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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940 a 2007]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Gender gap in life expectancy: Portugal between 1940 and 2007]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This research examines life-expectancy differences between men and women in Portugal from 1940 to 2007, based on decomposition methods by age and causes of death. Until the 1980s the contribution from mortality decline among younger ages is very significant, but today the main drivers in life-expectancy gains are adult and elderly mortality decreases. On the contrary, during the entire period, the gender gap in life expectancy was an outcome of the adult and elderly mortality differences.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p> <b>A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940    a 2007<a name="top0"></a><a href="#0">***</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <b>Isabel Tiago de Oliveira* e </b><b>Maria Filomena Mendes**</b></p>      <p> *<sup> </sup>ISCTE, Av. das Forças Armadas, 1649-026&nbsp;Lisboa, Portugal.    e-mail: <a href="mailto:isabel.oliveira@iscte.pt">isabel.oliveira@iscte.pt</a></p>      <p>** CIDEHUS, Universidade de Évora, Palácio do Vimioso, apartado 94, 7002-554    Évora, Portugal. e-mail: <a href="mailto:mmendes@uevora.pt">mmendes@uevora.pt</a></p>      <p> <b>&nbsp;</b></p>      <p> Neste artigo são analisadas as diferenças      entre as esperanças de vida masculina e feminina, em Portugal de 1940 a 2007,      com base na decomposição das contribuições de cada grupo etário e de cada      causa de morte. </p>        <p>Em termos cronológicos,      esta investigação mostra a importância do declínio da mortalidade dos mais      jovens na evolução na esperança de vida até aos anos 80 e o significado da      descida da mortalidade dos adultos e, em especial, dos idosos na época actual.      Relativamente à disparidade de esperança de vida entre os sexos, a desigualdade      dependeu fundamentalmente da mortalidade diferencial dos adultos e dos idosos.       </p>          <p><b>Palavras-chave:</b> mortalidade; esperança de vida; contribuições por idade;    contribuições por causa de morte. </p>     <p>&nbsp; </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Gender gap in life expectancy: Portugal between 1940 and 2007 </b>      </p>         <p>This research examines life-expectancy differences between men and women      in Portugal from 1940 to 2007, based on decomposition methods by age and causes      of death. </p>         <p>Until the 1980s the contribution from mortality decline among younger ages      is very significant, but today the main drivers in life-expectancy gains are      adult and elderly mortality decreases. On the contrary, during the entire      period, the gender gap in life expectancy was an outcome of the adult and      elderly mortality differences. </p>        <p><b>Keywords: </b>mortality; life expectancy; age contributions; cause of death    contributions. </p>     <p>&nbsp;</p>             <p> <b>Introdução</b>       </p>         <p>Em Portugal, tal como na maioria dos      países, a duração da vida humana é maior no sexo feminino do que no masculino.      Nem sempre terá sido assim. Quando a dinâmica demográfica é marcada por uma      mortalidade elevada, a esperança de vida é semelhante nos dois sexos. O demorado      e complexo progresso verificado na saúde das populações resultou num aumento      sem precedentes da longevidade e, à medida que a esperança de vida das populações      aumentou, a diferença entre os sexos acentuou-se. </p>          <p>A desigualdade na duração média da vida, favorável às mulheres, é visível nos    países ocidentais durante todo o século xx, embora a vantagem feminina se tenha    iniciado mais cedo (Tabutin e Willems, 1998). Se considerarmos apenas alguns    dos países europeus, podemos observar que no início do século xx a discrepância    da duração média da vida entre homens e mulheres se situava entre 2 e 4 anos    (excepto em Itália, onde este valor era tendencialmente mais baixo). Meio século    depois, a divergência acentuou-se na maioria dos países, situando-se em torno    dos 2,5 a 5 anos. No início dos anos 70, a vantagem feminina aumentou para valores    entre os 5 e os 7 anos. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Diferença na esperança de vida à nascença entre os sexos em alguns países    da Europa </b></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>[quadro      n.º 1]</b> </p>          <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q1.jpg" width="583" height="307"></p>     
<p>&nbsp;</p>              <p>O aumento da longevidade das populações      parece estar associado à tendência para o aumento da desigualdade de esperanças      de vida entre os sexos. A vantagem feminina, na saúde, parecia emergir à medida      que as condições de vida melhoravam e a sua posição social também — tudo aponta      para que o sexo feminino tenha sido mais favorecido pela transição epidemiológica      (Omran, 1971).   </p>         <p>A maior sobrevivência feminina está      associada a múltiplos factores de natureza biológica e social. Meslé e Vallin      (2002) sintetizam um conjunto de vantagens femininas de natureza biológica,      cujo maior impacto se traduz na maior resistência face às doenças do aparelho      circulatório e ao processo de envelhecimento, mas discute também os factores      comportamentais associados à desigualdade de esperanças de vida. Apesar de      muitos dos comportamentos masculinos e femininos serem cada vez mais similares,      essa semelhança é relativa. O trabalho feminino tende a acontecer em profissões      de menor risco para a saúde, o consumo de tabaco e álcool é mais moderado,      a condução mais prudente e, finalmente, a relação com a medicina é mais próxima.      </p>          <p>A vantagem feminina tornou-se cada vez mais acentuada, até que, em finais do    século xx, são notados os primeiros indícios de estabilização e, depois, de    diminuição da desigualdade entre as esperanças de vida feminina e masculina    (Trovato e Lalu, 1996a, 1996b e 1998; Meslé, 2004). Numa investigação recente,    Glei e Horiuchi (2007) examinam o longo período de aumento e a recente diminuição    da distância de esperança de vida entre os sexos: nos anos 70, a diminuição    da discrepância entre as esperanças de vida ocorreu em alguns países do Norte    da Europa e na América do Norte; nos anos 80, esta tendência generalizou-se    à maioria dos países da Europa; mais tarde, nos anos 90, a diminuição do diferencial    entre os sexos chega aos países da Europa do Sul e de Leste. De entre os países    analisados, encontram-se ainda alguns casos em que as diferenças não mostram    qualquer tendência para a diminuição. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Início da tendência para a diminuição da diferença de esperanças de vida    </b></p>        <p> <b>[quadro      n.º 2]</b> </p>           <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q2.jpg" width="581" height="251"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>               <p>Apesar de nos países desenvolvidos se ter generalizado a tendência para a diminuição    da desigualdade entre as esperanças de vida feminina e masculina, as discrepâncias    são ainda muito expressivas. Na maioria dos países da Europa ocidental, as mulheres    vivem, em média, hoje em dia entre 4 e 7 anos mais do que os homens, como se    pode verificar no gráfico n.º 1. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Diferença de esperança de vida entre os sexos em alguns países da Europa    (1950-2005) [<a href="/img/revistas/aso/n194/n194a05g1.jpg" target="_blank">gráfico n.º 1</a>]</b></p>             
