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<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Henry Burnay no contexto das fortunas da Lisboa oitocentista]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Henry Burnay in the context of Lisbon's nineteenth century fortunes]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,UNL - Universidade Nova de Lisboa FCSH - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Instituto de História Contemporânea]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The study of Henry Burnay's fortune and patrimony, after his post mortem inventory, intends to address the definition of typologies at Lisbon's highest fortunes during the second half of the nineteenth century, with special attention to the relationship between the state's businesses and private initiative and to the patrimonial differentiation set by the distinct investment strategies. The analysis of Henry Burnay's business life and remarkable fortune, on which Henry Burnay & Co. is founded, leads us into the comparison with profiles derived from participation in the opportunities guaranteed by the liberal state and by the commercial activity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Henry Burnay no contexto das fortunas da Lisboa oitocentista<a href="#a2">**</a>    <a name="topa2"></a> </b>     <p><b>Nuno Miguel Lima<a href="#a1">*</a> <a name="topa1"></a></b>      <p>&nbsp;     <p>O estudo da fortuna e do patrim&oacute;nio de Henry Burnay, a partir do seu invent&aacute;rio  <I>post mortem,</I> pretende debater a defini&ccedil;&atilde;o de tipologias nas grandes fortunas de Lisboa  da segunda metade de Oitocentos, com especial &ecirc;nfase para a rela&ccedil;&atilde;o entre neg&oacute;cios  do Estado e iniciativa privada e para a diferencia&ccedil;&atilde;o patrimonial face &agrave;s  distintas estrat&eacute;gias de investimento. A an&aacute;lise do trajecto empresarial deste capitalista e  da sua assinal&aacute;vel fortuna, na qual a firma Henry Burnay &amp; C.&#170; &eacute; fundamental,  conduzir&aacute; &agrave; compara&ccedil;&atilde;o com perfis marcados pela participa&ccedil;&atilde;o nas oportunidades  garantidas pelo Estado liberal e pela actividade comercial.     <p><B>Palavras-chave:</B> Henry Burnay; Lisboa; fortunas; invent&aacute;rios <I>post    mortem;</I> s&eacute;culo xix.      <p>&nbsp;      <p><B>Henry Burnay in the context of Lisbon's nineteenth  century fortunes</B>     <p>The study of Henry Burnay's fortune and patrimony, after his  <I>post mortem</I> inventory, intends to address the definition of typologies at Lisbon's highest fortunes during  the second half of the nineteenth century, with special attention to the  relationship between the state's businesses and private initiative and to the patrimonial  differentiation set by the distinct investment strategies. The analysis of Henry  Burnay's business life and remarkable fortune, on which Henry Burnay &amp; Co. is founded,  leads us into the comparison with profiles derived from participation in the  opportunities guaranteed by the liberal state and by the commercial activity.     <p><B>Keywords:</B> Henry Burnay; Lisbon; fortunes; <I>post mortem</I> inventories;    19th<SUP> </SUP>century.      <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>     <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>      <p>Ainda que falecido no final da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo xx,    Henry Burnay (1838-1909) &eacute; uma personagem incontorn&aacute;vel no que    respeita a diversas facetas do Oitocentos portugu&ecirc;s. O estudo sobre a    dimens&atilde;o da fortuna e a composi&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio    deste capitalista, feito a partir do seu invent&aacute;rio <I>post mortem,</I>    representa apenas uma perspectiva parcelar sobre a sua vida.      <p>Na verdade, o recurso a este tipo de documenta&ccedil;&atilde;o, uma vez que  se circunscreve a um momento espec&iacute;fico da vida do indiv&iacute;duo (a data do  seu falecimento), n&atilde;o nos relata a hist&oacute;ria da acumula&ccedil;&atilde;o da fortuna  arrolada. N&atilde;o obstante, a riqueza do conte&uacute;do processual destes invent&aacute;rios tem  permitido um leque alargado de  abordagens<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.     <p>Na historiografia portuguesa, nomeadamente a que percorre o final  do Antigo Regime e o liberalismo, h&aacute; a considerar apenas um trabalho  centrado exclusivamente nos invent&aacute;rios (Madureira, 1989). Nos demais  poder-se-&atilde;o diferenciar, desde logo, duas vertentes de utiliza&ccedil;&atilde;o desta documenta&ccedil;&atilde;o:  nas monografias, por um lado, e nas biografias, por outro. As primeiras  t&ecirc;m-se enquadrado entre estudos de elites e estudos dos universos  populacionais locais, servindo os invent&aacute;rios, no primeiro caso, como elemento  caracterizador da preemin&ecirc;ncia econ&oacute;mica e social destes grupos (Almeida,  1997; Cruz, 1999; Fonseca, 1996; Pedreira, 1995; Sousa, 1998) e, no  segundo, como instrumentos para a avalia&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o dos principais  recursos locais, nomeadamente o acesso &agrave; propriedade fundi&aacute;ria (Rocha, 1994).  Em ambos os casos, a an&aacute;lise tem-se centrado nos n&iacute;veis de riqueza, nas  estruturas patrimoniais e nas tend&ecirc;ncias da cultura material. Ainda entre os  estudos monogr&aacute;ficos poderemos identificar aqueles que, a jusante do  pr&oacute;prio processo, abordam as pr&aacute;ticas sucess&oacute;rias (Brand&atilde;o, 1994).     <p>J&aacute; entre os estudos de cariz biogr&aacute;fico, os invent&aacute;rios constituem  elementos-chave para avaliar o processo de acumula&ccedil;&atilde;o de fortuna e as  estrat&eacute;gias para tal adoptadas. Aqui os invent&aacute;rios t&ecirc;m servido claramente como  fonte complementar &agrave; documenta&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o quotidiana, nomeadamente de  casas agr&iacute;colas (Fonseca, 1984; Martins, 1992), comerciais (Dias,  1999), financeiras (Damas, 2002; Fonseca e Reis, 1987; Sardica, 2005) ou  industriais (Faria, 2004).     <p>O presente trabalho procura conciliar duas escalas de an&aacute;lise: num primeiro    momento introduz o debate sobre a configura&ccedil;&atilde;o patrimonial de    algumas das grandes fortunas lisboetas da monarquia constitucional; noutro,    e a partir do invent&aacute;rio <I>post mortem</I> de Henry Burnay, intenta    identificar a estrat&eacute;gia desta personagem e enquadr&aacute;-la entre    as distintas configura&ccedil;&otilde;es apontadas. No entanto, devemos afirmar    de antem&atilde;o que este trabalho n&atilde;o pretende advogar verdades insofism&aacute;veis    sobre a constitui&ccedil;&atilde;o das grandes fortunas na Lisboa do liberalismo    (at&eacute; porque o nosso universo anal&iacute;tico &eacute; limitado) nem    assumir-se como uma muito necess&aacute;ria biografia de Henry Burnay.      <p>Este texto tem, ent&atilde;o, como objectivo analisar fortunas e  patrim&oacute;nios, perspectivando-os para l&aacute; da dimens&atilde;o localista das monografias, aqui  largamente suplantada pela grande projec&ccedil;&atilde;o de certas figuras da capital, entre  as quais se contava a de Henry Burnay. Assim, far&aacute; todo o sentido  identificar nesses indiv&iacute;duos as estrat&eacute;gias e oportunidades de enriquecimento no  Portugal oitocentista, nomeadamente as que se desenvolveram sob o  patroc&iacute;nio do Estado liberal, e diferenciar os perfis patrimoniais das fortunas que  tais estrat&eacute;gias e oportunidades geraram.     <p>Desta forma, e dando seguimento &agrave; destrin&ccedil;a monografia/biografia,  parece-nos acertado come&ccedil;ar por caracterizar fortunas e patrim&oacute;nios entre  o universo dos maiores contribuintes de Lisboa da segunda metade de  Oitocentos, do qual Henry Burnay fez parte. A esta caracteriza&ccedil;&atilde;o seguir-se-&aacute;  id&ecirc;ntica tarefa para o caso de Burnay, momento em que procuraremos  enquadrar o seu patrim&oacute;nio nas actividades de neg&oacute;cio em que se envolveu ao  longo da vida, analisar as manifesta&ccedil;&otilde;es de cariz simb&oacute;lico atrav&eacute;s dos seus  interesses art&iacute;sticos e liter&aacute;rios e qualificar a sua fortuna face &agrave; de  outros magnatas, n&atilde;o s&oacute; lisboetas, como tamb&eacute;m nacionais e  internacionais<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.     <p>Estaremos, ent&atilde;o, em condi&ccedil;&otilde;es de discutir a identifica&ccedil;&atilde;o    de perfis de fortuna, assente no princ&iacute;pio de que as composi&ccedil;&otilde;es    patrimoniais das grandes fortunas lisboetas de Oitocentos s&atilde;o influenciadas,    por um lado, pelas diferentes modalidades/estrat&eacute;gias/oportunidades de    investimento (com repercuss&atilde;o sobre a estrutura do patrim&oacute;nio)    e, por outro, pela forma de obten&ccedil;&atilde;o da fortuna (reflectindo-se    no consumo de bens de valor predominantemente simb&oacute;lico). Em face destes    perfis, procuraremos, finalmente, destacar o contributo do percurso de Henry    Burnay, comparando-o com os perfis tra&ccedil;ados, e questionar a pertin&ecirc;ncia    do estabelecimento das tipifica&ccedil;&otilde;es patrimoniais plasmadas neste    texto, elaboradas a partir de invent&aacute;rios <I>post mortem</I>.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;     <P><b>Patrim&oacute;nio e fortuna dos maiores contribuintes de Lisboa </b>     <p>Ao estudar recentemente os maiores contribuintes de Lisboa na segunda metade    de Oitocentos (Lima, 2007), num universo de 522 indiv&iacute;duos, procedemos    &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de 66 invent&aacute;rios <I>post mortem</I>    a partir do fundo c&iacute;vel antigo do Tribunal da Boa Hora<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>,    distribu&iacute;dos cronologicamente entre 1869 (invent&aacute;rio do 1.