<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732010000100009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Cidade e a Saúde]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Maia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marta]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,ISCTE CRIA ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<numero>194</numero>
<fpage>184</fpage>
<lpage>187</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732010000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732010000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732010000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><i>Paula Santana </i>(coord.),      <b>A Cidade e a Saúde, </b>Coimbra, Almedina, 2007, 254 páginas.</p>           <p>Geógrafos, arquitectos, urbanistas,      engenheiros do ambiente e ainda um economista, um pediatra e um artista plástico      fornecem contributos para esta obra colectiva, que resulta de um extenso trabalho      de investigação interdisciplinar. Numa visão abrangente, este livro oferece      pistas preciosas quer para uma reflexão sobre saúde ambiental, desenvolvimento      sustentável, bem-estar dos habitantes das zonas urbanas, planeamento urbano      e saúde pública, quer para a execução de políticas que, numa visão a longo      prazo, apostem na criação de condições urbanísticas que potenciem a saúde      dos habitantes, numa gestão ambiental que dá prioridade à sustentabilidade      e a “estratégias positivas que permitam um caminho certo e enérgico, livre      de qualquer tipo de corrupção e privilégio” (p. 13). Aprazível pela clareza      dos textos e pela qualidade das suas ilustrações, a obra divide-se em três      partes: “A saúde nas cidades”, “A saúde na Área Metropolitana de Lisboa” e      “A saúde na Amadora”.  </p>        <p>A primeira oferece tópicos de reflexão      sobre os conceitos de cidade, de saúde e de urbanização. José Manuel Simões      descreve o movimento das cidades saudáveis, iniciado em 1988 sob o impulso      da Organização Mundial da Saúde e da Comissão Europeia. Por sua vez, Manuel      da Costa-Lobo mostra claramente como a saúde representa      um tema de engenharia e popõe um planeamento urbanístico      multidisciplinar acompanhado por “profissionais-ponte”      (p. 49) de diversos domínios. Maria do Rosário Partidário e Júlio de Jesus      defendem, com justeza, a utilização de instrumentos de avaliação de impacte      ambiental (AIE) e de avaliação ambiental estratégica (AAE) que devem integrar      a análise de factores ligados à saúde e ter em conta não só os aspectos da      saúde relacionados com o indivíduo, mas também os determinantes sociais, ambientais      e institucionais, numa visão holística, orientada por um conceito de saúde      que não ignora as dimensões sociais e psicológicas e por uma apreciação pró-activa      dos problemas associados aos riscos para a saúde. Arlindo Philippi      Jr. e Tadeu Fabrício Malheiros,      por seu lado, abordam a questão da gestão ambiental na governação política      e descrevem estratégias para integrar a qualidade ambiental urbana e o desenvolvimento      humano nas políticas locais e globais. Por fim, Javier de Mesones diz-nos como deveria      ser a “cidade do futuro”: uma cidade «na qual devem ser desenvolvidas acções      e estratégias positivas» de forma pró-activa e racional.  </p>        <p>Na segunda parte, Maria João Alcoforado      e Henrique Andrade, considerando que “os problemas do ambiente e da sustentabilidade      urbana têm de ser equacionados no contexto das mudanças globais, climáticas      e não só” (p. 100), debruçam-se sobre o clima e a saúde na cidade, demonstrando,      através de um estudo de caso, a importância da inclusão de aspectos climáticos      no ordenamento do território. Acerca da sustentabilidade física e social dos      espaços urbanos, Helena Nogueira, Paula Santana e Rita Santos lembram-nos      que as orientações políticas determinam a emergência de “territórios de oportunidade      para a saúde” que se opõem aos “territórios de vulnerabilidade e risco” (p.      119). Porque “os lugares são diferentes e criam diferenças na saúde das populações”      (p. 97), Helena Nogueira, baseando-se nos conceitos de territórios de privação      sociomaterial e de segregação e exclusão socioterritorial,      procura avaliar os níveis de privação sociomaterial.      Paula Santana, Helena Nogueira e Rita Santos abordam ainda um outro tema de      grande actualidade — o da obesidade —, realçando o papel do ambiente neste      problema de saúde que afecta as populações dos países mais ricos e mostrando      que os “ambientes obesogénicos” (p. 143) proporcionam      desequilíbrios vários. A rematar esta parte, que põe em foco a Área Metropolitana      de Lisboa, um artigo sobre “Privação sociomaterial      e saúde na área Metropolitana      de Lisboa” (p. 155), no qual a autora, Helena Nogueira, procura especificar      a relação existente entre a mortalidade, a morbilidade, a privação sociomaterial, a evolução demográfica e as migrações.       </p>        <p>A terceira parte, centrada na Amadora,      destaca a influência das características da área de residência no estado de      saúde (física, mental, emocional, social) da população e na sua qualidade      de vida. Assim, por exemplo, as áreas urbanas com maior densidade e poucos      espaços verdes são as que apresentam valores de desconforto mais elevados.      