<p>&nbsp;</p>              <p>Actualmente, a França, a Espanha e Portugal são os países que apresentam maiores    desigualdades entre as esperanças de vida feminina e masculina<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.    Paradoxalmente, esta associação não está ligada aos níveis de esperança de vida    da população: tanto a Espanha como a França fazem parte dos países europeus    com maior esperança de vida, enquanto Portugal é o país da Europa ocidental    com esperança de vida mais baixa tanto para os homens como para as mulheres.  </p>         <p>Recordemos que a esperança de vida à      nascença corresponde à duração média da vida de uma população, de acordo com      as condições de mortalidade observadas num dado momento do tempo. Não corresponde      à duração média da vida de nenhuma geração em concreto, pois para calcular      esse valor seria necessário aguardar que todos os indivíduos dessa geração      tivessem morrido, e só então poderíamos proceder ao referido cálculo. A análise      longitudinal, ou por geração, limitar-nos-ia, nos dias de hoje, a calcular      a esperança de vida somente para as gerações nascidas em finais do século      xix-inícios do século xx. Assim, a alternativa usual consiste      no cálculo da esperança de vida numa perspectiva transversal ou de momento:      as taxas de mortalidade por idade e as correspondentes probabilidades de sobrevivência      observadas nesse período, são utilizadas sobre uma geração imaginária que      sobreviveria de acordo com o padrão de mortalidade observado. O processo de      extinção dessa geração imaginária é traduzido numa tábua de mortalidade, a      partir da qual se calcula a esperança de vida à nascença.  </p>         <p>A esperança de vida à nascença é o indicador      com maior significado na análise da mortalidade das populações porque expressa,      de forma rigorosa e sintética, as condições de saúde das populações em cada      momento do tempo. A vantagem do cálculo da esperança de vida em transversal      é, em termos comparativos, obviamente, superior à do cálculo em longitudinal.      Possibilita as comparações de populações actuais entre países ou regiões,      mas também a comparação de populações entre diferentes momentos do tempo.      Permite comparar os efeitos de diferentes condições gerais de saúde sobre      a mortalidade das populações em função do sexo e da idade dos indivíduos.      </p>          <p>Esta investigação tem como objecto a análise da diferença de esperança de vida    à nascença entre homens e mulheres em Portugal desde 1940 e baseia-se na decomposição    das contribuições do declínio da mortalidade em cada idade para a desigualdade    observada na duração média da vida. </p>         <p>Numa primeira fase, de natureza cronológica,      é abordado o progresso da esperança de vida em cada um dos sexos, e só posteriormente      é efectuada uma análise da evolução da divergência de esperança de vida entre      homens e mulheres. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa segunda etapa, centrada na actualidade, é examinada a diferença de duração    da vida com base no mesmo tipo de metodologia, mas estendida às contribuições    das principais causas de morte. A vantagem feminina na esperança de vida e a    actual tendência para a recuperação masculina são discutidas em função do processo    de concentração da morte nas idades mais avançadas e das diferenças na diminuição    da mortalidade em cada um dos sexos.</p>     <p>&nbsp;</p>           <p> <b>A Evolução da esperança de vida em Portugal</b></p>             <p>Em Portugal, as abordagens demográficas      sobre a mortalidade foram objecto de muitas investigações (Baptista, 2007).      De entre os estudos sobre a realidade actual são de destacar a análise das      causas de mortalidade (Morais, 2002), a abordagem da evolução da esperança      de vida associada às condições de vida (Veiga, Moreira e Fernandes, 2004),      a análise da mortalidade numa perspectiva diferencial, segundo o sexo e o      estado civil (Fernandes, 2007), mas também os riscos particulares da população      jovem (Lages, 2007) e ainda a abordagem da diversidade regional na mortalidade      e na saúde (Morais, 2001; Santana, 2002, 2004 e 2005).  </p>         <p>Numa perspectiva metodológica similar      à desta investigação, devemos destacar o trabalho de Canudas-Romo <i>et al</i>.      (2008), no qual as diferenças de esperança de vida entre Portugal e a Espanha      são analisadas de forma a perceber a contribuição da mortalidade, nas várias      idades, para a disparidade entre a duração da vida nas populações espanhola      e portuguesa. Como não poderia deixar de acontecer, a presente análise confirma      muitos dos resultados das investigações anteriores, realizadas com outros      objectivos.  </p>          <p>A análise da desigualdade de esperança de vida entre homens e mulheres deve    ser precedida de uma primeira abordagem sobre a evolução deste indicador em    cada um dos sexos, de <i>per si</i>, de forma a perceber as principais fases    de evolução e as suas características. Nesta análise iremos decompor os acréscimos    na esperança de vida em função dos ganhos na saúde verificados nas várias fases    do ciclo de vida dos indivíduos. Isto é: quanto é que a redução das taxas de    mortalidade em cada idade contribuiu para o aumento da esperança de vida à nascença.  </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Evolução da esperança de vida para homens e mulheres em Portugal </b></p>         <p> <b>[quadro      n.º 3]</b>  </p>           <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q3.jpg" width="447" height="230"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>              <p>Na última metade do século xx, de 1950 até 2000, a esperança de vida      em Portugal subiu de 55,8 para 73,3 anos no caso masculino e de 61 para 80,3      anos no caso feminino. O aumento verificado, respectivamente de 17,5 e 20,3      anos, não aconteceu de forma uniforme: nos anos 40 e 50 os ganhos de esperança      de vida foram fortíssimos, geralmente acima dos 6 anos de vida por cada 10      anos de calendário. Nos anos 60 assiste-se a uma diminuição do ritmo verificado      nas décadas anteriores; nos anos 70, o aumento da esperança de vida ganhou      novamente algum fôlego, com valores mais baixos, mas ainda relativamente próximos      dos registados em meados do século. A partir de 80, a luta contra a mortalidade      continua a mostrar uma evolução muito favorável, mas a um ritmo mais suave.</p>         <p>Nos primeiros anos do século xxi, a esperança de vida continua a aumentar      a um ritmo significativo. No sexo masculino o aumento é de 2,6 anos entre      2000 e 2007 (em termos anuais, corresponde a um ganho médio anual de 0,37),      quando nos períodos anteriores as melhorias na duração da vida eram mais lentas.      