute;mico muito not&aacute;vel numa altura em que a administra&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica ainda pouco se preocupava com a renova&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica    da agricultura.      <p>Antes da cria&ccedil;&atilde;o do IACSI fundara-se na Catalunha    a Sociedade de Agricultura do Ampurd&aacute;n (1845) e, seguindo o exemplo desta,    surgiram em 1850 algumas associa&ccedil;&otilde;es de &acirc;mbito mais local    na prov&iacute;ncia de Girona que tiveram uma exist&ecirc;ncia ef&eacute;mera    (Congost, 1990). Ap&oacute;s a funda&ccedil;&atilde;o do IACSI procurou-se estruturar    a sua implanta&ccedil;&atilde;o territorial por meio de subdelega&ccedil;&otilde;es    nas principais localidades catal&atilde;s, muitas das quais constitu&iacute;ram    as primeiras associa&ccedil;&otilde;es criadas com car&aacute;cter especificamente    agr&iacute;cola. Era uma forma de evitar o isolamento dos s&oacute;cios em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; direc&ccedil;&atilde;o do Instituto e, ao mesmo tempo, de propiciar    a difus&atilde;o dos novos conhecimentos e t&eacute;cnicas agr&iacute;colas.    Um dos seus fundadores dizia que &quot;em todas as localidades os propriet&aacute;rios    deviam estar associados para se reunirem quando fosse conveniente, com o fito    de tratar dos interesses pr&oacute;prios e de proporcionar o bem &agrave; classe    cultivadora, constituindo pequenas mas criteriosas bibliotecas, como meio de    instru&ccedil;&atilde;o e como local onde se pudessem reunir&quot;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.      <p>Durante a d&eacute;cada de 50 do s&eacute;culo xix chegaram    a instalar-se cerca de quarenta subdelega&ccedil;&otilde;es, algumas delas com    centenas de s&oacute;cios. A maioria entrou rapidamente em decad&ecirc;ncia,    extinguindo-se; outras, no entanto, reorganizaram-se passados alguns anos, ou    vieram a servir de modelo para a cria&ccedil;&atilde;o de outros centros agr&iacute;colas    ou de associa&ccedil;&otilde;es de propriet&aacute;rios, sobre as quais o IACSI,    como institui&ccedil;&atilde;o mais antiga e influente, exercia um certo patronato.      <p>Estes organismos procuravam difundir melhorias ao n&iacute;vel    das t&eacute;cnicas agr&iacute;colas e, em particular, proteger os interesses    da propriedade rural. Organizavam confer&ecirc;ncias, exposi&ccedil;&otilde;es    e certames, elaboravam relat&oacute;rios e emitiam pareceres (principalmente    acerca de quest&otilde;es tribut&aacute;rias) a pedido das administra&ccedil;&otilde;es    p&uacute;blicas ou de outras entidades privadas e, em alguns casos, estabeleciam    os seus servi&ccedil;os de vigil&acirc;ncia rural (Planas,1992 e 2003c). Contudo,    foram iniciativas bastante excepcionais e tiveram um alcance muito limitado;    o campesinato manteve-se totalmente &agrave; margem destas entidades, que constitu&iacute;am,    sobretudo, espa&ccedil;os de sociabilidade da classe propriet&aacute;ria, equivalentes    em muitos casos a simples associa&ccedil;&otilde;es recreativas.      <p>Nalguns f&oacute;runs da classe propriet&aacute;ria come&ccedil;ou    a tomar-se consci&ecirc;ncia de que os elementos desta classe se tinham demitido    da defesa dos seus interesses. Da&iacute; que come&ccedil;asse a tomar forma    um discurso cr&iacute;tico relativamente ao absentismo dos propriet&aacute;rios,    considerado &quot;a principal causa da decad&ecirc;ncia da nossa agricultura&quot;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>,    j&aacute; que o comportamento rentista n&atilde;o s&oacute; dificultava a adop&ccedil;&atilde;o    das t&eacute;cnicas agr&iacute;colas mais modernas, como retirava legitimidade    tamb&eacute;m &agrave; fun&ccedil;&atilde;o social do propriet&aacute;rio e    limitava o seu controlo e influ&ecirc;ncia no meio rural. Por outro lado, criticava-se    a apatia demonstrada pelos propriet&aacute;rios rurais para se organizarem e    para defenderem os seus interesses, ao contr&aacute;rio do que sucedia nos restantes    sectores sociais (comerciantes, industriais e, inclusive, entre a classe trabalhadora).      <p>A crise agr&aacute;ria acabou com esta passividade dos propriet&aacute;rios.    Na d&eacute;cada de 80, como se disse, a filoxera come&ccedil;ou a invadir os    vinhedos da Catalunha, provocando o fim brusco da expans&atilde;o vitivin&iacute;cola,    que at&eacute; ent&atilde;o tinha limitado os efeitos da depress&atilde;o geral    dos pre&ccedil;os agr&iacute;colas. A crise p&ocirc;s fim a uma longa conjuntura    expansiva da agricultura catal&atilde;, que tinha mantido em segundo plano a    conflitualidade entre camponeses e propriet&aacute;rios (Garrabou e Pujol Andreu,    1987; Pujol Andreu, 2002-2003).      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num primeiro momento, a luta contra a praga da filoxera estimulou    a cria&ccedil;&atilde;o dos primeiros sindicatos de propriet&aacute;rios, como    j&aacute; tinha ocorrido em Fran&ccedil;a (Warner, 1960; Lachiver, 1988; Garrier,    1989). Mas a conflitualidade social provocada pela crise originou tamb&eacute;m    um novo sindicalismo campon&ecirc;s reivindicativo, que se opunha directamente    aos interesses dos propriet&aacute;rios. Durante o chamado &quot;sex&eacute;nio    democr&aacute;tico&quot; (1868-1874) tinham-se j&aacute; formado muitas organiza&ccedil;&otilde;es    de trabalhadores agr&iacute;colas e os partidos republicanos apoiaram as suas    reivindica&ccedil;&otilde;es e impulsionaram a sua incipiente organiza&ccedil;&atilde;o.    Muitos n&uacute;cleos republicanos constitu&iacute;am ao mesmo tempo sec&ccedil;&otilde;es    de trabalhadores agr&iacute;colas que actuavam como sociedades de socorros m&uacute;tuos    e de resist&ecirc;ncia e, por outro lado, os pol&iacute;ticos republicanos davam    cobertura pol&iacute;tica e jur&iacute;dica &agrave; luta campesina, limitando    a ac&ccedil;&atilde;o repressiva das autoridades e defendendo os camponeses    nos tribunais (L&oacute;pez Estudillo, 1989).      <p>Nessa altura constitu&iacute;ra-se j&aacute; na Catalunha uma    federa&ccedil;&atilde;o sindical de trabalhadores vit&iacute;colas<I> (rabassaires)</I>    e a Uni&atilde;o de Trabalhadores do Campo (1872-1874) e poucos anos depois    surgiria a <I>Liga de Viticultores Rabassaires de Catalunya</I> (1882-1883)    (Balcells, 1968; Pom&eacute;s, 2000). A lei das associa&ccedil;&otilde;es de    1887 constituiu um est&iacute;mulo para a cria&ccedil;&atilde;o destas associa&ccedil;&otilde;es    camponesas de car&aacute;cter reivindicativo e tamb&eacute;m cooperativo (Mayayo,    1985 e 1995; Gavald&agrave;, 1989), e com o restabelecimento do sufr&aacute;gio    universal masculino em 1890, que coincidiu com a agita&ccedil;&atilde;o social    no mundo rural, os republicanos estenderam a sua propaganda pol&iacute;tica    a muitas povoa&ccedil;&otilde;es rurais. Atrav&eacute;s da sua alian&ccedil;a    com as associa&ccedil;&otilde;es camponesas, os republicanos afastaram as oligarquias    locais do controlo de muitos munic&iacute;pios (Duarte, 1987). A capacidade    de organiza&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma do campesinato, aliada aos epis&oacute;dios    de viol&ecirc;ncia que se produziam no confronto entre camponeses e propriet&aacute;rios,    chegou a atemorizar estes &uacute;ltimos, que nunca haviam assistido a uma conflitualidade    t&atilde;o elevada como a que se verificava ent&atilde;o.      <p>Inicialmente, a resposta dos propriet&aacute;rios a esta situa&ccedil;&atilde;o    foi a organiza&ccedil;&atilde;o da defesa patronal. Mas para neutralizar o confronto    social acabou por se impor o associativismo interclassista e de car&aacute;cter    corporativo, como forma de atrair o campesinato a uma frente comum com os propriet&aacute;rios    perante as dificuldades do conjunto do sector e evitar ou diluir a conflitualidade    social no mundo rural.      <p>No entanto, a ades&atilde;o dos camponeses &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es    agr&aacute;rias lideradas pelos propriet&aacute;rios n&atilde;o era nada f&aacute;cil    de conseguir. S&oacute; seria poss&iacute;vel se aquelas fossem capazes de dar    resposta &agrave;s suas necessidades econ&oacute;micas fundamentais. Para se    adaptarem &agrave; nova situa&ccedil;&atilde;o dos mercados, muito mais competitivos    depois da crise agr&aacute;ria, as explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas    tinham de melhorar a sua produtividade e a qualidade dos seus produtos, reduzir    os custos de produ&ccedil;&atilde;o, especializar-se nos produtos que oferecessem    alguma vantagem comparativa e melhorar a sua conex&atilde;o com o mercado, mudan&ccedil;as    essas que n&atilde;o se mostravam nada f&aacute;ceis num contexto depressivo    como aquele em que se encontravam as agriculturas europeias em finais do s&eacute;culo    xix. O cooperativismo agr&aacute;rio podia contribuir para o processo de mudan&ccedil;a    t&eacute;cnica de forma significativa, ao minimizar os riscos da aplica&ccedil;&atilde;o    de inova&ccedil;&otilde;es e ao reduzir os custos dos <I>inputs</I> (adubos,    sementes, anticriptog&acirc;micos, maquinaria, gado) por meio da centraliza&ccedil;&atilde;o    das compras e da redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de intermedi&aacute;rios.    O cooperativismo de produ&ccedil;&atilde;o (por exemplo, as adegas cooperativas)    melhorava a elabora&ccedil;&atilde;o do produto e a sua comercializa&ccedil;&atilde;o    no mercado. Definitivamente, o cooperativismo colocava os agricultores numa    posi&ccedil;&atilde;o mais vantajosa dentro do mercado.      <p>S&oacute; na medida em que exercessem de modo eficiente estas    fun&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas as associa&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias    conseguiriam a ades&atilde;o dos camponeses. Para os propriet&aacute;rios, a    melhoria t&eacute;cnica e produtiva das explora&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias    tamb&eacute;m era fundamental; al&eacute;m disso, as associa&ccedil;&otilde;es    agr&aacute;rias davam-lhes a oportunidade de manterem uma posi&ccedil;&atilde;o    social preeminente no mundo rural num momento em que esta come&ccedil;ava a    ser abertamente contestada. A exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&otilde;es    de car&aacute;cter misto, com a presen&ccedil;a de camponeses e de propriet&aacute;rios    (mas normalmente lideradas por estes &uacute;ltimos), limitava a organiza&ccedil;&atilde;o    aut&oacute;noma do campesinato e podia servir para apaziguar a conflitualidade    social agr&aacute;ria, que existia de forma mais ou menos aberta ou mais ou    menos latente.      <p>Encontramos nas c&acirc;maras agr&iacute;colas uma primeira tentativa de organiza&ccedil;&atilde;o    de associa&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias com servi&ccedil;os cooperativos.    Trata-se de um modelo associativo criado como resposta &agrave; crise agr&aacute;ria    por parte dos propriet&aacute;rios e que, como veremos de seguida, se orientou    fundamentalmente para o fortalecimento dos seus grupos de press&atilde;o.      <p>&nbsp;      <P><b>Uma primeira tentativa de associa&ccedil;&otilde;es cooperativas: as c&acirc;maras    agr&iacute;colas </b>     <p>A primeira disposi&ccedil;&atilde;o legal que em Espanha regulou    especificamente a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias    foi o real decreto para as c&acirc;maras agr&iacute;colas de 14 de Novembro    de 1890. A primeira regula&ccedil;&atilde;o do associativismo agr&aacute;rio    produzia-se, assim, em plena crise do final do s&eacute;culo, com not&oacute;rio    atraso em rela&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses vizinhos. Em Portugal, a primeira    proposta legislativa para favorecer a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es    rurais data de 1826 e antes de 1850 j&aacute; se haviam fundado as primeiras    associa&ccedil;&otilde;es, embora a sua regulamenta&ccedil;&atilde;o definitiva    date apenas de 1854 (Bernardo, 1997). Em Fran&ccedil;a, Napole&atilde;o j&aacute;    tinha estabelecido nos in&iacute;cios do s&eacute;culo xix associa&ccedil;&otilde;es    agr&aacute;rias departamentais que, sob o controlo do governo, tinham como objectivo    o desenvolvimento agr&iacute;cola. Mais tarde criar-se-iam os <I>comices,</I>    associa&ccedil;&otilde;es de &acirc;mbito local constitu&iacute;das por propriet&aacute;rios,    agricultores e cidad&atilde;os preocupados com o progresso agr&iacute;cola,    que inspirariam os <I>comizi agrari </I>italianos. Estes foram impulsionados    pelo Estado p&oacute;s-unit&aacute;rio por meio de um decreto de 1866 e tinham    a dupla fun&ccedil;&atilde;o de racionaliza&ccedil;&atilde;o produtiva e coordena&ccedil;&atilde;o    da representa&ccedil;&atilde;o dos interesses da burguesia agr&aacute;ria (Corti,    1977). Desempenhavam fun&ccedil;&otilde;es consultivas em quest&otilde;es relacionadas    com a legisla&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e particularmente com a alfandeg&aacute;ria,    al&eacute;m de realizarem iniciativas com vista &agrave; promo&ccedil;&atilde;o    do desenvolvimento econ&oacute;mico e t&eacute;cnico no &acirc;mbito local.    No Norte da It&aacute;lia, onde se difundiram principalmente, os <I>comizi</I>    tamb&eacute;m desenvolveram fun&ccedil;&otilde;es cooperativas: aquisi&ccedil;&atilde;o    colectiva de adubos, sementes e outros produtos necess&aacute;rios &agrave;    agricultura. Em 1867 j&aacute; existiam em toda a It&aacute;lia mais de duzentos    <I>comizi,</I> alguns dos quais contavam com centenas de s&oacute;cios, mas    a partir de 1890, com a cria&ccedil;&atilde;o de outros modelos associativos    (<I>consorzi,</I> sindicatos, caixas rurais), as suas fun&ccedil;&otilde;es    representativas enfraqueceram e entraram em progressiva decad&ecirc;ncia (Malatesta,1989).      <p>Apesar do desfasamento temporal, as c&acirc;maras agr&iacute;colas    espanholas apresentam um certo paralelismo com os <I>comizi</I> italianos, quer    no que toca &agrave; sua componente elitista, quer &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es    que exerciam. O real decreto para as c&acirc;maras agr&iacute;colas tinha como    objectivo canalizar as iniciativas de fomento da agricultura atrav&eacute;s    destas associa&ccedil;&otilde;es, que se convertiam em &oacute;rg&atilde;os    consultivos do Estado. Podiam propor reformas em prol da propriedade r&uacute;stica,    solicitar ao governo que tomasse medidas que contribu&iacute;ssem para o desenvolvimento    e melhoria da agricultura, pecu&aacute;ria e ind&uacute;strias derivadas ou    que promovessem obras e servi&ccedil;os p&uacute;blicos que consideravam indispens&aacute;veis    para este desenvolvimento. Ao mesmo tempo eram autorizadas a organizar exposi&ccedil;&otilde;es,    confer&ecirc;ncias, concursos, publica&ccedil;&otilde;es e outras iniciativas    que, directa ou indirectamente, contribu&iacute;ssem para a difus&atilde;o da    nova oferta tecnol&oacute;gica. Tinham tamb&eacute;m a possibilidade de criar    e dirigir campos de experimenta&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, quintas-modelo    ou escolas agr&iacute;colas e estabelecer servi&ccedil;os de cr&eacute;dito,    de seguros e de compra e venda de adubos, sementes, gado ou maquinaria agr&iacute;cola.    As c&acirc;maras agr&iacute;colas podiam, portanto, desenvolver fun&ccedil;&otilde;es    consultivas, de fomento e tamb&eacute;m cooperativas.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas &uacute;ltimas foram as que conheceram um menor desenvolvimento,    o qual era de extrema import&acirc;ncia para a consolida&ccedil;&atilde;o destas    novas associa&ccedil;&otilde;es. A actividade cooperativa era essencial para    adaptar as explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es    dos mercados, favorecendo aquelas produ&ccedil;&otilde;es menos afectadas pela    concorr&ecirc;ncia e, nessa medida, mais lucrativas, assim como para a aplica&ccedil;&atilde;o    de novas t&eacute;cnicas que diminu&iacute;ssem os custos de produ&ccedil;&atilde;o    ou aumentassem a produtividade. Estas mudan&ccedil;as exigiam investimentos    ou o aumento dos gastos de explora&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o eram f&aacute;ceis    numa conjuntura depressiva dos pre&ccedil;os agr&iacute;colas. Al&eacute;m do    mais, comportavam um grau de incerteza quanto aos seus resultados, o que as    tornava pouco atractivas. O cooperativismo agr&aacute;rio podia minimizar os    riscos e reduzir o pre&ccedil;o dos <I>inputs </I>agr&iacute;colas, centralizando    as compras e reduzindo os intermedi&aacute;rios comerciais, colocando os agricultores    numa posi&ccedil;&atilde;o mais vantajosa nestes mercados. Tamb&eacute;m eram    fundamentais os servi&ccedil;os de cr&eacute;dito rural, ent&atilde;o muito    pouco institucionalizados, e o aluguer de maquinaria agr&iacute;cola moderna,    dado que o campesinato dificilmente poderia aceder &agrave;s novas tecnologias    de outra forma. Por meio do cooperativismo tamb&eacute;m era poss&iacute;vel    organizar a venda de produtos agr&iacute;colas, reduzindo os intermedi&aacute;rios    e remunerando-os melhor, e algumas produ&ccedil;&otilde;es industriais (como    o vinho ou as farinhas) podiam aumentar a sua qualidade e pre&ccedil;o.      <p>Do &ecirc;xito do funcionamento cooperativo tamb&eacute;m dependia    a capacidade para integrar os camponeses nestas associa&ccedil;&otilde;es. Este    era o segmento da popula&ccedil;&atilde;o rural que mais necessitava dos servi&ccedil;os    associativos. Mas as c&acirc;maras agr&iacute;colas estiveram sempre sob o controlo    dos propriet&aacute;rios rurais, que pretendiam liderar o movimento associativo    agr&aacute;rio e evitar a prolifera&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es    aut&oacute;nomas de camponeses (Planas, 1998 e 2003a; Cabo, 2000; Sanz, 2005).    Na luta contra a crise agr&aacute;ria, os propriet&aacute;rios que promoviam    as c&acirc;maras agr&iacute;colas consideravam priorit&aacute;ria, mais do que    a ac&ccedil;&atilde;o cooperativa, a mobiliza&ccedil;&atilde;o social. Era uma    iniciativa que tinha como principal objectivo a coes&atilde;o da sociedade rural    e a legitima&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o social dos propriet&aacute;rios,    principalmente atrav&eacute;s de um discurso de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola,    e n&atilde;o tanto por meio de realiza&ccedil;&otilde;es concretas.      <p>Algumas c&acirc;maras agr&iacute;colas circunscreveram a sua    actua&ccedil;&atilde;o a campanhas de protesto, relat&oacute;rios e ac&ccedil;&otilde;es    com vista &agrave; defesa dos interesses dos propriet&aacute;rios e tiveram    uma exist&ecirc;ncia ef&eacute;mera. As que estabeleceram servi&ccedil;os cooperativos    tiveram uma ac&ccedil;&atilde;o mais prolongada; contudo, estes servi&ccedil;os    limitaram-se, fundamentalmente, &agrave; provis&atilde;o de fertilizantes qu&iacute;micos    e outros <I>inputs</I> agr&iacute;colas. O cr&eacute;dito agr&iacute;cola praticamente    n&atilde;o chegou a desenvolver-se e a elabora&ccedil;&atilde;o industrial de    produtos agr&iacute;colas (estabelecimento de adegas cooperativas, por exemplo)    n&atilde;o foi al&eacute;m da fase de projecto. A maioria destas associa&ccedil;&otilde;es    concentrou os seus esfor&ccedil;os na difus&atilde;o de conhecimentos e pr&aacute;ticas    agr&iacute;colas por meio de publica&ccedil;&otilde;es, confer&ecirc;ncias,    exposi&ccedil;&otilde;es e concursos, ou seja, seguindo as mesmas pr&aacute;ticas    das velhas associa&ccedil;&otilde;es de propriet&aacute;rios do s&eacute;culo    xix.      <p>A resposta associativa ao real decreto de 1890 foi muito limitada.    Ao cabo de uma d&eacute;cada, apenas cerca de tr&ecirc;s dezenas de c&acirc;maras    agr&iacute;colas tinham sido fundadas em toda a Espanha e, embora tenham continuado    a surgir ao longo dos primeiros anos do s&eacute;culo xx, estas associa&ccedil;&otilde;es    contavam, em geral, com um n&uacute;mero reduzido de s&oacute;cios e desenvolveram    muito pouca actividade. A Catalunha foi a regi&atilde;o espanhola onde este    modelo associativo teve maior implanta&ccedil;&atilde;o. Contudo, tamb&eacute;m    aqui os seus resultados n&atilde;o corresponderam &agrave;s expectativas criadas    (Planas, 2003b).      <p>Durante o primeiro ter&ccedil;o do s&eacute;culo xx, o cooperativismo desenvolveu-se    fundamentalmente atrav&eacute;s dos sindicatos agr&iacute;colas, que tinham    um &acirc;mbito de actua&ccedil;&atilde;o local e uma fun&ccedil;&atilde;o essencialmente    econ&oacute;mica. Em Espanha, estas novas associa&ccedil;&otilde;es foram reguladas    pela lei dos sindicatos agr&iacute;colas de 1906, considerada o momento de arranque    do cooperativismo agr&aacute;rio espanhol (Garrido 1995, 2003 e 2007). Muitos    destes sindicatos tamb&eacute;m enfrentaram dificuldades para organizar a actividade    cooperativa e tiveram uma vida ef&eacute;mera; outros, por&eacute;m, deram um    contributo importante para a moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. Faz    sentido entender as c&acirc;maras agr&iacute;colas como um modelo interm&eacute;dio    entre, por um lado, as associa&ccedil;&otilde;es de propriet&aacute;rios ilustrados    do s&eacute;culo xix (que se preocupavam com a moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola,    mas n&atilde;o tinham qualquer influ&ecirc;ncia sobre o campesinato) e, por    outro, os sindicatos e cooperativas que come&ccedil;aram a surgir na primeira    d&eacute;cada do s&eacute;culo xx.      <p>&nbsp;      <P><b>Os esfor&ccedil;os para controlar o movimento cooperativo </b>     <p>O desenvolvimento do cooperativismo agr&aacute;rio alterou    as formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos interesses agr&aacute;rios, bem como    a sociabilidade no mundo rural. Por toda a Europa, os propriet&aacute;rios rurais    procuraram adaptar-se &agrave;s mudan&ccedil;as do movimento associativo e,    na medida do poss&iacute;vel, manter a sua hegemonia. Em Portugal, por exemplo,    a Real Associa&ccedil;&atilde;o Central da Agricultura Portuguesa desenvolveu    um trabalho importante na defesa do associativismo agr&aacute;rio e apoiou a    cria&ccedil;&atilde;o de cooperativas (Bernardo, 1997; Rocha, Martins e Matos,    2004). Em Fran&ccedil;a, a Soci&eacute;t&eacute; des Agriculteurs de France,    entidade dominada pelos grandes propriet&aacute;rios rurais, muitos deles com    t&iacute;tulos nobili&aacute;rquicos, aproveitou a lei de liberdade sindical    de 1884 e, exercendo uma certa tutela sobre os sindicatos agr&iacute;colas,    converteu-se no centro directivo de uma organiza&ccedil;&atilde;o de massas,    &agrave; semelhan&ccedil;a do Boerenbond na B&eacute;lgica e do Bund der Landwirte    na Alemanha (Moyano, 1988; Brelot, 1996; Mendras, 1970; Barral, 1986; Tracy,    1991; Puhle, 1986; Van Molle, 1990).      <p>Na Catalunha, o IACSI tamb&eacute;m procurou consolidar a sua    preemin&ecirc;ncia na organiza&ccedil;&atilde;o dos interesses agr&aacute;rios    atrav&eacute;s da sua participa&ccedil;&atilde;o no movimento associativo. Se    bem que a prolifera&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es aut&oacute;nomas    pudesse p&ocirc;r em perigo a sua primazia na representa&ccedil;&atilde;o dos    interesses agr&aacute;rios, o IACSI n&atilde;o hesitou em promover o movimento    associativo e em exigir uma legisla&ccedil;&atilde;o que facilitasse o seu desenvolvimento    (Planas, 2008). O real decreto para a cria&ccedil;&atilde;o das c&acirc;maras    agr&iacute;colas de 1890 foi promulgado numa altura em que um dirigente do IACSI,    o marqu&ecirc;s de Monistrol, exercia o cargo de director-geral da Agricultura<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>    e a lei dos sindicatos agr&iacute;colas de 1906 (inspirada na lei francesa da    liberdade sindical de 1884) foi tamb&eacute;m promovida directamente pelo IACSI.      <p>Em 1889, depois de uma vasta campanha que reivindicava medidas    contra a crise agr&aacute;ria por parte do governo espanhol, o IACSI conseguiu    criar a primeira federa&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias,    a Uni&atilde;o Agr&iacute;cola da Catalunha. Com esta pretendia ganhar a ades&atilde;o    &agrave; sua organiza&ccedil;&atilde;o de &quot;toda a classe agr&iacute;cola    da Catalunha&quot;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> e ampliar a sua junta directiva com os presidentes    das associa&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas aderentes. Mas foi totalmente    ef&eacute;mera. Tamb&eacute;m tentou promover &quot;o estabelecimento de numerosos    gr&eacute;mios ou sindicatos agr&iacute;colas cuja miss&atilde;o tendesse a    vivificar o esp&iacute;rito das classes lavradoras para prover mutuamente, sob    o amparo do Instituto, &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o das suas necessidades&quot;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.    