Por sua vez, o desconforto propicia comportamentos de risco, aumento da criminalidade      e insegurança. A partir destas constatações, os autores apresentam estratégias      para um planeamento urbano que promova a segurança e a qualidade de vida e      contribua para o desenvolvimento sustentável.  </p>        <p><i>A Cidade e a Saúde</i> reflecte      sobre a saúde da cidade e a saúde na cidade, propondo soluções para uma cidade      com melhor saúde. A cidade não se resume a um espaço físico. É um espaço de      vivência que compreende indivíduos com os seus quotidianos, rotinas e relacionamentos.      É um organismo vivo. É, simultaneamente, refúgio e ameaça. Une e discrimina.      Protege e agride. </p>        <p>A ligação entre os problemas de saúde      e o ambiente humano construído já foi largamente demonstrada. Vários estudos      científicos evidenciaram a ligação intrínseca entre a organização da cidade      e a qualidade de vida dos seus habitantes. O planeamento da cidade e a engenharia      urbana têm uma forte relação com a saúde das populações, pois oferecem aos      cidadãos as condições para enfrentar os perigos que comprometem a saúde pública      e para potencializar estrategicamente os recursos ambientais necessários ao      bem-estar e à saúde de todos. Um urbanismo favorável à saúde visa melhorar      ao mesmo tempo a qualidade do ambiente construído e a qualidade de vida dos      indivíduos. Assenta na ideia de que a cidade vai além das construções, ruas      e espaços públicos. É um organismo que vive, que respira, e o seu estado de      saúde está estreitamente ligado ao dos seus habitantes.  </p>        <p>Os sistemas de urbanismo na Europa atribuíram      uma importância crescente ao ambiente construído, assente numa concepção estreita      de cidade que privilegia o rendimento financeiro a curto prazo em detrimento      da qualidade de vida dos habitantes. Mas será que num meio ambiente, numa      cidade e com uma população sem saúde se poderá criar uma economia em boa saúde?      A saúde constitui antes um estímulo importante para a produtividade económica.      Um urbanismo que não favorece a saúde contribui para o aumento das despesas      com esta, com os serviços de polícia e com os serviços sociais. Os urbanistas,      pela sua acção, influenciam os ambientes sociais, físicos e económicos, bem      como a maneira como as cidades funcionam. Por esta razão eles desempenham      um papel fundamental na saúde das cidades, garantindo condições de vida que      contribuem para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos seus habitantes.      Daí que os autores desta obra argumentem solidamente que as questões de saúde,      bem-estar e qualidade de vida devem imperativamente ser encaradas nas políticas      de urbanismo a fim de resolver muitos dos problemas com os quais são confrontadas      as cidades hoje em dia. E que exponham os princípios, os procedimentos, as      políticas e as práticas de um urbanismo em prol da saúde. Os temas abordados      constituem, portanto, elementos importantes para o desenvolvimento de um urbanismo      favorável à saúde. </p>        <p>No universo urbano português, a qualidade      de vida tem mais a ver com a procura do que com a oferta, ou seja, o bem-estar      depende mais do nível social, económico e cultural de cada indivíduo do que      das características de cada cidade e da qualidade da sua oferta pública. Dar      conta das questões de saúde na avaliação de impactes ambientais, no respeito      pela democracia, pela equidade e pelo desenvolvimento sustentável é, pois,      um desafio urgente tanto para os profissionais do ambiente quanto para as      autoridades de saúde, os urbanistas, os promotores privados e os decisores      políticos. Por isso, “o planeamento deve ser considerado em várias escalas      e resulta dos diferentes decisores, desde o nível individual até ao governamental”      (p. 107). </p>        <p>Os processos de planeamento territorial      e a construção da sustentabilidade estão directamente relacionados com o grau      de compromisso dos governos, dos sectores empresariais e da sociedade civil.      “A organização destes atores em formato de parceria cria condições de sinergismo      para que se alcancem resultados palpáveis e duradouros” (p. 78). É, pois,      necessário possibilitar interacções entre ambiente, economia e sociedade,      comunicação e concertação entre os vários parceiros implicados na construção      da cidade, e desenvolver sinergias no sentido de um desenvolvimento mais justo      e duradouro. O desenvolvimento humano não é possível sem qualidade ambiental.      “A saúde está dependente de um conjunto de factores ambientais que têm um      papel fulcral na emergência de oportunidades para a saúde, ou, em oposição,      de vulnerabilidades e risco” (p. 97).  </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa época em que tanto se fala de aquecimento global, de problemas de saúde    pública, de desenvolvimento sustentável, de segurança e de “cidades saudáveis”,    esta obra não só dá conta dos conceitos em jogo, contextualiza os factos e analisa    as situações, como também propõe soluções, orientações estratégicas, pistas    de reflexão e de actuação para responder aos desafios que colocam as cidades,    a urbanização crescente e as suas consequências. Trata-se, portanto, de uma    obra actual, útil e de leitura obrigatória para actores da sociedade (da acção    social à ciência, do activista ao empreiteiro), decisores políticos e não só.  </p>     <p>&nbsp;</p>        <p>Marta Maia</p>       <p>CRIA-ISCTE</p>         ]]></body>
</article>