No caso feminino, o ritmo mantém-se idêntico — nos primeiros 7 anos deste      século o aumento é de 1,9 anos, ou seja, em termos anuais, o ganho é de 0,27,      similar ao registado nas últimas décadas do século xx. </p>         <p>Nesta análise, o número de anos de diferença      de esperança de vida à nascença é decomposto de forma a particularizar o número      de anos de vida ganhos a partir do declínio específico da mortalidade em cada      idade.  </p>         <p>Este tipo de metodologia foi desenvolvido      nos anos 80 por Pollard (1982) e  Arriaga      (1984). Embora apresentem uma especificação matemática distinta, os dois métodos      baseiam-se na mesma racionalidade e produzem resultados praticamente idênticos      (Preston, Heuveline e Guillot, 2001; Pollard, 1988; Castro, 2001).      </p>          <p>Nesta análise optámos pelo método de Arriaga, por ser o que melhor se adequa    ao tipo de dados publicados nas tábuas de mortalidade habituais, isto é, com    dados discretos. Todos os cálculos efectuados tiveram como base os dados constantes    da <i>Human Mortality Database,</i> uma vez que se trata da única base com tábuas    de mortalidade para um período longo, calculadas exactamente segundo a mesma    metodologia. Esta questão é particularmente importante, uma vez que a utilização    de métodos de decomposição pode ser sensível às aproximações utilizadas no cálculo    das tábuas<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>. Para Portugal, a    <i>Human Mortality Database</i> apresenta valores apenas a partir de 1940, pelo    que esta análise se inicia exactamente nesse ano. </p>         <p> Este tipo de metodologia permite analisar a contribuição      das diminuições da mortalidade, em cada idade, para o aumento da esperança      de vida à nascença nos vários períodos em estudo. Por exemplo, se entre dois      momentos há um ganho de esperança de vida de 5 anos, podemos decompor este      aumento total nos ganhos decorrentes da diminuição da mortalidade no primeiro      ano de vida, entre o primeiro ano de vida e os 15 anos, e assim sucessivamente      até às idades mais avançadas. Continuando com o mesmo exemplo, a diminuição      da mortalidade no primeiro ano de vida poderia ter contribuído com um ganho      de 1 ano para a esperança de vida total, a dos jovens entre o primeiro ano      e até aos quinze anos com 2, etc. A soma das contribuições de todos os grupos      etários corresponde ao aumento da esperança de vida à nascença, neste caso      aos anteriormente referidos 5 anos. </p>         <p>Assim, uma forma habitual de apresentar      os resultados destas análises é explicitando a contribuição de cada grupo      etário em termos absolutos (em anos), ou em percentagem do total dos ganhos      observados. </p>          <p>Vejamos os resultados desta análise, aplicada à realidade portuguesa<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.  </p>         <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Decomposição das contribuições para o aumento da esperança de vida </b></p>         <p> <b>[quadro      n.º 4]</b>  </p>        <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q4.jpg" width="637" height="918"></p>     
<p>&nbsp;</p>              <p>Numa perspectiva cronológica, podemos      verificar que até 1980 os ganhos na esperança de vida estão muito dependentes      da mortalidade dos mais jovens. Nos anos 40, mais de 60% dos ganhos na esperança      de vida masculina e feminina são consequência directa da mortalidade até ao      15.º aniversário; nos anos 50, a contribuição da diminuição da mortalidade      dos mais jovens situa-se em mais de 50%, mas, nas décadas seguintes, a contribuição      relativa da mortalidade dos mais jovens aumenta novamente, explicando mais      de 70% dos ganhos ocorridos na esperança de vida na década de 60 no sexo feminino      e mais de 90% dos ganhos de esperança de vida no sexo masculino. Nos anos      70, esta contribui com mais de 65% e de 78% nos ganhos na duração da vida      feminina e masculina, respectivamente. Destaque-se ainda que durante os anos      60 e 70 a contribuição da mortalidade dos menores de 15 anos depende de forma      mais acentuada do que nas décadas anteriores dos ganhos verificados exclusivamente      na mortalidade infantil (isto é, até ao 1.º aniversário). </p>         <p>A partir dos anos 80, a diminuição da      mortalidade dos mais jovens deixa de representar mais de metade dos ganhos      totais na esperança de vida feminina. Nesta década, a contribuição relativa      destas idades não atinge os 50%, mas para o sexo masculino o declínio da mortalidade      até aos 15 anos é ainda a principal fonte de aumento da esperança de vida.      Entre os anos 90 do século xx      e 2005, a contribuição destes grupos etários situa-se já nos 20%. Nos últimos      anos, em 2005-2007, o declínio da mortalidade dos mais jovens tem uma contribuição      muito reduzida nos ganhos de esperança de vida masculina e praticamente nula      na feminina. </p>          <p>A mortalidade dos adultos, entre os 15 e os 59 anos<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>,    tem um percurso menos linear. Nos anos 40, os ganhos na mortalidade dos adultos    contribuem com cerca de 25% para o aumento da esperança de vida. Na década seguinte,    a diminuição da mortalidade nesta faixa etária representa cerca de 40% do aumento    da esperança de vida. A contribuição relativa da mortalidade nestas idades tende    a diminuir nos anos 60 e 70, embora nas mulheres este valor seja ainda muito    significativo na década de 60, contribuindo quase com 20% dos ganhos ocorridos.    A importância da mortalidade dos jovens adultos, de ambos os sexos, é particularmente    importante até 1960. A partir desta data perde a sua anterior expressão e só    mais tarde volta a ser significativa para o aumento da esperança de vida. Já    nos anos 60, tem início um ciclo de contribuições negativas para a esperança    de vida por parte dos jovens adultos, em especial no sexo masculino<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>.    Este aumento da mortalidade dos jovens adultos do sexo masculino está associado    aos acidentes de viação e verificou-se também em muitos países europeus (Pampel,    2001; Meslé e Vallin, 2002; Gómez-Redondo e Boe, 2005; Canudas-Romo <i>et al.,</i>    2008). </p>         <p>Nos anos 90, a diminuição da mortalidade      dos adultos inicia uma nova tendência para contribuir de forma mais expressiva      para os ganhos na esperança de vida à nascença. A contribuição da evolução      da mortalidade entre os 15 e os 59 anos volta a aproximar-se dos 20% a 30%      dos ganhos na esperança de vida. No primeiro quinquénio do século xxi, a diminuição da mortalidade dos adultos      é tão acentuada no caso masculino que explica mais de 40% dos ganhos ocorridos      na esperança de vida; no entanto, para as mulheres, embora os ganhos sejam      também importantes, situam-se apenas em cerca de 20% do total. A maior importância      dos ganhos na esperança de vida decorrentes do decréscimo da mortalidade dos      adultos continua a verificar-se nos dois últimos anos analisados. </p>         <p>Relativamente à mortalidade dos idosos,      aqui considerada a partir das idades acima dos 60 anos, podemos verificar      que mostra uma evolução crescente. Nas três primeiras décadas, a diminuição      da mortalidade dos mais velhos contribui com valores entre 1% e 10% para os      ganhos totais na esperança de vida. Os decréscimos da mortalidade nestas idades      revelam maiores efeitos no sexo feminino do que no masculino. A partir dos      anos 70, a redução da mortalidade dos idosos acentua-se de forma expressiva.      