&#186;    conde do Farrobo) e 1937 (invent&aacute;rio de Manuel Jos&eacute; Monteiro)<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.    Um intervalo temporal t&atilde;o alargado impedia a identifica&ccedil;&atilde;o    das condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e patrimoniais que asseguravam    a inclus&atilde;o nos maiores contribuintes, restringindo-se, ent&atilde;o,    a selec&ccedil;&atilde;o a invent&aacute;rios realizados em anos pr&oacute;ximos    &agrave;queles em que os inventariados haviam integrado os maiores contribuintes,    num intervalo m&aacute;ximo de dez anos. Em consequ&ecirc;ncia desta triagem    e da impossibilidade de consulta de alguns processos pelo seu mau estado de    conserva&ccedil;&atilde;o, o universo de an&aacute;lise ficou restringido a    34 invent&aacute;rios <I>post mortem</I>. A recente revis&atilde;o desse trabalho    e a gentileza do Prof. Doutor Jaime Reis, ao partilhar dados por si trabalhados    no &acirc;mbito da hist&oacute;ria do Banco de Portugal, contribu&iacute;ram    para a incorpora&ccedil;&atilde;o de mais tr&ecirc;s invent&aacute;rios.      <p>Apesar da limita&ccedil;&atilde;o imposta pelo crit&eacute;rio de selec&ccedil;&atilde;o dos invent&aacute;rios,  os 37 processos distribuem-se por um per&iacute;odo de cerca de 33 anos,  delimitados pelo j&aacute; mencionado invent&aacute;rio do 1.&#186; conde do Farrobo (1869) e pelo  invent&aacute;rio de Manuel Machado Franco (1902). Devido &agrave;s flutua&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os  que ocorreram durante estes anos, e para permitir a avalia&ccedil;&atilde;o comparativa  das fortunas, foi necess&aacute;rio recorrer a um &iacute;ndice geral de pre&ccedil;os, tomando  como refer&ecirc;ncia o &quot;&iacute;ndice geral de pre&ccedil;os por grosso em Portugal,  1810-1912&quot;, constru&iacute;do por David Justino (1989, vol. 2, pp. 14-16), adoptando-se o  ano de 1869, ano do primeiro invent&aacute;rio, como &quot;base 100&quot;. Deste  exerc&iacute;cio resultou o anexo n.&#186; 1, contendo o &quot;mapa geral de bens dos  invent&aacute;rios (valores de 1869)&quot;.     <p>A significativa conflu&ecirc;ncia da composi&ccedil;&atilde;o dos patrim&oacute;nios    &eacute; uma das principais notas de refer&ecirc;ncia da an&aacute;lise conjunta    dos invent&aacute;rios. O padr&atilde;o geral identificou indiv&iacute;duos    para quem o imobili&aacute;rio urbano localizado em Lisboa, independentemente    do seu valor, era uma componente de extrema relev&acirc;ncia. A concentra&ccedil;&atilde;o    do patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio na &aacute;rea de resid&ecirc;ncia enquadra-se    numa tend&ecirc;ncia j&aacute; detectada entre os negociantes de Lisboa do final    do Antigo Regime (Pedreira, 1995), entre a burguesia portuense oitocentista    (Cruz, 1999) e entre a elite econ&oacute;mica eborense (Fonseca, 1996). Face    &agrave; preponder&acirc;ncia dos bens de raiz urbanos na generalidade dos maiores    contribuintes, as restantes categorias patrimoniais revelaram-se perif&eacute;ricas.      <p>O conforto em que vivia a maioria dos inventariados, ou mesmo o  luxo que rodeava alguns, consumia muito pouco dos seus capitais, como  se percebe pela limitada relev&acirc;ncia do recheio da casa no universo dos  patrim&oacute;nios. Esta categoria reflecte a import&acirc;ncia dos bens urbanos, pois  estava representada predominantemente pelo mobili&aacute;rio das resid&ecirc;ncias, e  permite determinar o tipo de utiliza&ccedil;&atilde;o a que estavam consagrados os bens  r&uacute;sticos e mistos. Os primeiros obedeceriam a uma estrat&eacute;gia de obten&ccedil;&atilde;o de  receitas atrav&eacute;s do prov&aacute;vel arrendamento das terras, com o pagamento das  rendas a ser feito, possivelmente, em metal, dada a escassez de alfaias e  g&eacute;neros agr&iacute;colas. Quanto aos segundos, a sua localiza&ccedil;&atilde;o nos limites da cidade  de Lisboa e concelhos lim&iacute;trofes indica que eles serviriam um des&iacute;gnio  menos produtivo do que representativo de afirma&ccedil;&atilde;o social.     <p>Os pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es estavam representados principalmente  por t&iacute;tulos do Estado, com destaque para as inscri&ccedil;&otilde;es da Junta do  Cr&eacute;dito P&uacute;blico. Estes eram secundados pelas ac&ccedil;&otilde;es de companhias, entre as  quais pontificavam as sociedades transportadoras e seguradoras, as empresas  de minera&ccedil;&atilde;o e as lisboetas Companhias das &Aacute;guas e de Ilumina&ccedil;&atilde;o a G&aacute;s.  Da capital eram tamb&eacute;m as institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias que recebiam os  investimentos dos maiores contribuintes, os quais colocavam tamb&eacute;m a&iacute; a maior parte  do dinheiro que possu&iacute;am, deixando na sua posse apenas valores menores.     <p>Finalmente, as d&iacute;vidas activas e o passivo revelavam uma  grande similitude. Nestas categorias, em especial na &uacute;ltima, destacava-se a  presen&ccedil;a de particulares, sobretudo familiares dos maiores contribuintes, sendo  as vi&uacute;vas as mais representadas.     <p>A segunda nota relevante do exame destes invent&aacute;rios diz respeito &agrave;    coabita&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos de estatuto econ&oacute;mico bastante    diversificado no seio dos maiores contribuintes de Lisboa. Uma desigualdade    que n&atilde;o s&oacute; hierarquiza o grupo, como tamb&eacute;m o fracciona    no padr&atilde;o geral da composi&ccedil;&atilde;o patrimonial, destacando um    pequeno n&uacute;cleo de indiv&iacute;duos com uma posi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica    de maior relevo. Na verdade, o cruzamento entre a fortuna e o patrim&oacute;nio    demonstrou que os activos patrimoniais mais valiosos pertenciam &agrave;queles    que faziam das aplica&ccedil;&otilde;es financeiras as suas principais formas    de investimento. Assim, com excep&ccedil;&atilde;o do 1.&#186; conde do Farrobo,    os sete activos de montante mais elevado, isto &eacute;, os &uacute;nicos que    ultrapassavam os 400 contos, n&atilde;o tinham no imobili&aacute;rio a principal    categoria patrimonial dos seus activos. Esta tend&ecirc;ncia &eacute; tamb&eacute;m    coincidente com a realidade portuense (Cruz, 1999, p. 333)<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.    No mesmo sentido, em Paris, se no princ&iacute;pio do s&eacute;culo xix eram    os propriet&aacute;rios que detinham as maiores fortunas, progressivamente,    essa posi&ccedil;&atilde;o foi tomada pelos homens de neg&oacute;cio ligados    &agrave;s actividades comerciais, industriais e financeiras (Daumard, 1973,    p. 158).      <p>O patrim&oacute;nio do 1.&#186; conde do Farrobo assentava largamente nos bens  de raiz, o que &eacute; justificado, primeiro, pelo peso da institui&ccedil;&atilde;o vincular de  que foi titular at&eacute; 1863, o morgado do Farrobo, e depois pelo seu  investimento industrial na mina de carv&atilde;o de pedra de S&atilde;o Pedro da Cova, em  Gondomar. Jos&eacute; Maria Camilo de Mendon&ccedil;a tinha 43,43% do activo em dinheiro.  Nos restantes contribuintes em an&aacute;lise, Jos&eacute; Pereira Soares, o 2.&#186; visconde  de Valmor, Gaspar Jos&eacute; Viana, Sebasti&atilde;o Jos&eacute; de Freitas e Jo&atilde;o  Rodrigues Cardoso, a categoria mais importante era a  dos&quot;pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es&quot;.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para esta rela&ccedil;&atilde;o entre fortuna e patrim&oacute;nio tamb&eacute;m parecia influir a  actividade profissional que exerciam, perspectiva esta muito notada entre  os negociantes, sobretudo os que tinham capitais mais volumosos.  Destacavam-se categorias patrimoniais como os &quot;pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es&quot;, como  se verifica pelos casos de Jos&eacute; Pereira Soares, Jo&atilde;o Rodrigues Cardoso e  Joaquim Ant&oacute;nio de Moura, o &quot;dinheiro&quot;, parcela mais importante do  patrim&oacute;nio de Jos&eacute; Maria Camilo de Mendon&ccedil;a, ou as &quot;d&iacute;vidas activas&quot;. Esta  &uacute;ltima categoria patrimonial tinha, ali&aacute;s, uma forte liga&ccedil;&atilde;o aos negociantes. Entre  os que maiores import&acirc;ncias registavam nas &quot;d&iacute;vidas activas&quot;  encontravam-se Jos&eacute; Ferreira Pinto Basto, Jos&eacute; Pereira Soares, Jos&eacute; Maria Camilo de  Mendon&ccedil;a, Jo&atilde;o Rodrigues Cardoso e Ant&oacute;nio Teodoro de  Barros. E, com excep&ccedil;&atilde;o do segundo, eram as rela&ccedil;&otilde;es comerciais que caracterizavam as  parcelas desta categoria<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Outra classe profissional que evidenciava essa rela&ccedil;&atilde;o  entre of&iacute;cio e patrim&oacute;nio era a dos industriais, nomeadamente Ant&oacute;nio da  Costa Lamego e Jos&eacute; Caetano de Almeida Navarro. Sendo certo que n&atilde;o  dispunham de grandes fortunas e que estas se compunham principalmente  pelo imobili&aacute;rio urbano, &eacute; de notar que as suas f&aacute;bricas, os utens&iacute;lios das  mesmas, e at&eacute; mesmo as d&iacute;vidas activas que tinham, reflectiam as suas  actividades, atingindo propor&ccedil;&otilde;es de consider&aacute;vel valor nos seus activos.  Exemplo que poder&aacute; ser estendido ao 1.&#186; conde do Farrobo, embora este n&atilde;o  possa ser considerado um industrial. N&atilde;o era, por&eacute;m, de desprezar a influ&ecirc;ncia  que a mina de S&atilde;o Pedro da Cova tinha no seu activo patrimonial.     <p>Finalmente, outro aspecto importante para a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos    n&iacute;veis de riqueza destes indiv&iacute;duos relacionava-se com o estrangeiro.    &Eacute; sintom&aacute;tico que entre as seis maiores fortunas inventariadas    se encontrassem dois negociantes brasileiros, um diplomata e um negociante de    longo curso. Jo&atilde;o Rodrigues Cardoso e Jos&eacute; Pereira Soares tinham    o seu patrim&oacute;nio influenciado pelas suas passagens pelo Brasil. O 2.&#186;    visconde de Valmor fazia notar atrav&eacute;s dos diversos t&iacute;tulos e    ac&ccedil;&otilde;es estrangeiras a sua longa carreira diplom&aacute;tica. Jos&eacute;    Maria Camilo de Mendon&ccedil;a alargava a sua actividade a mercados t&atilde;o    distantes como Hong-Kong. Mesmo Sebasti&atilde;o Jos&eacute; de Freitas, que    n&atilde;o tinha qualquer hist&oacute;rico pessoal fora de Portugal, tinha cerca    de um ter&ccedil;o do capital de pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es    empregue em t&iacute;tulos de empr&eacute;stimos brasileiros, espanh&oacute;is,    belgas, holandeses e russos. S&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o a Gaspar Jos&eacute;    Viana n&atilde;o foi poss&iacute;vel identificar o seu percurso biogr&aacute;fico,    embora n&atilde;o conste do seu patrim&oacute;nio qualquer refer&ecirc;ncia    ao estrangeiro.      <p>&nbsp;      <P><b>Patrim&oacute;nio e fortuna de Henry Burnay </b>     <p>Escassos dias ap&oacute;s o falecimento de Henry Burnay, ocorrido a 29  de Mar&ccedil;o de 1909, teve in&iacute;cio o processo de invent&aacute;rio dos seus bens,  cuja realiza&ccedil;&atilde;o foi motivada pela imposi&ccedil;&atilde;o de interdi&ccedil;&atilde;o por prodigalidade a  um dos seus nove filhos, Jorge Burnay, decretada desde Mar&ccedil;o de 1907.  Este factor, se foi determinante na obrigatoriedade de realiza&ccedil;&atilde;o do invent&aacute;rio,  foi tamb&eacute;m preponderante no seu prolongado curso, que s&oacute; terminou em  finais da d&eacute;cada de 30.     <P ALIGN="CENTER"><b>Mapa de bens de Henry Burnay </b>     <P ALIGN="CENTER">[quadro n.&#186; 1]      <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/aso/n192/n192a05t1.jpg" width="604" height="397">      
<blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>           <p><b>Fonte</b>: ADL, &quot;fundo c&iacute;vel antigo do Tribunal da Boa          Hora&quot;, 6.&#170; vara, 3.&#170; sec&ccedil;&atilde;o, cx. 525-533.        </p>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <p>A participa&ccedil;&atilde;o de Henry Burnay no capital social da firma Henry    Burnay &amp; C.&#170; marca, sem d&uacute;vida alguma, o padr&atilde;o patrimonial    e o volume da fortuna. No invent&aacute;rio foi considerado o balan&ccedil;o    da firma fechado a 30 de Junho de 1909 (v. quadro n.&#186; 2), no qual as parcelas    de Henry Burnay surgem j&aacute; referidas como pertencentes aos herdeiros do    conde de Burnay.      <p>&nbsp;     <p align="center"><B>Balan&ccedil;o da firma Henry Burnay &amp; C.&#170;</B>      <p align="center">[quadro n.&#186; 2]      <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n192/n192a05t2.jpg" width="762" height="1149">      
<blockquote>        <blockquote>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B> Fonte:</B> ADL, &quot;fundo c&iacute;vel antigo do Tribunal da Boa        Hora&quot;, 6.&#170; vara, 3.&#170; sec&ccedil;&atilde;o, cx. 526, fls.        951 v.&#186; a 953. </p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;     <P>Constitu&iacute;da em 1875, a casa Henry Burnay &amp; C.&#170; traduzia o desenlace    l&oacute;gico de uma vis&atilde;o empresarialista que n&atilde;o descurava qualquer    boa oportunidade de neg&oacute;cio. A partir dela, Henry Burnay, que progressivamente    refor&ccedil;ou a sua posi&ccedil;&atilde;o no capital social da firma, tornou-se    uma figura sempre presente nos empreendimentos econ&oacute;micos e financeiros    nacionais desde o &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo xix at&eacute; 1909.      <p>No momento do balan&ccedil;o acima exposto, o valor pertencente &agrave;  heran&ccedil;a na casa comercial, entre a quota de 65% do capital social da firma  (&quot;pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es&quot;) e o saldo da conta individual (&quot;dinheiro&quot;), era  de 1 496 229$071 r&eacute;is, representando 58,03% do activo patrimonial de  Henry Burnay. &Agrave; heran&ccedil;a n&atilde;o era arrolado o valor proporcional da conta de  reserva (1 306 447$588 r&eacute;is), montante apenas considerado se ent&atilde;o se  procedesse &agrave; liquida&ccedil;&atilde;o da firma, o que n&atilde;o era o caso. A categoria dos &quot;pap&eacute;is  de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es&quot; completava-se com uma carteira de cerca de 50  contos, assente maioritariamente em t&iacute;tulos de fundador da Companhia de  Tabacos de Portugal.     <p>Mas qual era e como se distribu&iacute;a o activo da Henry Burnay &amp; C.&#170; a  30 de Junho de 1909? Sob a gen&eacute;rica designa&ccedil;&atilde;o de &quot;neg&oacute;cios e  participa&ccedil;&otilde;es financeiras&quot;, principal parcela ent&atilde;o identificada, estariam algumas das  m&uacute;ltiplas &aacute;reas de actividade nas quais Burnay se envolveu e que espelham a  sua orienta&ccedil;&atilde;o  estrat&eacute;gica<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Embora o balan&ccedil;o n&atilde;o detalhe as actividades  em causa no ano de 1909, &eacute; sobejamente conhecido o hist&oacute;rico das  interven&ccedil;&otilde;es empresariais da Henry Burnay &amp; C.&#170;, ou melhor dizendo, de Henry  Burnay, em &aacute;reas como a metalurgia, os lanif&iacute;cios, o papel, os vidros, o sab&atilde;o,  o imobili&aacute;rio, os caminhos de ferro, a navega&ccedil;&atilde;o, a minera&ccedil;&atilde;o, os tabacos,  a hotelaria, o mercado colonial, as exporta&ccedil;&otilde;es ou o periodismo.     <p>Cerca de uma d&eacute;cada depois do falecimento de Burnay, Vieira da  Rocha real&ccedil;ava a capacidade da Henry Burnay &amp; C.&#170; &quot;comme cr&eacute;atrice de  richesse et comme organisatrice de travail&quot; (1921, p. 121), listando o extenso rol  de empresas por ela criadas ou desenvolvidas e tra&ccedil;ando o panorama das  actividades que ent&atilde;o desenvolvia. Um panorama que se enquadrava num  processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o motivado pela primeira guerra mundial e que  levou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de sec&ccedil;&otilde;es dentro da firma, reflectindo as suas diferentes &aacute;reas  de actividade (Rocha, 1921, pp.119-134). De entre estas dedicou ainda  particular aten&ccedil;&atilde;o aos transportes mar&iacute;timos e &agrave; actividade mineira, ali&aacute;s  explicitamente registada no balan&ccedil;o de 1909 (&quot;neg&oacute;cios mineiros&quot;).     <p>Em muitas destas &aacute;reas, a interven&ccedil;&atilde;o de Burnay foi tudo    menos pac&iacute;fica. A demonstr&aacute;-lo est&atilde;o actua&ccedil;&otilde;es    como a desenvolvida no sector vidreiro, no qual procurou com perseveran&ccedil;a    alcan&ccedil;ar uma posi&ccedil;&atilde;o monopolista (Barosa, 1996; Mendes,    2003), nos caminhos-de-ferro, em particular no neg&oacute;cio da liga&ccedil;&atilde;o    da linha do Douro a Salamanca (Sousa, 1978; Mata, 2005), ou nos tabacos, em    que logrou a restitui&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio no sector (M&oacute;nica,    1992; Mata, 2005). Estes dois &uacute;ltimos exemplos permitem mesmo identificar    a pol&iacute;tica como outra &aacute;rea de interven&ccedil;&atilde;o empresarial.    Na verdade, o restabelecimento do monop&oacute;lio do tabaco em 1891 &eacute;    n&atilde;o mais do que um neg&oacute;cio pol&iacute;tico em que um conjunto    de casas, entre elas a Henry Burnay &amp; C.&#170;, acordou com o governo a    permuta do monop&oacute;lio por um empr&eacute;stimo de 36 mil contos (M&oacute;nica,    1992, p. 473; Mata, 2005, pp. 10-11). Burnay tornou-se, ent&atilde;o, parceiro    indispens&aacute;vel do Estado portugu&ecirc;s, capaz de influenciar qualquer    decis&atilde;o governamental, estabelecendo-se uma rela&ccedil;&atilde;o incestuosa    de permanente negocia&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o (Mata, 2005,    p. 13).      <p>Se o capital social da firma e o saldo da conta individual eram j&aacute;  suficientemente reveladores da import&acirc;ncia da casa comercial no activo de  Henry Burnay, o patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio n&atilde;o deixa quaisquer d&uacute;vidas sobre a  estreita rela&ccedil;&atilde;o entre a empresa e o seu s&oacute;cio maiorit&aacute;rio. Na verdade, era &agrave;  Henry Burnay &amp; C.&#170; que competia a administra&ccedil;&atilde;o dos im&oacute;veis dos s&oacute;cios da  firma, estando os de Henry Burnay avaliados em cerca de 675 contos. Ou seja,  na Henry Burnay &amp; C.&#170; circulavam quase 85% do patrim&oacute;nio do inventariado.     <p>O imobili&aacute;rio de Henry Burnay caracterizava-se pela elevada  import&acirc;ncia assumida pelos bens urbanos e pela sua significativa  concentra&ccedil;&atilde;o patrimonial no concelho de Lisboa  (<I>c</I>. 98% da avalia&ccedil;&atilde;o dos bens de  raiz), com especial incid&ecirc;ncia para a Rua da Junqueira, e tomando como  p&oacute;lo central o pal&aacute;cio onde residia a fam&iacute;lia Burnay. Al&eacute;m de v&aacute;rios outros  pr&eacute;dios em Lisboa, Burnay n&atilde;o dispensava a frui&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica de outros espa&ccedil;os,  sendo propriet&aacute;rio da famosa quinta das Laranjeiras e de uma casa apala&ccedil;ada  na praia da Granja, concelho de Gaia, onde a fam&iacute;lia veraneava, e que  era frequentada pela fam&iacute;lia real (M&oacute;nica, 2003, p. 26). Ainda entre os  seus im&oacute;veis contavam-se o Asilo de Santo Ant&oacute;nio, albergue de fam&iacute;lias  pobres localizado na mesma rua onde residia, e umas casas no concelho de  Ferreira do Z&ecirc;zere que serviam de escola do sexo feminino e que denotam o  seu papel enquanto benfeitor. Note-se que esta utiliza&ccedil;&atilde;o das casas de  Ferreira do Z&ecirc;zere ter&aacute; sido, porventura, uma contrapartida pela sua elei&ccedil;&atilde;o  para deputado pelo c&iacute;rculo de Tomar em 1892, &agrave; semelhan&ccedil;a do que  sucedeu com a edifica&ccedil;&atilde;o da igreja de &Aacute;guas Belas, no mesmo concelho  (Vairo, 2003a, p. 34).     <p>A ornamenta&ccedil;&atilde;o do imobili&aacute;rio pertencente a Henry Burnay fazia jus &agrave;  sua posi&ccedil;&atilde;o social, apesar de ter uma express&atilde;o relativamente modesta no  conjunto da sua fortuna. Quase 90% do recheio da casa estava  localizado na Junqueira, ultrapassando os 92 contos, montante que por si s&oacute; patenteia a excel&ecirc;ncia  do ambiente que rodeava o dia a dia da fam&iacute;lia Burnay. O remanescente  dispersava-se pelas Laranjeiras, pela praia da Granja e pelo Asilo de Santo Ant&oacute;nio.            ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sem sombra de d&uacute;vida que os elementos mais distintivos  desta sumptuosidade eram as colec&ccedil;&otilde;es de quadros e de j&oacute;ias, ambas  consideravelmente valiosas. A sua importante colec&ccedil;&atilde;o de pintura estava avaliada em  14 contos, valor amplamente superior a colec&ccedil;&otilde;es como a do 1.&#186; conde  do Farrobo (<I>c</I>. 2,5 contos) ou a do 2.&#186; visconde de Valmor (3639$000 r&eacute;is).  J&aacute; a colec&ccedil;&atilde;o de j&oacute;ias suplantava os 25 contos e inclu&iacute;a, para al&eacute;m de  pe&ccedil;as especialmente valiosas, as condecora&ccedil;&otilde;es de cavaleiro da Ordem de Cristo,  de comendador da Ordem de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o de Vila Vi&ccedil;osa e a  gr&atilde;-cruz da Ordem de S. Greg&oacute;rio Magno, atribu&iacute;da pelo  papa Le&atilde;o XIII.     <p>Em sentido inverso, a biblioteca de Henry Burnay pouco se adequava  ao seu estatuto social, valendo o total dos 940 volumes presentes pouco  mais que 300$000 r&eacute;is. Esta biblioteca era relativamente modesta, se  comparada com outras importantes bibliotecas particulares da segunda metade de  Oitocentos. O 1.&#186; conde do Farrobo tinha mais de 3000 exemplares  (<I>c</I>. 900$000 r&eacute;is). A biblioteca de Jos&eacute; Maria Eug&eacute;nio de Almeida contava, em 1872,  com 2031 volumes (Sardica, 2005, pp. 268-271). A do 1.&#186; visconde de  Benagazil, organizada e inventariada por idioma, integrava mais de 4000  unidades (1231$700 r&eacute;is). E, finalmente, a do 2.&#186; visconde de Valmor cifrava-se  em 7719$000 r&eacute;is, dela fazendo parte cerca de 4900 volumes, 1902  folhetos, centena e meia de op&uacute;sculos, oitenta fasc&iacute;culos e ainda diversos  pacotes, contendo cartas geogr&aacute;ficas, estampas, retratos e gravuras.     <p>A derradeira parcela do activo patrimonial de Henry Burnay, as  d&iacute;vidas activas, tinha nos filhos e na vi&uacute;va o principal n&uacute;cleo de devedores  (<I>c</I>. 90 contos). Um segundo n&uacute;cleo era composto por sociedades, &agrave; cabe&ccedil;a  das quais a pr&oacute;pria Henry Burnay &amp; C.&#170; O terceiro e &uacute;ltimo n&uacute;cleo  integrava alguns devedores a t&iacute;tulo individual, sugerindo a pr&aacute;tica de concess&atilde;o  de cr&eacute;ditos particulares. Entre estes destacam-se, tanto pelos montantes  envolvidos como pelas personalidades em presen&ccedil;a, os 20 contos que  devia D. Maria Pia de Sab&oacute;ia e os 9938$510 r&eacute;is devidos pela condessa de Edla.     <p>O parco passivo arrolado determinava, ent&atilde;o, que a fortuna de  Henry Burnay ascendia a 2 559 303$244 r&eacute;is. Entre as fortunas do s&eacute;culo  xix e primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo xx inventariadas e estudadas at&eacute; ao momento  n&atilde;o se conhecem valores iguais nem  t&atilde;o-pouco aproximados. A fortuna que mais se assemelha &agrave; de Henry Burnay &eacute; j&aacute; posterior &agrave; morte deste e pertencia  a In&aacute;cia Ramalho, vi&uacute;va de Jos&eacute; Maria Ramalho Dinis Perdig&atilde;o (falecido  em 1884) e do conselheiro Dr. Francisco Barahona (falecido em 1905),  avaliada em 1 827 593$100 r&eacute;is no ano de 1918 (Fonseca, 1996, p. 489).     <p>Ao longo do s&eacute;culo xix podemos destacar algumas fortunas  avultadas, como a de Jos&eacute; Maria Eug&eacute;nio de Almeida (Sardica, 2005), a da casa  S&atilde;o Rom&atilde;o/Jos&eacute; Maria dos Santos (Martins, 1992) e as presentes no  anexo n.&#186; 1, nomeadamente a do 1.&#186; conde do Farrobo, a do 2.&#186; visconde  de Valmor e a de Jos&eacute; Pereira Soares.           <p>Reduzindo os dois primeiros casos a pre&ccedil;os de 1869, tal como o  processado para os maiores contribuintes na sec&ccedil;&atilde;o anterior, podemos observar  a diferen&ccedil;a entre a fortuna de Henry Burnay e a dos restantes. Em 1872,  Jos&eacute; Maria Eug&eacute;nio de Almeida teria uma fortuna a rondar os 1677 contos.  Por morte de Maria C&acirc;ndida, em 1878, a fortuna da casa S&atilde;o Rom&atilde;o/Jos&eacute;  Maria dos Santos estaria pr&oacute;xima dos 590 contos. Da fortuna do 1.&#186; conde  do Farrobo muito se diria, ou n&atilde;o tivesse ele, &agrave; conta da senten&ccedil;a  decretada pelos tribunais relativa &agrave; subloca&ccedil;&atilde;o do contrato do tabaco nas d&eacute;cadas  de 1830 e 1840, um apuramento l&iacute;quido deficit&aacute;rio de quase 1300 contos,  de pouco lhe valendo os mais de 500 contos de patrim&oacute;nio. A fortuna  do 2.&#186; visconde de Valmor situar-se-ia pr&oacute;ximo dos 1450 contos e a de  Jos&eacute; Pereira Soares ficaria muito pr&oacute;ximo dos 1700 contos. Quanto a  Henry Burnay, somaria, a pre&ccedil;os de 1869, a impressionante fortuna de cerca  de 3100 contos, muito superior &agrave;s fortunas de qualquer dos outros.     <p>Se em Portugal Henry Burnay parecia n&atilde;o encontrar fortunas ao n&iacute;vel  da sua, fora do pa&iacute;s a sua posi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo t&atilde;o proeminente, era, ainda  assim, honrosa. Em Paris, onde Burnay tinha liga&ccedil;&otilde;es importantes e onde se  deslocava frequentemente, a fortuna mais importante registada em 1911,  &uacute;nica acima dos 50 milh&otilde;es de francos, pertencia a um banqueiro e ascendia a  89 milh&otilde;es de francos. Ao c&acirc;mbio da &eacute;poca, a fortuna de Burnay valeria  perto de 13 milh&otilde;es de francos. De acordo com Adeline Daumard (1973),  contar-se-iam em Paris nove indiv&iacute;duos com fortunas entre os 10 e os 50  milh&otilde;es de francos. Burnay incluir-se-ia, portanto, neste grupo e gozaria em Paris  de um estatuto no limiar das dez principais fortunas da &eacute;poca.     <p>Por sua vez, na Gr&atilde;-Bretanha tinha uma posi&ccedil;&atilde;o mais modesta. O  c&acirc;mbio em vigor situava a fortuna de Burnay pr&oacute;xima das 500 000 libras.  Bastar&aacute; analisar a listagem elaborada por William Rubinstein (1987, pp. 30-32),  relativa &agrave;s fortunas superiores a 2 milh&otilde;es de libras registadas entre 1909  e 1914 (num total de quarenta), para perceber o patamar em que se  encontrava Burnay face &agrave; realidade brit&acirc;nica. Por&eacute;m, entre os seus cong&eacute;neres  banqueiros de Londres, Henry Burnay poderia figurar, certamente, entre as 70 a  100 maiores fortunas, de acordo com os c&aacute;lculos apresentados por  Youssef Cassis (1994, p. 198).     <p>Mas, se do ponto de vista da dimens&atilde;o da fortuna a compara&ccedil;&atilde;o    com a Fran&ccedil;a e com a Gr&atilde;-Bretanha n&atilde;o &eacute; favor&aacute;vel    a Burnay, no que se refere &agrave; composi&ccedil;&atilde;o patrimonial &eacute;    poss&iacute;vel registar uma maior conflu&ecirc;ncia com as pr&aacute;ticas    dominantes, nomeadamente em Fran&ccedil;a. Na verdade, a significativa import&acirc;ncia    da sua participa&ccedil;&atilde;o no capital social da Henry Burnay &amp; C.&#170;    destaca os capitais m&oacute;veis em detrimento do imobili&aacute;rio. Uma situa&ccedil;&atilde;o    bem vis&iacute;vel em Fran&ccedil;a desde meados do s&eacute;culo xix. No inqu&eacute;rito    &agrave;s fortunas dirigido por Adeline Daumard (1973), apenas em Toulouse o    imobili&aacute;rio se manteve como investimento patrimonial preferencial. Nas    restantes cidades, nos primeiros anos do s&eacute;culo xx, os im&oacute;veis    j&aacute; n&atilde;o representavam mais de 31% dos patrim&oacute;nios.      <p>Contudo, &eacute; interessante observar que esta composi&ccedil;&atilde;o patrimonial    de Burnay estava em clara oposi&ccedil;&atilde;o com a tend&ecirc;ncia detectada    em Portugal. Aqui, no final do s&eacute;culo xix, o imobili&aacute;rio impunha-se    de forma crescente como principal op&ccedil;&atilde;o patrimonial. No Porto,    a partir de meados da d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo xix, a burguesia    operou um &quot;desvio para o investimento imobili&aacute;rio dos capitais dispon&iacute;veis    face &agrave; crise financeira que ent&atilde;o se vivia&quot; (Cruz, 1999,    p. 329). Em &Eacute;vora, a evolu&ccedil;&atilde;o patrimonial destacou, igualmente,    &quot;o aumento acentuado da componente imobili&aacute;ria&quot; (Fonseca, 1996,    p. 230), que rondava, nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas do s&eacute;culo    xix, os 80%. E entre os maiores contribuintes de Lisboa nas duas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas do s&eacute;culo xix os im&oacute;veisrepresentavam, em m&eacute;dia,    71% do seu patrim&oacute;nio. Assim, importa enquadrar a fortuna e o patrim&oacute;nio    de Henry Burnay em fun&ccedil;&atilde;o da tipifica&ccedil;&atilde;o de alguns    dos principais perfis de fortuna existentes na Lisboa oitocentista para perceber    a raz&atilde;o das particularidades evidenciadas.