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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O voto dos indecisos nas democracias recentes: um estudo comparado]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper examines the characteristics of late deciders in recent democracies. Several studies have emphasized the distinct rationale that characterizes the choices of undecided voters compared to more stable electors. Yet, there are controversial results with regard to the main factors that explain late deciders’ voting. After analysing the specific traits of undecided voters in Spain, Greece and Portugal, this study investigates the main determinants of the time of vote decision. The findings suggest that political predispositions are particularly important in explaining differences between types of voters, while short-term factors have a marginal role, especially for right-wing voters.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O voto dos indecisos nas democracias recentes: um estudo comparado<a name="top0"></a><a href="#0">**</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Marco Lisi</b></p>      <p>ICS, Universidade de Lisboa, Av. Professor An&iacute;bal de Bettencourt, 9,    1600-189 Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:marcolisi@sapo.pt">marcolisi@sapo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este artigo analisa a indecisão eleitoral nas democracias recentes. Vários    estudos têm evidenciado que a lógica de voto deste segmento do eleitorado se    diferencia de forma significativa dos eleitores mais estáveis, sem todavia alcançarem    conclusões definitivas acerca do fenómeno. Depois de caracterizar o perfil dos    indecisos em Espanha, Grécia e Portugal, examinam-se os factores mais importantes    que contribuem para interpretar as opções deste segmento do eleitorado. Os resultados    indicam que as predisposições ideológicas desempenham um papel fundamental,    enquanto os factores de curto prazo têm um peso secundário, sobretudo para os    eleitores de direita. </p>        <p><b>Palavras-chave:</b> tempo da decisão eleitoral; indecisos; comportamento      eleitoral; Europa do Sul.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Late deciders’ voting in recent democracies: a comparative study</b></p>      <p>This paper examines the characteristics of late deciders in recent democracies. Several studies have emphasized the distinct rationale that characterizes the choices of undecided voters compared to more stable electors. Yet, there are controversial results with regard to the main factors that explain late deciders’ voting. After analysing the specific traits of undecided voters in Spain, Greece and Portugal, this study investigates the main determinants of the time of vote decision. The findings suggest that political predispositions are particularly important in explaining differences between types of voters, while short-term factors have a marginal role, especially for right-wing voters.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords: </b>time of vote decision; late deciders; electoral behaviour;      Southern Europe. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdução</b>      </p>        <p>O fenómeno da indecisão eleitoral tem assumido uma relevância      crescente nas democracias contemporâneas. A maior distância entre eleitores      e partidos, a diminuição do peso das clivagens tradicionais sobre o comportamento      dos eleitores e, paralelamente, o aumento da importância dos factores de curto      prazo são elementos que tornaram cada vez mais central este segmento do eleitorado.      Os indecisos convertem-se no alvo principal da acção dos partidos, na tentativa      de influenciarem e condicionarem as escolhas dos eleitores durante a campanha      eleitoral. A maior difusão dos meios de comunicação e a introdução das novas      tecnologias constituem, porém, fortes incentivos para a mobilização e a persuasão      dos eleitores indecisos durante as campanhas. O facto de os actores políticos      concentrarem os esforços — financeiros e organizativos — nas últimas semanas      que antecedem o voto demonstra não apenas a convicção de que é possível persuadir      este grupo de eleitores, mas também que as escolhas destes eleitores determinam      de forma crucial o desfecho da competição eleitoral. É frequente, de facto,      que durante as campanhas eleitorais a atenção dos partidos e dos <i>media</i>      se concentre sobre os indivíduos que ainda não decidiram a sua opção de voto.      </p>         <p>Na maioria das democracias consolidadas, a tendência para o aumento da indecisão    eleitoral é confirmada por recentes estudos baseados em inquéritos de opinião    (Dalton, McAllister e Wattenberg, 2000, p. 48). Em geral, nas democracias contemporâneas    regista-se uma maior “disponibilidade” eleitoral através da crescente proporção    de eleitores que não dispõem de uma orientação de voto estável e ponderam a    sua escolha durante a campanha<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>.    Este fenómeno reflecte-se na tendência para o aumento da volatilidade eleitoral,    quer a nível agregado, quer a nível individual (Mair, 2002; Dalton, McAllister    e Wattenberg, 2000, p. 44). </p>        <p>Para além da crescente importância quantitativa, a indecisão      eleitoral é um fenómeno que do ponto de vista qualitativo apresenta também      características interessantes. De facto, estudos empíricos têm sublinhado      a particularidade deste segmento do eleitorado e a sua importância nas dinâmicas      eleitorais (Chaffee e Choe,      1980; Gopoian e Hadjiharalambous,      1994; Hillygus Shields,      2008). Por isso, a análise da indecisão contribui para compreender melhor      o comportamento dos eleitores e a estratégia de mobilização dos partidos.      </p>        <p>Quais são os factores que podem explicar o fenómeno da      crescente instabilidade eleitoral? Segundo a literatura, são dois os processos      que estão na origem da relevância assumida pela indecisão eleitoral. O primeiro      relaciona-se com a maior importância dos factores de curto prazo como determinantes      do comportamento dos eleitores, aumentando assim a disponibilidade eleitoral.      O segundo baseia-se na influência dos <i>mass media</i> e no processo de modernização das      campanhas eleitorais. </p>        <p>Os factores tradicionais que contribuem para formar as      predisposições dos indivíduos, limitando assim as opções de voto disponíveis,      tornaram-se mais débeis, acabando por exercer apenas um impacto reduzido sobre      os eleitores. É o caso, por exemplo, da identificação partidária ou das tradicionais      clivagens sociais que tiveram um papel importante na estabilização do eleitorado      pelo menos até à década de 70 do século passado (Lipset e Rokkan, 1967; Thomassen, 2005). Deste ponto de vista, os eleitores tornaram-se      progressivamente “livres de escolher”, para parafrasear o título de um importante      contributo publicado em meados dos anos 80 (Rose e McAllister, 1986). A principal consequência destas transformações      ao nível dos comportamentos eleitorais é o maior peso adquirido pelos factores      de curto prazo, sobretudo através do papel desempenhado pelos líderes e pela      percepção da situação económica. </p>        <p>O segundo processo que afecta o fenómeno da indecisão eleitoral      refere-se às transformações das modalidades de comunicação adoptadas pelos      actores políticos. Os eleitores estão cada vez mais expostos à influência      dos meios de comunicação, sobretudo durante a campanha eleitoral, pela multiplicação      dos recursos de informação e pela maior eficácia por parte das forças políticas      na identificação dos “alvos” eleitorais (Farrell,      1996; Norris, 2000). O declínio organizativo dos      partidos é acompanhado por um uso mais sofisticado dos meios de comunicação,      de acordo com a estratégia eleitoral dos actores políticos (Bowler      e Farrell, 1992; Rohrschneider,      2002). A crescente importância das ligações directas entre líderes e eleitores      — muitas vezes baseadas apenas nos traços pessoais — e a utilização das técnicas      de <i>marketing</i> contribuem para aumentar a ambivalência e a incerteza      dos indivíduos. </p>        <p>Tradicionalmente, os estudos sobre este segmento do eleitorado      nas democracias avançadas têm sublinhado o seu carácter relativamente pouco      sofisticado. Segundo esta interpretação, estes eleitores procuram atalhos      informativos que possam orientar as suas opções, sobretudo durante as campanhas      eleitorais. Neste sentido, como seria de esperar, os factores que mais afectam      este segmento do eleitorado dependem da conjuntura e do contexto, isto é,      a exposição aos meios de comunicação e as informações que recebem sobre os      temas das campanhas e sobre os principais líderes (Chaffee e Choe, 1980; Chaffee e Rimal, 1996; Fournier <i>et al.,</i> 2004).      Em particular, a avaliação da situação económica e o desempenho do governo      são informações de “baixo custo” que estão facilmente disponíveis para todos      os eleitores e que são particularmente úteis para orientar as preferências      eleitorais mesmo dos menos atentos e dos menos informados.  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar destas considerações, o conhecimento sobre o perfil      do eleitorado indeciso e sobre os mecanismos que influenciam o tempo de decisão      e as implicações deste fenómeno no funcionamento das democracias é escasso      e muitas vezes contraditório. Para além do facto de não terem uma identificação      partidária, os eleitores indecisos parecem caracterizar-se por uma lógica      aleatória que inclui quer uma componente mais racional (ou utilitarista),      quer uma dimensão mais afectiva (McAllister, 2002).      Porém, outra questão controversa na literatura é o grau de envolvimento destes      eleitores. Por um lado, sendo eleitores mais “desalinhados” e independentes,      há incentivos para uma participação activa nas campanhas para procurar informações;      por outro, esta indecisão pode ser apenas o reflexo de uma maior apatia e      distanciamento da esfera política. </p>        <p>As democracias recentes da Europa do Sul constituem os      casos mais apropriados para investigar as características da indecisão eleitoral.      