Nesta década, 25% dos ganhos na esperança de vida feminina e 18% na masculina      dependem da melhoria da saúde nestas idades. Nas décadas seguintes, a contribuição      relativa da descida da mortalidade verificada neste grupo etário aumenta de      forma ainda mais expressiva. Nos anos 80, aquelas contribuições situam-se      em 30% e 40% e nos anos 90 em torno dos 50% e 60%. Finalmente, no início do      século xxi, o peso da diminuição      da mortalidade dos idosos passa a ser claramente preponderante, se comparado      com os outros grupos etários. Nos últimos anos, mais de 50% dos ganhos na      esperança de vida masculina e quase 80% no caso feminino são consequência      directa da melhoria da saúde nestas idades. </p>         <p>Em suma, até aos anos 80, os ganhos      na esperança de vida, tanto para homens como para mulheres, estão muito dependentes      da mortalidade dos jovens e em particular das crianças até ao 1.º aniversário.      A partir dos anos 80, a evolução da esperança de vida depende mais significativamente      da saúde dos adultos e dos idosos e no final do período em análise depende      fundamentalmente da mortalidade dos mais velhos. </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta tendência para os ganhos na esperança de vida se darem a partir da diminuição    da mortalidade dos indivíduos cada vez mais velhos ocorre primeiro nas mulheres    e só depois no sexo masculino<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.    Este desfasamento temporal torna-se particularmente importante a partir dos    anos 80, quando o decréscimo das contribuições da mortalidade dos grupos etários    mais jovens para a evolução da esperança de vida se associa ao aumento da importância    da mortalidade dos adultos e dos idosos.  </p>          <p>O facto de a descrição anterior ser efectuada em paralelo, para os homens e    para as mulheres, mostra como em ambos os sexos o aumento da esperança de vida    à nascença decorreu de diminuições da mortalidade verificadas, em grande medida,    em simultâneo para os dois sexos. No entanto, nas últimas décadas, a similitude    etária na origem dos ganhos de esperança de vida é menos notória. Podemos confirmar    esta ideia a partir de uma análise das correlações das contribuições de cada    grupo etário entre os dois sexos. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Correlações entre as contribuições etárias para o aumento da esperança de    vida </b></p>         <p> <b>[quadro      n.º 5]</b></p>          <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q5.jpg" width="555" height="78"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O exame dos coeficientes de correlação entre as contribuições, dadas por cada    grupo etário para a evolução da duração da vida, mostra que até 1990 são os    mesmos grupos que contribuem, em ambos os sexos, para os ganhos ocorridos na    esperança de vida (correlações sempre acima de 97% e em alguma décadas de 99%).    Nos anos 90 e no início do século xxi, a situação transforma-se de forma clara:    as correlações diminuem de forma brusca, revelando que, na actualidade, as esperanças    de vida masculina e feminina dependem de forma desigual dos ganhos na saúde    conseguidos nas diferentes idades. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p> <b>Decomposição etária      da diferença de esperanças  de vida      entre os sexos (1940-2007)</b>  </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vimos anteriormente que, em Portugal, a disparidade entre as esperanças de    vida masculina e feminina aumentou ao longo do século xx e que só no final dos    anos 90 esta tendência se inverteu. Na actualidade, a diferença entre as esperanças    de vida feminina e masculina supera ainda os 6 anos. </p>     <p>&nbsp; </p>         <p><b>Evolução das esperanças de vida para homens e mulheres em Portugal </b></p>         <p> <b>[quadro      n.º 6]</b></p>      <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q6.jpg" width="321" height="212"></p>      
<p>&nbsp;</p>          <p>O mesmo tipo de metodologia utilizado anteriormente para decompor as contribuições    de cada grupo etário para a evolução das esperanças de vida à nascença foi utilizado    para analisar as desigualdades entre a mortalidade masculina e feminina em cada    uma das datas em análise neste estudo. </p>     <p>&nbsp; </p>         <p><b>Contribuição dos grupos etários para a diferença nas esperança de vida entre    os sexos </b></p>          <p> <b>[quadro n.º 7]</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q7.jpg" width="558" height="371"></p>     
<p>&nbsp;</p>         <p>Nesta análise sobre as discrepâncias      de esperança de vida entre homens e mulheres, a mortalidade dos mais jovens      é sempre uma peça secundária. De facto, embora até 1960 a mortalidade até      aos 15 anos tenha mostrado alguma importância para a distância de esperanças      de vida entre os sexos, quando explica cerca de 20% das diferenças na esperança      de vida, desde os anos 60 a sua importância decresce de forma clara e, hoje      em dia, a sua contribuição é apenas residual. </p>          <p>A mortalidade dos adultos e dos idosos tem sido o maior determinante na desigualdade    de duração da vida média observada entre os sexos. A mortalidade entre os 15    e os 59 anos apresenta, ao longo de todo este período, contribuições relativas    em torno dos 45% a 50% das diferenças observadas. A mortalidade dos mais velhos    tem vindo a ganhar uma importância crescente. Observa-se uma subida gradual    mas constante — um aumento quase linear. Se, em 1940, a mortalidade acima dos    60 anos explicava 26% da diferença de esperanças de vida entre homens e mulheres,    na actualidade representa mais de 50%<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.  </p>        <p>Em suma, desde os anos 60 que mais de 80% da desigualdade entre os sexos depende    da diminuição da mortalidade de adultos e idosos e, na actualidade, essa diferença    de esperanças de vida depende em mais de 95% da desigualdade nestas idades.  </p>     <p>&nbsp;</p>        <p> <b>A Desigualdade entre      os Sexos na Actualidade: Idades e Causas de Morte </b>  </p>         <p>Portugal é, actualmente, um dos países      da Europa ocidental onde a diferença de esperanças de vida entre os sexos      é mais expressiva. Apesar dos primeiros sinais de recuperação por parte da      população masculina, a vantagem feminina situa-se em cerca de 6 anos.      </p>         <p>Como vimos, hoje em dia, a maior duração      da vida para as mulheres decorre, em mais de 95%, de diferenças na mortalidade      da população em idade activa e idosa. A tendência para o acentuar da importância      das idades avançadas nesta divergência de esperanças de vida entre sexos é      também notória a partir da análise precedente. </p>         <p>A vantagem feminina na saúde pode ser      também abordada em função das principais causas de morte, seguindo o mesmo      tipo de metodologia, mas agora na dupla perspectiva das idades e das causas      de morte (Arriaga, 1989). </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A decomposição da diferença de esperanças      de vida segundo a causa de morte implica que ao longo do tempo as causas de      morte tenham sido classificadas segundo o mesmo critério e que não existam      muitos óbitos por causa desconhecida. É uma dupla limitação causada pelos      dados, que teve como consequência, nesta análise, o balizar dos cálculos na      última década. Para esta época estão disponíveis dados segundo a mesma Classificação      Internacional das Doenças (ICD — versão 10), sendo por isso desnecessário      proceder ao longo e complexo processo de compatibilização de critérios entre      as sucessivas versões do sistema de classificação internacional. Por outro      lado, é também o período no qual os óbitos por causa desconhecida têm uma      dimensão menor do que anteriormente (Morais, 2002).  </p>       <p>Para além destas questões de natureza      prática, o objectivo desta análise sobre a situação actual é aprofundar a      investigação da desigualdade de esperanças de vida entre os sexos numa fase      em que a longa tendência para a divergência tende, pela primeira vez em Portugal,      a atenuar-se.  </p>         <p>Vejamos primeiro os dados de base no      que respeita às causas de morte em Portugal na actualidade. O primeiro dos      pontos a referir nesta abordagem é a dimensão dos óbitos por causas desconhecidas:      sempre mais de 10% dos casos não especificam correctamente a causa de morte.      Trata-se de um valor sem paralelo na Europa. Em 2005, na Europa dos 15, este      valor situava-se em 3,5% (Eurostat).  </p>          <p>O facto de as causas desconhecidas atingirem esta dimensão, mesmo nos dias    de hoje, requer alguma precaução na análise dos resultados das estimativas sobre    a contribuição de cada uma das causas de morte. Na verdade, estes resultados    só seriam válidos se, nas populações em comparação, as causas desconhecidas    tivessem sensivelmente a mesma dimensão e, se em simultâneo, fosse razoável    admitir que estes óbitos, de natureza desconhecida, acontecem por efeitos das    mesmas causas subjacentes. Ainda assim, os valores calculados seriam sempre    estimativas por defeito, uma vez que, se os óbitos de origem desconhecida tivessem    sido correctamente especificados, todas as outras causas teriam maior importância    relativa e, por isso mesmo, maiores contribuições para as diferenças observadas.    Apesar destas limitações, é útil perceber a importância das principais causas    de morte na desigualdade de esperanças de vida<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.  </p>          <p>Vejamos, em primeiro lugar, a importância relativa das principais causas de    morte em Portugal. Na actualidade, em Portugal, tal como na maioria dos países    europeus, a morte ocorre fundamentalmente por falência do sistema circulatório    ou devido a doenças do foro oncológico. A mortalidade por doenças respiratórias    é uma causa de morte cuja expressão é também significativa. De entre estas três    principais causas de morte, é de assinalar que os tumores malignos são mais    frequentemente uma causa de morte no sexo masculino, tal como as doenças do    sistema respiratório; pelo contrário, as doenças do sistema circulatório são    mais frequentemente uma causa de morte na população feminina. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Principais causas de morte em Portugal (ICD-10) </b></p>        <p> <b>[quadro      n.º 8]</b>  </p>               <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q8.jpg" width="558" height="237"></p>          
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todas as restantes causas de morte especificadas têm valores muito inferiores.    No entanto, as causas externas, em que se incluem os acidentes rodoviários,    são também importantes no caso masculino. No entanto, tem-se assistido, na última    década, ao decréscimo das mortes devidas a este tipo de causa. </p>         <p>As doenças do sistema digestivo têm      ainda alguma expressão, especialmente no sexo masculino, e o mesmo sucede,      embora a níveis muito mais baixos, com as doenças infecciosas (entre as quais      se inclui a SIDA). Em ambos os casos não é clara nenhuma tendência para o      aumento ou diminuição dos óbitos decorrentes destas duas causas.  </p>         <p>Situação diferente ocorre nas causas      de morte associadas aos sistemas endócrino, nutricional e metabólico (em que      se inclui a diabetes). Neste caso, assiste-se a uma tendência para o aumento      das mortes devidas a estas afecções. </p>          <p>Antes da análise relativa à contribuição das diversas causas de morte para    a diferença de esperança de vida entre homens e mulheres, é útil perceber quais    as causas de morte que contribuíram de forma mais significativa para a evolução    das esperanças de vida nos últimos 10 anos. Tanto nos homens como nas mulheres,    a evolução da esperança de vida decorreu, em grande medida, das melhorias conseguidas    no combate à mortalidade por doenças do sistema circulatório: correspondentes    a mais de 60% e 70 % dos ganhos observados no caso do sexo masculino e a cerca    de 45% dos ganhos no caso feminino. </p>     <p>&nbsp; </p>         <p><b>Contribuições das principais causas de morte para a evolução da esperança    de vida </b></p>          <p> <b>[quadro n.º 9]</b></p>          <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q9.jpg" width="556" height="242"></p>     
<p>&nbsp;</p>              <p>A diminuição da mortalidade por causas      externas é relevante na explicação do aumento da duração da vida no final      dos anos 90, mas é menos saliente nos últimos 5 anos. No caso dos homens,      a luta contra as doenças do foro oncológico tem também alguma expressão nos      ganhos de esperança de vidas nesta última década, mas no caso feminino isso      não acontece. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, algumas causas de morte      contribuíram de forma negativa para a evolução da esperança de vida: é o caso      das doenças do sistema respiratório nos últimos 5 anos do século xx, tanto no caso masculino como no feminino;      o mesmo se verificou com as doenças nutricionais, endócrinas e metabólicas      no primeiro quinquénio do século xxi.      No último quinquénio, as “causas mal definidas” são o segundo factor mais      importante para o aumento da esperança de vida, o que demonstra a fragilidade      destas estimativas por causa de morte.  </p>         <p>Em suma, na última década, o grande      factor de aumento da esperança de vida, tanto para homens como para mulheres      é a diminuição da mortalidade associada às doenças do sistema circulatório.      Todas as outras causas de morte apresentam contribuições para a evolução da      esperança de vida de muito menor magnitude. </p>         <p>O facto de os problemas do sistema circulatório      explicarem de forma tão categórica os ganhos na duração média da vida para      homens e mulheres não significa que seja esta a principal causa da diferença      observada entre a duração da vida masculina e feminina. Tal como na análise      das contribuições por idade, é necessário proceder à decomposição por causa      de morte da desigualdade das esperanças de vida masculina e feminina em cada      momento (v. quadro n.º 10). </p>          <p>&nbsp;</p>         <p> <b>Decomposição das diferenças      de esperança entre os sexos segundoa causa de morte</b>  </p>               <p> <b>[quadro n.º 10]</b></p>     <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q10.jpg" width="556" height="744"></p>          
