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</front><body><![CDATA[ <p ><i>Edward J. Hackett, Olga Amesterdamska, Michael Lynch </i>e<i> Judy Wajcman</i>    (eds.), <b>The Handbook of Science and Technology Studies</b>, Cambridge (MA),    MIT Press, 2008, 1065 páginas.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Ana Delicado </b></p>     <p >ICS, Universidade de Lisboa</p>      <p >&nbsp;</p>        <p >Os    estudos sociais da ciência e tecnologia (ESCT) são uma área científica com crescente    visibilidade e relevância que, ao longo das últimas décadas, tem atingido um    acentuado grau de institucionalização através da publicação de monografias e    periódicos específicos, da constituição de associações, da organização de reuniões    científicas, da criação de centros de investigação e departamentos universitários    e da oferta de programas de pós-gradução. Na confluência    das ciências naturais e sociais e de várias disciplinas das ciências sociais,    estes estudos dispõem de um leque alargado e diverso de objectos de estudo e    enfoques temáticos.</p>      <p >A    presente obra é exemplo disso mesmo. Editada pela 4S — <i>Society</i><i>    for the Social Studies of Science, </i>uma das mais importantes    associações da área que publica a revista <i>Science</i><i>    Technology and Human Values</i> e organiza reuniões    quadrienais (em conjunto com a EASST — <i>European</i><i>    Association for Studies    of Science and    Technology</i>), esta colectânea constitui a 3.ª edição    do <i>Handbook</i>. A 1.ª edição data dos anos 70    [Spiegel-Rösing, Price,    Solla (eds.), 1977] e marca os primórdios    do desenvolvimento desta área; a segunda, editada em 1995 [Jasanoff, Markle, Peterson e Pinch (eds.)], reuniu já quase três dezenas de artigos, alguns dos    quais de referência, amplamente citados e debatidos, como “Boundaries    of science”, de T. Gieryn, “Laboratory studies: the cultural approach to the study of science”,    de K. Knorr-Cetina, “Public    understanding of science”, de B. Wynne, ou “Science controversies: the dynamics of    public disputes in the United    States”, de D. Nelkin.</p>      <p >Os    textos publicados nesta edição (38 artigos de 76 autores) dão conta dos mais    recentes desenvolvimentos teóricos e empíricos dos ESCT, ao mesmo tempo que    revelam o avultado crescimento da pesquisa nesta área. Fiel aos procedimentos    “democráticos” do campo científico, a colectânea resulta de um <i>call</i><i> for papers</i> alargado    e de artigos solicitados pelos editores sobre temáticas específicas não contempladas    nas propostas recebidas. Assim, nas páginas deste livro coexistem autores consagrados    dos ESCT, como B. Latour, H. Collins,    S. Wyatt, S. Shapin ou S. Yearley, estudantes    de pós-graduação e jovens investigadores.</p>      <p >A    origem institucional dos autores é, porém, reveladora de algumas das assimetrias    dos ESCT e do “sistema mundial de ciência”. Mais de metade deles estão associados    a instituições americanas, acima de uma dezena a instituições britânicas e quase    duas dezenas a instituições de outros países europeus (com destaque para a Holanda),    não existindo, contudo, qualquer artigo proveniente de Portugal ou Espanha.    Neste contexto, são somente três os autores provenientes de países “periféricos”    (Colômbia, Índia e Tailândia), ainda que todos com passagens pelas universidades    do “centro”. Se bem que a universalidade da ciência se sobreponha a considerações    nacionais, tal distribuição não deixa de reflectir o papel central dos Estados    Unidos na produção científica e a preponderância da língua inglesa. Até que    ponto esta distribuição representa a efectiva estruturação geográfica do campo    dos ESCT (e não apenas do seu “centro”) é uma questão que se coloca.</p>      <p >A    maioria destes ensaios são essencialmente revisões da literatura existente sobre    determinada temática <i>(review articles)</i>, em alguns casos em diálogo com artigos das    edições anteriores, sintetizando as principais referências teóricas e o conhecimento    produzido em múltiplos estudos empíricos, propondo enquadramentos interpretativos    dos fenómenos ou agendas de investigação futura. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os    artigos encontram-se organizados em cinco partes distintas, precedidas de curtos    textos introdutórios. A primeira parte, intitulada    “Ideas and perspectives”,    reúne textos de natureza essencialmente teórica. Para além de artigos relativos    à história e epistemologia dos ESCT, contém outros que versam sobre algumas    das correntes teóricas que neles influem, tais como a teoria política, a teoria    social feminista, o enquadramento teórico-metodológico    dos “mundos sociais”, o determinismo tecnológico, a sociologia do conhecimento    e os estudos pós-coloniais.