Em primeiro lugar, porque os partidos emergiram sem uma forte ligação à sociedade      civil, sem uma consistente “encapsulação” organizativa      e apresentando conotações ideológicas diluídas (Diamandouros e Gunther, 2001; Van Biezen, 2003). Em segundo lugar,      a súbita difusão do meio televisivo, que se realizou durante a instauração      da democracia, favoreceu uma maior independência dos eleitores, incentivando      o aumento da instabilidade eleitoral. As consequências mais evidentes destes      dois processos são os elevados níveis de volatilidade eleitoral registados      durante as primeiras décadas dos regimes democráticos (Gunther, 2004). Deste ponto de vista, se compararmos as democracias      recentes e as democracias mais avançadas, podemos considerar dois cenários      alternativos: por um lado, dado o impacto significativo dos factores de curto      prazo para ambos os grupos de eleitores, a lógica da indecisão eleitoral poderá      não ser diferente da adoptada pelos indivíduos mais resolutos; por outro,      a divergência entre os diferentes tipos de eleitorado poderá ser ainda mais      evidente, pois haverá uma mais profunda diferenciação entre eleitores centrais      — mais informados e mais partidários — e eleitores periféricos ou desalinhados.      </p>         <p>Este artigo procura analisar o fenómeno da indecisão eleitoral na Espanha,    na Grécia e em Portugal. Os dados utilizados consideram as últimas duas eleições    para as quais estão disponíveis inquéritos eleitorais<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    Esta estratégia permite distinguir as tendências comuns, por um lado, e as características    específicas de cada campanha eleitoral, por outro. Através da comparação é possível    também examinar o peso relativo das predisposições políticas em relação aos    factores de curto prazo nos diversos tipos de eleitorado. Como se caracteriza    a lógica de voto dos indecisos em relação aos eleitores resolutos? Há uma convergência    em termos das características sociais e políticas deste segmento do eleitorado?    Quais os factores mais importantes que influenciam o fenómeno da indecisão eleitoral    e quais as consequências em termos das opções eleitorais? Estas são as perguntas    principais às quais este estudo procura responder. As hipóteses centrais da    argumentação são basicamente duas. Em primeiro lugar, a lógica de voto dos indecisos    é substancialmente distinta da dos eleitores mais resolutos. Isto significa    que os factores que, normalmente, contribuem de forma significativa para explicar    o voto dos indivíduos mais estáveis não são suficientes para interpretar o comportamento    dos indecisos. Este grupo de eleitores é, por isso, mais sensível ao contexto    político e às especificidades das campanhas eleitorais, apresentando características    distintas no que diz respeito aos mecanismos cognitivos (sofisticação política)    e afectivos (apatia e envolvimento político) das escolhas eleitorais (Barisione,    2001). Por conseguinte, a segunda hipótese que se pretende explorar neste artigo    é que nas democracias recentes o fenómeno da indecisão eleitoral está estritamente    dependente dos factores de “curto” prazo, nomeadamente a exposição aos meios    de comunicação e o desempenho dos governantes. A maior “imprevisibilidade” deste    grupo do eleitorado estimula uma maior volatilidade e oscilação das preferências    eleitorais com base não apenas na “oferta” partidária, mas também na capacidade    de os actores políticos e outros intermediários influenciarem as opções dos    indivíduos. Compreender a indecisão eleitoral contribui para interpretar também    as características das campanhas eleitorais e das escolhas dos eleitores e para    esclarecer a lógica deste tipo de eleitorado nas democracias consolidadas. </p>         <p>Na secção seguinte considera-se o carácter “atípico” dos indecisos, evidenciando    a diferente capacidade dos factores estruturais em explicar o comportamento    eleitoral deste grupo de eleitores. Na terceira secção procura-se traçar o perfil    dos eleitores indecisos do ponto de vista das características sociodemográficas    e das atitudes políticas. Na quarta secção exploram-se os factores que mais    influenciam o fenómeno da indecisão, examinando de seguida o papel dos indecisos    nas campanhas eleitorais, nomeadamente no que diz respeito às opções de voto.    Finalmente, na última secção resumem-se os resultados principais deste estudo    e o seu contributo para a análise do comportamento eleitoral e para o funcionamento    das democracias contemporâneas. </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>O      eleitorado indeciso: uma lógica de voto <i>sui      generis?</i></b> </p>         <p>Como se relaciona o fenómeno da indecisão eleitoral com os paradigmas tradicionais    utilizados para explicar o comportamento eleitoral? Para verificar se a lógica    de voto do eleitorado indeciso é diferente da dos eleitores mais estáveis testou-se    o mesmo modelo explicativo para os dois grupos distintos<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.    Este modelo de base inclui fundamentalmente dois blocos. O primeiro considera    apenas as variáveis de controlo, ou seja, o género, a idade, a educação e a    frequência religiosa. Para além das componentes sociodemográficas, incluiu-se    também a dimensão esquerda-direita e o interesse pela política. O segundo bloco    de factores, por outro lado, contém algumas das variáveis normalmente consideradas    mais próximas do acto eleitoral (Campbell <i>et al.,</i> 1960), nomeadamente    a avaliação da economia, o desempenho do governo e a simpatia dos líderes<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>.    A variável dependente baseia-se no voto nos principais partidos, utilizando    por isso o método de regressão multinomial, que apresenta a vantagem de não    subestimar o impacto dos factores sociodemográficos<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.  </p>         <p>O primeiro dado importante é que a variância total explicada é consideravelmente    menor para os indivíduos que tomam as suas decisões durante a campanha do que    para os eleitores mais resolutos (gráfico n.º 1). Em geral, considerando apenas    as características sociodemográficas e as variáveis políticas “fundamentais”,    podemos notar que este modelo se aplica melhor ao eleitorado estável, enquanto    para os indecisos a variância explicada é relativamente baixa. A única excepção    (parcial) é o caso das eleições em Portugal em 2002, nas quais a capacidade    explicativa do modelo para o eleitorado indeciso é apenas ligeiramente inferior    à variância explicada para os eleitores resolutos (70% e 73,8%, respectivamente).    Este facto pode ser interpretado pela antecipação do acto eleitoral, que aumentou    o nível de incerteza para os eleitores, assim como pela escassa popularidade    dos protagonistas da campanha (Lobo, 2004), diminuindo as diferenças entre os    dois grupos de eleitores. </p>     <p>&nbsp; </p>         <p><b>Variância total explicada para os eleitores indecisos e resolutos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>[gráfico n.º 1] </b></p>     <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02g1.jpg" width="634" height="524"></p>        
<p>&nbsp;</p>     <p>Outro ponto a sublinhar é o diferente peso das dimensões consideradas na variância    explicada. Segundo os estudos sobre o comportamento eleitoral, é previsível    que as variáveis sociodemográficas tenham uma influência marginal em relação    às atitudes políticas (Niemi e Weisberg, 2001; Lewis-Beck <i>et al.,</i> 2008).    Em geral, as regressões efectuadas confirmam que a importância das dimensões    atitudinais é muito superior às variáveis de controlo. No entanto, as duas dimensões    que se referem às predisposições políticas (ideologia e interesse pela política)    são, na maioria dos casos considerados, as duas componentes principais, contribuindo    para explicar em grande medida as orientações básicas de voto dos dois tipos    de eleitores. Mas a questão que cumpre evidenciar é que há diferenças significativas    entre os dois grupos do eleitorado, demonstrando mais uma vez que o paradigma    eleitoral dos indecisos é consideravelmente mais complexo do que o do eleitorado    estável. Como é previsível, a lógica de decisão dos votantes resolutos é captada    de forma bastante satisfatória através das tradicionais dimensões consideradas    nos estudos sobre o comportamento eleitoral. Por outro lado, é normal que os    eleitores que decidem durante a campanha sejam mais influenciados por elementos    conjunturais que dependem das características das campanhas e dos factores de    curto prazo. Para ter um exemplo das diferenças entre os dois segmentos do eleitorado    é suficiente observar o caso da Espanha (2004), em que a variância explicada    pelas dimensões “básicas” é de 52,5% no caso dos indivíduos resolutos e cerca    de 28% para os indecisos, ou das eleições gregas de 1996, em que a diferença    no impacto destas variáveis entre os dois grupos é de 30 pontos percentuais.  </p>      <p>O quadro n.º 1 mostra em maior detalhe as componentes do voto para os dois    grupos distintos. Apenas um conjunto muito restrito de factores resulta estatisticamente    significativo na explicação do voto para os eleitores indecisos. Pelo contrário,    as tradicionais determinantes do comportamento eleitoral aplicam-se de forma    satisfatória aos indivíduos mais resolutos, aumentando significativamente a    capacidade explicativa do modelo. Com a excepção da ideologia e do efeito dos    líderes, o eleitorado indeciso apresenta uma lógica substancialmente diferente    da dos eleitores mais estáveis. Porém, é difícil encontrarmos um paradigma comum    que se possa aplicar às várias eleições aqui analisadas. Estas considerações    levantam pelo menos duas questões que merecem ser sublinhadas. Em primeiro lugar,    as determinantes “clássicas” do comportamento eleitoral têm uma utilização limitada    quando aplicadas aos eleitores indecisos. Por outras palavras, é necessário    reconhecer a heterogeneidade do eleitorado e as diferenças que os eleitores    integram e com as quais respondem às forças de longo e curto prazo. Em segundo    lugar, o voto do eleitorado mais instável parece seguir uma lógica aleatória    que varia em cada eleição e que não é constrangido pelas tradicionais âncoras    eleitorais. Para além da possibilidade de que determinadas eleições sejam marcadas    por acontecimentos conjunturais — como, por exemplo, a dissolução antecipada    do parlamento que se verificou nas eleições portuguesas de 2002 e 2005, ou os    ataques em Março de 2004 em Espanha —, cada campanha eleitoral apresenta importantes    diferenças no que diz respeito aos principais líderes políticos, aos temas abordados    pelos partidos e pelos meios de comunicação e também pela diferente estratégia    de competição adoptada pelos actores (Nir e Druckman, 2008). Estes elementos    podem constituir atalhos cognitivos ou afectivos particularmente úteis para    os eleitores que entram na campanha sem uma clara predisposição eleitoral. Neste    sentido, como sublinham Box-Steffensmeier e Kimball (1999), o facto de os elementos    utilizados para explicar o voto do eleitorado resoluto não conseguirem explicar    o voto dos indecisos é um sinal de que as campanhas eleitorais exercem algum    efeito ou que os indivíduos que adiam as suas decisões são claramente distintos    do resto do eleitorado. É esta a questão que será aprofundada na secção seguinte.  </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>A lógica de indecisão nas democracias recentes (regressão multinomial: voto    nos principais partidos da oposição) [<a href="/img/revistas/aso/n194/n194a02q1.jpg" target="_blank">quadro    n.º 1</a>]</b> </p>      