<p>&nbsp;</p>     <p>No presente, a desigualdade de esperan&ccedil;a de vida entre homens e mulheres    decorre de tr&ecirc;s factores, que apresentam, em termos de import&acirc;ncia,    a mesma ordem de grandeza: as doen&ccedil;as do foro oncol&oacute;gico (cuja    contribui&ccedil;&atilde;o para a diferen&ccedil;a de esperan&ccedil;a de vida    entre os sexos se situa em torno dos 20% a 25%); as doen&ccedil;as do sistema    circulat&oacute;rio (com uma import&acirc;ncia relativa que ronda os 20%); por    &uacute;ltimo, as causas de morte externas, as quais explicam cerca de 18% da    diferen&ccedil;a observada nas esperan&ccedil;as de vida. </p>     <p>Todas as outras causas de morte t&ecirc;m um peso significativamente menor    na explica&ccedil;&atilde;o da dist&acirc;ncia entre homens e mulheres, embora    as doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio sejam relativamente importantes,    contribuindo com quase 9%, e as doen&ccedil;as do aparelho digestivo tamb&eacute;m    tenham alguma express&atilde;o, explicando cerca de 7% da diferen&ccedil;a total    entre as esperan&ccedil;as de vida masculina e feminina.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As doen&ccedil;as infecciosas t&ecirc;m ainda algum significado, embora bastante    menor, tal como acontece com as doen&ccedil;as devidas a &#8220;outras causas&#8221;.    As doen&ccedil;as de natureza end&oacute;crina, nutricional e metab&oacute;lica    revelam uma contribui&ccedil;&atilde;o diminuta para a discrep&acirc;ncia de    esperan&ccedil;a de vida entre os sexos. Pelo contr&aacute;rio, as &#8220;causas    mal definidas&#8221;, isto &eacute;, n&atilde;o especificadas aquando da ocorr&ecirc;ncia    do &oacute;bito, t&ecirc;m um peso significativo, em torno dos 12% a 15%. Mais    uma vez sublinhamos o facto de estas estimativas sobre a contribui&ccedil;&atilde;o    de cada uma das causas de morte serem por defeito relativamente &agrave; verdadeira    contribui&ccedil;&atilde;o de cada uma das causas.</p>     <p>Em suma, na última década a desigualdade de esperança de vida entre homens    e mulheres esteve dependente fundamentalmente das doenças do sistema circulatório,    dos tumores e dos óbitos por causas externas. </p>     <p>Apesar do interesse da análise da desigualdade      da duração média da vida em função da causa de morte, a esperança de vida      à nascença depende inteiramente da idade em que ocorrem os óbitos e não da      situação de saúde que está na sua origem. Se um óbito ocorrer na idade <i>x</i>,      o número de anos de vida retirados à população é exactamente o mesmo, independentemente      da causa que lhe esteve subjacente. O padrão etário dos óbitos de uma tábua      de mortalidade traduz a <i>força da mortalidade</i> de uma população real      e constitui o cerne do cálculo da duração média da vida. </p>         <p>Nas populações com baixa esperança de      vida, a mortalidade tem um padrão etário em forma de U. Quer isto dizer que      a força da mortalidade (ou as taxas de mortalidade por idade) apresenta valores      elevados nos grupos mais jovens, diminuindo desde o nascimento até cerca dos      15-20 anos, idade a partir da qual se entra num patamar de baixa mortalidade,      embora ligeiramente crescente; a partir dos 40-50 anos, a mortalidade aumenta      de forma muito acentuada. Nas populações em que a mortalidade é elevada, a      primeira parte do U — a mortalidade infantil, das crianças e dos mais jovens      — é muito acentuada. À medida que a saúde das populações melhora e a duração      média da vida aumenta, a mortalidade dos jovens diminui de forma acentuada      e o modelo pode ser descrito como uma curva em J. </p>         <p>O padrão etário dos óbitos vai, progressivamente,      perdendo a sua dispersão inicial e concentra-se nas idades tardias. Esta mudança      traduz-se no processo de <i>rectangularização </i>das curvas de sobrevivência.      A maior esperança de vida encontrada nas mulheres revela uma maior <i>compressão</i>      da mortalidade nas idades tardias, maiores níveis de sobrevivência do que      na população masculina, mas, em simultâneo, faz abrandar o ritmo de aumento      da esperança de vida. Os homens encontram-se numa fase menos avançada do processo      de rectangularização e, por isso, os declínios da mortalidade contribuem com      um maior número de anos para o cômputo da esperança média de vida à nascença.       </p>          <p>É neste sentido que Glei e Horiuchi (2007) discutem em que medida a evolução    da diferença de esperança de vida entre os sexos se deve a dois factores: por    um lado, à desigualdade entre os sexos no ritmo de descida da mortalidade e,    por outro lado, ao efeito da distribuição etária dos óbitos. No seu estudo concluíram    que a diminuição da distância entre as esperanças de vida masculina e feminina,    verificada entre a segunda metade dos anos 70 e o início do século xxi, se deve    predominantemente ao padrão etário da distribuição dos óbitos, isto é, ao processo    de rectangularização das curvas de sobrevivência. Portugal é, de entre os países    analisados, aquele onde este efeito é mais marcado e é dos poucos onde as diminuições    da mortalidade ainda levariam a um aumento do diferencial nas esperanças de    vida entre meados dos anos 70 e 2004<a name="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a><sup></sup>.  </p>         <p>Dado que em Portugal a atenuação da      desigualdade entre as esperanças de vida entre os sexos tem início no final      dos anos 90, é essencial perceber se, neste período, o maior aumento da esperança      de vida no sexo masculino decorreu exclusivamente dos efeitos de rectangularização      ou também de uma diminuição diferencial das taxas de mortalidade. </p>          <p>Os declínios da mortalidade em cada um dos sexos podem ser observados a partir    da comparação dos ganhos nas probabilidades de sobrevivência entre cada duas    idades. </p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>Probabilidades de sobrevivência entre idades (1995 e 2005) </b></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>[quadro n.º 11]</b></p>     <p><b><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05q11.jpg" width="557" height="419"></b></p>      