Esta estrat&eacute;gia associativista daria lugar, em 1893, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    da Federa&ccedil;&atilde;o de Gr&eacute;mios Agr&iacute;colas da Catalunha,    uma iniciativa vinculada &agrave; nova doutrina social da Igreja concretizada    na enc&iacute;clica <I>Rerum Novarum</I> do papa Le&atilde;o XIII. O projecto    recebeu o benepl&aacute;cito das autoridades eclesi&aacute;sticas, mas fracassou    ao n&atilde;o conseguir a ades&atilde;o do campesinato.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seria preciso esperar at&eacute; 1899 para que o IACSI conseguisse    impulsionar a cria&ccedil;&atilde;o de uma federa&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es    agr&iacute;colas duradoura. Com a cria&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o    Agr&iacute;cola Catal&atilde; (ampliada em 1902 &agrave;s ilhas Baleares com    a denomina&ccedil;&atilde;o de Federa&ccedil;&atilde;o Agr&iacute;cola Catalano-Balear),    o IACSI conseguiria vincular mais de uma centena de associa&ccedil;&otilde;es    agr&aacute;rias que, em maior ou menor medida, contavam com a ades&atilde;o    do campesinato. A maioria destas associa&ccedil;&otilde;es era de &acirc;mbito    mais ou menos local (c&acirc;maras, sindicatos e cooperativas); no entanto,    a sua flexibilidade organizativa tamb&eacute;m lhe permitiu contar com a ades&atilde;o    de associa&ccedil;&otilde;es muito mais amplas, como a poderosa Uni&atilde;o    de Viticultores da Catalunha, que, nascida em 1910 no seio da Federa&ccedil;&atilde;o    Agr&iacute;cola Catalano-Balear, em breve criou delega&ccedil;&otilde;es em    mais de duzentas localidades catal&atilde;s, ultrapassando o n&uacute;mero de    20 000 associados. Liderada por grandes propriet&aacute;rios vit&iacute;colas,    a Uni&atilde;o de Viticultores da Catalunha actuou como grupo de press&atilde;o    e converteu-se na principal associa&ccedil;&atilde;o representativa dos interesses    dos vitivinicultores, servindo de modelo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de federa&ccedil;&otilde;es    similares noutras regi&otilde;es espanholas, que, em 1924, constitu&iacute;ram    a Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional de Viticultores<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.      <p>Durante a segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo xx, a Federa&ccedil;&atilde;o    Agr&iacute;cola Catalano-Balear come&ccedil;ou a enfraquecer. Uma das raz&otilde;es    para tal prende-se com a interven&ccedil;&atilde;o do Estado no sector agr&aacute;rio,    que a partir de in&iacute;cios do s&eacute;culo xx se tornou cada vez mais indispens&aacute;vel    (Koning, 1994; Fern&aacute;ndez Prieto, 1998 e 1999). Na Catalunha, a administra&ccedil;&atilde;o    perif&eacute;rica do Estado (deputa&ccedil;&otilde;es provinciais, <I>Mancomunitat    de Catalunya</I>) concentrou os seus esfor&ccedil;os no ensino e na difus&atilde;o    de melhorias t&eacute;cnicas e produtivas, mas criou tamb&eacute;m os Servi&ccedil;os    de Ac&ccedil;&atilde;o Social Agr&aacute;ria com vista a impulsionar o cooperativismo    agr&aacute;rio (Gal&iacute;, 1982; Giralt, 1990; Casanovas, 1996 e 1998).      <p> O golpe de Estado do general Primo de Rivera interrompeu o    trabalho destes servi&ccedil;os e, com isso, a pol&iacute;tica de promo&ccedil;&atilde;o    dos sindicatos, caixas rurais, adegas cooperativas, etc., que a administra&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica catal&atilde; tinha come&ccedil;ado a desenvolver. O seu director    e respons&aacute;vel m&aacute;ximo, Josep M. Rend&eacute;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>,<SUP>    </SUP>tinha concebido um <I>Pla d'Organitzaci&oacute; Social Agr&agrave;ria    de Catalunya</I> (1924), que estabelecia a divis&atilde;o do territ&oacute;rio    em federa&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas com o objectivo de articular a    organiza&ccedil;&atilde;o do cooperativismo agr&aacute;rio nesta regi&atilde;o;    mas este plano n&atilde;o foi al&eacute;m da fase de projecto.      <p>No entanto, n&atilde;o devemos subestimar as contradi&ccedil;&otilde;es cada    vez mais graves que a federa&ccedil;&atilde;o teve de enfrentar para manter    a representa&ccedil;&atilde;o dos interesses agr&aacute;rios depois do estalar    da conflitualidade rural que se verificou na Catalunha em finais da segunda    d&eacute;cada do s&eacute;culo.      <p>&nbsp;      <P><b>A polariza&ccedil;&atilde;o social no campo </b>     <p>Durante o chamado tri&eacute;nio bolchevique (1918-1920), a    luta social no campo foi muito intensa. Produziram-se greves e confrontos muito    violentos entre camponeses e propriet&aacute;rios, especialmente na Catalunha    meridional, onde as organiza&ccedil;&otilde;es socialistas e anarquistas tinham    desenvolvido maior activismo, mas as tens&otilde;es eclodiram tamb&eacute;m    noutras &aacute;reas, at&eacute; ent&atilde;o menos turbulentas (Pujolar Huguet,    1919; Mayayo, 1994 [1986] e 1995; Gavald&agrave;, 1989; Pom&eacute;s, 2000).      <p>Neste contexto de polariza&ccedil;&atilde;o social, o sindicalismo    cat&oacute;lico agr&aacute;rio registou um forte apogeu. At&eacute; ao momento    tinha tido uma presen&ccedil;a testemunhal na Catalunha, mas entre 1917 e 1920    fundaram-se oito federa&ccedil;&otilde;es de sindicatos: a Federa&ccedil;&atilde;o    Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria do Ebro (1917); a Federa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria    Barcelonesa (1917); a Federa&ccedil;&atilde;o Sindical Agr&aacute;ria de Girona    (1918); a Federa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria de Tarragona    (1918); a Federa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria de Lleida (1918);    a Federa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria de Vic (1918); a Federa&ccedil;&atilde;o    Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria de La Seu d'Urgell (1919); a Federa&ccedil;&atilde;o    Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria de Berga (1920), todas elas vinculadas &agrave;    Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional Cat&oacute;lico-Agr&aacute;ria espanhola    (Cuesta, 1978; Castillo, 1979; Andr&eacute;s-Gallego, 1981 e 1984; Garrido,    1994 e 1996; Pom&eacute;s, 2000).      <p>Alguns propriet&aacute;rios rurais convenceram-se da necessidade    de dotar os sindicatos agr&iacute;colas da componente religiosa de modo a contestar    os ideais socialistas e comunistas, que ganhavam cada vez mais adeptos. Um deles,    Jaume Rosich, que presidia &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o Sindical Agr&aacute;ria    de Girona (a maior federa&ccedil;&atilde;o de sindicatos cat&oacute;licos da    Catalunha), expressava-o com uma clareza exemplar:      <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entendemos que &eacute; indiscut&iacute;vel que os sindicatos agr&iacute;colas      devem ser confessionais, ou seja, cat&oacute;licos. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel      ignorar hoje o facto real, ineg&aacute;vel, de que as ideias comunistas p&otilde;em      em perigo toda uma organiza&ccedil;&atilde;o social baseada no direito de      propriedade, perante as quais s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel opor a afirma&ccedil;&atilde;o      crist&atilde; da legitimidade desse direito, o qual, por outro lado, imp&otilde;e      deveres sagrados aos que s&atilde;o, segundo a doutrina social cat&oacute;lica,      simples administradores de uma riqueza que devem distribuir efusivamente entre      os pobres e os necessitados, uma vez satisfeitas as suas necessidades reais.      