<p>&nbsp;</p>      <p><b>As características sociodemográficas e políticas dos indecisos</b> </p>      <p>Depois de ter comparado a lógica dos eleitores indecisos      e do eleitorado resoluto, esta secção apresenta uma caracterização dos primeiros      através de um conjunto de variáveis sociodemográficas      e políticas que permitem uma primeira aproximação à individuação do paradigma      que melhor explica o fenómeno da indecisão eleitoral. A este propósito, a      literatura divide-se em relação às características dos eleitores indecisos,      contrapondo um modelo de eleitor “periférico” a um eleitor mais “racional”      ou sofisticado. Segundo os primeiros estudos eleitorais, a indecisão manifesta-se      sobretudo no caso dos indivíduos pouco interessados pela política, com um      nível de educação baixo, sem identificação partidária e com escassos conhecimentos      sobre a actualidade (Lazarsfeld, Berelson      e Gaudet, 1944; Campbell <i>et      al.,</i> 1960). No entanto, o processo de modernização levou a um aumento      significativo da capacidade dos indivíduos para recolherem e processarem as      informações. Este fenómeno seria responsável não apenas pelo aumento da indecisão      ao nível agregado, mas também pelo maior nível de sofisticação (educação e      interesse pela política) dos indecisos, que utilizam de forma intensiva os      meios de comunicação e participam activamente na esfera política (Inglehart, 1977; Dalton, 1984). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Examinando este fenómeno nas democracias recentes, a primeira variável a considerar    relaciona-se com o género. Neste aspecto, na literatura não emerge nenhuma justificação    acerca de uma possível relação entre género e indecisão. A hipótese aqui é,    portanto, que não há diferenças significativas entre os dois grupos. No entanto,    em Espanha (2004) e Portugal (2005) regista-se uma correlação significativa    (mas muito fraca) entre as duas variáveis consideradas (quadro n.º 2)<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>.    Em geral, há, de facto, uma tendência comum aos três países considerados no    sentido de a indecisão estar associada em maior medida aos indivíduos do sexo    feminino. Mais significativa é a convergência entre os três países da Europa    do Sul no que diz respeito à idade. Segundo as teorias do desalinhamento, os    jovens deveriam apresentar uma menor estabilidade das suas preferências eleitorais    como consequência da ausência das âncoras de socialização (Dalton, 2002; Van    der Eijk e Franklin, 2009). Os resultados das correlações confirmam esta hipótese.    De facto, a indecisão parece um fenómeno que se relaciona sobretudo com os eleitores    mais novos, sendo que em todos os casos analisados (à excepção da Espanha em    2000) a direcção é relativamente forte, sempre significativa e na direcção esperada.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Características sociodemográficas e políticas      segundo o tempo da decisão eleitoral (coeficiente de correlação <i>tau-b</i>)</b> </p>      <p><b>[quadro n.º 2]</b> </p>       <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02q2.jpg" width="630" height="383"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>No que diz respeito à variável educação, o processo de mobilização cognitiva    que caracteriza as democracias avançadas faz pressupor que os eleitores indecisos    sejam caracterizados por um nível de escolaridade mais elevado em relação aos    eleitores mais estáveis. São os eleitores sem orientação predefinida no começo    da campanha que, através da elevada sofisticação política, deveriam mostrar    uma maior capacidade de recolher e processar a informação durante as campanhas    eleitorais (Fournier, 1997). Em todos os países considerados, o eleitorado indeciso    caracteriza-se por um nível de instrução mais elevado, sendo os indivíduos que    dispõem de maiores recursos educacionais os que mais adiam as suas decisões,    como revela sobretudo o caso português. Finalmente, a última variável sociodemográfica    a considerar é a frequência da prática religiosa. Neste caso, é mais difícil    evidenciar uma tendência comum, pois os três países divergem de forma bastante    significativa, apresentando direcções contrárias no mesmo país de uma eleição    para outra<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>. No entanto, a Grécia    parece ser claramente o país onde é mais forte a associação entre a indecisão    eleitoral e a frequência religiosa, pois em ambas as eleições consideradas a    relação é significativa e aponta no sentido de ser mais provável encontrar indecisos    nas franjas menos religiosas. Ou seja, a religião, assim como as componentes    ideológicas, seriam uma âncora que favorece a estabilização das preferências.  </p>        <p>As diferenças entre os eleitores resolutos e indecisos      em termos de variáveis sociodemográficas devem ser      complementadas com a análise das dimensões mais estritamente políticas. Uma      componente importante é o interesse dos eleitores em relação ao universo da      política e, mais especificamente, à campanha eleitoral. Os dois indicadores      procuram captar o envolvimento dos indivíduos a longo e a curto prazo, respectivamente. Este elemento evidencia      a componente “invisível” da participação, a forma como as pessoas se relacionam      com os fenómenos que dizem respeito aos eventos políticos. Estudos anteriores      realizados em França e em Itália evidenciaram que os indecisos se caracterizam      por um elevado grau de apatia em relação à esfera política (Jaffré e Chiche, 1997; Zucchini, 1997; Barisione, 2001).      </p>        <p>Em geral, os três casos aqui considerados confirmam a associação      entre o desinteresse pela política e a maior indecisão eleitoral. Ambos os      indicadores apresentam coeficientes positivos, alcançando significância estatística      em todas as eleições, com a excepção das legislativas de 2002 em Portugal.      Neste sentido, é importante sublinhar que, de acordo com os resultados da      literatura sobre as democracias europeias, o eleitorado indeciso está mais      distante da política. É importante frisar que, em termos absolutos, Portugal      é o país onde, comparativamente, o nível de interesse pela política é maior,      sendo que em 2005 63,6% dos entrevistados declaravam ser “muito” ou “razoavelmente”      interessados pela política, enquanto em Espanha e Grécia se registaram os      valores mais baixos (37,1% em 2004 e 41,7% em 1996, respectivamente). As diferenças      entre os países são menores em termos do interesse pela campanha, oscilando      entre um mínimo de 48,5% (Grécia 1996) e um máximo de 66,2% (Grécia 2004).      </p>        <p>Esta consideração leva-nos a enfatizar que, para além das      diferenças entre os dois segmentos do eleitorado em termos do interesse pela      política, é importante analisar o efeito “agenda”, ou seja, se o interesse      durante a campanha aumenta e se as tendências se manifestam da mesma forma      nos eleitores indecisos e resolutos. Há neste caso efeitos conjunturais que      podem influenciar a variação no nível de interesse e o impacto das campanhas      sobre os eleitores. A Grécia é o país onde este efeito é mais evidente: de      facto, em 2004, entre o eleitorado resoluto registava-se uma diferença de      mais de 20 pontos percentuais entre os que estavam interessados na campanha      e os indivíduos interessados na política (gráfico n.º 2). Nas eleições gregas      há, todavia, efeitos diferenciados para os dois segmentos do eleitorado: ao      contrário do que seria plausível supor, o efeito “agenda” é mais consistente      nos eleitores que já tomaram a sua opção de voto antes da campanha, sobretudo      nas legislativas de 2004, enquanto o efeito é menor no caso dos eleitores      indecisos. Nas eleições portuguesas de 2002, os dois indicadores da participação      latente apresentam valores similares para os diferentes grupos de eleitores,      enquanto em 2005 o interesse pela campanha é maior, mas sem registar diferenças      significativas. Em 2004 verifica-se uma situação semelhante em Espanha, tendo      os eleitores mais resolutos um interesse ligeiramente maior (cerca de 8 pontos      percentuais). </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><b>Percentagem de eleitores muito ou razoavelmente interessados pela política    e pelas campanhas eleitorais </b></p>         <p><b>[gráfico n.º 2]</b></p>     <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02g2.jpg" width="563" height="417"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em geral, não existe, portanto, uma tendência comum nos países aqui considerados    quanto ao efeito da campanha sobre o interesse do eleitorado. Por um lado, as    diferenças entre o eleitorado resoluto e indeciso em relação ao grau de envolvimento    na esfera política mantêm-se relativamente estáveis também durante a campanha.    