<p>&nbsp;</p>               <p>Como podemos observar, nesta última década as diminuições da mortalidade conduziram    a um aumento das probabilidades de sobrevivência, mais significativo no sexo    masculino do que no sexo feminino. Neste sentido, a actual aproximação das esperanças    de vida traduz, em parte, a menor repercussão das diminuições da mortalidade    no sexo feminino associada a um processo mais avançado na rectangularização    das curvas de sobrevivência, mas reflecte também uma diminuição mais acentuada    das taxas de mortalidade no sexo masculino. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p> <b>Conclusão</b>       </p>         <p>O debate sobre a origem das diferenças      de esperança de vida entre homens e mulheres tem inúmeras faces. Nesta investigação      não abordamos mais do que a vertente demográfica, pelo que devemos manter      a discussão dentro deste âmbito. </p>         <p>Em Portugal, a desigualdade de esperança      de vida entre homens e mulheres acentuou-se até finais do século xx, acompanhando a tendência para o aumento      global da duração média da vida. Só na segunda metade dos anos 90 se inicia      uma nova tendência, em que se atenua a distância entre os sexos. </p>         <p>Neste estudo foi possível mostrar a      importância fundamental do declínio da mortalidade dos mais jovens para os      ganhos verificados na esperança de vida até aos anos 80 e, posteriormente,      a importância crescente das descidas na mortalidade de adultos e idosos. A      mortalidade dos grupos etários mais velhos tornou-se, progressivamente, o      factor-chave na evolução da duração da vida. </p>         <p>Ao contrário do que aconteceu com a      evolução da esperança de vida em cada um dos sexos, a distância entre homens      e mulheres sempre dependeu fundamentalmente das diferenças de mortalidade      de adultos e idosos. Se até aos anos 60 estes grupos etários eram responsáveis      por cerca de 80% da distância entre as esperanças de vida, na actualidade      a sua contribuição excede os 95%. Esta desigualdade entre sexos na esperança      de vida à nascença está associada, fundamentalmente, a três causas de morte:      doenças do sistema circulatório, tumores malignos e óbitos por causas externas.      </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As causas de morte agem sobre a esperança      de vida de uma forma indirecta. A transição epidemiológica alterou a composição      das causas de morte das populações. Esta transformação dos factores que estão      na origem da morte dos indivíduos correspondeu a uma mudança nas idades em      que ocorrem os óbitos. É essa transformação no padrão etário da mortalidade      que está na origem da evolução da esperança de vida em cada um dos sexos e,      por consequência, das diferenças observadas entre os sexos. Na actualidade,      a evolução da mortalidade está fundamentalmente associada ao adiamento dos      óbitos para idades cada vez mais tardias, sem que se verifique uma mudança      na estrutura das causas de morte: a época do adiamento das doenças degenerativas      (Olsansky e Ault, 1986) parece ser um novo patamar na transição epidemiológica.      </p>          <p>&nbsp;</p>              <p><b>Bibliografia</b> </p>         <p>Arriaga,      E. E. (1984), “Measuring and explaining the change in life expectancies”.      <i>Demography,</i> 21 (1), pp. 83-96.  </p>         <p>Arriaga,      E. E. (1989), “Changing trends in mortality decline during the last decade”.      <i>In</i> L. Ruzicka, W. Guillaume e P. Kane (eds.), <i>Differential Mortality:      Methodological Issues and Biosocial Factors,</i> Oxford, Clarendon Press,      pp. 105-129. </p>         <!-- ref --><p>Baptista, M. I. (2007), “A demografia      em Portugal: um percurso bibliográfico”, <i>Análise Social,</i> xliii (183), pp. 539-579. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0003-2573201000010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Canudas-Romo, V., <i>et al.</i> (2008),      “Mortality changes in the Iberian Peninsula in the last decades of the twentieth      century”. <i>Population-E,</i> 63 (2), pp. 319-344. </p>         <p>Castro,      M. C. (2001), “Changes in mortality and life expectancy: some methodological      issues”. <i>Mathematical      Population Studies,</i>      9, pp. 181-208.  </p>        <!-- ref --><p>Fernandes, A. A. (2007), “Determinantes      da mortalidade e da longevidade: Portugal numa perspectiva europeia (UE15,      1991-2001)”. <i>Análise Social,</i>      xliii (183), pp. 419-443. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0003-2573201000010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Glei,      D. A., e Horiuchi, S. (2007), “The narrowing sex differential in life expectancy      in high-income populations: effects of differences in the age pattern of mortality”.      <i>Population Studies,</i> 61 (2), pp. 141-159. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gómez-Redondo,      R., e Boe, C. (2005), “Decomposition      analysis of Spanish life expectancy at birth: evolution and changes in the      components by sex and age.” <i>Demographic Research, </i>13 (20), pp. 521-546.  </p>         <!-- ref --><p>Lages, M. (2007), “Os comportamentos      de risco dos jovens portugueses e a sua mortalidade”, <i>Análise Social,</i>      xliii (183), pp. 395-418. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0003-2573201000010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Meslé, F. (2004), “Ecarts d’espérance      de vie entre les sexes: les causes du recul de l’avantage féminin”. <i>Revue      d’épidémiologie et de santé publique,</i> 52 (4), pp. 333-352. </p>         <p>Meslé, F., e Vallin, J. (2002), “Mortalité,      sexe et genre”. <i>In</i> G. Caselli,      G. Wunsch e J. Vallin (dirs.), <i>Démographie: analyse et synthèse. Les determinants de la mortalité,</i> vol. iii., Paris, INED, pp. 319-350. </p>         <!-- ref --><p>Morais, M. G. (2001), “Variação espacial      das principais causas de morte durante o século xx no continente português”. <i>Economia      e Sociologia, </i>71, pp. 5-39. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0003-2573201000010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Morais, M. G. (2002), <i>Morte no Século      XX: A Transição da Mortalidade e Estruturas de Causa de Morte em Portugal      Continental,</i> Lisboa, Edições Colibri. </p>         <p>Olsansky,      S. J., e Ault, B. (1986), “The      fourth stage of the epidemiologic transition: the age of delayed degenerative      diseases”. <i>The Milbank Quarterly, </i>64, pp. 355-391.  </p>         <p>Omran,      A. R. (1971), “The epidemiologic transition. A theory of the epidemiology      of population change”. <i>The Milbank Quarterly, </i>49 (4), pp. 509-538.      </p>         <p>Pampel,      F. C. (2001), “Gender equality and the sex differential in mortality from      accidents in high income nations”. <i>Population Research and Policy Review,</i>      20, pp. 397-421.  </p>         <p>Pollard,      J. H. (1982), “The expectation of life and its relationship to mortality”.<i>      Journal of the Institute of Actuaries,</i> 63, pp. 12-57. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pollard,      J. H. (1988), “On the decomposition of changes in expectation of life and      differentials in life expectancy”. <i>Demography,</i> 25 (2), pp. 265-276.       </p>         <p>Preston,      S. H., Heuveline, P., e Guillot, M. (2001), <i>Demography. Mesuring and Modeling Population Processes,</i>      Oxford, Blackwell Publishing. </p>         <!-- ref --><p>Santana, P. (2002), “A mortalidade ‘evitável’      em Portugal continental, 1989 a 1993”. <i>Revista de Estudos Demográficos,</i>      32, pp. 107-146.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0003-2573201000010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santana, P. (2004), “O estado de saúde      dos portugueses. Uma perspectiva espacial”. <i>Revista de Estudos Demográficos,</i>      36, pp. 5-28. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0003-2573201000010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Santana, P. (2005), <i>Geografias da      Saúde e do Desenvolvimento. Evolução e Tendências em Portugal, </i>Coimbra,      Almedina. </p>         <p>Tabutin,      D., e Willems, M. (1998), “Differential      mortality by sex from birth to adolescence: the historical experience of the      West (1750-1930)”. In <i>Too Young to Die: Genes or Gender,</i> Nova Iorque,      United Nations, pp. 17-52. </p>         <p>Trovato,      F., e Lalu, N. M. (1996a), “Narrowing sex differences in life expectancy in      the industrialized world: early 1970s to early 1990s”. <i>Social Biology,</i>      43 (1-2), pp. 20-37.  </p>       <p>Trovato,      F., e Lalu, N. M. (1996b), “Causes of death responsible for the changing sex      differential in life expectancy between 1970 and 1990 in thirty industrialized      countries”. <i>Canadian Studies in Population,</i> 23 (2), pp. 99-126.       </p>         <p>Trovato,      F., e Lalu, N. M. (1998), “Contribution of cause-specific mortality to changing      sex differences in life expectancy: seven nations case study”. <i>Social Biology,</i>      45 (1-2), pp. 1-20.  </p>         <p>World      Health Organization (2003), <i>The World Health Report 2003 — Shaping the      future,</i> Genebra, WHO.  </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Veiga, T. R., Moreira, M. J. G., e Fernandes, A. A. (2004), “Social changes and better health conditions of the Portuguese population 1974-2000)”. <i>Hygiea Internationalis,</i> 4 (1), pp. 255-276.</p>       <p> <b>&nbsp;</b></p>        <p> <b>Notas</b></p>        <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Em toda esta investigação,    a análise reporta-se à diferença de esperança de vida à nascença, e não em qualquer    outra idade, mesmo que tal não seja sempre especificado.</p>      <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> O tipo de metodologia utilizado    no artigo obriga a trabalhar sobre tábuas de mortalidade calculadas exactamente    segundo o mesmo tipo de metodologia. </p>      <p>Para Portugal, existem cálculos de tábuas de mortalidade para períodos anteriores a 1940, mas foram calculados por diversos autores e segundo metodologias ligeiramente diferentes. Embora não afectem a ordem de grandeza dos valores da esperança de vida, têm repercussões nos valores intermédios que são utilizados nestes métodos de decomposição. </p>       <p>Assim, a opção mais rigorosa é a utilização de tábuas de mortalidade para as quais existe a garantia de que foram utilizadas sempre as mesmas regras de cálculo. A única fonte que reúne estas condições para um período relativamente longo é a <i>Human Mortality Database (HMD)</i>. Esta base de dados internacional está a servir, na actualidade, como fonte para a maioria dos trabalhos publicados nas revistas internacionais (quer nos artigos sobre um só país, quer nos de comparação entre países), por ser a mais fidedigna.</p>        <p><sup><a href="#top3">3</a></sup> <a name="3"></a>Parte dos resultados apresentados    nestes dois quadros foi também obtida por Canudas-Romo <i>et al</i>. (2008)    na análise sobre as disparidades entre a esperança de vida em Portugal e Espanha.</p>      <p><sup><a href="#top4">4</a></sup> <a name="4"></a>Estes limites de idade correspondem    à definição de mortalidade dos adultos da Organização Mundial de Saúde, “Probability    that a 15 year old person will die before reaching his/her 60th birthday” (<a href="http://www.who.int/whosis/indicators/compendium/2008/1mru/en/index.html" target="_blank">http://www.who.int/whosis/indicators/compendium/2008/1mru/en/index.html</a>).</p>        <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> No sexo feminino isso acontece    apenas pontualmente. Estas contribuições negativas em algumas idades são parcialmente    camufladas por outros ganhos ocorridos na saúde dos adultos, pelo que ganham    em ser observadas em quadros mais desagregados, segundo a idade (v. <a name="topaa"></a><a href="#aa">anexo    A</a>).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> A precocidade feminina é visível    nos quadros n.<sup>os</sup> 4a e 4b, mas é ainda mais clara se os resultados    estiverem especificados por grupos de idade mais detalhados, como acontece no    <a href="#aa">anexo A</a>.</p>        <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Uma análise mais detalhada    por grupos etários de 5 anos (<a name="topab"></a><a href="#ab">anexo B</a>)    permite verificar que mesmo dentro dos grandes grupos etários existe uma tendência    para o envelhecimento das contribuições etárias para a diferença de esperanças    de vida.</p>        <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> Refira-se que as percentagens    respeitantes às “outras causas” resultam da agregação de causas especificadas    nas estatísticas publicadas, mas que apresentam valores diminutos. As causas    de morte consideradas nesta categoria, “outras causas”, incluem as doenças:    “do sangue e órgãos hematopoéticos e imunológicas”, “mentais e de comportamento”,    do “sistema nervoso e órgãos dos sentidos”, “da pele e tecido subcutâneo”, “do    sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo”, “do sistema geniturinário”, “complicações    da gravidez, do parto e puerpério”, “algumas situações originárias do período    perinatal”, “malformações congénitas e dos cromossomas”.</p>       <p>Trata-se de problemas claramente especificados, cuja agregação decorre apenas da sua fraca expressão numérica. Uma situação totalmente diferente do que ocorre em relação às  causas desconhecidas, em que a certidão de óbito não especifica a causa da morte.</p>        <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> No entanto, como a análise    destes autores toma como base o final dos anos 70, é possível que os resultados    estejam afectados pelas estimativas populacionais disponibilizadas na <i>Human    Mortality Database </i>para os anos 70 (que não consideraram o retorno das ex-colónias    nos anos de 1974-1975, assumindo uma evolução linear da população). Esta situação    teve como resultado um aumento artificial das taxas de mortalidade em meados    dos anos 70, em particular no sexo masculino.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><a name="0"></a><a href="#top0">***</a> Estudo elaborado no âmbito do projecto    PTDC/SDE/68126/2006, “O futuro da população portuguesa: a importância da estimação    da mortalidade e das migrações ao nível regional”, financiado pela Fundação    para a Ciência e Tecnologia (2007/2010), coordenado por Maria Filomena Mendes.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Anexos</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b><a name="aa"></a><a href="#topaa">Anexo A</a> — Decomposição da evolução    das esperanças de vida  </b></p>     <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05aa.jpg" width="560" height="824"> </p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b><a name="ab"></a><a href="#topab">Anexo B</a> — </b><b>Decomposição da    diferença de esperança de vida entre os sexos</b></p>     <p><img src="/img/revistas/aso/n194/n194a05ab.jpg" width="558" height="361"></p>         
 ]]></body><back>
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