</p>      <p >A    segunda parte, intitulada “Practices, people and places”,    tem um cariz fortemente metodológico e empírico. Por um lado, concentra-se na    temática da ciência como prática, que é uma das principais linhas genealógicas    dos ESCT, a qual corresponde aos estudos de natureza local, focados na observação    das actividades e da interacção dos cientistas com outros actores humanos e    não humanos. Neste sentido, podem-se encontrar artigos sobre a comunicação entre    pares e a retórica científica, o contributo das ciências cognitivas para a análise    da prática científica, a necessidade de ligação das etnografias de laboratório    à “produção de factos científicos”, a construção e utilização de imagens científicas,    a utilização da internet no trabalho científico e ainda as culturas epistémicas    da “ciência electrónica” <i>(e-science). </i>Outro tema trabalhado nesta parte é a dimensão    institucional da ciência, com textos que abordam a distribuição geográfica da    ciência e os fluxos de transferência de conhecimento, a reprodução da ciência    pela formação dos cientistas e, por fim, a divisão sexual do trabalho científico    e a persistência de assimetrias de género na ciência.</p>      <p >A    terceira secção, “Politics and    publics”, dá conta das relações da ciência com outras    duas esferas sociais: as instâncias de decisão política e a sociedade civil.    Para além de um primeiro ensaio de natureza mais geral dedicado ao lugar central    da ciência no mundo contemporâneo e a autoridade da mesma, são incluídos textos    sobre o activismo e a mobilização cívica em matérias técnico-científicas (com    destaque para as áreas da saúde e ambiente); os processos de consulta aos cidadãos    e os fóruns híbridos (debates entre peritos e leigos); as interacções entre    utilizadores e tecnologias; as considerações éticas da ciência e da engenharia;    o uso do conhecimento científico pelo poder político.</p>      <p >Designada    “Institutions and economics”, a quarta parte do <i>Handbook</i>    destaca a relação do sistema científico com outras duas esferas sociais: a economia    e o direito. Nestes textos são discutidas questões como a comercialização da    ciência, a propriedade intelectual, o financiamento da investigação, as relações    entre a universidade e a indústria, a transferência de tecnologia, as políticas    de inovação e de capital humano, a relação entre conhecimento e desenvolvimento,    as aplicações militares da ciência e ainda a regulação jurídica da actividade    científica.</p>      <p >Por    fim, a quinta parte, “Emergent technosciences”,    é dedicada às áreas “de ponta” da investigação científica em mais rápida mutação    e desenvolvimento e que requerem uma atenção mais detalhada por parte dos ESCT.    Entre estas consideram-se a genética, a biomedicina,    o ambiente, o sistema financeiro, as tecnologias da informação e comunicação    e a nanotecnologia.</p>      <p >Acrescente-se,    porém, que num leque tão vasto de artigos há pelo menos uma lacuna a apontar,    ou seja, a ausência de estudos que tomem as ciências sociais como objecto dos    ESCT. Ainda que a reflexão epistemológica e histórica de disciplinas como a    sociologia e a antropologia tenha uma ampla tradição, há que estender às ciências    sociais o “princípio de simetria”, submetendo-as ao olhar próprio dos estudos    sociais da ciência. Neste domínio científico está, em larga medida, por fazer    o exame das culturas epistémicas, a realização de etnografias de laboratório,    as análises das políticas científicas dirigidas a este sector, a problematização    da comunicação da ciência e da relação com o público e a discussão do uso do    conhecimento científico sobre o social na concepção de políticas. </p>      <p >Uma palavra final para a escassa visibilidade internacional dos ESCT portugueses.    Entre os milhares de estudos citados ao longo deste livro, menos de meia dezena    são de autores portugueses. É certo que esta é ainda uma área pequena e recentemente    desenvolvida em Portugal, sem o grau de institucionalização já atingido noutros    países. Porém, face aos níveis de crescimento assombrosos que a ciência portuguesa    registou nas últimas décadas, é de esperar que os ESCT também se expandam e    adquiram projecção além fronteiras. Haverá então que esperar por uma 4.ª edição    deste <i>Handbook</i>. </p>      ]]></body>
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