Por outro, os diferentes valores apresentados pelos três países são a consequência    não apenas dos diferentes perfis dos eleitorados, mas também da interacção entre    os eleitores, os meios de comunicação e o sistema político, produzindo efeitos    diferenciados nas respectivas campanhas eleitorais. As diferentes tendências    registadas não apenas entre os países, mas também entre os pares de eleições    consideradas, dependem em grande medida do contexto eleitoral (por exemplo,    eleições antecipadas), dos acontecimentos que caracterizam cada campanha, assim    como das estratégias partidárias e das diferentes tradições de mobilização (v.    o caso grego). </p>           <p>Um dos aspectos que a literatura sobre o comportamento      eleitoral tem enfatizado é o impacto dos intermediários nas opções dos eleitores      (Gunther, Montero e Puhle,      2007). No que diz respeito ao eleitorado indeciso, a hipótese clássica avançada      pela escola de Columbia era a de que este se encontrava,      em geral, mais isolado do que o resto do eleitorado, tendo um nível de interacção      social relativamente baixo (Berelson, Lazarsfeld e Mcphee, 1954).      O perfil do eleitorado indeciso como mais distante do universo da política      é confirmado também pela análise da frequência da discussão política. O caso      mais evidente é o grego, em que os eleitores indecisos apresentam uma menor      propensão para se envolverem na esfera política. A correlação vai na mesma      direcção no caso espanhol, mas alcança significância estatística apenas em      2004. Pelo contrário, em Portugal as diferenças entre os dois grupos não são      particularmente relevantes.  </p>        <p>A exposição aos meios de comunicação é uma dimensão crucial      para analisar o comportamento dos eleitores indecisos. A hipótese principal      que emerge na literatura é a de que os eleitores sem uma orientação de voto      específica — quer indecisos, quer flutuantes — estão mais expostos aos meios      de comunicação, sendo portanto mais susceptíveis de serem influenciados durante      a campanha. Esta hipótese baseia-se no facto de os indivíduos que não dispõem      de uma orientação partidária definida recorrerem a atalhos informativos, diminuindo      os custos associados à tomada de decisão e facilitando as escolhas eleitorais      (Popkin, 1991).  </p>        <p>Há, no entanto, uma hipótese alternativa, elaborada por      Converse (1962) e posteriormente explorada por Zaller      (1992), que merece ser considerada. Estes autores afirmam que neste tipo de      eleitores o atalho heurístico utilizado não depende apenas da exposição aos      meios de informação, mas sobretudo das predisposições ideológicas. Neste caso,      a relação entre nível de informação e indecisão eleitoral não será de tipo      linear, mas sim curvilinear. Segundo esta teoria, é mais provável encontrar      indecisos em correspondência com um nível intermédio de exposição aos <i>mass media</i>. Isto porque os eleitores mais distantes      dos recursos de informação dispõem normalmente de predisposições ideológicas      que favorecem uma maior estabilidade, enquanto os indivíduos mais sofisticados      têm os instrumentos necessários para resistir à influência dos <i>media</i>. Por isso, apenas os eleitores com um nível intermédio      de exposição aos meios de comunicação acabam por estar mais sujeitos à indecisão      no momento da escolha eleitoral. </p>         <p>Em geral, nas democracias recentes da Europa do Sul, a direcção da relação    entre indecisão eleitoral e exposição aos meios de comunicação não apresenta    uma tendência convergente. Enquanto em Portugal parece haver uma relação linear    entre indecisão eleitoral e exposição ao meio televisivo, o caso grego confirma    a maior presença dos indecisos na faixa intermédia (gráfico n.º 3). Em particular,    é importante sublinhar que existem diferenças significativas quando consideramos    o nível mais alto de exposição ao meio televisivo, em que os eleitores resolutos    apresentam um maior consumo deste tipo de recurso, sobretudo no caso espanhol.    Neste sentido, na maioria dos casos considerados, a análise da relação entre    e a indecisão eleitoral e a exposição aos <i>media</i> não confirma a hipótese    de Zaller<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>. Para além do facto    de não se registarem diferenças significativas entre os dois grupos de eleitores,    em geral não existe uma relação curvilinear. Em quase todas as eleições, um    uso maior dos meios de comunicação corresponde a uma maior probabilidade de    encontrar eleitores resolutos. Neste sentido, estes resultados confirmam que    nas democracias recentes da Europa do Sul há uma associação entre o eleitorado    indeciso e uma maior distância da política. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><b>Nível de exposição ao meio televisivo e indecisão eleitoral </b></p>        <p><b>[gráfico n.º 3]</b></p>         <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02g3.jpg" width="559" height="429"></p>        
<p>&nbsp;</p>        <p>A par do nível de exposição aos <i>mass media</i>, o grau de conhecimento constitui    uma importante dimensão para analisar as diferentes atitudes dos eleitores.    Deste ponto de vista, vários estudos sublinham como os indivíduos com uma maior    sofisticação política são também os mais resolutos e os mais estáveis em termos    de preferências políticas (Zaller, 1992; Shaw, 2008). Por isso, seria plausível    associar o eleitorado indeciso a um nível mais baixo de informação sobre a política.    A observação do fenómeno nas três democracias em análise parece confirmar esta    relação, apesar de as diferenças entre os dois segmentos não serem particularmente    relevantes, com a excepção da Grécia (2004) e da Espanha (2000)<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.  </p>         <p>Passando para as predisposições de longo prazo, como era previsível, o eleitorado    indeciso apresenta um nível de identificação partidária de longe inferior aos    eleitores resolutos (gráfico n.º 4). Confirmando plenamente os principais resultados    de estudos anteriores, os eleitores que adiam as suas escolhas eleitorais são    maioritariamente indivíduos pouco próximos dos partidos, apresentando um perfil    mais “independente” ou desalinhado. A diferença entre os dois grupos na percentagem    de indivíduos que se identificam com um partido oscila entre 20 e 30 pontos    percentuais e é sempre estatisticamente significativa, sendo a Grécia o país    com a média mais alta. No entanto, a maior diferença regista-se no caso das    eleições espanholas de 2004, ultrapassando os 30 pontos percentuais. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Identificação partidária na Europa do Sul: eleitores resolutos e indecisos    </b></p>        <p><b>[gráfico      n.º 4]</b> </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02g4.jpg" width="509" height="299"></p>        
<p>&nbsp;</p>     <p>Outra característica particularmente relevante que se refere à esfera política    é a orientação ideológica. Na senda dos estudos sobre o eleitorado <i>marais</i>    (Deutsch, Lindon e Weill, 1966), é interessante explorar até que ponto o eleitorado    ideologicamente neutro — ou seja, os eleitores que se colocam nas posições centrais    do eixo esquerda-direita ou que se recusam a colocar-se nesta escala — toma    as suas decisões apenas durante a campanha, sendo também mais susceptível de    mudar de opção partidária e de ser influenciado durante a campanha eleitoral<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.  </p>         <p>Se observarmos o posicionamento do eleitorado indeciso, é interessante notar    dois aspectos. Em primeiro lugar, nas três democracias, o eleitorado indeciso    posiciona-se de forma consistente nos valores intermédios da escala ideológica    (gráfico n.º 5). Estes dados parecem validar a hipótese da maior “porosidade”    do eleitorado central avançada no caso português por Jalali (2007). Também nas    outras democracias da Europa do Sul o eleitorado indeciso apresenta uma maior    concentração nas posições intermédias, sobretudo nas zonas ideológicas de “fronteira”,    entre os dois blocos ideológico-partidários. Em segundo lugar, nos extremos    da escala ideológica, é possível observar diferenças entre a esquerda e a direita.    Em geral, os eleitores de esquerda apresentam uma maior indecisão. Neste sentido,    é plausível que o eleitorado de direita apresente um perfil mais estável devido    à maior identificação partidária e ideológica, enquanto os indivíduos de esquerda    seriam mais críticos, avaliando as posições e o desempenho das forças políticas    sobretudo durante as campanhas. Estas considerações são consistentes com os    estudos sobre o desempenho eleitoral dos principais partidos em Espanha e Portugal,    que têm vindo a evidenciar a maior flexibilidade da base eleitoral dos partidos    de esquerda em relação aos partidos de direita, que normalmente têm eleitores    mais ideológicos e menos sensíveis a factores contextuais (Gómez Fortes, 2007;    Gómez Fortes e Palacios, 2009; Bosco, 2009). Este ponto será analisado melhor    na secção seguinte, depois de considerar os principais factores explicativos    da indecisão eleitoral. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Orientação ideológica dos eleitores indecisos </b></p>      <p><i>(percentagem)</i></p>         <p><b>[gráfico n.º 5]</b></p>            <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02g5.jpg" width="555" height="299"></p>     