E esta concep&ccedil;&atilde;o dos deveres, que imp&otilde;e a posse dos bens      materiais, fonte indiscut&iacute;vel de paz social, n&atilde;o se encontra      fora da doutrina cat&oacute;lica e menos ainda das doutrinas liberais em que      se apoiam &#151; quer o reconhe&ccedil;am ou n&atilde;o &#151; aqueles que      defendem e propagam que os sindicatos agr&iacute;colas devem ser neutros [Rosich,      1919]<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. </p> </blockquote>     <p>Esperava-se que o sindicalismo cat&oacute;lico actuasse como    um verdadeiro muro de conten&ccedil;&atilde;o perante a invas&atilde;o dos ideais    revolucion&aacute;rios, mas, como se verificou, o discurso anti-socialista n&atilde;o    foi suficiente para pacificar o campo. O sindicalismo cat&oacute;lico tamb&eacute;m    pressupunha a adop&ccedil;&atilde;o de uma orienta&ccedil;&atilde;o mais social,    disposta a fazer concess&otilde;es para neutralizar as aspira&ccedil;&otilde;es    de reforma agr&aacute;ria. Com o objectivo de favorecer o acesso dos camponeses    &agrave; terra, alguns destes sindicatos facilitavam arrendamentos colectivos    ou compravam algumas parcelas para serem exploradas pelos s&oacute;cios. Constitu&iacute;ram    uma &uacute;ltima tentativa de manuten&ccedil;&atilde;o de um sindicalismo interclassista    que pudesse evitar a separa&ccedil;&atilde;o violenta entre propriet&aacute;rios    e camponeses (Planas, 1998).      <p>O golpe de estado de Setembro de 1923 poria fim &agrave; espiral    de conflitualidade social crescente que se manifestava tamb&eacute;m no mundo    rural. No entanto, a ditadura de Primo de Rivera (1923-1930) constituiu apenas    uma pausa; as causas do conflito social continuavam sem solu&ccedil;&atilde;o    e o mal-estar manifestar-se-ia com toda a virul&ecirc;ncia durante a d&eacute;cada    de 30. Durante os anos da ditadura de Primo de Rivera promoveram-se algumas    iniciativas legislativas de reforma das estruturas agr&aacute;rias que preocuparam    profundamente os propriet&aacute;rios agr&iacute;colas e a chegada da II Rep&uacute;blica,    com governos comprometidos com as reivindica&ccedil;&otilde;es do campesinato,    motivou a reac&ccedil;&atilde;o defensiva dos propriet&aacute;rios.      <p>Perante as primeiras medidas reformistas do governo republicano    (1931), o IACSI iniciou uma grande mobiliza&ccedil;&atilde;o que tinha como    objectivo a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es de propriet&aacute;rios    em todas as comarcas catal&atilde;s, bem como a vincula&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica    ao Instituto daquelas que j&aacute; existissem. Estas associa&ccedil;&otilde;es    teriam representantes no conselho directivo do IACSI (&oacute;rg&atilde;o superior    &agrave; junta directiva que fixaria as linhas b&aacute;sicas da actua&ccedil;&atilde;o    do Instituto) e teriam de submeter qualquer actua&ccedil;&atilde;o &agrave;    supervis&atilde;o da junta directiva do mesmo. A campanha obteve um &ecirc;xito    significativo e em poucos meses estabeleceram-se associa&ccedil;&otilde;es em    mais de trinta comarcas, cobrindo assim a maior parte do territ&oacute;rio catal&atilde;o.    Os propriet&aacute;rios abandonaram totalmente a estrat&eacute;gia interclassista    e passaram a mobilizar toda a classe propriet&aacute;ria no sentido da estrita    defesa patronal.      <p>No entanto, o cooperativismo agr&aacute;rio continuou a desenvolver-se    e a organizar-se, at&eacute; criar, no in&iacute;cio de 1931, a Uni&atilde;o    de Sindicatos Agr&iacute;colas da Catalunha, uma grande federa&ccedil;&atilde;o    de associa&ccedil;&otilde;es que, ainda que com o protagonismo da classe propriet&aacute;ria,    manteve a independ&ecirc;ncia da ac&ccedil;&atilde;o patronal do IACSI.<SUP>    </SUP> Esta federa&ccedil;&atilde;o foi o resultado do acordo entre algumas    das principais associa&ccedil;&otilde;es cooperativas da Catalunha e conseguiu    a imediata ades&atilde;o de um grande n&uacute;mero de sindicatos e cooperativas    de toda esta regi&atilde;o (Ribas Ban&uacute;s, 1974; Pom&eacute;s, 1991; Ramon,    1999). Com uma orienta&ccedil;&atilde;o fundamentalmente econ&oacute;mica, organizou-se    em sectores produtivos (a Uni&atilde;o de Viticultores da Catalunha converteu-se    na sua sec&ccedil;&atilde;o de viticultura) e procurou manter-se &agrave; margem    da crescente politiza&ccedil;&atilde;o e do confronto cada vez mais violento    entre o IACSI e o poderoso sindicato do campesinato vit&iacute;cola catal&atilde;o    Uni&oacute; de Rabassaires<I> </I>(Giralt, 1965; Balcells, 1968; Pom&eacute;s,    2000).      <p>A campanha de defesa patronal que o IACSI levou a cabo durante a II Rep&uacute;blica    obteve a ades&atilde;o de um alargado sector de propriet&aacute;rios rurais    (sobretudo grandes, mas tamb&eacute;m m&eacute;dios e pequenos) que se sentiram    amea&ccedil;ados pelo clima social, pelo discurso e pelas prioridades pol&iacute;ticas    das novas autoridades. Por&eacute;m, a radicaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    e o crescente confronto entre propriet&aacute;rios e camponeses desembocariam    na explos&atilde;o de viol&ecirc;ncia desencadeada em 1936 com o rebentar da    Guerra Civil espanhola e da revolu&ccedil;&atilde;o social na Catalunha.      <p>&nbsp;      <P><b>Conclus&atilde;o</b>     <p>Durante a segunda metade do s&eacute;culo xix e o primeiro    ter&ccedil;o do s&eacute;culo xx, a agricultura europeia passou por enormes    mudan&ccedil;as, &agrave;s quais os diferentes grupos sociais se adaptaram de    formas diversas. Este artigo centrou a sua aten&ccedil;&atilde;o na reac&ccedil;&atilde;o    de um destes grupos, a classe propriet&aacute;ria, atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o    colectiva. At&eacute; ao s&eacute;culo xix, este grupo social ocupava uma posi&ccedil;&atilde;o    preeminente, mas, &agrave; medida que o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o    avan&ccedil;ava, o seu estatuto econ&oacute;mico sofreu um retrocesso e, com    a crise do final do s&eacute;culo, a sua posi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica    e social ficou ainda mais debilitada. Em reac&ccedil;&atilde;o a esta situa&ccedil;&atilde;o,    no final do s&eacute;culo xix, esta classe protagonizou uma intensa mobiliza&ccedil;&atilde;o    social e promoveu um novo associativismo agr&aacute;rio de car&aacute;cter corporativo.    Esta foi uma das estrat&eacute;gias adoptadas pelos propriet&aacute;rios rurais    para manter o seu predom&iacute;nio social. Com ela pretendiam atingir tr&ecirc;s    objectivos: (1) liderar a moderniza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica agr&aacute;ria;    (2) limitar a organiza&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma do campesinato; (3)    constituir-se perante os poderes p&uacute;blicos como os representantes do conjunto    da &quot;classe agr&iacute;cola&quot;. Estes objectivos n&atilde;o eram f&aacute;ceis    de atingir, como pudemos ver nas p&aacute;ginas precedentes, ao examinar a rela&ccedil;&atilde;o    entre os propriet&aacute;rios e o associativismo agr&aacute;rio na Catalunha.      <p>At&eacute; ao final do s&eacute;culo xix o associativismo agr&aacute;rio    limitava-se fundamentalmente a alguns pequenos c&iacute;rculos de propriet&aacute;rios    ilustrados, preocupados com os novos conhecimentos agr&iacute;colas e com as    mudan&ccedil;as legais que poderiam prejudicar os seus interesses econ&oacute;micos    (direitos de propriedade, contratos agr&aacute;rios, fiscalidade, etc.). O campesinato    mantinha-se completamente &agrave; margem destas associa&ccedil;&otilde;es,    apesar do facto de a moderniza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica da agricultura    ser invi&aacute;vel sem o seu concurso.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A crise agr&aacute;ria do final do s&eacute;culo veio mudar    esta situa&ccedil;&atilde;o. Em primeiro lugar, porque a crise tornou mais necess&aacute;ria    a mobiliza&ccedil;&atilde;o social em torno da defesa de medidas de protec&ccedil;&atilde;o    agr&aacute;ria. Os propriet&aacute;rios viram a necessidade de contar com a    ades&atilde;o do campesinato para aumentar a for&ccedil;a das suas reivindica&ccedil;&otilde;es    e a crise tamb&eacute;m gerou um clima favor&aacute;vel &agrave; cria&ccedil;&atilde;o,    por parte dos trabalhadores rurais, de uma frente comum com os propriet&aacute;rios    para fazer face &agrave;s dificuldades do conjunto do sector. Ao mesmo tempo,    a crise fomentou a conflitualidade social no mundo rural e causou confrontos    entre trabalhadores e propriet&aacute;rios. Estes &uacute;ltimos reclamaram    a ac&ccedil;&atilde;o repressiva das autoridades enquanto organizavam tamb&eacute;m    as suas associa&ccedil;&otilde;es defensivas; no entanto, para evitarem a polariza&ccedil;&atilde;o    social come&ccedil;aram a fomentar associa&ccedil;&otilde;es mistas de propriet&aacute;rios    e trabalhadores rurais, como as c&acirc;maras agr&iacute;colas.      <p>Com as c&acirc;maras agr&iacute;colas pretendiam limitar a    organiza&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es aut&oacute;nomas do campesinato    e refor&ccedil;ar a lideran&ccedil;a dos propriet&aacute;rios na defesa dos    interesses agr&aacute;rios. As c&acirc;maras eram &oacute;rg&atilde;os consultivos    do Estado e transformavam os seus dirigentes em interlocutores privilegiados    dos poderes p&uacute;blicos. A ades&atilde;o do campesinato fazia aumentar a    sua representatividade na defesa dos interesses agr&aacute;rios e concedia-lhes    uma posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a na organiza&ccedil;&atilde;o do    movimento associativo agr&aacute;rio. No entanto, as c&acirc;maras agr&iacute;colas    n&atilde;o conseguiram consolidar-se como modelo associativo. A raz&atilde;o    principal para tal foi o escasso desenvolvimento das suas fun&ccedil;&otilde;es    cooperativas, que eram essenciais para atrair o campesinato, mas menos necess&aacute;rias    para os grandes propriet&aacute;rios. Estes promoveram a moderniza&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola principalmente atrav&eacute;s da difus&atilde;o de conhecimentos    t&eacute;cnicos em publica&ccedil;&otilde;es, confer&ecirc;ncias, quintas-modelo,    exposi&ccedil;&otilde;es, concursos, etc., actividades nas quais as c&acirc;maras    agr&iacute;colas centraram as suas ac&ccedil;&otilde;es.      <p>O cooperativismo desenvolveu-se atrav&eacute;s de outros modelos associativos,    como os sindicatos agr&iacute;colas, regulados em Espanha pela lei de 28 de    Janeiro de 1906. Os propriet&aacute;rios tamb&eacute;m participaram na organiza&ccedil;&atilde;o    destes sindicatos e cooperativas, que se converteram nas entidades mais din&acirc;micas    do movimento associativo agr&aacute;rio. Favoreceram o contexto legal para a    sua cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, impulsionaram directamente a cria&ccedil;&atilde;o    de sindicatos e tentaram controlar o movimento cooperativo atrav&eacute;s de    federa&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias. O car&aacute;cter interclassista destas    associa&ccedil;&otilde;es era um objectivo estrat&eacute;gico para evitar a    confronta&ccedil;&atilde;o entre o campesinato e os propriet&aacute;rios. Ainda    assim, a exist&ecirc;ncia destas associa&ccedil;&otilde;es mistas n&atilde;o    conseguiria evitar a conflitualidade. Em contraste com a expans&atilde;o agr&iacute;cola    da segunda metade do s&eacute;culo xix, durante o primeiro ter&ccedil;o do s&eacute;culo    xx as dificuldades do sector agr&aacute;rio puseram em primeiro plano as diferen&ccedil;as    entre propriet&aacute;rios e campesinos. Os direitos de propriedade e a fun&ccedil;&atilde;o    social dos propriet&aacute;rios come&ccedil;aram a ser postos em causa abertamente    e as exig&ecirc;ncias de reforma das estruturas agr&aacute;rias passaram a ser    atendidas pela esfera pol&iacute;tica. O desenvolvimento de um sindicalismo    campesino aut&oacute;nomo de car&aacute;cter reivindicativo e cada vez mais    beligerante contrastava com o sindicalismo cat&oacute;lico, que tamb&eacute;m    exercia fun&ccedil;&otilde;es cooperativas, embora com uma orienta&ccedil;&atilde;o    muito mais social e anti-socialista. Alguns propriet&aacute;rios apoiaram o    sindicalismo cat&oacute;lico como &uacute;ltimo recurso para manter um associativismo    interclassista e evitar a fractura social. No entanto, &agrave; medida que os    projectos de reforma agr&aacute;ria se consolidavam, a classe propriet&aacute;ria    viu a necessidade de reorientar a sua ac&ccedil;&atilde;o colectiva no sentido    da defesa patronal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <P ALIGN="CENTER"><B>Bibliografia</B>      <!-- ref --><p>Andr&eacute;s-Gallego, J. (1981), &quot;El movimiento agrario    confesional a principios del siglo xx&quot;. <I>Hispania,</I> 147, pp. 155-195.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0003-2573200900030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Andr&eacute;s-Gallego, J. (1984), <I>Pensamiento y Acci&oacute;n    Social de la Iglesia en Espa&ntilde;a, </I>Madrid, Espasa-Calpe.      <p>Balcells, A. (1968), <I>El Problema Agrari a Catalunya (1890-1936),    la Q&uuml;esti&oacute; Rabassaire</I>, Barcelona, Nova Terra.      <p>Banti, A. M. (1990), &quot;I propietari terrieri nell'Italia    centro-settentrionale&quot;. <I>In</I> P. Bevilacqua (org.), <I>Storia dell'Agricoltura    Italiana in Et&agrave; Contemporanea,</I> Venecia, Marsilio Editori, vol. ii,    pp. 45-103.      <p>Banti, A. M. (1994), &quot;Organizzazione di agrari in Prussia    e nella valle Padana, 1880-1914&quot;. <I>Annali dell'Istituto `Alcide Cervi</I>,    <I>L'agricoltura in Europa e la Nascita della `Questione Agraria'</I>, 14-15,    Roma, Edizioni Dedalo, pp. 421-440.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Barral, P. (1986), &quot;L'agrarisme fran&ccedil;ais: associations    et politiques&quot;. <I>In</I> P. Villani (org.), <I>Transformazioni delle societ&agrave;    rurali nei paesi dell'Europa occidentale e mediterranea (secolo xix-xx)</I>,    N&aacute;poles, Guida, pp. 105-125.      <p>Bernardo, M. A. R. (1997), &quot;Les &eacute;lites agraires    portugaises au xix<SUP>e</SUP> si&egrave;cle: entre groupes de pression et associations&quot;.    <I>Histoire, &eacute;conomie et soci&eacute;t&eacute;</I>, 16 (2), pp. 189-202.      <p>Brelot, C.-I. (1996), &quot;Le syndicalisme agricole et la    noblesse en France de 1884 &agrave; 1914&quot;. <I>Cahiers d'histoire</I>, xli    (2), pp. 199-218.      <p>Cabo, M. (2000), &quot;Asociacionismo desde arriba&#160;: las    c&aacute;maras agr&iacute;colas en Galicia&quot;. <I>In</I> R. S&aacute;nchez    Mantero (ed.), <I>En torno al &quot;98&quot;. Espa&ntilde;a en el Tr&aacute;nsito    del siglo XIX al XX</I>, Huelva, Universidad de Huelva, pp. 537-549.      <p>Caminal, M. (1989), &quot;La fundaci&oacute; de l'Institut    Agr&iacute;cola Catal&agrave; de Sant Isidre: els seus homes i les seves activitats    (1851-1901)&quot;. <I>Recerques</I>, 22, pp. 117-135.      <p>Carmona, J., e Simpson, J. (1999), &quot;A l'entorn de la q&uuml;esti&oacute;    agr&agrave;ria catalana: el contracte de rabassa morta i els canvis en la viticultura,    1890-1929&quot;. <I>Recerques</I>, 28, pp. 105-124.      <p>Casanovas, J. (1996), <I>L'Acci&oacute; T&eacute;cnica Agr&agrave;ria    (1912-1939). La Pol&iacute;tica Agr&agrave;ria de la Mancomunitat i la Generalitat    de Catalunya</I>. Tese de doutoramento, Barcelona, Universitat de Barcelona.      <p>Casanovas, J. (1998), &quot;La mancomunitat de Catalunya i    el foment del sindicalisme agrari (1919-1923). <I>In </I>J. Barrull, J. J. Busqueta    e E. Vicedo (eds.), <I>Solidaritats Pageses, Sindicalisme i Cooperativisme,</I>    Leida, IEI, pp. 395-415.      <p>Castillo, J. J. (1979), <I>Propietarios Muy Pobres. Sobre la    Subordinaci&oacute;n Pol&iacute;tica del Peque&ntilde;o Campesinado en Espa&ntilde;a    (La Confederaci&oacute;n Nacional Cat&oacute;lico-Agraria, 1917-1942</I>)<I>,    </I>Madrid, Ministerio de Agricultura, Pesca e Alimentaci&oacute;n.      <p>Cazzola, F., e Martini, M. (1991), &quot;Il movimento bracciantile    nell'area padana&quot;. <I>In</I> P. Bevilacqua (org.), <I>Storia dell'agricoltura    italiana in et&agrave; contemporanea</I>, Veneza, Marsilio Editori, vol. iii,    pp. 733-798.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Congost, R. (1990), <I>Els propietaris i els altres</I>, Vic,    Eumo.      <p>Corni, G. (1994), &quot;Le conseguenze politiche e ideologiche    della crisi agraria in Germania. 1879-1914&quot;. <I>L'Agricoltura in Europa    e la nascita della &quot;questione agraria&quot;. Annali dell'Istituto Alcide    Cervi, </I>14-15 (1992-1993), Roma, Edizioni Dedalo, pp. 265-280.      <p>Corti, P. (1977), &quot;Fortuna e decadenza dei comizi agrari&quot;.    <I>Quaderni storici,</I> 36, pp. 738-758.      <p>Cuesta, J. (1978), <I>Sindicalismo Cat&oacute;lico Agrario    en Espa&ntilde;a (1917-1919),</I> Madrid, Narcea.      <p>D'Attorre, P. P. (1986), &quot;La marcia dei rurali. Asociacionismo    padronale e rappresentanza politica delle elites agrarie padane nel Novecento&quot;.    <I>In</I> P. Villani (org.), <I>Transformazioni delle societ&agrave; rurali    nei paesi dell'Europa occidentale e mediterranea (secolo xix-xx)</I>, N&aacute;poles,    Guida, pp. 355-387.      <p>Duarte, &Agrave;. (1987), <I>El Republicanisme Catal&agrave;    a la Fi del Segle XIX</I>, Vic, Eumo.      <p>Fern&aacute;ndez, E. (2008), &quot;El fracaso del lobby viticultor    en Espa&ntilde;a frente al objetivo industrializador del Estado, 1920-1936&quot;.    <I>Historia Agraria,</I> n.&#186; 45, pp. 113-141.      <p>Fern&aacute;ndez Prieto, L. (1998), &quot;La pol&iacute;tica    agraria del estado espa&ntilde;ol contempor&aacute;neo hasta 1936. Del propietario    innovador al fomento de la innovaci&oacute;n en la peque&ntilde;a explotaci&oacute;n&quot;.    <I>Historia Contempor&aacute;nea,</I> 17, pp. 237-286.      <p>Fern&aacute;ndez Prieto, L. (1999), &quot;Estado, sociedad    rural e innovaci&oacute;n tecnol&oacute;gica en la agricultura. Los cambios    en torno a 1900&quot;. <I>Studia storica. Historia contempor&aacute;nea</I>,    17, pp. 67-103.      <p>Florencio Puntas, A. (1994), <I>Empresariado Agr&iacute;cola    y Cambio Econ&oacute;mico, 1880-1936 (Organizaci&oacute;n y Estrategia de la    Patronal Sevillana en los Inicios de la Modernizaci&oacute;n)</I>, Sevilha,    Diputaci&oacute;n Provincial de Sevilla.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gal&iacute;, A. (1982), <I>Hist&ograve;ria de les Institucions    i del Moviment Cultural a Catalunya (1900 a 1936)</I>, vol. vi, <I>Ensenyaments    i Serveis Agr&iacute;coles</I>, Barcelona, Fundaci&oacute; Alexandre Gal&iacute;.      <p>Garrabou, R. (ed.) (1988), <I>La Crisis Agraria de Fines del    siglo XIX</I>, Barcelona, Ed. Cr&iacute;tica.      <p>Garrabou, R., Planas, J., e Saguer, E. (2001a), &quot;Sharecropping    and the management of large rural estates in Catalonia, 1850-1950&quot;. <I>The    Journal of Peasant Studies,</I> 28 (3), pp. 89-108.      <p>Garrabou, R., Planas, J., e Saguer, E. (2001b), <I>Un Capitalisme    Impossible? La Gesti&oacute; de la Gran Propietat Agr&agrave;ria a la Catalunya    Contempor&agrave;nia</I>, Vic, Eumo.      <p>Garrabou, R., e Pujol Andreu, J. (1987), &quot;El canvi agrari    a la Catalunya del segle xix&quot;. <I>Recerques</I>, 19, pp. 35-77.      <p>Garrido, S. (1994), &quot;El cooperativisme segons l'Esgl&eacute;sia.    Els inicis del sindicalisme cat&ograve;lic a Espanya&quot;. <I>Recerques</I>,    30, pp. 69-85.      <p>Garrido, S. (1995), &quot;El cooperativismo agrario espa&ntilde;ol    del primer tercio del siglo xx&quot;. <I>Revista de Historia Econ&oacute;mica</I>,    xiii (1), pp. 115-144.      <p>Garrido, S. (1996), <I>Treballar en Com&uacute;. El Cooperativisme    Agrari a Espanya (1900-1936)</I>, Valen&ccedil;a, Edicions Alfons el Magn&agrave;nim.      <p>Garrido, S. (2003), &quot;La for&ccedil;a de la cooperaci&oacute;.    El cooperativisme agrari espanyol al comen&ccedil;ament del segle xx&quot;.    In <I>Sindicalisme i M&oacute;n Rural a Catalunya, 1900-1975,</I> Girona, CCG    Edicions, pp. 11-48.      <p>Garrido, S. (2007), &quot;Why did most cooperatives fail? Spanish    agricultural cooperation in the early twentieth century&quot;. <I>Rural History,</I>    18 (2), pp. 183-200.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Garrier, G. (1989), <I>Le phyllox&eacute;ra. Une guerre de    trente ans, 1870-1900</I>, Paris.      <p>Gavald&agrave;, A. (1989), <I>L'Associacionisme Agrari a Catalunya    (El model de la Societat Agr&iacute;cola de Valls, 1888-1988),</I> 2 vols.,    Valls, IEV.      <p>Gavald&agrave;, A. (2005), <I>Josep M. Rend&eacute; i Ventosa</I>,    Barcelona, Fundaci&oacute; Roca i Gal&eacute;s/Cosset&agrave;nia Edicions.      <p>Gavald&agrave;, A. (2007), <I>El Batec Period&iacute;stic d'un    Dirigent Cooperativista Catal&agrave;.</I> <I>Josep M. Rend&eacute; i Ventosa.    Escrits 1903-1925, </I>Valls, Cosset&agrave;nia Edicions.      <p>Giralt, E. (1965), &quot;El conflicto `rabassaire' y la cuesti&oacute;n    agraria en Catalu&ntilde;a hasta 1936&quot;. <I>Revista de Trabajo, </I>7, 51-72.      <p>Giralt, E. (1990), &quot;L'agricultura&quot;. <I>In </I>J.    Nadal <I>et al.</I> (dirs.), <I>Hist&ograve;ria Econ&ograve;mica de la Catalunya    Contempor&agrave;nia, </I>vol. ii, Barcelona, Fundaci&oacute; Gran Enciclop&egrave;dia    Catalana, pp. 121-305.      <p>Koning, N. (1994), <I>The Failure of Agrarian Capitalism. Agrarian    Politics in the United Kingdom, Germany, the Netherlands and the USA, 1846-1919,</I>    Londres, Routledge.      <p>Lachiver, M. (1988), <I>Vins, vignes et vignerons. Histoire    du vignoble fran&ccedil;ais,</I> Paris, Fayard.      <p>L&oacute;pez Estudillo, A. (1989), &quot;Federalismo y mundo    rural en Catalu&ntilde;a (1890-1905)&quot;. <I>Historia Social</I>, 3, pp. 17-32.      <p>L&oacute;pez Estudillo, A. (2001), <I>Republicanismo y Anarquismo    en Andaluc&iacute;a. Conflictividad Social Agraria y Crisis Finisecular (1868-1900),    </I>C&oacute;rdova, Ayuntamiento de C&oacute;rdoba.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Malatesta, M. (1989), <I>I Signori della terra. L'Organizzazione    degli interessi agrari padani (1860-1914), </I>Mil&atilde;o, Franco Angeli.      <p>Malatesta, M. (1997), &quot;Une nouvelle strat&eacute;gie de    reproductions: les organisations patronales agraires europ&eacute;ennes (1868-1914)&quot;.    <I>Histoire, &eacute;conomie et soci&eacute;t&eacute;</I>, 16 (2) pp. 203-219.      <p>Malatesta, M. (1999), <I>Le aristocrazie terriere nell'Europa    contemporanea,</I> Roma-Bari, Laterza.      <p>Maurice, J. (1990)&#160;, <I>El Anarquismo Andaluz. Campesinos    y Sindicalistas, 1868-1936</I>, Barcelona&#160;, Ed. Cr&iacute;tica.      <p>Mayayo, A. (1985), &quot;El naixement del moviment cooperatiu    a la Conca de Barber&agrave;&quot;. <I>Estudis d'Hist&ograve;ria Agr&agrave;ria</I>,    5, pp. 133-155.      <p>Mayayo, A. (1994 [1986]), <I>La Conca de Barber&agrave;, 1890-1939:    de la Crisi Agr&agrave;ria a la Guerra Civil</I>, Montblanc, Centre d'Estudis    de la Conca de Barber&agrave;.      <p>Mayayo, A. (1995), <I>De Pagesos a Ciutadans. Cent Anys de    Sindicalisme i Cooperativisme Agraris a Catalunya, 1893-1994</I>, Catarroja-Barcelona,    Afers.      <p>Mendras, H. (1970), <I>La fin des paysans</I>, Paris, Lib.    Armand Colin.      <p>Monta&ntilde;&eacute;s, E. (1997), &quot;Mercado de trabajo, conflicto    rural y sindicalismo campesino. Jerez de la Frontera, 1880-1923&quot;. <I>Noticiario    de Historia Agraria,</I> 13, pp. 143-164.      <p>Moyano, E. (1988), <I>Sindicalismo y Pol&iacute;tica Agraria    en Europa. Las organizaciones Profesionales Agrarias en Francia, Italia y Portugal</I>,    Madrid, Ministerio de Agricultura, Pesca y Alimentaci&oacute;n.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pan-Montojo, J. (1994),<I> La Bodega del Mundo. La Vid y el    Vino en Espa&ntilde;a (1800-1936), </I>Madrid, Alianza Universidad.      <p>Pan-Montojo, J. (1997), &quot;La naissance des associations    agraires en Espagne, 1833-1898&quot;. <I>Histoire, &eacute;conomie et soci&eacute;t&eacute;</I>,    16 (2), pp. 167-188.      <p>Pan-Montojo, J., e Puig Raposo, N. (1995), &quot;Los grupos    de inter&eacute;s y la regulaci&oacute;n p&uacute;blica del mercado de alcoholes    en Espa&ntilde;a (1887-1936)&quot;. <I>Revista de Historia Econ&oacute;mica</I>,    xiii (2), pp. 251-280.      <p>Planas, J. (1992), &quot;L'associacionisme agrari catal&agrave;    al primer ter&ccedil; del segle xx. Un exemple comarcal: la Cambra Agr&iacute;cola    del Vall&egrave;s (1901-1935)&quot;. <I>Recerques</I>, 25, pp. 139-157.      <p>Planas, J. (1998), &quot;Les cambres agr&iacute;coles i l'intent    de recomposici&oacute; del m&oacute;n rural tradicional&quot;. <I>Estudis d'Hist&ograve;ria    Agr&agrave;ria,</I> 12, pp. 109-127.      <p>Planas, J. (2003a), &quot;Les cambres agr&iacute;coles: una    resposta dels propietaris a la crisi agr&agrave;ria del final del segle xix&quot;.    