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;     <P><b>Perfis de fortuna na Lisboa Oitocentista </b>     <p>De acordo com a observa&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o dos maiores  contribuintes lisboetas, &eacute; nosso entendimento que a defini&ccedil;&atilde;o de tais perfis resulta  de diferentes estrat&eacute;gias, as quais s&atilde;o influenciadas pelas oportunidades  que, num certo momento, se perspectivam para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma  grande fortuna. Muitos desses indiv&iacute;duos alcan&ccedil;aram posi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas de  grande relevo explorando iniciativas/concess&otilde;es do Estado, seja ele o do  Antigo Regime ou o da monarquia constitucional. O que n&atilde;o significa que n&atilde;o  tenha havido espa&ccedil;o para a iniciativa privada, nomeadamente nos casos das  fortunas solidamente ancoradas na actividade comercial.     <p>Portanto, a capacidade de enriquecimento repartia-se, em boa parte,  entre a participa&ccedil;&atilde;o nos neg&oacute;cios p&uacute;blicos e a actividade comercial. Estas  duas vertentes n&atilde;o eram incompat&iacute;veis, antes se conjugavam com frequ&ecirc;ncia.      <p>Destacaremos quatro grupos integrados nos maiores contribuintes  de Lisboa. Tr&ecirc;s deles tiveram uma liga&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;xima com as  oportunidades proporcionadas pelo Estado: a aristocracia titulada antes da revolu&ccedil;&atilde;o  liberal de 1820, os descendentes dos homens de neg&oacute;cio do final do Antigo  Regime e a &quot;clientela farta&quot; do regime liberal. O quarto grupo &eacute; representado  pelos elementos do corpo de com&eacute;rcio dedicados &agrave; sua actividade comercial.     <p>Conforme poderemos testemunhar de seguida, estes grupos n&atilde;o s&oacute;  se diferenciam pelas oportunidades de neg&oacute;cio a que est&atilde;o ligados, como  tamb&eacute;m s&atilde;o distintas as estruturas patrimoniais que apresentam na  segunda metade de Oitocentos. Al&eacute;m disso, parece-nos evidente uma diferente  atitude face ao consumo de bens de valor predominantemente simb&oacute;lico.            <p>De acordo com Nuno Gon&ccedil;alo Monteiro, as casas dos &quot;grandes&quot; do  reino tiveram origem na doa&ccedil;&atilde;o de senhorios por parte da dinastia de Avis e  em v&iacute;nculos fundados nos s&eacute;culos xvi  e xvii, a que se seguiram &quot;as  doa&ccedil;&otilde;es r&eacute;gias, sobretudo em comendas&quot;, cada vez mais numerosas. No s&eacute;culo  xviii os rendimentos dos &quot;grandes&quot; do reino dependiam maioritariamente dos  bens da Coroa e ordens, sendo o restante proveniente de bens patrimoniais,  em particular dos rendimentos dos pr&eacute;dios r&uacute;sticos. Segundo o mesmo  autor, &quot;este modelo `ultra-rentista' da estrutura e da administra&ccedil;&atilde;o dos  patrim&oacute;nios conduziu a uma dificuldade generalizada dos rendimentos reais das  casas acompanharem a subida dos pre&ccedil;os, quando estes dispararam nos anos  80 de Setecentos&quot; (Monteiro, 2003, p. 496). O endividamento crescente  colocou muitas destas casas em graves dificuldades, firmando a ideia da  generaliza&ccedil;&atilde;o deste fen&oacute;meno entre a alta aristocracia no final do Antigo Regime.     <p>Num dos poucos estudos sobre as condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas da antiga  aristocracia no per&iacute;odo liberal, Pedro Urbano (2008) mostrou como a casa  de Palmela enfrentava dificuldades financeiras nos primeiros anos da d&eacute;cada  de 1830. Para enfrentarem a sua d&eacute;bil situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, os Palmela  adoptaram uma estrat&eacute;gia que passou, primeiro, pela celebra&ccedil;&atilde;o de um  acordo matrimonial com uma casa em condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas bem mais  favor&aacute;veis e, depois, pela abertura ao investimento noutras &aacute;reas, apesar de a  componente predial se manter predominante. Assim, o 1.&#186; duque de Palmela  ajustou com o 1.&#186; conde da P&oacute;voa o casamento do seu filho, sucessor no t&iacute;tulo,  com a filha do segundo, que ap&oacute;s o falecimento do irm&atilde;o veio a herdar a  casa da P&oacute;voa. Esta alian&ccedil;a garantiu &agrave; casa Palmela um importante afluxo  de capital, proporcionando a sua sustenta&ccedil;&atilde;o. Em 1854 as duas casas  juntas apresentavam um rendimento anual de cerca de 48 contos, 38 dos  quais provenientes da casa da P&oacute;voa. As propriedades eram respons&aacute;veis por  62% dos rendimentos conjuntos das duas casas, cabendo &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es os  restantes 38%. A casa Palmela evidenciava-se pela aposta em diversos  sectores: &quot;transportes, seguros, explora&ccedil;&atilde;o mineira e ind&uacute;stria, sendo superior o  investimento no sector dos transportes&quot; (Urbano, 2008, p. 96). Ou seja,  sectores muito em voga nas carteiras de ac&ccedil;&otilde;es da &eacute;poca.     <p>A casa adaptou-se convenientemente &agrave; mudan&ccedil;a de regime,  reorientando a sua gest&atilde;o patrimonial. De tal forma a adapta&ccedil;&atilde;o foi bem sucedida  que, quando, em 27 de Julho de 1859, a filha segunda dos  2.<SUP>os</SUP> duques de Palmela efectuou a escritura de ren&uacute;ncia &agrave;s leg&iacute;timas materna e paterna em favor  da irm&atilde;, foi estabelecida uma indemniza&ccedil;&atilde;o de 400 contos. Este valor  constituiria, na melhor das hip&oacute;teses, metade da avalia&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio dos  2.<SUP>os</SUP> duques, pois n&atilde;o &eacute; de crer que a sucessora, a primog&eacute;nita, fosse  prejudicada. O patrim&oacute;nio seria superior a 800 contos, atendendo ainda ao valor  dos bens vinculados da casa Palmela, aquando da extin&ccedil;&atilde;o dos morgados:  apenas estes valiam quase 835 contos. Um montante a que acresceriam, pelo  menos, os bens vinculados provenientes da casa da P&oacute;voa.         <p>A dimens&atilde;o de tal patrim&oacute;nio colocava-o entre os mais avultados de  todo este per&iacute;odo. A oportuna estrat&eacute;gia utilizada pelo 1.&#186; duque de  Palmela garantiu a sustenta&ccedil;&atilde;o que os encargos excessivos amea&ccedil;avam. J&aacute; na  segunda metade do s&eacute;culo xix, a ren&uacute;ncia da segunda filha e a indemniza&ccedil;&atilde;o  que lhe coube permitiram suster a amea&ccedil;a de desagrega&ccedil;&atilde;o que pendia sobre  o patrim&oacute;nio da casa com o fim da institui&ccedil;&atilde;o vincular.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; certo que a casa de Palmela esteve do lado vencedor da guerra  civil. A situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e as estrat&eacute;gias adoptadas pela fac&ccedil;&atilde;o afecta a D.  Miguel durante o regime liberal s&atilde;o mat&eacute;rias pouco estudadas na historiografia  nacional. Atendendo a alguns percursos, poderemos avan&ccedil;ar a hip&oacute;tese de que  as suas condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas dependeriam da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade dos  investimentos da &eacute;poca, &agrave; imagem do que pudemos constatar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;  casa Palmela, embora n&atilde;o esclare&ccedil;am sobre a import&acirc;ncia que poderiam ter  nos seus patrim&oacute;nios.     <p>O segundo grupo integra os descendentes dos homens de neg&oacute;cio  estudados por Jorge Pedreira, entre os quais se destacam algumas  fam&iacute;lias: Sobral, Braamcamp, Machado, Caldas, Quintela, Bandeira e Pinto Basto.  No fim do Antigo Regime, estas fam&iacute;lias encontravam-se entre os  principais protagonistas do corpo mercantil gra&ccedil;as &agrave; &quot;contrata&ccedil;&atilde;o de rendimentos  e monop&oacute;lios r&eacute;gios&quot; (Pedreira, 1995, p. 154), nomeadamente o contrato  do tabaco, o qual se manteve quase em exclusivo nas suas m&atilde;os at&eacute; &agrave;s  v&eacute;speras da revolu&ccedil;&atilde;o liberal (Santos, 1974). Esta posi&ccedil;&atilde;o era consolidada pela  participa&ccedil;&atilde;o nos grandes empreendimentos industriais e no tr&aacute;fego  ultramarino. As actividades em que se envolviam reflectiam-se na composi&ccedil;&atilde;o  dos seus patrim&oacute;nios, em que era evidente a posi&ccedil;&atilde;o superior das d&iacute;vidas  activas, categoria patrimonial intimamente ligada ao giro comercial (Pedreira,  1995, p. 307).     <p>Chegados &agrave; segunda metade do s&eacute;culo  xix, os descendentes destas fam&iacute;lias registam patrim&oacute;nios com uma importante presen&ccedil;a do imobili&aacute;rio,  apesar de algumas excep&ccedil;&otilde;es que devemos considerar. O 1.&#186; conde do  Farrobo, j&aacute; sem metade do morgado de que era administrador, e a bra&ccedil;os com  uma situa&ccedil;&atilde;o deficit&aacute;ria, mantinha ainda interesses industriais, como a sua  mina em Gondomar, respons&aacute;vel por metade do valor do seu patrim&oacute;nio.  Jos&eacute; Ferreira Pinto Basto e o 1.&#186; visconde de Benagazil eram negociantes,  o primeiro mantendo actividade na f&aacute;brica de lou&ccedil;as Vista Alegre, com  significativas verbas de d&iacute;vidas activas e com forte liga&ccedil;&atilde;o &agrave; actividade  comercial, enquanto o segundo, j&aacute; retirado, recolhia os dividendos dos pr&eacute;dios  que possu&iacute;a no centro de Lisboa, constru&iacute;dos pela sua fam&iacute;lia ap&oacute;s o  terramoto de 1755. Apenas os irm&atilde;os Anselmo Jos&eacute; Braamcamp e Jos&eacute;  Augusto Braamcamp n&atilde;o tinham qualquer actividade de neg&oacute;cio, tendo ambos  tr&ecirc;s quartos do seu patrim&oacute;nio em propriedades urbanas.           <p>Desta forma, naquilo que se refere &agrave;s composi&ccedil;&otilde;es patrimoniais  privilegiadas, estes dois primeiros grupos denotam uma maior propens&atilde;o para  a componente predial. Relembramos o peso dos bens de raiz na casa  de Palmela em 1854: 62% dos rendimentos (Urbano, 2008). Os herdeiros  dos homens de neg&oacute;cio do final do Antigo Regime, com fortunas criadas a  partir de contratos com o Estado e de outras actividades, como a  reconstru&ccedil;&atilde;o da cidade de Lisboa ap&oacute;s o terramoto, tornaram-se, principalmente,  propriet&aacute;rios, ainda que as actividades de neg&oacute;cio n&atilde;o estivessem em absoluto  afastadas dos seus horizontes. Outro aspecto que merece amplo destaque &eacute; o  da vida faustosa e dos interesses culturais a que est&atilde;o associados v&aacute;rios  elementos destes dois grupos.     <p>O terceiro grupo foi identificado por Oliveira Martins como sendo  a &quot;aristocracia nova de aventureiros&quot;,  grupo que o novo regime liberal procurou fortalecer com o fito de o colocar no lugar da &quot;velha aristocracia  de Corte e dos mosteiros&quot; (1996, vol. ii, p. 17). E f&ecirc;-lo, inicialmente,  atrav&eacute;s da venda dos bens nacionais, com a qual comprou a ades&atilde;o dos  seus arrematantes ao regime liberal.     <p>Ao longo das d&eacute;cadas seguintes, o Estado alargou as possibilidades  que, sob a sua protec&ccedil;&atilde;o, permitiam a diversos indiv&iacute;duos a constitui&ccedil;&atilde;o  de fortunas volumosas. Foi o caso da manuten&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio da  arremata&ccedil;&atilde;o do tabaco at&eacute; 1864 (Santos, 1974), da cria&ccedil;&atilde;o de diversas  companhias financeiras ou ainda da constitui&ccedil;&atilde;o do Banco de Portugal em 1846,  resultado da fus&atilde;o do Banco de Lisboa com a Companhia Confian&ccedil;a  Nacional (Reis, 1996). J&aacute; bem dentro da segunda metade do s&eacute;culo  xix, as autoriza&ccedil;&otilde;es para a forma&ccedil;&atilde;o dos diversos bancos sediados em Lisboa s&atilde;o mais  um exemplo deste tipo de ac&ccedil;&atilde;o do Estado.      <p>O grupo que emergiu a partir daqui incluiu gente de proveni&ecirc;ncia  distinta. Muitos destes indiv&iacute;duos estavam ligados a  actividades comerciais, funcionando a aplica&ccedil;&atilde;o de capitais nestas iniciativas como uma diversifica&ccedil;&atilde;o  do seu neg&oacute;cio. A composi&ccedil;&atilde;o patrimonial dos elementos deste grupo &eacute;  claramente influenciada pelas v&aacute;rias oportunidades que o Estado liberal lhes  possibilitou. A variedade de op&ccedil;&otilde;es de investimento que tinham &agrave; sua  disposi&ccedil;&atilde;o (desamortiza&ccedil;&atilde;o, tabacos, companhias financeiras, banca)  reflecte-se nos seus patrim&oacute;nios.     <p>Veja-se o caso de Manuel Jos&eacute; Gomes da Costa S&atilde;o Rom&atilde;o    (Martins, 1992) ou o de Jos&eacute; Joaquim Teixeira (Fonseca, 1984), cujos    patrim&oacute;nios mostram uma acentuada ades&atilde;o &agrave;s iniciativas    financeiras do cabralismo. De igual modo, os bens constantes do invent&aacute;rio    do 2.&#186; visconde de Valmor parecem evidenciar as op&ccedil;&otilde;es do    seu tio Jos&eacute; Isidoro Guedes, mais inclinado para o sector financeiro.    Por isso a categoria dos &quot;pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es&quot;    era a mais valiosa, destacando-se nela a participa&ccedil;&atilde;o em companhias    e bancos. Em sentido oposto temos o caso de Jos&eacute; Maria Eug&eacute;nio    de Almeida, que, quando faleceu, tinha 79% do seu patrim&oacute;nio em imobili&aacute;rio    (Sardica, 2005, p. 19), o que nos parece o resultado da participa&ccedil;&atilde;o    na venda dos bens nacionais, em particular na d&eacute;cada de 1860, altura    em que s&oacute; no cabido e Miseric&oacute;rdia de &Eacute;vora despendeu mais    de 180 contos (Fonseca, 1996, pp. 492-493). Segundo H&eacute;lder Fonseca e    Jaime Reis (1987), esta configura&ccedil;&atilde;o patrimonial enquadra-se na    derradeira fase da hist&oacute;ria empresarial de Eug&eacute;nio de Almeida,    mostrando at&eacute; que ponto a conjuga&ccedil;&atilde;o e a diversifica&ccedil;&atilde;o    de investimentos ao longo da vida destes homens eram uma realidade.      <p>Como dissemos, o quarto, e &uacute;ltimo, grupo integra os negociantes  dedicados &agrave; actividade comercial. Estes n&atilde;o se envolveram na  desamortiza&ccedil;&atilde;o, nas companhias financeiras, nos tabacos ou na banca. Os patrim&oacute;nios  de figuras como Joaquim Ant&oacute;nio de Moura e Jos&eacute; Maria Camilo de  Mendon&ccedil;a, ambos com carreiras desempenhadas em Lisboa, Ant&oacute;nio Teodoro de  Barros, com actividade em Cabo Verde, Jo&atilde;o Rodrigues Cardoso,  Joaquim Machado Caires e Jos&eacute; Pereira Soares, negociantes no Brasil, expressam  a import&acirc;ncia das suas actividades comerciais.     <p>Nestes seis casos, apenas Ant&oacute;nio Teodoro de Barros e Joaquim  Machado Caires tinham no imobili&aacute;rio a sua principal categoria patrimonial,  pouco passando dos 50%. Nos restantes eram os pap&eacute;is de cr&eacute;dito e ac&ccedil;&otilde;es  que se evidenciavam, com excep&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Maria Camilo de Mendon&ccedil;a,  para quem o dinheiro era a componente mais valiosa. Os seus neg&oacute;cios  eram vis&iacute;veis ainda nas d&iacute;vidas activas que tinham, em especial este &uacute;ltimo.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Agrave; margem dos neg&oacute;cios do Estado, os grandes negociantes, quer  fizessem fortuna em Lisboa, no Brasil ou nas possess&otilde;es ultramarinas,  tinham nos capitais do neg&oacute;cio a componente preferencial da sua fortuna (v.  Jos&eacute; Maria Camilo de Mendon&ccedil;a), consolidando a sua situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica  no momento da retirada do activo atrav&eacute;s de uma carteira de t&iacute;tulos e  ac&ccedil;&otilde;es diversificada (v. Jos&eacute; Pereira Soares). No entanto, a composi&ccedil;&atilde;o  destas carteiras poder&aacute; indiciar que estes homens n&atilde;o estariam assim t&atilde;o  afastados dos neg&oacute;cios do Estado, nomeadamente no plano colonial, pois &eacute;  corrente a presen&ccedil;a de pap&eacute;is ligados a companhias ultramarinas de navega&ccedil;&atilde;o,  transportes ferrovi&aacute;rios e minera&ccedil;&atilde;o.     <p>Os principais grupos identificados dividem-se, num primeiro n&iacute;vel,  entre os que participavam nas iniciativas econ&oacute;micas e financeiras  patrocinadas pelo Estado e os que estavam ligados &agrave; actividade comercial. Definimos  tr&ecirc;s momentos de enriquecimento com base em neg&oacute;cios p&uacute;blicos,  fazendo-os corresponder a diferentes grupos. A estes adicion&aacute;mos um quarto  grupo afastado desses empreendimentos e mais concentrado nos seus  neg&oacute;cios particulares.     <p>Por&eacute;m, esta reparti&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; absolutamente estanque. A casa de  Palmela aderiu &agrave;s oportunidades que surgiram nas primeiras d&eacute;cadas do liberalismo.             <p>A burguesia pombalina diversificou as suas &aacute;reas de investimento: a  fam&iacute;lia Pinto Basto n&atilde;o se limitou ao monop&oacute;lio do tabaco, fundou a f&aacute;brica da  Vista Alegre, arrematou bens nacionais (Silva, 1997, pp. 487-508), criou e  administrou bancos (Marques, 1989, pp. 18-20). Eug&eacute;nio de Almeida  conciliou os neg&oacute;cios financeiros do cabralismo com a desamortiza&ccedil;&atilde;o e at&eacute;  mesmo com a interven&ccedil;&atilde;o nos sectores agr&iacute;cola, industrial e mercantil (Fonseca  e Reis, 1987, pp. 884-890). At&eacute; mesmo os negociantes afastados das  iniciativas do Estado acabaram, de alguma forma, por obter rendimentos do  er&aacute;rio p&uacute;blico, ao subscreverem empr&eacute;stimos, comprarem t&iacute;tulos de d&iacute;vida  p&uacute;blica e inscri&ccedil;&otilde;es da Junta do Cr&eacute;dito P&uacute;blico, ou quando se envolviam  nos neg&oacute;cios coloniais.     <p>A nosso ver, o que parece uma forte depend&ecirc;ncia face ao Estado n&atilde;o  &eacute; mais do que uma objectiva gest&atilde;o patrimonial que visava a obten&ccedil;&atilde;o de  lucros e o incremento da fortuna. H&eacute;lder Fonseca e Jaime  Reis (1987, pp. 878-879) chamaram j&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o para este facto, considerando-o um objectivo  fundamental da vida empresarial de Eug&eacute;nio de Almeida, enfatizado pelo  conceito de &quot;rendabilidade aceit&aacute;vel&quot;, sobre o qual este &uacute;ltimo recorrentemente  reflectia. Todos estes neg&oacute;cios, que giraram &agrave; volta do novo regime, se  prefiguraram como os mais rent&aacute;veis da &eacute;poca. Da&iacute; que estes indiv&iacute;duos  marcassem presen&ccedil;a nos diversos investimentos patrocinados pelo Estado.  Por outro lado, o Estado liberal disp&ocirc;s dos recursos ao seu alcance para  garantir a paz social necess&aacute;ria &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o do regime, sabendo que s&oacute; o  poderia fazer alimentando as ambi&ccedil;&otilde;es destes homens de neg&oacute;cio.     <p>Refira-se ainda a menor apet&ecirc;ncia por bens de consumo cultural entre    os indiv&iacute;duos com fortuna recente, claramente identificados com o quarto    grupo. Em sentido contr&aacute;rio, nas fam&iacute;lias com maior tradi&ccedil;&atilde;o    de notoriedade econ&oacute;mica e social a dimens&atilde;o simb&oacute;lica    est&aacute; mais presente, destacando-se a frui&ccedil;&atilde;o de bibliotecas    e de colec&ccedil;&otilde;es de pintura. Assim, a antiguidade das fam&iacute;lias    dos herdeiros conduz, em termos patrimoniais, a um processo de acumula&ccedil;&atilde;o    de elementos de valoriza&ccedil;&atilde;o qualitativa, mais do que quantitativa.    A diferencia&ccedil;&atilde;o e hierarquiza&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos    n&atilde;o se faz apenas com base no capital econ&oacute;mico, mas tamb&eacute;m    no capital social conferido por estas manifesta&ccedil;&otilde;es, sendo este    segundo processo mais longo e dif&iacute;cil de realizar no espa&ccedil;o de    uma gera&ccedil;&atilde;o familiar.      <p>&nbsp;     <P><b>Conclus&atilde;o</b>      <p>Em face da estrutura narrativa adoptada, a abordagem sobre a defini&ccedil;&atilde;o    de perfis patrimoniais na Lisboa oitocentista conduz-nos, inevitavelmente, a    uma tripla reflex&atilde;o: em primeiro lugar, a necessidade de encerrar o ciclo    monogr&aacute;fico/biogr&aacute;fico atrav&eacute;s do enquadramento de Henry    Burnay entre os perfis de fortuna esbo&ccedil;ados na sec&ccedil;&atilde;o anterior;    depois, a interpreta&ccedil;&atilde;o do conjunto de perfis definidos no &acirc;mbito    de outros trajectos individuais n&atilde;o contemplados pelos quatro grupos    indicados; por fim, testemunhar o contributo dos invent&aacute;rios <I>post    mortem</I> para o estabelecimento de tipifica&ccedil;&otilde;es patrimoniais.      <p>No que diz respeito &agrave; primeira quest&atilde;o, parece-nos sustent&aacute;vel  inserir Henry Burnay no terceiro grupo, o da &quot;clientela  farta&quot;do regime liberal. Na verdade, Burnay foi int&eacute;rprete central, n&atilde;o das primeiras iniciativas  deste novo regime, mas da grande pol&iacute;tica de melhoramentos da Regenera&ccedil;&atilde;o,  de que &eacute; melhor exemplo a sua interven&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o  das linhas de caminhos de ferro.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por&eacute;m, &agrave; semelhan&ccedil;a da dimens&atilde;o da sua fortuna, a actividade de  Burnay acabou por introduzir tra&ccedil;os muito pr&oacute;prios que o individualizam e  destacam entre os quatro grupos delineados. Em primeiro lugar, porque se  tornou preponderante na pol&iacute;tica financeira do Estado a partir do &uacute;ltimo quartel  do s&eacute;culo xix, objectivo que muito poucos podiam ter a pretens&atilde;o de  alcan&ccedil;ar. Se os demais participavam nas iniciativas patrocinadas ou apoiadas  pelo Estado liberal, Henry Burnay negociava-as directamente, como sucedeu  com o regresso do monop&oacute;lio do tabaco em 1891. Em segundo lugar, porque  a sua actividade nunca foi exercida a t&iacute;tulo individual, mas sim no seio de  uma casa comercial. O resultado desta liga&ccedil;&atilde;o estrutural &agrave; firma foi um  patrim&oacute;nio fortemente ancorado na Henry Burnay &amp; C.&#170;, n&atilde;o s&oacute; pelos capitais  que pertenciam &agrave; heran&ccedil;a, mas tamb&eacute;m pelo enquadramento do imobili&aacute;rio  de Henry Burnay, o qual era administrado pela casa comercial. Em  terceiro lugar, diferencia-se tamb&eacute;m pelas manifesta&ccedil;&otilde;es de consumo de bens  predominantemente simb&oacute;licos. Embora tenha revelado um profundo  interesse pelas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, parece t&ecirc;-lo feito enquanto investimento, n&atilde;o  s&oacute; econ&oacute;mico como social, pois estaria orientado pelo &quot;desejo de ostenta&ccedil;&atilde;o  de riqueza e de prest&iacute;gio&quot;, n&atilde;o obedecendo as aquisi&ccedil;&otilde;es a &quot;um  programa decorativo devidamente planeado&quot; (Vairo, 2003b, p. 50). A virtude  art&iacute;stica de Burnay era conduzida pelo objectivo sentido de capitaliza&ccedil;&atilde;o, uma  postura nada comum na realidade portuguesa, mas que pela Europa j&aacute; se fazia  notar. Certamente que os seus contactos e as estadas no estrangeiro tiveram  um papel preponderante nesta atitude vanguardista.     <p>Se estas particularidades de Burnay n&atilde;o nos parecem suficientes para    o excluir dos quatro perfis tra&ccedil;ados, noutros casos &eacute; evidente    o seu desajustamento. Tenha-se em aten&ccedil;&atilde;o que esses perfis se    circunscrevem a um universo com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, os maiores    contribuintes de Lisboa, e que o quadro anal&iacute;tico &eacute; for&ccedil;osamente    limitado. Da&iacute; resultam duas limita&ccedil;&otilde;es &agrave;s tipifica&ccedil;&otilde;es    patrimoniais: alguns perfis n&atilde;o podem ser definidos por aus&ecirc;ncia    de casos representativos de grandes fortunas, de que podemos dar como exemplo    os industriais; outros, embora estejam estudados, n&atilde;o fazem parte do    universo dos maiores contribuintes lisboetas. Cite-se, por exemplo, o empres&aacute;rio    agr&iacute;cola Jos&eacute; Maria dos Santos (Martins, 1992). Embora residente    em Lisboa, a sua estrat&eacute;gia patrimonial estava completamente virada para    a gest&atilde;o agr&iacute;cola, o que o fez investir em patrim&oacute;nio r&uacute;stico    fora da capital. Sendo os maiores contribuintes seleccionados a partir das contribui&ccedil;&otilde;es    pagas dentro do concelho de domic&iacute;lio, naturalmente Jos&eacute; Maria    dos Santos n&atilde;o estava em condi&ccedil;&otilde;es de ser englobado neste    grupo. Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; vi&aacute;vel defini-lo    de forma semelhante &agrave; de Eug&eacute;nio de Almeida (englobado no terceiro    perfil), pois, apesar de terem operado uma id&ecirc;ntica estrat&eacute;gia    de investimento na terra, este &uacute;ltimo f&ecirc;-lo no &acirc;mbito do    processo de desamortiza&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o parece ter sucedido    com Jos&eacute; Maria dos Santos.      <p>Em 1984, numa fase ainda embrion&aacute;ria dos estudos sobre fortunas  e patrim&oacute;nios por parte da historiografia portuguesa, H&eacute;lder Fonseca fazia  depender o estudo (quantitativo) da evolu&ccedil;&atilde;o da fortuna de uma casa ou  fam&iacute;lia da &quot;exist&ecirc;ncia de dois ou mais momentos em que houve uma avalia&ccedil;&atilde;o  ou declara&ccedil;&atilde;o de bens e rendimentos&quot; (Fonseca, 1984, p. 26). Mais complexo  lhe parecia, no entanto, o estudo (qualitativo) da composi&ccedil;&atilde;o da fortuna. Se  o primeiro identificaria o ritmo de edifica&ccedil;&atilde;o da fortuna, o segundo definiria  o &quot;conjunto de atitudes de neg&oacute;cio e empresariais&quot; (id.,  <I>ibid.,</I> p. 27).     <p>No caso presente, como na maioria dos trabalhos subsequentes ao panorama tra&ccedil;ado    por H&eacute;lder Fonseca, &eacute; da segunda vertente que temos tratado. Na    verdade, se j&aacute; &eacute; suficientemente escassa a exist&ecirc;ncia de    um momento de avalia&ccedil;&atilde;o sobre um agregado familiar, muito mais    o &eacute; relativamente a dois. Nesse sentido, os invent&aacute;rios <I>post    mortem</I> possuem duas caracter&iacute;sticas que contribuem para o estabelecimento    das tipifica&ccedil;&otilde;es patrimoniais e que podem revelar as estrat&eacute;gias    adoptadas por um indiv&iacute;duo. Em primeiro lugar, &eacute; maior a possibilidade    de conterem o arrolamento de todos os bens do inventariado, e de forma mais    detalhada, uma vez que s&atilde;o sempre realizados no foro judicial. O detalhe    destes invent&aacute;rios &eacute;, regra geral, muito superior ao de outras    fontes, como os testamentos, os invent&aacute;rios particulares, as escrituras    de partilhas ou outros instrumentos legais de transmiss&atilde;o sucess&oacute;ria    de propriedade. Em segundo lugar, eles retratam a incerteza associada &agrave;    morte, o que garante a fiabilidade sobre a estrat&eacute;gia que regia a composi&ccedil;&atilde;o    patrimonial, podendo esta espelhar a tend&ecirc;ncia vigente na &eacute;poca.    Esse &eacute; o testemunho biogr&aacute;fico de S&atilde;o Rom&atilde;o, cuja    inesperada morte, em 1852, o apanhou num momento de crucial mudan&ccedil;a estrat&eacute;gica,    depois do fim do cabralismo, em que o imobili&aacute;rio se afigurava como investimento    mais seguro. Mas a identifica&ccedil;&atilde;o de tais tend&ecirc;ncias s&oacute;    pode ganhar consist&ecirc;ncia se inserida, &quot;quando poss&iacute;vel, [n]o    quadro do movimento geral das fortunas privadas, para o per&iacute;odo considerado&quot;    (Fonseca, 1984, p. 27). Ou seja, tal como aqui tent&aacute;mos realizar, atrav&eacute;s    da conjuga&ccedil;&atilde;o das perspectivas monogr&aacute;fica e biogr&aacute;fica.      <p>&nbsp;      <P  ALIGN="CENTER"><B>Mapa geral de bens dos invent&aacute;rios (valores de 1869)</B>      <P  ALIGN="CENTER"><B>Anexo</B>        <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/aso/n192/n192a05a1.jpg" width="1072" height="774">      
<blockquote>        <p><B>Fonte:</B> ADL, &quot;fundo c&iacute;vel antigo do Tribunal da Boa Hora&quot;.    </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;      <p align="center"><B>Bibliografia</B>      <p>Almeida, M. A. P. de (1997),  <I>Fam&iacute;lia e Poder no Alentejo: Elites de Avis,  1886-1941,</I> Lisboa, Colibri.     <!-- ref --><p>Barosa, J. P. (1996), &quot;Os Burnay no vidro, ou um monop&oacute;lio que n&atilde;o chegou a  existir&quot;. <I>An&aacute;lise Social,</I> xxxi (2 e 3), pp. 487-525.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0003-2573200900030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Brand&atilde;o, M. de F. (1994),  <I>Terra, Heran&ccedil;a e Fam&iacute;lia no Noroeste de Portugal: o Caso  do Mosteiro no s&eacute;culo xix,</I> Porto, Afrontamento.     <p>Cassis, Y. (1994), <I>City Bankers,  1890-1914,</I> Cambridge e Nova Iorque, Cambridge  University Press.     <p>Cruz, M. A. (1999), <I>Os Burgueses do Porto na Segunda Metade do  s&eacute;culo xix,</I> Porto, Funda&ccedil;&atilde;o Eng. Ant&oacute;nio de Almeida.     <!-- ref --><p>Damas, C. A. (2002), &quot;Jos&eacute; Maria do Esp&iacute;rito Santo e Silva, de cambista a banqueiro,  1869-1915&quot;. <I>An&aacute;lise Social</I>,  xxxvii (3), pp. 851-878.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0003-2573200900030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Daumard, A. (dir.) (1973), <I>Les fortunes fran&ccedil;aises au  xix<SUP>e</SUP> si&egrave;cle. Enqu&ecirc;te sur la  r&eacute;partition et la composition des capitaux priv&eacute;s &agrave; Paris, Lyon, Lille, Bordeaux et Toulouse  d'apr&egrave;s l'enregistrement des d&eacute;clarations de  succession</I>, Paris, Mouton.     <p>Dias, F. S. (1999), <I>Uma Estrat&eacute;gia de Sucesso  numa Economia Perif&eacute;rica. A Casa  Bensa&uacute;de e os A&ccedil;ores, 1800-1870,</I> 2.&#170; ed., Ponta Delgada, Ribeiro e Caravana Editores.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Faria, M. F. de (2004), <I>Alfredo da Silva: Biografia  1871-1942,</I> Lisboa, Bertrand.     <p>Fonseca, H. A. (1984), <I>Um empres&aacute;rio e uma Empresa Agr&iacute;cola na 1.&#170; Metade do  S&eacute;culo xix. Jos&eacute; Joaquim Teixeira e a Quinta do C&eacute;sar no Carregado. (Contributo para  a Hist&oacute;ria das Empresas e Empres&aacute;rios do S&eacute;culo  xix Portugu&ecirc;s)</I>. Provas de aptid&atilde;o pedag&oacute;gica e capacidade cient&iacute;fica, 2 vols.,  &Eacute;vora, Universidade de &Eacute;vora.     <p>Fonseca, H. A. (1996), <I>O Alentejo no S&eacute;culo  xix. Economia e Atitudes Econ&oacute;micas,  </I>Lisboa, INCM.     <!-- ref --><p>Fonseca, H. A., e Reis, J. (1987), &quot;Jos&eacute; Maria Eug&eacute;nio de Almeida, um capitalista  da Regenera&ccedil;&atilde;o&quot;. <I>An&aacute;lise  Social</I>, vol. xxiii (5), pp. 865-904.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0003-2573200900030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Justino, D. (1989), <I>A Forma&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Econ&oacute;mico  Nacional,</I> 2 vols., Lisboa, Vega.     <p>Lima, N. M. (2007), <I>Os  &quot;homens bons&quot; do liberalismo. Os maiores  contribuintes de Lisboa (1867-1893)</I>. Tese de mestrado, Lisboa, FCSH/Universidade Nova de Lisboa.     <p>Madureira, N. L. (1989), <I>Invent&aacute;rios. Aspectos do  consumo e da vida material em Lisboa nos Finais do Antigo  Regime.</I> Tese de mestrado, Lisboa, FCSH/Universidade Nova  de Lisboa.     <p>Marques, A. H. de O. (1989),  <I>Cr&eacute;dito Predial Portugu&ecirc;s, 125 Anos de Hist&oacute;ria,  </I>Lisboa, C.P.P.     <!-- ref --><p>Martins, C. A. (1992), &quot;Op&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica de uma fam&iacute;lia  burguesa oitocentista: o caso de S&atilde;o Rom&atilde;o e Jos&eacute; Maria dos Santos&quot;.  <I>An&aacute;lise Social</I>, xxvii (2 e 3),  pp. 367-404.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0003-2573200900030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Martins, O. (1996), <I>Portugal  Contempor&acirc;neo,</I> 2 vols., Lisboa, Guimar&atilde;es Editores.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mata, M. E. (2005), &quot;Institutions and business: Henri Burnay: a case study&quot;    (N&uacute;cleo de Estudos de Hist&oacute;ria Empresarial, textos de discuss&atilde;o,    5/2005). Dispon&iacute;vel em <a href="http://historia-empresarial.fe.unl.pt/textos/burnay.pdf" target="_blank">http://historia-empresarial.fe.unl.pt/textos/burnay.pdf</a>      <p>Mendes, J. A. (2003), &quot;As empresas vidreiras e o desenvolvimento regional    em Portugal: da autarcia (1870-1914) &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o    (1980-2000)&quot;. <I>Anais do V Congresso Brasileiro de Hist&oacute;ria Econ&oacute;mica    e 6.&#170; Confer&ecirc;ncia Internacional de Hist&oacute;ria de Empresas,</I>    Belo Horizonte, ABPHE. Dispon&iacute;vel em <a href="http://econpapers.repec.org/paper/abphe2003/111.htm" target="_blank">http://econpapers.repec.org/paper/abphe2003/111.htm</a>.      <!-- ref --><p>M&oacute;nica, M. F. (1992), &quot;Neg&oacute;cios e pol&iacute;tica: os tabacos (1800-1890)&quot;.  <I>An&aacute;lise Social</I>, xxvii (2 e 3), pp. 461-475.     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0003-2573200900030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>M&oacute;nica, M. F. (2003), &quot;Henri Burnay (1838-1909)&quot;.  <I>In</I> M. A. P. de Matos (coord.), <I>Henri Burnay: de Banqueiro a Coleccionador,  </I>Lisboa, IPM-CMAG, pp. 23-27.           <p>Monteiro, N. G. (2003), <I>O Crep&uacute;sculo dos Grandes. A Casa e o Patrim&oacute;nio da  Aristocracia em Portugal (1750-1832), </I>2.&#170; ed., Lisboa, INCM.     <p>Pedreira, J. (1995), <I>Os Homens de Neg&oacute;cios da Pra&ccedil;a de Lisboa de Pombal ao  Vintismo (1755-1822). Diferencia&ccedil;&atilde;o, Reprodu&ccedil;&atilde;o e Identifica&ccedil;&atilde;o de um Grupo  Social</I>. Tese de doutoramento, Lisboa, FCSH/Universidade Nova de Lisboa.     <p>Reis, J. (1996), <I>O Banco de Portugal: das Origens a  1914,</I> vol. i, <I>Antecedentes,  Funda&ccedil;&atilde;o, Consolida&ccedil;&atilde;o.  1821-1857,</I> Lisboa, Banco de Portugal.     <p>Rocha, M. M. (1994), <I>Propriedade e N&iacute;veis de Riqueza: Formas de Estrutura&ccedil;&atilde;o Social  em Monsaraz na Primeira Metade do S&eacute;culo  XIX</I>, Lisboa, Cosmos.     <p>Rocha, V. da (1921), <I>Le Portugal au  travail,</I> Paris, Pierre Roger.     <p>Rubinstein, W. D. (1987), <I>Elites and the  wealthy in modern British history. Essays in  social and economic history,</I> Nova Iorque, St. Martin's Press.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Santos, R. E. dos (1974), <I>Os Tabacos. Sua Influ&ecirc;ncia na Vida da  Na&ccedil;&atilde;o</I>, 2 vols., Lisboa, Seara Nova.      <p>Sardica, J. M. (2005), <I>Jos&eacute; Maria Eug&eacute;nio de Almeida. Neg&oacute;cios, Pol&iacute;tica e Sociedade  no S&eacute;culo XIX</I>, s. l., Quimera Editores &#151; Instituto de Cultura Vasco Vill'Alva.     <p>Silva, A. M. da (1997), <I>Nacionaliza&ccedil;&otilde;es e Privatiza&ccedil;&otilde;es em Portugal: a  Desamortiza&ccedil;&atilde;o Oitocentista</I>, Coimbra, Minerva.     <p>Sousa, F. de (1978), &quot;A Salamancada e a crise banc&aacute;ria do Porto&quot;.  <I>Nummus</I>, 2.&#170; s&eacute;rie, i, pp. 5-34.     <p>Sousa, P. P. da S. e (1998),  <I>As Elites Perif&eacute;ricas: Poder, Traject&oacute;rias e Reprodu&ccedil;&atilde;o  Social dos Grupos Dominantes no Distrito de Angra do Hero&iacute;smo: as Ilhas Terceira, S&atilde;o  Jorge e Graciosa, 1860-1910</I>. Tese de mestrado, Lisboa, ICS/Universidade de Lisboa.     <p>Urbano, P. (2008), <I>A Casa  Palmela</I>, Lisboa, Livros Horizonte.     <p>Vairo, G. R. (2003a), &quot;Henri Burnay: o homem p&uacute;blico e o homem privado&quot;.  <I>In</I> M. A. P. de Matos (coord.), <I>Henri Burnay: de Banqueiro a  Coleccionador</I>, Lisboa, IPM-CMAG, pp. 29-39.     <p>Vairo, G. R. (2003b), &quot;Origem e forma&ccedil;&atilde;o da colec&ccedil;&atilde;o    Burnay&quot;. <I>In</I> M. A. P. de Matos (coord.), <I>Henri Burnay: de Banqueiro    a Coleccionador</I>, Lisboa, IPM-CMAG, pp. 41-63.      <p>&nbsp;     <p><b>Notas</b>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top11">1</a></sup><a name=""></a>Sobre a riqueza informativa    e as limita&ccedil;&otilde;es dos invent&aacute;rios, v., por exemplo, Brand&atilde;o    (1994, pp. 335 e segs.).      <p><sup><a href="#top2">2</a></sup><a name="2"></a> V. os trabalhos de Adeline    Daumard (1973), para a Fran&ccedil;a, e os de William Rubinstein (1987) e Youssef    Cassis (1994), para a Gr&atilde;-Bretanha.      <p><sup><a href="#top3">3</a></sup><a name="3"></a> Dadas as limita&ccedil;&otilde;es    arquiv&iacute;sticas, apenas foi poss&iacute;vel aceder &agrave; documenta&ccedil;&atilde;o    das seguintes varas e sec&ccedil;&otilde;es: 2.&#170; vara (4.&#170; sec&ccedil;&atilde;o);    3.&#170; vara (3.&#170; sec&ccedil;&atilde;o); 4.&#170; vara (3.&#170; e 4.&#170;    sec&ccedil;&otilde;es); 5.&#170; vara (1.&#170; a 4.&#170; sec&ccedil;&otilde;es);    6.&#170; vara (1.&#170; e 3.&#170; sec&ccedil;&otilde;es).      <p><sup><a href="#top4">4</a></sup><a name="4"></a> Foi ainda localizado o invent&aacute;rio    de partilha do morgado do Farrobo, de 1863, administrado pelo 1.&#186; conde    do Farrobo.     <p><sup><a href="#top5">5</a></sup><a name="5"></a> A autora destaca que &quot;os    mais ricos tinham tend&ecirc;ncia para aumentar a percentagem da sua fortuna    aplicada em ac&ccedil;&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es&quot;.     <p><sup><a href="#top6">6</a></sup><a name="6"></a> O invent&aacute;rio de Jos&eacute;    Pereira Soares n&atilde;o especifica o teor das suas d&iacute;vidas activas.     <p><sup><a href="#top7">7</a></sup><a name="7"></a> Como Maria Eug&eacute;nia    Mata salienta, &quot;Burnay based his strategy on minimising risks, diversifying    assets, and learning by doing&quot; (Mata, 2005, p. 4).      <p>&nbsp;     <p><a name="a1"></a><a href="#topa1">*</a> Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea,    Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa,    Av. de Berna, 26-C, 1069-061, Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:nunolima@fcsh.unl.pt">nunolima@fcsh.unl.pt</a>.      <p><a name="a2"></a><a href="#topa2">**</a> O presente artigo enquadra-se na disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado em Hist&oacute;ria dos s&eacute;culos xix e xx, sec&ccedil;&atilde;o    de Hist&oacute;ria do s&eacute;culo xix, defendida na Faculdade de Ci&ecirc;ncias    Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa sob o t&iacute;tulo &quot;Os    `homens bons' do liberalismo. Os maiores contribuintes de Lisboa (1867-1893)&quot;,    a publicar no presente ano na colec&ccedil;&atilde;o de &quot;Hist&oacute;ria    Econ&oacute;mica&quot; do Banco de Portugal. A metodologia e o teor da an&aacute;lise    deste artigo remetem substancialmente para o cap&iacute;tulo 3 da disserta&ccedil;&atilde;o.    Esta &eacute; uma vers&atilde;o revista de uma comunica&ccedil;&atilde;o apresentada    no XXVII Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Hist&oacute;ria    Econ&oacute;mica e Social, realizado em Lisboa a 16-17 de Novembro de 2007.    Agrade&ccedil;o os coment&aacute;rios ent&atilde;o realizados por Concei&ccedil;&atilde;o    Andrade Martins, Magda Pinheiro, Carlos Bastien e Paulo Jorge Fernandes, bem    como a avalia&ccedil;&atilde;o realizada pelos <I>referees</I> da revista <I>An&aacute;lise    Social.</I>     ]]></body>
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