<p>&nbsp;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A      análise multivariada: as determinantes da indecisão      eleitoral</b> </p>        <p>Nas democracias recentes da Europa do Sul, o eleitorado      indeciso apresenta um perfil bastante diferenciado, aproximando-se essencialmente      do paradigma do eleitor periférico no que diz respeito às variáveis políticas,      mas ostentando também traços de maior centralidade (educação). Nesta secção      procura-se evidenciar os factores que mais contribuem para distinguir a indecisão      eleitoral através da análise multivariada, com o      objectivo de medir o peso relativo dos factores estruturais, por um lado,      e dos factores de curto prazo, por outro. A variável dependente, neste caso,      é uma variável dicotómica que assume o valor 0 para os eleitores resolutos      e 1 para os indecisos. </p>         <p>Para além das variáveis sociodemográficas de controlo, o modelo elaborado considera    várias dimensões baseadas nas predisposições políticas<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>.    Em primeiro lugar, este bloco de variáveis inclui a dimensão ideológica, recodificando    o posicionamento ideológico dos eleitores como “distância do centro”. Esta operacionalização    permite testar a hipótese do eleitorado <i>marais,</i> no sentido de os indivíduos    colocados no centro do eixo ideológico apresentarem uma maior indecisão<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>.    Outra variável relacionada com as predisposições políticas diz respeito à participação    passiva, ou seja, ao interesse pela política. Esta dimensão é importante para    estabelecer laços com a esfera política, formar orientações ideológicas e determinar    as modalidades da participação (Dalton, 2002). A terceira dimensão considera    o grau de informação política<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>.    Finalmente, a última dimensão introduzida no modelo procura avaliar o impacto    do capital social, medido como a pertença do indivíduo a diferentes associações    ou organizações. Segundo a teoria elaborada por Putnam (1993), uma forte cultura    associativa favorece a integração dos indivíduos e reforça a estabilidade das    orientações políticas e partidárias (McAllister, 2002). </p>        <p>O terceiro bloco de variáveis inclui os factores directamente      relacionados com as campanhas eleitorais. Em primeiro lugar, ocorre considerar      a acção desenvolvida pelos partidos — através das acções de propaganda e de      <i>marketing</i> — que podem exercer uma influência relevante no tempo das      escolhas eleitorais. Apesar da crise estrutural e organizativa que parece      caracterizar a evolução dos partidos contemporâneos, as transformações das      campanhas eleitorais e a capacidade dos actores partidários para alcançarem      alvos específicos do eleitorado evidenciam a importância desta dimensão (Rohrschneider, 2002). A hipótese que se procura testar é a      de que o contacto com os partidos está associado a uma orientação mais estável      e menos incerta em termos de preferências partidárias.  </p>         <p>Porém, a atenção aos meios de comunicação é outro elemento importante que pode    afectar a indecisão eleitoral. Neste sentido, é plausível que os indecisos sejam    caracterizados por um nível mais elevado de exposição aos <i>media </i>(Whitney    e Goldman, 1985). Da mesma forma, os temas e acontecimentos que caracterizam    a especificidade de cada campanha eleitoral são elementos particularmente susceptíveis    de influenciar a indecisão eleitoral. Dentro dos factores de curto prazo, a    literatura sublinha a importância não apenas da simpatia em relação aos líderes<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup>,    mas também da avaliação da economia e do desempenho do governo nas preferências    dos eleitores. No que diz respeito ao primeiro factor, uma simpatia acentuada    em relação a um determinado líder favorece uma maior estabilidade das escolhas    eleitorais, enquanto uma atitude mais neutra é normalmente associada a uma maior    indefinição (Chaffee e Rimal, 1996). Quanto às dimensões retrospectivas, a hipótese    principal afirma que uma percepção negativa da situação económica e do desempenho    do governo aumenta a ambivalência dos eleitores e, em consequência, a indecisão    eleitoral. </p>      <p>Em geral, a análise multivariada evidencia um peso relativamente fraco das    determinantes de curto prazo. Nos casos espanhol e grego, o bloco de variáveis    mais importante é constituído pelas predisposições políticas, enquanto os factores    directamente relacionados com os efeitos das campanhas não aumentam de forma    substancial a variância explicada pelo modelo (quadro n.º 3). A única excepção    a este respeito é constituída pelas eleições legislativas de 2002 em Portugal,    em que os factores de curto prazo desempenham um papel predominante, principalmente    através da avaliação do desempenho do governo. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Determinantes da indecisão eleitoral (regressão logística) [<a href="/img/revistas/aso/n194/n194a02q3.jpg" target="_blank">quadro    n.º 3</a>]</b></p>       
<p>&nbsp;</p>      <p>As componentes sociodemográficas      parecem ter um peso maior nos casos grego e espanhol, apesar de serem factores      significativos também nas eleições portuguesas de 2005. Dentro deste bloco      de variáveis, a componente mais importante é a idade, que apresenta coeficientes      estatisticamente significativos em todos os países considerados. O sinal negativo      da relação confirma que a indecisão eleitoral é um fenómeno associado, essencialmente,      às faixas mais novas do eleitorado, enquanto os grupos etários mais velhos      parecem ter orientações de voto mais estáveis. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito às variáveis políticas, o factor mais importante é a dimensão    ideológica. Em geral, em todos os casos considerados, os eleitores indecisos    parecem caracterizar-se por uma maior fluidez e ambiguidade na orientação esquerda-direita,    que se reflecte na moderação ideológica deste segmento do eleitorado. A falta    de clareza ideológica resulta particularmente importante nos eleitorados espanhol    e grego, sendo, nestes casos, a variável que apresenta, no modelo completo,    a estatística de Wald mais elevada. Em Portugal, onde a presença do eleitorado    <i>marais</i> tem sido considerada uma característica da formação do sistema    partidário, tendo saído reforçada depois do realinhamento dos anos 80 (Jalali,    2007), esta variável apresenta, contudo, um peso relativamente mais fraco quando    comparada com as outras democracias recentes da mesma área geográfica. Neste    sentido, a maior fluidez e instabilidade do eleitorado moderado poderá não ser    apenas uma consequência das modalidades de transição, mas também das características    e das estratégias adoptadas pelas principais forças de governo<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>.    Em relação às predisposições políticas é importante também destacar o papel    fundamental do interesse pela política, sobretudo nos eleitores espanhóis e    gregos. Em ambos os casos, o efeito desta variável é consistente no sentido    de associar um maior interesse pela política a uma maior decisão nas preferências    eleitorais. Finalmente, dentro dos factores estruturais, o nível de informação    política e o capital social apresentam um impacto muito reduzido, sendo significativos    apenas em duas eleições (Grécia em 1996 e Espanha em 2000, respectivamente).  </p>        <p>Mais do que os factores de curto prazo, os elementos que      parecem influenciar mais os indecisos dizem respeito às atitudes políticas.      Em geral, o impacto das variáveis associadas às campanhas é relativamente      fraco, com a excepção das eleições portuguesas em 2002. Em particular, o contacto      dos partidos parece relevante em duas eleições (Grécia 2004 e Espanha 2004),      enquanto os restantes factores incluídos no terceiro bloco apresentam apenas      efeitos conjunturais ou insignificantes. A mobilização dos partidos é relevante,      como foi sugerido por outros estudos, sendo a ausência de contactos partidários      um factor que favorece uma maior indecisão. Dentro dos factores de curto prazo,      é necessário destacar o facto de a simpatia em relação aos líderes não constituir      um factor relevante para explicar a indecisão eleitoral, enquanto a avaliação      da situação económica e do desempenho do governo apresenta efeitos estatisticamente      significativos apenas em duas eleições (Espanha 2000 e Portugal 2002, respectivamente).      Na maioria dos casos aqui considerados, os factores de curto prazo não parecem      entrar de forma relevante no cálculo dos eleitores indecisos.  </p>        <p>É importante ressaltar que estes resultados não confirmam      a interpretação da indecisão eleitoral avançada pelo paradigma da mobilização      cognitiva (Dalton, 1984). De facto, todos os principais indicadores de sofisticação      política apresentam um impacto reduzido (ou de sentido contrário) sobre a      indecisão. Não apenas o “interesse” sugere um afastamento dos cidadãos da      esfera política, mas também, ao observarmos a variável educação e o nível      de conhecimento político, não parece que os eleitores indecisos sejam mais      racionais e independentes, no sentido de ponderarem mais sobre as suas escolhas,      utilizando os seus recursos de forma autónoma. Este resultado é confirmado      também se observarmos o impacto dos meios de comunicação, pois uma maior indecisão      está geralmente associada a uma menor exposição (mas sem alcançar significância      estatística). Isto não significa que não possa haver outros elementos de carácter      “racional” ou cognitivo que sejam relevantes para distinguir os eleitores      no que diz respeito ao tempo em que tomam as suas decisões. Em particular,      estudos recentes parecem sugerir que a avaliação estratégica dos eleitores      em relação aos resultados eleitorais e à sucessiva formação dos governos poderá      ser um factor importante, sobretudo considerando o grau elevado de exposição      às sondagens (Irwin e Van Holsteyn, 2008; Magalhães, 2008).      </p>        <p>Em geral, são três os factores que mais contribuem para      distinguir o eleitorado indeciso dos eleitores mais resolutos: a idade, o      “centrismo” ideológico e o interesse pela política. A estes factores deve      ser acrescentada a falta de identificação partidária, que, em todos os casos      analisados, caracteriza este segmento do eleitorado desalinhado. Este “modelo”      da indecisão eleitoral sublinha que estes eleitores são particularmente sensíveis      às dinâmicas de activação e de reforço e não apenas de conversão (Campbell      <i>et al.,</i> 1960; Forrest e Marks, 1999). Sendo fundamentalmente      um eleitor caracterizado pela apatia e pela ambivalência ideológica, o eleitor      indeciso parece uma categoria intermédia entre os eleitores fiéis e os abstencionistas.      Deste ponto de vista, os indecisos aproximam-se dos eleitores “de opinião”,      que ponderam, num primeiro momento, a oportunidade de votar ou abster-se e      depois oscilam entre as várias opções durante a campanha. Apesar de se caracterizar      pela distância em relação à esfera política, o eleitor indeciso não é uma      <i>tabula rasa</i> que os actores políticos podem manipular durante a campanha.      Para este grupo de eleitores, o esforço de mobilização será tão importante      quanto as tentativas de conquista e de persuasão. É neste sentido que deve      ser considerado o impacto do contacto dos partidos em termos de diminuir a      indecisão, reforçando as predisposições políticas dos eleitores. Em geral,      os indecisos apresentam características de eleitores intermédios, que, apesar      de serem condicionados por determinadas atitudes políticas, podem, em determinados      contextos, ser influenciados por factores de curto prazo, com níveis variáveis      na intensidade dos efeitos das campanhas. </p>        <p>Qual é a relação entre a indecisão eleitoral e o sentido      de voto? A orientação de voto do eleitorado mais instável depende, obviamente,      não apenas do contexto da campanha e dos factores conjunturais, mas também      da estratégia eleitoral dos partidos e das características da competição.      