In <I>Sindicalisme i m&oacute;n rural a Catalunya, 1900-1975,</I> Girona, CCG    Edicions &#151; Universitat de Girona, pp. 49-72.      <p>Planas, J. (2003b), &quot;Cooperativismo y difusi&oacute;n    del cambio t&eacute;cnico en la agricultura. La contribuci&oacute;n de las c&aacute;maras    agr&iacute;colas (Catalu&ntilde;a, 1890-1930)&quot;. <I>Historia Agraria</I>,    30, pp. 87-117.      <p>Planas, J. (2003c), &quot;La crisi del sector vitivin&iacute;cola    i el moviment associatiu agrari (1876-1912)&quot;. <I>In</I> J. Colom&eacute;    (org.), <I>De l'Aiguardent al Cava. El Proc&eacute;s d'Especialitzaci&oacute;    Vitivin&iacute;cola a les Comarques del Pened&egrave;s-Garraf</I>, Vilafranca    del Pened&egrave;s, Ramon Nadal Editor, pp. 239-256.      <p>Planas, J. (2006), <I>Els Propietaris i l'Associacionisme Agrari    a Catalunya (1890-1936), </I>Girona, Universitat de Girona _ Documenta Universitaria.      <p>Planas, J. (2008), &quot;El Instituto Agr&iacute;cola Catal&aacute;n    de San Isidro y la organizaci&oacute;n de los intereses agrarios (1880-1936)&quot;.    <I>Revista Espa&ntilde;ola de Estudios Agrosociales y Pesqueros,</I> 217, pp.    13-47.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pom&eacute;s, J. (1991), <I>Les &quot;Mataro's Potatoes&quot;    i el cooperativisme agrari al Maresme (1903-1939) (La Federaci&oacute; de Sindicats    Agr&iacute;coles del Litoral),</I> Matar&oacute;, Caixa d'Estalvis Laietana.      <p>Pom&eacute;s, J. (2000), <I>La Uni&oacute; de Rabassairres,    </I>Barcelona, Publicacions de l'Abadia de Montserrat.      <p>Puhle, H.-J. (1986), &quot;Agrarian movements in German politics    (19th and 20th c.)&quot;. <I>In</I> P. Villani (org.), <I>Transformazioni delle    societ&agrave; rurali nei paesi dell'Europa occidentale e mediterranea (secolo    xix-xx),</I> N&aacute;poles, Guida, pp. 159-188.      <p>Pujol Andreu, J. (1986), &quot;Las crisis de sobreproducci&oacute;n    en el sector vitivin&iacute;cola catal&aacute;n, 1892-1935&quot;. <I>In</I>    R. Garrabou, C. Barciela e J. I. Jim&eacute;nez Blanco, <I>Historia Agraria    de la Espa&ntilde;a Contempor&aacute;nea. El fin de la agricultura tradicional    (1900-1960),</I> vol. iii, Barcelona, Ed. Cr&iacute;tica, pp. 317-346.      <p>Pujol Andreu, J. (2002-2003), &quot;Cap a una nova interpretaci&oacute;    del capitalisme agrari a Catalunya fins a la guerra civil&quot;. <I>Estudis    d'Hist&ograve;ria Agr&agrave;ria,</I> 15, pp. 19-56.      <p>Pujolar Huguet, R. (1919), <I>La Q&uuml;esti&oacute; Agr&agrave;ria    del Pla d'Olot,</I> Olot, Imp. de Ramon Bonet.      <p>Ramon, J. M. (1999), <I>El sindicalisme Agrari a la Segarra    (1890-1936),</I> Leida, Pag&egrave;s Editors.      <p>Ribas Ban&uacute;s, M. (1974), <I>La U. S. A. de Catalunya</I>.    Tese de licenciatura, Barcelona, Universitat de Barcelona.      <p>Rocha, M. M., Martins, C. A., e Matos, A. C. de (2004), &quot;A    defesa do associativismo agr&aacute;rio pela RACAP (1860-1910)&quot;. Texto    in&eacute;dito apresentado no XXIV Encontro da APHES, Lisboa.      <p>Rosich, J. (1919),<I> Els Sindicats Agr&iacute;coles Gironins,</I>    Girona, Tip. Mass&oacute;.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Saguer, E. (1992), &quot;Acci&oacute; social contra la reforma    agr&agrave;ria. La Federaci&oacute; Sindical Agr&agrave;ria de Girona i la defensa    de la propietat (1918-1936)&quot;. <I>Revista del IACSI</I>, cxl, pp. 76-84.      <p>Sanz, G. (2005), <I>En el Campo Conservador. Organizaci&oacute;n    y Movilizaci&oacute;n de Propietarios Agrarios en Arag&oacute;n, 1880-1930,</I>    Sarago&ccedil;a, Publicaciones de la Universidad de Zaragoza.      <p>Saumell, A. (2002), <I>Viticultura i Associacionisme a Catalunya.    Els Cellers Cooperatius del Pened&egrave;s (1900-1936),</I> Tarragona, Diputaci&oacute;    provincial de Tarragona.      <p>Socrate, F. (1977), &quot;L'organizzazione padronale agraria    nel periodo giolittiano&quot;. <I>Quaderni storici,</I> 36, pp. 661-682.      <p>Tracy, M. (1991), <I>Farmers and Politics in France, </I>Enston,    The Arkleton Trust.      <p>Van Molle, L. (1990), <I>Chacun pour tous. Le Boerenbond belge,    1890-1990, </I>Lovaina, Presses Universitaires de Louvaine.      <p>Warner, C. K. (1960), <I>The Winegrowers of France and the    Government since 1875,</I> Nova Iorque&#160;, Columbia University Press.      <p>Wils, L. (1986), &quot;L'organisation politique et la repr&eacute;sentation    des int&eacute;r&ecirc;ts des agriculteurs en Belgique&quot;. <I>In</I> P. Villani    (org.), <I>Transformazioni delle societ&agrave; rurali nei paesi dell'Europa    occidentale e mediterranea (secolo xix-xx),</I> N&aacute;poles, Guida, pp. 155-158.      <p>&nbsp; </p>     <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> Sobre o associativismo agr&aacute;rio    no vale do P&oacute;, v., especialmente, Socrate (1977), D'Attorre (1986), Malatesta    (1989), Banti (1990 e 1994) e Cazzola e Martini (1991); sobre o caso da Andaluzia,    v. Maurice (1990), Florencio Puntas (1994), Monta&ntilde;&eacute;s (1997) e    L&oacute;pez Estudillo (2001).      <p><a name="2"></a><a href="#top2">2</a> Em Portugal, por exemplo, criou-se em    1860 a Real Associa&ccedil;&atilde;o Central da Agricultura Portuguesa (RACAP),    uma institui&ccedil;&atilde;o que em muitos aspectos apresenta um grande paralelismo    com o IACSI. Sobre a RACAP, v. Bernardo (1997) e Rocha, Martins e Matos (2004).    Sobre o IACSI, v. Caminal (1989) e Planas (2008).      <p><a name="3"></a><a href="#top3">3</a> V. Manuel E. de Casanova, &quot;Algunas    consideraciones sobre el estado moral y material de nuestra clase agricultora&quot;,    Revista del Instituto Agr&iacute;cola Catal&aacute;n de San Isidro, 1857, p.    38. </p>     <p><a name="4"></a><a href="#top4">4</a> Revista del Instituto Agr&iacute;cola    Catal&aacute;n de San Isidro, 1-12-1880. </p> <a name="5"></a><a href="#top5">5</a> Depois da sua demiss&atilde;o como director-geral  da Agricultura (1892), Joaquim Escriv&agrave; de Roman&iacute;, marqu&ecirc;s  de Monistrol, foi eleito presidente do IACSI e exerceu este cargo at&eacute; &agrave;  sua morte, em 1897. </p>      <p><a name="6"></a><a href="#top6">6</a> La Pagesia, 31-5-1889. </p>     <p><a name="7"></a><a href="#top7">7</a> IACSI, mem. 1892. </p>     <p><a name="8"></a><a href="#top8">8</a> Sobre os problemas do sector vitivin&iacute;cola,    v. Balcells (1968), Pujol Andreu (1986), Pan-Montojo (1994), Pan-Montojo e Puig    Raposo (1995), Carmona e Simpson (1999) e Fern&aacute;ndez (2008). Sobre o cooperativismo    vitivin&iacute;cola catal&atilde;o, v. Saumell (2002). </p> <a name="9"></a><a href="#top9">9</a> Sobre este propriet&aacute;rio agr&iacute;cola  foi publicada uma biografia que destaca a sua participa&ccedil;&atilde;o no movimento  cooperativista catal&atilde;o (v. Gavald&agrave;, 2005 e 2007). </p>      <p> <a name="10"></a><a href="#top10">10</a> Sobre a Federa&ccedil;&atilde;o Sindical    Agr&aacute;ria de Girona, v. Saguer (1992). </p>      <p>&nbsp;     <p><a name="a1"></a><a href="#topa1">*</a> Centre d'Estudis &quot;Antoni de Capmany&quot;    d'Economia i Hist&ograve;ria Econ&oacute;mica, Universitat de Barcelona, Av.    Diagonal, 690, 08034 _ Barcelona, Espa&ntilde;a. e-mail: <a href="mailto:j.planas@ub.edu">j.planas@ub.edu</a>.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="a2"></a><a href="#topa2">**</a> Uma primeira vers&atilde;o deste artigo    foi apresentada no XXIV Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Hist&oacute;ria    Econ&oacute;mica e Social, celebrado em Lisboa a 12 e 13 de Novembro de 2004.      <p>Agrade&ccedil;o os coment&aacute;rios do moderador da sess&atilde;o, H&eacute;lder    Adegar Fonseca, bem como dos demais participantes, e tamb&eacute;m as sugest&otilde;es    dos <I>referees</I> desta revista. A sua elabora&ccedil;&atilde;o beneficiou    do financiamento concedido pelo governo espanhol ao projecto SEJ2006-15108-C02-01/GEOG.  </p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Andrés-Gallego]]></surname>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El movimiento agrario confesional a principios del siglo xx]]></article-title>
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<page-range>155-195</page-range></nlm-citation>
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