Por isso, a análise do sentido de voto dos indecisos é importante quer para      compreender melhor os resultados finais, quer para investigar as dinâmicas      de mobilização e desmobilização das forças políticas. </p>         <p>O gráfico n.º 6 evidencia algumas tendências interessantes da indecisão eleitoral    nas três democracias recentes aqui analisadas. Em primeiro lugar, há diferenças    substanciais entre as eleições consideradas em termos do “peso” do eleitorado    indeciso relativamente às bases de cada partido. Por exemplo, no caso grego    e nas eleições portuguesas de 2005, a proporção de eleitores indecisos foi substancialmente    mais elevada do que nos restantes casos. Este facto pode ser interpretado como    o reflexo, por um lado, do contexto específico das campanhas eleitorais e, por    outro, das características “eleitoralistas” dos partidos políticos e das dinâmicas    dos sistemas partidários<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>.    Em segundo lugar, se observarmos as diferenças entre os partidos, a indecisão    parece ser um fenómeno que caracteriza, em geral, mais os partidos de esquerda    do que os partidos de direita. De facto, os partidos de governo da direita apresentam    uma maior proporção de eleitores fiéis, que decidem o seu sentido de voto muito    antes da campanha eleitoral. Por exemplo, nas eleições de 1996 a percentagem    de votantes “resolutos” no PASOK era apenas de 66,5% contra 75,1% da ND. Nas    eleições de 2005, o PSD ultrapassava em 4 pontos percentuais o partido socialista    na quota de eleitores mais estáveis (72,8% contra 68,8%). O caso mais evidente,    no entanto, é o das eleições espanholas de 2004, em que mais de 90% do eleitorado    do PP declarou ter decido antes da campanha, comparado com os 80% dos eleitores    socialistas. Estas considerações parecem confirmar que o eleitorado dos partidos    do centro-direita na Europa do Sul vota mais de acordo com as suas predisposições    ideológicas, tendo uma maior probabilidade de decidir a sua opção muito antes    do começo das campanhas. Por outro lado, o eleitorado com uma forte identificação    partidária, por isso mais susceptível de não ponderar as suas escolhas no período    imediatamente anterior às eleições, é relativamente menos difuso nos principais    partidos de governo de esquerda. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Indecisão eleitoral e orientação do voto na Europa do Sul </b></p>         <p><b>[gráfico n.º 6] &nbsp;</b></p>      <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02g6.jpg" width="562" height="415"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Para aprofundar as diferenças entre os principais partidos de governo repetiu-se    a análise multivariada para o eleitorado de esquerda e o de direita, separadamente.    Para além do peso do factor etário, que atinge indiferentemente os dois segmentos    de eleitores, há interessantes diferenças que merecem ser sublinhadas (quadro    n.º 4). O primeiro ponto é que, em geral, nos partidos de centro-direita o bloco    das predisposições políticas aumenta de forma significativa a variância explicada,    enquanto nos partidos de esquerda são os factores de curto prazo as componentes    mais importantes da indecisão eleitoral. Em particular, a ideologia e o interesse    pela política têm um impacto fundamental nos eleitores indecisos de centro-direita,    sobretudo em Espanha e na Grécia.</p>      <p>&nbsp;</p>            <p><b>Determinantes da indecisão eleitoral para os principais partidos de governo    (regressão logística) [<a href="/img/revistas/aso/n194/n194a02q4.jpg" target="_blank">quadro n.º 4</a>]</b></p>      
<p>&nbsp;</p>         <p>Outro dado relevante é que, confirmando a análise anterior, a exposição aos    <i>media</i> e os contactos dos partidos são factores que praticamente não têm    efeitos relevantes nos tempos da decisão eleitoral. Apesar de poderem sofrer    um efeito indirecto, nomeadamente em termos de <i>agenda setting </i>e de <i>priming,</i>    os indecisos dos dois blocos não se distinguem pelo grau de exposição mediática.    Os efeitos de persuasão ou de mobilização, quando se verificam, dependem mais    do tipo e das características da mensagem do que da frequência de utilização    dos diversos meios de comunicação. Ao contrário do eleitorado do outro quadrante    ideológico, que parece ser mais “ancorado” por factores estruturais, os partidos    de esquerda apresentam bases eleitorais mais flexíveis. Deste ponto de vista,    quanto mais negativa é a percepção da situação económica e do desempenho do    governo, maior é a indecisão dos eleitores. Finalmente, os líderes ocupam uma    posição de destaque dentro dos factores de curto prazo, apresentando coeficientes    estatisticamente significativos na maioria dos casos considerados. </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>Considerações      finais</b> </p>        <p>Os estudos recentes sobre o comportamento eleitoral e sobre      as campanhas eleitorais apontam para um aumento constante do fenómeno da indecisão      eleitoral, ressaltando a maior importância do momento em que se toma a decisão      de voto. Esta tendência não afecta apenas as democracias consolidadas, mas      também os regimes mais recentes, caracterizados por uma elevada volatilidade      e pela alternância no governo dos principais partidos moderados. </p>        <p>A primeira preocupação deste estudo foi evidenciar a forma      como os paradigmas tradicionais elaborados para explicar o comportamento dos      eleitores não se aplicam da mesma forma ao eleitorado indeciso. Os indivíduos      que tomam as suas decisões durante a campanha apresentam uma lógica diferente,      caracterizada essencialmente por uma maior aleatoriedade e imprevisibilidade.      A falta de uma ancoragem partidária e uma certa indefinição ideológica são      os principais traços em comum, mas, para além destas características, não      há um paradigma que possa descrever de forma unívoca o perfil deste tipo de      eleitores para os diversos países e eleições.  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Evidenciada a lógica de voto distinta entre o eleitorado      mais estável e os indecisos, o segundo passo foi caracterizar os indivíduos      que adiam as suas opções de voto. Do ponto de vista teórico, os eleitores      indecisos têm sido associados tradicionalmente à imagem de eleitores “periféricos”,      no sentido de terem menores recursos cognitivos (em termos de educação e conhecimento),      um maior distanciamento da esfera política (fraco interesse pela política      e escasso capital social) e, normalmente, uma maior sensibilidade ao impacto      dos intermediários (meios de comunicação e partidos). No entanto, os processos      de modernização e de mobilização cognitiva parecem incentivar a emergência      de um eleitorado indeciso com características opostas, isto é, com uma maior      capacidade crítica para avaliar o desempenho e as diferentes ofertas partidárias.      </p>        <p>Em geral, nos três países aqui considerados, a indecisão      eleitoral é um fenómeno que afecta sobretudo os indivíduos mais apáticos,      mais distantes da esfera política e menos participativos. Em particular, os      principais factores que se destacam na explicação da indecisão eleitoral baseiam-se      na idade, na ideologia, na falta de identificação partidária e de interesse      pela política. No entanto, contrariamente à hipótese de partida, nas democracias      recentes os factores de curto prazo não têm um peso esmagador em relação às      predisposições políticas. É importante sobretudo sublinhar que, embora fosse      expectável um forte impacto dos meios de comunicação, não se verificam efeitos      directos significativos. Da mesma forma, outros factores conjunturais, como,      por exemplo, a economia e o desempenho do governo, parecem ter apenas um papel      secundário. À luz destes resultados, impõe-se investigar mais em profundidade      o efeito dos temas da campanha sobre os indecisos, assim como algumas características      específicas da competição eleitoral — em particular, os debates, as sondagens      ou as especificidades dos candidatos.  </p>        <p>A análise empírica comparada deste estudo ajuda também      a compreender o debate teórico acerca deste fenómeno. A contraposição entre      o modelo do eleitor “periférico” e o eleitor mobilizado cognitivamente, ou      “central”, reflecte apenas dois aspectos do mesmo fenómeno. Dentro do segmento      dos eleitores indecisos é possível encontrar quer o indivíduo marginal em      termos de recursos sociais e de atitudes políticas, quer eleitores caracterizados      por elevados recursos educacionais, uma alta sofisticação política e um maior      envolvimento. Deste ponto de vista, confirmada a heterogeneidade do eleitorado,      ocorre não apenas elaborar modelos diferenciados para a explicação do voto      e do tipo de heurística utilizada (Sniderman, Brody e Tetlock, 1991), mas também especificar as condições dos sistemas      partidários e as estratégias dos partidos que favorecem um certo tipo de indecisão      eleitoral. </p>        <p>Contudo, estas considerações não significam que o eleitorado      indeciso seja tão pouco permeável às mensagens veiculadas durante a campanha      como os eleitores estáveis. A análise da relação entre indecisão e orientação      de voto evidenciou como há oscilações significativas entre uma eleição e outra      que, independentemente do impacto sobre os resultados eleitorais, têm uma      importância fundamental nas dinâmicas de mobilização e de persuasão de uma      porção determinante do eleitorado. Em particular, o eleitorado de centro-esquerda      parece ser particularmente sensível aos factores de curto prazo, tendo, em      geral, uma maior propensão para a indecisão eleitoral. </p>         <p>O fenómeno da indecisão eleitoral tem, porém, implicações relevantes em termos    do funcionamento dos regimes democráticos. Dadas as características dos eleitores    indecisos, uma maior instabilidade das preferências dos eleitores está relacionada    com uma menor participação, uma menor satisfação com a democracia e uma maior    volatilidade. Segundo os dados analisados, estas três dimensões estão significativamente    relacionadas com a indecisão eleitoral, facto que é confirmado também noutros    estudos baseados em três democracias avançadas (McAllister, 2002, pp. 33-37).    Nos países da Europa do Sul, em particular, os eleitores resolutos apresentam    um terço de probabilidade em relação aos indecisos de oscilarem nas suas preferências    de voto. Obviamente, a indecisão eleitoral é apenas um dos factores que influenciam    a flutuação dos eleitores, e para uma análise do processo causal subjacente    seria necessário incluir outros factores. No entanto, estas considerações indicam    que o tempo de decisão eleitoral é um elemento importante para examinar as dinâmicas    de mobilização ou de persuasão e o impacto dos indecisos sobre os resultados    eleitorais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia</b> </p>      <p>Barisione, M. (2001), “Elettori      indecisi, elettori fluttuanti: che volto hanno i ‘bilancieri’ del voto? I casi italiano e francese”. <i>Rivista italiana      di scienza politica,</i>      xxxi (1), pp. 73-108.       </p>        <p>Bartle, J.,      e Bellucci, P. (orgs.) (2008),      <i>Political Parties and Partisanship. Social Identity and Individual      Attitudes,</i> Londres, Routledge.      </p>        <p>Bartolini,      S. (1999), “Collusion, competition and democracy”.      <i>Journal of Theoretical Politics,</i> 11 (4), pp. 435-470. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Berelson,      B. R., Lazarsfeld, P. B., e McPhee,      W. N. (1954), <i>Voting: a Study of Opinion Formation in a Presidential Campaign,</i>      Chicago, University of Chicago.  </p>        <p>Berglund, F.,      <i>et al.</i> (2005), “Party identification and party choice”. <i>In</i> J.      Thomassen (org.),<i> The European      Voter,</i> Londres, Oxford University Press, pp.      106-124. </p>        <p>Bosco, A. (2009), “Buenas      noches y buena suerte: la segunda victoria de Zapatero”. <i>In</i> A. Bosco e I. Sánchez-Cuenca (orgs.),<i> La España de Zapatero:      Años de Cambios 2004-2008</i>,      Madrid, Editorial Pablo Iglesias,      pp. 49-74. </p>        <p>Bowler,      S., e Farrell, D. M. (orgs.) (1992), <i>Electoral      Strategies and Political Marketing</i>, Nova Iorque,      St. Martin’s Press. </p>        <p>Box-Steffensmeier, J. M., e Kimball,      D. (1999), “The timing of voting decisions in presidential campaigns”.      Cominucação apresentada no congresso da Midwest Political<i>      </i>Science Association, Chicago. </p>        <p>Budge, I., Crewe,      I., e Farlie, D. J. (orgs.) (1976),      <i>Party Identification and Beyond</i>, Londres      e Nova Iorque, Wiley.  </p>        <!-- ref --><p>Campbell, A.,      <i>et al.</i> (1960), <i>The American Voter</i>,      Chicago, The University of Chicago Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0003-2573201000010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Chaffee,      S. H., e Choe, S. Y. (1980), “Time of decision and      media use during the Ford-Carter campaign”. <i>Public Opinion      Quarterly,</i> 44 (1), pp. 53-69. </p>        <p>Chaffee,      S. H., e Rimal, R. N. (1996), “Time of vote decision      and openess to persuasion”.      <i>In</i> D. C. Mutz, P. M. Sniderman      e R. A. Brody (orgs.), <i>Political Persuasion and Attitude Change,</i> Ann      Arbour, The University of Michigan Press, pp. 267-291.  </p>        <p>Converse,      P. E. (1962), “Information flow and the stability of partisan attitudes”.      <i>The Public Opinion Quarterly,</i> 26 (4), pp. 578-599.  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Converse,      P. E. (1964), “The nature of belief systems in mass publics”.      <i>In</i> D. E. Apter (org.), <i>Ideology and Discontent,</i>      Nova Iorque, Free Press of Glencoe, pp. 206-261.       </p>        <p>Dalton, R. J.      (1984), “Cognitive mobilization and partisan dealignment      in advanced industrial democracies”. <i>Journal of Politics,</i> 46 (1), pp.      264-284. </p>        <p>Dalton, R. J.      (2002), <i>Citizen Politics. Public Opinion and Political Parties in Advanced      Western Democracies,</i> Chatham (NJ), Chatham House Publishers.  </p>        <p>Dalton,      R. J., McAllister, I., e Wattenberg, M. (2000), “The consequences of partisan      dealignment”. <i>In</i> R.      J. Dalton e M. Wattenberg (orgs.), <i>Parties without Partisans. Political      Change in Advanced Industrial Democracies,</i> Oxford, Oxford University Press,      pp. 37-63. </p>        <p>Deutsch,      E., Lindon, D., e Weill, P. (1966), <i>Les familles politiques en France aujourd’hui,</i> Paris, Minuit. </p>        <p>Diamandouros, N. P., e Gunther,      R. (orgs.) (2001), <i>Parties, Politics,      and Democracy in the New Southern Europe,</i> Baltimore, The Johns Hopkins      University.  </p>        <p>Farrell, D.      M. (1996), “Campaign strategies and tactics”. <i>In</i> L. LeDuc,      R. G. Niemi e P. Norris (orgs.), <i>Comparing Democracies,</i>      Londres, Sage, pp. 160-183.  </p>        <p>Forrest,      J., e Marks, G. N. (1999), “The mass media, election campaigning and voter      response”. <i>Party Politics,</i> 5 (1), pp. 99-114.       </p>        <p>Fournier, P.      (1997), “The impact of political campaigns on the effects of political sophistication”.      Comunicação apresentada      na conferência      “Capturing campaign effects”, Green College, University of British Columbia.       </p>        <p>Fournier,      P., <i>et al.</i> (2004), “Time-of-voting decision and susceptibility to campaign      effects”. <i>Electoral Studies,</i> 23, pp. 661-681.  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gómez Fortes, B. (2007), “Os eleitores de      esquerda perante o PS: duros e pragmáticos”. <i>In      </i>A. Freire, M. C. Lobo e P. Magalhães (orgs.),      <i>Eleições e Cultura Política,</i> Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais,      pp. 59-90.  </p>        <p>Gómez Fortes, B., e Palacios,      I. (2009), “Os cidadãos que nunca abandonam o governo: o caso das eleições      legislativas portuguesas de 2005”. <i>In</i> M.      C. Lobo e P. Magalhães (orgs.), <i>As Eleições Legislativas      e Presidenciais, 2005-2006,</i> Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, pp.      129-153.  </p>        <p>Gopoian,      J. D., e Hadjiharalambous, S. (1994), “Late-deciding      voters in presidential elections”. <i>Political Behavior,</i> 16 (1), pp. 55-78.  </p>        <p>Gunther, R. (2004), “As eleições portuguesas      em perspectiva comparada: partidos e comportamento eleitoral na Europa do      Sul”. <i>In</i> A. Freire, M. C. Lobo e P. Magalhães      (orgs.),<i> Portugal a Votos. As Eleições Legislativas de 2002,</i>      Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, pp. 35-85. </p>        <p>Gunther,      R., e Montero, J. R. (2001), “The anchors of partisanship”.      <i>In</i> N. P. Diamandouros e R. Gunther      (orgs.), <i>Parties, Politics, and Democracy in the New Southern Europe,</i>      Baltimore, The Johns Hopkins University Press, pp. 83-152. </p>        <p>Gunther, R., Montero,      J. R., e Puhle, H.-J. (orgs.) (2007), <i>Democracy, Intermediation      and Voting on Four Countinents, </i>Oxford, Oxford      University Press.  </p>        <p>Hillygus,      D. S., e Shields, T. G. (2008), <i>The Persuadable Voter,</i> Princeton, Princeton      University Press.  </p>        <p>Inglehart,      R. (1977), <i>The Silent Revolution. Changing Values and Political Styles among Western Publics, Princeton, Princeton University Press.</i>      </p>        <p>Irwin, G. A.,      e Van Holsteyn, J. M. (2008), “What are they waiting      for? Strategic information for late deciding voters”.      <i>International Journal of Public Opinion Research,</i> 20 (4), pp. 483-493.      </p>        <p>Jaffré, J., e Chiche,      J. (1997), “Mobilité, volatilité,      perplexité”. <i>In </i>D.      Boy e N. Mayer (orgs.), <i>L’électeur a ses raisons,</i> Paris, Presses de      Sciences Po, pp. 285-325. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Jalali, C. (2007), “Velhas clivagens em novas      democracias: a consolidação do comportamento eleitoral português desde 1974”.      <i>In</i> A. Freire, M. C. Lobo e P. Magalhães (orgs.),      <i>Eleições e Cultura Política,</i> Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais,      pp. 199-226. </p>        <p>Lazarsfeld,      P. B., Berelson, B., e Gaudet,      H. (1944), <i>The People’s Choice, </i>Nova Iorque,      Columbia University Press. </p>        <p>Lewis-Beck,      M. S., Jacoby, W., Norpoth, H., e Weisberg, H. F.      (2008), <i>The American Voter Revisited,</i> Ann Arbor,      University of Michigan Press.  </p>        <p>Lipset,      S. M., e Rokkan, S. (orgs.) (1967),      <i>Party Systems and Voter Alignments, </i>Nova Iorque,      Free Press. </p>        <p>Lobo, M. C. (2004), “O impacto dos líderes partidários”.      <i>In</i> A. Freire, M. C. Lobo e P. Magalhães (orgs.),<i>      Portugal a Votos. As Eleições Legislativas de 2002,</i> Lisboa, Imprensa de      Ciências Sociais, pp. 193-217.  </p>        <p>Magalhães, P. (2008), “Exposição às sondagens, mobilização      cognitiva e comportamento eleitoral: as eleições legislativas de 2002 em Portugal”.      <i>In</i> M. V. Cabral, K. Wall, S. Aboim e F. C. da Silva (orgs.),      <i>Itinerários: a Investigação nos 25 anos      do ICS,</i> Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, pp. 225-237.  </p>        <p>Mair,      P. (2002), “In the aggregate: mass electoral behaviour in Western Europe,      1950-2000”. <i>In</i> H. Keman (org.), <i>Comparative      Democratic Politics, </i>Londres, Sage, pp. 122-140.       </p>        <p>McAllister,      I. (2002), “Calculating or capricious?”. <i>In</i>      D. M. Farrell e R. Schmitt-Beck (orgs.)<i> Do Political Campaigns Matter?,</i> Londres, Routledge, pp. 22-40. </p>        <p>Montero,      J. R., Lago, I., e Torcal,      M. (orgs.) (2007), <i>Elecciones      Generales 2004,</i> Madrid, CIS. </p>        <p>Niemi, R. G., e Weisberg,      H. F. (orgs.) (2001), <i>Controversies      in Voting Behavior,</i> Washington, CQPress.  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nir,      L., e Druckman, J. N. (2008), “Campaign mixed-message      flows and timing of vote decision”. <i>International Journal of Public Opinion      Research,</i> 20 (3), pp. 326-346. </p>        <p>Norris, P. (2000),      <i>A Virtous Circle: Political Communications in      Post Industrial Society,</i> Cambridge, Cambridge University Press.      </p>        <p>Popkin,      S. L. (1991), <i>The Reasoning Voter,</i>      Chicago, Chicago University Press. </p>        <p>Plumb, E. (1986),      “Validation of voter recall: time of electoral decision making”. <i>Political      Behavior,</i> 8 (4), pp. 302-312. </p>        <p>Putnam, R. D.      (1993), <i>Making Democracy Work: Civic Traditions in Modern Italy,</i> Princeton,      Princeton University Press. </p>        <p>Rohrschneider,      R. (2002), “Mobilizing versus chasing: how do parties target voters in election      campaigns?”. <i>Electoral Studies, </i>21, pp. 67-382.      </p>        <p>Rose, R., e      McAllister, I. (1986), <i>Voters Begin to Choose: From Closed-Class to Open      Elections in Britain,</i> Londres, Sage.       </p>        <p>Shaw,      D. R. (2008). “Swing voting and U. S. presidential elections”.      <i>In</i> W. G. Mayer (org.), <i>The Swing      Voter in American Politics,</i> Washington, D. C., Brookings Institution Press,      pp. 75-101. </p>        <p>Sniderman,      P. M., Brody, R. A., e Tetlock, P. E. (1991), <i>Reasoning      and Choice. Explorations in Political      Psychology, Cambridge, Cambridge University      Press.</i>  </p>        <p>Thomassen,      J. (org.) (2005), <i>The European Voter. A Comparative Study of Modern Democracies, Oxford, Oxford University Press.</i> </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Van Biezen, I. (2003), <i>Political Parties in New Democracies.      Party Organization in Southern and East-Central Europe,      Londres, Palgrave MacMillan.</i>  </p>        <p>Van      der Eijk, C., e Franklin,      M. (2009), <i>Elections and Voters,</i> Basingstoke, Palgrave.       </p>        <p>Whitney,      D. C., e Goldman, S. B. (1985), “Media use and time of vote decision”.      <i>Communication Research,</i> 12 (4), pp. 511-529. </p>        <p>Zaller,      J. R. (1992), <i>The Nature and Origins of      Mass Opinion, </i>Cambridge, Cambridge University Press. </p>        <p>Zucchini, F. (1997), “La decisione di voto: i tempi, l’oggetto, i modi”. <i>In</i> P. Corbetta e A. M. L. Parisi (orgs.), <i>A domanda risponde, </i>Bolonha, Il Mulino, pp. 91-138.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> O termo “disponibilidade”    é utilizado por Bartolini (1999), que distingue a predisposição dos eleitores    para mudar as suas opções eleitorais (indecisão) da “volatilidade eleitoral”,    que se refere aos eleitores “flutuantes”, isto é, aos indivíduos que mudam efectivamente    as suas preferências entre duas eleições sucessivas. Neste artigo, a expressão    “instabilidade eleitoral” diz respeito, quando não especificado, aos dois fenómenos.</p>      <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> As bases de dados consideradas    são: Portugal, CEAPP, 2002 e 2005; Espanha, CIS, n.<sup>os </sup>2384 e 2559    para as eleições de 2000 e 2004, respectivamente; Grécia, CNEP, 1996 e 2004.    Apenas os inquéritos gregos são dados de painel. Como outros estudos realizados    sobre este fenómeno (Dalton, McAllister e Wattenberg, 2000), assume-se aqui    que os eleitores conheçam o momento em que tomam as decisões. Apesar dos (potenciais)    problemas já evidenciados por estudos anteriores (Lazarsfeld, Berelson e Gaudet,    1944; Plumb, 1986), o “tempo da decisão” é uma variável normalmente utilizada    nos estudos sobre o comportamento eleitoral. </p>      <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Por eleitorado indeciso compreendem-se    aqui os eleitores que tomam a sua decisão de voto durante os trinta dias que    antecedem o acto eleitoral.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> Como indicador da avaliação    económica considera-se a percepção da situação económica actual ou passada.    A simpatia do líder é medida através da avaliação do líder do partido no governo    (v. o <a name="topa"></a><a href="#a">apêndice</a> para a operacionalização    das variáveis).</p>      <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> As categorias de referência    são os partidos ou coligações de governo (incumbentes). Nos gráficos apresenta-se    apenas a equação que diz respeito aos principais partidos de oposição. Esta    opção, para além de ser oportuna para uma apresentação parcimoniosa dos resultados,    justifica-se sobretudo pelo facto de os eleitores indecisos serem caracterizados    por um perfil marcadamente moderado (v. a secção seguinte). Os dados para os    outros partidos estão disponíveis contactando o autor.</p>      <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> Segundo a codificação adoptada,    os dados apresentados no quadro devem ser interpretados no sentido de valores    mais elevados das variáveis independentes estarem ligados a uma maior estabilidade    (v. <a href="#a">apêndice</a>). </p>      <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Uma possível explicação para    este fenómeno, pelo menos no caso espanhol (Montero, Lago e Torcal, 2007), prende-se    com as características da abstenção que pode alterar o perfil dos eleitores    indecisos em campanhas distintas. Este facto aplica-se também a algumas incongruências    encontradas em relação à exposição aos meios de comunicação.</p>      <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> Estas conclusões são confirmadas    também quando se considera a exposição a outros meios de comunicação (jornais    e rádio).</p>      <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> Neste caso a dificuldade de    generalizar os resultados é acrescida pela diferente operacionalização do nível    de conhecimento (v. <a href="#a">apêndice</a>).</p>      <p><sup><a href="#top10">10</a></sup> <a name="10"></a>A percentagem de eleitores    que “não sabe” ou “não responde” em termos de posicionamento ideológico — que    varia entre um máximo de 23,3% (Espanha 2000) e um mínimo de 10,4% (Grécia 2004)    — é sempre maior para o eleitorado indeciso do que para os eleitores resolutos.    As diferenças entre os dois grupos, todavia, são reduzidas, em especial no caso    português, onde ultrapassam apenas os 3 pontos percentuais.</p>      <p><sup><a href="#top11">11</a></sup> <a name="11"></a>No contexto europeu, a    identificação partidária é uma variável com um estatuto controverso no âmbito    dos estudos sobre o comportamento eleitoral (Budge, Crewe e Farlie, 1976; Berglund    <i>et al.,</i> 2005; Bartle e Bellucci, 2008). Por isso, na apresentação dos    resultados preferiu-se retirar esta variável. No entanto, a inclusão da identificação    partidária no modelo testado não altera de forma substancial os resultados da    análise.</p>      <p><sup><a href="#top12">12</a></sup> <a name="12"></a>Na senda de Converse (1964),    foi testada também uma variável dicotómica que mede a capacidade de os eleitores    se posicionarem na escala ideológica esquerda-direita. Segundo este autor, esta    componente reflecte o nível de sofisticação política e a capacidade de os eleitores    enquadrarem e organizarem num sistema coerente as informações sobre os actores    políticos, estabilizando assim as suas orientações. Neste sentido, os eleitores    que apresentam um sistema de crenças estável (ideologicamente identificados)    deveriam estar mais sujeitos à estabilidade das atitudes e, por conseguinte,    das suas orientações partidárias. Todavia, a análise multivariada não apresentou    nenhum resultado significativo; por isso esta variável foi retirada do modelo    final.</p>      <p><sup><a href="#top13">13</a></sup> <a name="13"></a>Estudos empíricos evidenciaram    as oscilações no grau de conhecimento mostrado pelos eleitores durante a campanha    (Fournier, 1997). Apesar de os indivíduos se distinguirem por diferentes graus    de informação, a exposição dos cidadãos às mensagens dos <i>mass media</i> e    dos actores políticos implica uma maior convergência durante a campanha. No    entanto, no fim da campanha as diferenças tendem a aumentar novamente, voltando    ao nível inicial. Por isso considerou-se esta dimensão um factor estrutural.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top14">14</a></sup> <a name="14"></a>A codificação desta variável    foi feita da seguinte forma: a simpatia para com os líderes dos dois principais    partidos de governo (A e B) foi recodificada de –5 (antipatia) a +5 (simpatia).    Subtraíram-se os dois valores, obtendo uma escala que vai de –10 (antipatia    para o candidato A) a +10 (simpatia para o candidato B). Os valores próximos    de 0 indicam uma substancial ambivalência dos indivíduos em relação aos dois    principais candidatos. </p>      <p><sup><a href="#top15">15</a></sup> <a name="15"></a>As diferenças registadas    em termos do peso da variável ideológica entre os países considerados podem    ser interpretadas como o efeito dos condicionamentos que os respectivos sistemas    partidários impõem aos eleitores. Em particular, é plausível que o grau de polarização,    assim como as estratégias de competição adoptadas pelos principais partidos    nas campanhas eleitorais sejam factores que influenciam de forma relevante o    eleitorado indeciso através da componente ideológica.</p>      <p><sup><a href="#top16">16</a></sup> <a name="16"></a>A este respeito, note-se    que os casos em que a indecisão dentro dos partidos de governo é maior (Grécia    e Portugal) são também aqueles em que a volatilidade interbloco é mais elevada    (Gunther e Montero, 2001).</p>      <p>&nbsp;</p>         <p><a name="0"></a><a href="#top0">**</a> O autor gostaria de agradecer a Carlos    Jalali e a um <i>referee </i>anónimo da revista <i>Análise Social</i> os comentários    à versão anterior do texto. Agradeço também aos coordenadores do projecto “Comportamento    Eleitoral dos Portugueses” a disponibilização dos dados relativos ao inquérito    pós-eleitoral de 2005.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="a"></a><a href="#topa">Apêndice</a></b></p>     <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a02ap0.jpg" width="639" height="937"></p>     
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<surname><![CDATA[Campbell]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
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<source><![CDATA[The American Voter]]></source>
<year>1960</year>
<publisher-loc><![CDATA[Chicago ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The University of Chicago Press]]></publisher-name>
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